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ATLAS SIMPLIFICADO DE OSTEOLOGIA DE Alouatta seniculus PRIMEIRA


EDIÇÃO

Book · May 2020

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6 authors, including:

Alexandre Navarro Alves Souza Wylker Silva


University of São Paulo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM)
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ATLAS SIMPLIFICADO DE
OSTEOLOGIA DE​ Alouatta seniculus

PRIMEIRA EDIÇÃO
________________________________________
Autor​:
Vinicius de Almeida Mesquita​, acadêmico de Medicina Veterinária do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Amazonas (IFAM). Membro do Grupo de Estudos de Animais Selvagens do Amazonas (GEAS-AM) e dos
projetos Amigos da Onça e OIAAONÇA, que trabalham na conservação das onças no Brasil, sendo também membro
fundador do grupo de pesquisa e atendimento de fauna silvestre (IFauna.am). Experiência em bem-estar, nutrição
animal e educação ambiental no zoológico do centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS).

Orientador e co-autor​:
Alexandre Navarro Alves de Souza​, Pós-Doutor em Cirurgia de pequenos animais pela FMVZ-USP, São Paulo, SP.
Professor em Anatomia e Cirurgia de Pequenos animais do curso de Medicina Veterinária do IFAM-CMZL, Manaus, AM.

Coorientador e co-autor ​:
Eduardo Lima de Sousa​, graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Nilton Lins, Mestre em Ciências pela
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Professor das disciplinas de Clínica médica de animais selvagens/
Manejos de animais selvagens/ Imunologia Veterinária.

Co-autores​:
Gilson Gonçalves Pinheiro​, acadêmico de Medicina Veterinária, procura voltar seus conhecimentos à medicina de
animais selvagens. Possui experiência em levantamento de avifauna. É membro fundador do IFauna.am, trabalha nos
projetos OIAA ONÇA e Amigos da onça, projetos voltados a conservação da onça pintada. Possui experiência com
criação de animais em cativeiro, experiência essa adquirida como estagiário do Zoológico do Centro de Instrução de
Guerra na Selva (CIGS).

Wylker de Almeida Silva​, natural de Benjamin Constant, acadêmico de Medicina Veterinária engajado na àrea da
pesquisa com animais silvestres. Atua em conjunto ao Laboratório de Manejo de Fauna da UFAM, produzindo ciência
com foco em conservação de crocodilianos. É membro do GEAS-AM desde 2017 e membro do grupo de pesquisas
IFAUNA-AM.

Dyogines Araujo Marques​, acadêmico de Medicina Veterinária, tendo seu foco atual nos estudo de animais selvagem,
membro fundador do grupo de pesquisa ifauna.am e membro fundador do projeto eu amo os animais.

Fotografias​: Vinicius de Almeida Mesquita.


Edições​: Vinicius de Almeida Mesquita; Gilson Gonçalves Pinheiro; Wylker de Almeida Silva; Dyogines Araujo Marques.
AGRADECIMENTOS

Nesta primeira edição , eu, Vinicius de Almeida Mesquita, dedico meus agradecimentos
aos docentes e discentes do curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - campus Manaus Zona Leste, sem eles
não seria possível a realização deste atlas.
Os docentes Alexandre Navarro Alves de Souza e Eduardo Lima de Sousa que me
ajudaram na dissecação e na utilização da técnica de maceração química para
preparação das peças desse atlas, além de me orientarem e revisarem o atlas.
Aos discentes Gilson Gonçalves Pinheiro, Wylker de Almeida Silva e Dyogines Araujo
Marques que estiveram sempre presentes me ajudando com a criação deste material.
Além da colaboração de Suammy Saiury, Fotojornalista, que me auxiliou nas técnicas de
fotografias empregadas neste trabalho.
Agradeço a FAPEAM por incentivar a realização deste projeto, e ao CETAS IBAMA
Manaus por disponibilizar as peças para que este fosse executado.
DEDICATÓRIA

A primeira edição deste Atlas é dedicada a todos os profissionais da Medicina Veterinária


de animais selvagens, e aos estudantes que dedicam-se a esse vasto ramo da
veterinária.
PREFÁCIO

Está obra busca fornecer um material didático para ensino dos acadêmicos de Medicina
veterinária e biologia. No entanto, esperamos que agrade um público maior, como
pesquisadores, anatomistas comparativos, estudantes da área médica e qualquer pessoa
que busque conhecer mais sobre osteologia de primatas do novo mundo.
Tendo em vista o diversificado mundo que é a anatomia, e levando em consideração o
déficit de materiais referentes a anatomia de animais selvagens, o presente trabalho
busca fornecer novos conhecimentos a respeito dessa espécie.
As legendas das fotografias fornecem conhecimento adicional necessário para suas
interpretações.
As peças osteológicas foram preparadas através da técnica de maceração mecânica e
maceração química, utilizando peróxido de hidrogênio.
SUMÁRIO

​ ALOUATTA SENICULUS​…………………………………………...……………...1
INTRODUÇÃO​………………...…………..……….….………………………….….2

1 - ESQUELETO AXIAL​……....…………………………………....………….….…….3
1.1 Ossos cranianos​……………………………….………………………………...4
1.2 Coluna vertebral​………………………………....…...……………...………….11
Vértebras cervicais……………………………...…...……..............................13
Vértebras torácicas……………………………...……………………...……….17
Vértebras lombares…………………………………...………………...……….20
Vértebras sacrais…………………………………………………...…..………..21
Vértebras caudais………………………………………………….…………….22
1.3 Esqueleto torácico​……………………………………………….…………......30
Osso costela………..…………………………………………….………………30
Osso clavícula…….….………………………………………….……………….34

