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SISTEMAS DE VIGAS MISTAS CONTÍNUAS E SEMICONTÍNUAS PARA EDIFÍCIOS

CONTINUOUS AND SEMI-CONTINUOUS COMPOSITE BEAMS IN BUILDINGS

Silvana De Nardin (1); Alex Sander Clemente de Souza (2)

(1) Professora Doutora, Unilins: Centro Universitário de Lins. Pesquisadora do Depto. de Engenharia de Estruturas da Escola de engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo. (2) Professor Doutor, Departamento de Engenharia Civil. Universidade Federal de São Carlos.

Rodovia Washington Luís (SP-310) km 235, São Carlos - São Paulo – Brasil CEP 13565-

Resumo

905.

Dentre as associações mais comuns entre aço e concreto estão as vigas mistas com perfis de aço conectados às lajes por conectores de cisalhamento. Nestes casos, a laje de concreto armado também pode ser utilizada para conferir certo grau de continuidade às vigas, aumentando a eficiência estrutural do sistema. Neste trabalho é analisada a contribuição da laje de concreto armado na capacidade resistente e rigidez de vigas mistas de aço e concreto. Em função do grau de continuidade nos apoios, as vigas mistas podem ser contínuas ou semicontínuas. No primeiro caso, o limite de capacidade resistente é imposto pela viga de aço e, no segundo, pela capacidade resistente da ligação mista entre viga e pilar ou entre vigas. São analisados, discutidos e comparados alguns modelos para determinação da capacidade resistente de vigas mistas em sistemas contínuos e semicontínuos. São apresentados ainda, de forma sintetizada, os procedimentos constantes no projeto de revisão da NBR 8800 (PR-NBR 8800:2007) e os requisitos mínimos para que a laje possa cumprir este papel de promover a continuidade nos sistemas de piso misto.

Palavras-chave: estrutura mista, viga mista, ligação mista, viga contínua e semicontínua, momento fletor.

Abstract

The composite beams are the most common composite element and the composite action is due the slab and steel beam are connected by stud bolts. In this situation, the reinforced concrete slab can be utilized to improve the continuity degree of the composite beams. In this paper is studied the influence of reinforced concrete slab on strength capacity and rigidity of the steel-concrete composite beam. Depending on the continuity degree, the beams can be classified in continuous or semi-continuous composite beams. In the first case, the strength capacity of the structural element is limited by the steel beam, while the strength capacity of the composite connection is the limit of the semi-continuous composite beams. In this paper are analyzed, discussed and compared some models to determine the strength capacity of the composite beams in semi- continuous and continuous structural systems. The procedure to estimate the strength capacity of the NBR 8800 Brazilian Standard Code is discussed and the main characteristics of the slab to contribute increasing the continuity degree of the beam are presented. Keywords: composite structure, composite beam, composite connection, continuous beam, bending moment.

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural

1 INTRODUÇÃO

Os sistemas estruturais e construtivos têm evoluído significativamente nas últimas décadas com a introdução de novas tecnologias que envolvem materiais, execução e hipóteses de cálculo. Há a tendência de utilizar diversos materiais estruturais em uma mesma edificação, sejam trabalhando independentemente (nas estruturas híbridas) ou associados, formando os elementos mistos. Aço e concreto são os materiais mais amplamente utilizados nessas associações, dando origem aos elementos mistos de aço e concreto – De NARDIN [1], De NARDIN et al [2]. Os elementos mistos resultam da associação de perfis de aço e concreto, de forma que os dois materiais trabalhem em conjunto, resistindo aos esforços aplicados em lajes, vigas e pilares. O uso das estruturas mistas pode impulsionar o crescimento da utilização tanto do aço quanto do concreto, além de conferir à edificação importantes características. Em relação às estruturas de concreto armado, a utilização de elementos mistos resulta em maior precisão dimensional, economia de mão de obra e tempo, sobretudo no que se refere à execução de formas e cimbramentos, pois há redução ou eliminação dos mesmos. Em relação às estruturas de aço, são verificadas: maior resistência ao fogo e à corrosão, maior capacidade resistente e rigidez com redução do consumo de aço. Dentre as associações possíveis para aço e concreto, as vigas mistas, constituídas pela associação de vigas de aço e laje de concreto, foram as primeiras a surgir e as mais amplamente utilizadas em edifícios e pontes, devido à versatilidade de sua geometria (Figura 1). Em pisos de edifícios e tabuleiros de pontes, é natural a utilização de vigas mistas, visto que a laje de e a viga de aço já fazem parte do sistema de piso, restando promover o comportamento conjunto aço- concreto para que sejam vigas mistas. O trabalho conjunto entre o concreto e o aço é obtido com o uso de conectores de cisalhamento na interface aço-concreto, promovendo uma ligação que pode

resistir à totalidade do cisalhamento horizontal (interação total) ou, no mínimo, a 40 % deste cisalhamento (interação parcial), segundo preconiza o projeto de revisão da NBR 8800 – PR NBR 8800 [4]. A utilização das vigas mistas teve origem na necessidade de proteção das vigas de aço contra a ação do fogo, mas, a partir de um dado momento, passou-se a considerar a contribuição do concreto na resistência à flexão da viga – De NARDIN et al. [2], MALITE [3].

