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REGIMENTO INTERNO DO SENADO FEDERAL ESQUEMATIZADO

Módulo IV – Professor Gabriel Dezen

Sumário

CAPÍTULO VII – DAS HOMENAGENS DEVIDAS EM CASO DE FALECIMENTO..........................3

CAPÍTULO VIII – DAS VAGAS............................................................................................................6

CAPÍTULO IX – DA SUSPENSÃO DAS IMUNIDADES...................................................................18

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Módulo IV – Professor Gabriel Dezen

Gabriel Dezen
Gabriel Dezen Junior é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista
em Direito Constitucional, é, atualmente, Consultor Legislativo do Senado Federal, concursado. Foi,
sempre por concurso público, Delegado de Polícia Federal e Analista de Jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal. É professor de Direito Constitucional e, também, conferencista e parecerista nessa
área jurídica. É autor de diversas obras sobre esse ramo do Direito Público, a principal delas sendo a
Constituição Federal Interpretada (Ed. Impetus, 1.520 pág, 1ª edição 2010). Professor do Gran Cursos
Online nas disciplinas: Regimento Interno do Senado Federal; Regimento Comum; Regimento Interno
da Câmara dos Deputados; Processo Legislativo; Técnica Legislativa; e Direito Constitucional.

CAPÍTULO VII
DAS HOMENAGENS DEVIDAS EM CASO DE FALECIMENTO

Art. 26. Falecendo algum Senador em período de funcionamento do Senado, o Pre-


sidente comunicará o fato à Casa e proporá seja a sessão do dia dedicada a reveren-
ciar a memória do extinto, deliberando o Plenário com qualquer número.
Há vários elementos importantes neste dispositivo. Em quadro:

Falecendo um Senador A locução abrange tanto:

– Senador titular do mandato, que o esteja exercendo;


– Senador licenciado;
– Senador sob afastamento;
– Suplente em exercício do mandato.

Em período de A locução abrange situações nas quais o Senado Fede-


funcionamento do Senado ral esteja:

– em Sessão Legislativa Ordinária;


– em Sessão Legislativa Extraordinária.

O Presidente Essa autoridade poderá ser o Presidente do Senado ou


o seu substituto regimental que esteja conduzindo a
sessão no momento em que noticiado o falecimento.

Comunicará o fato à Casa Essa comunicação é feita em plenário, a partir da pol-


trona presidencial.

E proporá seja a sessão do Veja que o Presidente não pode, de ofício, e unilateral-
dia dedicada a reverenciar mente, determinar o uso da sessão, ou do resto do tem-
a memória do extinto po de sessão, à homenagem ao Senador falecido.

Sua competência limita-se a propor tal homenagem ao


Plenário.

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Deliberando o Plenário com Essa locução indica que:


qualquer número
– a proposta de homenagem do Presidente será votada.
– a votação será simbólica.
– a maioria decisória é simples.
– não se exige quórum deliberativo paraa votação
(maioria absoluta).

Ponto importante! 1 – Veja que o Presidente não determina a sessão de homena-


gem, nem a requer: ele a propõe.
2 – A sessão, se ainda não iniciada, será inteiramente dedicada
à homenagem; se já iniciada, terá o resto de seu tempo regi-
mental dedicado à homenagem.
3 – Em qualquer caso, é necessária a aprovação da homena-
gem ao falecido pelo Plenário.

ATENÇÃO

O falecimento de Senador também autoriza:


– o uso da palavra para homenagem de pesar (art. 14, IX);
– o requerimento de envio de expediente oficial do Senado à família do Senador fa-
lecido (art. 218);
– a representação externa (art. 70, III).

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Matéria conexa Sobre o uso da palavra para homenagem de pesar:

Art. 14, IX – para comunicação inadiável, manifestação de


aplauso ou semelhante, homenagem de pesar, uma só vez,
por cinco minutos;

Sobre a representação externa:

Art. 27. O Senado far-se-á representar, nas cerimônias fú-


nebres que se realizarem pelo falecimento de qualquer dos
seus membros, por uma comissão constituída, no mínimo,
de três Senadores, designados pelo Presidente, de ofício ou
mediante deliberação do Plenário, sem embargo de outras
homenagens aprovadas.
Parágrafo único. Na hipótese de ser a comissão designada de
ofício, o fato será comunicado ao Plenário, pelo Presidente.

