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UNIVERSIDADE CATOLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE CIENCIAS AGRONOMICAS


Curso de Direito

Dos títulos de crédito


Trabalho do 3º Grupo

Cuamba, Abril 2020


UNIVERSIDADE CATOLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRONÓMICAS

Curso Direito

Discente: Docente:
Anastácia Leia Armando dra. Lina Joaquim
Catarina Samuel Sabonete
Celina Alfredo
Hermenegildo Júnior Henriques Anaque

Cuamba, Maio 2020

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Índice
Introdução......................................................................................................................4

Tema..............................................................................................................................5

Objectivos......................................................................................................................5

I. Noção de título de crédito...........................................................................................6

Função de título de crédito............................................................................................8

II. Títulos de Crédito......................................................................................................8

Letra (artigos 704 e seguintes do Cód. Comercial).......................................................8

Livrança (artigos 778 a 781 do Cód. Comercial)...........................................................9

Cheque (artigos 782 e seguintes do Cód. Comercial)....................................................9

Conclusão.....................................................................................................................13

Bibliografia..................................................................................................................14

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Introdução
O direito comercial é um ramo especial do direito privado em relação ao direito civil,
que constitui o direito comum, e que tem por objecto a regulamentação dos actos do
comércio e das actividades comerciais. O âmbito de aplicação do código comercial
engloba tanto os actos objectivos como os actos subjectivos de comércio.

São os actos de comercio objectivos todas as transições comerciais, independentemente


de serem praticadas por comerciante ou por não comerciantes. Os actos subjectivos de
comércio são aqueles que adquirem a sua comercialidade em virtude de serem
praticados por um comerciante.
portanto, os títulos de crédito é essencial para o desenvolvimento da actividade dos
comerciante, por essa razão, o direito comercial apresenta uma noção ampla de títulos
de crédito, em que o direito adere ao título, ou seja, o direito existe na medida em que o
título existe, tomando mais simples, rápida e segura a constituição e transmissão do
crédito, os títulos que irão ser abordadas por mim neste trabalho, são os título cambiais
que são (a letra, livrança e o cheque), que o seu conhecimento deposito a cautela de
penhor, a guia de transporte, as acções e as obrigações exigíveis nos títulos

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Tema
Títulos de créditos

Objectivos
Geral
Identificar os títulos de crédito e suas funcionalidades

Especifico
Avaliar, conhecer as funções de cada titulo de crédito
Analisar as classificações segundo os critérios
Analisar forma da sua transmissão

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I. Noção de título de crédito
1.     Definição
Título de crédito é o documento representativo de um crédito que uma pessoa (credor)
tem sobre outra (devedor).O título de crédito, também, pode ser definido como
documento necessário para se exercer o direito literal que nele se menciona.
 
2.    Características dos títulos de crédito
a)      Literalidade: o título de crédito vale pelo que nele está escrito. Ou seja, o
conteúdo, limites e modalidades do direito são os que resultam da letra (texto) do título
de crédito ou documentos nele referenciados (anexos).
b)      Autonomia: o portador de um título de crédito tem um direito próprio,
independente de quaisquer obrigações existentes entre o credor inicial (antigo possuidor
do título de crédito) e o devedor. Ou seja, o possuidor de um título de crédito, desde que
tenha recebido nos termos da lei, adquire o direito nele referido, independentemente da
titularidade do seu antigo dono e dos possíveis vícios.
 
3.    Classificação dos títulos de crédito
Os títulos de crédito são classificados segundo vários critérios.

a) Consoante a forma da sua transmissão


 Títulos nominativos  (nº3, artigo 635 e artigos 696 e seguintes do Código
Comercial): a sua transmissão efectua-se através da declaração e averbamento.
Por exemplo: o título emitido a ordem de António ele pode transmiti-lo por
declaração escrevendo que transmite o direito à  empresa Dom Carlos & Bono
Comercial Lda.
 Exemplos de títulos nominativos: Acções das sociedades comerciais quando
forem nominativos; obrigações quando forem nominativos.
 Títulos à ordem (nº 2 do artigo 635 e artigos 671 e seguintes do Código
Comercial): a sua transmissão é por meio de endosso. Ex.: letras, livranças e
cheques quando não forem ao portador.
 Títulos ao portador (nº 1 do artigo 135 e 663 e seguintes do Código Comercial):
a sua transmissão opera-se pela simples entrega do título. Ex.: Cheque ao
portador.