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural 1 INTRODUÇÃO Os sistemas estruturais e construtivos têm evoluído significativamente
XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural 1 INTRODUÇÃO Os sistemas estruturais e construtivos têm evoluído significativamente
XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural 1 INTRODUÇÃO Os sistemas estruturais e construtivos têm evoluído significativamente
XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural 1 INTRODUÇÃO Os sistemas estruturais e construtivos têm evoluído significativamente

Figura 1 – Diversos exemplos de vigas mistas de aço e concreto

Inicialmente, o uso das vigas mistas de aço e concreto era restrito às vigas biapoiadas, situação mais eficiente para o sistema misto, visto que a viga de aço é solicitada predominantemente à tração e a laje de concreto, à compressão. Um aspecto limitador à consideração da continuidade foi a dificuldade e os custos envolvidos na utilização de ligações viga-pilar e viga-viga que permitam a transmissão de momento fletor. No entanto, estudos têm demonstrado (XIAO et al. [5], LI et al. [6], AHMED et al. [7], LI et al. [8]) que a simples presença da laje conectada à viga já confere certo grau de continuidade ao sistema de piso. Tal continuidade pode ser levada em conta no projeto trazendo benefícios como: redução do momento solicitante positivo e melhoria das condições de estabilidade global da estrutura. Nesta situação, a laje tem maior responsabilidade no sistema estrutural; além disso, são necessários acréscimos na taxa de armadura negativa na região dos apoios. Portanto, por um lado a continuidade gera momentos fletores negativos que reduzem a eficiência do sistema misto devido à fissuração do concreto tracionado, à possibilidade de flambagem local na região comprimida da viga e à instabilidade por distorção da viga de aço; por outro, traz vantagens como redução dos esforços e deslocamentos e melhoria da estabilidade global

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da estrutura, favorecida pelo aumento na rigidez das ligações viga-pilar. Naturalmente, a consideração da continuidade conduz a procedimentos de cálculo mais complexos se comparados ao caso das vigas simplesmente apoiadas. Procedimentos de cálculo e verificações necessárias quando da consideração da continuidade em vigas mistas são apresentados e discutidos neste trabalho. No caso das vigas mistas contínuas, é necessário determinar o momento resistente negativo da viga, tarefa que requer uma formulação bastante simples, cujo mecanismo resistente é composto pela armadura da laje e pela viga de aço. No caso das vigas semicontínuas, é necessário determinar a resistência a momento fletor advinda da ligação viga-viga ou viga-pilar. Neste caso, devido à complexidade do comportamento da ligação, alguns detalhes de ligações cujo comportamento já foi bastante investigado, denominados ligações pré-qualificadas, são apresentados nas normas – Figura 2 [4].

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural da estrutura, favorecida pelo aumento na rigidez das ligações viga-pilar.

Figura 2 – Detalhes de ligações viga-viga e viga-pilar pré-qualificadas

Se a viga mista é dimensionada considerando interação total aço-concreto, na região de momento positivo a interface tem resistência ao cisalhamento longitudinal igual ao menor valor entre a resistência da viga e da laje de concreto. Na região de momento negativo, a resistência da interface é limitada pelo menor valor entre armadura da laje e viga de aço. No caso das vigas semicontínuas, considerar que nem todo o fluxo de cisalhamento é absorvido pela interface aço- concreto é uma alternativa interessante e ainda pouco explorada [9]. A interação parcial é interessante porque, se por um lado reduz a capacidade resistente e a rigidez à flexão da viga mista, por outro, aumenta a ductilidade do conjunto – Figura 3. A “perda” de resistência e rigidez é então compensada pela maior capacidade de redistribuir os esforços, fundamental no caso de vigas semicontínuas, pois muitas ligações mistas apresentam capacidade resistente suficiente, mas não possuem suficiente capacidade de rotação, que é necessária para o surgimento das rótulas plásticas.

interação total M - interação parcial M - M +
interação total
M -
interação parcial
M -
M +

a) Diagrama de momentos

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural da estrutura, favorecida pelo aumento na rigidez das ligações viga-pilar.

b) Momento positivo

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c) Momento negativo

Figura 3 – Efeitos da interação parcial sobre a distribuição de momentos fletores

Vale ressaltar que, enquanto o comportamento conjunto aço-concreto é um conceito largamente utilizado, a consideração da ligação mista ainda é bastante limitada. Em tais ligações, considerar a armadura da laje atuando como uma “linha” adicional de parafusos no caso das

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ligações com chapa de extremidade estendida, resulta em aumento substancial do momento resistente da ligação. Outro aspecto importante quando da consideração da continuidade sobre os apoios é a verificação das solicitações para a fase construtiva, pois as regiões de momento negativo podem atingir grandes trechos da viga, dependendo da distribuição dos carregamentos – Figura 4.

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural ligações com chapa de extremidade estendida, resulta em aumento substancial
momento negativo
momento negativo

a) Um tramo carregado

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural ligações com chapa de extremidade estendida, resulta em aumento substancial

momento negativo

b) ambos os tramos carregados

Figura 4 – Visão esquemática das regiões de momento negativo durante a fase construtiva

2 CAPACIDADE RESISTENTE À FLEXÃO

Para fins de dimensionamento à flexão, as vigas mistas contínuas e semicontínuas podem ser divididas em duas regiões distintas: regiões de momento positivo e negativo. Nas primeiras, a capacidade resistente é governada pela resistência do concreto da laje e da viga de aço. Nas regiões de momento negativo, as instabilidades local e lateral da seção de aço e a fissuração do concreto têm influência significativa, tanto na capacidade resistente quanto na capacidade de redistribuir esforços (DEKKER et al. [10]). As normas atualmente em vigor recomendam o uso de seções compactas ou semi-compactas em vigas mistas, reduzindo os problemas oriundos da estabilidade local. Portanto, nas regiões de momento negativo o parâmetro mais importante à flexão é a taxa de armadura da laje, pois este limita a altura da região comprimida da alma da viga. Ao dimensionar vigas mistas biapoiadas, há duas possibilidades de interação: interação total, quando não há escorregamento aço-concreto e interação parcial, quando apenas uma parte do fluxo de cisalhamento longitudinal é resistida pelos conectores. No caso da interação completa, a resultante do fluxo de cisalhamento longitudinal (V h ) é função da máxima força cortante a ser transmitida através da ligação aço-concreto, limitada pelas resultantes máximas de tração e de compressão, que podem atuar, respectivamente, na viga de aço e na laje de concreto. Portanto, o fluxo de cisalhamento longitudinal V h será o menor desses valores e o número de conectores deve ser determinado para resistir à resultante V h . Aqui, serão descritos apenas os procedimentos de cálculo para vigas mistas de alma cheia, com interação total e seção de aço compacta, ou seja, sem flambagem local. Detalhes sobre as demais possibilidades são encontrados no Projeto para Revisão da NBR 8800 – PR NBR 8800 [4]. Em vigas mistas compactas de alma cheia, contínuas e semicontínuas, é permitida a plastificação total da seção, devendo ser utilizado o coeficiente β vm para levar em conta a impossibilidade de