Art. 70. Na impossibilidade de o Plenário deliberar sobre a


matéria, será facultado ao Presidente autorizar representa-
ção externa para:
III – funeral ou cerimônia fúnebre em que, regimentalmen-
te, caiba essa representação. Parágrafo único. O Presidente
dará conhecimento ao Senado da providência adotada na
primeira sessão que se realizar.

Sobre o envio de expediente oficial:

Art. 218. O requerimento de inserção em ata de voto de pe-


sar só é admissível por motivo de luto nacional decretado
pelo Poder Executivo, ou por falecimento de:
II – ex-membro do Congresso Nacional;

Art. 221. Além das homenagens previstas nos arts. 218 a 220,
o Plenário poderá autorizar:
I – a apresentação de condolências à família do falecido, ao
Estado do seu nascimento ou ao em que tenha exercido a
sua atividade, ao partido político e a altas entidades cultu-
rais a que haja pertencido;
II – a representação nos funerais e cerimônias levadas a efei-
to em homenagem à memória do extinto.

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Art. 27. O Senado far-se-á representar, nas cerimônias fúnebres que se realizarem
pelo falecimento de qualquer dos seus membros, por uma comissão constituída, no
mínimo, de três Senadores, designados pelo Presidente, de ofício ou mediante delibe-
ração do Plenário, sem embargo de outras homenagens aprovadas.
A representação do Senado será feita, em regra, por comissão temporária externa, como
visto no quadro acima, composta por três Senadores.
A designação dos membros dessa Comissão pode ser feita de ofício, pelo Presidente do
Senado, ou por decisão do Plenário, por maioria simples. No caso de o Presidente designar
a comissão de ofício, aplica-se o parágrafo único deste artigo.
Parágrafo único. Na hipótese de ser a comissão designada de ofício, o fato será
comunicado ao Plenário, pelo Presidente.
Essa comunicação ao Plenário não será votada. Tem por finalidade apenas dar ciência
da composição da comissão.

CAPÍTULO VIII
DAS VAGAS

Art. 28. As vagas, no Senado, verificar-se-ão em virtude de:


I – falecimento;
II – renúncia;
III – perda de mandato.
O falecimento produz vacância no mandato de Senador e determina a convocação do
Primeiro Suplente da chapa eleita para assumir, em sucessão, a titularidade do mandato,
pelo seu saldo.
A renúncia pode ser:
– tácita;
– expressa escrita;
– expressa oral.
A renúncia tácita ocorre quando o Senador não toma posse no prazo regimental, original
ou prorrogado, como já visto anteriormente neste curso, e como consta no art. 30.

Matéria conexa Sobre a renúncia tácita, estabelece o RISF:

Art. 30. Considerar-se-á como tendo renunciado (arts. 4º, § 6º,


e 5º, § 1º):
I – o Senador que não prestar o compromisso no prazo esta-
belecido neste Regimento;
II – o Suplente que, convocado, não se apresentar para en-
trar em exercício no prazo estabelecido neste Regimento.

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A renúncia tácita, nos termos deste art. 30, precisa ser declarada pelo Presidente ao Plená-
rio do Senado e, uma vez informada, admite recurso de qualquer Senador, até o dia seguinte.

Matéria conexa Sobre a declaração da renúncia tácita e o recurso:

Art. 31. A ocorrência de vacância, em qualquer hipótese,


será comunicada pelo Presidente ao Plenário.
Parágrafo único. Nos casos do art. 30, até o dia útil que se
seguir à publicação da comunicação de vacância, qualquer
Senador dela poderá interpor recurso para o Plenário, que
deliberará, ouvida a Comissão de Constituição, Justiça e Ci-
dadania.

Na análise do art. 31, a seguir, demonstrarei o processo em fluxograma.


A renúncia expressa escrita é prevista no art. 29.

Matéria conexa Sobre a renúncia expressa escrita:

Art. 29. A comunicação de renúncia à senatória ou à suplên-


cia deve ser dirigida por escrito à Mesa, com firma reconhe-
cida, e independe da aprovação do Senado, mas somente
tornar-se-á efetiva e irretratável depois de lida no Período
do Expediente e publicada no Diário do Senado Federal.

