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CURSO DE FISCALIZAÇÃO DE OBRAS DE SANEAMENTO

Prof.: Ernani de Souza Costa


ÍNDICE

Título Folha

APRESENTAÇÃO 02

CAPÍTULO I.

PLANEJAMENTO DE IMPLANTAÇÃO DOS SERVIÇOS; 05

CAPÍTULO II.

PROGRAMAÇÃO/ REDE DE PRECEDÊNCIAS; 08

CAPÍTULO III.

SUPERVISÃO E ACOMPANHAMENTO DOS PROJETOS EXECUTIVOS; 11

CAPÍTULO IV.

APOIO NA ADMINISTRAÇÃO DOS CONTRATOS DE EMPREITEIRAS; 12

CAPÍTULO V.

SUPERVISÃO E ACOMPANHAMENTO DE OBRAS: 15

CAPÍTULO VI.

ELABORAÇÃO DE PLANO DE CONTROLE TOPOGRÁFICO, TECNOLÓGICO


E DA QUALIDADE; 60

CAPÍTULO VII.

EMISSÃO DE RELATÓRIOS MENSAIS DOS SERVIÇOS. 74

CAPÍTULO VIII.

FORMULÁRIOS DE CONTROLE 76
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APRESENTAÇÃO

Conceituação:

A Fiscalização é o conjunto de atividades técnico-administrativas necessárias para a implementação


de um empreendimento, realizadas em nome e por conta da entidade patrocinadora com vistas a
garantir a qualidade especificada no projeto, a manter os custos efetivos dentro dos padrões
orçamentados e exigir que os prazos estimados sejam obedecidos dentro do planejamento global. A
Fiscalização tem sentido amplo e como tal, garantirá que o empreendimento seja implementado
harmoniosamente como um todo, obedecendo a todos os parâmetros pré-estabelecidos. Portanto,
suas ações consistem em planejar, programar e controlar.

Considerações Básicas:

Todo empreendimento, em fase de implantação, exige, como condição necessária, a adoção de um


sistema de controle integrado que possibilite, em qualquer momento, o fornecimento de informações
precisas relativas ao andamento de qualquer atividade técnica, administrativa ou financeira.

A conceituação da necessidade de controle como fonte de informação é uma idéia já madura e não

existe um só Fiscalizador que desconheça esta necessidade. No entanto, na maioria das vezes, se

exerce um controle ineficiente ou incompleto, já que, na generalidade dos casos, o sistema informa

apenas o que ocorreu, uma vez que não possui idéia própria do que deveria ocorrer, impossibilitando a

comparação.

A falta desta comparação torna qualquer controle inócuo e, normalmente, a informação não passa de
ser uma confirmação de feitos consumados.

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Por outro lado, quando o empreendimento tem todas as suas atividades ordenadas, o que é função da
determinação dos serviços e métodos empregados, tornando-se claro o que deveria acontecer, porém
não é controlado eficientemente, o cotejo não apresenta nenhum resultado prático.

Quanto à complexidade do empreendimento, a mesma é refletida pela ordenação detalhada das


atividades agrupadas em setores ou obras, pressupondo a existência de um macro plano elaborado
segundo diretrizes determinadas pelos estudos preliminares e anteprojetos, ou mesmo projetos básicos.

Finalmente, para que a implantação do empreendimento seja concluída com a segurança de que tenha a
melhor qualidade com o menor custo e o menor prazo, é imprescindível que sua administração
contemple três fases principais: o planejamento, a programação e o controle, referindo-se sempre ao
projeto, ao fornecimento de materiais e às obras.

Planejamento

O planejamento consiste no estudo do empreendimento como um todo, levando em conta Diretrizes


Básicas preestabelecidas, a solução de problemas econômicos com a obtenção de financiamentos, a
harmonização dos problemas legais, sociais, de logística, etc., com o estabelecimento de datas-marco
para os eventos principais, e a elaboração da respectiva rede de precedências.

Nesta fase, portanto, são definidas as condições para o estabelecimento do que desejamos que
aconteça, identificando parâmetros básicos:

- Qualidade: na elaboração de projetos e respectivas especificações;

- Custos: na elaboração de orçamentos, dentro de um grau de contingência aceitável;

- Prazos: no estudo de prazos e elaboração de cronogramas compatíveis, inclusive e se possível, na


elaboração da Rede de Precedências, levando em conta também os aspectos políticos;

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Programação

Consiste no detalhamento das atividades que constam da Rede de Precedências, levando em conta os
recursos disponíveis, os métodos de execução e os demais elementos necessários para que se possa
determinar, com a maior precisão possível, o que deverá acontecer, referindo-se sempre a qualidade,
custos e prazos.

Controle

Se entende por controle, o acompanhamento de todas as atividades relacionadas com a qualidade,


custos e prazos referentes à elaboração de projetos, à execução das obras e ao fornecimento de
materiais, identificando o que ocorre.

As ações de planejar, programar e controlar são complementares e iterativas: o planejamento


sem o necessário controle é inócuo; somente se pode controlar quando se programa.

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CAPÍTULO I.
PLANEJAMENTO DE IMPLANTAÇÃO DOS SERVIÇOS

Planejamento de Implantação dos Serviços é o estudo do empreendimento como um todo (levando em


conta Diretrizes Básicas preestabelecidas), a solução dos problemas econômicos (com a obtenção dos
financiamentos), o equacionamento dos problemas legais, sociais, de logística, etc. (com o
estabelecimento de datas marco para os eventos principais e a elaboração da respectiva Rede de
Precedências).

