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Manual do Curso de Licenciatura em Educação Física e Desporto

Sociologia do Desporto
Universidade Católica de Moçambique
Centro de Ensino à Distância
Sociologia do Desporto i

Direitos de autor
Este manual é propriedade da Universidade Católica de Moçambique, Centro de Ensino à Distância
(CED) e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste manual, no
seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico,
gravação, fotocópia ou outros) sem permissão expressa da entidade editora (Universidade Católica de
Moçambique-Centro de Ensino à Distância). O não cumprimento desta advertência é passível a
processos judiciais.

Autores: dr. José Ferrão Pene


Colaborador da Universidade Católica de Moçambique – Centro de Ensino à Distância

Bridgette Simone Bruce


Coordenadora do Curso de Educação Física – Centro de Ensino à Distância

Universidade Católica de Moçambique


Centro de Ensino à Distância
82-5018440
23-311718
82-4382930
País

Fax:
E-mail: eddistsofala@teledata.mz
Website: www. ucm.mz
Sociologia do Desporto ii

Agradecimentos
Agradeço a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:

Pelo meu envolvimento nas equipas do CED


Universidade Católica de Moçambique
como Colaborador, na área de Educação
Centro de Ensino à Distância.
Física e Desporto.
À Coordenação do Curso de Educação Física Pela contribuição e enriquecimentos ao
e Desporto. conteúdo
À Coordenadora: Mestre Bridgette Simone
Pela facilitação, orientação e prontidão
Bruce
durante a concepção do presente manual.
Sociologia do Desporto iii

Visão geral 5
Bem-vindo ao ensino da Sociologia do Desporto 4º Ano................................................. 5
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................... 5
Como está estruturado este módulo .................................................................................. 6
Ícones de actividade .......................................................................................................... 6
Habilidades de estudo ....................................................................................................... 7
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 7
Tarefas (avaliação e auto-avaliação)................................................................................. 7
Avaliação .......................................................................................................................... 8

Unidade nº 1 9
Conceito ............................................................................................................................ 9
Sumário ........................................................................................................................... 10
Exercícios 1..................................................................................................................... 11

Unidade nº 2 12
Fundamento da Sociologia.............................................................................................. 12
Sumário ........................................................................................................................... 14
Exercício 2 ...................................................................................................................... 14

Unidade nº 3 15
Desporto e Sociologia ..................................................................................................... 15
Sumário ........................................................................................................................... 18
Exercício 2 ...................................................................................................................... 18

Unidade nº 4 19
Perspectivas sociológicas sobre a actividade física ........................................................ 19
Sumário ........................................................................................................................... 22
Exercício 4 ...................................................................................................................... 22

Unidade nº 5 23
Lazer e Desporto ............................................................................................................. 23
Sumário ........................................................................................................................... 27
Exercício 5 ...................................................................................................................... 28

Unidade nº 6 29
Socialização no Desporto................................................................................................ 29
Sumário ........................................................................................................................... 53
Exercício 6 ...................................................................................................................... 53

Unidade nº 7 54
Género no Desporto ........................................................................................................ 54
Conteúdos Programáticos ...................................................................................... 58
Sociologia do Desporto iv

Objectivos .............................................................................................................. 58
Conhecimentos, capacidades e competências a adquirir ....................................... 59
Metodologias de ensino e avaliação ...................................................................... 59
Sumário ........................................................................................................................... 63
Exercício 7 ...................................................................................................................... 63

Unidade nº 8 64
Globalização, Meios de comunicação e Desporto .......................................................... 64
Sumário ........................................................................................................................... 69
Exercício 8 ...................................................................................................................... 69

Referencias bibliografías complementarias 70


Sociologia do Desporto 5

Visão geral
A Cadeira de Sociologia do Desporto foi introduzida para os Formandos, que, na sua maioria, são já
Professores do EP e/ou do ESG. Começa nestas Presenciais, para, segundo o seu propósito,
desenvolver uma forma inovadora de estar e ser, conhecer e aplicar a mesma. Nesta cadeira vamos
falar de uma forma geral da Sociologia e sua aplicação nas áreas do Desporto

Bem-vindo ao ensino da
Sociologia do Desporto 4º Ano
Pretendemos que este módulo seja um contributo para que os
aprendentes adquiram um conhecimento aprofundado da Sociologia de
Desporto.

Quando terminar o estudo da Sociologia do Desporto – 3º Ano, o


formando será capaz de:

 Compreender o desenvolvimento da Sociologia do Desporto;


 Identificar as principais áreas do Desporto a qual a Sociologia actua;
 Identificar os impactos Sociológico na arena mundial no Desporto;
 Compreender a influência da Sociologia do Desporto nas
Objectivos
actividades realizadas;
 Compreender a organização Desportiva a mais alto nível e a
Sociologia no que diz respeito a sua influência em diversas áreas de
relação Desportiva.

Quem deveria estudar este


módulo
Este módulo foi concebido para os estudantes do 4º ano do curso de
Licenciatura em Educação Física e Desporto.
Sociologia do Desporto 6

Como está estruturado este


módulo
Todos os módulos dos cursos produzidos por CED - UCM encontram-
se estruturados da seguinte maneira:
Páginas introdutórias
 Um índice completa.
 Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os
aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o estudo.
Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de
começar o seu estudo.

Conteúdo do curso / módulo


O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma
introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo
actividades de aprendizagem, e uma ou mais actividades para auto-
avaliação.

Outros recursos
Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista
de recursos adicionais para você explorar. Estes recursos podem incluir
livros, artigos ou sites na internet.

Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação


Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada
unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para
desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes
elementos encontram-se no final do módulo.

Comentários e sugestões
Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários
sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários
serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar este curso / módulo.

Ícones de actividade
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens
das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do
processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de
texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.
Sociologia do Desporto 7

Habilidades de estudo
Caro Estudante, antes de mais o ensino à distância requer de ti
uma grande responsabilidade, ou seja, é necessário que tenhas
interesse em estudar, porque o teu estudo é ‘auto-didáctico’.
Entretanto, vezes há em que te acharás possuidor de muito
tempo, enquanto, na verdade, é preciso saber geri-lo para que
tenhas em tempo útil as fichas informativas lidas e os exercícios
do módulo resolvidos, evitando que os entregues fora de tempo
exigido.

Precisa de apoio?

Há exercícios que o caro estudante não poderá resolver sozinho, neste


caso contacte o tutor, via telefone, escreva uma carta participando a
situação e se estiver próximo do tutor, contacte-o pessoalmente.
Os tutores têm por obrigação, monitorar a sua aprendizagem, dai o
estudante ter a oportunidade de interagir objectivamente com o tutor,
usando para o efeito os mecanismos apresentados acima.
Todos os tutores têm por obrigação facilitar a interacção, em caso de
problemas específicos ele deve ser o primeiro a ser contactado, numa
fase posterior contacte o coordenador do curso e se o problema for de
natureza geral, contacte a direcção do CED, pelo número 825018440.
As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante,
tem a oportunidade de interagir com todo o staff do CED, neste
período pode apresentar dúvidas, tratar questões administrativas, entre
outras.
O estudo em grupo, com os colegas é uma forma a ter em conta,
busque apoio com os colegas, discutam juntos, apoiem-me
mutuamente, reflictam sobre estratégias de superação, mas produza de
forma independente o seu próprio saber e desenvolva suas
competências

Tarefas (avaliação e auto-


avaliação)
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e
auto-avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues antes
do período presencial.
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante.
Sociologia do Desporto 8

Os trabalhos devem ser entregues ao CED e os mesmos devem ser


dirigidos aos tutores/docentes da cadeira em questão.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo
os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os
direitos do autor.
O plágio deve ser evitado. A avaliação da cadeira será controlada da
seguinte maneira:

Avaliação
Os exames são realizados no final da cadeira e os trabalhos marcados
em cada sessão têm peso de uma avaliação, o que adicionado os dois
pode-se determinar a nota final com a qual o estudante conclui a
cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar: 3 (três) trabalhos; 2 (dois)
testes e 1 (exame).
Sociologia do Desporto 9

Unidade nº 1
Conceito
A Sociologia é a parte das ciências humanas que estuda o
comportamento humano em função do meio e os processos que
interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições.

Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:

 Conhecer a Sociologia do Desporto;


 Conhecer os principais conceitos da Sociologia
do Desporto.
Objectivos
 Saber as diversas arias de actuação da Sociologia
do Desporto.
Sociologia do Desporto 10

Conceito da Sociologia

O seja, sociologia é a ciência que estuda as relações entre as


pessoas que pertencem a uma comunidade ou aos diferentes
grupos que formam a sociedade.
A Sociologia, como as demais ciências sociais, é uma ciência
eternamente jovem, histórica.

O objecto de estudo da Sociologia

A Sociologia surgiu no século XIX e se dedicava ao estudo do mundo


social, até hoje as inúmeras interpretações para esta ciência, onde
alguns dizem que é uma ciência da sociedade, outros interpretam que é
o estudo dos fenómenos sociais e das relações humanas, mas todos
concordam que a sociologia é o estudo das relações e interacções
humanas.
O objecto de estudo da sociologia engloba a análise dos fenómenos de
interacção entre os indivíduos, as formas internas de estrutura (as
camadas sociais, a mobilidade social, os valores, as instituições, as
normas, as leis), os conflitos e as formas de cooperação geradas através
das relações sociais.

Sumário
O termo Sociologia foi criado em 1838 (séc. XIX) por Auguste
Comte, que pretendia unificar todos os estudos relativos ao
homem — como a História, a Psicologia e a Economia. Mas foi
com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber que a Sociologia
tomou corpo e seus fundamentos como ciência foram
institucionalizados.
A Sociologia, através de seus métodos de investigação científica,
procura compreender e explicar as estruturas da sociedade,
criando conceitos e teorias a fim de manter ou alterar as relações
de poder nelas existentes.

O Desporto, nas suas diversas vertentes - educativa, recreativa ou de


rendimento - constitui um dos fenómenos sociais identificadores desde
anos de transição de milénio.
Sociologia do Desporto 11

Exercícios 1
1. Que entende por Sociologia do Desporto?
2. Qual é o seu objecto de estudo?
3. Quais são as áreas da Sociologia que actuam no Desporto?
4. Qual é a principal importância da Sociologia para o Deporto?
5. Em que ano foi fundado a Sociologia?
6. Quem tornou a Sociológico mais notório?
Sociologia do Desporto 12

Unidade nº 2
Fundamento da Sociologia
As unidades irão conceituando o Fundamento da Sociologia

Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:

 Conhecer a importância do trabalho do


desenvolvimento da sociologia;
 Saber descrever os diversos conhecimentos da
Objectivos sociologia desenvolvidos pelo Durkheim.

As tentativas de definir dos factos Desportivos, nas suas diversas


vertentes como: o desenvolvimento é um processo que decorre
no tempo e espaço e traz consigo mudanças quantitativas e
qualitativas; tem a sua dinâmica e decorre permanentemente,
cada fase é sempre uma preparação para a fase seguinte.

Ao longo do século passado foram realizadas diversas tentativas para


definir a palavra Desporto. Pese embora a sua variedade e diversidade
são alguns os autores que continuam a concluir pela impossibilidade
de definir o conceito.

O Desporto é uma actividade física sujeita a determinadas regras e que


visa a competição. Embora a capacidade física seja o factor-chave para
o resultado final da prática Desportiva, existem outros factores
igualmente decisivos, como é o caso da destreza mental ou ainda do
equipamento do desportista. Acima do seu lado competitivo, os
Sociologia do Desporto 13

desportos são uma forma de entretenimento quer para os praticantes,


quer para os espectadores.

Ainda que, por vezes, sejam confundidos os conceitos de Desporto e


actividade física, estes não são sinónimos.

A actividade física é uma mera prática, ao passo que o Desporto


implica uma competência sempre com vista num resultado.

Segundo Michel Bouet (1968), definir Desporto como a procura


competitiva (actual ou potencial) da performance no campo do
movimento físico afrontado intencionalmente com dificuldades.

Macintosh (1970): Desporto refere-se a todas as actividades físicas


que não são necessariamente para a sobrevivência do indivíduo ou da
raça e que são dominadas por um elemento compulsório.

O seja o Desporto é uma actividade de lazer cuja dominante é o


esforço físico, praticada por alternativa ao jogo e ao trabalho, de uma
forma competitiva, comportando regras e instituições especificas, e
susceptível de se transformar em actividades profissionais.

Como todos sabemos, o Desporto tem adquirido, cada vez mais, uma
grande importância na sociedade. Apresenta um carácter de coesão
social e de consolidação da cidadania, assumindo assim um papel
primordial no processo de socialização do Homem, principalmente
porque as actividades desportivas estão ligadas ao desenvolvimento
social.

O Desporto está presente em nossa sociedade como um denomino,


quanto a isso não há mais como negarmos. Sua presença permeia os
diversos sectores da nossa sociedade e faz parte do conteúdo do debate
académico, pois sua discussão extrapola a esfera Desportiva. Questões
económicas, políticas e culturais, na qual a sociologia foi fundada e se
embaça para fundamentar sua discussão cientificamente, no desporto,
estes aspectos também estão presentes, caracterizando a sociologia do
Desporto.

O Desporto como fenómeno sociocultural, envolve diferentes pessoas


e contextos. Ele rompe o paradigma das macros estruturas para os
micros estruturas sociais, passando por reflexões por meio da teoria
crítica do desporto nos aspectos da teoria social do consenso para a
teoria social do conflito. Cabe também ressaltar que, não devemos
tratar o Desporto como um vilão nas questões sociais, mas também
Sociologia do Desporto 14

como uma possibilidade de auxílio na transformação social, utilizando


o Desporto como um meio educacional e não um fim.

Sua presença em todas as sociedades significação social do


Desporto

O Desporto é o grande fenómeno sociocultural da actualidade que


estimula de crianças a idosos a praticarem, e seu contacto acontece
desde criança, seja como telespectador ou como praticante, e entre os
não praticantes, o interesse ocorre pelos factos desportivos que vem
crescendo nas últimas décadas. Com isso, a aproximação com o
Desporto acontece nas ruas, nos clubes, nos estádios de futebol e nas
escolas. Pois, podemos ver a sociologia do desporto em todas a
sociedade de forma muito diversificada, pois isto tudo por natureza
tem um significa social do Desporto, porque a muitas convergências e
intercâmbios dos diversos acontecimentos dentro do Desporto.