Como os atos não são simultâneos, ocorrendo primeiro a leitura da renúncia no Período
do Expediente e, após, a publicação no Diário do Senado Federal, a renúncia expressa
somente será irretratável após esta última providência.
Esse entendimento é reforçado pelo que consta no parágrafo único deste artigo, o qual
determina que a renúncia oral também seja irretratável somente após a publicação no Diário
do Senado Federal.
A renúncia expressa oral é regulada pelo parágrafo único do art. 29.

Matéria conexa Sobre a renúncia expressa oral:

Art. 29, Parágrafo único. É lícito ao Senador, ou ao Suplente


em exercício, fazer em plenário, oralmente, a renúncia ao
mandato, a qual tornar-se-á efetiva e irretratável depois da
sua publicação no Diário do Senado Federal.

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Art. 29. A comunicação de renúncia à senatória ou à suplência deve ser dirigida


por escrito à Mesa, com firma reconhecida, e independe da aprovação do Senado, mas
somente tornar-se-á efetiva e irretratável depois de lida no Período do Expediente e
publicada no Diário do Senado Federal.
Parágrafo único. É lícito ao Senador, ou ao Suplente em exercício, fazer em plenário,
oralmente, a renúncia ao mandato, a qual tornar-se-á efetiva e irretratável depois da
sua publicação no Diário do Senado Federal.
Este dispositivo, como visto acima, trata da renúncia expressa escrita (caput) e da
renúncia expressa oral (parágrafo único).
Em quadros sequenciais, a renúncia expressa escrita:

1. 2.
3. 4.
O Senador entrega A renúncia é lida ao
Término do prazo Publicação do
a renúncia por Plenário, no Período
para a retratação da documento de
escrito, com firma do Expediente.
renúncia, que pode renúncia no Diário
reconhecida, à
ser oral ou escrita. do Senado Federal.
Mesa.

Ponto importante! O RISF não estabelece prazo para a leitura do docu-


mento de renúncia no Período do Expediente, pelo que é
decisão do Presidente do Senado o momento em que tal
leitura será feita.

Em quadros sequenciais, a renúncia expressa oral:


1. 2. 3.
4.
O Senador usa É feita a transcrição A transcrição é submetida
A transcrição da
a palavra e, do discurso de à revisão do orador.
renúncia oral é
em discurso, renúncia, por Revisada e liberada,
publicada no Diário
renuncia ao taquigrafia e a partir encerra-se o prazo para a
do Senado Federal.
mandato. do registro sonoro. retratação oral ou escrita.

Art. 30. Considerar-se-á como tendo renunciado (arts. 4º, § 6º, e 5º, § 1º):
I – o Senador que não prestar o compromisso no prazo estabelecido neste
Regimento;
II – o Suplente que, convocado, não se apresentar para entrar em exercício no
prazo estabelecido neste Regimento.
Sobre a renúncia tácita, já analisamos a hipótese em todos os seus aspectos quando cui-
damos, no art. 4º, da regulamentação regimental da posse do Senador eleito ou de Suplente
convocado para exercer o mandato.

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Em complemento, a declaração oficial de renúncia tácita é regulada pelo parágrafo único


do art. 31 abaixo.

Art. 31. A ocorrência de vacância, em qualquer hipótese, será comunicada pelo Pre-
sidente ao Plenário.
A ocorrência de vaga, quer por falecimento, quer por renúncia, quer por perda do
mandato, deve ser oficialmente informada ao Plenário pelo Presidente, em sessão.

Parágrafo único. Nos casos do art. 30, até o dia útil que se seguir à publicação da
comunicação de vacância, qualquer Senador dela poderá interpor recurso para o Ple-
nário, que deliberará, ouvida a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Em fluxograma:

Presidente
Ocorre a Publicação da Dia útil
faz a
renúncia comunicação subsequente à
comunicação
tácita no DSF publicação
ao Plenário

Consolidação Convocação do
Sem recurso
da renúncia substituto

À CCJ para Ao Plenário


Com recurso
parecer para decisão

Uma vez ocorrendo a decisão do Plenário sobre a renúncia, há dois efeitos possíveis:

Plenário mantém a declaração É convocado para posse o substituto regimental


de renúncia tácita (Primeiro Suplente, no caso de renúncia tácita
do Senador, ou Segundo Suplente, no caso de
renúncia tácita do Primeiro Suplente).