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b) Consoante a natureza jurídica do emitente
Títulos públicos: são emitidos pelo Estado ou outras pessoas colectivas de direito
Público no uso dos poderes de autoridade. Ex.: Bilhetes do Tesouro, cujo regime é
estabelecido pelo Decreto nº 22/2004, de 7 de Junho (regulado pelo Aviso nº
04/GGBM/2004, de 4 de Agosto).
Títulos privados: são emitidos por particulares ou por entes públicos quando despidos
do poder de autoridade. Ex.: Letras, livranças, acções, obrigações.
 
c) Conforme o direito nele incorporado
Títulos em sentido restrito: incorporam exclusivamente direitos de crédito a uma
prestação pecuniária. Ex.: letras, livranças, cheques.
Títulos representativos: os que incorporam um direito real de disposição sobre uma
coisa. Ex.: conhecimentos de depósito (recibos que certificam o recebimento de
mercadorias ou bens depositados nos armazéns-Gerais), cautelas de penhor (títulos
comprovativos do contrato de penhor, emitidos pelas Caixas eeconómicas e entregue ao
mutuário para que possa provar o seu direito e a operação feita).
Títulos de participação: os que incorporam direitos de participação social. Ex.: acções
das sociedades anónimas e de sociedades em comandita por acções.

d) Conforme a sua função


Títulos causais: são os que servem para determinada causa-função económico-social
típica. Ex.: acções de sociedades.
Títulos abstractos: servem para várias causas-funções económico-sociais. Ex.: Letras e
livranças.
O conceito de crédito comporta dois pressupostos básicos:

 A confiança do credor na honestidade e solvabilidade do devedor, isto é, na sua


aptidão moral e patrimonial para cumprir a obrigação no prazo concedido, ou, pelo
menos o valor das garantias (pessoais ou reais) constituídas pelo devedor para assegurar
a efectivação da prestação a que obrigou;
Decurso do tempo entre a prestação actual do credor e a prestação futura do devedor,
normalmente fixado num período certo ou a prazo; ou, o carácter futuro ou diferido da
prestação do devedor.

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A promoção do crédito seja um dos objectivos fundamentais do direito comercial, cuja
prossecução está na base e justifica a especialidade do regime dos actos do comércio.

Função de título de crédito


Exercer um direito, que é um direito literal, autónomo, abstracto, que está mencionado
nesse próprio documento; verifica a incorporação do direito nesse título de que somos
detentores.

II. Títulos de Crédito

1.     Letra (artigos 704 e seguintes do Cód. Comercial)


Letra é um título de crédito pela qual uma pessoa (sacador) ordena à outra (sacado) que
lhe pague a si ou à sua ordem ou a terceiro ou à ordem de terceiro (tomador) uma
determinada quantia em determinada data.
Os modelos das Letras foram aprovados pelo Diploma Ministerial nº 83/2008, de 26 de
Setembro.
a) Principais intervenientes na Letra
 Sacador: é a pessoa que dá ordem de pagamento;
 Sacado: pessoa que é dada ordem de pagamento pelo sacador de pagar a letra no
local, na pessoa e na data indicada pelo sacador. Se o sacado aceita a ordem de
pagamento dada pelo sacador manifesta tal aceitação pela assinatura da Letra no local
destinado para o efeito. O sacado que aceita passa a chamar-se aceitante;
 Tomador ou beneficiário: é a pessoa a quem ou a ordem a quem a Letra deve
ser paga.
 Dador de aval ou avalista: Nem sempre existe esta figura. É a pessoa que se
compromete ao pagamento total ou parcial da Letra. Esse avalista pode ser um terceiro
ou pelo próprio signatário da Letra (nº 2 do artigo 733 do Cód. Comercial). O aval é
escrito na própria Letra ou numa folha anexa (nº 1 do artigo 734 do Cód. Comercial).
Nos termos do nº 2 do artigo 734 do Cód. Comercial, o aval é dado escrevendo-se a
expressão “bom para aval” ou outra expressão equivalente (ex.: “dou o meu aval a favor
de...” ou “ por aval”). Depois de escrever uma das expressões acima mencionadas o
avalista deve assinar (última parte do nº 2 do artigo 734 do Cód. Comercial).

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b) Transmissão da Letra
Nos termos do nº1 do artigo 714 do Código Comercial,  “Toda a letra de câmbio,
mesmo que não envolva expressamente a cláusula à ordem, é transmissível por via
de  endosso” Nos termos do nº 2 do artigo 714 do Código Comercial, a letra só é
transmissível pela forma e com efeitos de uma cessão ordinário se o sacador tiver
inserido na letra a expressão “não à ordem” ou outra equivalente.
 

