Você está na página 1de 22

UNIVERSIDADE PEDAGOGICA

ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR


Métodos de Estudo de Investigação Científica

Tema:
Abandono Escolar no 1o Ciclo do Ensino Secundário Geral: Caso da Escola Secundária de
Mieze (2010-2014)

Discente: Docente:
EugénioSuhutiMuatie João Maurício

Montepuez, Maio de 2019


ÍNDICE
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO.......................................................................................................1
1.1. Problema...........................................................................................................................4
1.2. Objectivos.............................................................................................................................6
1.2.1. Objectivo Geral:........................................................................................................6
1.2.2. Objectivos Específicos:..............................................................................................6
1.3. Questões de Pesquisa:.......................................................................................................6
1.4. Justificativa.......................................................................................................................7
1.5. Delimitação do estudo.......................................................................................................7
CAPÍTULO II: REVISÃO DE LITERATURA..............................................................................8
2.1. Abandono Escolar.................................................................................................................8
2.1.1. Tipos de Abandono Escolar.......................................................................................8
2.1.2. Teorias Sobre Abandono Escolar..............................................................................9
2.1.3. Causas do Abandono Escolar..................................................................................10
2.1.4. Consequências do Abandono Escolar......................................................................13
2.1.5. Acções Para Reduzir o Abandono Escolar..............................................................14
2.1.6. Abandono Escolar em Moçambique........................................................................15
CAPÍTULO III: METODOLOGIA...............................................................................................17
3.1. Tipo de pesquisa..................................................................................................................17
3.3. Instrumentos de recolha de dados.......................................................................................18
3.3.1. Entrevista......................................................................................................................18
3.3.2. Questionário.................................................................................................................18
3.3.3. Análise documental......................................................................................................19
3.4. População e amostra............................................................................................................19
3.4.1. Caracterização da amostragem.....................................................................................19
4. CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES....................................................................................20
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................21
CAPÍTULO I- INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como tema “Abandono Escolar dos alunos no 1o ciclo do ensino
secundário geral: Caso da Escola Secundária de Mieze, localizada no Distrito de Metuge –
Província de Cabo Delgado, no período compreendido entre 2010-2014”.

Para Costa (s/d) o abandono escolar não é só um problema social e educacional, ele é
simultaneamente um problema económico. Numa sociedade com graves problemas sociais e
económicos, muitos são os jovens que, que se vêem ‘empurrados’ para a vida activa, tendo que
terminar a sua carreira escolar, mesmo antes de concluída a escolaridade mínima obrigatória,
como tentativa de melhorar as suas condições de vida.

Segundo o Relatório sobre o aproveitamento pedagógico da Escola Secundária de


Miezepublicado em 2015, registou-se em 2010 um total de 138 desistentes que corresponde a
48.3 %; em 2011 registou 89 desistentes que equivalem a 27.93%; em 2012 registou 226
(62.24%); em 2013 registou 103 (28.14%) e finalmente em 2014 registou 20 desistentes
equivalendo cerca de 4.7 %.

Com este trabalho pretendemos compreender as acções que a escola tem realizado para
minimizar o abandono escolar dos alunos da Escola Secundária de Mieze, referente ao1 o ciclo do
Ensino Secundário Geral.

O projecto encontra-se dividido em três partes. A primeira parte onde se enuncia o problema, e
se apresentam os objectivos (geral e específicos) do trabalho e a justificativa. A segunda parte
onde é feita a revisão da literatura que suporta a temática em estudo e a terceira parte, onde
apresentamos a metodologia a seguir.
1.1. Problema

Segundo Costa (s/d), uma questão relacionada com a Educação que tem merecido especial
atenção nos últimos tempos é o Abandono Escolar. Este acarreta consequências nefastas para a
sociedade em geral, pelo que se torna urgente identificar as causas da sua persistência.

O abandono escolar é um fenómeno com percussões negativas para o individuo, para a sociedade
e para os fazedores das políticas da educação e para a própria família. A sua ocorrência conduz a
efeitos negativos no que diz respeito às competências pessoais e de qualificação profissional que
era suposto adquirir na escola.

Este facto é compartilhado por Ferrão (2000) apud Vasconcelos (2013) argumentando que o
abandono escolar precoce, pode conjuga na sua génese diversos factores que podem ser de
natureza individual, familiar e relacionados com o meio envolvente, associando-se, na maioria
dos casos, a situações de pobreza, o que levam as famílias a deixarem mais rapidamente de
investir no sistema escolar, encaminhando as crianças para tarefas, remuneradas ou não, do
mundo do trabalho.

