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EDUCAÇÃO FÍSICA E MEIO AMBIENTE

Introdução

Ambiente é o que envolve os seres vivos por todos os lados; contém o


ar, a água, a terra, o fogo, a energia; elementos indispensáveis à nossa vida.
O ambiente em que vivemos, que influencia grandemente nosso modo
vivendis, é especialmente impactante quando considerado na atividade física,
em que o corpo humano aumenta a atividade de cada um de seus setores –
respiratório, circulatório, músculo-esquelético e imunológico -, na busca da
conquista de um desafio a suas habilidades.
São vários os fatores ambientais que podem influenciar potencialmente
a performance e habilidade durante a prática esportiva, mas é certo que,
mesmo ciente dos fatores de adversidade e fatores de influência negativa para
o desempenho em determinados ambientes, o espírito aventureiro, a afinidade
pelo desafio e a fantástica capacidade de adaptação do corpo humano fizeram
com que novos ambientes fossem desbravados.
É notável que o sofrimento e martírio de alguns serviram como apoio
para o sucesso de outros. Hoje as fronteiras são mais distantes e, com apoio
da ciência e tecnologia, cada vez mais se faz menos marcantes e hostis,
porém, o respeito pela força da natureza que rege o ambiente deve ser
superior e determinante.

Regulação Térmica no Corpo Humano

O corpo humano é estrutural e fisiologicamente melhor preparado para


viver em ambientes quentes e úmidos, porém, têm mecanismos que procuram
manter sua temperatura estável (36º C a 37,5º C), apesar das grandes
variações da temperatura ambiente.
A regulagem da temperatura no corpo humano balanceando os efeitos
de produção ou ganho de calor e sua perda ou dissipação é um mecanismo
complexo. Comparativamente, para o entendimento, pode ser explicada com
um aparato termorregulador, no qual um sistema detecta as variações da
temperatura por termossensores e envia sinais a uma central de integração.
Esta, em resposta, direciona efeitos termorreguladores para conservar ou
dissipar o calor, mantendo, assim, a temperatura estável.
O hipotálamo é a estrutura do sistema nervoso central, tida como a
principal responsável pela regulação térmica do corpo humano. A região
anterior do tálamo é considerada a central de dissipação de calor e o
hipotálamo posterior, o centro de manutenção. O hipotálamo funciona,
portanto, como um termostato regulando a atividade de perda ou ganho de
calor.
Essa estrutura, formada por um grupo de células neurais especializadas,
pode ser sensibilizada de duas maneiras: diretamente, pela detecção da
variação térmica do sangue que as alcança, ou indiretamente, por um
mecanismo de termossensores locados na periferia, a pele.
As respostas termorregulatórias incluem alterações vasomotoras
influindo no fluxo e distribuição sangüínea, sudorese e tremor.
Na manutenção da homeostase, a resposta fisiológica é mais importante
nas altas temperaturas, nas quais deve ocorrer dissipação do calor. No evento
de resposta ao frio, pode-se contar com auxílio de geradores de calor e
vestuário/equipamento para diminuir a perda de calor durante o exercício.
Podem ser considerados quatro os mecanismos facilitadores da
dissipação do calor:

 Radiação: consiste na transferência de calor entre objetos através de


ondas eletromagnéticas.

 Convecção: define-se como a transferência de calor de um lugar para o


outro graças ao movimento de uma substância aquecida.

 Condução: é a troca de calor entre dois objetos com temperaturas


diferentes e que estão em contatos diretos um com o outro.

 Evaporação: resulta da transformação de um líquido em um vapor.

Em resposta ao exercício e ao stress imposto pelo calor com o aumento da


temperatura corporal, os mecanismos de dissipação incluem o aumento do
fluxo sangüíneo na periferia (rubor da pele e seu aquecimento) e da sudorese.
A perda de calor por radiação, convecção e condução representam cerca
de 30% no mecanismo termorregulador, quando ocorre aumento da
temperatura corporal durante o exercício. Os principais mecanismos de perda
de calor no exercício são o aumento da sudorese e a vaporização desse suor.
O corpo humano tem dois diferentes tipos de glândulas sudoríparas:

 Écrinas: que se distribuem por todo o corpo com grande concentração


nas palmas das mãos, plantas dos pés e cabeça, produzindo suor
diluído, inodoro e incolor.

 Apócrinas: que derivam dos folículos pilosos localizando-se, assim,


basicamente nas axilas e regiões genitais. Estas produzem suor com
alto teor de carboidrato e proteínas, sendo mais espesso e com odor
mais marcante.

As glândulas chamadas écrinas contribuem para maior parte do suor


produzido pelo efeito térmico e estados emocionais. A taxa de sudorese pode
chegar a 2 litros por hora, sendo que um litro de suor pode resultar na perda de
cerca de 580kcal do organismo quando ocorre a evaporação. Caso o suor seja
removido da superfície corporal, a perda de energia será mínima.
É importante destacar que, conforme a umidade relativa do ar (saturação
com vapor de água), a sudorese e, portanto, o controle térmico serão mais ou
menos efetivos, uma vez que, com o aumento relativo de umidade do ar, a
evaporação diminui tornando o controle térmico menos efetivo.
Alterações e ajustes vasomotores irão regular a distribuição do débito
cardíaco de acordo com as variações térmicas:

 No frio, a vasoconstricção diminui o fluxo sanguíneo na pele,


conservando mais calor nas estruturas nobres;
 No calor, ocorre a vasodilatação e aumento de fluxo sanguíneo na pele
o que permite o aumento da dissipação do calor interno.
A falha do mecanismo corporal de termorregulação pode resultar em
condições patológicas como hipotermia e hipertermia.

