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Direito Aplicado

aos Negócios
Material Teórico
Direito Tributário

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. Tercius Zychan de Moraes

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
Direito Tributário

• Direito Tributário
• Conceito de Tributo
• Nascimento do Tributo
• Hipótese de Incidência Tributária
• Tributos em Espécie
• Contribuição de Melhoria
• Princípios Constitucionais Tributários

OBJETIVO DE APRENDIZADO
Ao final desta Unidade, o aluno será capaz de:
· Entender o que vem a ser Direito Tributário.
· Saber quando nasce a obrigação tributária.
· Entender os conceitos das espécies tributárias.
· Compreender quais são os princípios ligados ao Direito Tributário.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
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Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como o seu “momento do estudo”.

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.

No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Direito Tributário

Direito Tributário

Figura 1
Fonte: iStock/Getty Images

Trocando ideias...Importante!
Você já se perguntou para onde deve ir o dinheiro recolhido por intermédio dos tributos?
O Estado possui uma série de atribuições, todas elas previstas em nossa Constituição,
para financiar de modo eficaz suas missões, garantindo sua real concretização. Busca
como a principal forma de financiamento a arrecadação de recursos mediante o
recolhimento de tributos. Assim, a sociedade financia o Estado para que esse garanta
direitos aos indivíduos e à sociedade de modo geral.

As regras de como tributar – como quem, quanto e quando alguém deve arcar
tributos – formam uma série de parâmetros de cunho legal que passam a ser
estudados por um ramo específico do direito, denominado Direito Tributário.

Para Rubens Gomes de Sousa (1975, p. 40), pode-se conceituar o Direito


Tributário:
É o ramo do direito público que rege as relações jurídicas entre o Estado
e os particulares, decorrentes da atividade financeira do Estado no que se
refere à obtenção de receitas que correspondam ao conceito de tributos.

Ou seja, o Direito Tributário é o ramo do direito que cuida da forma de criação,


responsabilidade pela obrigação e de tudo relacionado à relação tributária.

Ramo do direito – o Direito é formado por uma série de normas jurídicas que se
Explor

destinam a regular diferentes esferas da vida social. Por isso, costumam formar-se
subsistemas jurídicos, com princípios específicos e dotados de uma estrutura interna
que os define como ramos autônomos em relação a outros setores da atividade jurídica.

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Características do Direito Tributário:
· Ramo do Direito Público;
· Relação jurídica: Estado x Particulares;
· Receitas que correspondam ao conceito de tributo – artigo. 3° do Código
Tributário Nacional.

Dessa forma, a tributação no Brasil só pode ser realizada pelo Poder Público, no
sentido de criação de tributos. Os tributos só podem ser criados por lei estabelecidas
por quem tem o poder de legislar para tributar.

Em suma, o Direito Tributário estuda a ação estatal de exigir tributo.

O tributo atinge de perto a propriedade e a liberdade das pessoas, tanto físicas


como jurídicas.

Não no sentido de expropriatório, mas sim um objetivo contributivo, para


garantia e materialização das obrigações do Estado.

Trocando ideias...Importante!
Você consegue imaginar quais obrigações do Estado devem ser financiadas pela
arrecadação tributária?
Bem, podemos dar como exemplo a construção de escolas e hospitais, as atividades de
segurança desempenhadas pelos policiais e bombeiros, assistência social, pagamento
de salário para os agentes públicos etc.

Conceito de Tributo
O conceito do que vem a ser tributo pode se retirado da própria interpretação
da lei, ou seja, do artigo 3º do Código Tributário Nacional, o qual dispõe:
Artigo. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda
ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato
ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plena-
mente vinculada.

O Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966) é uma lei


brasileira que institui as normas gerais de direito tributário exigidas pelo art. 146,
inciso III da constituição brasileira.

Agora que já temos um conceito do que vem a ser um tributo, vamos avançar e
conhecê-lo melhor.

