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AULA 1 - DIREITO DO TRABALHO

BREVE HISTÓRICO: ORIGEM E EVOLUÇÃO DO DIREITO DO


TRABALHO

Na origem da humanidade, o trabalho humano se resumia ao


extrativismo vegetal (coleta), caça e pesca. Com a revolução neolítica, as
populações que eram nômades, passaram a ter fixação local em razão
do domínio das técnicas de agricultura e pecuária.

Com o aumento da complexidade das atividades, da necessidade de


práticas a serem desenvolvidas, sejam para objetivos privados, sejam
para objetivos comunitários, deu-se inicio à divisão social do trabalho, e
por conseqüência as disputas e a subordinação (forçada ou não) entre
si.

“O HOMEM NASCE PARA TRABALHAR COMO A AVE PARA VOAR” (Jo


5,7 – texto bíblico)

Segundo IVES GRANDA MARTINS FILHO, o trabalho é algo natural ao


homem. (MARTINS FILHO, 2017).

1. ANTIGUIDADE CLÁSSICA

Na Antiguidade Clássica, predominava o regime de escravidão, onde


os escravos realizavam seus trabalhos de uma forma árdua, como um
verdadeiro castigo. Assim, na época da escravidão não há que se falar
em Direito do Trabalho.

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* (infelizmente ainda constatado nos dias de hoje)

2. SERVIDÃO

No período feudal, de economia predominantemente agrária, o trabalho


era confiado ao servo da gleba, a quem se reconhecia a natureza de
pessoa e não de coisa, ao contrário do que ocorria com os escravos.
Não obstante, a situação do servo, pelo menos no Baixo Império
Romano, era muito próxima a dos escravos (BARROS, 2014).

Embora recebendo certa proteção militar e política prestada pelo senhor


feudal dono das terras, os trabalhadores também não tinham uma
condição livre. Eram obrigados a trabalhar nas terras pertencentes aos
seus senhores.

Camponeses presos às glebas que cultivavam, pesava-lhes a obrigação


de entregar parte da produção rural como preço pela fixação na terra e
pela defesa que recebiam. (NASCIMENTO, 2009).

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3. CORPORAÇÕES DE OFÍCIO

A preocupação dominante nas corporações, sobretudo na França, no


século XII, refletida nos seus estatutos, era assegurar a lealdade da
fabricação e a excelência das mercadorias vendidas. No setor
industrial da tecelagem e da alimentação havia rigorosa fiscalização da
matéria – prima e da qualidade dos produtos. O homem, que até então
trabalhava em benefício exclusivo do senhor da terra, tirando como
proveito próprio a alimentação, os vestuários e a habitação, passava a
exercer sua atividade, sua profissão, em forma organizada, se bem que
ainda não gozando da inteira liberdade.

Destaca-se a figura do “mestre” que tinha sob suas ordens,


aprendizes e outros trabalhadores, mediante rigorosos contratos
nos quais o motivo não era simplesmente a locação de trabalho,
pois se submetiam às determinações do “mestre” até mesmo quanto ao
direito de mudança de domicílio.

Como contrapartida, além do salário, tinham a proteção de socorros


em casos de doença e lhes ficava assegurado um verdadeiro
monopólio da profissão, já que só podiam exercê-la os que estivessem
inscritos na corporação correspondente.

4. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL – SÉC. XVIII – SISTEMA LIBERAL

No século XVIII, surgiu o chamado Estado Liberal (ou Sistema


Liberal), onde não havia intervenção do Estado na relação de
trabalho, tendo o empregador total liberdade para estipular as
condições de trabalho. O Estado atuava como mero expectador, não
intervindo nas relações de trabalho. O contrato de trabalho tinha
força de lei entre as partes.

Apareceram, assim, contratos de trabalho extremamente abusivos e


prejudiciais ao empregado, onde os mesmos se sujeitavam a altas e
pesadas cargas de trabalho, mediante o pagamento de baixos salários.