Nesta fase, portanto, são definidas condições para o estabelecimento do que desejamos que aconteça,
identificando os parâmetros básicos:

- Qualidade - na elaboração dos projetos e respectivas especificações.

- Custo - na elaboração dos orçamentos, dentro do grau de contingência aceitável.

- Prazos - no estudo dos prazos e elaboração de cronogramas compatíveis, inclusive e se possível,


na elaboração da Rede de Precedências, levando em conta também os aspectos políticos.

Esta rede constitui o Plano Mestre ou Macro Plano, será a diretriz básica para a implantação das obras
que, embora sempre sofrendo as necessárias revisões, dará à EMPRESA DE SANEAMENTO, de
forma permanente, a posição dos trabalhos indicando quais as providências a serem tomadas para que
os objetivos propostos sejam alcançados.

A rede de precedências, então, como instrumento de controle de prazos, é um elemento dinâmico e


como tal deverá ser permanentemente realimentada e reavaliada com dados de controle de forma a
representar, com fidelidade, o andamento das obras.

Considerando a natureza e o porte das obras a construir, o conhecimento prévio do projeto permite
que se defina uma equipe com características multidisciplinares, que será alocada de acordo com as
obras previstas. Da mesma forma, a existência de obras civis distintas requer que seja dado tratamento
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diferenciado a cada uma delas através de pessoal de diferentes áreas de atuação e com experiência
específica compatível.

No tocante às diretrizes para a equipe de planejamento e programação, deverão ser estabelecidos três
tipos de programação, de forma a atender os diferentes níveis de serviços de supervisão e
acompanhamento das obras:

1 − O programa de execução das obras, que envolve o empreendimento como um todo unificado,
sintetizará todas as atividades previstas para a implantação do projeto, seus respectivos marcos
contratuais e custos principais. Este plano se destina aos níveis gerenciais de alto escalão da
EMPRESA DE SANEAMENTO e será desdobrado em partes, abrangendo cada uma delas as
atividades principais ligadas a um cronograma financeiro.

2 − As programações setoriais, que interessam às coordenações setoriais, serão dirigidas a cada


uma das partes do empreendimento e apresentadas de forma detalhada tanto a nível de implantação
física como a nível orçamentário.

3 − As programações detalhadas, que interessam aos níveis executivos, serão elaborados


sistematicamente, abrangendo um período de quatro semanas. Nestas programações serão
identificadas as obras a construir, quantificados os serviços, os recursos humanos e materiais
necessários, além da descrição dos métodos executivos que deverão ser empregados.

Com base nestas programações, desenvolver-se-ão o acompanhamento e a apropriação dos serviços


realizados, sendo, então, estas informações reunidas em relatórios de andamento que serão debatidos
nas reuniões semanais de controle, onde serão analisadas as necessidades de reprogramações.

Os produtos gerados com o acompanhamento das programações feitas referem-se à avaliação das
quantidades previstas x realizadas e às eventuais correções decorrentes desta avaliação. De modo
geral, tais informações serão reunidas num relatório mensal de avaliação que poderá também gerar
correções nas redes de precedência e nos cronogramas financeiros. Além disso o relatório poderá
ainda conter recomendações de reforço de equipamentos e mão-de-obra ou ainda conter mudanças de

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métodos construtivos para o aumento de produtividade, de forma a não comprometer os marcos


principais do empreendimento.

O planejamento de implantação das obras deverá ter em conta, ainda, com relação às suas atribuições,
basicamente:

− A definição das fronteiras físicas e técnicas do empreendimento, da estratégia para sua


implantação e ainda do escopo das atividades de Fiscalização.

− A definição do esquema organizacional para Fiscalização, incluindo a definição das funções e


graus de delegação.

− A administração de interfaces.

A atividade de planejamento de implantação das obras deverá considerar o atual estágio de andamento
das mesmas e os eventuais problemas já detectados pela EMPRESA DE SANEAMENTO e pela
Equipe de Fiscalização provisória mobilizada pela gerenciadora.

O planejamento de implantação dará especial importância aos aspectos considerados nos projetos de
engenharia no que diz respeito a obras de travessias de singularidades, tais como estradas de ferro e de
rodagem, rios, além de quaisquer outras interferências cujas dificuldades de execução ou mesmo
necessidades de remanejamento possam atrasar o andamento dos serviços.

Constituirá capítulo à parte, pela sua importância, o inter-relacionamento da Fiscalização com a


EMPRESA DE SANEAMENTO, a Construtora e fornecedores de materiais e equipamentos, de
modo a que a harmonia necessária dentro dos limites de competência de cada entidade possa se refletir
na eficiência de implantação e na qualidade geral das obras.

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CAPÍTULO II.
PROGRAMAÇÃO/ REDE DE PRECEDÊNCIAS

O detalhamento setorial das obras, a definição dos recursos, assim como os necessários métodos de
execução, são funções principais do empreiteiro e devem ser desenvolvidas com a supervisão e a
aprovação da Fiscalização, que verificará sua compatibilidade com o planejamento geral.