atingir a plastificação total da seção mista no interior dos tramos.

No caso de vigas biapoiadas,

β vm =1,0 e, para vigas contínuas, β vm =0,95. Outro aspecto importante é a largura efetiva da laje, que define parte da seção resistente da viga mista. Para vigas biapoiadas tem-se, de cada lado do centro da viga, o menor valor entre: 1/8 do vão, tomado entre linhas de centro dos apoios ou metade da distância entre a linha de centro da viga analisada e a linha de centro da viga adjacente. Para vigas mistas contínuas e semicontínuas, simplificadamente, são adotadas larguras diferentes para regiões de momentos fletores positivos e negativos (Figura 5).

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XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural Figura 5 – Largura efetiva para vigas contínuas e semicontínuas

Figura 5 – Largura efetiva para vigas contínuas e semicontínuas

Quanto ao tipo de construção, que também tem grande influência sobre as verificações necessárias, as possibilidades são: construção escorada, na qual a viga entra em serviço com a ação conjunta já desenvolvida, e construção não escorada, em que o perfil de aço isolado é verificado para as ações construtivas (Figura 6). A formulação descrita a seguir se aplica à situação de construção escorada.

Positivo construção escorada construção não escorada vigas compactas vigas compactas vigas esbeltas vigas esbeltas interação interação
Positivo
construção escorada
construção não escorada
vigas compactas
vigas compactas
vigas esbeltas
vigas esbeltas
interação
interação
interação
interação
completa
parcial
completa
parcial

Figura 6 – Fluxograma para determinação do momento fletor positivo em vigas mistas

2.1 Momento fletor positivo resistente de cálculo: M + Para verificação do estado limite último à flexão e determinação do momento fletor positivo resistente de cálculo, M Rd , há três possibilidades para a linha neutra (TABELA 1): i) na laje de concreto; ii) na mesa superior da seção de aço; iii) na alma da seção de aço.

Rd

TABELA 1 – Posições da linha neutra na viga mista e equacionamento para momento fletor positivo

   
 

a) linha neutra na laje de concreto: C cd ≤ T ad Resistência do conjunto de conectores:

 
Q Rd =  0,85 f ck b 1,40 mínimo    ⋅ t c

Q

Rd

=

0,85 f

ck

b

1,40

mínimo  

t

c

, T

ad

 

Fluxo de cisalhamento:

v

hRd

= Q

Rd

 

Posição da linha neutra:

a =

 

T

ad

t

0,85 f

ck

b

c

 

1,40

 

Resistência da laje de concreto:

 

0,85f

ck

b

1,40

t

c

Força resistente na laje:

 

C

cd

=

0,85f

ck

1,40

b a

Resistência da viga de aço:

T

=

(A f

y

)

a

Momento fletor resistente positivo de cálculo:

 

ad

1,10

M

+

Rd

= β

vm

T

ad

 

d

1

+

h

F

+

t

c

a

2

 

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b) Linha neutra na mesa superior da viga: C cd < T ad e Cad ≤
b) Linha neutra na mesa superior da viga: C cd < T ad e Cad ≤ T ad
Resultante na laje de concreto:
0,85 f
b t
ck
c
C
=
cd
1,40
Resultante de compressão na viga de aço:
(
)
Af
1
y
a
C
=
− C
ad
cd
2
1,10
 
 
C
Altura y p :
ad
y
=
t
p
f
(A f
)
y
tf
1,10
c) Linha neutra na alma da viga: C cd < T ad e Cad >T ad
(Af
)
y
tf
 
C
 
ad
1,10
Altura y p :
y
=
t
+
h
p
f
(Af
)
y
w
 
1,10
  
Momento fletor resistente positivo para linha neutra plástica na viga de aço
 t
 
+
c
Para os casos b e c:
M
= β
C
(
d
y
y
)
+
C
+
h
+
d
y
Rd
vm
ad
t
c
cd
F
t
2

Em regiões de momento positivo, as variáveis mais importantes na determinação da capacidade resistente da viga mista contínua são a taxa e posição das armaduras, uma vez que as tensões de tração são equilibradas pela armadura e despreza-se a contribuição do concreto tracionado.

2.2 Momento fletor negativo resistente de cálculo: M - Sob momento negativo, a viga mista tem sua capacidade resistente à flexão dada pela armadura tracionada e pela viga de aço comprimida. Ou seja, a formulação para determinação do momento fletor negativo resistente desconsidera a contribuição do concreto tracionado, sendo necessário verificar a estabilidade da viga de aço.

Rd

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural b) Linha neutra na mesa superior da viga: C cd

T

ds

 

A

s

l

f

ys

=

 

γ

s

= 1,15

2b

f

t

f

f

yd

Resultante de tração na armadura:

Linha neutra:

y

pn

(

A

f

y

)

a

=

t

f

+

1,10

Tds

2t

w

Momento fletor resistente negativo de cálculo:

M

Rd

=

T

ds

d

1

+

A

at

f

y

d

2

+

A

ac

f

y

d

3

γ

a

γ

a

Figura 7 – Mecanismos resistente para vigas mistas sob momento negativo

É evidente que aumentando a taxa de armadura há um aumento no valor do momento resistente negativo. Porém, os resultados indicam que há um limite a partir do qual a taxa de armadura passa a exercer influência menos significativa sobre o valor do momento resistente.

