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AULA 1 (resumo)

Como organizar seus estudos de guitarra e otimizar seu tempo de estudo


O método que eu uso e sempre recomendei a todos os meus alunos, com excelentes
resultados, é uma divisão do tempo em 3 GRANDES BLOCOS de igual tamanho:

BLOCO 1 – PARTE TÉCNICA

Nessa parte você vai treinar TUDO o que se refere à parte MECÂNICA de tocar guitarra.

Isso inclui desde técnicas de interpretação - como bendings e vibratos - até exercícios de
palhetada, ligados, e toda e qualquer outra técnica que você queira aprimorar e desenvolver.

Você deve estudar sempre com o auxílio do metrônomo (começando numa velocidade bem
confortável) e dia a dia vá subindo bem gradualmente essa velocidade, sempre tendo como
limite a clareza e limpeza das notas.

Vou usar como primeiro exemplo o exercício técnico mais básico do mundo, a primeira coisa
que a maioria dos professores passa para um aluno que esteja iniciando do zero, que é o
exercício “1234” e suas variantes.

(Recomendo fazer esse exercício mesmo se você já está em um estágio intermediário na


guitarra, nem que seja por poucos minutos diários)

TÉCNICA - PARTE A: Exercício 1234 (“Semi-Cromático”) básico

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Observação 1: Treine também outras combinações usando os quatro dedos (escolha
algumas por dia):

1243 | 1324 | 1342 | 1423 | 1432 | 2134 | 2143 | 2314 | 2341 | 2413 | 2431

3124 | 3142 | 3214 | 3241 | 3412 | 3421 | 4123 | 4132 | 4213 | 4231 | 4312 | 4321

Observação 2: Treine também combinações com três dedos:

123 | 124 | 134 | 321 | 421 | 431

Observação 3: Use palhetada alternada, sempre. Nas combinações de quatro dedos,


comece sempre cada corda palhetando para baixo, mantendo a ordem “baixo-cima-baixo-
cima”. Já nas combinações de três dedos, comece na primeira corda para baixo, na ordem
“baixo-cima-baixo”, e na próxima corda comece para cima, na ordem “cima-baixo-cima”, e
assim por diante, sempre alternadamente.

TÉCNICA - PARTE B: Treino de DIGITAÇÕES de escalas

Toda e qualquer escala que você for aprendendo deve ser treinada em todas as suas
digitações, subindo e descendo, sempre com o metrônomo!

Você pode treinar tanto palhetando todas as notas quanto usando ligados (recomendo treinar
de ambas as formas, primeiro só de um jeito no braço todo, depois só do outro).

B.1) Exemplo simples com digitação de Pentatônica (Am)

B.2) Exemplo simples com digitação de Diatônica (Am)

Observação: na próxima aula pegaremos todos os desenhos de pentatônica e diatônica, não


se preocupe! E todos eles, depois que você aprender, deverão ser treinados aqui nessa parte
técnica.

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TÉCNICA - PARTE C: Treino de PADRÕES em todas as escalas

Toda e qualquer escala que você for aprendendo deve treina-la com PADRÕES (que eu
também costumo chamar de SEQUÊNCIAS).

Os padrões (ou sequências) são fundamentais no treinamento diário, pois são MUITO MAIS
que meros exercícios!

Você pode e deve utilizá-los na prática, em seus solos e improvisos, e sabendo usar na
maneira e medida certas terá grandes resultados (uma das próximas aulas será
exclusivamente sobre PADRÕES, vou mostrar em detalhes vários exemplos de aplicações,
não perca!)

Assim como todo o resto, o treinamento deve ser feito sempre com o metrônomo.

Você pode e deve treinar tanto palhetando todas as notas quanto usando ligados – as
recomendações são as mesmas do treino de digitações de escalas.

C.1) Exemplo de treino de padrão de 3 em 3 notas na escala pentatônica (Am)

C.2) Exemplo de treino de padrão de 3 em 3 notas na escala diatônica (Am)

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TÉCNICA - PARTE D: BENDS, LICKS, ARPEJOS, FRASES (etc) de CASA EM CASA

DICA DE OURO:

É sempre muito melhor e mais produtivo treinar qualquer coisa que


seja REPETITIVA com a metodologia “de casa em casa”.