4.1. FASES DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

As três fases da Revolução Industrial e suas características, resumo:

A) Primeira Fase 

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Na primeira fase é importante destacar seu inicio na Inglaterra em
meados do século XVIII. Espalhou-se durante a segunda metade do
século para outros países da Europa.
 
O pioneirismo inglês spode ser explicado pela existência no país de
minas de carvão mineral (fonte de energia) e minério de ferro (matéria-
prima) gerando impulso ao capitalismo industrial.
 
Fatores importantes: o acumulo de capital e a invenção e uso de novos
sistemas de transporte como, por exemplo, ferroviário (locomotivas a
vapor) e navios a vapor. Estas invenções eram para suprir a
necessidade de transporte de mercadorias em larga escala.
 
Ocorreu uma fase de transição do sistema de produção artesanal para o
industrial. As máquinas a vapor, principalmente os gigantes teares,
revolucionaram o modo de produzir. Se por um lado a máquina
substituiu o homem, gerando milhares de desempregados, por outro
baixou o preço de mercadorias e acelerou o ritmo de produção.

Um cenário comum da época era o fato dos trabalhadores das fábricas


receberem salários baixos, enfrentam péssimas condições de trabalho e
não tinham direitos trabalhistas. Além disso, constatou-se o uso de
mão-de-obra infantil e feminina com salários abaixo dos homens.
 
Por outro lado, esta fase foi responsável pela busca de matérias- primas
e mercados consumidores na África e Ásia, através do neocolonialismo.

B) Segunda Fase

Nesta segunda fase, que teve inicio nos Estados Unidos, iniciando-se na
segunda metade do século XIX (c. 1850 - 1870), e terminando durante a Segunda
Guerra Mundial (1939 - 1945), envolvendo uma série de desenvolvimentos dentro da
indústria química, elétrica, de petróleo e de aço. Nesta fase também se destacou pela
introdução de navios de aço movidos a vapor, o desenvolvimento do avião, a produção
em massa de bens de consumo, o enlatamento de comidas, refrigeração mecânica e
outras técnicas de preservação e a invenção do telefone eletromagnético.

Esse período marca também o advento da Alemanha e dos Estados Unidos como
potências industriais, juntando-se à França e ao Reino Unido.

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Na verdade, a 2ª revolução industrial foi um aprimoramento e aperfeiçoamento das
tecnologias da Primeira Revolução. Ainda, é argumentável que ela se divide no meio no
século XIX, com o crescimento das estradas de ferro, os navios a vapor e invenções
cruciais como o processo de Bessemer e o processo de produção de aço de Siemens,
com o forno Siemens-Martin, que resultaram no barateamento do aço, transporte rápido
e menores custos de produção.

Nos Estados Unidos a Segunda Revolução Industrial é comumente associada com a


eletrificação de Nikola Tesla, Thomas Alva Edison e George Westinghouse e com o
gerenciamento científico aplicado por Frederick Winslow Taylor.

Destaca-se também o surgimento de sistemas de produção mais


eficientes, resultando em maior produtividade com redução de custos
(por exemplo, o fordismo, taylorismo), o uso do petróleo e energia
elétrica como fontes de energia principais, e ainda avanços na área de
telecomunicações (por exemplo, telefone e rádio).
 

C) Terceira Fase

 
Já a terceira fase industrial passou a ser liderada também pelos
Estados Unidos, teve inicio com o final da Segunda Guerra Mundial
(meados do século XX). É a fase que vivemos até a atualidade.
 
São pontos relevantes a destacar nesta fase:

- Introdução do uso de novas fontes de energia como, por exemplo, a


nuclear.
 
- Desenvolvimento e início do uso da informática, principalmente por
parte de empresas e governos. Posteriormente para todas as pessoas.
 
- Melhorias nas condições de trabalho com ampliação dos direitos
trabalhistas.
 

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- Fortalecimento do sistema capitalista.
 
- Crescimento econômico do Japão e da Alemanha que passam a figurar
como potências econômicas na segunda metade do século XX.
 
