Você está na página 1de 10

Covid-19 – Um caso para detetives médicos

WOLFGANG WODARG, 2 de maio de 2020.

As mortes numerosas e desproporcionalmente frequentes de pacientes do Covid-19


com cor de pele escura e de países do sul, assim como também em Nova Iorque,
Londres, Estocolmo, Madri, Paris e outras cidades e países, são aparentemente o
resultado também de malversação médica com medicamentos. Os afetados são
pessoas com uma deficiência enzimática específica, que ocorre principalmente em
homens cujas famílias são provenientes de regiões onde a malária era ou ainda é
endêmica. (Isso vale não só para a África, mas também para a maior parte da Ásia e
das Américas do Sul e Central, o mundo árabe e a região do Mediterrâneo.)
Atualmente, eles estão sendo tratados com hidroxicloroquina, um medicamento que
para eles é incompatível, e que agora está sendo usado em todo o mundo para
combater o Covid-19. Se isso não parar rapidamente, há a ameaça de mortes em
massa.

Nota: este artigo também está disponível em Alemão, Inglês e Francês.

Antes de descrever minha pesquisa sobre esses achados, que são muito inquietantes para mim, eu
gostaria de dizer primeiro algumas palavras sobre a avaliação da crise do corona, a confiabilidade do
teste PCR para o SARS-CoV-2, bem como sobre o medo onipresente e como ele está sendo usado
politicamente.

Nas minhas investigações sobre os eventos posteriores a Wuhan, que mudaram completamente o
mundo desde o início de 2020, percebi rapidamente que de fato estamos vivenciando uma nova
variante de coronavírus, mas que esta não difere significativamente – em vista dos dados alemães
sobre mortalidade (letalidade) e morbidade (frequência de doenças) – do que foi, ou poderia ter sido,
observado nos últimos anos.

Até aqui, os coronavírus não estiveram no foco da observação epidemiológica no mundo em geral,
exceto por curto período na China (SARS 2002/2003) e nos países árabes (MERS de 2012), pois não
contribuíram de modo importante para as doenças respiratórias virais sazonais de alcance global.
Também não havia vacinas contras eles que fossem recombinadas a cada ano, tais como as
comercializadas contra influenza.

Desde a gripe suína de 2009, é bem sabido que os episódios normais de doenças circulando pelo globo
são focados de maneira inflacionária em um único patógeno de cada vez e caracterizados com o
conceito de "pandemia". Nesse contexto, faz tempo que são requeridas vigilância e desconfiança
historicamente justificada. Porque, se já os nossos hóspedes virais normais de inverno, em constante
mudança e com circulação global, a exemplo dos vírus H1N1 em 2009, satisfazem os critérios de uma
pandemia, então o conceito se esvazia de sentido. Antes de 2009, as coisas eram diferentes. Naquela
época, as características necessárias de uma pandemia incluíam muitos doentes graves e numerosos
casos fatais, com uma sobrecarga catastrófica mundial dos sistemas de saúde.

Para mim, os aspectos puramente infectoepidemiológicos do fenômeno de Wuhan são em grande parte
claros. De acordo com os números disponíveis das redes alemãs de monitoramento de doenças
respiratórias agudas (IRA – infecções respiratórias agudas), da Comunidade de Trabalho Influenza
[Arbeitsgemeinschaft Influenza] e da Rede da Gripe [Grippe-Web], e de acordo com dados hospitalares
de IRA, bem como dados sobre a utilização de unidades de terapia intensiva no país [Alemanha], a
onda de gripe 2019/2020, com o seu variado espectro de patógenos, passou sem nenhuma
particularidade. Aparentemente, apenas as consultas reportadas em consultórios nas últimas semanas
da temporada ocorreram com muito menos frequência, devido ao lockdown.

No que diz respeito às doenças respiratórias sazonais agudas, atualmente não há razão para temer que
haja um número maior de infecções respiratórias agudas. Do ponto de vista médico, e considerando os
dados disponíveis, precauções especiais de agora em diante são desnecessárias – ainda que o governo
diga o contrário.

