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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA – UFU

FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA – FEELT


Prof. Ivan Nunes Santos

Apostila de
Eletromagnetismo

Uberlândia
2018
Universidade Federal de Uberlândia
Faculdade de Engenharia Elétrica
Eletromagnetismo

SUMÁRIO GERAL

Capítulo Conteúdo Página


1 Análise Vetorial 03

2 Lei de Coulomb e Intensidade de Campo Elétrico 20

3 Densidade de Fluxo Elétrico, Lei de Gauss e Divergência 33

4 Energia Potencial e Potencial Elétrico 47

5 Condutores, Dielétricos e Capacitância 63

6 Equações de Poisson e de Laplace 84

7 Campo Magnético Estacionário 93

8 Forças Magnéticas, Materiais e Indutância 115

9 Campos Variantes no Tempo e Equações de Maxwell 134

* Apostila versão 2019-1, com modificações feitas pela professora Andréia Crico dos Santos.
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Eletromagnetismo

1 – ANÁLISE VETORIAL

1.1 Escalares e Vetores


O termo escalar se refere a uma grandeza cujo valor pode ser representado por um único
número real (positivo ou negativo). Exemplo de grandezas escalares: temperatura, tempo, massa,
densidade, volume, tensão, etc.

Uma grandeza vetorial tem magnitude, direção e sentido no espaço. Exemplo de grandezas
vetoriais: força, velocidade, aceleração, densidade de fluxo elétrico, etc.

Um campo também pode ser definido como escalar ou vetorial. Um exemplo de campo escalar
é a temperatura em uma tigela de sopa, por outro lado, temos que o campo gravitacional e o
magnético são exemplos de campos vetoriais.

1.2 Álgebra Vetorial


A álgebra vetorial possui seu conjunto próprio de regras, do qual destacaremos algumas.

A adição vetorial segue a regra do paralelogramo, conforme figura abaixo.

A adição vetorial obedece à propriedade comutativa, ou seja, 𝐴⃗ + 𝐵 ⃗⃗ + 𝐴⃗ . A adição


⃗⃗ = 𝐵
obedece também à propriedade associativa, ou seja, 𝐴⃗ + (𝐵
⃗⃗ + 𝐶⃗) = (𝐵
⃗⃗ + 𝐴⃗) + 𝐶⃗.

A regra para a subtração de vetores decorre facilmente da regra para a adição, pois sempre
podemos expressa 𝐴⃗ − 𝐵
⃗⃗ como 𝐴⃗ + (−𝐵
⃗⃗); o sinal, ou sentido, do segundo vetor é invertido, e este
vetor é somado ao primeiro pela regra da adição vetorial.

Observação importante: na figura anterior, extraída do livro de Eletromagnetismo de Jr. W. H.


Hayt e J. A. Buck, a notação de vetor é dada por meio da letra em negrito, enquanto que em nosso 3
curso usaremos a seta sobre a letra para designação de vetor, ou ainda, o acento circunflexo para
representação de vetores unitários, conforme será explanado.

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Vetores podem ser multiplicados por escalares. O módulo do vetor se modifica, mas sua
direção e sentido não, quando o escalar é positivo, embora ele inverta de sentido quando multiplicado
por um escalar negativo. A multiplicação de um vetor por um escalar também obedece as propriedades
associativa e distributiva da álgebra, então

(𝑟 + 𝑠)(𝐴⃗ + 𝐵
⃗⃗) = 𝑟(𝐴⃗ + 𝐵
⃗⃗) + 𝑠(𝐴⃗ + 𝐵
⃗⃗)

= 𝑟𝐴⃗ + 𝑟𝐵
⃗⃗ + 𝑠𝐴⃗ + 𝑠𝐵
⃗⃗

A divisão de um vetor por um escalar é meramente a multiplicação do vetor pelo valor do


inverso do escalar.

Já a operação de multiplicação de um vetor por outro vetor será discutida mais adiante, ainda
neste capítulo.

1.3 Sistema de Coordenadas Cartesianas (ou Retangulares)


Para podermos descrever rigorosamente um vetor, alguns comprimentos, direções, ângulos,
projeções ou componentes específicos devem ser fornecidos. Há três métodos simples de fazê-lo, os
quais serão esmiuçados neste capítulo. O mais simples destes é a adoção do sistema de coordenadas
cartesianas ou retangulares. Neste sistema estabelece-se três eixos coordenados que formam ângulos
retos entre si, denominados de eixos x, y e z.

Na figura a seguir (a) tem-se um sistema de coordenadas cartesianas do tipo triedro direito,
em que se usando a mão direita, então o polegar, o indicador e o dedo médio podem ser identificados,
respectivamente, como os eixos x, y e z. Nesta mesma figura podemos identificar os planos x = 0, y = 0
e z = 0.

Tomando-se os ponto 𝑃(1,2,3) e 𝑄(2, −2,1) como exemplo, poderemos identificá-los no


sistema de coordenadas cartesianas conforme figura (b) a seguir. O ponto P está, portanto, localizado
no ponto comum da interseção dos planos x = 1, y = 2 e z = 3, enquanto que o ponto Q está localizado
na interseção dos planos x = 2, y = -2 e z = 1.

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Podemos, conforme a figura (c) acima, deslocar um ponto 𝑃(𝑥, 𝑦, 𝑧) levemente para um ponto
𝑃′(𝑥 + 𝑑𝑥, 𝑦 + 𝑑𝑦, 𝑧 + 𝑑𝑧) adicionando-se diferenciais de comprimento. Os dois pontos P e P' formam
6 planos, conforme já falado, os quais definem um paralelepípedo retângulo cujo o diferencial de
volume é 𝑑𝑣 = 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝑑𝑧; as superfícies possuem áreas diferenciais dS de 𝑑𝑥 𝑑𝑦, 𝑑𝑦 𝑑𝑧 e 𝑑𝑧 𝑑𝑥. E
finalmente, a distância dL de P a P' é a diagonal do paralelepípedo e possui um comprimento diferencial
√𝑑𝑥 2 + 𝑑𝑦 2 + 𝑑𝑧 2 .

1.4 Componentes Vetoriais e Vetores Unitários


Para descrever um vetor no sistema de coordenadas cartesianas, vamos considerar
primeiramente um vetor 𝑟⃗ partindo da origem até um ponto P qualquer.

Se as componentes vetoriais de 𝑟⃗ são 𝑥⃗, 𝑦⃗ e 𝑧⃗, então 𝑟⃗ = 𝑥⃗ + 𝑦⃗ + 𝑧⃗, conforme mostrado na


5
figura (a) abaixo.

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Contudo, o uso das componentes vetoriais da forma que foram apresentadas não é
comumente empregado. A figura (b) anterior apresenta os vetores unitários fundamentais 𝑎̂𝑥 , 𝑎̂𝑦 e 𝑎̂𝑧
representativos dos eixos cartesianos x, y e z, respectivamente. Considerando um vetor 𝑟⃗ apontando
da origem ao ponto 𝑃(1,2,3), o mesmo pode ser escrito tendo por base os vetores unitários dos eixos
cartesianos: 𝑟⃗𝑃 = 𝑎̂𝑥 + 2𝑎̂𝑦 + 3𝑎̂𝑧 . Considerando-se um vetor 𝑟⃗ apontando da origem ao ponto
𝑄(2, −2,1), tem-se 𝑟⃗𝑄 = 2𝑎̂𝑥 − 2𝑎̂𝑦 + 𝑎̂𝑧 . Um vetor 𝑅⃗⃗𝑃𝑄 de origem no ponto 𝑃(1,2,3) e apontando
para 𝑄(2, −2,1) seria:

𝑅⃗⃗𝑃𝑄 = 𝑟⃗𝑄 − 𝑟⃗𝑃 = (2𝑎̂𝑥 − 2𝑎̂𝑦 + 𝑎̂𝑧 ) − (𝑎̂𝑥 + 2𝑎̂𝑦 + 3𝑎̂𝑧 )

= (2 − 1)𝑎̂𝑥 + (−2 − 2)𝑎̂𝑦 + (1 − 3)𝑎̂𝑧

= 𝑎̂𝑥 − 4𝑎̂𝑦 − 2𝑎̂𝑧

Os vetores em questão podem ser vistos na figura (c) anterior.

⃗⃗, pode ser escrito como 𝐵


⃗⃗ = 𝐵𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐵𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐵𝑧 𝑎̂𝑧 . E o módulo de 𝐵
⃗⃗, 6
Então, qualquer vetor 𝐵
escrito como |𝐵⃗⃗|, ou simplesmente B, é dado por

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⃗⃗| = 𝐵 = √𝐵𝑥2 + 𝐵𝑦2 + 𝐵𝑧2


|𝐵

Cada um dos três sistemas de coordenadas a serem discutidos tem seus três vetores unitários
fundamentais e mutuamente independentes que são usados para analisar qualquer vetor em suas
componentes vetoriais.

Os vetores unitários não são limitados a esta aplicação, todo vetor tem seu vetor unitário que
é facilmente encontrado dividindo o vetor por seu módulo. Então o vetor unitário de 𝐵 ⃗⃗ é

⃗⃗
𝐵 ⃗⃗
𝐵
𝑎̂𝐵 = =
⃗⃗|
|𝐵
√𝐵𝑥2 + 𝐵𝑦2 + 𝐵𝑧2

A notação empregada para todo vetor unitário neste curso será o acento circunflexo sobre a
letra do vetor, já no livro usa-se tão somente a letra “a” para identificar o mesmo.

Vale ainda ressaltar, que o vetor 𝑟⃗ apresentado, o qual liga a origem do sistema a um ponto P
qualquer, é comumente chamado de vetor posição.

1.5 Introdução aos Campos


Todo campo pode ser definido matematicamente como função de um vetor que liga uma
origem arbitrária a um ponto genérico no espaço. Note que o conceito de campo invariavelmente está
relacionado a uma região. O campo pode assumir características escalares ou vetorial.

Em geral para o campo vetorial, o módulo e a direção da função irão variar à medida que nos
movemos através da região, e o valor da função vetorial deve ser determinado utilizando-se os valores
das coordenadas do ponto em questão. Já o campo escalar terá apenas o módulo variando. E como
consideramos apenas o sistema de coordenadas cartesianas, devemos esperar que o campo vetorial
ou escalar seja função das variáveis x, y e z.

Se novamente representarmos o vetor posição por 𝑟⃗, então o campo vetorial 𝐺⃗ pode ser
expresso, em notação funcional, como 𝐺⃗ (𝑟⃗); enquanto o campo escalar T é escrito como 𝑇(𝑟⃗),
havendo, neste caso, variação apenas do módulo da função.

Pode-se citar como exemplos de campo escalar o campo da temperatura de um líquido no


interior de um prato de sopa em função do vetor posição, ou ainda, o campo potencial elétrico de uma
carga pontual. Por outro lado, são exemplos de campo vetorial a velocidade da corrente de água de 7
um rio em função do vetor posição, o campo elétrico de uma esfera carregada e o campo magnético
de um fio conduzindo corrente contínua.

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1.6 Produto Escalar


Dados dois vetores 𝐴⃗ e 𝐵
⃗⃗, o produto escalar, ou produto interno, é definido como o produto
entre o módulo de 𝐴⃗, o módulo de 𝐵 ⃗⃗ e o cosseno do menor ângulo entre eles. Assim,

𝐴⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = |𝐴⃗||𝐵
⃗⃗| 𝑐𝑜𝑠𝜃𝐴𝐵

Percebe-se, que um ponto aparece entre os dois vetores. O mesmo deve ser forte para dar
mais ênfase, lê-se “A escalar B”. O produto escalar tem como resultado um escalar, como o próprio
nome indica, e obedece à propriedade comutativa, pois o sinal do ângulo não afeta o termo cosseno,
ou seja,

𝐴⃗ ∙ 𝐵 ⃗⃗ ∙ 𝐴⃗
⃗⃗ = 𝐵

A determinação do ângulo entre dois vetores no espaço tridimensional é muitas vezes um


trabalho que se prefere evitar. Por essa razão, a definição de produto escalar normalmente não é
usada em sua forma básica.

Um resultado mais útil é obtido considerando-se dois vetores cujas componentes cartesianas
são dadas por 𝐴⃗ = 𝐴𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐴𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧 e 𝐵
⃗⃗ = 𝐵𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐵𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐵𝑧 𝑎̂𝑧 . O produto escalar também
obedece à propriedade distributiva, portanto, 𝐴⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ fornece uma soma de nove termos escalares, cada
um envolvendo o produto escalar de dois vetores unitários. Então,

𝐴⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = (𝐴𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐴𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧 ) ∙ (𝐵𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐵𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐵𝑧 𝑎̂𝑧 )
= 𝐴𝑥 𝐵𝑥 (𝑎̂𝑥 ∙ 𝑎̂𝑥 ) + 𝐴𝑥 𝐵𝑦 (𝑎̂𝑥 ∙ 𝑎̂𝑦 ) + 𝐴𝑥 𝐵𝑧 (𝑎̂𝑥 ∙ 𝑎̂𝑧 )
+ 𝐴𝑦 𝐵𝑥 (𝑎̂𝑦 ∙ 𝑎̂𝑥 ) + 𝐴𝑦 𝐵𝑦 (𝑎̂𝑦 ∙ 𝑎̂𝑦 ) + 𝐴𝑦 𝐵𝑧 (𝑎̂𝑦 ∙ 𝑎̂𝑧 )
+ 𝐴𝑧 𝐵𝑥 (𝑎̂𝑧 ∙ 𝑎̂𝑥 ) + 𝐴𝑧 𝐵𝑦 (𝑎̂𝑧 ∙ 𝑎̂𝑦 ) + 𝐴𝑧 𝐵𝑧 (𝑎̂𝑧 ∙ 𝑎̂𝑧 )

como o ângulo entre dois vetores unitários diferentes no sistema de coordenadas cartesianas é 90°,
temos

𝑎̂𝑥 ∙ 𝑎̂𝑦 = 𝑎̂𝑥 ∙ 𝑎̂𝑧 = 𝑎̂𝑦 ∙ 𝑎̂𝑥 = 𝑎̂𝑦 ∙ 𝑎̂𝑧 = 𝑎̂𝑧 ∙ 𝑎̂𝑥 = 𝑎̂𝑧 ∙ 𝑎̂𝑦 = 0

Os três termos restantes envolvem o produto escalar de um vetor unitário por ele mesmo, o
que é igual à unidade, finalmente obtendo-se:

𝐴⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = 𝐴𝑥 𝐵𝑥 + 𝐴𝑦 𝐵𝑦 + 𝐴𝑧 𝐵𝑧

que é uma expressão que não envolve ângulos.


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Vale ressaltar que, o produto escalar de um vetor por ele mesmo é o quadrado de seu módulo,
ou seja,

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2
𝐴⃗ ∙ 𝐴⃗ = |𝐴⃗| = 𝐴2

e o produto escalar de qualquer vetor unitário por ele mesmo é igual à unidade, ou seja, 𝑎̂𝐴 ∙ 𝑎̂𝐴 = 1.

Uma das aplicações mais importantes do produto escalar é o cálculo da componente de um


vetor dada uma certa direção. Podemos obter a componente (escalar) de 𝐵⃗⃗ na direção especificada
pelo vetor unitário 𝑎̂ como

⃗⃗ ∙ 𝑎̂ = |𝐵
𝐵 ⃗⃗||𝑎̂|𝑐𝑜𝑠𝜃𝐵𝑎 = |𝐵
⃗⃗|𝑐𝑜𝑠𝜃𝐵𝑎

⃗⃗ ∙ 𝑎̂ é a projeção do vetor 𝐵
Neste caso é usado o termo projeção. Assim, 𝐵 ⃗⃗ na direção 𝑎̂,
conforme pode ser observado na figura a seguir.

Para obtermos a componente vetorial de 𝐵 ⃗⃗ na direção de 𝑎̂, multiplicamos a componente


escalar (projeção) por 𝑎̂, como ilustrado na figura que se segue, ficando (𝐵⃗⃗ ∙ 𝑎̂)𝑎̂.

1.7 Produto Vetorial


Dados dois vetores 𝐴⃗ e 𝐵
⃗⃗, definiremos agora o produto vetorial, ou produto cruzado, de 𝐴⃗ e
⃗⃗, escrito com uma cruz entre os dois vetores, como 𝐴⃗ × 𝐵
𝐵 ⃗⃗, e lido “A vetorial B”.

O produto vetorial 𝐴⃗ × 𝐵
⃗⃗ é um vetor; o módulo de 𝐴⃗ × 𝐵 ⃗⃗ é igual ao produto dos módulos de
𝐴⃗, 𝐵
⃗⃗ e o seno do menor ângulo entre 𝐴⃗ e 𝐵⃗⃗; a direção de 𝐴⃗ × 𝐵
⃗⃗ é perpendicular ao plano que contém 9
𝐴⃗ e 𝐵
⃗⃗ e está ao longo de duas possíveis perpendiculares, todavia escolhe-se aquela que está no sentido
do avanço de um parafuso direito à medida que 𝐴⃗ é girado para 𝐵 ⃗⃗, conforme figura a seguir.

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Outra forma de determinar o sentido do vetor 𝑎̂𝑁 é por meio da regra da mão direita. Sendo
esta regra de mais fácil análise.

Na forma de equação, podemos escrever

𝐴⃗ × 𝐵
⃗⃗ = 𝑎̂𝑁 |𝐴⃗||𝐵
⃗⃗| 𝑠𝑒𝑛𝜃𝐴𝐵

O produto vetorial não é comutativo, já que 𝐴⃗ × 𝐵 ⃗⃗ × 𝐴⃗).


⃗⃗ = −(𝐵

Se a definição de produto vetorial é aplicada aos vetores unitários 𝑎̂𝑥 e 𝑎̂𝑦 , encontramos
𝑎̂𝑥 × 𝑎̂𝑦 = 𝑎̂𝑧 , onde cada vetor possui módulo unitário, os dois vetores são perpendiculares e a rotação
de 𝑎̂𝑥 para 𝑎̂𝑦 indica a direção positiva de z pela definição do sistema de coordenadas do tipo triedro
direito. De maneira semelhante, 𝑎̂𝑦 × 𝑎̂𝑧 = 𝑎̂𝑥 e 𝑎̂𝑧 × 𝑎̂𝑥 = 𝑎̂𝑦 .

O cálculo do produto vetorial por meio de sua definição exige mais trabalho do que o cálculo
do produto escalar, porém este trabalho pode ser evitado usando-se as componentes cartesianas para
os dois vetores 𝐴⃗ e 𝐵
⃗⃗ e expandindo-se o produto vetorial como a soma de nove produtos vetoriais,
cada um envolvendo dois vetores unitários.

𝐴⃗ × 𝐵
⃗⃗ = (𝐴𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐴𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧 ) × (𝐵𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐵𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐵𝑧 𝑎̂𝑧 )
= 𝐴𝑥 𝐵𝑥 (𝑎̂𝑥 × 𝑎̂𝑥 ) + 𝐴𝑥 𝐵𝑦 (𝑎̂𝑥 × 𝑎̂𝑦 ) + 𝐴𝑥 𝐵𝑧 (𝑎̂𝑥 × 𝑎̂𝑧 )
+ 𝐴𝑦 𝐵𝑥 (𝑎̂𝑦 × 𝑎̂𝑥 ) + 𝐴𝑦 𝐵𝑦 (𝑎̂𝑦 × 𝑎̂𝑦 ) + 𝐴𝑦 𝐵𝑧 (𝑎̂𝑦 × 𝑎̂𝑧 )
+ 𝐴𝑧 𝐵𝑥 (𝑎̂𝑧 × 𝑎̂𝑥 ) + 𝐴𝑧 𝐵𝑦 (𝑎̂𝑧 × 𝑎̂𝑦 ) + 𝐴𝑧 𝐵𝑧 (𝑎̂𝑧 × 𝑎̂𝑧 )

Já vimos que 𝑎̂𝑥 × 𝑎̂𝑦 = 𝑎̂𝑧 , 𝑎̂𝑦 × 𝑎̂𝑧 = 𝑎̂𝑥 e 𝑎̂𝑧 × 𝑎̂𝑥 = 𝑎̂𝑦 . Os três termos remanescentes são
iguais a zero, pois o produto vetorial de qualquer vetor por ele mesmo é igual a zero, já que o seno do 10
ângulo envolvido é nulo. Estes resultados podem ser combinados para se obter

𝐴⃗ × 𝐵
⃗⃗ = (𝐴𝑦 𝐵𝑧 − 𝐴𝑧 𝐵𝑦 )𝑎̂𝑥 + (𝐴𝑧 𝐵𝑥 − 𝐴𝑥 𝐵𝑧 )𝑎̂𝑦 + (𝐴𝑥 𝐵𝑦 − 𝐴𝑦 𝐵𝑥 )𝑎̂𝑧

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que pode ser escrita como um determinante, numa forma mais fácil de ser lembrada:

𝑎̂𝑥 𝑎̂𝑦 𝑎̂𝑧


⃗ ⃗⃗
𝐴 × 𝐵 = |𝐴𝑥 𝐴𝑦 𝐴𝑧 |
𝐵𝑥 𝐵𝑦 𝐵𝑧

Usando-se o cálculo do produto vetorial por meio desta matriz não há necessidade da
aplicação de qualquer regra adicional para se encontrar o vetor normal, uma vez que o mesmo já será
determinado pela resolução da equação.

1.8 Sistema de Coordenadas Cilíndricas Circulares


O sistema de coordenadas cartesianas é, em geral, o preferido dos estudantes, contudo
existem vários problemas onde a simetria pede um tratamento mais adequado para sua resolução.

O sistema de coordenadas cilíndricas (com o objetivo de facilitar, não usaremos o termo


“circulares”, apesar de existirem outros tipos de sistemas de coordenadas cilíndricas) é uma versão
tridimensional das coordenadas polares da geometria analítica. No sistema de coordenadas polares
bidimensional, um ponto é localizado em um plano dando-se a sua distância 𝜌 da origem e o ângulo 𝜙
entre a linha do ponto à origem e uma linha radial arbitrária, tomada como 𝜙 = 0. Um sistema de
coordenadas tridimensionais cilíndricas circulares é obtido especificando-se a distância z do ponto a
um plano arbitrário 𝑧 = 0, perpendicular à reta 𝜌 = 0.

No sistema de coordenadas cilíndricas não mais consideraremos os três eixos como nas
coordenada cartesianas, todavia o ponto continua sendo definido pela interseção de três superfícies
mutuamente perpendiculares. Estas superfícies são: uma cilíndrica circular (𝜌 = constante), uma plana
(𝜙 = constante) e uma outra também plana (𝑧 = constante), conforme pode ser visto na figura (a)
abaixo.

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Os vetores unitários apontam na direção crescente dos valores das coordenadas e são
perpendiculares à superfície na qual esta coordenada é constante, sendo os três vetores especificados
como: 𝑎̂𝜌 , 𝑎̂𝜙 e 𝑎̂𝑧 . A figura (b) anterior mostra estes três vetores.

Os vetores unitários são novamente mutuamente perpendiculares, pois cada um é normal a


uma das três superfícies mutuamente perpendiculares, definindo-se, um sistema de coordenadas
cilíndricas do tipo triedro direito, no qual 𝑎̂𝜌 × 𝑎̂𝜙 = 𝑎̂𝑧 ou um sistema no qual o polegar, o indicador
e o dedo médio da mão direita apontam, respectivamente, na direção crescente de 𝜌, 𝜙 e 𝑧.

Um elemento diferencial de volume em coordenadas cilíndricas pode ser obtido aumentando-


se 𝜌, 𝜙 e 𝑧 de incrementos diferenciais 𝑑𝜌, 𝑑𝜙 e 𝑑𝑧. Os dois cilindros de raios 𝜌 e 𝜌 + 𝑑𝜌, os dois
planos radiais nos ângulos 𝜙 e 𝜙 + 𝑑𝜙 e os dois planos “horizontais” nas “elevações” 𝑧 e 𝑧 + 𝑑𝑧
limitam um pequeno volume, como mostrado na figura (c) anterior. Note que 𝑑𝜌 e 𝑑𝑧 têm dimensões
de comprimento, mas 𝑑𝜙 não tem; 𝜌 𝑑𝜙 é o comprimento. O volume aproximado da figura será dado
por 𝜌 𝑑𝜌 𝑑𝜙 𝑑𝑧, pois a forma do elemento de volume, por ser muito pequeno, aproxima-se à de um
paralelepípedo. 12
As variáveis dos sistemas de coordenadas retangular e cilíndrico são facilmente relacionadas
umas com as outras. Temos que

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𝑥 = 𝜌 𝑐𝑜𝑠𝜙
𝑦 = 𝜌 𝑠𝑒𝑛𝜙
𝑧=𝑧

Do outro ponto de vista, podemos expressar as variáveis cilíndricas em temos de x, y e z

𝜌 = √𝑥 2 + 𝑦 2 (𝜌 > 0)
𝑦
𝜙 = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛 (𝑣𝑒𝑟𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑟 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒)
𝑥
𝑧=𝑧

O valor adequado do ângulo 𝜙 é determinado por inspeção dos sinais de x e y, para encontrar
o quadrante do ângulo.

Dado o vetor cartesiano

𝐴⃗ = 𝐴𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐴𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧

desejamos encontrar o mesmo vetor, porém em coordenadas cilíndricas, do tipo

𝐴⃗ = 𝐴𝜌 𝑎̂𝜌 + 𝐴𝜙 𝑎̂𝜙 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧

Para determinar qualquer componente de um vetor em uma direção desejada, basta fazer o
produto escalar entre o vetor e o vetor unitário na direção desejada. Assim,

𝐴𝜌 = 𝐴⃗ ⋅ 𝑎̂𝜌
𝐴𝜙 = 𝐴⃗ ⋅ 𝑎̂𝜙
𝐴𝑧 = 𝐴⃗ ⋅ 𝑎̂𝑧

desenvolvendo-se as equações, tem-se

𝐴𝜌 = (𝐴𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐴𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧 ) ⋅ 𝑎̂𝜌 = 𝐴𝑥 (𝑎̂𝑥 ⋅ 𝑎̂𝜌 ) + 𝐴𝑦 (𝑎̂𝑦 ⋅ 𝑎̂𝜌 )


𝐴𝜙 = (𝐴𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐴𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧 ) ⋅ 𝑎̂𝜙 = 𝐴𝑥 (𝑎̂𝑥 ⋅ 𝑎̂𝜙 ) + 𝐴𝑦 (𝑎̂𝑦 ⋅ 𝑎̂𝜙 )
𝐴𝑧 = (𝐴𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐴𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐴𝑧 𝑎̂𝑧 ) ⋅ 𝑎̂𝑧 = 𝐴𝑧

Analisando-se a figura abaixo, podemos identificar o ângulo entre 𝑎̂𝑥 e 𝑎̂𝜌 como sendo 𝜙, e
assim, 𝑎̂𝑥 ⋅ 𝑎̂𝜌 = 𝑐𝑜𝑠𝜙; já o ângulo entre 𝑎̂𝑦 e 𝑎̂𝜌 como sendo 90° − 𝜙 e assim, 𝑎̂𝑦 ⋅ 𝑎̂𝜌 = 𝑠𝑒𝑛𝜙. Os
produtos escalares entre os vetores unitários estão resumidos na tabela abaixo.

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Produtos escalares entre os vetores unitários dos sistemas de


coordenadas retangular e cilíndrico
𝑎̂𝜌 𝑎̂𝜙 𝑎̂𝑧
̂𝒙 ⋅
𝒂 𝑐𝑜𝑠𝜙 −𝑠𝑒𝑛𝜙 0
̂𝒚 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜙 0
̂𝒛 ⋅
𝒂 0 0 1

Vale ressaltar que para a mudança de qualquer vetor de um sistema de coordenada para outro,
é necessário saber o ponto de origem do mesmo, conforme será melhor compreendido a partir da
realização de exercícios práticos.

Complementarmente, podemos também traformar um vetor de coordenadas cilíndrica para


cartesiana por meio do mesmo procedimento supra-apresentado, todavia, nesta situação, as
projeções serão feita na direção dos eixo x, y e z do sistema cartesiano.

A transformação de campos vetoriais de coordenadas cartesianas para cilíndricas ou vice-versa


é efetuada usando-se as equações de transformação de escalares, mostradas anteriormente, e os
produtos escalares entre os vetores unitários dados na tabela acima.

1.9 Sistema de Coordenadas Esféricas


A figura (a) abaixo mostra o sistema de coordenadas esféricas sobre os três eixos cartesianos.
Inicialmente, definimos a distância da origem a qualquer ponto como 𝑟. A superfície 𝑟 = constante é
uma esfera.
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A segunda coordenada é o ângulo 𝜃 entre o eixo 𝑧 e a linha desenhada da origem ao ponto em


questão. A superfície 𝜃 = constante é um cone.

A terceira coordenada é o ângulo ∅ , exatamente o mesmo ângulo ∅ das coordenadas


cilíndricas. Ele é o ângulo entre o eixo 𝑥 e a projeção no plano 𝑧 = 0 da linha desenhada da origem ao
ponto. A superfície ∅ = constante é um plano que inicia no eixo 𝑧 e vai até o infinito (plano semi-
infinito).

Podemos novamente considerar qualquer ponto como a interseção de três superfícies


mutuamente perpendiculares – uma esfera, um cone e um plano – cada uma orientada na maneira
descrita anteriormente e mostrada na figura (b) acima.

̂𝒓 , 𝒂
Os três vetores unitários são 𝒂 ̂𝜽 e 𝒂
̂ 𝝓 . Os mesmos encontram-se mutuamente
15
perpendiculares e definem um sistema de coordenadas esféricas do tipo triedro direito, em que,
̂𝒓 × 𝒂
𝒂 ̂𝜽 = 𝒂
̂ 𝝓 . Pela regra da mão direita o polegar, o indicador e o dedo médio indicam,

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respectivamente, 𝑟, 𝜃 e ∅, conforme pode ser visualizado na figura (c) acima. Note que a componente
∅, diferentemente do que foi verificado nas coordenadas cilíndricas, é o 3º termo e não o 2º.

Um elemento diferencial de volume pode ser construído em coordenadas esféricas


aumentando-se 𝑟, 𝜃 e ∅ por 𝑑𝑟, 𝑑𝜃 e 𝑑∅, como mostra a figura (d) anterior. A distância entre as duas
superfícies de raios 𝑟 e 𝑟 + 𝑑𝑟 é 𝑑𝑟; a distância entre os cones com ângulos de geração 𝜃 e 𝜃 + 𝑑𝜃 é
𝑟 𝑑𝜃 e a distância entre os dois planos radiais de ângulos ∅ e ∅ + 𝑑∅ é calculado como sendo
𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑑∅. O volume aproximado do elemento será 𝑟 2 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑑𝑟 𝑑𝜃 𝑑∅.

A transformação de escalares do sistema de coordenadas esféricas para cartesianas pode ser


feita usando-se

𝑥 = 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜙
𝑦 = 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑠𝑒𝑛𝜙
𝑧 = 𝑟 𝑐𝑜𝑠𝜃

A transformação no sentido inverso é realizada com a ajuda de

𝑟 = √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 (𝑟 > 0)

√𝑥 2 + 𝑦 2
𝜃 = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛 (0° < 𝜃 < 180°) (𝑣𝑒𝑟𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑟 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒)
𝑧
𝑦
𝜙 = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛 (𝑣𝑒𝑟𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑟 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒)
𝑥

A transformação dos vetores requer a determinação dos produtos vetoriais entre os vetores
unitários das coordenadas cartesianas e esféricas. Os produtos são obtidos de maneira análoga ao
exposto para as coordenadas cilíndricas. Os mesmos podem ser observados na tabela a seguir.

Produtos escalares entre os vetores unitários dos sistemas de


coordenadas retangular e esférico
̂𝒓
𝒂 ̂𝜽
𝒂 ̂∅
𝒂
̂𝒙 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜙 −𝑠𝑒𝑛𝜙
̂𝒚 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑠𝑒𝑛𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑠𝑒𝑛𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜙
̂𝒛 ⋅
𝒂 𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 0

Pode-se, também, transformar os escalares do sistema de coordenadas esféricas para


cilíndricas, para tanto, deve-se usar

𝜌 = 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃
𝜙=𝜙 16
𝑧 = 𝑟 𝑐𝑜𝑠𝜃

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A transformação no sentido inverso será

𝑟 = √𝜌2 + 𝑧 2 (𝑟 > 0)
𝜌
𝜃 = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛 (0° < 𝜃 < 180°) (𝑣𝑒𝑟𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑟 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒)
𝑧
𝜙=𝜙

Já a transformação dos vetores requer novamente a determinação dos produtos vetoriais


entre os vetores unitários das coordenadas cilíndricas e esféricas. Estes podem ser observados na
tabela a seguir.

Produtos escalares entre os vetores unitários dos sistemas de


coordenadas cilíndrico e esférico
̂𝒓
𝒂 ̂𝜽
𝒂 ̂∅
𝒂
̂𝝆 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜃 0
̂∅ ⋅
𝒂 0 0 1
̂𝒛 ⋅
𝒂 𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 0

Observação 1: quando se diz "𝑣𝑒𝑟𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑟 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒", há a necessidade, no caso do ângulo


encontrado não ser condizente com a expectativa, de se somar 180° ao mesmo. Isto é verdade para
todas as operações envolvendo 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛.

Observação 2: todas as transformações de vetores, de um sistema de coordenada para outro,


feitas neste capítulo, foram realizadas considerando que os sistemas possuem um ponto de origem
comum. Todavia, caso a origem dos distintos sistemas seja pontos distintos, haverá necessidade de se
realizar uma operação de translação para o cálculo do ponto de partida do vetor a ser transformado.
Neste sentido, neste nosso curso, quando necessário, será realizado uma explanação apropriada
abordando tal operação.

Com base nos conceitos expostos, os quadros mostrados na página seguinte resumem as
operações associadas à utilização dos três sistemas de coordenadas estudados.

