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De agora em diante, você será pescador de homens!

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“Por causa da tua palavra lançarei as redes”. Mas que palavra? E com que autoridade? “Avançai para águas mais
profundas, e lançai as vossas redes para a pesca”. Estas palavras foram garantia para que Pedro e os outros
apóstolos voltassem a pescar naquele dia, depois de uma noite toda de pesca infrutífera. E continuam sendo ditas
para nós hoje.

Para ontem, estas palavras tendo sido cumpridas, fizeram com que os discípulos reconhecessem o poder de Jesus.
E hoje? Que mensagem estas palavras trazem para mim e para você? A mensagem desse Evangelho nos motiva a
nunca desistirmos e sempre tentarmos novamente. Saber que Jesus está perto e que, na pesca da nossa vida, Ele
nos orienta, nos ilumina com o Seu Espírito, é segurança para nunca perdermos a esperança. Ainda que já
tenhamos trabalhado a noite inteira e nada conseguimos pescar.

Mesmo que já tenha se exaurido a nossa capacidade de pedir, de suplicar, de esperar por alguma coisa de que
necessitamos, “em atenção à Palavra de Jesus”, devemos prosseguir lançando as redes. É esta a mesma Palavra
que nos anima, hoje, a avançarmos na nossa vida, na nossa pescaria, na nossa luta em busca de paz, felicidade e
vida plena.

“Avançar para águas mais profundas” significa para nós buscar mais conhecimento de Deus, da Sua Lei, dos Seus
ensinamentos, dos Seus decretos. Quanto mais mergulharmos no Evangelho, nas Escrituras, mais iremos
encontrar respostas para os nossos questionamentos, para as nossas angústias. O homem é um ser criado por
Deus com o objetivo de viver a harmonia com Ele e com o próximo, e isso realmente só acontecerá quando ele se
jogar nos braços do amor misericordioso de Deus.

Para Pedro, Jesus era o seu Mestre. Mas, diante da pesca milagrosa que não se explica por causas naturais, Pedro
descobre que Jesus não é um simples mestre ou profeta comum. Já o vê como seu Senhor, nome reservado
exclusivamente a Deus. Foi um grande passo na descoberta da verdadeira identidade de Cristo. A admiração atrai
Pedro a Jesus; a consciência de seu estado de pecador afasta-o d’Ele.

Diante do milagre presenciado, a fé de Simão começou a tornar-se uma rocha (pedra). Basta ver que Pedro
começou a chamar Jesus de “Senhor” e não só de “Mestre”. Pela fé, Simão é transformado em rochedo, e já se
põe o fundamento para a sua vocação em “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18) e
em “Tu, por tua vez, confirma teus irmãos” (Lc 22,32).

O homem, sozinho em suas tarefas, afadiga-se em vão: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão labutam seus
construtores” (Sl 127). Mas se acolher com boa disposição a Palavra inspirada, receberá abundante ajuda da mão
de Deus.

Quanto mais alguém se aproxima de Deus, tanto mais cresce nele a humildade, esse sentimento de sua pequenez,
de seu nada e de seus pecados. Quanto mais distante de Deus alguém vive, tanto menos reconhecerá os próprios
erros e limitações. Pedro, tão favorecido pela bondade divina, não pensa senão em sua própria insuficiência e
condição de pecador que não merece tanta bondade. E então exclama: “Senhor, afaste-se de mim, pois eu sou um
pecador!” Mas Jesus, apesar de reconhecer a fraqueza de Simão, confirma-lhe em sua vocação.

Jesus também chama a mim e a você para sermos pescadores de homens! Ele providencia o peixe para nós,
porém, necessita das nossas redes a fim de tomar para Ele as almas necessitadas de salvação. Que a nossa pesca
seja profícua e não se restrinja somente ao nosso círculo de amizade. Jesus quer que nós sejamos pescadores no
Seu Reino e a rede que Ele nos dá é o Seu amor e a Sua Palavra.

Não tenha medo! De agora em diante, você vai pescar gente! É isso que Jesus faz contigo aqui e agora. Não tenha
medo! Ele sabe da sua fraqueza, dos seus problemas, mas quer vê-lo pescador de homens, restaurador de
famílias, libertador de presos, acolhedor de excluídos e abandonados. Enfim, a dar vida em abundância! Portanto,
seja firme e não tenhas medo! Comece desde já! Passe para os seus amigos, suas amigas a experiência que você
tem com a Palavra de Deus, com a oração, com a reflexão. Conte para todos o que mudou na sua vida, qual a sua
esperança e o que você tem descoberto com a Palavra de Deus. Você tem usado o Amor do Senhor como rede
para atrair as pessoas a Ele? Mesmo sem muita vontade, atende o chamado de Jesus em atenção à Sua Palavra?

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“Pai, confirma minha vocação de pescador de pessoas humanas e conduz-me para águas mais profundas onde se
encontram os que mais carecem de amor e esperança.” Amém.
“Vinde após mim, vos farei pescadores…”
19 de janeiro de 2018
imagem de capa: pescador
Confira a reflexão sobre o evangelho para o terceiro domingo da peregrinação após Epifania, Ano B 2015, 1018. O
texto é do Rev. Luiz Carlos Ramos, e foi publicado em seu blog.
Boa leitura!

Marcos 1.14-20 (NAA)

Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o evangelho de Deus. Ele dizia:

— O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo; arrependam-se e creiam no evangelho.

Caminhando junto ao mar da Galileia, Jesus viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque
eram pescadores. Jesus lhes disse:

— Venham comigo, e eu farei com que sejam pescadores de gente.

Então eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Pouco mais adiante, Jesus viu Tiago, filho de Zebedeu,
e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes, e logo os chamou. E eles seguiram Jesus, deixando
o seu pai Zebedeu no barco com os empregados.

Jesus chamou para serem seus discípulos pessoas de diferentes extratos sociais. Os primeiros, segundo a
narrativa de Marcos (1.14-20), eram pescadores. Os irmãos Simão e André, que estavam lançando a rede ao mar,
e Tiago e João que, embarcados, consertavam as redes.

Isso faziam no chamado Mar da Galileia, designação preferida pelo povo local, mas também conhecido como lago
de Genesaré, ou mar de Tiberíades, por causa da cidade homônima assim designada em homenagem ao
imperador romano Tibério Cláudio Nero César.

Não era exatamente um mar, mas um lago de água doce, na fronteira de Israel, Cisjordânia e Jordânia, que na
parte mais extensa não tem mais que 19km de extensão e na mais estreita, 13km; está a 231m abaixo do nível do
mar, e seu principal afluente é o Rio Jordão.

A indústria pesqueira era bastante importante na Galileia. As principais cidades da província ficavam às suas
margens, ou bem próximas: Tiberíades, Cafarnaum, e na outra margem, Betsaida e Genesaré, entre outras. Caná,
mesmo, não estava muito distante. Nazaré ficava num platô, no alto, subindo a montanha uns 350m acima do
nível do mar, a apenas 25km do Mar da Galileia.

Enquanto esses irmãos faziam seu trabalho, passa por eles um jovem que não é do ramo pesqueiro. Era, antes,
um “tekton”, um artesão. Ex-camponeses, os artesãos constituíam uma classe de operários que tiveram que se
dedicar a vários tipos de serviço na construção civil.

Isso porque, em algum momento, eles ou seus pais haviam perdido suas terras por causa de dívidas a particulares
ou ao Estado. Migravam, então, para a cidade a procura de trabalho, e acabavam se ocupando como pedreiros e
carpinteiros ou outras atividades afins. Muito provavelmente essa deve ter sido a história de José, e por
conseguinte, de Jesus.

Aconteceu que, certo dia, um desses carpinteiros e alguns pescadores se cruzaram.

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O carpinteiro convoca os pescadores, mas todos sabiam que não seria para trabalhar na construção do grande
palácio de Herodes que se erguia nas imediações. Ele os chama para pescar: “Vinde após mim, e eu vos farei
pescadores de homens [de gente]” (1.17).

Esse carpinteiro podia não entender muito de pesca, mas sabia tudo sobre “homens” [gente]. E quando se
encontra alguém que sabe o ofício de amar a humanidade, só há uma coisa a fazer: deixar tudo e seguí-lo, por
onde ele for.