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UNIDADE Direito Tributário

O tributo é uma obrigação ex lege, pois deriva, direta e imediatamente, da


vontade da lei. Nasce quando ocorre o fato, previamente descrito na lei, e por ela
considerado, pronto a desencadear a obrigação tributárias.

Trocando ideias...Importante!
Uma medida provisória ou um decreto de um governante podem criar um tributo?
Não somente a lei, seja ordinária ou complementar, criada pelo Congresso Nacional,
pode criar um tributo previsto na Constituição.

Obrigações ex lege são diferentes das obrigações ex voluntate, pois nessas


últimas a vontade das partes é levada em consideração.

Exemplo: se um menor de três anos obtiver renda, deverá pagar o imposto de


renda, caso de alguma forma vier auferir renda.

Sendo o tributo uma obrigação ex lege, a capacidade tributária passiva, ou seja,


a capacidade de pagar tributos independe da capacidade civil do contribuinte, ou
ainda, sendo ele pessoa jurídica do fato de estar regu larmente constituído.

A lei, a princípio, indica que somente se pode a pagar o tributo em moeda, quer
dizer que se trata de uma obrigação de dar – de dar dinheiro.

Contudo, pode o contribuinte oferecer para o pagamento algo que em moeda


possa se converter (artigo. 3º do Código Tributário Nacional – CTN) – como, por
exemplo, títulos da dívida pública.

A lei não pode obrigar o contribuinte a adotar tal prática, mas esse é um ato
voluntário do contribuinte. Assim, caso queira poderá oferecer outro bem, nas
citadas condições, para o pagamento.

O tributo não se constitui em sanção por ato ilícito. Um tributo nasce da prática
de um fato lícito; ao contrário da multa de trânsito, por exemplo, que surge da
prática de uma ilicitude.

Trocando ideias...Importante!
Tributo e Obrigação tributária são a mesma coisa?
Pode-se utilizar a expressão tributo como sinônimo de obrigação tributária, que por sua
vez forma uma relação jurídica, que de um lado faz surgir a figura de um credor e de
outro, um devedor.

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Pagamento
Obrigatório

+
Em
Dinheiro = Tributo

+
Instituido
em Lei

Figura 2
O sujeito ativo dessa relação é o credor do tributo, a pessoa que tem o direito
subjetivo de cobrar o tributo, ou seja, detentora da denominada capacidade tribu-
tária ativa.

Normalmente, o sujeito ativo da obrigação tributária é a pessoa política (União,


Estado, Município ou o Distrito Federal) que criou o tributo através do exercício de
sua competência tributária, que lhe foi dada pela Constituição Federal.

Ocorre que a capacidade tributária ativa é delegável, através de lei editada pela
pessoa política tributante (quem criou o tributo), mas nada impede que uma terceira
pessoa seja encarregada de cobrar esse tributo. Essa terceira pessoa pode ser uma
autarquia, sociedade de economia mista, uma concessionária de serviços públicos.

A competência tributária de criar o tributo é indelegável; somente a capacidade


de exigir o tributo (capacidade tributária ativa) é delegável. Essa delegação da
capacidade tributária ativa é denominada pela doutrina de parafiscalidade.

Para que exista a parafiscalidade é necessário que a terceira pessoa fique com
o produto da arrecadação do tributo. Essa terceira pessoa pode ser:
· de direito público
· de direito privado, perseguidora de finalidades públicas (são os chamados
entes para estatais).

Exemplo: autarquias e fundações públicas, sindicatos, Sesi, Sesc, Senai etc.

Trocando ideias...Importante!
Uma concessionária de rodovia seria um exemplo de parafiscalidade?
Uma empresa privada que se torna concessionária de uma rodovia é um exemplo de
parafiscalidade, pois, geralmente, essas concessões atribuem à empresa privada as
obrigações de manutenção da via, assistência aos usuários, quando não a ampliação
da própria rodovia, entre outros. Para cumprir essas obrigações, a empresa privada
é remunerada por intermédio de tributos, como, por exemplo, as taxas de pedágio
e de publicidade.