Um inquérito realizado em 2001 pelo Instituto Nacional de Estatística de Moçambique sobre as


causas da desistência revela que cerca de 10,7% das crianças inquiridas haviam frequentado a
escola e abandonado por diversas razões. A maior parte dos desistentes são meninas (cerca de
12%) contra 9.5% dos rapazes(Castiano& Nguenha,2013).

De acordo com o inquérito acima citado, o abandono escolar tende a ser maior entre os treze e os
dezasseis anos, a diferença das percentagens de desistência entre as zonas rurais e as urbanas é
muito pequena (cerca de 1%). As causas principais apontadas para as desistências são, a
onerosidade dos estudos, a pouca ou quase nula importância que a escola tem para a vida das
pessoas. O motivo mais frequentemente indicado nas faixas etárias entre treze aos dezassete foi o
de casamento precoce.

A Escola Secundária de Mieze, como muitas escolas moçambicanas apresenta este tipo de
problema, (Tabela 1.1)
Tabela 1.1: Taxa de Desistência dos alunos da Escola Secundária de Mieze (2010 -2014)

Ano Classe Alunos Total de Alunos Percentagem


Matriculados alunos no fim desistentes de
do ano desistências
8ª 415 339 76 18.37 %
9ª 229 194 35 15.28 %
2010
10ª 184 157 27 14.67 %
8ª 458 407 56 12.22 %
9ª 284 268 16 5.63 %
2011
10ª 169 152 17 10.05 %
8ª 462 361 101 21.86 %
9ª 357 274 83 23.24 %
2012
10ª 245 203 42 17.14%
8ª 505 439 66 13.06%
9ª 241 222 19 7.88%
2013
10ª 250 232 18 7.2%
8ª 497 487 10 2.01%
9ª 371 361 10 2.69%
2014
10ª 192 211 *** ***
Fonte: Relatório Anual sobre Aproveitamento Pedagógico da Escola Secundária de Mieze, 2015

*** Não foi posível calcular a percentagem dado que matricularam-se 192 alunos, e no final do ano contava com
211 alunos. A escola não tem registo do número de alunos que foram integrados, após o levantamento estatístico de
3 de Março e o número dos alunos que desistiram.

Olhando para os dados acima apresentados nota-se que nos últimos dois anos a questão de
abandono escolar na escola em estudo tende a diminuir, e é desta forma que se coloca a seguinte
questão: Como é que a Escola Secundária de Mieze conseguiu reduzir o abandono escolar dos
alunos?

1.2. Objectivos

1.2.1. Objectivo Geral


 Analisar a problemática de abandono escolar na Escola Secundária de Mieze e os
mecanismos utilizadas para reduzir o abandono escolar dos alunos da 8º à 10ªclasse.

1.2.2. Objectivos Específicos


 Caracterizar a problemática do abandono escolar dos alunos da 8ª á 10ª classe da Escola
Secundária de Mieze;
 Identificar os mecanismos que a Escola Secundária de Mieze possa ter para reduzir o
abandono escolar dos alunos da 8ª à 10 classe;
 Captar as percepções dos professores sobre a redução do abandono escolar dos alunos da
8ª à 10ª classe da Escola Secundária de Mieze;
 Captar as percepções dos pais e encarregados de educação sobre a redução do abandono
escolar dos alunos da 8ª á 10ª classe da Escola Secundária de Mieze.

1.3. Questões de Pesquisa

Com base no problema enunciado e nos objectivos do presente estudo, formularam-se as


seguintes questões:
 Como se caracteriza o abandono escolar da 8ª á 10ª classe na Escola Secundária de
Mieze?
 Que mecanismos a Escola Secundária de Mieze tem utilizado para reduzir o abandono
escolar dos alunos da 8ª à 10 classes?
 Qual a opinião dos professores sobre a redução do abandono escolar dos alunos da 8ª á
10ª classe na Escola Secundária de Mieze?
 Qual é a opinião dos pais e encarregados de educação sobre a redução do abandono
escolar dos alunos da 8ª á 10ª classe na Escola Secundária de Mieze?

1.4. Justificativa

Em Moçambique, mais concretamente nas zonas rurais verifica-se com maior incidência, o
problema de abandono escolar dos alunos devido a vários factores, sejam eles individuais,
familiares, económicos, sociais entre outros.
Como este problema está a ganhar espaço a nível nacional, urge a necessidade de fazer um
estudo sobre as acções que a escola em causa tem desenvolvido para minimizar a problemática
de abandono escolar de modo a influenciar outras escolas do País.