2 - MEMBROS TORÁCICOS​……………………………….…………...….…...……..35
​ 2.1 Osso escápula​…….………………………………....…………………....…....38
​2.2 Esqueleto do braço​………………………...……………...............................40
​ 2.3 Esqueleto do antebraço​……………………...……….....…………………….45
​ 2.4 Esqueleto da mão​……………………………...………...……………………..48

3 - MEMBROS PÉLVICOS​………………...……………….…………………………...51
​3.1 Cíngulo do membro pélvico​……...……………..………………………….…52
Osso ílio…...…..……………………...………………..………………………....52
Osso púbis……...…………………………...………….………………………...52
Osso Ísquio……….………………....…………………..………………………..52
Acetábulo…………………………………………………..……………………...52
Pélve…………………………………………………………………………….....52
​ 3.2 Esqueleto Femoral​………………………………………................................54
​ 3.3 Esqueleto da perna​…………………………………………………………......61
Fíbula e tíbia………………………………………………..……………………..61
​3.4 Esqueleto do pé​……………………………………..…………………………..63
Ossos do tarso………………………………………..…………………………..63
Osso tálus……..…....……………………………..…………...………………....63
Osso calcâneo……....………………………….....…………...………………...63
Ossos do metatarso e esqueleto dos dedos…....…………………....……….63
​REFERÊNCIAS​………………………………………………….…………………...66
Alouatta seniculus
O bugio vermelho ou macaco Guariba (​Alouatta seniculus), como é comumente
conhecido na Amazônia, é um dos maiores primatas do novo mundo, com ampla
distribuição pela Amazônia, o gênero em questão tem diversas espécies por toda a
América do Sul. O ​A. seniculus é bastante conhecido devido ao seu tamanho e sons
emitidos por conta da hipertrofia do osso hióide, criando uma câmara de ressonância, o
som é tão alto que pode ser ouvido a distâncias consideráveis em meio a floresta
Amazônia. É um herbívoro com hábitos alimentares generalista, possui características
grupais incríveis, os bandos costumam frequentar sempre os mesmos locais, e
facilmente são identificados devido ao som que produzem tanto durante o dia quanto a
noite.

Foto: Klaus Radloff, Berlim

1
INTRODUÇÃO

Esta obra foi produzida para compensar o déficit que se tem em materiais que retratam a
osteologia de animais silvestres, o que prejudica o aprendizado de estudantes que se
interessam pela área.
Esperamos que o atlas fotográfico possa ajudar estudantes que, por algum motivo, não
tiveram acesso a tal material durante sua formação. Por outro lado, aos que tiveram
acesso, confirmar e aumentar seus estudos pessoais de osteologia. Entretanto, durante a
aplicação da técnica de maceração química e mecânica, acabaram perdendo-se algumas
estruturas importantes, como esterno, patela e o osso hióide.
O presente trabalho foi dividido em três capítulos das regiões do sistema ósseo, no
primeiro capítulo aborda-se o estudos direcionados ao esqueleto axial que abrange o
esqueleto da cabeça, coluna vertebral e esqueleto torácico.
O segundo capítulo refere-se ao membro torácico ao qual encontra-se o braço, antebraço
e ossos da mão.
E o último capítulo direciona-se ao membro pélvico com cíngulo do membro pélvico,
esqueleto femoral, ossos da perna e ossos do pé.

2
1 - ESQUELETO AXIAL

OSSOS CRANIANOS - COLUNA VERTEBRAL - ESQUELETO TORÁCICO

3
1.1 OSSOS CRANIANOS

Esqueleto da cabeça
O crânio é formando por uma junção de diversos ossos menores que se unem firmemente por suturas,
com exceção da mandíbula que faz a articulação sinovial e aparelho hióide por sincondroses. O crânio é
responsável pela proteção do encéfalo, dos órgãos sensoriais, do trato respiratório e alimentar superior
(Figuras 1-1 a 1-7).

Ossos da face: ​Osso nasal - Osso lacrimal - Osso zigomático - Osso maxilar - Osso incisivo - Osso
palatino - Vômer - Osso pterigóide - Mandíbula - Osso hióide​.

Os ossos da face formam a parede rostral e uma parte ventral forma o teto da cavidade oral.

Figura 1-1 : ​Ossos cranianos (aspecto rostral).

4
Osso nasal
Responsável por formar o teto da cavidade nasal (Figuras 1-1, 1-2 e 1-5).

Osso lacrimal
Localiza-se um pouco medial ao olho e articula-se com o osso zigomático, frontal e maxilar (Figuras 1-1,
1-2 e 1-5).

Osso zigomático
Localizado ventrolateral ao osso lacrimal, o osso zigomático é responsável por formar o arco zigomático
em conjunto ao osso temporal (Figuras 1-1, 1-2, 1-5, e 1-6 ).
Osso maxilar
O maxilar está localizado lateralmente e é responsável por formar a parede lateral da face e a parede da
cavidade nasal, oral e do palato duro, sendo o maior osso da face (Figuras 1-1, 1-2 e 1-5).

