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CARACTERÍSTICA CONJUGADO x ROTAÇÃO DA MÁQUINA

ASSÍNCRONA

José Roberto Cardoso

Circuito equivalente da Máquina Assíncrona

Como apresentado anteriormente, o circuito equivalente


modificado da máquina assíncrona é dado por:

A potência dissipada na resistência r ' 2 (1  s ) / s corresponde a


potência mecânica desenvolvida, isto é:
(1  s)
Pdes  m  r 2
'
 I '22
s
Esta é a potência que é convertida de elétrica em mecânica.
Associada a esta potência temos o “Conjugado Desenvolvido”, que
se relaciona com a “Potência Mecânica Desenvolvida” através da
expressão:
Pdes  Cdes  r
Na qual r  2 n é a velocidade angular do rotor em rad/s.
Lembrando que:
  2 n
A partir da definição de escorregamento:
ns  n
s
ns
Podemos escrever:
n  (1  s)ns
De modo que o “Conjugado Desenvolvido” resultará igual a:
(1  s)
m  r2'  I '22
Pdes s
Cdes  
r 2  (1  s)ns
Ou ainda:

r2'
1
Cdes  m   I '22 (1)
s s
Na qual;
s  2 ns (rad / s)
A expressão (1) pode ser reescrita como segue:
P12
Cdes 
s
Onde P12 é a “Potência Transferida ao Rotor”.
Para facilitar o desenvolvimento, vamos representar o estator
através do Thevenin Equivalente, com mostra o circuito a seguir:
Thevenin equivalente do estator

A tensão de Thevenin (Vth) é a tensão nos terminais A e B do


circuito equivalente em aberto, que resulta:
Xm
Vth  V 1 (2)
r  (X  x )
1
2
m 1
2

A impedância de Thevenin (Zth), por sua vez é a impedância


“vista” por A-B com a fonte em curto-circuito, que resulta:

jX m  (r1  jx1 )
Zth  Rth  jX th 
r1  j ( X m  x1 )
Com:

Rth  Re [ Zth ]: Resistência de Thevenin


X th  I m [ Zth ]: Reatância de Thevenin
Assim sendo, podemos escrever:
Vth
I 
'
2
r2' 2
( Rth  )  ( X th  x2' ) 2
s
De modo que, a partir de (1), se obtém o “Conjugado
Desenvolvido”:
1r2' Vth2 (3)
Cdes  m 
s s r2' 2
( Rth  )  ( X th  x2' ) 2
s
O aspecto geral do gráfico desta função é do tipo:

Característica Conjugado x Rotação

Podemos dividir este gráfico em três regiões:

Região I – 0<n<ns: Neste caso o escorregamento está na faixa de


0 (n=ns) e 1 (n=0) e corresponde a operação como motor, pois o
conjugado desenvolvido está no mesmo sentido da rotação do
rotor.

Região II – n>ns: Nesta condição, na qual s<0, o conjugado


desenvolvido é negativo, portanto em sentido contrário à rotação
do rotor. Esta é a típica condição de operação como Gerador, na
qual a máquina síncrona acionada por um agente externo (motor
diesel, turbina eólica, etc.) converte a potência mecânica
introduzida no eixo em potência elétrica disponibilizada para a
rede elétrica.

Região III – n<0: Nesta condição, para a qual s>1, a máquina


síncrona está desenvolvendo conjugado positivo em sentido
contrário à rotação. Trata-se da operação como Freio, na qual são
introduzidas potência elétrica e potência mecânica, as quais são
dissipadas em calor. Este tipo de operação é observado quando
um motor está funcionando em determinado sentido e, através de
uma troca de fases, o campo girante é invertido e começa a frear o
sistema girante.

A condição de operação como motor é a mais frequente na


máquina assíncrona, razão pela qual vamos dedicar mais tempo
em sua análise.