A programação deverá ser elaborada para cada obra e detalhada em curtos períodos, de maneira a
conseguir-se um acompanhamento mais rígido. Este acompanhamento se efetuará através da
aprovação de planos, reuniões de progresso e a rede de precedência.

A rede de precedência é definida como:

a) UM INSTRUMENTO PARA O ADMINISTRADOR...para definir e coordenar o que deve ser feito,


a fim de que seja atingido, com sucesso, o objetivo projetado dentro do tempo preestabelecido.

b) UMA TÉCNICA... que ajuda a tomar decisões mas não as dá.

c) UMA TÉCNICA... que apresenta informação estatística com referência às incertezas a enfrentar na
execução das diversas atividades de um projeto.

d) UM MÉTODO... para focalizar a atenção do administrador sobre:

- Problemas em potencial que requeiram decisões e/ou soluções.

- Providências e alterações com referência a emprego de tempo, recursos ou a atuação para aumentar
as probabilidades de conclusão do projetado na data preestabelecida.

Agora que sabemos o que é um evento e o que é uma atividade, podemos reunir os dois e construir
uma rede de precedências.

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A rede de precedências mostra a relação entre os eventos e as atividades que os unem. Alguns pontos
importantes para ter em mente são:
a) Os eventos ocorrem em seqüência lógica.

b) As atividades são desenvolvidas ao longo do tempo que transcorre entre um evento e outro.

c) Nenhum evento pode ser considerado ocorrido até que todas as atividades a ele precedentes
estejam concluídas.

d) Nenhuma atividade pode ser concluída até que o evento precedente tenha ocorrido.

Após ter sido montada a rede de precedências (RP), é necessário obter a estimativa do tempo
requerido para cada atividade.

Qualquer administrador sabe que, à medida que a data prevista de conclusão se aproxima, mais tempo
é usualmente necessário para acabar o serviço. “Se tivéssemos mais uma semana!...”, é o que muitas
vezes se ouve nessa situação.

A RP ajudá-lo-á a evitar que isso aconteça, prevenindo-o da falta de tempo hábil, antes que esta surja.

Isto é conseguido usando-se a RP da seguinte maneira: são feitas três estimativas do tempo requerido
para a realização de cada atividade por uma pessoa bem familiarizada com ela. Estes três cálculos
serão, então, usados na técnica de analise de precedências, para estimar o tempo necessário ao
término do projeto.

Uma pessoa que esteja bem a par do tempo necessário para executar a atividade deve fazer as três
seguintes estimativas do tempo requerido:

Tempo Otimista - o menor tempo possível no qual a atividade possa ser executada. Em outras
palavras, o tempo necessário para completar o trabalho, caso tudo corra melhor do que se espera.

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Tempo Mais Provável - a estimativa de tempo mais exata possível. Em outras palavras, aquele que será
consumido se tudo correr satisfatoriamente.

Tempo Pessimista - o máximo de tempo necessário à execução da atividade. Em outras palavras`, a


estimativa de tempo que seria gasto considerando-se todos os fatores adversos, excluindo-se, todavia,
uma catástrofe.

Estas estimativas devem ser especificadas em dias, semanas ou meses e devem representar os dias do
calendário, não só os dias úteis.

Uma vez concluídas as estimativas, elas não devem sofrer alterações a não ser que haja uma
modificação dos objetivos ou dos recursos a serem utilizados.

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CAPÍTULO III.
SUPERVISÃO E ACOMPANHAMENTO DOS PROJETOS
EXECUTIVOS

Como premissa básica devemos admitir que os projetos executivos já foram concluídos e aprovados
pela EMPRESA DE SANEAMENTO.

Desta forma, esta atividade compreende, primeiramente, a análise de todos os dados, documentos e
informações que forneçam subsídios à execução e acompanhamento das obras, tais como desenhos,
memórias, especificações, listas de material e de serviços, e, ainda, normas de medição e pagamento.

Através desta analise, a equipe de engenharia de campo, durante o acompanhamento das obras, irá
constatando as necessidades de adaptações e complementação do projeto em função das
particularidades locais, das dificuldades construtivas observadas e das facilidades que poderão ser
obtidas do maior detalhamento de aspectos específicos do projeto.

Também serão analisados pleitos das Empreiteiras, especialmente no que concerne a alterações de
métodos e/ou processos construtivos, mudanças de localização de obras devido a interferências não
detectadas na época da elaboração do projeto e substituição de materiais, elaborando pareceres que
subsidiem a tomada de decisão da EMPRESA DE SANEAMENTO, para que se incorporem estas
alterações às obras, sem que haja solução de continuidade no ritmo dos trabalhos.

Essas adaptações e complementações verificadas serão encaminhadas à EMPRESA DE


SANEAMENTO, via Fiscalização, para discussões em conjunto, visando a escolha de uma solução
que atenda aos interesses do Cronograma Físico Financeiro das obras.

É necessário ressaltar que as adaptações e complementações citadas deverão ser incorporadas aos
desenhos "as built", a serem elaborados pela Empreiteira e verificados pela Equipe de Fiscalização.