Figura 1-2 : ​Ossos cranianos (aspecto lateral).

5
Osso incisivo
Seu corpo prolonga-se rostralmente formando os alvéolos dentais para os 2 dentes incisivos de cada
lado, o que o diferencia da dentição dos carnívoros que possuem 3 dentes incisivos de cada lado
(Figuras 1-1 e 1-6).

Osso palatino
Os dois ossos estão situados caudal a maxila e rostral ao esfenóide e pterigóide, formando parte de
uma lâmina plana denominada de palato duro (Figuras 1-6).

Osso mandíbula
A mandíbula é um osso par, sendo dividida em corpo e ramo da mandíbula. A parte rostral do corpo da
mandíbula encontram-se os 2 dentes incisivos em cada lado, enquanto que na parte caudal do corpo
estão os 3 dentes molares, disposto também nos dois lado da mandíbula. O ramo da mandíbula é uma
extensão que prolonga-se do corpo da mandíbula e segue em direção ao arco zigomático, no aspecto
lateral é possível visualizar a fossa massetérica, local de fixação do músculo masseter. A extremidade
do ramo da mandibular encontra-se o processo condilar e a cabeça da mandíbula que irão articula-se
com o osso temporal ( Figuras 1-1, 1-2, 1-3, 1-4 e 1-7).

Figura 1-3: Osso ​mandíbula (aspecto lateral).

6
Figura 1-4 : ​Osso mandíbula (aspecto dorsal).

7
Região neural:

Osso Frontal
Os ossos frontais, ossos pares, localizam-se entre o crânio e a face e são unidos pela sutura interfrontal.
O osso frontal é dividido nos segmentos: parte frontal, parte orbital, face temporal e parte nasal.
A parte frontal do osso zigomático prolonga-se lateralmente formando o ​processo zigomático​. Por
outro lado, a parte nasal é um prolongamento rostral do osso frontal, lateral a ele encontra-se o osso
lacrimal e rostralmente encontra-se o osso nasal. A sua parte orbital encontra-se na parte medial da
cavidade orbital (Figuras: 1-1, 1-2 e 1-5).

Osso parietal
Localiza-se dorsolateralmente, caudal ao osso frontal. Possui um plano parietal, que forma a parede
dorsal e um plano temporal que forma a parede lateral do crânio (Figura 1-1, 1-2, 1-5 e 1-7).

Figura 1-5 : ​Ossos cranianos (aspecto dorsal).

8
Osso etmoide
Localiza-se na base da parede orbital e contribui para a formação da parede e face cranial. O ​osso
etmóide​ possui um conjunto de lâminas que formam um labirinto etmoidal denominado de
etmoturbinados​, e uma de suas funções é aquecer o ar durante a respiração( Figura 1-1).

Osso temporal
Subdivido em uma ​parte escamosa que pode ser bem visualizada no aspecto lateral e uma ​parte
petrosa e ​timpânica que podem ser mais visualizadas no aspecto ventral. A parte escamosa se une
aos ossos frontal, parietal e esfenóide. Rostralmente a partes escamosa do osso temporal, surge um
processo denominado de ​processo zigomático do osso frontal ​que prolonga-se no sentido
latero-rostral até o processo temporal do osso zigomático, formando um arco denominado de arco
zigomático. No aspecto ventral do osso temporal, encontra-se a fossa mandibular ao qual articula-se
com a mandíbula, essa fossa é delimitada caudalmente pelo processo retroarticular.
O segmento caudal, parte petrosa do osso temporal, projeta-se caudalmente formando o processo
mastóideo (Figura 1-2 ,1-5 e 1-6).

Figura 1-6:​ Ossos cranianos (aspecto ventral).

9
Osso occipital
O osso occipital é dividido em corpo basal, parte escamosa e partes laterais, esse conjunto de ossos
irão circundar o forame magno ao qual liga-se a primeira vértebra cervical.
Corpo basal encontra-se rostral ao forame magno, nas duas laterais do corpo basal encontram-se os
forames jugulares adjacentes a bula timpânica. Dorsal as partes laterais encontra-se a parte escamosa
que completa, dorsalmente, o forame magno.
Dorsalmente, delimitando a parte escamosa do osso occipital com o osso parietal, encontra-se a crista
nucal, utilizada como ponto de referência em conjunto com o atlas para coleta de líquido
cefalorraquidiano.
O forame magno é completado lateralmente pelas partes laterais do osso occipital, nas partes laterais
encontram-se os côndilos occipitais que articulam-se com o atlas através da articulação atlanto-occipital.
Lateralmente aos côndilos encontra-se o processo paracondilar que é pouco desenvolvido nesta
espécie.
No aspecto ventral do crânio é possível visualizar o osso esfenóide e alguns processos importantes
como o pterigóide, rostral ao basisfenóide, e projetando-se ventrorrostralmente formando as
delimitações da coana (Figuras: 1-2, 1-5, 1-6 e 1-7).

Figura 1-7: ​Ossos cranianos (aspecto caudal).

