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Aprendizagem Cooperativa e Evasão na

Universidade: um Estudo sobre a Carência de


Habilidades Sociais.
Evelyn Borges Farias* Guilherme Cândido Pretto de Oliveira†
Mariana Cavalcante Ferreira dos Santos‡

2018

Resumo

Esse artigo aborda a temática evasão de estudantes universitá-


rios, especificamente na Universidade Federal do Ceará (UFC). Tendo
em vista o somatório de turmas competitivas, individualismo, profes-
sores inflexíveis, excesso de trabalho e carga horária laboriosa; nota-se
um cenário acadêmico, muitas vezes, complexo para os estudantes, que,
muitas vezes, optam por abandonar o curso. Então, diante dessa proble-
mática destaca-se a Aprendizagem Cooperativa e seus cinco pilares: in-
terdependência positiva, responsabilidade individual, habilidades sociais,
interação promotora e processamento de grupo; promovem respeito, co-
operação e práticas humanistas no percurso de formação dos envolvidos.
A partir dessa metodologia, o objetivo é buscar na pesquisa uma relação
entre a carência de competências sociais nas conexões estudantis com a
crescente evasão discente. Os dados qualitativos foram obtidos através
da aplicação de questionários online e coleta de relatos de estudantes.
E, através deles, foi possível atestar que a quantidade de estudantes que
já pensaram/abandonaram um curso em nível superior é numerosa. A
partir das escalas verificou-se a relação desses números com um ambi-
ente acadêmico consideravelmente competitivo e, por vezes, prejudicial
à formação do indivíduo. Essas verificações foram confirmadas nos rela-
tos, que foram em sua maioria, relacionados a algo ruim ocorrido em sua
vivência acadêmica.

Palavras-chaves: aprendizagem cooperativa. habilidades sociais. evasão


acadêmica.
*
evvmoon@gmail.com

guipretto5@gmail.com

maricafe95@gmail.com

1
Introdução
No Brasil, pesquisas a respeito sobre habilidades sociais e evasão de
estudantes no ensino superior, nos mais diversos cursos, são bastante escas-
sas. O tema “Evasão Universitária” recebeu maior atenção com a iniciativa
da Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Públi-
cas Brasileiras de realizar um estudo sobre Diplomação, Retenção e Evasão
nos Cursos de Graduação em Instituições de Ensino Superior Públicas. Esse
estudo foi pioneiro no tema e dada sua abrangência nacional, pode ser conside-
rado um conjunto significativo nos índices de pesquisa brasileira. Entretanto,
ainda há insuficiência de pesquisas nesse âmbito. Visto essa necessidade de
mais pesquisas, e a extrema relevância do tema para a melhoria das condições
estudantis, não somente na UFC, mas nas universidades em geral, esse estudo
está sendo realizado.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC) “As universidades
se caracterizam pela indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e
extensão. São instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profis-
sionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do
saber humano”. Idealmente, deveria ser um espaço onde os estudantes são es-
truturados da melhor forma para sua aprendizagem. No entanto, o caráter
social, muitas vezes esquecido na definição do papel da Universidade, pode
conter a representação de um local repleto de competição e individualidade
entre os alunos. Além disso, em caráter acadêmico, a maioria dos universitá-
rios são estimulados à rotinas de estudo excessivo onde não há tempo para um
momento de descanso, quem dirá autocuidado.
Compreender a Universidade com uma definição muito além de “en-
sino, pesquisa e extensão”, como uma experiência impactante não somente no
currículo do estudante, mas na sua vida por completo, é de suma importância
para repensar como se conduz a formação dos estudantes. Dessa forma, o pre-
sente artigo surge como um estudo analítico da rotina acadêmica nos cursos
da UFC, associando-a às principais causas de evasão, tendo principal enfoque
em identificar a presença, ou não, de Habilidades Sociais nos cursos e analisar
a participação desse pilar da Aprendizagem Cooperativa (AC) nos processos
de desistência de curso.
“Liderança, tomada de decisão, construção de confiança, comunicação
e as habilidades para administrar conflitos, são coisas que devem ser ensinadas
com tanta precisão e tanto senso de propósito quanto as habilidades acadê-
micas.” (JOHNSON; JOHNSON; SMITH, 2000) Deste modo, é relevante a
construção de pesquisas como essa, que buscam na Universidade a presença
de metodologias que vão além do ensino bruto. Portanto, o destaque é um
pilar (Habilidades Sociais) da Aprendizagem Cooperativa de Johnson e John-
son (1999), que tem como um dos principais motivadores ser uma proposta
metodológica facilitadora do percurso estudantil rumo à sua formação.
Essa metodologia surge como uma proposta de amenizar os conflitos

