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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Processos Psicológicos Básicos

Nelcia Da Isabel Arnaldo Paulo Mabetana - 708201842

Curso: Licenciatura em Ensino de Biologia


Disciplina: Psicologia Geral
Ano de frequência: 1º Ano

Chimoio, Abril de 2020


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Aspectos  Introdução 0.5
Estrutura organizacionais  Discussão 0.5
 Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(indicação clara do 1.0
problema)
Introdução
 Descrição dos objectivos 1.0

 Metodologia adequada
ao objecto do trabalho 2.0

 Articulação e domínio
Conteúdo do discurso académico
(expressão escrita
Análise e 2.0
cuidada, coerência /
discussão coesão textual)
 Revisão bibliográfica
nacional e internacionais 2.0
relevantes na área de
estudo
 Exploração de dados 2.0
Conclusão  Contributos teóricos
práticos 2.0

Aspectos Paginação, tipo e tamanho


gerais Formatação de letra, parágrafo, 1.0
espaçamento entre linhas
Normas APA
Referências 6ª edição em  Rigor e coerência das
Bibliográficas citações e citações/referências 4.0
bibliografia bibliográficas

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Recomendações de melhoria
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Índice
1. Introdução...............................................................................................................................1
1.1. Objectivos do trabalho.........................................................................................................2
1.1.1. Objectivo geral..................................................................................................................2
1.1.2. Objectivos específicos......................................................................................................2
1.2. Metodologia do trabalho......................................................................................................2
2. Processos Psicológicos Básicos..............................................................................................3
2.1. Processos sensoriais.............................................................................................................3
2.1.1. Codificação Sensorial.......................................................................................................3
2.1.2. Diferentes tipos de Sentidos (audição, visão, tacto, gustação, olfacto)............................4
2.1.3. O Papel dos processos sensoriais na construção do conhecimento..................................5
2.2. Percepção.............................................................................................................................5
2.2.1. Tipos de Percepção...........................................................................................................6
2.2.2. O papel da percepção na construção do conhecimento....................................................8
2.3. Consciência..........................................................................................................................8
2.3.1. Característica de Consciência...........................................................................................9
2.3.2. Tipos de Consciência........................................................................................................9
2.4. Motivação............................................................................................................................9
2.4.1. Característica da Motivação............................................................................................10
2.4.2. Tipos de Motivação.........................................................................................................10
2.4.3. Teorias Motivacionais.....................................................................................................11
2.5. Inteligência.........................................................................................................................11
2.5.1. Tipo de Inteligência........................................................................................................11
2.5.2. Teorias de inteligência....................................................................................................12
2.6. Processos afectivos............................................................................................................12
2.6.1. Tipos de afecto (sentimento e emoção)..........................................................................12
3. Conclusões............................................................................................................................13
Referências Bibliográficas........................................................................................................14

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1. Introdução

A Psicologia enquanto campo científico constitui preocupação de muitos, todos nós


gostaríamos de conhecermo-nos, a nós próprios e aos outros por forma a melhorar as nossas
relações ainda que preocupações desta natureza tenham marcado a vida dos nossos
antepassados.
Tantas vezes já nos perguntamos: porque a vida é assim, fulano tem atitude estranha, porquê
se comporta deste modo? Da mesma forma ficamos preocupados em compreender fenómenos
de natureza macro, como a ideologia de All Shabab, Mariano Nhongo e Estado Islâmico.
Essas são preocupações do homem, que foi criando pressupostos para uma nova área
Científica - a Psicologia. A Psicologia trata de estudar o comportamento humano nas suas
diversas manifestações (observáveis e não observáveis).
Entretanto, o presente trabalho da cadeira de Psicologia Geral aborda sobre os processos
psicológicos básicos: processos sensoriais, percepção, consciência, motivação, inteligência e
afecto.

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1.1. Objectivos do trabalho

1.1.1. Objectivo geral


 Compreender os processos psicológicos básicos: processos sensoriais, percepção,
consciência, motivação, inteligência e afecto.