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Transformações entre os três sistemas de coordenadas:

Transformações entre os três sistemas de coordenadas


Sistema Cartesiano Cilíndrico Esférico
𝑥=𝑥 𝑥 = 𝜌. 𝑐𝑜𝑠𝜙 𝑥 = 𝑟. 𝑠𝑒𝑛𝜃. 𝑐𝑜𝑠𝜙
Cartesiano 𝑦=𝑦 𝑦 = 𝜌. 𝑠𝑒𝑛𝜙 𝑦 = 𝑟. 𝑠𝑒𝑛𝜃. 𝑠𝑒𝑛𝜙
𝑧=𝑧 𝑧=𝑧 𝑧 = 𝑟. 𝑐𝑜𝑠𝜃
𝜌 = √𝑥 2 + 𝑦 2 , 𝜌 ≥ 0 𝜌= 𝜌 𝜌 = 𝑟. 𝑠𝑒𝑛𝜃
Cilíndrico −1 (𝑦⁄ ), 𝜙=𝜙 𝜙=𝜙
𝜙 = 𝑡𝑎𝑛 𝑥 0 ≤ 𝜙 ≤ 2𝜋
𝑧=𝑧 𝑧=𝑧 𝑧 = 𝑟. 𝑐𝑜𝑠𝜃
𝑟 = √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 , 𝑟 ≥ 0 𝑟 = √𝜌2 + 𝑧 2 , 𝑟 ≥ 0 𝑟=𝑟
−1
Esférico 𝜃 = 𝑡𝑎𝑛 (√𝑥 2 + 𝑦 2 ⁄𝑧) , 0 ≤ 𝜃 ≤ 𝜋 𝜃 = 𝑡𝑎𝑛 (𝜌⁄𝑧), 0 ≤ 𝜃 ≤ 𝜋
−1 𝜃= 𝜃
𝜙 = 𝑡𝑎𝑛−1 (𝑦⁄𝑥), 0 ≤ 𝜙 ≤ 2𝜋 𝜙 = 𝜙, 0 ≤ 𝜙 ≤ 2𝜋 𝜙=𝜙

Produtos escalares entre os vetores unitários nos três sistemas de coordenadas:

Produtos escalares entre os vetores unitários dos sistemas de


coordenadas retangular e cilíndrico
𝑎̂𝜌 𝑎̂𝜙 𝑎̂𝑧
̂𝒙 ⋅
𝒂 𝑐𝑜𝑠𝜙 −𝑠𝑒𝑛𝜙 0
̂𝒚 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜙 0
̂𝒛 ⋅
𝒂 0 0 1

Produtos escalares entre os vetores unitários dos sistemas de


coordenadas retangular e esférico
̂𝒓
𝒂 ̂𝜽
𝒂 ̂∅
𝒂
̂𝒙 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜙 −𝑠𝑒𝑛𝜙
̂𝒚 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑠𝑒𝑛𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑠𝑒𝑛𝜙 𝑐𝑜𝑠𝜙
̂𝒛 ⋅
𝒂 𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 0

Produtos escalares entre os vetores unitários dos sistemas de


coordenadas cilíndrico e esférico
̂𝒓
𝒂 ̂𝜽
𝒂 ̂∅
𝒂
̂𝝆 ⋅
𝒂 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜃 0
̂∅ ⋅
𝒂 0 0 1
̂𝒛 ⋅
𝒂 𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 0

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Elementos diferenciais de linha, área e volume nos três sistemas de coordenadas:

Coordenadas cartesianas Coordenadas cilíndricas Coordenadas esféricas

Elementos diferenciais nos três sistemas de coordenadas:

Elementos Diferenciais nos três sistemas de coordenadas


Sistema ⃗⃗)
Linha (𝒅𝑳 Área (𝒅𝑺⃗⃗) Volume (𝒅𝒗)
𝑑𝑆 ⃗⃗⃗⃗⃗𝑥 = 𝑑𝑦𝑑𝑧𝑎̂𝑥
Cartesiano ⃗

𝑑𝐿 = 𝑑𝑥𝑎̂𝑥 + 𝑑𝑦𝑎̂𝑦 + 𝑑𝑧𝑎̂𝑧 ⃗⃗⃗⃗⃗
𝑑𝑆𝑦 = 𝑑𝑥𝑑𝑧𝑎̂𝑦 𝑑𝑣 = 𝑑𝑥𝑑𝑦𝑑𝑧
𝑑𝑆 ⃗⃗⃗⃗𝑧 = 𝑑𝑥𝑑𝑦𝑎̂𝑧
⃗⃗⃗⃗⃗
𝑑𝑆𝜌 = 𝜌𝑑𝜙𝑑𝑧𝑎̂𝜌
Cilíndrico ⃗

𝑑𝐿 = 𝑑𝜌𝑎̂𝜌 + 𝜌𝑑𝜙𝑎̂𝜙 + 𝑑𝑧𝑎̂𝑧 𝑑𝑆 ⃗⃗⃗⃗⃗
𝜙 = 𝑑𝜌𝑑𝑧𝑎 ̂𝜙 𝑑𝑣 = 𝜌𝑑𝜌𝑑𝜙𝑑𝑧
𝑑𝑆 ⃗⃗⃗⃗𝑧 = 𝜌𝑑𝜌𝑑𝜙𝑎̂𝑧
⃗⃗⃗⃗
𝑑𝑆𝑟 = 𝑟 2 𝑠𝑒𝑛𝜃𝑑𝜃𝑑𝜙𝑎̂𝑟
Esférico 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝑟𝑎̂𝑟 + 𝑟𝑑𝜃𝑎̂𝜃 + 𝑟𝑠𝑒𝑛𝜃𝑑𝜙𝑎̂𝜙 𝑑𝑆⃗⃗⃗⃗⃗
𝜃 = 𝑟𝑠𝑒𝑛𝜃𝑑𝑟𝑑𝜙𝑎 ̂𝜃 𝑑𝑣 = 𝑟 2 𝑠𝑒𝑛𝜃𝑑𝑟𝑑𝜃𝑑𝜙
𝑑𝑆 ⃗⃗⃗⃗⃗
𝜙 = 𝑟𝑑𝑟𝑑𝜃𝑎 ̂𝜙

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2 – LEI DE COULOMB E INTENSIDADE DE CAMPO ELÉTRICO

2.1 Lei de Coulomb


Lei de Coulomb: a força elétrica aplicada por um corpo carregado em outro, depende
diretamente do produto das intensidades das cargas presentes em cada corpo e inversamente do
quadrado de suas distâncias, ou seja,

𝑄1 𝑄2
𝐹=𝑘 [𝑁]
𝑅2

Onde k é chamada de constante de Coulomb. Esta equação é aplicada para objetos carregados
cujo tamanho é muito menor que a distância entre estes, ou seja, somente para cargas pontuais.

A constante k é dada por

1
𝑘=
4𝜋𝜀0

onde 𝜀0 é conhecida por constante elétrica ou constante de permissividade do ar, sendo seu valor, no
SI (Sistema Internacional), igual a

1
𝜀0 = 8,85418781762𝑥10−12 = 10−9 𝐶 2 ⁄𝑁. 𝑚2
36𝜋

𝑘 = 8,99𝑥109 𝑁. 𝑚2⁄𝐶 2

A lei de Coulomb é agora escrita como

𝑄1 𝑄2
𝐹=
4𝜋𝜀0 𝑅2

Para podermos representar o vetor força da lei de Coulomb, precisamos saber se a força que
atua sobre as cargas é de repulsão ou atração. Pois, como é sabido, cargas de mesmos sinais se repelem
e cargas de sinais contrários se atraem. Todavia, neste curso, as equações serão, via de regra,
desenvolvidas de modo a chegarmos a resultados definitivos sem que, para isto, haja a necessidade
de análises complementares, conforme poderemos notar através do equacionamento final a seguir.

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Na figura acima, temos o vetor 𝑟⃗1 localizando 𝑄1 enquanto 𝑟⃗2 localiza 𝑄2 . Então, o vetor
𝑅⃗⃗12
= 𝑟⃗2 − 𝑟⃗1 representa o segmento de reta orientado de 𝑄1 para 𝑄2 , como mostrado. O vetor 𝐹⃗2 é
a força em 𝑄2 e é mostrado para o caso em que 𝑄1 e 𝑄2 possuem o mesmo sinal. A forma vetorial da
lei de Coulomb será

𝑄1 𝑄2
𝐹⃗2 = 2 𝑎̂12
4𝜋𝜀0 𝑅12

onde 𝑎̂12 é o vetor unitário na mesma direção 𝑅⃗⃗12 . Esta equação pode ser considerada uma equação
genérica, uma vez que a mesma pode ser aplicadas a qualquer tipo interação (atração ou repulsão).

A força expressa pela lei de Coulomb é uma força mútua de ação e reação, já que cada uma
das duas cargas experimenta uma força de mesma intensidade direção, apesar de sentidos opostos.
Assim, a força sobre a carga 1 será:

𝑄1 𝑄2
𝐹⃗1 = −𝐹⃗2 = 2 𝑎̂21
4𝜋𝜀0 𝑅21

2.2 Intensidade de Campo Elétrico


Se considerarmos uma carga fixa numa posição 𝑄1 , e lentamente movermos uma segunda
carga, chamada de carga de teste 𝑄𝑡 , em torno da primeira, notaremos que existe por toda parte uma
força nesta segunda carga; em outras palavras, esta segunda carga está mostrando a existência de um
campo de força. A força sobre ela é dada por

𝑄1 𝑄𝑡
𝐹⃗𝑡 = 2 𝑎
̂1𝑡
4𝜋𝜀0 𝑅1𝑡

A intensidade de campo elétrico é definida pela razão da força observada nesta carga teste -
𝐹⃗𝑡 - pela unidade da carga teste - 𝑄𝑡 . Usando a letra maiúscula 𝐸 para a intensidade do campo elétrico, 21
temos

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𝐹⃗𝑡 𝑄1
𝐸⃗⃗ = = 2 𝑎̂1𝑡
𝑄𝑡 4𝜋𝜀0 𝑅1𝑡

A intensidade do campo elétrico deve ser medida em unidades de Newton por Coulomb, ou
ainda, volts por metro, conforme será deduzido posteriormente. Dispensando-se os índices, podemos
reescrever a equação anterior como

𝑄
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
4𝜋𝜀0 𝑅 2 𝑅

Relembrando que 𝑅 é a magnitude do vetor 𝑅⃗⃗, segmento de reta orientado do ponto no qual
a carga pontual 𝑄 está localizada ao ponto no qual 𝐸⃗⃗ é desejado, e que 𝑎̂𝑅 é um vetor unitário na
direção de 𝑅⃗⃗.

Se localizarmos 𝑄 no centro do sistema de coordenadas esféricas, o vetor unitário 𝑎̂𝑅 , então,


se torna o vetor unitário radial 𝑎̂𝑟 , e 𝑅 é 𝑟. Assim,

𝑄
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
4𝜋𝜀0 𝑟 2 𝑟

Já se escrevermos esta expressão em coordenadas cartesianas para a carga na origem, temos


𝑥𝑎̂ +𝑦𝑎̂ +𝑧𝑎̂
𝑅⃗⃗ = 𝑟⃗ = 𝑥𝑎̂𝑥 + 𝑦𝑎̂𝑦 + 𝑧𝑎̂𝑧 e 𝑎̂𝑟 = 𝑥 2 𝑦2 2 𝑧, portanto,
√𝑥 +𝑦 +𝑧

𝑄 𝑥 𝑦 𝑧
𝐸⃗⃗ = ( 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂𝑧 )
4𝜋𝜀0 (𝑥 2 2 2
+ 𝑦 + 𝑧 ) √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2

Então, pode-se notar que o sistema de coordenadas esféricas, devido à simetria do problema
em questão, é o mais adequado para uma representação (quando a carga encontra-se localizada na
origem do sistema).

Se considerarmos a carga deslocada da origem do sistema, o campo não mais possuirá simetria
esférica, e teremos que usar coordenadas cartesianas. Para uma carga 𝑄 localizada no ponto
𝑟⃗ ′ = 𝑥 ′ 𝑎̂𝑥 + 𝑦 ′ 𝑎̂𝑦 + 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 , como mostrada na figura abaixo, encontramos o campo num ponto
genérico 𝑟⃗ = 𝑥𝑎̂𝑥 + 𝑦𝑎̂𝑦 + 𝑧𝑎̂𝑧 , expressando 𝑅⃗⃗ como 𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ , e então

𝑄 𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′
𝐸⃗⃗ (𝑟⃗) =
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ |2 |𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ |

𝑄(𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ )
𝐸⃗⃗ (𝑟⃗) =
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ |3

𝑄[(𝑥 − 𝑥 ′ )𝑎̂𝑥 + (𝑦 − 𝑦 ′ )𝑎̂𝑦 + (𝑧 − 𝑧 ′ )𝑎̂𝑧 ] 22


𝐸⃗⃗ (𝑟⃗) =
4𝜋𝜀0 [(𝑥 − 𝑥 ′ )2 + (𝑦 − 𝑦 ′ )2 + (𝑧 − 𝑧 ′ )2 ]3/2

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Para o caso em que se pretende encontrar a intensidade de campo elétrico proveniente de


várias cargas pontuais, basta somar vetorialmente o campo devido a cada uma destas cargas, ou seja,

𝑄1 𝑄2 𝑄𝑛
𝐸⃗⃗ (𝑟⃗) = 𝑎̂1 + 𝑎̂2 + ⋯ + 𝑎̂

4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗1 |2 ′
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗2 |2 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗𝑛′ |2 𝑛

A figura a seguir apresenta um exemplo da soma vetorial da intensidade de campo elétrico


total em um ponto P devido a duas cargas pontuais 𝑄1 e 𝑄2 .

2.3 Distribuições Contínuas de Cargas


23
Caso tenhamos uma distribuição de carga ao longo de um volume qualquer, podemos
representar a densidade volumétrica de carga por 𝜌𝑣 , tendo a unidade de Coulomb por metro cúbico
(C/m3).

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Uma pequena quantidade de carga Δ𝑄 em um pequeno volume Δ𝑣 é

Δ𝑄 = 𝜌𝑣 Δ𝑣

A carga total dentro de um volume finito é obtida pela integração através deste volume,

𝑄 = ∭ 𝜌𝑣 𝑑𝑣
𝑣𝑜𝑙.

Muito embora a indicação de uma integração tripla, normalmente apenas um sinal de


integração é indicado, porém o diferencial 𝑑𝑣 significará integração através de um volume, portanto,
uma integração tripla.

Caso a carga esteja distribuída ao longo de uma área, teremos uma distribuição superficial de
carga. A mesma é representada por 𝜌𝑆 , que é a densidade superficial de carga com unidade dada em
Coulomb por metro quadrado (C/m2). Então,

𝑄 = ∬ 𝜌𝑆 𝑑𝑆
𝑠𝑢𝑝.

E, por fim, para uma distribuição de cargas ao longo de uma linha, temos a densidade linear
de carga, que é representada por 𝜌𝐿 , cuja a unidade é Coulomb por metro (C/m). Assim,

𝑄 = ∫ 𝜌𝐿 𝑑𝐿

2.4 Campo de uma Linha de Cargas


Consideremos uma linha reta de cargas ao longo do eixo z no sistema de coordenadas
cilíndricas (devido à simetria existente) de −∞ a ∞, como mostra a figura a seguir. Neste caso, temos
uma densidade linear de carga dada por 𝜌𝐿 . Desejamos a intensidade do campo elétrico 𝐸⃗⃗ em todo e
qualquer ponto resultante desta linha de cargas de densidade uniforme (𝜌𝐿 constante).

24

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Escolhemos um ponto 𝑃(0, 𝑦, 0) no eixo y no qual determinaremos o campo. Aplicando-se a


equação da intensidade de campo de cargas pontuais para determinar o campo incremental em P
devido à carga incremental tem-se:

𝑑𝑄 = 𝜌𝐿 𝑑𝑧 ′

Assim,

𝑄(𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ )
𝐸⃗⃗ (𝑟⃗) = (para carga pontual)
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ |3

𝜌𝐿 𝑑𝑧 ′ (𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ )
𝑑𝐸⃗⃗ = (para carga incremental numa linha de cargas)
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ |3

onde

𝑟⃗ = 𝑦𝑎̂𝑦 = 𝜌𝑎̂𝜌
𝑟⃗ ′ = 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧

𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ = 𝜌𝑎̂𝜌 − 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧

Portanto,

𝜌𝐿 𝑑𝑧 ′ (𝜌𝑎̂𝜌 − 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 )
𝑑𝐸⃗⃗ =
4𝜋𝜀0 (𝜌2 + 𝑧 ′2 )3/2
25
De forma genérica:

𝑑𝐸⃗⃗ = 𝑑𝐸𝜌 𝑎̂𝜌 + 𝑑𝐸𝜙 𝑎̂𝜙 + 𝑑𝐸𝑧 𝑎̂𝑧

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Pode-se perceber, por meio da figura, que a componente 𝐸𝑧 será nula devido a simetria,
restando tão somente 𝐸𝜌 , então

𝜌𝐿 𝜌 𝑑𝑧 ′
𝑑𝐸𝜌 =
4𝜋𝜀0 (𝜌2 + 𝑧 ′2 )3/2

e

𝜌𝐿 𝜌 𝑑𝑧 ′
𝐸𝜌 = ∫ 2 ′2 3/2
−∞ 4𝜋𝜀0 (𝜌 + 𝑧 )

Integrando a expressão, tem-se



𝜌𝐿 1 𝑧′
𝐸𝜌 = 𝜌( 2 )
4𝜋𝜀0 𝜌 √𝜌2 + 𝑧 ′2
−∞

e
𝜌𝐿
𝐸𝜌 =
2𝜋𝜀0 𝜌

ou, de forma vetorial:

𝜌𝐿
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌

Esta é a resposta desejada, mas há outras maneiras de obtê-la. Por outro lado, vale ressaltar
que, caso calculemos a integral de 𝐸𝑧 , encontraremos como resultado, zero, ou seja,

−𝑧 ′ 𝜌𝐿 𝑑𝑧 ′
𝐸𝑧 = ∫ 2 ′2 3/2
=0
−∞ 4𝜋𝜀0 (𝜌 + 𝑧 )

Devemos também examinar o fato de que nem todas as linhas de carga estão localizadas ao
longo do eixo z. Como exemplo, consideremos uma linha de cargas infinita paralela ao eixo z em
𝑥 = 6, 𝑦 = 8, como mostrada na figura abaixo. Desejamos determinar 𝐸⃗⃗ em um ponto genérico
𝑃(𝑥, 𝑦, 𝑧).

26

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Na equação da intensidade de campo encontrada para a linha de carga infinita, substitui-se 𝜌


pela distância radial entre a linha de carga e o ponto P, 𝑅 = √(𝑥 − 6)2 + (𝑦 − 8)2 e consideramos 𝑎̂𝜌
como sendo 𝑎̂𝑅 . Assim,
𝜌𝐿
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂𝑅
2𝜋𝜀0 √(𝑥 − 6)2 + (𝑦 − 8)2

onde

𝑅⃗⃗ (𝑥 − 6)𝑎̂𝑥 + (𝑦 − 8)𝑎̂𝑦


𝑎̂𝑅 = =
|𝑅⃗⃗ | √(𝑥 − 6)2 + (𝑦 − 8)2

Portanto,

𝜌𝐿 (𝑥 − 6)𝑎̂𝑥 + (𝑦 − 8)𝑎̂𝑦
𝐸⃗⃗ =
2𝜋𝜀0 (𝑥 − 6)2 + (𝑦 − 8)2

Nota-se, novamente, que o campo não é uma função de z. De forma genérica, para linha de
carga paralela a qualquer eixo do sistema de coordenadas cartesianas, pode-se escrever:

𝜌𝐿
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
2𝜋𝜀0 𝑅 𝑅

2.5 Campo de uma Lâmina de Cargas


Outra configuração básica é a lâmina infinita de carga de densidade uniforme (𝜌𝑆 constante). 27
Consideremos que a mesma está localizada no plano yz (x = 0), conforme figura a seguir.

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Partiremos o desenvolvimento da análise do campo de uma linha de cargas. Para tanto,


dividiremos a lâmina infinita em faixas de larguras diferenciais. Cada faixa equivalerá a uma linha de
cargas, de acordo com a figura anterior.

A densidade linear de carga de cada faixa, neste caso, será:

𝜌𝐿 = 𝜌𝑆 𝑑𝑦 ′

Aplicando-se a equação da intensidade de campo de linha de cargas, temos


𝜌𝐿
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂ (para linha de cargas)
2𝜋𝜀0 𝑅 𝑅

𝜌𝑆 𝑑𝑦 ′
𝑑𝐸⃗⃗ = 𝑎̂ (para linha de cargas incremental numa lâmina infinita de cargas)
2𝜋𝜀0 𝑅 𝑅

sendo

𝑟⃗ = 𝑥𝑎̂𝑥
𝑟⃗ ′ = 𝑦 ′ 𝑎̂𝑦

𝑅⃗⃗ = 𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ = 𝑥𝑎̂𝑥 − 𝑦 ′ 𝑎̂𝑦


𝑅 = |𝑅⃗⃗ | = √𝑥 2 + 𝑦 ′2

𝑅⃗⃗ 𝑥𝑎̂𝑥 − 𝑦 ′ 𝑎̂𝑦


𝑎̂𝑅 = =
|𝑅⃗⃗ | √𝑥 2 + 𝑦 ′2

Portanto,

𝜌𝑆 𝑑𝑦 ′ (𝑥𝑎̂𝑥 − 𝑦 ′ 𝑎̂𝑦 ) 28
𝑑𝐸⃗⃗ =
2𝜋𝜀0 (𝑥 2 + 𝑦 ′2 )

De forma genérica:

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𝑑𝐸⃗⃗ = 𝑑𝐸𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝑑𝐸𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝑑𝐸𝑧 𝑎̂𝑧

Analisando-se a simetria, tem-se que a componente 𝐸𝑦 será nula, restando tão somente a
componente 𝐸𝑥 . Então

𝜌𝑆 𝑥 𝑑𝑦 ′
𝑑𝐸𝑥 =
2𝜋𝜀0 (𝑥 2 + 𝑦 ′2 )

e

𝜌𝑆 𝑥 𝑑𝑦 ′
𝐸𝑥 = ∫ 2 ′2
−∞ 2𝜋𝜀0 (𝑥 + 𝑦 )

Integrando, com o auxílio de tabela de integrais, temos



𝜌𝑆 𝑦′
𝐸𝑥 = [𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔 ( )]
2𝜋𝜀0 𝑥 −∞

e
𝜌𝑆
𝐸𝑥 =
2𝜀0

Porém, vale ressaltar que, caso calculemos a integral de 𝐸𝑦 , encontraremos zero como
resultado, ou seja,

−𝑦 ′ 𝜌𝑆 𝑑𝑦 ′
𝐸𝑦 = ∫ 2 ′2
=0
−∞ 2𝜋𝜀0 (𝑥 + 𝑦 )

Já, se o ponto P tivesse sido escolhido no semi-eixo x negativo, então


𝜌𝑆
𝐸𝑥 = −
2𝜀0

pois o campo está sempre dirigido para fora, no caso de uma superfície positivamente carregada. Esta
dificuldade no sinal é usualmente contornada especificando-se um vetor unitário 𝑎̂𝑁 , o qual é normal
à lâmina e (sempre) direcionado para fora da mesma. Então,

𝜌𝑆
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
2𝜀0 𝑁

A título de exemplo, se uma segunda lâmina de cargas, tendo uma densidade de carga negativa
−𝜌𝑆 , fosse adicionada no plano localizado em 𝑥 = 𝑎 , poderíamos determinar o campo total
adicionando as contribuições de cada lâmina.
29
Na região 𝑥 > 𝑎,

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𝜌𝑆 𝜌𝑆
𝐸⃗⃗ = 𝐸⃗⃗+ + 𝐸⃗⃗− = 𝑎̂𝑥 − 𝑎̂ = 0
2𝜀0 2𝜀0 𝑥

e para 𝑥 < 0,
𝜌𝑆 𝜌𝑆
𝐸⃗⃗ = 𝐸⃗⃗+ + 𝐸⃗⃗− = (−𝑎̂𝑥 ) − (−𝑎̂𝑥 ) = 0
2𝜀0 2𝜀0

e quando 0 < 𝑥 < 𝑎,


𝜌𝑆 𝜌𝑆 𝜌𝑆
𝐸⃗⃗ = 𝐸⃗⃗+ + 𝐸⃗⃗− = 𝑎̂𝑥 − (−𝑎̂𝑥 ) = 𝑎̂𝑥
2𝜀0 2𝜀0 𝜀0

Este é um resultado importante na prática, pois é o campo encontrado entre as placas


paralelas de um capacitor separadas por ar, contanto que as dimensões lineares das placas sejam bem
menores que a sua separação e também que estejamos considerando um ponto bem distante das
bordas.

2.6 Linhas de Força e Esboço de Campos


As linhas de força são linhas imaginárias em cada ponto do espaço sob influência de um campo
elétrico. Elas são empregadas no sentido de visualizar melhor a atuação do campo elétrico. Por
convenção, são propriedades destas linhas:

 as linhas de força começam nas cargas positivas e terminam nas cargas negativas;
 a tangente à linha de força passando por qualquer ponto no espaço fornece a direção
do campo elétrico naquele ponto;
 a intensidade do campo elétrico em qualquer ponto é proporcional ao número de
linhas por unidade de área transversal perpendicular às mesmas.

Contudo, se tentássemos esboçar o campo de uma carga pontual, a variação do campo para
dentro e para fora da página poderia essencialmente causar dificuldades. Por esta razão, o esboço é
habitualmente limitado a representações bidimensionais, conforme exemplos abaixo.

30

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No caso de um campo bidimensional, vamos arbitrariamente considerar 𝐸𝑧 = 0. As linhas de


força estão assim confinadas aos planos nos quais z é constante. Na figura abaixo, linhas de força são
mostradas, e as componentes 𝐸𝑥 e 𝐸𝑦 são indicadas em um ponto genérico.

As equações das linhas de força podem ser obtidas por meio da evidente constatação que 31

𝐸𝑦 𝑑𝑦
=
𝐸𝑥 𝑑𝑥

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Como ilustração deste método considere o campo de uma linha de cargas uniforme com
distribuição linear 𝜌𝐿 = 2𝜋𝜀0 ,

𝜌𝐿 1
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂𝜌 = 𝑎̂𝜌
2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌

Em coordenadas cartesianas,
𝑥 𝑦
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂𝑥 + 2 𝑎̂
𝑥2 +𝑦 2 𝑥 + 𝑦2 𝑦

Assim, formamos a equação diferencial

𝑑𝑦 𝐸𝑦 𝑦 𝑑𝑦 𝑑𝑥
= = 𝑜𝑢 =
𝑑𝑥 𝐸𝑥 𝑥 𝑦 𝑥

Portanto,

𝑙𝑛 𝑦 = 𝑙𝑛 𝑥 + 𝐶 𝑜𝑢 𝑙𝑛 𝑦 = 𝑙𝑛 𝑥 + 𝑙𝑛 𝐶

ou ainda,

𝑦 = 𝐶𝑥

Neste caso, para encontrar a equação matemática de uma linha de força em particular, basta
substituirmos as coordenadas de um ponto pertecente à mesma e calcularmos a contante C acima.

32

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3 – DENSIDADE DE FLUXO ELÉTRICO, LEI DE GAUSS E


DIVERGÊNCIA

3.1 Densidade de Fluxo Elétrico


A figura a seguir ilustra um experimento de Faraday em que se têm duas esferas condutoras
concêntricas separadas entre si por um material dielétrico. A esfera interna é previamente carregada
com carga +𝑄 , posteriormente, coloca-se a esfera externa descarregada e conecta-a
momentaneamente a terra. Com isto Faraday observou que a esfera externa, que a princípio estava
descarregada, ficava carregada com carga igual (em magnitude) à carga da esfera interna e que isto
era verdade independente do material dielétrico que separava as duas esferas.

Ele concluiu que da esfera interna para a externa havia um certo tipo de “deslocamento” que
era independente do meio, e agora nos referimos a este “deslocamento” ou fluxo como fluxo elétrico.
O mesmo será representado por 𝛹 (psi) e dado, conforme experimento, por

𝛹=𝑄

O fluxo elétrico é então medido em Coulomb. Podemos observar, por meio da figura anterior,
que as trajetórias do fluxo elétrico se estendem da esfera interna para a externa e são indicadas por
linhas de força simetricamente distribuídas, desenhadas de uma esfera a outra.

A densidade de fluxo elétrico é a razão entre o fluxo elétrico e a área da superfície que o
⃗⃗. A direção de 𝐷
mesmo cruza. Trata-se de uma grandeza vetorial e é representada pela letra 𝐷 ⃗⃗ em um
ponto é a direção das linhas de fluxo naquele ponto, e sua magnitude é dada pelo número de linhas
⃗⃗ é,
de fluxo que cruzam a superfície normal a elas dividido pela área da superfície. A unidade de 𝐷 33
naturalmente, Coulomb por metro quadrado (algumas vezes descrita como “linhas por metro
quadrado”, pois cada linha está relacionada à quantidade de carga).

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Novamente, nos referindo à figura anterior, a densidade de fluxo elétrico está na direção radial
e tem um valor de

𝑄
⃗⃗ |
𝐷 = 𝑎̂ (𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎)
𝑟=𝑎 4𝜋𝑎2 𝑟
𝑄
⃗⃗ |
𝐷 = 𝑎̂ (𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎 𝑒𝑥𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎)
𝑟=𝑏 4𝜋𝑏 2 𝑟

e para a distância radial 𝑟, onde 𝑎 ≤ 𝑟 ≤ 𝑏,

𝑄
⃗⃗ =
𝐷 𝑎̂
4𝜋𝑟 2 𝑟

Se substituíssemos a esfera interna por uma carga pontual carregada com a mesma carga 𝑄, a
densidade de fluxo elétrico no ponto distando 𝑟 metros desta carga pontual ainda é dada pela equação
anterior.

Como a intensidade de campo elétrico radial de uma carga pontual no espaço livre é

𝑄
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
4𝜋𝜀0 𝑟 2 𝑟

podemos escrever que, no espaço livre,

⃗⃗ = 𝜀0 𝐸⃗⃗
𝐷

Embora esta expressão seja aplicável somente ao vácuo, ela não se restringe somente ao
campo de uma carga pontual, a mesma é verdadeira para qualquer configuração no espaço livre, seja
ela uma distribuição volumétrica, superficial ou linear.

3.2 Lei de Gauss


Imaginemos uma distribuição de carga, conforme mostrada na figura abaixo, como uma
nuvem de cargas pontuais, envolvidas por uma superfície fechada com uma forma qualquer. Se a carga
total é +𝑄 Coulomb, então 𝑄 Coulomb de fluxo elétrico irão atravessar a superfície, o vetor densidade
⃗⃗ terá algum valor 𝐷
de fluxo elétrico 𝐷 ⃗⃗𝑆 , onde o índice 𝑆 meramente nos lembra que 𝐷 ⃗⃗ deve ser
⃗⃗𝑆 irá em geral variar em magnitude e direção de um ponto da superfície
calculado na superfície, e 𝐷
para outro.

34

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Especificando o elemento incremental da superfície, tal como ilustrado na figura anterior,


como sendo o vetor Δ𝑆⃗ normal à superfície e apontando para fora da mesma, podemos então escrever
que o incremento de fluxo elétrico (∆𝛹) neste elemento incremental de superfície será:

⃗⃗𝑆 ∙ 𝛥𝑆⃗
∆𝛹 = 𝐷𝑆 𝑛𝑜𝑟𝑚𝑎𝑙 𝛥𝑆 = (𝐷𝑆 𝑐𝑜𝑠𝜃) 𝛥𝑆 = 𝐷

O fluxo total que atravessa a superfície fechada é obtido adicionando-se as contribuições


diferenciais que atravessam cada elemento de superfície Δ𝑆⃗,

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗
𝛹 = ∮𝐷 (𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑓𝑒𝑐ℎ𝑎𝑑𝑎)
𝑆

Esta integral resultante é uma integral de superfície fechada, ou seja, é uma integral dupla da
superfície total. Tal superfície é freqüentemente chamada de superfície gaussiana. Temos, então, a
formulação matemática de Gauss, que afirma

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝑄


𝛹 = ∮𝐷
𝑆

A carga envolvida pode ser um conjunto de várias cargas pontuais, ou uma linha de cargas, ou
uma superfície de cargas, ou ainda, uma distribuição volumétrica de cargas. Como a equação da
distribuição volumétrica é uma generalização das outras expressões, podemos escrever a Lei de Gauss
em termos desta

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∫ 𝜌𝑣 𝑑𝑣
∮𝐷
𝑆 𝑣𝑜𝑙

uma afirmativa matemática significando simplesmente que o fluxo elétrico total através de qualquer
superfície fechada é igual à carga envolvida.

Para ilustrar a aplicação da lei de Gauss, vamos conferir os resultados do experimento de


Faraday colocando uma carga pontual 𝑄 na origem do sistema de coordenadas esféricas e escolhendo
uma superfície fechada como uma esfera de raio 𝑟. Temos então 35

𝑄
⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∮ (𝜀0 𝐸⃗⃗ ) ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∮ (𝜀0
∮𝐷 𝑎̂ ) ∙ 𝑑𝑆⃗ =
𝑆 𝑆 𝑆 4𝜋𝜀0 𝑟 2 𝑟

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𝑄 𝑄 𝑄 𝑄
=∮( 2
𝑎̂𝑟 ) ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∮ 2
𝑑𝑆 = 2
∮ 𝑑𝑆 = 2
4𝜋𝑟 2 = 𝑄
𝑆 4𝜋𝑟 𝑆 4𝜋𝑟 4𝜋𝑟 𝑆 4𝜋𝑟

e obtém um resultado que mostra que 𝑄 Coulomb de fluxo elétrico está atravessando a superfície,
como deveria ser, já que a carga envolvida é de 𝑄 Coulomb. A figura abaixo ilustra o fato de que os
⃗⃗𝑆 e 𝑑𝑆⃗, neste exemplo, estão sempre na mesma direção
vetores 𝐷

Já a integral de área da superfície fechada esférica é

𝜙=2𝜋 𝜃=𝜋
𝑆𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎 = ∫ ∫ 𝑟 2 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑑𝜃 𝑑𝜙 = 4𝜋𝑟 2
𝜙=0 𝜃=0

contudo, por ser a área de uma superfície esférica uma equação conhecida, não há necessidade de se
calcular a mesma em todos os exemplos que esta aparecer.

Vale ressaltar que para o cálculo do fluxo elétrico em uma superfície aberta pode-se usar

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ (𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑎𝑏𝑒𝑟𝑡𝑎)


𝛹 = ∫𝐷
𝑆

3.3 Aplicações da Lei de Gauss: Algumas Distribuições Simétricas


de Cargas
A solução da equação de Gauss é fácil se formos capazes de escolher uma superfície fechada
que satisfaça duas condições:

⃗⃗𝑆 deve ser normal ou tangente à superfície fechada em qualquer ponto, de modo que
1. 𝐷
⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ se torna 𝐷𝑆 𝑑𝑆 ou zero, respectivamente.
𝐷 36
⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ não é zero, 𝐷𝑆 deverá ser constante.
2. Na parte da superfície fechada para a qual 𝐷

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Isto nos permite substituir o produto escalar pelo produto dos escalares 𝐷𝑆 e 𝑑𝑆 e depois levar
𝐷𝑆 para fora da integral. A integral remanescente é, então, sobre aquela porção de área da superfície
fechada em que 𝐷 ⃗⃗𝑆 cruza normalmente, o que é simplesmente a área desta superfície.

Vamos considerar uma carga pontual 𝑄 na origem de um sistema de coordenadas esféricas e


decidir por uma superfície fechada adequada que irá satisfazer os dois requisitos listados acima. A
superfície em questão é obviamente uma superfície gaussiana esférica, centrada na origem e de raio
⃗⃗𝑆 é normal à superfície em qualquer ponto e 𝐷𝑆 possui o mesmo valor em todos os
𝑟 qualquer. 𝐷
pontos na superfície.

Temos, então,

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∮
𝑄 = ∮𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∮
𝐷 𝐷𝑆 𝑑𝑆 = 𝐷𝑆 ∮ 𝑑𝑆 = 𝐷𝑆 4𝜋𝑟 2
𝑆 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎

e assim,

𝑄
𝐷𝑆 =
4𝜋𝑟 2

⃗⃗𝑆 está dirigido radialmente para fora,


Como 𝑟 pode ter qualquer valor e como 𝐷

𝑄 𝑄
⃗⃗ =
𝐷 𝑎̂ 𝑒 𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
4𝜋𝑟 2 𝑟 4𝜋𝜀0 𝑟 2 𝑟

que concorda com os resultados advindos da lei de Coulomb.

Em um segundo exemplo, consideremos uma distribuição uniforme e linear de carga situada


no eixo z se estendendo de −∞ a +∞.

