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REGIMENTO INTERNO DO SENADO FEDERAL ESQUEMATIZADO

Módulo II – Professor Gabriel Dezen

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Módulo II – Professor Gabriel Dezen

Sumário
REGIMENTO INTERNO DO SENADO FEDERAL ESQUEMATIZADO – MÓDULO 2

Capítulo V – Do Uso da Palavra .............................................................................3

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Gabriel Dezen
Gabriel Dezen Junior é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista
em Direito Constitucional, é, atualmente, Consultor Legislativo do Senado Federal, concursado. Foi,
sempre por concurso público, Delegado de Polícia Federal e Analista de Jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal. É professor de Direito Constitucional e, também, conferencista e parecerista nessa
área jurídica. É autor de diversas obras sobre esse ramo do Direito Público, a principal delas sendo a
Constituição Federal Interpretada (Ed. Impetus, 1.520 pág, 1ª edição 2010). Professor do Gran Cursos
Online nas disciplinas: Regimento Interno do Senado Federal; Regimento Comum; Regimento Interno
da Câmara dos Deputados; Processo Legislativo; Técnica Legislativa; e Direito Constitucional.

CAPÍTULO V
DO USO DA PALAVRA

Em nome da ordem e da produtividade das sessões e trabalhos do Senado, o uso da


palavra é intensamente regulado pelo RISF.
Para que você tenha um aproveitamento melhor desta aula, vou iniciar com notas introdu-
tórias de forma esquemática e, após, examinarei detalhadamente cada uma das hipóteses.

Uso da palavra depende de


inscrição e permissão

O Presidente do Senado faz uso Art. 18. O Senador, no uso da palavra, poderá ser
da palavra sempre que entender interrompido:
necessário, e pelo tempo I – pelo Presidente:
necessário. É o único orador que a) para leitura e votação de requerimento de ur-
não tem o discurso limitado a gência, no caso do art. 336, I, e deliberação sobre
tempo. a matéria correspondente;
b) para votação não realizada no momento opor-
tuno, por falta de número (arts. 304 e 305);
c) para comunicação importante;
d) para recepção de visitante (art. 199);
e) para votação de requerimento de prorrogação
da sessão;
f) para suspender a sessão, em caso de tumulto
no recinto ou ocorrência grave no edifício do Se-
nado;
g) para adverti-lo quanto à observância do Regi-
mento;
h) para prestar esclarecimentos que interessem à
boa ordem dos trabalhos;

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Todos os demais Senadores Art. 16. A palavra será dada na ordem em que for
e Senadoras só podem usar a pedida, salvo inscrição.
palavra mediante inscrição (oral
ou em livro) e permissão. Art. 17. Haverá, sobre a mesa, no plenário, livro
especial no qual se inscreverão os Senadores
que quiserem usar da palavra, nas diversas fases
A permissão, na grande maioria da sessão, devendo ser rigorosamente observa-
dos casos, é dada pelo Presidente da a ordem de inscrição.
da sessão. § 1º O Senador só poderá usar da palavra mais
de duas vezes por semana se não houver outro
orador inscrito que pretenda ocupar a tribuna.
§ 2º A inscrição será para cada sessão, podendo ser
aceita com antecedência não superior a duas ses-
sões deliberativas ordinárias ou não deliberativas.

Art. 14, XII - para apartear, por dois minutos, obe-


A única exceção quanto à decidas as seguintes normas:
permissão ocorre no caso de a) o aparte dependerá de permissão do orador,
aparte, quando é dada pelo subordinando-se, em tudo que lhe for aplicável,
orador principal. às disposições referentes aos debates;

Art. 17. Haverá, sobre a mesa, no plenário, livro


especial no qual se inscreverão os Senadores que
quiserem usar da palavra, nas diversas fases da
sessão, devendo ser rigorosamente observada a
Inscrição em livro ordem de inscrição.
A inscrição em livro próprio § 1º O Senador só poderá usar da palavra mais de
é exigida em apenas três duas vezes por semana se não houver outro ora-
situações: dor inscrito que pretenda ocupar a tribuna.
§ 2º A inscrição será para cada sessão, podendo ser
aceita com antecedência não superior a duas ses-
sões deliberativas ordinárias ou não deliberativas.

Art. 14. O Senador poderá fazer uso da palavra:


– Uso da palavra no Período I – nos cento e vinte minutos que antecedem a
do Expediente, por 10 ou 20 Ordem do Dia, por dez minutos, nas sessões de-
minutos; liberativas, e por vinte minutos, nas sessões não
deliberativas;

– Uso da palavra na última parte Art. 14, XI - após a Ordem do Dia, pelo prazo de
da sessão (“após a Ordem do vinte minutos, para as considerações que enten-
Dia” ou Explicações Pessoais); der (art. 176);

Art. 14, XIII - para interpelar Ministro de Estado,


por cinco minutos, e para a réplica, por dois mi-
– Interpelação de Ministro de nutos (art. 398, X).
Estado. Art. 398. Quando houver comparecimento de Mi-
nistro de Estado perante o Senado, adotar-se-ão
as seguintes normas:

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X – terminada a exposição do Ministro de Esta-


do, que terá a duração de meia hora, abrir-se-á a
fase de interpelação, pelos Senadores inscritos,
dentro do assunto tratado, dispondo o interpe-
lante de cinco minutos, assegurado igual prazo
para a resposta do interpelado, após o que po-
derá este ser contraditado pelo prazo máximo
de dois minutos, concedendo-se ao Ministro de
Estado o mesmo tempo para a tréplica;
XI – a palavra aos Senadores será concedida na
ordem de inscrição, intercalando-se oradores de
cada partido;

Inscrição oral
É a regra para uso da palavra.
O Senador ou Senadora
interessado pede a palavra pelo Art. 16. A palavra será dada na ordem em que for
microfone individual (microfone pedida, salvo inscrição.
privativo do parlamentar) ou
pelo microfone de plenário
(microfone de apartes).

Art. 18. O Senador, no uso da palavra, poderá ser


interrompido:
I – pelo Presidente:
a) para leitura e votação de requerimento de ur-
gência, no caso do art. 336, I, e deliberação sobre
a matéria correspondente;
b) para votação não realizada no momento opor-
tuno, por falta de número (arts. 304 e 305);
c) para comunicação importante;
d) para recepção de visitante (art. 199);
e) para votação de requerimento de prorrogação
Interrupção do orador da sessão;
O orador que estiver usando a f) para suspender a sessão, em caso de tumulto no
palavra poderá ser interrompido recinto ou ocorrência grave no edifício do Senado;
pelo Presidente ou por outro g) para adverti-lo quanto à observância do Regi-
Senador. mento;
h) para prestar esclarecimentos que interessem
à boa ordem dos trabalhos;
II – por outro Senador:
a) com o seu consentimento, para aparteá-lo;
b) independentemente de seu consentimento,
para formular à Presidência reclamação quanto
à observância do Regimento.
Parágrafo único. O tempo de interrupção previs-
to neste artigo será descontado em favor do ora-
dor, salvo quanto ao disposto no inciso II, a.

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Uso da palavra restrito à hipótese


regimental Art. 14, § 1º É vedado ao orador tratar de assunto
O orador que estiver discursando estranho à finalidade do dispositivo em que se
não poderá usar a palavra baseia para a concessão da palavra.
para finalidade diversa da
regimentalmente cabível.

Uso da palavra pelo tempo


autorizado pelo RISF Art. 15. Os prazos previstos no art. 14 só poderão
Exceto no caso do Presidente, ser prorrogados, pelo Presidente, por um ou dois
todos os demais oradores terão minutos, para permitir o encerramento do pro-
tempos determinados para o uso nunciamento, após o que o som do orador será
da palavra. cortado, não sendo lícito ao Senador utilizar-se
A esse tempo poderá ser do tempo destinado a outro, em acréscimo ao de
acrescido “um ou dois minutos”, que disponha.
pelo Presidente.

Como regra, o orador deverá


estar em pé
O Senador que estiver Art. 21. O Senador, ao fazer uso da palavra,
discursando deverá, como regra, manter-se-á de pé, salvo licença para se conser-
estar de pé. O RISF, no entanto, var sentado, por motivo de saúde (...).
autoriza o orador a falar sentado
em algumas hipóteses:

Art. 50. O Presidente somente se dirigirá ao Plenário


da cadeira presidencial, não lhe sendo lícito dialogar
– o Presidente; com os Senadores nem os apartear, podendo, entre-
tanto, interrompê-los nos casos previstos no art. 18, I.

Art. 14, XII - para apartear, por dois minutos, obe-


decidas as seguintes normas:
– o aparteante; e) ao apartear, o Senador conservar-se-á sentado e
falará ao microfone;

Art. 21. O Senador, ao fazer uso da palavra, man-


– o Senador que, por motivo de ter-se-á de pé, salvo licença para se conservar
saúde, o requeira. sentado, por motivo de saúde (...).

O orador deve se dirigir ao


Presidente ou a este e aos
demais Senadores
O orador sempre deverá se dirigir Art. 21. O Senador, ao fazer uso da palavra, man-
ao presidente, se incumbir a este ter-se-á de pé, salvo licença para se conservar
intervir (como no caso de questão sentado, por motivo de saúde, e dirigir-se-á ao
de ordem ou palavra “pela ordem”) Presidente ou a este e aos Senadores (...).
ou ao Presidente e aos demais
Senadores, nos demais casos
(como discussão de proposição ou
encaminhamento de votação).

