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Dina Carvalho

A família é um ORGANISMO VIVO !!!!

é um SISTEMA,

um TODO,

uma GLOBALIDADE

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Dina Carvalho
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É um CONJUNTO DE PESSOAS e a

TEIA RELACIONAL que as unifica !!

Daí:

- não há nenhuma família igual a outra;

- são sistemas com imensa complexidade;

- é una e única;

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«A família é uma rede complexa de relações e
emoções que não são passíveis de ser pensadas
com os instrumentos criados para o estudo dos
indivíduos isolados (…) A simples descrição de
uma família não serve para transmitir a riqueza e
complexidade relacional desta estrutura.»

Gameiro (1992)

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Cada família enquanto SISTEMA é um TODO mas

também é PARTE de sistemas, de contextos,…

Cada família possui um dinamismo próprio e,

dentro de si, é também formada por

SUBSISTEMAS

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«…cada elemento da família participa em

vários sistemas e sub-sistemas, ocupando em

simultâneo diversos papéis em diferentes

contextos, que implicam outros tantos

estatutos, funções e autonomia, etc…»

Relvas (1996)

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Família Silva:

Subsistema parental/conjugal

José Joana

João Filipe

Subsistema fraternal

O entendimento desta complexidade relacional é feito na análise da


comunicação (ingrediente da interacção).
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SUBSISTEMAS:

- INDIVIDUAL (envolvimento dentro e fora do sistema familiar);

- CONJUGAL (complementaridade e interdependência);

- PARENTAL (Funções Executivas, i é, tem a seu cargo a proteção e

educação das gerações mais novas);

- FRATERNAL/FILIAL (funções específicas quanto ao treino das

relações entre iguais – cooperar, competir, aprender a negociar)

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A forma como se organizam estes subsistemas, o tipo de
relações que se desenvolvem entre eles e no interior de
cada um coincide com a ESTRUTURA DA FAMÍLIA.

Ou seja, coincide com a organização dos seus elementos


e respectivas funções e papéis, traduzindo na prática o
conjunto de interações preferenciais da família.

“quem”, “com quem”, “para fazer o quê”, “como”, “quando” e “onde”

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Como organismo vivo é de supor que também ela sofra de um
processo de DESENVOLVIMENTO da sua evolução e
complexificação.

Que se traduz:

1 – DIFERENCIAÇÃO ESTRUTURAL

(mudanças na organização relacional - funções, tarefas,


posições…)

2 – CO-EVOLUÇÃO

(transformações relacionais como resultado da interação e da


comunicação)

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Sendo que passa por diferentes fases:

1 – FORMAÇÃO DO CASAL

2 – FAMÍLIA COM FILHOS PEQUENOS

3 – FAMÍLIA COM FILHOS NA ESCOLA

4 – FAMÍLIA COM FILHOS ADOLESCENTES

5 – FAMÍLIA COM FILHOS ADULTOS

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CICLO VITAL DA FAMÍLIA

Tentativa de identificação de uma sequência previsível de


transformações na organização familiar, em função do
cumprimento de tarefas bem definidas.

Tarefas de desenvolvimento da família com uma


componente relacionada com as CARACTERÍSTICAS

INDIVIDUAIS dos seus elementos mas também com a

PRESSÃO SOCIAL para o seu desempenho adequado.

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Assim as suas FUNÇÕES PRIMORDIAIS são:

FUNÇÃO INTERNA - desenvolvimento e protecção dos seus elementos

FUNÇÃO EXTERNA - Socialização, adequação e transmissão de determinada


cultura

Neste sentido a família terá de resolver com sucesso 2 TAREFAS básicas:

- CRIAÇÃO DE UM SENTIMENTO DE PERTENÇA AO GRUPO

- INDIVUDUAÇÃO/AUTONOMIZAÇÃO DOS SEUS ELEMENTOS

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As famílias experimentam diferentes níveis de stress nos pontos de
transição de uma fase para a outra.

O sintoma sinaliza que a família ficou bloqueada e tem dificuldade em


transitar para a fase seguinte, visto que cada família tem as suas
próprias forças e recursos.