10
1.2 COLUNA VERTEBRAL

Divididas em vértebras cervicais, torácicas, lombares, sacrais e caudais, a coluna vertebral recobre a
medula espinhal, meninges e nervos espinhais através do forame central das vértebras, formando o
canal vertebral, que estende-se desde o forame magno do crânio até a 6º vértebra caudal neste
espécime. A coluna vertebral possui função de sustentação do corpo, além de ser uma ponte de
conexão entre o membro pélvico e torácico (Figuras: 1-8 a 1-31).
Todas as vértebras são compostas por ​corpo, arco e processos ​(Figuras: 1-8 a 1-31).
Corpo​: Parte ventral da vértebra localizado na base dos processos e arco, e possui uma extremidade
cranial e uma caudal (Figuras: 1-18).
Arco​: Forma-se na face cranial da vértebra, dorsal ao corpo, sendo a face cranial do forame vertebral,
os forames comunicam-se através das vértebras adjacentes formando o canal vertebral ( Figuras: 1-12,
1-14, 1-15). O espaço entre as vértebras é reduzido, mas existem três vértebras que possuem um
espaço interarco que tem grande importância clínica como a administração de fármacos ou obtenção de
líquido cefalorraquidiano devido a seu espaço aumentado.
Esses três espaços são: ​espaço atlanto-occipital, espaço atlantoaxial e espaço lombossacral​.

Figura 1-8: ​ Coluna vertebral (aspecto lateral).

11
Os processos que compõem as vértebras são:
Processo espinhoso:​ localizado na linha mediodorsal ( Figura: 1-8 a 1-24).
Processo transverso​: localizado um em cada lateral, emergindo a partir do arco vertebral (1-8 a 1-30).
Processos articulares​: localizado dois cranialmente e dois caudalmente, sempre na base do processo
espinhoso a exceção do áxis que é no corpo vertebral ( Figura: 1-13 a 1-18)
Processos papilares/mamilar: São dois processos, localizados cranialmente entre o processo
transverso das vértebras torácicas e lombares, através de processos articulares eles se unem para
formar os processos mamiloarticulares. ( Figura: 1-18).
Processo acessório:​ entre o processo transverso e articular caudal das últimas vértebras torácicas.

Figura 1-9: ​ Coluna vertebral (aspecto dorsal).

12
Vértebras cervicais
As primeiras duas vértebras cervicais possuem extrema modificação para permitir uma melhor
movimentação da cabeça, são elas o atlas e áxis (Figuras: 1-10 a 1-14).
O atlas possui um processo transverso bem desenvolvido, que é denominado de asa do atlas. O atlas
também possui o forame transverso, que é ausente em outras espécies de animais, como os bovinos.
Cranialmente o atlas articula-se com os côndilos do occipital e caudalmente, projeta uma fóvea do
dente, ao qual articula-se com o dente do áxis além de articular-se com os processos transversos do
áxis (Figuras: 1-10 a 1-13)

Figura 1-10: ​Vértebras cervicais (aspecto dorsal).

13
O áxis, localizado caudal ao atlas, possui um processo espinhoso bem desenvolvido e projeta um dente
(Figura: 1-13) que articula-se com a primeira vértebra. Essa articulação permite que a cabeça e o atlas
girem ao mesmo tempo (Figuras: 1-10 e 1-11).
No sentido caudal após o áxis, observa-se nas vértebras cervicais, um processo espinhoso menor, mas
que possui aumento do seu comprimento gradativamente (Figuras: 1-10 e 1-11) .

Figura 1-11: ​Vértebras cervicais (aspecto lateral).

14
Figura 1-12: ​ Primera vértebra cervical, atlas (aspecto caudal).

Figura 1-13: ​ Segunda vértebra cervical, axis (aspecto lateral)

15
A sétima vértebra cervical possui, na parte caudal do seu corpo, fóvea articulares que articulam com a
cabeça da primeira costela (Figuras: 1-10,1-11 e 1-14).

Figura 1-14: ​Sétima vértebra cervical (aspecto cranial)

16
Vértebras torácicas
A quantidade de vértebras torácicas é proporcional a quantidade de costelas, as quais articulam-se com
estas através das fóveas costais (Figura: 1-15 a 1-18).
As fóveas costais localizam-se no aspecto cranial na base do processo espinhoso e no aspecto caudal
da base do processo espinhoso, sendo denominadas de fóveas costais craniais e caudais,
respectivamente (Figura: 1-17).

Figura 1-15: ​Segunda vértebra torácica ( aspecto dorsocranial).

17
Figura 1-16: ​Segunda vértebra torácica ( aspecto caudal).

Figura 1-17: ​Nona vértebra torácica (aspecto lateral).

18
O processo espinhoso possui diminuição gradativa no sentido crânio-caudal, sendo que as primeiras
vértebras torácicas possuem inclinação, no processo espinhoso, no sentido caudal (Figura: 1-8) e as
últimas vértebras torácicas possuem inclinação, do processo espinhoso, no sentido cranial, assim como
nas vértebras lombares (1-18 a 1-19).

Figura 1-18:​ Décima segunda vértebra torácica (aspecto lateral).

19
Vértebras lombares
As vértebras lombares possuem um corpo mais desenvolvido, um processo espinhoso mais curto,
voltados no sentido mais cranial, e inexistência de fóveas costais. Uma das características principais das
vértebras lombares são os prolongamentos dos processos transversos, que podem ser denominados de
processos costais (Figura: 1-19).

Figura 1-19: ​Terceira vértebra lombar (aspecto lateral).

