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ESCOLA SUPERIOR MADRE CELESTE - ESMAC

PÓS-GRADUAÇÃO MBA EM EDUCAÇÃO COM ÊNFASE EM PSICOPEDAGOGIA

GLÁUCIA ADRIANA DE SOUZA E SOUZA

INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS COM CRIANÇAS DISLÉXICAS

Ananindeua
2019

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GLÁUCIA ADRIANA DE SOUZA E SOUZA

INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS COM CRIANÇAS DISLÉXICAS

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito final para
obtenção de nota de pós-graduação Estrito
Sensu MBA em Educação com Ênfase em
Psicopedagogia da Escola Superior Madre
Celeste (ESMAC). Orientado pela Docente:
M.Sc. Sônia Regina Ferreira Garcia.

Ananindeua
2019

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INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS COM CRIANÇAS DISLÉXICAS

GLÁUCIA ADRIANA DE SOUZA E SOUZA

Aprovado em: ------------- / -------------- / 2019

Nota: _______ (_________________)

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________
Docente orientador: M.Sc. Sônia Garcia
Escola Superior Madre Celeste - ESMAC

_________________________________________
Docente avaliador interno:
Escola Superior Madre Celeste - ESMAC

_________________________________________
Docente avaliador externo:
Nome por extenso da instituição - SIGLA

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DEDICATÓRIA

Dedico ao José Artur,


ao Artur Costa, ao Ramon Cirino,
ao Dominique Vilas Boas
e ao Antônio Henrique

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AGRADECIMENTOS

A Oxalá que ilumina meus caminhos.


Aos que me ensinaram a ser resiliente.
A minha mãe Heliana que sempre incentiva aos estudos.
A paciência do menino Antônio pelo seu esforço em respeitar meus momentos de estudo.
A Regiane Teixeira [et al] por me ajudar nas revisões dos textos.

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“Enquanto ensino continuo buscando,
reprocurando. Ensino porque busco,
porque indaguei, porque indago e me
indago. ”

(Paulo Freire)

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RESUMO

O presente trabalho abordará as diferentes ferramentas psicopedagógicas que podem ajudar


um aluno com dislexia na escola, a compreender o mundo disléxico, e quais as melhores
estratégias de ensino para as aulas das crianças com essa dificuldade de aprendizagem. Este
trabalho teve por objetivo analisar as ferramentas pedagógicas que orientam o trabalho do
docente que atende crianças com dificuldades especificas de aprendizagem, neste caso a
dislexia. A pesquisa foi desenvolvida em uma escola da rede particular utilizando a
metodologia de estudo de caso e questionários. Atendendo aos objetivos da investigação os
docentes revelam algum conhecimento de como intervir, quando detectam algumas
características associadas a esta problemática nas crianças.

PALAVRAS – CHAVE: Dislexia; Estratégias; Intervenções.

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ABSTRACT
The present work will address the different psychopedagogical tools that can help a student
with dyslexia in school, to understand the dyslexic world, and what are the best teaching
strategies for the classes of children with this learning disability. The objective of this study
was to analyze the pedagogical tools that guide the work of the teacher that attends children
with specific learning difficulties, in this case dyslexia. The research was developed in a
private network school using the methodology of case study and questionnaires. Given the
objectives of the research, teachers show some knowledge of how to intervene, when they
detect some characteristics associated with this problem in children.

KEY WORDS: Dyslexia; Strategies; Interventions.

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – Questionário aplicado aos professores.


FIGURA 2 – Sala de aula de Matemática.
FIGURA 3 – Aluno utilizando material Montessoriano.
FIGURA 4 E 5 – Atividades realizadas com estratégias metodológicas.
FIGURA 6 – Material Montessoriano.
FIGURA 7 – Jogos para desenvolver o raciocínio lógico.

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LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - Na (s) sua (s) turma (s) tem algum (a) aluno (a) com dificuldades de
aprendizagem

TABELA 2 - Quais as causas que justificam o distúrbio da leitura e escrita

TABELA 3 - Como nomeia esse problema


TABELA 4 - Como é feita a intervenção pedagógica no cotidiano escolar desses alunos com
aparente distúrbios de aprendizagem
TABELA 5 - Quais são as suas atitudes frente a uma criança com distúrbio da leitura e escrita
TABELA 6 - Quando suspeita ou detecta um problema, a quem (profissional) encaminha a
criança
TABELA 7 - Intervenção especializada é indispensável para a recuperação das dificuldades
de aprendizagem
TABELA 8 - A sua escola possui recursos humanos e materiais adequados a estes alunos

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SUMÁRIO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS .............................................................................................12


REVISÃO DA LITERATURA .............................................................................................14
CAPÍTULO I - FERRAMENTAS PSICOPEDAGÓGICAS .............................................14
1.1 Possibilidades Pedagógicas.................................................................................................14
1.2 Procedimentos Básicos ......................................................................................................14
1.3 Metodologia De Ensino/ Tecnologia ................................................................................16
CAPÍTULO II COMPREENDENDO O MUNDO DISLÉXICO ......................................18
2.1 Histórico Da Dislexia .........................................................................................................18
2.2 Definição de Dislexia e causas ...........................................................................................19
2.3 Informações Sobre Dislexia ...............................................................................................20
2.4 O Que Diz A Legislação: A Inclusão Do Aluno Disléxico Na Escola ..............................20

CAPÍTULO III ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA CRIANÇAS DISLÉXICAS........21


3.1 Interação Com o Disléxico em Sala de Aula .....................................................................22
3.2 Estratégias Informais De Aprendizagem ...........................................................................23
CAPÍTULO IV FUNDAMENTAÇÃO TEORICA DA METODOLOGIA DE
PESQUISA ..............................................................................................................................24
CAPÍTULO V - APRESENTAÇÃO DOS DADOS ............................................................26
5.1 Identificação Do Aluno ......................................................................................................26
5.2 Registro De Queixas...........................................................................................................26
5.3 Observação Do Cotidiano Escolar .....................................................................................27
5.3.1 Quanto Ao Aluno ............................................................................................................27
5.3.2 Quanto Aos Professores ..................................................................................................29
5.3.3 Quanto A Escola ............................................................................................................29
5.3.3.1 Histórico da Escola A Mão Cooperadora.................................................................... 29
5.3.3.2 Objetivos da Escola .................................................................................................... 30
CAPÍTULO V - RESULTADOS E DISCURSÕES: ANÁLISE DAS RESPOSTAS DO
QUESTIONÁRIO ..................................................................................................................30
CAPÍTULO VI - CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................37
REFERÊNCIAS .....................................................................................................................38

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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O principal desafio enfrentado pelos profissionais que trabalham com crianças com
dificuldades de aprendizagem, é necessidade em auxiliar as crianças a aumentar a confiança
em si mesmas, a acreditar nas suas capacidades, sabendo que as pessoas aprendem de
maneiras diferentes e que sua energia pode ser encaminhada para encontrar estratégias
adequadas para a sua aprendizagem, ao invés de buscar formas de esconder suas dificuldades.
Estes motivos geram enorme responsabilidade para esses profissionais.
Suas habilidades de observação, detecção de problemas, saber responder e definir como
e quando intervir, são de suma importância. Estas crianças de precisam um ambiente seguro,
estimulante, onde os erros sejam pertinentes a uma forma de melhorar a aprendizagem e,
dessa maneira, continuar incentivando os mesmos a continuar buscando a melhor forma de
aprender.
As crianças que têm dificuldade de aprendizagem da lecto escrita, geralmente
apresentam um processo de decodificação das palavras mais lento e se cansam quando leem,
devem compreender que a aprendizagem da leitura tem um sentido.