Sumário
O Desporto deve assumir outras características mais adequadas,
tratando-o pedagogicamente, pois este inadequadamente é tratado no
ambiente escolar, onde nas aulas os alunos têm que reproduzir as
técnicas e os gestos desportivos procurando atingir um rendimento
máximo, o qual acaba sendo o objectivo do professor. A sociedade a
sociologia e o desporto estão todos interligados por natureza da
actividade que se faz durante muitos anos.

Exercício 2
1. Sobre a Sociologia do Desporto: ilustra algumas actividades
desportivas que as conhecei.
2. De entre vários autores que definem o Desporto qual te
identifica, Porque?
3. O que entendes por Destreza mental?
4. A onde podemos praticar o Desporto?
5. Faça uma ligação entre a Sociologia e o Desporto?
6. Explique-nos que relações existem entre Sociologia e o
Desporto?
Sociologia do Desporto 15

Unidade nº 3
Desporto e Sociologia

Nesta unidade envolverá a discussão sobre a Sociologia e Desporto


uma área da Sociologia que se centra no Desporto como fenómeno
social e nas estruturas sociais, padrões e organizações ou grupos
comprometidos com o Desporto.

Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:

 Saber definir o Desporto;


 Conhecer as linhas do Desporto ligadas a Sociologia;
 Conhecer a ligação entre o Desporto e a Sociologia.
Objectivos

O Desporto contemporâneo nasceu na Europa, na 2.ª metade do


século XIX, com as regras e as instituições que conduziram os
jogos físicos tradicionais do ritual ao recorde. O recorde parece
ser, de facto, o símbolo fundamental do desporto moderno de
alia competição. A obsessão na busca contínua de novos
recordes é um dado que distingue os desportos modernos dos
desportos greco-romanos ou medievais.

Trata-se duma consequência da evolução do Desporto e da sua


integração numa sociedade que exalta a eficácia, o rendimento e
o progresso. O Desporto moderno nasceu com a sociedade
capitalista industrial, sociedade centrada sobre o tríplice
princípio que acabámos de enunciar. E por isso que este
Desporto começou a ser visto, e mesmo por muitos definido
explicitamente, enquanto organização do corpo como máquina
humana de rendimento desportivo ou enquanto ciência
Sociologia do Desporto 16

experimental do rendimento corporal. Se o desporto antigo era


praticado como uma espécie de culto do corpo, o desporto
moderno bem depressa se tomou num culto do progresso.

A história do Desporto começa a ser concebida explicitamente


como uma mitologia da ascensão ininterrupta em direcção ao
melhor: Citius, Altius, Fortius. É este espírito novo, de tipo
industrial, que reflecte todas as categorias centrais do modo
capitalista de produção e as integra sob o princípio do
rendimento e que lança o corpo humano numa corrida fantástica
para uma proeza ainda não realizada Sendo um produto da
sociedade industrial, o Desporto moderno reproduz, por seu
lado, a imagem desta mesma sociedade, com o seu tipo de
funcionamento, com as suas crises e contradições e também com os
seus sonhos e suas esperanças.

Como o rendimento é o princípio-base da sociedade industrial,


podemos também afirmar que este princípio constitui o motor e
a alma do sistema Desportivo moderno. Com o princípio de
rendimento como centro de gravidade, o Desporto moderno pode
ser considerado uma representação simbólica da sociedade e
industrial que funciona na lógica da concorrência, da produção,
da maior eficácia e dum progresso que se quer ininterrupto.

O Desporto moderno seria mesmo uma materialização abstracta


do rendimento corporal, uma espécie de modelo de abstracção
Sociologia do Desporto 17

da sociedade industrial. Por outras palavras, o Desporto actual,


seria uma espécie de forma abstracta da tecnologia corporal
centrada sobre o rendimento, embora enxertada nas formas
lúdicas e utilizando os exercícios físicos competitivos como
meio de expressão. Aliás isto é compreensível, pois o Desporto
moderno, tendo nascido com a sociedade capitalista industrial, é
praticamente inseparável das suas estruturas e do seu
funcionamento. A estreita ligação deste fenómeno cultural, que é
o Desporto, às estruturas e funcionamento da sociedade
industrial pode ser um ponto de partida eficaz para uma
interessante análise social.

Entendido como sendo todas as formas de actividades físicas


que, através de uma participação organizada ou não, têm por
objectivo a expressão ou o melhoramento da condição física e
psíquica, o desenvolvimento das relações sociais ou a obtenção
de resultados na competição a todos os níveis, o Desporto não
está à margem do processo de globalização.

O Desporto adquire um importante estatuto como fenómeno de


globalização e de “hipermodernidade” Os Desportos, modernas
tradições inventadas na segunda metade do século XIX nos
colégios privados britânicos frequentados pelos filhos das elites,
tornaram-se, ao longo do século XX, numa das mais relevantes
manifestações culturais das classes populares Europeias.
Megaeventos desportivos como os Jogos Olímpicos ou os
Campeonatos Mundiais de Futebol têm vindo a comprovar, de
forma cada vez mais manifesta, a importância do Desporto
enquanto fenómeno cultural global. Ao longo do século XX,
estes eventos transformaram-se numa das mais significativas
formas de representação de identificações políticas e sociais, e
em especial de afirmação dos Estados-nação no cenário
internacional.
A difusão inicial dos Desportos relacionou-se de forma próxima
com a geografia dos interesses coloniais, económicos e políticos
britânicos. Na última década do século XIX, a revolução dos
jogos passou pela divulgação do críquete no subcontinente
indiano, na Austrália, nas Caraíbas e na África do Sul. Por seu
lado, na Europa continental e na América do Sul, o Desporto, e
em especial o futebol, foi transportado por agentes integrados
nas rotas comerciais e educativas do império. Noutros terrenos,
em avançado processo de modernização, como nos Estados
Unidos da América, assistiu-se, no quadro da necessidade de
uma ruptura simbólica e cultural com o império Britânico e de
Sociologia do Desporto 18

invenção de novas tradições, à construção de práticas


desportivas autónomas.

Sumário
Por outras palavras, o desporto actual, seria uma espécie de
forma abstracta da tecnologia corporal centrada sobre o
rendimento, embora enxertada nas formas lúdicas e utilizando os
exercícios físicos competitivos como meio de expressão. Aliás
isto é compreensível, pois o desporto moderno, tendo nascido
com a sociedade capitalista industrial, é praticamente
inseparável das suas estruturas e do seu funcionamento. A
estreita ligação deste fenómeno cultural, que é o desporto, às
estruturas e funcionamento da sociedade industrial pode ser um
ponto de partida eficaz para uma interessante análise social.

Exercício 2
1.Explica o desenvolvimento de desporto na época da sociedade
industrial e todas as suas fases de transformação deste
antiguidade á modernismo?
Sociologia do Desporto 19

Unidade nº 4
Perspectivas sociológicas
sobre a actividade física
Esta unidade irá debruçar acerca das perspectivas sociológicas sobre a
actividade física.

Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:

 Saber definir as perspectivas sociológicas;


 Conhecer a actividade física
 Conhecer a relação entre a Sociologia e actividade física.
Objectivos

Conceitos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua actividade


física como qualquer movimento produzido pela musculatura
esquelética que resulte em energia expandida, quantificável em
termos do critério de Kilo-Joule (Kj) ou Kilo-calorias (Kcal),
(Vieira, 1996).

O seja, a actividade física é qualquer movimento corporal,


produzido pelos músculos esqueléticos, que resulte em gasto
energético maior que os níveis de repouso.

Actividade física é um conjunto de acções corporais capazes de


contribuir para a manutenção e o funcionamento normal do
organismo em termos Biológicos, Psicológicos e Sociais. O
exercício tem como objectivo induzir habilidades e capacidades
motoras (coordenação e condicionamento), bem como
incrementar a mobilidade.
Sociologia do Desporto 20

Quando visamos estabelecer relações entre lazer e qualidade de


vida, buscamos entender quais os benefícios que este pode trazer
as pessoas, e também, qual a relação e como a Educação Física
pode actuar.

Pimentel (2002), o que caracteriza e delimita a actuação do


profissional de Educação Física na área do lazer e recreação é a
prática da actividade física orientada. Isso é importante ser
esclarecido porque nem sempre o lazer será trabalhado
especificamente por profissionais de Educação Física.

A Recreação é comummente apresentada de maneira ligada à


área de lazer quase como se o binómio “Recreação e Lazer”
possuíssem um significado único. Isto talvez ocorra por ambas
às áreas possuírem características comuns como o componente
lúdico, a busca da satisfação pessoal, a flexibilidade nas regras.
Mas recreação e lazer não estão restritos um ao outro, embora
muitas vezes encontraremos vivências que pertencem às duas
áreas.

Werneck et al. (1999) coloca que o lazer não deve somente


almejar a qualidade de vida no sentido individual, mas sim em
seu sentido social, histórico, político e cultural. Essa afirmativa
remete a necessidade da busca por condições dignas de vida para
sociedade como um todo. As melhorias das condições
socioeconómicas da sociedade contribuiriam para a melhoria da
qualidade de vida desta sociedade.

Actuação do profissional de Educação Física na área do lazer,


torna-se possível, pois além de proporcionar a actividade física,
está associada ao bem-estar físico, o qual poderá criar situações
ou indicar elementos relacionados à característica de cada
indivíduo que envolvam os seis conteúdos do lazer (Artístico;
Intelectuais; Manuais; Físico-Desportivo; Turístico; e Social).
Consequentemente conciliando a qualidade de vida. Portanto,
visto na óptica que o profissional em Educação Física deve ter
em relação ao lazer à qualidade de vida é no sentido de fomentar
e esclarecer discussões que permeiam a intervenções
Sociologia do Desporto 21

profissionais, neste caso, especificamente no que tange as suas


relações com a saúde e qualidade de vida.

Antes de qualquer coisa, a existência é corporal, tem uma


contribuição significativa no que diz respeito aos estudos de corpo,
especialmente na vertente sociológica. A corporeidade humana,
fruto de indagações e questioname ntos de diversas áreas do
conhecimento, como a antropologia, história, filosofia e as ciências da
saúde, tem sido análise voltada aos aspectos sociais e culturais, em que
a dimensão simbólica do corpo e suas representações pelos atores são
centrais para a sua compreensão.

A Prática pedagógica na Sociologia do Corpo na actividade física


Ao serem indagados sobre de que forma, em suas disciplinas ou
prática pedagógica, os professores trabalham com o corpo dos seus
alunos, as respostas apontaram para duas tendências, conforme pode
ser visualizado no quadro 1.
Quadro 1: A Prática pedagógica na Sociologia do Corpo na actividade
física.
Aspectos objectivos ou Corpo performance
Corpo com actividades • Repetição de movimentos (técnica);
regulares • Instrumentalização do aluno para traçar objectivos,
acompanhar e avaliar;
• Treinamento de movimentos específicos, tornar o
corpo hábil;
• Instrumento para a prática do desporto;
• Instrumento para adquirir saúde.

Corpo-experimento

• Experimentação e vivência prática de aspectos teóricos,


essencialmente técnicos, para futura aplicação.
Total Parcial
Corpo subjectiva

• Descobertas, sensações, revelações no/do próprio corpo


Aspectos subjectivos ou
Corpo abstracto • Exploração e criação de movimentos

• Reflexão sobre as práticas


Corpo como um todo, físico, psíquico e social

Outros • Fundamentação teórica/prática da ginástica para aplicação


no mercado de trabalho
Sociologia do Desporto 22

Sumário
Esta unidade permite conhecer a sociologia e a sua história no
que diz respeito as perspectivas sociológicas sobre a actividade.

Exercício 4
1. Fale da importância da sociologia sobre a actividade física. E
de 4 exemplo claros.
2. Contracene os autores e a sua realidade no âmbito da matéria
em questão?
3. Faça uma reflexão da sociologia e actividade física e saúdo?
Sociologia do Desporto 23

Unidade nº 5
Lazer e Desporto
A prática de actividade física e os desportos de recreação e lazer são
essenciais para a nossa saúde e bem-estar. Actividade física adequada
e desporto para todos constituem um dos pilares para um estilo de vida
saudável, a par de uma alimentação saudável, vida sem tabaco e o
evitar de outras substâncias prejudiciais à saúde. O exercício físico
regular, fornece aos jovens inúmeros benefícios (físicos, mentais e
sociais) para a saúde.

Desporto e lazer

Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:

 Conhecer o Desporto;
 Saber deferência Lazer e Desporto;
 Analisar as sociedades nas comunidades e
Objectivos fazer um enquadramento histórico;

A Demografia é uma área da ciência geográfica que estuda a


dinâmica populacional humana. O seu objecto de estudo engloba
as dimensões, estatísticas, estrutura e distribuição das diversas
populações humanas. Estas não são estáticas, variando devido à
natalidade, mortalidade, migrações e envelhecimento. A análise
demográfica centra-se também nas características de toda uma
Sociologia do Desporto 24

sociedade ou um grupo específico, definido por critérios como a


Educação, a nacionalidade, religião e pertença étnica.

No século XIX, mais precisamente no ano de 1855, Achille


Guillard em seu livro Eléments de Statistique Humaine ou
Démographie Comparée (Elementos de Estatística Humana ou
Demografia Comparada), usou pela primeira vez o termo
demografia.

A demografia estendeu-se além do campo da antropologia.


Principalmente na segunda metade do século XX, muitos
estudos voltaram-se ao estudo da demografia de animais e de
plantas.

As alterações no estilo de vida, observadas nos últimos anos,


desencadearam um aumento da inactividade física, tornando-se
um problema sério em vários lugares do mundo, tanto em países
em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, mais comum em
classes sociais com pessoas menos instruídas, vivendo abaixo da
linha de pobreza e em famílias com menor rendimento.