Pescar homens [gente] não é tarefa fácil. Isso porque perdemos em grande parte nossa humanidade. Para se
fisgar humanos é preciso trabalhar na reconstrução da humanidade. É aí que a experiência do carpinteiro e a dos
pescadores —dos operários da construção e da pesca— se complementam.

Construir a humanidade e pescar gente é implementar o Novo Mundo de Deus. Essa é a boa nova do Evangelho a
qual somos convidados a abraçar como discípulos e discípulas no caminho da missão.
Pescadores de homens
Rodrigo Abarca

Mateus 4:17-20.

No relato que acabamos de ler, encontramos, em traços bem fortes, o momento em que o Senhor Jesus Cristo
chamou definitivamente a alguns dos seus discípulos para lhe seguir. Segundo o relato de João, esta chamada
poderia ter ocorrido mais ou menos um ano depois do momento em que eles conheceram pela primeira vez o
Senhor Jesus.

No evangelho de João nos relata o momento preciso em que João Batista apresentou o Senhor Jesus Cristo como
o Cordeiro de Deus. E, foi então quando João e André, irmão de Pedro, e em seguida também Tiago, irmão de
João, conheceram o Senhor Jesus. Houve em seguida um período, talvez um ano, em que ele esteve relacionando-
se com eles, aonde eles provavelmente iam e voltavam no seu trabalho de pescadores.

Mas esta passagem relata o momento preciso em que o Senhor os chama para abandonar o seu trabalho, sua
labuta e seus esforços, para segui-lo de maneira completa e definitiva pelo resto das suas vidas. É um momento
transcendental na vida dos discípulos.

Há um momento em que nós conhecemos o Senhor; um momento inicial em que o Senhor chega à nossa vida.
Mas há um momento tão importante como este mais adiante, em que ele, definitivamente, nos chama para
abandonar tudo e nos consagrar totalmente para lhe seguir e para lhe servir. Foi então quando o Senhor disse aos
seus discípulos: «Venham após mim, e vos farei pescadores de homens».

Chamada de pescadores
A chamada consta de duas partes: «Venham após mim», a primeira parte; «...e vos farei –o próprio Senhor–,
pescadores de homens». É claro que o Senhor está contrastando a sua chamada com o ofício que eles tinham.

Os discípulos estavam retirando os seus barcos depois de ter tentado pescar durante a noite; outros estavam
concertando as redes. Mas, então, o Senhor aparece na praia. Ele chega até esse monte de barcos, redes e noites
sem dormir. Aproxima-se da praia, e lhes faz a chamada definitiva. E então utiliza esta expressão: «...vos farei
pescadores de homens».

É claro que eles entendiam muito bem estas palavras. O que significava ser um pescador? Eles eram pescadores
de ofício. Mas, de repente, na beira da praia, aparece um homem que não é um pescador de ofício. Ou melhor, é
um carpinteiro. Mas, agora, chama-lhes, lhes dizendo algo surpreendente: «Venham após mim, e vos farei
pescadores de homens». Quer dizer, «vou lhes ensinar um novo ofício, algo que vocês não sabem; totalmente
diferente do que vocês são. Vos farei pescadores de homens».

Nesta chamada do Senhor pulsa o desejo do coração do Pai. O Senhor Jesus diz em Hebreus, citando o Salmo: «Eis
aqui, venho, Oh Deus, para fazer a tua vontade, como no rolo do livro está escrito a meu respeito» (Hebreus 10:5-
7). «Venho para fazer a tua vontade». Ele desceu do céu para fazer a vontade do Pai, trazendo consigo a plenitude

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do mistério da vontade de Deus. Ele era a encarnação, a manifestação da plenitude dos pensamentos divinos com
respeito ao homem.

O que veio com Jesus Cristo era o todo, o definitivo; os pensamentos eternos de Deus estavam encarnados em
Jesus homem, parado na beira da praia desses pescadores, lhes chamando para deixar tudo, para ir atrás dele.
«Venham após mim». E eles entenderam claramente o significado da chamada.

Quando o Senhor diz: «Venham após mim», ele não quer dizer que venham de vez em quando. Pois, eles iam e
voltavam; ficavam alguns dias com o Senhor, e em seguida retornavam para o seu trabalho. As pessoas podem
chegar a pensar que este foi o primeiro encontro e que foi algo muito espontâneo. Mas, a verdade é que, se
lermos com atenção os evangelhos, vamos descobrir que eles já tinham um relacionamento com o Senhor fazia
um tempo. Iam e vinham, ficava um tempo e voltavam para o seu trabalho.

Portanto, quando o Senhor lhes falou estas palavras, eles compreenderam que a chamada agora era definitiva;
que o Senhor estava agora os chamando para uma nova maneira de caminhar com ele, mais alta e de muito maior
compromisso. Na realidade, absoluta. Estava pedindo nada menos que uma completa e total consagração de suas
vidas a ele. E eles entenderam claramente a mensagem, pois sabiam que se tratava disso.

Para todos nós, há um momento em nossa vida cristã, quando estamos indo e vindo nessa relação com o Senhor,
em que chega o chamado, o mandado divino, para nos render total e absolutamente a ele, ao seu propósito e ao
serviço da sua obra.

Um chamado para a igreja


Deus tem um propósito eterno, que é igual para todos nós. Todos são chamados para fazer parte desse seu
propósito. Mas, dentro desse propósito, há vocações, que emanam da única vocação celestial. Dessa vocação
eterna, soberana, de Deus, emanam tarefas particulares, específicas, para cada um de nós. E, então, chegou o
momento da vocação para estes discípulos; do serviço específico ao qual o Senhor os estava chamando e
destinando.

Note que o chamado –como sempre, e em todo lugar– não é, em primeiro lugar, para servir. O serviço sempre
deriva do chamado supremo. O chamado primeiro é para lhe conhecer, para seguir a ele, para viver com ele, para
participar dele. Mas em seguida, o Senhor nos encomenda uma tarefa específica; quer dizer, um serviço.

O trabalho que o Senhor encomenda aqui aos seus discípulos é uma tarefa específica, com algumas conotações
claramente particulares. No entanto, no outro sentido, é geral e para toda a igreja. Porque estes são os primeiros
discípulos do Senhor; o núcleo original de discípulos de Cristo, e, portanto, a matriz e o embrião da igreja.

A partir deles, o Senhor vai estabelecer a sua igreja de maneira prática; vai estabelecer os princípios que vão reger
a vida e o funcionamento, o ministério, a vocação e o serviço da sua igreja. Neles podemos ver, a igreja, de
maneira embrionária. Durante três anos e meio, nessa comunhão dos discípulos com Cristo, gerou-se a igreja.
Assim como um bebê é gestado no ventre da sua mãe, gerou-se a igreja, e no Pentecostes, quando o Espírito
Santo veio do céu, se deu à luz a igreja.

É claro, a igreja nasceu de Cristo, da sua morte e sua ressurreição. Mas, estou me referindo aos aspectos práticos
da vida da igreja, aos princípios da vida da igreja. Foram gerados nesses anos de comunhão e relacionamento
entre Cristo e seus discípulos.

E o Senhor disse aos seus discípulos algo que não é apenas para eles; porque eles representavam a todos neste
momento. Não se trata de uma comissão específica, só para os apóstolos. O que os apóstolos receberam é o
encargo de Cristo, através deles, para toda a igreja. Em seguida, eles teriam que passar para a igreja, e deveria ser
conhecido na história da igreja como «a doutrina dos apóstolos».

«A doutrina dos apóstolos» é a palavra, o ensino, o que os apóstolos viram, tocaram, escutaram com Cristo, a
respeito de Cristo, em comunhão com Cristo. Tudo o que ele fez, tudo o que o Senhor falou, se tornou «a doutrina
dos apóstolos», e foi passada por meio deles à igreja. De maneira que o conhecimento do Senhor nos chegou
através do testemunho dos apóstolos, e por isso temos os evangelhos, que são o testemunho do que eles viram e

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ouviram. Isso é o que diz a primeira carta de João no capítulo 1; como uma linha de transmissão da revelação, que
vem de Cristo aos apóstolos, e deles até nós.

Então, o que o Senhor Jesus fez com os apóstolos foi estabelecer os princípios fundamentais. E o que ele lhes diz
aqui tem haver então com o propósito mais básico de sua vinda ao mundo. Para que o Senhor veio, em primeiro
lugar, ao mundo? Em Mateus 16, encontramos o propósito mais amplo do Senhor, a expressão do eterno
propósito divino, nas palavras do Senhor: «Edificarei a minha igreja».