O teste PCR do SARS-CoV-2: inespecífico, inútil em termos médicos,


mas causador de medo
Devido à sua grande importância para o evento do Covid-19, deve ser dada atenção especial ao teste
PCR do SARS-CoV-2 – o único instrumento disponível para detectar o vírus e para se poder sequer
falar sobre uma nova disseminação. Minha avaliação sobre isso não mudou desde final de fevereiro:
sem o teste PCR para o vírus SARS-CoV-2 desenvolvido por cientistas alemães, não teríamos notado
uma "epidemia" de corona, e muito menos uma "pandemia".

Depois que a OMS o recomendou ("não para fins de diagnóstico médico"), o teste foi usado por toda a
Alemanha na tentativa de se encontrar fragmentos de vírus SARS. Uma autoridade na China, cujo
nome o Prof. Drosten, um dos desenvolvedores do teste PCR, não quis mencionar em uma entrevista
na radiodifusão alemã “Deutschlandfunk”, teria confirmado ao virologista que com o teste dele foi
encontrado o procurado fragmento de SARS no vírus-SARS-de-Wuhan.

Minha avaliação desse teste, que não é licenciado oficialmente e tampouco aprovado para fins
médicos, e que agora é usado para se procurar por “casos” em todo o mundo, é a seguinte:

Como se pode chamar de “específico” para a detecção do vírus SARS-CoV-2, que supostamente
existe há apenas quatro meses, um teste que dá resultados positivos para os diferentes vírus
SARS de morcegos, cães, tigres, leões, gatos domésticos e humanos – vírus esses que há muitos
anos se modificam e se espalham por todo o mundo?

Aparentemente, trata-se de um teste sensível que produz resultados positivos demais – ou seja, que
também pode detectar muitos patógenos semelhantes ao SARS, e que entrementes se recombinam
naturalmente. Com isso não se disputa que os vírus de Wuhan também estavam entre esses.

No entanto, o teste aparentemente também detecta variantes anteriores de SARS – que estão se
modificando constantemente, podem trocar de hospedeiro rapidamente, e não se encontram nos
bancos de dados dos virologistas. Porém, elas também claramente não se destacaram, nem antes
nem agora, como extraordinariamente perigosas.
Então, como é que sabemos que a discrepância entre as muitas infecções inofensivas e as poucas
progressões mais graves não se deve a que diferentes variantes são igualmente encontradas com o teste
utilizado? Especialmente porque o teste dá positivo até mesmo para variantes em animais!

Entretanto, um resultado positivo – ainda que pouco conclusivo – de qualquer modo causa medo, e
imediatamente, de forma previsível, desencadeia um comportamento correspondente por parte dos
afetados e dos responsáveis. Os testes em larga escala, a fixação em vagas com ventiladores, o
esvaziamento dos hospitais para a inundação anunciada de vítimas do Covid-19 e os exercícios de
triagem causaram pânico e, assim, propiciaram a obediência de uma população altamente intimidada.

Será que o medo não deve passar?


Mesmo antes das medidas de lockdown, quando já estava ficando cada vez mais claro que a Alemanha
provavelmente passaria basicamente incólume, duas novas imagens de horror dominaram as
reportagens, também em nosso país, e possibilitaram a continuação do medo e da obediência: caixões e
caos mortal em muitos hospitais italianos e espanhóis, contêiners refrigerados cheios de cadáveres e
valas comuns em Nova Iorque. Disso concluiu-se, então, que de fato devia se tratar de uma epidemia
perigosa.

No entanto, é improvável que o mesmo vírus seja tão mais inofensivo em Hamburgo do que em
Nova Iorque. Deve haver outras razões para isso.

Por causa disso, eu concentrei minha pesquisa nesses novos focos dos acontecimentos. Minha
esperança era de que assim talvez também seria mais fácil entender por que muitos governos sempre
de novo falam da ameaça de uma "segunda onda" e da necessidade de continuar o lockdown.