O estudo sobre este tema é de extrema importância na medida em que a nível social, contribuirá
para o esclarecimento daqueles que são considerados os reais problemas deste fenómeno, e
quanto ao nível académico, reveste-se de igual importância, na medida em que espera-se que os
seus resultados sirvam de espelho para escolas que enfrentam o mesmo problema.

Ademais, a escolha do presente tema em pesquisa prende-se com o facto de se constatar o


abandono escolar de muitos jovens de ambos os sexos, inclusive alguns familiares próximos da
pesquisadora para se dedicarem a outras actividades.

1.5. Delimitação do estudo

O presente estudo irá decorrer na Escola Secundária de Mieze no distrito de Metuge, Província
de Cabo Delgado. A nossa pesquisa vai abrangir apenas o ensino ESG1 por ser o nível em que
apresenta índice elevado de abandono escolar naquela escola. O período em análise compreende
a época 2010-2014, por duas razões: pelo facto do ano 2010 ter sido o ano em que escola
começou a registar alto índice de abandono escolar, e, o ano de 2014 como fim, por ser o ano em
que se observou uma redução considerável do abandono escolar na escola.

CAPÍTULO II- REVISÃO DE LITERATURA

O presente capítulo desenvolve o quadro teórico através da revisão de literatura que suporta a
reflexão sobre o abandono escolar na Escola Secundária de Mieze. Assim, para uma melhor
compreensão do problema de abandono escolar discutir-se-ão conceitos e outros aspectos tais
como abandono escolar, tipos de abandono escolar, causas do abandono escolar, consequências
do abandono escolar e acções para reduzir. Uma vez que o estudo se debruça sobre uma escola
moçambicana, apresentaremos também uma reflexão sobre o abandono escolar em Moçambique.

2.1. Abandono Escolar

O abandono escolar é um problema do domínio da conduta de um indivíduo e traduz-se na


decisão de deixar a escola sem completar o nível de ensino desejado. Essa decisão não é, de
forma alguma repentina, mas produto de um longo processo de tensões, desajustamentos,
fracassos e desinteresse pela escola (Santos, s/d).

Na perspectiva de Tavares (1998), o abandono se concretiza no final do ano lectivo por razões
que não sejam a transferência ou a morte enquanto a desistência ocorre ao longo do ano lectivo.

Assim Benaventeetal (1994) referem que o abandono ou desistência significa que um aluno
deixa a escola sem concluir o grau de ensino frequentado por outras razões que não sejam a
transferência de escola ou a morte.

Entretanto Ferrão (1995), distingue o abandono da desistência. Para este autor o abandono
escolar dá-se no final do ano lectivo e desistências a qualquer altura do ano. Ou seja a desistência
é o fenómeno que está relacionado com as situações de transferências de escolas e por sua vez o
abandono escolar significa ruptura com o sistema educativo.

Tendo em conta que o abandono escolar apresenta várias definições e percepções, para o
presente estudo usaremos aquela que acontece no final do ano.

2.1.1. Tipos de Abandono Escolar

Janoszetal(2000) citados por Vasconcelos (2013) desenvolveram diversos estudos sobre a


identificação de preditores do abandono escolar e apresentam uma tipologia do abandono,
evidenciando quatro perfis de alunos desistentes: os discretos, os não empenhados, os com baixo
desempenho e os inadaptados.
 Os alunos ditos discretos: são aqueles que não apresentam nenhum problema de
comportamento na escola, que evidenciam um nível de empenhamento elevado em
relação à educação, mas cujo rendimento escolar é baixo. Estes são qualificados como
discretos na medida em que correm o risco de passar despercebidos junto das autoridades
escolares.
 Os alunos intitulados “não empenhados” são aqueles que, além de manifestarem um
reduzido empenhamento face à educação, evidenciam, em termos de comportamento, um
nível de inadaptação escolar médio e um rendimento também médio.
 Por sua vez, os alunos com “baixo desempenho” são indivíduos cujo grau de
empenhamento é baixo, cujo nível de inadaptação escolar é médio e que, ao contrário dos
não empenhados, evidenciam um rendimento médio muito fraco. Distinguem-se dos
outros desistentes devido às suas dificuldades em corresponder às exigências escolares no
plano das aprendizagens.
 Os “aluno inadaptados” são adolescentes que evidenciam um rendimento escolar muito
baixo, um fraco empenhamento e um elevado nível de inadaptação escolar, em suma são
indivíduos cuja experiência escolar se revela problemática a todos os níveis, ou seja,
tanto no plano das aprendizagens, como no dos comportamentos.

Das diferentes tipologias de abandono acima enunciados, para as nossas escolas caracteriza-se
pelo último tipo(alunos inadaptados), visto que este refere-se a todos alunos que pouco se
interessam pela educação formal, dado que os seus pais vêem mais interesse nas actividades
como a prática da agricultura e respeito pelas tradições culturais da comunidade que preparam as
crianças para a vida adulta.