O amor de Deus para o mundo


Nós podemos responder claramente que o Senhor veio para edificar a sua igreja. Mas, o que é necessário em
primeiro lugar, para que haja a igreja, é que o evangelho seja pregado. Se não houver pregação, se os homens não
forem salvos, como que a igreja poderia existir sobre a terra?

Quando meditamos no propósito eterno de Deus, devemos recordar estas coisas. Devemos recordar sempre que
esse propósito foi estabelecido originalmente por Deus para cada homem e mulher deste mundo. Antes que o
homem caísse, antes que tivesse pecado, Deus disse: «Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa
semelhança».

De modo que o homem foi criado com o propósito eterno de Deus em vista; o mesmo propósito que, em seguida,
vai ser redefinido no Novo Testamento, uma vez que o Senhor Jesus Cristo já veio: que Deus quer nos fazer
conforme a imagem de seu Filho. Pois, a imagem de Deus é seu Filho.

Então, irmãos amados, todos os homens deste mundo foram criados com este mesmo propósito, e Deus nunca se
esquece disso. Quando Deus contempla este mundo, ele vê a todos aqueles homens e mulheres a quem ele um
dia, na eternidade, considerou em seu propósito, para que fossem feitos conforme à imagem de seu Filho. É por
isso que Cristo veio ao mundo.

E é por isso que ele veio até a praia de João, Pedro e Tiago, e lhes disse: «Venham após mim, e vos farei
pescadores de homens». O Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. Nós estávamos perdidos;
João, Pedro e Tiago também estavam perdidos. Estavam ali pescando, como todos nós, em sua vida diária; uma
vida sem muitas expectativas, e ainda sob o domínio do pecado e da morte. E o Senhor chegou.

Este é o coração do evangelho. Por isso o Senhor Jesus Cristo disse a Nicodemos no capítulo 3 de João: «Porque
de tal maneira...». O Senhor fala com Nicodemos da necessidade de nascer de novo. «O que é nascido da carne –
Nicodemos–, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito. Não te maravilhes de te haver dito: Necessário vos
é nascer de novo». Fala-lhe da salvação. «Nicodemos, a menos que nasça de novo...». Fala-lhe da essência do
evangelho.

E então, recorda-lhe as palavras de Moisés, porque Nicodemos não pode entender do que se trata a salvação.
«Como pode fazer-se isto?». «Bom», diz-lhe o Senhor, «como Moisés levantou a serpente no deserto...». Lhe
relembra aquela história que os judeus conheciam muito bem. «...assim é necessário que o Filho do Homem seja
levantado, para que todo aquele que nele crê, não se perca...».

O que está acontecendo com os homens deste mundo? Como Deus os vê? Ah, nós vemos a Nicodemos; vemos
suas roupas, sua cultura, sua educação. Mas Deus não se impressiona com nada disso; ele vê por detrás de tudo.
Apesar de todas as roupagens com que os homens possam se vestir, e a importância que eles possam ter aos
olhos dos outros, Deus sabe que estão perdidos. Nicodemos também estava perdido.

«...para que todo aquele que nele crê...». «É como a serpente no deserto, diz o Senhor a Nicodemos». Lembra da
história: Os israelitas se rebelaram e murmuraram contra Deus, e então Deus enviou umas serpentes venenosas
que os mordiam. E esse veneno entrava em seus corpos. Eram presas por uma dor terrível, caíam ao chão e
começavam a morrer. E não havia nada que pudessem fazer.

Isso é o que o pecado fez a cada homem deste mundo. O veneno da serpente não entrou em nosso ser? Ali
estavam esses homens agonizantes; tudo estava perdido para eles. Então, Moisés orou ao Senhor, e Deus lhe
disse: «Moisés, faça uma serpente de bronze, e ponha no alto, no meio dos filhos de Israel. E todo aquele que

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olhar para a serpente, viverá». É disso que o evangelho trata. Deus quer que todos os homens sejam salvos; ele
não quer que morram eternamente. Só precisaram olhar para a serpente, e viverão.

Um dia, não mais como uma sombra, nem como tipologia, o Senhor disse: «Como Moisés levantou a serpente no
deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado». Onde? Na cruz. E quando o Filho do Homem
fosse levantado na cruz, todo que olhar para ele e crer nele, viverá. «...para que todo aquele...». Essa é a palavra
chave, que expressa o coração de Deus. «...todo aquele...». Não importa quem seja, não importa quão pecador
seja. Se olhar, viverá. Esse é o coração de Deus para o mundo.

Assim também disse o Senhor a Nicodemos: «Quando o Filho do Homem for levantado, todo aquele que puser os
seus olhos nele, viverá e será salvo». E então vêm essas palavras: «Porque Deus amou o mundo de tal
maneira...». Esta é a explicação final. Por que o evangelho é pregado? Nestes dias nos tem dito razões pelas quais
devemos pregar o evangelho. Mas, permitam-me lhes dizer algo: Para o Senhor Jesus Cristo, pregar o evangelho
não era um dever, não era nenhuma obrigação.

As palavras do Senhor explicam tudo. Por quê? «Porque Deus amou o mundo de tal maneira...». É porque Deus
ama o mundo. Será que entendemos o coração de Deus? Podemos dar milhares de razões pelas quais pregar o
evangelho; mas, qual é a razão suprema, a razão divina, a razão que moveu o Senhor Jesus Cristo a pregar o
evangelho? A sua razão foi uma só e se descreve com uma só palavra: amor. Porque ele ama o mundo. E quando
você ama, você não está em um dever.

Paulo diz em 2ª Coríntios 5:14: «Porque o amor de Cristo...». O que aconteceu com Paulo com o amor de Cristo?
«Em meu coração –diz Paulo– estava pulsando forte o amor de Cristo. Estou sentindo em mim o que Cristo
sente». E o que Cristo sente? «...o amor de Cristo nos constrange». Sabe o que é constranger? É um aperto no
coração; o coração se espreme.

Você tem sentido alguma vez esse amor por alguém? Quando você ama a alguém, não é necessário que lhe
digam: ‘Vai visitá-lo, chama-o, se aproxime dele’. Alguma vez você esteve apaixonado ou apaixonada? Tinham
que te lembrar de chamar a sua noiva, o seu noivo, ir vê-lo, caminhar debaixo da chuva ou enfrentar o frio para
chegar até ele ou ela? Quando amamos, nada pode nos separar de quem amamos. Ninguém nos obriga; o coração
nos impulsiona, constrange-nos a fazer o que o amor nos manda.

Assim é Deus conosco, assim é que Deus vê o mundo. Notem nas palavras do Senhor, a maneira extraordinária
em que ele diz estas palavras: «Porque de tal maneira...». Não de certa maneira, não de uma maneira específica,
mas «de tal maneira», extraordinária, superior, «Deus amou o mundo», que cruzou todas as barreiras, passou por
cima de todas as dificuldades, atravessou todas as distâncias e todos os abismos que nos separavam dele, para
um dia chegar até nós e nos trazer salvação.

Às vezes, os crentes vão se habituando à vida cristã, à comunhão com os irmãos, à palavra de Deus e aos cânticos.
E é bom; tudo isso tem que ocorrer. Vamos sendo renovados de glória em glória, vendo cada vez mais o Senhor e
sendo transformados em sua própria imagem. Mas, nesse processo, alguns de nós nos esquecemos de onde
saímos, e que estávamos perdidos.

Sabe o que significa estar perdido? Paulo diz: «...sem esperança e sem Deus no mundo». O que é estar sem Deus
e sem esperança? A tua esperança não é esperança; o que você espera é a incerteza, a escuridão, a morte. Todos
os teus sonhos vão morrer, todas as tuas esperanças vão fracassar. Tudo o que você amou e realizou um dia vai
desaparecer e ninguém mais vai se lembrar disso.

Você já leu alguma vez Eclesiastes? Ali está – não há esperança para o homem. «Sem Deus»… embora seja claro,
os homens estão cheios de deuses e os buscam. Mas, são deuses que não podem fazer nada por eles. São falsos
deuses impotentes para ajudar os homens. Por isso, estão sem Deus. Ninguém que vele por eles, que os proteja,
que os ame, que tenha um propósito para eles. Sem Deus no mundo, e ao mesmo tempo, perdidos. E quando
morrerem, sabe o que acontecerá a eles? O inferno abrirá a sua boca para recebê-los e irão descer para lá. Isto é
estar perdido, e assim estávamos todos nós.