Atualmente, argumenta-se que as medidas devem ser mantidas mais ou menos até que toda a
população possa ser salva por uma vacinação. Demanda-se um ano e meio de uma "nova normalidade"
sem viagens de férias, festividades, eventos culturais e esportivos, e coloca-se a perspectiva de
vacinações forçadas, testes obrigatórios e aplicativos de rastreamento e de imunidade.

Mas por quê? O que faz o governo ter tanta certeza, a ponto de considerar necessário cassar partes
importantes da Constituição, levar a classe média à falência e permitir que trabalhadores e empregados
caiam no desemprego? O que ainda nos ameaça?

Detetives médicos: Um olhar sob a superfície


Trata-se de descobrir o que aconteceu, por exemplo, no norte da Itália, na Espanha ou em Nova Iorque.
Para entender isso, é necessário pesquisar mais do que é ensinado na epidemiologia normal. Em
Baltimore, na Universidade Johns Hopkins – agora infelizmente institucionalmente corrompida –, eu
passei por uma especialização epidemiológica intensiva, que me deu muito conhecimento
metodológico. Lá havia também uma área chamada "Detetives Médicos".

Ali, podia-se aprender a partir da História, e com base em numerosos casos bem pesquisados, como
impactos sobre a saúde podem surgir, por exemplo, também através do envenenamento de mananciais
ou de alimentos, e quais truques dificultam a distinção entre causas naturais e causas humanas ou até
mesmo criminais. Para os Detetives Médicos – todo mundo sabe disso pelos romances policiais –,
existem perpetradores e vítimas, motivos e armas do crime, álibis e mandantes.
Uma epidemia – mesmo uma declarada pela OMS – pode ser "fake" [falsa]. Nos casos da gripe aviária
e da gripe suína, eu pude vivenciar e investigar as maquinações inescrupulosas e corruptas de uma
indústria farmacêutica e de vacinas. Sempre de novo foram criados temores de saúde para desviar
bilhões em dinheiro público para bolsos privados por meio de produtos perigosos.

Por isso também se deve perguntar no caso do Covid-19: poderia haver, também dessa vez, outra coisa
por trás da intranquilização contínua do público? Cui bono? Quem lucra com o medo?

Virologistas de novo como fazedores de medo


Também dessa vez, os fazedores de medo são, juntamente com a OMS, alguns virologistas que já me
são conhecidos do passado. A maioria deles – e hoje em dia isso infelizmente já é uma “nova
normalidade” em institutos médicos – têm uma cooperação estreita com a indústria farmacêutica ou
outros investidores.

Atualmente, é mais fácil se tornar professor universitário quando se tiver demonstrado habilidade na
obtenção de verbas de terceiros. A ciência se acostumou com a "infidelidade", e as universidades
facilitam isso através da abertura não transparente de novas empresas, de parcerias público-privadas ou
de cooperações com supostas fundações beneficentes.

Nos assuntos do Covid-19, o departamento de virologia da [Universidade de Medicina] Charité, de


Berlim, é financiado por exemplo pela Fundação Bill e Melinda Gates. Um coautor do teste de PCR de
[Christian] Drosten et al. é o presidente da empresa de biotecnologia TIB Molbiol, que agora produz e
comercializa cada vez mais testes no valor de milhões. No entanto, esses são achados detetivescos
secundários, que nem de longe explicam o que agora está virando este mundo de cabeça para baixo.

A maioria dos especialistas não pode mais negar que o perigo de infecções na Alemanha e nos países
vizinhos já passou, sem se mancharem pelo resto das suas carreiras. E mesmo assim existem pessoas
nos governos, nas agências públicas e na ciência que querem usar o medo para nos trancar e continuar
nos dizendo o que fazer.

Minha irritação com essa criação de pânico medicamente incompreensível, e com muitas autorizações
epidêmico-higiênicas sem sentido e disciplinamentos cerceadores de liberdade, também está
acompanhada pela curiosidade de um "detetive médico", que pondera sobre possíveis motivos ocultos.
No entanto, não quero me ocupar aqui com o pano de fundo político ou econômico. A hora para isso
ainda deverá chegar, além do que essa também não é minha especialidade.