Ianhez e Nico (2002) afirmam que o melhor local para o ensino do disléxico é o
ambiente da sala de aula normal, em convivência com outras crianças e com um professor que
compreenda suas especificidades e adapte suas aulas de acordo com a necessidade do aluno
disléxico.
Para o autor Vicente Martins (2003):
Os pais, alunos e professores precisam entender que a dislexia, ao contrário do que
definem alguns profissionais de educação terapêutica ou de saúde mental, não é
definitivamente, uma doença ou transtorno. Para os que atuam em sala de aula, com
disléxicos no ensino fundamental ou no ensino médio, cabe o juízo crítico e o
discernimento pedagógico de que a dislexia é, apenas, uma dificuldade específica no
aprendizado da leitura no período escolar. Os disléxicos podem aprender. Aliá s,
todas as crianças especiais são aprendentes em potencial. Se fracassa m no período
escolar, não fracassam sozinhas: a escola, do gestor ao professor, também fracassou.

Reforçando o que este autor nos coloca, tanto a família, quanto a escola tem um papel
muito importante na vida escolar do aluno, pois é a base para que o mesmo consiga ter uma
vida escolar tranquila e com sucesso.
Pensando nesse cenário, é necessário analisar as ferramentas pedagógicas que orientam
o trabalho do docente que atende crianças com dificuldades específicas de aprendizagens,
neste caso a dislexia. Além dessa importante questão, é preciso também entender como se dá
a classificação das dificuldades do disléxico para melhor conhecê-las, registrar atividades que
permitem ao disléxico melhorar o desempenho na linguagem, buscar o sucesso por meio de

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adaptações compensatórias e observar como as ferramentas pedagógicas são utilizadas para
auxiliar o discente portador de dislexia.
O estudo foi distribuído em fases distintas: a primeira fase buscou o conhecimento
teórico referente a contextualização do objeto estudado, a segunda fase foi de elaboração das
atividades, a terceira fase teve por objetivo a coleta de dados, a quarta fase de análise dos
dados e a quinta fase foi a elaboração do texto.

Este trabalho está dividido em seis capítulos: o primeiro aborda-se a as ferramentas


psicopedagógicas, passando pelas possibilidades pedagógicas e pelos procedimentos básicos
no tratamento com crianças disléxicas. O segundo capítulo trata-se sobre o mundo disléxico,
seu histórico, sua definição e o que diz a legislação sobre o atendimento as pessoas portadoras
de distúrbios de aprendizagem. Em seguida, o terceiro capitulo refere-se algumas estratégias
de ensino para crianças disléxicas. O quarto capitulo cito a fundamentação teórica da
metodologia da pesquisa, dentro do critério acadêmico: descritiva, estudo de caso com uma
abordagem qualitativa, com a aplicação de um questionário fechado as 4 professoras do
ensino fundamental, da escola onde ocorreu a pesquisa. O quinto capitulo é apresentado os
dados do aluno observado, as queixas das dificuldades apresentadas pela criança, a
apresentação da avaliação neuropsicológica, as observações do cotidiano escolar: quanto ao
aluno, quanto aos professores e quanto a escola. O sexto capitulo apresenta as análises das
respostas do questionário aplicadas aos professores, os resultados e as discursões com os
teóricos. Para finalizar o estudo são apresentadas algumas considerações sobre o trabalho
desenvolvido. Por fim, são citadas as referências bibliográficas utilizadas para elaborar o
presente trabalho.

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REVISÃO DE LITERATURA

CAPÍTULO I - Ferramentas psicopedagógicas.

A intervenção do psicopedagogo varia conforme o tipo de dislexia: fonológica, lexical


ou mista. Fala-se de dois tipos de intervenção. O primeiro tipo, mais global, dirige-se à pessoa
do disléxico e visa a três objetivos:

1º) Levar o disléxico a reencontrar-se consigo mesmo. Através de mudanças no sistema


motivacional, favorecer um controle emocional durante a leitura e auxiliar para que tenha uma
boa imagem de si mesmo e consiga conviver com as dificuldades;

2º) Possibilitar ao disléxico o reencontro com a leitura. Possibilitar que a leitura


desperte, no disléxico, sentimentos positivos, partindo de textos curtos, interessantes e lidos
de forma conjunta;

3º) Criar redes com a escola e a família.

O segundo tipo de intervenção dirige-se aos déficits específicos do disléxico, auxiliando


a melhorar a capacidade para operar com as regras que relacionam fonologia, ortografia e
trabalhos de compreensão de textos.

Existem várias ações que podem ajudar um aluno com dislexia na escola. Apesar da
existência de trabalhos isolados sobre a eficácia das adaptações para alunos disléxicos em sala
de aula, existem dicas gerais que costumam ser sugeridas por profissionais que trabalham na
área. Partindo da literatura científica, propôs-se a divisão didática em tipos de adaptações, de
acordo com sua natureza, resultando em questões referentes à avaliação e à
metodologia/tecnologia, tal qual foi organizado a seguir (baseado em Mousinho, 2009 4).

1.1 - Possibilidades Pedagógicas

É possível construir uma Proposta Pedagógica considerando o aluno disléxico. Existem


as seguintes possibilidades:

● Provas escritas, de caráter operatório, contendo questões objetivas e/ou dissertativas,


realizadas individualmente e/ou em grupo, sem ou com consulta a qualquer fonte;
● Provas orais, através de discurso ou arguições, realizadas individualmente ou em
grupo, sem ou com consulta a qualquer fonte;

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● Testes;
● Atividades práticas, tais como trabalhos variados, produzidos e apresentados através
de diferentes expressões e linguagens, envolvendo estudo, pesquisa, criatividade e
experiências práticas realizados individualmente ou em grupo, intra ou extraclasse;
● Diários;
● Fichas avaliativas;
● Pareceres descritivos;
● Observação de comportamento, tendo por base os valores e as atitudes identificados
nos objetivos da escola (solidariedade, participação, responsabilidade, disciplina e
ética).

1.2 - Procedimentos Básicos:

● Tratar o aluno disléxico com naturalidade. Ele é um aluno como qualquer outro,
apenas disléxico. A última coisa para a qual o diagnóstico deveria contribuir seria para
(aumentar) a sua discriminação.
● Usar linguagem direta, clara e objetiva quando falar com ele. Muitos disléxicos têm
dificuldade para compreender uma linguagem (muito) simbólica, sofisticada e
metafórica. Sendo simples, utilizando frases curtas e concisas ao passar instruções.
● Falar diretamente ao aluno, olhando direto para ele. Enriquece e favorece a
comunicação.
● Trazer o aluno para perto da lousa e da mesa do professor. Tê-lo próximo à lousa ou à
mesa de trabalho do professor, pode favorecer o diálogo, facilitar o acompanhamento,
facilitar a orientação, criar e fortalecer novos vínculos.
● Verificar sempre e discretamente se ele demonstra estar entendendo a sua exposição.
Há dúvidas a respeito do que está sendo objeto da sua aula? O aluno consegue
entender o fundamento, a essência, do conhecimento que está sendo tratado? O aluno
está acompanhando o raciocínio, a explicação, os fatos? Repetir sempre que preciso e
apresente exemplos, se for necessário.
● Certificar de que as instruções para determinadas tarefas foram compreendidas. O
quê, quando, onde, como, com o que, com quem, em que horário etc. Não economizar
tempo para constatar se ficou realmente claro para o aluno o que se espera dele.