- Desenvolvimento da Genética e da Biotecnologia, oferecendo novos
recursos para a área médica e fortalecendo a indústria de
medicamentos.
 
- Desenvolvimento da Globalização, principalmente após o fim da
Guerra Fria, que trouxe um novo cenário nas relações econômicas e
formas de produção.
 
- No final do século XX e começo do XXI, temos o desenvolvimento da
Internet que alavancou o mundo do comércio e das finanças.
 
- Inicio, a partir da década de 1970, das preocupações com o Meio
Ambiente (aquecimento global, efeito estufa, desmatamentos, extinção
de espécies animais, buraco na camada de ozônio). Vale lembrar que
grande parte destes problemas ambientais foram causados pela
Revolução Industrial desde sua primeira fase.
 
- Aumento da importância, no cenário econômico global, dos países
emergentes (China, Rússia, Brasil e Índia).

Principais invenções tecnológicas deste período:

- Robôs industriais

- Satélites de telecomunicações

- Computador Pessoal (PC)

- Caixa eletrônico

- Telefone Celular

- Tablet

- Softwares

- Sistema de GPS

- Tecnologias automotivas

5. NOVA ERA SOCIAL – SISTEMA NEOLIBERAL

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Diante da desigualdade econômica e social, oriunda da Revolução
Industrial e do sistema liberal adotado à época (século XIX), os
trabalhadores passaram a se unir e protestar em busca de melhores
condições de trabalho, culminando assim, com o surgimento dos
sindicatos. Passaram a reivindicar, perante o Estado, a criação de
normas de proteção ao trabalho, bem como, sua oposição frente às
injustiças sociais (GALLI, 2016).

Conforme estudo efetuado pelo historiador Rainer Gonçalves Souza, nas


primeiras fábricas, havia um aglomerado de trabalhadores se
submetendo a extensas cargas horárias recompensadas por salários
irrisórios. A irrisória remuneração para o trabalho excessivo das
fábricas obrigava que famílias inteiras integrassem o processo
produtivo.

Além da exploração da classe operária, havia também tratamento


discriminatório na contratação de trabalhadores. Por um salário ainda
menor, mulheres e crianças eram submetidas às mesmas tarefas dos
homens adultos.

As condições de trabalho oferecidas nas fábricas eram precárias, não


existindo segurança, higiene e instalações apropriadas, gerando um
ambiente que criava risco de danos à saúde e à integridade física dos
operários. As mortes e doenças contraídas na fábrica eram comuns e
reduziam consideravelmente a expectativa de vida de um operário, além
de não imputar nenhuma responsabilização ao tomador do serviço.

Diante desta realidade, não demoraram surgir as primeiras revoltas do


operariado, que eclodiram entre 1760 e 1780, e que inicialmente se
apresentavam desorganizadas e sem ideologias. Logo, uma lei de
proteção e assistência aos trabalhadores urbanos empobrecidos,
conhecida como Lei Speenhamland, foi decretada com o intuito de
amenizar os conflitos operários desenvolvidos nos centros urbanos da
Inglaterra.
 
Os movimentos operários continuaram a existir sob a influência de
outras orientações, como pro exemplo, o Marxismo.

No início do século XIX, o movimento ludita (ou ludismo) incentivava a


destruição das máquinas industriais. Essas eram encaradas como as
principais responsáveis pelos acidentes e o grande número de
desempregados substituídos por tecnologias que exigiam uma mão-de-
obra ainda menor. Anos mais tarde, o Cartismo exigiu a participação
política dos operários ingleses que, na época, não tinham direito ao
voto. 

Com o passar dos anos, os trabalhadores passaram a instituir


organizações em prol dos seus próprios interesses. As chamadas “trade-
unions” tinham caráter cooperativista e ao mesmo tempo político. Com

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sua força política representada, os trabalhadores conquistaram
melhores condições de trabalho, a redução da jornada de trabalho e o
direito à greve. Dessas mobilizações surgiram os primeiros sindicatos
que, ainda hoje, tem grande importância para a classe trabalhadora.