1.1.2. Objectivos específicos


 Definir os conceitos de processos sensoriais, percepção, consciência, motivação,
inteligência e afecto;
 Caracterizar os diferentes processos psicológicos;
 Explicar o papel dos diferentes processos psicológicos na construção do
conhecimento;
 Descrever os diferentes tipos de sentidos, consciência, motivação, inteligência e
afectos;
 Explicar as teorias motivacionais e de inteligência

1.2. Metodologia do trabalho

Para a realização do presente trabalho a proponente fez valer o uso do método da consulta
bibliográfica, baseado em leituras de obras científicas, manuais e outros documentos
relevantes já publicados.

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2. Processos Psicológicos Básicos

Funções mentais como sensação, percepção, consciência, motivação, inteligência, sentimento,


emoção e etc., são caracterizadas na psicologia como “Processos Psicológicos Básicos”.
Essas funções derivam tanto das interacções de processos inatos quanto de processos
adquiridos, junto a relações do individuo de experiência e vivência com o meio. Apesar das
distinções desses processos é por meio de sua relação e influência que se pode compreender a
dinâmica da mente, pois eles interagem e até dependem de outros processos.

2.1. Processos sensoriais


A capacidade de descriminar os estímulos ambientais depende dos nossos sentidos, Isto é,
audição, visão, tacto, gustação, olfacto.
Entretanto, sensação é para Abrunhosa & Leitão (2009, p.139) a “captação de estímulos
realizada pelos órgãos sensoriais”. Nota-se neste conceito que cada sentido é responsável na
captação de um determinado estímulo. A este conjunto de órgãos e suas funções é
denominada de processos sensoriais.
Em outras palavras, os processos sensoriais são as estruturas básicas que informam o
conhecimento, fornecendo a "matéria-prima", os dados, com os quais construímos o nosso
entendimento do mundo.

2.1.1. Codificação Sensorial


De acordo com Gleitman, Fridlund & Reisberg (2009) um código é um conjunto de regras
através das quais um conjunto de símbolos é transformado num outro conjunto de símbolos. É
a tentativa de compreender os intervenientes no processamento sensorial, ou seja, entre o
estímulo físico e a experiência sensorial leva-nos a discutir as diferentes formas de
codificação sensorial.
De acordo com os autores acima referenciados, temos três formas de explicar a codificação
sensorial:

a) Código sensorial - através dele o sistema nervoso representa as várias experiências


sensoriais;
b) Código da intensidade psicológica - mudanças no volume do som, do brilho, em geral
quanto mais intenso o estímulo mais é a probabilidade de activação neuronal e maior será a
magnitude psicológica.

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c) Código da Qualidade sensorial - o que distingue uma sensação da outra não é apenas o
estímulo que causa esta sensação, a doutrina da energia específica dos nervos explica que as
diferenças nas qualidades sensoriais não são causadas por diferenças dos próprios estímulos,
mas pelas diferentes estruturas nervosas que esses estímulos excitam.

2.1.2. Diferentes tipos de Sentidos (audição, visão, tacto, gustação, olfacto)

I - Visão
A tarefa do sentido visual, como a de todos os sentidos, é a de receber a estimulação,
convertê-la para sinais neuronais e enviar estas mensagens neuronais para o cérebro.
O estímulo da visão é a radiação ou vibrações luminosas. Para que o estímulo seja eficaz são
necessárias três condições: frequência, intensidade e duração.

II - Audição
O estímulo sonoro é constituído por vibrações mecânicas transmitidas por um meio elástico
geralmente o ar. Para que haja o estímulo sonoro deve-se ter em conta as três condições:
duração, intensidade e frequência.

As frequências audíveis ao homem variam entre 20 e 20 mil vibrações por segundo. As


frequências inferiores a 20 (infracções) e superiores a 20 mil (ultracções) não excitam o
ouvido humano. As ultracções são audíveis por certos animais como, por exemplo, cães e
ratos. Portanto, o dispositivo receptor da audição, situa-se no ouvido interno nas chamadas
células auditivas onde se gera o influxo nervoso, transmitido ao cérebro pelo nervo auditivo.

Os dados imediatos da audição são os sons e ruídos. Os sons são sensações distintas e
geralmente agradáveis produzidas por vibrações de frequências regulares. Os ruídos são
sensações confusas geralmente desagradáveis produzidas por vibrações de frequências
irregulares.