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● Observar discretamente se ele fez as anotações da lousa e de maneira correta antes de
apagá-la. O disléxico tem um ritmo diferente dos não-disléxicos, portanto, é
necessário evitar submetê-lo a pressões de tempo ou competição com os colegas.
● Observar se ele está se integrando com os colegas. Geralmente, o disléxico obtém
simpatia de seus companheiros. Suas qualidades e habilidades são valorizadas, o que
lhes favorece o relacionamento. Entretanto, sua inaptidão para certas atividades
escolares (provas em dupla, trabalhos em grupo, etc.) pode levar os colegas a rejeitá-lo
nessas ocasiões. O professor deve evitar situações que evidenciem esse fato. Com a
devida distância, discreta e respeitosamente, deve contribuir para a inserção do
disléxico no grupo-classe.
● Estimular, incentivar, fazer o aluno acreditar em si, a sentir-se forte, capaz e seguro. O
disléxico tem sempre uma história de frustrações, sofrimentos, humilhações e
sentimentos de menos valia, para a qual a escola deu uma significativa contribuição.
Cabe, portanto, a essa mesma escola, ajudá-lo a resgatar sua dignidade, a fortalecer
seu ego, a (ri) construir sua autoestima.
● Sugerir-lhe “dicas”, “atalhos”, “jeitos de fazer”, “associações”… que o ajudem a
lembrar-se de, a executar atividades ou a resolver problemas.
● Não lhe pedir para fazer coisas na frente dos colegas, que gerem constrangimento:
principalmente ler em voz alta.
● O disléxico tende a lidar melhor com as partes do que com o todo. Abordagens e
métodos globais e dedutivos são de difícil compreensão para ele. Apresente-lhe o
conhecimento em partes, de maneira dedutiva.
● Permitir, sugerir e estimular o uso de gravador, tabuada, máquina de calcular, recursos
da informática.

1.3 - Metodologia de ensino /Tecnologia

● Manutenção das rotinas - muitas crianças com problemas de aprendizagem têm


dificuldades neste nível e precisam ser mediadas. A organização das rotinas - saber o
que a espera, o tempo que tem para realizar, o horário do descanso e lazer, faz com
que a criança autorregule sua atenção, tenha motivação e segurança para investir em
novas aprendizagens.
● Oferecer recursos para a organização do conhecimento - utilizar material de apoio,
com os tópicos mais relevantes a serem discutidos durante as aulas. Isto poderá
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auxiliar o aluno com dislexia a destacar a informação-chave, estabelecer correlações
entre conceitos.
● Segmentar uma atividade em sala de aula em várias outras - se o professor solicitar
que o aluno apresente pouco a pouco suas atividades, dará oportunidade ao aluno de
ter mediação mais frequente, de modo a organizar a informação e não correr o risco de
manter uma atividade começada de forma errônea até o fim. Também favorece a
autorregulação da atenção. Se a atividade for de leitura, problema central de sujeitos
com dislexia, a orientação apresenta ainda outro objetivo: favorecer a motivação. Um
longo texto causa um efeito negativo se comparado a alguns textos pequenos, além de
tornar a interpretação mais difícil.
● Aumentar os recursos visuais em sala de aula - o uso de recursos visuais é altamente
indicado por vários estudiosos da área. Mais adaptado ao estilo cognitivo, favorecendo
a entrada da informação de outro modo que não esteja limitado somente ao hemisfério
esquerdo do cérebro.
● Possibilitar pausas durante as aulas, em horários combinados previamente - tendo em
vista a grande demanda de energia das tarefas acadêmicas, já que a leitura faz parte de
boa parte delas, alunos disléxicos poderiam sair mais frequentemente de sala de aula,
para “recarregar as baterias’”. Esses momentos devem ser regulares, mas não sob
livre demanda, para não prejudicar momentos cruciais.
● Antecipar os conteúdos para que o aluno possa buscar recursos extras (DVDs,
passeios, etc) - como já destacado, imagens podem proporcionar ao aluno disléxico
uma nova perspectiva do assunto. Visitar museus, assistir a DVDs de assuntos que
serão trabalhados, pode fazer com que o aluno disléxico assimile melhor as aulas,
podendo fazer correlações entre as diferentes experiências envolvendo o assunto.
● Alterar a metodologia em função da dislexia - a modificação da metodologia é mais
comumente proposta na classe de alfabetização, mas é necessário avaliar caso a caso
para escolher a melhor opção. Em alguns momentos, não é imperativo mudar a
metodologia propriamente dita, mas buscar estratégias que favoreçam a aprendizagem
de indivíduos disléxicos. Além de disponibilizar textos sobre algum assunto, criar
formas esquemáticas de apresentar alguns temas (reforçando também o item anterior).
● Notações da ortografia de palavras - palavras grafadas frequentemente de modo não
convencional pelo aluno disléxico podem ser destacadas em um caderno de notas, em

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uma agenda, ou em algum lugar onde sejam facilmente lidas ou fáceis de encontrar
mediante dúvidas.
● Possibilitar uso de recursos tecnológicos - caso o padrão motor não permita uma
escrita fluente, dar a opção de utilizar em sala de aula, recursos como computadores
ou similares.

CAPÍTULO II - COMPREENDENDO O MUNDO DISLEXICO

2.1 – Histórico da Dislexia

Na Europa, sob os auspícios da World Federation of Neurology, em 1968 foi lançada


uma definição operacional sobre Dislexia: transtorno da aprendizagem da leitura que ocorre
apesar de uma inteligência normal, da ausência de problemas sensoriais ou neurológicos, de
uma instrução escolar adequada, de oportunidades socioculturais suficientes; além disso,
depende de uma perturbação de aptidões cognitivas fundamentais, muitas vezes de origem
constitucional

Nos Estados Unidos, a existência da dislexia como transtorno específico das


aprendizagens da língua escrita foi reconhecida pelo Congresso em 1960; depois foi aprovada
uma lei em 1970, que baseia em um desnível significativo entre as realizações escolares no
âmbito da leitura e as possibilidades intelectuais medidas pelo QI; a exclusão de causas que
possam explicar esse desnível constitui um dos critérios diagnósticos principais: entre essas
causas, existem transtornos de percepção sensorial, transtornos psiquiátricos primários,
patologias neurológicas graves, falta de oportunidade escolar suficientes e de estímulos
socioculturais.

A Associação Brasileira de Dislexia (ABD) conceitua que: Dislexia é considerada um


transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por
dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação
e em soletração. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente
fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas.
(Definição adotada pela IDA – International Dyslexia Association, em 2002.

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2.2 – Definição de Dislexia e Causas.

A dislexia é considerada um Transtorno Específico da Aprendizagem (TEA). Tem


origem neurobiológica e afeta diretamente a leitura e a escrita. Esse transtorno manifesta-se
na fase inicial da vida das pessoas, ou seja, muito cedo. Sabe-se que “os transtornos
originam- se de anormalidades no processo cognitivo, que derivam em grande parte de
algum tipo de disfunção biológica”, (CID – 10,1992:236 apud WR Educacional). Com base
em Alves, Ferreira e Ferreira (2014), às pessoas com Dislexia costumam ter dificuldades
quando associam o som à letra, e costumam também trocar letras, ou mesmo escrevê-las em
ordem contrária.
Fonseca (1995), coloca que a dislexia se trata de uma desordem (dificuldade)
manifestada na aprendizagem da leitura, independentemente de instrução convencional,
adequada inteligência e oportunidade sociocultural. E, portanto, dependente de funções
cognitivas, que são de origem orgânica na maioria dos casos que afeta as habilidades
linguísticas associadas com a modalidade escrita, particularmente a passagem da codificação
visual para a verbal, a memória a curto prazo, a percepção de ordem e a sequenciação.