Torna-se cada vez mais importante ir ao encontro dos desejos da


população e criar condições para ocupar os jovens em
actividades saudáveis e que permitam um desenvolvimento
harmonioso.
A implementação de equipamentos desportivos nas freguesias do
Concelho é uma das razões para o aumento da prática desportiva
ou simplesmente para a utilização dos equipamentos para lazer,
o que tem acontecido nos últimos tempos com a criação do
circuito de manutenção que junta no mesmo espaço avós e netos
para desfrutar de um período agradável.
A criação destes equipamentos só foi possível devido ao grande
esforço e investimento feitos pela Autarquia que continua
apostada no incremento de novas infra-estruturas como é o caso
da Piscina Municipal, em Alcáçovas, o Pavilhão Desportivo de
Aguiar, e ainda a piscina coberta, em Viana do Alentejo,
projectos a realizar a curto prazo durante o presente mandato.
Sociologia do Desporto 25

Conceitos de Lazer

Dumazedier, (1983) o lazer é um conjunto de ocupações às


quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para
repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda,
para desenvolver sua informação ou formação desinteressada,
sua participação social voluntária ou sua livre capacidade
criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações
profissionais, familiares ou sociais.

Diferenças entre Recreação, Lazer, Jogo e Brincadeira

Como se pode analisar nos conceitos existem algumas diferenças


entre a recreação, o lazer, o jogo e a brincadeira.

A recreação é todas actividades que o individuo procura praticar


em seu tempo livre buscando sua satisfação. As brincadeiras são
também actividades onde o indivíduo as procura, porém a
diferença é que nas brincadeiras o praticante para obter o
resultado deve se entregar totalmente a actividade
transformando-a em divertida, alegre e que cause um bem-estar
em quem procura este estado de espírito. Uma actividade
recreativa pode não obter esse resultado.

O Lazer pode ser ao mesmo tempo férias e trabalhos


voluntários, nadar e fazer desporto, prazeres gastronómicos e
entretenimentos musicais, actividades de lazer, leitura de jornal e
estudo de uma obra-prima, conversa fútil e conversa cultural.
São actividades que não visa a obtenção de um pagamento e
colocam-se à margem das obrigações familiares, sociais,
políticas e religiosas. São desinteressadas e realizadas
livremente, a fim de proporcionar satisfação aos indivíduos que
as praticam.

Fazendo distinção entre jogo e brincadeira pode-se dizer que o


jogo é a actividade com regras que definem uma disputa “que
serve para brincar” e brincadeira é o atam ou efeito de brincar,
entreter-se, distrair-se com um brinquedo ou jogo. Ao tentar
estabelecer a diferença entre jogos e brincadeiras há apenas uma
Sociologia do Desporto 26

pequena mudança: o jogo é uma brincadeira com regras e a


brincadeira, um jogo sem regras. O jogo se origina do brincar ao
mesmo tempo em que é o brincar.

Acerca deste tema, achamos importante relembrar a “Carta


Europeia do Desporto”, de Rhodes, em 1992 (em baixo – PDF
nº1), na qual ministros europeus discutiram, entre outros temas,
um conjunto de medidas de apoio à igualdade da prática
desportiva para todos. Essas medidas estão apresentadas ao
longo de todo o documento, salientando-se o Artigo 4º, quando
fica explícito que, em relação ao governo de cada país, “tomar-
se-ão medidas tendo em vista dar a todos os cidadãos a
possibilidade de praticarem desporto e, se for caso disso,
medidas suplementares para permitir às pessoas ou grupos
desfavorecidos ou deficientes, aproveitarem realmente estas
possibilidades”, sendo que “Os proprietários de instalações
desportivas tomarão as disposições necessárias para permitir que
as pessoas desfavorecidas, incluindo as que sofrem de uma
deficiência física ou mental, tenham acesso a estas instalações.

Desporto para todos

Importância do Desporto:

 Igualdade de oportunidades;
 Educação e saúde;
 Qualidade de vida;
 Inclusão social de todos os cidadãos.
Sociologia do Desporto 27

Acesso das pessoas com deficiência à prática de actividades


desportivas:

 Autonomia;
 Integração;
 Valorização pessoal;
 Participação;
 Melhores níveis de acessibilidade psicológica e social;

O direito das pessoas com deficiência à prática de actividades de


Desporto constitui a expressão de um direito fundamental de todo o
ser humano.

Benefícios:

 Autonomia;
 Mobilidade;
 Melhoria da condição física;
 Melhoria das capacidades desportivas;
 Aumento da auto-estima;
 Aumento da motivação;
 Aumento da interacção e comunicação;
 Aumento dos níveis de participação.

A qualidade de vida de uma pessoa com deficiência depende da sua


participação activa no seu próprio processo de desenvolvimento e do
aumento crescente da sua auto-confiança, da construção da sua própria
identidade, da sua capacidade de decisão e da sua percepção do
ambiente onde está inserida.

Pretende-se com a prática desportiva conduzir a pessoa com


deficiência ou incapacidade a uma maior autonomia e a uma maior
eficiência na relação consigo própria e com o meio, potenciando-se a
sua socialização e promovendo-se, assim, níveis seguros de integração
psico-social e de interacção social.

Numa perspectiva global dos direitos humanos, o acesso às actividades


desportivas, por parte das pessoas com deficiência, coloca-se no
respeito pela vida e no direito à diferença, no sentido da construção de
uma sociedade para todos.

Sumário
O lazer e desporto são uma área da sociologia do desporto onde
podemos tratar de diversos assuntos liga a sociologia do desporto.
Sociologia do Desporto 28

Exercício 5
1. Explica por palavras tua o que entende e sobre a compreensão
do lazer e Desporto fazendo uma relação com a sociologia do
Desporto?
2. O que seria brincadeira e lazer?
3. De exemplo das actividade de lazer e comente no mínimo 4 a
sua importância para a sociedade?
4. Qual é a relação da demografia para a sociologia?
5. No século XIX, mais precisamente no ano de 1855, Achille
Guillard em seu livro Eléments de Statistique Humaine ou
Démographie Comparée (Elementos de Estatística Humana ou
Demografia Comparada), usou pela primeira vez o termo
demografia. Comenta a afirmação em 12 linhas.
Sociologia do Desporto 29

Unidade nº 6

Socialização no Desporto

Actualmente o Desporto e a socialização se afirmar pela codificação e


institucionalização das diferentes práticas físicas, assentes na
regulamentação e regulação das acções desportivas que se inserem
num processo mais geral de normalização das sociedades, este não
deve ser considerado como um mero produto da industrialização, mas
sim uma adaptação à moderna vida económica, política e social.

Características da sociedade actual como a individualização, o culto


pela diferença, a ruptura com a uniformidade e a rotina, a
normalização niveladora, juntamente com o culto do corpo, a procura
de lazeres activos e a informatização dos espaços de prática e dos
tempos que lhe são dedicados, trouxeram uma dinâmica própria bem
como novos valores às práticas desportivas.

Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:

 Definir o que é Socialização no desporto;


 Conhecer as grandes vantagens da Sociologia arena do Desporto.

Objectivos

Teoria de Augusto Comte (1798 a 1857) - Positivismo


O positivismo foi uma corrente filosófica linha teórica da
sociologia, cujo mentor e iniciador principal foi Auguste Comte,
no século XIX. Apareceu como reacção ao idealismo, opondo ao
primado da razão, o primado da experiência sensível (e dos
dados positivos). Propõe a ideia de uma ciência sem teologia ou
metafísica, baseada apenas no mundo físico e material.
Sociologia do Desporto 30

A filosofia positiva ou positivismo corresponde a uma forma de


entendimento do mundo, do homem e das coisas em geral: ele
entende que os fenómenos da natureza acham-se submetidos a
leis naturais, que a observação descobre, que a ciência organiza
e que a tecnologia permite aplicar, preferencialmente em
benefício do ser humano. As leis naturais existem nas várias
categorias de fenómenos, que Augusto Comte distinguiu em
sete: há fenómenos matemáticos, astronómicos, físicos,
químicos, biológicos, sociais e psicológicos.

Estas categorias de fenómenos envolvem a totalidade dos


fenómenos naturais que o Positivismo reconhece como, todos
eles, submetidos a leis naturais.

O Positivismo considera que, quanto ao entendimento dos


fenómenos, quanto à forma de explicar o mundo, o progresso da
humanidade consistiu em partir-se da concepção teológica e
chegar-se à filosofia positiva.

O espírito humano, em seu esforço para explicar o universo,


passa sucessivamente por três estados:

1- O estado teológico ou "fictício" explica os fatos por meio de


vontades análogas à nossa (a tempestade, por exemplo, será
explicada por um capricho do deus dos ventos, Eolo). Este
estado evolui do fetichismo ao politeísmo e ao monoteísmo.

b) O estado metafísico substitui os deuses por princípios


abstractos como "o horror ao vazio", por longo tempo atribuído à
natureza. A tempestade, por exemplo, será explicada pela
"virtude dinâmica “do ar

c) O estado positivo é aquele em que o espírito renuncia a


procurar os fins últimos e a responder aos últimos "por quês".

O Positivismo fez grande sucesso na segunda metade do século


XIX, mas, a partir da acção de grupos contrários, perdeu
influência no século XX. Todavia, desde fins do século XX ele
tem sido redescoberto como uma forma de perceber o homem e
o mundo, a ciência e as relações sociais.

Teoria de Herbert Spencer (1820-1903) Evolucionismo e


Organicismo
Sociologia do Desporto 31

Spencer, um dos pioneiros da sociologia, influi profundamente


no desenvolvimento da sociologia, não só na Inglaterra, como
também, na França e nos EUA. Defende o evolucionismo. Para
sustentá-lo, empregou um método comparativo, do qual foi um
dos pioneiros, bem como usou dados etnológicos. Utilizou dados
da história, da psicologia e da biologia. Desta ultima se serviu
para desenvolver a sua teoria organicista.

Estava convencido de que a sociologia deve proceder


comparando grupos sociais históricos, de modo a descobrir o
que tem em comum. Faz questão de salientar que a evolução
social não depende da vontade humana. Tanto a evolução social,
como o progresso, são necessários, não dependendo do homem.

Como Comte, Spencer acreditava que os agrupamentos humanos


podiam ser estudados cientificamente, e em seu notável trabalho
"Os Princípios da Sociologia" (1874-1896), ele desenvolveu
uma teoria de organização social do homem, apresentando uma
vasta série de dados históricos e etnográficos para fundamentá-
la. Para Spencer, todos os domínios do universo, físico,
biológico e social - desenvolvem-se segundo princípios
semelhantes. E a tarefa da sociologia é aplicar esses princípios
ao que ele denominou de campo super-orgânico, ou o estudo dos
padrões de relações dentre os organismos.

Spencer retorna a questão de Comité: o que mantém unida a


sociedade quando esta se torna maior, mais heterogénea, mais
complexa e mais diferenciada? A resposta de Spencer em termos
gerais foi muito simples: sociedades grandes complexas,
desenvolvem:

- Interdependências dentre seus componentes especializados;

- Concentrações de poder para controlar e coordenar actividades


dentre unidades interdependentes. Para Spencer a evolução da
sociedade engloba o crescimento e a complexidade que é
gerenciada pela interdependência e pelo poder. Se os padrões da
interdependência e concentrações de poder falham ao surgir na
sociedade, ou são inadequados à tarefa, ocorre a dissolução, e a
sociedade se desmorona.

Ao desenvolver resposta à questão básica de Comte, Spencer fez


uma analogia aos corpos orgânicos, argumentando que as
Sociologia do Desporto 32

sociedades, como organismos biológicos, devem desempenhar


certas funções-chave se elas quiserem sobreviver.

As sociedades devem reproduzir-se; devem produzir bens e


produtos para sustentar os membros; devem prover a
distribuição desses produtos aos membros da sociedade; e elas
devem coordenar e regular as actividades dos membros. Quando
as sociedades crescem e se tornam mais complexas, revelando
muitas divisões e padrões de especialização, estas funções!

Chaves tornam-se distintas ao longo de três linhas:

 - A operacional (reprodução e produção),


 - A distribuidora (o fluxo de materiais e informação),
 -A reguladora (a concentração de poder para controlar e
coordenar).

Spencer é mais bem lembrado por instituir uma teoria na


sociologia conhecida como funcionalismo. Essa teoria expressa
a ideia de que tudo o que existe em uma sociedade contribui para
seu funcionamento equilibrado; de que tudo o que nela existe
tem um sentido, e um significado.

Teoria de Le Play (1806-1882) - Pioneiro do Método


Monográfico

Le Play tem o mérito de ter sido um dos primeiros a encarar o


social dentro de uma perspectiva científica. Fez escola e foi um
dos construtores da metodologia sociológica.

Tratando das ciências sociais, não formulou conclusões


apressadas, pois reconhecidas que só depois da observação dos
factos se podem atingir resultados aceitáveis. Para atingi-los,
imaginou uma técnica, a monografia, da qual é pioneiro.

Estabelecendo o elemento mais simples da sociedade, o


sociólogo deve evitar o estabelecimento de conclusões logo após
apressadas suas observações. Não deve limitar-se a observar seu
meio. Deve preferir observar grupos sociais que não lhe são
familiares, pois os que lhe estão próximas podem ser vistos à luz
do prisma de sua crenças ou preferenciais. Deve-se afastar de
seu habitat, conhecer povos diferentes, enfim, viajar.
Sociologia do Desporto 33

Acreditando que as viagens proporcionam observação directa de


costumes e organizações sociais diferentes, Le Play percorreu a
Europa, não como turista, mas como estudioso de questões
sociais: observando, anotando e analisando.

Segundo Le Play, não seria o indivíduo isolado o elemento


fundamental para a compreensão da sociedade, mas sim a
unidade familiar. Estudou diversas famílias de trabalhadores sob
a industrialização e pôde observar que elas estavam mais
instáveis do que anteriormente. Le Play acreditava que se os
respectivos papéis tradicionais do homem e da mulher dentro da
família fossem resgatados, as famílias e a própria sociedade
poderiam adquirir mais equilíbrio.

O grande mérito de Le Play foi ter introduzido nas ciências


sociais a observação directa, isto é, a observação metódica,
controlável e objectiva. Escolheu, como ponto de partida de suas
observações, como forma de vida social mais elementar e
simples, bem como mais comum entre os povos, a família.