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CAPÍTULO IV.
APOIO NA ADMINISTRAÇÃO DOS CONTRATOS DE
EMPREITEIRAS

Essa atividade será desenvolvida pela Fiscalização através de uma equipe, que efetuará um permanente
controle físico e financeiro das obras

O setor cuidará do controle físico da obra e terá as seguintes atribuições:

- Coordenar, junto ao empreiteiro, todas as programações setoriais, preparando e revisando os


cronogramas e definindo a prática a ser adotada para o recolhimento de dados para o controle
físico de cada obra.

- Controlar semanalmente, junto às Supervisões Setoriais (Departamentos), o andamento das obras


através do boletim de Avanço e alertar a coordenação da Fiscalização em casos de início de
deterioração de qualquer atividade.

- Com os dados coletados, determinar o avanço físico com vista à atualização da Rede de
Precedências.

- Analisar as atividades críticas que possam representar algum perigo e alertar a gerência para
providências cabíveis.

Quanto ao controle financeiro, serão efetivadas medidas de acompanhamento dos custos das obras,
devendo-se:

- Elaborar os orçamentos setoriais bem como os respectivos cronogramas financeiros.

- Manter um rígido controle de quantitativos, computando periodicamente os serviços executados e


medidos.

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- Controlar financeiramente os contratos e seus aspectos legais.

- No caso de se prever a necessidade de aditar o contrato, preparar com a devida antecipação os


elementos necessários ao aditivo.

- Analisar e opinar sobre composições de preços unitários apresentados pelos construtores para
realização de serviços não constantes da planilha.

- Analisar sob os pontos de vista técnico e financeiro as reivindicações apresentadas pelos


construtores.

- Analisar os aspectos de penalidades a serem aplicados à Empreiteira por atrasos havidos ou


mesmo outra falhas contratuais.

- Controlar as retenções contratuais havidas durante a execução das obras.

- Elaborar as folhas de medição, classificando cada serviço dentro das condições contratuais e
aplicando os respectivos preços.

- Praticar todas as ações necessárias para que os quantitativos medidos não excedam aos previstos.

- Controlar os cronogramas financeiros, acompanhando os valores desembolsados para cada


contrato, sobretudo no que tange às disponibilidades contratuais.

Também serão executadas tarefas de cunho administrativo, cuidando de todos os assuntos burocráticos
e logístico do pessoal técnico alocado aos serviços de Fiscalização.

A administração prestará serviços nas áreas de:

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- Expediente: Realizar os serviços ligados a protocolo, datilografia, correspondência, malotes,


almoxarifado de materiais de expediente, serviços externos, pequenas compras, manutenção de
equipamentos de escritório, cópias, etc.

- Pessoal: Controle do consumo de horas trabalhadas no Contrato, admissão e demissão de pessoal


e demais serviços afins.

- Transporte: Manter em funcionamento os veículos, de maneira a providenciar, em tempo hábil, o


transporte necessário ao deslocamento de pessoal técnico nas frentes de serviço.

- Serviços Gerais: Realizar todos os serviços de apoio de infra-estrutura, tais como: copa, limpeza,
manutenção e vigilância dos escritórios.

É evidente que todas as tarefas relacionadas serão desempenhadas pela Fiscalização, guardados os
limites de competência das atividades da própria EMPRESA DE SANEAMENTO.

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CAPÍTULO V.
SUPERVISÃO E ACOMPANHAMENTO DAS OBRAS

Entende-se como Supervisão e Acompanhamento a execução de uma série de atividades de controle


que direta ou indiretamente se associem com a obra, visando não só acompanhar e controlar a
execução, como também contribuir para que a mesma se dê dentro dos prazos estabelecidos.

Entre as atividades mais significativas que serão desenvolvidas nesta fase podem ser citadas:

- Exigência do cumprimento, por parte da Construtora, do contrato, em todos os seus aspectos,


anexos e dispositivos.

- Verificação da organização dos canteiros da Construtora, principalmente no que tange às normas


de segurança.

- Preparação dos elementos básicos de campo para o cálculo das medições dos serviços
executados pela Construtora.

- Representação da EMPRESA DE SANEAMENTO como o proprietário e agente fiscalizador da


obra, conforme prescrição contratual.

- Preparação de relatórios técnicos e financeiros, sobre o andamento dos trabalhos, assim como do
desempenho e das atividades desenvolvidas pela Construtora, objeto de atividade específica.

- Verificação do planejamento e acompanhamento da implantação de medidas destinadas a garantir


a segurança e eficiência de tráfego em locais das obras, dando especial atenção à sinalização.

- Acompanhamento e verificação da execução das obras consoante os projetos e especificações.


- Promoção de reuniões para esclarecimento e resolução de problemas técnicos.

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- Realização do controle tecnológico, com a supervisão de ensaios de laboratório e análise de seus


resultados.

- Avaliação das propostas e reivindicações da Construtora durante o desenvolvimento dos trabalhos


de execução, encaminhando seu parecer à EMPRESA DE SANEAMENTO.

- Inspeção mensal do equipamento mecânico da Construtora, verificando se o mesmo está em


concordância com o proposto, no que tange ao tipo, capacidade, estado de conservação e número
de unidades, sugerindo à EMPRESA DE SANEAMENTO as complementações que se fizerem
necessárias.

- Alertas à EMPRESA DE SANEAMENTO no sentido de exigir dos construtores, quando


necessário, para acelerar os trabalhos, complementação de pessoal e equipamento, em qualidade e
quantidade.

- Coordenação das equipes técnicas de Fiscalização da obra.