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Por isso disse o Senhor: «Porque Deus amou o mundo de tal maneira». E por isso, disse também aos seus
discípulos: «Venham após mim, e vos farei pescadores de homens». Pois, o reino dos céus é como uma rede que
se joga no mar, e quando a recolhem, tiram toda classe de peixes. Isso nos mostra o objetivo da pregação do
evangelho. O Senhor veio ao mundo para pescar homens.
Pescadores de homens
O evangelho é a palavra de Deus para um mundo perdido. Um anúncio cheio de amor e compaixão para todos os
homens, «porquanto todos pecaram», como nos diz o apóstolo dos gentios. E também, cheio de poder para salvar
a todo aquele que crê; pois Deus tem-se proposto salvar os homens por meio de Jesus Cristo. Nisto consiste a
glória do evangelho – o próprio Deus se faz presente na história humana em Cristo, e nos salva, quando já não
havia mais esperança.

Ele se dá a conhecer aos homens pelo evangelho. E se revela do centro da sua mensagem como um Deus que
ama, perdoa e justifica sem outra exigência a não ser a fé. Uma fé que é, também, uma dádiva de sua graça. Pois
não devemos nos enganar. O mundo está perdido e doente. Apesar de todo seu progresso material e tecnológico,
os homens carecem da vida verdadeira. A deterioração moral das nações demonstra dramaticamente este fato.
Debaixo de seu aparente progresso se esconde a ruína moral e espiritual de quem não conhece nada de Deus nem
da sua vida. A condenação eterna espreita a cada instante. Esta é a visão que a Bíblia tem da humanidade caída.

Por isso, Deus nos envia ao mundo como pescadores de homens. Pois com tais pescadores está a esperança do
mundo, o poderoso evangelho que nos foi encomendado. Estes não são dias de condenação e castigo, mas de
misericórdia e esperança. Deus quer alcançar a todos os homens com o evangelho de seu Filho. E para isso conta
conosco, pois, como ouvirão se não há quem pregue?

Por esta razão, neste novo número das Águas Vivas quisemos enfocar isto, na nossa missão principal para o
tempo presente – a grande comissão que o Senhor nos encomendou para cumprirmos até que ele venha.
Pescadores de Homens (Lucas 5:1-11) (pdf)

Onde quer que Jesus fosse, ele sempre arrastava uma multidão atrás dele. A mensagem dele era profunda,
surpreendente, diferente e mais autoritária do que o ensino dos líderes religiosos dos judeus. Até mesmo os
guardas enviados para prender Jesus voltaram sem trazê-lo, dizendo, “Jamais alguém falou como este homem”
(João 7:32-46).

“Assentando-se, ensinava do barco as multidões” (5:1-3). Jesus aproveitava qualquer situação como palco para
ensinar a quem quer que o escutasse. Ele ensinou durante a recepção de um casamento (João 2:1-11), enquanto
caminhava pela seara (6:1-5; cf. Mateus 12:1-8; Marcos 2:23-28), nas sinagogas (4:16; etc.), nos montes (Mateus
5:1-2; Marcos 13:3-5; etc.), ou em qualquer outro lugar onde havia pessoas.

Em Lucas 5, Jesus se encontrava à beira-mar, seguido de perto pelo povo. É possível que algumas destas pessoas o
estivessem seguindo desde Nazaré, onde ele pregou na sinagoga e afirmou que ele mesmo estava cumprindo
alguns trechos messiânicos do livro de Isaías! (veja 4:14-30). Outras pessoas talvez viessem de Cafarnaum, onde
Jesus operou curas milagrosas e expulsou muitos demônios (4:31-41). Ainda outras poderiam ter vindo das
cidades da Judéia, onde Jesus havia anunciado “o evangelho do reino de Deus” (4:42-44). Por causa de tudo que
viram e ouviram, estavam agora “ao apertá-lo...para ouvir a palavra de Deus” (5:1). E, conforme o seu costume,
Jesus os ensinou.

“Faze-te ao largo” (5:4). Depois de ensinar a multidão, Jesus tornou o foco de seu ensino ao grupo de seus
próprios discípulos. Há necessidade tanto de ensino público como de ensino particular. Às multidões, Jesus
lançava a base de instrução do evangelho do reino de Deus, como no famoso “sermão do monte” (veja Mateus
5:1 - 7:29). Nas horas que ele passava mais a sós com um número menor de seus discípulos, ele desvendava
alguns dos mistérios mais profundos da vontade de Deus (veja, por exemplo, Marcos 4:10-20). Estes homens em
particular já haviam decidido que iriam seguir Jesus (veja João 1:35-42). Agora, porém, Jesus os chamou para
segui-lo de uma forma especial, o que faria com que ele pudesse os tornar em seus apóstolos. Por isso, ele os
separou da multidão, a fim de instrui-los mais íntima e profundamente por meio de uma parábola “ativa” de
pesca, na qual eles mesmos teriam a participação principal.

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“Lançai as vossas redes para pescar” (5:4). Pedro, André, Tiago e João eram pescadores profissionais, ganhando as
suas vidas na carreira que aprenderam e praticaram neste mesmo lago. Neste dia em que Jesus chegou para
ensiná-los, eles já haviam passado a longa noite anterior numa tentativa frustrada de pesca. Quando Jesus pediu
que colocassem as redes na água novamente, Simão Pedro reagiu rapidamente, dizendo, “Mestre, havendo
trabalhado toda a noite, nada apanhamos...” (5:4). Afinal, quem era este carpinteiro para ensinar quatro
pescadores como pescar? Ele obviamente não sabia que era melhor pescar de noite, e não de dia! Ele obviamente
não sabia que os peixes estavam em outra parte do lago, já que Pedro e os outros profissionais haviam pescado a
noite inteira sem sequer encontrá-los nesta região!

Porém, Pedro já conhecia a Jesus. Foi este carpinteiro que Pedro viu expulsar um demônio da sinagoga em
Cafarnaum usando apenas a sua palavra (4:36). Depois, foi este mesmo carpinteiro que havia curado a sogra dele
e muitas outras pessoas (4:38-41). Por conhecer Jesus e o poder de sua palavra, Pedro se segurou no meio de sua
objeção e disse, “sob tua palavra lançarei as redes” (5:5).

“Apanharam grande quantidade de peixes” (5:6). Quando Pedro deixou de confiar na sua própria experiência e na
sua própria sabedoria, ele escutou a Jesus, e o resultado foi surpreendente! Apanharam tantos peixes que as
redes estavam prestes a se romper (5:6). Por causa da enorme quantia de peixes, Pedro e André pediram a ajuda
de seus sócios, Tiago e João (5:7). E quando estes vieram, encheram os dois barcos “a ponto de quase irem a
pique”! (5:7)

“Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (5:8). A reação de Pedro indica claramente que ele acreditava
estar na presença do Divino. Séculos antes, quando o Senhor apareceu a Isaías para comissioná-lo à sua missão, o
profeta teve uma reação semelhante, dizendo: “ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros,
habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaías 6:5).
À vista do milagre desta pesca – algo como nenhum destes pescadores profissionais jamais havia presenciado –
Simão Pedro se prostrou aos pés de Jesus, o adorando.

“Não temas; doravante serás pescador de homens” (5:10-11). Certamente, presenciar um milagre era algo
apavorante. Mas Jesus, acalmando seu discípulo Pedro, explicou o sentido verdadeiro desta parábola da qual
participavam. Da mesma forma que haviam sido treinados para pescar peixes, se seguissem as instruções de Jesus
ele iria treiná-los para “pescar” homens. Admirados com o poder da palavra de Jesus, “deixando tudo, o
seguiram” (5:11).

Observações gerais acerca de “pescar” homens

O trabalho importantíssimo de pregar o evangelho ao mundo não terminou com a morte de Jesus e seus
apóstolos. De fato, Jesus disse que a morte e a ressurreição dele eram apenas etapas no plano de Deus para a
salvação. Uma outra etapa necessária seria a pregação destas boas novas “a todas as nações, começando de
Jerusalém” (veja 24:44-47). Portanto, este trabalho continuará até que o Senhor volte. Então, o que aprendemos
daquele dia sobre a pregação do evangelho?