⃗⃗𝜌 é normal em
Neste exemplo em questão, a superfície cilíndrica é a única superfície em que 𝐷
qualquer ponto e pode ser fechada por superfícies planas normais ao eixo z. A figura abaixo mostra
um cilindro circular uniforme fechado de raio 𝜌 se estendendo de 𝑧 = 0 até 𝑧 = 𝐿.

37

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Aplicando-se a lei de Gauss

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∮
𝑄 = ∮𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∬
𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ + ∬
𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ + ∬
𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ =
𝐷
𝑆 𝑐𝑖𝑙𝑖𝑛𝑑𝑟𝑜 𝑏𝑎𝑠𝑒 𝑡𝑜𝑝𝑜 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙

=0+0+∬ 𝐷𝑆 𝑑𝑆 = 𝐷𝑆 ∬ 𝑑𝑆 = 𝐷𝑆 2𝜋𝜌𝐿
𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙

e obtemos

𝑄
𝐷𝑆 =
2𝜋𝜌𝐿

𝐿 𝑄𝐿 𝜌 𝐿 𝜌
Em termos da densidade de carga linear: 𝐷𝑆 = 2𝜋𝜌𝐿 = 2𝜋𝜌𝐿 = 2𝜋𝜌 , resultando nos vetores

𝜌𝐿 𝜌𝐿
⃗⃗ =
𝐷 𝑎̂ 𝑒 𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
2𝜋𝜌 𝜌 2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌

Mais uma vez em conformidade com o resultado obtido anteriormente pela aplicação da lei
de Coulomb.

Um terceiro exemplo é o problema de um cabo coaxial. Suponhamos que ter dois condutores
cilíndricos coaxiais, o interno de raio 𝑎 e o externo de raio 𝑏, cada um de extensão infinita, como
mostra a figura a seguir. Consideremos uma distribuição de carga 𝜌𝑆 na superfície externa do condutor
interno. As cargas dos dois cilindros são iguais em módulos e opostas em sinais.

38

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Um cilindro circular reto de comprimento 𝐿 e raio 𝜌, onde 𝑎 < 𝜌 < 𝑏, é necessariamente


escolhido como a superfície gaussiana, e rapidamente temos

𝑄 = 𝐷𝑆 2𝜋𝜌𝐿

e encontramos

𝑄
𝐷𝑆 =
2𝜋𝜌𝐿
𝑄 𝜌𝑆 𝑆 𝜌𝑆 2𝜋𝑎𝐿 𝑎𝜌𝑆
Em termos da densidade de carga superficial: 𝐷𝑆 = = = = . Passando
2𝜋𝜌𝐿 2𝜋𝜌𝐿 2𝜋𝜌𝐿 𝜌
para densidade linear, mais comumente usada para cabos coaxiais, temos que 𝑄 = 𝜌𝐿 𝐿, então, 𝐷𝑆 =
𝑄 𝜌𝐿 𝐿 𝜌𝐿
= = . Assim, em termos vetoriais, tem-se
2𝜋𝜌𝐿 2𝜋𝜌𝐿 2𝜋𝜌

𝜌𝐿 𝜌𝐿
⃗⃗ =
𝐷 𝑎̂ 𝑒 𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
2𝜋𝜌 𝜌 2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌

e a solução possui uma forma idêntica àquela da linha infinita de cargas.

Caso usássemos, para a superfície gaussiana, um cilindro de raio 𝜌 > 𝑏, a carga total envolvida
seria então zero, já que o resultado da soma das cargas dos dois cilindros é nulo. Um resultado idêntico
seria obtido para 𝜌 < 𝑎, pois a carga do cilindro interno só existirá na superfície do mesmo, conforme
veremos em breve para o caso de materiais condutores.

3.4 Aplicações da Lei de Gauss: Elemento Diferencial de Volume


Agora aplicaremos o método da lei de Gauss para um tipo de problema ligeiramente diferente
– um que não possui qualquer simetria. Para se contornar a problemática da ausência de simetria, que 39
é imprescindível para aplicação da lei de Gauss, será necessário escolher uma superfície fechada muito

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⃗⃗ seja praticamente constante sobre ela e, que uma pequena variação de 𝐷


pequena em que 𝐷 ⃗⃗ possa
⃗⃗ em série de Taylor.
ser adequadamente representada pelos dois primeiros termos da expansão de 𝐷

Consideremos um ponto 𝑃 qualquer, mostrado na figura seguinte, representado pelo sistema


de coordenadas cartesianas. O valor de 𝐷 ⃗⃗ neste ponto pode ser expresso em componentes
⃗⃗0 = 𝐷𝑥0 𝑎̂𝑥 + 𝐷𝑦0 𝑎̂𝑦 + 𝐷𝑧0 𝑎̂𝑧 .
cartesianos, 𝐷

Escolhemos como nossa superfície fechada uma pequena caixa retangular, centrada em 𝑃,
tendo lados de comprimentos 𝛥𝑥, 𝛥𝑦 e 𝛥𝑧, e apliquemos a lei de Gauss,

⃗⃗𝑆 ∙ d𝑆⃗ = ∫
∮𝐷 +∫ +∫ +∫ +∫ +∫ =𝑄
𝑆 𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑡𝑟á𝑠 𝑑𝑖𝑟𝑒𝑖𝑡𝑎 𝑒𝑠𝑞𝑢𝑒𝑟𝑑𝑎 𝑡𝑜𝑝𝑜 𝑏𝑎𝑠𝑒

onde, dividimos a integral sobre a superfície fechada em seis integrais, uma para cada face.

Consideremos a primeira destas integrais detalhadamente,

∫ ⃗⃗𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 ∙ 𝛥𝑆⃗𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝐷
=𝐷 ⃗⃗𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 ∙ (𝛥𝑦𝛥𝑧)𝑎̂𝑥 =
𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒

= (𝐷𝑥,𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎̂𝑥 + 𝐷𝑦,𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎̂𝑦 + 𝐷𝑧,𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎̂𝑧 ) ∙ (𝛥𝑦𝛥𝑧 𝑎̂𝑥 ) =

= 𝐷𝑥,𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝛥𝑦𝛥𝑧

onde devemos aproximar somente o valor de 𝐷𝑥 nesta face frontal. A face frontal está a uma distância
de 𝛥𝑥/2 de 𝑃, e assim

𝛥𝑥
𝐷𝑥,𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝐷𝑥0 + × 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑟𝑖𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝐷𝑥 𝑐𝑜𝑚 𝑥 =
2 40
𝛥𝑥 𝜕𝐷𝑥
= 𝐷𝑥0 +
2 𝜕𝑥

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Temos, agora

𝛥𝑥 𝜕𝐷𝑥
∫ = 𝐷𝑥,𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝛥𝑦𝛥𝑧 = (𝐷𝑥0 + ) 𝛥𝑦𝛥𝑧
𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 2 𝜕𝑥

Consideremos agora a integral sobre a superfície posterior,

∫ ⃗⃗𝑎𝑡𝑟á𝑠 ∙ 𝛥𝑆⃗𝑎𝑡𝑟á𝑠 = 𝐷
=𝐷 ⃗⃗𝑎𝑡𝑟á𝑠 ∙ (𝛥𝑦𝛥𝑧)(−𝑎̂𝑥 ) =
𝑎𝑡𝑟á𝑠

= (𝐷𝑥,𝑎𝑡𝑟á𝑠 𝑎̂𝑥 + 𝐷𝑦,𝑎𝑡𝑟á𝑠 𝑎̂𝑦 + 𝐷𝑧,𝑎𝑡𝑟á𝑠 𝑎̂𝑧 ) ∙ (−𝛥𝑦𝛥𝑧 𝑎̂𝑥 ) =

= −𝐷𝑥,𝑎𝑡𝑟á𝑠 𝛥𝑦𝛥𝑧

e, fazendo-se novamente uma aproximação,

𝛥𝑥 𝜕𝐷𝑥
𝐷𝑥,𝑎𝑡𝑟á𝑠 = 𝐷𝑥0 −
2 𝜕𝑥

resultando

𝛥𝑥 𝜕𝐷𝑥 𝛥𝑥 𝜕𝐷𝑥
∫ = −𝐷𝑥,𝑎𝑡𝑟á𝑠 𝛥𝑦𝛥𝑧 = − (𝐷𝑥0 − ) 𝛥𝑦𝛥𝑧 = (−𝐷𝑥0 + ) 𝛥𝑦𝛥𝑧
𝑎𝑡𝑟á𝑠 2 𝜕𝑥 2 𝜕𝑥

Se combinarmos estas duas integrais, temos

𝛥𝑥 𝜕𝐷𝑥 𝛥𝑥 𝜕𝐷𝑥
∫ +∫ = (𝐷𝑥0 + ) 𝛥𝑦𝛥𝑧 + (−𝐷𝑥0 + ) 𝛥𝑦𝛥𝑧 =
𝑓𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑡𝑟á𝑠 2 𝜕𝑥 2 𝜕𝑥

𝜕𝐷𝑥
= 𝛥𝑥𝛥𝑦𝛥𝑧
𝜕𝑥

Usando-se exatamente este mesmo procedimento, encontramos que

𝜕𝐷𝑦
∫ +∫ = 𝛥𝑥𝛥𝑦𝛥𝑧
𝑑𝑖𝑟𝑒𝑖𝑡𝑎 𝑒𝑠𝑞𝑢𝑒𝑟𝑑𝑎 𝜕𝑦

𝜕𝐷𝑧
∫ +∫ = 𝛥𝑥𝛥𝑦𝛥𝑧
𝑡𝑜𝑝𝑜 𝑏𝑎𝑠𝑒 𝜕𝑧

Sendo 𝛥𝑥𝛥𝑦𝛥𝑧 = 𝛥𝑣, podemos escrever:

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧


⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄 = (
∮𝐷 + + ) 𝛥𝑣
𝑆 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
41
A expressão é uma aproximação que se torna melhor à medida que 𝛥𝑣 se torna menor.

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3.5 Divergência
No subitem anterior, encontramos que

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧


⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄 = (
∮𝐷 + + ) 𝛥𝑣
𝑆 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Obteremos agora a relação exata desta equação, permitindo que o elemento de volume 𝛥𝑣
tenda a zero. Para tanto, escreveremos esta equação como

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧 ∮𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ 𝑄


( + + )= 𝑆 =
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝛥𝑣 𝛥𝑣

Pode-se, assim, fazer um limite tal qual

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧 ∮𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ 𝑄


( + + ) = lim ( 𝑆 ) = lim ( )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝛥𝑣→0 𝛥𝑣 𝛥𝑣→0 𝛥𝑣

sendo que este último termo representa a densidade volumétrica de carga 𝜌𝑣 , portanto

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧 ∮𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗


( + + ) = lim ( 𝑆 ) = 𝜌𝑣
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝛥𝑣→0 𝛥𝑣

Por enquanto, trabalhemos somente com a primeira igualdade da expressão, ou seja,

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧 ∮𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗


( + + ) = lim ( 𝑆 )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝛥𝑣→0 𝛥𝑣

pois a equação que relaciona a densidade volumétrica será tratada na próxima seção.

⃗⃗𝑆 , porém a mesma poderia ser


A expressão anterior envolve a densidade de fluxo elétrico 𝐷
representativa de qualquer outro campo vetorial genericamente representado pela letra 𝐴⃗
(velocidade, aceleração, força, etc.). Podendo-se reescrevê-la como

𝜕𝐴𝑥 𝜕𝐴𝑦 𝜕𝐴𝑧 ∮ 𝐴⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗


( + + ) = lim ( 𝑆 )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝛥𝑣→0 𝛥𝑣

Esta operação apareceu tantas vezes em investigações físicas passadas que recebeu um nome
descritivo, divergência. A divergência de 𝐴⃗ é definida como

∮ 𝐴⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ 42
𝐷𝑖𝑣𝑒𝑟𝑔ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝐴⃗ = 𝑑𝑖𝑣 𝐴⃗ = lim ( 𝑆 )
𝛥𝑣→0 𝛥𝑣

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e é usualmente abreviada por 𝑑𝑖𝑣 𝐴⃗. Este vetor 𝐴⃗ é membro da família dos vetores densidade de fluxo.
A seguinte interpretação física é válida:

“A divergência do vetor densidade de fluxo 𝑨⃗⃗ é a descarga de fluxo em uma pequena


superfície fechada por unidade de volume à medida que o volume tende a zero.”

Por exemplo, consideremos a divergência da velocidade da água em uma banheira após


termos aberto o dreno. O fluxo líquido de água através de qualquer superfície fechada situada
inteiramente dentro da água deve ser igual a zero, pois a água é essencialmente incompressível e,
conseqüentemente, a água que entra e sai de diferentes regiões da superfície fechada deve ser igual.
Portanto a divergência desta velocidade é zero.

Entretanto, se considerarmos agora a velocidade do ar em um pneu que acabou de ser furado


por um prego, percebemos que o ar se expande à medida que a pressão cai e que, conseqüentemente,
há um fluxo líquido em qualquer superfície fechada situada dentro do pneu. A divergência desta
velocidade é, portanto, maior que zero. Já na operação de enchimento do pneu, o fluxo líquido em
qualquer superfície fechada situada dentro do mesmo terá de sentido oposto ao do procedimento
anterior.

Uma divergência positiva de qualquer grandeza vetorial indica uma fonte desta grandeza
vetorial naquele ponto. De forma semelhante, uma divergência negativa indica um sorvedouro
(sumidouro). Como a divergência da velocidade da água acima é zero, não existe fonte nem
sorvedouro.

A divergência para o nosso caso específico da densidade de fluxo elétrico será

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧


⃗⃗ = (
𝑑𝑖𝑣 𝐷 + + ) 𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠𝑖𝑎𝑛𝑎𝑠
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Esta expressão está representada em coordenadas cartesianas. Caso desejássemos escrevê-la


em coordenadas cilíndricas ou esféricas, as mesmas ficariam como se segue.

1 𝜕 1 𝜕𝐷𝜙 𝜕𝐷𝑧
⃗⃗ = (
𝑑𝑖𝑣 𝐷 (𝜌𝐷𝜌 ) + + ) 𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑖𝑙í𝑛𝑑𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠
𝜌 𝜕𝜌 𝜌 𝜕𝜙 𝜕𝑧

1 𝜕 2 1 𝜕 1 𝜕𝐷𝜙
⃗⃗ = (
𝑑𝑖𝑣 𝐷 (𝑟 𝐷𝑟 ) + (𝑠𝑒𝑛𝜃 𝐷𝜃 ) + ) 𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑒𝑠𝑓é𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠
2
𝑟 𝜕𝑟 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝜕𝜃 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝜕𝜙

A divergência é uma operação que resulta em um escalar, ou seja, a divergência meramente


nos diz quanto fluxo está deixando um pequeno volume em termos de “por unidade de volume”,
nenhuma direção está associada a ela.
43

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3.6 O Operador Vetorial ⃗𝛁⃗ (Nabla)


Definimos o operador nabla 𝛻⃗⃗ como sendo um operador vetorial, representado pela
expressão:

𝜕 𝜕 𝜕
𝛻⃗⃗ = 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂𝑧
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Consideremos o produto escalar dos vetores 𝛻⃗⃗ e 𝐷


⃗⃗,

𝜕 𝜕 𝜕
𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = ( 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂𝑧 ) ∙ (𝐷𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐷𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐷𝑧 𝑎̂𝑧 )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧


𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = + +
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

⃗⃗, ou seja,
Isto é reconhecido como a divergência de 𝐷

𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = 𝑑𝑖𝑣 𝐷
⃗⃗

O uso de 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷 ⃗⃗. A partir de agora, usaremos a notação 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷


⃗⃗ é muito mais comum que 𝑑𝑖𝑣 𝐷 ⃗⃗
para indicar a operação de divergência.

O operador 𝛻⃗⃗ não possui uma forma específica em outros sistemas de coordenadas. Se
⃗⃗ em coordenadas cilíndricas ou esféricas, então 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
considerarmos 𝐷 ⃗⃗ ainda indica a divergência de 𝐷
⃗⃗,
conforme as expressões já definidas anteriormente, porém não temos uma fórmula para 𝛻⃗⃗ em si
nestes sistemas de coordenadas.

3.7 Primeira Equação de Maxwell (Eletrostática)


As expressões desenvolvidas para a divergência são as seguintes

∮𝐷⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
⃗⃗ = lim ( 𝑆 𝑆
𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷 )
𝛥𝑣→0 𝛥𝑣

𝜕𝐷𝑥 𝜕𝐷𝑦 𝜕𝐷𝑧


𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = + +
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = 𝜌𝑣
44
A primeira equação é a definição da divergência; a segunda é o resultado da aplicação da
definição a um elemento diferencial de volume em coordenadas cartesianas; e a terceira é meramente

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escrita usando-se de desenvolvimento matemático. Esta última equação é um resultado do seguinte


desenvolvimento

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄
∮𝐷 (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐺𝑎𝑢𝑠𝑠)
𝑆

⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗
∮𝑆 𝐷 𝑄
=
𝛥𝑣 𝛥𝑣

∮𝐷 ⃗⃗𝑆 ∙ 𝑑𝑆⃗ 𝑄
lim ( 𝑆 ) = lim ( )
𝛥𝑣→0 𝛥𝑣 𝛥𝑣→0 𝛥𝑣

𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = 𝜌𝑣

Esta é a primeira das quatro equações de Maxwell. Ela estabelece que o fluxo elétrico por
unidade de volume que deixa uma unidade de volume infinitesimal é exatamente igual à sua densidade
volumétrica de carga. A primeira equação de Maxwell é também descrita como a forma diferencial da
lei de Gauss. De modo recíproco, a lei de Gauss é reconhecida como a forma integral da primeira
equação de Maxwell.

A operação divergência não é limitada à densidade de fluxo elétrico, ela pode ser aplicada a
qualquer campo vetorial de densidade de fluxo.

3.8 Teorema da Divergência


O teorema da divergência se aplica a qualquer campo vetorial para o qual existe a derivada
parcial apropriada. Partindo da lei de Gauss,

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄
∮𝐷
𝑆

e considerando

𝑄 = ∫ 𝜌𝑣 𝑑𝑣
𝑣𝑜𝑙.

e então substituindo 𝜌𝑣 por sua igualdade,

𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = 𝜌𝑣

temos então
45

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄 = ∫ 𝜌𝑣 𝑑𝑣 = ∫ 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
∮𝐷 ⃗⃗ 𝑑𝑣
𝑆 𝑣𝑜𝑙. 𝑣𝑜𝑙.

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A primeira e a última expressão constituem o teorema da divergência,

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∫ 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
∮𝐷 ⃗⃗ 𝑑𝑣
𝑆 𝑣𝑜𝑙.

que pode ser escrito como se segue:

“A integral da componente normal de qualquer campo vetorial sobre uma superfície fechada
é igual à integral da divergência deste campo vetorial através do volume limitado por esta
superfície fechada.”

Novamente, enfatizamos que o teorema da divergência é verdadeiro para qualquer campo


vetorial. Sua vantagem advém do fato de que ele relaciona uma tripla integração através de algum
volume com uma dupla integração sobre a superfície daquele volume.

O teorema da divergência se torna óbvio fisicamente se considerarmos o volume, tal qual


apresentado na figura acima, dividido em inúmeros pequenos compartimentos de tamanho
diferencial. A consideração de uma dessas células mostra que o fluxo que diverge desta célula entra,
ou converge, para as células adjacentes, a menos que estas contenham uma porção de superfície
externa. Em resumo, a divergência da densidade de fluxo através de um volume leva, então, ao mesmo
resultado que o determinado pelo fluxo líquido que atravessa a superfície fechada.

46

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4 – ENERGIA POTENCIAL E POTENCIAL ELÉTRICO

4.1 Trabalho Empregado no Movimento de uma Carga no Interior


de um Campo Elétrico
Se tentarmos movimentar uma carga de teste contra o campo elétrico, deveremos exercer
uma força de igual módulo e sentido contrário àquela exercida pela força proveniente do campo, e
isto requer dispêndio de energia ou trabalho. Já se tentarmos movimentar a carga na direção do
campo, nosso dispêndio de energia torna-se-á negativo; não realizaremos trabalho, o campo é que
realizará.

A força aplicada à carga 𝑄 devido a existência de um campo elétrico 𝐸⃗⃗ é

𝐹⃗𝐸 = 𝑄𝐸⃗⃗

A componente desta força numa direção 𝑑𝐿⃗⃗ qualquer é

𝐹𝐸𝐿 = 𝐹⃗𝐸 ∙ 𝑎̂𝐿 = 𝑄𝐸⃗⃗ ∙ 𝑎̂𝐿

onde 𝑎̂𝐿 é o vetor unitário da direção de 𝑑𝐿⃗⃗.

A força que deve ser aplicada por um agente externo para deslocar a carga é de módulo igual
e sentido oposto, ou seja,

𝐹𝑎𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎𝑑𝑎 = −𝑄𝐸⃗⃗ ∙ 𝑎̂𝐿

Já o dispêndio de energia será dado pelo produto da força aplicada pela distância de
deslocamento. Pode-se então escrever que o trabalho diferencial realizado por um agente externo
deslocando 𝑄 ao longo da direção 𝑎̂𝐿 é

𝑑𝑊 = (−𝑄𝐸⃗⃗ ∙ 𝑎̂𝐿 )𝑑𝐿 = −𝑄𝐸⃗⃗ ∙ 𝑎̂𝐿 𝑑𝐿 = −𝑄𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗

onde substituímos 𝑎̂𝐿 𝑑𝐿 pela expressão mais simples 𝑑𝐿⃗⃗.

O trabalho necessário para deslocar a carga de uma distância finita deve ser determinado pela
integração

𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙
𝑊 = −𝑄 ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 47
onde o caminho deve ser especificado antes que a integral seja calculada. Considera-se, para tanto,
que a carga está parada nas posições inicial e final.

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4.2 Integral de Linha


A expressão da integral para o trabalho é um exemplo de integral de linha, a qual, sempre
assume a forma da integral ao longo de um caminho prescrito do produto escalar entre o campo
vetorial e o vetor comprimento diferencial, qual seja:

𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙
𝑊 = −𝑄 ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙

O procedimento da integral de linha está indicado na figura abaixo, onde foi escolhido um
caminho a partir da posição inicial 𝐵 até a posição final 𝐴 e selecionado um campo elétrico uniforme.
O caminho está dividido em seis segmentos.

O trabalho envolvido no deslocamento da carga 𝑄 de 𝐵 para 𝐴 é, então, aproximadamente

𝑊 = −𝑄(𝐸⃗⃗1 ∙ ∆𝐿⃗⃗1 + 𝐸⃗⃗2 ∙ ∆𝐿⃗⃗2 + ⋯ + 𝐸⃗⃗6 ∙ ∆𝐿⃗⃗6 )

e, como admitimos um campo uniforme

𝑊 = −𝑄𝐸⃗⃗ ∙ (∆𝐿⃗⃗1 + ∆𝐿⃗⃗2 + ⋯ + ∆𝐿⃗⃗6 )

A soma dos segmentos dos vetores pode ser realizada pela regra do paralelogramo, resultando
justamente em um vetor dirigido do ponto inicial para o ponto final, 𝐿⃗⃗𝐵𝐴 . Portanto,

𝑊 = −𝑄𝐸⃗⃗ ∙ 𝐿⃗⃗𝐵𝐴 (𝐸⃗⃗ 𝑢𝑛𝑖𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒)

Para este caso especial de uma intensidade de campo elétrico uniforme, devemos notar que o 48
trabalho envolvido no deslocamento da carga depende somente de 𝑄, 𝐸⃗⃗ e 𝐿⃗⃗𝐵𝐴 . Ele não depende do
caminho escolhido para deslocar a carga, ou seja, pode-se ir de 𝐵 para 𝐴 em uma linha reta ou por um
caminho tortuoso que a resposta será a mesma.

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Note que a expressão de 𝑑𝐿⃗⃗ utiliza dos vetores de comprimentos diferenciais, os quais
encontram-se destacado a seguir.

𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝑑𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝑑𝑧 𝑎̂𝑧 (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠𝑖𝑎𝑛𝑎𝑠)


𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝜌 𝑎̂𝜌 + 𝜌 𝑑𝜙 𝑎̂𝜙 + 𝑑𝑧 𝑎̂𝑧 (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑖𝑙í𝑛𝑑𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠)
𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝑟 𝑎̂𝑟 + 𝑟 𝑑𝜃 𝑎̂𝜃 + 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑑𝜙 𝑎̂𝜙 (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑒𝑠𝑓é𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠)

Para ilustrar o cálculo da integral de linha, investigaremos os diversos caminhos que devemos
considerar próximos a uma linha infinita de cargas, conforme figura a seguir.

O campo já foi obtido anteriormente e é inteiramente na direção radial,


𝜌𝐿
𝐸⃗⃗ = 𝐸𝜌 𝑎̂𝜌 = 𝑎̂
2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌

Deslocando-se uma carga positiva em torno de um caminho circular de raio 𝜌1 , conforme


figura (a), tem-se 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝜌1 𝑑𝜙 𝑎̂𝜙 , o trabalho será:

𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 2𝜋
𝜌𝐿
𝑊 = −𝑄 ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = −𝑄 ∫ 𝑎̂ ∙ 𝜌 𝑑𝜙 𝑎̂𝜙 = 0
𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 0 2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌 1

Considerando-se agora um deslocamento da carga de 𝜌 = 𝑏 para 𝜌 = 𝑎 ao longo do caminho


radial, de acordo com figura (b) acima (sentido contrário do indicado na figura). Aqui, 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝜌 𝑎̂𝜌 e
𝜌𝑎 𝜌𝑎
𝜌𝐿 𝜌𝐿 𝑑𝜌 𝑄𝜌𝐿 𝜌𝑎
𝑊 = −𝑄 ∫ 𝑎̂𝜌 ∙ 𝑑𝜌 𝑎̂𝜌 = −𝑄 ∫ =− ln
𝜌𝑏 2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌𝑏 2𝜋𝜀0 𝜌 2𝜋𝜀0 𝜌𝑏

𝑄𝜌𝐿 𝜌𝑏
𝑊= ln
2𝜋𝜀0 𝜌𝑎

Como 𝜌𝑏 é maior do que 𝜌𝑎 , percebe-se que o trabalho realizado é positivo, indicando que a
fonte externa (ou agente externo), que está deslocando a carga, fornece energia.
49
Poderíamos também efetuar o cálculo na direção 𝑎̂𝑧 a partir de uma posição inicial 0 até uma
altura 𝐿 qualquer, o que resulta em

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𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 𝐿
𝜌𝐿
𝑊 = −𝑄 ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = −𝑄 ∫ 𝑎̂ ∙ 𝑑𝑧 𝑎̂𝑧 = 0
𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 0 2𝜋𝜀0 𝜌 𝜌

O que resultaria, mais uma vez, em um valor nulo.

4.3 Definição de Diferença de Potencial e Potencial Elétrico


Define-se a diferença de potencial V como a razão do trabalho realizado (por um agente
externo) ao deslocar uma carga teste 𝑄𝑡𝑒𝑠𝑡𝑒 , de um ponto inicial a um ponto final, no interior de um
campo elétrico, dividido pelo valor desta carga teste ,
𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙
𝑊 −𝑄𝑡𝑒𝑠𝑡𝑒 ∫𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙
𝐷𝑖𝑓𝑒𝑟𝑒𝑛ç𝑎 𝑑𝑒 𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝑉 = = = −∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
𝑄𝑡𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑄𝑡𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙

A diferença de potencia 𝑉𝐴𝐵 significa a diferença de potencial entre os pontos A e B, e também


pode ser definido como o trabalho realizado ao deslocarmos uma unidade de carga de B até A, ou seja,

𝐴
𝑉𝐴𝐵 = − ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ (𝑉)
𝐵

onde a unidade de medida é volts que freqüentemente é abreviado por V, trata-se, conforme
observado, de uma grandeza escalar.

No exemplo da linha de carga da última seção, encontramos que o trabalho realizado ao


levarmos a carga 𝑄 de 𝜌𝑏 para 𝜌𝑎 é

𝑄𝜌𝐿 𝜌𝑏
𝑊= ln
2𝜋𝜀0 𝜌𝑎

Assim, a diferença de potencial entre os pontos 𝜌𝑏 e 𝜌𝑎 pode ser descrita como

𝑊 𝜌𝐿 𝜌𝑏
𝑉𝐴𝐵 = = ln
𝑄 2𝜋𝜀0 𝜌𝑎

Já para o caso de uma carga pontual Q, a diferença de potencial entre os pontos A e B nas
distâncias radiais 𝑟𝐴 e 𝑟𝐵 da mesma, escolhendo-se a origem em Q, ou ainda, Q na origem, será dada

𝑄
𝐸⃗⃗ = 𝐸𝑟 𝑎̂𝑟 = 𝑎̂
4𝜋𝜀0 𝑟 2 𝑟

e
50
𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝑟 𝑎̂𝑟

temos

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𝐴 𝑟𝐴 𝑟𝐴
𝑄 𝑄 𝑄 1 1
𝑉𝐴𝐵 = − ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = − ∫ 2
𝑎
̂ 𝑟 ∙ 𝑑𝑟 𝑎
̂ 𝑟 = − ∫ 2
𝑑𝑟 = ( − )
𝐵 𝑟𝐵 4𝜋𝜀0 𝑟 𝑟𝐵 4𝜋𝜀0 𝑟 4𝜋𝜀0 𝑟𝐴 𝑟𝐵

Se 𝑟𝐵 > 𝑟𝐴 , a diferença de potencial 𝑉𝐴𝐵 é positiva, indicando que a energia é despendida pelo
agente externo ao trazer a carga positiva de 𝑟𝐵 para 𝑟𝐴 . Isto concorda com o modelo físico que mostra
que duas cargas iguais se repelem.

Muitas vezes é conveniente falarmos em potencial, ou potencial absoluto, de um ponto em


vez de diferença de potencial entre dois pontos, mas isto significa somente que concordamos em
medir toda diferença de potencial em relação a um ponto referencial específico, o qual consideramos
ter potencial igual a zero.

O ponto de referência de zero mais universal para medidas físicas ou experimentais de


potencia é a “terra”, entendida como sendo o potencial da região da superfície da Terra. Outro “ponto”
de referência amplamente utilizado é o infinito. Este normalmente aparece em problemas teóricos.
Mais uma consideração de referencial pode ser feita para o caso de um cabo coaxial, no qual o
condutor externo é escolhido como o zero de referência para o potencial. Nota-se, portanto, que o
ponto de referência de zero pode assumir inúmeras denominações distintas dependendo da aplicação
específica em que está sendo usado.

Se o potencial num ponto A é 𝑉𝐴 e num ponto B é 𝑉𝐵 , então

𝑉𝐴𝐵 = 𝑉𝐴 − 𝑉𝐵

onde necessariamente concordamos que 𝑉𝐴 e 𝑉𝐵 devem possuir o mesmo ponto de zero de


referência. Observa-se que esta notação de 𝑉𝐴𝐵 é diferente da empregada na análise vetorial onde
𝑟⃗𝐴𝐵 = 𝑟⃗𝐵 − 𝑟⃗𝐴 .

4.4 Campo Potencial de uma Carga Pontual


Na seção anterior, encontramos uma expressão para a diferença de potencial entre dois
pontos localizados em r= 𝑟𝐴 e 𝑟 = 𝑟𝐵 , imersos no campo de uma carga pontual Q localizada na origem.

𝑄 1 1
𝑉𝐴𝐵 = ( − ) = 𝑉𝐴 − 𝑉𝐵
4𝜋𝜀0 𝑟𝐴 𝑟𝐵

Considerou-se que os dois pontos pertenciam à mesma linha radial. Agora, consideraremos
dois pontos A e B com deslocamentos também nas coordenadas 𝜃 e 𝜙, conforme pode figura abaixo.

51

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O comprimento diferencial do caminho 𝑑𝐿⃗⃗ possui as componentes 𝑟, 𝜃 e 𝜙, e o campo elétrico


possui somente a componente radial. Tomando, então, o produto escalar, temos apenas
𝐴 𝑟𝐴 𝑟𝐴
𝑄 𝑄 1 1
𝑉𝐴𝐵 = − ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = − ∫ 𝐸𝑟 𝑑𝑟 = − ∫ 2
𝑑𝑟 = ( − )
𝐵 𝑟𝐵 𝑟𝐵 4𝜋𝜀0 𝑟 4𝜋𝜀0 𝑟𝐴 𝑟𝐵

Obtemos a mesma resposta e concluímos, portanto, que a diferença de potencial entre dois
pontos em um campo de uma carga pontual depende somente da distância de cada ponto à carga e
não do caminho particular usado para deslocar uma unidade de carga de um ponto para outro.

Agora, se considerarmos 𝑉 = 0 no infinito, o potencial em 𝑟𝐴 torna-se

𝑄
𝑉𝐴 =
4𝜋𝜀0 𝑟𝐴

ou, como não há motivo para identificar este ponto com o índice A,

𝑄
𝑉=
4𝜋𝜀0 𝑟

Podemos também definir uma superfície equipotencial como sendo uma superfície composta
por todos aqueles pontos que possuem o mesmo valor de potencial. Nenhum trabalho está envolvido
no deslocamento de uma unidade de carga sobre uma superfície equipotencial, pois, por definição,
não há diferença de potencial entre dois pontos quaisquer desta superfície.

Observação: pode-se escrever, genericamente, que o trabalho para se movimentar uma carga
de um ponto inicial B até um ponto final A é

𝑊 = 𝑄𝑉𝐴𝐵

52

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4.5 Campo Potencial de um Sistema de Cargas e Propriedade


Conservativa dos Campos Potenciais
O potencial de uma carga pontual simples, identificada por 𝑄1 e localizada em 𝑟⃗1 , envolve
somente a distância da carga ao ponto 𝑟⃗ onde se procura estabelecer o valor do potencial. Para um
zero de referência no infinito, temos

𝑄1
𝑉(𝑟⃗) =
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗1 |

O potencial devido a duas cargas, 𝑄1 em 𝑟⃗1 e 𝑄2 em 𝑟⃗2 , é função somente das distâncias de
cada uma das cargas ao ponto do campo, ou ainda,

𝑄1 𝑄2
𝑉(𝑟⃗) = +
|𝑟
4𝜋𝜀0 ⃗ − 𝑟⃗1 | 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗2 |

Continuando a adicionar cargas, encontramos que o potencial devido a n cargas pontuais é

𝑄1 𝑄2 𝑄𝑛
𝑉(𝑟⃗) = + + ⋯+
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗1 | 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗2 | 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗𝑛 |

Se agora cada carga pontual for representada como um pequeno elemento com uma
distribuição volumétrica contínua de carga igual a 𝜌𝑣 Δ𝑣, então

𝜌𝑣 (𝑟⃗1 ) Δ𝑣1 𝜌𝑣 (𝑟⃗2 ) Δ𝑣2 𝜌𝑣 (𝑟⃗𝑛 ) Δ𝑣𝑛


𝑉(𝑟⃗) = + + ⋯+
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗1 | 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗2 | 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗𝑛 |

Fazendo o número de elementos tornar infinito, podemos obter a expressão do potencial por
meio da integral:

𝜌𝑣 (𝑟⃗′) 𝑑𝑣′
𝑉(𝑟⃗) = ∫
𝑣𝑜𝑙 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗′|

Esta expressão é válida para uma distribuição volumétrica de cargas. Para o caso de uma
distribuição linear ou superficial de cargas, tem-se, respectivamente,

𝜌𝐿 (𝑟⃗′) 𝑑𝐿′
𝑉(𝑟⃗) = ∫
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗′|

𝜌𝑆 (𝑟⃗′) 𝑑𝑆′
𝑉(𝑟⃗) = ∫
𝑠𝑢𝑝 4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗′|

Com estas três últimas equações pode-se calcular o potencial de qualquer distribuição de 53
cargas. Para ilustrar o uso de uma destas integrais vamos determinar V no eixo z para uma linha de
cargas uniforme 𝜌𝐿 na forma de um anel com 𝜌 = 𝑎 localizado no plano 𝑧 = 0, como mostrado na
figura a seguir.

