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Famílias

reconstruídas no amor
Monsenhor Jonas Abib

Famílias
reconstruídas no amor
Gerência geral: Rafael Cobianchi
Capa: Renata Santiago Albuquerque
Preparação, diagramação e revisão: Mariana Bastos
Fotográfo: Wesley Almeida

Editora Canção Nova


Rua João Paulo II, s/n – Alto da Bela Vista
12 630-000 Cachoeira Paulista – SP
Tel.: [55] (12) 3186-2600
E-mail: editora@cancaonova.com
loja.cancaonova.com
Twitter: @editoracn

Todos os direitos reservados.

ISBN: 978-85-5339-147-9

© EDITORA CANÇÃO NOVA, Cachoeira Paulista, SP, Brasil, 2019


Sumário
Apresentação................................................................................ 7
Como a Sagrada Família........................................................... 9
Abra a porta da sua casa para Nossa Senhora entrar!. 17
Família que reza o Rosário unida permanece unida! ................... 22

A matéria-prima para a santidade......................................... 27


Um pouco sobre os meus pais.................................................... 30
Faça do sofrimento matéria-prima.............................................. 33

Heróis no sacrifício, heróis do amor!............................... 35


Doar-se como Dom Bosco......................................................... 38

Minha família é uma bênção.................................................. 41


O Senhor escolheu e consagrou a sua casa.................... 45
Casais que abrem a casa para o Senhor ...................................... 47

Reedificareis minha casa em ruínas.................................... 51


A força da mulher para manter uma casa de pé........................... 53
O sofrimento vira a base para a construção................................. 54

Nós somos herdeiros!............................................................... 57


Do coração do Pai..................................................................... 61
O perdão ressuscita famílias.................................................. 65
Clamando o Sangue de Jesus sobre a nossa casa........... 69
Intercedei pela família como Moisés................................. 73
Os problemas são meus, mas a minha cara é dos outros.............. 74

Minha casa é a casa do Senhor............................................ 77


Apresentação
É com imensa alegria em Deus que recebi o convite de Mon-
senhor Jonas Abib para escrever esta Apresentação. Não me esqueço
que o primeiro livro que escrevi – “Sereis uma só carne” – foi ele
quem fez a apresentação, em 1993, e motivou-me a continuar
escrevendo; ele que foi sempre para mim mestre, amigo, confessor,
diretor espiritual.
Neste seu novo livro para as famílias, Monsenhor Jonas colo-
ca  a sua imensa sabedoria de mais de sessenta anos evangelizando
casais, famílias e jovens, para ajudar as famílias que precisam ser
reconstruídas no amor de Deus.
São João Paulo II, o  grande defensor da família, ensinou-nos
que a família é o “Santuário da Vida”, lugar sagrado onde a vida é
gerada e formada; “patrimônio da humanidade”, uma “Instituição
insubstituível”, a célula básica da sociedade, a Igreja doméstica... a
família é sagrada!, não pode ser desfigurada pela infidelidade dos
esposos e pela falta de amor.
Se a família for destruída, toda a sociedade se desmoronará;
por isso, como ensina Mons. Jonas, devemos ser “heróis no sacri-
fício, heróisno amor”, e “doar-se como Dom Bosco”; pois, como
ele dizia: “Deus nos colocou neste mundo para os outros”.
A família pode ser salva, reconstruída, pela vitória do amor
entre os esposos e os filhos, porque “Deus é amor” (1 Jo 4,8). É
a base desse livro.