- Registro dos fatos relevantes, dando ciência dos mesmos à EMPRESA DE SANEAMENTO.

- Execução da inspeção final, sem prejuízo da ação da EMPRESA DE SANEAMENTO, em


qualquer parte das obras já concluídas.

Especificamente, podem-se listar as macro-atividades pertinentes aos trabalhos de Supervisão,


Acompanhamento e Fiscalização de obras e serviços, assim como sua abordagem metodológica, da
forma como se segue:

A) CANTEIRO DE OBRAS

O Edital de Licitação e as Especificações já terão instruído ao Empreiteiro qual o tratamento o que


deverá ser dado ao canteiro, a se iniciar pelo projeto até a limpeza final.

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A atuação da Fiscalização se fará sentir a partir da implantação do projeto, passando por sua
operacionalização, abrangendo um rígido controle sobre os canteiros de cada Empreiteiro sobre os
aspectos de higiene e segurança do trabalho, exigindo de cada um a sua responsabilidade de
proporcionar aos seus operários condições mínimas para o exercício de suas funções no que concerne
a:

- limpeza do canteiro como um todo, evitando o acúmulo desordenado de entulho ou lixo.

- instalações dos escritórios condizentes com as necessidades, no que respeita a conforto ambiental
e demais exigências naturais.

- funcionamento do canteiro, no que se refere à segurança e integridade física de cada operário,


com a construção de obras auxiliares (em madeira ou outros materiais) como: escadas, passagens
ou pontes com corrimão, iluminação, instalações elétricas provisórias adequadas, etc.

- sinalização interna dos canteiros.

- tapumes e cercas, para evitar a entrada de estranhos ao interior das obras.

- sinalização urbana na execução das elevatórias e redes coletoras.

- demais providências necessárias à total obediência ao projeto.

No que diz respeito à implantação de redes, os canteiros localizados, embora utilizando os recursos
técnicos disponíveis no canteiro central, terão equipes em todas as frentes de serviço realizando a
supervisão necessária.

Nestes casos, caso ocorra a tradicional pulverização geográfica das obras, o responsável pela
Fiscalização deverá adotar regras próprias para controle, nunca desprezando, como fator fundamental,
a programação.

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B) OBRAS LINEARES EM VIAS PÚBLICAS

B.1) Assentamento de Tubulações de Grandes Diâmetros

a) Execução dos trabalhos

Ao início de quaisquer trabalhos de execução das tubulações que serão assentadas dentro do
perímetro urbano, deverá preceder um programa de execução bastante detalhado, informando:

- Trecho a ser executado com quantitativos

- Prazos de execução

- Contatos com órgãos do sistema viário urbano

- Desvio de tráfego público

- Tráfego local provisório

- Passagens provisórias

- Sinalização provisória: placas, avisos, sinalização luminosa, etc.

- Volumes a serem transportados a bota-fora

- Eventuais empréstimos para reaterros

- Equipamentos a serem carregados

- Métodos executivos para casos específicos

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- Demais informações necessárias

A Fiscalização atuará permanentemente no sentido de assegurar que a tubulação esteja sendo montada
obedecendo rigorosamente a todas as instruções do fabricante, não somente nos usos de seus
acessórios, mas sobretudo nos espaços recomendados entre a ponta do tubo e o pé-da-bolsa.
Atenção especial será dada às inflexões máximas permitidas nas especificações, que possam afetar a
qualidade dos trabalhos.

Os tubos sem o comprimento total deverão ser cortados corretamente, não deixando arestas, ranhuras
ou asperezas que possam danificar as juntas.

As escavações e reaterros deverão ser controlados e a Fiscalização atuará com rigor, sobretudo sobre
a qualidade de compactação do solo nos reaterros.

A recomposição do pavimento, seja asfáltico ou em alvenaria poliédrica deverá ser cuidadosa e a


supervisão deverá observar que, para a primeira, as condições de base sejam restabelecidas e, para a
segunda, além da base, a camada de areia de apoio às pedras seja adequadamente reconstituída.
Quaisquer recomposições somente serão feitas após concluído o assentamento da tubulação.

Os testes serão procedidos com equipamentos da empreiteira, devidamente aferidos e sob permanente
vigilância da Fiscalização.

b) Fornecimento de Materiais

A Fiscalização verificará o material no canteiro mediante uma inspeção visual, rejeitando as peças com
defeitos passíveis de identificação e mandando a estoques os tubos em condições de uso.

O manuseio dos tubos, tanto na estocagem como na execução dos serviços deverá obedecer às
condições de segurança do pessoal envolvido, bem como empregando equipamentos e cintos suporte
compatíveis com a carga de manuseio, para não afetar os revestimento dos tubos. A sua estocagem

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deverá seguir as instruções do fabricante e a Fiscalização estará atenta para quaisquer irregularidades,
inclusive no que concerne ao controle de materiais, dando suporte à EMPRESA DE SANEAMENTO
que instituirá por seus métodos próprios um sistema para controle de Almoxarifado.

B.2) Assentamento de Redes de Distribuição e Redes Coletoras

A Fiscalização exercerá uma permanente supervisão sobre os trabalhos de execução das redes, desde
a locação até a execução das ligações domiciliares e a recomposição dos pavimento, passando por
todos os demais serviços.