Efeitos do Calor na Prática Esportiva

A síndrome de exposição ao calor tem diferentes níveis de acometimento e


manifestação, que são determinados pelo grau de exposição e resposta
metabólica:

 Câimbras: moderada forma de desajuste, em que se observa a


sudorese com perda significativa de eletrólitos sem sua adequada
reposição, resultando em contrações e espasmos involuntários, em
especial dos músculos dos grandes grupos musculares utilizados
durante o exercício (panturrilha e coxas). Uma vez que se detecte esse
fenômeno, repouso e alongamento suave devem ser realizados,
associados à adequada reposição hidroelétrolítica.

 Exaustão: é uma manifestação da inadequada resposta


cardiorrespiratória ao stress do calor, que impõe um aumento de fluxo
sanguíneo para os músculos, além de circulação aumentada na pele,
desviando sangue de outras estruturas nobres do organismo. Na
exaustão, se têm um espectro de manifestações clínicas que podem
incluir: fraqueza, mal-estar, náusea, dor de cabeça, vômitos, dor
muscular, taquicardia, câimbras, hipotensão, hiperventilação e
desmaios. A sudorese pode permanecer de forma profusa.

 Choque/Hipertermia: catastrófica emergência médica, que resulta da


falência dos mecanismos termorreguladores, causando elevação
extrema da temperatura corporal (geralmente acima de 41º C). A
disfunção de muitos órgãos pode ocorrer pela incompatibilidade de vida
celular em temperatura tão elevada. A hipertermia exercional é mais
comum nos jovens esportistas com boa saúde que se expõe ao calor
intenso durante a prática de exercícios de alta intensidade. A lesão dos
tecidos e dos órgãos será proporcional ao tempo e à intensidade de
exposição ao calor.

Dentre os fatores preventivos para a ocorrência das síndromes de doenças


do calor destacam-se:

 Cuidados com o excessivo ganho de peso;


 Adequada hidratação;
 Programação apropriada de condicionamento;
 Adequação da exposição do esportista nas competições de acordo com
a condição de treinamento;
 Aclimatação;
 Vestimenta adequada.
Efeitos do Frio na Prática Esportiva

Este tema apresenta-se como outro importante capítulo no mecanismo


de termorregulação. A influência do frio e seu potencial em criar condições
adversas para o esportistas são reconhecidos e respeitados, sendo objetos de
constante estudo nas diferentes áreas relacionadas à saúde do praticante de
atividade física.
As alterações resultantes do frio podem ser divididas em locais e
sistêmicas.

Locais:

 Cristalização: formação reversível de cristais na superfície da pele, de


acometimento lento, não doloroso e progressivo, em especial no nariz,
orelhas e dedos. O aquecimento local com ar quente (do próprio
indivíduo) ou posicionamento das mãos na axila, geralmente traz
resultado efetivo.

 Refrigeramento: resfriamento resultante do contato das extremidades


do corpo com água gelada ou vento frio, levando à lesão de pequenos
vasos da pele, que pode evoluir para necrose (morte celular). Os sinais
mais importantes são o formigamento e a sensação de resfriamento,
acompanhados de ruborização da pele e de inchaço, com notável
dificuldade de reversão.

 Congelamento: um dos piores e mais avançados estágios, é


resultante da exposição ao frio, com congelamento de camadas mais
profundas e possibilidade de mumificação (dedos, nariz e orelhas).
Com diferentes graus de acometimento da região congelada, pode
variar desde vermelhidão e inchaço, que evoluem para a formação de
bolhas superficiais, até a mumificação e congelamento ósseo.

Sistêmicos:

 Hipotermia: emergência médica, em que a diminuição da temperatura


corporal cai para níveis inferiores à 35º C. Pode variar de níveis mais
leves (menor variação da temperatura central), com inicio da diminuição
do tremor protetor, aumento de fadiga e alteração de coordenação
motora progressiva e redução do poder de reação; até níveis altos, de
marcada confusão mental, incoordenação, alteração do padrão
respiratório e dos níveis pressóricos.

A aclimatação do corpo humano ao frio não é eficiente, assim, grande


atenção deve ser dada à prevenção com:

 Adequada avaliação da atividade a ser realizada e em que condições


de exposição ao frio;
 Nutrição apropriada antes e durante a atividade;
 Hidratação;
 Vestimenta em “camadas” favorecendo a evaporação, para evitar a
umidade mantida e transmitida ao corpo;
 Bom senso e reconhecimento das situações de perigo.

Desidratação

Ocorre pela falta de reposição hídrica e bebidas esportivas que são ricas
em sais minerais e importantes na manutenção do equilíbrio intra e
extracelular. Nas atividades aeróbias essa reposição deve ocorrer com 200ml a
cada 15 minutos em média, dependendo da intensidade do exercício e do peso
corporal do indivíduo e do tempo de atividade.

Aclimatação

Trata-se de uma constelação de adaptações fisiológicas (neurais,


hormonais e cardiovasculares) que surgem em resposta à exposição repetitiva
do indivíduo ao stress das diferentes variações no ambiente (calor, frio,
altitude).
A aclimatação para um determinado nível de atividade e exposição ao
stress do calor estará completa em cerca de 7 a 10 dias. As alterações
fisiológicas incluem o início da sudorese com menor concentração de sódio e
queda do nível de potássio corporal, resultante de perda na sudorese e urina.
A aclimatação resultará em uma maior eficiência e conforto do atleta
frente ao stress do calor durante o exercício, com menor temperatura retal
detectável para um determinado esforço e diminuição no oxigênio utilizado.
Assim, o esportista que apresenta sudorese seguida ao início do
exercício não indica a falta de condicionamento, mas, provavelmente, a boa
adaptação e aclimatação.