Teoria de Karl Marx (1818-1883) Sociologia crítica e


económica

Economista, filósofo e socialista, Karl Marx nasceu em Trier em


05 de Maio de 1818, e faleceu em Londres no dia 14 de Março
de 1883.

Em 1844 conhece Friedrich Engels: é o começo de uma grande


amizade. Em 1848, Marx e Engels publicaram o folheto O
Manifesto Comunista, primeiro esboço da teoria revolucionária
que, mais tarde, seria chamada marxista. Em 1867 publicou o
primeiro volume da sua obra principal: O Capital.

O ponto de partida do pensamento marxista é a consciência de


que toda história humana parte da existência de seres humanos
vivos, onde, partindo deste princípio, valorização do homem,
buscam alcançar as transformações necessárias para uma
sociedade mais justa, igualitária e humana.

A teoria marxista também procura explicar a evolução das


relações económicas nas sociedades humanas ao longo da
história, a história da humanidade seria constituída por uma
permanente luta de classes.
Sociologia do Desporto 34

Em sua obra O Capital, Marx analisa em profundidade a génese


e o desenvolvimento das categorias que estruturam a sociedade
burguesa ou capitalista, bem como as possibilidades de
superação das mesmas.

O modo de produção do capital só pode existir quando se


generaliza a produção de mercadorias. Isto quer dizer que todos
os bens produzidos pelo trabalho somente realizam sua utilidade,
que é satisfazer necessidades humanas, mediante a troca. Esses
bens não são apropriados e consumidos segundo as
necessidades, mas através da troca, ou seja, se os homens não
possuírem mercadorias estão excluídos do processo de troca e,
por conseguinte, impedidos de satisfazerem suas necessidades
vitais. O processo de produção da existência resume-se,
portanto, a um processo de produção de mercadorias.

O capital pressupõe a formação de duas classes sociais opostas e


complementares:

Burguesia (Interesse em produzir para obter lucros) e o


Proletariado (Vende a sua força de trabalho para obtenção dos
meios de subsistência para a manutenção da própria vida).

O salário refere-se ao tempo de trabalho necessário para a


produção da força de trabalho, do qual constam os tempos
necessários para a produção de todos os meios de subsistência
para a manutenção da vida dos trabalhadores.

A força de trabalho é remunerada pelo seu valor; no entanto, ela


produz um valor maior do que o seu próprio valor, que
corresponde a outra parcela da jornada de trabalho. Esse
excedente, que Marx denomina de mais-valia, se produz durante
a jornada institucionalizada de trabalho. Trata-se de um trabalho
não pago, de modo que a origem do capital se fundamenta na
apropriação privada do trabalho excedente.

Segundo Marx, as características fundamentais do capitalismo


são: Generalização da produção de mercadorias; Valor de troca;
Separação entre produtores directos e os meios de produção;
Transformação da força de trabalho em mercadoria. A Produção
de mercadorias visa o lucro.

Marx queria a inversão da pirâmide social: o Proletariado sobre


a Burguesia. Ele acreditava que a inversão da pirâmide social era
Sociologia do Desporto 35

a única força capaz de destruir a sociedade capitalista e construir


uma nova sociedade, socialista. Tentou demonstrar que no
capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito
de uma pessoa ficar rica e ampliar a sua fortuna seria explorando
os trabalhadores, ou seja, o capitalismo, que de acordo com
Marx é agressivo.

O Estado é tratado por Marx e Engels como o poder público


dominado pela classe que detém o poder sobre os meios de
produção. Significa, por tanto, que se as classes desaparecerem
esses poder público perde o seu carácter de classe (poder
político), mas não deve desaparecer enquanto poder público.

Seria uma ingenuidade pensar que a sociedade comunista de


Marx e Engels vai eliminar os conflitos e as disputas entre os
homens. O que ela se propõe a eliminar são os conflitos de
classe, enquanto fundamento das desigualdades, das injustiças
sociais, da opressão e da alienação a que estão submetidos os
homens na sociedade capitalista.

Há ainda outra importante faceta do trabalho de Marx: a função


militante do sociólogo. O objectivo da análise é expor a
desigualdade e a exploração em situações sociais e, assim
fazendo, desempenhar papel militante para superar essas
condições. Os sociólogos não devem apenas ficar na plateia; eles
devem trabalhar para mudar o mundo social de modo a reduzir
as desigualdades e a dominação de um segmento da sociedade
pelo outro. Marx propõe a superação do modo de produção
capitalista e a uma nova forma de produção com base no
colectivismo. Esse programa permanece ainda como fonte de
inspiração para muitos sociólogos que participam como
militantes no mundo social.

Teoria de Gabriel Tarde (1843-1904) Teoria da imitação


Psicossociologia

Tarde reduziu os fenómenos sociais a processos mentais,


principalmente à imitação, que teria sua origem na invenção.
Esta produtora das transformações sociais, seria individual,
dependo de poucos, enquanto a imitação, colectiva, necessitando
sempre de mais de uma pessoa. Assim, o processo social
caracteriza-se pela 'invenção de poucos e imitação de mitos.
Sociologia do Desporto 36

Portanto, para o sociólogo francês Gabriel Tarde, não há vida


social sem imitação. Na sua definição, sociedade é "uma
colecção de seres com tendência a se imitarem entre si, ou que,
sem se imitarem, actualmente se parecem, e suas qualidades
comuns são cópias antigas de um mesmo modelo." Tarde vai
além, de forma bem clara: "nós imitamos os outros a cada
instante, a não se que nós inovemos, o que é raro." Muito raro:
"pois nossas inovações são em sua maior parte combinações de
exemplos anteriores" e "permanecem estranhas à vida social se
não forem imitadas."

Para ele não há outra realidade se não a existência de


consciências individuais. Os indivíduos, por sua vez, não se
unem uns aos outros senão a partir do momento em que adoptam
um modelo de referência e imitam esse modelo. Esta imitação
não se faz sem resistência, sem oposição; mas é ela que permite
a adaptação social, a vida em sociedade, o liame social.

A obra de Tarde vem sendo objecto de reedições e comentários,


pois sua temática, ao discutir a imitação, a invenção, o público,
as multidões e os meios de comunicação, mostra-se de uma
actualidade contundente, aportando paradigmas plenamente
válidos, como ferramentas a serviço daqueles a quem cabe
interpretar a realidade, o direito e a sociedade.

Teoria de Emile Durkhiem (1858- 1917) Realismo


Sociológico

Durkheim assistiu e participou de acontecimentos marcantes e


que podemos notar directamente em sua obra, pelas
consequências directas da derrota francesa e das dívidas
humilhantes da guerra, e por uma série de medidas de ordem
política.

Vivenciou em momento de crises económicas, onde provocaram


conflitos entre as classes trabalhadoras e os proprietários dos
meios de produção, influenciando assim, sua afirmação de que
os problemas da sociedade Europeia eram "morais" e não
económicos, acontecendo frequentemente devido à fragilidade
da época.

Desenvolveu um método próprio para seus estudos, incluindo o


suicídio, devido ao enorme índice constatado por ele. Acreditava
Sociologia do Desporto 37

também, que os seus estudos pudessem ajudar a sociedade


futuramente.

Ele parte do princípio que o homem seria apenas um animal


selvagem que só se tornou Humano porque se tornou sociável,
ou seja, foi capaz de aprender hábitos e costumes característicos
de seu grupo social para poder conviver no meio deste. O
processo de aprendizagem, Durkheim chamou de
"Socialização", a consciência colectiva seria então formada
durante a nossa socialização e seria composta por tudo aquilo
que habita nossas mentes e que serve para nos orientar como
devemos ser, sentir e nos comportar. E esse "tudo" ele chamou
de "Fatos Sociais", e disse que esses eram os verdadeiros
objectos de estudo da Sociologia.

A sociedade não seria simplesmente a realização da natureza


humana, mas, ao contrário, aquilo que é considerado natureza
humana é, na verdade, produto da própria sociedade. Os
fenómenos sociais são considerados por Durkheim como
exteriores aos indivíduos, e devem ser conhecidos não por meio
psicológico, pela busca das razões internas aos indivíduos, mas
sim externamente a ele na própria sociedade e na interacção dos
factos sociais. Fazendo uma analogia com a biologia, a vida,
para Durkheim, seria uma síntese, um todo maior do que a soma
das partes, da mesma forma que a sociedade é uma síntese de
indivíduos que produz fenómenos diferentes dos que ocorrem
nas consciências individuais (isto justificaria a diferença entre a
sociologia e a psicologia).

Para Durkheim, os factos sociais possuem uma realidade


objectiva e, portanto, são passíveis de observação externa.
Devem, desta forma, ser tratados como "coisas".

Características dos factos Sociais:

Generalidade: é a comunhão no pensar, agir e sentir de um grupo


de pessoas. Todos têm os 'mesmos' comportamentos, seguem os
mesmos parâmetros e limites.

Exterioridade: é aquele facto que este intrínseco no indivíduo.


Mesmo que o indivíduo queira roubar, matar ou cometer
qualquer ato ilícito, ele não o fará, mas não por que está proibido
pela lei para tais actos, mas por estar acima de sua vontade o
limite do que pode ou não ser feito.
Sociologia do Desporto 38

Coercitividade: É a obrigação do indivíduo a seguir determinada


orientação, conceito ou norma já preestabelecida pela sociedade
(Estado).

Durkheim inverte a visão filosófica de que a sociedade é a


realização de consciências individuais. Para ele, as consciências
individuais são formadas pela sociedade por meio da coerção. A
formação do ser social, feita em boa parte pela educação, é a
assimilação pelo indivíduo de uma série de normas, princípios
morais, religiosos, éticos, de comportamento, etc, que balizam a
conduta do indivíduo na sociedade. Portanto, o homem, mais do
que formador da sociedade, é um produto dela.

Teoria de Georg Simmel (1858-1918) Formalismo


Sociológico

Simmel fez sociologia dentro do ponto de vista filosófico. Se


destacou como um dos representantes do movimento filosófico
que dominava nos meios universitários alemães: o neokantismo.

Portanto, Simmel trouxe para a sociologia a filosofia de Kant.


Pensou em construir uma sociologia capaz de fornecer visão
unitária do social, apenar da infinita variedade das relações
sociais. Se diferenciou no campo do estudo dos fenómenos
sociais em razão de seu interesse pela análise macrossociológica,
que se refere à investigação da sociedade, mas a partir das
acções e reacções dos atores sociais em interacção.

A sociologia formal é uma perspectiva teórica que está muito


próxima da chamada "sociologia da acção", e ambas se
contrapõem às concepções teóricas de carácter
macrossociológico, como o estruturalismo, o funcionalismo e o
neomarxismo.

Teoria de Leopold Von Wiese (1876 -1969) Sociologia das


Relações Sociais

Von Wiesse seguiu, de modo geral, as linhas fundamentais do


formalismo sociológico instaurado por Simmel, porém, e nisso
está a sua originalidade, sem os pressupostos filosóficos deste.
Denomina-se a sua teoria de "sociologia das Relações sociais", a
fim de evitar confusões com o formalismo filosófico de Simmel.
Sociologia do Desporto 39

Começa definindo a Sociologia, que para ele é a ciência


autónoma, como estudo da 'socialificação' e da
'dissocialificação'. É a ciência que gira em torno de processos,
distâncias e formações sociais.

O objecto da Sociologia é dado pelos "processos sociais ou inter-


humanos. Daí sua tarefa consistir em:

- Abstrair o social ou inter-humano do resto da vida humana;

- Constatar os efeitos do social e o seu modo de produção;

- Restituir o social ao conjunto da vida humana para tornar


compreensíveis suas relações com esta.

Von Wiese pensa que, no plano social, os homens ou se unem


entre si (aproximam-se), ou se evitam (afastam-se).
Aproximação e afastamento ou separação, eis, pois, as formas
fundamentais de relações sociais.

Teoria de Vilfredo Pareto (1848 -- 1923) Mecanicismo


Sociológico.

As ideias de Pareto podem ser classificadas na corrente do


pensamento sociológico conhecida por mecanicismo
sociológico, que originaria do século XIX, é, juntamente com o
mecanicismo filosófico, influenciada pelo progresso das
Ciências Físico-Químicas, alcançado no século passado.

Pareto, como os demais mecanicistas, pesando com categorias,


terminologia, leis da física e da mecânica, fez também largo uso
do pensamento matemático. Daí ter empregado equações,
símbolos e raciocínio matemático no desenvolvimento de sua
teoria. Devido a tal modo de pensar, afirma ser ele um dos
fundadores da sociologia Matemática.

Matemática e mecânica, eis, pois, os pressupostos de sua teoria,


que, combinados com a observação, essencial aos fenómenos
sociais, levaram Pareto a estabelecer uma metodologia que
transforma a sociologia em ciência lógico-experimental.

A sociologia, diz Pareto, deve-se fundar não em dogmas ou em


axiomas, mas na experiência e na observação. Desta forma
propôs estudar os 'fatos sociais' com único fim de descobrir suas
uniformidades (leis) e as relações que os entrelaçam.
Sociologia do Desporto 40

Na sociologia, Pareto contribuiu para a elevação desta disciplina


ao estudo ao estatuto de ciência. Sua recusa em atribuir um
carácter utilitário, á ciência, mas antes apontar para sua busca
pela verdade independente de sua utilidade, o faz distinguir
como objecto da sociologia as acções não-lógicas diferentemente
do objecto da economia como sendo as acções lógicas.

O homem para Vilfredo Pareto não é um ser racional, mas um


ser que raciocina tão-somente. Frequentemente este homem
tanta atribuir justificativas pretensamente lógicas para suas
acções ilógicas deixando-se levar pelos sentimentos.

Teoria de Max Weber (1864-1920) Sociologia Compreensiva

Sociólogo e economista político alemão, um dos fundadores da


sociologia moderna, académico cujos estudos do capitalismo, de
religiões comparadas, de sistemas de classes e sistemas sociais,
juntamente com as suas contribuições a metodologia das
ciências sociais, ainda são de grande importância. Na opinião de
Weber, a tendência da civilização do ocidente tem sido rumo a
racionalização, conduzida pela crença no progresso por
intermédio da razão, que abriu caminho para o desenvolvimento
das organizações sociais, políticas e económicas que diverge da
maioria das outras culturas.