Conjugado x Rotação – Operação como motor

A figura anterior destaca a Região I da característica “Conjugado x


Rotação” da máquina assíncrona. Este trecho apresenta três
pontos característicos, são eles:
Ponto A: É o ponto da característica “Conjugado x Rotação”
correspondente a rotação nula (n=0), ou seja, é o conjugado
disponibilizado pelo motor por ocasião da partida, também
denominado “Conjugado de Partida”.
De (3) obtemos o valor de Conjugado de Partida impondo s=1,
resultando:
1 m  r2'  Vth2
Cp  (4)
s ( Rth  r2' )2  ( X th  x2' )2
Ponto B: Trata-se do ponto correspondente ao Conjugado
Máximo, isto é, corresponde ao máximo conjugado que o motor
pode desenvolver. Para determina-lo, basta impormos:
dCdes
0
ds
Como o conjugado desenvolvido é diretamente proporcional a
potência transferida para o rotor (P12), a qual é a potência
'
dissipada na resistência fictícia r2 / s , podemos aplicar o
princípio do casamento de impedâncias. Neste princípio, a
máxima potência dissipada na carga ocorre quando sua
impedância é igual a impedância interna do gerador, de modo que
podemos afirmar que quando o conjugado é igual ao Conjugado
Máximo deve ocorrer:
'
r2
 R  (X  x )
2
th th
' 2
2
s c
Na qual (sc) corresponde ao escorregamento para o qual ocorre o
Conjugado Máximo. Assim sendo, podemos escrever:

r2'
sc  (5)
Rth2  ( X th  x2' )2
Substituindo este valor em (3), obtém-se:

1 m  Rth2  X 2
Cmax   Vth2 (6)
s ( Rth  Rth2  X 2 )2  X 2
Na qual:
X  X th  x2'
'
Note que C max independe de r2 , isto é, não depende da
resistência rotórica!!!

É interessante observar que apesar do conjugado máximo não ser


afetado pela resistência do rotor, a forma da característica
conjugado x rotação é afetada de sobremaneira.

Para o entendimento desta influência, vamos supor que um


reostato trifásico é conectado nos terminais do motor de indução
de anéis, como mostra a figura.

Reostato em série com o enrolamento do rotor

Com o reostato em curto-circuito (R=0), a característica


conjugado x rotação é a característica normal apresentada pelo
motor.

Efeito da resistência rotórica na característica conjugado x rotação

Inserindo uma resistência de valor (R1) em série com o rotor, de (6)


observa-se que o escorregamento para o qual ocorre o conjugado
máximo aumenta, ou seja, o máximo da função desloca-se para a
esquerda, como mostrado na figura. Aumentando-se o valor do resistor
mais ainda, este deslocamento se acentua.
Podemos imaginar uma condição em que o resistor inserido leve o
Conjugado Máximo ocorrer na partida, isto é, em sc=1, que resultará:

r2'  Rr'  Rth2  ( X th  x2' )2


Na qual R’r corresponde a resistência do reostato “refletida” ao estator,
isto é:
2
 N1ef 
R 
'
  Rr
rN
 2 ef 
Retomando o exercício anterior, cujos dados do motor são: 6,5-hp,
220-V, 60-Hz, trifásico, ligação estrela, 6-polos, rotação a plena carga
de 1170-rpm, com os seguintes parâmetros do circuito equivalente:
r1=0,294-x1=0,503-Xm=13,25-r’2=0,144-x’2=0,209
As perdas rotacionais a 410-W. Vamos determinar:
a. O conjugado de partida deste motor:

Solução
Para calcular o Conjugado de Partida precisamos do Thevenin
equivalente do estator, de modo que:
13,25 127
Vth   122(V )
(0,294) 2  (13,25  0,503) 2
j13,25  (0,294  j 0,503)
Zth 
0,294  j (13,25  0,503)
Que resulta;

Zth  Rth  jX th  0,27  j 0,49()

Lembrando que:
1 m  r2'  Vth2
Cp 
s ( Rth  r2' )2  ( X th  x2' )2
Podemos escrever:
1 3  0,294  (122)2
Cp 
2  20 (0,27  0,294) 2  (0,49  0,209) 2
Ou ainda:
C p  129( N .m)
Vamos comparar este resultado com o Conjugado Nominal do
motor;