2
inevitáveis no processo de formação do indivíduo. Baseado nisto, e nos estudos
de outros autores que pesquisam acerca do ônus da vida acadêmica, o artigo
relaciona relações mecanizadas e carentes de cooperação com o agravamento
da tendência à abandonar o curso. Acredita-se que o número de estudantes
universitários que evadem de seus cursos e/ou apresentam algum transtorno
psicológico é crescente. Portanto, identificar problemáticas no gerenciamento
das vidas social e acadêmica é de imensa importância para mensurar a gravi-
dade dos problemas e remediá-los de acordo com sua especificidade.
Em vista disso, esse trabalho foi desenvolvido por meio do levanta-
mento dos dados, aplicação de questionários que estimam as causas para eva-
dir, nivelam, nos cursos pesquisados, a presença de competitividade; interação
entre estudantes; disponibilidade da coordenação/servidores, cooperatividade,
satisfação com o curso, etc; e de construção de gráficos pontuando os resulta-
dos obtidos. A partir disso, os resultados são discutidos.
À medida que essa pesquisa surge com uma proposta de compreensão
de como se dá os processos de desistência de curso, sua relevância é evidenciada
como contribuição teórica para o tema. Mais além, salienta a problemática tão
pouco abordada na comunidade científica, podendo ser uma proposta para ser
repensada a definição do que é Universidade, o seu papel na vida de seus
estudantes e como são conduzidas as atividades acadêmicas.

1 Referêncial Teórico
A evasão de estudantes no ensino superior tem sido um problema com-
plexo e cada vez mais recorrente na atualidade. Embora não haja um elevado
acervo de pesquisas, essa temática está alcançando o interesse de estudiosos.
Além disso, devido ao seu número crescente de casos, também despertou a
preocupação do Governo e entidades educacionais. Em 1995, a Secretaria de
Educação Superior/Ministério da Educação e do Desporto (Sesu/MEC) insti-
tuiu a Comissão Especial para o Estudo da Evasão.
Com intuito de aclarar o objeto de estudo, a Comissão fez a seguinte
caracterização da evasão , dividindo-a em três classes (COMISSÃO ESPE-
CIAL, p.16):

∙ evasão de curso: quando o estudante desliga-se do curso superior em


situações diversas tais como: abandono (deixa de matricular-se), desis-
tência (oficial), transferência ou reopção (mudança de curso), exclusão
por norma institucional;

∙ evasão da instituição: quando o estudante desliga-se da instituição na


qual está matriculado;

∙ evasão do sistema: quanto o estudante abandona de forma definitiva ou


temporária o ensino superior.

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Em relação às causas da evasão, a pesquisa feita pela Comissão Espe-
cial aponta principalmente três: fatores referentes a características individuais
do estudante, fatores internos às instituições, fatores externos às instituições.
Tratando-se dos fatores referentes a características individuais do es-
tudante, a pesquisa destaca os seguintes (COMISSÃO ESPECIAL, p.17):

“[...]relativos à habilidades de estudo; relacionados à per-


sonalidade; decorrentes da formação escolar anterior; vin-
culados à escolha precoce da profissão; relacionados a di-
ficuldades pessoais de adaptação à vida universitária; de-
correntes da incompatibilidade entre a vida acadêmica
e as exigências do mundo do trabalho; decorrentes do
desencanto ou da desmotivação dos alunos com cursos
escolhidos em segunda ou terceira opção; decorrentes de
dificuldades na relação ensino-aprendizagem, traduzidas
em reprovações constantes ou na baixa frequência às au-
las; decorrentes da desinformação a respeito da natureza
dos cursos; decorrente da descoberta de novos interesses
que levam à realização de novo vestibular.”