20
Vértebras sacrais - sacro
As vértebras sacrais possuem uma grande união ossificada, que dá origem a um osso único
denominado de sacro, que possui baixa flexibilidade na coluna vertebral, o que desencadeia em um
aumento de eficácia na locomoção do membro pélvico ( Figuras: 1-20 e 1-21).

Figura 1-20: ​Osso sacro ( aspecto cranial).

Figura 1-21:​ Osso sacro (aspecto caudal).

21
Vértebras caudais
Uma das características principais nas vértebras caudais é a sua estrutura que diminui
progressivamente da primeira à última vértebra caudal, perdendo estruturas básicas que compõem uma
vértebra, como os processos e arco, até se tornarem pequenos bastões ósseos (Figuras: 1-22 a 1-31)

Figura 1-22: ​Três primeiras vértebras caudais (aspecto lateral).

22
Figura 1-23: ​Três primeiras vértebras caudais (aspecto cranial).

Figura 1-24: ​Três primeiras vértebras caudais (aspecto caudal).

23
Figura 1-25: ​Terceira vértebra caudal (aspecto lateral).

24
Figura 1-26: ​Terceira vértebra caudal (aspecto cranial).

25
Figura 1-27: ​Terceira vértebra caudal (aspecto caudal).

26
Figura 1-28: ​Nona vértebra caudal (aspecto dorsal).

Figura 1-29 ​Décima quarta e décima quinta vértebras caudais (aspecto ventral).

27
Como característica da espécie, o ​A. seniculus ​também possui uma cauda bastante funcional,
servindo como quinto membro, colaborando em sua locomoção.

Figura 1-30: ​Grupo de vértebras caudais (aspecto dorsal).

28
Figura 1-31: ​Grupo de vértebras caudais (aspecto dorsal).

29
1.3 ESQUELETO TORÁCICO

Composto pelas: vértebras torácicas, costelas, esterno e clavícula.

Osso costela
Essa espécie de primata possui 14 pares de costelas, ​sendo essas responsáveis por formar a parede
torácica lateral, possuindo pares a cada lado (Figuras: 6-1 a 6-4). Em seu aspecto ventral, sua parte
cartilaginosa une-se ao esterno através da articulação costocondral.
Em sua parte dorsal, as costelas articulam-se com as vértebras torácicas. Em sua extremidade proximal
encontra-se a cabeça que articula com as vértebras adjacentes e o tubérculo costal que articula com o
processo transverso da mesma vértebra ( Figuras: 6-1 a 6-4).
O corpo da costela possui uma angulação denominada de ângulo costal (Figuras: 6-1 a 6-4). Na
margem caudal das costelas passam os vasos intercostais e nervos espinhais.

Figura 1-32:​ Primeira costela (aspecto caudal)

30
Figura 1-33:​ Segunda costela (aspecto caudal).

31
Figura 1-34:​ Quinta costela ( aspecto caudal).

32
Figura 1-35: ​Décima quarta costela (aspecto caudal)​.

33
Osso clavícula
A clavícula possui amplo desenvolvimento, como nos seres humanos, tendo 5cm neste espécime, o que
diferencia esta da clavícula dos mamíferos domésticos como o gato que possui uma clavícula em torno
de 2 a 5 cm de comprimentos, e o cão com uma clavícula de 1cm ao qual não possui conexão com o
esqueleto.

Figura 1-36: Osso ​clavícula (aspecto caudal).

Figura 1-37: ​Osso clavícula (aspecto cranial).

34
2 - MEMBRO TORÁCICO

ESCÁPULA - ÚMERO - RÁDIO - ULNA - OSSOS DA MÃO

35
O membro torácico, assim como o pélvico, do bugio-ruivo (​Alouatta seniculus​) é longo e bem articulado,
além disso possui dígitos bastantes estendidos, tal fato se dá pela peculiaridade da espécie em
sobrevivência na copa das árvores, sendo necessários para uma boa locomoção e apreensão nos
galhos. A estrutura óssea do membro torácico possui uma escápula com clavícula bastante desenvolvida,
úmero, rádio, ulna, carpos, metacarpos e falanges.

Figura 2-1: Ossos do​ membro torácico direito (aspecto lateral).

36
Figura 2-2: ​Ossos do membro torácico esquerdo (aspecto medial).

37
2.1 OSSO ESCÁPULA

A escápula é um osso plano de formato triangular, com irregularidades, possuindo duas extremidades
bem demarcadas, sendo sua parte proximal composta de uma superfície larga, com uma borda dorsal.
Em seu centro, no aspecto lateral, encontra-se a ​espinha da escápula que se prolonga, aumentando
de altura gradualmente, desde sua parte proximal até sua parte distal, mais delgada, formando uma
saliência, bem desenvolvida nessa espécie, denominada de ​acrômio ​que articula com a clavícula
(Figuras: 2-1 a 2-4).

Figura 2-3: ​Osso escápula, direita (aspecto lateral).

38
Distalmente, no ângulo ventral, encontra-se a cavidade glenóide que em conjunto com o ​processo
coracóide​ articula-se com a parte proximal do úmero (Figuras: 2-1 a 2-4).
O ​processo coracóide​, fundindo ao lado medial, é bem desenvolvido, o que o diferencia dos mamíferos
domésticos onde neles é reduzido (Figuras: 2-1 a 2-4).
Medialmente também encontra-se a fossa subescapular ao qual se liga a parte cranial da parede
torácica (Figuras: 2-2 e 2-4).