III - O tacto
O estímulo táctil é qualquer corpo sólido, líquido ou gasoso com a condição de que comprima
a pele deformando-a mais ou menos ligeiramente. A sua acção é mecânica.
Os dispositivos receptores tácteis distribuem-se pelas diferentes regiões da pele. É de realçar a
existência de dois tipos de receptores:
a) Superficiais - sensíveis a deformações ligeiras, fornecem sensações de contacto.
b) Profundas- só sensíveis a compressões demoradas, fornecem sensações de pressão.

IV - O paladar
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Como o tacto, o sentido do paladar envolve quatro sensações básicas, nomeadamente doce,
azedo, salgado e amargo. O gosto é uma sensação química.

Os estímulos gustativos são substâncias chamadas sápidas que se diluem na saliva, (acção
química). O dispositivo receptor é constituído por células reunidas em papilas e que com
ramificações do nervo gustativo se encontram dispostas na superfície da língua.

Para que as células sejam excitadas é necessária a diluição, por isso, a introdução na boca de
qualquer substância sápida determina logo um acréscimo de secreção salivar (reflexo salivar).

Os elementos do sentido gustativo são os sabores e que se dividem em quatro grupos – doce,
amargo, acido e salgado. Esta distinção de sabores tem uma base fisiológica, porque cada
sabor fundamental corresponde a grupos de células de estabilidade química diferentes.

V - O olfacto
Como o paladar, o olfacto é uma sensação química. Cheiramos alguma coisa quando
moléculas de uma substância trazidas pelo ar alcançam um pequeno agrupamento de 5
milhões de células receptoras no alto de cada cavidade nasal.

Os estímulos olfactivos são partículas de substâncias voláteis transportadas na corrente


respiratória que passam pelas fossas nasais.

O seu dispositivo receptor é constituído por uma camada de células extremamente excitante
que são ramificações de nervo olfactivo e que formam um número de muitos milhões da
mucosa nasal especialmente na sua parte superior.

Os dados imediatos do sentido olfactivo são os odores. Há uma grande qualidade de odores
muito ricos em qualidades sensíveis. Uns agradáveis (flores, frutos), outros desagradáveis
(suor) e outros ainda repugnantes (carnes podres, excrementos humanos, ovos podres, etc.).

2.1.3. O Papel dos processos sensoriais na construção do conhecimento


É por meio dos olhos, dos ouvidos, do nariz, das mãos  e da língua que, por exemplo,
construímos as nossas ideias de cor, de forma, de cheiro e gosto, e com elas que interagimos
com os objectos. A partir disto podemos abstrair e criar ideias gerais que organizam a nossa
experiência com o mundo, sendo esta forma de pensar a base do empirismo, que é a base
filosófica da metodologia científica, que guia a sociedade na qual vivemos.

2.2. Percepção
Para Campira (2014) chama-se percepção o processo de organização e interpretação dos
estímulos sensoriais. Difere da sensação na medida em que é uma actividade cognitiva pela
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qual conferimos sentido e significação à informação sensorial. No entanto, a percepção é um
fenômeno complexo e resultante da interação de vários factores e tem sido explicado de
diferentes formas em função dos problemas que se lhe colocam.

Atenção Selectiva

As percepções nos chegam a cada momento e nem todas são significativas para nós. Daí,
haver uma necessidade de discernir as informações recebidas, algo facilitado pela atenção.
Deste modo, segundo Pestana e Páscoa (2002, p.25), a atenção consiste na focalização da
percepção, de modo prolongado, sobre um conjunto de estímulos em detrimento de outros.
Trata-se dos aspectos activo e selectivo da percepção.
A atenção selectiva significa que em qualquer momento focalizamos nossa percepção em
apenas um aspecto limitado de tudo o que somos capazes de experimentar.

Ilusões perceptivas

Segundo Cardoso, Frois & Fachada (1993, p. 288), a ilusão é uma deformação da percepção.
Diz-se, portanto que há ilusão sempre que há um desacordo entre o percepto e o objecto, isto
é, entre os dados da percepção e a realidade física. A ilusão resulta da aplicação de processos
perceptivos a certas configurações de estímulos.