Virá uma "segunda onda"?


A pergunta que eu me faço é a seguinte: Como foi possível, no caso de um patógeno que claramente é
relativamente inofensivo, criar tais cenários de horror, com os quais os críticos puderam ser tirados do
caminho sem esforço e se conseguiu, sempre de novo, alimentar o medo na população através da
mídia?

Além disso, eu gostaria de saber com base em quais achados científicos a chanceler alemã, o seu
ministro da saúde, o seu virologista de plantão e outros continuam a anunciar: A segunda onda ainda
virá. Ainda vai demorar muitos meses. Não devemos viajar nas férias. Temos que nos preparar para
trabalhar em casa no futuro. Todos temos que ser testados, rastreados e vacinados com uma substância
que ainda deverá ser rapidamente colocada à prova. Na verdade, tudo isso já está no roteiro intitulado
“A primeira pandemia moderna”, publicado por Bill Gates em 23 de abril – mas também lá isso não
está compreensivelmente documentado de um ponto de vista médico.

Uma pista de Nova Iorque

Em 31 de março, eu recebi uma pista importante: o médico intensivista nova-iorquino Dr. Cameron
Kyle-Sidell alertou seus colegas com uma observação surpreendente. Ele relatou:

"Os pacientes que eu vivenciei não eram pacientes de Covid-19. Eles não apresentavam sinais de
pneumonia, mas pareciam passageiros de um avião que de repente perdeu pressão em grande
altitude".

Portanto, devia se tratar de um distúrbio no transporte de oxigênio no sangue. Eu pesquisei e fui


eliminando, uma por uma, as várias causas conhecidas de tais sintomas, na medida em que estavam
fora de questão por causa da progressão [observada deles]. A causa mais provável me pareceu ser uma
hemólise com progressão rápida, que vem a ser uma destruição dos eritrócitos (glóbulos vermelhos)
que trocam nos pulmões CO2 a ser expirado por oxigênio, a fim de transportá-lo para todos os cantos
do nosso corpo. Os pacientes então sentem que vão sufocar, e respiram muito rapidamente e com
dificuldade.

Sabemos o que fazer nesse caso, porque nos é demonstrado no avião antes de cada partida: as máscaras
de oxigênio caem do teto e trazem alívio até que tudo esteja em ordem de novo. Foi exatamente isso o
que mais ajudou também os pacientes em Nova Iorque. Entubar e ventilar, por outro lado, estavam
errados e em muitos lugares mataram pessoas.

O nigeriano morto na Suécia


Eu tinha conhecimento de um caso assim, com os mesmos sintomas enigmáticos, que foram descritos
em 2014 por pneumologistas suecos no caso de um jovem paciente vindo da Nigéria, que morreu
disso. Naquela época, estimou-se após a morte que a possível causa houvesse sido uma deficiência
enzimática – depois de fato confirmada – que ocorre em muitas regiões da África, em 20 a 30% da
população.

Trata-se da chamada deficiência de glicose-6-[fosfato-]desidrogenase, ou “deficiência de G6PD”, uma


das peculiaridades genéticas mais comuns [também chamada de favismo], que pode levar,
principalmente em homens, a uma perigosa hemólise (dissolução dos glóbulos vermelhos) quando
certos medicamentos ou substâncias químicas são ingeridas. O mapa a seguir mostra a distribuição
dessa deficiência (fonte e explicações aqui).
Essa característica hereditária está difundida sobretudo entre etnias que vivem em regiões com malária.
O gene G6PD modificado oferece vantagens nos trópicos: ele torna os seus portadores resistentes a
patógenos da malária. Porém, a deficiência de G6PD também é perigosa quando os afetados entram
em contato com certas substâncias – que se encontram, por exemplo, na fava [Vicia faba], na groselha
[gênero Ribes], na ervilha e em uma série de medicamentos.