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Temos, para tal exemplo:

𝑑𝐿′ = 𝜌 𝑑𝜙 = 𝑎 𝑑𝜙′; 𝑟⃗ = 𝑧 𝑎̂𝑧 ; 𝑟⃗′ = 𝑎 𝑎̂𝜌

Então,

|𝑟⃗ − 𝑟⃗′| = √𝑎2 + 𝑧 2

e
2𝜋
𝜌𝐿 𝑎 𝑑𝜙′ 𝜌𝐿 𝑎
𝑉(𝑟⃗) = ∫ =
0 4𝜋𝜀0 √𝑎2 + 𝑧 2 2𝜀0 √𝑎2 + 𝑧 2

Para um zero de referência no infinito, podemos concluir que:

1. O potencial devido a uma única carga pontual é o trabalho realizado no deslocamento


de uma unidade de carga positiva (1C) do infinito ao ponto no qual desejamos
conhecer o potencial, sendo o trabalho independente do caminho escolhido entre
estes dois pontos.
2. O campo potencial na presença de um certo número de cargas pontuais é a soma dos
campos potenciais individuais originados de cada carga.
3. O potencial devido a um certo número de cargas pontuais ou devido a quaisquer
distribuições contínuas de cargas pode ser encontrado ao deslocarmos uma unidade
de carga do infinito ao ponto em questão ao longo de qualquer caminho escolhido.

Reconhecendo-se, portanto, em se tratando de eletrostática, que nenhum trabalho é realizado 54


no deslocamento de uma unidade de carga ao longo de qualquer caminho fechado, tem-se

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∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 0

𝐴
Lembrando-se que a diferença de potencial é dada por: 𝑉𝐴𝐵 = − ∫𝐵 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗.

A integral para um caminho fechado é representada por um pequeno círculo sobre o símbolo
de integral. Este símbolo é o mesmo usado para designar a superfície fechada da lei de Gauss e, aqui,
é chamada integral de linha fechada.

A equação em questão somente é verdadeira para campos estáticos, ou seja, onde 𝐸⃗⃗ não varia
com o tempo.

Qualquer campo que satisfaça uma equação da forma apresentada (isto é, onde a integral de
linha fechada do campo seja zero), é dito um campo conservativo. O nome surge do fato de que
nenhum trabalho é realizado (ou que a energia é conservada) em torno do caminho fechado. Um
exemplo de campo conservativo é o campo gravitacional, pois qualquer energia gasta na
movimentação (elevação) de um objeto contra o campo é exatamente recuperada quando o objeto é
retornado (abaixado) à sua posição inicial.

4.6 Gradiente do Campo Potencial Elétrico


Temos agora dois métodos de determinação do potencial, um diretamente a partir da
intensidade de campo elétrico por meio de uma integral de linha e outro a partir da distribuição de
cargas em si através de uma integral de volume. Entretanto, nenhum dos métodos é muito útil na
determinação dos campos potenciais para a maioria dos problemas práticos, pois, nem a intensidade
do campo elétrico nem a distribuição de cargas são freqüentemente conhecidas.

Já estas grandezas podem ser facilmente obtidas a partir do campo potencial, e nosso objetivo
imediato será obter um método simples de determinação da intensidade de campo elétrico a partir
do potencial.

Já sabemos que

𝑉 = − ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗

Esta equação quando aplicada a um pequeníssimo elemento de comprimento Δ𝐿⃗⃗ ao longo do


qual 𝐸⃗⃗ é essencialmente constante, leva a uma diferença de potencial incremental 𝛥𝑉,

𝛥𝑉 = −𝐸⃗⃗ ∙ 𝛥𝐿⃗⃗ 55
Considere uma região qualquer do espaço, como mostrado na figura abaixo, na qual 𝐸⃗⃗ e 𝑉
variam à medida que nos movemos de um ponto a outro.

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Se designarmos o ângulo entre 𝛥𝐿⃗⃗ e 𝐸⃗⃗ como 𝜃, conforme figura, então

𝛥𝑉 = −𝐸 𝛥𝐿 𝑐𝑜𝑠𝜃

Mudando os termos de incremental para infinitesimal, temos

𝑑𝑉 = −𝐸 𝑑𝐿 𝑐𝑜𝑠𝜃

Destacando-se a derivada 𝑑𝑉/𝑑𝐿

𝑑𝑉
= −𝐸 𝑐𝑜𝑠𝜃
𝑑𝐿

Diante destas equações pergunta-se: em que direção 𝛥𝐿⃗⃗ deve ser colocado para obter o
máximo valor de 𝛥𝑉? Lembre que 𝐸⃗⃗ é um valor definido no ponto e é independente da direção de 𝛥𝐿⃗⃗.
A magnitude de 𝛥𝐿 é também constante. Então, obviamente, o máximo incremento positivo do
potencial 𝛥𝑉𝑚𝑎𝑥 ocorrerá quando 𝑐𝑜𝑠𝜃 for igual a -1, ou seja, quando 𝛥𝐿⃗⃗ apontar na direção oposta a
𝐸⃗⃗ . Para esta condição,

𝑑𝑉
| =𝐸
𝑑𝐿 𝑚𝑎𝑥

Este pequeno exercício nos mostra duas características da relação entre 𝐸⃗⃗ e V em qualquer
ponto:

1. A magnitude da intensidade de campo elétrico é dada pelo máximo valor da taxa de


variação do potencial com a distância.
2. O máximo valor é obtido quando a direção do comprimento incremental é oposta a 𝐸⃗⃗
ou, em outras palavras, a direção de 𝐸⃗⃗ é oposta à direção na qual o potencial está
aumentando mais rapidamente.

A figura abaixo mostra as superfícies equipotenciais de um determinado campo potencial.


56

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Como já é de conhecimento de todos, o vetor 𝐸⃗⃗ , em qualquer ponto do espaço em que há


superfícies equipotenciais, é perpendicular à mesma (na direção do potencial decrescente). Todavia,
se 𝛥𝐿⃗⃗ estiver dirigido ao longo de uma equipotencial, 𝛥𝑉 será igual a zero pela nossa definição de
superfície equipotencial e, conseqüentemente,

𝛥𝑉 = −𝐸⃗⃗ ∙ 𝛥𝐿⃗⃗ = 0

e como nem 𝐸⃗⃗ nem 𝛥𝐿⃗⃗ são iguais a zero, 𝐸⃗⃗ deve ser perpendicular a 𝛥𝐿⃗⃗ , ou seja, perpendicular às
equipotenciais, o que reforça o que já foi dito a pouco.

Considerando-se 𝑎̂𝑁 um vetor unitário normal à superfície equipotencial e apontando na


direção dos maiores potenciais, podemos dizer que a intensidade de campo elétrico em termos do
potencia é

𝑑𝑉
𝐸⃗⃗ = − | 𝑎̂
𝑑𝐿 𝑚𝑎𝑥 𝑁

Esta expressão mostra que a magnitude de 𝐸⃗⃗ é dada pela taxa de máxima variação de V e que
sua direção é normal à superfície equipotencial (na direção de potencial decrescente – devido ao sinal
negativo).

Como 𝑑𝑉⁄𝑑𝐿|𝑚𝑎𝑥 ocorre quando 𝛥𝐿⃗⃗ está na direção de 𝑎̂𝑁 (normal à superfície), podemos
nos lembrar deste fato escrevendo

𝑑𝑉 𝑑𝑉
| =
𝑑𝐿 𝑚𝑎𝑥 𝑑𝑁

𝑑𝑉
𝐸⃗⃗ = − 𝑎̂
𝑑𝑁 𝑁

Esta equação é descritiva de um procedimento geral que aparece em outros campos da 57


engenharia e da física. A operação em V pela qual se obtém 𝐸⃗⃗ é conhecida como gradiente. O
gradiente de um campo escalar T é definido como

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𝑑𝑇
𝐺𝑟𝑎𝑑𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑇 = 𝑔𝑟𝑎𝑑 𝑇 = 𝑎̂
𝑑𝑁 𝑁

onde 𝑎̂𝑁 é um vetor unitário normal à superfície equipotencial e que a normal é escolhida de modo
que aponte para valores crescentes de T. Usando este novo termo,

𝐸⃗⃗ = −𝑔𝑟𝑎𝑑 𝑉

Como V é uma função unívoca de x, y, z, ou seja, o potencial é uma função singular de um


ponto (𝑥, 𝑦, 𝑧), podemos então usar a derivada total

𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝑑𝑉 = 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

ou seja, pode-se dizer que a variação total de potencial é a somatória das variações parciais de
potencial em cada eixo multiplicadas pelas respectivas variações lineares nos mesmos.

E temos também que

𝑑𝑉 1 𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝐸⃗⃗ = −𝑔𝑟𝑎𝑑 𝑉 = − 𝑎̂𝑁 = − ( 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧) 𝑎̂𝑁
𝑑𝑁 𝑑𝑁 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

1 𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝐸𝑥 𝑎̂𝑥 = − ( 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧) 𝑎̂𝑥 = − 𝑎̂
𝑑𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝑥

1 𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝐸𝑦 𝑎̂𝑦 = − ( 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧) 𝑎̂𝑦 = − 𝑎̂
𝑑𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑦 𝑦

1 𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝐸𝑧 𝑎̂𝑧 = − ( 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧) 𝑎̂𝑧 = − 𝑎̂
𝑑𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑧

Portanto,

𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝐸𝑥 = − 𝐸𝑦 = − 𝐸𝑧 = −
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Estes resultados podem ser combinados vetorialmente para fornecer

𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝐸⃗⃗ = − ( 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂ ) = −𝑔𝑟𝑎𝑑 𝑉
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝑧

Então a expressão para o gradiente será

𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝑔𝑟𝑎𝑑 𝑉 = 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝑧
58
O operador vetorial 𝛻⃗⃗ (nabla) foi definido anteriormente como

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𝜕 𝜕 𝜕
𝛻⃗⃗ = 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂𝑧
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Portanto,

𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝑔𝑟𝑎𝑑 𝑉 = 𝛻⃗⃗𝑉 = 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝑧

Como está evidenciado, o gradiente de um escalar (tal como o potencial) resulta em um vetor.
Retomando-se a expressão anterior, podemos escrever que

𝐸⃗⃗ = −𝛻⃗⃗𝑉

O gradiente pode ser expresso em termos das derivadas parciais em outros sistemas de
coordenadas através da aplicação de sua definição, ou seja,

𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝛻⃗⃗𝑉 = 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂ (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠𝑖𝑎𝑛𝑎𝑠)
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝑧

𝜕𝑉 1 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝛻⃗⃗𝑉 = 𝑎̂𝜌 + 𝑎̂𝜙 + 𝑎̂ (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑖𝑙í𝑛𝑑𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠)
𝜕𝜌 𝜌 𝜕𝜙 𝜕𝑧 𝑧

𝜕𝑉 1 𝜕𝑉 1 𝜕𝑉
𝛻⃗⃗𝑉 = 𝑎̂𝑟 + 𝑎̂𝜃 + 𝑎̂ (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑒𝑠𝑓é𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠)
𝜕𝑟 𝑟 𝜕𝜃 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝜕𝜙 𝜙

4.7 Dipolo Elétrico


Um dipolo elétrico, ou simplesmente dipolo, é o nome dado a duas cargas pontuais de mesma
magnitude e sinais opostos, separadas por uma distância muito pequena quando comparada com a
distância ao ponto P no qual desejamos conhecer os campos potencial e elétrico, conforme figura a
seguir representada em coordenadas esféricas.

59

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Primeiramente calcularemos o potencial V, por se tratar de uma grandeza mais simples (não
vetorial, de valor absoluto) e, posteriormente, determina-se a intensidade de campo elétrico 𝐸⃗⃗ por
meio da operação do gradiente.

Considerando, conforme figura anterior, a distância de Q e -Q a P como sendo 𝑅1 e 𝑅2 ,


respectivamente, de forma que o potencial total em P possa ser escrito como

𝑄 𝑄 𝑄 1 1 𝑄 𝑅2 − 𝑅1
𝑉= − = ( − )=
4𝜋𝜀0 𝑅1 4𝜋𝜀0 𝑅2 4𝜋𝜀0 𝑅1 𝑅2 4𝜋𝜀0 𝑅1 𝑅2

Para um ponto distante, 𝑅1 ≅ 𝑅2 . Então o produto 𝑅1 𝑅2 no denominador pode ser substituído


2
por 𝑟 . E, considerando 𝑅1 e 𝑅2 paralelos, conforme figura abaixo, podemos escrever

𝑅2 − 𝑅1 = 𝑑 𝑐𝑜𝑠𝜃

O resultado final é, então,

𝑄 𝑑 𝑐𝑜𝑠𝜃
𝑉=
4𝜋𝜀0 𝑟 2

Note que o plano 𝑧 = 0 está no potencial zero, pois 𝜃 = 90°.

Aplicando-se a relação do gradiente é possível encontrar a expressão do campo elétrico a partir


deste campo potencial:

𝑄𝑑
𝐸⃗ = (2𝑐𝑜𝑠𝜃𝑎̂𝑟 + 𝑠𝑒𝑛𝜃𝑎̂𝜃 )
4𝜋𝜀0 𝑟 3

O campo potencial do dipolo pode ser simplificado fazendo-se uso do momento do dipolo.
60
Primeiramente identifica-se o vetor comprimento dirigido de -Q a +Q como 𝑑⃗ e, então, define-se o
momento do dipolo como 𝑄𝑑⃗, o qual será representado pelo símbolo 𝑝⃗. Assim,

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𝑝⃗ = 𝑄𝑑⃗

As unidades de 𝑝⃗ são 𝐶. 𝑚. Como 𝑑⃗ ∙ 𝑎̂𝑟 = 𝑑 𝑐𝑜𝑠𝜃, temos então

𝑄𝑑⃗ ∙ 𝑎̂𝑟 𝑝⃗ ∙ 𝑎̂𝑟


𝑉= =
4𝜋𝜀0 𝑟 2 4𝜋𝜀0 𝑟 2

Este resultado pode ser generalizado, para um dipolo que não tenha seu ponto central na
origem, como

1 𝑟⃗ − 𝑟⃗′
𝑉= 2
𝑝⃗ ∙
4𝜋𝜀0 |𝑟⃗ − 𝑟⃗′| |𝑟⃗ − 𝑟⃗′|

4.8 Densidade de Energia no Campo Eletrostático


Para determinarmos a energia potencial presente em um sistema de cargas, precisamos
determinar o trabalho realizado por um agente externo para posicionar as cargas neste sistema.

Podemos começar visualizando um universo vazio. Trazer a carga 𝑄1 do infinito para qualquer
posição não requer trabalho, já que não há campo presente. O posicionamento de 𝑄2 em um ponto
do campo de 𝑄1 requer uma quantidade de trabalho dada pelo produto da carga 𝑄2 pelo potencial
naquele ponto devido a 𝑄1 . Representamos este potencial por 𝑉2,1 , onde o primeiro índice indica a
localização e o segundo índice, a fonte. Então,

𝑇𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑝𝑜𝑠𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑟 𝑄2 = 𝑄2 𝑉2,1

Do mesmo modo, podemos expressar o trabalho necessário para posicionar cada carga
adicional no campo de todas as cargas já presente:

𝑇𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑝𝑜𝑠𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑟 𝑄3 = 𝑄3 𝑉3,1 + 𝑄3 𝑉3,2

𝑇𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑝𝑜𝑠𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑟 𝑄4 = 𝑄4 𝑉4,1 + 𝑄4 𝑉4,2 + 𝑄4 𝑉4,3

e assim por diante. O trabalho total 𝑊𝐸 é obtido somando-se cada contribuição:

𝑊𝐸 = 𝑄2 𝑉2,1 + 𝑄3 𝑉3,1 + 𝑄3 𝑉3,2 + 𝑄4 𝑉4,1 + 𝑄4 𝑉4,2 + 𝑄4 𝑉4,3 + ⋯

Observando-se a forma de um termo representativo da equação acima, podemos escrever

𝑄1 𝑄2
𝑄2 𝑉2,1 = 𝑄2 = 𝑄1 = 𝑄1 𝑉1,2
4𝜋𝜀0 𝑅21 4𝜋𝜀0 𝑅12
61
Se cada termo da expressão da energia total é substituído por seu equivalente, temos

𝑊𝐸 = 𝑄1 𝑉1,2 + 𝑄1 𝑉1,3 + 𝑄2 𝑉2,3 + 𝑄1 𝑉1,4 + 𝑄2 𝑉2,4 + 𝑄3 𝑉3,4 + ⋯

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Multiplicando a expressão anterior por 2 e realizando algumas substituições por equivalentes,


pode-se chegar à seguinte simplificação

2𝑊𝐸 = 𝑄1 (𝑉1,2 + 𝑉1,3 + 𝑉1,4 + ⋯ ) + 𝑄2 (𝑉2,1 + 𝑉2,3 + 𝑉2,4 + ⋯ )


+𝑄3 (𝑉3,1 + 𝑉3,2 + 𝑉3,4 + ⋯ ) + 𝑄4 (𝑉4,1 + 𝑉4,2 + 𝑉4,3 + ⋯ ) + ⋯

Cada soma dos potenciais em parênteses é o potencial combinado devido a todas as cargas
exceto a carga no ponto onde o potencial combinado está sendo determinado. Em outras palavras,

𝑉1,2 + 𝑉1,3 + 𝑉1,4 + ⋯ = 𝑉1

O potencial na localização de 𝑄1 devido à presença de 𝑄2 , 𝑄3 , 𝑄4 , ⋯ . Temos, portanto,

1 1
𝑊𝐸 = (𝑄1 𝑉1 + 𝑄2 𝑉2 + 𝑄3 𝑉3 + 𝑄4 𝑉4 + ⋯ ) = ∑ 𝑄𝑛 𝑉𝑛
2 2
𝑛

Para obtermos uma expressão para a energia armazenada em uma região de distribuição de
carga contínua, cada carga é substituída por 𝜌𝑛 𝑑𝑣, e o somatório se torna uma integral,

1
𝑊𝐸 = ∫ 𝜌𝑣 𝑉𝑑𝑣
2 𝑣𝑜𝑙

Usando a primeira equação de Maxwell e aplicando algumas identidades vetoriais,

1 1
𝑊𝐸 = ∫ (𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ )𝑉𝑑𝑣 = − ∫ 𝐷 ⃗⃗ ∙ (𝛻⃗⃗𝑉)𝑑𝑣
2 𝑣𝑜𝑙 2 𝑣𝑜𝑙

Substituindo-se 𝐸⃗⃗ = −𝛻⃗⃗𝑉 na integral de volume,

1 1
𝑊𝐸 = ∫ 𝐷 ⃗⃗ ∙ 𝐸⃗⃗ 𝑑𝑣 = ∫ 𝜀0 𝐸 2 𝑑𝑣
2 𝑣𝑜𝑙 2 𝑣𝑜𝑙

Se tomarmos a equação anterior na forma diferencial, teremos

1
𝑑𝑊𝐸 = ⃗⃗ ∙ 𝐸⃗⃗ 𝑑𝑣
𝐷
2

ou ainda,

𝑑𝑊𝐸 1
= 𝐷⃗⃗ ∙ 𝐸⃗⃗
𝑑𝑣 2

com isto obtemos a densidade de energia, ou joules por metro cúbico, de um campo eletrostático.

62

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5 – CONDUTORES, DIELÉTRICOS E CAPACITÂNCIA

5.1 Corrente e Densidade de Corrente


Cargas elétricas em movimento constituem a corrente elétrica. A unidade de corrente é o
ampère (A) e tem o símbolo 𝐼 e, portanto, pode ser expressa por

𝑑𝑄
𝐼=
𝑑𝑡

A corrente é, então, definida como o movimento de cargas positiva, embora a condução em


metais seja constituída pelo movimento de elétrons, trata-se de uma grandeza escalar.

Outro conceito amplamente utilizado é a densidade de corrente, que é dada pela razão da
corrente pela área da seção transversal que a mesma atravessa. A densidade de corrente é uma
grandeza vetorial, representada por 𝐽⃗ e tem por unidade no Sistema Internacional 𝐴/𝑚2 . O valor
absoluto da mesma pode ser escrito em um ponto infinitesimal como

𝑑𝐼
𝐽=
𝑑𝑆

A corrente total é obtida pela integração

𝐼 = ∫ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆

O incremento de corrente ∆𝐼 que atravessa uma superfície incremental ∆𝑆 , normal à


densidade de corrente, é

∆𝐼 = 𝐽𝑁 ∆𝑆

Considere agora um incremento de carga ∆𝑄, conforme figura abaixo, movendo-se somente
no eixo x. Este incremento de carga pode ser escrito como ∆𝑄 = 𝜌𝑣 ∆𝑣. Caso este incremento mova
uma distância ∆𝑥 num intervalo de tempo ∆𝑡, podemos ainda escrever

∆𝑄 𝜌𝑣 ∆𝑣 𝜌𝑣 ∆𝑆∆𝑥
∆𝐼 = = =
∆𝑡 ∆𝑡 ∆𝑡

63

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Se tomarmos o limite da distância em que ocorre o movimento em relação ao tempo, temos

∆𝐼 = 𝜌𝑣 ∆𝑆 𝑣𝑥

onde 𝑣𝑥 representa a componente x da velocidade 𝑣⃗. Em termos da densidade de corrente, temos


então,

∆𝐼 𝜌𝑣 ∆𝑆 𝑣𝑥
𝐽𝑥 = = = 𝜌𝑣 𝑣𝑥
∆𝑆 ∆𝑆

e, de forma geral,

𝐽⃗ = 𝜌𝑣 𝑣⃗

Este último resultado mostra muito claramente que carga em movimento constitui a corrente.
Denominamos este tipo de corrente de corrente de convecção, e 𝐽⃗ é a densidade de corrente de
convecção.

Note que a densidade de corrente de convecção está linearmente relacionada à densidade de


carga bem como à velocidade. A densidade de fluxo de carros de uma secção transversal de um túnel
(carros por metro quadrado – de seção transfersal do túnel – por segundo) pode ser aumentada por
meio da elevação da densidade de carros por metro cúbico presentes no túnel (provocado, por
exemplo, através do aumento do número de pistas do túnel, sem que haja variação no raio do mesmo)
ou por meio do aumento da velocidade média dos carros.

5.2 Continuidade de Corrente


O princípio de conservação de carga afirma simplesmente que cargas não podem ser criadas
nem destruídas, embora quantidades iguais de cargas positivas e negativas possam ser
simultaneamente originadas (obtidas por separação) ou destruídas (perdidas por recombinação).
64
A equação da continuidade segue este princípio quando consideramos qualquer região
limitada por uma superfície fechada. A corrente através da superfície fechada é

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𝐼 = ∮ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆

e este fluxo para fora de cargas positivas deve ser equilibrado pela diminuição de cargas positivas (ou
aumento de cargas negativas) dentro da superfície fechada. Se a carga dentro da superfície fechada é
representada por 𝑄𝑖 , então a taxa de decaimento é −𝑑𝑄𝑖 /𝑑𝑡 e o princípio da conservação de cargas
requer que

𝑑𝑄𝑖
𝐼 = ∮ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = −
𝑆 𝑑𝑡

A equação anterior é a forma integral da equação da continuidade, sendo a forma diferencial,


ou pontual, obtida usando-se o teorema da divergência para transformar a integral de superfície em
uma integral de volume:

∮ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∫ (∇
⃗⃗ ∙ 𝐽⃗)𝑑𝑣
𝑆 𝑣𝑜𝑙

Lembrando que 𝐽⃗ é representativo de uma densidade que sai de uma superfície fechada assim
⃗⃗ também o é, por isso a aplicação do teorema da divergência é possível.
como 𝐷

Em seguida, podemos usar a carga 𝑄𝑖 envolvida pela integral de volume da densidade de carga,
tornando-se a equação

𝑑𝑄𝑖 𝑑
⃗⃗ ∙ 𝐽⃗)𝑑𝑣 = 𝐼 = −
∫ (∇ = − ∫ 𝜌𝑣 𝑑𝑣
𝑣𝑜𝑙 𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑣𝑜𝑙

Se mantivermos a superfície constante ao longo do tempo, a derivada pode aparecer dentro


da integral se tornando uma derivada parcial,

𝑑𝑄𝑖 𝜕𝜌𝑣
⃗⃗ ∙ 𝐽⃗)𝑑𝑣 = 𝐼 = −
∫ (∇ = ∫ (− ) 𝑑𝑣
𝑣𝑜𝑙 𝑑𝑡 𝑣𝑜𝑙 𝜕𝑡

Portanto, como a expressão é verdadeira para todo volume 𝑑𝑣, temos que a forma pontual da
equação da continuidade é

𝜕𝜌𝑣
⃗∇⃗ ∙ 𝐽⃗ = −
𝜕𝑡

Esta equação indica que a corrente, ou a carga por segundo, que diverge de um pequeno
volume é igual à taxa de diminuição de carga por unidade de volume em cada ponto.

65

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5.3 Condutores Metálicos


Em um material sólido cristalino, como um metal ou um diamante, os elétrons com os maiores
níveis de energia, os elétrons de valência, estão situados na banda de valência. Se a banda de valência
se une suavemente com a banda de condução, então uma energia cinética adicional pode ser dada aos
elétrons de valência por um campo externo, resultando em um fluxo de elétrons. O sólido é chamado
de condutor metálico. O mesmo está ilustrado na figura (a) a seguir.

Se, contudo, existir uma banda proibida (gap) entre a banda de valência e a banda de
condução, então o elétron não pode se mover por meio do recebimento de energia adicional em
pequenas quantidades e o material é um isolante. Esta estrutura está indicada em (b). Note que, se
uma quantidade de energia relativamente grande puder ser transferida para o elétron, ele pode ser
suficientemente excitado para saltar a banda proibida até a próxima banda onde a condução pode
facilmente ocorrer. Aqui o isolante é rompido.

Ocorre uma condição intermediária quando somente uma pequena região proibida separa as
duas bandas, como ilustrada em (c). Pequenas quantidades de energia na forma de calor, luz ou um
campo elétrico podem aumentar a energia dos elétrons do topo da banda preenchida e fornecer a
base para condução. Estes materiais são isolantes que dispõem de muitas propriedades dos
condutores e são chamados semicondutores.

Os elétrons de condução ou elétrons livres em um condutor se movem sob influência de um


campo elétrico. Com um campo 𝐸⃗⃗ , um elétron de carga 𝑄 = −𝑒 irá experimentar uma força

𝐹⃗ = −𝑒𝐸⃗⃗

No espaço livre, o elétron aceleraria e continuamente aumentaria sua velocidade (e energia);


no material cristalino, o progresso do elétron é impedido pelas colisões contínuas com a rede de
estruturas cristalinas termicamente excitadas e uma velocidade média constante é logo atingida. Esta
velocidade é denominada velocidade de deriva e é representada por 𝑣⃗𝑑 e é linearmente relacionada 66
com a intensidade de campo elétrico e pela mobilidade do elétron em um dado material. Designamos
mobilidade pelo símbolo 𝜇, tal que

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𝑣⃗𝑑 = −𝜇𝑒 𝐸⃗⃗

onde 𝜇𝑒 é a mobilidade de um elétron, a mesma é positiva por definição. Note que a velocidade do
elétron está em uma direção oposta à direção de 𝐸⃗⃗ .

Substituindo-se esta velocidade de deriva na equação de densidade de corrente anteriormente


definida (𝐽⃗ = 𝜌𝑣 𝑣⃗), tem-se

𝐽⃗ = −𝜌𝑒 𝜇𝑒 𝐸⃗⃗

onde 𝜌𝑒 é a densidade de carga de elétrons livre, um valor negativo. O valor negativo de 𝜌𝑒 e o sinal
de menos levam a uma densidade de corrente 𝐽⃗ que está na mesma direção da intensidade de campo
elétrico 𝐸⃗⃗ .

Contudo, a relação entre 𝐽⃗ e 𝐸⃗⃗ para um condutor metálico é também especificada pela
condutividade 𝜎 (sigma),

𝐽⃗ = 𝜎𝐸⃗⃗

onde 𝜎 é medido em siemens por metro (𝑆/𝑚). Siemens (𝑆) é a unidade básica de condutância no
Sistema Internacional, que é o inverso da unidade básica resistência (𝛺). Chamamos a equação em
questão de forma pontual da primeira lei de Ohm; em breve veremos uma forma mais comum da lei
de Ohm.

Da observação das equações anteriores, a condutividade pode ser expressa em termos da


densidade de carga e da mobilidade do elétron,

𝜎 = −𝜌𝑒 𝜇𝑒

Condutores metálicos em geral apresentam valores de condutividade constantes, isto nos leva
a concluir que os mesmos obedecem à lei de Ohm. Como a lei de Ohm é uma relação linear, conclui-
se também que nos condutores metálicos a condutividade é constante sobre largas faixas de
densidade de corrente e intensidade de campo elétrico. A lei de Ohm e os condutores metálicos são
também descritos como isotrópicos, ou tendo as mesmas propriedades em todas as direções.

Entretanto, a condutividade é uma função da temperatura. A resistividade, que é o inverso da


condutividade e dada em ohm por metro (𝛺/𝑚), varia quase linearmente com a temperatura na
região da temperatura ambiente. Para alguns metais, a resistividade cai abruptamente a zero na
temperatura de poucos Kelvin; esta propriedade é denominada supercondutividade. O alumínio é um
exemplo de supercondutor.

Pela definição de mobilidade, é interessante notar que uma temperatura mais elevada implica 67
uma maior vibração da rede cristalina, maior impedimento de progresso dos elétrons para uma dada
intensidade de campo elétrico, menor velocidade de deriva, menor mobilidade, menor condutividade
e maior resistividade.

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Agora aplicaremos a lei de Ohm na forma pontual em uma região macroscópica. Inicialmente,
vamos supor que 𝐽⃗ e 𝐸⃗⃗ são uniformes, conforme mostrado pela região cilíndrica da figura a seguir.

Pode-se então escrever

𝐼 = ∮ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝐽𝑆
𝑆

e
𝑎 𝑎
𝑉𝑎𝑏 = − ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = −𝐸⃗⃗ ∙ (∫ 𝑑𝐿⃗⃗) = −𝐸⃗⃗ ∙ 𝐿⃗⃗𝑏𝑎 = 𝐸⃗⃗ ∙ 𝐿⃗⃗𝑎𝑏
𝑏 𝑏

ou

𝑉 = 𝐸𝐿

Assim,

𝐼 𝑉
𝐽 = 𝜎𝐸 → =𝜎
𝑆 𝐿

ou

𝐿
𝑉= 𝐼
𝜎𝑆

A razão da diferença de potencial entre os dois terminais do cilindro pela corrente que entra
no terminal mais positivo é conhecida pela teoria elementar de circuitos como a resistência do cilindro,
portanto,

𝑉 = 𝑅𝐼

esta equação é conhecida também como primeira lei de Ohm.

Daí pode-se escrever


68
𝐿 𝜌𝐿
𝑅= =
𝜎𝑆 𝑆

onde 𝜌, neste caso, representa a resistividade. Esta equação é conhecida como segunda lei de Ohm.

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5.4 Propriedade dos Condutores e Condições de Fronteira


Suponhamos que repentinamente apareça uma quantidade de elétrons no interior de um
condutor. Estes começariam a se repelir, acelerando-se para distanciar um do outro. Isto ocorreria até
que os elétrons atingissem a superfície externa do condutor, região em que a distância média entre os
mesmos seria máxima. Conseqüentemente nenhuma carga permaneceria dentro deste condutor.
Assim, o resultado final de carga no interior do condutor é uma densidade de carga zero e uma
densidade superficial de carga permanece na superfície externa. Esta é uma das características de um
bom condutor.

Outra característica estabelecida para condições estáticas nas quais nenhuma corrente deve
fluir, segue a partir da lei de Ohm: a intensidade de campo elétrico dentro do condutor é igual a zero,
pois se um campo elétrico estivesse presente, os elétrons de condução se deslocariam e produziriam
uma corrente.

Resumindo: para a eletrostática nenhuma carga e nenhum campo elétrico podem existir em
qualquer ponto dentro de um material condutor. Entretanto, a carga pode aparecer na superfície como
uma densidade superficial de carga.

Investigaremos agora os campos elétricos externos ao condutor. Se a intensidade do campo


elétrico externo for decomposta em duas componentes, conforme ilustrado na figura a seguir, uma
tangencial e outra normal à superfície do condutor, a componente tangencial é zero, pois não há
deslocamentos das cargas na superfície do condutor, uma vez que o mesmo está sujeito a uma
condição estática.

Este campo tangencial pode ser determinado, matematicamente, aplicando-se a seguinte


equação para uma linha de carga fechada situada nas imediações da superfície do condutor:

∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 0

sobre o pequeno caminho fechado 𝑎𝑏𝑐𝑑𝑎, conforme figura a seguir.

69

A integral de linha fechada deve ser dividida em quatro partes

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𝑏 𝑐 𝑑 𝑎
∫ +∫ +∫ +∫ = 0
𝑎 𝑏 𝑐 𝑑

Lembrando que 𝐸⃗⃗ = 0 dentro do condutor, fazendo os comprimentos de a a b ou de c a d


serem ∆𝑤 e os de b a c ou d a a serem ∆ℎ (conforme figura), obtemos

1 1
𝐸𝑡 ∆𝑤 − 𝐸𝑁−𝑏 ∆ℎ + 𝐸𝑁−𝑎 ∆ℎ = 0
2 2

𝐸𝑡 = 0

Já a condição para o campo normal é encontrada mais prontamente considerando-se 𝐷𝑁 em


vez de 𝐸𝑁 e escolhendo-se um pequeno cilindro como superfície gaussiana, de acordo com a figura
anterior. Usaremos para tal análise, a lei de Gauss

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄
∮𝐷
𝑆

Consideraremos a altura do cilindro como sendo ∆ℎ e as áreas das faces do topo e da base
como ∆𝑆. Faremos ∆ℎ tender a zero. Então, integraremos sobre as três superfícies distintas

∫ +∫ +∫ =𝑄
𝑡𝑜𝑝𝑜 𝑏𝑎𝑠𝑒 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙

e encontramos que a integral sobre a base será nula porque não existe campo nesta região, a integral
sobre a lateral também será nula pelo fato do campo tangente ser zero, ou ainda pelo fato, de ∆ℎ
tender a zero. Assim, resta apenas a integral sobre o topo, ou seja,

𝐷𝑁 ∆𝑆 = 𝑄 = 𝜌𝑆 ∆𝑆

𝐷𝑁 = 𝜌𝑆

Estas são as duas condições de fronteira desejadas para a fronteira condutor-espaço livre,

𝐷𝑡 = 𝐸𝑡 = 0

𝐷𝑁 = 𝜀0 𝐸𝑁 = 𝜌𝑆

Uma conseqüência importante e imediata de a intensidade de campo elétrico tangencial ser


zero é o fato de que a superfície de um condutor é uma superfície equipotencial.

Para resumir os princípios que aplicamos aos condutores em campos eletrostáticos, podemos
afirmar que

1. A intensidade de campo elétrico estático dentro de um condutor é zero. 70


2. A intensidade de campo elétrico estático na superfície de um condutor é, em qualquer
ponto, normal à superfície.
3. A superfície do condutor é uma superfície equipotencial.