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O orador deverá estar de frente


para a Mesa Art. 21. O Senador, ao fazer uso da palavra,
Em todas as hipóteses (quer manter-se-á de pé, salvo licença para se conser-
falando da tribuna, quer do var sentado, por motivo de saúde, e dirigir-se-á
microfone de apartes, quer do ao Presidente ou a este e aos Senadores, não
microfone pessoal), o orador lhe sendo lícito permanecer de costas para a
deverá estar de frente para a Mesa.
Mesa.

Uso da palavra pelo Presidente


O Presidente, nesta condição, é o Art. 50. O Presidente somente se dirigirá ao Ple-
dirigente dos trabalhos, e usará nário da cadeira presidencial, não lhe sendo líci-
a palavra sentado, a partir da to dialogar com os Senadores nem os apartear,
cadeira presidencial. podendo, entretanto, interrompê-los nos casos
Para participar dos trabalhos previstos no art. 18, I.
legislativos diretamente, Parágrafo único. O Presidente deixará a cadeira
discutindo proposições, deverá presidencial sempre que, como Senador, quiser
transferir temporariamente a participar ativamente dos trabalhos da sessão.
presidência ao seu substituto
regimental.

Uso da palavra por Secretários


Enquanto estiverem na condição
de Secretários, integrando a
Mesa, o uso da palavra é restrito. Art. 58. Ao integrarem a Mesa, os Secretários não
Para participar ativamente dos poderão usar da palavra senão para a chamada
trabalhos legislativos, qualquer dos Senadores ou para a leitura de documentos,
dos quatro Secretários deverá ordenada pelo Presidente.
sair da Mesa e integrar-se ao
Plenário, na sua respectiva
bancada.

Manutenção do decoro na
oratória Art. 19. Ao Senador é vedado:
O orador deverá usar a palavra I – usar de expressões descorteses ou insultuo-
mantendo a dignidade sas;
necessária, não podendo, por
isso, usar expressões ofensivas.

Vedação de uso da palavra para


falar sobre decisão definitiva do
plenário
Uma vez encerrada uma votação Art. 19. Ao Senador é vedado:
de plenário e decidida a matéria, II – falar sobre resultado de deliberação definiti-
o Senador não poderá, durante o va do Plenário, salvo em explicação pessoal.
resto da sessão, manifestar seu
apoiamento ou crítica à decisão,
e nem comentá-la, exceto na
parte final da sessão.

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Com relação a excessos verbais cometidos pelo orador, o RISF prevê punições, que vão
da advertência geral ao processamento por quebra de decoro parlamentar, conforme a inten-
sidade da ofensa.

Matéria conexa No caso de o orador proferir palavras descorteses ou insultuosas,


aplica-se inicialmente o art. 22:

Art. 22. Em caso de infração do art. 19, I, proceder-se-á da se-


guinte maneira:
I – o Presidente advertirá o Senador, usando da expressão
“Atenção!”;
II – se essa observação não for suficiente, o Presidente dirá
“Senador F..., atenção!”;
III – não bastando o aviso nominal, o Presidente retirar-lhe-á
a palavra;

IV – insistindo o Senador em desatender às advertências, o


Presidente determinará sua saída do recinto, o que deverá
ser feito imediatamente;
V – em caso de recusa, o Presidente suspenderá a sessão, que
não será reaberta até que seja obedecida sua determinação.

A reincidência na medida disciplina prevista no inciso IV configura


quebra de decoro parlamentar, e pode levar à perda do mandato:

Art. 23. Constituirá desacato ao Senado:


I – reincidir na desobediência à medida disciplinar prevista
no art. 22, IV;

Antes de passar ao exame pontual das hipóteses de uso da palavra, veja que o regra-
mento regimental leva a um importante grupo de regras e exceções:

Regra Exceção

Senador só pode usar a palavra após O Presidente do Senado usa a palavra quan-
inscrição, oral ou escrita, e permissão. do achar necessário.

Senador só pode usar a palavra após No caso de aparte, o Senador depende de


permissão do Presidente do Senado. permissão do orador.

As hipóteses de uso da palavra estão O Presidente do Senado usa a palavra pelo


limitadas a prazos expressos. tempo que entender necessário.

No caso de aparte, o respectivo prazo, de


As interrupções do orador terão o
dois minutos, é deduzido do tempo do ora-
respectivo prazo devolvido a este.
dor principal.

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Regra Exceção

Falam sentados:
– O Presidente do Senado;
O orador deve usar a palavra em pé. – O aparteante;
– O Senador que o requeira, por motivo de
saúde.

Dependem de inscrição em livro o uso da


palavra:
– No Período do Expediente, sob o funda-
O Senador que pretenda fazer uso da
mento do art. 14, I;
palavra deve fazer sua inscrição de forma
– Nas Explicações Pessoais, sob o funda-
oral, ao microfone.
mento do art. 14, XI;
– Para interpelação de Ministro de Estado,
na forma do art. 14, XIII, e art. 398.
Agora que você já sabe das normas gerais do uso da palavra, vamos trabalhar as hipó-
teses específicas, uma a uma, com seus detalhes.

Art. 14. O Senador poderá fazer uso da palavra:


I – nos cento e vinte minutos que antecedem a Ordem do Dia, por dez minutos, nas
sessões deliberativas, e por vinte minutos, nas sessões não deliberativas;
Em quadro:

Quem pode usar a Qualquer Senador


palavra

Tempo para cada 10 minutos , se for sessão deliberativa;


orador 20 minutos , se for sessão não deliberativa.

Parte da sessão Na primeira parte da sessão, o Período do Expediente.

– Inscrição em livro. Outros oradores, sob outros argumen-


tos, poderão, contudo, fazer uso da palavra nessa parte da
sessão, intercalados com os oradores inscritos no livro;
Notas – Como regra, e com base no art. 17, cada Senador só pode-
rá usar da palavra sob esse argumento duas vezes por se-
mana, salvo se não houver outros oradores interessados;
– A palavra é usada para tema livre.

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É possível o uso da palavra nesta primeira parte da sessão em


diversas outras hipóteses, mediante inscrição oral, como:
– comunicação de Líder, de interesse partidário;
Ponto importante! – voto de pesar;
– manifestação de aplauso;
– comunicação inadiável.

ATENÇÃO

Não há um tempo predeterminado para o uso da palavra por oradores nessa parte
da sessão.
Após a leitura do expediente, o tempo que restar até o horário de início da Ordem
do Dia é dedicado aos oradores inscritos.
Consta no art. 158:

Art. 158. O tempo que se seguir à leitura do expediente será destinado aos oradores do
Período do Expediente, podendo cada um dos inscritos usar da palavra pelo prazo
máximo de dez minutos nas sessões deliberativas e por vinte minutos nas sessões
não deliberativas, sendo cabível a intercalação com as comunicações inadiáveis, o
uso da palavra pelas lideranças ou as delegações delas;

ATENÇÃO

O uso da palavra nessa parte da sessão pode ser feito por inscrição em livro, na forma des-
te dispositivo, por 10 ou 20 minutos, mas também pode ocorrer por inscrição oral, de Líder
ou de outros Senadores para comunicação inadiável, voto de aplauso ou manifestação de
pesar.
É o que se dispõe no § 2º do art. 158:

Art. 158, § 2º Se algum Senador, antes do término do Período do Expediente, solicitar


à Mesa inscrição para manifestação de pesar, comemoração, comunicação inadi-
ável ou explicação pessoal, o Presidente lhe assegurará o uso da palavra durante
o Período do Expediente, sendo cabível a intercalação com oradores inscritos, o uso da
palavra pelas lideranças ou as delegações destas.
§ 3º No caso do § 2º, somente poderão usar da palavra três Senadores, por cinco minutos
cada um, durante o Período do Expediente.

ATENÇÃO

É possível a prorrogação do Período do Expediente para o uso da palavra por ora-


dores inscritos, mas apenas se o último orador, que iniciar o seu discurso dentro
do prazo dessa parte da sessão, ainda tiver tempo de discurso quando for encerrado o
Período do Expediente.
É o que consta no § 1º do art. 158:

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Art. 158, § 1º O Período do Expediente poderá ser prorrogado pelo Presidente, uma
só vez, para que o orador conclua o seu discurso caso não tenha esgotado o tempo de
que disponha, após o que a Ordem do Dia terá início impreterivelmente.
(...)
§ 6º Ressalvado o disposto no § 1º deste artigo, não haverá prorrogação do Período do
Expediente.

ATENÇÃO

Por conta de não haver um tempo determinado total para os oradores no Período
do Expediente (terão eles o tempo que restar após a leitura do expediente), é pos-
sível que nem todos os oradores inscritos no livro possam fazer uso da palavra.
Nesse caso, aplica-se o § 4º do art. 158:

Art. 158, § 4º As inscrições que não puderem ser atendidas em virtude do levanta-
mento ou da não realização da sessão, ou em virtude do disposto no § 5º, transferir-
-se-ão para a sessão do dia seguinte e as desta para a subsequente.

ATENÇÃO

O RISF prevê a possibilidade de serem vedados oradores no Período do Expediente.


É o que consta no § 5º do art. 158:

Art. 158, § 5º Havendo, na Ordem do Dia, matéria urgente compreendida no art.


336, I, não serão permitidos oradores no Período do Expediente.

II – se líder, uma vez por sessão:


a) por cinco minutos, em qualquer fase da sessão, exceto durante a Ordem do Dia,
para comunicação urgente de interesse partidário; ou
b) por vinte minutos, após a Ordem do Dia, com preferência sobre os oradores
inscritos;
Veja que são duas hipóteses distintas de uso da palavra privativo para Líder de partido
político ou bloco parlamentar. Em quadro:

“após a Ordem do
Período do
Hipótese Ordem do Dia Dia”/Explicações
Expediente
Pessoais

Comunicação
urgente de interesse Por 5 minutos. Vedado. Por 5 minutos.
partidário

Tema livre Vedado. Vedado. Por 20 minutos.

