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05/10/2020 Livro Digital - A INCLUSÃO NAS AULAS NÃO PRESENCIAIS

 Capítulo 1 

A INCLUSÃO NAS AULAS


NÃO PRESENCIAIS

Se adentrarmos no fator histórico-cultural, a exclusão e abandono de pessoas que


possuíam algum tipo de de ciência existiam desde os primórdios da humanidade,
desde civilizações medievais até os povos indígenas mais recentes. Demonstrando
que o acolhimento, ou não, da diversidade sempre foi uma questão pertinente em
cada civilização.

Embora ainda haja muito preconceito acerca dessa minoria, há no Brasil, como em
outros países, ações que buscam a inclusão, não só das pessoas com de ciência,
mas de todos que de alguma forma estão sendo marginalizados por uma condição
social, étnica ou econômica. Nesse sentido a história nos mostra alguns avanços
da inclusão, conforme a seguir:

QUADRO 1 – TRAJETÓRIA DA INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO

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FONTE: Brasil (2010, s.p.)

A ordem cronológica indica os avanços de um ensino na perspectiva da inclusão,


que vem sendo um desa o a ser superado no dia a dia da escola como também na
sociedade. As mudanças caminham em passos lentos, porque transformar um
paradigma requer despertar de consciências, de cada um de nós, em ações
individuais e coletivas.

Nesse contexto, cabe retratar sucintamente o que foi e quais as consequências das
Revoluções Industriais, enfatizando a Terceira, que in uenciou todo o cenário e
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paradigma no qual vivemos hoje.


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De acordo com Hobsbawm (2010), a Primeira Revolução Industrial: Inglaterra,
Reino Unido (1760–1850), foi a primeira ruptura de sistema marcante do
feudalismo para o então capitalismo, introduziu a máquina a vapor e o carvão,
simbolizando o primeiro contato do homem com a máquina.

Já a Segunda Revolução Industrial nasce com o progresso cientí co e tecnológico,


aparecendo primordialmente na Inglaterra, França e Estados Unidos (1850–1870).
É vista apenas como uma transição, sendo considerada um aprimoramento da
Primeira, sendo representada pelo aço, eletricidade e o petróleo (HOBSBAWM,
2010).

A Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Informacional,


momento que a eletricidade expressa a modernização da indústria. Ela abrange
um período após Segunda Guerra Mundial (1939–1945) desde meados dos anos
1950 e se estende até a atualidade. Tal avanço representa todas as inovações
tecnológicas e cientí cas que se aperfeiçoam diariamente. (HOBSBAWM, 2010).

Ainda sobre essas Revoluções, temos o clássico lme Tempos Modernos (1936) de
Charlie Chaplin, trazendo duras críticas a esse molde social notabilizando os
diversos níveis de segregação social dentro das indústrias. Indubitavelmente, essa
última onda in uencia diretamente a realidade que conhecemos hoje.

Assim, surge a internet, transformando nossa forma de se comunicar, trabalhar e


educar. Sendo hoje a principal fonte de obtenção dos diversos tipos de
informação. Nesse contexto, a internet se con gura como fator de inclusão,
garantida pelo marco civil ao prever, na Lei nº 12.965 de 23 de abril de 2014, de
assegurar, justamente, que todos tenham acesso a esse meio. Todavia, sabe-se
que na prática ainda estão presentes muitos desa os, estando distante essa teoria
da realidade.

No documentário Muito Além do Peso (Way Beyond Weight, 2012), mostra-se em


uma cena marcante essa discrepância, em que produtos industrializados de
marcas grandes, chegam as aldeias indígenas em barcos de madeira, atravessando
o rio, motivado por ns lucrativos, enquanto a chegada de água é escassa e à
internet quase impossível.

A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis,


etapas e modalidades, possibilita o atendimento educacional especializado,
propõem acompanhamento e auxílio ao desenvolvimento da criança ou jovem em
fase escolar, com recursos e serviços, orientando quanto a sua utilização no
processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular.

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O atendimento educacional especializado tem como função identi car, elaborar e

 organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade


Capítulo 1 que eliminem as barreiras para a

plena participação dos estudantes, considerando suas necessidades especí cas. As
atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se
daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização.
Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos estudantes com
vistas à autonomia e independência na escola e fora dela (BRASIL, 2014, s.p.).

Com a reorganização escolar pelo impacto do novo coronavírus (Covid-19), é


imprescindível que o educador tenha clareza dos objetivos propostos e consiga
rede nir as atividades, com foco nas aprendizagens, não gerando mais
expectativas para os alunos e famílias. Promovendo estratégias pedagógicas
diversi cadas, articuladas às competências e habilidades. Desta forma sugere-se:

[...] além dos roteiros de estudos curriculares elaborados pelo(s) docente(s) que
atua(m) no turno regular, atividades de estimulação elaboradas pelo professor
especializado – acompanhada de orientação aos pais e/ou responsável para auxílio
na execução do que proposto. Ressalta-se que os roteiros e atividades devem ser
entregues com a mesma periodicidade do ensino regular, desde que as atividades
propostas indiquem o tempo de execução e não ultrapassem o estabelecido na
Resolução SE 68/2017. O professor especializado deverá também manter um canal
digital para que os pais/responsáveis possam ter esclarecimentos em caso de
dúvidas. Seguindo as mesmas diretrizes utilizadas para a disponibilização dos
roteiros aos alunos sem de ciência, a equipe gestora deve assegurar que todos os
alunos tenham acesso às atividades propostas para serem realizadas remotamente,
disponibilizadas por meio digital ou impressas (SÃO PAULO, 2020, p. 34)

Nesse contexto, lidamos com outras formas de inclusão, a digital. É algo recente,
porém, foi a partir da Constituição Federal de 1988 que, garantindo a liberdade e a
igualdade, trouxe também a promoção da acessibilidade na web e o acesso à
informação, tornou ao mesmo tempo um dos meios para alcançá-las. 