2.1.2. Teorias Sobre Abandono Escolar

A grande parte da investigação sobre estudantes que não conseguem terminar a escolaridade
pode ser dividida em duas teorias importantes, como apresenta Kelly (1994) citado por Lemmer
(2006:81):
 Teoria predominante: esta teoria considera a saída prematura da escola como abandono,
constituindo um acto individual, um significativo fracasso individual, ou talvez familiar
ou cultural;
 Outra teoria designa essa saída por exclusão, e centra-se em estruturas económicas,
politicas e sociais desiguais, e em certas práticas escolares como a perseguição e a
expulsão, que servem para estigmatizar, desencorajar e excluir as crianças.

2.1.3. Causas do Abandono Escolar

São várias as causas do abandono escolar apontadas por diversos autores, assim, para um melhor
entendimento importa reflectir sobre elas pelo que passamos a mencionar algumas.

Benavente etal(1994) afirmam que apesar da existência de causas múltiplas não devemos desviar
atenção daquela que frequentemente é apontada como sendo uma das principais razões: os
alunos que abandonam a escola foram por ela, antecipadamente, abandonados. A autora destaca
as periferias urbanas e as zonas rurais como as mais atingidas pelo abandono escolar. Os filhos
de trabalhadores agrícolas, de operários e de artesãos, os filhos de emigrantes e os pertencentes a
minorias étnicas como aqueles que mais frequentemente abandonam a escolaridade obrigatória.

Dupont e Ossandon (1987) como citados em Santos (s/d) identificaram o perfil de um potencial
“abandonador” da seguinte maneira: “tem um fraco rendimento escolar, vive mal a relação
educativa, sente ausência de empatia, tem professores pouco motivados, não se sente bem na sua
pele de aluno, não tem confiança em si, veicula consigo perspectivas de fracasso e não se
concentra no seu trabalho”.

Lemmer (2006), acrescenta algumas variáveis que nos ajudam a explicar as causas do abandono
escolar por parte dos alunos, nomeadamente:
 Estatuto socioeconómico: As crianças que vivem na pobreza têm menores probabilidades
de completar a escolaridade. Algumas famílias não têm possibilidades de pagar as
propinas escolares, livros e materiais, transportes e uniformes. Aparentemente algumas
crianças abandonam por vergonha da sua relativa pobreza, que se reflecte nas roupas e na
falta de almoço (Kelly, 1994 como citado em Lemmer, 2006).
 Raça e classificação étnica: As investigações demonstram que os grupos que
historicamente têm sido desfavorecidos têm tendência para abandonar a escola mais cedo.
 Sexo: A divisão do papel dos sexos no trabalho, dentro da família da sociedade,
influencia a persistência na escola por sexo. Nalgumas regiões, os rapazes abandonam
mais frequentemente e mais cedo, para tomarem conta de rebanhos e desempenharem
outras tarefas. Mas mais frequentemente as raparigas particularmente em famílias rurais e
de baixo rendimentos são necessárias em casa para tomarem conta dos irmãos mais novos
e fazerem os trabalhos domésticos e tarefas na agricultura. Também é habitual em escolas
por todo o mundo que as raparigas sejam excluídas quando engravidam ou casam
(Lammer, 2006).
 Lares monoparentais: Os estudantes que vivem em lares monoparentais têm
tendencialmente taxas de sucesso mais baixas e taxas de abandono escolar mais elevadas
do que os estudantes provenientes dos lares mais tradicionais, com pai e mãe. A falta de
tempo dos pais (90% dos quais são mães) para passarem com os filhos, juntamente com o
aumento de esforço económico de uma única fonte de rendimento, provocam condições
em casas menos desejáveis e, por sua vez, afectam os resultados escolares (Khattrietal,
1997:87-88 citado por Lemmer, 2006).
 Conhecimentos limitados da língua de ensino: Os estudantes com conhecimentos
limitados de inglês se for esta a língua de ensino encontra-se muitas vezes em risco de
fracasso educativo, devido aos desafios que enfrentam na sala de aula, particularmente
quando não são disponibilizados prontamente programas bilingues ou com inglês como
segunda língua (Lemmer, 2006).
 Nível educativo dos pais: O baixo nível da escolaridade dos pais, especialmente das
mães, tem um efeito negativo sobre o aproveitamento dos estudantes. As experiencias
educativas dos próprios pais moldam também as expectativas que eles têm para os seus
filhos (Khattriet al.,1997: 88 citado por Lemmer, 2006: 82).
 Tipo de comunidade: Os residentes em zonas rurais, especialmente nos países em
desenvolvimento, abandonam mais frequentemente do que os seus colegas urbanos. A
falta de escolas, as grandes distâncias entre a escola e casa a falta flexibilidade nos
horários das aulas e do ano escolar, de forma a fazerem face às necessidades das
populações locais. (Lemmer, 2006:82).
 Comportamentos estudantis: Certos comportamentos estudantis colocam-nos em risco de
abandono. O autor cita alguns exemplos tais como: abuso de substâncias. Os jovens nas
zonas rurais parecem preferir álcool, enquanto os jovens nas comunidades urbanas
apresentam taxas mais elevados de uso de drogas. Absentismo. O absentismo dos
estudantes é frequentemente citado como um factor fortemente associado ao fraco
aproveitamento educativo e ao abando escolar.
 Características das escolas: Uma das características mais básicas das escolas, que afecta
a frequência escolar, é a existência da própria escola. Isso foi demonstrado nos países em
desenvolvimento, onde uma escola na aldeia tem um efeito positivo sobre os anos
escolaridade completados. O abandono também tem-se associado a características
organização escolar e às experiências dos estudantes nas escolas, tal como a inexistência
de um clima carinhoso e de apoio, que se provou aumentar a probabilidade de abandono
por parte dos estudantes (Lemmer, 2006).
 Aspectos ambientais: A escolaridade pode ser entendida como menos relevante quando
os estudantes não vêem ligação entre o currículo escolar e a cultura das suas famílias e
vizinhança, quando os seus valores apresentados e exigidos pela escola são diferentes dos
seus grupos e quando não. Vêem ligação entre o seu trabalho académico na escola e as
suas perspectivas económicas futuras (Natriello, 1994:164-5).