Condemarim (1986), “expressa seu pensamento sobre dislexia dizendo que é um


conjunto de sintomas reveladores de uma disfunção parietal (o lobo do cérebro onde fica o
centro nervoso da escrita), geralmente hereditário, ou às vezes adquirida, que afeta a
aprendizagem da leitura num contínuo que se estende do leve sintoma ao severo”. É
frequentemente acompanhada de transtorno na aprendizagem da escrita, ortografia, gramática
e redação.

Pode detectar pelo atraso no aprendizado da leitura-escrita, as peculiaridades que


acontecem quando consegue iniciar o aprendizado, a lentidão, a tendência a silabação, a
compreensão escassa da leitura devida falta de ritmo, a ausência de pontuação que levam a
resultados escolares ruins, baixo autoconceito, atitudes de enfado e condutas às vezes
disruptivas.

Na prática, quem não tem dislexia utiliza três áreas do cérebro enquanto está lendo. A
primeira faz a identificação das letras, a segunda parte faz com que entendamos o significado
da palavra. Por fim, uma terceira área processa todas essas informações.

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Em uma pessoa com dislexia, as duas primeiras áreas são menos ativas. Em
compensação, a parte frontal é obrigada a trabalhar mais e até o lado direito do cérebro é
ativado.

Segundo Ângela Pinheiro (2002), a dislexia pode ter como causa as influências internas
genéticas, a descoberta de um aumento de incidência de dislexia na mesma família. Existe
uma hipótese de que uma anomalia genética influencie adversamente o desenvolvimento de
áreas do cérebro.

Paula Teles (2004) informa que, nas mais recentes pesquisas sobre genética e dislexia,
existem, presentemente, cinco localizações de fatores de risco, com influência na dislexia.

2.3 - Informações sobre Dislexia


É importante manter a comunidade educativa permanentemente informada a respeito da
dislexia. Informações sobre eventos que tratam do assunto e seus resultados, desempenho dos
alunos portadores da dislexia, características desse distúrbio de aprendizagem, maneiras de
ajudar o aluno disléxico na escola, etc.

Não é necessário que alunos disléxicos fiquem em classe especial. Alunos disléxicos
têm muito a oferecer para os colegas e muito a receber deles. Essa troca de humores e de
saberes, além de afetos, competências e habilidades só faz crescer amizade, a cooperação e a
solidariedade.

A avaliação de dislexia traz sempre indicação para acompanhamento específico em uma


ou mais áreas profissionais (fonoaudiologia, psicopedagogia, psicologia…), de acordo com o
tipo e nível de dislexia constatado. Assim sendo, a escola precisa assegurar, desde logo, os
canais de comunicação com o(s) profissional(is) envolvido(s), tendo em vista a troca de
experiências e de informações.

2.4- O que diz a legislação: A inclusão do aluno disléxico na escola

Em relação à legislação, não há leis específicas para a dislexia ou distúrbios de


aprendizagem, as leis apenas se referem ao fato de a inclusão escolar ser um direito de
qualquer cidadão. Como pessoa portadora de necessidade especial, está garantida e orientada
por diversos textos legais e normativos.

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Segundo a lei 9.394, de 20/12/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), por exemplo,
prevê: que a escola o faça a partir do artigo 12, inciso I, no que diz respeito à elaboração e à
execução da sua Proposta Pedagógica; que a escola deve prover meios para a recuperação dos
alunos de menor rendimento (inciso V); que se permita à escola organizar a educação básica
em séries anuais, períodos semestrais e ciclos, alternância regular de períodos de estudos,
grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios ou por forma
diversa de organização (artigo 23); que a avaliação seja contínua e cumulativa, com a
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do
período (artigo 24, inciso V, a alínea a).

CAPÍTULO III - ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA CRIANÇAS DISLÉXICAS

É muito importante que os alunos sejam incentivados com mensagens positivas, pelas
conquistas de seus aprendizados, cada passo precisa ser comemorado. Aos poucos os alunos
vão criando estratégias para avançar em sua aprendizagem, conforme vão sentindo-se mais
confiantes.

Para Paulo Freire, o professor deve ser um libertador, devendo estar aberto a aprender
com as experiências dos alunos e entendendo o contexto social do ensino. Para ele, “o papel
do professor e da professora é ajudar o aluno e a aluna a descobrirem que, dentro das
dificuldades, há um momento de prazer, de alegria” (FREIRE, 2003, p. 52).

3.1 Estratégias para auxiliar o aluno com dislexia:

● A criança deve sentar-se próxima a professora para facilitar as orientações;


● Não deve dizer que a criança é lenta ou que não é inteligente
● Quando ainda apresenta muitas dificuldades, deve-se evitar a solicitação para que leia
em voz alta diante dos colegas;
● Respeitar o seu ritmo de aprendizagem;
● Os assuntos trabalhados devem ser revistos constantemente;
● Considerar mais suas respostas orais do às escritas;
● Evitar dar regras de escrita na mesma semana;
● Na medida do possível, pedir que a criança repita com suas próprias palavras as
instruções das atividades;
● Incentivar que conte histórias ou relate o que foi assistido ou lido;
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● Organizar os conteúdos trabalhados em esquemas visuais;
● Incentivar sua autoconfiança e mostrar as habilidades que possui;
● Trabalhar atividades de consciência fonológica em sala de aula, independente do
conteúdo.

3.2 Interação com o disléxico em sala de aula

É na escola que a dislexia, de fato, aparece. Objetivos, conteúdos, metodologias,


organização, funcionamento e avaliação nada têm a ver com ele. Não é por acaso que muitos
portadores de dislexia não sobrevivem à escola e são por ela preteridos. E os que conseguem
resistir a ela e diplomar-se o fazem, astuciosa e corajosamente, por meio de artifícios, que lhes
permitem driblar o tempo, os modelos, as exigências burocráticas, as cobranças dos
professores, as humilhações sofridas e, principalmente, as notas.

Atitudes que podem facilitar a interação:

● Dividir a aula em espaços de exposição, seguido de uma “discussão” e síntese ou jogo


pedagógico;
● Dar “dicas” e orientar o aluno como se organizar e realizar as atividades na carteira;
● Valorizar os acertos;
● Estar atento na hora da execução de uma tarefa que seja realizada por escrito, pois seu
ritmo pode ser mais lento por apresentar dificuldade quanto à orientação e
mapeamento espacial, entre outras razões;
● Observar como ele faz as anotações da lousa e auxiliá-lo a se organizar;
● Desenvolver hábitos que estimulem o aluno a fazer uso consciente de uma agenda
para recados e lembretes;
● Na hora de dar uma explicação usar uma linguagem direta, clara e objetiva e verificar
se ele entendeu;
● Permitir nas séries iniciais o uso de tabuadas, material dourado, ábaco e para alunos
que estão em séries mais avançadas, o uso de fórmulas, calculadora, gravador e outros
recursos sempre que necessário.