2.2.1. Tipos de Percepção

I - Percepção visual
A visão é a percepção de raios luminosos pelo sistema visual. Esta é a forma de percepção
mais estudada pela psicologia da percepção. A maioria dos princípios gerais da percepção
foram desenvolvidos a partir de teorias especificamente elaboradas para a percepção visual.
A percepção visual compreende, entre outras coisas: percepção de formas, percepção de
relações espaciais, percepção de cores, percepção de intensidade luminosa, percepção de
movimentos.

II - Percepção auditiva
A audição é a percepção de sons pelos ouvidos. A psicologia, a acústica e
a psicoacústica estudam a forma como percebemos os fenómenos sonoros. Uma aplicação
particularmente importante da percepção auditiva é a música. Os princípios gerais da
percepção estão presentes na música. Em geral, ela possui estruturação, boa-forma, figura e
fundo (representada pela melodia e acompanhamento) e os géneros e formas musicais
permitem estabelecer uma constância perceptiva.
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Entre os factores considerados no estudo da percepção auditiva estão: percepção de timbres;
percepção de alturas ou frequências; percepção de intensidade sonora ou volume; percepção
rítmica e localização auditiva.

III - Percepção olfactiva


O olfacto é a percepção de odores pelo nariz. Este sentido é relativamente ténue nos humanos,
mas é importante para a alimentação. A memória olfactiva também tem uma grande
importância afectiva. A perfumaria e a enologia são aplicações dos conhecimentos de
percepção olfactiva. Entre outros factores a percepção olfactiva engloba: a discriminação de
odores e o alcance olfactivo.

IV - Percepção gustativa
O paladar é o sentido de sabores pela língua. Importante para a alimentação. Embora seja um
dos sentidos menos desenvolvidos nos humanos, o paladar é geralmente associado ao prazer e
a sociedade contemporânea muitas vezes valoriza o paladar sobre os aspectos nutritivos dos
alimentos. A arte culinária e a enologia são aplicações importantes da percepção gustativa. O
principal factor desta modalidade de percepção é a discriminação de sabores.

V - Percepção táctil
O tato é sentido pela pele em todo o corpo. Permite reconhecer a presença, forma e tamanho
de objectos em contacto com o corpo e também sua temperatura. Além disso o tacto é
importante para o posicionamento do corpo e a protecção física.
O tacto não é distribuído uniformemente pelo corpo. Os dedos da mão possuem uma
discriminação muito maior que as demais partes, enquanto algumas partes são mais sensíveis
ao calor. O tacto tem papel importante na afectividade e no sexo. Entre os factores presentes
na percepção táctil estão: a discriminação táctil, a percepção de calor e a percepção da dor.

VI - Percepção temporal
Não existem órgãos específicos para a percepção do tempo, no entanto é certo que as pessoas
são capazes de sentir a passagem do tempo. A percepção temporal esbarra no próprio conceito
da natureza do tempo, assunto controverso e tema de estudos filosóficos, cognitivos e físicos,
bem como o conhecimento do funcionamento do cérebro  (neurociência).
Entretanto, os diferentes tipos de fenómenos relevantes à percepção temporal são: a percepção
das durações, a percepção e a produção de ritmos; a percepção da ordem temporal e da
simultaneidade.

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VII- Percepção espacial
Assim como as durações, não possuímos um órgão específico para a percepção espacial, mas
as distâncias entre os objectos podem ser efectivamente estimadas. Isso envolve a percepção
da distância e do tamanho relativo dos objectos. A razão para separar a percepção espacial das
outras modalidades repousa no facto de que aparentemente a percepção espacial é
supramodal, ou seja, é compartilhada pelas demais modalidades e utiliza elementos da
percepção auditiva, visual e temporal. Assim, é possível distinguir se um som procede
especificamente de um objecto visto e se esse objecto (ou o som) está aproximando-se ou
afastando-se. O lobo parietal do cérebro representa um papel importante neste tipo de
percepção.