Dos fatores internos às instituições, a Comissão Especial destaca (CO-


MISSÃO ESPECIAL, p.29):

“[...]peculiares a questões acadêmicas; currículos desatu-


alizados, alongados; rígida cadeia de pré-requisitos, além
da falta de clareza sobre o próprio projeto pedagógico do
curso; relacionados a questões didático-pedagógicas: por
exemplo, critérios impróprios de avaliação do desempe-
nho discente; relacionados à falta de formação pedagó-
gica ou ao desinteresse do docente; vinculados à ausência
ou ao pequeno número de programas institucionais para
o estudante, como Iniciação Científica, Monitoria, pro-
gramas PET (Programa Especial de Treinamento), etc.;
decorrentes da cultura institucional de desvalorização da
docência na graduação; decorrentes de insuficiente estru-
tura de apoio ao ensino de graduação: laboratórios de en-
sino, equipamentos de informática, etc.; inexistência de
um sistema público nacional que viabilize a racionaliza-
ção da utilização das vagas, afastando a possibilidade da
matrícula em duas universidades.”.

Por fim, dos fatores externos às instituições, a pesquisa realizada pela


Comissão Especial cita (COMISSÃO ESPECIAL, p.30-31):

“[...] relativos ao mercado de trabalho; relacionados ao


reconhecimento social da carreira escolhida; afetos à qua-
lidade da escola de primeiro e no segundo grau; vincula-
dos a conjunturas econômicas específicas; relacionados à
desvalorização da profissão, por exemplo, o “caso” das Li-
cenciaturas; vinculados a dificuldades financeiras do estu-
dante; relacionados às dificuldades de atualizar-se a uni-
versidade frente aos avanços tecnológicos, econômicos e

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sociais da contemporaneidade; relacionados a ausência de
políticas governamentais consistentes e continuadas, vol-
tadas ao ensino de graduação”.

Estudos conduzidos por Jonhson e Jonhson (1999) mostram que o en-


volvimento de estudantes com a Aprendizagem Cooperativa resulta em maior
realização, melhor absorção e maior sentimento positivo por parte dos alunos
sobre o outro e sobre o assunto. Comparando com a aprendizagem individua-
lista e competitiva, a cooperativa promove uma auto-estima acadêmica mais
forte. Essa metodologia possui elementos básicos para o trabalho em grupo
funcionar: Interdependência Positiva, Responsabilidade Individual, Interação
Face-a-face, Habilidades Sociais e Processamento de Grupo. Todos se comple-
mentam e giram em torno de “a) adaptar a Aprendizagem Cooperativa às suas
próprias circunstâncias, necessidades e estudantes, b) fazer ajustes ao uso da
mesma e c) prevenir e resolver problemas que os estudantes têm no trabalho
em grupo.” (JOHNSON; JOHNSON, 1999, p.71, tradução nossa). Destaca-
mos para essa pesquisa o pilar Habilidades Sociais, pois, como os processos
educacionais ocorrem basicamente em ambiente social, sob interações sociais
diversas, é considerável supor que ela possa afetar, positiva ou negativamente,
o meio acadêmico.
Tanto os fatores referentes às características individuais, quanto os
fatores internos e externos às instituições não mencionam nada referente à au-
sência ou insuficiência de Habilidades Sociais, e essa pode ser a causa de muitas
das características citadas acima, tais como: dificuldades pessoais de adapta-
ção à vida universitária, dificuldades na relação ensino-aprendizagem, repro-
vações constantes, baixa frequência às aulas, questões didático-pedagógicas:
por exemplo, critérios impróprios de avaliação do desempenho discente, rela-
cionados à falta de formação pedagógica ou ao desinteresse do docente, etc.
Afirmam, De Sousa Furtado, De Oliveira Falcone e Clark (2003): “Se
por um lado, estes aspectos a respeito das habilidades sociais revelam a im-
portância destas para a qualidade de vida, a saúde, além da satisfação pessoal
e profissional, por outro lado, Del Prette e Del Prette (2001, p. 7) destacam
estudos que revelam deficiências em habilidades sociais como geralmente re-
lacionadas “a uma pior qualidade de vida e a diversos tipos de transtornos
psicológicos como a timidez, o isolamento social, a delinqüência juvenil, o
desajustamento escolar, o suicídio e os problemas conjugais, além de outras
síndromes como a depressão, o pânico social e a esquizofrenia””. Portanto, é
importante não só pontuar causas que têm causas por trás delas, mas ir a
fundo no que realmente possam ser as raízes dessa problemática.
A Universidade é, sem dúvidas, um propósito que a maioria dos jo-
vens se esforçam muito para alcançar. Entretanto, uma vez ingressantes, as
dificuldades podem ser inúmeras no que se refere ao estabelecimento de novas
relações de amizade, aos novos métodos de estudo, à administração do tempo,
às novas demandas de avaliação, ao desenvolvimento da autonomia, entre ou-
tras. Pois para Felouzis (1997, p. 94): “[...] a organização universitária é, em