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3.3 - Estratégias informais de aprendizagem
As crianças com dificuldades específicas de aprendizagem abordam a tarefa de
aprender, geralmente, de uma forma ineficiente e desorganizada. Não analisam os problemas
nem os abordam de forma sistemática; não têm consciência que existem técnicas que podem
ser usadas para melhorar a memória; não sabem fazer anotações nem esquemas… Perante
uma atividade mais complexa, estas crianças sentem-se perdidas quanto à forma de iniciar o
trabalho. As fracas estratégias informais de aprendizagem, também denominadas habilidades
metacognitivas têm um impacto tão grande sobre o desempenho escolar quanto às
dificuldades reais de aprendizagem. Estas estratégias de aprendizagem podem ser ensinadas /
trabalhadas aproveitando, eventualmente, as aulas de Estudo Acompanhado.

● Organização do tempo: Utilizar um caderno para anotação dos deveres; Registar as


datas pertinentes num calendário; Fazer uma lista de tarefas a realizar; Fazer uma
estimativa do tempo a conceder a cada tarefa; Estabelecer prazos (o que deve fazer
hoje, amanhã, para a semana…); Elaborar um horário de trabalho; Organizar um
caderno com partes e divisões; Criar um sistema de arquivo para itens a guardar.
● Organização do estudo: Ler corretamente os enunciados; Fazer anotações das aulas e
dos livros por palavras suas; Fazer uma pré-leitura do texto (observar cabeçalhos,
introduções, ilustrações, notas de rodapé e resumos para se familiarizar com o material
antes de entrar na leitura do texto); Salientar ou sublinhar as informações relevantes;
Reorganizar ou reagrupar as informações (salientar palavras chave ou factos, criar
gráficos ou listas de conceitos relacionados); Fazer rascunhos; Elaborar e rever
esquemas; Recompensar-se a si próprio quando conclui as tarefas com sucesso.
● Organização e realização de testes : Perguntar quais os conteúdos que o teste avaliará,
que tipologia de exercícios será usada (exemplo: verdadeira / falso, pergunta /
resposta, escolha múltipla, composição, …); Rever gradualmente as anotações e as
matérias e não deixar tudo para a véspera; Reservar um tempo adicional para o estudo
das matérias mais difíceis; Formar grupos de estudo; Examinar rapidamente o teste e
planear uma estratégia para a sua realização; Reservar mais tempo para as questões
mais difíceis, respondendo primeiro às mais fáceis.
● Desenvolvimento da memória: Usar o ensaio verbal (repetir várias vezes até
aprender); inventar rimas; usar a visualização (ex.: utilizar a imagem mental de um
lugar, gráfico, diagrama ou mesmo de um rascunho feito anteriormente); criar
associações.
23
● Solução de problemas e tomada de decisões: identificar o objeto a ser alcançado ou o
principal problema a ser resolvido; pesquisar informação, utilizando diferentes
técnicas; fazer listas de ações a realizar e possíveis soluções; avaliar e eliminar opções,
usando fatores como riscos envolvidos, tempo necessário e possível realização; testar
soluções para verificação do seu funcionamento.

CAPÍTULO IV – FUNDAMENTAÇÃO TEORICA DA METODOLOGIA DE


PESQUISA
Foi utilizado no presente trabalho uma pesquisa descritiva que de acordo Gil (1999, p.
44) “tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população
ou fenômeno”, este método foi escolhido com a finalidade de analisar como se dava os
procedimentos pedagógicos em sala de aula.

A presente pesquisa escolheu como objeto de estudo as abordagens utilizadas por


educadores para promover o processo inclusivo dos alunos com dislexia de uma escola
situada na cidade de Ananindeua-PA que foi escolhido por ter percebido, por meio de
observações e relatos de amigos e funcionários da área educacional, que os alunos que
sofriam deste distúrbio possuíam grande dificuldade no seu processo de aprendizagem,
levantando então o questionamento de quais métodos os educadores utilizavam para suprir
essa necessidade.

Para que isto pudesse ocorrer, utilizou-se um estudo de caso que segundo Gil (1999:73
apud Yin 1981:23),

[...] o estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do
seu contexto de realidade […] vem sendo utilizado com frequência cada vez maior
pelos pesquisadores sociais […] descrever a situação do contexto em que está sendo
feita determinada investigação.

Posteriormente foi observado a necessidade da aplicação de um questionário, pois como


define Gil (1999, p. 128):

O questionário é a técnica de investigação composta por um número mais ou menos


elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o
conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações
vivenciadas etc.

Com o objetivo de compreender as ferramentas e estratégias de ensino para crianças


disléxicas, foi utilizada uma abordagem qualitativa, através de um questionário fechado,
24
aplicado a 4 professoras do ensino fundamental, do sexo feminino, profissionais que atuam da
escola observada.

A pesquisa foi realizada na cidade de Ananindeua, no mês de maio de 2019. A figura 1


mostra o questionário utilizado:

FIGURA 1 - Questionário Aplicado Aos Professores

QUESTIONÁRIO
1. Nome (Iniciais): _____________________________________ Idade: ______________

2. Formação: ____________________________________________

3. Tempo que leciona: _____________________________________

4. Disciplinas que leciona atualmente: ________________________________________

5. Séries (s) que leciona atualmente: _________________________________________

6. Fez ou faz algum curso de pós-graduação?


( ) aprimoramento ( ) aperfeiçoamento ( ) especialização

7. Se sim, quais? _________________________________________________________

8. Fez ou faz algum curso ou treinamento referente aos problemas de aprendizagem? Se sim, qual?
_____________________________________________________________________________

9. Na(s) sua(s) turma(s) tem algum (a) aluno (a) com dificuldades de aprendizagem?
( ) Sim ( ) Não

10. Quais as causas que justificam o distúrbio da leitura e escrita?


( ) dificuldade de aprendizagem
( ) falta de interesse da família
( ) algum distúrbio orgânico (deficiência) causas intrínsecas – fisiológico, biológico...
( ) método de ensino do professor/escola
( ) não sei

11. Como nomeia esse problema?


( ) dislexia
( ) transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)
( ) distúrbio fonológico
( ) disgrafia
( ) desconheço os termos mencionados acima.

12. Como é feita a intervenção pedagógica no cotidiano escolar desses alunos com aparente distúrbios de
aprendizagem?
( ) exercícios de fixação
( ) indico uma solução que o estimule a encontrar a superação de dificuldades .
( ) proponho atividades desafiadoras
( ) chamo os pais
( ) materiais concretos
13. Quais são as suas atitudes frente a uma criança com distúrbio da leitura e escrita?
( ) procuro utilizar todos os recursos disponíveis na escola para ajudá-la a aprender

25
( ) encaminho para a coordenação pedagógica da escola
( ) chamo a família e indico para que leve a criança a um especialista
( ) encaminho para um psicólogo
( ) encaminho para um fonoaudiólogo

14. Quando suspeita ou detecta um problema, a quem (profissional) encaminha a criança?


( ) coordenação e diretoria da escola
( ) professora da sala inclusão
( ) psicólogo
( ) fonoaudiólogo
( ) outros

15. Intervenção especializada é indispensável para a recuperação das dificuldades de aprendizagem:


( ) Sim ( ) Não

16. A sua escola possui recursos humanos e materiais adequados a estes alunos:
( ) Sim ( ) Não
Fonte: A autora, 2019.

O instrumento de coleta de dados, o questionário foi composto por cinco partes: sendo a
primeira composta pelos dados pessoais dos professores questionados. A segunda parte foi
composta por questões relacionadas ao

Após este processo, realizou-se um estudo documental para verificar os dados obtidos e
cruzá-los com a pesquisa bibliográfica inicialmente feita.