Figura 2-4: ​Osso escápula, esquerda (aspecto medial).

39
2.2 ESQUELETO DO BRAÇO

Osso úmero
O osso úmero é responsável pela função fundamental de movimentação do membro torácico. Possui um
formato característico ao qual fixam-se músculos fortes e tendões.
Em sua extremidade proximal, na parte caudal, encontra-se a cabeça do úmero que articula com a
cavidade glenóide​ da escápula (Figuras: 2-1, 2-2, 2-5, 2-6, 2-7).

Figura 2-5: ​Osso úmero (aspecto cranial).

40
No aspecto craniolateral da extremidade proximal, encontra-se o ​tubérculo maior e no aspecto
craniomedial o ​tubérculo menor sendo ambos separados pelo sulco bicipital. Os tubérculos sustentam
e fortalecem a articulação escápulo umeral (Figuras: 2-5 a 2-7).
A tuberosidade deltóide localiza-se bem cranialmente no corpo do úmero e prolonga-se distalmente
formando a crista do úmero.

Figura 2-6: ​Osso Úmero, epífise proximal (aspecto cranial).

41
Figura 2-7: ​Osso úmero, epífise proximal (aspecto caudal).

42
Distalmente localiza-se o ​côndilo do úmero ao qual articula-se com os ossos do antebraço. No aspecto
lateral do côndilo, encontra-se o ​epicôndilo lateral, e no aspecto medial encontra-se o ​epicôndilo
medial​, mais desenvolvido que o epicôndilo lateral, sendo que ambos são protuberâncias que iniciam a
musculatura da parte distal do membro torácico e fixação dos ligamentos colaterais que formam a
articulação do cotovelo (Figuras: 2-1, 2-2, 2-5, 2-8, 2-9, 2-10, 2-11).

Figura 2-8: ​Osso úmero, epífise distal (aspecto cranial).

43
Na parte caudal, da extremidade distal do úmero, encontra-se a ​fossa do olécrano​, que separa
caudalmente os dois côndilos (Figuras: 2-9 e 2-11).
No aspecto cranial, da extremidade distal do úmero, encontra-se acima do côndilo, a fossa radial, ao
qual não ocorre comunicação com a fossa do olécrano, como é relatado em cães domésticos (Figuras:
2-1, 2-5, 2-8, 2-10).

Figura 2-9: ​Osso úmero​,​ epífise distal (aspecto caudal).

44
2.3 ESQUELETO DO ANTEBRAÇO

O antebraço é formado por dois ossos, ​rádio ​e ​ulna​. A ulna localiza-se caudal ao rádio em quase toda
sua extensão, pois em sua parte distal ela toma um aspecto lateral ( Figuras: 2-1, 2-2, 2-10, 2-11, 2-12,
2-13, 2-14).

Figura 2-10: Ossos da ​articulação úmero-rádio-ulnar (aspecto lateral).

45
Osso rádio
Na região proximal do antebraço o rádio insere-se na ​incisura radial da ulna​, localizando cranialmente,
e em sua extremidade distal toma um aspecto medial.
O rádio possui em sua extremidade proximal, a ​cabeça do rádio​, ao qual prolonga-se formando a ​fóvea
articular do rádio ​que em conjunto com a ​incisura troclear ​formam um espaço ao qual irá se inserir o
côndilo do úmero​ formando a articulação do cotovelo (Figura: 2-1, 2-2, 2-10, 2-11, 2-12).
O ​corpo do rádio ​é ligeiramente curvado em seu comprimento tendo sua face cranial e caudal lisa.
Na extremidade distal do rádio encontra-se a ​tróclea do rádio ​ao qual forma uma face articular em
direção ao carpo e medialmente ocorre um prolongamento denominado de processo ​estilóide do rádio
(Figuras: 2-1, 2-2, 2-12, 2-13, 2-14).

Figura 2-11: ​Ossos da articulação úmero-rádio-ulnar (aspecto medial).

46
Osso ulna
A ulna é basicamente dividida em ​olécrano ​(parte proximal), ​corpo da ulna e em sua extremidade distal
encontra-se a ​cabeça da ulna​ (Figuras: 2-1, 2-2, 2-10, 2-11, 2-12, 2-13, 2-14).
O olécrano, em conjunto com sua tuberosidade, são um prolongamento da ulna que ultrapassam a
extremidade distal do úmero (Figuras: 2-1, 2-2, 2-10, 2-11, 2-12).
A articulação com a tróclea do úmero ocorre na ​incisura troclear​, localizada na base o olécrano,
acima encontra-se o ​processo ancôneo ​que se encaixa na ​fossa do olécrano ​( Figura: 2-2, 2-10, 2-11,
2-12).
Divididos pela incisura radial​, que articula com circunferência articular ​do rádio​, encontram-se os
processos coronóides lateral e medial ​(Figuras: 2-10, 2-11, 2-12).
O ​corpo da ulna segue caudal ao rádio e entre o corpo da ulna e do rádio forma-se um espaço
denominado de ​espaço interósseo ​( Figura: 2-10).
Em sua extremidade distal, a ulna torna-se mais lateral através de sua proeminência denominada de
processo​ estilóide lateral ​(Figuras: 2-1 e 2-12).