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5.5 Método das Imagens


Uma característica importante do campo do dipolo que foi desenvolvido no capítulo anterior
é o plano infinito no potencial zero que existe a meio caminho entre as duas cargas. Tal plano pode ser
representado por um plano condutor extremamente fino de extensão infinita. O condutor é uma
superfície equipotencial no potencial 𝑉 = 0, e a intensidade de campo elétrico é, portanto, normal à
superfície.

Assim, se substituirmos a configuração do dipolo mostrada na figura (a) abaixo por uma carga
simples e um plano condutor mostrado na figura (b), os campos na metade superior de cada figura são
os mesmos. Abaixo do plano condutor, os campos são iguais a zero, pois não estabelecemos qualquer
carga nesta região.

Com esta equivalência o contrário também é verdadeiro, ou seja, podemos considerar uma
carga simples acima de um plano perfeitamente condutor e então observamos que pode-se manter os
mesmos campos abaixo do plano removendo-o e colocando uma carga negativa em uma localidade
simétrica abaixo deste. Esta carga é chamada de imagem da carga original e tem valor negativo. Isto é
válido para qualquer configuração de cargas acima de um plano condutor aterrado (𝑉 = 0) ,
conforme figura a seguir.

Como exemplo do uso das imagens, vamos determinar a densidade superficial de cargas em 71
𝑃(2, 5, 0) no plano condutor 𝑧 = 0 se há uma linha de cargas de 30𝑛𝐶/𝑚 localizada em 𝑥 = 0, 𝑧 = 3,
como mostrado na figura (a) abaixo. Removamos o plano e acrescentamos a linha de cargas da imagem

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de −30𝑛𝐶/𝑚 em 𝑥 = 0, 𝑧 = −3, como ilustrado na figura (b). O campo em P pode agora ser obtido
pela superposição dos campos conhecidos de uma linha de cargas.

O vetor radial da linha de cargas positiva a P é 𝑅⃗⃗+ = 2𝑎̂𝑥 − 3𝑎̂𝑧 , enquanto 𝑅⃗⃗− = 2𝑎̂𝑥 + 3𝑎̂𝑧 .
Assim, os campos individuais são

𝜌𝐿 30 × 10−9 (2𝑎̂𝑥 − 3𝑎̂𝑧 ) 𝜌𝐿 −30 × 10−9 (2𝑎̂𝑥 + 3𝑎̂𝑧 )


𝐸⃗⃗+ = 𝑎̂𝑅+ = 𝑒 𝐸⃗⃗− = 𝑎̂𝑅− =
2𝜋𝜀0 𝑅+ 2𝜋𝜀0 √13 √13 2𝜋𝜀0 𝑅− 2𝜋𝜀0 √13 √13

Somando-se estes resultados, temos

−180 × 10−9 𝑎̂𝑧


𝐸⃗⃗ = = −249𝑎̂𝑧 (𝑉/𝑚)
2𝜋𝜀0 13

⃗⃗ = −2,2𝑎̂𝑧 (𝑛𝐶/𝑚2 )
𝐷

Logo, em um ponto nesta superfície equipotencial,

⃗⃗ | = −2,2𝑛𝐶/𝑚2
𝜌𝑣 = |𝐷

5.6 Semicondutores
São dois os tipos de portadores de cargas que podemos encontrar em um material
semicondutor, os elétrons e as lacunas. Os elétrons são aqueles do topo da banda de valência que
receberam energia suficiente para atravessar a relativamente pequena banda proibida até a banda de
condução. Os vazios deixados por estes elétrons representam estados de energia não preenchidos na
banda de valência que também se movem de átomo para átomo no cristal. Este vazio é chamado
lacuna, e muitas propriedades dos semicondutores podem ser descritas tratando a lacuna como se ela
tivesse uma carga positiva 𝑒, uma mobilidade 𝜇ℎ e uma massa efetiva comparável à dos elétrons.
Ambos os portadores se movem em um campo elétrico e em direções opostas; assim, cada um
72
contribui com uma componente da corrente total que está na mesma direção que a fornecida pelo
outro. A condutividade é, portanto, uma função tanto da concentração quanto da mobilidade de
elétrons e lacunas,

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𝜎 = −𝜌𝑒 𝜇𝑒 + 𝜌ℎ 𝜇ℎ

Para o silício puro, ou intrínseco, as mobilidades do elétron e da lacuna são 0,12 e 0,025,
respectivamente, enquanto que para o germânio, as mobilidade são, respectivamente, 0,36 e 0,17.

As concentrações de elétrons e de lacunas dependem fortemente da temperatura. À medida


que a temperatura aumenta, as mobilidades nos semicondutores diminuem, mas as densidades de
carga aumentam muito rapidamente. Como resultado, a condutividade aumenta quando há elevação
de temperatura e, diminui quando a temperatura é abaixada. Note que a condutividade do
semicondutor puro aumenta com o aumento da temperatura enquanto que a dos condutores
metálicos diminui com o aumento da temperatura; esta é uma das características diferentes entre
condutores metálicos e semicondutores puros.

O número de portadores de cargas e a condutividade podem aumentar consideravelmente


pela adição de pequenas quantidades de impurezas. Materiais doadores fornecem elétrons adicionais
e formam semicondutores tipo n, enquanto materiais receptores fornecem lacunas extras e formam
semicondutores tipo p. O processo é conhecido como dopagem e uma concentração de doadores
silício menor que uma parte em 107 acarreta um aumento na condutividade por um fator de 105 .

Semicondutores puros também satisfazem a forma pontual da lei de Ohm; isto é, a


condutividade é razoavelmente constante com a densidade de corrente e com a direção da densidade
de corrente.

5.7 Natureza dos Materiais Dielétricos


Um dielétrico em um campo elétrico pode ser visto como um arranjo de dipolos elétricos
microscópicos no espaço livre que são compostos por cargas positivas e negativas cujos centros não
são coincidentes. Estas não são cargas livres e não contribuem para o processo de condução. Ao
contrário, elas são ligadas por forças atômicas e moleculares e podem apenas mudar ligeiramente de
posição em resposta aos campos externos. Elas são chamadas cargas ligadas ( 𝑄𝑏 ), em contraste com
as cargas livres que determinam condutividade.

A característica comum de todos os dielétricos, sejam eles sólidos, líquidos ou gasosos, em


forma cristalina ou não, é sua capacidade de armazenar energia elétrica. Este armazenamento faz-se
por um deslocamento das posições relativas das cargas ligadas positivas e negativas internas contra as
forças normais atômicas e moleculares.

O mecanismo atual de deslocamento das cargas difere em diversos materiais dielétricos.


Algumas moléculas são denominadas polares por terem um deslocamento permanente entre os
73
centros de gravidade das cargas positivas e negativas. Por outro lado, as moléculas que não sofrem
este deslocamento permanente em relação aos seus centros de gravidades são chamadas de

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moléculas apolares. Ambos os tipos formam dipolos e, quando aplicado um campo, podem ser
descrito por seu momento de dipolo 𝑝⃗, como desenvolvido anteriormente:

𝑝⃗ = 𝑄𝑑⃗

onde 𝑄 é a positiva das duas cargas ligadas compondo o dipolo e 𝑑⃗ é o vetor da carga negativa para a
carga positiva.

Neste momento, faz-se necessário deixar clara a relação entre a direção e sentido do vetor
campo elétrico 𝐸⃗⃗ aplicado e a direção e sentido do momento de dipolo 𝑝⃗ resultante. Esta relação irá,
é claro, ser uma função do tipo de material, portanto vamos essencialmente limitar nossa discussão
aos materiais isotrópicos para os quais 𝐸⃗⃗ e 𝑝⃗ estão sempre linearmente relacionados, ou seja,
possuem mesma direção e sentido. Em um material isotrópico, os vetores são sempre paralelos,
independentemente da orientação do campo. Embora a maioria dos dielétricos usados sejam
isotrópicos, cristais simples podem ser anisotrópicos. A natureza periódica dos materiais cristalinos
faz com que os momentos de dipolo estejam mais facilmente ao longo dos eixos do cristal e não
necessariamente na direção do campo aplicado.

Neste sentido, se há 𝑛 dipolos por unidade de volume e lidamos com um volume Δ𝑣, então há
𝑛Δ𝑣 dipolos. Então, o momento de dipolo total é obtido pela soma vetorial de todos momentos
individuais, ou seja,
𝑛Δ𝑣

𝑝⃗𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∑ 𝑝⃗𝑖
𝑖=1

Se os dipolos estão alinhados na mesma direção genérica, 𝑝⃗𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 pode ser um valor
significativo. Contudo, uma orientação aleatória pode acarretar um 𝑝⃗𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 essencialmente nulo. No
primeiro caso (dipolos alinhados devido à aplicação de um campo elétrico externo) teremos
𝑛Δ𝑣

𝑝⃗𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∑ 𝑝⃗𝑖 = 𝑛 Δ𝑣 𝑝⃗ = 𝑛 Δ𝑣 𝑄 𝑑⃗
𝑖=1

Definimos agora a polarização 𝑃⃗⃗ como o momento de dipolo total por unidade de volume,
quando este volume está tendendo a zero,

𝑛Δ𝑣
1
𝑃⃗⃗ = lim ( ∑ 𝑝⃗𝑖 )
Δ𝑣→0 Δ𝑣
𝑖=1

com unidade de Coulomb por metro quadrado.


74
No caso de termos um campo elétrico externo aplicado, a seguinte expressão para polarização
é válida:

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𝑛Δ𝑣
1 1
𝑃⃗⃗ = lim ( ∑ 𝑝⃗𝑖 ) = lim [ (𝑛 Δ𝑣 𝑄 𝑑⃗)] = lim (𝑛𝑄𝑑⃗) = 𝑛𝑄𝑑⃗
Δ𝑣→0 Δ𝑣 Δ𝑣→0 Δ𝑣 Δ𝑣→0
𝑖=1

Vamos admitir que temos um dielétrico contendo moléculas apolares e isotrópicas. Nenhuma
molécula possui momento de dipolo e 𝑃⃗⃗ = 0 por todo o material. Em algum lugar no interior do
dielétrico, escolhemos um elemento incremental de superfície Δ𝑆, como mostrado na figura a seguir,
e aplicamos um campo elétrico 𝐸⃗⃗ . O campo externo produz momento 𝑝⃗ = 𝑄𝑑⃗ em cada molécula, tal
que 𝑝⃗ e 𝑑⃗ fazem um ângulo 𝜃 com Δ𝑆⃗, como indicado na figura.

Passemos agora a inspecionar o movimento das cargas ligadas sobre Δ𝑆. Cada uma das cargas
associadas com a criação do dipolo deve se mover de uma distância (1/2)𝑑𝑐𝑜𝑠𝜃 na direção
perpendicular a Δ𝑆. Assim, quaisquer cargas positivas inicialmente situadas abaixo da superfície Δ𝑆 e
dentro da distância (1/2)𝑑𝑐𝑜𝑠𝜃 da superfície devem cruzar Δ𝑆 indo para cima. Ainda, quaisquer
cargas negativas inicialmente situadas acima da superfície Δ𝑆 e dentro da distância (1/2)𝑑𝑐𝑜𝑠𝜃 da
superfície devem cruzar Δ𝑆 indo para baixo. Portanto, como há 𝑛 𝑚𝑜𝑙é𝑐𝑢𝑙𝑎𝑠/𝑚3, a carga total líquida
(Δ𝑄𝑏 ) que cruza o elemento de superfície na direção para cima (levando em consideração as cargas
positivas para cima e as negativas para baixo) é igual a

Δ𝑄𝑏 = +𝑄[𝑛(1/2) 𝑑 𝑐𝑜𝑠𝜃 Δ𝑆] − (−𝑄)[𝑛(1/2) 𝑑 𝑐𝑜𝑠𝜃 Δ𝑆] = 𝑛𝑄(𝑑 𝑐𝑜𝑠𝜃 Δ𝑆)

ou ainda, 75

Δ𝑄𝑏 = 𝑛𝑄𝑑⃗ ∙ Δ𝑆⃗

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portanto, para ser mais claro, Δ𝑄𝑏 representa o incremento de cargas que cruza a superfície Δ𝑆 na
direção para cima, o índice 𝑏 nos lembra que estamos lidando com cargas ligadas e não cargas livres.
Em termos da polarização (𝑃⃗⃗ = 𝑛𝑄𝑑⃗), temos

Δ𝑄𝑏 = 𝑃⃗⃗ ∙ Δ𝑆⃗

Se interpretarmos Δ𝑆 como um elemento de uma superfície fechada dentro do material


dielétrico, então a direção de Δ𝑆⃗ é para fora e o aumento líquido das cargas ligadas dentro da
superfície fechada é obtido através da integral

𝑄𝑏 = − ∮ 𝑃⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆

onde o sinal negativo representa uma queda do número de cargas positiva no interior desta superfície
fechada devido ao movimento das mesma para fora da superfície.

A carga total envolvida por uma superfície fechada de um material dielétrico será

𝑄𝑇 = 𝑄𝑏 + 𝑄

onde 𝑄 é a carga total livre envolvida pela superfície 𝑆. Por princípio, a lei de Gauss pode ser reescrita
como se segue para determinação da carga total

𝑄𝑇 = ∮ 𝜀0 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆

Combinando estas três últimas equações, obtemos uma expressão para a carga livre envolvida,

𝑄 = 𝑄𝑇 − 𝑄𝑏 = ∮ 𝜀0 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ − (− ∮ 𝑃⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗) = ∮ (𝜀0 𝐸⃗⃗ + 𝑃⃗⃗) ∙ 𝑑𝑆⃗


𝑆 𝑆 𝑆

E como a clássica equação da lei de Gauss é aplicada à cargas livres 𝑄, temos

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∮ (𝜀0 𝐸⃗⃗ + 𝑃⃗⃗) ∙ 𝑑𝑆⃗


∮𝐷
𝑆 𝑆

⃗⃗ em termos mais gerais do que foi definido em capítulos anteriores,


Então, podemos definir 𝐷

⃗⃗ = 𝜀0 𝐸⃗⃗ + 𝑃⃗⃗
𝐷

Como estamos trabalhando com materiais isotrópico, percebe-se que os vetores 𝐸⃗⃗ e 𝑃⃗⃗ estão
linearmente relacionados (mesma direção e sentido). E esta relação pode ser expressa da seguinte
forma:
76
𝑃⃗⃗ = 𝜒𝑒 𝜀0 𝐸⃗⃗

onde 𝜒𝑒 (chi) é uma grandeza adimensional chamada susceptibilidade elétrica do material.

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Usando esta relação na equação da densidade de fluxo, tem-se

⃗⃗ = 𝜀0 𝐸⃗⃗ + 𝜒𝑒 𝜀0 𝐸⃗⃗ = (𝜒𝑒 + 1)𝜀0 𝐸⃗⃗


𝐷

A expressão dentro dos parênteses é agora definida como

𝜀𝑅 = 𝜒𝑒 + 1

Esta é uma outra grandeza adimensional, conhecida como a permissividade relativa ou


constante dielétrica do material. Assim,

⃗⃗ = 𝜀𝑅 𝜀0 𝐸⃗⃗
𝐷

⃗⃗ = 𝜀𝐸⃗⃗
𝐷

onde

𝜀 = 𝜀𝑅 𝜀0

e 𝜀 é a permissividade elétrica do material.

Materiais dielétricos anisotrópicos não podem ser descritos em termos dos parâmetros
susceptibilidade e permissividade como desenvolvido acima.

5.8 Condições de Fronteira para Materiais Dielétricos Perfeitos


Vamos considerar a interface entre dois dielétricos com permissividades 𝜀1 e 𝜀2 e ocupando
as regiões 1 e 2, como mostrado na figura abaixo. Examinemos, inicialmente, as componentes
tangenciais usando

∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 0

em torno de um pequeno caminho fechado à esquerda da figura, obtendo

𝐸𝑡𝑎𝑛−1 ∆𝑤 − 𝐸𝑡𝑎𝑛−2 ∆𝑤 = 0

A pequena contribuição à integral de linha pela componente normal de 𝐸⃗⃗ ao longo das seções
de comprimento ∆ℎ se torna desprezível à medida que ∆ℎ diminui e o caminho fechado se junta à
superfície. Imediatamente, então,

𝐸𝑡𝑎𝑛−1 = 𝐸𝑡𝑎𝑛−2
77
Com isto, tem-se que a diferença de potencial entre dois pontos quaisquer na fronteira
separados por uma distância ∆𝑤 é a mesma imediatamente abaixo ou acima da fronteira.

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⃗⃗
Como a intensidade de campo elétrico tangencial é contínua sobre a superfície, então 𝐷
tangencial é descontínua, pois

𝐷𝑡𝑎𝑛−1 𝐷𝑡𝑎𝑛−2
= 𝐸𝑡𝑎𝑛−1 = 𝐸𝑡𝑎𝑛−2 =
𝜀1 𝜀2

Já para a análise das componentes normais de campo, aplica-se a lei de Gauss a um pequeno
cilindro, conforme mostrado à direita na figura. Os lados são novamente muito pequenos e o fluxo que
deixa as superfícies do topo e da base é a diferença

𝐷𝑁1 ∆𝑆 − 𝐷𝑁2 ∆𝑆 = 𝜌𝑆 ∆𝑆

pela qual

𝐷𝑁1 − 𝐷𝑁2 = 𝜌𝑆

Como estamos analisando a fronteira de materiais dielétricos, não é desejável que se tenha
cargas livres nesta interface. Consequentemente, a densidade de cargas 𝜌𝑆 nesta interface será zero e

𝐷𝑁1 = 𝐷𝑁2

⃗⃗ é contínua. Daí, segue que a componente normal de 𝐸⃗⃗ é


ou seja, a componente normal de 𝐷
descontínua, ou seja,

𝜀1 𝐸𝑁1 = 𝐷𝑁1 = 𝐷𝑁2 = 𝜀2 𝐸𝑁2

Estas condições podem ser combinadas para mostrar a mudança nos vetores 𝐷 ⃗⃗ e 𝐸⃗⃗ na
⃗⃗1 (e 𝐸⃗⃗1 ) e a normal à
superfície. Para tanto, podemos considerar 𝜃1 como sendo o ângulo entre 𝐷
⃗⃗2 (e 𝐸⃗⃗2 ) e a normal à esta mesma superfície. A figura a seguir 78
superfície, enquanto 𝜃2 o ângulo entre 𝐷
é ilustrativa destes ângulos.

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Vale ressaltar, que na figura anterior considera-se 𝜀1 > 𝜀2 , o que gera, conforme pode ser
calculado, 𝜃1 > 𝜃2. A direção de 𝐸⃗⃗ em cada lado da fronteira é idêntica à direção de 𝐷
⃗⃗, pois 𝐷
⃗⃗ = 𝜀𝐸⃗⃗ .

5.9 Capacitância
Consideremos dois condutores mergulhados em um dielétrico homogêneo, conforme figura
abaixo. O condutor 𝑀2 carrega uma carga total positiva 𝑄 e 𝑀1 carrega uma carga igual em
magnitude, só que negativa. Não há outras cargas presentes, e a carga total do sistema é zero.

Cada condutor é uma superfície equipotencial. Nota-se, também, a existência de um fluxo


elétrico dirigido de 𝑀2 para 𝑀1 . Naturalmente 𝑀2 está em um potencial mais positivo.

Designamos a diferença de potencial entre 𝑀2 e 𝑀1 por 𝑉0 . Podemos, agora, definir a


capacitância deste sistema de dois condutores como a razão entre a magnitude da carga total em
ambos os condutores e a magnitude da diferença de potencial entre os condutores,

𝑄
𝐶=
𝑉0
79
Em termos gerais, determinamos 𝑄 aplicando-se a lei de Gauss numa superfície sobre o
condutor positivo e determinamos 𝑉0 pela equação da diferença de potencial entre dois pontos,

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∮ 𝜀𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
𝐶= +
− ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗

A capacitância é independente do potencial e da carga total, pois sua razão é constante. A


capacitância é uma função somente das dimensões físicas do sistema de condutores e da
permissividade do dielétrico homogêneo. A capacitância é medida, no Sistema Internacional, em
Farads (F).

Vamos aplicar a definição de capacitância a um sistema simples de dois condutores no qual os


condutores são planos paralelos, infinitos, idênticos e com separação 𝑑, conforme representado pela
figura a seguir. Escolhendo o plano condutor inferior em 𝑧 = 0 e o superior em 𝑧 = 𝑑, uma lâmina de
carga superficial uniforme ±𝜌𝑆 em cada condutor leva a um campo uniforme
𝜌𝑆
𝐸⃗⃗ = 𝑎̂
𝜀 𝑧

onde a permissividade do dielétrico homogêneo é 𝜀.

Então,

⃗⃗ = 𝜀𝐸⃗⃗ = 𝜌𝑆 𝑎̂𝑧
𝐷

Vale observar, por outro lado, que a carga no plano inferior deve ser realmente positiva, já que
⃗⃗ está dirigido para cima e o valor normal de 𝐷
𝐷 ⃗⃗,

𝐷𝑁 = 𝐷𝑧 = 𝜌𝑆

é igual à densidade superficial de carga ali.

A diferença de potencial entre os planos inferior e superior é

+ 𝑖𝑛𝑓𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 0
𝜌𝑆 𝜌𝑆 𝜌𝑆
𝑉0 = − ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = − ∫ 𝑎̂𝑧 ∙ 𝑑𝑧𝑎̂𝑧 = − ∫ 𝑑𝑧 = 𝑑 80
− 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 𝜀 𝑑 𝜀 𝜀

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Como a carga total em ambos os planos é infinita, a capacitância será infinita. Obtém-se uma
resposta mais prática considerando-se cada plano com área 𝑆, cujas dimensões lineares são muito
maiores que sua separação 𝑑. Isto nos permite o seguinte desenvolvimento,
𝜌𝑆
𝑉0 = 𝑑 𝑒 𝑄 = 𝜌𝑆 𝑆
𝜀
𝑄
𝐶=
𝑉0

𝜀𝑆
𝐶=
𝑑

5.10 Exemplos de Capacitância


Como outro exemplo, escolhemos um cabo ou capacitor coaxial de raio interno 𝑎, raio externo
𝑏 e comprimento 𝐿. Tem-se, conforme já calculado para uma linha infinita,

𝜌𝐿 𝑏
𝑉0 = 𝑉𝑎𝑏 = ln 𝑒 𝑄 = 𝜌𝐿 𝐿
2𝜋𝜀 𝑎

então,

𝑄 2𝜋𝜀𝐿
𝐶= → 𝐶=
𝑉0 ln(𝑏/𝑎)

Em seguida, consideremos um capacitor esférico formado por duas calotas esféricas


concêntricas condutoras de raio 𝑎 e 𝑏, sendo 𝑏 > 𝑎. Tem-se, conforme já calculado para esferas ou
cargas pontuais,

𝑄 1 1
𝑉0 = 𝑉𝑎𝑏 = ( − ) 𝑒 𝑄
4𝜋𝜀 𝑎 𝑏

então,

𝑄 4𝜋𝜀
𝐶= → 𝐶=
𝑉0 1 1
𝑎−𝑏

Se fizermos a esfera externa se tornar infinitamente grande, obtemos a capacitância de um


condutor esférico isolado,

𝐶 = 4𝜋𝜀𝑎
81
Para estudarmos o problema de múltiplos dielétricos mais detalhadamente, consideremos um
capacitor de placas paralelas de área 𝑆 e espaço 𝑑 entre as placas com a usual suposição de que 𝑑 é
muito pequeno quando comparado com as dimensões lineares das placas. Veja a ilustração a seguir.

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Considerando a diferença de potencial 𝑉0 entre as placas. As intensidades de campo elétrico


nas duas regiões serão 𝐸1 e 𝐸2 , ambas uniformes e 𝑉0 = 𝐸1 𝑑1 + 𝐸2 𝑑2 . Na interface dielétrica, 𝐸 é
normal e 𝐷𝑁1 = 𝐷𝑁2 ou 𝜀1 𝐸𝑁1 = 𝜀2 𝐸𝑁2 , ou ainda, 𝜀1 𝐸1 = 𝜀2 𝐸2 . Assim, eliminando-se 𝐸2 pela nossa
relação de 𝑉0 , temos

𝑉0 = 𝐸1 𝑑1 + 𝐸2 𝑑2 𝑒 𝜀1 𝐸1 = 𝜀2 𝐸2

𝜀1 𝐸1 𝜀1
𝑉0 = 𝐸1 𝑑1 + 𝑑 → 𝑉0 = (𝑑1 + 𝑑 )𝐸
𝜀2 2 𝜀2 2 1

Sabe-se que 𝜌𝑆1 = 𝐷1 = 𝜀1 𝐸1 , tem-se

𝜀1 𝜌𝑆1 𝑑1 𝑑2
𝑉0 = (𝑑1 + 𝑑2 ) ( ) → 𝑉0 = 𝜌𝑆1 ( + )
𝜀2 𝜀1 𝜀1 𝜀2

Como 𝐷1 = 𝐷2, a magnitude da carga superficial é a mesma em cada placa. A capacitância


será, então,

𝑄 𝜌𝑆1 𝑆 1 1
𝐶= = → 𝐶= =
𝑉0 𝑉0 𝑑1 𝑑2 1 1
𝜀1 𝑆 + 𝜀2 𝑆 𝐶1 + 𝐶2

ou ainda,

1 1 1
= +
𝐶 𝐶1 𝐶2

Supondo, agora, que exista um terceiro plano condutor ao longo da interface, encontraremos
cargas superficiais em cada lado deste condutor, e as magnitudes destas cargas serão iguais. A análise,
então, será a mesma anteriormente descrita e, conseqüentemente, a capacitância fica inalterada,
desde que o condutor adicional tenha uma espessura desprezível.

Vale ainda ressaltar, que este é o princípio de associação de capacitores em série. Portanto,
poder-se-á, assim, determinar a capacitância equivalente (𝐶𝑒𝑞 ) devido a n capacitores associados em
82
série por meio da expressão:

1 1 1 1
= + + ⋯+
𝐶𝑒𝑞 𝐶1 𝐶2 𝐶𝑛

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Em um último exemplo, consideraremos que uma fronteira dielétrica seja posicionada normal
às duas placas condutoras e o dielétrico ocupa as áreas 𝑆1 e 𝑆2 , um ao lado do outra, então uma
diferença de potencial 𝑉0 produziria os campos 𝐸1 = 𝐸2 = 𝑉0 /𝑑. Estes são campos normais às placas
e devem ser iguais. Então,

𝑉0 𝑉0
𝜌𝑆1 = 𝐷1 = 𝜀1 𝐸1 = 𝜀1 𝑒 𝜌𝑆2 = 𝐷2 = 𝜀2 𝐸2 = 𝜀2
𝑑 𝑑

assim,

𝑄 𝜌𝑆1 𝑆1 + 𝜌𝑆2 𝑆2 𝜀1 𝑆1 + 𝜀2 𝑆2
𝐶= = → 𝐶= = 𝐶1 + 𝐶2
𝑉0 𝑉0 𝑑

como era de se espera.

Este é o princípio de associação de capacitores em paralelo. Neste sentido, poder-se encontrar


a capacitância equivalente devido à associação de n capacitores em paralelo como se segue

𝐶𝑒𝑞 = 𝐶1 + 𝐶2 + ⋯ + 𝐶𝑛

83

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6 – EQUAÇÕES DE POISSON E DE LAPLACE

6.1 Equações de Poisson e de Laplace


A obtenção da equação de Poisson é extremamente simples. A partir da forma pontual da lei
de Gauss (ou divergência),

⃗∇⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = 𝜌𝑣

⃗⃗,
da definição de 𝐷

⃗⃗ = 𝜀𝐸⃗⃗
𝐷

e da relação do gradiente,

𝐸⃗⃗ = −∇
⃗⃗𝑉

por substituição, temos

⃗⃗ ∙ 𝐷
∇ ⃗⃗ = ∇
⃗⃗ ∙ (𝜀𝐸⃗⃗ ) = ∇
⃗⃗ ∙ (−𝜀 ∇
⃗⃗𝑉) = 𝜌𝑣

ou
𝜌𝑣
⃗⃗ ∙ ∇
∇ ⃗⃗𝑉 = −
𝜀

para a região homogênea na qual 𝜀 é constante. Em coordenadas cartesianas,

𝜕𝐴𝑥 𝜕𝐴𝑦 𝜕𝐴𝑧


⃗⃗ ∙ 𝐴⃗ =
∇ + +
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

𝜕𝑉 𝜕𝑉 𝜕𝑉
𝛻⃗⃗𝑉 = 𝑎̂𝑥 + 𝑎̂𝑦 + 𝑎̂
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝑧

e, portanto,

𝜕 𝜕𝑉 𝜕 𝜕𝑉 𝜕 𝜕𝑉 𝜕2𝑉 𝜕2𝑉 𝜕2𝑉 𝜌𝑣


⃗∇⃗ ∙ ⃗∇⃗𝑉 = ( )+ ( )+ ( )= 2 + 2 + 2 =−
𝜕𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜀

⃗⃗ ∙ ∇
Usualmente, a operação ∇ ⃗⃗ é abreviada para ∇2 (e pronunciado “nabla dois”), e temos

𝜌𝑣
∇2 𝑉 = − 84
𝜀

que é a nossa equação de Poisson, representada em coordenadas cartesianas.

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Se 𝜌𝑣 = 0, indicando densidade volumétrica de carga zero, mas permitindo a existência de


cargas pontuais e de distribuições lineares e superficiais de carga, então

∇2 𝑉 = 0

que é a equação de Laplace. A operação ∇2 é chamada de laplaciano de 𝑉.

Em coordenadas cartesianas, a equação de Laplace é

𝜕2𝑉 𝜕2𝑉 𝜕2𝑉


∇2 𝑉 = + + =0 (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠𝑖𝑎𝑛𝑎𝑠)
𝜕𝑥 2 𝜕𝑦 2 𝜕𝑧 2

Para as demais coordenadas a expressão do laplaciano será

1 𝜕 𝜕𝑉 1 𝜕2𝑉 𝜕2𝑉
∇2 𝑉 = (𝜌 ) + 2 ( 2 ) + 2 = 0 (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑖𝑙í𝑛𝑑𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠)
𝜌 𝜕𝜌 𝜕𝜌 𝜌 𝜕∅ 𝜕𝑧

1 𝜕 2 𝜕𝑉 1 𝜕 𝜕𝑉 1 𝜕2𝑉
∇2 𝑉 = (𝑟 ) + (𝑠𝑒𝑛𝜃 ) +
𝑟 2 𝜕𝑟 𝜕𝑟 𝑟 2 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝜕𝜃 𝜕𝜃 𝑟 2 𝑠𝑒𝑛2 𝜃 𝜕𝜙 2
=0 (𝑐𝑜𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑒𝑠𝑓é𝑟𝑖𝑐𝑎𝑠)

Para resolver estas equações laplacianas para um dado problema, outras informações são
necessárias, tais como certas condições de fronteira, conforme será visto logo a seguir.

6.2 Teorema da Unicidade


Vamos considerar que temos duas soluções para a equação de Laplace, o campo potencial 𝑉1
e o campo potencial 𝑉2 , ambos funções genéricas das coordenadas usadas. Portanto,

∇2 𝑉1 = 0 𝑒 ∇2 𝑉2 = 0

a partir das quais

∇2 (𝑉1 − 𝑉2 ) = 0

Cada solução também deve satisfazer as mesmas condições de fronteira, e se representarmos


os valores dos potenciais dados nas fronteiras por 𝑉𝑏 . No caso de o valor de 𝑉1 na fronteira 𝑉1𝑏 e o
valor de 𝑉2 na fronteira 𝑉2𝑏 ser idênticos a 𝑉𝑏 , ou seja,

𝑉1𝑏 = 𝑉2𝑏 = 𝑉𝑏

então, teremos 85

𝑉1 = 𝑉2

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Isto é baseado no teorema da unicidade que diz que “se uma resposta satisfaz a equação de
Laplace ou a equação de Poisson e também satisfaz as condições de fronteira, então ela é uma única
solução possível”.

6.3 Exemplos de Solução da Equação de Laplace


Diversos métodos foram desenvolvidos para resolver a equação diferencial parcial de segunda
ordem conhecida como equação de Laplace. O primeiro e mais simples método é aquele da integração
direta.

O método da integração direta se aplica apenas aos problemas unidimensionais, ou seja, nos
quais o campo potencial é função apenas de uma das três coordenadas. Como estamos trabalhando
com apenas três sistemas de coordenadas, pode parecer que há nove problemas a serem resolvidos,
mas um pouco de reflexão irá mostrar que o campo que varia somente com 𝑥 é fundamentalmente o
mesmo que varia somente com 𝑦 ou apenas com 𝑧. A rotação dos eixos não modifica o problema físico.
Na realidade, há cinco problemas a serem resolvidos, um em coordenadas cartesianas (𝑥), dois em
coordenadas cilíndricas (𝜌 𝑒 𝜙) e dois em coordenadas esféricas (𝑟 𝑒 𝜃).

A. Cálculo da equação de Laplace para o caso da variação do potencial elétrico em função


apenas de 𝒙.
A equação de Laplace se reduz a

𝜕2𝑉
=0
𝜕𝑥 2

e a derivada parcial pode ser substituída pela derivada ordinária, já que 𝑉 não é uma função de 𝑦 ou
de 𝑧,

𝑑2 𝑉
=0
𝑑𝑥 2

Integrando-se,

𝑑𝑉
=𝐴 → 𝑉 = 𝐴𝑥 + 𝐵
𝑑𝑥

onde 𝐴 e 𝐵 são constantes de integração.

As superfícies equipotenciais são dadas por 𝑥 constante e são planos infinitos. Considerando-
86
se, como condições de fronteira, 𝑉 = 𝑉1 em 𝑥 = 𝑥1 e 𝑉 = 𝑉2 em 𝑥 = 𝑥2 . Estes valores são então
substituídos na equação anterior, fornecendo

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𝑉1 − 𝑉2 𝑉2 𝑥1 − 𝑉1 𝑥2
𝐴= 𝑒 𝐵=
𝑥1 − 𝑥2 𝑥1 − 𝑥2

logo,

𝑉1 (𝑥 − 𝑥2 ) − 𝑉2 (𝑥 − 𝑥1 )
𝑉=
𝑥1 − 𝑥2

Esta expressão é estendida para variações unidimensionais do potencial elétrico em função


apenas de y ou apenas de z.

B. Cálculo da equação de Laplace para o caso da variação do potencial elétrico em função


apenas de 𝝆.
A equação de Laplace se reduz a

1 𝜕 𝜕𝑉
(𝜌 ) = 0
𝜌 𝜕𝜌 𝜕𝜌

e a derivada parcial pode ser substituída pela derivada ordinária,

1 𝑑 𝑑𝑉
(𝜌 ) = 0
𝜌 𝑑𝜌 𝑑𝜌

Excluindo-se 𝜌 = 0 e integrando-se,

𝑑𝑉
𝜌 =𝐴 → 𝑉 = 𝐴 ln 𝜌 + 𝐵
𝑑𝜌

onde 𝐴 e 𝐵 são constantes de integração.

C. Cálculo da equação de Laplace para o caso da variação do potencial elétrico em função


apenas de 𝝓.

87

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A equação de Laplace se reduz a

1 𝜕2𝑉
( )=0
𝜌2 𝜕∅2

e a derivada parcial pode ser substituída pela derivada ordinária,

1 𝑑2 𝑉
( )=0
𝜌2 𝑑∅2

Excluindo-se 𝜌 = 0 e integrando-se,

𝑑𝑉
=𝐴 → 𝑉 = 𝐴∅ + 𝐵
𝑑∅

onde 𝐴 e 𝐵 são constantes de integração.