Buscando analisar a temática proposta, este trabalho será pautado na investigação a


respeito do tema proposto. De forma a atingir a maior veracidade possível no processo de
conhecimento da problemática a ser estudada, o trabalho examinará com um olhar
investigativo situações referentes ao objeto estudado que no caso desta análise trata-se de
como o aluno é estimulado a aprender conteúdos proposto pelas professoras.

CAPÍTULO V - APRESENTAÇÃO DOS DADOS


5.1 - Identificação Do Aluno
E. D. V. B. é uma criança do sexo masculino, está com 11 anos de idade, nascido dia
01/08/2007 na cidade de Belém. Ele estuda em uma escola particular de ensino, localizada na
Passagem São Pedro Nº 100-B, bairro do Coqueiro, Ananindeua - Pará, e cursa 5º ano.

5.2 - Registro De Queixas


Segundo o relatório de Avaliação Neuropsicológica:

26
História pessoal: segundo informações da tia e avó, E. D. V. B. começou a apresentar
comportamentos estranhos antes dos três anos de idade e esses comportamentos se mantém
até o presente, sendo que as dificuldades maiores foram notadas no decorrer da escolarização
formal, iniciada aos trinta meses, e com dificuldades de aprendizagem escolar.
A queixa principal: dificuldades de aprendizagem formal: linguagem escrita, só faz
cópia e malfeita, não lê, e o raciocínio lógico matemático é muito ruim. Apresenta distração,
esquecimento, lentidão, não conclui atividades, parece não ouvir o que lhe é dito. Apresenta
comportamentos estranhos, de isolamento, é uma criança meiga, dócil e um tanto quanto
preguiçosa. É desobediente e opositor, reage com birra quando frustrado.
E conforme a conclusão da Avaliação Neuropsicológica as funções intelectuais estão
abaixo do esperado ou na média inferior, sendo que os raciocínios verbais e não verbais estão
preservados, e apresenta déficits significativos em memória operacional e velocidade de
processamento. Em associação, déficits de memória de curto prazo visual; déficits em
habilidade visuoconstrutiva gráfica; déficits em atenção e funções executivas; déficits em
consciência fonológica; alentecimento executivo. Apresenta importante recusa em atividades
que envolvem leitura e escrita de palavras, com influência negativa da motivação do humor.
O perfil neuropsicológico sugere um quadro de déficit de atenção do tipo desatento, com
prejuízos em funções executivas, associado a distúrbio especifico de aquisição de leitura.

5.3 - Observações Do Cotidiano Escolar


5.3.1 - Quanto ao aluno
A partir das observações feitas durante momentos de atividade cotidiana em sala de
aula, foi possível notar que:
O aluno apresenta grande interesse em realizar atividades artísticas, onde apresenta
muita criatividade e capricho. Realiza todas as atividades propostas diariamente, porém às
vezes se queixa, dizendo estar cansado. Percebi que ao copiar textos mais longos, o mesmo
expressa desinteresse e muitas vezes sente-se perdido.
Possui tranquilidade em aprender conteúdos relacionados com a matemática, não
tendo maiores problemas, mas quanto aos conteúdos em que é preciso memorizar
nomenclaturas, o aluno não consegue. O aluno é silábico alfabético, mas apresenta algumas
dificuldades na escrita e leitura, devido ao seu transtorno de aprendizagem, precisa ter alguém
para auxiliá-lo nas atividades. Realiza leitura, onde precisa pronunciar letra por letra,
formando a sílaba e, após, a palavra. O mesmo não consegue ler uma frase de forma natural e

27
fluentemente. Sendo que o que lê, não tem a compreensão, mas quando é lido para ele,
apresenta uma compreensão significativa.
Seu currículo não é muito diferenciado dos demais colegas, aprende tudo e realiza
todas as atividades como os demais, porém não consegue concluir as mesmas no tempo
estabelecido e as vezes de recusa a realizá-las. Uma das maneiras de fazer com que se sinta
estimulado é a partir de elogios, é preciso estar sempre o estimulando, elogiando tanto para
seus colegas como para os professores da escola.
Quanto ao seu relacionamento com seus colegas é tranquilo e em relação às atitudes
diárias, não tem diferença dos demais colegas, suas atitudes são semelhantes às das demais
crianças. É muito participativo nas aulas de algumas disciplinas, expondo suas experiências,
levando em conta situações que já vivenciou.

Figura 2 – Sala de Aula de Matemática Figura 3 – Aluno utilizando material Montessoriano

Fonte: Gláucia Souza (2019)


Figura 4 e 5 – Atividades realizadas com estratégias metodológicas

Fonte: Gláucia Souza (2019)

28
5.3.2 - Quanto aos professores.
Os professores buscam encontrar métodos e técnicas para trabalhar com o aluno para
que se sinta mais feliz e aceito no ambiente escolar. Posicionam o aluno próximo ao professor
para os momentos em que precisam oferecer instruções adicionais. Permitem ao estudante
disléxico usar folhas de papel quadriculado em problemas de matemática.
Usam objetos para ajudar no ensino de crianças disléxicas, já que isso será mais
interessante e fará com que entendam melhor os conceitos dados. Parte das salas tem dicas
visuais que ajudam as crianças com transtornos.
Usam limites de tempo adequados pois crianças com dislexia demoram mais para
completar trabalhos.
Recursos utilizados pela professora nas aulas de matemática:

Figura 6 – Material Montesseriano Figura 7 – Jogos para desenvolver o raciocínio lógico

Fonte: Gláucia Souza (2019)

5.3.3 - Quanto a escola


A escola A Mão Cooperadora vem construindo uma história que se consolida a cada
dia que passa, conforme apontam os aspectos ora apresentados sobre sua história, o contexto
em que se encontra inserida, seus objetivos e as ações desenvolvidas.

5.3.3.1 Histórico da Escola A Mão Cooperadora.


A Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental A Mão Cooperadora,
atualmente possui como mantenedora a Cooperativa Educacional A Mão Cooperadora de
Ananindeua, situada a Passagem São Pedro nº 100B bairro do Coqueiro em Ananindeua PA.
Iniciou suas atividades socioeducativas no ano de 1992 atendendo crianças na faixa etária de

29
03 a 06 anos no regime de semi-internato pelas Obras Sociais e Educacionais da Igreja de
Deus no Brasil.
Em 1995 foi implantado o Ensino Fundamental, acompanhado de uma metodologia
dinâmica, motivadora e construtiva baseada nos estudos do educador francês Célestin
Freinet, que objetiva proporcionar ao aluno melhores condições de ensino-aprendizagem e o
desenvolvimento de suas habilidades intelectuais e sociais.
Atualmente, a escola é gerida pela pedagoga Maria Ediclelma Chaves Nogueira, a
qual vem desenvolvendo um trabalho pedagógico direcionado a 95 alunos nas modalidades
de Educação Infantil (maternal II; jardim I e jardim II) e Ensino Fundamental (1º ao 5º / 9
anos).
A Escola A Mão Cooperadora tem como missão promover ao educando uma
educação de qualidade comprometida com os valores cristãos, para que o mesmo contribua
de forma significativa e atuante na sociedade em que está inserido.

5.3.3.2 Objetivos da Escola


Desenvolver uma metodologia dinâmica, motivadora e construtiva que propicie ao
educando melhores condições de ensino-aprendizagem e o desenvolvimento de suas
habilidades, competências intelectuais e sociais.

