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Aula 05

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Prof. Marcos Palmer
2o semestre de 2020

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Unidade II - (01)
Direção de Fotografia na PRODUÇÃO (planificação)

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Introdução

O conteúdo da aula de hoje concentra-se na discussão do conceito de


linguagem audiovisual a partir da planificação na composição da imagem no
processo de construção narrativa.
O plano é o primeiro. A unidade do filme, que é construído em sequência de
montagem de planos e que, somados conduzem à narrativa, através das
sequências.
Podemos dizer que planos têm referência no olhar, numa provável seleção
de elementos, para a composição de cada imagem, que juntas em
sequência, produzem efeitos de relevos dramáticos.

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Os planos conduzem o espectador ao entendimento, na articulação feita pela
montagem, na qual uns se relacionam com outros, para que as conexões
produzam sentidos.
A decupagem técnica ou o roteiro técnico pode ser considerado o principal
instrumento imagético de construção da narrativa, através dos planos, para que
sejam estudados e avaliados os desencadeamentos das ações, como princípio
do desenvolvimento do processo de dramatização de uma ficção, por exemplo.
O uso adequado dos planos permite que o desenrolar de uma história se dê
seguindo uma lógica específica criada, especificamente, para o sistema
proposto.

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A planificação

A linguagem cinematográfica, então, baseia-se:


no PLANO - na SEQUÊNCIA - no FILME

A estruturação deve ser planejada e tem início na decupagem, a fase que antecede à
captação das imagens.
À direção cabe interpretar o roteiro e fazer o poderíamos chamar de tradução
intersemiótica, passando do texto escrito, da linguagem escrita para a linguagem
audiovisual.
E, as imagens, são pensadas em forma de desencadeamento próprio, mas adequado ao
texto referenciado, tomando as ações e seus graus de dramaticidade expostos na escrita,
porém interpretados pela direção subjetivamente.
É um processo de subjetivação como intuito ou busca pela objetivação. Então, a direção
busca os recursos técnicos para provocar os efeitos desejados no espectador nos planos,
na iluminação, no uso de lentes, na profundidade de campo, no enquadramento etc.

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Planificação

A decupagem técnica - o roteiro técnico:

Para a definição dos planos devemos lembrar:


- na autonomia e nos valores próprios. Cada plano pode ter um aspecto de
destaque, de composição que deve, mesmo que só, produzir algum sentido;
- na articulação com os demais planos a partir da premissa que podem produzir
sentido (significações latentes). Como numa expressão matemática, na qual a
ordem dos sinais das operações pode alterar o resultado. Nas imagens, a ordem, a
composição, a posição dos elementos, a luz, dentre uma infinidade de aspectos,
enfim, tudo o que afeta a percepção do espectador pode gerar sentidos diferentes.

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Planificação

Plano - resumidamente, funciona como forma de representar ideia, a


ação. Os planos permitem criar o que denominamos de
relevo dramático e pertinência narrativa.

A construção do sentido narrativo.


Plano a plano no roteiro técnico.

Iluminação, movimentos de câmera, lentes, enquadramentos e


angulação de câmera.

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Planificação

A composição do plano - elementos visíveis

Perspectiva - do olhar;
Proporção - tamanho dos elementos e suas diferenças ;
Hierarquia - o mais e o menos destacado ou percebido;

Profundidade - ideia de distâncias;


Associação - combinação por semelhanças ou contrastes;
Justaposição - elementos sobre outros, na frente de outros no
campo visual.

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De acordo com Nogueira(2010), podemos observar características da imagem clássica
ou convencional:

- centrada - todos os elementos da imagem são organizados a partir de um ponto


central;

- frontal - o ponto de vista apresentado coloca o espectador na posição de


frontalidade;

- simétrica - os elementos são dispostos de maneira harmônica, com equilíbrio de


forças, volumes, como que buscando a perfeição e a beleza das proporções clássicas;

- clara - os elementos são percebidos com clareza nítida, bem iluminados de forma a
possibilitar melhor visibilidade tanto na profundidade como nos detalhes, pelo
espectador;

- estável - passa a ideia de concretude da visão, podendo ser manipulada com


algumas exceções.