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grande parte, implícita, o que dá aos primeiros passos dentro da universidade
o aspecto de uma corrida de obstáculos na qual sobrevivem apenas os mais
dotados do ponto de vista escolar e aqueles que conseguem decodificar, antes
dos outros, a coerência geral da instituição e do currículo.” Esse ponto de vista
pode causar desconforto, problemas de ajustamento, transtornos psicossociais
e até mesmo o abandono da instituição.
Com isso, é importante destacar outro fator que está intimamente li-
gado à questão de evasão escolar e ausência de Habilidades Sociais: as dificul-
dades nas relações interpessoais. Para Rumberger (1995 e 2008), pesquisador
americano, a chave da compreensão e solução da evasão é encontrar as cau-
sas do problema, mas essas causas de forma análoga a outros processos do
desempenho escolar têm influência de um conjunto de fatores, como o estu-
dante, a família, a escola e a comunidade em que vive. Revisando diversas
pesquisas sobre as causas que levam à evasão, esse autor consegue identificar
como problema duas perspectivas: uma individual, que envolve o estudante e
as circunstâncias de seu percurso escolar; e outra institucional, que leva em
conta a família, a escola, a comunidade e os grupos de amigos. Ainda podem
ser verificadas diferentes teorias que abordam a evasão escolar. Algumas citam
a existência de dois tipos principais de engajamento: o escolar (acadêmico ou
aprendizagem) e o social (relacionamento com os colegas, com os professores
e com os demais membros da comunidade escolar).
Nessa linha teórica, este estudo segue em busca de explorar o meio
acadêmico e relacionar a Aprendizagem Cooperativa, mais precisamente o
elemento Habilidades Sociais, com as causas que podem ocasionar o abandono
do curso superior.

2 Metodologia
O propósito metodológico do presente artigo é descritivo, pois se trata
de uma investigação direcionada a entender a relação entre a evasão estudan-
til e a carência de habilidades sociais. Na busca de uma maior aproximação
com o tema, foi inicialmente necessária uma pesquisa bibliográfica detalhada,
procurando-se encontrar estudos e citações relevantes. Assim foi feito porque a
pesquisa bibliográfica consiste na etapa inicial de todo trabalho científico, onde
é preciso reunir os estudos necessários que darão forma à pesquisa, formando
a base da investigação. De acordo com Prodanov e Freitas (2013, p.131),

“(...) a finalidade da pesquisa científica não é apenas um


relatório ou uma descrição de fatos levantados empirica-
mente, mas o desenvolvimento de um caráter interpreta-
tivo no que se refere aos dados obtidos. Para tal, é impres-
cindível correlacionar a pesquisa com o universo teórico,
optando por um modelo que sirva de embasamento à in-
terpretação do significado dos dados e fatos colhidos ou
levantados”.