Outra forma de reivindicação operária que não surtiu tanto efeito foi a
tentativa de alcançar melhores condições de trabalho solicitando-as ao
governo. Geralmente o poder público não atendia a essas
reivindicações, pois o próprio governo era dono de indústrias.

Com o decorrer das décadas, o capitalismo foi agregando novas feições,


a sociedade passou por crescentes transformações e, assim, os
operários necessitavam articular novas formas de lutar por suas
causas. Dessa maneira, surgiram os movimentos socialistas, a partir da
organização dos trabalhadores.

Os principais movimentos socialistas que surgiram no século XIX foram


o anarquismo e o comunismo. Segundo as idéias anarquistas, os
operários somente iriam melhorar as condições de vida se o Estado e
todas as formas de poder fossem extintas. Daí temos as seguintes
observações, tanto o anarquismo quanto o comunismo pautavam suas
metas em transformações sociais profundas, não solicitavam somente
mudanças nas relações entre patrões e trabalhadores.

Os anarquistas acreditavam que toda forma de exploração dos seres


humanos teria um fim a partir do momento em que a sociedade se
organizasse sem autoridade, sem gestores, sem escola, sem polícia, ou
seja, sem quaisquer outras instituições estatais.

Para os comunistas, a situação de exploração capitalista acabaria


somente quando os operários assumissem o poder estatal, ou seja, o
controle do Estado. A partir daí, então, criariam novos valores sociais
para aumentar a qualidade de vida da sociedade, acabando, dessa
maneira, com a exploração capitalista.

Dentre os mais importantes pensadores deste movimento está Karl


Marx, visto que desenvolveu uma análise sobre o conceito de classes
sociais. Para ele, as relações de produção acabam por controlar a
distribuição dos produtos e dos meios de produção, e ainda a
apropriação do trabalho e de toda essa distribuição. Esse processo
acaba resultando que a sociedade se divida.

Karl Marx (1818-1883) – Em parte influenciado por Feurbach e em


parte por Hegel, incrementa o materialismo, tornando-o dialético e
histórico, sabendo entrever na história humana a sucessão de regimes
econômicos de exploração e de alternância de classes dominantes.
Idêntica estrutura e superestrutura. Sua leitura dos métodos
capitalistas de acumulação primitiva é apuradíssima. Juntamente com
Engels, consegue dar inicio, bem como acompanhar, os principais

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movimentos de trabalhadores do século XIX, ideologia engatilhada
sobretudo a partir do “Manifesto comunista”. (BITTAR, 2011)

Destaca-se o conceito que Marx desenvolveu sobre a Mais-Valia, cujo


objetivo era de explicar como o lucro era obtido em um sistema
capitalista. Isso porque, o trabalho e a mão de obra acabam gerando
certa riqueza, assim, a mais-valia seria o valor restante de uma
mercadoria, ou seja, a diferença existente entre o que o empregado
recebe e o que ele produz.

Andressa Santucci Mileski aponta as principais idéias marxistas, entre


outras, eram as seguintes:

 Valor – conceito que se relaciona ao tempo, qualidade e


quantidade de força de trabalho empregada na elaboração de uma
tarefa;
 Trabalho – O homem, por excelência, se trata de um ente que é
produtivo, e, por isso, essencialmente ativo. Desse modo, o
trabalho é uma peça-chave para sua dignidade, uma vez que se
trata de uma potência humana. O sistema capitalista, de forma
nociva, produz riqueza a partir da força de trabalho dos
indivíduos;
 Mais-valia – trata-se da diferenciação entre o valor gerado pelo
trabalho empregado pelo indivíduo e qual a remuneração que
recebe do empregador capitalista;
 Luta de classes – tensão imposta pela desigualdade de forças dos
grupos sociais, que se dividem entre os proprietários – dos meios
de produção – e o proletariado – os trabalhadores em si;
 Anarquia de produção – a falta de uma organização centralizada,
que promova a sinalização do direcionamento para uma produção
dentro da sociedade, pode acabar gerando muitas crises, de
tempos em tempos;
 Crises capitalistas – Segundo Marx, esse sistema seria abalado
por crises, de tempos em tempos, que se caracterizariam tanto
por serem estruturais, quanto por sua periodicidade. Após essas
instabilidades viria a crise final, acumulando as demais crises,
detonando o fim do modo de produção capitalista;
 Final do sistema capitalista – o grupo de proletários seria maior e,
por isso, seus direitos podem prevalecer. Fariam protestos nas
ruas, dando início a uma sociedade justa, equilibrada, acabando
com a propriedade privada de todos os meios produtivos. Tudo
isso culminaria em um desenvolvimento pleno do ser humano.