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Vamos ver cada uma:


– Uso da palavra para “comunicação urgente de interesse partidário”:

Apenas líder de partido ou bloco parlamentar.


Não há previsão para uso da palavra, sob esse
Quem pode usar a palavra argumento, por líder da Maioria, da Minoria ou do
Governo.

Tempo para cada orador 5 minutos.

Em qualquer fase da sessão, exceto a Ordem do Dia.


Parte da sessão Portanto, poderá ser o Período do Expediente ou nas
Explicações Pessoais.

– Inscrição oral;
– Incumbirá ao próprio líder avaliar se o que tem a
dizer qualifica-se como comunicação urgente de in-
Notas teresse partidário;
– A inscrição oral do líder será intercalada com as ins-
crições existentes no livro próprio (ao fundamento
do art. 14, I) e com outras inscrições orais existentes.

ATENÇÃO

O RISF veicula três hipóteses de uso da palavra de nomenclatura semelhante:

Hipótese Quem pode fazer uso

Comunicação urgente de – Apenas líder de partido ou bloco;


interesse partidário – Prazo de 5 minutos;
(art. 14, II, “a”) – Em qualquer fase da sessão, exceto Ordem do Dia.

– Qualquer Senador;
Comunicação inadiável – Prazo de 5 minutos;
(art. 14, IX) – Em qualquer fase da sessão;
– Admitida uma única vez por sessão.

– Apenas o Presidente do Senado;


Comunicação importante
– Pelo tempo que esse julgar necessário;
ao Senado (art. 19, I, “c”)
– Em qualquer fase da sessão.

Note que cada uma das hipóteses do qua-


dro anterior qualifica um determinado ora-
Ponto importante! dor e sofre alteração quanto ao tempo do
discurso.

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– Uso da palavra após a Ordem do Dia para tratar de tema livre:


O RISF prevê o uso da palavra após a Ordem do Dia – portanto, nas Explicações Pessoais
– sob duas possibilidades:

– Tempo de 20 minutos;
– Inscrição oral;
Uso da palavra por Líder nas – Tema livre;
Explicações Pessoais – Os líderes têm preferência no uso da palavra sob
(art. 14, II, “b”) esse argumento sob todos os demais oradores ins-
critos no livro.

Uso da palavra pelos demais – Tempo de 20 minutos;


Senadores nas Explicações – Inscrição em livro;
Pessoais (art. 14, XI) – Tema livre.

Dessa forma, encerrada a Ordem do Dia, antes de ser dada a palavra ao primeiro
orador inscrito no livro próprio, falarão todos os líderes que o quiserem fazer.

ATENÇÃO

Líder poderá usar a palavra nas Explicações Pessoais sob duplo fundamento:
– Como orador em tema livre, por 20 min (art. 14, II, “b”);
– Como orador para comunicação urgente de interesse partidário, por 5 min (art.
14, II, “a”).

Veja também que há regulação específica e restrições regimentais ao uso da palavra por
Líder, relativamente:
– a líder que “acumular liderança”;
– a vice-líderes;
– a oradores em uso da palavra por delegação de liderança.

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Matéria conexa Essa regulação consta no próprio art. 14:

Art. 14, § 3º O líder que acumular lideranças de partido e de blo-


co parlamentar poderá usar da palavra com base no inciso II
uma única vez numa mesma sessão.
§ 4º Os vice-líderes, na ordem em que forem indicados, poderão
usar da palavra com base no inciso II do caput se o líder lhes ceder
a palavra, estiver ausente ou impedido nos termos do art. 13.
§ 5º O uso da palavra, por delegação de liderança, poderá
ocorrer uma única vez em uma mesma sessão e não poderá
ser exercido na mesma fase da sessão utilizada pelo líder para falar
nos termos do inciso II do caput.
§ 6º O Senador que fizer uso da palavra por delegação de
liderança, ou para comunicação inadiável não poderá, na
mesma sessão, solicitar a palavra como orador inscrito.

Em quadro-resumo:

Senador que acumule a Só pode usar a palavra como líder uma única vez na
liderança de partido e de mesma sessão, cabendo ao orador decidir em nome
bloco parlamentar de quem estará falando (do partido ou do bloco).

Será feito na ordem de vice-liderança. Assim, o 2º vice-


-líder só falará se o líder e o 1º vice-líder estiverem au-
Uso da palavra pelos vice- sentes, e assim por diante.
líderes de partidos e blocos Dependerá de o Líder:
parlamentares – ceder expressamente a prerrogativa ao vice-líder;
– estar ausente;
– estar impedido.

Poderá ocorrer uma única vez na sessão.


Uso da palavra por Essa prescrição visa a impedir que, em um partido com
delegação de liderança diversos vice-líderes, o líder permita que todos usem a
palavra na mesma sessão.

III – na discussão de qualquer proposição (art. 273), uma só vez, por dez minutos;
Preliminarmente, deve ser anotado que “deliberação”, em termos regimentais, significa
três fases:
– discussão da proposição;
– encaminhamento de votação;
– votação.

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Essas fases têm a seguinte destinação:

Encaminhamento de
Discussão Votação
votação

Há uso da palavra pelos Ocorre quando encerrada a Ocorre a votação


Senadores para falar discussão. propriamente dita, com os
sobre a proposição Há o uso da palavra para Senadores posicionando-se
a ser deliberada, em o orador informar, sugerir, pela aprovação ou rejeição da
relação a seus méritos, orientar ou determinar voto. proposição, ou abstendo-se
problemas, oportunidade, Em geral, é usado por ou declarando-se impedidos.
conveniência e tudo líderes para orientar os
o mais que o orador membros das respectivas
entender pertinente. bancadas.

Neste inciso III do art. 14, o RISF regula o uso da palavra para a discussão de proposição
tramitando em rito ordinário.

Em quadro:

Quem pode usar a palavra Qualquer Senador

Tempo para cada orador 10 min

Na parte da sessão em que aberta a discussão


Parte da sessão da proposição, em geral a Ordem do Dia.

– Inscrição oral, quando anunciada a matéria;


Notas – A palavra será dada na ordem das inscrições.

ATENÇÃO

Cada Senador poderá usar a palavra uma única vez na discussão de cada proposi-
ção, mesmo que essa discussão consuma mais de uma sessão.
A limitação de “uma só vez” para cada Senador, assim, deve ser entendida como uma
só vez para discutir cada proposição, não uma só vez por sessão.

Matéria conexa Sobre a finalidade do uso da palavra para discutir proposição:

Art. 272. A discussão da proposição principal e das emendas


será em conjunto.
Art. 273. Anunciada a matéria, será dada a palavra aos ora-
dores para a discussão.

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ATENÇÃO

Se a proposição estiver tramitando em rito ordinário, não há limite ao número de ora-


dores, podendo, dessa forma, usar a palavra todos os 81 Senadores.

IV – na discussão da proposição em regime de urgência (art. 336), uma só vez, por


dez minutos, limitada a palavra a cinco Senadores a favor e cinco contra;
Você vai ver comigo, no momento próprio, quando examinarmos o art. 336 e seguin-
tes, os procedimentos legislativos de urgência regimental a requerimento, bem como os
dois outros tipos (urgência regimental que independente de requerimento e urgência cons-
titucional).
De forma esquemática, e para fins de compreensão do uso da palavra nessas hipóteses,
temos que o RISF admite três diferentes grupos de hipóteses para tramitação sob urgência:

Configura processo legislativo regimental


especial, e está previsto no art. 375.
Refere-se a:
– Projeto de lei de autoria do Presidente da
Urgência Constitucional República, se a urgência foi requerida;
– Projeto de decreto legislativo relativo à
concessão ou renovação de concessão de
canal de rádio ou televisão.

As três hipóteses estão previstas no art. 336,


do inciso I ao III.
Em todos os casos, a urgência deverá ser re-
querida e aprovada pelo Plenário.
A do inciso I implica a deliberação da pro-
Urgência regimental a requerimento posição na mesma sessão em que aprova-
do o requerimento de urgência.
A do inciso II, na segunda sessão subse-
quente à da aprovação do requerimento.
A do inciso III, na quarta sessão subse-
quente à aprovação do requerimento.

Urgência regimental automática, que


independe de requerimento As hipóteses estão arroladas no art. 353.

O que importa agora é apenas o regramento do uso da palavra por oradores quando
a proposição estiver tramitando sob a hipótese de urgência regimental a requerimento.
Antes de analisar esse inciso IV do art. 14, deve ser registrado, também, que essa maté-
ria tem uma especialização no art. 347 do RISF.

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Matéria conexa O art. 347 veicula importantíssimas exceções ao art. 14, IV:

Art. 347. Na discussão e no encaminhamento de votação das


proposições em regime de urgência no caso do art. 336, I,
só poderão usar da palavra, e por metade do prazo previsto
para as matérias em tramitação normal, o autor da proposi-
ção e os relatores, além de um orador de cada partido.

Em quadro, e combinando-se os dois dispositivos (art. 14, IV, e art. 347):

Tipo da urgência Quem pode usar a palavra Tempo para cada orador

– Autor da proposição;
Art. 336, I – Relator da proposição; 5 minutos.
– Um Senador de cada partido.

– 5 Senadores contra;
Art. 336, II 10 minutos.
– 5 Senadores a favor.

– 5 Senadores contra;
Art. 336, III 10 minutos.
– 5 Senadores a favor.

ATENÇÃO

O uso da palavra para discussão de proposição tramitando sob a urgência do art. 336, I,
habilita um grupo de oradores diferente dos previstos para as demais hipóteses (art.
336, II e III), e o tempo de uso da palavra para cada orador é a metade do autorizado
para os casos do art. 336, II e III.