VI – RESULTADOS E DISCURSÕES: ANÁLISE DAS RESPOSTAS DO


QUESTIONÁRIO

Este último capítulo surge com a intenção de analisar as respostas do questionário


aplicadas aos professores do indivíduo disléxico. O principal objetivo é confirmar (ou não)
o que já foi dito anteriormente. As experiências relatadas servirão também para conhecer
quais atividades permitem que o disléxico melhore seu desempenho escolar, quais as
condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando a autonomia do
aluno disléxico.

As entrevistadas são todas professoras pertencentes ao sexo feminino com idades


entre 22 e 50 anos. Todas cursaram licenciaturas plena e somente uma possui pós-graduação
em Neuropsicopedagogia. O tempo de atuação das entrevistadas varia de 1 a 16 anos

Através dos questionários aplicados, chegou-se aos seguintes resultados:

30
TABELA 1 – NA (S) SUA (S) TURMA (S) TEM ALGUM (A) ALUNO (A) COM
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM?
SIM NÃO

PROFESSORA 1 x

PROFESSORA 2 x

PROFESSORA 3 x

PROFESSORA 4 x

FONTE: A autora, 2019

A Tabela 1 apresenta as respostas dadas pelas docentes sobre a constatação de alunos com
dificuldade de aprendizagem nas suas turmas, onde a totalidade respondeu que há alunos com
algum tipo de dificuldade de aprendizagem.
A psicopedagogia, concebida como uma área de conhecimento relativamente atual,
historicamente apresenta como objeto de estudos, o processo de aprendizagem e suas
interfaces com os vários campos do conhecimento. Atualmente, segundo Rubinstein e
colaboradores (2004: pág. 227) “o objeto de estudo da psicopedagogia contemporânea
continua sendo a aprendizagem, entretanto passa-se a valorizar a amplitude do fenômeno
educacional” e mais intensamente a relação do sujeito com a aprendizagem.

TABELA 2 - QUAIS AS CAUSAS QUE JUSTIFICAM O DISTÚRBIO DA LEITURA E ESCRITA?


DIFICULDADE FALTA DE ALGUM MÉTODO DE NÃO
DE INTERESSE DISTÚRBIO ENSINO DO SEI
APRENDIZAGEM DA FAMÍLIA ORGÂNICO PROFESSOR
(DEFICIÊNCIA) /ESCOLA
CAUSAS
INTRÍNSECAS –
FISIOLÓGICO,
BIOLÓGICO

PROFESSORA 1 x

PROFESSORA 2 x x x

PROFESSORA 3 x

PROFESSORA 4 x

FONTE: A autora, 2019


31
A partir dos dados da tabela 2, quanto às causas que justificam os distúrbios de leitura
e escrita, verificou-se que os professores conseguem perceber uma ou mais dessas causas que
indicam um distúrbio de aprendizagem.
São várias as razões para que a criança tenha dificuldades iniciais no processo de
alfabetização e, dentre estas, há razões físicas, culturais, sociais, econômicas, pedagógicas
e/ou emocionais. No entanto, não se pode negar que há também uma parcela de crianças que
falha no processo de aprendizagem porque tem uma condição de ordem funcional, como é o
caso do distúrbio especifico de leitura, a dislexia
Segundo Navas e Weinstein (2009: pág 11):

A dislexia é um transtorno especifico e persistente da leitura e da escrita, de origem


neurofuncional, caracterizado por um inesperado e substancial baixo desempenho da
capacidade de ler e escrever, apesar da adequada instrução formal recebida, da normalidade do
nível intelectual, e da ausência de déficits sensoriais. O disléxico responde lentamente as
intervenções terapêuticas e educacionais especificas. Porém, somente com estas intervenções
adequadas podem melhorar seu desempenho em leitura e escrita. O prognostico depende ainda
de diversos fatores facilitadores como a precocidade do diagnostico, o ambiente familiar e
escolar.

A dislexia é uma condição amplamente reconhecida no meio educacional e


internacional, com sintomas bem definidos, com vasto embasamento teórico-cientifico.

TABELA 3 - COMO NOMEIA ESSE PROBLEMA?


DISLEXIA TRANSTORNO DE DISTÚRBIO DISGRAFIA DESCONHEÇO OS
DÉFICIT DE FONOLÓGICO TERMOS
ATENÇÃO E MENCIONADOS
HIPERATIVIDADE ACIMA.
(TDAH)

PROFESSORA 1 x x x x

PROFESSORA 2 x x x

PROFESSORA 3 x

PROFESSORA 4 x

FONTE: A autora, 2019


O questionamento acerca da nomenclatura do problema gerou a Tabela 3, onde todos
os docentes indicam saber um ou mais de um distúrbio que seus alunos possam apresentar.

Em termos mais simplificados, a dislexia pode ser entendida como a dificuldade


que o individuo possui em ler. Portanto, quando uma pessoa apresenta problemas na

32
leitura, será facilmente associada a dislexia. Entretanto, o conceito de dislexia apresenta-
se mais complexo do que uma simples dificuldade no ato da leitura. Segundo Associação
Brasileira de Dislexia, o transtorno foi definido como:

A Dislexia do desenvolvimento é considerada um transtorno específico de


aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no
reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação
e em soletração. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no
componente fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e
outras habilidades cognitivas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA,
2016).

Ou seja, o indivíduo que possui a dislexia não a adquiriu através do contexto sócio
cultural. Não se trata de doença mental, visual ou auditiva. Nem tampouco é uma
consequência de algum fator educacional.

TABELA 4 – COMO É FEITA A INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO COTIDIANO ESCOLAR


DESSES ALUNOS COM APARENTE DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM?
EXERCÍCIOS DE INDICO UMA PROPONHO CHAMO OS PAIS MATERIAIS
FIXAÇÃO SOLUÇÃO QUE O ATIVIDADES E OS ORIENTO CONCRETOS
ESTIMULE A DESAFIADORAS
ENCONTRAR A
SUPERAÇÃO DE
DIFICULDADES.

PROFESSORA 1 x x x

PROFESSORA 2 x x x

PROFESSORA 3 x x

PROFESSORA 4 x x

FONTE: A autora, 2019

Na tabela 4 percebeu-se a presença na rotina escolar diversas formas de estratégias


pedagógicas que possam possibilitar aos alunos com distúrbios de aprendizagem a superação
de suas dificuldades nas atividades escolares.
Partindo do referencial de que os professores utilizam nas aulas práticas, materiais
concretos, recorremos a Lorenzato (2006), que se refere aos materiais concretos como
recursos didáticos que agem diretamente no processo de ensino e aprendizagem, dependendo
dos objetivos a serem atingidos. Assim é de fundamental importância que ao utilizar esses
materiais em sala de aula, o professor planeje muito bem o seu trabalho, selecione e organize
os conteúdos a serem desenvolvidos.
33
TABELA 5 - QUAIS SÃO AS SUAS ATITUDES FRENTE A UMA CRIANÇA COM DISTÚRBIO DA
LEITURA E ESCRITA?
PROCURO ENCAMINHO CHAMO A ENCAMINHO ENCAMINHO
UTILIZAR TODOS PARA A FAMÍLIA E PARA UM PARA UM
OS RECURSOS COORDENAÇÃO INDICO PARA QUE PSICÓLOGO FONOAUDIÓLOGO
DISPONÍVEIS NA PEDAGÓGICA DA LEVE A CRIANÇA
ESCOLA PARA ESCOLA A UM
AJUDÁ-LA A ESPECIALISTA
APRENDER