A Empreiteira deverá apresentar um plano global dos trabalhos, o qual servirá como Diretriz Básica
para a implantação da rede.

Daí para a frente, cada subtrecho da malha (setor) será destacado em programa específico,
devidamente detalhado e aprovado pela Fiscalização. Na elaboração deste programa setorial, além da
Diretriz Básica a ser seguida, deverão ser fatores intervenientes:

- Condições climáticas

- Tráfego urbano

- Aspectos locais específicos

Este programa deverá conter as seguintes informações:

- Subtrechos, materiais empregados e quantitativos

- Prazos de execução

- Alternativas para desvio de tráfego

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- Sinalizações e projetos de passagens e proteção para pedestres

- Programa de testes

- Recursos de mão-de-obra e equipamentos para escavações, assentamentos e reaterros, bem


como manuseio das peças mais pesadas

- Equipamentos e programa para ligações domiciliares

- Cadastro geral das ligações domiciliares

O fornecimento dos tubos e conexões quase sempre é de responsabilidade da EMPRESA DE


SANEAMENTO e o Empreiteiro retira o material mediante requisição com a aprovação da
Fiscalização.

De preferência, os tubos deverão ser retirados apenas para o consumo do dia, cuja programação e
requisição já tenham sido feitos no dia anterior.

Após o material ter saído do almoxarifado, este passa a ser de responsabilidade exclusiva do
Empreiteiro. Neste caso, a Fiscalização deverá permanecer atenta, uma vez que continua sendo seu
dever alertar ao Empreiteiro sobre as eventuais irregularidades.

A vigilância da obra, inclusive em dias quando não existe expediente de trabalho, deverá ser de
responsabilidade da Empreiteira.

O manuseio e instalação das tubulações deverá ser cuidadoso e o empreiteiro será responsabilizado
pelos tubos avariados.

A montagem dos tubos de ferro fundido e PVC com juntas de borracha deverá seguir com rigor às
instruções dos fabricantes e será verificada uma a uma pela Fiscalização, sobretudo no que se refere à

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originalidade do material aplicado (juntas e lubrificantes), bem como no que se refere aos
espaçamentos mínimos entre pontas e o fundos de bolsa, e inflexões máximas recomendadas.

Uma precisa e eficaz administração do tráfego provisório e local deverá ser feita, visando molestar o
mínimo possível a população. Para tanto, o empreiteiro deverá projetar pequenas pontes provisórias
padrão, passagens, ou dar outra solução ao tráfego local de veículos leves e de pessoal.

Além disso, em coordenação com o órgão competente da Cidade, Empreiteiro e Fiscalização deverão
conseguir as necessárias licenças para desvio provisório de tráfego.

Recomenda-se que a recomposição de pavimentos seja concluída somente após a realização dos
testes.

O pagamento dos serviços relativos às ligações domiciliares somente será efetivado mediante a entrega
de cadastro das respectivas ligações.

B.3) Serviços de Topografia

- Os trabalhos deverão ser iniciados pelos Serviços de Topografia.

- A empreiteira deverá nivelar o terreno ao longo do caminhamento dos coletores e galerias de 20


em 20 m ou fração, bem como os pontos notáveis como os de mudança acentuada de greide
(pontos altos, pontos baixos, etc).

- Deverão ser fornecidos à Fiscalização planta baixa e perfil do terreno, onde estarão assinalados
todos os acidentes notáveis, como rios, galerias de águas pluviais, dutos telefônicos, de força,
canalização de gás, etc. Para tanto, quando necessário deverão ser feitas sondagens.

- Durante o nivelamento deverão ser lançados RN’s que distarão no máximo 200m entre si, sendo
obrigatório efetuar um contra nivelamento.

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- Antes da abertura de qualquer frente de serviço será fornecida à Fiscalização a Ordem de Serviço
(O.S.) correspondente ao trecho a executar, em cujo verso constará um croquis do trecho
correspondente.

- Só poderão ser iniciados os trabalhos de assentamento da tubulação ou construção de galeria após


a Fiscalização conferir a O.S. e autorizar.

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B.4) Ordens de Serviços

As Ordens de Serviços (O.S.) para assentamento de coletores e galerias serão obrigatoriamente de


dois tipos:

a) Ordem de Serviço para Cruzeta (O.S.C.)

b) Ordem de Serviço para Gabarito (O.S.G.)

A Ordem de Serviço para Cruzeta (O.S.C.) conterá a numeração das estacas correspondentes ao
trecho a ser executado e para cada estaca todos os elementos necessários à execução dos serviços, a
saber:

a) Cota do Terreno: piquete (C.T.)

b) Cota do projeto: geratriz inferior interna do tubo (C.P.)

c) Cota do coletor: geratriz superior externa do tubo, junto à bolsa (C.C.)

d) Declividade (i)

e) Diâmetro interno mais espessura do tubo (∅ + e)

f) Altura da cruzeta a ser utilizada (CR)

g) Altura de recobrimento (R)

h) Altura da régua: altura do bordo superior da régua em relação ao piquete (H).