A “pesca” se faz por rede, e não por isca e anzol (5:4-6). Muitas pessoas praticam a “pregação do evangelho”
como se fossem pescadores com anzóis. Preparam uma “isca” para atrair o maior número de pessoas – e quando
estas enfiam o anzol nas suas bocas, dificilmente se desprendem. Muitos prometem “riquezas” ou “bençãos” aos
que frequentam as suas igrejas e pagam os dízimos com fidelidade. Outros oferecem “curas” ou “descarrego”, e
ainda outros dizem ser os únicos que entendem a palavra da verdade. Com tanta isca por aí, ouvir o “evangelho”
acaba sendo apenas uma busca pelo que parece bem aos próprios ouvidos (veja 2 Timóteo 4:3-4).

Mas Jesus ensinava a pregação do evangelho na imagem de uma rede. Certa vez, falando acerca do reino do céu,
ele disse: “é... semelhante a uma rede, que lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. E, quando já está
cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam
fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos...” (Mateus
13:47-49). A questão não é de “atrair” as pessoas com doutrinas e grandes promessas. Antes, o que é necessário é
de lançar a mesma rede do evangelho sobre todos, sabendo que “é o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que crê...” (Romanos 1:16).

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Deste modo, não cabe ao “pescador” decidir onde e quando irá “pescar” e nem mesmo qual “isca” irá usar. Quem
prega o evangelho deve pregar a todo tempo e “a toda criatura” (Marcos 16:15; veja também 2 Timóteo 4:1-2). Se
todo o evangelho for pregado, ele irá arrastar os homens, assim como peixes numa rede. Repare que este foi o
trabalho do apóstolo Paulo, que explicou: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu
pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as
Escrituras” (1 Coríntios 15:3-4). Ele simplesmente decidiu nada saber entre eles, "senão a Jesus Cristo e este
crucificado” (1 Coríntios 2:2).

A “pesca” terá sucesso apenas se for “sob a... palavra” de Jesus (5:5). Como os pescadores aprenderam, Cristo é a
chave. Sem ele, nada pescaram, embora usassem todo o seu esforço e recursos. Com ele, num único lançamento
da rede, pescaram infinitamente mais de que já haviam visto. A nossa experiência, as nossas idéias, as nossas
maneiras de alcançar o mundo perdido não são nada sem ele. Pessoas influentes e até igrejas inteiras têm feito
programas “em nome de Jesus” que nada têm a ver com ele e que não ajudam a ninguém no sentido de escapar
do pecado (veja Mateus 7:21-23; 23:15; Colossenses 2:20-23).

Jesus disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28:19-20). Assim,
cristãos não são pessoas que aprenderam todos os pormenores da doutrina de Cristo. Cristãos são pessoas que,
ao ouvirem o evangelho de Jesus, se submetem a obedecê-lo em tudo. As pessoas convertidas no dia de
Pentecostes, por exemplo, pouco sabiam das doutrinas específicas dadas à igreja. Afinal, muitas destas doutrinas
ainda não haviam sido reveladas. Portanto, após mostrarem seu arrependimento e serem batizadas, estas
pessoas recém-convertidas “perseveravam na doutrina dos apóstolos...” (Atos 2:37-42). Mais tarde, os apóstolos
iriam encorajá-los, dizendo “desenvolvei a vossa salvação...” (Filipenses 2:12), “desejai ardentemente, como
crianças recém-nascidas, o genuino leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação...”
(1 Pedro 2:2), “crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo...” (2 Pedro 3:18), e
muitas outras exortações semelhantes.

Ser “pescador de homens” exige uma mudança de “profissão” (5:10-11). Não obstante o que fazem para ganhar a
vida, cristãos deveriam ter como profissão principal lançar a rede do evangelho. Quando fazemos compras,
devemos lançar a rede. Na escola, no trabalho, ou no lazer, devemos lançar a rede, “de sorte que somos
embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2 Coríntios 5:20).
Quatro discípulos se tornarão pescadores de homens
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MATEUS 4:13-22 MARCOS 1:16-20 LUCAS 5:1-11

JESUS CHAMA DISCÍPULOS PARA SEGUI-LO CONTINUAMENTE

PESCADORES SE TORNAM PESCADORES DE HOMENS

Depois que as pessoas de Nazaré tentam matar Jesus, ele vai a Cafarnaum, perto do mar da Galileia, também
chamado de “lago de Genesaré”. (Lucas 5:1) Isso cumpre a profecia de Isaías de que os que moram junto ao mar
da Galileia veriam uma grande luz. — Isaías 9:1, 2.

Agora, na Galileia, Jesus continua a pregar que “o Reino dos céus está próximo”. (Mateus 4:17) Ele encontra
quatro de seus discípulos. Eles já tinham viajado com Jesus, mas, quando retornaram com ele da Judeia, voltaram
ao seu negócio de pesca. (João 1:35-42) Mas chegou a hora de seguir Jesus continuamente, a fim de que ele possa
treiná-los para realizar o ministério depois que for embora.

Ao caminhar à beira do mar, Jesus vê Simão Pedro, seu irmão André e alguns de seus colegas cuidando das redes.
Jesus vai até eles, sobe no barco de Pedro e pede que se afastem da margem. Depois de se distanciarem um
pouco, Jesus se senta e começa a ensinar verdades do Reino às multidões que estão à beira do mar.

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Em seguida, Jesus diz a Pedro: “Vá para onde é fundo, e abaixem as suas redes para uma pesca.” Pedro diz em
resposta: “Instrutor, trabalhamos arduamente a noite toda e não apanhamos nada, mas, como o senhor pediu,
abaixarei as redes.” — Lucas 5:4, 5.

André, Tiago e João fazem força para colocar a rede no barco; Pedro se ajoelha diante de Jesus
Eles abaixam as redes e pegam tantos peixes que elas começam a se rasgar. Imediatamente, os homens acenam
para seus sócios num barco próximo para que venham ajudá-los. Logo os dois barcos ficam tão cheios de peixes
que começam a afundar. Ao ver isso, Pedro se ajoelha diante de Jesus e diz: “Afaste-se de mim, Senhor, porque
sou homem pecador.” Jesus diz em resposta: “Pare de ter medo. De agora em diante você apanhará a homens.”
— Lucas 5:8, 10.

Jesus diz a Pedro e André: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens.” (Mateus 4:19) Ele chama mais
dois pescadores, Tiago e João, filhos de Zebedeu, que também aceitam o convite sem demora. Assim, esses
quatro homens abandonam seu negócio e se tornam os primeiros discípulos de Jesus por tempo integral.

Quem Jesus chama para segui-lo continuamente, e qual a profissão deles?

Que milagre deixa Pedro com medo?

Que tipo de pesca os quatro discípulos farão agora?


Pessoas doentes vão à casa de Pedro, e Jesus as cura.
Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
CAPÍTULO 23

Jesus realiza grandes obras em Cafarnaum


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MATEUS 8:14-17 MARCOS 1:21-34 LUCAS 4:31-41

JESUS EXPULSA UM DEMÔNIO

A SOGRA DE PEDRO É CURADA

Jesus convidou quatro discípulos — Pedro, André, Tiago e João — para ser pescadores de homens. Agora é
sábado, e todos eles vão à sinagoga em Cafarnaum. Jesus ensina ali, e novamente as pessoas ficam maravilhadas
com o seu modo de ensinar. Ele faz isso como quem tem autoridade, não como os escribas.

Nesse dia, um homem endemoninhado está na sinagoga. Ali mesmo, o homem grita bem alto: “O que você quer
conosco, Jesus Nazareno? Veio nos destruir? Eu sei exatamente quem você é: o Santo de Deus!” Jesus censura o
demônio que está controlando o homem, dizendo: “Cale-se e saia dele!” — Marcos 1:24, 25.

Com isso, o espírito mau joga o homem no chão em convulsão e grita ao máximo da sua voz. Mas o demônio sai
do homem “sem feri-lo”. (Lucas 4:35) As pessoas na sinagoga ficam simplesmente admiradas. “O que é isso?”,
perguntam elas. “Ele dá ordens com autoridade até mesmo a espíritos impuros, e eles lhe obedecem.” (Marcos
1:27) Não nos surpreende que se fale em toda a Galileia sobre esse impressionante acontecimento.

Jesus e seus discípulos saem da sinagoga e vão para a casa de Simão, ou Pedro. Quando chegam lá, a sogra de
Pedro está muito doente, com febre alta. Pedem a Jesus que a ajude. Então Jesus se dirige a ela, pega-a pela mão
e a levanta. Na mesma hora, ela é curada e começa a servir Jesus e os discípulos, talvez preparando uma refeição
para eles.