PROFESSORA 1 x x x

PROFESSORA 2 x x x

PROFESSORA 3 x

PROFESSORA 4 x

FONTE: A autora, 2019

Nesta tabela (5), com as alternativas indicadas, constata-se uma preocupação pela
maioria das entrevistadas em encontrar apoio, seja familiar ou profissional apropriado no
acompanhamento pedagógico dos alunos com dificuldades de aprendizagem.
Não podemos ensinar sem ter como meta a aprendizagem desses alunos, a dislexia não
é o fim da aprendizagem, mas sim, o começo de uma transformação na maneira de aprender.
O que até então era considerado difícil ou impossível se transforma em algo prazeroso de
aprender. As aulas podem auxiliar nesse processo, o professor pode planejar aulas mais
práticas onde os alunos participem de maneira direta na construção do saber, como afirma
Gasparin (2007, p. 147)

Desenvolver ações reais e efetivas não significam somente realizar atividades que envolvam
um fazer predominante material, como plantar uma árvore, fechar uma torneira, assistir a um
filme etc. Uma ação concreta, a partir do momento em que o educando atingiu o nível do
concreto pensado, é também todo o processo mental que possibilita análise e compreensão
mais amplas e críticas da realidade, determinando uma nova maneira de pensar, de entender e
julgar os fatos, as ideias. É uma nova ação mental.

É preciso despertar no aluno a necessidade de uma aprendizagem de qualidade, dentro das


suas limitações é possível um desenvolvimento mais aprofundado dos conteúdos. De maneira
que possa passar da informação superficial para uma análise mais aprofundada.
TABELA 6 - QUANDO SUSPEITA OU DETECTA UM PROBLEMA, A QUEM (PROFISSIONAL)
ENCAMINHA A CRIANÇA?

34
COORDENAÇÃO E PROFESSORA DA PSICÓLOGO FONOAUDIÓLOGO OUTROS
DIRETORIA DA SALA INCLUSÃO
ESCOLA

PROFESSORA 1 x x

PROFESSORA 2 x

PROFESSORA 3 x

PROFESSORA 4 x

FONTE: A autora, 2019

Na análise de respostas contidas tabela 6, verificou-se a iniciativa de todos em tomar


atitudes de solicitar apoio pedagógico e administrativo da escola.
Desta forma, segundo Bossa (2000), o trabalho psicopedagógico preventivo na
instituição, está diretamente relacionado ao processo de ensino e aprendizagem de forma
individual ou grupal. Neste sentido caberá ao psicopedagogo, dentre outras ações, identificar
as possíveis perturbações no processo educacional, atuar conjuntamente com demais
profissionais da instituição, contribuir na orientação do trabalho didático metodológico junto
aos docentes, buscar melhorias educacionais. Entende-se que ações como estas, além de
outras, que considerassem especialmente a questão metodológica, afetiva, o envolvimento dos
pais e familiares bem como dos demais profissionais da escola, deveriam ser uma constante
na rotina de possibilidades de trabalho das entrevistadas.

TABELA 7 - INTERVENÇÃO ESPECIALIZADA É INDISPENSÁVEL PARA A RECUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES DE


APRENDIZAGEM?

SIM NÃO

PROFESSORA 1 x

PROFESSORA 2 x

PROFESSORA 3 x

PROFESSORA 4 x

35
FONTE: A autora, 2019

Conforme as respostas apresentadas na Tabela 7, há a constatação que os docentes


percebem a importância de um acompanhamento especializado para além da sala de aula, com
o intuito de superar limitações que o aluno possa apresentar.
Quando a escola não possui um psicopedagogo, o professor acaba tendo que suprir
esta falta atuando junto ao aluno com problemas de comportamento ou de aprendizagem. Um
psicopedagogo na escola auxiliaria a comunidade escolar e, principalmente, a professora
apontando formas de como trabalhar com esses alunos com problemas de aprendizagem.
Como diz Santos

O psicopedagogo é um profissional que tem total dedicação à acessória de instituições


escolares com o intuito de certificar aos profissionais que nela atuam e oferecer condições
precisas para se poder atingir uma melhor compreensão da complexidade do processo de
ensinar e aprender. (SANTOS, 2011, p. 01)

Além desse profissional trabalhar junto a equipe escolar, ele realiza um trabalho com o
aluno.

TABELA 8 - A SUA ESCOLA POSSUI RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS ADEQUADOS A ESTES ALUNOS?

SIM NÃO

PROFESSORA 1 x

PROFESSORA 2 x

PROFESSORA 3 x

PROFESSORA 4 x

FONTE: A autora, 2019

De acordo com a tabela 8, que apresenta respostas que indicam a existência ou não de
recursos humanos e materiais na escola, as respostas foram divididas e percebeu-se que nem
todas concluem como satisfatórios os recursos que a escola possui atualmente, “o saber se
constrói fazendo próprio o conhecimento do outro, e a operação de fazer próprio o
conhecimento do outro só se pode fazer jogando.” (FERNÁNDEZ, 1991, p. 165) Através do
jogo é possível, ao mesmo tempo despertar o interesse do aluno e favorecer que construa
conhecimentos. As atividades lúdicas podem desenvolver a criatividade e favorecer que o
aluno estabeleça vínculos positivos com o ambiente e os conteúdos escolares. É possível
desenvolver jogos que envolvam conhecimentos de diversas áreas.
36
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A dislexia é um transtorno de aprendizagem com dificuldades de leitura e escrita, onde
não há um medicamento específico para o tratamento como também não há cura. O indivíduo
nasce com este transtorno, acreditando-se ser hereditário, porém seu diagnóstico é um pouco
complicado de ser identificado e, além disso, só pode ser feito a partir do momento que a
criança começa sua vida escolar, ou melhor, dizendo quando a criança inicia seu processo de
alfabetização, sendo antes desta fase impossível identificar este transtorno.

A inclusão do estudante disléxico no contexto escolar, encontra-se nessa escola em


construção, ou seja, tem ocorrido uma inclusão gradual, dentro das possibilidades que a escola
se encontra com as limitações humanas. Logo a inclusão do estudante pesquisado tem sido um
processo contínuo, onde os profissionais envolvidos buscam a cada dia realizar suas funções
educacionais na tentativa de possibilitar uma educação inclusiva ao estudante e também a
todos matriculados na escola.

Por meio dessa pesquisa observei a complexidade que é incluir o estudante disléxico
no processo de ensino-aprendizagem devido às especificidades do indivíduo, na tentativa de
sanar suas dificuldades para promover o aprendizado e constatei que as professoras da escola
pesquisada realizam o que é possível dentro das suas limitações. Observei o quanto é
importante o envolvimento do corpo docente em prol da inclusão do estudante e isso contribui
de forma significativa, pois os envolvidos se sensibilizam e procuram o melhor para atendê-
lo.
Ressalto que o espaço escolar é um lugar privilegiado para proporcionar o
desenvolvimento e aprendizagem do estudante. Cada pessoa é única e apresenta personalidade
diferente, portanto, cada indivíduo tem uma maneira própria de aprender, por isso o trabalho
pedagógico deve criar estratégias diversificadas que possa atender o interesse de cada
educando e promover o aprendizado de todos.
Atendendo aos objetivos da investigação, pode-se responder que os docentes revelam
algum conhecimento sobre a dislexia, reconhecendo que as crianças disléxicas têm
características e especificidades muito particulares e que a dislexia é uma perturbação passível
de uma intervenção. Revelam algum conhecimento de como intervir, quando detectam
algumas características associadas a esta problemática, nas crianças.

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REFERÊNCIAS

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39

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