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FIG. 1 - PERSPECTIVA DO CONJUNTO

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A Ordem de Serviço para Gabarito (O.S.G.) conterá a numeração das estacas correspondentes ao
trecho a ser executado e para cada estaca todos os elementos necessários à execução dos serviços, a
saber:

a) Cota de terreno: piquete (C.T.)

b) Cota do projeto: geratriz inferior interna do tubo (C.P.)

c) Declividade (i)

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d) Diâmetro (∅)
e) Altura do gabarito (G)

f) Profundidade do coletor: profundidade de geratriz inferior interna do tubo (P)

g) Altura da régua: altura do bordo superior da régua em relação ao piquete (H)

Deverão ser colocadas, no mínimo, de cada vez, três réguas, a fim de permitir a verificação por meio
de visada.

FIG. 4 - VISADAS

Quando for usada O.S.G. deverão ser colocadas réguas intermediárias de 10 em 10 m.

Para verificação do alinhamento e declividade será utilizada linha de nylon sem nó que será esticada
sobre as réguas no alinhamento determinado.

Para galerias de concreto moldado no local será usada a Ordem de Serviço para Cruzeta (O.S.C.).
Neste caso, a cota do coletor (CC) será a do piso acabado da galeria.

A critério da Fiscalização, poderá ser exigido o nivelamento direto dos piquetes no piso acabado.

Poderá ser exigida também a locação do eixo longitudinal das galerias, PC, PT, PI, e demais elementos
característicos e necessários.

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A rede de RN’s, poderá, a critério de Fiscalização, ser protegida de possíveis danos com caixas de
proteção.

Assentamento da tubulação

1 - Antes do assentamento, a tubulação deverá ser vistoriada para a verificação da existência ou não
de defeitos de fabricação ou decorrentes do manuseio no canteiro.

2 - O assentamento da tubulação deverá ser executado preferencialmente, no sentido de jusante para


montante, com a bolsa voltada para montante.

3 - Para obtenção do greide e do alinhamento poderão ser usados 4 (quatro) métodos:

a) Método do Gabarito

FIG. 5 - GABARITO

Serão réguas de acordo com a O.S.G.(Ordem de Serviço para Gabarito).

Sobre o bordo superior de, pelo menos, duas réguas será colocada e esticada uma linha de nylon que
materializará a projeção da geratriz inferior interna da tubulação no plano das réguas (alinhamento e
declividade). Um gabarito de madeira, conforme figura 5 acima, será confeccionado e marcado (coluna
G da O.S.G.). O greide desejado será obtido pela colocação do pé do gabarito na geratriz inferior
interna do tubo e pela coincidência da marca do gabarito com a linha de nylon.

Na utilização deste processo deverão ser colocadas réguas intermediárias de 10 em 10 m.

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b) Método da Cruzeta

FIG. 6 -
CRUZETA FIG. 7 - POSIÇÃO DA CRUZETA

Serão colocadas réguas de acordo com a O.S.C.(Ordem de Serviço para Cruzeta). Uma cruzeta de
madeira será confeccionada, com a dimensão marcada na coluna C, na O.S.C.

O greide será obtido colocando-se o pé da cruzeta junto à bolsa e nivelando-a, a olho, pelas réguas já
colocadas.

c) Método Misto

Serão colocadas réguas, de acordo com a O.S.C.(Ordem de Serviço para Cruzeta). Será
confeccionado um gabarito, conforme figura e marcado conforme a O.S.C(coluna C).

Serão colocadas réguas e linha de nylon, conforme método do gabarito.

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O greide será obtido pela colocação do pé do gabarito na geratriz superior externa da tubulação e pela
coincidência da marca do gabarito com a linha de nylon. Como na utilização do método do gabarito,
deverão ser colocadas réguas intermediárias de 10 em 10 metros.

d) Assentamento da tubulação com raio laser

Neste caso será utilizado um aparelho emissor de Raio Laser.

- O nivelamento poderá ser feito apenas para os poços de visita.

- Será feito assentamento do primeiro tubo, usado o aparelho de nível, pelo método do gabarito ou
da cruzeta; este será o tubo referência.

- O tubo referência deverá ser assente com o máximo rigor e deverão ser tomados cuidados
especiais para evitar que após o reaterro ocorram recalques.

- Será então selecionado o “alvo” a ser utilizado, conforme o diâmetro da tubulação.

- Em seguida será feita a colocação do aparelho no interior do tubo referência, (para diâmetros
acima de 400 mm, inclusive) ou fora, no caso de tubulações de pequenos diâmetros.

- Feito o nivelamento do aparelho, deverá ser registrada a declividade. No caso do assentamento


estar sendo feito de montante para jusante será registrado o complemento da declividade.

- Registrada a declividade, liga-se o aparelho e coloca-se o “alvo” na extremidade do tubo


referência, e faz-se coincidir o feixe de luz no centro do “alvo”, tendo antes o cuidado de “calar” o
mesmo.

- O tubo seguinte estará no alinhamento e declividade registrados, quando o feixe coincidir com o
centro do “alvo”, colocado na extremidade do mesmo.

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- Antes do assentamento de qualquer tubo deverão ser verificados o nivelamento e alinhamento do


aparelho no tubo de referência.

4 - Alinhamentos

Nos três primeiros métodos, o alinhamento da tubulação será verificado pôr intermédio de um prumo
de centro que transferirá o eixo determinado pela linha de nylon para o centro do tubo.

Para tubulações de diâmetros superiores a 400 mm, inclusive, deverá ser usado um gabarito de
madeira, em forma de semicírculo que será colocado e nivelado no interior da bolsa do tubo.
O alinhamento será determinado pela coincidência do prumo do centro com o centro do semicírculo.