2.    Livrança (artigos 778 a 781 do Cód. Comercial)


Livrança é um título à ordem, sujeito a certas formalidades, pelo qual uma pessoa se
compromete para com a outra a pagar-lhe  determinada importância em certa data.
O artigo 780 do Código Comercial manda aplicar à Livrança as disposições relativas à
letra: se quisermos saber como se endossa uma livrança vamos ver os artigos 715 a 723
do Cód. Comercial; para saber como ocorre o vencimento duma Livrança temos que ver
os artigos 736 a 740 do Cód. Comercial; o pagamento da livrança é regulado pelos
artigos 741 a 745 do Cód. Comercial.
Os modelos das Livranças foram aprovados pelo Diploma Ministerial nº 83/2008, de 26
de Setembro.

3.    Cheque (artigos 782 e seguintes do Cód. Comercial)


a) Legislação aplicável
O cheque é regulado, basicamente, pelo Código Comercial, pela Lei 5/98 (Lei do
Cheque), pelo Decreto nº 13004 de 12 de Janeiro de 1927; pelo Aviso nº 01/GBM/2003,
de 26 de Fevereiro de 2003 (aprova o Regulamento da Lei de Valorização do Uso do
Cheque)
 
b) Definição
Cheque é um título de crédito através do qual uma pessoa (sacador) ordena que uma
instituição de crédito (sacado), onde depositou fundos ou dispõe de crédito, pague a si
ou a terceiro ou a ordem a si ou ordem a terceiro determinada quantia.

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c) Cheque sem provisão
Quando o sacador (através do cheque) ordena ao pagamento de uma quantia superior à
quantia que ele tem nessa instituição de crédito, diz-se “cheque sem cobertura” ou 
“cheque sem provisão”. A emissão de “cheque sem cobertura” ou “cheque sem
provisão” é crime  nos termos do artigo 23 do Decreto nº 13004 de 12 de Janeiro de
1927. Ao sacador que emitir cheque nessas condições será aplicada a pena de seis meses
a dois anos de prisão correccional, nos termos do artigo 24 do Decreto nº 13004 de 12
de Janeiro de 1927, caso o portador do cheque denuncie tal emissão de “cheque sem
cobertura” ou “cheque sem provisão”. Nos termos do § único do artigo 24 do Decreto nº
13004 de 12 de Janeiro de 1927 a aplicação da pena de prisão ao sacador pode ser
acompanhada de responsabilidade civil ou outra medida punitiva prevista noutras
disposições. Nos termos do nº 1 do artigo 11 da Lei nº 5/98, incorre, igualmente, nas
penas de crime de emissão de “cheque sem provisão” quem proibir ao banco sacado ,
dentro do prazo para apresentação a pagamento indicado pela Lei Uniforme Relativa ao
Cheque (que agora faz parte dos artigos 782 a 838 do Código Comercial), o pagamento
de cheque emitido e entregue, sem que haja relevante razão de direito; e a quem
endossar cheque que recebeu, conhecendo a falta de provisão

d) Tipos de cheques
Cheque nominativo alínea b, nº 1 do artigo 786 do Cód. Comercial: é o que
contêm o nome da pessoa a quem deve ser pago e deve conter a expressão “não à
ordem” ou outra equivalente.
Cheque à ordem alínea a, nº 1, artigo 786 do Cód. Comercial: é o que contém o
nome da pessoa a quem deve ser pago, com ou sem a cláusula expressa “à ordem”.
Cheque ao portador alínea c, nº 1, artigo 786 do Cód. Comercial: é o que não
contém o nome da pessoa a quem deve ser pago, podendo ser pago a quem
apresentá-lo para cobrar ao banco (ou outra instituição de crédito) sacado.
Cheque cruzado artigos 818 e 819 do Cód. Comercial: é aquele em que o sacador
ou portador cruza-o traçando duas linhas paralelas na face do cheque. Cruzamento
geral do cheque é quando escreve apenas dois traços paralelos, ou se entre eles está
escrita a palavra banqueiro ou outra equivalente. Cruzamento especial do
cheque quando tem escrito entre dois traços o nome dum banqueiro. O cruzamento

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visa evitar que o cheque possa ser recebido por pessoa que não seja o seu legítimo
possuidor.
Cheque “para levar em conta”(artigo 820 do Cód. Comercial): é aquele em que o
sacador ou portador proíbe o seu pagamento em numerário inserindo na face do
cheque transversalmente a menção “para levar em conta” ou para equivalente. Os
cheques, geralmente, são pagos em dinheiro, mas por vários motivos o cheque pode
ser liquidado através da escrita na conta.