2.2.2. O papel da percepção na construção do conhecimento


Na psicologia, o estudo da percepção é de extrema importância porque o comportamento das
pessoas é baseado na interpretação que fazem da realidade e não na realidade em si. Por este
motivo, a percepção do mundo é diferente para cada um de nós, cada pessoa percebe um
objecto ou uma situação de acordo com os aspectos que têm especial importância para si
própria.
Muitos psicólogos cognitivos e filósofos de diversas escolas, sustentam a tese de que, ao
transitar pelo mundo, as pessoas criam um modelo mental de como o mundo funciona
(paradigma). Ou seja, elas sentem o mundo real, mas o mapa sensorial que isso provoca na
mente é provisório, da mesma forma que uma hipótese científica é provisória até ser
comprovada ou refutada ou novas informações serem acrescentadas ao modelo.

À medida que adquirimos novas informações, nossa percepção se altera. Diversos


experimentos com percepção visual demonstram que é possível notar a mudança na percepção
ao adquirir novas informações. As ilusões de óptica e alguns jogos, como o dos sete erros se
baseiam nesse facto. Algumas imagens ambíguas são exemplares ao permitir ver objectos
diferentes de acordo com a interpretação que se faz. Em uma "imagem mutável", não é o
estímulo visual que muda, mas apenas a interpretação que se faz desse estímulo.

2.3. Consciência
Para Pestana & Páscoa (2002, p.46), “consciência é uma função psicológica que no estado de
vigília, fornece ao indivíduo a experiência subjectiva, suficientemente clara, dos seus
processos psíquicos (idéias, percepções, sentimentos...)”.

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Por outro lado, de acordo com Myers (1999), para a maioria dos psicólogos hoje a
consciência é a percepção de nós mesmos e do nosso ambiente. Portanto, consciência é o
conhecimento da nossa existência, dos nossos actos e do mundo exterior.

2.3.1. Característica de Consciência


a) A consciência é uma qualidade da mente, que abrange qualificações tais como
subjectividade, autoconsciência, senciência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação
entre si e um ambiente.
b) A consciência é sincrónica - todas as consciências possuem percepções dos quadros
mentais de cada consciência. A sincronicidade ocorre simultaneamente, independente do
tempo e do espaço, ou seja, numa velocidade superior à da energia electromagnética.
c) A consciência é ilimitada - a consciência, eliminando os bloqueios tridimensionais, pode
ampliar seu próprio nível de consciência para todas as dimensões.
d) As consciências estão entrelaçadas - todas as consciências estão no nível metafísico e todas
elas estão entrelaçadas surgindo a possibilidade de uma consciência localizada em uma
terceira dimensão ter consciência de todas as dimensões e mesmo ter consciência de todo o
cósmico.

2.3.2. Tipos de Consciência

Os principais tipos de consciência são:


a) Consciência espontânea – que é o conhecimento imediato que acompanha todos
fenómenos psicológicos. Podemos considerar isso de consciência directa ou indirecta porque
é a primeira impressão ou o simples registo de nossos estados psíquicos.
b) Consciência reflectida – que é a volta deliberada do espírito sobre si mesmo. A lei da
consciência reflectida supõe atenção, é mais clara e intensa do que a consciência espontânea.
Podemos dizer que a consciência espontânea é a “consciência das coisas” enquanto que a
consciência reflectida é a “consciência de si mesmo”.

2.4. Motivação
Cardoso, Frois & Fachada (1993, p. 207) encaram a motivação como um “processo finalizado
(...)”, significando uma acção do sujeito que seria difícil de ser totalmente explicada como
reacção mecânica e automática a agentes específicos do meio, mas envolve da parte do sujeito
a orientação para a atingir um determinado objectivo.

Desta definição pode se notar dois elementos da motivação: (i) estímulos do meio ambiente,
que vão suscitar reacções do sujeito, mas essas reacções não são mecânicos, pois (ii) o sujeito
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que regula esses estímulos em função das suas necessidades e interesses, por esta razão nem
todos estímulos ambientais provocam reacção ao sujeito. Portanto, existe uma componente
interna ao sujeito e outra externa, do meio circundante.