Quando o sol está quase se pondo, pessoas de toda a parte vêm até a casa de Pedro trazendo doentes. Em pouco
tempo, parece que toda a cidade está à sua porta. Por quê? Eles querem ser curados. De fato, ‘todos os que têm
consigo doentes, com as mais variadas enfermidades, os levam até ele. Ele põe as mãos sobre cada um deles e os

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cura’. (Lucas 4:40) Assim como profetizado, Jesus ajuda essas pessoas, não importa qual seja a doença delas.
(Isaías 53:4) Ele até mesmo liberta os que estão endemoninhados. Quando os espíritos maus saem, gritam: “Você
é o Filho de Deus.” (Lucas 4:41) Mas Jesus os censura e não permite que falem mais. Sabem que Jesus é o Cristo, e
ele não quer que eles deem a impressão de que servem o Deus verdadeiro.

POSSESSÃO DE DEMÔNIOS
Uma pessoa pode sofrer muito quando é possuída por um ou mais demônios. (Mateus 17:14-18) Mas, quando
essa pessoa é libertada dos demônios, volta ao seu estado normal, tanto física como mentalmente. Em várias
ocasiões, Jesus demonstrou seu poder ao expulsar demônios por meio do espírito santo de Deus. — Lucas 8:39;
11:20.

O que acontece no sábado, na sinagoga em Cafarnaum?

Quando sai da sinagoga, para onde Jesus vai, e o que ele faz ali?

Qual é a reação das pessoas ao que Jesus faz na casa de Pedro?


Pescadores de Homens

Quando Jesus chamou quatro homens de seu trabalho regular como pescadores para se tornarem Seus discípulos,
Ele disse: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19). Pescadores de homens é uma bela
figura de linguagem para descrever aqueles que ganham almas.

“Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram
pescadores. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram
imediatamente as redes e o seguiram. Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que
estavam no barco consertando as redes. E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os
empregados, seguiram após Jesus” (Mc 1.16-20).

Verdadeiramente, esses homens se ligaram ao chamado de Jesus, pois Marcos diz que eles largaram seu barco
com o restante da tripulação ainda dentro dele e O seguiram imediatamente.

Eles estavam acostumados a trabalhar com as redes, às quais tinham que dar manutenção diária para poderem
jogá-las ao mar. Além do próprio barco, as redes eram seu instrumento de trabalho mais importante. Quando
jogamos nossas redes para pescar almas, há verdades importantes que precisamos aplicar – como vemos nas
redes desses pescadores.

Teça as Redes Com Diligência


Nesses versículos, dois irmãos, Tiago e João, estavam remendando suas redes, amarrando os nós nas cordas para
consertá-las. Você alguma vez já pensou no que é uma rede? É apenas um punhado de furos amarrados uns aos
outros. Não é nada importante. Exatamente o que somos – um grupo de pessoas nada importantes. Mas, se
ajuntarmos muitas pessoas nada importantes, elas se tornam poderosas.

Assim como uma rede é tecida e entrelaçada, as pessoas são tecidas e entrelaçadas umas junto com as outras; e
aí há um poder tremendo. Tecidos juntos na unidade do Espírito, nós realizamos muito mais do que qualquer
indivíduo sozinho poderia fazer por si mesmo. Há poder na cooperação. Você faz uma pesca muito mais bem
sucedida com uma rede do que sozinho, com um anzol e uma linha. Precisamos aprender que não somos apenas
independentes, mas somos também interdependentes. Juntos, nós nos damos as mãos e trabalhamos em
unidade para abarcar o mundo.

Conserte a Rede Imediatamente


Não podemos viajar pelo mar da humanidade e manter a rede dentro do barco. Temos que descer e jogar a rede
por Jesus.
Devemos nos entristecer quando alguma coisa acontece com a rede. Quando uma rede se rompe, quando há um
buraco ou um rombo, alguns dos peixes que deveríamos pegar escapam. Este é o motivo por que o Diabo vai
querer rasgar nossas redes, causar um rombo nas amizades sempre que ele puder. Quando ocorre um rasgo, qual

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é o nosso dever? Gálatas 6.1 nos diz: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais,
corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado”.

A palavra corrigi-o é a mesma palavra que restaurar usada para consertar uma rede. Aqueles dentre nós que
fazemos parte de um grupo, ou uma equipe, precisamos nos apressar, com brandura, para consertar a rede.

Trabalhe na Rede Obedientemente


Em Lucas 5.4-5, vemos Jesus ensinando a Seus discípulos (e nos ensinando também) alguns princípios que eles
tinham de entender, uma vez que deveriam se tornar pescadores de homens. Jesus veio a eles na praia e
aconselhou a Simão: “Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-lhe Simão: Mestre,
havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes”.

Não quer dizer que eles fossem preguiçosos. Eles haviam trabalhado. Mas estiveram labutando incansavelmente
durante a noite toda, trabalhando febrilmente na energia da carne. Eles estavam pescando sem o poder do
Senhor.

Dá trabalho pescar, mas é preciso muito mais do que trabalho para ser bem-sucedido. “Mestre, havendo
trabalhado a noite toda, nada apanhamos”. Observe que o lamento se refere a “nós” [nós trabalhamos e nós não
apanhamos] e ao fato de não terem conseguido “nada”. Em João 15.5, Jesus diz “Sem mim nada podeis fazer”. Se
você sai para ser um ganhador de almas, mas não ora, se você trabalha na energia da carne, você certamente
fracassará. Devemos depender do Senhor.

Aqui, em umas poucas palavras temos uma história de fracasso, fé e sucesso. Fracasso: “Havendo trabalhado a
noite toda, nada apanhamos” (Lc 5.5). Fé: “Mas sob a tua palavra lançarei as redes” (v.5). Sucesso: “Isto fazendo,
apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes” (v. 6).

Não creio que esse relato esteja na Bíblia meramente como uma história sobre peixes ou que Simão se gabaria
sobre o tanto de peixes que pescou. Ela está ali para nosso benefício. Nós também somos tecidos juntos;
devemos depender somente de Jesus quando jogamos nossas redes para trazer nelas muitas almas para Ele.
Nós também devemos começar. Alguém disse que o cristão comum preferiria ser o zelador do aquário a ser um
pescador de homens. Não podemos viajar pelo mar da humanidade e manter a rede dentro do barco. Temos que
descer e jogar a rede por Jesus.

Você poderá ouvir alguém dizer: “Eu só quero que as pessoas olhem para a minha vida, e então elas vão querer
ser cristãs”. Olha aqui, amigo, as pessoas não são salvas por causa da sua vida; elas são salvas por causa da morte
de Jesus. Elas não precisam ver que pessoa maravilhosa você é. Elas precisam saber quão maravilhoso Jesus é.

Lave as Redes Continuamente


Antes que Jesus instruísse Simão a jogar sua rede, Ele “viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores,
havendo desembarcado, lavavam as redes” (v.2). Um daqueles barcos pertencia a Simão. Ele estava trabalhando,
lavando suas redes. Qualquer rede, por boa que seja, vai catar entulhos. Se você não lavar a rede, eis o que vai
acontecer:

• Ela vai passar mau cheiro para o seu barco. A rede pega peixes mortos, algas e barro do fundo do mar ou do rio
– conseqüentemente, todas essas coisas são trazidas para dentro do barco.

• As cordas vão apodrecer. Se você permitir que imundícies emporcalhem sua rede, ela finalmente vai apodrecer
e se desintegrar.

• O trabalho vai ficar mais difícil. A rede é feita para ser quase que invisível e para escorregar livremente dentro
da água.

• Ela vai espantar os peixes. Os peixes podem ver a sujeira na rede até de uma longa distância.
Algumas pessoas têm medo de lavar as redes, pensando que as coisas que estão nelas simplesmente fazem parte
delas. Nós nos tornamos zelosos daquele estado de coisas, amedrontados de mudar nossos planos feitos por
homens. Quando nos mantemos fazendo alguma coisa porque sempre a fizemos, e temos medo de lavar as redes

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para procedermos a uma limpeza em nossa organização, então chegamos a um lugar perigoso. Precisamos
continuamente de revisão, reavaliação e recomendação, limpando constantemente a rede e mantendo nossa vida
limpa e pura, lavando todo o lixo do pecado e toda atividade desnecessária.