Weber procurou criar uma metodologia válida para a sociologia


fundamentada em valor-liberdade, a fuga dos juízos de valor que
compromete a pesquisa; a construção de tipos ideia, ou conceitos
generalizados, em comparação aos que se possam analisar os
sistemas e os fenómenos; e o que ele chamava de Verstehen
"Entendimento" em alemão, mas que também implica a
interpretação das actividades sociais segundo seu significado
subjectiva tanto para os "agentes" quanto para o pesquisador.

O método compreensivo, defendido por Weber, consiste em


entender o sentido que as acções de um indivíduo contêm e não
apenas o aspecto exterior dessas mesmas acções. Se, por
exemplo, uma pessoa dá a outra um pedaço de papel, esse fato,
em si mesmo, é irrelevante para o cientista social. Somente
quando se sabe que a primeira pessoa deu o papel para a outra
como forma de saldar uma dívida (o pedaço de papel é um
cheque) é que se está diante de um facto propriamente humano,
ou seja, de uma acção carregada de sentido. O facto em questão
não se esgota em si mesmo e aponta para todo um complexo de
Sociologia do Desporto 41

significações sociais, na medida em que as duas pessoas


envolvidas atribuem ao pedaço de papel a função do servir como
meio de troca ou pagamento; além disso, essa função é
reconhecida por uma comunidade maior de pessoas.

O objecto da Sociologia é a acção social. Acção social é a


conduta humana dotada de sentido (justificativa subjectivamente
elaborada).

É importante diferenciar acção social de relação social. No


primeiro caso, a acção é orientada pela conduta do outro. Na
Segunda a acção é orientada pelo sentido compartilhado
reciprocamente por um grupo de agentes.

Tipos de acção social:

Acção racional com relação a um objectivo (tem um fim


previamente determinado). Ex: a acção política.

Acção racional com relação a valor (relacionado à moral). Ex:


condutas ligadas às manifestações religiosas.

Acção afectiva (ditado pelo estado de consciência ou humor do


sujeito). Ex: o ciúme entre os casais.

Acção tradicional (ditado por valores culturais absorvidos pelo


sujeito como naturais, obedecendo a reflexos).

É para orientar o cientista na compreensão da acção social e,


consequentemente dos fenómenos sociais que faz-se necessário a
construção do tipo ideal.

Para ele a sociedade não "paira" sobre os indivíduos e nem lhes


é superior. As regras e normas sociais são resultados de um
conjunto complexo de acções individuais, nas quais os
indivíduos escolheriam diferentes formas de conduta. Há por
tanto, um privilégio da parte (indivíduo) sobre o todo
(sociedade)

A sociologia weberiana concebe a sociedade como um eterno


fluir, um conjunto inesgotável de acontecimentos que aparecem
e desaparecem, estando sempre em movimento devido a um
elemento básico: a acção social que implica uma concepção do
homem como indivíduo activa a partir de um processo de
conexão valorativa do homem visando o real.
Sociologia do Desporto 42

A contribuição de Weber para a Sociologia:


 Busca da análise histórica e da compreensão qualitativa
para a compreensão dos processos históricos e sociais.
 Descoberta da subjectividade na acção e pesquisa social.
 Desenvolveu uma forma de análise específica para as
ciências sociais, diferenciando-a das ciências exactas e
da natureza.
 Desenvolveu trabalhos na área de história económica,
buscando as leis de desenvolvimento das sociedades.
 Estudou as relações entre o meio urbano e o agrário.

Teoria de Pitrim Aleksandrovich Sorokin (1899 - 1968)


Teoria das Flutuações dos sistemas socioculturais e da
mobilidade social.

Sorokin preocupou-se com o processo de civilização, ou seja,


estudou a dinâmica das civilizações, independente das
sociedades que se produziram ou que a elas serviram de suporte.

Sorokin levou a cabo um estudo profundo do que diferentes


povos consideraram como valioso durante a história. Dividiu os
sistemas de valores humanos em duas categorias principais que
denominou de empírica e idealista. O sistema de valores
empírico atribui valor ao que pode ser percebido pelos sentidos
físicos. O sistema de valores idealista atribui valor a conceitos
intelectuais e espirituais. Sorokin descobriu que o que é
considerado valioso pelas pessoas influencia suas crenças, suas
estruturas sociais e políticas e também sua arte.

Os povos que mantêm o ponto de vista empírico chegam à sua


verdade por meio da observação física e crêem que a relação
entre causa e efeito é invariável e determinada inteiramente pelo
acaso. Os povos que mantêm o ponto de vista idealista chegam à
verdade por inspiração ou revelação de Deus e crêem que as
causas verdadeiras se encontram em um mundo além do mundo
sensorial. Os povos que mantêm a visão empírica identificam o
bem com a felicidade, os povos que mantêm a visão idealista
crêem que o bem está determinado por princípios. Os povos que
mantêm a visão empírica atribuem ao indivíduo uma
importância capital e crêem que a sociedade é valiosa somente
na medida em que ajuda o indivíduo a alcançar a satisfação
completa de seus impulsos egocêntricos. Os ricos, os militares
Sociologia do Desporto 43

ou aqueles que dominam materialmente são os dirigentes da


sociedade empírica. Os povos que mantêm a visão idealista
crêem em que o bem global é prioritário e os direitos individuais
podem ser suspensos em benefício do todo. Os sacerdotes ou
líderes espirituais dirigem a sociedade idealista.

Sorokin tem o mérito de ter feito profunda análise do aspecto


interior do social, principalmente da 'intencionalidade'.

Teoria Karl Mannheim (1893- 1947) Relacionalismo


Sociológico.

Sociólogo húngaro Karl Mannheim foi um dos grandes


impulsionadores da Sociologia do Conhecimento. Na sua obra
"Ideologia e Utopia", publicado em 1929, faz uma abordagem
inovadora da relação entre o conhecimento e a realidade,
afirmando que é esta relação que determina o conteúdo das
ideias. Merece também destaque do seu contributo na divulgação
da sociologia nos Estados Unidos e em Inglaterra, transportando-
a, pela primeira vez, para fora da esfera germânica.

O marxismo exerceu inicialmente uma forte influência sobre o


pensamento de Mannheim, mas acabou abandonando-o, em
parte por não acreditar que fossem necessários meios
revolucionários para atingir uma sociedade melhor. Seu
pensamento assemelha-se em certos aspectos aos de Hegel e
Comte: acreditava que, no futuro, o homem iria superar o
domínio que os processos históricos exercem sobre ele. Foi
também muito influenciado pelo historicismo alemão e pelo
pragmatismo inglês.

Segundo Mannheim, a influência desses factores é da maior


importância e sua investigação deveria ser o objecto de uma
nova disciplina: a sociologia do conhecimento. Cada fase da
humanidade seria dominada por certo tipo de pensamento e a
comparação entre vários estilos diferentes seria impossível. Em
cada fase aparecem tendências conflituantes, apontando seja
para a conservação, seja para a mudança. A adesão à primeira
tende a produzir ideologias e a adesão à segunda tende a
produzir utopias.

O pensamento de Mannheim foi criticado sob alegação de,


através do historicismo, conduzir ao relativismo. Mannheim
negou essa crítica, afirmando que o relativismo só existe dentro
Sociologia do Desporto 44

de uma concepção absolutista das ideologias ou de qualquer


forma de pensamento.

Outras investigações importantes de Mannheim compreendem


estudos sobre as relações entre pensamento e acção. Sua
contribuição para a teoria do planeamento e para a
caracterização das sociedades de massa tem especial destaque.

Teoria de Alfred Karl David Weber (1868-1958) Sociologia


da Cultura

Foi um economista alemão, um sociólogo e teórico da cultura.


Entre 1907 e 1933 ele foi professor na Universidade de
Heidelberg até ser demitido por causa do seu criticismo a Hitler
e sua ideologia. Foi reabilitado em 1945 e continuou a dar aulas
até 1958.

Alfred Weber foi irmão de Max Weber, um outro sociólogo,


ainda mais influente. Weber apoiou a reintrodução da teoria e
modelos causais ao campo da Economia, para complementar a
análise histórica. Nessa área, o seu trabalho foi pioneiro na
modelação da localização industrial.

Ele viveu num período em que a sociologia se tornou um campo


científico autónomo. Weber manteve-se na linha da tradição da
filosofia da história. Nesta área, ele fez contribuições com teoria
analisando a mudança social na civilização ocidental como uma
confluência de civilização (intelectual e tecnológica), processos
sociais (organizações) e cultura (arte, religião e filosofia). Ele
levou a cabo análises empíricas e históricas acerca do
crescimento e distribuição geográfica das cidades e do
capitalismo.

Weber viveu na Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra


Mundial mas foi uma figura de destaque da oposição intelectual.

Teoria de Hans Freyer (1887-1968) Epistemologia


Sociológica

Hans Freyer, que formulou um sistema de Sociologia à luz da


filosofia de Hegel, preocupa-se principalmente com o problema
d a natureza do objecto da sociologia e com o da própria
sociologia como ciência
Sociologia do Desporto 45

Reconhece que sua obra é uma combinação de filosofia com


sociologia. Dentro do mais puro historicismo, considera o social
essencialmente marcado e pelo histórico. Acha que a Sociologia
só quando efectivamente reconhece o "carácter histórico" do
social é ciência autêntica.

A sociologia é a auto-consciência científica da realidade social.


Desta forma Freyer derruba o muto divisório que separa filosofia
da ciência. Igualmente filosófico é o modo como ele vê a
sociedade: manifestação de verdadeira vontade, isto é, do
conteúdo essencial d a vontade do presente. Elaborou assim uma
teoria filosófica da sociedade, e não uma sociologia como
ciência da realidade.

Teoria de Georges Gurvitch (1894-1965) Sociologia


Profunda

Georges Gurvitch é, possivelmente, um dos últimos pensadores


sociais que tiveram a audácia de propor um sistema próprio de
compreensão global do fenómeno humano, buscando uma união
entre uma filosofia pluralista, de origem fichteana, uma
formação fenomenológica e as aquisições da ciência social de
inspiração mais positivista.

Apesar desta posição preeminente, Georges Gurvitch é, e cada


vez mais, um autor marginal em relação ao que se denomina,
actualmente, "sociologia científica". Esta marginalidade não é
somente uma questão de ponto de vista, mas de fato. Esta
marginalidade pode ser explicada, em primeira aproximação,
pelo fato de que a moderna sociologia científica renunciou à
tentativa de elaborar sistemas globais ou globalizantes, em
benefício das "teorias de alcance médio", que partem da
constatação do fato de que não existe, ainda, a suficiente
acumulação de pesquisas que possa dar base a um sistema
sociológico suficientemente abrangente.

O Pluralismo sociológico de Gurvitch tem o mérito de destacar


sectores da realidade social até então desapercebidos para os
sociólogos. Tal pluralismo amplia o campo e o objecto da
sociologia. Mas, ao assim proceder, trouxe para a sociedade
questões fronteiriças com a Filosofia, com a história, com a
moral e com a psicologia, nas quais é muitas vezes difícil ao
sociólogo se manter no campo puramente sociológico.
Sociologia do Desporto 46

Teoria de Alfred Sauvy (1898) Sociologia Demográfica

Na actualidade, um dos grandes trabalhos sobre sociologia


demográfica foi feita por Sauvy, onde ela é dividia em duas
partes:

 - Estuda, a luz da economia, o problema população,


 - Denominada biologia social, que trata,
sociologicamente, desta questão.

Sauvy, depois de versar sobre a população primitiva, ocupa-se


demoradamente da população da sociedade desenvolvida,
analisada em função da noção de população óptima.

Teoria de Jacob Moreno (1892 a1974) Sociometria

Psiquiatra judeu, nascido na Romênia do fim do século passado,


Moreno cresceu em Viena - cidade-berço do Psicodrama e da
Sociologia. Sua adolescência foi marcada por dificuldades
familiares e pelo fato de ser um judeu vivendo na Europa numa
época de profundas convulsões sociais.

As principais correntes ideológicas do século XX rejeitavam a


religião e repudiavam a ideia de uma comunidade baseada no
amor, altruísmo, bondade e santidade. Ao contrário, Moreno se
colocou do lado de uma religião positiva. Sua ideologia se
baseava em três princípios. O primeiro dizia que a
espontaneidade e a criatividade são as verdadeiras forças
propulsoras do progresso humano; mais importantes, em sua
opinião, que a libido e as causas socioeconómicas. O segundo
dizia que o amor e o compartilhar mútuo são a base da vida em
grupo. Enfim, o terceiro dizia que podia-se construir uma
comunidade dinâmica baseada nesses princípios.

Após a Primeira Guerra Mundial, publicou "A filosofia do aqui e


agora" e "As palavras do pai", em que expõe sua posição
filosófico-religiosa. A esta ele sempre se manteve fiel. Mas sua
linha de pensamento foi relegada para segundo plano pelos
círculos intelectuais. No entanto, sua filosofia era a base teórica
das técnicas de sociometria, psicodrama e terapia de grupo, que
foram universalmente aceitas fora do contexto ideológico que as
inspirou. Já para Moreno, sua doutrina constituía a parte mais
revolucionária de seu trabalho.
Sociologia do Desporto 47

A sociometria funda-se em um dos aspectos do social: o


emocional. Todavia a sociometria é eficiente quando aplicada a
pequenos grupos, apesar da perspectiva parcial com que encara
fenómenos neles ocorridos. É de grande utilidade quando
aplicada em fábricas, estabelecimentos comerciais ou repartições
com o objectivo de descobrir líderes, formar equipes, a fim de
obter melhor produtividade. É útil também a colégios,
universidades, etc. assim, é técnica útil à sociologia industrial e a
educacional.