A doutrina, para além da classificação acima referida, apresenta ainda:


Cheque administrativo: é o sacado pela sede do banco contra um das suas
dependências.
Cheque avulso: fornecido pelo banco mas que não faz parte do livro de cheques.
Cheque bancário: é aquele que é sacado por uma instituição de crédito a outra
instituição de crédito.
Cheque de viagem (traveller´s check): é emitido por um banco num país, de
quantia expressa em moeda de outro país, de modo que o seu titular possa
utilizar no estrangeiro. Um cliente que pretenda usar dinheiro no estrangeiro,
dirige-se a um banco e compra um cheque de viagem (devendo assinar logo que
compra) e quando chega noutro país dirige-se ao banco para levantar o montante
referido.
Cheque documentário: é o cheque emitido para pagar a contra entrega de certos
documentos.
Cheque em branco: cheque assinado pelo seu emitente cabendo a quem o recebe
a indicação da quantia que recebe.
Cheque especial: pago pela caixa da instituição do crédito, mesmo sem a
existência de fundos do sacador e poder da instituição de crédito, até ao limite da
garantia concedida pelo sacado ao seu cliente.
Cheque fiscal: é o emitido por uma entidade fiscal para restituir oficiosamente
aos contribuintes os reembolsos a que tenham direito.
Cheque postal: cobrável através de serviços de correios, quando exercem
também as funções das instituições de crédito. È típico de alguns países.
 
e) Transmissão do cheque

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O cheque pode ser transmitido por endosso, no caso de cheque “à ordem” (nº 1, artigo
795 do Cód. Comercial); por cessão ordinária, no caso do cheque “não à ordem” (nº 2
do artigo 795 do Cód. Comercial) e por entrega, no caso de cheque “ao portador”.

 
f)       Outros títulos de crédito
Nos termos do artigo 634 do Cód. Comercial,  Podem emitir-se títulos de crédito não
especialmente regulados por lei, desde que deles conste claramente a vontade de emitir
títulos dessa natureza e a lei não proíba.
 

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Conclusão
Ao longo deste estudo fiz escolhas e tive a oportunidade de erguer com os riscos que
estas encerram. Por certo haveria outros e diferentes caminhos que poderiam ser
traçados na busca da melhor compreensão dos títulos de crédito. Todavia acreditei ser o
melhor caminho a análise das bases gerais dos títulos crédito, em certos pontos eivados
de teoria, para ao fim, visualizar a ordem prática que esses novos títulos apresentam.

Por tal motivo não prendo a analisar cada tipo específico de título de crédito, pois aí sim
estaria optando por uma escolha insegura, mas limitei a observar e estudar aqueles
títulos de crédito que foram do meu tema e que inseri nessa realidade informática.
Assim, a primeira conclusão que se chega ao terminar esta pesquisa, é que, em verdade,
a mesma jamais estará terminada e que das dúvidas que existiam no início, algumas
foram solucionadas, outras aumentaram, enquanto novas surgiram.

Todavia, como trabalhei com espaços de tempo limitados dei que dar por concluído o
trabalho, mesmo sabendo que ainda há muito a se fazer, como, deficiências a serem
tratadas, lacunas a serem colmatadas de qualquer forma versam as conclusões. Assim,
analisei no primeiro capítulo os princípios fundamentais dos títulos de crédito, como a
literalidade, autonomia e abstracção. Concluindo que é em razão da preservação do
Princípio da Autonomia e ao ajuste do da Literalidade, que o título de crédito cumprirá a
mesma função de facilitar a agilização e mobilização do crédito comercial que vinham
cumprindo satisfatoriamente os títulos não escriturais.

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Bibliografia

Decreto Lei nº 22/2005, de 27 de Dezembro


 ASCENSÃO, José de Oliveira. Direito Comercial, volume III: títulos de crédito.
Lisboa: Faculdade de Direito de Lisboa, 1992;
 CARDOSO, J. Pires. Compêndio de Noções de Direito Comercial. Lisboa: Livraria Sá
da Costa, 196
Noções de Direito Comercial, 13ª edição. Lisboa: Editora Rei dos Livros, 1999;
 CORREIA, Luís Brito. “Títulos de Crédito”  in Polis: Enciclopédia Verbo da
Sociedade e do Estado, volume 5. Lisboa e São Paulo: Editorial Verbo, 1997;

Internet

NiWww.Faete.Edu.Br/Revista/Prof.%20dilson.Pdf, acesso em 12/05/2018

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