Cuide-se para nunca chegar a adorar a rede. A coisa mais valiosa não é a rede; são as almas. Nós adoramos a rede
quando a lealdade ao nosso programa significa mais do que lealdade à Palavra de Deus. Adorar algo que não seja
o Deus Todo-Poderoso é idolatria. Que Deus nos guarde de fazer tal coisa.

Jogue Sua Rede


Que maravilhoso é unir coração e mãos com as pessoas ao redor do mundo e amar esse mundo para Jesus Cristo.
Para fazer isso cada pessoa deve adotar as características de um pescador, tendo compaixão daquelas almas que
estão perdidas e coragem para dar o primeiro passo e jogar a rede.

Certa vez um homem sábio disse: “Quando pescamos peixes, os tiramos de uma linda vida e os trazemos para a
morte; mas quando pescamos homens, os tiramos da morte e lhes apresentamos uma linda vida”.
Pescadores de Homens
Élder Scott D. Whiting

Dos Setenta

Whiting, Scott D.
Todos os que assumiram um chamado de liderança na Igreja aceitaram o convite do Salvador de se tornarem
pescadores de homens.

Enquanto criávamos nossa jovem família no Havaí, minha mulher e eu ficamos muito gratos pelos maravilhosos
santos dos últimos dias que nos auxiliaram. Aqueles membros queridos nos adotaram e nos trataram como se
fôssemos da família. Em várias ocasiões, os homens da ala levaram meu jovem filho para uma aventura de pesca
no mar. Essas excursões não apenas envolviam barcos, mas também técnicas de pesca bem antigas desenvolvidas
no passado pelos havaianos.

Usando um desses métodos, um pescador habilidoso dobra meticulosamente em camadas uma rede circular com
pesos atados à borda. Depois, leva a rede cuidadosamente até um local situado no litoral rochoso, acima de uma
límpida piscina natural. Ao ver os peixes entrarem na lagoa, ele lança a rede no momento certo e com grande
perícia, e ela se desdobra ao máximo em forma de círculo ao cair na água, afundando rapidamente e aprisionando
os peixes ali reunidos.

Embora a perícia desse pescador seja impressionante, ele será o primeiro a dizer que, sem uma boa rede, que
esteja limpa, remendada e totalmente reparada, seus esforços seriam em vão. Os pescadores experientes sabem
que seu sucesso depende da integridade de sua rede de pesca e não começam uma pescaria eficaz e produtiva
sem que as redes sejam inspecionadas e estejam em ordem.

Vemos que os apóstolos antigos entendiam esse princípio, muitos dos quais eram pescadores profissionais.
Somos apresentados a esses pescadores nos capítulos iniciais de Mateus, Marcos e Lucas, nos quais eles estão
lançando, remendando e lavando suas redes quando encontram pela primeira vez seu futuro Mestre (ver Mateus
4:18, 21; Marcos 1:16, 19; Lucas 5:2). Aqueles homens alimentavam a própria família e a de outros esforçando-se
arduamente todos os dias para apanhar peixes. O sucesso e a família deles dependiam de sua preparação e sua
habilidade e da qualidade de suas redes.

Quando Jesus os convidou dizendo “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”, “deixando logo as
redes”, “deixaram tudo, e o seguiram” (Mateus 4:19, 20; Lucas 5:11; ver também Marcos 1:17–18).

Pensei muitas vezes nesse exemplo ao ponderar que aqueles que se encontram à testa da Igreja responderam
com semelhante fé ao convite que Ele lhes fez, dizendo: “Vinde após mim”. Tal como a Igreja antiga, A Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é liderada por profetas e apóstolos, que abandonaram suas redes e suas
profissões arduamente conquistadas e desenvolveram novas habilidades a fim de servir ao Mestre e segui-Lo.

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Líderes de Homens
O que significa ser “pescadores de homens”? Em Suas simples palavras de convite dirigidas aos antigos apóstolos,
o Salvador apresentou-lhes o que se tornaria Seu método mais comum e vigoroso de ensino: o ensino por
parábolas. Ele sabia que aqueles que foram chamados para segui-Lo entenderiam, até certo ponto, o que Ele
queria dizer com as palavras “pescadores de homens”.

O Presidente Harold B. Lee (1899–1973) ensinou: “Tornarem-se ‘pescadores de homens’ é simplesmente outra
forma de dizer ‘tornarem-se líderes de homens’. Assim, na linguagem de hoje diríamos (…): ‘Se guardardes meus
mandamentos, eu vos tornarei líderes entre os homens’”.1

Um líder de homens é alguém que foi chamado para ajudar os outros a se tornarem “verdadeiros seguidores de
(…) Jesus Cristo” (Morôni 7:48). O Manual 2: Administração da Igreja diz: “Para fazer isso, os líderes
primeiramente se esforçam para ser discípulos fiéis do Salvador, vivendo cada dia de modo a poder voltar a viver
na presença de Deus. Então, eles podem ajudar outros a desenvolver um forte testemunho e a achegar-se ao Pai
Celestial e a Jesus Cristo”.2

Todos os que assumiram um chamado de liderança na Igreja aceitaram o convite do Salvador de se tornarem
pescadores de homens.

Redes e Conselhos
Jesus Christ. Appearance to Fishing Apostles
Desde o mais alto nível de liderança da Igreja até as presidências de quóruns do Sacerdócio Aarônico e das classes
das Moças, os líderes são organizados em conselhos. Os líderes são instruídos a preparar-se espiritualmente, a
participar plenamente de conselhos, a ministrar às pessoas, a ensinar o evangelho e a administrar o sacerdócio e
as organizações auxiliares da Igreja. Além disso, devem edificar a união e a harmonia na Igreja, preparar outros
para serem líderes e professores, delegar autoridade e garantir a prestação de contas.3

Assim como os antigos apóstolos aplicaram seu conhecimento de pesca para se tornarem pescadores de homens,
podemos aplicar os princípios encontrados em seu uso das redes aos conselhos da Igreja. Tal como uma rede, os
conselhos são organizados e preparados para reunir os filhos do Pai Celestial — cada membro do conselho agindo
como uma linha importante e integral da rede. Assim como a rede só é eficaz se estiver em boas condições, da
mesma forma nossos conselhos ficam prejudicados caso seus membros não estejam organizados, concentrados e
servindo como deveriam.

Os líderes dos conselhos seguem o exemplo dos antigos apóstolos pescadores, inspecionando e reparando
regularmente essas “redes”. Fazem isso provendo treinamentos periódicos, liderando nas reuniões de conselho,
dando retorno oportuno e adequado aos membros do conselho e oferecendo amor, incentivo e elogios. Nada
substitui a força efetiva e a capacidade de reunir pessoas que têm um conselho que funciona devidamente.

O Conselho da Ala
Talvez o conselho com a maior oportunidade de influenciar individualmente os membros da Igreja seja o conselho
da ala. Os homens e as mulheres que compõem esse conselho são verdadeiramente chamados para ser
pescadores de homens, com o encargo de liderar o trabalho de salvação na ala, sob a direção do bispo. Eles
moram e servem em sua respectiva ala, na qual podem conhecer bem as pessoas as quais foram chamados para
liderar e associar-se a elas.

“Os membros do conselho da ala se esforçam para ajudar as pessoas a fortalecer o testemunho, receber as
ordenanças de salvação, guardar os convênios e tornar-se seguidoras consagradas de Jesus Cristo (ver Morôni
6:4–5). Zelar pelo bem-estar dos membros da ala é uma responsabilidade geral de todos os membros do conselho
da ala.”4

Os membros do conselho da ala desempenham um papel integral no aceleramento da obra de salvação. Quando
o conselho da ala não funciona como deveria, o trabalho fica mais lento. A capacidade de reunir pessoas na
“rede” fica prejudicada, e os esforços do conselho produzem resultados limitados. Mas, se o conselho da ala for

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bem organizado e se concentrar no fortalecimento das pessoas e das famílias, os resultados podem ser
assombrosos.

Conheço uma ala que tinha muitas dificuldades com um conselho de ala ineficaz. Era difícil para o bispo adotar as
instruções encontradas no Manual 2 porque se sentia à vontade com seu modo de agir e gostava de seus velhos
padrões. Depois de muito aconselhamento e treinamento de um amoroso presidente de estaca, o bispo abrandou
o coração, arrependeu-se e começou a esforçar-se sinceramente para organizar o conselho da ala conforme
instruído. Assistiu aos vídeos de treinamento disponíveis no site LDS.org, leu as seções 4 e 5 do Manual 2 e
colocou em prática o que aprendeu.