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3 ANÁLISE ESTRUTURAL DE VIGAS CONTÍNUAS E SEMICONTÍNUAS

Com análise estrutural adequada, são determinados os esforços para verificação dos estados limites últimos e de serviço aplicáveis à estrutura. Sendo assim, quanto mais representativo for o modelo de verificação utilizado, quer seja no tocante ao comportamento da estrutura como um todo ou quanto ao comportamento dos materiais, menor será a distância entre o modelo idealizado e a condição real. Os tipos de análise apresentados no PR-NBR 8800 [4] são divididos em função do comportamento adotado para os materiais e da influência dos deslocamentos sobre a distribuição de esforços na estrutura.

3.1 Esforços internos em função do comportamento dos materiais

Os esforços podem ser determinados admitindo diferentes modelos de comportamento para os materiais aço e concreto (Figura 8). Em função do modelo de comportamento adotado, resultam diferentes distribuições de esforços no elemento. Os modelos e considerações mais utilizados são discutidos a seguir.

3.1.1 Análise global elástica

A adoção da análise elástica implica em considerar os materiais com comportamento elástico-linear (Figura 8a), ou seja, há validade da Lei de Hooke. Na análise global elástica, as características geométricas dos elementos podem ser determinadas considerando as propriedades da seção bruta. Vale destacar que este tipo de análise é comumente empregado na verificação de estados limites de serviço. Entretanto, a análise global elástica é sempre aplicável, ainda que seja considerada a plastificação na determinação dos esforços resistentes da seção transversal. Vale lembrar que a fissuração do concreto, em regiões de momento negativo, provoca perda de rigidez à flexão e isto modifica a distribuição de momentos ao longo de vigas mistas contínuas. Também é permitido realizar análise global elástica considerando a redistribuição de esforços. Neste caso, os efeitos determinados por análise linear elástica devem ser redistribuídos na estrutura.

Tensão Deformação
Tensão
Deformação

a) elástico-linear

Tensão Deformação
Tensão
Deformação

b) elasto-plástico perfeito

Tensão

Deformação

c) rígido-plástico perfeito

Tensão Deformação
Tensão
Deformação

d) elasto-plástico não linear

Figura 8 – Modelos de comportamento dos materiais

A não linearidade do material pode ser considerada de forma indireta. Por exemplo, ao considerar a seção de concreto fissurada, duas rigidezes são determinadas para a viga mista contínua: uma rigidez EI 2 para a região sobre os apoios, onde o concreto é submetido a esforços de tração, e outra rigidez EI 1 nas demais regiões, onde não há penalização da rigidez total EI. A distribuição das regiões com rigidez reduzida e rigidez total é mostrada na Figura 9. A inércia I 2 corresponde à inércia da seção de aço mais a armadura longitudinal da laje. Naturalmente, os efeitos da redistribuição devem ser considerados e todos os esforços internos devem ser recalculados visando garantir o equilíbrio de cada um dos elementos estruturais e da estrutura como um todo. Portanto, a consideração da análise elástica requer que a estabilidade da estrutura seja assegurada. Nas regiões de momento positivo, o momento de inércia efetivo de vigas mistas de alma cheia é dado por:

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  • I ef

= I

a

+

∑ Q Rd F hd
Q
Rd
F
hd

(

I

tr

I

a

)

Sendo, a relação (ΣQ Rd )/F hd é igual a 1,0 para o caso de interação total ou completa. O parâmetro Ia corresponde ao o momento de inércia da seção do perfil de aço isolado e I tr é o momento de inércia da seção mista homogeneizada. Nas regiões de momento negativo, em vigas mistas contínuas e semicontínuas, o momento de inércia efetivo é dado pela seção formada pelo perfil de aço e pela armadura longitudinal contida na largura efetiva da laje de concreto.

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural I ef = I a + ∑ Q Rd F

Figura 9 – Rigidez à flexão de viga mista contínua para obtenção de momentos fletores considerando análise elástica

3.1.2 Análise global plástica

Neste caso, admite-se que os materiais trabalhem na iminência da ruptura, considerando diagramas tensão-deformação com plastificação, ou seja, são aplicáveis os comportamentos elasto- plástico perfeito (Figura 8b), rígido-plástico perfeito (Figura 8c) e elasto-plástico não linear (Figura

8d).

A análise global plástica permite explorar mais adequadamente a capacidade resistente de vigas contínuas, mas sua aplicação é restrita a vigas de seção compacta, ou seja, que conseguem atingir a plastificação total e têm capacidade de rotação suficiente para a formação das rótulas plásticas necessárias. Além disso, a análise está condicionada às seguintes limitações:

- não pode ocorrer flambagem com distorção da viga mista junto à ligação; - os pontos de formação de rótulas plásticas devem ser contidos lateralmente; - os tramos só podem ser analisados independentemente se respeitarem os limites apresentados na Figura 10.

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural I ef = I a + ∑ Q Rd F

Figura 10 – Relação entre os vãos para consideração de tramos independentes

Este método de análise admite que o comportamento de uma barra submetida a um momento aplicado é perfeitamente rígido, ou seja, sem deformação; ou perfeitamente elástico, (relação rotação/momento constante). Apesar das restrições, o modelo rígido-plástico pode resultar em dimensionamento mais econômico e em um procedimento de cálculo mais simples.