Teoria de Talcott Parsons (1902 a 1979) - Teoria da Acção


social

Talcott Parsonsfoi seguramente o sociólogo norte-americano


mais conhecido em todo o mundo. Em geral, seus críticos
entenderam-no como um pensador conservador, preocupado
basicamente com o bom ordenamento da sociedade, sem ter
muita tolerância para com a desconformidade ou a dissidência
dos que podiam manifestar-se contra ela. Sua obsessão era
determinar a função que os indivíduos desempenhavam na
estrutura social visando a excelência das coisas. Era um
estudioso da Estratificação Social não da mudança ou da
transformação. Considera-se que a concepção social dele tenha
sido influenciada directamente pelo antropólogo Bronislaw
Malinowski, um funcionalista, fortemente marcado pela
biologia, daí verem em Parsons um admirador da organização de
um formigueiro, no qual o papel dos indivíduos (das operárias à
rainha-mãe) esta devidamente pré-determinado e ordenado em
função da manutenção e aperfeiçoamento de um sistema maior.

A nova maneira de produzir os manufacturados começou a ser


adoptada em larga escala a partir da Primeira Guerra Mundial,
difundindo-se de modo impressionante nos anos de 1920 por boa
parte do mundo. Pode-se então dizer que Talcott Parsons foi,
antes de tudo, o intelectual orgânico das novas técnicas
produtivas adoptadas pelas indústrias: o taylorismo e o fordismo.

Agindo então tal como se fora um capataz de fábrica ou um


engenheiro de produção, ele naturalmente via qualquer
dissonância, crítica, protesto ou greve, como algo perturbador,
como um "desvio", quando não uma expressão da patologia, que
atrapalhava o todo. Para ele o sistema, como qualquer outro
corpo biológico, não só era estável como buscava ser
harmonioso, e consensual, tendo manifestado hostilidade à
Sociologia do Desporto 48

perturbações desencadeadas por ataques de "bacilos".


Desinteressando-se dos aspectos da transformação social sua
inclinação deu-se em favor do equilíbrio e do consenso.
Naturalmente que isso o posicionou a entender o indivíduo como
expressão das estruturas, as quais ele devia manter e preservar.
Caso isso não ocorresse entravam em acção os mecanismos do
Controle Social (moral, ética, sistema jurídico e penal, etc.),
como um instrumento preventivo ou correctivo.

O objectivo de qualquer sociedade era alcançar a homeostasias,


a manutenção da estabilidade, do equilíbrio permanente, fazendo
com que só pudéssemos entender uma parte qualquer a ser
estudada em função do todo. Se bem que a organização de
formigueiro pudesse atraí-lo, seguramente foi a racionalidade da
produção fabril quem determinou a concepção da Teoria Social
dele.

Expressões como "adaptação", "integração", " manutenção",


largamente utilizadas por Talcott Parsons, colocam-no
claramente no campo conservador do pensamento sociológico,
alguém que via a política apenas como um instrumento de
garantia do bom andar do todo, jamais como instrumento da
transformação.

Os estudos epidemiológicos realizados nos últimos anos


apontam para um crescente número de adolescentes
consumidores de bebidas alcoólicas em quase todo o mundo. A
média de idade para o início do consumo tem diminuído e parece
não haver mais diferença no uso de álcool entre meninos e
meninas. O uso abusivo desta substância é potencializado em
função de alguns factores como as expectativas com relação ao
uso de álcool, o grupo de amigos, o suporte social, além da
própria família que é considerada um dos principais factores
envolvidos desta cadeia multifacetada. A este respeito tem-se
que os estilos parentais de socialização têm-se configurado como
importantes factores de risco e ou protecção para o consumo de
álcool e outras drogas, assim como para uma série de outros
desfechos, com o desempenho académico, o comportamento
violento e sexual de risco.
Sociologia do Desporto 49

Nós fazemos parte de diversos grupos sociais e que é por meio


desses grupos que o nosso processo de socialização ocorre.
Temos, então, como agentes socializadores, de acordo com
Savoia (1989), três grupos: a família, a escola (agentes básicos)
e os meios de comunicação em massa. O primeiro contacto que
o ser humano tem, ao nascer, é a família:
 Primeiramente, com a mãe, por meio dos cuidados
físicos e afectivos, e, paralelamente, com o pai e os
irmãos, que transmitem atitudes, crenças e valores que
influenciarão no seu desenvolvimento psicossocial.
 Num segundo momento, tem a interferência da escola.
Geralmente, nessa fase, o indivíduo já traz consigo
referências de comportamentos, de orientação pessoal
básica, devido ao contacto inicial com a família.
Já os meios de comunicação em massa são considerados como
agente
Socializador, diante das inovações tecnológicas na actualidade
histórica, porém nem sempre eles têm consciência do seu papel
no processo de socialização e com a TV, a relação é diferente,
visto que a comunicação é directa e impessoal .
O processo de socialização ocorre durante toda a vida do
indivíduo
por isso, esse processo é dividido em etapas:

 Socialização primária
- Ocorre na infância com os agentes socializadores
citados anteriormente, que exercem uma influência
significativa na formação da personalidade social;

 Socialização secundária
- Ocorre na idade adulta. Geralmente, nessa etapa, o
indivíduo já se encontra com sua personalidade
relativamente formada, o que caracteriza certa
estabilidade de comportamento. Isso faz com que a acção
dos agentes seja mais superficial, mas abalos estruturais
podem ocorrer, gerando crises pessoais mais ou menos
intensas.
 Nesse momento, surgem outros grupos que se tornam
agentes socializadores, como grupo do trabalho;

 Socialização terciária
- Ocorre na velhice. Pela própria fase de vida, o
indivíduo pode sofrer crises pessoais, haja vista que o
Sociologia do Desporto 50

mundo social do idoso muitas vezes se torna restrito


(deixa de pertencer a alguns grupos sociais) e monótono.
Nessa fase, o indivíduo pode sofrer uma de-socialização,
em decorrência das alterações que ocorrem, em relação a
critérios e valores. E, concomitantemente, o indivíduo,
nesta fase, começa um
-Novo processo de aprendizagem social para as possíveis
adaptações a
-Nova fase da vida, o que implica em uma
ressocialização.

O desporto em geral é um processo de socialização, no qual, se


podem colocar em prática valores existentes nos atletas e mesmo
identificar outros atributos que capazes que socializar indivíduos
através da prática Desportiva. O meio nos impõe influências que
muitas vezes não faz parte do quotidiano das pessoas e que pode
ter um efeito contrário ao pretendido, que é extrair o que há de
melhor de seus costumes, em vários aspectos, como moral e
ética.
Epistemologicamente há um embate dos profissionais e
estudiosos entre o Desporto educativo em oposição ao desporto
de rendimento, o primeiro auxiliando o processo de socialização
e o segundo com finalidade de se preparar fisicamente para
determinada modalidade esportiva, seja qual for o desporto ou
categoria os desafios e dificuldades a serem trilhadas serão
bastante similares. Limitarei ao futebol, por ser o desporto muito
popular e colectivo que tem muitas lições a nos ensinar,
independentemente da qualidade e comparações entre equipas.
Vários historiadores definem que algumas das primeiras
civilizações jogavam o futebol “primitivo”, que eram jogos com
bola dos tempos medievais, considerados precursores do futebol
que hoje conhecemos. A maioria desses jogos permitia jogar e
dominar a bola com as mãos e chutá-la, como também os
adversários, usualmente eram formados por grupos rivais de
cidades e povoados vizinhos. O futebol “primitivo” pode ser
considerado violento e não civilizado se comparado com o jogo
que conhecemos actualmente. Esses jogos eram mais comuns
Sociologia do Desporto 51

serem jogados nos dias religiosos, como no carnaval, na Europa


ou shrovetide, na Inglaterra.
Alguns sociólogos argumentam que o jogo “primitivo”
funcionava para manter a ordem social e integrar os indivíduos
no âmbito local, promovendo uma socialização em longo prazo e
dando maturidade aos jovens. Os adolescentes praticavam o jogo
para comemorar sua passagem para a idade adulta. Então, de
modo geral o futebol alimentava um enorme sentimento de
condição do grupo que resultava na comunhão de atitudes e de
sentimentos, de modo a constituir o grupo em apreço uma
unidade sólida.

Para a Psicologia do Desporto, a socialização no desporto é de


grande importância, pois através dela inicia-se no atleta a moral,
o carácter, a ética, o espírito esportivo e outros atributos
essenciais para a supremacia emocional dos atletas.

A forma que o atleta tem de agir em relação a si e aos outros o


torna diferenciado diante de seus companheiros ou adversários,
podendo ser identificado um líder para o grupo. Como se vê os
adversários são necessários para que as regras do jogo sejam
respeitadas e com isso tenha sempre um “jogo limpo” e a equipe
se mantenha fiel as metas e objectivos. É fundamental que
dirigentes, técnicos, árbitros defendam e incentivem a virtude do
jogo limpo no início e durante a carreira dos atletas, neste
momento é essencial e fundamental o acompanhamento do atleta
e em consequência, da equipe, por um psicólogo do desporto, o
profissional qualificado para compreender e lidar com os
factores psíquicos que interferem nas acções do no desporto.

O espírito desportivo consiste basicamente em cinco factores,


que seja:

• Total compromisso com a participação


• Respeito e preocupação com as regras e árbitros
• Respeito e preocupação com convenções sociais
• Respeito e preocupação pelo adversário
• Evitar atitudes desfavoráveis em relação à participação

A aprendizagem social interfere de várias formas no


desenvolvimento do carácter do atleta, explicitando suas atitudes
Sociologia do Desporto 52

e comportamentos positivos. O atleta pode ter como base para a


melhora em sua performance a observação em outro atleta no
qual tem uma sólida e admirável estrutura social. Este atleta
poderá desenvolver suas virtudes com o acompanhamento de um
profissional reforçará componentes para a aprendizagem social,
como:

• Aprender olhando o que os outros fazem de melhor


• Ser elogiado ou penalizado por suas acções
• Exibir comportamentos na tentativa de se ajustar ao grupo

Com o tempo, o sistema de reforço será efectivo, mais na


eliminação dos comportamentos indesejáveis, tornando o atleta
mais sociável e consequentemente aprimorando seu espírito
desportivo. Seja com o grupo, adversários ou árbitros e assim
fazendo sempre um “jogo limpo”.

O reconhecimento do desporto como canal de socialização


positiva ou inclusão social, é revelado pelo crescente número de
projectos desportivos destinados aos jovens das classes
populares, financiados ou não por instituições governamentais e
privadas. Na literatura em Educação Física, desporto e lazer,
sociologia e em outras áreas, são apresentadas indicações dos
benefícios proporcionados pela prática regular de desporto, na
formação moral ou da personalidade dos seus praticantes. Nos
últimos anos, a participação de atletas de destaque, oriundos do
futebol ou outras modalidades, pelo próprio peso social do
mesmo, na criação de organizações dedicadas a ofertar
actividades desportivas e culturais para crianças e jovens das
camadas populares é um indicador privilegiado da força do
complexo de crenças esboçadas sobre o desporto. Todavia, a
dedicação a de actividades pode ser entendida ou justificada
tanto a partir da responsabilidade social quanto da devolução,
reciprocidade ou gratidão pelo apoio e pelos benefícios
recebidos pelo atleta ao longo de sua carreira. Projectos
desenvolvidos por ex-atletas renomados dão uma certa garantia
Sociologia do Desporto 53

de continuidade do trabalho durante anos, pois ganharam um


bom dinheiro em suas carreiras. Mas o que dizer daqueles que,
mesmo sem dinheiro, ou apoio do governo mantém um trabalho
social.

Sumário
Neste capítulo o género será uma da forte abordagem para melhor
compreendermos.

Exercício 6
1. Fale das funções de género no Desporto?

2. Teoria de Augusto Comte (1798 a 1857) – Positivismo,


comente esta teoria

3. O espírito desportivo consiste basicamente em cinco


factores, fala das que mais preferires no mínimo 3.

4. Fale de tipo de acção social e a sua interdependência.

5. Como género é tratada na arena Desportiva?


Sociologia do Desporto 54

Unidade nº 7
Género no Desporto
Quando falamos de género, comummente referimo-nos às
diferenças culturais entre mulheres e homens assentes numa base
biológica de feminino e masculino, substanciado nos conceitos
de dicotomia e diferença. Ou seja, ao falar de género o senso
comum centra o seu pensamento nas diferenças entre mulheres e
homens em que crenças familiares, sociais e culturais acerca das
diferenças de sexos direccionam o foco para o que caracteriza e
justifica a diferença, desprezando ou secundarizando o
entendimento das relações sociais de género.
O género deve ser perspectivado como uma construção histórica
das relações de poder entre homens e mulheres, e deve
contemplar definições plurais de masculinidade e feminilidade.
Assim, o conceito de género vária ao longo do tempo e de
cultura para cultura. Acima de tudo, género refere-se às relações
sociais nas quais indivíduos e grupos actuam (Connell, 2002).
A distinção e a interacção entre sexo e género ou entre biologia e
cultura não são claras. Na verdade não podemos definir com
precisão onde acaba o domínio da biologia e começa o da
cultura, além de que parece evidente que o significado de uma
diferença sexual biológica também pode variar consoante a
cultura (Fasting, 1992). Se, por um lado, a biologia por si só não
providencia claras justificações de uma dicotómica visão de
sexo, por outro, a sua interacção com a cultura parece ser
constante, complexa e frequentemente não reconhecida.
No mundo hodierno, o género constitui-se como uma relação
social mas também como uma relação de dominação. Tanto para
mulheres como para homens. O entendimento de conceitos como
anatomia, biologia, corporalidade, sexualidade e reprodução
estão parcialmente impressos pelas já existentes relações de
género, bem como as reflectem e as justificam (ou mesmo as
desafiam). Por sua vez, a existência das relações de género
ajuda-nos a ordenar e compreender os factos da existência
humana. Simplificando, o género pode tornar-se uma metáfora
para a biologia tal como a biologia pode tornar-se uma metáfora
para o género. No sentido de compreender o género como uma
relação social, Flax (1990) aconselha as teóricas feministas a
Sociologia do Desporto 55

continuarem o processo de desconstrução dos significados


associados a biologia, sexo, género, natureza, processo que está
longe de estar completo e que não é uma tarefa nada fácil. Para
que as relações de género sejam úteis como categoria de análise
social temos que ser social e pessoalmente tão críticos as quanto
possível, tanto acerca dos significados que usualmente
atribuímos a essas relações, como aos modos como pensamos
acerca delas. De outra forma corremos o risco de replicar as
mesmas relações sociais que estamos a tentar compreender.
Na sociedade do futuro Vale de Almeida (2004) perspectiva que
uma parte do debate político irá centrar-se na definição das
fronteiras entre o natural e o cultural, ou seja, na explicação do
absurdo que é querer continuar a estabelecer essas fronteiras.
.