Infere-se, portanto, que o acesso à informação, que deveria ser direito de todos,
não é homogêneo, podendo ser organizado hierarquicamente crescendo
conforme o patamar de poder aquisitivo.

A m de amenizar tal impasse, urge a tomada de providências imediatas, que


nivele a todos igualitariamente. Para tanto, a elaboração de materiais didáticos
impressos poderia ser efetivada, como livros, cartilhas e a ns, em seguida
encaminhados para esses alunos, respeitando as medidas de segurança contra o
Covid-19. Entretanto, exclusivamente essa atitude ainda não atinge seu propósito,
deixando lacunas para eventuais obstáculos. Por isso, simultaneamente, tais
materiais necessitam de direcionamentos e explicações detalhadas pelos
professores, para que, como mencionado anteriormente, os pais possam auxiliar
na educação dos seus lhos.

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Se hoje avançamos para a eliminação de barreiras na web que atingem,


 Capítulo ainda
principalmente, pessoas com de de ciências, 1 é necessário dimensionar os 
a igidos por essas di culdades: só no Brasil, 45,6 milhões de pessoas (24% da
população) enfrentam esse tipo de barreira, de acordo com o Censo 2010 feito
pelo IBGE. Ademais, estima-se o percentual de 57% de pessoas com de ciência
que utilizam com frequência a internet no Brasil, 3% acima da média brasileira,
segundo a pesquisa PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Diante
desse cenário, buscou-se desenvolver a iniciativa Web para Todos, que reúne
empresas, fundações e diversos colaboradores que agem em prol da
acessibilidade digital.

Para você compreender melhor, a seguir apresentaremos um infográ co


detalhado, dimensionando e englobando o acesso de pessoas com de ciência à
educação:

FIGURA 1 – ACESSO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA À EDUCAÇÃO

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FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/3e34zUf>. Acesso em: 24 jun. 2020.

A partir desse infográ co, é possível mensurar a quantidade expressiva de pessoas


com de ciência no Brasil, rami cando até sua respectiva categoria. Logo, ca
exposto que são necessários ajustes sociais que visem resguardar os direitos de
inclusão dessas pessoas.

FIGURA 2 – FORMAÇÃO DA POPULAÇÃO ACIMA DE 25 ANOS COM E SEM


DEFICIÊNCIA EM 2010

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FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/3e34zUf>. Acesso em: 24 jun.2020.

O infográ co anterior, revela signi cante declínio na porcentagem de estudantes


com necessidades especiais, salientando o quão determinantes são os primeiros
anos de ensino para esses alunos, de nindo, inclusive, a continuidade ou não da
formação na vida acadêmica.

FIGURA 3 – ACESSO A ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA


ALUNOS COM DEFICIÊNCIA

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FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/3e34zUf>. Acesso em: 24 jun.2020.

Com esses dados, observamos que apesar de todo o avanço alcançado até o
momento, ainda são veri cadas lacunas que causam impasses a essas pessoas,
atentando ao fato, por exemplo, de que apenas 40% dos alunos especiais tem um
atendimento adequado do qual necessitam para usufruir da escola na sua
plenitude.

Outra realidade é o fato de a educação não presencial evidenciar ainda mais as


desigualdades, tendo em vista que nem todos no Brasil têm acesso à internet, que
se tornou potencialmente o principal meio de acesso de estudantes ao
conhecimento. Sob aspecto positivo, o processo do ensino não presencial pode ser
visto também como meio de alcançar competências e habilidades com mais
autonomia, democratizando e facilitando o processo de aprendizado. Nesse
sentido, devido aos avanços conquistados numa perspectiva inclusiva, temos um
cenário que permite com que os alunos superem os empecilhos enfrentados no
cotidiano, favorecendo o ritmo de aprendizagem individual.

O livro O diário de Anne Frank expõe, num contexto durante a Segunda Guerra
Mundial, as perseguições e di culdades da vivência, em um esconderijo,
enfrentadas pela autora que, para passar o tempo consegue complementar seu
método de aprendizagem com cursos a distância. Nessa realidade, não somente
em uma narrativa histórica, veri ca-se a importância da educação a distância para
a sociedade, principalmente em questões extremas como a de guerra ou
pandemia mundial.

Não obstante a esse crescente progresso da acessibilidade, é imperioso destacar


que ainda são necessárias medidas que visem tornar ainda mais efetivo esse novo
processo de educação. Nesse sentido, posturas inclusivas nas aulas virtuais, por
exemplo, tradução em LIBRAS (Língua brasileira de Sinais), disciplina obrigatória
desde 2005 em todas as licenciaturas, pelo Ministério da Educação, são
necessárias. Somado a isso, para uma maior inclusão, é relevante a disponibilidade
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de pro ssionais destinados exclusivamente para auxílio dos alunos com


 necessidades especiais, com o apoio Capítulo 1
do professor. 

No mês de abril, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, por


unanimidade, as diretrizes para nortear escolas da educação básica e instituições
de ensino superior durante a pandemia do coronavírus. Este documento
estabelece normativas com intuito de reorganizar e orientar o ensino no período
da pandemia.

Há uma preocupação com calendário escolar e, por conta disso, o CNE recomenda
que estados e municípios se debrucem em novas formas de envolver os alunos
nas atividades não presenciais, minimizando a necessidade de reposição
presencial de dias letivos.

Talvez você esteja se perguntando: como cará a carga horária ao m do período


de emergência? Pois bem, o CNE orienta que sejam aproveitados os períodos não
previstos no calendário a m de suprir essa reorganização sem prejuízo ao aluno,
“como recesso escolar do meio do ano, aos sábados e a reprogramação de
períodos de férias. A ampliação da jornada escolar diária por meio de acréscimo
de horas em um turno ou utilização do contraturno para atividades escolares
também são alternativas que podem ser consideradas” (BRASIL 2020, s/p). No
entanto, o CNE autorizou que as aulas não presenciais possam ser consideradas
para cumprimento de carga horária.