Plenário rejeita a declaração O Presidente do Senado deverá fazer nova con-


de renúncia tácita vocação para posse, estabelecendo novo e final
prazo para que esta ocorra.

Art. 32. Perde o mandato o Senador (Const., art. 55):


I – que infringir qualquer das proibições constantes do art. 54 da Constituição;
II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;

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III – que deixar de comparecer à terça parte das sessões deliberativas ordinárias do
Senado, em cada sessão legislativa anual, salvo licença ou missão autorizada;
IV – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V – quando o decretar a Justiça Eleitoral;
VI – que sofrer condenação criminal em sentença definitiva e irrecorrível.
As hipóteses de perda de mandato de Senador estão previstas no art. 55 da Constituição
Federal, e são repetidas no art. 32 do RISF.

ATENÇÃO

O processo de perda de mandato, atualmente, é regulado pela Resolução n. 20, de


1993 (veja a íntegra desta Resolução, esquematizada, como Apêndice aos meus
comentários ao art. 22).
Ocorre que essa resolução deveria ter revogado o art. 32 e seguintes do RISF. Como
não o fez, apesar de não serem mais utilizados, ainda estão vigentes, e, por isso, poderão
vir a se tornar matéria de prova, pelo que optei pela sua abordagem neste curso.

Antes de abordarmos os processos de perda do mandato de Senador, como descritos no


RISF, fazem-se necessárias algumas considerações sobre as diversas hipóteses:
I – que infringir qualquer das O art. 54 da Constituição Federal veicula dois gru-
proibições constantes do art. 54 pos de proibições contra Senadores, o primeiro
da Constituição; (art. 54, I) incidente desde a diplomação do Se-
nador eleito pela Justiça Eleitoral, e o segundo (art.
54, II), vigente desde a posse perante o Senado.
Na Resolução n. 20/1993, essas proibições encon-
tram-se mais bem descritas e tratadas.

II – cujo procedimento for decla- Segundo a Constituição Federal, são atos lesivos
rado incompatível com o decoro do decoro parlamentar “o abuso das prerrogativas
parlamentar; asseguradas” ao membro do Senado e o “recebi-
mento de vantagens indevidas” (CF, art. 55, § 1º),
além de outros casos “definidos no Regimento In-
terno”.
A Resolução n. 20, de 1993, em seu art. 4º (ver qua-
dro a seguir), repete e qualifica as vedações consti-
tucionais (art. 3º), acrescenta novas proibições (art.
4º) e define, para fins regimentais e internos, o que
se considera incompatível com a ética e o decoro
parlamentar (art. 5º).

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III – que deixar de comparecer à Não são contadas para esses fins, portanto, as au-
terça parte das sessões delibera- sências às sessões deliberativas extraordinárias,
tivas ordinárias do Senado, em apesar de, nestas, haver cômputo de presença
cada sessão legislativa anual, sal- dos Senadores pelo acionamento do painel eletrô-
vo licença ou missão autorizada; nico (art. 13, § 1º).
Também não são consideradas as ausências às
sessões nos 60 dias que antecedem as eleições
gerais, como determina o art. 38, parágrafo único.
Em relação às sessões deliberativas ordinárias,
o Senador será considerado ausente em duas
situações:
a) se seu nome não constar como presente no
painel eletrônico do Plenário (“lista de compare-
cimento”), salvo se em licença, representação a
serviço do Senado ou missão política ou cultural
de interesse parlamentar, previamente aprovada
pela Mesa, como consta no art. 13, caput;
b) se seu nome constar como presente na lista de
presença, mas deixar de comparecer às votações,
salvo se em obstrução declarada por líder de Par-
tido ou Bloco Parlamentar.

IV – que perder ou tiver suspen- As hipóteses de perda ou suspensão dos direitos


sos os direitos políticos; políticos constam no art. 15 da Constituição Fede-
ral, e são:
a) cancelamento de naturalização por sentença ju-
dicial final;
b) incapacidade civil absoluta;
c) condenação criminal transitada em julgado, en-
quanto durarem os seus efeitos;
d) recusa de cumprir obrigação a todos imposta
ou prestação alternativa;
e) improbidade administrativa.