Pestana & Páscoa (2002, p.137) consideram a motivação como a dinâmica do comportamento
e focalizam o aspecto interno ao indivíduo enquanto dirigido a uma meta, objectivo, ou
incentivo. Esses autores distinguem o comportamento motivado dos diferentes momentos
sucessivos ou sequência, necessidade ou carência que está na origem da motivação; impulso
ou desejo que constitui o carácter energético; saciedade, o fim do processo motivacional
resultado da anulação ou redução da carência ou do impulso.

A fome, sede, a realização são considerados por alguns autores como tipos de motivação,
porém olhando para a definição de Pestana & Páscoa (2002), esses não passam de
necessidades ou carências que o sujeito sente e que dão origem a motivação. Portanto, a sede
leva o indivíduo a procurar água, a fome orienta o sujeito a busca da comida, sendo assim
esses são elementos que originam a motivação.

2.4.1. Característica da Motivação


 É um fenómeno individual
 Tem um “carácter intencional”
 É multifacetada (necessidades, motivos e incentivos)

2.4.2. Tipos de Motivação


Existem dois tipos de motivação, a motivação intrínseca e a Motivação extrínseca. Em
função das definições da motivação apresentadas anteriormente, podemos definir a motivação
extrínseca aquela em que a fonte que a origina encontra-se no meio exterior ao indivíduo, mas
quando a fonte que a origina se encontra no interior do sujeito chama-se intrínseca.
Por exemplo, quando o pai promete ao filho uma viagem para o Brasil, caso se suceda bem
nos estudos esta motivação é extrínseca porque a fonte da motivação é exterior ao sujeito, mas
quando o sujeito se esforça em estudar porque sente a necessidade de aprender não porque
alguém lhe impôs, prometeu prémio ou castigo, essa motivação por ser própria do sujeito
denomina-se intrínseca.

Uma motivação pode começar por ser extrínseca e passar a intrínseca, pois ao longo do
processo o sujeito pode perceber a importância desta aprendizagem e que passa a se empenhar
independentemente do prémio ou castigo prometido.

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2.4.3. Teorias Motivacionais
Teoria Behaviorista - Nesta teoria, a motivação está dependente do condicionamento, isto é,
da associação entre o estímulo e a resposta. O reforço ou a recompensa são elementos
fundamentais para a motivação, o indivíduo actua para alcançar o prémio que satisfaz a sua
necessidade.
Para esses teóricos o ensino deveria estar repleto de condicionamentos ou reforços (prémios e
elogios), por isso evidenciam a motivação extrínseca.

Teoria Cognitiva - os cognitivistas consideram Homem um ser racional capaz de decidir


conscientemente o que quer ou não quer fazer. Bruner citado por Piletti (1995) considera o
desejo de aprender, um motivo intrínseco que encontra tanto sua fonte como sua recompensa
em seu próprio exercício. As imposições da escola para este autor não despertam as energias
naturais que sustentam a energia espontânea, tais como: o desejo de competência, profundo
compromisso em relação a reciprocidade social, etc. A ênfase para esses teóricos está na
motivação intrínseca.

Teoria Humanista – Abraham Maslow é um dos fundadores desta teoria e defende que o
comportamento humano pode ser motivado pela satisfação de necessidades biológicas.

2.5. Inteligência
De acordo com Pestana & Páscoa (1995) inteligência é “ Capacidade de discernir relações
entre os elementos de uma situação nova ou problema, que permite resolvê-lo e atingir de
forma adequada e adaptativa.”

2.5.1. Tipo de Inteligência


Desde muito tempo ficou bem conhecida a visão clássica de definição da inteligência vista
sob forma conceptual Inteligência abstracta, lógica ou matemática. Actualmente reconhece-
se que a inteligência envolve capacidades de realização prática, inteligência prática. Neste
sentido, podemos falar da inteligência social, aquela que envolve a capacidade de lidar com
os outros; inteligência emocional, capacidade de avaliar o significado emocional das
situações; inteligência corporal, aquela usada pelos bailarinos, jogadores, é a capacidade de
lidar com o corpo; inteligência espacial, capacidade ou facilidade de localizar as regiões,
mais desenvolvida nos pilotos e médicos da cirurgia.