Figura 2-12:​ Ossos rádio e ulna (aspecto lateral).

47
2.4 ESQUELETO DA MÃO

O esqueleto da mão é composto de três segmentos: os ossos carpais, ossos metacarpais e as falanges.
Assim como nos seres humanos e carnívoros, esta espécie possui padrão original das cincos radiações
(Figuras: 2-13 a 2-15).

Ossos do carpo
São oito os ossos do carpo, divididos em uma fileira proximal e uma distal, cada uma contendo 4 ossos.
A fileira proximal articula-se com com o rádio e ulna formando a articulação antebraquiocarpal (Figuras:
2-13 e 2-14).
A fileira distal articula-se com os ossos metacarpais para formar a articulação carpometacarpal.
A forma original, com oito ossos carpais, é mantida, assim como nos seres humanos e suínos.

Figura 2-13: ​Ossos da mão ( aspecto dorsal).

48
Ossos metacarpais
São cinco os ossos metacarpais, sendo todos ossos longos que seguem uma sequência de I a V no
sentido mediolateral. Todos são divididos em três componentes: sendo a extremidade proximal, que
articula com a fileira distal dos ossos carpais, possui um corpo longo e em sua extremidade distal
encontra-se a cabeça que articula com a base da falange proximal (Figuras: 2-13 a 2-15).

Figura 2-14: ​Ossos da mão (aspecto palmar).

49
Ossos digitais
São cinco radiações que formam as falanges dessa espécie, sendo numeradas no sentido mediolateral
da I a V falange, e quando comparado com outras espécies nota-se uma diferença numérica com os
ruminantes que possuem apenas duas radiações funcionais ou apenas uma, como nos caso equinos
(Figuras: 2-13 a 2-15).
As falanges são divididas em proximal, média e distal. A falange proximal possui, em sua extremidade
proximal, uma base que articula com a cabeça do metacarpo, prolonga-se em um corpo e uma
extremidade distal encontram-se a cabeça da falange que articula-se com a falange média.
A falange média possui formato similar a falange proximal e a falange distal é mais curta e modifica-se
para adequar-se as unhas (Figuras: 2-13 a 2-15).

Figura 2-15: ​Ossos metacarpo e falanges (aspecto dorsal).

50
3 - MEMBRO PÉLVICO

CÍNGULO DO MEMBRO PÉLVICO - ESQUELETO FEMORAL


ESQUELETO DA PERNA - ESQUELETO DO PÉ

51
3.1 CÍNGULO DO MEMBRO PÉLVICO

O encontro entre os dois ossos coxais com o sacro, aderindo-se a sínfise pélvica, formam o cíngulo
pélvico. Dentre a funções da pelve, estão a capacidade de locomover-se, a postura do animal, além de
proteger as vísceras da região inguinal (Figuras: 3-1 a 3-2).

Osso ílio
O ílio se estende no sentido dorsocranial desde o acetábulo, que é constituído por uma parte do corpo
do ílio, até a sínfise pélvica. No aspecto lateral do osso coxal, é encontrado a tuberosidade coxal, sendo
um importante ponto de referência em todos os mamíferos domésticos (Figuras: 3-1 a 3-2).

Osso púbis
O púbis possui formato de “L” que forma o ramo cranial e o ramo caudal do púbis, concentrando uma
maior parte do forame obturado, e cada um dos seus lados se une através da sínfise púbica (Figuras:
3-1 a 3-2).

Figura 3-1:​ Vértebras lombares, ossos coxais, vértebras sacrais, e caudais (aspecto dorsal).

52
Osso ísquio
O ísquio é dividido em corpo, tábua e ramo do ísquio. O ramo do ísquio se divide em um caminho lateral,
que continua como corpo do ísquio, formando uma parte do acetábulo e outro medial que forma a parte
caudal da sínfise pélvica (Figuras: 3-1 a 3-2).

Acetábulo
O acetábulo é uma cavidade formada pelo corpo do ílio, corpo do ísquio e corpo do púbis, ao qual
articula-se com o fêmur formando a articulação coxofemoral (Figuras: 3-1 a 3-2).

Figura 3-2:​ Ossos coxais e sacro (aspecto ventral).

53
3.2 ESQUELETO FEMORAL

Os membros pélvicos possuem características que facilitam a locomoção e estabilidade da espécie


pelas árvores. Sua estrutura óssea é composta pelo fêmur, tíbia, fíbula, tarso, metatarso e
falanges.

Figura 3-3:​ Ossos do membro pélvico direito (aspecto lateral).

54
Figura 3-4: Ossos do m​embro pélvico esquerdo (aspecto medial).

55
Osso fêmur
O fêmur é o osso longo mais forte, essencial na postura e locomoção do animal, sendo dividido em
cabeça, em sua extremidade proximal, corpo e os côndilos laterais e mediais, em sua extremidade distal
(Figuras: 3-3 a 3-9).
A cabeça do fêmur possui um formato arredondado que articula com o acetábulo. A cabeça separa-se
do corpo através do colo. Lateralmente a cabeça do fêmur encontra-se o trocanter maior, responsável
pela fixação dos músculos glúteos e sendo uma alavanca para os músculos extensores da articulação
coxofemoral (Figuras: 3-4 a 3-9).
Entre o colo e o trocanter maior, encontra-se a fossa trocantérica na vista caudal (Figura: 3-6).
Medialmente encontra-se um processo menor, denominado de trocanter menor. Em sua extremidade
distal encontra-se, cranialmente, uma tróclea e caudalmente os côndilos lateral e medial, divididos pela
fossa intercondilar, a tróclea é dividida por um sulco, que dá origem a duas cristas trocleares.