D. Cálculo da equação de Laplace para o caso da variação do potencial elétrico em função


apenas de 𝒓.
A equação de Laplace se reduz a

1 𝜕 2 𝜕𝑉
(𝑟 )=0
𝑟 2 𝜕𝑟 𝜕𝑟

e a derivada parcial pode ser substituída pela derivada ordinária,

1 𝑑 2 𝑑𝑉
(𝑟 )=0
𝑟 2 𝑑𝑟 𝑑𝑟

Excluindo-se 𝑟 = 0 e integrando-se,

𝑑𝑉 −𝐴
𝑟2 =𝐴 → 𝑉= +𝐵
𝑑𝑟 𝑟

onde 𝐴 e 𝐵 são constantes de integração.

88

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E. Cálculo da equação de Laplace para o caso da variação do potencial elétrico em função


apenas de 𝜽.

A equação de Laplace se reduz a

1 𝜕 𝜕𝑉
(𝑠𝑒𝑛𝜃 )=0
𝑟 2 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝜕𝜃 𝜕𝜃

e a derivada parcial pode ser substituída pela derivada ordinária,

1 𝑑 𝑑𝑉
(𝑠𝑒𝑛𝜃 )=0
𝑟 2 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑑𝜃 𝑑𝜃

Excluindo-se 𝑟 = 0, 𝜃 = 0 ou 𝜋 e integrando-se,

𝑑𝑉 𝜃
𝑠𝑒𝑛𝜃 =𝐴 → 𝑉 = 𝐴 ln (tan ) + 𝐵
𝑑𝜃 2

onde 𝐴 e 𝐵 são constantes de integração.

6.4 Exemplo de Solução da Equação de Poisson


Para selecionar um problema que possa ilustrar a aplicação da equação de Poisson, devemos
considerar que a densidade volumétrica de carga é especificada. Contudo, este não é usualmente o
caso; de fato, ela é muitas vezes a grandeza sobre a qual procuramos alguma informação. Todavia,
para fins didáticos, vamos considerá-la conhecida.

Num primeiro exemplo poderíamos considerar 𝜌𝑣 = −2𝑥𝜀, com variações unidirecionais de 89


tensão em função de 𝑥.

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Como segundo exemplo, escolhemos uma junção 𝑝𝑛 entre duas metades de uma barra
semicondutora, estendendo-se na direção 𝑥. Devemos considerar que a região 𝑥 < 0 é do tipo 𝑝
dopada e que a região 𝑥 > 0 é do tipo 𝑛 também dopada. O grau de dopagem é idêntico em cada lado
da junção. O gráfico a seguir mostra a relação 𝜌𝑣 ⁄𝜌𝑣0 ao longo da distribuição, onde 𝜌𝑣 é a densidade
volumétrica de carga e 𝜌𝑣0 é a máxima densidade volumétrica de carga relacionada com as
concentrações dos aceitadores e doadores presentes no material.

Este gráfico pode ser expresso pela equação


𝑥 𝑥
𝜌𝑣 = 2𝜌𝑣0 𝑠𝑒𝑐ℎ ( ) 𝑡𝑎𝑛ℎ ( )
𝑎 𝑎

onde 𝑎 é uma constante que altera as características de contorno do gráfico.

São especificadas duas condições de fronteira. A primeira está relacionada ao fato que
nenhuma densidade de carga líquida e nenhum campo podem existir longe da junção, como é sugerido
na figura anterior. Assim, quando 𝑥 → ±∞, 𝐸𝑥 = 0. A segunda condição dada é que a referência zero
de potencial deve ser escolhida no centro da junção, em 𝑥 = 0.

Vamos agora resolver a equação de Poisson,

𝜌𝑣
∇2 𝑉 = −
𝜀

aplicando-se a distribuição de cargas dada,

𝑑2 𝑉 2𝜌𝑣0 𝑥 𝑥
2
=− 𝑠𝑒𝑐ℎ ( ) 𝑡𝑎𝑛ℎ ( )
𝑑𝑥 𝜀 𝑎 𝑎

Como pode-se notar, este é um problema unidimensional no qual variações com 𝑦 e 𝑧 não
estão presentes.

Integrando a primeira vez, 90

𝑑𝑉 2𝜌𝑣0 𝑎 𝑥
= 𝑠𝑒𝑐ℎ ( ) + 𝐶1
𝑑𝑥 𝜀 𝑎

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Integrando-se novamente a expressão,

4𝜌𝑣0 𝑎2
𝑉= 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛(𝑒 𝑥/𝑎 ) + 𝐶1 𝑥 + 𝐶2
𝜀

Aplica-se agora a segunda condição de fronteira: 𝑉 = 0 em 𝑥 = 0, tem-se

4𝜌𝑣0 𝑎2
0= 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛(𝑒 0 ) + 𝐶1 0 + 𝐶2
𝜀

4𝜌𝑣0 𝑎2 𝜋
𝐶2 = −
𝜀 4

Para aplicação da primeira condição de contorno, qual seja, 𝐸𝑥 = 0 quando 𝑥 → ±∞ ,


devemos obter o campo elétrico a partir da expressão do campo potencial, assim

2𝜌𝑣0 𝑎 𝑥
𝐸⃗ = −∇
⃗ V = −[ 𝑠𝑒𝑐ℎ ( ) + 𝐶1 ] 𝑎̂𝑥
𝜀 𝑎
2𝜌𝑣0 𝑎 𝑥
𝐸𝑥 = − 𝑠𝑒𝑐ℎ ( ) − 𝐶1
𝜀 𝑎

Aplicando-se a condição de contorno anterior, encontramos 𝐶1 = 0. Portanto,

2𝜌𝑣0 𝑎 𝑥
𝐸𝑥 = − 𝑠𝑒𝑐ℎ ( )
𝜀 𝑎

O gráfico representativo desta intensidade de campo elétrico é

e, finalmente, podemos escrever a equação completa para o potencial:

4𝜌𝑣0 𝑎2 𝜋
𝑉= [𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛(𝑒 𝑥/𝑎 ) − ]
𝜀 4

O gráfico representativo deste potencial é 91

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A equação de Poisson pode ser aplicada a qualquer problema que envolva densidade
volumétrica de carga, tal como aqui exemplificado.

92

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7 – CAMPO MAGNÉTICO ESTACIONÁRIO

7.1 Lei de Biot-Savart


O campo magnético estacionário pode ser gerado a partir de:

 um ímã permanente;
 uma corrente contínua, ou;
 um campo elétrico variando linearmente com o tempo.

Vamos ignorar o ímã permanente e deixar o campo elétrico variante no tempo para uma
discussão posterior. Nossas relações atuais dizem respeito ao campo magnético produzido por um
elemento diferencial de corrente contínua no espaço livre.

Consideremos uma corrente 𝐼 fluindo em um vetor de comprimento diferencial 𝑑𝐿 de um


⃗⃗ gerado
filamento. A lei de Biot-Savart afirma que o diferencial de intensidade de campo magnético 𝑑𝐻
por um diferencial de corrente 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ em um ponto 𝑃 posicionado pelo vetor 𝑅⃗⃗ em relação a este
diferencial de corrente é dado por

𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ × 𝑎̂𝑅 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ × 𝑅⃗⃗


⃗⃗ =
𝑑𝐻 =
4𝜋𝑅 2 4𝜋𝑅 3

A figura a seguir ilustra a equação da lei de Biot-Savart.

A unidade da intensidade do campo magnético 𝐻 ⃗⃗ é ampère por metro (𝐴/𝑚). Sua direção é
dada pelo produto vetorial de dois vetores, conforme equação, significando que a mesma é normal ao
93
plano que contém o filamento diferencial e a linha desenhada a partir do filamento ao ponto 𝑃.

Ainda, de acordo com a figura anterior, considerando o elemento de corrente no ponto 1 e


descrevendo como ponto 2 o ponto 𝑃 no qual o campo deve ser determinado, tem-se

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𝐼1 𝑑𝐿⃗⃗1 × 𝑅⃗⃗12
⃗⃗2 =
𝑑𝐻 3
4𝜋𝑅12

A lei de Biot-Savart, como foi até então apresentada, é impossível de se verificar


experimentalmente pois o elemento diferencial de corrente não pode ser isolado. Daí segue que
somente a forma integral da lei pode ser verificada experimentalmente,

𝐼1 𝑑𝐿⃗⃗1 × 𝑅⃗⃗12
⃗⃗2 = ∮
𝐻 3
4𝜋𝑅12

Ou, ainda, sem os índices:

𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ × 𝑎̂𝑅
⃗⃗ = ∮
𝐻
4𝜋𝑅 2

A lei de Biot-Savart também pode ser expressa em termos de fontes distribuídas, como uma
densidade de corrente 𝐽⃗ e uma densidade superficial de corrente 𝐾
⃗⃗ , conforme será introduzida. A
corrente superficial fluindo em uma lâmina de espessura infinitesimal tem sua densidade de corrente
𝐽⃗ infinita, então, usamos a densidade superficial de corrente que é medida em ampère por metro (de
⃗⃗. Se a densidade superficial de corrente é uniforme, a corrente total
largura), a qual é designada por 𝐾
𝐼 em qualquer elemento de largura 𝑏 é

𝐼 = 𝐾𝑏

onde consideramos que a largura 𝑏 é medida perpendicularmente à direção na qual a corrente está
fluindo, conforme ilustrado na figura a seguir. Para uma densidade superficial de corrente não-
uniforme, a integração se faz necessária,

𝐼 = ∫ 𝐾 𝑑𝑏

onde 𝑑𝑏 é um elemento diferencial do caminho sobre o qual a corrente está fluindo.

Assim, o elemento diferencial de corrente 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗, onde 𝑑𝐿⃗⃗ está na direção da corrente, pode ser 94
expresso em termos da densidade superficial de corrente 𝐾 ⃗⃗ ou da densidade corrente 𝐽⃗,

𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐾
⃗⃗ 𝑑𝑆 = 𝐽⃗ 𝑑𝑣

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e formas alternativas da lei de Biot-Savart podem ser obtidas,

⃗⃗ × 𝑎̂𝑅 𝑑𝑆
𝐾
⃗⃗ = ∫
𝐻
𝑆 4𝜋𝑅 2
e

𝐽⃗ × 𝑎̂𝑅 𝑑𝑣
⃗⃗ = ∫
𝐻 2
𝑣𝑜𝑙 4𝜋𝑅

Podemos ilustrar a aplicação da lei de Biot-Savart considerando um filamento reto


infinitamente longo, conforme mostrado na figura abaixo. Primeiramente, considera-se um fragmento
infinitesimal do filamento (Ponto 1) e em seguida integra-se.

O Ponto 2, no qual queremos determinar o campo, é, portanto, escolhido no plano 𝑧 = 0. O


ponto do campo 𝑟⃗ é, então, 𝑟⃗ = 𝜌𝑎̂𝜌 . O ponto da fonte 𝑟⃗ ′ é dado por 𝑟⃗ ′ = 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 e, portanto,

𝑅⃗⃗12 = 𝑟⃗ − 𝑟⃗ ′ = 𝜌𝑎̂𝜌 − 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧

de forma que

𝑅⃗⃗12 𝜌𝑎̂𝜌 − 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧


𝑎̂𝑅12 = =
|𝑅⃗⃗12 | √𝜌2 + 𝑧 ′2

Fazendo 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 , então

𝐼 𝑑𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 × (𝜌𝑎̂𝜌 − 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 )


⃗⃗2 =
𝑑𝐻
4𝜋(𝜌2 + 𝑧 ′2 )3/2 95
Como a corrente está na direção dos valores de 𝑧 ′ , os limites da integral são −∞ e ∞, e temos

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∞ 𝐼 𝑑𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 × (𝜌𝑎̂𝜌 − 𝑧 ′ 𝑎̂𝑧 ) ∞


𝐼𝜌𝑑𝑧 ′ 𝑎̂∅
⃗⃗2 = ∫
𝐻 = ∫
−∞ 4𝜋(𝜌2 + 𝑧 ′2 )3/2 2
−∞ 4𝜋(𝜌 + 𝑧 )
′2 3/2

𝐼𝜌𝑎̂∅ ∞ 𝑑𝑧 ′
⃗⃗2 =
𝐻 ∫
4𝜋 −∞ (𝜌2 + 𝑧 ′2 )3/2

𝐼𝑎̂∅ 𝑧′
⃗⃗2 =
𝐻 |
4𝜋 𝜌√𝜌2 + 𝑧 ′2
−∞

𝐼
⃗⃗2 =
𝐻 𝑎̂
2𝜋𝜌 ∅

A direção do vetor intensidade de campo magnético é circunferencial. As linhas de força são,


portanto, círculos ao redor do filamento, e o campo pode ser mapeado em uma seção transversal
como na figura abaixo. Vale ressaltar, que neste caso a corrente elétrica está entrando na página, o
que leva a um campo magnético de sentido horário.

A comparação desta figura com o mapa do campo elétrico em relação a uma linha de cargas
infinita mostra que as linhas de força do campo magnético correspondem exatamente às superfícies
equipotenciais do campo elétrico. Esta correspondência não é acidental, porém não será ainda
explorada agora.

De forma genérica, para um fio posicionado em qualquer ponto 1 do sistema cartesiano, pode-
se usar a seguinte equação para o cálculo do campo magnético no ponto 2:

𝐼
⃗⃗2 =
𝐻 (𝑎̂ × 𝑎̂𝑅12 )
2𝜋𝑅12 𝐿

sendo: 𝑅⃗⃗12 o vetor que sai do condutor e vai até o ponto onde se quer encontrar o campo magnético
(ponto 2), 𝑅12 é o módulo do vertor 𝑅⃗⃗12 , 𝑎̂𝑅12 vetor unitário de 𝑅⃗⃗12 e 𝑎̂𝐿 vetor unitário representativo 96
da direção do filamento (𝑎̂𝑥 , 𝑎̂𝑦 ou 𝑎̂𝑧 ).

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Esta equação também pode ser escrita sem a colocação dos índices, de forma a seguir a mesma
lógica adotada nos desenvolvimentos feitos para o campo elétrico, então

𝐼
⃗⃗ =
𝐻 (𝑎̂ × 𝑎̂𝑅 )
2𝜋𝑅 𝐿

7.2 Lei Circuital de Ampère


A lei circuital de Ampère vem resolver, de forma muito mais simples, os problemas
relacionados com campo magnético. A mesma é uma alternativa à lei de Biot-Savart. Um paralelo que
pode ser feito, é o uso da lei de Gauss como facilitadora da resolução de problemas relacionados com
campo elétrico, sendo esta uma alternativa à lei de Coulomb.

⃗⃗ em qualquer caminho fechado é


A lei circuital de Ampère afirma que a integral de linha de 𝐻
exatamente igual à corrente envolvida por este caminho,

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼
∮𝐻

Define-se corrente positiva aquela que flui na direção de avanço de um parafuso direito
girando na direção em que o caminho fechado é percorrido (também pode-se usar, de forma mais
simples, a regra da mão direita aprendida no ensino de segundo grau).

A figura abaixo mostra um fio circular conduzindo uma corrente contínua 𝐼, a integral de linha
de 𝐻⃗⃗ nos caminhos fechados indicados por 𝑎 e 𝑏 resultam em uma mesma resposta 𝐼, apesar dos
integrandos serem diferentes. Já a integral no caminho fechado 𝑐, o qual passa através do condutor,
fornece uma resposta menor que 𝐼 e é exatamente aquela porção da corrente total que é envolvida
pelo caminho em questão.

Outro paralelo que pode ser feito entre a lei de Gauss e lei circuital de Ampère é o fato da
primeira estar relacionada com a determinação da carga total envolvida por uma superfície fechada 97
(também chamada de superfície gaussiana), enquanto a segunda estar relacionada com a
determinação da corrente total envolvida por um caminho fechado (também conhecido por espira
amperiana).

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Como um primeiro exemplo da aplicação da lei circuital de Ampère, consideraremos


⃗⃗ para uma linha infinita, conforme figura
novamente o cálculo da intensidade de campo magnético 𝐻
abaixo.

Em nosso exemplo, o caminho ideal deverá ser um círculo de raio 𝜌 centrado no condutor. A
lei circuital se torna
2𝜋 2𝜋
⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∮ 𝐻
∮𝐻 ⃗⃗ ∙ 𝜌 𝑑∅ 𝑎̂∅ = ∫ 𝐻∅ 𝜌 𝑑∅ = 𝐻∅ 𝜌 ∫ 𝑑∅ = 𝐻∅ 2𝜋 𝜌 = 𝐼
0 0

ou

𝐼
𝐻∅ =
2𝜋𝜌

𝐼
⃗⃗ =
𝐻 𝑎̂
2𝜋𝜌 ∅

que é igual a expressão já calculada através da lei de Biot-Savart.

Em um segundo exemplo, considere uma linha de transmissão coaxial infinitamente longa


conduzindo uma corrente total 𝐼 uniformemente distribuída no condutor central e −𝐼 no condutor
externo. A linha é mostrada na figura abaixo. A simetria é a mesma do exemplo anterior, o que nos
possibilita o uso da expressão que foi ali encontrada.

98

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Para o caminho circular de raio 𝜌, em que 𝜌 é maior que o raio do condutor interno e menor
que o raio interno do condutor externo, tem-se

𝐼
𝐻∅ = (𝑎 < 𝜌 < 𝑏)
2𝜋𝜌

Para o caminho circular de raio 𝜌 menor que o raio do condutor interno, tem-se

𝐼𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑎 𝐼 𝜋𝜌2 𝐼𝜌
𝐻∅ = = = (𝜌 < 𝑎)
2𝜋𝜌 2𝜋𝜌 𝜋𝑎2 2𝜋𝑎2

Se o raio 𝜌 é maior que o raio externo do condutor externo, nenhuma corrente é envolvida,
uma vez que a somatória das correntes é zero, então

𝐻∅ = 0 (𝜌 > 𝑐)

Finalmente, se o caminho está situado dentro do condutor externo, temos

𝜋𝜌2 − 𝜋𝑏 2
𝐼𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑎 [𝐼 − 𝐼 (𝜋𝑐 2 − 𝜋𝑏 2 )] 𝐼 𝑐 2 − 𝜌2
𝐻∅ = = = (𝑏 < 𝜌 < 𝑐)
2𝜋𝜌 2𝜋𝜌 2𝜋𝜌 𝑐 2 − 𝑏 2

A variação da intensidade do campo magnético com o raio é mostrada na figura a seguir para
o caso de um cabo coaxial no qual 𝑏 = 3𝑎 e 𝑐 = 4𝑎. É importante notar que tal cabo coaxial, mesmo
conduzindo corrente elevada, não produziria qualquer efeito notável em um circuito adjacente, uma
vez que campo externo é zero.

Como um terceiro exemplo, vamos discutir o campo magnético de uma lâmina com corrente
fluindo na direção 𝑦 positiva e localizada no plano 𝑧 = 0 . Seja esta, uma lâmina de densidade
⃗⃗ = 𝐾𝑦 𝑎̂𝑦 , conforme mostrada na figura abaixo.
superficial de corrente 𝐾

99

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O caminho escolhido para tal problema está representado na figura como 1-1’-2’-2 composto
por segmentos de reta que são, cada um, paralelos ou perpendiculares a 𝐻𝑥 e a 𝐻𝑧 . A lei de Biot-Savart
mostra que as contribuições a 𝐻𝑧 produzidas por um par de filamentos simetricamente localizados se
cancelam, assim, 𝐻𝑧 é nulo, restando apenas 𝐻𝑥 , pois 𝐻𝑦 está na mesma direção do fluxo,
conseqüentemente, também é nulo. A lei circuital de Ampère fornece

𝐻𝑥1 𝐿 + 𝐻𝑥2 (−𝐿) = 𝐼 = 𝐾𝑦 𝐿

ou

𝐻𝑥1 − 𝐻𝑥2 = 𝐾𝑦

Se o caminho 3-3’-2’-2 for escolhido, a mesma corrente é envolvida e

𝐻𝑥3 − 𝐻𝑥2 = 𝐾𝑦

e, portanto,

𝐻𝑥3 = 𝐻𝑥1

𝐻𝑥1 = −𝐻𝑥2

pois os dois estão em sentido opostos (regra da mão direita).

Daí, segue que 𝐻𝑥 é o mesmo para todo 𝑧 positivo e de igual modo, 𝐻𝑥 é o mesmo para todo
𝑧 negativo. Então, por causa da simetria, a intensidade de campo magnético em um lado da lâmina de
corrente é o negativo da do outro lado. Acima da lâmina,

1
𝐻𝑥 = 𝐾𝑦 (𝑧 > 0)
2

enquanto que, abaixo,


100
1
𝐻𝑥 = − 𝐾𝑦 (𝑧 < 0)
2

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Considerando 𝑎̂𝑁 um vetor unitário normal (para fora) da lâmina de corrente, o resultado pode
ser escrito de forma genérica para todo 𝑧 como

1
⃗⃗ = 𝐾
𝐻 ⃗⃗ × 𝑎̂𝑁
2

Um quarto exemplo da aplicação da lei circuital de Ampère será demonstrado para a um


solenóide ideal (infinitamente longo) de raio 𝑎 e densidade de corrente uniforme 𝐾𝑎 𝑎̂∅ , como
mostrado na figura (a) a seguir. Para tal referência,

⃗⃗ = 𝐾𝑎 𝑎̂𝑧
𝐻 (𝜌 < 𝑎)

⃗⃗ = 0
𝐻 (𝜌 > 𝑎)

Isto é verdade porque, levando-se em consideração dois lados opostos de cada espira
formadora do solenóide, o campo em seu interior é somado, enquanto que em seu exterior o campo
é disperso.

Se o solenóide tiver um comprimento finito 𝑑, consistindo em 𝑁 espiras enroladas muito


próximas, em um filamento conduzindo uma corrente 𝐼, então o campo em pontos bem dentro do
solenóide é dado aproximadamente por,

𝐼𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑁𝐼
⃗⃗ = 𝐾𝑎 𝑎̂𝑧 =
𝐻 𝑎̂𝑧 = 𝑎̂ (𝑏𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜 𝑑𝑜 𝑠𝑜𝑙𝑒𝑛ó𝑖𝑑𝑒)
𝑑 𝑑 𝑧

A aproximação é útil se não for aplicada em pontos mais perto do que dois raios das 101
extremidades abertas, nem em pontos mais próximos da superfície do solenóide que duas vezes a
separação entre as espiras.

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Estas equações podem também ser encontradas através da aplicação da lei de Amperè a um
corte transvessal do solenóide.

Um quinto e último exemplo é o caso do toróide mostrado na figura abaixo. Aplicando-se a lei
circuital de Ampère chega-se, para toróide de 𝑁 espira, às seguintes expressões

𝑁𝐼
⃗⃗ =
𝐻 𝑎̂ (𝑏𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜 𝑑𝑜 𝑡𝑜𝑟ó𝑖𝑑𝑒)
2𝜋𝜌 𝜙

⃗⃗ = 0
𝐻 (𝑓𝑜𝑟𝑎 𝑑𝑜 𝑡𝑜𝑟ó𝑖𝑑𝑒)

Tem-se boas aproximações com as equações anteriores, contudo deve-se considerar que os
pontos avaliados estão distantes da superfície do toróide de várias vezes a separação entre as espiras.

7.3 Rotacional
Aplicaremos, agora, a lei circuital de Ampère a um perímetro de elemento diferencial de
superfície e discutiremos a terceira e última das derivadas especiais da análise vetorial, o rotacional.
Nosso objetivo imediato é obter a forma pontual da lei circuital de Ampère.

Escolhendo-se as coordenadas cartesianas e um caminho fechado incremental de lados Δ𝑥 e


⃗⃗ no
Δ𝑦. Admitimos que alguma corrente, ainda não especificada, produz um valor de referência para 𝐻
⃗⃗0 ), que pode ser escrito
centro desse pequeno retângulo (𝐻

⃗⃗0 = 𝐻𝑥0 𝑎̂𝑥 + 𝐻𝑦0 𝑎̂𝑦 + 𝐻𝑧0 𝑎̂𝑧


𝐻

A integral de linha fechada de 𝐻 ⃗⃗ neste caminho é, então, aproximadamente, a soma dos


quatro valores de 𝐻⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ em cada lado. A figura abaixo mostra este caminho.

102

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Escolhemos, conforme pode ser visto, a direção de percurso como 1-2-3-4-1, que corresponde
a uma corrente na direção 𝑎̂𝑧 , e a primeira contribuição é, portanto,

⃗⃗ ∙ Δ𝐿⃗⃗)
(𝐻 ⃗⃗1−2 ∙ Δ𝑦𝑎̂𝑦 = (𝐻𝑥,1−2 𝑎̂𝑥 + 𝐻𝑦,1−2 𝑎̂𝑦 + 𝐻𝑧,1−2 𝑎̂𝑧 ) ∙ Δ𝑦𝑎̂𝑦
=𝐻
1−2

⃗⃗ ∙ Δ𝐿⃗⃗)
(𝐻 = 𝐻𝑦,1−2 Δ𝑦
1−2

Podendo 𝐻𝑦,1−2 ser dado em termos de 𝐻𝑦0 mais a taxa de variação 𝐻𝑦 com 𝑥 para uma
distância Δ𝑥/2 do centro ao ponto médio do lado 1-2:

𝜕𝐻𝑦
𝐻𝑦,1−2 = 𝐻𝑦0 + (Δ𝑥/2)
𝜕𝑥

Assim,

1 𝜕𝐻𝑦
⃗⃗ ∙ Δ𝐿⃗⃗)
(𝐻 = (𝐻𝑦0 + Δ𝑥) Δ𝑦
1−2 2 𝜕𝑥

Ao longo dos demais trechos do caminho temos, por meio de cálculo análogo ao anterior,

1 𝜕𝐻𝑦
⃗⃗ ∙ Δ𝐿⃗⃗)
(𝐻 = − (𝐻𝑦0 − Δ𝑥) Δ𝑦
3−4 2 𝜕𝑥

enquanto,

1 𝜕𝐻𝑥
⃗⃗ ∙ Δ𝐿⃗⃗)
(𝐻 = − (𝐻𝑥0 + Δ𝑦) Δ𝑥
2−3 2 𝜕𝑦

1 𝜕𝐻𝑥
⃗⃗ ∙ Δ𝐿⃗⃗)
(𝐻 = (𝐻𝑥0 − Δ𝑦) Δ𝑥
4−1 2 𝜕𝑦
103
Somando-se as contribuições de todos os lados, tem-se

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𝜕𝐻𝑦 𝜕𝐻𝑥
⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = (
∮𝐻 − ) ∆𝑥∆𝑦
𝜕𝑥 𝜕𝑦

Assumindo-se uma densidade de corrente genérica 𝐽⃗, a corrente envolvida pelo caminho em
questão é, então Δ𝐼 = 𝐽𝑧 Δ𝑥 Δ𝑦, e

𝜕𝐻𝑦 𝜕𝐻𝑥
⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = (
∮𝐻 − ) ∆𝑥∆𝑦 = ∆𝐼 = 𝐽𝑧 ∆𝑥∆𝑦
𝜕𝑥 𝜕𝑦

ou

∮𝐻⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ 𝜕𝐻𝑦 𝜕𝐻𝑥


= − = 𝐽𝑧
∆𝑥∆𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦

Ao fazermos o caminho fechado reduzir-se, a expressão acima se torna mais exata, e no limite
temos a igualdade

∮𝐻⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ 𝜕𝐻𝑦 𝜕𝐻𝑥


lim = − = 𝐽𝑧
∆𝑥,∆𝑦→0 ∆𝑥∆𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦

Escolhendo-se caminhos fechados orientados perpendicularmente a cada um dos eixos


coordenados restantes, processos análogos levarão a expressões para as componentes 𝑥 e 𝑦 da
densidade de corrente,

∮𝐻⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ 𝜕𝐻𝑧 𝜕𝐻𝑦


lim = − = 𝐽𝑥
∆𝑦,∆𝑧→0 ∆𝑦∆𝑧 𝜕𝑦 𝜕𝑧

∮𝐻⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ 𝜕𝐻𝑥 𝜕𝐻𝑧


lim = − = 𝐽𝑦
∆𝑧,∆𝑥→0 ∆𝑧∆𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑥

Nos limites acima, vemos que uma componente da densidade de corrente é dada pelo limite
do quociente da integral de linha fechada pela área envolvida à medida que o caminho da integral
tende a zero. Esse limite está presente em outros campos da ciência e há muito tempo recebeu o nome
de rotacional. A forma matemática da definição é

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
∮𝐻
⃗⃗ ) = lim
(𝑟𝑜𝑡 𝐻 𝑁 ∆𝑆𝑁 →0 ∆𝑆𝑁

onde Δ𝑆𝑁 é a área plana envolvida pela integral de linha fechada. O índice 𝑁 indica que a componente
do rotacional é aquela componente que é normal à superfície envolvida pelo caminho fechado.
104
O rotacional pode ser escrito em termos do operador vetorial, ou seja,

⃗⃗ = ∇
𝑟𝑜𝑡 𝐻 ⃗⃗ × 𝐻
⃗⃗

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De forma geral temos que o resultado do rotacional é o próprio vetor densidade de corrente,
ou ainda,

⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗

Esta é a segunda das quatro equações de Maxwell aplicada a condições não variantes no
tempo, também conhecida como forma pontual da lei circuital de Ampère.

Em coordenadas cartesianas, considerando-se as componentes 𝑥, 𝑦 e 𝑧, o rotacional será

𝜕𝐻𝑧 𝜕𝐻𝑦 𝜕𝐻𝑥 𝜕𝐻𝑧 𝜕𝐻𝑦 𝜕𝐻𝑥


⃗∇⃗ × 𝐻
⃗⃗ = ( − ) 𝑎̂𝑥 + ( − ) 𝑎̂𝑦 + ( − ) 𝑎̂𝑧 (𝑐𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠𝑖𝑎𝑛𝑎)
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑦

Este resultado de rotacional para coordenadas cartesianas pode ser escrito na forma de um
determinante,

𝑎̂𝑥 𝑎̂𝑦 𝑎̂𝑧


𝜕 𝜕 𝜕
⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = || ||
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
𝐻𝑥 𝐻𝑦 𝐻𝑧

Em coordenadas cilíndricas e esféricas o rotacional é dado, respectivamente, por

1 𝜕𝐻𝑧 𝜕𝐻∅ 𝜕𝐻𝜌 𝜕𝐻𝑧 1 𝜕(𝜌𝐻∅ ) 1 𝜕𝐻𝜌


⃗∇⃗ × 𝐻
⃗⃗ = ( − ) 𝑎̂𝜌 + ( − ) 𝑎̂∅ + ( − ) 𝑎̂𝑧 (𝑐𝑖𝑙í𝑛𝑑𝑟𝑖𝑐𝑎)
𝜌 𝜕∅ 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝜌 𝜌 𝜕𝜌 𝜌 𝜕∅

1 𝜕(𝐻∅ 𝑠𝑒𝑛𝜃) 𝜕𝐻𝜃 1 1 𝜕𝐻𝑟 𝜕(𝑟𝐻∅ )


⃗∇⃗ × 𝐻
⃗⃗ = ( − ) 𝑎̂𝑟 + ( − ) 𝑎̂𝜃
𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝜕𝜃 𝜕∅ 𝑟 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝜕∅ 𝜕𝑟
1 𝜕(𝑟𝐻𝜃 ) 𝜕𝐻𝑟
+ ( − ) 𝑎̂∅ (𝑒𝑠𝑓é𝑟𝑖𝑐𝑎)
𝑟 𝜕𝑟 𝜕𝜃

⃗⃗ porque a integral dele ao longo de um


É importante salientar que só existe rotacional de 𝐻
caminho fechado não é nula se houve uma corrente na região, pois ∮ 𝐻 ⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼. Já para o caso da
integral do campo elétrico ao longo de um caminho fechado, tem-se ∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 0, o que nos permite
afirma que

∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ 0
(𝑟𝑜𝑡 𝐸⃗⃗ )𝑁 = lim = lim =0
∆𝑆𝑁 →0 ∆𝑆𝑁 ∆𝑆𝑁 →0 ∆𝑆𝑁

então,

⃗∇⃗ × 𝐸⃗⃗ = 0 105


Esta é a terceira das quatro equações de Maxwell aplicada a condições não variantes no
tempo.

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Como interpretação física do rotacional sugere-se que o mesmo seja testado por meio de uma
“roda propulsora de navio a vapor” bem pequena. Para testar um campo para o rotacional,
mergulhamos nossa roda propulsora em um campo, com os eixos dela alinhados com a direção da
componente do rotacional desejada, e observamos a ação do campo sobre a roda. Se nenhuma
rotação for observada significa que o rotacional é nulo; velocidades angulares elevadas significam
maiores valores do rotacional; reversão na direção de giro significa uma mudança no sinal do
rotacional. Observação: a direção do rotacional é ao longo do eixo da roda propulsora, como dada pela
regra da mão direita.

Como exemplo, considere o fluxo de água em um rio, conforme figura (a) abaixo. A velocidade
da água é praticamente zero no fundo e aumenta linearmente à medida que se aproxima da superfície.
Uma roda propulsora colocada na posição mostrada, com seu eixo perpendicular ao papel, irá girar no
sentido horário, mostrando a presença da componente do rotacional na direção da normal para dentro
da superfície da folha. Se a velocidade da água não varia se subimos ou descemos o rio e também não
mostra variação quando cruzamos o rio, então esta componente é a única componente presente no
centro da corrente em questão.

Na figura (b) acima são mostradas as linhas de força da intensidade de campo magnético em
um condutor filamentar extremamente longo. O medidor de rotacional posicionado neste campo de
linhas curvas mostra que um maior número de pás tem uma força no sentido horário exercida sobre
elas, mas que esta força é, em geral, menor que a força no sentido anti-horário exercida sobre o menor
número de pás mais próximas do fio. Então, é possível que o torque sobre a roda propulsora seja zero.
Na realidade a roda propulsora não gira neste caso, pois como 𝐻 ⃗⃗ = (𝐼/2𝜋𝜌)𝑎̂𝜙 obtemos um
rotacional nulo, como se segue,

1 𝜕𝐻𝑧 𝜕𝐻∅ 𝜕𝐻𝜌 𝜕𝐻𝑧 1 𝜕(𝜌𝐻∅ ) 1 𝜕𝐻𝜌


⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = ( − ) 𝑎̂𝜌 + ( − ) 𝑎̂∅ + ( − ) 𝑎̂𝑧
𝜌 𝜕∅ 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝜌 𝜌 𝜕𝜌 𝜌 𝜕∅

𝜕𝐻∅ 1 𝜕(𝜌𝐻∅ )
⃗∇⃗ × 𝐻
⃗⃗ = − 𝑎̂𝜌 + 𝑎̂𝑧 = 0
𝜕𝑧 𝜌 𝜕𝜌

Este resultado se justifica pelo fato de não haver corrente elétrica naquela posição. 106

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7.4 Teorema de Stokes


Considere a princípio a superfície 𝑆 da figura abaixo, a qual está dividida em superfícies
incrementais de área Δ𝑆.