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2.5.2. Teorias de inteligência
Vamos apresentar apenas duas teorias a bifactorial e a multifactorial.
Teoria bifactorial - segundo esta teoria a inteligência se estrutura tendo como base, uma
capacidade geral de discernir relações complexas, factor G, expressão de uma energia mental
sobre a qual se estabelecem aptidões específicas, factor S que predomina no desempenho de
determinadas actividades.
Teoria multifactorial - Thurstone a partir de novos cálculos de análise factorial nega a
existência de um factor geral e afirma que a inteligência é constituída pela combinação de
várias aptidões mentais primárias, no desempenho da sua actividade.

2.6. Processos afectivos


No dia-a-dia, já falamos especialmente de alguém familiar ou amigo, sentimos algo que pode
ser amor, ódio, sentimento de alegria com notícias boas, e triste com acontecimentos ruins,
essas todas manifestações, ao seu conjunto é que dá-se o nome de afecto, e o processo pelo
qual essas sensações são cristalizadas em nós, denomina-se processo afectivo.

Deste modo, de acordo com Pestana & Páscoa (1995, p 14) afecto é “sensação subjectiva e
imediata que o indivíduo experimenta em relação a um objecto, situação ou pessoa e que
orienta o seu comportamento”

Por outro lado, os afectos variam de acordo com a intensidade, tonalidade e qualidade, desta
forma é possível distinguir alegria, tristeza, amor, ódio, cólera, etc.

2.6.1. Tipos de afecto (sentimento e emoção)


Sentimento- “estado afectivo em que em que predomina a experiência interior e cognitivo”
(PESTANA & PÁSCOA, 1995, p. 197). Esse carácter subjectivo distingue-o da emoção, mas
faz com que certas correntes da psicologia, mais objectiva, não lhe façam referência e incluam
na emoção sociais, e é em função disto que a forma como são avaliados esses sentimentos
depende do contexto social, pois algumas expressões faciais podem constituírem insulto para
uns e para outras a melhor forma de expressar o amor e alegria.

Emoção - Pestana & Páscoa (1995) definem emoção ao estado afectivo brusco e agudo
desencadeado por uma percepção (interna ou externa), ou representação (imaginária ou real),
é caracterizado por activação mais ou menos intensa dos processos neurovegetativos, são
exemplos de emoções: o medo, a cólera, surpresa, vergonha, etc.

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3. Conclusões
Os processos sensoriais são as estruturas básicas que informam o conhecimento, fornecendo a
"matéria-prima", os dados, com os quais construímos o nosso entendimento do mundo.
Percepção é o processo de organização e interpretação dos estímulos sensoriais. Difere da
sensação na medida em que é uma actividade cognitiva pela qual conferimos sentido e
significação à informação sensorial.
Consciência é uma função psicológica que no estado de vigília, fornece ao indivíduo a
experiência subjectiva, suficientemente clara, dos seus processos psíquicos (idéias,
percepções, sentimentos.
Motivação é uma área de investigação da Psicologia, que ainda não encontrou rigor
terminológico, ou seja, precisão, mas a importância na compreensão do comportamento
humano é inegável.
Inteligência é a capacidade de discernir relações entre os elementos de uma situação nova ou
problema, que permite resolvê-lo e atingir de forma adequada e adaptativa.
Afecto é a sensação subjectiva e imediata que o indivíduo experimenta em relação a um
objecto, situação ou pessoa e que orienta o seu comportamento.

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Referências Bibliográficas

 Abrunhosa, M. & Leitão, M. (2009). Psicologia B. Lisboa: Edições Asa.


 Campira, F. P. (2014). Psicologia Geral. Beira: UCM-CED
 Cardoso, A; Frois, A.& Fachada, O. (1993). Rumos da Psicologia. Lisboa: Edições
Rumo.
 Gleitman, H; Fridlund, A; Reiseberg, D (2009). Psicologia. Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian.
 Myers, D (1999). Introdução Psicologia Geral. São Paulo: Editora Santuário.
 Pestana, E. & Páscoa, A. (1995) Dicionário Breve de Psicologia. Lisboa: Editora
Presença.
 Piletti, N. (1995). Psicologia Educacional. São Paulo: Editora Ática.

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