Pnom  Prot 6,5  746  410


Cdesnom    43( N .m)
r 2 1170 / 60
De modo que:
Cp 129
 3
Cdesnom 43
Esta relação se enquadra em um motor de indução de Categoria
D, como veremos em breve.
b. O Conjugado Máximo e o escorregamento para o qual em que ele
ocorre.
Escorregamento para o Conjugado Máximo
'
r
c s  2
2
Rth  ( X th  x2' )2
0,294
sc   0,39
(0,27)  (0,49  0,209)
2 2

Lembrando que:

1 m  Rth2  X 2
Cmax   Vth2
s ( Rth  Rth2  X 2 )2  X 2
Resulta:

1 3  (0,27) 2  (0,7) 2
Cmax  (122)2
40 (0,27  (0,27) 2  (0,7) 2 ) 2  (0,7) 2
Ou ainda:
Cmax  174( N .m)
Note que:
Cmax 174
 4
Cdesnom 43
c. Calcule o valor da resistência de um resistor trifásico a ser
colocado em série com o rotor de modo a ser o Conjugado de
Partida igual ao Conjugado máximo, Sabendo-se que a relação de
transformação é igual a 1,25.
Solução:
Para tal devemos ter:

r2'  Rr'  Rth2  ( X th  x2' )2


Ou seja:

0,294  Rr'  (0,27) 2  (0,7) 2


Que resulta:
Rr'  0,46()
Lembrando que:
2
 N1ef 
R 
'
  Rr
rN
 2 ef 
Obtém-se;

0,46  1,25  Rr  Rr  0,3()


2

CARACTERÍSTICA CORRENTE x ROTAÇÃO DA MÁQUINA


ASSÍNCRONA

No desenvolvimento para o cálculo do Conjugado Desenvolvido,


calculamos, através da aplicação do Teorema de Thevenin, a
corrente rotórica refletida ao estator, a qual resultou:
Vth
I 
'
2
r2' 2
( Rth  )  ( X th  x2' ) 2
s
Voltando ao circuito original do motor de indução da figura:
Identificamos que:
Xm
I 
'
2  I1
(r1 )  ( X m  x1 )
2 2

De modo que:

(r1 ) 2  ( X m  x1 ) 2
I1   I 2'
Xm
Substituindo I’2 pelo seu valor resulta:

(r1 ) 2  ( X m  x1 ) 2
I1  Vth
'
r
X m  ( Rth  )  ( X th  x2' ) 2
2 2
s
O aspecto geral da característica corrente x rotação está
mostrado na figura que se segue. Nela identificamos os seguintes
pontos:

Inom: Corrente Nominal. Corrente requerida pelo motor quando


operando nas condições nominais de potência e tensão nominais.

I0: corrente em vazio. Esta é a corrente do motor sem carga no


eixo, para a qual a rotação é muito próxima da rotação síncrona.
A corrente em vazio é da orde de (30 a 40)% da corrente
nominal.

Ip: Corrente de Partida: Corrente requerida pelo motor quando


conectado à rede para acionar uma carga. Esta corrente
independe da carga. A corrente de partida é da ordem de (5 a 6)
vezes a corrente nominal.
Característica Corrente x Rotação

Nos motores de indução de rotor bobinado, a possibilidade de


inserção de resistências no rotor possibilita controlar a corrente
de partida.
A figura a seguir mostra o caso de um resistor de partida
constituído por dois elementos resistivos.
Tais elementos são dimensionados ao se estabelecer valores
máximos e mínimos da corrente, de modo que a medida que os
elementos são retirados , a corrente da armadura varia do valor
mínimo para o valor máximo, como está ilustrado
Por fim, a figura a seguir pretende mostrar como ocorre o
processo de aceleração de uma carga. A curva característica
conjugado x rotação do motor de indução é evidente. A curva
inferior é a característica conjugado resistente x rotação da carga
a ser acionada,
Na partida o motor oferece o conjugado de partida Cp e a carga
exige um conjugado inferior para sair da inércia. A diferença
entre eles é o conjugado de aceleração. Enquanto este conjugado
for positivo a rotação aumentará, até se estabilizar no ponto em
que o conjugado motor é igual ao conjugado resistente. Neste
ponto o conjugado de aceleração é nulo.

Processo de aceleração

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