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Monsenhor Jonas começa seu livro com o modelo da sagrada
Família de Nazaré, mostrando que antes de tudo é preciso abrir as
portas da família para a Virgem Maria entrar e nela viver. Como
nas bodas de Caná, Ela não deixará faltar o vinho do amor neste lar,
e dirá a Jesus: “eles não têm mais pão, mais emprego, mais paz...”.
Nosso grande amigo, Mons. Jonas, nos ensina que é unida
com Maria que a família deve rezar todos os dias o Rosário, ao
menos o Terço, para ter a proteção do céu para o casal, os filhos,
os netos, e cumprir a sua sagrada missão neste mundo.
É na família que os filhos devem aprender com os pais as
virtudes que moldam a santidade. É no seio do lar que devem
conhecer, amar e servir a Deus com alegria.
Monsenhor Jonas conta um pouco da vida de sua família
abençoada, humilde e santa; eu tive a alegria de estar um dia na
casa de seus pais, que no seu amor moldaram o caráter do menino
Jonas e souberam encaminhá-lo para Deus.
É das famílias católicas que nascem as vocações sacerdotais.
É na família que aprendemos a fazer do sofrimento, como diz
Mons., a matéria prima da salvação e da reconstrução da família.
Abra este livro e abra o seu coração. Deixe esses sagrados
ensinamentos penetrarem em sua família para ser reconstruída.
Não são apenas palavras, é a força da fé que este livro traz até
você, com toda a força Redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mais do que nós, Deus quer as famílias reconstruídas, pois, cada
família é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, e do Filho e
do Espírito Santo”. (Catecismo n. 2205)
Agradeço ao Mons. Jonas por mais esta obra inspirada pelo
Espírito Santo; que ela seja para a edificação das famílias, salvação
das almas e edificação do Reino de Deus.
 
Prof. Felipe Aquino
Lorena, 31.07.2020
Festa de Santo Inácio de Loyola
Como a Sagrada
Família
M ais do que em qualquer lugar, é na nossa casa, na nos-
sa família que nós podemos dizer: Ele está no meio de
nós. Toda família é sagrada. Ela é instituição de Deus. Você foi
chamado a ser família, a sua família foi chamada a ser família,
e esta família, não alguma outra. Deus deu esses dons todos
à sua família, e isso é irrevogável. Deus não volta atrás, e sua
família não deixa de ser sagrada. Dons e chamados de Deus
são irrevogáveis.
Talvez a sua casa, a sua família esteja toda quebrada, quem
sabe esmigalhada, mas ela não deixou de ser sagrada. Você não
tem como juntar os cacos, mas Deus tem! Deus tem como
juntar os cacos. Imagine agora, na sua casa, José, Maria e Jesus
se ajoelhando no chão, se debruçando para recolher os cacos,
para juntá-los. Imagine a Sagrada Família de Jesus juntando
os cacos de sua família e se alegrando com cada caco recolhido
e colocado no lugar, para refazer o sagrado que é a sua família.

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Talvez sua família não se refaça de uma hora para outra, mas
Deus quer e pode refazer essa que é a coisa mais sagrada que
você tem: sua própria família. Contribua, coopere para que
isso aconteça.
Na liturgia da Igreja, existe o dia da Sagrada Família, cuja
graça é ele mesmo, o dia da festa. Nesse dia, o Senhor renova,
atualiza a graça e a bênção à sua família, a graça da salvação,
independentemente do estado em que está sua casa. Mesmo se
estiver uma desordem, uma complicação só, o dia da Sagrada
Família é um dia de salvação para sua casa. Eu não sei qual é
a situação que você está vivendo, mas sua família foi querida
por Deus! Ela foi feita por Deus!
A primeira vez em que Jesus se mostrou Ressuscitado,
Glorificado, não mais com Seu corpo físico, como antes, mas
já com Seu corpo glorioso, foi no cenáculo, onde os discípulos
estavam reunidos, fechados por medo, e a primeira coisa que
Jesus lhes disse foi: “Recebei o Espírito Santo! Aqueles a quem
perdoardes os pecados, serão perdoados, aqueles a quem os
retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20,23).
Essa foi a primeira coisa que o ressuscitado fez, mostrando
que foram dadas a eles a possibilidade e a autoridade de perdoar.
Então, na nossa casa, na nossa família, é onde podemos dizer:
Ele está no meio de nós! E a primeira e a maior capacidade que
Ele, o Glorificado, que está no meio de nós, nos deu foi a de
perdoar-nos uns aos outros.
Quando nós nos perdoamos e nos reconciliamos, o calor
é imenso, e a reconstrução é maravilhosa, maravilhosa! Aco-