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Planificação

Critério para a classificação dos planos

A escala
A partir dos elementos da composição da cena, são eleitos aqueles que, por grau
de importância, devem ser destacados na imagem.
Resulta da distância que a câmera é colocada em relação ao objeto.

O ângulo
Resulta da posição da câmera em relação ao objeto. Funciona para seguir a ação
e/ou as personagens, revelar ou ocultar informações, mudar de ponto de vista,
possibilitar variações visuais e rítmicas, localizar o espectador na ação ou
descrever a situação diegética.

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Reflexões

- Passar de um plano mais aberto para um mais fechado -


aumenta a tensão dramática?

- Passar de um plano mais fechado para um mais aberto - sugere


calma e distensão?

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Reflexões

- Planos mais abertos tendem a ser mais descritivos


(cenografia);

- Planos mais fechados sugerem maior proximidade e intimismo


com a personagem, podendo ser denominados de planos
psicológicos;

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Reflexões

- A câmera posicionada à altura dos olhos tende a ser mais


asséptica, neutra;

- O plano zenital ou câmera na vertical, possibilita função descritiva,


pois permite visualizar e mapear o espaço, metaforicamente, como
uma visão divina;

- O plongée pode insinuar subjugação, submissão, vulnerabilidade


ou fraqueza;

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Reflexões

- O contra plongée, ao contrário, eleva o valor da personagem com


imponência e superioridade;

- O plano oblíquo - instabilidade, estranheza, podendo variar sua


leitura, conforme a narrativa e seu uso.

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Planificação

Observe como os planos são usados nas novelas, nos curtas, nos longas,
nos seriados e outros.
Então, devemos avaliar no processo da decupagem...

Que plano usar?

Que informação privilegiar?

Que emoção transmitir?

Como relacionar os planos entre si?

(NOGUEIRA, 2009, p. 6).

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As nomenclaturas dos planos

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As planificações ou nomenclaturas dos planos

Passaremos dois tipos de planificações comuns que são mais usadas.


Contudo, existem várias que carregam influências, principalmente das
duas apresentadas a seguir, sendo a europeia mais bem estruturada e
complexa, tornando-a mais completa e clara, por isso, será a nossa
principal referência.

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As funções dos planos

Os planos, basicamente, têm a função de construir o entendimento


lógico da narrativa:

- Informando;

- Orientando o olhar do espectador (seleção do que deve ser mostrado);

. Relacionando o espectador com o que deve ser mostrado, por


aproximação ou afastamento;

. Potencializando o efeito dramático;

. Criando contextos, a fim de produzir sentido.

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Nomenclatura - EUA

1. Plano Geral
2. Plano de Conjunto
3. Plano Americano
4. Plano Médio
5. Plano Próximo
6. Close-up
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Nomenclatura - Europa

1. Grande Plano Geral - GPG


2. Plano Geral - PG
3. Plano de Conjunto - PC
4. Plano de Meio Conjunto - PMC
5. Plano Médio - PM
6. Plano Americano - PA
7. Meio Primeiro Plano - MPP
8. Primeiro Plano - PP
9. Primeiríssimo Plano - PPP
10. Close-up
11. Big-close
12. Plano de Detalhe - PD

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Tipos de planos


- Ambientais


- De expressão corporal ou de diálogo

- Psicológicos ou de intimidade


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Tipos de planos


Ambientais


GRANDE PLANO GERAL (GPG)

Passa referência geográfica, uma cidade, um deserto, por exemplo.

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Tipos de planos


Ambientais


PLANO GERAL (PG)

Vista geral de uma cidade ou paisagem.

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Tipos de planos


Ambientais


PLANO DE CONJUNTO (PC)

Ideia de conjunto, normalmente, externa, como fachadas e ruas com
pessoa(s).

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Tipos de planos


Ambientais


PLANO DE MEIO CONJUNTO (PMC)

O interior de um espaço combinado com ações mais próximas, como um
corredor de hospital ou uma sala de aula, por exemplo.

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Tipos de planos


De expressão corporal ou de diálogo


PLANO MÉDIO (PM)

O quadro corta pouco acima da cabeça e pouco abaixo dos pés de uma
pessoa, de corpo inteiro.

