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ROL TAXATIVO

Relatora de RE, Rosa Weber vota pelo 8m da


contribuição ao Sebrae
22 de junho de 2020, 16h22

A ministra Rosa Weber, do STF, considerou inconstitucional a cobrança de 0,6%


sobre a folha de pagamento das empresas. Os valores arrecadados são destinados
ao Sebrae, à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos
(Apex) e à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). As três
entidades se sustentam quase que exclusivamente por meio desse tributo.

Divulgação
Rosa é relatora do RE 603.624, cujo
julgamento foi iniciado na última sexta-
feira (19/6), pelo Plenário virtual. Mas na
sequência à apresentação do voto, o
ministro Dias Toffoli pediu vista. Assim,
o caso ainda não tem data para
prosseguir.

Controvérsia
O principal ponto de discussão do RE é a Sebrae deixaria de arrecadar R$ 3,5 bi ao
interpretação da atual redação do artigo ano com o fim da contribuição
149, parágrado 2º, III, "a", da
Constituição, cuja redação foi alterada pela emenda constitucional 33/2001.

Segundo o dispositivo, "as contribuições sociais e de intervenção no


domínio econômico de que trata o caput deste artigo: […] poderão ter
alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou ovalor
da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro".
Assim, o STF, em relação ao tributo discutido nos autos, deverá considerar se se
trata de um rol taxativo ou exemplificativo.

A relatora, assim, cita jurisprudência (RE 559.937), segundo a qual a Corte


apontou o caráter taxativo do permissivo constitucional, já após a EC 33/2001.

Para o advogado Willer Tomaz, sócio do escritório Willer Tomaz Advogados


Associados, a EC 33/2001 inovou o sistema tributário para, de forma taxativa,
estabelecer como base de cálculo para incidência desses tributos o faturamento, a
receita bruta, o valor da operação ou, no caso de importação, o valor aduaneiro.
"Ou seja, a Constituição instituiu um rol taxativo e, assim, afastou a possibilidade
de instituição da contribuição sobre a folha de salários, valendo lembrar que não
é permitido interpretar a lei tributária de modo ampliativo, criando nova
obrigação, nova alíquota ou nova base de cálculo em desfavor do contribuinte",
afirma.

Além de votar pelo fim da cobrança, Rosa entendeu que as empresas têm direito
de receber a devolução do que foi pago desde os últimos cinco anos.

Repercussão
Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, o impacto sobre o Sebrae,
considerando o que foi pago no último quinquênio, seria de R$ 19,8 bilhões —
ou R$ 3,5 bilhões ao ano, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias. A Apex
amargaria perdas de R$ 520 milhões ao ano; a ABDI, R$ 85 milhões.

Segundo Gustavo Vita Pedrosa, advogado do Ogawa, Lazzerotti e Baraldi


Advogados, "apesar de não ser possível precisar quando o julgamento do RE será
retomado, o voto favorável aos contribuintes da Ministra Rosa Weber certamente
poderá ser levado em consideração pelos Tribunais Regionais Federais nas
diversas ações que tratam do tema, inclusive em relação às demais contribuições
ao Sistema S e aquelas devidas para terceiros".

Clique aqui para ler o relatório


Clique aqui para ler o voto da relatora
RE 603.624 (SC)

Revista Consultor Jurídico, 22 de junho de 2020, 16h22

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