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O sujeito passivo da obrigação tributária é o devedor do tributo, ou seja, a pessoa


que tem o dever jurídico de efetuar o pagamento do tributo. É a pessoa dotada de
capacidade tributária passiva.

Qualquer pessoa, in tese, tem a capacidade tributária passiva. Nessa afirmação,


inclui-se inclusive as pessoas políticas.

Fato Gerador

Sujeito Ativo Lei Sujeito Passivo

Tributo

Figura 3

Nascimento do Tributo

Figura 4
Fonte: iStock/Getty Images

O tributo nasce quando ocorre, no mundo real (fenomênico), o fato lícito e não
voluntário, descrito na hipótese de incidência da norma jurídica tributária.

Assim, temos os seguintes elementos que garantem o nascimento de um tributo:


1. Mundo fenomênico (“mundo em que vivemos”);
2. Fato lícito (tributo não é multa, tributo é obrigação ex lege);
3. Por força do princípio da legalidade, a norma jurídica tributária deve ser
veiculada por lei, editada pela pessoa política competente.

A Constituição Federal delimita as competências das pessoas políticas para a


tributação, criação do tributo, conforme o seu artigo 145.

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Artigo. 145. A União, os estados, o Distrito Federal e os municípios
poderão instituir os seguintes tributos:

I - impostos;

II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização,


efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados
ao contribuinte ou postos a sua disposição;

III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.

Via de regra, a criação de um tributo se dá pela edição de uma lei ordinária; há,
contudo, dois tipos de tributos que devem ser criados por lei complementar, são
eles: empréstimos compulsórios e impostos residuais da União.

No tocante às medidas provisórias, essas não podem criar ou aumentar tributos,


devido à sua própria natureza ser precária, não se adequando à segurança que deve
ter a atividade tributária.

Hipótese de Incidência Tributária


A chamada Hipótese de Indecência Tributária refere-se ao fato descrito em lei
que, quando acontecido, faz nascer, para alguém, o dever de pagar um dado tributo.

Não se deve confundir a hipótese de incidência tributária com o fato imponível do


tributo, pois este último é ocorrência no mundo real do fato previsto in tese na lei.

A expressão fato gerador é equívoca, pois pode ser entendida como sinônimo
de hipótese de incidência ou como sinônimo de fato imponível, o que pode gerar
mal-entendidos. Para solução dessa equivocidade, alguns tributaristas empregam
as expressões:
1. Fato gerador in abstrato = hipótese de incidência tributária;
2. Fato gerador in concreto = fato imponível.

O tributo nasce quando o fato se ajusta rigorosamente a uma hipótese de


incidência tributária, ou seja, pratica no mundo o fato descrito na lei como tributo,
surgindo consequentemente a obrigação de pagá-lo, ou seja, a obrigação tributária.

Como exemplos de fatos geradores pode-se citar: o obter de renda, que faz surgir
a obrigação de pagar o imposto de renda; ser proprietário de veículo automotor,
quando nasce a obrigação tributária de pagar imposto sobre a Propriedade de
Veículos Automotores.

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Vale aqui mencionar os ensinamentos do jurista alemão Albert Hensel (1956,


p. 148) que no ano de 1956 traçou esta frase mencionada em grandes obras de
Direto Tributário:
Só deves pagar tributo se realizas o fato imponível.

Importante para determinar o quanto pagar de tributo é importante à utilização


de dois instrumentos a base de cálculo e a alíquota.

Para Geraldo Ataliba (1973, p. 139), a base de cálculo recebe a denominação


de base imponível:
[...] é uma perspectiva dimensível do aspecto material da hipótese de in-
cidência, que a lei qualifica com a finalidade de fixar critério para deter-
minação, em cada obrigação tributária concreta, do quantum debeatur.

Quer dizer que a base de cálculo trata da dimensão legal da hipótese de incidência
tributária, ela deve estar contida na hipótese de incidência tributária.