V – quando o decreta a Justiça A perda do mandato eletivo pode ser decretada


Eleitoral; pela Justiça Eleitoral ao julgar uma ação de impug-
nação de mandato eletivo (AIME), por ter ocorrido,
no processo eleitoral, abuso do poder econômico,
corrupção ou fraude, conforme determina o art.
14, § 10, da Constituição Federal.

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VI – que sofrer condenação crimi- Somente o Supremo Tribunal Federal pode pro-
nal em sentença definitiva e irre- ferir condenação criminal de membro do Senado
corrível. Federal.

Quanto à perda do mandato, a jurisprudência do


STF tem variado, ora assentando que a perda é au-
tomática, a partir da condenação, ora admitindo
que o Senado delibere politicamente sobre isso.
A posição que vem prevalecendo é uma interme-
diária, a qual propugna que a perda será decidida
pelo Plenário, mas este terá de decidir nesse sen-
tido.

Do exame da Constituição Federal e do RISF, sabe-se que:


– em três dessas hipóteses, a decisão sobre a perda do mandato será do Plenário;
– em outras três, será por declaração da Mesa.

§ 1º É incompatível com o decoro parlamentar o abuso das prerrogativas assegura-


das ao Senador e a percepção de vantagens indevidas (Const., art. 55, § 1º).
Esse dispositivo se limita a repetir a Constituição Federal. A Resolução 20, já citada, trata
a questão do decoro parlamentar com mais profundidade.
Em quadro:

Abuso das prerrogativas Inclui-se nessa hipótese todo e qualquer exercício


asseguradas ao Senador abusivo de prerrogativas de Senador, quer como Pre-
sidente do Senado, quer como presidente ou mem-
bro de comissão ou como relator de proposição, além
de todas as prerrogativas regimentais ordinárias ao
membro do Senado.

Recebimento de vantagens A locução carrega um elevado nível de subjetividade,


indevidas tanto pela conceituação do que seriam “vantagens”
quanto pelo qualificativo “indevidas”.

§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pelo Senado
Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da Mesa ou de partido político
representado no Congresso Nacional (Const., art. 55, § 2º).

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Inicialmente, as referências, em quadro:

I – que infringir qualquer das proibições constantes do art. 54 da


Inciso I
Constituição;

II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro


Inciso II
parlamentar;

VI – que sofrer condenação criminal em sentença definitiva e irre-


Inciso VI
corrível.

Nessas hipóteses, a perda do mandato se dará pelo processo descrito neste § 2º:

Autoria da representação – Mesa do Senado Federal;


– Partido político representado no Congresso Nacional.

Decisão Do Plenário, pela maioria absoluta de seus membros, em


votação aberta e ostensiva.

Ponto importante! A Mesa do Senado Federal pode provocar o processo pela


sua maioria.
Partido político “com representação no Congresso Nacio-
nal” é o que tenha, no momento da apresentação da re-
presentação, pelo menos um Deputado Federal ou um
Senador regularmente filiado.

§ 3º Nos casos dos incisos III a V, a perda do mandato será declarada pela Mesa, de
ofício ou mediante provocação de qualquer Senador, ou de partido político represen-
tado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa (Const., art. 55, § 3º).
Novamente, começamos pela identificação das referências:

Inciso III III – que deixar de comparecer à terça parte das sessões delibera-
tivas ordinárias do Senado, em cada sessão legislativa anual, salvo
licença ou missão autorizada;

Inciso IV IV – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;

Inciso V V – quando o decretar a Justiça Eleitoral;

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Nessas hipóteses, a perda do mandato se dará pelo processo descrito neste § 3º:

Autoria da – Mesa, de ofício;


representação – Qualquer Senador;
– Partido político representado no Congresso Nacional.

Decisão Da Mesa, pela sua maioria absoluta.