O CNE listou uma série de atividades não presenciais que podem ser utilizadas
pelas redes de ensino durante a pandemia. Meios digitais, videoaulas, plataformas
virtuais, redes sociais, programas de televisão ou rádio, material didático impresso
e entregue aos pais ou responsáveis são algumas das alternativas sugeridas.

QUADRO 2 – DICAS DE FERRAMENTAS PARA AS AULAS NÃO PRESENCIAIS

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FONTE: <https://bit.ly/3f8hSnC>. Acesso em: 1º jul. 2020.

Tutoriais de como o professor pode utilizar o Google Forms para trabalhar


conteúdos (inserir imagens, vídeos etc.).

Criar grupos de Facebook com os estudantes para trabalhar os conteúdos.

Como criar Feed e Stories no Instagram e Facebook com dicas, sugestões de


aulas, links de livros literários e conteúdo para diferentes faixas etária de
estudantes.

Como utilizar a Plataforma de Educação Gratuita de Alta Qualidade para


Todos (Khan Academy).

Como utilizar o aplicativo Podcasts para trabalhar conteúdos.

Como gravar vídeos curtos para trabalhar conceitos, fórmulas, introdução de


conteúdos etc.

ClassRoom – Google Sala de Aula – Como Criar turma e adicionar estudantes

FONTE: <https://bit.ly/3e8IkMG>. Acesso em: 1º jul. 2020.

Estas ferramentas podem favorecer e enriquecer ainda mais as aulas, todavia é


necessário destacar que o professor é o mediador do conhecimento, e, nesse

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aspecto, ele deve compreender a situação do aluno que não possui acesso, nem o
 Capítulo
domínio das ferramentas tecnológicas, 1
oferecendo a ele outras formas de 
apresentar os conteúdos sem que ela tenha algum prejuízo na sua aprendizagem, 
pois essa seria uma situação de exclusão.

Toda pessoa tem o direito de acesso à educação de qualidade na escola comum e a


atendimento especializado complementar, de acordo com suas especi cidades.

Toda pessoa aprende: sejam quais forem as particularidades intelectuais, sensoriais


e físicas do educando, todos têm potencial de aprender e ensinar; é papel da
comunidade escolar desenvolver estratégias pedagógicas que favoreçam a criação
de vínculos afetivos, relações de troca e a aquisição de conhecimento.

O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular:as necessidades


educacionais de cada educando são únicas e devem ser atendidas por meio de
estratégicas pedagógicas e processos de avaliação diversi cados.

A educação inclusiva diz respeito a todos: a educação inclusiva, orientada pelo direito
à igualdade e o respeito às diferenças, deve considerar não somente as pessoas
tradicionalmente excluídas, mas todos os educandos, educadores, famílias, gestores
escolares, gestores públicos, parceiros etc. (INSTITUTO RODRIGO MENDES, 2005. s/p,
grifo nosso).

Quanto a isso, há um aspecto a ser considerado e evidenciado pelo CNE: como


evitar aumento das desigualdades, da evasão e da repetência? O Conselho orienta
que todos os níveis de ensino sejam contemplados de forma não presencial, com
atividades de acordo com os níveis e respeitando a inclusão.

Con ra as recomendações:

Educação Infantil – A orientação para creche e pré-escola é que os gestores


busquem uma aproximação virtual dos professores com as famílias, de modo a
estreitar vínculos e fazer sugestões de atividades às crianças e aos pais e
responsáveis. As soluções propostas pelas escolas e redes de ensino devem
considerar que as crianças pequenas aprendem e se desenvolvem brincando
prioritariamente.

Ensino Fundamental, anos iniciais – Sugere-se que as redes de ensino e escolas


orientem as famílias com roteiros práticos e estruturados para acompanharem a
resolução de atividades pelas crianças. No entanto, as soluções propostas pelas
redes não devem pressupor que os “mediadores familiares” substituam a
atividade do professor. As atividades não presenciais propostas devem delimitar o
papel dos adultos que convivem com os alunos em casa e orientá-los a organizar
uma rotina diária.

Ensino Fundamental, anos nais, e Ensino Médio – A supervisão de um adulto para
realização de atividades pode ser feita por meio de orientações e

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acompanhamentos com o apoio de planejamentos, metas, horários de estudo


 Capítulo
presencial ou on-line, já que nesta etapa 1 autonomia por parte dos
há mais 
estudantes. Neste caso, a orientação é que as atividades pedagógicas não
presenciais tenham mais espaço. Entre as sugestões de atividades, está a
distribuição de vídeos educativos.

Ensino técnico – A ideia é ampliar a oferta de cursos presenciais em cursos de


educação a distância (EAD) e criar condições para realização de atividades
pedagógicas não presenciais de forma mais abrangente a cursos que ainda não se
organizaram na modalidade a distância. Os estágios vinculados às práticas na
escola deverão ser realizados de forma igualmente virtual ou não presencial.

Ensino superior – O CNE sugere que, para a continuidade das atividades de ensino
aprendizado nesse nível de ensino, as instituições possam disponibilizar atividades
não presenciais.

Educação de jovens e adultos (EJA) – Enquanto perdurar a situação de emergência


sanitária, as medidas recomendadas para EJA devem considerar as condições de
vida dos estudantes, para haver harmonia na rotina de estudos e de trabalho.

Educação Especial – As atividades pedagógicas não presenciais devem incluir os


estudantes com de ciência, transtorno de espectro autista e altas
habilidades/superdotação. Devem ser adotadas medidas de acessibilidade, com
organização e regulação de nidas por estados e municípios, mas existem outros
cuidados a serem observados, principalmente quanto à mediação.

Junto às atividades, deve ser assegurado o atendimento educacional especializado,


que envolve parceria entre pro ssionais especializados e professores, para
desempenhar suas funções na adequação de materiais, além de dar orientações e
apoios necessários a pais e responsáveis.