Ex.: Hipótese de incidência tributária – auferir rendimentos. Base de cálculos –


renda líquida (dimensão legal da incidência).

Agregada à base de cálculo, para definir o quanto se deve pagar de tributo


(quantum debeatur), é necessária a utilização de uma alíquota, ou seja, de um
critério apontado na lei que, conjugado à base de cálculo, permite que se chegue à
quantia devida a título de tributo (quantum debeatur).

A alíquota pode variar, inclusive dentro do mesmo tributo, como no caso do


imposto sobre a renda das pessoas físicas, cuja alíquota pode variar entre 7,5% a
27,5%, de tal modo aplicando-se a alíquota sobre determinada base de cálculo que
se chega ao valor do imposto a ser pago.

Tributos em Espécie
O já mencionado artigo 145 da Constituição Federal autoriza as pessoas políticas
(União, estados, Distrito Federal e municípios) a criarem os seguintes tributos:
·· Impostos;
·· Taxas; e
·· Contribuição de melhoria.

Da leitura desse, pode-se presumir que tributo é o gênero, sendo os impostos,


as taxas e as contribuições de melhoria, as espécies.

No que tange às denominadas contribuições sociais e os empréstimos


compulsórios, esses se tratam de espécies distintas do gênero tributo, em razão
do que se dispõe à Constituição Federal de 1998.

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Imposto – é a espécie de tributo no qual a obrigação tributária tem por fato
gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa
ao contribuinte.

Taxa – trata-se do tributo que tem por fato gerador o exercício regular do poder
de polícia ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e
divisível, prestado ao contribuinte.

Contribuição de melhoria – é o tributo onde o fato gerador surge em virtude


da valorização de imóvel causado por uma determinada obra pública.

Os empréstimos compulsórios sob o aspecto doutrinário têm natureza contratual.


Contudo, sob a ótica do direito vigente, ele é um verdadeiro tributo. Ele pode ser
instituído em situações de caráter urgente.

Impostos
São os tributos economicamente mais importantes. Trata-se da espécie de
tributo que tem por hipótese de incidência um fato qualquer não consistente numa
atuação estatal.

Imposto é um tributo não vinculado a uma atuação estatal.

Normalmente, nascem de fato regido pelo Direito Privado.

Trocando ideias...Importante!
Diante das informações apresentadas até aqui, você já consegue identificar alguns
impostos que fazem parte do nosso cotidiano?

Os impostos classificam-se em:


· Imposto de Renda – fato de alguém auferir rendimentos;
· Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS – fato de
alguém vender mercadorias;
· Imposto Sobre Serviços – ISS – fato de alguém prestar um serviço;
· Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana – IPTU – fato de alguém ser
proprietário de imóvel urbano.
1. Pessoais: incidem sobre pessoas. Exemplo: Imposto de Renda – IR;
2. Reais: incidem sobre coisas. Exemplo: Imposto sobre Propriedade Territorial
Urbana – IPTU;
3. Diretos (ou que não repercutem): são aqueles cuja carga econômica é su-
portada pelo próprio realizador do fato imponível (pelo próprio contribuin-
te). Exemplo: Imposto de Renda;

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4. Indiretos (ou que repercutem): são aqueles cuja carga econômica é


suportada por terceira pessoa, diversa daquela que realizou o fato imponível:
é o consumidor final. Exemplo: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços – ICMS; Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI;

Classificação jurídica de impostos:


·· No artigo 153 da Constituição Federal encontram-se à competência da
União instituir impostos sobre:
a) importação de produtos estrangeiros;
b) exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;
c) renda e proventos de qualquer natureza;
d) produtos industrializados;
e) operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores
mobiliários;
f) propriedade territorial rural;
g) grandes fortunas, nos termos de lei complementar.
·· No artigo. 155 da Constituição Federal encontram-se os impostos
estaduais:
a) imposto sobre doações;
b) imposto sobre operações mercantis;
c) imposto sobre a propriedade de veículos automotores etc.
·· No artigo 156 da Constituição Federal, encontram-se os impostos municipais:
a) imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana.;
b) imposto sobre a transmissão de bens imóveis – ITBI;
c) imposto sobre serviços.