Seja um bending, um lick, um arpejo, um padrão, uma frase mais


complicada, QUASE TUDO você pode e deve criar um “exercício de
casa em casa na guitarra” para treinar pelo braço inteiro!

Treinando pelo braço inteiro você tem várias vantagens, dentre elas:

- Você vai se habituar às diferentes aberturas de dedos, já que as primeiras


casas da guitarra requerem bem mais abertura que as últimas;

- Não vai cansar tanto seus ouvidos em relação a você ficar parado no mesmo
lugar treinando;

- Não vai cansar tanto a sua mão em relação a você ficar parado no mesmo lugar
treinando, pois ao ficarmos muito tempo treinando num só lugar há uma contração muscular
involuntária que vai “estafar” muito mais rapidamente sua mão;

- Vai ser bem mais fácil mensurar a quantidade de exercício do que se você
ficasse parado treinando no mesmo lugar. Por exemplo, você pode treinar cada exercício da
primeira até a 15ª casa do braço, e assim todos ficarão com a mesma “quantidade de treino”.
(é bem mais fácil do que ficar no mesmo lugar contando a quantidade de repetições, por
exemplo)

D.1) Exemplo de treino de BENDS de casa em casa

D.2) Exemplo de treino de LICK de casa em casa

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D.3) Exemplo de treino de ARPEJO de casa em casa

Observação: veremos os arpejos em detalhes em uma das próximas aulas, tanto tríades
quanto tétrades, com exercícios e aplicação, não perca!

BLOCO DE TÉCNICA – CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Tudo o que eu coloquei acima são apenas pequenos exemplos!

Estudo de técnica é uma coisa que você vai precisar ir adaptando com o passar do tempo, ir
retirando fora o que já está tecnicamente bem (ou pelo menos diminuir bastante o tempo de
treino do que está bom) e ir acrescentando coisas novas, que você vai aprendendo através de
um professor, um curso online ou mesmo através de músicas que aprenda pela internet (é o
BLOCO 2 dos estudos, que vou abordar a seguir).

Tem outras técnicas que não citei, como o tapping, por exemplo, que se você quiser dominar
terá que incluir nessa parte.

Vamos dizer que você queira começar a estudar TAPPING, e sua palhetada alternada já está
bem legal. Recomendaria diminuir o tempo de treino de palhetada, dando ênfase ao Tapping
nesse caso.

Em geral, a regra é: diminuir o tempo de estudo técnico do que já está bom, e


aumentar o tempo do que está ruim ou que é novidade.

Um último detalhe importante: aqui nas aulas eu só vou falar de GUITARRA SOLO, mas se
você ainda não domina a parte de guitarra base/guitarra rítmica, tem que separar um tempo
também dentro dos estudos técnicos para treinar acordes, levadas, ritmos, riffs, etc..

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BLOCO 2 – PARTE DE VOCABULÁRIO MUSICAL

Nessa parte você vai procurar aprender todos os dias algum trecho de solo novo, algumas
frases musicais, novos licks, e mesmo solos inteiros.

Enfim, você vai estar sempre aprendendo algo a mais que vai entrar como vocabulário
musical novo para utilizar em seus próprios solos e improvisos.

Você pode usar como fonte para essa parte o material que um professor particular te passe
em aula, o conteúdo de um curso online (como os meus), um songbook, ou vídeo-aulas e
transcrições de musicas de qualidade que encontre pela internet.

Se você é mais iniciante, comece com músicas de menor complexidade, e vá aumentando a


complexidade com o passar dos meses.

Cada trecho musical novo que você aprende deve passar a ser treinado no BLOCO 1 dos
estudos (ou seja, na parte técnica), principalmente no caso de ser um trecho tecnicamente
difícil para você tocar em um primeiro momento.