Como a atenção é redobrada para cada aluno, os pro ssionais do atendimento


educacional especializado devem dar suporte às escolas na elaboração de planos
de estudo individualizados, que levem em conta a situação de cada estudante. As
famílias são, sempre, parte importante do processo.

Educação Indígena, do campo e quilombola – As escolas poderão ofertar parte das
atividades escolares em horário de aulas normais e parte em forma de estudos
dirigidos e atividades nas comunidades, desde que estejam integradas ao projeto
pedagógico da instituição, para garantir que os direitos de aprendizagem dos
estudantes sejam atendidos. Nos estados e municípios onde existam conselhos de
educação escolar indígenas e quilombolas, estes devem ser consultados e suas
deliberações consideradas nos processos de normatização das atividades.

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Avaliação – Sugere-se que as avaliações nacionais e estaduais considerem as ações


 de reorganização dos calendários deCapítulo 1
cada sistema de ensino antes de realizar o

estabelecimento dos novos cronogramas das avaliações em larga escala de
alcance nacional ou estadual. É importante garantir uma avaliação equilibrada dos
estudantes em função das diferentes situações que serão enfrentadas em cada
sistema de ensino, assegurando as mesmas oportunidades a todos que participam
das avaliações em âmbitos municipal, estadual e nacional.

Nesse sentido, as avaliações e os exames de conclusão do ano letivo de 2020 das


escolas deverão levar em conta os conteúdos curriculares efetivamente oferecidos
aos estudantes, considerando o contexto excepcional da pandemia, com o objetivo
de evitar o aumento da reprovação e do abandono no ensino fundamental e
médio.

FONTE: <https://bit.ly/2C7H2o3>. Acesso em: 1º jul. 2020.

Toda e qualquer forma de ensinar requer um planejamento.  Nesse aspecto, o


professor precisa de conhecimentos e habilidades não só dos conteúdos da
disciplina que ministrará, mas também do entendimento dos recursos
tecnológicos que utilizará para mediar o ensino. “Escolhendo estratégias de ensino
adequadas. Na escolha dessas estratégias, ele deve levar em conta os valores
culturais de seu grupo de alunos e dirigir-se a eles com uma linguagem clara,
precisa e contextualizada” (MORETTO, 2007, p. 25).

O ensino, por meio de recursos virtuais, deve ser visto com tranquilidade, uma vez
que não substituem o professor, pelo contrário, sua mediação fará toda a
diferença na qualidade da aprendizagem do aluno. O recurso e a informação por si
só não geram conhecimento. Este se dá pela conexão entre informação, contexto e
aplicação. Com isso, entendemos que todo e qualquer planejamento devem fazer
o aluno investigar, aplicar e re etir sobre o que estudou com domínio crítico. E
essa deve ser sempre a intenção do professor, conduzir a re exão crítica sobre
qualquer conteúdo ou assunto proposto.

Sobre conteúdo propriamente dito, quero compartilhar aqui a pesquisa de


mestrado que realizei na Escola da Ponte (OFFIAL, 2012), situada em Portugal,
intitulada:  Formação de Leitores do Literário: uma experiência na Escola da Ponte.
Na época, investiguei sobre a forma que abordam a literatura, se para ns de
pretextos pedagógicos apenas ou também com a preocupação de um saber
artístico.  En m, a pesquisa me trouxe muito mais que o tema proposto. Mostrou-
me que a literatura era trabalhada de forma sensível, com os saberes artísticos e
culturais, conduzindo não só os alunos, mas toda a comunidade a fruição e o
prazer de ler o livro, lendo o mundo a partir do seu contexto.

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De outra forma, essa abertura de conhecimento mostrou também como os


 Capítulo
educadores daquela escola investigam 1
os conteúdos. Na Escola da Ponte, um 
conteúdo é apresentado não apenas pelo viés de um livro, mas por meio de
pesquisas em diversos autores. Desta forma, contribuímos para o
desenvolvimento de alunos pesquisadores, críticos e autônomos.

Analisando o cenário atual, selecionamos algumas pautas que emergem desta


construção teórica. Entre elas, destacamos a importância de se perceber que a
missão da escola mudou, que em vez de atender a uma massa amorfa de alunos,
despersonalizados, é preciso focalizar o indivíduo, aquele sujeito original, singular,
diferente e único; dotado de inteligências múltiplas, que possui diferentes estilos de
aprendizagem e, consequentemente, diferentes habilidades para resolver problemas
(MORAES, 2003, p. 15).

Sabemos que neste momento de pandemia, um dos principais desa os para os


professores não é somente de organizar aulas via internet, mas de garantir a
aprendizagem para todos, considerando uma perspectiva inclusiva.

O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política, cultural, social e
pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos os estudantes de estarem
juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. A educação
inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de
direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e
que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as
circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola (BRASIL,
2014, s.p.).

Nesse sentido, sabemos que a utilização dos meios virtuais como aliados da
educação é uma tendência futura e próxima. Um exemplo desse avanço é a
criação do Portal do Livro Acessível (livroacessivel.org.br), que possibilita a leitura
para de cientes visuais, cujo conteúdo textual ou formado por imagens pode ser
lido por um computador, ou, ainda, conta com níveis diferentes de contraste que
permite impressão em Braille, o sistema de escrita usado por de cientes visuais.
Hoje podemos contar com uma Web mais acessível.

FIGURA 4 – EXEMPLOS DE ACESSIBILIDADE NA WEB

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FONTE: <https://bit.ly/2VSXaRd>. Acesso em: 1º jul. 2020.

Além da inclusão digital e acessibilidade às tecnologias e internet, outro ponto que


merece ser enfatizado é a relação de pais e responsáveis, que estão mais
envolvidos que nunca nas atividades pedagógica dos lhos, exigindo maior
comunicação e colaboração entre eles e os professores.