§ 4º A representação será encaminhada à Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania, que proferirá seu parecer em quinze dias úteis, concluindo:
I – nos casos dos incisos I, II e VI, do caput, pela aceitação da representação para
exame ou pelo seu arquivamento;
II – no caso do inciso III, do caput, pela procedência, ou não, da representação.
Em quadro, com todas as possibilidades:

Conclusões possíveis ao parecer da


Situação
CCJ

I – que infringir qualquer das proibições A – aceitação da representação para exame;


constantes do art. 54 da Constituição; B – arquivamento da representação.
II – cujo procedimento for declarado in-
compatível com o decoro parlamentar;
VI – que sofrer condenação criminal em
sentença definitiva e irrecorrível.

III – que deixar de comparecer à terça A – procedência da representação;


parte das sessões deliberativas ordiná- B – improcedência da representação.
rias do Senado, em cada sessão legisla-
tiva anual, salvo licença ou missão au-
torizada;

ATENÇÃO

Nos casos dos incisos IV (perda ou suspensão de direitos políticos) e V (decisão da


Justiça Eleitoral), o RISF não regula esse processo na fase da CCJ, pelo que a conclusão
é de que a Mesa agirá diretamente, limitando-se a declarar a perda do mandato.

§ 5º O parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, lido e publicado


no Diário do Senado Federal e em avulso eletrônico, será:
I – nos casos dos incisos I, II e VI, do caput, incluído na Ordem do Dia após o inters-
tício regimental;
II – no caso do inciso III, do caput, encaminhado à Mesa para decisão.

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Vejamos agora o tratamento dado ao parecer da CCJ, após leitura no Período do Expe-
diente e publicação no Diário do Senado Federal:

Situação Tratamento do parecer da CCJ

I – que infringir qualquer das proibições Inclusão na Ordem do Dia após o in-
constantes do art. 54 da Constituição; terstício regimental de três dias úteis.
II – cujo procedimento for declarado in-
compatível com o decoro parlamentar;
VI – que sofrer condenação criminal em
sentença definitiva e irrecorrível.

III – que deixar de comparecer à terça Encaminhamento à Mesa para deci-


parte das sessões deliberativas ordiná- são.
rias do Senado, em cada sessão legisla-
tiva anual, salvo licença ou missão au-
torizada;
Art. 33. Admitida a representação pelo voto do Plenário, o Presidente designará
comissão composta de nove membros para instrução da matéria.
Esse art. 33 rege apenas as três situações de perda de mandato sujeitas à decisão
do Plenário.

Ponto importante! 1 – O parecer da CCJ chegará ao Plenário com uma das duas
conclusões autorizadas (arquivamento ou recebimento
da representação para exame).
2 – o Plenário decidirá, por maioria simples, se arquiva a
representação ou a recebe.
3 – Se a decisão for pelo recebimento, será criada uma
segunda comissão, esta temporária.

§ 1º Recebida e processada, será fornecida cópia da representação ao acusado,


que terá o prazo de quinze dias úteis, prorrogável por igual período, para apresentar, à
comissão, sua defesa escrita.
Esse procedimento já ocorre no âmbito da Comissão temporária interna.
§ 2º Apresentada ou não a defesa, a comissão, após proceder às diligências que
entender necessárias, emitirá parecer, concluindo por projeto de resolução, no sentido
da perda do mandato ou do arquivamento definitivo do processo.
O parecer da Comissão deve ser aprovado pela sua maioria simples. O parecer conterá,
como parte de seu conteúdo, após o Voto, minuta de projeto de resolução veiculando a deci-
são da Comissão (pela perda do mandato ou pelo arquivamento).
§ 3º Para falar sobre o parecer, será concedida vista do processo ao acusado pelo
prazo de dez dias úteis.

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O Senador acusado, que já exerceu direito de defesa antes do parecer da comissão


(§ 1º deste artigo) terá nova oportunidade para se manifestar, agora sobre as conclusões
do parecer.
Art. 34. O acusado poderá assistir, pessoalmente ou por procurador, a todos os
atos e diligências, e requerer o que julgar conveniente aos interesses da defesa.
Essa previsão busca dar efetividade ao contraditório e à ampla defesa.
Art. 35. O projeto de resolução, depois de lido no Período do Expediente, publicado
no Diário do Senado Federal em avulso eletrônico, será incluído em Ordem do Dia e
submetido à votação.
Vamos ver primeiro o processo que leva a perda do mandato à decisão do Plenário:

Mesa ou
partido Representação Pres. SF À CCJ Parecer
político

1 2

Nota 1 – O partido político terá de estar representado no Congresso Nacional, ou seja,


terá de ter pelo menos um Deputado Federal ou um Senador filiado à legenda no momento
em que apresentada a representação.
Nota 2 – O prazo da CCJ para concluir o parecer é de 15 dias úteis.