V – na discussão da redação final (art. 321), uma só vez, por cinco minutos, o rela-
tor e um Senador de cada partido;
A redação final é a etapa do processo legislativo regimental na qual o texto da proposi-
ção será reescrito e reestruturado, com a incorporação de todas as decisões do Plená-
rio quando da votação do texto, das emendas e dos destaques, e, ainda, com a correção de
erros de técnica legislativa e de linguagem.
O objetivo é estruturar o texto que reflete, de forma perfeita, todas as decisões do
Senado quando da votação da proposição.
Como é necessária a avaliação sobre a perfeição técnica da redação final, de forma
a se ter segurança de que todas as decisões do Plenário foram efetivamente implantadas no
texto o qual se tem por definitivo, a redação final será submetida ao Plenário, para discussão
e votação.

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Em quadro, sobre esse inciso V:

Quem pode usar a Apenas o relator da redação final e um Senador de cada


palavra partido

Tempo para cada 5 minutos


orador

Parte da sessão Em geral, na Ordem do Dia.

– Inscrição oral, quando anunciada a matéria;


– A palavra será dada na ordem das inscrições;
Notas – A palavra é usada para comentar a perfeição técnica da
redação final e sua fidelidade às decisões do Plenário
quando da votação da matéria.

ATENÇÃO

Redação final e redação para o turno suplementar têm exatamente o mesmo obje-
tivo regimental, qual seja reconstruir o texto da proposição, alterado por emendas ou
destaques quando da votação.
A diferença entre um e outro é a seguinte:
Redação para o turno suplementar:
Destina-se a reestruturar o texto de uma proposição aprovada com alterações por emendas:
– do primeiro para o segundo turno;
– do turno único para o turno suplementar (se aprovado substitutivo integral à
proposição).
Redação final:
Destina-se a reestruturar o texto de uma proposição aprovada com alterações por emendas:
– no segundo turno, com vistas à elaboração dos autógrafos;
– em turno único, com vistas à elaboração dos autógrafos;
– em turno suplementar, se aprovado substitutivo em turno único, com vistas à
elaboração dos autógrafos.

Sobre a redação final, dispõe o RISF:


Matéria conexa
Art. 320. Lida no Período do Expediente, a redação final fica-
rá sobre a mesa para oportuna inclusão em Ordem do Dia,
após publicação, no Diário do Senado Federal e em avulso
eletrônico, e interstício regimental.

ATENÇÃO

Como regra, a competência para a elaboração da redação final é da Comissão


Diretora, como consta no art. 98, V:

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Art. 98. À Comissão Diretora compete:


(...)
V – elaborar a redação final das proposições de iniciativa do Senado e das emen-
das e projetos da Câmara dos Deputados aprovados pelo Plenário, escoimando-
-os dos vícios de linguagem, das impropriedades de expressão, defeitos de técni-
ca legislativa, cláusulas de justificação e palavras desnecessárias.

ATENÇÃO

Embora a competência para redação final seja, em regra, da Comissão Diretora, como
você viu acima, há exceções importantes a essa regra, que mostrarei a você quando
estudarmos os processos especiais.
Por enquanto, basta dizer que a redação final:
– No caso de proposta de emenda à Constituição, é de competência da CCJ;
– No caso de projeto de código, é da comissão temporária interna;
– No caso de alteração do RISF, pode vir a ser de comissão temporária.

VI – no encaminhamento de votação (art. 308 e parágrafo único do art. 310), uma só


vez, por cinco minutos;
Como já visto acima, no encaminhamento de votação, a palavra é usada pelo orador para
manifestar-se apenas sobre como vai votar, ou sugerir voto, ou orientar como a respec-
tiva bancada deve votar.
Em quadro:

Qualquer Senador.
No encaminhamento de votação de propo-
Quem pode usar a palavra sição em rito ordinário não há limite ao nú-
mero de oradores.

Tempo para cada orador 5 min

Em geral, na Ordem do Dia, quando encer-


Parte da sessão rada a discussão da matéria e anunciada a
votação.

– Inscrição oral, quando anunciada a vota-


ção da matéria;
– A palavra será dada na ordem das inscri-
Notas ções;
– A palavra é usada para informar, sugerir
ou determinar voto.

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Sobre o uso da palavra para encaminhamento de votação, tem-se


Matéria conexa
nos arts. 308 e 309:

Art. 308. Anunciada a votação de qualquer matéria, é lícito ao


Senador usar da palavra por cinco minutos para encaminhá-la.
Art. 309. O encaminhamento é medida preparatória da votação;
a votação só se considera iniciada após o término do enca-
minhamento.

ATENÇÃO

Apesar de ocorrer uso da palavra no encaminhamento de votação, esse momento


processual não integra a discussão, mas o processo de votação, como se vê no art.
309.

ATENÇÃO

Há requerimentos que não admitem encaminhamento de votação, a teor do art.


310:
Art. 310. Não terão encaminhamento de votação as eleições e os seguintes requeri-
mentos:

I – de permissão para falar sentado;


II – de prorrogação do tempo da sessão;
III – de prorrogação de prazo para apresentação de parecer;
IV – de dispensa de interstício e prévia publicação de avulso eletrônico para in-
clusão de determinada matéria em Ordem do Dia;
V – de dispensa de publicação de redação final para sua imediata apreciação;
VI – de Senador, solicitando de órgão estranho ao Senado a remessa de docu-
mentos;
VII – de comissão ou Senador, solicitando informações oficiais;
VIII – de comissão ou Senador, solicitando a publicação, no Diário do Senado Fe-
deral, de informações oficiais;
IX – de licença de Senador;
X – de remessa a determinada comissão de matéria despachada a outra;
XI – de destaque de disposição ou emenda.

ATENÇÃO

Quanto aos requerimentos que admitem encaminhamento de votação, o art.


310 estabelece regras especiais:

Art. 310, parágrafo único. O encaminhamento de votação de requerimento é limi-


tado ao signatário e a um representante de cada partido ou bloco parlamentar,
salvo nas homenagens de pesar.

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VII – no encaminhamento de votação de proposição em regime de urgência (art.


336), uma só vez, por cinco minutos, o relator da comissão de mérito e os líderes de
partido ou bloco parlamentar ou Senadores por eles designados;
Como visto anteriormente, o RISF trabalha com três diferentes tipos de urgência: a urgên-
cia constitucional, a regimental a requerimento e a regimental automática, que independe de
requerimento.
Interessa-nos, neste estudo, apenas as urgências regimentais que dependem de aprova-
ção de requerimento nesse sentido, contidas no art. 336, I a III.
Aqui, a exemplo do que vimos nos comentários ao inciso IV deste artigo 14, sobre a dis-
cussão de proposição em regime de urgência, novamente o RISF comete o erro de separar
a matéria em dois dispositivos diferentes, sem remissões recíprocas.

Matéria conexa Novamente é necessário utilizar o art. 347, indispensável por con-
ter exceção a esse inciso do art. 14:

Art. 347. Na discussão e no encaminhamento de votação das


proposições em regime de urgência no caso do art. 336, I, só
poderão usar da palavra, e por metade do prazo previsto para
as matérias em tramitação normal, o autor da proposição e os
relatores, além de um orador de cada partido.

Combinando-se os dois dispositivos regimentais, no que toca ao uso da palavra para


encaminhamento de votação, tem-se:

Tipo da urgência Quem pode usar a palavra Tempo para cada orador

– Autor da proposição;
Art. 336, I – Relator da proposição; 2,5 minutos.
– Um Senador de cada partido;

– Relator;
– Líderes de partidos e blocos par-
Art. 336, II 5 minutos.
lamentares ou oradores por es-
ses indicados.

– Relator;
– Líderes de partidos e blocos par-
Art. 336, III 5 minutos.
lamentares ou oradores por es-
ses indicados.

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ATENÇÃO

O tempo de cada orador para encaminhar votação de proposição sob urgência do art.
336, I, é a metade do atribuído aos oradores que queiram encaminhar votação de pro-
posição sujeita às urgências do art. 336, II e III.

VIII – para explicação pessoal, em qualquer fase da sessão, por cinco minutos, se
nominalmente citado na ocasião, para esclarecimento de ato ou fato que lhe tenha sido
atribuído em discurso ou aparte, não sendo a palavra dada, com essa finalidade, a
mais de dois oradores na mesma sessão;
Preliminarmente, cumpre distinguir duas expressões bastante próximas na lingua-
gem do RISF:

É a última parte da sessão, que se realiza apenas se, en-


Explicações pessoais cerrada a Ordem do Dia, ainda houver tempo de sessão.

É hipótese de uso da palavra por Senador que tenha sido


Explicação pessoal nominalmente citado por outro, em discurso ou aparte.

Neste inciso VIII do art. 14, cuida-se do uso da palavra por Senador ou Senadora que
tenham sido nominalmente citados em discurso ou aparte de outro orador.
Em quadro:

Qualquer Senador, desde que citado nominalmente


Quem pode usar a palavra em discurso ou em aparte.

Tempo para cada orador 5 minutos

Parte da sessão Em qualquer fase da sessão.

– Inscrição oral, quando encerrado o discurso em que


ocorreu a citação nominal, mesmo que isso tenha
ocorrido em aparte;
Notas – O orador usará a palavra para esclarecer ato ou fato
que lhe tenha sido atribuído;
– O RISF não admite que, em uma sessão, mais de
dois oradores usem a palavra sob esse argumento.

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ATENÇÃO

1. Se a referência nominal ocorrer em discurso, o citado deverá pedir a palavra ao térmi-


no deste; se ocorrer em aparte dentro de discurso, igualmente deverá pedir a palavra
ao término do discurso principal, e não do aparte em que houve a citação;
2. Para viabilizar o uso da palavra para explicação pessoal, a referência nominal ocorrida
não precisa necessariamente ter sido feita em contexto negativo.