No caso de Moçambiqueconcretamente nas zonas rurais, podemos verificar como sendo factores
ou causas do abandono escolar os seguintes: 1) a questão de Sexo, isto é,por um lado alguns
rapazes abandonama escola mais cedo para tomarem conta de rebanhos e desempenharem outras
tarefas. E por outra, as raparigas ficam em casa para tomarem conta dos irmãos mais novos e
fazerem os trabalhos domésticos e tarefas na agricultura, um outro factor que afecta a camada
feminina é a questão da gravidez e casamento precoce. 2) Estatuto socioeconómico, isto
é,algumas famílias não têm possibilidades de pagar as propinas e materiais escolares, bem como
os transportes,uma vez que para continuar a frequentar o ensino secundário a comunidade
estudantil têm de percorrer grandes quilómetros de distância para as cidades ou vilas onde estão
localizadas as escolas deste tipo de ensino. Não tendo as condições necessárias para a
locomoção, os alunos acabam abandonando a escola por não conseguirem percorrer a essas
grandes distâncias.

2.1.4. Consequências do Abandono Escolar


Após apresentar as causas do problema do abandono escolar, há necessidade de apresentar as
consequências que este fenómeno provoca sobretudo nos alunos. Furtado (2007) apresenta as
seguintes consequências:
 Física: os alunos possuem um auto conceito depreciativo, pois, acham-se feios e sem
jeitos; Sentimentos de estigmatização (Auto – desvalorização);
 Emocional: os alunos revelam problemas de comportamentos, sentimentos de
incompetência, danos de personalidade e de identidade, bem como a ausência de
construção de sonhos e projectos (Moroso, 2003 apud Furtado, 2007);
 Social: os alunos acham-se maus e revelam dificuldades de integração social. Ainda, no
domínio social, o abandono escolar arrasta consigo consequências que se correlacionam
com o uso de drogas e álcool, com doenças sexualmente transmissíveis, com início
precoce da vida sexual, baixa auto-estima e auto-eficácia, com probabilidade maior de
depressão, stress, estilo explicativo pessimista, baixo desempenho académico e baixas
habilidades sociais e futuro comportamento anti-sociais (mentir, roubar, agredir). Por
outro lado, essas as crianças que abandonam as escolas, muitas delas, na idade adulta, não
são bem acolhidas em instituições;
 Educativo: o abandono escolar é um fenómeno que causa prejuízos no campo educativo,
uma vez que as crianças que não concluem a escolaridade mínima, vão engrossar a lista
de analfabetismo e vão diminuir a lista dos que concluem a escolaridade mínima,
contribuindo, deste modo, para o insucesso escolar.