O Distrito Federal pode criar os impostos estaduais e os impostos municipais


(artigo. 155 caput e artigo. 147, parte final – Constituição Federal).

Todos esses impostos devem ser criados através de lei ordinária.

A União, além dos impostos arrolados no artigo 153, poderá criar quaisquer
outros impostos (artigo. 154 I da Constituição Federal) – desde que não se
confundam com os previstos nos artigos. 153, 155 e 156 da Constituição Federal.
A União desfruta da competência impositiva residual. Essa competência só pode
ser exercida através de Lei Complementar.

Os novos impostos criados em razão dessa competência estão sujeitos às


seguintes condições:
·· O princípio da não cumulatividade com a mesma base de cálculo e fato
gerador de imposto já existente de competência de qualquer pessoa política.

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· 20% do arrecadado com esse novo imposto deverá ser repartido entre os
estados e o Distrito Federal.

Taxas

Figura 5
Fontes: iStock/Getty Images
As Taxas subdividem-se em duas espécies tributárias:
· Taxas de Serviços – é o tipo de tributo que tem como hipótese de incidência
tributária um serviço Público diretamente referido ao contribuinte (nasce
da prestação de um serviço Público).
· Serviço Público – é a prestação de utilidade material de usufruto indi-
vidual sob regime de Direito Público – cabe ressaltar que o serviço não é
considerado público por ser essencial, mas sim porque é prestado por de-
terminação legal. Ex.: o serviço de correios não é essencial, mas é público.

Os serviços públicos dividem-se em:


· Gerais (universais) – são aqueles que alcançam a comunidade como
um todo, não se referem especificadamente a ninguém e beneficiam um
número indeterminado de pessoas.

Ex.: serviço de Segurança Pública.

Esses serviços não são tributados através de taxas, eles são custeados através das
receitas gerais das pessoas políticas que os prestam.
· Específicos – Nasce da prestação de serviço público específico (ou singular)
e indivisíveis, que alcançam os contribuintes de uma forma individual,
referindo-se diretamente a alguém.

São dotados de divisibilidade, são prestados UTI SINGOLI.

Ex.: serviço de fornecimento domiciliar de água potável. Esses serviços são


remunerados através de taxas.
· Divisibilidade – É a possibilidade de aferir a utilização efetiva ou potencial
individualmente considerada.

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Podemos dar como exemplo:


Exemplos de taxas de Polícia Federal: Taxa de Inspeção e fiscalização de bebi-
das alcoólicas;
Exemplos de taxas de Polícia Estadual: Taxa de vistoria em anúncios em rodovias;
Exemplos de taxas de Polícia Federal: Taxa de licença para construir, para demolir,
para reformar.

A taxa pode ser cobrada de quem efetivamente utilizou o serviço ou, ainda,
daquele que tem o serviço colocado a sua disposição – é uma característica do
Direito Positivo Brasileiro.

Ex.: mesmo quem não usa a água encanada paga pelo serviço uma taxa mínima.

Assim podemos dizer que, no Brasil, existem dois tipos de taxas de serviços, as
fruíveis (colocadas à disposição) e as fruídas (efetivamente utilizadas).

Taxas de Polícia – Tipo de tributo que tem por hipótese de incidência tributária
um ato de Polícia, diretamente referido ao contribuinte.

Está atrelada ao chamado Poder de Polícia.

Poder de Polícia – Faculdade que o Estado tem de baixar regras de nível legal ou infra
Explor

legal para disciplinar a liberdade e a propriedade das pessoas.

A taxa de Polícia deve ser paga para custear as diligências dos atos decorrentes
do Poder de Polícia. Ex.: pago taxa para obter uma licença de reforma e se a
licença não for concedida não, receberei meu dinheiro de volta.

