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Unidade II

Abordagem do Caso Índice


Objectivos de aprendizagem
No final desta unidade os participantes deverão ser capazes de:

 Definir Caso índice


 Abordar o AT através do caso índice
 Descrever os benefícios da revelação do seroestado ao/s
parceiro/s do caso índice
 Descrever os passos para apoiar o paciente a revelar o
seroestado
 Listar os benefícios da testagem do/s parceiro/s e filhos
do caso índice
 Identificar as barreiras do utente em relação ao convite
ao parceiro
 Definir a serodiscordância
O que é um caso índice?

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O que é um caso índice?
• Caso índice é aquele utente testado na US ou na
comunidade e com resultado positivo para o HIV.
Este pode ser mãe, pai ou filho (a).

• A partir deste utente podemos rastreiar o parceiro


e filhos (menores de 10 anos) para serem testados
para HIV como forma de, identificar os “contactos”
positivos, e incluí-los nos cuidados e tratamento,
numa abordagem familiar.
Objectivo da abordagem do AT
através do caso índice
Um dos principais objectivos desta abordagem é:

• Melhorar o acesso à testagem, o encaminhamento e


o tratamento da PVHIV;

• Garantir que os contactos primários do caso índice


(parceiros e filhos menores de 10 anos) tenham
acesso à testagem e aos cuidados e tratamento.
Como abordar o AT através do
caso índice?

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Como abordar o AT através do caso
índice?
• O AT para o caso índice pode ser implementado tanto na
US como na comunidade;

• A abordagem deve ser implementada com o


consentimento do paciente índice;

• O caso índice pode ser encaminhado ao ATS-C, ou


convidado a trazer seu(s) parceiros e filho(s) à US para a
testagem;

• Importa não apenas testar, mas também garantir o


encaminhamento e seguimento dos “contactos”do caso
índice.
FLUXO DO CASO INDICE
Abordagem na Comunidade
Abordagem na US
Caso índice identificado no ATS-
Caso índice identificado na US C (residências, locais de alto
(UATS/ATIP) risco, brigadas móveis, feiras de
saúde, etc.)

Se o caso índice prefere


que a testagem dos Referência para a US e formulação do
Convite e marcação da
data da realização do AT
contactos seja feita na Convite e Marcação da data da realização do
comunidade, é marcada a AT para os Parceiros e filhos, na comunidade
de Parceiros e filhos na
data de visita a ou na US (de acordo com a preferência do
US
residência ou local utente)
combinado.

Se contacto não
se apresenta na Contacto(s)
Contacto (s)
US, reforçar o testado(s)
aconselhamento testados (s)
com o índice

• Referir para os serviços de cuidados e


tratamento da US
• Iniciar o processo com o contacto na
abordagem de familiar (repetir o ciclo)
Aspectos importantes a considerar na
abordagem do caso índice

• Caso seja identificado no seio familiar um indivíduo


considerado parte dos grupos prioritários para testagem
(mulheres grávidas e seus parceiros; crianças, população
chave e população vulnerável), que não seja nem parceiro
nem filho do caso ìndice, este pode ser submetido
imediatamente ao AT ou referido para testar na US! Assim
sendo, o Provedor de Saúde deve estar preparado para
oferecer o ATIP a toda a população considerada prioritária;

• Os utentes submetidos ao ATIP, mas que não fazem parte


da árvore familiar do caso índice, não DEVEM ser
reportados como parte da abordagem de caso índice!
Possíveis barreiras para convidar
o parceiro do caso índice

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Possíveis barreiras para convidar o
parceiro do caso índice

Quando há segredos entre os parceiros, fica difícil para a


pessoa infectada obter os cuidados e tratamentos (C&T) de HIV
de que necessita.
Vantagens da testagem do/s
parceiro/s do caso índice

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Vantagens da Testagem do Parceiro
se o resultado for negativo

Se o resultado for negativo, a testagem do parceiro


permite:

• Orientar o casal de forma eficiente nos esforços de


prevenção para que se mantenha seronegativo,
incluindo a retestagem regular de acordo com as
normas de testagem.
Vantagens da testagem do parceiro:
se o resultado for positivo
Se o resultado for positivo, a testagem permite que o
parceiro:

• Seja precocemente integrado nos C&T;


• Receba apoio necessário para viver com o HIV;
• Se informe sobre como evitar a reinfecção pelo HIV;
• Ajude a si e seu parceiro a manterem-se saudáveis;
• Construa um relacionamento baseado na
honestidade e confiança mútua.
Quais são os passos para apoiar o
paciente a revelar o seroestado?