Segundo Lemmer (2006), nalgumas sociedades, o abandono não exclui automaticamente a


possibilidade de continuar os estudos, noutras, essas possibilidades são limitadas. Além disso,
nalgumas economias existem numerosas oportunidades para aqueles que não completaram a
escolaridade básica formal; noutras, essas possibilidades são mais restritas. Contudo, quase toda
a gente concorda que as pessoas que abandonam a escola prematuramente estarão em maior
desvantagem no mercado de trabalho, á medida que as economias se desenvolvem.

Natriello (1994),como citado em Lemmer (2006), apresenta-nos as seguintes consequências do


abandono escolar:
 Consequências cognitivas: Verifica-se que as capacidades cognitivas dos jovens que
permaneceram na escola melhoram mais do que as dos que abandonaram a escola.
 Consequências económicas e sociais: Os baixos níveis de crescimento cognitivo
evidenciados pelos que abandonaram a escola têm como consequência um menor sucesso
no mercado de trabalho. Os jovens que abandonaram a escola não só têm maior
probabilidade de estarem desempregados do que os jovens que completaram a
escolaridade, como também, provavelmente, ganharão menos quando estiverem
empregados. Além disso, os indivíduos que abandonaram prematuramente a escola têm
maior probabilidade de se envolverem em actividades criminosas, têm menos saúde e
taxas mais baixas de participação política, e requerem mais serviços governamentais,
como assistência social e cuidados de saúde.

2.1.5. Acções Para Reduzir o Abandono Escolar

AmnestyInternational (2013) apresenta algumas acções referentes a redução do abandono


escolar, nomeadamente:
 Sensibilizar as comunidades para a importância da educação;
 Trabalhar com as autoridades da educação locais e as associações de pais e encarregados
de educação para combater as causas do abandono escolar que estão relacionadas com o
sistema de educação e a escola temos como exemplo: Bullying, expulsão de Raparigas
grávidas, baixo nível de ensino, falta de facilidades para crianças com deficiência, falta
de disciplina práticas ou técnicas relevantes, possivelmente propinas ou outros encargos e
fornecimento de refeições escolares, falta de segurança, fracas infira estruturas e
assiduidade dos professores.
 Trabalhar conjuntamente com o outras entidades (exemplo de ONG) para combater
outras razões do abandono escolar, tais como o trabalho infantil, trabalho doméstico ou
casamento precoce e submeter problemas de natureza nacional à atenção das autoridades
nacionais por exemplo, leis que permitam às raparigas casar em idade muito jovem ou
exijam a certidão de nascimento para admissão a uma escola.
De acordo com Lemmer (2006: 84), muitos investigadores incluindo Smith & Martin (1997: 16),
apoiam a noção de que os programas bem-sucedidos para jovens em risco incluem sete
componentes:
 Identificação e intervenção atempadas;
 Atenção individualizada intensiva;
 Treino em competências pessoais e sociais que poderia incluir acções sobre auto-estima,
lidar com o stress, auto responsabilização e relacionamento com os outros;
 Atenção à formação que inclui assistência especifica a determinadas matérias, bem como
questões como competências de resolução de problemas e tomadas de decisão;
 Envolvimento dos pares onde os jovens em risco aprendem a ensinar actividades de auto
estima, por exemplo, a estudantes mais novos;
 Envolvimento dos pais onde são dadas oportunidade para pais e filhos comunicarem, e os
pais aprendem técnicas de vida e formas que lhes permitam apoiar os seus filhos;
 Ligação ao mundo do trabalho.

2.1.6. Abandono Escolar em Moçambique

Em Moçambique o fenómeno do abandono escolar continua sendo um desafio dos fazedores das
políticas educativas. Embora se tenha registado uma diminuição ao longo dos últimos anos, o
abandono escolar continua a constituir um problema social, nomeadamente nas consequências de
que se revestem, quer no percurso pessoal e profissional quer no próprio mercado de trabalho.

O Relatório de Banco Mundial sobre admissão e retenção no Ensino Primário em Moçambique


