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A FORMAÇÃO DO ESPAÇO PSICOLÓGICO

Paulo Henrique Girão do Nascimento NASCIMENTO, PHGN

Elcides Hellen Landim Barreto BARRETO EHLB

A evolução do pensamento humano deu-se na Idade Antiga, mais precisamente na


Grécia. A partir do pensamento mítico, seguido do pensamento filosófico e do pensamento
científico.

A necessidade de respostas para os fenômenos naturais marcou este primeiro


pensamento (mitológico). Os deuses (mitos) eram a razão de tudo e o mundo girava em torno
deles. Suas batalhas e relações com os homens marcaram esse tempo, onde essas narrativas
tinham por objetivo o desejo de controlar o devir. Em virtude da estabilidade nacional grega,
o pensamento filosófico foi favorecido e abriu-se uma porta para questionamentos mais
específicos. Esse novo tempo foi divido em dois períodos: Pré-Socrático e Socrático. No
primeiro, o foco era a origem e a essência (Physis) de todas as coisas. Tales de Mileto,
Pitágoras de Samos, Heráclito e Demócrito foram nomes importantes da época. Chamados
“naturalistas”, cada um aderiu a uma linha de pensamento, partindo dos elementos
primordiais da natureza como base geradora de toda a matéria. Pode ser chamado também de
período cosmológico. Já o segundo, Socrático, teve sua ênfase na alma humana (psiquê). Seu
expoente máximo foi Sócrates. Um homem questionador que afirmava não podemos conhecer
o Universo sem antes conhecermos a nós mesmos. Seu discípulo, Platão, foi o fundador de
Academia de Atenas, primeira instituição de ensino superior do mundo ocidental, dizia que a
psiquê é dividida em razão e sensibilidade. Já Aristóteles, que foi discípulo de Platão e
professor de Alexandre, o Grande, foi o pai da lógica.

Este Alexandre, o Grande, da Macedônia, tornou-se o maior conquistador de então,


dando origem assim ao império Macedônio e ao período helenístico, contribuindo para o
aumento do conhecimento com o surgimento de novas correntes filosóficas, a saber: o
Estoicismo de Zênon de Cítion que defendia a felicidade como equilíbrio interior na aceitação
de todos os acontecimentos, sejam bons ou ruins. O Epicurismo, de Epicuro de Samos, que
dizia ser o prazer a base da felicidade humana e o Ceticismo fundado por Pirro, caracterizado
pelo negativismo e afirmava que todo conhecimento humano é relativo. Este período
contribuiu também para a Matemática com Euclides e Arquimedes e a Astronomia com
Aristarco e Hiparco.

Com a morte precoce de Alexandre Magno, todo seu domínio foi deixado para
quatro generais (Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu). Nesse ínterim surge o Império
Romano com seu politeísmo e depois adota o cristianismo como religião oficial. Após a queda
deste, a Igreja torna-se a detentora do conhecimento subordinando o pensamento filosófico à
fé. Nomes como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino aparecem em evidência. O
feudalismo nasce com a ideia de vassalagem e proteção. O mundo estava cheio de Deus, mas
não havia nenhuma menção da subjetividade do homem. Nesse contexto aparece o
Mercantilismo com as produções além da subsistência e a ideia de um “eu” como sujeito
individual começa a surgir. Os dogmas da Igreja são suspensos.

O Renascimento foi uma época de transição da Idade Média (das Trevas) para a
Modernidade. O sujeito, agora com a possibilidade de tomar conta da sua própria vida, de ser
responsável por seus próprios atos e manter-se sozinho no mundo sente-se desamparado.
Começa, então a primeira crise subjetiva. Com a suspensão dos Dogmas, o ceticismo ganha
força, negando as verdades absolutas e o homem passa a ser valorizado com o humanismo,
deixando a ideia de Deus de lado. Descartes, o pai do Racionalismo Moderno, inaugura a
Modernidade juntamente com Francis Bacon. Os Métodos científicos e as Práticas
Disciplinares criados por eles passam a ser bem difundidos. As ideias liberais do Iluminismo
de John Locke se disseminaram com rapidez. O homem é livre em suas escolhas individuais.
Mas este mesmo entra em conflito com o Romantismo, declarando que não existe liberdade
alguma, e sim, a escravidão humana pelos desejos e a paixão. A soberania do homem é posta
em cheque. Há também a corrente empirista defendida por David Hume, afirmando que as
experiências dependem da subjetividade de cada um e Nietzsche, por sua vez, negando toda a
verdade. Para ele tudo depende de situações e pessoas. Nada é absoluto em si mesmo.

Está formada a tríade do Espaço Psicológico: Práticas Disciplinares, Ideias Liberais e


Romantismo. Assim sendo, fez-se necessário o surgimento de uma ciência específica, a
Psicologia, com a finalidade de normatizar, padronizar e docilizar este sujeito complexo.