 Muitas famílias, além de estarem tendo seu primeiro contato com o home o ce,
estão tendo que conciliar simultaneamente com a supervisão dos lhos, ou se

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adequando a uma rotina, em que precisam sair para o trabalho e deixar os lhos
 sob a supervisão de algum adulto. DeCapítulo
qualquer1 forma, cabe aos mestres orientar e 
dialogar com esses responsáveis bem como auxiliar nos estudos dos alunos,
tornando a rotina a mais produtiva possível. Há diversas situações com as quais os
próprios alunos estão aprendendo a lidar, como a falta de atenção, a disciplina e a
organização de uma rotina. Veja o que já alertava um pesquisador no ano de 1998:

As novas tecnologias e o aumento exponencial da informação levam a uma nova


organização de trabalho, em que se faz necessário: a imprescindível especialização
dos saberes; a colaboração transdisciplinar e interdisciplinar; o fácil acesso à
informação e a consideração do conhecimento como um valor precioso, de utilidade
na vida econômica. Diante disso, um novo paradigma está surgindo na educação e o
papel do professor, frente às novas tecnologias, será diferente. Com as novas
tecnologias pode-se desenvolver um conjunto de atividades com interesse didático-
pedagógico, como: intercâmbios de dados cientí cos e culturais de diversa natureza;
produção de texto em língua estrangeira; elaboração de jornais interescolas,
permitindo desenvolvimento de ambientes de aprendizagem centrados na atividade
dos alunos, na importância da interação social e no desenvolvimento de um espírito
de colaboração e de autonomia nos alunos (MERCADO, 1998, s.p., grifo nosso)

De acordo com Mercado (1998), no processo inicial, os alunos apresentam


di culdades de tempo, organização e planejamento sobre como e quando estudar,
além de estarem enfrentando uma modalidade nova sob a qual não tem
direcionamento concreto, o que cria uma lacuna entre a expectativa inicial de
dedicação e esforço e a seguinte realidade. Fato esse que tende à frustração e
possível desânimo do aprendizado.

Para superar a falta de atenção, é interessante apostar em aulas didáticas de


interação, adaptadas a esse novo processo de aulas virtuais, mantendo os alunos
concentrados e não somente agentes passivos durante as atividades. Sempre
lembrando dos alunos e pais que não têm o acesso, para eles, deve-se ter formas
de se fazer chegar o conhecimento, por meio de materiais impressos e materiais
alternativos, veiculados pela escola, para atender os casos especí cos.

Sobre a questão da disciplina paralelamente à rotina, faz-se necessária a


estipulação de horários que condizem com o rendimento de cada aluno em
particular, evitando futuras frustrações e consequentemente desânimo.

Há outro aspecto que merece destaque, ao consideramos os alunos que


apresentam alguma de ciência, a falta de representatividade que tais alunos
encontram na sua jornada escolar, causando uma sensação de não
pertencimento. Sendo assim, é indispensável buscar apresentar exemplos de
casos similares, transmitindo e ressaltando a capacidade exímia de superação.
Para isso, podem ser apresentados casos como de Stephen Hawking, que mesmo
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tendo uma doença degenerativa revolucionou à ciência, tornou-se um dos maiores


 Capítulo
cientistas da história. Além disso, lmes como1Extraordinário (2017), expõem 
situações cotidianas com as quais esses estudantes podem se identi car e, assim,
encontrar formas de lidar com suas diferenças. Nesse caso, seria interessante que
tais exemplos fossem trazidos para toda turma, servindo como uma forma de
despertar a empatia e evitar possíveis casos de bullying.

Os relatos a seguir são de professores da Educação Básica, que assim como você,
estão enfrentando uma nova forma de ensinar, e isso vem sendo percebido, ao
menos pela maioria dos entrevistados, como sinal avanço para educação. Uma vez
que conseguem atingir o conhecimento utilizando diferentes recursos, explorando
vídeos, podcast, lmes, histórias na internet, séries, jogos e uma gama de recursos,
que vão além dos muros da escola. Como também aproximando os pais da
educação e processo de ensinar dos lhos.

Por outro lado, estão tendo que dispor de mais tempo, pois mediar as atividades
no ensino remoto requer compreensão desses novos recursos.

É sobre o tempo que vamos dialogar nesses próximos parágrafos. Para tanto,
trago novamente a pesquisa que realizei na Escola da Ponte (OFFIAL, 2012). Desta
vez, dialogaremos sobre o tempo.

O tempo desta escola tem um ritmo diferente, ele corre a favor do aluno, pelo
respeito às diferenças, pelo respeito ao jeito de aprender de cada um e pelo
respeito à forma de avaliar. O tempo do aluno e do professor é algo respeitado.

Quem dispõe de três horas semanais para discutir assuntos pertinentes ao


cotidiano escolar? Algo, como o direito de mastigar chicletes na escola? O que há
de aprendizagem neste assunto e neste tempo? Alguns podem achar desperdício
de horas, pois estão perdendo conteúdo. Para quem percebe quantos elementos
são explorados na simples ação de organizar uma assembleia, compreenderia o
que diz o poeta e educador, Alves (2004, p. 54), “a gente precisa ter uma educação
ligada com a vida. Porque é para isso que a gente aprende, para poder viver
melhor, para ter mais prazer, para ter mais tempo, para não se arriscar”.  

FIGURA 5 – DIA DE ASSEMBLEIA

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05/10/2020 Livro Digital - A INCLUSÃO NAS AULAS NÃO PRESENCIAIS

 Capítulo 1 

FONTE: Escola da Ponte – Portugal (2012)

O aluno ao dispor seu tempo para discutir algo em um grande grupo, seja
presencial ou a distância, consegue explorar e desenvolver a oralidade, a
formulação de argumentos, compreensão e respeito às regras, expressão,
comunicação, inteligência emocional, empatia etc. “Na educação, a autonomia
implica na metodologia do aprender a aprender, aprender a pensar [...]” (MORAES,
2010, p. 145).

Esse exemplo foi apresentado para compreendermos que os conteúdos hoje


ensinados de forma não presencial, sejam sempre a favor do aluno e de todos que
estão envolvidos nesse processo, com respeito aos diferentes saberes.