6. CONSTITUCIONALISMO TRABALHISTA

Relevância das relações de trabalho e a emancipação dos direitos


sociais desencadearam o tratamento deste tema na esfera
constitucional, evidenciando o papel social do Estado.

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Vejamos as Primeiras Constituições no mundo: 1ª Constituição
México 1917 e 2ª Constituição Weimar 1919 – Alemanha.

7. HISTÓRIA DO DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL

No Brasil, a regulamentação das relações de trabalho somente ocorreu a


partir do Século XIX. Com a abolição da escravidão, em 1888, os
trabalhadores nas indústrias emergentes, muitos deles imigrantes, com
tradição sindicalista européia, passaram a exigir medidas de proteção
legal; até cerca de 1920, a ação dos anarquistas repercutiu fortemente
no movimento trabalhista; as primeiras normas jurídicas sobre
sindicato são do início do século XX; o CC de 1916 dispunha sobre
locação de serviços, e é considerado o antecedente histórico do contrato
individual de trabalho na legislação posterior.

As transformações que vinham ocorrendo na Europa em decorrência da


Primeira Guerra Mundial e o aparecimento da OIT, em 1919,
incentivaram a criação de normas trabalhistas em nosso país.
Existiam muitos imigrantes no Brasil que deram origem a movimentos
operários reivindicando melhores condições de trabalho e salários.

Começa a surgir uma política trabalhista idealizada por Getúlio


Vargas em 1930 (MARTINS, 2010) que era influenciada pelo modelo
corporativista italiano, e que reestruturou a ordem jurídicatrabalhista
no Brasil.

No período de 1893 até 1930, Getúlio Vargas criou o Ministério do


Trabalho, período este em que foram formuladas várias legislações
esparsas referentesàs categorias específicas. Em 1934 foi criada a
Justiça do Trabalho que foi devidamente instalada apenas em 1941 em
todo território Nacional, como órgão Administrativo.

As Constituições Federais, desde 1934, passaram a incluir normas


sobre direito sindical.

Em 1943, ocorreu a promulgação do Decreto – Lei nº 5.452/43, que a


Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), principal compilado de leis
trabalhistas do nosso ordenamento jurídico atual.

As Constituições Brasileiras, desde a de 1934, também trouxeram


normas referentes ao Direito do Trabalho, culminando com a de
1988, que trouxe nos artigos 7º ao 12º, normas específicas
referentes aos direitos trabalhistas.

Com relação ao direito coletivo do trabalho, os princípios da


Constituição de 1988 (art. 10 a 12) são, em resumo, os seguintes:

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a) o direito da organização sindical e a liberdade sindical;

b) a manutenção do sistema confederativo com os sindicatos, federações


e confederações, sem menção às centrais sindicais;

c) a unicidade sindical;

d) a livre criação de sindicatos, sem autorização prévia do Estado;

e) a livre administração dos sindicatos, vedada interferência ou


intervenção do Estado;

f) a livre estipulação, pelas assembléias sindicais, da contribuição


devida pela categoria, a ser descontada em folha de pagamento e
recolhida pela empresa aos sindicatos, mantida, no entanto, sem
prejuízo da contribuição fixada em lei;

g) a liberdade individual de filiação e desfiliação;

h) a unificação do modelo urbano, rural e de colônias de pescadores;

i) o direito dos aposentados, filiados ao sindicato, de votar nas eleições e


de serem votados;

j) a adoção de garantias aos dirigentes sindicais, vedada a dispensa


imotivada desde o registro da candidatura até um ano após o término
do mandato;

l) o direito de negociação coletiva;

m) o direito de greve, com maior flexibilidade;

n) o direito de representação dos trabalhadores nas empresas a partir


de certo número de empregador (NASCIMENTO, 2013).