É necessário ressaltar que o Senador citado nominalmente por outro orador tende a pedir
aparte (art. 14, XII) para, interrompendo o orador principal, explicar-se. Ocorre que a conces-
são de aparte é prerrogativa desse orador principal, e ele pode não autorizar. Assim, o
RISF prevê essa hipótese de uso da palavra para explicação pessoal, quando, após encer-
rado o discurso em que feita a citação nominal, o Senador referido pode, em inscrição
oral, pedir a palavra ao Presidente para explicar-se ao Plenário.

IX – para comunicação inadiável, manifestação de aplauso ou semelhante, home-


nagem de pesar, uma só vez, por cinco minutos;
Para fins didáticos, vamos trabalhar essas hipóteses separadamente, até para você
perceber que tanto a homenagem de pesar quanto o aplauso admitem várias soluções
regimentais.

Comunicação inadiável

Determina o RISF que qualquer Senador, em qualquer parte da sessão, pode usar a pala-
vra por cinco minutos para fazer “comunicação inadiável” ao Senado.
Como fizemos anteriormente, é necessário distinguir três hipóteses de uso da palavra
com denominações bem próximas:

Hipótese Quem pode fazer uso

– Apenas líder de partido ou bloco;


Comunicação urgente de interesse – Prazo de 5 minutos;
partidário (art. 14, II, “a”) – Em qualquer fase da sessão, exceto Or-
dem do Dia.

– Qualquer Senador;
– Prazo de 5 minutos;
Comunicação inadiável (art. 14, IX)
– Em qualquer fase da sessão;
– Admitida uma única vez por sessão.

– Apenas o Presidente do Senado;


Comunicação importante ao Senado
– Pelo tempo que este julgar necessário;
(art. 19, I, “c”)
– Em qualquer fase da sessão.

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Em quadro:

Quem pode usar a palavra Qualquer Senador.

Tempo para cada orador 5 minutos.

Parte da sessão Em qualquer fase da sessão.

– Inscrição oral;
– O orador usará a palavra para divulgar ao Senado infor-
Notas mação importante que repute urgente e relevante;
– O mesmo Senador não poderá pedir a palavra na mesma
sessão uma segunda vez para essa mesma finalidade.

Manifestação de aplauso ou semelhante

Essa hipótese de uso da palavra destina-se a expressar congratulações, júbilo ou cum-


primentos a determinado órgão, autoridade ou fato por acontecimento que o orador repute
ser marcante e importante.

Em quadro:

Quem pode usar a palavra Qualquer Senador

Tempo para cada orador 5 minutos.

Parte da sessão Em qualquer fase da sessão.

– Inscrição oral;
– O orador usará a palavra para expressar ao Senado
seu sentimento de alegria ou júbilo por determinado
evento, ou para cumprimentar alguém por determina-
Notas do fato;
– O mesmo Senador não poderá pedir a palavra na
mesma sessão uma segunda vez para essa mesma fi-
nalidade.

É importante notar que essas congratulações ou homenagem justificam outras duas pro-
vidências, em termos regimentais: a realização de sessão comemorativa e requerimento
de envio de expediente oficial do Senado.

Matéria conexa Sobre homenagem em sessão especial, consta no RISF:

Art. 154, § 5º A sessão especial realizar-se-á exclusivamente


para comemoração ou homenagem, em número não superior a 2
(duas) por mês, às segundas ou sextas- feiras.

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Matéria conexa A matéria é complementada no art. 199 e no art. 200:

Art. 199. O Senado poderá interromper a sessão ou realizar ses-


são especial para comemoração ou recepção de altas persona-
lidades, a juízo do Presidente ou por deliberação do Plená-
rio, mediante requerimento de 6 (seis) senadores.
§ 1º Salvo o caso de recepção a Chefe de Estado ou de Go-
verno ou autoridade equivalente, a sessão especial somente
poderá ocorrer 2 (duas) vezes por mês, às segundas ou sex-
tas-feiras, e quando não houver Ordem do Dia previamente
agendada para esses dias.
§ 2º A homenagem à mesma efeméride ou personalidade so-
mente poderá ocorrer 1 (uma) vez a cada 10 (dez) anos.
§ 3º A primeira comemoração das homenagens somente poderá
ocorrer após 25 (vinte e cinco) anos do fato.
§ 4º A sessão especial terá a duração máxima de 2 (duas) horas.
§ 5º Em sessão especial, poderão ser admitidos convidados à
Mesa e no Plenário.
§ 6º O parlamentar estrangeiro só será recebido em plenário
se o Parlamento do seu país der tratamento igual aos con-
gressistas brasileiros que o visitem.
Art. 200. A sessão especial, que independe de número, será con-
vocada em sessão, através do Diário do Senado Federal, ou
por outro meio oficial de comunicação, e nela somente usa-
rão da palavra os senadores previamente designados pelo
Presidente ou por líder de partido ou bloco parlamentar.
Parágrafo único. Não serão concedidos apartes nas sessões
especiais.

ATENÇÃO

1. A sessão especial pode resultar da transformação de ses-


são ordinária, ou da convocação de sessão especialmente
para esse fim;
2. A realização de sessão especial não depende de um quó-
rum mínimo, como consta no art. 200, caput, acima repro-
duzido.

Matéria conexa Sobre a homenagem por envio de expediente:

Art. 222. O Senador poderá apresentar requerimento de voto


de aplauso, congratulações, louvor, solidariedade ou censura,
que será, após lido no Período do Expediente, encaminhado
em nome do autor.

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§ 1º Se disser respeito a ato público ou a acontecimento de alta sig-


nificação nacional ou internacional, o voto de aplauso, congra-
tulações, louvor, solidariedade ou censura poderá, mediante
requerimento subscrito por um terço da composição da Casa, ser
encaminhado em nome do Senado Federal, após sua aprova-
ção pelo Plenário.
§ 2º Aplica-se o disposto no § 1º se o requerimento for de ini-
ciativa de comissão permanente, observado o disposto no
art. 245.
§ 3º Os requerimentos referidos nos §§ 1º e 2º não apreciados
durante a sessão legislativa em que foram apresentados se-
rão arquivados definitivamente.

Homenagem de pesar

Como visto, o RISF autoriza o uso da palavra por Senador para homenagem de pesar.

Em quadro:

Quem pode usar a palavra Qualquer Senador

Tempo para cada orador 5 minutos.

Parte da sessão Em qualquer fase da sessão.

– Inscrição oral;
– O orador usará a palavra para expressar pêsames
por falecimento ou fato;
Notas – O mesmo Senador não poderá pedir a palavra na
mesma sessão uma segunda vez para essa mesma
finalidade.

Situações de pesar, além do uso da palavra, também autorizam homenagem em sessão,


envio de voto de pesar e representação do Senado.

Matéria conexa Sobre o voto de pesar enviado pelo Senado e outras homenagens:

Art. 218. O requerimento de inserção em ata de voto de pesar


só é admissível por motivo de luto nacional decretado pelo
Poder Executivo, ou por falecimento de:
I – pessoa que tenha exercido o cargo de Presidente ou Vice-
-Presidente da República;

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II – ex-membro do Congresso Nacional;


III – pessoa que exerça ou tenha exercido o cargo de:
a) Ministro do Supremo Tribunal Federal;
b) Presidente de Tribunal Superior da União;
c) Presidente do Tribunal de Contas da União;
d) Ministro de Estado;
e) Governador, Presidente de Assembleia Legislativa ou de
Tribunal de Justiça estadual;
f) Governador de Território ou do Distrito Federal;
IV – Chefe de Estado ou de governo estrangeiro;
V – Chefe de Missão Diplomática de país estrangeiro acredi-
tada junto ao Governo Brasileiro;
VI – Chefe de Missão Diplomática do Brasil junto a governo
estrangeiro, falecido no posto;
VII – personalidade de relevo na vida político-administrativa
internacional.
Art. 219. Ao serem prestadas homenagens de pesar, poderá
ser observado um minuto de silêncio, em memória do extinto,
após usarem da palavra todos os oradores.
Art. 220. O requerimento de levantamento da sessão, por motivo
de pesar, só é permitido em caso de falecimento do Presi-
dente da República, do Vice-Presidente da República ou de
membro do Congresso Nacional.
Art. 221. Além das homenagens previstas nos arts. 218 a 220,
o Plenário poderá autorizar:
I – a apresentação de condolências à família do falecido, ao Es-
tado do seu nascimento ou ao em que tenha exercido a sua
atividade, ao partido político e a altas entidades culturais a
que haja pertencido;
II – a representação nos funerais e cerimônias levadas a efeito
em homenagem à memória do extinto

Percebe-se que esses dispositivos transcritos tratam de várias pro-


vidências:
– A inscrição em ata de voto de pesar;
Matéria conexa – A prestação de um minuto de silêncio em sessão;
– O levantamento de sessão por motivo de pesar;
– A apresentação de condolências à família do falecido;
– A representação nos funerais e cerimônias.
Sobre a realização de sessão de pesar:

Art. 26. Falecendo algum Senador em período de funcionamen-


to do Senado, o Presidente comunicará o fato à Casa e propo-
rá seja a sessão do dia dedicada a reverenciar a memória do
extinto, deliberando o Plenário com qualquer número.

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Art. 27. O Senado far-se-á representar, nas cerimônias fú-


nebres que se realizarem pelo falecimento de qualquer dos
seus membros, por uma comissão constituída, no mínimo,
de três Senadores, designados pelo Presidente, de ofício ou
mediante deliberação do Plenário, sem embargo de outras
homenagens aprovadas.
Parágrafo único. Na hipótese de ser a comissão designada de
ofício, o fato será comunicado ao Plenário, pelo Presidente.