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  • 3.2 Esforços internos em função dos deslocamentos

    • 3.2.1 Análise linear

Denomina-se análise linear quando o efeito dos deslocamentos sobre os esforços internos é desconsiderado, valendo a teoria de primeira ordem para a qual é considerada a geometria indeformada da estrutura.

  • 3.2.2 Análise não-linear

Este tipo de análise, também denominada análise de segunda ordem, é indicado sempre que os deslocamentos tiveram efeito significativo sobre os esforços internos, sendo necessário que o equilíbrio da estrutura seja feito com base em sua geometria deslocada.

  • 3.3 Determinação dos momentos solicitantes de cálculo: M Sd

É pré-requisito para utilização das recomendações a seguir, que os pilares ou outros elementos de comportamento similar não alterem a distribuição de momentos fletores nos apoios. A determinação dos esforços solicitantes de cálculo deve ser feita aplicando análise rígido- plástica ou elástica, sem redistribuição de momentos, sendo que a análise elástica é mais indicada.

Para este caso, os esforços solicitantes podem ser obtidos por uma das metodologias a seguir:

  • - Determinar os momentos fletores iniciais considerando a seção íntegra (não fissurada) e

com rigidez EI 1 . Aos valores encontrados, aplicar a redistribuição de momentos reduzindo os máximos momentos negativos dos apoios, em porcentagens que respeitem os limites apresentados na TABELA 2. Ou,

  • - Determinar os momentos fletores iniciais considerando os trechos sobre os apoios com

rigidez à flexão referente à seção fissurada EI 2 e aplicar a redistribuição de momentos segundo os

valores da TABELA 2.

TABELA 2 – Limites máximos de redistribuição de momentos fletores negativos [4]

Classe da seção mista na região de momento negativo

Compacta (%)

Semicompacta (%)

Análise elástica – seção não fissurada

 
  • 30 20

Análise elástica – seção fissurada

 
  • 15 10

Segundo o PR-NBR 8800 [4], o emprego da análise rígido-plástica é permitido desde que:

  • - não ocorra flambagem lateral com torção ou distorção, que reduz o momento resistente;

  • - em cada ponto de formação de rótula plástica, o perfil seja simétrico em relação ao plano da alma e possua contenção lateral adequada;

    • - em cada ponto de formação de rótula plástica, haja capacidade de rotação suficiente para

permitir a formação desta rótula, ou seja, seja possível a redistribuição de momentos fletores.

Devido à grande complexidade em verificar se a ligação tem capacidade de rotação

suficiente, o PR-NBR 8800 permite que seja considerada atendida tal exigência desde que a seção do perfil seja compacta e:

  • - em vigas contínuas: nos pontos de formação de rótulas plásticas, as ligações tenham

resistência superior a 20% da resistência da viga;

  • - em vigas semicontínuas: deve ser comprovado que a capacidade de rotação das ligações é

superior à necessária ao sistema.

  • - alem disso, para vigas contínuas e semicontínuas, a relação entre vãos deve respeitar os

intervalos apresentados na Figura 10.

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4 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA FORMULAÇÃO

A fim de ilustrar vários conceitos e formulações apresentados anteriormente, um exemplo é apresentado a seguir.

4.1 Geometria do pavimento analisado

No estudo da contribuição da laje de concreto armado na capacidade resistente de vigas mistas de aço e de concreto contínuas, foi considerado o pavimento apresentado na Figura 11.

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural 4 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA FORMULAÇÃO A fim de ilustrar

Figura 11 – Pavimento analisado (cotas em mm)

As principais características das vigas longitudinais e transversais analisadas, bem como as propriedades dos materiais, ações atuantes e variáveis estudadas são dadas na Tabela 3.

Tabela 3 – Variáveis, ações e propriedades dos materiais

 

Variáveis analisadas

 

Variável

Viga longitudinal

 

Viga transversal

Número de tramos

 

4

 

3

Espessura da laje (cm)

8

10

12

8

10

12

Taxa de armadura (%)

0,7

1,0

1,2

0,7

1,0

1,2

Viga de aço

W 200 x 19,3 kg/m

W 310 x 28,3 kg/m

Total de modelos

 

18

Ações nas vigas longitudinais

 

Tipo de ação

 

kN/m

Permanente: antes da cura do concreto

   

g 1 =2,5

Permanente: após cura do concreto

   

g 2 =7,0

Sobrecarga de construção: antes da cura do concreto

 

g 1 =3,0

Sobrecarga de utilização: após a cura do concreto

*

 

g 2 =25

Materiais que compõem o piso misto

 
   

Lajes

Vigas Aço MR-250: f y =250MPa; f u = 400MPa

 

Armadura CA-50: f y = 500MPa

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Conector de cisalhamento tipo pino com cabeça: f u = 415 MPa

Concreto C20: f ck =20 MPa; densidade normal (γ c =24 kN/m 3 )

*: 70% de curta duração

  • 4.2 Procedimentos para análise

A seguir, são descritos sucintamente os passos para a análise e determinação da capacidade resistente à flexão de vigas mistas contínuas e dos momentos fletores solicitantes de cálculo. Para a determinação dos esforços solicitantes foi considerada a combinação última normal de ações. Nas vigas mistas contínuas, a ligação é rígida e de resistência total, pois a rótula plástica deve se formar

na viga e não na ligação viga-pilar ou viga-viga.

  • 4.2.1 Determinação dos Momentos Resistentes de cálculo (M Rd)

Inicialmente, deve ser dimensionada a viga mista como simplesmente apoiada. No exemplo analisado, há vigas longitudinais e transversais sujeitas a diferentes solicitações. Para um

tramo da viga longitudinal biapoiada, resulta o momento solicitante M Sd =10631 kNcm. Para este momento solicitante e considerando as seguintes hipóteses:

  • - construção escorada,

  • - interação completa e

  • - altura da laje de concreto igual a 80 mm.