Leia a seguir os relatos de experiências de professores da Educação Básica de


alguns estados do Brasil com relação ao ensino não presencial.

Professora de sala de recursos – MG

Professores de Minas Gerais vem se reinventando para levar aos alunos da


educação especial maior acompanhamento e acessibilidade aos conteúdos
escolares e inclusão social na tentativa de diminuir os impactos da distância,
ocasionados pela pandemia do coronavírus. Os professores de apoio e sala de
recursos têm buscado desenvolver suas práticas centradas em um novo fazer
pedagógico e virtual; cuja família tem a participação ímpar nas ajudas técnicas e
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05/10/2020 Livro Digital - A INCLUSÃO NAS AULAS NÃO PRESENCIAIS

estratégias, na junção de métodos e adaptação de materiais. Na escola onde


 Capítulo
trabalho como especialista e professora, 1 orientado e presenciado uma nova
tenho 
forma de aprender e de ensinar; com maior participação e empenho da família
quanto aos alunos com necessidades especiais. Temos 16 alunos com de ciências
intelectuais, físicas, múltiplas, autismo, TOD, TDAH, entre outros. Somos um grupo
de seis professores que acompanham esses alunos que são de classe baixa e
média, muitos têm apenas um celular na família ou tão somente o material
impresso.

Formamos um grupo de WhatsApp com esses alunos, orientamos a um


responsável do deles;  zemos um cronograma de atendimento virtual individual,
utilizando  videochamada,  a plataforma do Google meets e a plataforma
Screencast – O – Matic para edição de material. Cada aluno tem 30 minutos diário
com professor em tempo real, e, uma vez por semana, é feito uma webconferência
com os 16 alunos, professores, um convidado especial e os responsáveis com o
objetivo de interação, orientação,  empatia e esclarecimentos de acordo com a
necessidade. Fazendo uso e aproveito destes momentos para uma conversa
amiga, repasses de conteúdo, o desenvolver de uma brincadeira, jogos, teatros,
recontos e mesmo sobre a convivência familiar e depoimentos. O material
pedagógico, que aqui em Minas Gerais é intitulado PET (Plano de Estudos
Tutorados), são disponibilizados pela Secretaria de Educação, são adaptados e
estruturados pelos professores de acordo com a necessidade dos alunos e após
essa adaptação é feita a entrega virtual ou de forma impressa. Os alunos são
mediados nestes encontros pelos seus professores de apoio e sala de recursos,
que buscam um aprendizado mútuo assessorados por estes PETs.

Percebe-se um dos pontos positivos é a interação da família e maior interesse dos


alunos nos ambientes virtuais, pois são vistos como mais atrativos e estes têm
demonstrado mais ativos e participativos nas atividades; o que antes não ocorriam
devido a própria de ciência do aluno. Enquanto por outro lado, percebe-se o
acesso de internet ainda escasso e a di culdade de estabelecer um horário junto à
família para este contato professor/aluno.

Reconhecendo um empenho grandioso da família, apesar das di culdades e


inércia de conhecimentos tecnológicos, é onde entra a e ciência do professor 
moderador e incentivador;  fazendo-se implacável para este levar informações,
conhecimentos e acessibilidade ao saber,  onde todos estamos aprendendo
juntos; como facilitadores, inventores, pesquisadores, descobridores de práticas
no ato de aprender a aprender,  aprender a fazer e, principalmente, aprendendo a
SER,  a SER humanos, empáticos e merecedores das recompensas de seu Dom;  o
Dom de reinventar por amor ao ensinar.

FIGURA – ALUNO ASSISTINDO AULA VIRTUAL

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 Capítulo 1 

FONTE: <https://bit.ly/3eLJ4Zj>. Acesso em: 1º jul. 2020.

FIGURA – PLANO DE ESTUDO

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 Capítulo 1 

FONTE: <https://bit.ly/2CS33ay>. Acesso em: 1º jul. 2020.

Professora de sala de recursos – Itajaí

(Entrevista concedida para autora)

Com a disseminação da COVID-19, ocorreram mudanças no mundo todo e,


principalmente, na forma de ensinar e aprender. As aulas na Educação Especial
passaram a ser a distância.

No entanto, não podemos esquecer que mesmo neste cenário de EAD, cada aluno
da Educação Especial tem uma necessidade especí ca. Por isso, cada professor
precisa selecionar os conteúdos e as competências que devem ser desenvolvidas
pelo aluno.

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Neste cenário, emerge o planejamento de recursos e materiais especí cos para


 cada aluno, com o intuito de que ele Capítulo 1
possa compreender o conceito ensinado e

concluir a atividade. Ao compreendermos que nosso aluno é singular na forma de
aprender, podemos elaborar um passo a passo sobre cada atividade e com a
família avaliarmos se o aluno compreendeu a atividade proposta.

A comunicação entre pais e professores torna-se essencial neste período de


atividades não presenciais. Assim, faz-se necessário a comunicação. O professor
junto a escola pode combinar com os pais o melhor caminho para estabelecer o
diálogo, o qual pode ocorrer por meio de ferramentas, como o WhatsApp.

Por meio desta ferramenta, o professor pode orientar os pais e responsáveis


sobre como trabalhar as atividades pedagógicas. Os professores podem ressaltar
a importância da rotina e que esta deverá ser mantida no contexto familiar
durante a pandemia, pois ela faz parte da aprendizagem.

Podemos pedir ainda que os pais relatem semanalmente as dúvidas e as


di culdades na execução da atividade. Este retorno possibilita que o professor
identi que melhores formas de aprendizagem e de na estratégias adequadas
para cada aluno.