NUNCA SE PODE ESQUECER A FASE DO CICLO VITAL EM

QUE A FAMÍLIA SE ENCONTRA, SOB PENA DE SE

COMETER UM ERRO GRAVE.

LER
Pag 24 e 25

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ETAPA PROCESSO EMOCIONAL DE MUDANÇAS NECESSÁRIAS AO
TRANSIÇÃO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO

1 – Formação do Casal Compromisso com um novo sistema a) Formação do subsistema conjugal;


b) Redefinição das relações com as
famílias de origem de ambos e
amigos;

2 – Família com filhos Aceitação no sistema dos membros da a) Ajustamento do subsistema


pequenos nova geração conjugal – espaço para os filhos;
b) Criação do subsistema parental
c) Redefinição das relações com as
famílias de origem de forma a incluir
os papéis de pais e avós;

3 –Família com filhos Abertura do sistema familiar ao mundo a) 1ª crise de desmembramento que a
na escola extra-familiar família enfrenta:
- termos internos implica separação;
- termos externos marca o início
da relação, com um novo
sistema bem organizado e
altamente significativo;

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ETAPA PROCESSO EMOCIONAL DE MUDANÇAS NECESSÁRIAS AO
TRANSIÇÃO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO

4 – Família com filhos Flexibilização dos limites/ fronteiras; a) Refefinição das relações pais-filhos
adolescentes Aceitar a independência dos filhos e (possibilitar aos adolescentes as
as fragilidades dos avós entradas e saídas do sistema);
b) Recentração nos aspectos da vida
conjugal e profissional;
c) Início da função de suporte à geração
mais velha;

5 – Família com filhos Aceitar a mudança de papéis a) Manutenção dos interesses


adultos (empty-nest) geracionais individuais e do casal, a par do
declínio fisiológico;
b) Aceitar o papel preponderante da
geração intermédia;
c) Aceitar a perda do conjuge e preparar
se para a própria morte – revisão e
integração da vida;

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1 – FORMAÇÃO DO CASAL

A construção da relação conjugal tem como objecivo criar e


proteger um espaço psicossocial, erótico e afetivo. Esta construção
tem muito a ver com a definição e redefinição de sucessivos e
progressivos equilíbrios entre os elementos do casal.

TAREFA: Criação do Modelo – “UM + UM = NÓS”

EU

TU
NÓS
NÓS
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2 – FAMÍLIA COM FILHOS PEQUENOS

Trata se da reorganização familiar, através da definição de papéis

parentais e filiais, assim como de nova redefinição de limites face ao

exterior visando uma maior abertura da família à comunidade.

O nascimento do 1º filho é um marco inegável no processo de

desenvolvimento da família¹.

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«A criança nasceu e o peso da responsabilidade face ao futuro impõe

se, a ansiedade de “não poder fazer nada errado” irrompe e as

corridas, a falta de tempo, o cansaço e o desencorajamento surgem,

numa tarefa em que não é permitido desistir.»

Esta etapa caracteriza se pela transição do acento tónico da vida

familiar, que se move da função conjugal para a perental.

Os pais sobem um degrau na hierarquia geracional.

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TAREFA: Criação do Modelo PARENTAL

maternal

maternal
paternal

maternal complementaridade

paternal
paternal

COMUNICAÇÃO/FLEXIBILIZAÇÃO

Ex: refeições, horas de dormir, higiéne,…

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A COMUNICAÇÃO CONJUGAL TRIANGULA-SE

PARENTALIDADE CONJUGALIDADE

CRIANÇA

Possibilidade de disfuncionamento : - coligação,


- parentificação,
- etc

EXIGÊNCIA DE LIMITES CLAROS ENTRE AS GERAÇÕES = CLAREZA

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Deverá possuir uma CAPACIDADE TRIPLA:

NUTRIR / GUIAR e CONTROLAR

A PARENTALIDADE TRANSFORMA SE AO LONGO DOS TEMPOS


DEPENDENDO DAS SUAS FINALIDADES.

-É muito importante a definição das relações entre os NOVOS PAIS


e os AVÓS (grande possibilidade conflitos, desconfirmações e desqualificaçõpes);

DEFINIÇÃO CLARA DE PAPÉIS

LIMITES CLAROS E FLEXÍVEIS

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3 – FAMÍLIA COM FILHOS NA ESCOLA

«É o 1º grande teste à capacidade familiar relativa ao cumprimento

da FUNÇÃO EXTERNA (socialização, adequação e transmissão de

determinada cultura).