É hoje reconhecido um percurso histórico do Desporto e da


Educação Física, orientado por valores e práticas competitivas
hegemónicas, que contribui para uma reprodução social das
diferenças de género. Esta cultura da masculinidade no Desporto
e na Educação Física teve impactos negativos na participação
das raparigas nas actividades Desportivas.
O Desporto rege-se por uma particular forma de dominação
masculina, e quando uma prática Desportiva e quem a pratica
não se encaixa nesta esfera de masculinidade hegemónica então
é situada no a outro. Esta categoria de outro é plural, onde
cabem homens e mulheres Desportistas. As fronteiras culturais e
sociais nunca deixam de existir e, também no Desporto, elas
estão constantemente a ser reconstruídas num qualquer lugar.
Aquele a que transgride os limites torna-se parte integrante de
um processo de transformação social que delimita um novo eu
mas, também, um novo outro. A vigilância destas fronteiras é
uma das principais características das sociedades actuais, que,
embora permitam a mobilidade dos seus limites, as reconfiguram
Sociologia do Desporto 56

ou as reconstroem de modo a fazerem prevalecer a construção


do outro.
As mulheres que praticam Desporto parecem incorrer em
múltiplos riscos. Não falamos de riscos enquanto danos
biológicos ou físicos no seu corpo decorrentes de uma prática
Desportiva mais ou menos intensa, mas referimo-nos a todo um
conjunto de riscos subsequentes da observação dos seus corpos
de atletas, pelo tipo de modelação que apresentam e que a
prática Desportiva desenvolve, e pelos movimentos que
expressam. Um corpo feminino actuante, desportista, é, não um
corpo libertado, mas um corpo aprisionado por uma cultura
masculina hegemónica.
Os riscos referidos advêm de variadas situações:
 Se a mulher apresenta as formas dominantes de feminilidade,
nem tão pouco se espera que pratique Desporto, mas, se
praticar, espera-se que o faça numa actividade desportiva
tradicionalmente considerada como feminina. Neste cenário,
enquanto a sua feminilidade permanece inquestionável,
alguns homens, e mulheres também, olham para estas
desportistas como praticantes inferiores. Por outro lado, se a
mulher escolhe praticar um Desporto visto como masculino,
arrisca-se a que a sua feminilidade seja colocada em causa e
a sua sexualidade questionada (Kirk, 2003), sendo
frequentemente designada de lésbica (Bryson, 1990).
A maioria dos estudos e análises do Desporto parece ainda não
se ter afastado da base patriarcal que sustentou o seu
desenvolvimento. Nem tão pouco podemos afirmar que se tenha
desenvolvido uma visão reconstruída do Desporto a partir de
uma perspectiva feminista. Sem uma ruptura com os esquemas
patriarcais que regem, ainda, a maioria dos estudos no desporto,
as questões da mulher no desporto permanecem como
experiências problemáticas pela natureza inferior e desviante dos
seus comportamentos e rendimentos, e os homens só cabem
numa masculinidade hegemónica que glorifica a virilidade e
certifica a dominância do masculino no Desporto. Nas arenas do
Desporto, nos mais diversificados cenários, actuam, com
excelência, uma feminização acentuada e uma masculinização
hegemónica. Mas as actuações dos corpos desportistas
transgridem, não raras vezes, estas tácitas configurações de
controlo um controlo social exercido sobre a sexualidade dos
homens e das mulheres que praticam Desporto, e que ratificam o
Desporto como uma instituição de controlo social.
Sociologia do Desporto 57

Parece evidente que a nossa sociedade se rege por uma cultura


homofóbica que se expressa em diversos domínios entre os quais
o das práticas de actividades físicas e desportivas.
Homofobia pode definir o medo ou o desprezo pelos
homossexuais mas esta definição não capta o seu real significado
nos nossos dias. Homofobia raramente assume o seu significado
literal de verdadeira fobia ou medo do seu semelhante, como o
termo grego homos sugere. Esta palavra é comummente usada
com um significado mais abrangente, referindo-se ao receio das
próprias pessoas serem homossexuais e, principalmente, de que
os as outros/as pensem que elas o são. Ao falarmos de
homofobia estamos implicitamente a falar de heterossexismo e
de uma institucionalizada orientação sexual de cada pessoa.
Numa sociedade heterossexista todas as pessoas são
consideradas heterossexuais até prova em contrário. Tal como o
sexismo e o racismo, o heterossexismo discrimina e ostraciza
pessoas.
Estudos que reflectem acerca da hegemonia masculina no
Desporto (Bryson, 1990, 1994; Messner, 1994; Whitson, 1994;
Theberge, 1994) e acerca de uma cultura homofóbica no
Desporto (Griffin e Genasci, 1990; Griffin, 1992; Iannotta e
Mary, 2002, Fasting et al, 2002) contribuíram para uma
consciencialização de como a prática de uma modalidade
desportiva pode adaptar-se ou desafiar a cultura dominante.
A homofobia pode reforçar os estereótipos ligados ao género e
influenciar a prática só no grupo de actividades desportivas
consideradas apropriadas ao género (Coakley, 1994),
condicionando, deste modo, a participação de rapazes e de
raparigas noutras actividades físicas e desportivas. Alguns
estudos (Young, 1997; Scraton et al, 1999) salientam a complexa
relação entre o praticar um desporto tradicionalmente masculino
e as construções de feminilidade e de sexualidade. Tal é
particularmente notório no contexto que Butler (1990) descreve
como de matriz heterossexual, isto é, o modo como a
heterossexualidade estrutura e codifica a vida do dia-a-dia. O
clima homofóbico no Desporto pressiona as mulheres atletas a
apresentarem uma imagem feminina heterossexual que evite
suspeitas e confrontações (Cox e Thompson, 2000), como
também parece exercer uma vincada necessidade de rapazes e
homens reforçarem a imagem da sua masculinidade quando os
padrões de movimentos das actividades desportivas que praticam
não lhe estão associados (Williamson, 1996).
Sociologia do Desporto 58

Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:

 Conhecer como o género comporta no desporto;


Objectivos  Conhecer a importância de género no desporto actual e outrora.

Conteúdos Programáticos
Aspectos Epistemológicos o passo-a-passo de um projecto
científico
1. O desenvolvimento do interesse e tema

2. A revisão de literatura
a. As bases de dados
b. As normas das referências bibliográficas
c. Como organizar a revisão de literatura
3. O método
a. Desenhos de estudo
b. A escolha dos instrumentos medidas
c. O que significa uma associação entre variáveis
4. A análise de dados e a elaboração dos resultados
a. Bioestatística (SPSS e Excel ou outro programa)
5. A discussão
a. Conclusão
b. Recomendações
c. Referências bibliográficas

Objectivos

Desenvolver a utilização de métodos de investigação científica


no contexto da Sociologia do desportivo.

Desenvolver a capacidade de análise sistemática de factos e a


reflexão crítica sobre os mesmos.
Sociologia do Desporto 59

Desenvolver a escrita de acordo com as normas de redacção de


textos científicos.
Elaboração de projectos científicos.

Conhecimentos, capacidades e competências a adquirir


Desenvolver a utilização de métodos de investigação científica
no contexto da Sociologia do desportivo.

Desenvolver a capacidade de análise sistemática de factos e a


reflexão crítica sobre os mesmos. Desenvolver a escrita de
acordo com as normas de redacção de textos científicos.
Elaboração de projectos científicos.

Metodologias de ensino e avaliação


Avaliação contínua Para realizar a avaliação contínua os alunos
terão de concretizar trabalhos de grupo e um trabalho individual.
Os trabalhos correspondem à elaboração de um projecto de
investigação. Os trabalhos de grupo correspondem a 2
apresentações orais mais 1 trabalho escrito (elaborado em três
fases) por grupo. O trabalho individual à simulação da recolha,
análise e apresentação de resultados.
A nota final será: 0.6*trabalho individual+0.4*trabalho de
grupo.
Todos os momentos terão de ser iguais ou superiores a 7.5 e a
nota final terá de ser igual ou superior a 9.5.

Avaliação por exame O aluno que não cumprir estes requisitos


poderá recorrer aos exames. Se acompanhou o processo de
avaliação contínua até ao final apenas terá acesso ao exame de 2ª
época.

A observação como ponto de partida A observação como ponto


de partida para uma análise pormenorizada das características
das equipas adversárias. Para uma análise pormenorizada das
características das equipas adversárias.

Inquérito sociográfico
Sociologia do Desporto 60

O desporto, independentemente dos objectivos com que é


praticado, apresenta-se cada vez mais como um espaço de
elevada importância social. À medida que a sociedade se vai
redimensionando com as alterações de novos princípios e
valores, as práticas desportivas sofrem diversas mudanças, e
com estas, o conceito de desporto tem vindo a alterar-se.
Segundo Marivoet (2002), definir o conceito de desporto
significa delimitar as práticas que são consideradas desportivas,
tarefa que se complexifica quando os consensos à volta dos
critérios utilizados nem sempre são concordantes. O desporto
moderno surge nos finais do século XIX, e insere-se no
desenvolvimento mais geral da civilização ocidental, não se
apresentando imutável às transformações que de forma mais
lenta, ou rápida, se têm vindo a expressar nas sociedades. O
desporto não se apresenta, assim, como um espaço fora da
história, desinserido das formações sociais que o expressam.
Compreende-se então que a realidade que sustentou o desporto
na Antiguidade Clássica, ou nos jogos da Idade Média, nada tem
a ver com a realidade social do desporto da Era Moderna
(Marivoet, 2002). De facto, o desporto moderno, fenómeno
característico e destacado das actuais sociedades de massas,
esconde atrás da sua aparente simplicidade uma enorme
complexidade social e cultural.

Segundo Pearson, o desporto, como uma instituição social


própria das sociedades industriais, tende a complexificar-se, e
progressivamente vai adquirindo as conotações de toda a
sociedade burocratizada, racional, formalizada, hierárquica,
tecnicamente eficiente e fortemente comercializada, (1989).
Para melhor compreender o conceito de desporto e a sua
evolução, torna-se necessário contextualizar as mudanças que se
têm vindo a verificar nas práticas desportivas ao longo dos
tempos.

História da vida

Género (sociologia)

O conceito de género tem a ver com a diferenciação social entre


os homens e as mulheres. Tem a vantagem, sobre a palavra
"sexo", de sublinhar as diferenças sociais entre os homens e as
mulheres e de as separar das diferenças estritamente biológicas.
Os estudos das relações sociais de género foram bastante
marcados pelo trabalho de investigação levado a cabo pela
Sociologia do Desporto 61

socióloga feminista norte-americana Jessie Bernard, que, em


meados dos anos 40 do século XX, iniciou a abordagem da
importância do "género" na organização da vida em sociedade.
A obra mais conhecida desta autora, The Future of Marriage
(1982), procura mostrar como é que o casamento constitui um
contexto institucional de cristalização de normas, valores, papéis
e padrões de interacção entre o homem e a mulher, que são
ideologicamente dominantes e que subjugam e oprimem a
mulher. Esse estudo tornou-se já um clássico, num dos domínios
de investigação sobre as relações sociais de género que mais se
tem desenvolvido: a divisão tradicional dos papéis sexuais e as
suas repercussões ao nível da família e do trabalho, ou em
relação ao domínio privado e ao domínio público. A
investigação sociológica no domínio das relações sociais de
género centra-se em dois pressupostos de análise principais:

 A posição ocupada na sociedade pelos homens e pelas


mulheres não são apenas diferentes, mas também desiguais;
 A desigualdade social entre homens e mulheres resulta,
principalmente, da organização da sociedade e não de
diferenças biológicas ou psicológicas significativas entre os
mesmos.

Em relação ao princípio analítico de que não há apenas uma


diferenciação socialmente construída entre homens e mulheres,
mas também, e sobretudo, uma desigualdade social, isto
significa que os estudos em função do género supõem que as
mulheres têm menos recursos materiais, estatuto social, poder e
oportunidades de auto-realização do que os homens com quem
partilham a mesma posição social.

O género é, assim, considerado um elemento que condiciona a


posição social dos indivíduos, tais como a classe, os rendimentos
económicos, a profissão, o nível de escolaridade, a idade, a raça,
a etnia, a religião e a nacionalidade. Neste âmbito, têm-se
desenvolvido estudos sociológicos centrados na discriminação e
na diferenciação social, em função do género, em diversas áreas
da vida em sociedade, tais como, por exemplo, as desigualdades
no acesso ao poder e ao emprego e na atribuição de rendimentos
salariais. No que respeita ao princípio de que as diferenças entre
os dois sexos são sobretudo socialmente instituídas e não
predeterminadas, o conceito explicativo principal é o de
"socialização". Por outras palavras, uma parte significativa dos
Sociologia do Desporto 62

estudos no domínio das relações sociais de género supõe que a


diferenciação de comportamentos e de traços de personalidade
consoante o género resulta de expectativas socialmente incutidas
nos indivíduos desde a infância, pelas quais as crianças são
socializadas no sentido de desempenharem diferentes papéis,
"masculinos" ou "femininos". Basicamente, trata-se de investigar
como é que, ao nível das interacções entre os indivíduos, são
construídas e recriadas de um modo permanente as dicotomias
entre o homem e a mulher. Neste domínio, são de salientar os
trabalhos da socióloga feminista britânica Dorothy Smith (1987)
e da teórica feminista francesa Luce Irgaray (1985), sobre o
modo como as linguagens actuais estão dominantemente
ancoradas em experiências e conceitos masculinos.