6
E, portanto, complementando a etapa de revisão bibliográfica, o pro-
blema estudado necessitou de mais informações, as quais puderam ser descritas
de forma detalhada através da coleta de dados. Esta foi possível por meio de
questionários aplicados aos alunos, um método bastante eficaz no ambiente
da pesquisa, que é a universidade. A abordagem para com o recolhimento de
dados foi dividida em duas, uma sendo uma abordagem quantitativa, caracte-
rizada pelo grau conclusivo e dimensional, e outra uma abordagem qualitativa,
caracterizada pelo entendimento do comportamento do indivíduo.
No âmbito quantitativo, procurou-se quantificar o problema, visando
entender a dimensão da evasão estudantil, através de informações numéricas
sobre o comportamento dos alunos. Para isso, foram utilizadas escalas e ques-
tões de múltipla escolha com o intuito de conseguir informações exatas dos
próprios discentes, que são o objeto de estudo. Dessa forma, foi possível obter
dados concisos de forma imparcial.
Já no âmbito qualitativo, foram analisadas as questões abertas (fa-
cultativas) presentes no questionário eletrônico, nas quais os alunos puderam
relatar experiências vivenciadas no ambiente acadêmico nas quais se pôde
identificar a ausência ou a presença de habilidades sociais. Assim, conseguiu-
se entender as motivações dos alunos evadidos, interpretar as tendências de
evasão nos cursos, confirmar hipóteses para esse problema, descobrir opiniões
e expor expectativas dos discentes que ainda estão na graduação. Por fim, para
reforçar as conclusões, foi aplicado o método estatístico. Segundo Gil (2008,
p.17),

“Mediante a utilização de testes estatísticos, torna-se pos-


sível determinar, em termos numéricos, a probabilidade
de acerto de determinada conclusão, bem como a margem
de erro de um valor obtido. Portanto, o método estatís-
tico passa a caracterizar-se por razoável grau de precisão,
o que o torna bastante aceito por parte dos pesquisadores
com preocupações de ordem quantitativa”.

Portanto, os dados foram analisados com o uso das estatísticas, resumindo-


os e realçando os padrões existentes. Os resultados foram tabulados eletroni-
camente, e a partir deles, gerados gráficos para as respostas de cada pergunta.

3 Resultados
Os resultados do artigo foram obtidos através das respostas de questi-
onários eletrônicos aplicados, respondidos por 141 alunos. As perguntas foram
as seguintes:

∙ Pergunta 01: Você já pensou ou já abandonou um curso do Ensino


Superior?

7
Figura 1 – Gráfico sobre abandono de curso no Ensino Superior.

Resultado obtido: 73% disseram que sim e 27% disseram que não. Isso
mostra que a grande maioria dos estudantes, já teve motivos para desistir
do curso que está ou que já desistiu de um curso anteriormente, deixando
claro o quanto a evasão é um problema presente na universidade, seja
de forma concreta ou como pensamento de evadir.

∙ Pergunta 02: No caso da resposta anterior ser SIM, poderia nos infor-
mar alguns motivos que lhe levou ao pensamento de abandono?
Resultado obtido: Os estudantes puderam marcar mais de uma opção
dentre os possíveis motivos. Dentre eles, 29 relataram que o pensamento
de abandono do curso havia sido gerado por dificuldades financeiras,
45 relataram dificuldade de adaptação à rotina da universidade, 68 res-
ponderam que um dos motivos seria a insatisfação com o curso (grade
curricular, coordenação, estrutura, etc), já 48 pessoas não possuíam iden-
tificação com o curso. Outras 37 afirmaram que problemas de saúde as
influenciaram no pensamento de abandono e 41 associaram esse pensa-
mento ao baixo rendimento acadêmico. Tratando mais especificamente
de habilidades sociais, duas opções também se destacaram como moti-
vos que possivelmente levam à evasão: problemas de relacionamento com
professores (27 marcações) e problemas de relacionamento com outros
estudantes (23 marcações).

As três perguntas seguintes foram feitas a respeito do curso que o


estudante está cursando, ou o que já havia abandonado (caso não estivesse

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Figura 2 – Gráfico sobre os motivos que levam ao abandono.

cursando algum curso). Nessas perguntas, foi utilizada uma escala de 1 a 5,


considerando 1 como "nada", 3 como "médio"e 5 como "altíssimo".

∙ Pergunta 03: Qual o nível de competitividade do seu curso?

Figura 3 – Gráfico em escala sobre o nível de competitividade no curso.