Se aplicarmos a definição de rotacional a uma dessas superfícies incrementais da figura


anterior teremos

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
∮𝐻
⃗⃗ × 𝐻
= (∇ ⃗⃗ )
∆𝑆 𝑁

onde N novamente indica um vetor normal à superfície direcionado segundo a regra da mão direita.
O índice em 𝑑𝐿⃗⃗Δ𝑆 indica que o caminho fechado é o perímetro de uma área incremental Δ𝑆. Este
resultado pode também ser escrito como

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗∆𝑆
∮𝐻
⃗⃗ × 𝐻
= (∇ ⃗⃗ ) ∙ 𝑎̂𝑁
∆𝑆

ou

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗∆𝑆 = (∇
∮𝐻 ⃗⃗ × 𝐻
⃗⃗ ) ∙ 𝑎̂𝑁 ∆𝑆

e, ainda

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗∆𝑆 = (∇
∮𝐻 ⃗⃗ ) ∙ ∆𝑆⃗
⃗⃗ × 𝐻

107
onde 𝑎̂𝑁 é um vetor unitário na direção da normal a Δ𝑆 segundo a regra da mão direita.

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Agora, vamos determinar ∮ 𝐻 ⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ para a superfície 𝑆 como um todo e não apenas para uma
superfície incremental Δ𝑆. Para tanto, basta fazer o somatório de (∇ ⃗⃗ ) ∙ Δ𝑆⃗ na superfície total 𝑆.
⃗⃗ × 𝐻
Tem-se, portanto,

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∫ (∇
∮𝐻 ⃗⃗ ) ∙ 𝑑𝑆⃗
⃗⃗ × 𝐻
𝑆

onde 𝑑𝐿⃗⃗ é tomado apenas no perímetro de 𝑆. Esta identidade é válida para qualquer campo vetorial e
é conhecida como teorema de Stokes.

Outra forma mais simples de se obter o teorema de Stokes para o campo magnético é
desenvolvida a seguir a partir da lei de Ampère. Temos que

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼
∮𝐻

𝐼 = ∫ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆

então,

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∫ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
∮𝐻
𝑆

Sabe-se também, do princípio de rotacional, que

⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗

fazendo-se a substituição adequada, tem-se novamente a expressão do teorema de Stokes,

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∫ (∇
∮𝐻 ⃗⃗ ) ∙ 𝑑𝑆⃗
⃗⃗ × 𝐻
𝑆

7.5 Fluxo Magnético e Densidade de Fluxo Magnético


⃗⃗, para o espaço livre, como sendo
Define-se densidade de fluxo magnético 𝐵

⃗⃗ = 𝜇0 𝐻
𝐵 ⃗⃗

onde 𝐵⃗⃗ é medida em webers por metro quadrado (𝑊𝑏/𝑚2 ) ou, no Sistema Internacional de
Unidades, em tesla (𝑇). A constante 𝜇0 é conhecida por constante de permeabilidade magnética do 108
espaço livre e tem seu valor dado por

𝜇0 = 4𝜋10−7 𝐻/𝑚

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O vetor densidade de fluxo magnético 𝐵 ⃗⃗ pode ser comparado com o vetor densidade de fluxo
⃗⃗, o qual foi visto anteriormente no estudo do campo elétrico.
elétrico 𝐷

Uma vez conhecido o vetor densidade de fluxo magnético, é possível calcular o fluxo
magnético (Φ) através da equação

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
Φ = ∫𝐵
𝑆

a unidade de fluxo magnético é, naturalmente, weber (𝑊𝑏).

Fazendo-se um paralelo com o fluxo elétrico de uma superfície fechada, que pela lei de Gauss
é

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎
Ψ = ∮𝐷
𝑆

tem-se para o fluxo magnético de uma superfície fechada (aplicando-se a lei de Gauss):

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄𝑚𝑎𝑔𝑛é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎 = 0
Φ = ∮𝐵
𝑆

O resultado é nulo porque não existe carga magnética separada, uma vez que não é possível
separar o pólo norte do pólo sul de um material magnético, diferentemente das cargas elétricas, onde
as cargas positivas e cargas negativas são facilmente separadas. Portanto, segue-se que a aplicação da
divergência para um campo magnético será

⃗∇⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = 0

esta é a quarta e última das quatro equações de Maxwell que se aplicam a campos elétricos estáticos
e campos magnéticos estacionários.

A seguir tem-se um quadro comparativo das grandezas e teoremas relacionados à eletrostática


e à magnetostática (estudo do campo magnético estacionário).

ELETROSTÁTICA MAGNETOSTÁTICA

Lei de Coulomb: Lei de Bio-Savart:


𝑑𝑄 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ × 𝑎̂𝑅
𝐸⃗⃗ = ∫ 𝑎̂ (𝑉/𝑚) ⃗⃗ = ∮
𝐻 (𝐴/𝑚)
4𝜋𝜀0 𝑅 2 𝑅 4𝜋𝑅 2
109
⃗⃗ ):
Densidade de Fluxo Elétrico (𝐷 ⃗⃗):
Densidade de Fluxo Magnético (𝐵
⃗⃗ = 𝜀0 𝐸⃗⃗
𝐷 (𝐶/𝑚2 ) ⃗⃗ = 𝜇0 𝐻
𝐵 ⃗⃗ (𝑊𝑏/𝑚2 𝑜𝑢 𝑇)

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Fluxo Elétrico (Ψ): Fluxo Magnético (Φ):

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
Ψ = ∫𝐷 (𝐶) ⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗
Φ = ∫𝐵 (𝑊𝑏)

Lei de Gauss: Lei Circuital de Ampère:

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝑄𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎
Ψ = ∮𝐷 ⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑜
∮𝐻
𝑆

Lei Circuital de Ampère para o Campo Elétrico: Lei de Gauss para o Campo Magnético:

∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 0 ⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 0


∮𝐵
𝑆

Divergência: Rotacional:
⃗⃗ ∙ 𝐷
∇ ⃗⃗ = 𝜌𝑣 ⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗
(forma pontual da Lei de Gauss) (forma pontual da Lei Circuital de Ampère)

Rotacional para o Campo Elétrico: Divergência para o Campo Magnético:


⃗∇⃗ × 𝐸⃗⃗ = 0 ⃗∇⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = 0

Teorema da Divergência: Teorema de Stokes:

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∫ (∇
∮𝐷 ⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗) 𝑑𝑣 = ∫ 𝜌𝑣 𝑑𝑣 = 𝑄𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎 ⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∫ (∇
∮𝐻 ⃗⃗) ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∫ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 𝐼𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑜
⃗⃗ × 𝐻
𝑆 𝑣𝑜𝑙 𝑣𝑜𝑙 𝑆 𝑆

7.6 Potenciais Magnéticos Escalar e Vetorial


O potencial magnético escalar, que é designado por 𝑉𝑚 , tem algumas propriedades
semelhantes às do potencial elétrico. Escreve-se, então,

⃗⃗ = −∇
𝐻 ⃗⃗𝑉𝑚

Essa definição não deve entrar em conflito com os resultados anteriores para o campo
magnético, e portanto,

⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗ = ∇
⃗⃗ × (−∇
⃗⃗𝑉𝑚 )

Entretanto, o rotacional do gradiente de qualquer escalar é identicamente zero, uma


identidade vetorial cuja demonstração não será realizada aqui, ficando 110

⃗∇⃗ × (−∇
⃗⃗𝑉𝑚 ) = 0

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Portanto, vemos que se 𝐻⃗⃗ for definido como o gradiente do potencial magnético escalar,
então a densidade de corrente deve ser zero (𝐽⃗ = 0) através da região na qual o potencial magnético
escalar está definido. Temos, então,

⃗⃗ = −∇
𝐻 ⃗⃗𝑉𝑚 (𝐽⃗ = 0)

A unidade de medida do potencial magnético escalar é Ampère. Esse potencial escalar também
deve satisfazer a equação de Laplace. Por isso, no espaço livre,

⃗∇⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = 0 (4ª 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝑀𝑎𝑥𝑤𝑒𝑙𝑙)

⃗∇⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = ⃗∇⃗ ∙ (𝜇0 𝐻
⃗⃗ ) = 𝜇0 ⃗∇⃗ ∙ 𝐻
⃗⃗ = 0

e, assim,

𝜇0 ⃗∇⃗ ∙ 𝐻
⃗⃗ = 𝜇0 ⃗∇⃗ ∙ (−∇
⃗⃗𝑉𝑚 ) = 0

ou

∇2 𝑉𝑚 = 0 (J⃗ = 0)

O potencial magnético escalar 𝑉𝑚 , diferentemente do potencial elétrico 𝑉, não é uma função


unívoca da posição. O potencial elétrico 𝑉 é unívoco; uma vez que estabelecido um zero de referência,
há apenas um valor de 𝑉 associado a cada ponto no espaço livre.

Outra diferença está no fato que o potencial eletrostático 𝑉 é um campo conservativo,


enquanto o potencial magnético 𝑉𝑚 não é conservativo. Se dermos uma volta completa ao redor de
uma linha infinita carregada teremos ∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 0, já no caso do campo magnético, dando-se uma
⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼 e
volta completa ao redor de uma linha infinita (fio) contendo uma corrente 𝐼 teremos: ∮ 𝐻
⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 2𝐼 e assim por diante.
se dermos duas voltas ∮ 𝐻

Deixaremos agora o estudo do campo potencial magnético escalar e introduziremos o conceito


do campo potencial magnético vetorial. Este campo vetorial é extremamente útil no estudo de
irradiação de antenas, de aberturas e fuga de irradiação de linhas de transmissão, de guias de onda e
de fornos de microondas. O campo potencial magnético vetorial tem a vantagem de poder ser usado
em regiões onde a densidade corrente é zero ou diferente de zero.

A escolha de um potencial magnético vetorial é indicada notando-se que

⃗∇⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = 0

Em seguida, uma identidade vetorial mostra que a divergência do rotacional de qualquer


111
campo vetorial é zero. Portanto, escolheu-se

⃗⃗ = ⃗∇⃗ × 𝐴⃗
𝐵

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onde 𝐴⃗ significa um potencial magnético vetorial e automaticamente satisfaz a condição de que a


densidade fluxo magnético deve ter divergência zero, como a operação rotacional implica uma
diferenciação em relação ao comprimento, as unidades de 𝐴⃗ são webers por metro (𝑊𝑏/𝑚). O campo
⃗⃗ é
𝐻

⃗⃗ × 𝐴⃗
⃗⃗ = ∇
𝜇0 𝐻

1
⃗⃗ =
𝐻 ⃗⃗ × 𝐴⃗

𝜇0

1
⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗ = ⃗⃗ × 𝐴⃗
⃗⃗ × ∇

𝜇0

O rotacional do rotacional de um campo vetorial não é zero e é dado por uma expressão
razoavelmente complicada

⃗∇⃗ × ⃗∇⃗ × 𝐴⃗ = ⃗∇⃗(∇


⃗⃗ ∙ 𝐴⃗) − ∇2 𝐴⃗

Em casos específicos para os quais a forma de 𝐴⃗ é conhecida, a operação rotacional pode ser
aplicada duas vezes para determinar a densidade de corrente.

Desenvolvendo a equação do potencial magnético vetorial 𝐴⃗ pode ser chegar à seguinte


expressão

𝜇0 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗
𝐴⃗ = ∮
4𝜋𝑅

Notamos nesta equação que o vetor potencial magnético tem o mesmo sentido e direção que
𝐼 𝑑𝐿⃗⃗. A equação anterior pode também ser escrita em sua forma diferencial,

𝜇0 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗
𝑑𝐴⃗ =
4𝜋𝑅

até que um caminho fechado completo no qual a corrente flui seja considerado.

Para exemplificar a aplicação do conceito de potencial magnético vetorial, considere o campo


potencial magnético vetorial de um filamento diferencial posicionado na origem no espaço livre,
conforme figura a seguir. O mesmo estende-se na direção 𝑧 positiva, de forma que 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑑𝑧 𝑎̂𝑧 .
112

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Usando-se coordenadas cilíndricas para determinar 𝑑𝐴⃗ no ponto (𝜌, 𝜙, 𝑧):

𝜇0 𝐼 𝑑𝑧 𝑎̂𝑧
𝑑𝐴⃗ =
4𝜋√𝜌2 + 𝑧 2

ou

𝜇0 𝐼 𝑑𝑧
𝑑𝐴𝑧 = 𝑑𝐴𝜌 = 0 𝑑𝐴𝜙 = 0
4𝜋√𝜌2 + 𝑧 2

Para encontrar a intensidade de campo magnético, devemos tomar o rotacional da equação


anterior, o que leva a

1 1 𝜕 𝑑𝐴𝑧
⃗⃗ =
𝑑𝐻 ⃗∇⃗ × 𝑑𝐴⃗ = (− ) 𝑎̂𝜙
𝜇0 𝜇0 𝜕𝜌

ou

𝐼 𝑑𝑧 𝜌
⃗⃗ =
𝑑𝐻 𝑎̂
4𝜋 (𝜌 + 𝑧 2 )3/2 𝜙
2

que é facilmente mostrada como sendo o mesmo valor dado pela lei de Biot-Savart.

⃗⃗, o elemento diferencial de corrente se torna


Para uma lâmina de corrente 𝐾

𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐾
⃗⃗ 𝑑𝑆

No caso de uma corrente fluindo através de um volume com uma densidade 𝐽⃗, temos

𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐽⃗ 𝑑𝑣

As expressões alternativas para 𝐴⃗ são, então, 113

⃗⃗𝑑𝑆
𝜇0 𝐾
𝐴⃗ = ∫
𝑆 4𝜋𝑅

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𝜇0 𝐽⃗𝑑𝑣
𝐴⃗ = ∫
𝑣𝑜𝑙 4𝜋𝑅

Fica evidente, pela observação das equações dadas, que o potencial magnético vetorial tem
seu valor de referência zero no infinito, ou seja, 𝐴⃗ = 0 em 𝑅 = ∞, pois nenhum elemento de corrente
finito pode produzir qualquer contribuição quando 𝑅 → ∞.

114

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8 – FORÇAS MAGNÉTICAS, MATERIAIS E INDUTÂNCIA

8.1 Força em uma Carga em Movimento


Experimentalmente, podemos verificar que uma partícula carregada movimentando-se em um
campo magnético cuja densidade de fluxo é 𝐵 ⃗⃗ , sofre a ação de uma força cuja magnitude é
⃗⃗. A direção da força é perpendicular
proporcional à carga 𝑄, à sua velocidade 𝑣⃗ e ao próprio valor de 𝐵
⃗⃗ e é dada por um vetor unitário da direção de 𝑣⃗ × 𝐵
a 𝑣⃗ e a 𝐵 ⃗⃗ (regra da mão esquerda). A força pode
ser, portanto, expressa como

𝐹⃗ = 𝑄 𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗

Conforme pode ser notado, a força é normal à trajetória, por isso ela não pode alterar a
magnitude da velocidade da partícula, em outras palavras, o vetor aceleração é sempre perpendicular
ao vetor velocidade, então a energia cinética da partícula permanece inalterada, e segue daí que o
campo magnético estacionário é incapaz de transferir energia para a carga em movimento. Por outro
lado no que tange ao campo elétrico, este exerce uma força sobre a partícula que é independente da
direção em que a partícula se desloca e, portanto, acarreta uma transferência de energia entre o
campo e a partícula, a mesma é encontrada, conforme já visto, pela expressão

𝐹⃗ = 𝑄𝐸⃗⃗

A força sobre uma partícula em movimento devida aos campos elétrico e magnético
combinados é facilmente obtida através da superposição, ou seja,

𝐹⃗ = 𝑄(𝐸⃗⃗ + 𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗)

Esta equação é conhecida como a equação de força de Lorentz, e sua solução é necessária
para a determinação do movimento de partículas carregadas sob a ação combinada dos campos
elétrico e magnético.

8.2 Força em um Elemento Diferencial de Corrente


A força sobre uma partícula carregada que se desloca através de um campo magnético
estacionário pode ser escrita como uma força diferencial exercida sobre um elemento diferencial de
carga,
115
𝑑𝐹⃗ = 𝑑𝑄 𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗

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A figura (a) a seguir mostra um diferencial de carga contido em um diferencial de fio ou tira.
Este filamento é percorrido por uma corrente 𝐼, o mesmo tem largura 𝑤 e está submetido a uma
densidade de fluxo magnético 𝐵 ⃗⃗ entrando na folha. Este experimento foi primeiro implementado por
Edwin Hall em 1879, que mostrou que os elétrons de condução em movimento em um condutor
podem ser defletidos por um campo magnético. Esta constatação é conhecida por efeito Hall.

Percebe-se que ao aplicar um campo magnético, conforme figura, ocorre um acúmulo de carga
no lado direito da tira em questão. Este acúmulo de carga ao longo do lado direito da tira (e a
deficiência correspondente de carga deste sinal no lado esquerdo), produz um campo elétrico 𝐸⃗⃗𝐻 ao
longo da tira, conforme mostrado na figura (b). Este campo é conhecido por campo elétrico de Hall.
Desta forma, surge uma diferença de potencial 𝑉𝐻 = 𝐸𝐻 𝑤, chamada de potencial Hall (ou tensão Hall),
ao longo deste diferencial de tira. Esta tensão é factível de medição.

À medida que os portadores de carga (de sinal positivo ou negativo) se movimentam, eles são
defletidos, neste caso, para a direita da tira pela força magnética. E à medida que as cargas se
empilham no lado direito, elas estabelecem um campo elétrico que age dentro do condutor opondo-
se ao movimento (dos portadores adicionais) para os lados. O equilíbrio é rapidamente atingido e a
tensão Hall atinge o seu valor máximo; o diferencial de força magnética lateral é dessa forma
equilibrado pelo diferencial de força elétrica lateral. Em termos vetoriais, o diferencial de força de
Lorentz sobre os portadores de carga é nula, ou seja,

𝑑𝐹⃗ = 𝑑𝑄(𝐸⃗⃗𝐻 + 𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗) = 0

logo, 116

𝐸⃗⃗𝐻 = −𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗

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Passaremos agora a uma análise macroscópica, fora do condutor. Vimos, em capítulos


anteriores, que a densidade de corrente de convecção em termos da velocidade e da densidade
volumétrica de carga é

𝐽⃗ = 𝜌𝑣 𝑣⃗

O elemento diferencial de carga também pode ser expresso em termos de densidade


volumétrica de carga (𝑑𝑣),

𝑑𝑄 = 𝜌𝑣 𝑑𝑣

Assim,

𝑑𝐹⃗ = 𝑑𝑄 𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗ = (𝜌𝑣 𝑑𝑣)𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗

ou

𝑑𝐹⃗ = 𝐽⃗ × 𝐵
⃗⃗ 𝑑𝑣

Sabe-se também que

𝐽⃗ 𝑑𝑣 = 𝐾
⃗⃗ 𝑑𝑆 = 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗

e, assim, para uma densidade superficial de corrente, tem-se

𝑑𝐹⃗ = 𝐾
⃗⃗ × 𝐵
⃗⃗ 𝑑𝑆

e para um filamento diferencial de corrente,

𝑑𝐹⃗ = 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ × 𝐵
⃗⃗

Integrando-se as equações anteriores, temos

𝐹⃗ = ∫ 𝐽⃗ × 𝐵
⃗⃗ 𝑑𝑣
𝑣𝑜𝑙

𝐹⃗ = ∫ 𝐾
⃗⃗ × 𝐵
⃗⃗ 𝑑𝑆
𝑆

𝐹⃗ = ∮ 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ × 𝐵
⃗⃗ = −𝐼 ∮ 𝐵
⃗⃗ × 𝑑𝐿⃗⃗

Um resultado simples é obtido aplicando-se a equação anterior a um condutor reto em um


campo magnético uniforme, 117

𝐹⃗ = 𝐼 𝐿⃗⃗ × 𝐵
⃗⃗

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A magnitude da força é dada pela equação familiar

𝐹 = 𝐵𝐼𝐿 𝑠𝑒𝑛𝜃

onde 𝜃 é o ângulo entre os vetores que representam a direção do fluxo de corrente e a direção da
densidade de fluxo magnético.

8.3 Força entre Elementos Diferenciais de Corrente


O campo magnético em um ponto 2 gerado por um elemento de corrente em um ponto 1 foi
determinado no capítulo anterior como sendo

𝐼1 𝑑𝐿⃗⃗1 × 𝑎̂𝑅12
⃗⃗2 =
𝑑𝐻 2
4𝜋𝑅12

Já o diferencial de força sobre um elemento diferencial de corrente num ponto 2 foi


determinado na secção anterior como sendo

𝑑𝐹⃗2 = 𝐼2 𝑑𝐿⃗⃗2 × 𝐵
⃗⃗2

e aplicando este resultado ao nosso problema, substituímos 𝐵 ⃗⃗2 por 𝑑𝐵⃗⃗2 (a densidade de fluxo
diferencial no ponto 2 causada pelo elemento de corrente 1) e simbolizamos a quantidade diferencial
de força diferencial no elemento 2 por 𝑑(𝑑𝐹⃗2 ), que é uma diferencial dupla:

𝑑(𝑑𝐹⃗2 ) = 𝐼2 𝑑𝐿⃗⃗2 × 𝑑𝐵
⃗⃗2

Sabe-se também que

𝐼1 𝑑𝐿⃗⃗1 × 𝑎̂𝑅12
⃗⃗2 = 𝜇0 𝑑𝐻
𝑑𝐵 ⃗⃗2 = 𝜇0
2
4𝜋𝑅12

Então, obtém-se a força entre os dois elementos diferenciais de corrente,

𝐼1 𝐼2
𝑑(𝑑𝐹⃗2 ) = 𝜇0 ⃗⃗ ⃗⃗
2 𝑑𝐿2 × (𝑑𝐿1 × 𝑎
̂𝑅12 )
4𝜋𝑅12

Conforme pode-se observar, a equação é um tanto quanto complicada. Isto deve-se ao fato de
que a força está sendo expressa de forma direta sem a determinação do campo magnético. O conceito
de campo magnético foi introduzido de modo a dividir em duas partes o problema da determinação
da interação de uma distribuição de corrente sobre uma segunda distribuição. Deve-se, portanto,
evitar formas diretas de representação de interações entre correntes em que não há o uso do conceito 118
intermediário de campo magnético.

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8.4 Força e Torque em um Circuito Fechado


Na definição de torque, ou momento, de uma força, é necessário considerar uma origem em
relação à qual o torque deve ser calculado, assim como o ponto de aplicação da força. Na figura (a) a
seguir, aplicamos uma força 𝐹⃗ no ponto 𝑃 e estabelecemos a origem em 𝑂 com um braço de alavanca
𝑅⃗⃗ se estendendo de 𝑂 a 𝑃. A direção do vetor torque 𝑇
⃗⃗ é normal tanto à força 𝐹⃗ quanto ao braço de
alavanca 𝑅⃗⃗ e é orientada no sentido de avanço de um parafuso direito quando giramos o braço de
alavanca.

O torque, portanto, pode ser expresso pelo produto vetorial

⃗⃗ = 𝑅⃗⃗ × 𝐹⃗
𝑇

sua unidade no Sistema Internacional de medidas é dada em N.m.

Suponhamos agora que duas forças, 𝐹⃗1 em 𝑃1 e 𝐹⃗2 em 𝑃2 , com braços de alavanca 𝑅⃗⃗1 e 𝑅⃗⃗2
respectivamente, se estendendo a partir de uma origem comum 𝑂, como mostrado na figura (b)
anterior, sejam aplicadas a um objeto de forma fixa e que este objeto não sofra translação. Então, o
torque em relação à origem é

⃗⃗ = 𝑅⃗⃗1 × 𝐹⃗1 + 𝑅⃗⃗2 × 𝐹⃗2


𝑇

onde

𝐹⃗1 + 𝐹⃗2 = 0

e, portanto,

⃗⃗ = (𝑅⃗⃗1 − 𝑅⃗⃗2 ) × 𝐹⃗1 = 𝑅⃗⃗21 × 𝐹⃗1


𝑇 119

O vetor 𝑅⃗⃗21 liga o ponto de aplicação de 𝐹⃗2 ao ponto de aplicação de 𝐹⃗1 e é independente da
origem dos dois vetores 𝑅⃗⃗1 e 𝑅⃗⃗2 . Portanto, o torque é também independente da escolha da origem.

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Isto pode ser estendido para quaisquer números de forças. Observação: o ponto 𝑂 da origem, em
geral, é designado no eixo de rotação e no plano que contém as forças aplicadas, se as diversas forças
forem co-planares.

Uma vez feita a introdução do conceito de torque, consideremos agora o torque em uma espira
infinitesimal de corrente imersa em um campo magnético 𝐵 ⃗⃗. A espira pertence ao plano 𝑥𝑦, os lados
da espira são paralelos aos eixos 𝑥 e 𝑦 e são de comprimento 𝑑𝑥 e 𝑑𝑦, conforme figura abaixo. O valor
do campo magnético no centro da espira é dado por 𝐵 ⃗⃗0 . Como a espira é de tamanho diferencial, o
valor de 𝐵⃗⃗ em todos os pontos da espira pode ser tomado como sendo 𝐵 ⃗⃗0 , isto porque estamos
trabalhando com dimensões infinitesimais, diferentemente do desenvolvimento do rotacional, onde
tínhamos dimensões incrementais. A força total na espira será zero, pois o campo é o mesmo em todos
os lados desta, contudo, podemos fazer um estudo do torque na mesma, escolhendo-se, para tanto, o
ponto de origem do torque no centro da espira.

Sabe-se que o infinitesimal de força em um infinitesimal de comprimento é dado por

𝑑𝐹⃗ = 𝐼 𝑑𝐿⃗⃗ × 𝐵
⃗⃗

Então, o vetor diferencial de força no lado 1 é

𝑑𝐹⃗1 = 𝐼 𝑑𝑥 𝑎̂𝑥 × 𝐵
⃗⃗0

⃗⃗0 = 𝐵0𝑥 𝑎̂𝑥 + 𝐵0𝑦 𝑎̂𝑦 + 𝐵0𝑧 𝑎̂𝑧 , pode-se escrever


e considerando 𝐵
120
𝑑𝐹⃗1 = 𝐼 𝑑𝑥 (𝐵0𝑦 𝑎̂𝑧 − 𝐵0𝑧 𝑎̂𝑦 )

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Para este lado da espira, o braço da alavanca 𝑅⃗⃗ se estende da origem ao ponto médio do lado,
1
𝑅⃗⃗1 = − 2 𝑑𝑦 𝑎̂𝑦 , e a contribuição para o torque total é

1 1
⃗⃗1 = 𝑅⃗⃗1 × 𝑑𝐹⃗1 = (− 𝑑𝑦 𝑎̂𝑦 ) × [𝐼 𝑑𝑥 (𝐵0𝑦 𝑎̂𝑧 − 𝐵0𝑧 𝑎̂𝑦 )] = − 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝐼 𝐵0𝑦 𝑎̂𝑥
𝑑𝑇
2 2

A contribuição para o torque no lado 3 é igual à contribuição dada pela expressão anterior

1 1
⃗⃗3 = 𝑅⃗⃗3 × 𝑑𝐹⃗3 = ( 𝑑𝑦 𝑎̂𝑦 ) × [−𝐼 𝑑𝑥 (𝐵0𝑦 𝑎̂𝑧 − 𝐵0𝑧 𝑎̂𝑦 )] = − 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝐼 𝐵0𝑦 𝑎̂𝑥 = 𝑑𝑇
𝑑𝑇 ⃗⃗1
2 2

⃗⃗1 + 𝑑𝑇
𝑑𝑇 ⃗⃗3 = −𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝐼 𝐵0𝑦 𝑎̂𝑥

Calculando-se o torque nos lados 2 e 4, encontramos

⃗⃗2 + 𝑑𝑇
𝑑𝑇 ⃗⃗4 = 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝐼 𝐵0𝑥 𝑎̂𝑦

e o torque total é, então,

⃗⃗ = 𝐼 𝑑𝑥 𝑑𝑦(𝐵0𝑥 𝑎̂𝑦 − 𝐵0𝑦 𝑎̂𝑥 )


𝑑𝑇

A quantidade dentro dos parênteses pode ser expressa pelo produto vetorial,

⃗⃗ = 𝐼 𝑑𝑥 𝑑𝑦(𝑎̂𝑧 × 𝐵
𝑑𝑇 ⃗⃗0 )

ou

⃗⃗ = 𝐼 𝑑𝑆⃗ × 𝐵
𝑑𝑇 ⃗⃗

⃗⃗ = 𝐼 ∫ 𝑑𝑆⃗ × 𝐵
𝑇 ⃗⃗
𝑆

onde 𝑑𝑆⃗ é o vetor área da espira diferencial de corrente, conforme figura anterior, e o índice em 𝐵
⃗⃗0
foi omitido.

Definimos agora o produto da corrente da espira pelo vetor área da espira como o momento
⃗⃗⃗, com unidades de 𝐴. 𝑚2 . Assim,
de dipolo magnético diferencial 𝑑𝑚

⃗⃗⃗ = 𝐼 𝑑𝑆⃗
𝑑𝑚

⃗⃗ = 𝑑𝑚
𝑑𝑇 ⃗⃗
⃗⃗⃗ × 𝐵 121

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Estas equações desenvolvidas são válidas para espiras diferenciais de qualquer formato e não
somente para formas retangulares. O torque em uma espira circular ou triangular é também dada em
termos do vetor área da superfície ou vetor do momento de dipolo.

O torque em uma espira plana de qualquer tamanho ou formato, em um campo magnético


uniforme, é dado pela expressão

⃗⃗ = 𝐼 𝑆⃗ × 𝐵
𝑇 ⃗⃗ = 𝑚 ⃗⃗
⃗⃗⃗ × 𝐵

Devemos notar que o torque em uma espira de corrente sempre tende a girar a espira de
modo a alinhar o campo magnético produzido pela espira com o campo magnético do meio, ou melhor,
com o campo que está causando o torque.

8.5 Natureza dos Materiais Magnéticos


Analisaremos o modelo de um simples átomo, onde um elétron em uma órbita é análogo a
uma pequena espira de corrente (na qual a corrente tem direção oposta à do deslocamento do elétron)
e, como tal, experimenta um torque quando sujeito a um campo magnético externo, torque este
tendendo a alinhar o campo magnético produzido pelo elétron em órbita com o campo magnético
externo.

Um segundo momento é atribuído ao spin do elétron. Um elétron pode ter um momento


magnético de spin de ±9. 10−24 𝐴. 𝑚2 ; os sinais de mais e de menos indicam que alinhamentos aditivos
ou subtrativos ao campo magnético externo são possíveis.

Uma terceira contribuição para o momento de um átomo é causada pelo spin do núcleo.
Embora este fator forneça um efeito desprezível sobre as propriedades magnéticas dos materiais, ele
é a base do procedimento de mapeamento com ressonância magnética nuclear atualmente fornecido
por muitos hospitais.

Assim, cada átomo contém muitas componentes diferentes do momento, e a sua combinação
determina as características magnéticas do material e permite sua classificação magnética geral.
Descreveremos, de modo breve, seis diferentes tipos de material, a saber:

 Diamagnético;
 Paramagnético;
 Ferromagnético.

O material diamagnético é aquele em que os átomos constituintes do material possuem


pequenos campos magnéticos produzidos pela movimentação dos elétrons em suas órbitas os quais 122
combinam com os campos produzidos pelos spins dos elétrons para produzir um campo líquido nulo.
Note que estamos considerando aqui os campos produzidos pelo movimento do elétron em si na
ausência de qualquer campo magnético externo; podemos também descrever este material como

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aquele em que o momento magnético permanente 𝑚 ⃗⃗⃗0 de cada átomo é zero. Neste material quando
é aplicado um campo magnético externo a este material, o alinhamento dos momentos magnéticos
de seus átomos é oposto às linhas do campo externo. O campo resultante é, portanto, menor que o
campo magnético externo aplicado. Exemplos de materiais diamagnéticos: bismuto metálico,
hidrogênio, hélio, cloreto de sódio, cobre, ouro, silício, germânio, grafite e enxofre.

No material paramagnético os efeitos do spin do elétron e do movimento orbital não se


cancelam em cada átomo. O átomo como um todo tem um pequeno momento magnético, mas a
orientação aleatória dos átomos em uma grande amostra produz um momento magnético médio zero.
O material não apresenta efeitos magnéticos na ausência de um campo externo. Porém, quando um
campo externo é aplicado, há um pequeno torque em cada momento atômico, e estes momentos
⃗⃗
tendem a se alinhar com o campo externo. Este alinhamento age de modo a aumentar o valor de 𝐵
dentro do material em relação ao valor fora do material. Exemplo de materiais paramagnéticos:
potássio, oxigênio, tungstênio, cloreto de érbio, óxido de neodímio e óxido de ítrio.

No material ferromagnético cada átomo tem um momento de dipolo relativamente grande,


causado principalmente pelos momentos de spin dos elétrons. Forças atômicas fazem com que estes
momentos se alinhem de modo paralelo em regiões contendo um grande número de átomos. Estas
regiões são chamadas domínios, e podem ter uma grande variedade de forma e tamanho, dependendo
do material e da história magnética da amostra. Materiais ferromagnéticos virgens terão domínios
com fortes momentos magnéticos; os momentos dos domínios, contudo, mudam de direção de
domínio para domínio, causando um efeito global de cancelamento e o material como um todo não
tem momento magnético. Porém, quando da aplicação de um campo magnético externo, aqueles
domínios que têm momentos na direção do campo aplicado aumentam seu tamanho às custas dos
seus vizinhos e o campo magnético interno aumenta grandemente em relação ao campo externo.
Quando o campo externo é removido, um alinhamento do domínio completamente aleatório não é
usualmente atingido e um campo de dipolo residual, ou remanescente, permanece na estrutura
macroscópica. Este fato do momento magnético do material ser diferente depois de o campo haver
sido removido, ou o fato de o estado magnético do material ser função de sua história magnética, é
conhecido por histerese magnética e será mais bem detalhada em capítulos seguintes. Exemplos de
materiais ferromagnéticos: ferro, níquel e cobalto, contudo, perdem esta característica em
temperaturas superiores à temperatura Curie (770°C). Também tem-se como exemplo as ligas:
alumínio-níquel-cobalto, bismuto-magnésio e cobre-magnésio-estanho.

8.6 Magnetização e Permeabilidade


Faremos agora uma descrição de materiais magnéticos em uma base mais quantitativa,
mostrando como os dipolos magnéticos agem como fontes distribuídas de campo magnético. O 123
⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼. Entretanto,
resultado será uma equação que parece muito com a lei circuital de Ampère, ∮ 𝐻
a corrente será o movimento das cargas ligadas (elétrons em órbita, spin dos elétrons e spin nuclear),
e o campo, que tem dimensões de 𝐻 ⃗⃗, será chamado de magnetização 𝑀 ⃗⃗⃗. A corrente produzida pelas

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cargas ligadas é chamada de corrente ligada 𝐼𝑏 ou mais comumente chamada por corrente de
magnetização.

