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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO

______JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE


DOURADOS/MS

Bernardo, brasileiro, solteiro, desempregado, inscrito no RG


______, CPF ________, residente e domiciliado na rua ________ nº ________,
CEP _________, Dourados/MS, e-mail: ___________, vem mui
respeitosamente e com o devido acatamento, por seu advogado, subscritor desta,
procuração anexa, à presença deste Douto Juízo para nele propor pelos fatos e
fundamentos a seguir aduzidos AÇÃO DE PERDAS E DANOS MATERIAIS
E MORAIS CUMULADA COM LUCROS CESSANTES em face de

Samuel, brasileiro, casado, fazendeiro, Inscrito no RG ______, CPF ______, e-


mail: ________, residente e domiciliado na rua ________, nº _________, CEP
_______, Campo Grande/MS.

DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

O autor é pobre na forma da lei, e por encontrar-se desempregado, roga a este


juízo conceder-lhe à gratuidade da justiça em todos os atos e graus de jurisdição
conforme lhe garante o instituto constitucional insculpido no artigo 5º, inciso
LXXIV da Magna Carta brasileira, e no NCPC em seu artigo 98 nos seguintes
termos: a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência
de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários
advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei

DA COMPETÊNCIA DO JUÍZO

Este foro é o competente para conhecer, processar e jugar a presente demanda


conforme se extrai da inteligência do artigo 3º, inciso I da Lei 9.099/95 – “in
verbis” –

Art. 3º O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e


julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas:

I – as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo;

E artigo 4º, inciso I do mesmo diploma que assim dispõe – Art. 4ª – É


competente, para as causa previstas neta Lei, o juizado do foro:

III – do domicílio do autor, ou do local do ato ou fato, nas ações para reparação
de dano de qualquer natureza.

DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

O autor manifesta interesse na realização da audiência de conciliação por


entender que tal prática se coaduna com o espírito fraterno da solução das
demandas através da autocomposição.

DOS FATOS
Bernardo, 30 anos de idade, desempregado há 05 anos, filho único de uma
família monoparental sofreu em janeiro de 2015 a dura perda de seu pai, João.
Desde que Bernardo perdeu o emprego, passou a depender de seu pai que o
provia do necessário através da única renda que auferia oriunda do aluguel de
seu cavalo manga larga “Tufão”. Após o falecimento de seu pai Bernardo
passou a contar unicamente com o aluguel do cavalo como meio de
sobrevivência.

Ocorre que em 10 de Agosto de 2016 o autor celebrou contato escrito de aluguel


de seu cavalo com Samuel para fins de exposição, pelo qual o contratante se
obrigou a pagar ao contratado a quantia R$ 3.000,00 (três mil reais) pelo período
de dois meses, cujo termo final seria 10 de Outubro 2016, o que não ocorreu por
desídia e má-fé do contratante.

A extinção do referido contrato se daria pela satisfação da obrigação de dar em


seu termo final expressamente avençado conforme intelecção do Código Civil
de 2002 em seu artigo 474 primeira parte que esclarece – A cláusula resolutiva
expressa opera de pleno direito. Cogência normativa esta absolutamente
desrespeitada pelo réu, que mesmo após inúmeras tentativas do autor em
convencê-lo a devolver-lhe o animal, demonstrou farto desinteresse na solução
amigável da demanda, constituindo-se em Mora Solvendi de acordo com o art.
397 do CC/02 conforme se extrai – “Art. 397 - O inadimplemento da obrigação,
positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor”.

E, estando já o devedor constituído em mora nos termos do artigo acima


invocado, noticiou ao demandante que em Janeiro de 2017 o cavalo Manga
Larga “Tufão” havia morrido afogado em decorrência de fortes chuvas que
causaram inundação em sua propriedade.

Não restando ao autor, Excelência, outra alternativa que, recorrer a este Douto
Juízo para assegurar-lhe o direito tutelado pelo ordenamento pátrio, visto que,
por ser líquido e certo, sua flagrante violação constitui afronta direta ao espírito
das leis e sobretudo ao princípio da boa-fé que deve reger o homem em todas as
suas relações.

DO DANO

O dano para o autor resultante da morte do cavalo como devidamente


instruído nos autos, perpassa a esfera do mero dano material, visto que apesar do
referido animal estar à época dos fatos, avaliado por um valor mínimo de
R$10.000 (dez mil reais), conforme documentação carreada nesta exordial, tinha
em si um valor maior agregado, qual seja o sentimental, motivo pelo qual
mesmo diante das sérias dificuldades financeiras enfrentadas pelo autor na
condição de desempregado, este não vislumbrava a venda do animal que
pertencera a seu pai como opção de solução financeira.

Soma-se ao já exposto, que, o contrato nos termos avençados se resolveria com


a restituição do cavalo em 10 de Outubro de 2016 ao seu dono para que este
pudesse cumprir seus compromissos agendados com outros clientes que
utilizariam “Tufão” para exposição conforme lista de agendamento e respectivos
comprovantes de depósitos bancários acostados aos autos.

A referida devolução dos valores aos contratantes originou-se da não devolução


do animal na data avençada, gerando um prejuízo líquido de R$ 8.000,00 (oito
mil reais) ao demandante, o que torna certa a obrigação de indenização dos
lucros cessantes nos termos do artigo 402 do Código civil – Artigo 402. Salvo
as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor
abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de
lucrar.

Destarte, manifesta-se da intelecção do artigo 927 do Código Civil que a


responsabilidade do promovido neste caso opera-se de forma objetiva, nos
seguintes termos - Art. 927 – Aquele por ato ilícito causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo. Nesta linha de pensamento corroborando com a mesma
intelecção do retrocitado artigo, traz-se a lume o teor do artigo 186 combinado
com 187 ambos do mesmo diploma nos seguintes dizeres: Art. 186 – Aquele
que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. –
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social,
pela boa-fé ou pelos bons costumes.

DO DIREITO

Por todo exposto, recobrando a intelecção de todos os institutos legais citados


nesta vestibular que fundamentam a tutela jurisdicional, e invocando a mais
absoluta consonância entre as normas postas e o espírito das leis, e também,
com fundamento nos princípios constitucionais e na plena e justa capacidade
deste Excelentíssimo Juízo que corroboram com proteção e a incolumidade dos
hipossuficientes, assiste ao autor à plena procedência nos pedidos do presente
feito.

DO PEDIDO

Requer o autor, com fundamento nos termos já aduzidos, digne-se Vossa


Excelência em condenar o réu:

I – a indenizar o autor por dano emergente decorrente da morte de seu Cavalo


Manga Larga no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

II – a indenização por lucros cessantes no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais)


referentes aos valores que o autor deixou de auferir.
III – a indenização por danos morais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)
em decorrência do valor afetivo agregado ao animal e o que extrapola o mero
aborrecimento.

IV - requer ainda o autor, seja intimado o réu para a audiência de conciliação


nos termos do parágrafo segundo do artigo 22 da Lei 13994/20.

Nestes termos

Pede deferimento.

Fortaleza ( CE), 26 de Setembro 2020

Advogado

OAB/CE nº [...]

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