9
Resultado obtido: 13 pessoas marcaram nível 2, 43 marcaram nível 3,
46 marcaram nível 4 e 39 pessoas marcaram nível 5. Ou seja, a grande
maioria dos estudantes sente um alto nível de competitividade dentro do
seu próprio curso, mostrando que há sim carência de habilidades sociais
e cooperação entre os alunos.

∙ Pergunta 04: Qual o nível de interação entre os estudantes do seu


curso?

Figura 4 – Gráfico em escala sobre o nível de interação no curso.

Resultado obtido: 2 pessoas marcaram nível 1, 22 marcaram nível 2,


49 marcaram nível 3, 40 marcaram nível 4 e 28 pessoas marcaram nível 5.
É interessante perceber que o nível de interação é proporcional ao nível
de competitividade, mostrando que embora os estudantes tenham uma
convivência intensa, não conseguem, na maioria das vezes, desenvolver
a cooperação e as habilidades sociais entre eles.

∙ Pergunta 05: Qual o nível de disponibilidade da coordenação/servidores


do seu curso?
Resultado obtido: 5 pessoas marcaram nível 1, 26 marcaram nível
2, 52 marcaram nível 3, 37 marcaram nível 4 e 21 marcaram nível 5.
Compreende-se que disponibilidade da coordenação e dos servidores de
cada departamento é de suma importância para o desenvolvimento dos
estudantes dentro do próprio curso, pois esses profissionais podem con-
tribuir de forma positiva para que o aluno consiga se adaptar ao ritmo
da universidade. Sendo assim, pelas respostas obtidas, percebe-se que
essa disponibilidade varia bastante, possivelmente de acordo com cada

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Figura 5 – Gráfico em escala sobre o nível de disponibilidade da coordenação do curso.

departamento e com as experiências já vivenciadas pelos discentes com


essas pessoas em questão (coordenação/servidores).

No final do questionário, foi dado um espaço para que o aluno pudesse


dar, caso se interessasse, um breve relato sobre sua experiência no âmbito aca-
dêmico, em relação ao uso de Habilidades Sociais, ou que até mesmo relatasse
uma experiência ruim na sua graduação. Resultado obtido: 37 pessoas resol-
veram relatar experiências. A maioria delas falou sobre as dificuldades que a
carência de cooperação causa nos processos de trabalhos em grupo. Outras
relataram acontecimentos específicos onde professores não demonstraram em-
patia quando havia sido necessário. Por outro lado, também houve relatos de
pessoas que só conseguiram ficar no curso e desistir de evadir porque encontra-
ram apoio nos colegas e professores, destacando a importância das Habilidades
Sociais entre os indivíduos da universidade como fator de combate á evasão.

Considerações finais
Analisados os relatos e os resultados obtidos, puderam-se identificar
dois tipos principais de fatores associados à evasão: fatores pessoais e fatores
acadêmicos. Em relação aos fatores pessoais, é possível ressaltar as dificuldades
financeiras, problemas de relacionamento com outros indivíduos da Universi-
dade e problemas de saúde física e mental decorrentes da rotina estressante à
qual os estudantes são submetidos. Quanto aos fatores acadêmicos, tem-se a
não identificação com o curso escolhido, a insatisfação com a grade curricular
do curso (mesmo que se identifique com o mesmo) e o baixo rendimento aca-

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dêmico como principais contribuintes para a evasão ou para o pensamento de
evadir.
Tratando-se especificamente das habilidades sociais, percebeu-se tam-
bém que, apesar de terem boa convivência e alto nível de interação, os estu-
dantes relataram altos níveis de competitividade dentro dos cursos, mostrando
que há deficiência nas relações humanas entre eles. Com relação aos professo-
res, os relatos retratam uma falta de afinidade entre os mesmos e os alunos,
muitas vezes agravada por discussões e atritos.
Embora tenha sido identificada uma grande deficiência pontual das
habilidades sociais de comunicação, empáticas, de enfrentamento e de expres-
são envolvidas no ambiente acadêmico, também se pode identificar o contrário
em diversos aspectos. Muitas das vezes, a relação de amizade entre os alunos
e o de apoio dos professores são cruciais para manter o estudante dentro da
universidade apesar das adversidades, comprovando o quão importante é o
desenvolvimento dessas habilidades para os seres humanos.
É importante acentuar que o presente artigo possui limitações meto-
dológicas, visto que para abordar todos os detalhes envolvidos no fenômeno da
evasão são necessárias novas investigações em cada centro de ensino e curso.
No entanto, os dados coletados nessa pesquisa constituem um banco de dados
relevante para pesquisas posteriores acerca dos impactos que a carência de
habilidades sociais causa no ambiente acadêmico.