Professora do 4º ano do Ensino Fundamental – Blumenau

(Entrevista concedida para autora)

Nessa nova era, algo que nunca alguém imaginou, é que uma professora pudesse
dar aula a partir de sua casa. Então, com essa situação inesperada, como atingir de
forma signi cativa os alunos com di culdades? Claro que se tornou algo muito
mais complexo, porque em sala de aula, às vezes, o que já era desa ador, a
distancia tornou-se ainda mais. Eu confesso que nas primeiras aulas eu não sabia
como incluir esses alunos numa aprendizagem signi cativa. Aos poucos, tive que
mudar toda a minha rotina, com certeza fui muito desa ada e tive que sair da
minha zona de conforto, mas hoje, três meses se passaram e percebo quanto
cresci realmente. E como dizem, é na crise que nos fortalecemos. E com os alunos,
eu os chamo para participarem, convido para que possam ler suas respostas e
comentar. Se eu recebo um retorno da parte deles, já me sinto bem feliz. Isso me
aconteceu com um aluno que possui laudo de Transtorno do Espectro Autista, que
até na sala é bem difícil sua participação. Então pedi se ele gostaria de participar,
ler um trecho do livro e ele quis ler e leu muito bem. Então no outro dia pedi se ele
gostaria de ler novamente, ele concordou. Depois, no nal daquele dia de aula, eu
pedi aos alunos quem quisesse apresentar o seu texto, e ele pediu para ler.
 Nossa! não imagine como quei feliz de ver aquele menino com toda a di culdade
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lendo o trecho do livro e sentindo a presença da mãe ao seu lado, apoiando.


 Cheguei a pensar o quanto essas mães Capítulo 1
estão sendo desa ada também. 
Continuo a dar aula, e claro, sem esquecer os conteúdos, mas sempre fazendo
uma atividade lúdica, um jogo, um bingo, uma coisa que possa mostrar ao aluno
que uma aula on-line também pode ser legal, e mesmo a distância, é preciso
inovar.

Professora do 1º ano do Ensino Fundamental – Pomerode

(Entrevista concedida para autora)

O maior desa o foi o de lidar com a realidade. Achávamos que esse período
duraria menos e já estamos com três meses. Então, quando camos sabendo de
tudo o que poderia acontecer, eu me preparei. Virei a noite, z os materiais e
apostilas para as crianças e imprimi. E cada um pode levar a sua apostila para
casa. Como eu trabalho com a alfabetização, preparei material que os pais
conseguissem lidar. Utilizo a família silábica, os sons, só que depois eu vi que com
essa distância não estávamos dando conta. Ajudava, mas nem tanto. Porque
pensar sobre a escrita é fazer o uso da escrita, daí eu comecei a trabalhar com
material impresso e com materiais alternativos, como o livro de rimas (conforme
no link https://bit.ly/2NSFXD5) usei o WhatsApp, o Teams, o SGE, percebi, então,
que as minhas turmas lidam melhor com WhatsApp, pois todos têm. Eles postam
no SGE, mas eu atendo aos pais, direto pelo WhatsApp. Então eu faço
videochamada para as crianças, converso com os pais, porque as crianças sentem
saudades e essa prática está ajudando bastante. A cada prática que eu recebo,
procuro sempre dar um retorno com áudio ou com algumas palavras que as
crianças gostam, eu mando carinha, mando fo nho, imagens para valorizar o
trabalho de cada um. De 36 crianças que eu tenho, somente duas, preciso correr
atrás para não perder esse processo de estar com a turma, acompanhando e não
perder o ano letivo e o processo de aprendizagem, pois me preocupo bastante
com esse processo de aprender.

Outra coisa que coloco pra os pais, no WhatsApp, é que as atividades eles não
mandam para mim, estamos fazendo pelos lhos, é preciso mudar a visão de que
estamos fazendo porque a professora quer, mas para ajudar a criança. Esta é a
única estratégia, é cansativo, sabemos, mas é o único momento que a gente tem é
esse. Eu procuro mandar as atividades gravadas, pois agora tenho um canal do
YouTube, monto minhas aulas, procuro fazer vídeo e editar, tudo isso aprendi
nesse período da pandemia, antes não sabia nada disso.

Para os pais ajudarem a orientar os lhos com as tarefas em casa, eu faço uma
trilha bem resumida e oriento as intervenções que eles devem fazer.  Eu sei que
têm muitos pais que trabalham durante o dia, por isso, atendo-os à noite. Faço

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muito mais que as minhas 8h de trabalho, tem dias que eu trabalho até a meia-
 Capítulo
noite. É isso que está sendo cansativo, porque1 a gente não tem mais horário e o 
que eu levava nas aulas presenciais em 4 min, vai para 4 horas, faço isso para
ajudar as famílias. Eu estou ao lado dos pais, temos que estar juntos, professores,
escola, família para ajudar as crianças. Para que elas não percam o ano letivo.

Temos um grupo de professores alfabetizadores de Pomerode. Trocamos


experiências de como estão fazendo em outra escola, o que dando certo lá, as
sugestões das atividades e até mesmo desabafos quando a gente está muito
cansada.  E é nesse canal que podemos contar uns com os outros, pois cada um de
nós que está passando por isso pode dar seu ponto de vista.  Tenho também um
grupo de professores de todo o Brasil, Bahia, Sergipe, Mato Grosso, Rio de Janeiro,
São Paulo, entre outras localidades. Ontem tive reunião com eles pelo Google
meeting, cada um colocou o que está dando certo na escola, foi muito show.

Eu acredito que o professor se reinventa, o professor é muito forte e tudo que


acontece, apesar de ser coisa ruim, o professor vai e faz, ele dá um jeito. Às vezes,
o professor trabalha sem na sala, mas ele tenta fazer sempre o melhor, e é isso
que eu acho legal! Estou vendo muito isso. Vamos continuar fazendo essa troca
após a pandemia, porque é muito importante. Eu já tenho um canal no YouTube.
As atividades que lá funcionam, são as atividades que têm a carinha dos alunos. A
produção com as famílias, como exemplo trago o livro de rimas, cada pai tinha que
escolher uma rima para o nome de seu lho, criar um texto e fazer uma foto que
ilustrasse essa frase. Depois de tudo isso, editei e criei um livro que eles estão
lendo em casa, por ter as fotos dos amigos, ajuda a matar a saudade entre eles.