No caso de falecimento de Senador durante a SLO, as homena-


gens de pêsames são:
Matéria conexa
– Realização de sessão de homenagem;
– Representação do Senado nas cerimônias fúnebres.
Sobre a homenagem fúnebre por representação externa:

Art. 67. O Senado, atendendo a convite, poderá se fazer re-


presentar em ato ou solenidade de cunho internacional,
nacional ou regional, mediante deliberação do Plenário por
proposta do Presidente ou a requerimento de qualquer Se-
nador ou comissão.
Art. 68. A representação externa far-se-á por comissão ou
por um Senador.
Art. 69. É lícito ao Presidente avocar a representação do Se-
nado quando se trate de ato de excepcional relevo.
Art. 70. Na impossibilidade de o Plenário deliberar sobre a
matéria, será facultado ao Presidente autorizar representa-
ção externa para:
I – chegada ou partida de personalidade de destaque na vida
pública nacional ou internacional;
II – solenidade de relevante expressão nacional ou interna-
cional;
III – funeral ou cerimônia fúnebre em que, regimentalmente, caiba
essa representação.
Parágrafo único. O Presidente dará conhecimento ao Sena-
do da providência adotada na primeira sessão que se reali-
zar.

A representação externa do Senado será feita, dessa forma:


Matéria conexa – Pelo Presidente do Senado, avocando-a;
– Por um Senador;
– Por Comissão de representação (comissão temporária externa).

X – em qualquer fase da sessão, por cinco minutos:


a) pela ordem, para indagação sobre andamento dos trabalhos, reclamação quanto
à observância do Regimento, indicação de falha ou equívoco em relação à matéria da
Ordem do Dia, vedado, porém, abordar assunto já resolvido pela Presidência;

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Em quadro:

Quem pode usar a palavra Qualquer Senador

Tempo para cada orador 5 minutos.

Parte da sessão Em qualquer fase da sessão.

– Inscrição oral;
– O orador usará a palavra para uma de três finalidades:
a) Formular indagação sobre o andamento dos tra-
balhos;
b) Formular reclamação quanto à observância do
RISF;
Notas c) Indicar falha ou equívoco na pauta da Ordem do
Dia.
– O uso da palavra “pela ordem” é dirigido ao Presiden-
te do Senado e por este resolvido;
– Não há recurso contra a decisão do Presidente;
– Não há previsão de contradita por outro Senador
contra a reclamação ou erro apontado.

Para evitar confusão com a questão de ordem, prevista no mesmo dispositivo, na alínea
“b”, veja-se o seguinte quadro:

Usada principalmente para fazer reclama-


Palavra “pela ordem” ção contra descumprimento do RISF ou
(art. 14, X, “a”) para indicar erro na Ordem do Dia.

Palavra em questão de ordem Usada para pedir esclarecimentos ao Pre-


(art. 14, X, “b” e “c”) sidente sobre a interpretação do RISF.

X – em qualquer fase da sessão, por cinco minutos:


(...)
b) para suscitar questão de ordem, nos termos do art. 403;
c) para contraditar questão de ordem, limitada a palavra a um só Senador;
O exame do tratamento regimental da questão de ordem obriga que seja estudado, con-
juntamente com este inciso X do art. 14, o art. 403 e seguintes, que detalham o procedimento.

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Matéria conexa Este é o tratamento mais detalhado da questão de ordem no RISF:

Art. 403. Constituirá questão de ordem, suscitável em qualquer


fase da sessão, pelo prazo de cinco minutos, qualquer dúvida
sobre interpretação ou aplicação deste Regimento.
Parágrafo único. Para contraditar questão de ordem é permi-
tido o uso da palavra a um só Senador, por prazo não exce-
dente ao fixado neste artigo.
Art. 404. A questão de ordem deve ser objetiva, indicar o dis-
positivo regimental em que se baseia, referir-se a caso concreto
relacionado com a matéria tratada na ocasião, não podendo
versar sobre tese de natureza doutrinária ou especulativa.
Art. 405. A questão de ordem será decidida pelo Presidente,
com recurso para o Plenário, de ofício ou mediante requeri-
mento, que só será aceito se formulado ou apoiado por líder.
Art. 406. Considera-se simples precedente a decisão sobre
questão de ordem, só adquirindo força obrigatória quando
incorporada ao Regimento.
Art. 407. Nenhum Senador poderá falar, na mesma sessão,
sobre questão de ordem já resolvida pela Presidência.
Art. 408. Havendo recurso para o Plenário, sobre decisão da
Presidência em questão de ordem, é lícito a esta solicitar a audi-
ência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania sobre a
matéria, quando se tratar de interpretação de texto constitucional.
§ 1º Solicitada a audiência, fica sobrestada a decisão.
§ 2º O parecer da Comissão deverá ser proferido no prazo de
dois dias úteis, após o que, com ou sem parecer, será o recur-
so incluído em Ordem do Dia para deliberação do Plenário.
§ 3º Quando se tratar de questão de ordem sobre matéria
em regime de urgência nos termos do art. 336, I, ou com pra-
zo de tramitação, o parecer deverá ser proferido imediatamente,
podendo o Presidente da comissão ou o relator solicitar pra-
zo não excedente a duas horas.

Essa matéria fica mais bem compreendida em fluxograma:

Sem
Precedente
recurso

Senador
Presidente
formula a
decide Sem
QO Plenário
matéria
decide
123 const.
Com
recurso 6

Com
45 matéria Presidente
const.

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Nota 1 – O Senador pode formular a questão de ordem a qualquer momento da sessão,


por inscrição oral, e pelo prazo de 5 minutos;
Nota 2 – O orador terá de indicar o artigo do RISF em que se fundamenta;
Nota 3 – A enunciação da questão de ordem deve ser objetiva e referir-se a situa-
ção presente;
Nota 4 – O recurso pode ser feito: a) pelo Presidente, de ofício; b) por líder de partido ou
bloco; c) por qualquer Senador, apoiado por Líder.
Nota 5 – O recurso é oral e deve ser feito imediatamente após a decisão do Presidente;
Nota 6 – Decisão por maioria simples, em votação simbólica.

Plenário decisão precedente

8
Presidente

7
À CCJ parecer Plenário decisão

9 10
Nota 7 – Havendo matéria constitucional, a decisão de ouvir a CCJ é facultativa ao
Presidente;
Nota 8 – A decisão do Plenário é por maioria simples, em votação simbólica;
Nota 9 – O prazo para o parecer da CCJ é de dois dias úteis;
Nota 10 – A decisão do Plenário será por maioria simples, em votação simbólica.

ATENÇÃO

A decisão em questão de ordem, quer a do Presidente não recorrida, quer a do Plenário,


mediante recurso, configura mero precedente.
Para adquirir força de norma regimental, deverá haver alteração do texto do RISF,
pelo processo descrito no art. 401, que será estudado oportunamente.

XI – após a Ordem do Dia, pelo prazo de vinte minutos, para as considerações que
entender (art. 176);
Como já visto, os Líderes têm preferência no uso da palavra nessa última parte da sessão,
por força do art. 14, II, “b”.
Se, após o uso da palavra pelos Líderes, ainda restar tempo de sessão, a palavra será
dada aos oradores inscritos no livro.

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Em quadro:
– Qualquer Senador;
– Se Líder, por inscrição oral, com preferência so-
Quem pode usar a palavra bre os demais;
– Se não líder, por inscrição em livro.

Tempo para cada orador 20 minutos.

Na última parte da sessão, após o término da Or-


Parte da sessão dem do Dia, se ainda houver tempo de sessão.

Notas – O orador usa a palavra sobre tema livre.

Matéria conexa O art. 176, referido, consta:

Art. 176. Esgotada a Ordem do Dia, o tempo que restar para o


término da sessão será destinado, preferencialmente, ao uso
da palavra pelas lideranças e, havendo tempo, pelos orado-
res inscritos na forma do disposto no art. 17.

XII – para apartear, por dois minutos, obedecidas as seguintes normas:


a) o aparte dependerá de permissão do orador, subordinando-se, em tudo que lhe for
aplicável, às disposições referentes aos debates;
b) não serão permitidos apartes:
1 - ao Presidente;
2 - a parecer oral;
3 - a encaminhamento de votação, salvo nos casos de requerimento de homena-
gem de pesar ou de voto de aplauso ou semelhante;
4 - a explicação pessoal;
5 - a questão de ordem;
6 - a contradita a questão de ordem;
7 - a uso da palavra por cinco minutos;
c) a recusa de permissão para apartear será sempre compreendida em caráter geral,
ainda que proferida em relação a um só Senador;
d) o aparte proferido sem permissão do orador não será publicado;
e) ao apartear, o Senador conservar-se-á sentado e falará ao microfone;

O aparte configura uma interrupção do orador principal, por este consentida, para que o
aparteante faça comentários dentro do pronunciamento principal.

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Em quadro-resumo:

Quem pode apartear Qualquer Senador

Como regra, qualquer Senador que esteja com a pala-


vra, exceto o Presidente.
Quem pode ser aparteado Quanto aos demais Senadores, não são aparteáveis os
que estiverem com a palavra por 5 min e nas demais
situações previstas na letra “b” do inciso XII do art. 14.

2 minutos para cada aparteante, sendo esse tempo


Tempo do aparte descontado do tempo do orador principal.

Requisito para o aparte É a permissão do orador principal.

Consequências da recusa Recusado o aparte a um Senador, o orador principal


de aparte pelo orador não mais poderá conceder apartes a qualquer outro
principal ao longo do discurso que esteja proferindo.