O perfil laminado W200x19,3 kg/m é adequado pois apresenta momento fletor resistente de M Rd =12039 kNcm. Já para um tramo da viga transversal, o momento solicitante de cálculo é M Sd =21267 kNcm e, adotando as mesmas hipóteses consideradas para a viga longitudinal, verifica-

se que o perfil laminado W310x28,3 kg/m atende ao esforço solicitante pois apresenta momento fletor resistente de M Rd =22864,5 kNcm. Esse procedimento foi repetido para todas as alturas de laje analisadas. Na seqüência, a viga contínua deve ser dimensionada, ou seja, devem ser determinados os momentos fletores resistentes positivos e negativos, utilizando as expressões anteriormente apresentadas. Para isso, são determinadas as larguras efetivas de laje nas regiões de momento fletor positivo (tramos) e negativo (vãos) conforme discutido no item 2. Uma vez determinadas as larguras colaborantes, tais valores são utilizados na determinação da rigidez e da resistência da seção mista, conforme procedimentos apresentados na Tabela 1 e Figura 7.

  • 4.2.2 Determinação dos Momentos Solicitantes de cálculo (M Sd )

No caso de vigas mistas contínuas e semicontínuas, diferentes hipóteses de distribuição de esforços podem ser adotadas. No estudo em questão, a análise elástica-linear e a análise rígido- plástica foram utilizadas com seção fissurada e não fissurada. As distribuições de esforços foram obtidas utilizando o programa Ftool – Two-dimensional Frame Analysis Tool desenvolvido na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC/Rio.

  • 4.3 Resultados

Um resumo do dimensionamento da viga mista contínua longitudinal situada no Eixo B, considerando laje com espessura de 8 cm e taxa de armadura de 0,7 % da seção de concreto da laje é apresentado na Tabela 4. A numeração de tramos e apoios é apresentada na Figura 12.

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural Conector de cisalhamento tipo pino com cabeça: f = 415

Figura 12 – Numeração dos tramos e vãos

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural

Inicialmente, foi determinada a distribuição de esforços considerando os apoios internos como rígidos. Feito isso, como a seção adotada é compacta e não sofre reduções de resistência devido às instabilidades locais, foi adotada redistribuição de 30% nos momentos negativos solicitantes, conforme recomendado na TABELA 2 e, então, os demais esforços foram determinados por equilíbrio.

Tabela 4 – Dimensionamento de vigas mistas contínuas: análise elástica linear e seção não fissurada

a) Solicitação e resistência da viga biapoiada W 200 x19,3 h=8 cm ρ=0,7 % M Sd
a) Solicitação e resistência da viga biapoiada
W 200 x19,3
h=8 cm
ρ=0,7 %
M Sd =106,3 kNm
M Rd =120,4 kNm
Solicitações para a viga contínua
a) Solicitações de cálculo (kNm)
b) Larguras efetivas (mm) e área de aço (cm 2 )
Tramo 1
Apoio 2
Tramo 2
Apoio 3
1200
1050 1050
750
6,72
5,88
5,88
4,2
c) Momentos resistentes (kNm)
Tramo 1
Apoio 2
Tramo 2
Apoio 3
114,4
96,0
111,5
88,7
d) Momentos solicitantes de cálculo após redistribuição de 30% nos momentos negativos (kNm)
Tramo 1
Apoio 2
Tramo 2
Apoio 3
76,8
63,8
53,4
42,6
e) Momento solicitante / Momento resistente
Tramo 1
Apoio 2
Tramo 2
Apoio 3
0,67
0,66
0,48
0,47

Considerando as variáveis apresentadas na Tabela 3 e repetindo os procedimentos e cálculos da Tabela 4, foram obtidos os gráficos da Figura 13, nos quais é apresentada a variação do momento fletor resistente no apoio 2 (Figura 12), em função da taxa de armadura e da espessura da laje de concreto armado.

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150 h= 12 cm 140 130 h= 10 cm 120 h= 8 cm 110 100 90
150
h= 12 cm
140
130
h= 10 cm
120
h= 8 cm
110
100
90
0,7
0,8
0,9
1,0
1,1
1,2
Momento resistente no apoio (kN.cm)
Momento resistente no apoio (kN.cm)

Taxa de armadura na laje (%)

150 ρρρρ=1,2 % 140 ρρρρ=1,1 % ρρρρ=1,0 % ρρρρ=0,9 % 130 ρρρρ=0,8 % ρρρρ=0,7 % 120
150
ρρρρ=1,2 %
140
ρρρρ=1,1 %
ρρρρ=1,0 %
ρρρρ=0,9 %
130
ρρρρ=0,8 %
ρρρρ=0,7 %
120
110
100
90
7
8
9
10
11
12
13

Altura da laje (cm)

Figura 13 – Resistência ao momento fletor resistente negativo no apoio 2 em função da taxa de armadura e da espessura da laje

É evidente que, com o aumentando da taxa de armadura há um aumento no valor do momento resistente negativo; por exemplo, um acréscimo de 43% na taxa de armadura resulta em 9,3% de acréscimo no momento resistente. Porém, os resultados indicam que há um limite a partir do qual a taxa de armadura não exerce influência significativa sobre o momento resistente; por exemplo, aumentando a taxa de 1,1% para 1,2%, o que corresponde a um aumento de 9%, o aumento no momento resistente é de apenas 2%. Aumentando a espessura da laje de concreto, o momento fletor resistente negativo aumenta proporcionalmente, pois isto implica em aumentar o braço de alavanca entre as resultantes de tração e de compressão. Outra possibilidade de estudo é fazer uma análise elástica considerando a fissuração do concreto. Neste caso, um aspecto importante é a definição da rigidez. Na região de momento positivo, o momento de inércia foi calculado homogeneizando a seção e tomando a inércia da seção transformada, como mostrado a seguir:

  • - Relação modular:

α

E

=

E

s

E

c

com E s =20500 kN/cm 2 e

E

c

= 4760×

f ck
f
ck
  • - Largura efetiva transformada:

b

ef

tr

=

b

ef

α

E

  • - Área de concreto transformada:

A

ctr

= b

ef

tr

× t

c

sendo t c a espessura da laje de concreto

  • - Centro de gravidade da seção transformada:

y

tr

=

A

×

y

a

+

A

ctr

×

(

d

+

0,5t

c

)

A

+

A

ctr

Portanto, a inércia é calculada para uma seção equivalente de aço, para a qual a largura efetiva tem grande influência. Aplicando a formulação apresentada resultam:

  • - para o primeiro tramo: I tr =6140,8 cm 4

  • - para o segundo tramo, I tr =5969,1 cm 4

Já na região de momento negativo, a inércia é calculada considerando, como seção resistente, apenas a seção do perfil de aço e a armadura distribuída na largura efetiva. Neste caso, o parâmetro mais importante é a armadura contida na largura efetiva da laje. No estudo de caso, resultam:

4

  • - no apoio 2: I ap2 =1925,2 cm

  • - no apoio 3: I ap3 =1844,2 cm 4

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Para o cálculo dos momentos solicitantes considerando a seção fissurada, foi adotada a distribuição de rigidez apresentada na Figura 9 que, para a situação estudada, resulta na distribuição mostrada na Figura 14.

XXXIII Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural Para o cálculo dos momentos solicitantes considerando a seção fissurada,

Figura 14 – Distribuição de rigidez considerando análise linear e seção fissurada

Com estes valores de momento de inércia, foram obtidos os esforços solicitantes iniciais, aos quais foi admitida redistribuição de 15% para os momentos solicitantes negativos. Ambas as situações foram consideradas via programa Ftool e os resultados obtidos são apresentados na Tabela 5.

Tabela 5 – Esforços solicitantes considerando análise elástica linear e modelo fissurado

 

Momentos resistentes (kN.m)

 

Tramo 1

Apoio 2

Tramo 2

Apoio 3

114,4

96,0

111,5

88,7

Momentos solicitantes de cálculo considerando a variação de inércia – Figura 9

Momentos resistentes (kN.m) Tramo 1 Apoio 2 Tramo 2 Apoio 3 114,4 96,0 111,5 88,7 Momentos
Momentos resistentes (kN.m) Tramo 1 Apoio 2 Tramo 2 Apoio 3 114,4 96,0 111,5 88,7 Momentos
Momentos resistentes (kN.m) Tramo 1 Apoio 2 Tramo 2 Apoio 3 114,4 96,0 111,5 88,7 Momentos

Momentos solicitantes de cálculo – redistribuição de 15% (kNm)

Momentos resistentes (kN.m) Tramo 1 Apoio 2 Tramo 2 Apoio 3 114,4 96,0 111,5 88,7 Momentos
Momentos resistentes (kN.m) Tramo 1 Apoio 2 Tramo 2 Apoio 3 114,4 96,0 111,5 88,7 Momentos

Tramo 1

Apoio 2

Tramo 2

Apoio 3

81,0

54,1

60,7

37,4

 

Momento solicitante / Momento resistente

 

Tramo 1

Apoio 2

Tramo 2

Apoio 3

0,71

0,56

0,54

0,42

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Considerando o concreto fissurado, a diferença vai aparecer nos momentos solicitantes, e logicamente, na relação solicitação/resistência – Tabela 5. Dos resultados obtidos se observa que a variação da inércia em função da fissuração do concreto modifica a distribuição de esforços solicitantes ao longo da viga contínua. Ao penalizar a rigidez sobre os apoios intermediários, reduzindo a seção resistente nestes, verifica-se, para o apoio 2, por exemplo:

  • - em relação aos esforços solicitantes iniciais, redução de 30%;

  • - em relação aos esforços com redistribuição, redução de 15%.

Ou seja, como já era esperado, ao reduzir a rigidez nos apoios intermediários, ocorre

redução dos momentos solicitantes nestes, e conseqüente acréscimo nos momentos solicitantes

positivos. Para melhor visualizar estes resultados, os dados foram arranjados no gráfico da Figura

15.

120 Análise Elástica: esforços inicial sem fissuração sem fissuração e 30% redistribuição 100 inicial com fissuração
120
Análise Elástica: esforços
inicial sem fissuração
sem fissuração e 30% redistribuição
100
inicial com fissuração
com fissuração e 15% redistribuição
80
60
40
20
0
Apoio2
Apoio3
Tr1
Tr2
Momento solicitante (kN.cm)

Região analisada

Figura 15 – Influência da rigidez na distribuição de esforços

No caso da adoção do modelo rígido-plástico, os diagramas de esforços solicitantes são determinados considerando que no apoio atuam momentos correspondentes ao momento resistente na região do apoio analisado. Novamente, os esforços resistentes não se alteram, porém com uma nova distribuição de solicitações, é possível um dimensionamento mais econômico. No entanto, se a resistência ao momento fletor nos apoios for muito grande, pode anular ou até inverter o sinal dos momentos nos tramos.

4.3.2 Influência da resistência do concreto da laje

A resistência do concreto é um parâmetro importante no cálculo da resistência ao momento fletor de vigas mistas. No entanto, sua maior influência é percebida no momento resistente em regiões de momento fletor positivo conforme ilustrado na Tabela 6.