Arquivo

Parecer À Mesa Leitura Publicação

Aceitação 3 4

Nota 3 – A publicação será no Diário do Senado e em avulso eletrônico.


Nota 4 – Depois da publicação, o Presidente do Senado incluirá o parecer na Ordem do
Dia, após o interstício regimental de três dias úteis.

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Arquivo

Plenário

Admissão Comissão Recebimento e


Pres. SF
5 mista processamento

6 7

Nota 5 – A decisão do Plenário será por maioria simples.


Nota 6 – Essa comissão, definida como comissão temporária interna, terá nove membros.
Nota 7 – A comissão temporária deverá dar cópia da acusação ao Senador réu, para que
este apresente defesa escrita em 15 dias úteis, prorrogáveis uma vez, por igual período.

Condenação
Diligências
da Parecer À Mesa Leitura
Comissão
Absolvição
8 9

Nota 8 – O parecer deverá apresentar a conclusão em projeto de resolução do Senado.


Nota 9 – A Comissão deverá conceder ao Senador acusado prazo de 10 dias úteis para
falar sobre o parecer.

Pela perda
do mandato
Ao
Publicação Pres. SF Decisão
Plenário
Pela
10 absolvição

Nota 10 – A decisão pela perda do mandato exige maioria absoluta do Senado, em vota-
ção ostensiva.

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Agora, a perda por decisão da Mesa:


Em fluxograma:

Representação Pres. SF À CCJ Parecer

1
Nota 1 – A representação poderá ser de qualquer Senador ou de Partido político repre-
sentado no Congresso.

Procedência

Parecer À Mesa Decisão

Improcedência 3
2

Nota 2 – o parecer será aprovado pela maioria simples da CCJ.


Nota 3 – A decisão exige maioria simples da Mesa.

CAPÍTULO IX
DA SUSPENSÃO DAS IMUNIDADES

Art. 36. As imunidades dos Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só


podendo ser suspensas mediante voto de dois terços dos membros da Casa, nos
casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompa-
tíveis com a execução da medida (Const., art. 53, § 8º).
Sabe-se que os Senadores – bem como os Deputados Federais – são beneficiados por
quatro tipos de imunidades, todas com raiz na Constituição Federal:
– a imunidade material ou inviolabilidade;
– a imunidade formal;
– a imunidade testemunhal;
– a imunidade de incorporação militar.

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REGIMENTO INTERNO DO SENADO FEDERAL ESQUEMATIZADO
Módulo IV – Professor Gabriel Dezen

De forma esquemática, sobre esse dispositivo:

Suspensão das imunidades Não é possível.


durante intervenção federal

Suspensão das imunidades Não é possível.


durante estado de defesa

Suspensão das imunidades Como regra, não é possível.


durante estado de sítio
Por exceção, podem ser suspensas, em relação a
determinado Senador, nas seguintes condições:
1º – ato praticado fora das instalações físicas do
Congresso Nacional;
2º – ato incompatível com as medidas de sítio,
como decretadas pelo Presidente da República.

Maioria necessária à suspensão Dois terços da composição do Senado, em vota-


das imunidades no caso de ção ostensiva.
estado de sítio

ATENÇÃO

A suspensão de imunidades dos Senadores se qualifica, a partir da Constituição Federal e


do RISF, como medida que, em regra, será analisada e decidida de forma individual,
ou seja, relativamente a determinado Senador, não sendo admissível decisão relativa à
totalidade do Senado.

Ponto importante! Como se percebe da leitura do art. 36, não há possibili-


dade de suspensão de imunidades de Senador por ato
praticado dentro das dependências do Senado.

Art. 37. Serão observadas, na decretação da suspensão das imunidades, as dispo-


sições do capítulo VIII no que forem aplicáveis.

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