Estes últimos incluem, entre outros, o ácido acetilsalicílico, metamizol, sulfonamidas, vitamina K,
naftaleno, anilina, medicamentos contra a malária e nitrofuranos. A deficiência de G6PD então leva a
uma perturbação dos processos bioquímicos nos glóbulos vermelhos e, dependendo da dose, a uma
hemólise de leve a fatal. Os resíduos dos eritrócitos que se rompem subsequentemente levam a
microembolias, que por toda a parte entopem pequenos vasos nos órgãos. Na época, não ficou claro o
que causou a doença e morte do jovem nigeriano.

Uma descoberta assustadora


Eu olhei para os medicamentos que podem causar hemólise grave quando há deficiência de G6PD e
tomei um grande susto. Uma das substâncias, que é tida como muito perigosa em todas as formas
dessa deficiência enzimática, é a droga antimalária hidroxicloroquina (HCQ).

Mas essa é justamente a substância que desde 2003 os pesquisadores chineses em Wuhan vêm
recomendando contra a SARS. Agora, juntamente com o vírus, a HCQ chegou novamente de Wuhan
até nós como uma das possibilidades terapêuticas, e foi também aceita como tal. Ao mesmo tempo, a
HCQ, com o apoio da OMS e de outras agências, foi recomendada para ensaios clínicos adicionais
como um agente muito promissor contra o Covid-19.

Segundo relatos, a produção desse medicamento nos Camarões, na Nigéria e em outros países
africanos deverá ser aumentada. A Índia é o maior produtor de HCQ e a exporta para 55 países.
Werner Baumann, o CEO da Bayer S.A., anunciou no início de abril que "diversas pesquisas em
laboratórios e hospitais" teriam fornecido as indicações iniciais de que a cloroquina poderia ser
adequada para o tratamento de pacientes de corona. A empresa então colocou no mercado alguns
milhões de comprimidos.

Atualmente, existem em todo o mundo centenas de ensaios com diferentes patrocinadores, planejados
ou em já andamento, nos quais a HCQ é utilizar sozinha ou em conjunto com outros medicamentos.
Quando examinei alguns grandes estudos para ver se pacientes com deficiência de G6PD foram
excluídos, não encontrei nenhuma indicação disso na maioria dos planejamentos dos estudos.
Nos EUA, por exemplo, está sendo preparado um grande estudo multicêntrico com 4.000 sujeitos de
teste pertencentes a equipes médicas saudáveis. Aqui, no entanto, apenas se fala de forma geral sobre
"hipersensibilidade", como já se encontra em todos os medicamentos com relação a reações alérgicas.
Também em um estudo de cloroquina/hidroxicloroquina da Universidade de Oxford (NCT04303507),
planejado com 40.000 participantes, não há nenhuma menção ao risco quanto à deficiência de G6PD.
Porém, em outro grande estudo, este do Pentágono, existe de fato o alerta explícito para se excluir
pacientes com deficiência de G6PD da pesquisa.

O gráfico a seguir, baseado em informações do banco de dados da OMS, mostra quantos estudos sobre
Covid-19 e HCQ foram iniciados – e quão poucos deles levam em consideração a deficiência
enzimática.

Em geral, são mencionadas apenas as complicações cardíacas da cloroquina ou da hidroxicloroquina,


que no Brasil teriam levado à interrupção de um estudo com 11 vítimas fatais em 81 sujeitos de teste.
Entretanto, parece que mundo afora é dada pouca atenção a esse outro efeito colateral grave. Além
disso, devido à falta de alternativas, desde o início do ano a HCQ tem sido tolerada e aplicada
massivamente em muitos países no contexto de um assim chamado “Compassionate Use” (“uso
compassivo”). Na medicina, o uso compassivo refere-se a medicamentos ainda não aprovados sendo
usados em situações de emergência.