Análise de conteúdos e teste sociométrico


A análise de conteúdo é uma metodologia para as ciências
sociais para estudos de conteúdo em Comunicação e textos que
parte de uma perspectiva quantitativa, analisando
numericamente a frequência de ocorrência de determinados
termos, construções e referências em um dado texto. Em
Comunicação, é frequentemente usada como contraponto à
análise do discurso, eminentemente qualitativa.

A análise de conteúdo incide sobre várias mensagens, desde


obras literárias, até entrevistas. O investigador tenta construir um
conhecimento analisando o “discurso”, a disposição e os termos
utilizados pelo locutor. O investigador necessita assim de utilizar
métodos de análise de conteúdo que implicam a aplicação de
processos técnicos relativamente precisos, não se devendo
preocupar apenas com aspectos formais, estes servem somente
de indicadores de actividade cognitiva do locutor.

A análise de conteúdo é hoje uma das técnicas ou métodos mais


comuns na investigação empírica realizada pelas diferentes
ciências humanas e sociais. Trata-se de um método de análise
textual que se utiliza em questões abertas de questionários e
(sempre) no caso de entrevistas. Utiliza-se na análise de dados
qualitativos, na investigação histórica, em estudos bibliométricos
ou outros em que os dados tomam a forma de texto escrito.

 A análise de conteúdo segundo a conhecida definição de


Berelson, é “uma técnica de investigação para a descrição
objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto
Sociologia do Desporto 63

da comunicação” (Berelson, 1952). Para que seja objectiva,


tal descrição exige uma definição precisa das categorias de
análise, de modo a permitir que diferentes pesquisadores
possam utilizá-las, obtendo os mesmos resultados; para ser
sistemática, é necessário que a totalidade de conteúdo
relevante seja analisada com relação a todas as categorias
significativas; a quantificação permite obter informações
mais precisas e objectivas sobre a frequência da ocorrência
das características do conteúdo.

É uma metodologia de análise que pode ser usada em planos


quantitativos de tipo survey, para tirar sentido das informações
recolhidas em entrevistas ou inquéritos de opinião, como, por
exemplo, quando temos em mãos um grande volume de dados
textuais dos quais há que extrair sentido (Ghiglione & Matalon,
1997). Este trabalho aborda as análises de conteúdo efectuadas
sobre o material de inquérito habitual.

Testes Sociométricos

O teste Sociométrico ajuda a avaliar o grau de integração duma


criança jovem no grupo; a descobrir a maneira como ela está a
tentar integrar-se; a ver se a sua experiência social se está a
realizar dum modo salutar ou não e, com base nestes dados,
melhorar a nossa intervenção pedagógica

Sumário
A modalidade de observação sociológica no desporto da
sociologia. O desporto, independentemente dos objectivos com
que é praticado, apresenta-se cada vez mais como um espaço de
elevada importância social.
.

Exercício 7
1. Fala de teste sociométrico?
2. Qual é a relação entre o género e sociologia?
3. Como será feita Análise de conteúdos e testes sociométrico?
4. O que entende por Inquérito sociográfico
Sociologia do Desporto 64

Unidade nº 8
Globalização, Meios de
comunicação e Desporto

Vocês já pararam para pensar em como os meios de


comunicação influenciam em nossas vidas? Vivemos em um
mundo cuja globalização atingiu tal ponto que são poucas as
comunidades que não tem acesso a algum meio de comunicação.
O momento actual tem sido chamado de era das comunicações,
já que o avanço tecnológico e o crescimento do acesso aos
veículos de comunicação trouxeram inúmeras implicações para o
ser social.

Um dos meios mais influenciadores é a TV. No mundo, nos


continentes e um país em desenvolvimento, onde a exclusão
social, caracterizada pelo não-acesso a factores de qualidade de
vida (como educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança,
etc.), a TV é o veículo de comunicação social mais acessível,
mais presente, assumindo um importante papel na vida
quotidiana.

A TV, nesse estágio está acessível a milhares de pessoas ao


mesmo tempo, e forma multiplicadores de sua realidade
ideologicamente montada envolvendo assim, todo o corpo
social. É evidente a maneira que a televisão tem alargado sua
influência em quase todas as partes do mundo. Ela é tão actuante
na vida familiar que tem sido considerada um membro
permanente.

De acordo com dados de 2003 divulgados pelo Instituto mundial


de Geografia e Estatística (IMGE) 60,6% da população mundial
com 15 anos ou mais é analfabeta, ou seja, tem a televisão como
uma das únicas fontes de informação. Aquilo que é apresentado
na TV torna-se verdade absoluta para aqueles que não possuem
outros referenciais informativos ou repertório que lhes permita
fazer uma leitura crítica do meio.
Sociologia do Desporto 65

Os meios de comunicação são responsáveis por passarem a


informação e muitos detêm poderes de manipulação e alienação
das massas; sugerindo produtos e maneiras de agir, tanto de
forma directa como indirecta. A publicidade sempre nos mostra
modelos perfeitos de ser, de vida ideal e que o expectador pode
adquirir, desde que compre determinado produto.

Os próprios programas de TV e as novelas chegam a mudar as


formas de comunicação das pessoas. São adoptados conceitos
que antes a pessoa não tinha, chegam a alterar hábitos, posturas,
gostos e comportamentos. Quem nunca usou a marca “x” porque
a personagem da novela estava usando, ou nunca disse
determinada “palavra” ou “expressão” porque determinada
pessoa usou na novela? A publicidade na média actua de tal
forma que vende o “produto”, mas para garantir o jornais,
entreter e livros o público, vende também ideias, valores e
conceitos.

Torna-se necessário que sejamos pessoas críticas e não nos


deixemos influenciar por tudo aquilo que vemos. Reconheço a
importância dos meios de comunicação como parte de nossa
evolução pessoal, entretanto não podemos estar sempre
predispostos aos eles. Devemos possuir nossa própria
autonomia, nossa própria identidade. Mesmo na arena desportiva
a nossa responsabilidade pela realidade das nossas condições são
bem claras através do media que nos ajuda e muito que varias
informações importantes por isso temo de tomar
cuidado.

A globalização, num conceito minimamente resumido, é


sinónimo de ligação das várias partes do mundo a nível social,
Sociologia do Desporto 66

cultural, económico e político. No nosso país vemos os efeitos


da globalização sobretudo nos jovens, o que explícito,
principalmente, no modo, de vestir e agir.

Os meios de comunicação como DVD, TV e principalmente a


Internet põem os jovens em contacto com outras culturas e eles
acabam por aculturar aquilo que vêem e ouvem. Isto é
demonstrado, por exemplo, no estilo que muitos adoptaram.

Os pais, ocupados em trabalhar para manter o bem-estar da


família, deixam os filhos entregues a si mesmos e ainda lhes dão
pouca atenção, o que tende a gerar muitos problemas. Aí a
personalidade dos jovens, hoje em dia, acaba por ser formada,
principalmente, pelos meios de comunicação, que funcionam
como os seus educadores.

Com isto os jovens acabam por perder a sua própria cultura, e


aspectos importantes dessa cultura que os mais velhos tanto
preservaram, como certos valores. Por isto não é exagero afirmar
que a nossa cultura, com as suas características únicas, está em
vias de extinção.

Os mais novos já nascem com uma nova cultura: a da sabedoria


precoce de coisas não que deveriam ser permitidas às crianças.
Assim, mudam os tempos e o comportamento de crianças e
jovens também.

Os Jogos Olímpicos
Os Jogos Olímpicos são um grande evento internacional, com
desportos de verão e de inverno, em que milhares de atletas
participam de várias competições. Actualmente os Jogos são
realizados a cada dois anos, em anos pares, com os Jogos
Olímpicos de Verão e de Inverno se alternando, embora ocorram
a cada quatro anos no âmbito dos respectivos Jogos sazonais.
Originalmente, os Jogos Olímpicos da Antiguidade foram
realizados em Olímpia, na Grécia, do século VIII a.C. ao século
V d.C. No século XIX, o Barão Pierre de Coubertin fundou o
Comité Olímpico Internacional (COI) em 1894. O COI se tornou
o órgão dirigente do Movimento Olímpico, cuja estrutura e as
acções são definidas pela Carta Olímpica.
Sociologia do Desporto 67

A evolução do Movimento Olímpico durante o século XX


obrigou o COI a adaptar os Jogos para o mundo da mudança das
circunstâncias sociais. Alguns destes ajustes incluíram a criação
dos Jogos de Inverno para desportos do gelo e da neve, os Jogos
Paralímpicos de atletas com deficiência física e visual
(actualmente atletas com deficiência intelectual e auditiva não
participam) e os Jogos Olímpicos da Juventude para atletas
adolescentes. O COI também teve de acomodar os Jogos para as
diferentes variáveis económicas, políticas e realidades
tecnológicas do século XX. Como resultado, os Jogos Olímpicos
se afastaram do amadorismo puro, como imaginado por
Coubertin, para permitir a participação de atletas profissionais.
A crescente importância dos meios de comunicação gerou a
questão do patrocínio corporativo e a comercialização dos Jogos.

O Movimento Olímpico é actualmente composto por federações


desportivas internacionais, comités olímpicos nacionais (CONs)
e comissões organizadoras de cada especificidade dos Jogos
Olímpicos. Como o órgão de decisão, o COI é responsável por
escolher a cidade anfitriã para cada edição.

A cidade anfitriã é responsável pela organização e financiamento


à celebração dos Jogos coerentes com a Carta Olímpica. O
programa olímpico, que consiste no do que serão disputados a
cada Jogo Olímpicos, também é determinado pelo COI. A
celebração dos Jogos abrange muitos rituais e símbolos, como a
tocha e a bandeira olímpica, bem como as cerimónias de
abertura e encerramento. Existem mais de 13 000 atletas que
competem nos Jogos Olímpicos de Inverno e em 33 diferentes
modalidades desportivas com cerca de 400 eventos. Os finalistas
do primeiro, segundo e terceiro lugar de cada evento recebem
medalhas olímpicas de ouro, prata ou bronze, respectivamente.

Os Jogos têm crescido em escala, a ponto de quase todas as


nações serem representadas. Tal crescimento tem criado
inúmeros desafios, incluindo boicotes, Doping, corrupção de
agentes públicos e terrorismo. A cada dois anos, os Jogos
Olímpicos e sua exposição à média proporcionam a atletas
desconhecidos a possibilidade de alcançar fama nacional e, em
casos especiais, a fama internacional. Os Jogos também
constituem uma oportunidade importante para a cidade e o país
se promover e mostrar-se para o mundo
Sociologia do Desporto 68

Conceituação

O termo mass media é formado pela palavra latina media (meios),


plural de medium (meio), e pela palavra inglesa mass (massa). Em
sentido literal, os mass mídia seriam os meios de comunicação de
massa (televisão, rádio, imprensa, etc.). Porém, esta denominação
sugere que os meios de comunicação são agentes de massificação
social, o que nem sempre está de acordo com a realidade social
observável.

A relação entre os meios de comunicação e o desporto não é apenas de


divulgação do Desporto na mídia. A mídia também assume o papel de
participar da determinação dos rumos do Desporto (horários, regras,
formas de disputa, etc), de enfatizar uma certa compreensão de
desporto, de defender ou atacar políticas públicas de desporto, enfim,
mais do que apenas informar sobre o Desporto, a mídia influencia o
Desporto.

A lógica que rege a relação entre desporto e mídia é a da


espectacularização e do consumo, uma vez que tanto o desporto
quanto a mídia se beneficia dessa relação. Porém, ao nos
referirmos ao desporto que está na mídia, não estamos nos
referindo a qualquer desporto, mas em particular ao desporto de
alto rendimento, uma vez que o desporto de lazer raramente se
torna assunto da mídia. Enfim, já não é possível referir-se ao
desporto contemporâneo, especialmente o Desporto de alto
rendimento, sem associá-lo aos meios de comunicação de massa.

A importância dos meios de comunicação, para a sociedade,


assenta principalmente em dois factores. Em primeiro lugar, e
embora concorram, em termos de influência, com outros agentes
mediadores, como a escola ou a família, os meios de
comunicação suportam conteúdos que contribuem para os
processos de produção e construção, de reprodução e
reconstrução e de representação social da realidade e da cultura,
desde logo porque têm um papel na prescrição dos
comportamentos e atitudes aceitáveis e convenientes no meio
social, porque fazem circular a informação, podendo promover o
conhecimento, e porque estabelecem os parâmetros da
normalidade e os referentes sociais sobre a realidade. Em
segundo lugar, os meios de comunicação, enquanto artefactos
Sociologia do Desporto 69

técnicos e não apenas enquanto difusores de mensagens, terão


tido também um papel relevante na determinação da história das
civilizações, das sociedades e das culturas.

Sumário
Na sociologia do desporto como podemos combinar de uma
forma mais interativa assuntos ligada aos media e o
desenvolmento desta no sociedade e no mundo em geral.

Exercício 8
1. Fale da importância da sociologia no desporto e a relação
que os médios têm com relação ao género no âmbito
desportivo.
2. Comente a relação mídias e Desporto?
3. O que entende sobre o movimento olímpico e jogos
olímpico? Qual será a diferença entre eles?
4. O que a globalização traz de novo para o desporto?
5. Existem mais de 13 000 atletas que competem nos Jogos
Olímpicos de Inverno e em 33 diferentes modalidades
desportivas com cerca de 400 eventos. Comente esta
afirmação explorando todo o conhecimento que tens de
uns jogos Olímpicos. Sistematizar a informação.
Sociologia do Desporto 70

Referencias bibliografías complementarias

1. Carlos B. M. (1994). O Que é Sociologia 38ª ed. - São


Paulo Brasíliense, (Colecção primeiros passos).
2. Manzi,L &Marques,J.(2006). As Novas Tecnologias na
Mediação do Fato Desportivo: Uma Abordagem a Partir
da Ecologia da Média.
3. BETTI, Mauro(1997).. Violência em campo: dinheiro,
mídia e transgressão às regras no futebol espetáculo. Ijuí:
Unijuí, 1997.
4. BETTI, Mauro.(1998). A janela de vidro: esporte,
televisão e Educação Física. Campinas: Papirus,
5. PIRES, Giovani de Lorenzi.(2002). Educação Física e o
discurso midiático: abordagem crítico emancipatória.
Ijuí: Unijuí,