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Tipos de planos


De expressão corporal ou de diálogo


PLANO AMERICANO (PA)

Corte acima da cabeça e no meio da coxa.

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Tipos de planos


De expressão corporal ou de diálogo


MEIO PRIMEIRO PLANO (MPP)

Corte acima da cabeça e na altura da cintura.

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Tipos de planos


Psicológicos ou de intimidade 


PRIMEIRO PLANO (PP)

Rosto.

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Tipos de planos


Psicológicos ou de intimidade 


PRIMEIRÍSSIMO PLANO (PPP)

Fechado no rosto.

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Tipos de planos


Psicológicos ou de intimidade 


PLANO DE DETALHE (PD)

Parte do corpo, pequeno objeto ou animal.

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Nomenclatura - Europa

Psicológicos ou de diálogo - Variações

Plano Americano
Na TV, principalmente no jornalismo, é comum chamar o corte na
altura do umbigo, de plano americano.

Plano Médio
Segue influência estadunidense, ao denominar o corte na altura
da cintura / meio do corpo.

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Nomenclatura - Europa

Expressão corporal ou intimidade - Variações

Close-up
Pode ser usado para identificar o rosto, assim como o PP , PPP
ou PD

Big-close
Pode identificar o PPP, caso seja usado o Close como PP. Pode
também equivaler ao Plano de Detalhe - PD.

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Planificação

A mudança de planos possibilita adequar a função narrativa


do filme, apresentando formas que potencializam a
dramaticidade, de acordo com a relevância das situações e
informações, valorizando os conteúdos a partir da
composição, que orientam a atenção do espectador.

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A Composição

"A composição do plano respeita necessariamente a organização


dos elementos que o constituem: personagens, objetos, espaços,
volumes, manchas cromáticas, linhas de força, figuras, fundos,
enquadramento, dentre outros. A distribuição e hierarquização
destes elementos é fundamental para captar, manter e dirigir a
atenção do espectador, salientando ou esbatendo a importância
de cada um." (NOGUEIRA, 2004, p. 48).

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Hierarquia da atenção

A produção de sentido de uma imagem depende de diversos fatores


que juntos possibilitam a criação de valores relativos no processo de
semantização. Talvez, possamos pensar em combinações e infinitas
semioses. Por isso, devemos entender que priorizar elementos quando
produzimos uma cena, na qual estabelecemos contrastes, propicia e
favorece a percepção do espectador nas decodificações da imagem.

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Hierarquia da atenção

Relações contrastantes nas quais o primeiro elemento possui um


predomínio perceptivo sobre o segundo (mesmo podendo haver
exceções):

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os olhos antes do rosto,
o rosto antes do corpo,
a pessoa antes do objeto,
o movimento antes da inércia,
a figura em detrimento do fundo,
o centro em detrimento das margens,
o claro antes do escuro,
o topo antes do baixo,
a frente antes da profundidade,
o grande em detrimento do pequeno,
o focado antes do desfocado,
o rápido sobre o lento,
o próximo antes do afastado,
a cor antes do preto e branco,
a imagem antes da escrita.

(NOGUEIRA, 2010, p. 58-59).

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A prática da direção de fotografia - ATIVIDADE

A partir do conteúdo exposto, assista ao filme - ALIEN SPECIMEN:

https://youtu.be/wKl-fU3WC7s

Faça uma análise (individual ou em grupo), para entrega na próxima aula.

1. Listar todos os planos usados, enumerando um por um, conforme a nomenclatura europeia,
identificando cada um deles e sua natureza - ambientais, de expressão corporal ou de diálogo e
os psicológicos ou de intimidade. Demonstrar suas funções associadas à proposta narrativa,
interpretadas pelas intencionalidades (as informações e os efeitos dramáticos);

2. Observar e analisar como a fotografia opera no sentido de provocar o espectador, através da


hierarquia da atenção usada na composição, pelos enquadramentos, pela iluminação e pelos
elementos visuais que propiciam a efeito emocional esperado no espectador;

3. Identificar a proposta conceitual para a fotografia do filme analisado, a partir dos planos,
das sequências e do filme enquanto unidade.

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