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Quais são os passos para apoiar o
paciente a revelar o seroestado?
• A revelação do seroestado é um passo
importante para garantir que o parceiro sexual
do caso índice seja testado e tenha acesso aos
Cuidados e Tratamento (C&T) na US.

• Todavia, para que os efeitos adversos da


revelação do seroestado sejam minimizados, é
importante que o Provedor de Saúde (PS)
forneça o apoio necessário e prepare o utente
índice.
Passos para apoiar o utente a
revelar o seroestado
Passo Um: Apoiar o/a paciente a aceitar o seu
seroestado.
Passo Dois: Discutir os benefícios da revelação,
explorar preocupações e possíveis reações
negativas (receios ou medos)
Passo Três: Ajudar a identificar a quem revelar
primeiro e sugerir a revelação ao parceiro e/ou
familiar.
Passo Quatro: Preparar o/a paciente para a revelação.
PASSO UM: Apoiar o paciente a
aceitar o seu seroestado
• Ajudar o paciente a aceitar o diagnóstico, e encarar o HIV
como uma doença crónica comum;
• Reforçar o seu conhecimento sobre o HIV e SIDA e as
vantagens da adesão aos C&T;
• Encorajá-lo a viver positivamente, cumprindo com as
recomendações médicas;
• Ajudá-lo a encontrar apoio adicional, na família, na US e na
comunidade;
• Ajudá-lo a reflectir sobre os benefícios da revelação
diagnóstica e como ultrapassar as barreiras da revelação.
PASSO DOIS: Discutir os benefícios da revelação,
explorar preocupações e possíveis reações negativas
(receios ou medos)

• Explicar ao paciente que a revelação do seroestado


beneficia a sí próprio, ao parceiro sexual e aos que
vivem ao seu redor (filhos, familiares, etc.).
PASSO TRÊS: Ajudar a identificar a quem revelar
primeiro e sugerir a revelação ao parceiro e/ou
familiares (1)

• Apoiar na definição de prioridades e na identificação


da pessoa a quem o paciente pensa revelar primeiro;
• Avaliar o estado emocional do/a paciente para fazer
a revelação (Ex: informar-se sobre suas
preocupações, medos e receios; perguntar ao/à
paciente se está preparado/a para revelar o
seroestado e se tem intenção de revelar ao seu
parceiro sexual).
PASSO TRÊS: Ajudar a identificar a quem revelar
primeiro e sugerir a revelação ao parceiro e/ou
familiares (2)

• Em caso de necessidade, o PS pode solicitar o


apoio de psicólogo, técnico de psiquiatria ou
outro provedor para o processo de revelação do
diagnóstico;
• Avaliar a possibilidade de uma reacção negativa
ou violenta;
• Valorizar a informação fornecida pelo paciente.
PASSO QUATRO: Preparar o/a paciente
para a revelação (1)

• Ajudar o paciente a escolher um bom momento


(por exemplo, evitar momentos em que o
parceiro esteja stressado ou sob efeito do álcool
ou outras drogas);
• Explicar a importância de fazer a revelação num
lugar seguro e privado;
• Explorar quando é que o paciente pensa fazer a
revelação e o que vai dizer ao parceiro;
• Preparar o paciente para responder às possíveis
questões levantadas pelo parceiro/familiar com
calma e serenidade.
PASSO QUATRO: Preparar o/a paciente para
a revelação (2)

• Abordar as possíveis barreiras para a revelação,


tais como medo do parceiro ser agressivo (a)
ou abandonar, medo de ser estigmatizado (a),
etc.;
• Perguntar como acha que o parceiro vai reagir;
• Avaliar o que o paciente pensa fazer caso a
reacção do parceiro seja negativa;
• Apoiar o paciente no caso de preocupações
relacionadas à uma possível violência.
PASSO QUATRO: Preparar o/a
paciente para a revelação (3)
• Fornecer referência apropriada (grupos de apoio,
associações de PVHIV, serviços para vítimas de
violência, organizações religiosas e outras).
• Respeitar a decisão do/a paciente em torno da
revelação, e o tempo que precisa para fazer a
revelação;
• Se o paciente não se sente confortável em fazer a
revelação, no entanto mostra interesse na testagem
do parceiro, o PS pode sugerir que o paciente
recomece o processo de AT junto ao seu parceiro.
PASSO QUATRO: Preparar o/a paciente para
a revelação (4)