Trocando ideias...Importante!
As taxas fazem parte de nosso cotidiano, você consegue identificá-las?

No Brasil, existem as denominadas taxas de uso e de obras que já foram


consideradas pela justiça como inconstitucionais, pois não encontram fundamento
de validade no artigo. 145, II da Constituição Federal.

Na prática, existem algumas dessas taxas que são cobradas. Ex.: Ttaxa paga
para visitar o museu de Petrópolis (taxa de uso).

Outra taxa cobrada de modo indevido é a taxa de pavimentação (taxa de obra).


Zona Azul – É uma taxa de Polícia, que tem por objetivo regularizar o
estacionamento em uma área com grande fluxo de veículos. O valor da zona azul
é fixado por Decreto, no entanto, deveria ser feito através de Lei (princípio da
legalidade), essa é a única incorreção observada nesse tipo de taxa.

Pedágio – Trata-se de uma taxa de serviço cuja previsão está disposta no artigo.
150, V, in fine da Constituição Federal.

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Destina-se ao serviço de conservação da rodovia e abre espaço para a cobrança
da taxa.

As taxas de polícia, para existir, dependem da existência do ato de polícia. Para


tanto, considera este:

Ato de polícia: é o que envolve o exercício do chamado Poder de Polícia;

Poder de Polícia: é a faculdade que o Estado tem de, dentro dos limites nor-
mativos, baixar regras de nível legal ou infra legal, para disciplinar o exercício
dos direitos, a liberdade ou a propriedade das pessoas, compatibilizando com o
bem comum.

Exemplo: as pessoas têm o direito de dirigir autos, mas esse direito é limitado
pelo Poder Público, e todas as regras que limitam esse direito são manifestações
do Poder de polícia.

Taxa de Polícia: não remunera o ato de polícia, mas as diligências à prática do


ato de polícia. Em consequência, a taxa será devida, quer tenha sido concedido ou
não o almejado.

Exemplo: Uma empresa requer um alvará para construir, pagando uma taxa.
No caso de o Poder Público não conceder o alvará, não poderá requerer o valor
da taxa de volta.

Como vimos, o que dá sentido à existência e cobrança das taxas é o que se


costuma denominar de Princípio da Retributividade. A taxa não serve para aumentar
a contribuição do Estado, mas para uma compensação para a prestação do serviço
público ou para praticar o ato de polícia. Deve haver uma correlação entre o custo
da atuação estatal e o montante cobrado a título de taxa.

Trata o artigo 145, § 2º, da Constituição Federal, que as taxas não poderão
ter base de cálculo própria dos impostos. Exemplo: a taxa da comissão de valores
mobiliários (ou taxa de Comissão de Valores Mobiliários – CVM), criada pela lei n.
7940/89. O artigo 2º estabelece que a CVM pode cobrar a taxa das empresas que
fiscaliza. O artigo. 4º estabelece que a base de cálculo da taxa é o patrimônio líquido
da empresa fiscalizada, que não mede os custos das diligências, mas sim é base de
cálculo de impostos sobre o patrimônio. Portanto, essa taxa é inconstitucional.

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UNIDADE Direito Tributário

Contribuição de Melhoria

Figura 6
Fonte: iStock/Getty Images

É o tipo de tributo que tem por hipótese de incidência uma atuação estatal,
indiretamente referida ao contribuinte.

Essa atuação estatal só pode ser uma obra pública – artigo. 145 III da Constitui-
ção Federal.

Obra pública: é a edificação, a ampliação ou a total reforma de um bem imóvel pert-


Explor

encente ou incorporado ao patrimônio público. Exemplo: ponte, viaduto, o fórum, etc.

Trocando ideias...Importante!
Mas será que qualquer obra pública gera a possibilidade da cobrança da Contribuição
de Melhoria?
Não, é necessário que da obra pública cause a valorização imobiliária. Deve haver uma
relação de causalidade entre a obra pública e a valorização imobiliária.