Patela​:
Pequeno osso sesamóide encontrado, cranialmente, na extremidade distal do fêmur, e possui a função
de articula-se, no sentido caudal, formando a articulação femoropatelar.

Figura 3-5: ​Extremidade proximal do osso​ ​fêmur direito (aspecto cranial).

56
Figura 3-6: ​Extremidade proximal do osso​ ​fêmur direito (aspecto caudal).

57
Figura 3-7: ​Osso fêmur direito (aspecto cranial).

58
Figura 3-8: ​Osso fêmur direito (aspecto caudal).

59
Figura 3-9: ​Osso fêmur direito (aspecto lateral).

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3.3 ESQUELETO DA PERNA

Osso tíbia
Parte proximal articula-se com os côndilos femorais, com a interposição de meniscos e unida a patela
pelo ligamento patelar, formando a articulação femorotibiopatelar, conhecida como joelho.
Considerando a articulação composta supracitada, a tíbia diferentemente da fíbula, articula com o fêmur
e por conta disso, ela sustenta o corpo do animal, refletido em seu maior desenvolvimento em relação a
fíbula (Figuras: 3-3, 3-4, 3-10 e 3-11).

Figura 3-10: ​Ossos fíbula e tíbia direita (aspecto cranial).

61
Osso fíbula
Encontra-se mais lateral, não articula com o fêmur, somente com tíbia. É dividida em cabeça, na
extremidade proximal, e continua, no sentido distal, com o corpo e maléolo lateral, respectivamente.
Entre a fíbula e tíbia encontra-se um espaço denominado de espaço interósseo, que se estende por
todo comprimento da perna, diferente dos que ocorre em bovinos e equinos (Figuras: 3-3, 3-10 e 3-11).

Figura 3-11: ​Ossos fíbula e tíbia direita (aspecto caudal).

62
3.4 ESQUELETO DO PÉ
Ossos do tarso
Os ossos do tarso são dispostos em três fileiras, uma proximal, uma média e uma distal.
Na fileira proximal, os ossos articulam-se com a tíbia, formando a articulação tarsocrural. Já na fileira
distal articulam-se com os metatarsos, formando a articulação tarsometatarsal.
A fileira proximal é composta pelos ossos: tálus e calcâneo, a média pelo osso navicular, e a distal pelos
ossos cuneiformes medial, intermédio, lateral e cubóide, respectivamente, no sentido mediolateral
(Figuras: 3-12 a 3-13).

Figura 3-12:​ Ossos do pé (aspecto dorsal).

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O tálus, sendo mais medial, possui uma tróclea que articula com a parte distal da tíbia, e sua parte
lateral articula-se com a parte distal da fíbula, no aspecto lateral, e com o maléolo medial, no aspecto
medial.
A parte distal do tálus articula-se com o osso cuneiforme/osso central do tarso. No aspecto plantar e
lateral o tálus articula-se com o calcâneo (Figuras: 3-12 a 3-13).
O calcâneo, mais lateral, articula-se medialmente e dorsalmente com o tálus e sua extremidade distal
articula-se com o osso cubóide. Possui a tuberosidade do calcâneo que o projeta para além do tálus.
Os ossos os do metatarso possuem grande semelhanças com os ossos do metacarpo no membro
torácico, possuindo uma variação de tamanho, sendo os ossos do tarso maiores que os do metacarpo
(Figuras: 3-12 a 3-13).

Figura 3-13:​ Ossos do pé (aspecto plantar).

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Referências:
CASTELEYN, Christophe et al. Anatomical description and morphometry of the skeleton
of the common marmoset (Callithrix jacchus). Laboratory animals, v. 46, n. 2, p. 152-163,
2012.

DIOGO, Rui et al. (Ed.). ​Photographic and descriptive musculoskeletal atlas of gorilla:
with notes on the attachments, variations, innervation, synonymy and weight of the
muscles​. CRC Press, 2010.

KÖNIG, H. E.; LIEBICH, H. G. Anatomia dos animais domésticos. Texto e atlas colorido.
4a ed, Porto Alegre: Artmed, 2011.

PUTZ, R.; PABST, R. Sobotta, Atlas de Anatomia Humana. Vol. 1 e 2. 22 ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

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Está obra busca fornecer um material didático para ensino dos acadêmicos de
Medicina veterinária e biologia. No entanto, esperamos que agrade um público
maior, como pesquisadores, anatomistas comparativos, estudantes da área
médica e qualquer pessoa que busque conhecer mais sobre osteologia de
primatas do novo mundo.
Tendo em vista o diversificado mundo que é a anatomia, e levando em
consideração o déficit de materiais referentes a anatomia de animais selvagens, o
presente trabalho busca fornecer novos conhecimentos a respeito dessa espécie.
Esperamos que o atlas fotográfico possa ajudar estudantes que, por algum
motivo, não tiveram acesso a tal material durante sua formação. Por outro lado,
aos que tiveram acesso, confirmar e aumentar seus estudos pessoais de
osteologia.