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Richard Wagner

Parsifal

Em 1854, enquanto trabalhava na sua ópera de Tristão e Isolda, Wagner desejou compor sobre
Parsifal. De facto, encontrava-se nesta altura inspirado pelas suas leituras nas quais conheceu
Parzival de Wolfram von Eschenbach. Aí sentiu que iria querer conceber um drama no qual o
herói seria a encarnação do renunciamento, do sacrifício, de um cavaleiro a procura de um
ideal absoluto, que neste caso é o santo Graal. Esta personagem que o compositor, já na
primeira ideia do Poema de Tristão e Isolda, tinha pensado na participação da personagem de
Parsifal no terceiro ato deste drama céltico.

É importante mencionar que a personagem de Parsifal é antes de tudo a « incarnação » da


aprendizagem e da iniciação para o crescimento da alma e da espiritualidade.

Mas Parsifal também é um herói da ação porque, apesar de não perceber, age. Assim, esta
incompreensão transmite uma certa liberdade espiritual que vence o medo e é por isso que
este cavaleiro luta contra os soldados de Klingsor sem os temerem.

Quando chega no jardim encantado no segundo ato, a luta contra Kundry torna-se mais
complicada porque as suas armas não podem fazer nada contra a magia dela. Além desta
incapacidade de lutar fisicamente contra Kundry, Parsifal sofre uma certa sedução pelos
avanços da feiticeira.

Apesar disso tudo, é neste preciso momento que Parsifal descobre a sua verdadeira
identidade e também a causa da doença de Amfortas. Parsifal compreende que também pode
sentir fraqueza e ser vulnerável.

Depois desta cena, no terceiro ato, Parsifal torna-se uma personagem silenciosa de aparência
obscura por causa da sua armadura preta. Aí comecem a iniciação e a aprendizagem.

A iniciação á compaixão, á tristeza, ao sofrimento e á dor transformam completamente a


personagem e este processo que torna Parsifal no grande herói prometido. É de facto depois
deste processo que o cavaleiro afirma-se como «  Guia do Graal », o prometido que vai seguir
o seu destino e tornar-se o salvador tanto esperado.
Depois de passar as provas do sacrifício, o herói pode fazer reinar a paz e o amor, longe das
forças malignas do Klingsor nas santas terras do Graal.

Uma observação interessante é que esta personagem Wagneriana, embora seja nomeada
como personagem principal, não tem a parte mais destacada na ópera. Observa-se que até faz
parte das personagens que menos cantam. Além das poucas frases cantadas, a dificuldade de
interpretação também não é muito grande: usa as capacidades vocais num âmbito medio de
voz.

O que se pode considerar a principal e exigente tarefa do intérprete é demonstrar a evolução


psicológica e dramática da personagem. De facto, no primeiro ato é um adolescente ingénuo e
ignorante, no segundo ato comece uma importante viagem de evolução psicológica e no
terceiro ato em que se torna glorioso, forte, dramático e pronto para suceder a Amfortas.

Música na História e na Cultua C

Mathilde Braun Martins- 85392

20-12-17

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