Os membros do conselho da ala rapidamente adotaram as mudanças, e um espírito de amor e união se


estabeleceu entre eles ao concentrarem-se no fortalecimento das pessoas e das famílias. Em toda reunião,
conversavam muito sobre os pesquisadores, os recém-conversos, os membros menos ativos e os membros com
necessidades. O coração deles começou a se voltar para aqueles irmãos e aquelas irmãs, e milagres começaram a
acontecer.

O bispo relatou que, quase imediatamente após essas mudanças serem efetuadas no conselho de ala, membros
menos ativos anteriormente desconhecidos começaram a frequentar a Igreja. Esses membros disseram que
subitamente se sentiram motivados a voltar à Igreja. Disseram que receberam uma inspiração clara e forte de que
precisavam novamente associar-se aos santos. Sabiam que seriam amados e que precisavam do apoio que os
membros ofereceriam.

O bispo confidenciou-me que tinha certeza de que o Pai Celestial estava apenas esperando que ele seguisse o
conselho que havia recebido e organizasse o conselho de ala conforme instruído, para que Ele pudesse colocar o
desejo no coração e na mente daqueles membros menos ativos para que retornassem à atividade na Igreja. O
bispo reconheceu que ele precisava criar o ambiente amoroso e envolvente do qual aqueles membros
necessitavam para que o Espírito os conduzisse de volta. Suas palavras me fizeram lembrar o que aconteceu com
Pedro, o pescador:

“E, entrando [Jesus] num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e,
assentando-se, ensinava do barco a multidão.

E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar.

E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua
palavra, lançarei a rede.

E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede” (Lucas 5:3–6).

À medida que ouvirmos e seguirmos os conselhos que nos foram dados pelos profetas, videntes e reveladores de
nossos dias — os verdadeiros “pescadores de homens” — e à medida que inspecionarmos e repararmos nossas
redes ao servir, nossa capacidade de acelerar a obra de salvação será grandemente aumentada e nos tornaremos
instrumentos nas mãos do Pai Celestial para reunir Seus filhos.

Entre na Conversa

Monson, Thomas S.
“Durante o ministério do Mestre, ele chamou pescadores na Galileia para que deixassem suas redes e O
seguissem, declarando: ‘Eu vos farei pescadores de homens’. Juntemo-nos às fileiras de pescadores de homens e
de mulheres, oferecendo toda a ajuda que pudermos.”
O Que Significa “Eu Vos Farei Pescadores de Homens”?
Daniel Conegero Daniel Conegero
A expressão “pescadores de homens” é uma declaração metafórica cujo significado indica aqueles que se ocupam
em ganhar almas para o reino de Deus. Essa expressão foi aplicada por Jesus na ocasião da convocação de alguns
de seus discípulos. Ele disse: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4:19; Marcos 1:17).

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A dizer “eu vos farei pescadores de homens” Jesus estava prometendo treinar aqueles homens para uma tarefa
tão honrada que é somente pela graça de Deus que um homem pode tomar parte dela. Ao invés de pescarem
peixes, aqueles discípulos pescariam homens para o reino de Deus. O texto bíblico diz que imediatamente após o
chamado de Jesus eles deixaram suas redes e animadamente o seguiram.

Nem todos os leitores da Bíblia percebem que os Evangelhos registram vários chamados para o discipulado. Na
verdade os comentaristas organizam esses chamados em pelo menos cinco ocasiões diferentes. Mas esses
chamados estão estreitamente relacionados: (1) João 1:35-51; (2) Mateus 4:18-22 e Marcos 1:16-20; (3) Lucas 5:1-
11; (4) Mateus 9:9-13; Marcos 2:13-17; Lucas 5:27-32; (5) Mateus 10:1-4; Marcos 3:13-19; Lucas 6:12-16.

Cada um desses chamados está separado por um breve espaço de tempo; com exceção do segundo chamado que
provavelmente ocorreu pelo menos um ano após o primeiro chamado.

Quando Jesus disse “vos farei pescadores de homens”?


Mateus e Marcos escrevem que Jesus estava andando junto ao Mar da Galileia quando viu os irmãos Simão e
André. Os dois homens estavam pescando e anteriormente já tinham tido um primeiro encontro com Jesus (João
1:35-51). Mas os dois ainda não tinham se tornado discípulos em tempo integral. Eles continuavam exercendo a
profissão de pescador. Saiba quem foram os discípulos de Jesus.

Então foi nesse contexto que muito apropriadamente Jesus convocou os dois irmãos e segui-lo, pois eles
passariam a ser pescadores de homens. A Bíblia diz que tão logo os dois irmãos deixaram suas redes e seguiram
Jesus. Foi nessa mesma ocasião que Tiago e João também receberam o mesmo chamado de Jesus para deixarem
seus afazeres e segui-lo.

Pouco tempo depois, embora não saibamos quanto tempo, ocorreu o terceiro chamado ao discipulado (Lucas
5:11). Então apesar de o Evangelho de Lucas também registrar uma ordem semelhante a “vos farei pescadores de
homens”, não se trata da mesma ocasião registrada por Mateus e Marcos.

Em Lucas parece que Jesus direcionou apenas ao apóstolo Pedro a declaração figurada sobre ele ser um pecador
de homens. Ele disse: “Não temas; de agora em diante serás pescador de homens” (Lucas 5:10).

Mas apesar de serem muito parecidas, as duas declarações diferem entre si de uma forma muito interessante. Na
primeira delas, quando Jesus diz “vos farei pescadores de homens”, a ênfase está no processo e no esforço, isto é,
eles seriam feitos pescadores de homens. Já na segunda declaração, quando Jesus diz literalmente a Pedro “você
pescará homens”, a ênfase está no êxito e no resultado, isto é, ele certamente seria um pescador de homens e
teria sucesso nessa tarefa.

As características dos pescadores de homens


Os discípulos que Jesus chamou para serem pescadores de homens não eram pessoas perfeitas. Usando como
exemplo Pedro, André, Tiago e João, os textos bíblicos mostram que eles tinham muitas debilidades. W.
Hendriksen diz que os registros dos Evangelhos revelam que eles tinham carência de discernimento espiritual
(Mateus 13:6; 15:33; 16:7-12,22,23; 17:10-13; 19:10-30; 24:3); de profunda simpatia (Mateus 14:15-23; 19:13-15);
de humildade (Mateus 18:1-4); de um espírito de perdão (Mateus 18:21,22); de um perseverante espírito de
oração (Mateus 17:16-21); e de uma sólida coragem (Mateus 26:56-75).

Mas tudo isso torna ainda mais extraordinário o fato de Jesus ter tomado indivíduos tão comuns, que eram
simples pescadores iletrados da Galileia, e tê-los transformado em pescadores de homens. Aqueles homens
falhos se tornaram instrumentos para a salvação de muitos.

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Também devemos ser pescadores de homens
Em essência, a promessa que Jesus fez aos seus discípulos também se estende a todos os seus seguidores
genuínos, independentemente da época. Através do ministério de cada um daqueles primeiros pescadores de
homens, o Evangelho avançou pelo mundo. Agora, cabe a nós continuar a honrosa tarefa de anunciar as boas
novas da salvação em Cristo a todos os povos, tribos, línguas e nações.

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W. Hendriksen observa que ao prometer “vos farei pescadores de homens”, Jesus aprova o testemunho do Antigo
Testamento que aponta para a bem-aventurança daqueles que trabalham em prol da obra de Deus.

O escritor de Provérbios diz que o que ganha almas é sábio (Provérbios 11:30). O profeta Daniel escreve que “os
que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça,
resplandecerão como as estrelas sempre e eternamente” (Daniel 12:3).

Diante dessa realidade podemos entender a declaração do apóstolo Paulo ao dizer: “Fiz de tudo para com todos,
a fim de que, de um modo ou de outro, eu possa salvar alguns” (1 Coríntios 9:22). Como cristãos verdadeiros,
devemos aproveitar todas as oportunidades que temos de lançar a rede do Evangelho e se apropriar da
maravilhosa promessa e da honrosa tarefa de sermos também pescadores de homens.

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