(2005), aponta alguns factores que contribuem para as desistências escolares por parte dos alunos
principalmente nas escolas das zonas rurais:
 Relevância do ensino: o calendário escolar nas zonas rurais não segue o ciclo agrícola.
Portanto durante os meses da colheita, os pais têm que tirar as suas crianças da escola
para que estas os possam ajudar a juntar as sementes para consumo da família e para a
vender. Uma vez que esta é uma questão de necessidade socioeconómica e, de facto de
sobrevivência familiar, faz sentido que as crianças desistam da escola temporariamente e
ajudem os seus pais. De forma semelhante, durante o período dos ritos de iniciação para
os jovens rapazes e raparigas, as crianças tentem a não frequentarem a escola. O
calendário escolar não segue o calendário destas celebrações tradicionais que são
culturalmente, significativas, especialmente nas províncias do norte do país. Para além
disso, após as cerimónias, os rapazes e raparigas, que se consideram agora como homens
e mulheres e assim são considerados pelo resto da comunidade, frequentemente não
regressam á escola
 As condições socioecónomicas: muitas vezes as crianças mais velhas, especialmente os
rapazes acima dos 15 anos de idade, abandonarem as suas comunidades rurais e
procurarem trabalho em Maputo ou nas minas na África e outras estabelecem pequenos
negócios de forma a ganhar vida. Nas áreas urbanas, os pais pobres mandam muitas vezes
os seus filhos vender bens nos mercados locais ou põem-nos a tomar conta das crianças
mais novas enquanto eles trabalham no mercado ou noutro lugar. Há muitas crianças em
Maputo que frequentam a escola mas que também trabalham na rua para contribuir para o
rendimento da família, o tempo que despendem a trabalhar afecta o seu desempenho
escolar, estas por sua vez têm menos oportunidade de fazer os trabalhos de casa, rever as
lições, dominar o necessário, para além disso, podem também adquirir o gosto pelo
trabalho e ganhar dinheiro ao invés de irem a escola.
 Adequação e qualidade das infra-estruturas escolar: Um dos problemas que a maior
parte das escolas enfrentavam eram a falta de mobiliário, especialmente carteiras. Muitas
crianças têm que se sentar no chão , durante as aulas.

O Governo Moçambicano tem vindo a introduzir algumas medidas tais como planos para
erradicar esta problemática. Diferentes escolas têm desenhado e implementado estratégias com o
objectivo de evitar com que os alunos abandonem os seus estabelecimentos de ensino nas escolas
secundárias. Estes esforços estão sendo empreendidos através de:
 Aumento da eficácia interna, ou seja actualizar e implementar um sistema de bolsas ou de
isenção do pagamento de propinas para assegurar que os alunos com mérito não
abandonem a escola por razões económicas, de género, ou por outros motivos;e
 Criação de mais vagas no ensino presencial (diurno) para absolver os alunos que
concluem a 7 ͣ ou a 10 ͣ classe (Plano Estratégico da Educação, 2012-2016, p:84-86).
CAPÍTULO III - METODOLOGIA

O presente capítulo aborda aspectos metodológicos que irão guiar a pesquisa, desde o tipo de
pesquisa, a população e amostra, os instrumentos de recolha de dados, e a forma como os dados
serão analisados.

3.1. Tipo de pesquisa

A pesquisa adopta uma abordagem com duas vertentes, isto é, conjuga a pesquisa qualitativa e
quantitativa e constitui um estudo de caso. O estudo de caso vai se materializar com a pesquisa
qualitativa.

Na perspectiva de Gil (2008), estudo de caso é um estudo aprofundado e exaustivo de poucos


objectos que permite o seu amplo e detalhado conhecimento. Tem em vista explorar a situação
de vida real cujo limite não estão claramente definido, descreve o contexto em que esta a
decorrer a investigação e explica as variáveis casuais entre um facto. Para a presente pesquisa,
estudo de caso será a Escola Secundária de Mieze.

Para Marconi &Lakatos (2010) a pesquisa qualitativa preocupa-se em analisar e interpretar


aspectos mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano. Fornece
análise mais detalhada sobre as investigações, hábitos, atitudes, e tendências de comportamento,
enquanto a pesquisa quantitativa se efectua com toda informação numérica resultante da
investigação, que se apresentará como um conjunto de quadros, tabelas e medidas.

3.2. Natureza da pesquisa

A pesquisa caracteriza-se por ser descritiva. Segundo Gil (2008) este tipo de pesquisa tem como
objectivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenómeno ou o
estabelecimento de relações entre variáveis e uma das suas características mais significativas está
na utilização de técnicas padronizadas de colecta de dados. Com este estudo, procura-se
descrever as percepções dos respondentes no que diz respeito as estratégias que a escola tem
usado para minimizar a problemática do abandono escolar.
3.3. Instrumentos de recolha de dados

Para o presente estudo usaremos três tipos de instrumentos de recolha de dados que são a
entrevista semi-estruturada, o questionário e a análise documental.

3.3.1. Entrevista

De acordo com Marconi &Lakartos (2010) a entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim
de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma
conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a
colecta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social.

Neste estudo, usaremos o tipo de entrevista semi-estruturada que segundo Marconi &Lakatos
(2010), o entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direcção que
considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente a questão. Este tipo de
entrevista é a que os investigadores qualitativos mais utilizam. O uso desta técnica, será aplicada
ao Director e Director Pedagógico, para perceber os mecanismos que a escola leva a cabo para
reduzir o abandono. A mesma técnica será usada para captar as percepções dos pais e
encarregados de educação sobre o abandono escolar.