Concentrações notáveis
Durante essas pesquisas, foram chegando cada vez mais resultados de avaliações mais precisas dos
casos fatais em cidades especialmente afetadas. Em Nova Iorque e em outras cidades dos EUA, foi
relatado que entre as vítimas fatais havia preponderantemente afroamericanos – o dobro do que seria
de se esperar com base na proporção da população.

Também da Inglaterra, onde os dados de mortalidade do Euromomo [European Mortality Monitoring


– monitoramento da mortalidade na Europa] mostram uma taxa de mortalidade crescente desde o
início de abril, veio o relato de que 35% dos cerca de 2.000 doentes mais graves – portanto duas vezes
mais que o esperado – provinham de “minorias” étnicas (“negros, asiáticos ou outras minoria étnicas”),
entre os quais também médicos e equipe médica.

Uma grande mortandade de médicos na Itália continua precisando urgentemente de esclarecimento. A


morte de cerca de 150 médicos e de apenas algumas médicas é relacionada ao Covid-19. Ainda que a
idade possa ter desempenhado um papel em muitos desses casos, deve-se observar que também em
algumas regiões da Itália é descrita uma alta prevalência da deficiência de G6PD, e que na Itália, em
até 71% das pessoas que tiveram teste PCR positivo, como também em membros das equipes médicas,
muita HCQ foi usada profilaticamente. Algo semelhante também é o caso na Espanha. Entre os
primeiros 15 mortos de Covid-19 na Suécia, havia 6 jovens imigrantes da Somália.

Combinação fatal
Com isso, o resultado assustador da minha pesquisa é que progressões tipicamente severas com
hemólise, microtrombos e falta de ar sem sinais típicos de pneumonia se manifestam com mais
frequência onde dois fatores ocorrem juntos:

 Muitos pacientes com antepassados oriundos de países com malária, portadores de deficiência
de G6PD
 Uso profilático ou terapêutico de altas doses de HCQ

É exatamente isso o que se espera na África, e justo esse já é generalizadamente o caso em lugares
onde, através da migração, há uma grande parte da população proveniente de países com malária. O
diagrama a seguir mostra esquematicamente o processo.
Cidades como Nova Iorque, Chicago, Nova Orleãs, Londres ou mesmo grandes cidades na Holanda,
Bélgica, Espanha e França são tais centros. Quando o teste for largamente aplicado nesses pontos
focais de migração e o resultado, segundo expectativas, resultar positivo em cerca de 10 a 20% da
população, entre estes também se encontrarão muitas pessoas de países relacionados à [falta de] G6PD.
Se elas forem, conforme planejado, tratadas com HCQ em altas doses, profilaticamente ou no
contexto de um uso “compassivo”, esses quadros clínicos graves também serão provocados em pessoas
jovens, tal como nos foi apresentado pela imprensa sensacionalista, mantendo vivo o nosso medo do
Covid-19.

Não se sabe quantas vezes essa combinação mortal já causou vítimas. Até aqui, não há qualquer
discussão sobre o assunto entre os responsáveis na OMS e nos governos. Também entre os médicos
responsáveis pelo tratamento de pacientes de Covid-19 ou pelas equipes que tratam deles, o
conhecimento e o senso de responsabilidade estão ausentes em proporção assustadora.

Mais uma vez: essa conexão vale não somente para a África, mas também para grandes partes da Ásia,
América do Sul e Central, mundo árabe e região do Mediterrâneo.

Nesse contexto, os casos mencionados não têm nada a ver com a doença Covid-19. Basta um
resultado positivo de teste PCR, que leve à prescrição profilática de HCQ, para causar doenças
graves em até um terço das pessoas em populações de risco tratadas dessa maneira.

O tratamento com HCQ no caso de deficiência de G6PD é um erro


médico perigoso
Isso poderia ser resolvido imediatamente se todos os médicos ativos mundo afora fossem informados
sobre a contraindicação da HCQ. No entanto, a OMS, o CDC [Centros de Prevenção e Controle de
Doenças, dos EUA], o ECDC [Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças], os especialistas
chineses em SARS, as associações médicas, as agências de medicamentos e o governo alemão e seus
consultores estão sendo culposamente omissos em esclarecer isso. Em vista dos programas em
andamento, isso parece ser negligência grave.