A corrente ligada em cada molécula (𝐼𝑏−𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑜 ), circula ao redor de um caminho fechado,


limitando uma área diferencial 𝑑𝑆⃗, o que estabelece um momento de dipolo 𝑚 ⃗⃗⃗, sendo

⃗⃗⃗ = 𝐼𝑏−𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑜 𝑑𝑆⃗


𝑚

Se existe 𝑛 dipolos magnéticos por unidade de volume e considerando um volume ∆𝑣, então
o momento de dipolo magnético total é determinado pela soma vetorial
𝑛∆𝑣

𝑚
⃗⃗⃗𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∑ 𝑚
⃗⃗⃗𝑖
𝑖=1

Cada um dos 𝑚 ⃗⃗⃗𝑖 pode ser diferente. Todavia, se houver um campo magnético externo,
observará um alinhamento de todos momentos de dipolo individuais para a mesma direção do campo
externo aplicado. Neste caso, estamos considerando que o material é isotrópico. Assim sendo,
𝑛∆𝑣

𝑚
⃗⃗⃗𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∑ 𝑚
⃗⃗⃗𝑖 = 𝑛 ∆𝑣 𝑚
⃗⃗⃗
𝑖=1

⃗⃗⃗ como o momento de dipolo magnético por unidade de


A seguir, definimos a magnetização 𝑀
volume,

𝑛∆𝑣
1
⃗⃗⃗ = lim
𝑀 ∑𝑚
⃗⃗⃗𝑖
∆𝑣→0 ∆𝑣
𝑖=1

⃗⃗ (𝐴/𝑚), uma vez que 𝑚


e observamos que suas unidades devem ser as mesmas de 𝐻 ⃗⃗⃗𝑖 é dado em
2 3
𝐴. 𝑚 e ∆𝑣 em 𝑚 .

Para o caso de todos os momento de dipolo individuais estiverem alinhados para uma mesma
direção devido à aplicação de um campo magnético externo, teremos:

1
⃗⃗⃗ = lim
𝑀 𝑛 ∆𝑣 𝑚
⃗⃗⃗ = 𝑛 𝑚
⃗⃗⃗
∆𝑣→0 ∆𝑣

A figura abaixo mostra diversos momentos magnéticos 𝑚 ⃗⃗⃗ que fazem um ângulo 𝜃 com o
elemento do caminho 𝑑𝐿⃗⃗, cada momento consiste em uma corrente ligada 𝐼𝑏−𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑜 circulando em
torno de uma área 𝑑𝑆⃗. O elemento 𝑑𝐿⃗⃗ é uma pequena porção de um caminho fechado.
124

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Considerando-se um pequeno volume de dimensões 𝑑𝑆⃗ e 𝑑𝐿⃗⃗, ou volume de 𝑑𝑆⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗, dentro
do qual há 𝑛 𝑑𝑆⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ dipolos magnéticos. Ao mudar de uma orientação aleatória para este
alinhamento parcial, a corrente ligada que atravessa a superfície limitada pelo caminho aumenta em
𝐼𝑏 para cada um dos 𝑛 𝑑𝑆⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ dipolos. Assim,

𝑑𝐼𝑏 = (𝑛 𝑑𝑆⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗)𝐼𝑏−𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑜 = 𝑛 (𝐼𝑏−𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑜 𝑑𝑆⃗) ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑛 𝑚


⃗⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝑀
⃗⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗

E dentro de um contorno totalmente fechado,

⃗⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
𝐼𝑏 = ∮ 𝑀

Esta equação tem alguma semelhança com a lei circuital de Ampère, e podemos agora
⃗⃗ e 𝐻
generalizar a relação entre 𝐵 ⃗⃗ de modo a aplicá-la a qualquer meio além do espaço livre. Assim
sendo, vamos escrever a lei circuital de Ampère em termos da corrente total, ligada mais livre,

𝐵⃗⃗
∮ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼𝑇
𝜇0

onde

𝐼𝑇 = 𝐼𝑏 + 𝐼

e 𝐼 é a corrente total livre envolvida pelo caminho fechado. Note que a corrente livre aparece sem
índice, uma vez que ela é o tipo mais importante de corrente.

Combinando essas três últimas equações, obtemos uma expressão para a corrente livre
envolvida,

𝐵⃗⃗ 𝐵⃗⃗
𝐼 = 𝐼𝑇 − 𝐼𝑏 = ∮ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ − ∮ 𝑀
⃗⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∮ ( − 𝑀⃗⃗⃗) ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
𝜇0 𝜇0

Vale ressaltar que a lei circuital de Ampère continua sendo escrita em termos da corrente livre,
125

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
𝐼 = ∮𝐻

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⃗⃗ em termos de 𝐵
Então, podemos definir 𝐻 ⃗⃗ e 𝑀
⃗⃗⃗:

𝐵⃗⃗
⃗⃗ =
𝐻 ⃗⃗⃗
−𝑀
𝜇0

esta relação é comumente escrita de um modo que evita frações e sinais de menos:

⃗⃗ = 𝜇0 (𝐻
𝐵 ⃗⃗ + 𝑀
⃗⃗⃗ )

⃗⃗ , 𝐻
A relação entre 𝐵 ⃗⃗ e 𝑀
⃗⃗⃗ pode ser simplificada para um meio linear isotrópico, onde a
susceptibilidade magnética 𝜒𝑚 é definida como

⃗⃗⃗ = 𝜒𝑚 𝐻
𝑀 ⃗⃗

Assim sendo, temos

⃗⃗ = 𝜇0 (𝐻
𝐵 ⃗⃗ + 𝜒𝑚 𝐻
⃗⃗ ) = 𝜇0 (1 + 𝜒𝑚 )𝐻
⃗⃗ = 𝜇0 𝜇𝑅 𝐻
⃗⃗

onde

𝜇𝑅 = 1 + 𝜒𝑚

é definida como a permeabilidade relativa 𝜇𝑅 . Em seguida, definimos a permeabilidade 𝜇:

𝜇 = 𝜇0 𝜇𝑅

⃗⃗ e 𝐻
e isto nos permite escrever a relação simples entre 𝐵 ⃗⃗,

⃗⃗ = 𝜇𝐻
𝐵 ⃗⃗

Materiais magnéticos anisotrópicos não podem ser descritos em termos dos parâmetros
susceptibilidade e permeabilidade como desenvolvido acima.

8.7 Condições de Fronteira Magnéticas


A figura abaixo mostra a fronteira entre dois materiais lineares, homogêneos e isotrópicos com
permeabilidades 𝜇1 e 𝜇2 . A condição de fronteira para componentes normais é determinada
permitindo-se que a superfície corte uma pequena superfície gaussiana cilíndrica. Aplicando a lei de
Gauss para o campo magnético a partir da equação já conhecida

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 0
∮𝐵
𝑆 126
encontramos que

𝐵𝑁1 ∆𝑆 − 𝐵𝑁2 ∆𝑆 = 0

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uma vez que a altura do cilindro é considerada próxima a zero e, conseqüentemente, sua área lateral
fica sendo nula.

Assim,

𝐵𝑁2 = 𝐵𝑁1

então,
𝜇1
𝐻𝑁2 = 𝐻
𝜇2 𝑁1

⃗⃗ é continua, mas a componente normal de 𝐻


A componente normal de 𝐵 ⃗⃗ é descontínua.

Um segundo passo, que já é de praxe no estudo das condições de fronteira, é a aplicação da


integral de linha do campo (neste caso, lei circuital de Ampère)

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼
∮𝐻

que é aplicada ao redor de um pequeno caminho fechado pertencente a um plano normal à superfície
da fronteira, como mostrada à direita da figura anterior. Considerando a fronteira conduzindo uma
⃗⃗ cuja componente normal ao plano do caminho fechado é K e fazendo a
corrente superficial 𝐾
integral no caminho com sentido horário, temos

𝐻𝑡1 ∆𝐿 − 𝐻𝑡2 ∆𝐿 = 𝐾∆𝐿

ou 127

𝐻𝑡1 − 𝐻𝑡2 = 𝐾

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De forma genérica, usando o produto vetorial para identificar as componentes tangenciais,

⃗⃗1 − 𝐻
(𝐻 ⃗⃗2 ) × 𝑎̂𝑁12 = 𝐾
⃗⃗

onde 𝑎̂𝑁12 é o vetor unitário normal à fronteira dirigido da região 1 para a região 2.

As condições de contorno para componentes tangenciais serão mais simples se a densidade


superficial de corrente for zero. Esta é uma densidade de cargas livres e deverá ser zero se nenhum
dos dois materiais for condutor.

8.8 Circuito Magnético


O estudo de circuito magnético será realizado a partir de um quadro comparativo com circuitos
elétricos resistivos de corrente contínua.

CIRCUITO ELÉTRICO CIRCUITO MAGNÉTICO

Relação do Potencial Elétrico com a Intensidade Relação do Potencial Magnético com a


de Campo Elétrico: Intensidade de Campo Magnético:
𝐸⃗⃗ = −∇
⃗⃗𝑉 (𝑉/𝑚) ⃗⃗ = −∇
𝐻 ⃗⃗𝑉𝑚 (𝐴/𝑚)

Diferença de Potencial Elétrico: Diferença de Potencial Magnético (Força


𝐵 Magnetomotriz - fmm):
𝑉𝐴𝐵 = ∫ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ (𝑉) 𝐵
𝐴 ⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗
𝑉𝑚𝐴𝐵 = ∫ 𝐻 (𝐴 𝑜𝑢 𝐴. 𝑒)
𝐴

𝐴. 𝑒 = “ampère-espiras”

Corrente Elétrica Total: Fluxo Magnético Total:

𝐼 = ∫ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ (𝐴) ⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗


Φ = ∫𝐵 (𝑊𝑏)
𝑆 𝑆

Densidade de Corrente Elétrico: Densidade de Fluxo Magnético:


𝐽⃗ = 𝜎𝐸⃗⃗ (𝐶/𝑚2 ) ⃗⃗ = 𝜇𝐻
𝐵 ⃗⃗ (𝑊𝑏/𝑚2 𝑜𝑢 𝑇)
(Forma pontual da lei de Ohm)

Resistência Elétrica: Relutância Magnética:


𝑉 𝑉𝑚
𝑅= (Ω) ℜ= (𝐴. 𝑒/𝑊𝑏)
𝐼 𝛷
128
ou ou
𝑑 𝑑
𝑅= ℜ=
𝜎𝑆 𝜇𝑆

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Integral de Linha do Campo Elétrico: Integral de Linha do Campo Magnético:

∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 0 ⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑁𝐼


∮𝐻

(Lei de Kirchhoff das Tensões)

Neste quadro anterior tem-se a definição de relutância magnética ℜ como a relação entre
força magnetomotriz (𝑉𝑚 ) e o fluxo magnético total (Φ). Outra observação a ser feita é relativa à
última linha da tabela, onde a integral de linha do campo magnético é igual à corrente total, que pode
ser considerada como 𝐼 fluindo através de um enrolamento de 𝑁 espiras.
𝑑
A equação para relutância ℜ = 𝜇𝑆 só pode ser aplicada em material magnético homogêneo
linear isotrópico de comprimento 𝑑 e de seção reta uniforme 𝑆, porém o único material com estas
especificações que aplicaremos esta relação em nosso curso será o ar.

A principal diferença entre análise de circuitos elétricos e análise de circuitos magnéticos está
na natureza não-linear das porções ferromagnéticas nesta última. Quando materiais ferromagnéticos
estão presentes no circuito a relação entre 𝐵 e 𝐻 deixa de ser linear.

Consideremos uma amostra de material ferromagnético completamente desmagnetizada;


tanto 𝐵 quanto 𝐻 inicialmente são zero. Quando começamos a aplicar uma força magnetomotriz
(fmm), a densidade de fluxo também cresce, mas não linearmente, como mostram os dados
experimentais da figura a seguir.

Depois de 𝐻 atingir um valor de cerca de 100 𝐴. 𝑒/𝑚 , a densidade de fluxo cresce mais 129
suavemente e começa a saturar quando 𝐻 é de várias centenas de 𝐴. 𝑒/𝑚 . Tendo atingido uma
saturação parcial, passemos a outra figura que se segue abaixo, onde podemos continuar nossa
experiência a partir do ponto 𝑥 com a redução de 𝐻.

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Ao reduzimos 𝐻, os efeitos da histerese começam a aparecer e não conseguimos voltar pela


nossa curva original. Mesmo depois de 𝐻 ser zero (em 𝐵 = 𝐵𝑟 ), há densidade de fluxo remanescente.
Quando 𝐻 é invertido e então trazido de volta a zero e o ciclo completo traçado diversas vezes, obtém-
se o chamado laço de histerese. A fmm necessária para reduzir a densidade de fluxo a zero é
identificada por 𝐻𝑐 , a “força” coerciva. Conforme pode ser observado, para menores valores máximos
de 𝐻, menores laços de histerese serão obtidos.

8.9 Energia Potencial e Forças em Materiais Magnéticos


A expressão geral para a energia em um campo eletrostático foi introduzida em capítulos
anteriores como

1
𝑊𝐸 = ∫ 𝐷 ⃗⃗ ∙ 𝐸⃗⃗ 𝑑𝑣
2 𝑣𝑜𝑙

⃗⃗ e 𝐸⃗⃗ .
onde se supõe uma relação linear entre 𝐷

Usando os conceitos vistos para campo magnético, podemos desenvolver uma expressão de
energia por métodos semelhantes àqueles usados na obtenção da relação de energia eletrostática. A
energia total armazenada em um campo magnético estacionário em que 𝐵 ⃗⃗ está linearmente
⃗⃗ é
relacionado com 𝐻

1 130
𝑊𝐻 = ∫ 𝐵 ⃗⃗ ∙ 𝐻
⃗⃗ 𝑑𝑣
2 𝑣𝑜𝑙

⃗⃗ = 𝜇𝐻
Considerando 𝐵 ⃗⃗ , temos as fórmulas equivalentes

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1
𝑊𝐻 = ∫ 𝜇𝐻 2 𝑑𝑣
2 𝑣𝑜𝑙

ou

1 𝐵2
𝑊𝐻 = ∫ 𝑑𝑣
2 𝑣𝑜𝑙 𝜇

Suponha que temos um solenóide longo com um núcleo de aço-silício. Esse solenóide, quando
percorrido por uma corrente, gera nesse núcleo uma densidade de fluxo magnético chamada 𝐵𝑎ç𝑜 . Se
aplicarmos uma força mecânica 𝐹 para separar duas seções do núcleo enquanto mantemos a
densidade fluxo constante, estaremos aplicando uma força sobre uma distância 𝑑𝐿. Realiza-se assim,
um trabalho 𝐹 𝑑𝐿, então
2
1 𝐵𝑎ç𝑜
𝑑𝑊𝐻 = 𝐹 𝑑𝐿 = 𝑆 𝑑𝐿
2 𝜇0

onde 𝑆 é a área da seção reta do núcleo. Assim,


2
𝐵𝑎ç𝑜 𝑆
𝐹=
2𝜇0

Observa-se que o trabalho aparece como a energia armazenada no gap de ar que criamos. O
núcleo não sofre variação alguma de campo ou energia.

8.10 Indutância e Indutância Mútua


A indutância é o último dos três parâmetros familiares da teoria de circuitos a ser definido.
Como um prelúdio para definir a indutância, precisamos introduzir o conceito de enlaces de fluxo
(também chamado de fluxo concatenado). Consideremos um toróide de 𝑁 espiras no qual uma
corrente 𝐼 produz um fluxo total Φ. Devemos admitir que este fluxo envolve cada uma das 𝑁 espiras
e também que cada uma das 𝑁 espiras envolve o fluxo total Φ. O enlace de fluxo é definido pelo
produto 𝑁Φ. A figura a seguir mostra uma porção de uma bobina com seus enlaces de fluxo parciais.

131

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A auto-indutância, ou indutância própria, ou simplesmente indutância é definida como a


relação entre o total de enlaces de fluxo e a corrente que eles envolvem,

𝑁Φ
𝐿=
𝐼
Esta definição é aplicável somente a meios magnéticos lineares, de modo que o fluxo seja
proporcional à corrente. Se materiais ferromagnéticos estão presentes, não há uma definição única
para indutância que seja útil em todos os casos. A unidade de indutância é henry (𝐻).

Uma outra definição equivalente para indutância pode ser feita usando um ponto de vista de
energia,

2𝑊𝐻
𝐿=
𝐼2

onde 𝐼 é a corrente total fluindo em um caminho fechado e 𝑊𝐻 é a energia no campo magnético


produzida pela corrente. Obs.: no livro texto foi feita a demonstração da equivalência entre estas duas
últimas equações.

No interior de qualquer condutor também contém fluxo magnético, e este fluxo envolve uma
fração variável da corrente total, dependendo de sua localização. Estes enlaces de fluxo levam a uma
indutância interna, que deve ser combinada com a indutância externa para obter a indutância total. A
indutância interna por metro de um longo fio reto de seção reta circular de raio 𝑎 e distribuição
uniforme de corrente uniforme é
𝜇
𝐿𝑎,𝑖𝑛𝑡 = (𝐻/𝑚)
8𝜋
132
Quando têm-se dois circuitos em um mesmo arranjo magnético, usualmente, define-se uma
indutância comum entre os mesmos, a qual é chamada de indutância mútua. A indutância mútua

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entre os circuito 1 e 2, 𝑀12, em termos dos enlaces de fluxo mútuos (fluxos comuns aos dois circuito)
pode ser escrita como

𝑁2 Φ12
𝑀12 =
𝐼1

onde Φ12 significa fluxo produzido por 𝐼1 que envolve o caminho da corrente filamentar 𝐼2 e 𝑁2 é o
número de espiras do circuito 2.

A troca dos índices não muda os lados direito e esquerdo da equação anterior, portanto,

𝑀12 = 𝑀21

A indutância mútua também é medida em henrys, e devemos nos referir ao contexto para
conseguir diferençá-la da magnetização.

133

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9 – CAMPOS VARIANTES NO TEMPO E EQUAÇÕES DE MAXWELL

9.1 Lei de Faraday


A figura abaixo mostra uma espira como uma parte de um circuito que contém um
amperímetro. Esse é um dos experimentos de Faraday.

Ao se empurrar um ímã em forma de barra em direção à espira, o ponteiro do amperímetro


deflete, mostrando que uma corrente fluiu pela espira. Se o ímã for mantido estacionário em relação
à espira, o ponteiro do amperímetro não deflete. Ao mover-se o ímã para longe da espira, o ponteiro
do amperímetro deflete novamente, mas em sentido oposto. Se for utilizado o outro lado (pólo) do
ímã, o experimento funciona como descrito anteriormente, mas o sentido das deflexões do ponteiro
é invertido. Quanto mais rápido o ímã se move, maior é a leitura no mostrador.

A corrente que surge neste experimento é chamada de corrente induzida e diz-se que é
formada a partir de uma força eletromotriz induzida – fem.

A figura que se segue mostra um aparato de outro experimento de Faraday.

134

As espiras são posicionadas próximas e em repouso uma em relação à outra. Quando fechamos
a chave S, formando assim uma corrente contínua na espira à direita, o ponteiro do mostrador da

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espira à esquerda deflete momentaneamente. Quando abrimos a chave, interrompendo a corrente, o


ponteiro deflete mais uma vez momentaneamente, mas no sentido oposto. Este experimento mostra
que existe uma fem induzida na espira esquerda da figura sempre que a corrente na espira à direita se
altera.

Um aspecto característico desses dois experimentos é o movimento ou a variação. É o


movimento do ímã ou a variação da corrente que é responsável pelos efeitos de fems induzidas.

Como podemos perceber, por meio dos experimentos de Faraday, é a variação do fluxo
magnético na espira que induz uma fem na mesma. Faraday tornou esta afirmação quantitativa por
meio de uma equação, que é conhecida como lei de Faraday, a qual estabelece que

𝑑Φ
𝑓𝑒𝑚 = −
𝑑𝑡
Esta equação exige um caminho fechado, embora não necessariamente um caminho fechado
condutor; o caminho fechado, por exemplo, pode incluir um capacitor ou pode ser uma linha
puramente imaginária no espaço. O fluxo magnético é o fluxo que atravessa a superfície cujo perímetro
é o caminho fechado e 𝑑𝛷/𝑑𝑡 é a taxa de variação temporal deste fluxo. O sinal de menos advém da
chamada lei de Lenz que afirma que a tensão induzida age de modo a produzir um fluxo de oposição
à variação.

Um valor de 𝑑𝛷/𝑑𝑡 diferente de zero pode ser resultado de qualquer uma das seguintes
situações:

 Um fluxo variável no tempo através de um caminho fechado estacionário.


 Movimento relativo entre um fluxo estacionário e um caminho fechado.
 Uma combinação das duas situações anteriores.

Se o caminho fechado for constituído por N espiras condutoras filamentares, pode-se


escrever

𝑑Φ
𝑓𝑒𝑚 = −𝑁
𝑑𝑡

Força eletromotriz, ao longo de um caminho fechado, foi definida em capítulos anteriores


como sendo

𝑓𝑒𝑚 = ∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗

Na eletrostática, esta integral de linha leva a uma diferença de potencial resultante nula.
Contudo, agora, considerando-se campos variantes no tempo, o resultado é uma fem ou uma tensão
135
induzida.

Para se chegar a uma equação que relaciona de forma direta esta variação de campo
magnético com o surgimento do campo elétrico, primeiramente, substitui-se a equação de definição

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de Φ na equação da lei de Faraday e, posteriormente, passar-se o termo da derivada para dentro da


⃗⃗. Isto só pode
integral, tornando-se, assim, uma derivada parcial da densidade de fluxo magnético 𝐵
ser feito porque a única grandeza variante no tempo dentro da integral é a densidade de fluxo
magnético, ou seja,

𝑑Φ 𝑑 ⃗⃗
𝜕𝐵
𝑓𝑒𝑚 = − = − (∫ 𝐵⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆) = − ∫ ∙ 𝑑𝑆
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑆 𝑆 𝜕𝑡

aplicando-se o teorema de Stokes à integral de linha fechada do campo elétrico, temos

⃗⃗ × 𝐸⃗⃗ ) ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑓𝑒𝑚 = ∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∫ (∇
𝑆

e, por último, igualando-se esta duas equações acima, encontramos

⃗⃗
𝜕𝐵
⃗∇⃗ × 𝐸⃗⃗ = −
𝜕𝑡
Esta é uma das quatro equações de Maxwell quando escritas na forma diferencial, ou pontual
(forma esta em que elas são comumente usadas), para campos variantes no tempo.

Um exemplo ilustrativo da aplicação da lei de Faraday no caso de uma densidade de fluxo


⃗⃗ constante e um caminho em movimento é mostrado na figura abaixo, na qual há uma
magnético 𝐵
barra movendo-se para a direita com velocidade 𝑣⃗ em um circuito que é completado por dois trilhos e
um voltímetro.

Considere a posição da barra dada por 𝑦, o fluxo que atravessa a superfície dentro do caminho
fechado em qualquer tempo 𝑡 é dado por
136
Φ = 𝐵𝑦𝑑

Fazendo-se a substituição na equação da lei de Faraday, tem-se

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𝑑Φ 𝑑 𝑑𝑦
𝑓𝑒𝑚 = − = − (𝐵𝑦𝑑) = −𝐵 𝑑 = −𝐵𝑣𝑑
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑡

onde a fem está em função da velocidade, podendo então se notar que, tendo um campo estacionário
e um distância 𝑑 constante, a tensão gerada será apenas função da intensidade da velocidade. Quanto
maior a velocidade maior será a fem gerada e se invertemos o sentido de 𝑣, haverá também uma
inversão no sinal da fem medida.

9.2 Corrente de Deslocamento


Voltemos agora nossa atenção para o campo elétrico variante no tempo. Devemos,
primeiramente, observar a forma pontual da lei circuital de Ampère aplicada a campos magnéticos
estacionários,

⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗

Esta equação é inadequada para condições de campo magnético variante no tempo, conforme
será constatado a seguir.

Tomando-se a divergência em cada lado da equação anterior tem-se

⃗∇⃗ ∙ (∇
⃗⃗ × 𝐻
⃗⃗ ) = ⃗∇⃗ ∙ 𝐽⃗

0 = ⃗∇⃗ ∙ 𝐽⃗

pois a divergência de qualquer rotacional é zero. Contudo, temos que a equação da continuidade de
corrente afirma que

𝜕𝜌𝑣
⃗∇⃗ ∙ 𝐽⃗ = −
𝜕𝑡

Portanto, a afirmativa acima de que ⃗∇⃗ ∙ 𝐽⃗ = 0 só será verdadeira se 𝜕𝜌𝑣 /𝜕𝑡 = 0. Esta é uma
limitação que deve ser corrigida para o caso de campos variantes no tempo, onde 𝜕𝜌𝑣 /𝜕𝑡 ≠ 0. Para
tal, suponhamos que adicionemos um termo desconhecido 𝐺⃗ na equação em questão,

⃗⃗ = 𝐽⃗ + 𝐺⃗
⃗∇⃗ × 𝐻

Mais uma vez, tomando-se a divergência, temos

⃗∇⃗ ∙ (∇ ⃗⃗ ) = ⃗∇⃗ ∙ (𝐽⃗ + 𝐺⃗ ) = ⃗∇⃗ ∙ 𝐽⃗ + ⃗∇⃗ ∙ 𝐺⃗


⃗⃗ × 𝐻

0 = ⃗∇⃗ ∙ 𝐽⃗ + ⃗∇⃗ ∙ 𝐺⃗ 137

Assim,

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⃗∇⃗ ∙ 𝐺⃗ = −∇
⃗⃗ ∙ 𝐽⃗

𝜕𝜌𝑣
⃗∇⃗ ∙ 𝐺⃗ =
𝜕𝑡

Substituindo-se 𝜌𝑣 por ⃗∇⃗ ∙ 𝐷


⃗⃗,

𝜕 ⃗⃗
𝜕𝐷
⃗∇⃗ ∙ 𝐺⃗ = ⃗⃗ ∙ 𝐷
(∇ ⃗⃗ ) = ⃗∇⃗ ∙
𝜕𝑡 𝜕𝑡

pela qual obtemos a solução mais simples para 𝐺⃗ ,

⃗⃗
𝜕𝐷
𝐺⃗ =
𝜕𝑡

Portanto, a lei circuital de Ampère na forma pontual se torna

⃗⃗
𝜕𝐷
⃗∇⃗ × 𝐻
⃗⃗ = 𝐽⃗ +
𝜕𝑡

O termo adicional 𝜕𝐷⃗ /𝜕𝑡 tem dimensões de densidade de corrente (ampères por metro
quadrado). Como ele é resultado de uma densidade de fluxo elétrico variante no tempo, Maxwell o
denominou de densidade de corrente de deslocamento. Geralmente, denota-se esta densidade por
𝐽𝑑 , ou ainda:

⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗ + 𝐽𝑑

⃗⃗
𝜕𝐷
𝐽𝑑 =
𝜕𝑡
Em um meio não-condutor no qual nenhuma densidade volumétrica de cargas esteja presente,
𝐽 = 0 e, então,

⃗⃗
𝜕𝐷
⃗∇⃗ × 𝐻
⃗⃗ = (𝐽 = 0)
𝜕𝑡

Note a simetria existente com a equação para campo elétrico

⃗⃗
𝜕𝐵
⃗∇⃗ × 𝐸⃗⃗ = −
𝜕𝑡

A corrente total de deslocamento que atravessa qualquer superfície dada é expressa pela
integral de superfície,
138
⃗⃗
𝜕𝐷
𝐼𝑑 = ∫ 𝐽𝑑 ∙ 𝑑𝑆 = ∫ ∙ 𝑑𝑆
𝑆 𝑆 𝜕𝑡

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e podemos obter a versão variante no tempo da lei circuital de Ampère integrando sobre a superfície
𝑆 a equação

⃗⃗
𝜕𝐷
⃗∇⃗ × 𝐻
⃗⃗ = 𝐽⃗ +
𝜕𝑡

⃗⃗
𝜕𝐷
⃗⃗ × 𝐻
∫ (∇ ⃗⃗ ) ∙ 𝑑𝑆 = ∫ 𝐽⃗ ∙ 𝑑𝑆 + ∫ ∙ 𝑑𝑆 = 𝐼 + 𝐼𝑑
𝑆 𝑆 𝑆 𝜕𝑡

e aplicando o teorema de Stokes,

⃗⃗
𝜕𝐷
⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼 + 𝐼𝑑 = 𝐼 + ∫
∮𝐻 ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆 𝜕𝑡

Para ilustrar a natureza física desta composição de correntes, ou seja, corrente de condução e
corrente de deslocamento, observe a figura a seguir. A figura (a) mostra um capacitor circular de placas
paralelas. Uma corrente 𝐼 entra pela placa da esquerda e uma corrente igual 𝐼 deixa a placa da direita.
Uma espira amperiana envolve o fio nesta figura (a) e forma o contorno da superfície que é atravessada
pelo fio. A corrente no fio estabelece um campo magnético, cuja densidade de fluxo é indicada na
⃗⃗. Pode-se escrever para este caminho fechado que
figura por 𝐵

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼
∮𝐻

ou seja, que a integral de linha do campo magnético no caminho fechado é igual à corrente de
condução do fio.

139
Na figura (b), manteve-se a mesma espira, mas estendendo-a para o espaço entre as placas do
capacitor. Sabe-se que no espaço entre as placas do capacitor não existe corrente nenhuma de
condução porque nenhum fio condutor está presente interligando as superfícies do capacitor e,

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conseqüentemente, se usássemos a equação anterior teríamos resposta zero para a integral de linha,
o que não é experimentalmente verdadeiro. Neste espaço entre placas, o campo elétrico é muito mais
intenso que o campo magnético, a corrente de condução não existe, contudo tem-se aí a chamada
corrente de deslocamento e podemos escrever

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼𝑑
∮𝐻

esta corrente de deslocamento, neste exemplo, possui o mesmo valor da corrente de condução.

Para algumas regiões, a corrente é quase toda de condução, mas para aquelas superfícies que
passam entre as placas do capacitor a corrente de condução é zero e é a corrente de deslocamento
⃗⃗.
que é igual à integral de linha de 𝐻

A corrente de deslocamento está associada aos campos elétricos variantes no tempo e,


portanto, existe em todos os condutores imperfeitos, conduzindo uma corrente de condução variante
no tempo. Por isso, introduzimos um pequeno erro quando desprezamos a corrente de deslocamento
em todas as superfícies que não passam entre as placas. Nestes espaços o campo magnético é muito
mais intenso que o campo elétrico, o qual se encontra confinado no fio, o que nos leva a uma corrente
de deslocamento irrelevante.

9.3 Equações de Maxwell na Forma Pontual


Uma vez encontradas as equações de Maxwell para campos variantes no tempo (as mesmas
são também válidas para campos estacionários), iremos aqui destacá-las em suas formas pontuais.

Equações de Maxwell
na Forma Pontual

⃗⃗
𝜕𝐵
1ª ⃗⃗ × 𝐸⃗⃗ = −

𝜕𝑡

⃗⃗
𝜕𝐷
2ª ⃗⃗ × 𝐻
∇ ⃗⃗ = 𝐽⃗ +
𝜕𝑡

3ª 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
⃗⃗ = 𝜌𝑣

4ª 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐵
⃗⃗ = 0
140

A primeira equação foi desenvolvida a partir da lei de Faraday e relaciona variações de campo
magnético com surgimento de campo elétrico. A segunda equação é a forma pontual da lei circuital de

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Ampère contemplando campos variantes e estacionários, a mesma introduz o conceito de corrente de


deslocamento. A terceira e quarta equações permanecem inalteradas quando sujeitas a campos
variantes no tempo. A terceira equação é a divergência do campo elétrico, a qual resulta em uma
densidade de cargas elétricas que pode ser positiva ou negativa. A quarta equação trata-se da
divergência aplicada ao campo magnético, como não existem “cargas magnéticas” separadas, ou
pólos, a densidade de “cargas magnéticas”, se assim pode dizer, sempre será zero.

Estas quatro equações formam a base de toda a teoria eletromagnética. Elas são equações
diferenciais parciais e relacionam os campos elétricos e magnéticos um com o outro e às suas fontes,
densidades de carga e de corrente. As equações auxiliares são apresentadas no quadro abaixo.

Equações Auxiliares

⃗⃗ = 𝜀𝐸⃗⃗
𝐷 ⃗⃗ e 𝐸⃗⃗
Relaciona 𝐷

⃗⃗ = 𝜇𝐻
𝐵 ⃗⃗ ⃗⃗ e 𝐻
Relaciona 𝐵 ⃗⃗

𝐽⃗ = 𝜎𝐸⃗⃗ Densidade de Corrente de Condução

𝐽⃗ = 𝜌𝑣 𝑣⃗ Densidade de Corrente de Convecção

⃗⃗ = 𝜀0 𝐸⃗⃗ + 𝑃⃗⃗
𝐷
Polarização
𝑃⃗⃗ = 𝜒𝑒 𝜀0 𝐸⃗⃗

⃗⃗ = 𝜇0 (𝐻
𝐵 ⃗⃗ + 𝑀
⃗⃗⃗)
Magnetização
⃗⃗⃗ = 𝜒𝑚 𝜇0 𝐻
𝑀 ⃗⃗

Força de Lorentz escrita na forma


𝑓⃗ = 𝜌𝑣 (𝐸⃗⃗ + 𝑣⃗ × 𝐵
⃗⃗)
pontual em por unidade de volume.

Os potenciais 𝑉 e 𝐴⃗ não foram incluídos acima porque não são estritamente necessários,
embora sejam extremamente úteis.

9.4 Equações de Maxwell na Forma Integral


Uma equação na forma diferencial, tal como foi tratada na seção anterior, sempre representa
uma teoria. Não são capazes de lidar com grandezas físicas macroscópicas. Já as formas integrais das 141
equações de Maxwell são usualmente mais fáceis de serem reconhecidas em termos das leis
experimentais, portanto, vamos reunir, agora, estas formas integrais das equações de Maxwell
anteriormente apresentadas.

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Equações de Maxwell
na Forma Integral

⃗⃗
𝜕𝐵
1ª ∮ 𝐸⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = − ∫ ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆 𝜕𝑡

⃗⃗
𝜕𝐷
2ª ⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = 𝐼 + ∫
∮𝐻 ∙ 𝑑𝑆⃗
𝑆 𝜕𝑡

3ª ⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∫ 𝜌𝑣 𝑑𝑣
∮𝐷
𝑆 𝑣𝑜𝑙

4ª ⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = 0
∮𝐵
𝑆

A primeira equação na forma integral é encontrada integrando-se a primeira equação na forma


pontual sobre uma superfície e aplicando o teorema de Stokes. Esta é a equação da lei de Faraday. A
segunda equação advém do mesmo processo aplicado na primeira. Ela representa a lei circuital de
Ampère. A terceira e quarta equações representam a lei de Gauss para campos elétricos e magnéticos,
respectivamente, e são obtidas integrando-se as formas pontuais através de um volume e usando o
teorema da divergência. Os dois principais teoremas do eletromagnetismo são:

Teoremas do Eletromagnetismo

⃗⃗ ∙ 𝑑𝑆⃗ = ∫ 𝛻⃗⃗ ∙ 𝐷
∮𝐷 ⃗⃗ 𝑑𝑣 Teorema da Divergência
𝑆 𝑣𝑜𝑙.

⃗⃗ ∙ 𝑑𝐿⃗⃗ = ∫ (∇
∮𝐻 ⃗⃗) ∙ 𝑑𝑆⃗
⃗⃗ × 𝐻 Teorema de Stokes
𝑆

As quatro equações integrais nos permitem encontrar as condições de fronteira para os


campos elétrico e magnético. A tabela abaixo traz uma síntese destas condições de fronteira, já
estudadas, para materiais perfeitos.

Condições de Fronteira

𝐸𝑡𝑔1 = 𝐸𝑡𝑔2
Para Campo Elétrico
𝐷𝑁1 − 𝐷𝑁2 = 𝜌𝑣

𝐻𝑡𝑔1 − 𝐻𝑡𝑔2 = 𝐾
Para Campo Magnético 142
𝐵𝑁1 = 𝐵𝑁2

Prof. Ivan Nunes Santos

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