O aparteante:
– Pede permissão para falar ao orador principal, e não
Condições ao aparteante ao Presidente;
– O aparteante pode falar sentado;
– O aparteante deve falar ao microfone.

Em quadro complementar:

Quem pode usar a palavra Qualquer Senador

Tempo para cada orador 2 minutos.

No momento em que ocorrer o discurso que se


Parte da sessão pretende interromper, em qualquer fase da ses-
são.

– O orador usa a palavra para fazer comentários


sobre o assunto do discurso do orador principal;
Notas – Inscrição oral, dirigida ao orador principal, de-
vendo ser por ele autorizada.

XIII – para interpelar Ministro de Estado, por cinco minutos, e para a réplica, por
dois minutos (art. 398, X).

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Nesta hipótese, o uso da palavra é exclusivamente voltado à interpelação de Ministro


de Estado, e, por isso, necessariamente relativa ao tema da exposição dessa autoridade
executiva.

Matéria conexa O regulamento mais detalhado do uso da palavra para oitiva de


Ministro de Estado consta do 398 do RISF:

Art. 398. Quando houver comparecimento de Ministro de Es-


tado perante o Senado, adotar-se-ão as seguintes normas:
(...)
IX – o Ministro de Estado só poderá ser aparteado na fase das
interpelações desde que o permita;
X – terminada a exposição do Ministro de Estado, que terá a
duração de meia hora, abrir-se-á a fase de interpelação, pelos
Senadores inscritos, dentro do assunto tratado, dispondo o
interpelante de cinco minutos, assegurado igual prazo para a
resposta do interpelado, após o que poderá este ser contra-
ditado pelo prazo máximo de dois minutos, concedendo-se ao
Ministro de Estado o mesmo tempo para a tréplica;
XI – a palavra aos Senadores será concedida na ordem de ins-
crição, intercalando-se oradores de cada partido;

§ 1º É vedado ao orador tratar de assunto estranho à finalidade do dispositivo em


que se baseia para a concessão da palavra.
Este dispositivo determina a necessária e estrita observância, pelo orador, da destinação
regimental do uso da palavra na hipótese pedida.
Dessa forma, por exemplo, o Senador não poderá pedir a palavra em questão de ordem
para fazer reclamação contra o descumprimento do Regimento Interno, pois, como consta no
art. 14, X, “a”, a reclamação exige a palavra “pela ordem”. A questão de ordem só pode ser
usada para demandar esclarecimentos interpretativos da Presidência.

ATENÇÃO

Se o orador usar a palavra para finalidade diversa da hipótese regimental usada, deverá
ser advertido pelo Presidente e, em caso de persistir no erro, terá a sua palavra retira-
da mediante o desligamento do microfone, sujeitando-se, ainda, às medidas disciplinares
cabíveis.

§ 2º (Revogado).
§ 3º O líder que acumular lideranças de partido e de bloco parlamentar poderá usar
da palavra com base no inciso II uma única vez numa mesma sessão.

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Esta prescrição entra em contradição direta com o próprio Regimento Interno quando
este, no art. 62, § 2º, determina que os Líderes de partidos agregados em bloco parlamentar
perdem todas as suas atribuições regimentais.
Dessa forma, como ocorre a perda das prerrogativas de líder, não há hipótese lógica de
haver acumulação de lideranças.

Matéria conexa Eis o dispositivo citado acima:

Art. 62. O bloco parlamentar terá líder, a ser indicado dentre


os líderes das representações partidárias que o compõem.
§ 2º As lideranças dos partidos que se coligarem em bloco
parlamentar perdem suas atribuições e prerrogativas regi-
mentais.

§ 4º Os vice-líderes, na ordem em que forem indicados, poderão usar da palavra


com base no inciso II do caput se o líder lhes ceder a palavra, estiver ausente ou impe-
dido nos termos do art. 13.
O vice-líderes são indicados pelo Líder do respectivo partido político ou bloco parlamen-
tar, em ordem determinada por este.
Com base neste § 4º, então, ausente ou impedido o Líder, a preferência de uso da pala-
vra em nome da liderança é do 1º Vice-Líder; ausente este, a preferência passa ao 2º Vice-
-Líder, e assim sucessivamente.
Matéria conexa
Sobre os vice-líderes:

Art. 65. A Maioria, a Minoria e as representações partidárias


terão líderes e vice-líderes.
§ 7º Os vice-líderes das representações partidárias serão
indicados pelos respectivos líderes, na proporção de um
vice-líder para cada grupo de três integrantes de bloco par-
lamentar ou representação partidária, assegurado pelo me-
nos um vice-líder e não computada a fração inferior a três.

§ 5º O uso da palavra, por delegação de liderança, poderá ocorrer uma única vez
em uma mesma sessão e não poderá ser exercido na mesma fase da sessão utilizada
pelo líder para falar nos termos do inciso II do caput.

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Em quadro esquemático:

– É limitada a uma única vez por sessão para cada


Orador usando a palavra partido político ou bloco parlamentar (e NÃO
em nome da Liderança de para cada vice-líder);
partido político ou bloco – Não pode ocorrer na mesma fase da sessão (Pe-
parlamentar, por delegação ríodo do Expediente ou Explicações Pessoais)
do respectivo Líder na qual já tenha usado a palavra, com essa condi-
ção, o respectivo Líder.

§ 6º O Senador que fizer uso da palavra por delegação de liderança, ou para comuni-
cação inadiável não poderá, na mesma sessão, solicitar a palavra como orador inscrito.
A restrição se refere a orador em duas condições:
– uso da palavra por delegação de liderança, na forma dos §§ 4º e 5º deste artigo;
– uso da palavra para comunicação inadiável.

Nessas condições, o Senador (ou Senadora) não poderá solicitar a palavra como
orador inscrito.

ATENÇÃO

Essa restrição ao uso da palavra como “orador inscrito” se refere APENAS às hipóteses
que dependem de inscrição em livro, para discurso:
– no Período do Expediente (art. 14, I);
– “Após a Ordem do Dia”, nas Explicações Pessoais (art. 14, XI).
Não impede, obviamente, o Senador de usar a palavra em outras situações, como ques-
tão de ordem, “pela ordem” ou para discutir proposição.

§ 7º Aplica-se o disposto no § 1º do art. 17 aos Senadores que fizerem uso da pala-


vra com base no que dispõem os incisos I, IX, XI e XIV.
Veja as referências em quadro:

Art. 17. Haverá, sobre a mesa, no plenário, livro es-


pecial no qual se inscreverão os Senadores que
quiserem usar da palavra, nas diversas fases da O Senador, como regra, não
sessão, devendo ser rigorosamente observada a poderá usar a palavra mais
ordem de inscrição. de duas vezes por semana.
§ 1º O Senador só poderá usar da palavra mais de
duas vezes por semana se não houver outro ora-
dor inscrito que pretenda ocupar a tribuna.

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Art. 14. O Senador poderá fazer uso da palavra: Para:


I – nos cento e vinte minutos que antecedem a Or- – Falar, por inscrição em livro,
dem do Dia, por dez minutos, nas sessões delibe- no Período do Expediente
rativas, e por vinte minutos, nas sessões não de- (inciso I);
liberativas; – Fazer comunicação inadiá-
IX – para comunicação inadiável, manifestação vel (inciso IX);
de aplauso ou semelhante, homenagem de pesar, – Fazer manifestação de
uma só vez, por cinco minutos; aplauso (inciso IX);
XI – após a Ordem do Dia, pelo prazo de vinte mi- – Fazer homenagem de pesar
nutos, para as considerações que entender (art. (inciso IX);
176); – Na última parte da sessão,
XIV – por delegação de sua liderança partidária, em tema livre (inciso XI);
por cinco minutos, observado o disposto na alínea – Falar por delegação de lide-
“a” do inciso II e do § 3º deste artigo. rança (inciso XIV).

§ 8º Aos membros de representação partidária com menos de um décimo da com-


posição do Senado será permitido o uso da palavra, nos termos dos incisos I, II e XIV,
uma única vez em cada sessão.
Essa prescrição se destina aos membros de partidos políticos com pequenas bancadas
no Senado (até um décimo da composição do Senado).
Nestes casos, não terão a prerrogativa de uso da palavra de forma plena, mas limitada a
uma única vez por sessão para qualquer de três possibilidades:
– falar no Período do Expediente, como Senador ou Senadora, por inscrição em livro
(inciso I);
– usar a palavra como Líder, para comunicação urgente de interesse partidário (inciso
II, “a”) ou nas explicações pessoais, em tema livre (inciso II, “b”);
– por delegação de liderança.

ATENÇÃO

Os membros e líderes de tais partidos políticos só poderão usar a palavra UMA VEZ por
sessão por qualquer dos três fundamentos.
Nas demais hipóteses, como discussão de proposição ou encaminhamento de votação,
ou para formular questão de ordem, poderão usar a palavra livremente, como qual-
quer outro Senador.

Art. 15. Os prazos previstos no art. 14 só poderão ser prorrogados, pelo Presidente,
por um ou dois minutos, para permitir o encerramento do pronunciamento, após o que
o som do orador será cortado, não sendo lícito ao Senador utilizar-se do tempo desti-
nado a outro, em acréscimo ao de que disponha.
A prorrogação é prerrogativa exclusiva do Presidente da sessão.
Concedida a prorrogação, e findo o tempo desta, o microfone do orador terá o som cortado.
Art. 16. A palavra será dada na ordem em que for pedida, salvo inscrição.