3.3.2. Questionário

No presente estudo optamos por usar o questionário como instrumento de recolha de dados,
porque vai permitir-nos obter maior número de respostas/informação de uma única vez e em
curto espaço de tempo, e esta informação é de fácil tratamento.

Para Marconi &Lakatos (2007), o questionário é um instrumento de colecta de dados, na qual é


constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a
presença do entrevistador. Desta forma, iremos inquirir os professores do primeiro ciclo do
ensino secundário da Escola em estudo com o propósito de comparar as suas percepções sobre as
estratégias de combate ao abandono escolar.
3.3.3. Análise documental

A análise documental, caracteriza-se pela colecta de dados restrita a documentos, escritos ou não,
constituindo o que se se denomina de fontes primárias (Marconi &Lakatos, 2010). Esta análise
consistirá na leitura e interpretação de relatórios, actas e outros documentos arquivados que
abordam o fenómeno de abandono escolar. Estas podem ser recolhidas no momento em que o
facto ou fenómeno ocorre, ou depois. Portanto, as análises bibliográficas e documentais
permitirão a sistematização da informação sobre como a questão de abandono escolar é abordada
a nível nacional e institucional.

3.4. População e amostra

Para este estudo teremos como população 44 elementos, a amostra da pesquisa será composta
por três categorias da população: Professores, pais e encarregados de educação e directores da
escola. Desse total, 10 serão professores, 2 pertencentes ao colectivo de direcção (1 Director da
escola, e 1 director pedagógico), e 30 pais e/encarregados de educação.

3.4.1. Caracterização da amostragem

A selecção da amostra de professores será mediante a amostragem não probabilística por


conveniência ou por acessibilidade.

Segundo Gil (2008), neste tipo de amostragem o pesquisador selecciona os elementos a que tem
acesso, admitindo que estes possam de alguma forma, representar o universo. Ou seja os
indivíduos são seleccionados mediante a sua particularidade de reunirem características
essenciais e únicas. No entanto, este tipo de amostra será aplicada aos professores, pais e
encarregado de educação e colectivo da direcção, porque estes por sua vez satisfazem a
particularidade do que se pretende alcançar com a presente pesquisa.
4. CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES
Actividades Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro
Colecta de dados
Apresentação e analise dos
dados
Elaboração do Projecto
Entrega do Projecto

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AmnestyInternational (2013). O direito à educação. Amsterdam: Amnesty International e
Actionaid.
Banco Mundial (2005). Moçambique, análise de pobreza e impacto social: admissão e retenção
no ensino primário – o impacto das propinas escolares. Relatório no 29423-MZ.

Benavente, etal. (1994). Renunciar à escola: o abandono escolar no ensino básico. Fim de
século edições: Lisboa.

Castiano, J.P. &Nguenha, S.E. (2013). A longa marcha duma educação para todos em
Moçambique (3ª ed.). Plublifix: Maputo Moçambique.

Costa, T. M. S. (s/d).O abandono escolar no meio rural. Os jovens entre os dois saberes: Escola
e Trabalho.

Ferrão, J. (1995) Caracterização Regional dos factores de abandono e insucesso escolar no 2º e


3º ciclo do Ensino Básico. Lisboa: Colecção PEPT 2000.

Furtado, A. T. (2007). Abandono escolar entre os ex – alunos do 1º ao 6º anos de escolaridade


obrigatória, no Pólo Educativo nº 1 da Vila de Calheta de São Miguel.

Gil, A. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social (6ª ed). São Paulo: Editora Atlas.

Lemmer, E. (2006). Educação contemporânea: questões e tendências (1ª ed). Maputo: Textos
editores.

Marconi, M. A. &Lakatos, E. M. (2010). Metodologia científica (5ª ed). São Paulo: Atlas.

Mikael, P. (1992). O Significado da escola. Repetência e desistência nas escolas primárias


Moçambicanas. Maputo: INDE.

Santos, S. I.D. (s/d). Um Olhar Sobre o Abandono Escolar no Concelho da Trofa. Faculdade de
Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra: Câmara Municipal da
Trofa.

Vasconcelos, M. D. M. C. (2013). Abandono e absentismo escolar no Concelho de Ponta


Delgada: Dissertação de mestrado em ciências da educação e educação especial Porto.

Vasconcelos, M. D. M. C. (2013). Abandono e absentismo escolar no concelho de ponta


delgada. Porto: Dissertação de mestrado em ciências da educação e educação especial.