A família é posta à prova no exterior no que diz respeito à sua

“imagem” num duplo sentido:

1 – performance escolar da criança;

2 – competências da criança para se relacionar com os

outros (crianças e adultos)

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Movimentos de SEPARAÇÃO – INDIVIDUAÇÃO

O acesso que vai ter ao conhecimento depende do grau de


segurança e autonomia sentido no seio da família. Isto permitir-lhe-á,
ou não, destacar-se dela para investir noutras preocupações.

Nesta fase exige-se basicamente que a família seja capaz de lidar


adequadamente com as suas capacidades de mudança, para se
ajustar de modo suficientemente flexível a esta «nova zona de
autonomia» da criança.

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Concertação de horários, partilha de tarefas parentais, rearranjo do espaço
físico no lar, ajustes económicos e/ou laborais;

A criança é confrontada com maior conhecimento,


com modelos alternativos!

Se estes movimentos são sentidos como NÃO AMEAÇADORES, a


família abre-se;
Se forem sentidos como AMEAÇADORES a família fecha-se (tenta-se
crescer sem crescer, mudar sem mudar,…)

O mundo familiar EXPANDE-SE para o exterior;

O mundo extrafamiliar VAI ENTRANDO E IMPONDO-SE à família

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4 – FAMÍLIA COM FILHOS ADOLESCENTES
Conflito com os outros;
Conflito com o que o adolescente desperta nos outros;
Conflito consigo próprio;

Lado a lado, em permanente disputa e alternância com-vivem:

- a necessidade de dependência e de independência;


- a insegurança e a coragem e entrega absoluta;
- o desejo de suporte, de proteção e a vontade inabalável de ir
embora, de pertencer a si próprio e ao mundo;
- otimismo e entusiasmo / depressão e aborrecimento;
- horas em que se sente velho / horas em que se sente muito novo;
- dificuldades de relação com o próprio corpo;
- sexualidade surge com características novas;
- teste (ex. através do namoro) à sua capacidade afetiva;

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FASE MAIS LONGA E DIFÍCIL DO CICLO VITAL, já que deve
ser mantido um equilíbrio entre as exigências do sistema e as
aspirações individuais de cada membro da família.

TAREFA :

FACILITAR O EQUILÍBRIO
ENTRE LIBERDADE E RESPONSABILIDADE

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Nesta etapa conclui-se o processo de uma lenta maturação que

prepara a saída do(s) filho(s) do sistema.

A família prepara se para “regressar” ao casal,

recentra se na conjugalidade, cai a parentalidade.

Exige FLEXIBILIZAÇÃO e CONTINUIDADE!

Acaba a função de controlo e educação (SS Parental)

função de suporte relacional e afectivo


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Se estas mudanças forem sentidas como ameaçadoras,
corre se o risco de rigidificação com recurso a um PI de
modo à não mudança.

O evoluir progressivo provoca 3 movimentos:

- autonomia / dependência;

- obediência / desobediência;

- idealização / desidealização;

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5 – FAMÍLIA COM FILHOS ADULTOS

FAMÍLIA MULTIGERACIONAL

TAREFAS:
1) Facilitar a saída dos filhos de casa, com vista à autonomia
das suas próprias vidas;
2) Renegociar a relação de casal (de forma autónoma das
outras gerações);
3) Aprender a lidar com o envelhecimento face às gerações
mais idosas e também face ao próprio;

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GERAÇÃO INTERMÉDIA:

1) Estão colocados entre 2 gerações de adultos;


2) Há uma inversão no sentido relacional até então definido com cada
uma delas;
3) Muitas vezes são fonte de recursos materiais para as outras
gerações;

ABERTURA DO SISTEMA AOS NETOS E PARENTES POR AFINIDADE

«A SUPREMA 2ª CHANCE» - possibilidade que os avós têm de estabelecer


com os netos relações muito próximas e gratificantes, com ausência de
responsabilidades parentais diretas.

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