8. ATUALIZAÇÕES DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA: Leis


13.429/2017, 13.467/2017, Portaria MTB 349/2018, Lei
13.874/2019.

Diante de uma conjuntura de instabilidade política (pós-impeachment),


e sócio-econômica; o Governo de Michel Temer implementou as
discutíveis reformas estruturais, incluindo a trabalhista.

Em 2017, ocorreu a regulamentação da terceirização de atividade meio


e fim da empresa tomadora através da Lei 13.429/2017; logo após, o
Congresso Nacional aprovou e o Presidente Temer sancionou a Lei
13.467/2017 que reformulou regras importantes da CLT.

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Em recentemente, em novembro de 2017, o presidente da república
editou a Medida Provisória nº 808/2017, que veio reconsiderar pontos
da própria reforma trabalhista como: Contrato autônomo, contrato
intermitente, insalubridade, papel de sindicato, etc.

Entretanto, cabe ressaltar que a Medida Provisória dependia de


aprovação do Congresso Nacional, para que fosse efetivada a
instrumento legal apto. Entretanto, em razão da inércia ou desinteresse
político no Legislativo Federal, a Medida Provisória perdeu efeito
sendo excluída do ordenamento jurídico trabalhista.

Diante desta baixa legislativa considerável, o Poder Executivo se viu


obrigado a criar regulamentações objetivando aplicar os ajustes
necessários para aplicação da Lei 13.467/2017. Daí foi foi publicada no
dia 24 de maio de 2018 a Portaria MTB Nº 349 de 23/05/2018.

A Portaria MTB 349/2018 estabelece regras voltadas à execução da Lei


nº 13.467, de 13 de julho de 2017, no âmbito das competências
normativas do Ministério do Trabalho; que busca na verdade substituir,
em alguns pontos, a extinta MP 808/2017. Como destaque, verifica-se
assuntos como regulamentação de Trabalho Autônomo, do Contrato
Intermitente, sobre Anotação da média de Gorjetas na CTPS, e sobre a
função da Comissão Interna de representantes de empregados.

Cabe chamar a atenção que ainda se aguarda uma uniformização da


Jurisprudência do TST (Tribunal Superior do Trabalho), além de
manifestação do STF (Supremo tribunal Federal) sobre Ações de
Inconstitucionalidade propostas em face da Lei nº 13.467/2017.

Surgiu uma MP nº 881/2019, que se tornou lei nº 13.874/2019. Dentre


as mudanças trabalhistas que constam desta lei, destacamos as
seguintes:

a) Registro de Ponto: O registro de jornada será obrigatório apenas


para as empresas com mais de 20 empregados. Hoje a regra obriga a
marcação para empresas com mais de 10 empregados. Importante
esclarecer que não se trata de supressão de direitos trabalhistas, já que
a dispensa do registro não se confunde com a exclusão do direito a
horas extras. As horas extras serão devidas sempre que prestadas e não
regularmente compensadas, independente de registro e do número de
empregados do estabelecimento. Além disso, a existência de registro
será necessária para viabilizar qualquer regime de compensação de
horas, ainda que o estabelecimento tenha menos de 20 empregados.

b) Permissão do registro de ponto por exceção: Autoriza que o


empregador efetue o controle apenas da jornada extraordinária, desde
que haja acordo coletivo ou individual nesse sentido. Ou seja, sempre
que a jornada for ordinária/regular, nada se anota. Essa possibilidade
já estava prevista desde 2011 na Portaria 373 do Ministério do Trabalho