A contribuição de melhoria é o tipo de tributo, que tem por hipótese de


incidência a valorização imobiliária causada por obra pública. Não se pode cobrar
a contribuição de melhoria sobre obra não encerrada. A base de cálculo deve ser
o quantum da valorização experimentada pelo imóvel, em decorrência da obra
pública realizada em suas imediações. A alíquota é um percentual desse quantum.

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Princípios Constitucionais Tributários
Vamos tratar aqui de alguns princípios que interferem e regulam as atividades
tributárias do Estado e consequentemente repercutem no âmbito do Direito Tributário.

Os princípios constituem-se em fontes basilares para qualquer ramo do direito, in-


fluindo tanto em sua formação como em sua aplicação. Em relação ao Direito Admi-
nistrativo, e mais especificamente às Licitações, também os princípios as norteiam.

Para Miguel Reale (1993, p. 300):


Os princípios são certos enunciados lógicos admitidos como condição ou
base de validade das demais asserções que compõem dado campo do saber.

Em sua lição, De Plácido e Silva (1991, p. 447), estudiosos dos vocábulos


jurídicos, ensinam que:
Os princípios são o conjunto de regras ou preceitos que se fixam para
servir de norma a toda espécie de ação jurídica, traçando a conduta a ser
tida em uma operação jurídica.

A título de ilustração, expõe-se o comentário tecido por Celso Antônio Bandeira


de Mello (2005, p. 888-889) acerca dos princípios em geral:
Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema,
verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre
diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para
a sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica
e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe
dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que presidem a
intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por
nome sistema jurídico positivo.

A importância dos princípios para a aplicação do direito está expressa no próprio


ordenamento jurídico. O artigo 4º, da Lei de Introdução ao Código Civil, dispõe
que: “quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais do direito”.

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UNIDADE Direito Tributário

Princípio da Legalidade
O artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal, bem como, no âmbito das normas
tributárias, haja tratamento específico no artigo 150, inciso I, o qual traz a ideia de
que somente a lei pode criar tributo.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Para se criar tributos, é necessário editar a norma jurídica tributária em todos os


seus elementos essenciais (hipótese de incidência tributária, sujeito ativo e passivo,
base de cálculo, alíquotas). Mesmo a base de cálculo e a alíquota só podem ser
fixadas por intermédio de lei, nunca por decretos ou outras fontes diversas.

Aumentar Tributos – É a alteração, para maior, da alíquota e das bases de cálculo


dos tributos.

Não são somente os tributos que devem ser criados por lei, a mesma se dá
para as denominadas obrigações acessórias, também denominadas de deve-
res instrumentais.

Esses deveres instrumentais impõem-se ao contribuinte ou a uma terceira pessoa


a ele ligada, tendo em vista o perfeito funcionamento do sistema arrecadador. Tal
dever pode se constituir em comportamentos positivos ou negativos. Ex.: fazer
declaração, extrair notas fiscais, escriturar livros etc.

Não há exceções ao princípio da Legalidade Tributária; existe apenas uma


aparente exceção, que se encontra no artigo 153 § 1º da Constituição Federal,
nesse caso as alterações só podem ocorrer dentro dos parâmetros fixados pela lei,
nunca fora deles.

Princípio da Anterioridade
É um princípio exclusivamente Tributário e encontra-se disciplinado no Artigo
150, inciso III, alínea b, da Constituição Federal.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

[...]

III - cobrar tributos:

[...]

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os


instituiu ou aumentou;

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Assim, a lei que cria ou aumenta o tributo, ao entrar em vigor, fica com sua
eficácia suspensa até o início do próximo exercício financeiro, quando incidirá.

Dessa forma, entrará em vigor em um exercício financeiro, mas só se tornará


eficaz (produzirá efeitos) no próximo exercício.

A Constituição Federal confere o direito subjetivo ao contribuinte, no sentido de


ser tributado pelas leis que vigoravam até o dia 31 de dezembro do ano imediata-
mente anterior.