• O PS entrega o convite ao utente para este trazer o parceiro


na data combinada entre ambos (quando aplicável);
• O PS deverá reforçar a importância do utente fornecer o
contacto telefónico e endereço correcto (quando aplicável);
• Resumir toda a conversa que teve com o paciente;
• Fornecer apoio adicional caso seja necessário, e estabelecer
um plano de seguimento com o paciente para as sessões
posteriores;
• Oferecer a oportunidade de praticar consigo a revelação
caso seja necessário.
Serodiscordância

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O que é serodiscordância?

 Serodiscordância é quando um parceiro sexual é


seropositivo e o outro é seronegativo.

 Em Moçambique, pelo menos 1 em cada 7 casais


(15.2%) tem um dos parceiros ou ambos com
infecção por HIV (INSIDA 2009).

 O parceiro seronegativo num casal


serodiscordante tem alto risco de ficar infectado
pelo HIV.
Possíveis explicações para a
serodiscordância (1)
• Muitas
vezes, quando inicia uma relação, as
pessoas não sabem se estão ou não infectadas e
pode ser que já sejam discordantes;

• O HIV não é transmitido em cada acto sexual; A


transmissão sexual depende de:
Se o sexo é ou não violento
Estádio clinico da infeção/doença do parceiro HIV+
Existência ou não de lesões nos órgãos genitais
Possíveis explicações para a
serodiscordância (2)
•Lembrar que existem outras vias de transmissão,
para além da sexual;

• Embora os relacionamentos com parceiros extra-


conjugais possam ser uma outra fonte de
contaminação, deve-se evitar conduzir a conversa
para este lado, pois a serodiscordância NÃO é um
sinal óbvio de infidelidade. E os casais podem
permanecer serodiscordantes por muito tempo.
Importância de testar os filhos
menores do paciente índice

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Importância de testar os filhos menores
do paciente índice (1)
• Identificar precocemente as crianças, filhos
menores de 10 anos, de PVHIV pois:

 A Transmissão vertical (TV) é a maior fonte de


transmissão em crianças;
 Existem práticas de rotina no seio familiar que
representam risco de contaminação por outras vias
(partilha de objectos perfuro-cortantes; etc);
 As crianças HIV+ sem tratamento, tem uma
progressão rápida da infeção para SIDA e morte.
Importância de testar os filhos
menores do paciente índice (2)

• Orientar os pais com medidas preventivas para


evitar a contaminação das crianças;

• Nas situações em que o caso índice é uma


criança, o PS deve oferecer o AT aos pais.
Pontos-Chave (1)

• A estratégia do Caso Índice foi concebida para a


identificação e testagem de parceiros e filhos da
PVHIV, contribuindo assim para a identificação
precoce de infecções de HIV não diagnosticadas;

• Deve-se testar todas as crianças menores de 10


anos, filhos de mãe seropositiva;

• Os benefícios de convidar o parceiro devem ser


abordados logo após a testagem do utente.
Pontos-Chave (2)

• A revelação do seroestado é um passo


importante para garantir que o parceiro sexual do
Caso Índice seja testado e tenha acesso aos
Cuidados e Tratamento (C&T) na US;

• O pacote de Prevenção Positiva deverá ser usado


no processo de convite ao parceiro e filhos do
caso índice.
Pontos-Chave (3)
O Provedor de Saúde tem um papel importante no
aconselhamento do paciente índice e na testagem de seus
parceiros e filhos. Durante este processo, o provedor deverá:

• Ter em conta as particularidades de cada utente


durante o processo de convite ao parceiro
• Informar sobre os benefícios desta testagem
• Respeitar os passos de convite ao parceiro
• Em todo o processo a confidencialidade deverá ser
respeitada
• Lembrar que a testagem ao parceiro não pode ser
colocada como condição para o acesso do utente aos
C&T.