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e Emprego. Contudo, pelo registro de exceção não ter sido aceito pelo
Poder Judiciário, caiu logo em desuso. Prevê-se a mesma resistência
por parte da Justiça do Trabalho.

c) CTPS: Para o registro de empregados, cria-se e privilegia-se a carteira


de trabalho digital, em substituição da carteira de trabalho impressa (a
chamada “CTPS”). Também foi excluído da CLT o prazo de devolução da
CTPS ao empregado e a multa pela sua retenção. O empregador terá
prazo de 5 dias para fazer as anotações. De fato, a CTPS hoje, além de
ter pouca serventia, facilita fraudes ao Instituto Nacional de Seguridade
Social (“INSS”).

d) eSocial: O sistema eSocial será substituído por sistema simplificado


de escrituração digital de obrigações previdenciárias, trabalhistas e
fiscais. Portanto, até que o novo “sistema simplificado” seja criado, o
eSocial permanece obrigatório.

e) Desconsideração da personalidade jurídica: Esta é, na verdade,


uma alteração ao CC com impactos trabalhistas. A proposta é que a
desconsideração da personalidade jurídica, que permite que a execução
atinja os bens pessoais dos sócios, tenha como condição a prova de que,
estes, foram “beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso”. Além
disso, a nova lei traz as definições de “desvio de finalidade” e “confusão
patrimonial” (condições do instituto), reduzindo a abertura para
interpretações divergentes e, consequentemente, reduzindo a
insegurança jurídica.

f) Inspeção Prévia: Revoga expressamente o artigo que exigia inspeção


por autoridade competente em matéria de segurança e medicina do
trabalho para início das atividades em novos estabelecimentos. Referida
alteração apenas adequa a CLT à realidade, uma vez que essa inspeção
já não era realizada desde 1983.

g) Apresentação de documentos em formato eletrônico: Permite que


a empresa arquive os documentos trabalhistas exclusivamente por meio
de microfilme ou por meio digital, para todos os efeitos legais, inclusive
fiscalizações.

Além disso, em 2019, foram criadas novas regras para saque do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), conforme MP 889, agora convertida na
Lei nº 13.932/2019.

Recentemente foi editada a Medida Provisória (MPV) 905/2019, lançada


pelo governo para incentivar a criação de empregos entre os jovens. A
MP instituiu o Contrato de Trabalho Verde e Amarelo, um programa que
incentiva a contratação de trabalhadores entre 18 e 29 anos de idade,
no período de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2022. (Fonte:
Agência Senado)

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Fontes:

BARROS, Alice Monteiro. Curso de Direito do Trabalho. 10 ed. São


Paulo: LTr, 2014.

CANEDO, Letícia Bicalho. A Revolução Industrial - Coleção Discutindo a


História. Editora: Atual. 1987.

MARTINS, Sérgio Pinto. Curso de Direito do Trabalho. 8 ed. São Paulo.


Ed. Atlas. 2015.

__________ . Direito do Trabalho, 26 ed. São Paulo. Ed. Atlas. 2010.

MARTINS FILHO, Ives Granda da Silva. Manual esquemático de direito


e processo do trabalho. 24 ed. São Paulo. Saraiva. 2017.

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: história e


teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do
trabalho. São Paulo, Saraiva, 2013.

GALLI, Rafael Altafin. Direito do Trabalho I, Rio de Janeiro: SESES,


2016.

BITTAR, Eduardo Carlos Bianca. Curso de Filosofia do Direito. 9 ed.


São Paulo: Atlas, 2011.

http://olhaqueinteressante.com.br/curiosidades-da-revolucao-
industrial

https://www.suapesquisa.com/industrial/fases_revolucao.htm

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/formacao-classe-
operaria.htm

https://andressamileski.jusbrasil.com.br/artigos/400638571/uma-
visao-sobre-a-economia?ref=topic_feed

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/11/21/mp-do-contrato-verde-e-
amarelo-gera-polemica-ao-revogar-normas-trabalhistas

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