Tabela 6 – Variação do momento resistente positivo em função da resistência a compressão do concreto

Modelo

f ck (MPa)

Momento resistente

Modelo f (MPa) Momento resistente

Tramo 01

Tramo 02

   
  • 20 114,4

111,5

 
  • 25 118,5

116,1

Elástico-linear

     

não fissurado

  • 30 121,1

119,2

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Em regiões de momento positivo, as variáveis que mais influenciam a capacidade resistente da viga mista contínua são a taxa e a posição das armaduras, uma vez que as tensões de tração são equilibradas pela armadura e despreza-se a contribuição do concreto tracionado. Na Figura 16 é apresentada uma comparação esquemática da distribuição de momentos solicitantes para diferentes modelos de análise.

rígido plástico não fissurado esforços elástico-linear iniciais não fissurado
rígido plástico
não fissurado
esforços
elástico-linear
iniciais
não fissurado

Figura 16 – Diagramas de momento solicitante em função do modelo de análise adotado

Os esforços solicitantes denominados “elástico-linear sem fissuração” e “esforços iniciais” não são alterados em função da taxa de armadura. Por outro lado, os esforços solicitantes decorrentes do modelo “rígido plástico não fissurado”, que dependem do valor do momento fletor resistente negativo, são influenciados pela taxa de armadura ou pela altura da laje de concreto. Neste modelo e considerando vigas mistas contínuas, os momentos solicitantes nos apoios são iguais aos momentos resistentes negativos. Portanto, aumentos na taxa de armadura ou na altura da laje resultarão em aumento nos valores de momento fletor resistente negativo. Em contrapartida, os momentos solicitantes diminuem gradativamente nos tramos e, para alturas de laje ou taxas de armadura elevadas, o momento no meio do tramo pode até se tornar negativo. Esta situação não é a mais favorável para o sistema misto de aço e concreto.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essencialmente, os modelos de análise apresentados dizem respeito à determinação dos esforços solicitantes em vigas mistas contínuas e semicontínuas. Portanto, dependendo da consideração feita quanto à fissuração do concreto e quanto ao modelo de análise (se elástico-linear ou rígido-plástico), a distribuição de momentos solicitantes é alterada. Essas mudanças na distribuição de momentos solicitantes podem ampliar a eficiência do dimensionamento do elemento, ou seja, a relação entre momentos resistentes e momentos solicitantes. A consideração da laje na transferência de momento fletor entre duas vigas ou entre viga e pilar confere certo grau de continuidade às vigas, aumentando a eficiência estrutural do sistema. Para vigas mistas contínuas, o limite de capacidade resistente à flexão é imposto pela viga de aço. No PR-NBR 8800 [4], a análise de vigas mistas contínuas pode ser feita considerando dois modelos distintos: modelo elástico-linear e modelo rígido-plástico. Para cada um destes modelos, ainda é possível considerar ou não a fissuração do concreto, o que é feito reduzindo a rigidez da seção transversal nas regiões de momento negativo. Ao executar uma análise estrutural considerando o modelo elástico-linear sem fissuração, é permitido redistribuir 30% do momento negativo, caso não seja considerada a fissuração do concreto e, 15 %, caso tal fissuração seja levada em conta. Deste modelo de análise para determinação dos esforços solicitantes resultam momentos fletores positivos menores e momentos fletores negativos maiores que os encontrados quando da análise elástica- linear considerando a fissuração do concreto. Quando é realizada a análise rígido-plástica para determinação dos esforços solicitantes, a taxa de armadura tem grande influência, pois, na determinação das solicitações, é considerada a capacidade resistente à flexão sobre os apoios. Já os valores de momento fletor resistente positivo são fortemente influenciados pela resistência à compressão do concreto da laje.

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7 AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem

à Fundação

de Amparo

à Pesquisa do

Estado

de

São

Paulo

(FAPESP) pelo apoio ao desenvolvimento deste trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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341p. Tese (Doutorado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2003.

[2] DE NARDIN, S.; EL DEBS, A.L.H.C.; SOUZA, A. S. C.; EL DEBS, M. K. Estruturas mistas aço-concreto:

origem, desenvolvimento e perspectivas. 47º Congresso Brasileiro do Concreto, Volume IV: Estruturas Mistas,

Recife, Brasil. 2005, pp IV69-84.

[3]

MALITE, M. Sobre o cálculo de vigas mistas aço-concreto: ênfase em edifícios. São Carlos, Dissertação

(Mestrado), Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 1990.

[4]

Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios: Procedimento. Texto base para

revisão da NBR 8800. Belo Horizonte, 2007.

[5] XIAO, Y.; CHOO, B.S.; NETHERCOT, D.A. Composite connections in steel and concrete I. Experimental

behaviour of composite beam-column connections. Journal of Constructional Steel Research, v.31, n.1, pp 3-30,

1994.

[6] LI, T.Q.; NETHERCOT, D.A.; CHOO, B.S. Behaviour of end-plate composite connections with unbalanced

moment and variable shear/moment ratios –I: Experimental behaviour. Journal of Constructional Steel Research,

[7]

v.38, n.2, pp 125-164, 1996.

AHMED, B.; LI, T.Q.; NETHERCOT, D.A. Design of composite finplate and angle 7cleated connections. Journal

of Constructional Steel Research v.41, n.1, pp 1-29, 1997.

[8] LI, T.Q.; NETHERCOT, D.A.; LAWSON, R.M. Required rotation of composite connections. Journal of

Constructional Steel Research, v.56, pp 151-173, 2000.

[9] UY, B.; NETHERCOT, D.A. Effects of partial shear connection on the required and available rotations of

semicontinuous composite beam systems. The Structural Engineer, v.83, n.4, pp 29-39, 2005.

[10] DEKKER, N. W.; TRINCHERO, P.; KEMP, A.R. Factors influencing the strength of continuous composite beams

in negative bending. Journal of Constructional Steel Research, v. 34, n. 2-3, pp 161-185, 1995.