Agora a tarefa é cria um livro de adivinhas, alguns já me entregaram, mas o prazo


é até segunda-feira.  Eu quero trabalhar a oralidade deles, então cada criança
pensou em uma adivinha e gravou um vídeo (ver a seguir) falando da adivinha,
agora eu vou montar outro vídeo de adivinhas, um deles com as perguntas e outro
só com a resposta. Eu tento sempre deixar as atividades leves, para que os pais
possam ajudar.

O problema é que minha casa é pequena e são três estudando, e, às vezes,


atender os pais em videochamada se torna difícil, muitas vezes preciso ir no
pomar para não atrapalhar a vida dos meus lhos. Outra coisa, é que não temos
todos os materiais, computadores de última geração, meu computador é mais
velhinho; e muitas famílias tem um celular para três crianças. Isso que é mais
cansativo. Também a saudade, pois o trabalho a distância é diferente de todos
participando juntos, falta o contato, o abraço.

Outro problema que estou tentando administrar é o tempo. Fico muito tempo no
computador, porque tem que registrar cada atividade que cada criança manda
pelo WhatsApp , ir no SGE e marcar o que a acriança entregou, olhar as crianças
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que não entregaram, mandar a lista para a orientadora para conversar com as
 Capítulo 1 então tudo isso é muito cansativo,
famílias das crianças que não estão entregando, 
pois precisamos cobrar de quem não entrega.

Outro problema é que as crianças não entregam todas ao mesmo tempo e


precisamos fazer um controle disso. Mandar a lista das crianças que não estão
acompanhando para a orientadora.

Procuro ter sempre os pais ao meu lado, temos um grupo de WhatsApp, e esse
grupo está muito forte, eles me dão o apoio, e eu a eles. Mando mensagens e
vídeos de como eles podem ajudar seus lhos. O objetivo é a aprendizagem, e eles
estão comigo.  Procuro atender cada criança de uma forma especial e aos pais
também, isso faz com que eles se sintam valorizados.

Toda quarta-feira as salas cam abertas para que as crianças que não têm acesso
à internet, busquem os materiais na escola com seus pais, assim como para as
crianças com atendimento educacional especializado. Nós produzidos materiais
alternativos para adaptar os jogos, brincadeiras, massinha, letras quantidades etc.

Sugestões de atividade no ensino não presencial

FIGURA – PROFESSORA CRIA BRINCADEIRA DOS 7 ERROS COM SUA PRÓPRIA


FOTO PARA APROXIMAR ALUNOS EM TEMPOS DE PANDEMIA

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FONTE: Foto encaminhada pela professora


 Capítulo 1 
Aula enviada pela professora de Pomerode

Vamos trabalhar as ADIVINHAS?

Com essa atividade, além de trabalhar a leitura, o pensamento da criança, tenho o


objetivo de trabalhar também a oralidade e a desenvoltura na fala das crianças e
entoação de voz fazendo perguntas.

1° passo: assista ao vídeo com a sua criança. Serão dez adivinhas, depois que
foi feita a pergunta logo virá a reposta, leia junto com a criança, em seguida,
aparecerá a resposta novamente com a gura. Fiz desse jeito para estimular
a criança ler primeiramente e depois con rmar a sua leitura.

2° passo: ensine outras adivinhas que você conhece e brinquem juntos,


divirtam-se juntos.

3° passo: vamos trabalhar as adivinhas – grave um vídeo da sua criança


falando uma adivinha e me mande pelo WhatsApp, só não pode colocar a
resposta, esta deverá vir em uma mensagem escrita.

Explique sobre o ponto de interrogação (?)” o ponto que usamos para fazer uma
pergunta, ele aparece no vídeo. O vídeo deve ser curto, lmar somente enquanto a
criança falar a adivinha.

FIGURA – ADIVINHA

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 Capítulo 1 

FONTE: <https://bit.ly/31OyAof>. Acesso em: 1º jul. 2020.

FIGURA – RIMA

FONTE: <https://bit.ly/2CfqEBC>. Acesso em: 3 jul. 2020.

Para saber mais:

FIGURA – ORIENTAÇÃO AOS PAIS PARA A QUARENTENA – 2020

https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/a_inclusao_nas_aulas_nao_presenciais/conteudo.html?capitulo=1 27/29
05/10/2020 Livro Digital - A INCLUSÃO NAS AULAS NÃO PRESENCIAIS

 Capítulo 1 

FONTE: <https://bit.ly/2Z5LCMt>. Acesso em: 1º jul. 2020.

Dicas de site:

Para saber mais a respeito das aulas não presenciais na perspectiva da inclusão,
consulte os seguintes sites:

https://bit.ly/322Fgzx

https://bit.ly/2VRggqV

https://bit.ly/2VRggqV

“A caminhada ensina que não há everestes de nitivos. O limite dos mares, as


arenas dos abismos onde imperavam os monstros de todas as mitologias, tudo o
que aparenta ser o último e de nitivo passo não é mais que o primeiro passo de
cada recomeço” (PACHECO, 2010, p. 108).

Faz-se necessário, com a nalidade de prosseguir o ano letivo da educação básica,


reorganizar e repensar formas didáticas de englobar a todos no ensino não
presencial, como também desa o de garantir a aprendizagem, sem perder de vista
os que necessitam de recursos especiais.

Assim, sendo a escola um dos mais importantes ambientes de socialização e,


atrelada à tese defendida por Vygotsky, quando ressalta a importância das
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05/10/2020 Livro Digital - A INCLUSÃO NAS AULAS NÃO PRESENCIAIS

relações heterogêneas na construção do aprendizado, revela a necessidade da


 Capítulo
inclusão desses alunos no meio estudantil 1
e, cabe a nós educadores, prestar 
medidas que garantam uma educação de qualidade e acessível.

Apresentação 

Conteúdo escrito por:


Todos os direitos reservados © 2020
Patrícia Cesário O al

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