Exceções ao Princípio da Anterioridade


O artigo 150, § 1º, da Constituição Federal, estabelece que não são dependentes
do Princípio da Anterioridade os impostos sobre a importação, exportação,
produtos industrializados, operações financeiras e os impostos lançados por motivos
de guerra. Contudo, o rol do referido artigo é meramente exemplificativo, pois,
além dos aqui previstos, existe também o empréstimo compulsório para atender às
despesas extraordinárias decorrentes de calamidades públicas, guerra externa ou
sua eminência.

O Princípio da Anterioridade não permite a criação de novos casos, pois se trata


de uma garantia, e as garantias são consideradas causas pétreas, que não podem
ser alteradas, nem por Emendas à Constituição.

Caso de Anterioridade Especial – Contribuições Sociais para a Seguridade


Social (antiga contribuição previdenciária), por força do disposto no Artigo 195,
§ 6º, da Constituição Federal. Nesse caso, a eficácia só ocorrerá 90 dias após sua
publicação, independente do exercício financeiro.

Princípio da Segurança Jurídica – Tal princípio estabelece a certeza do direito


e a proibição do arbítrio, prevendo que a lei orçamentária seja irretroativa. Além
de tal princípio, existe também o disposto no Artigo 150, inciso III, alínea a da
Constituição Federal.

O Princípio da legalidade já traz expressamente a proibição da retroatividade da


Lei Tributária, que deve ser sempre anterior ao fato imponível.

Trocando ideias...Importante!
Uma lei tributária que seja mais benéfica ao contribuinte poderá atingi-lo, até para uma
obrigação tributária que surgiu em seu passado?
Sim, as leis tributárias benéficas podem retroagir (exemplo: as que concedem isenção,
parcela débitos, aumenta prazo para pagamentos etc.)

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UNIDADE Direito Tributário

Princípio da Capacidade Contributiva


Previsto o presente no Artigo 145 parágrafo 1º da Constituição Federal:
[...] sempre que possível, os impostos terão o caráter pessoal e serão
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte.

Trata-se aqui da adoção de um republicano de tratamento igual na medida


das desigualdades.

Como exemplo de tal princípio, podemos mencionar o Imposto de Renda, que


tem como base de cálculo a renda de um trabalhador. Sua alíquota é dividida em
quatro espécies, distribuídas de acordo com a faixa de renda do contribuinte.

Assim, terá uma alíquota maior quem mais aufere renda e menor quem menos
auferi, chegando inclusive à isenção dessa espécie de imposto.

Exemplo: imposto sobre a renda – possui 4 alíquotas, de 27,5%, 22,5%, 15%


e 7,5%.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
A Competência Tributária e a Capacidade Tributária Ativa
https://goo.gl/D0uL22
O princípio da capacidade tributária
https://goo.gl/Uh19jJ
Muitos consumidores desconhecem o valor da carga tributária dos presentes de fim de ano
https://goo.gl/QXa38f

Leitura
Direito Tributário e Políticas Públicas
https://goo.gl/eGCGlO

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UNIDADE Direito Tributário

Referências
ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1973.

BRASIL, Código Civil Brasileiro, de 10 jan. 2002. Brasília, DF: Senado Federal,
2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>.

BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 out. 1988.


Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>.

HENSEL, Albert. Diritto Tributário. Milano: Dott. Giuffrè Editore, 1956.

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo.19. ed.


São Paulo: Malheiros, 2005.

________. Elementos de direito administrativo. São Paulo: Revista dos Tribu-


nais, 1981.

MONTENEGRO FILHO, Misael. Curso de direito processual civil. Teoria geral


do processo e processo de conhecimento. 2. ed. Atlas São Paulo:.2015.

REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 1993.

SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1991.

SOUSA, Rubens Gomes de. Compendio de legislação tributária. São Paulo:


Resenha Tributária, 1975.

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