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Este artigo se refere exclusivamente ao uso da palavra por inscrição oral, ao microfone.
A inscrição referida é a que é feita em livro.
Art. 17. Haverá, sobre a mesa, no plenário, livro especial no qual se inscreverão os
Senadores que quiserem usar da palavra, nas diversas fases da sessão, devendo ser
rigorosamente observada a ordem de inscrição.
Esse livro é usado apenas para o uso da palavra cuja inscrição dependa dessa formalidade.
A ordem de inscrição, que deve “ser rigorosamente observada”, leva a um necessá-
rio quadro:

Objetivo da inscrição em livro Tratamento da ordem de inscrição

Para uso da palavra no Período do Expe- À ordem de inscrição dos oradores no livro
diente (art. 14, I) por 10 min (em sessão deli- poderão ser intercalados outros orado-
berativa) ou por 20 min (em sessão não de- res, sob inscrição oral, para comunicação
liberativa) inadiável e voto de pesar e comemoração.

Os oradores inscritos no livro (art. 14, XI) so-


Para uso da palavra na última parte da ses-
mente poderão usar a palavra após os
são (“após a Ordem do Dia” ou Explicações
Líderes interessados (art. 14, II, “b”) fazerem
Pessoais)
uso da palavra, pois estes têm preferência.

Os oradores serão chamados em rigorosa


Para interpelação de Ministro de Estado
ordem de inscrição em livro próprio.

§ 1º O Senador só poderá usar da palavra mais de duas vezes por semana se não
houver outro orador inscrito que pretenda ocupar a tribuna.
Disso resulta uma regra e uma exceção:

Senador (ou Senadora) só poderá usar a palavra nas hipóteses su-


Regra jeitas à inscrição em livro por até duas vezes por semana.

Se não houver outros oradores interessados, é possível ao Senador


Exceção que já tenha falado duas vezes na mesma semana voltar a usar a
palavra em hipótese sujeita à inscrição em livro.

§ 2º A inscrição será para cada sessão, podendo ser aceita com antecedência não
superior a duas sessões deliberativas ordinárias ou não deliberativas.
Essa prescrição contém duas regras:

É feita para sessão específica, ou seja, o orador escolhe a data da


Inscrição sessão na qual quer discursar.
Fica proibida, assim, a inscrição aberta, para falar “quando possível”.

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O orador interessado pode inscrever-se para falar em sessão deter-


minada com até duas sessões de antecedência.
Antecedência Como exemplo, se pretende falar na sessão de quarta-feira, poderá
fazer a inscrição no livro na segunda ou na terça-feira.

Como visto, ao longo do estudo do art. 14, a inscrição em livro se faz para o uso da pala-
vra no Período do Expediente (art. 14, I), por 10 min em sessão deliberativa e por 20 min
em sessão não deliberativa, e para discursar nas Explicações Pessoais (art. 14, XI), por 20
minutos. No caso de oitiva de Ministro de Estado, igualmente, haverá inscrição em livro.
Em abordagem esquemática do referido art. 17:

Inscrição em livro Qualquer Senador.

Forma de inscrição Pela aposição do nome, assinatura ou rubrica.

Em rigorosa ordem de inscrição, sem prerrogativa a


Sequência de uso da palavra líderes, mas admitidas situações de preferência ou
dos oradores inscritos no livro intercalação, como demonstrado acima, em outro
quadro.

Até duas.
Número de inscrições Novas inscrições só serão possíveis se não houver
semanais permitidas outros oradores interessados.

Referência da inscrição Para determinada sessão.

Antecedência da inscrição Com até duas sessões de antecedência.


para determinada sessão

Art. 18. O Senador, no uso da palavra, poderá ser interrompido:


I – pelo Presidente:
Este primeiro inciso traz as hipóteses em que o orador poderá ser interrompido pelo
Presidente.
Em todos os casos, o tempo consumido será restituído ao orador que esteja usando
a palavra.

ATENÇÃO

A interrupção pelo Presidente não depende de qualquer consentimento por parte


do orador.
Durante sua intervenção, o Presidente usará o tempo que entender necessário para
a cumprir a finalidade regimental.

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a) para leitura e votação de requerimento de urgência, no caso do art. 336, I, e deli-


beração sobre a matéria correspondente;
b) para votação não realizada no momento oportuno, por falta de número (arts.
304 e 305);
c) para comunicação importante;
d) para recepção de visitante (art. 199);
e) para votação de requerimento de prorrogação da sessão;
f) para suspender a sessão, em caso de tumulto no recinto ou ocorrência grave no
edifício do Senado;
g) para adverti-lo quanto à observância do Regimento;
h) para prestar esclarecimentos que interessem à boa ordem dos trabalhos;
II – por outro Senador:
Neste inciso II, estão as únicas duas hipóteses que autorizam a interrupção do orador por
outro Senador ou Senadora que não seja o Presidente.
Veja que, no caso da alínea “a”, a interrupção depende de autorização do orador; no caso
da alínea “b”, o consentimento do orador não é necessário.
a) com o seu consentimento, para aparteá-lo;
O aparte, como visto no art. 14, XII, é uma intervenção de 2 min na qual um segundo
orador pretende fazer comentários sobre o assunto do discurso do orador principal.
O tempo consumido pelo orador nesse caso é descontado do tempo do orador principal.
O aparteante deve se dirigir ao Presidente, ao orador principal e aos demais Senadores.
b) independentemente de seu consentimento, para formular à Presidência reclama-
ção quanto à observância do Regimento.
A “reclamação”, como se vê no art. 14, X, “a”, deve ser feita no uso da palavra “pela ordem”.
Nesse caso, o orador que a formula vai se dirigir ao Presidente, e não ao orador que foi
interrompido.
Parágrafo único. O tempo de interrupção previsto neste artigo será descontado em
favor do orador, salvo quanto ao disposto no inciso II, “a”.

Interrupção do orador por outro O tempo consumido pelo aparteante será


Senador para aparte deduzido do tempo do orador principal.

Interrupção do orador por outro O tempo consumido pelo orador que faz a
Senador para usar a palavra “pela interrupção não é descontado do tempo do
ordem”, para formular reclamação orador que foi interrompido.

Art. 19. Ao Senador é vedado:


I – usar de expressões descorteses ou insultuosas;

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O descumprimento desta proibição impõe a aplicação de penalidades disciplinares, que


serão vistas a partir do art. 22, podendo configurar, conforme a gravidade, até quebra de
decoro parlamentar.
II – falar sobre resultado de deliberação definitiva do Plenário, salvo em explica-
ção pessoal.
A “deliberação” se torna definitiva após a conclusão da votação pelo Plenário e a procla-
mação do resultado pelo Presidente. Uma vez que isso ocorra, a nenhum Senador é dado
comentar, elogiar, criticar ou fazer ressalvas ao resultado da votação, exceto na última parte
da sessão, as Explicações Pessoais, quando o uso da palavra é permitido para tema livre.

Essa “explicação pessoal” não se confunde com a hipótese


de uso da palavra prevista pelo art. 14, VIII, que só é possí-
Ponto importante! vel ao Senador nominalmente citado por outro.
A referência, aqui, é à última parte da sessão.

Art. 20. Não será lícito ler da tribuna ou incluir em discurso, aparte, declaração de
voto ou em qualquer outra manifestação pública, documento de natureza sigilosa.
Documentos de caráter sigiloso podem chegar ao Senado:
– Solicitados por Senador;
– Solicitados por Comissão;
– Enviados por pessoa ou entidade.

Matéria conexa O RISF regulamenta o uso de documento sigiloso por comissão:

Art. 144. Quanto ao documento de natureza sigilosa, obser-


var-se-ão, no trabalho das comissões, as seguintes normas:
I – não será lícito transcrevê-lo, no todo ou em parte, nos
pareceres e expediente de curso ostensivo;
II – se houver sido encaminhado ao Senado em virtude de re-
querimento formulado perante a comissão, o seu Presiden-
te dele dará conhecimento ao requerente, em particular;
III – se a matéria interessar à comissão, ser-lhe-á dada a co-
nhecer em reunião secreta;
IV – se destinado a instruir o estudo de matéria em curso no
Senado, será encerrado em sobrecarta, rubricada pelo Pre-
sidente da comissão, que acompanhará o processo em toda
a sua tramitação;
V – quando o parecer contiver matéria de natureza sigilosa,
será objeto das cautelas descritas no inciso IV.
Parágrafo único. A inobservância do caráter secreto, confi-
dencial ou reservado, de documentos de interesse de qual-
quer comissão sujeitará o infrator à pena de responsabilida-
de, apurada na forma da lei.

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Art. 21. O Senador, ao fazer uso da palavra, manter-se-á de pé, salvo licença para
se conservar sentado, por motivo de saúde, e dirigir-se-á ao Presidente ou a este e aos
Senadores, não lhe sendo lícito permanecer de costas para a Mesa.
Em quadro:

O orador deve estar em pé, de frente para a Mesa e dirigir-se ao Presi-


Regra dente ou ao Presidente e aos demais Senadores.

Podem falar sentados:


– O Presidente;
Exceção – O aparteante;
– O Senador que, por motivo de saúde, o requeira.

Matéria conexa O requerimento para falar sentado está previsto no art. 214:

Art. 214. O requerimento poderá ser oral ou escrito.


Parágrafo único. É oral e despachado pelo Presidente o re-
querimento:
(...)
IV – de permissão para falar sentado.

Não há exceção à regra que obriga o orador a falar de frente


Ponto importante! para a Mesa.

O orador se dirigirá ao Presidente, apenas, quando o motivo do


uso da palavra se destina a ser resolvido pelo Presidente,
como nos casos de questão de ordem e palavra “pela ordem”.
Ponto importante! Deverá dirigir-se ao Presidente e aos demais oradores nos de-
mais casos, principalmente quando discutir proposição ou en-
caminhar votação.

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