E, para os trechos que você já estiver conseguindo tocar tecnicamente bem, você deve
passar a testá-los nos seus solos e improvisos, no BLOCO 3 dos estudos (que vou explicar
daqui a pouco - é o bloco de improvisação).

Como exemplo, eu trouxe durante a aula o solo da música STAIRWAY TO HEAVEN, um dos
maiores clássicos de todos os tempos.

Quebrei o solo em partes, e mostrei como cada trecho pode ser usado nos seus próprios
solos, do seu próprio jeito.

Vou trazer a transcrição completa desse solo nas próximas duas páginas, para te auxiliar nos
estudos e na compreensão do que expliquei ao vivo na aula:

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STAIRWAY TO HEAVEN (Solo)

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BLOCO 3 – PARTE DE ESTUDO DO IMPROVISO
Essa é a parte dos estudos onde tudo fará sentido, pois você vai pegar todos os elementos
que tem treinado no BLOCO 1 (parte técnica) e também no BLOCO 2 (vocabulário) para
FAZER MÚSICA com tudo isso!

E, certamente, FAZER MÚSICA, tocar com musicalidade - de maneira coerente e melódica -


deve ser o grande objetivo de todo guitarrista!

Na aula, eu fiz uma demonstração prática como exemplo, pegando trechos do solo da
STAIRWAY TO HEAVEN e os aplicando em outros playbacks, como de “Fool for Your Loving” e
também “Layla”. (estou disponibilizando também os playbacks para você baixar e praticar)

Observações gerais:

- Use ao máximo diversos playbacks diferentes, em variados tons e andamentos, para um


estudo mais completo nessa parte.

- Cada lick, cada padrão, cada arpejo, cada escala, TUDO realmente que você está estudando
nos BLOCOS 1 e 2 você deve a cada dia ir “se forçando” a usar aqui na parte 3 dos estudos!

No começo vai soar mecânico, mas com o passar do tempo você vai filtrando os melhores
caminhos e vai melhorando no seu improviso e também na criação de solos próprios.

Cuidado para não considerar o termo “improviso” no sentido literal, ou seja, não é só pegar
as notas da escala aleatoriamente pra cima e pra baixo!

Para você aprender a improvisar, tem que TREINAR improviso sempre, testar cada elemento.

É que nem ganhar fluência em uma língua nova, mas no caso não é uma língua falada e sim
musical.

- SOBRE O ESTUDO DE TEORIA MUSICAL E HARMONIA:

Uma pergunta que muitos me fazem é sobre onde entraria o estudo de HARMONIA e TEORIA
MUSICAL nessa minha divisão em 3 blocos.

A resposta é: enquanto você estiver aprendendo o básico de teoria e harmonia, pode criar um
“bloco 4 extra” para esse estudo.

Mas logo após já ter entendido o básico, será hora da APLICAÇÃO PRÁTICA de tudo que você
estiver aprendendo na teoria e harmonia, e isso também deve ser feito aqui no BLOCO 3.

- Por exemplo, você acabou de aprender os MODOS GREGOS na teoria. É hora de aplicar na
prática sobre playbacks, diariamente, aqui no BLOCO 3 dos estudos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A DIVISÃO DOS ESTUDOS

Dando um exemplo “redondo”, vamos dizer que você tenha 3h por dia para estudar guitarra.
Você vai dividir em 1h de técnica, 1h de vocabulário e 1h de improvisação (tirando um
tempinho pra teoria e harmonia também, quando for o caso).

Se tiver apenas 1h no dia, faça 20 minutos de cada um dos 3 blocos.

Se tiver menos de 1h em um dia especifico, talvez não valha a pena dividir em 3 partes muito
curtas, e aí aconselho cortar nesse dia o bloco 2, mantendo a técnica e a improvisação.

Qual o tempo ideal para se estudar diariamente? Minha resposta é “quanto mais, melhor!”.
Mas não se desespere se tiver pouco tempo para estudar em alguns dias. Tente fazer seu
possível para manter uma rotina mínima diária, nem que seja de meia horinha, e vamos que
vamos!
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