Referências

ESPECIAL, C. Diplomação, retenção e evasão nos cursos de graduação em


instituições de ensino superior públicas. Comissão Especial de Estudos sobre
a Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras. Citado 2 vezes nas páginas
3 e 4.

FELOUZIS, G. Les étudiants et la sélection universitaire. Revue française de


pédagogie, JSTOR, p. 91–106, 1997. Citado na página 5.

FURTADO, E. de S.; FALCONE, E. M. de O.; CLARK, C. Avaliação do


estresse e das habilidades sociais na experiência acadêmica de estudantes de
medicina de uma universidade do rio de janeiro. Interação em Psicologia,
v. 7, n. 2, 2003. Citado na página 5.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. [S.l.]: 6. ed. Ediitora Atlas


SA, 2008. Citado na página 7.

JOHNSON, D. W.; JOHNSON, R. T. Making cooperative learning work.


Theory into practice, Taylor & Francis, v. 38, n. 2, p. 67–73, 1999. Citado 2
vezes nas páginas 2 e 5.

12
JOHNSON, D. W.; JOHNSON, R. T.; SMITH, K. A. A aprendizagem
cooperativa retorna às faculdades. Change, v. 30, p. 92–102, 2000. Citado
na página 2.

MEC. Qual é a diferença entre faculdades, centros universitários e


universidades? Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/revalidacao-de-
diplomas/medicina/127-perguntas-frequentes-911936531/educacao-superior-
399764090/116-qual-e-a-diferenca-entre-faculdades-centros-universitarios-e-
universidades>. Citado na página 2.

PRETTE, Z. A. P. D.; PRETTE, A. D. Habilidades sociais e educação:


Pesquisa e atuação em psicologia escolar/educacional. Psicologia escolar e
educacional: saúde e qualidade de vida, Alínea Campinasˆ eSP SP, p. 113–41,
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PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. de. Metodologia do trabalho científico:


métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico-2a Edição. [S.l.]:
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RUMBERGER, R. W. Dropping out of middle school: A multilevel analysis


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RUMBERGER, R. W.; LIM, S. A. Why students drop out of school: A


review of 25 years of research. California Dropout Research Project, Gevirtz
Graduate School of Education Santa Barbara, v. 15, p. 1–3, 2008. Citado na
página 6.

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pretium vel, blandit in, ultricies id, libero. Phasellus bibendum erat ut diam.
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ANEXO A – Cras non urna sed feugiat cum sociis natoque pe-
natibus et magnis dis parturient montes nascetur
ridiculus mus

Sed consequat tellus et tortor. Ut tempor laoreet quam. Nullam id


wisi a libero tristique semper. Nullam nisl massa, rutrum ut, egestas semper,
mollis id, leo. Nulla ac massa eu risus blandit mattis. Mauris ut nunc. In hac
habitasse platea dictumst. Aliquam eget tortor. Quisque dapibus pede in erat.
Nunc enim. In dui nulla, commodo at, consectetuer nec, malesuada nec, elit.
Aliquam ornare tellus eu urna. Sed nec metus. Cum sociis natoque penatibus
et magnis dis parturient montes, nascetur ridiculus mus. Pellentesque habitant
morbi tristique senectus et netus et malesuada fames ac turpis egestas.

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Canonical academic article model with abnTEX2

Evelyn Borges Farias* Guilherme Cândido Pretto de Oliveira†


Mariana Cavalcante Ferreira dos Santos‡

2018

Abstract

According to ABNT NBR 6022:2003, an abstract in foreign lan-


guage is a back matter mandatory element.

Key-words: latex. abntex.

*
evvmoon@gmail.com

guipretto5@gmail.com

maricafe95@gmail.com

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