É malversação médica tratar pessoas portadoras da deficiência de G6PD com derivados de cloroquina
em dosagens altas ou com outros medicamentos sabidamente perigosos para elas. Sob o rótulo “teste
clínico ‘solidário’ para tratamentos de COVID-19”, da OMS, aprova-se de forma precipitada que
pessoas saudáveis sejam expostas a experimentos com risco de vida. Centenas de testes clínicos, em
maior parte estudos observacionais inúteis com tratamentos paralelos, são com muita frequência
realizadas também com o HCQ como uma das alternativas.

A legislação alemã sobre substâncias medicinais proíbe o uso de medicamentos não autorizados, mas o
governo ainda assim o apoia. Um teste não validado e não autorizado para fins de diagnóstico fornece
o pretexto para a aplicação de medicamentos com risco de vida – e tudo isso com relação a uma
doença infecciosa para a qual ainda não há evidências de que traga ameaças mais sérias do que o risco
da gripe de cada ano.

A pleno vapor rumo à catástrofe


Os perigos desta epidemia são apresentados com a ajuda de impostura científica. Um teste inadequado
de Berlim fornece o pretexto para medidas mortais em todo o mundo. As consequências desses erros
levam a casos de emergência em muitas regiões, que são atribuídas a uma epidemia. Isso cria
precisamente a onda de medo que muitos empresários e políticos estão surfando, e que ameaça engolir
os nossos direitos fundamentais.

O público, a mídia e a comunidade de especialistas mal parecem se surpreender com o fato de que em
Nova Iorque e em outros centros morrem mais do que o dobro de “afroamericanos” do que seria de se
esperar baseado na sua proporção na população. Também nas investigações das mortes nos EUA e em
outros lugares, os riscos devidos à deficiência de G6PD são quase sempre ignorados ou esquecidos.

Quando virologistas requisitados e outros especialistas há tempos anunciam que haverá na África uma
onda de mortes e condições terríveis nas cidades, será que eles sabem dessas conexões? Ou existem
outras razões comprováveis que justifiquem profecias tão graves? E por fim: seria tudo isso apenas
assunto da ciência, ou também de promotores públicos e tribunais?

Este artigo foi publicado simultaneamente em diferentes mídias. Mais informações e gráficos
relacionados podem ser encontrados no site do autor [maior parte em Alemão; alguns artigos e textos
em outras línguas, inclusive em Português].

Sobre o autor: Dr. med. Wolfgang Wodarg, nascido em 1947, é médico internista e pulmonar,
especialista em higiene e medicina ambiental, bem como em saúde pública e medicina social. Após
sua atuação clínica como internista, ele foi, entre outros, médico no serviço de saúde pública em
Schleswig-Holstein [um estado alemão] por 13 anos, e ao mesmo tempo docente em universidades e
faculdades técnicas, e presidente do comitê técnico em proteção ambiental da saúde na Associação
Médica de Schleswig-Holstein; em 1991, recebeu uma bolsa de estudos DAAD para a Universidade
Johns Hopkins, Baltimore, EUA (epidemiologia). Como deputado do Parlamento Federal Alemão de
1994 a 2009, foi iniciador e relator na Comissão de “Ética e Direito da Medicina Moderna”, e
membro da Assembleia Parlamentar do Conselho Europeu, onde foi presidente do Subcomitê de
Saúde e vice-presidente do Comitê de Cultura, Educação e Ciência. Em 2009, em Estrasburgo, ele
iniciou a Comissão de Inquérito sobre o papel da OMS na H1N1 (gripe suína), onde, depois da sua
saída do Parlamento, continuou participando como especialista científico. Desde 2011, atua como
docente universitário autônomo, médico e cientista da saúde, e até 2020 esteve engajado
voluntariamente como membro da diretoria e dirigente do grupo de trabalho em saúde da
Transparency International da Alemanha.