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lher a graça do dia da Sagrada Família é acolher uma graça de


reconstrução da sua família.
Se sua família está bem, ainda assim esse é um dia de graça.
Quanto mais graça, melhor; quanto mais bênçãos, melhor;
quanto mais salvação, melhor. Você pode, inclusive, poupar e
depositar em Deus, fazer um capital de graça, ter em “poupança”
para quando você precisar. Mas há muita gente que está com
saldo negativo na própria casa, na própria família.
Há um dia de graça, de salvação. Então por que ela não
acontece na sua vida? Porque a graça é como a unção do óleo:
se eu não tenho uma vasilha para colher aquele óleo que é der-
ramado, ele se perde. Com qualquer líquido é assim: é preciso
um recipiente para colhê-lo. Se você acolhe a graça, ela acontece
para você. Se você não a acolhe, a graça não acontece, justamente
porque você não a acolheu. Você não é um destruidor! Você é
o autor, o construtor da sua casa.
Se você ainda é um(a) jovem solteiro(a), eu lhe pergunto:
o que você está plantando hoje? Se você não viver a fidelidade a
Deus e aos mandamentos de Deus hoje, não vai viver a fidelidade
à sua família depois, no seu casamento. E fazer isso é uma lou-
cura, é plantar as sementes da destruição do seu lar! Não é nada
disso que Deus quer! Pelo contrário, Deus precisa de homens
como José, que, na fidelidade, na firmeza, na espiritualidade,
foi o guarda, o protetor, o apoio, o arrimo de Maria. Seja você
também tudo isso para sua Maria, seu Jesus, seus filhos.
É isso que Deus precisa de você. Se Deus o vocacionou
para o matrimônio, não é para qualquer coisa, é para que você

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seja tudo isso para sua família. Matrimônio é isso, casamento


é isso! O restante é deturpação do inimigo de Deus, que quer
destruir a coisa mais linda que Deus fez, que é a nossa família.
Você não pode ser o destruidor!
Digo a você que um destruidor é alguém feito de trouxa
pelo inimigo de Deus. Ele é, na verdade, igual a um tumor na sua
própria família, no corpo, porque, depois que se uniram, marido
e mulher são uma só carne, um só corpo. Está entendendo?
Desculpe por ser tão direto, mas preciso ser muito sincero.
Seja qual for sua situação, se você está sendo o traidor da sua
família, o Senhor quer derramar uma graça de salvação sobre
você e sobre a sua casa, sobre a sua família, para que você não
seja mais traidor.
Para que você seja fiel!
Para que você mude!
Para que você se transforme!
Para que você seja o construtor!
O construtor, não o destruidor! A infidelidade e o adultério
levam destruição para sua casa. Deus quer agraciar sua casa. O
Senhor dá aos maridos a graça de serem como José, os chefes,
os cabeças, os sacerdotes dessa igreja doméstica que requer au-
toridade. Autoridade, no entanto, não quer dizer, autoritarismo.
Autoridade vem de “autor”, aquele que faz, que cria, e Deus
quer dar aos pais e esposos a graça dessa correta autoridade, para
que sejam autores da própria família, aqueles que fazem, que
constroem a própria família. É isso que Deus quer!

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Mesmo que você não veja uma transformação, a graça


de Deus é semente, e é preciso acreditar nela. Um dia, todos
nós fomos uma semente no útero de uma mulher grávida. E
essa semente, que foi fecundada, algo microscópico, cresce, se
desenvolve, para por fim vir ao mundo.
Durante muito tempo, longo tempo, “o inimigo”, “o ten-
tador” atingiu os homens, porque sabia que o homem foi feito
para ser cabeça, ser chefe, ser autoridade. Por isso, atormentou-
-nos desde que éramos meninos, atingindo a nossa sexualidade,
especialmente na adolescência, na juventude, para chegarmos
ao casamento conturbados, com uma sexualidade mal vivida.
Ele empurra os homens à infidelidade, ao adultério, à violência,
ao autoritarismo, à brutalidade, atormentando-os para que
não assumam sua posição de forma apropriada, para que não
exerçam a autoridade da forma certa, como Deus os vocacionou.
E para quê? Para destruir a família, fazendo de nós, homens,
“bucha de canhão”, tornando-nos verdadeiros kamikazes, que
prontamente se dirigem à bomba projetada para explodir o
alvo, neste caso, a família. Muitos de vocês, homens, esposos,
pais, foram feitos de “trouxas” pelo “inimigo” de Deus e, como
kamikazes, seguem para destruir a sua própria casa, a sua própria
família. Com franqueza, digo a você: o objetivo do “inimigo”
não é fazer de você “o tal”, aquele que ainda é capaz de atrair
outras mulheres, de ter muitos casos, de ter até mesmo outra
família. É tudo engano!
No fundo, no fundo, você é o enganado. O “inimigo” de
Deus está sempre enganando você, e eis o objetivo real dele:

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fazer você de “trouxa”, usá-lo como kamikaze para destruir sua


própria família, sua própria casa, a coisa mais linda que você
tem e para a qual Deus mesmo vocacionou você.
Família é uma questão de vocação de Deus, a primeira vo-
cação, que aparece logo no início da Bíblia, no livro do Gênesis:
“Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher, e
os dois serão uma só carne” (Gn 2,24), “portanto, não separe
o homem o que Deus uniu” (Mt 19,6).
O que você está plantando, menina?
O que você está plantando, rapaz?
Ou você é fiel, casto, puro e construtor do seu lar, ou tudo
já começa errado. Se você hoje é vítima e está colhendo as con-
sequências de um comportamento errado de outra pessoa, não
queira repeti-lo. Isso é visto com frequência: pais alcoólatras
causam grandes problemas dentro de casa, o filho se aborrece
e rejeita o alcoolismo do pai, mas depois, infelizmente, quando
chega à juventude, à idade adulta, torna-se alcoólatra também,
bebe, embriaga-se do mesmo jeito, faz as mesmas coisas terríveis
que seu pai fazia. Deus não quer essa repetição.
É por isso que Deus quer que você acolha a graça própria
da festa da Sagrada Família, a segure no peito com as duas mãos,
com seu braço, no seu regaço, e a mantenha ali. Que você não
perca nada da graça que Deus tem para você. Que você assuma,
assimile a graça, para que ela aconteça com você. Se você quer,
pode juntar o seu querer ao querer de Deus.
Eu digo também a você, mulher, mãe, esposa, menina: Deus
criou você assim. É próprio da natureza da mulher apoiar-se

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em seu marido, ao mesmo tempo em que lhe dá segurança.


A ternura de Maria é percebida ao dar todo carinho e toda
proteção a Jesus. Quando a mulher se apoia sobre aquele que
Deus lhe deu como esposo, como marido, sendo ele seu esteio,
duas coisas acontecem: ela adquire a segurança de que precisa,
se torna firme para exercer sua função de fecundar, e dá segu-
rança ao seu marido. Essa ternura é coisa essencial, como o
calor do ventre materno, como a ternura da imagem de Maria
sentindo-se segura na situação de Mãe de Jesus, que deu a Ele
carinho e proteção.
Homens precisam de segurança. Pode parecer impres-
sionante, mas os homens precisam de segurança. Se há uma
mulher, mãe, esposa, irmã, companheira que se apoia nele, o
homem se sente seguro.
Começando por nossa mãe, depois nossa esposa e tam-
bém nossas irmãs: são elas as companheiras que Deus dá para
a caminhada do homem. A ternura de Maria a torna firme e
segura, e homens precisam da segurança passada pela mulher.
Quantos de nós são inseguros? Quantos têm complexo
de inferioridade, complexo de rejeição e tantas coisas mais?
Quantos rapazes buscam sentimentos em uma sexualidade mal
vivida porque não tiveram a ternura de seus pais e também não
a viam entre eles.
O mundo tem ensinado demais coisas erradas. A mulher
muitas vezes é excluída, porque os homens é que mandam,
os homens fazem. A mulher, não é uma excluída! As coisas

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eram assim na sua família? Mas não precisa continuar sendo


dessa forma.
Homens erram, mulheres erram, marido e mulher erram.
Erram, mas têm a chance de aprender um com o outro. Se não
sabem como ser marido e mulher, não sabem como ser pais,
aprendam um com o outro, começando pelo “começo”, se pre-
ciso for, nas questões de casamento, nas questões de vida. Mas
é preciso começar, porque você não tem o direito de derrubar
a própria casa em cima da sua cabeça e da cabeça daqueles que
Deus confiou a você.
A graça da Sagrada Família é dada a você por Deus! Você,
homem, foi vocacionado para ser um José! Escolher o contrário
é destruir sua família, a coisa mais linda que Deus fez. Deus
confiou uma família a você, como confiou à Sagrada Família,
e você precisa cuidar dela.

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