As réguas, cruzetas e gabaritos deverão ser de madeira de boa qualidade e deverão apresentar
perfurações a fim de resguardá-las de empenos, devido à influência do tempo.

As réguas e as cabeças das cruzetas deverão ser pintadas com cores vivas e que apresentem contraste
umas com as outras, a fim de facilitar a determinação da linha visada.

Sempre que for interrompido o trabalho, o último tubo assentado deverá ser tamponado a fim de evitar
a entrada de elementos estranhos.

B.5 - Juntas

Antes da execução de qualquer tipo de junta, deve ser verificado se as extremidades dos tubos estão
perfeitamente limpas. Quando se tratar de tubos com ponta e bolsa, a ponta deverá ficar perfeitamente
centrada em relação à bolsa.

As juntas de argamassa, de cimento e de areia deverão ser feitas no traço de 1:3 em volume, podendo
ser empregadas nas tubulações de ponta e bolsa (tubos cerâmicos, de concreto simples e concreto
armado).

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Este tipo de junta é satisfatório para o assentamento em lugares secos, devendo a argamassa ser
respaldada externamente com uma inclinação de 45° sobre a superfície do tubo. No caso de o subsolo
conter água, haverá necessidade de esgotar a vala completamente ou rebaixar o lençol freático.

Neste caso, após perfeitamente acabadas, poderão as juntas ser protegidas pôr um capeamento de
argamassa e tabatinga no traço 1:1 em volume ou outro material impermeabilizaste.

Juntas elásticas poderão ser empregadas nos tubos especialmente fabricados para este tipo de junta.
Podem ser utilizados em qualquer tipo de terreno.

Juntas de chumbo são normalmente empregadas em tubos de ferro fundido e deverão ser prévia e
cuidadosamente vedadas com corda alcatroada para impedir que o material, quando fluido, penetre na
tubulação.

Logo após o resfriamento do chumbo, deverá ser perfeitamente rebatida em sua extensão com
ferramenta apropriada.

As juntas dos tubos de aço serão executadas pôr meio de solda elétrica. De acordo com a boa técnica
de soldagem, as extremidades deverão ser biseladas quando as chapas tiverem espessura superior a
6,35 mm (1/4’’).

Para cada caso deverá haver recomendação da melhor técnica a aplicar.

Em casos especiais, a critério da Fiscalização, deverão ser utilizadas juntas de dilatação, que serão
detalhadas para cada caso particular.

As juntas de flanges aparafusadas são empregadas nos tubos de ferro fundido ou de aço fabricados
para tal uso. São utilizadas geralmente nas estações elevatórias e nas estações de tratamento.

B.6) Escavação

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1 - As valas que receberão os coletores serão escavadas segundo a linha de eixo, sendo respeitados o
alinhamento e as cotas indicados no projeto, salvo eventuais modificações autorizadas pela
Fiscalização.

2 - A escavação poderá ser feita manualmente ou com equipamento apropriado. Neste caso, a
escavação mecânica deve se aproximar do greide da geratriz inferior da tubulação ou da galeria
retangular, ficando o acerto dos taludes e o nivelamento do fundo da vala pôr conta da escavação
manual.

3 - Nos terrenos rochosos poderão ser usados perfuratrizes apropriadas ou explosivos.

4 - O material escavado será colocado de um lado da vala de tal modo que, entre a borda da
escavação e o pé do monte de terra fique, pelo menos, um espaço de 30 cm. Em casos especiais
poderá a Fiscalização determinar a retirada total do material escavado.

5 - Tendo em vista o tráfego de veículos e pedestres pelas vias de caminhamento do coletor, e a fim de
evitar o acúmulo de material à beira da vala, e marcha da escavação e do assentamento da tubulação
deverão ser concomitantes.

6 - Quando o terreno assim o permitir a cava poderá ter suas paredes em taludes. Neste caso, a
inclinação será a partir do dorso do tubo.

7 - As cavas para os poços de visita deverão ter as dimensões do projeto mais o acréscimo
indispensável ao escoramento e formas, quando necessário.

8 - Qualquer excesso de escavação deverá ser preenchido e compactado com material de boa
qualidade sem ônus para a companhia.

9 - O material escavado será enquadrado pela Fiscalização na seguinte classificação:

1a. Categoria - Areia, argila e piçarra;

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2a. Categoria - Moledo ou rocha decomposta;

3a. Categoria - Rocha viva ou blocos de rocha;

4a. Categoria - Terrenos contendo pedra solta do tamanho médio de pedra de mão ou argila rija;

5a. Categoria - Lodo.

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10 - Escavação a Céu Aberto

Os processos de escavação das valas para assentamento das tubulações variam com as condições
locais e tipos de solos. Para efeito de apresentação serão grupados em: escavação em terreno não
rochoso e escavação em terreno rochoso.

• Escavação em Terreno não Rochoso

Processo Manual

As ferramentas mais usadas são: pá de bico ( usada para cortar o solo), pá quadrada ( usada em
material solto), picareta (usada nas argilas, piçarras, etc.), chibança e alvião (usadas em argilas médias),
balde ( usado para retirada de lodo), alavanca, enxada e enxadão. Demarcada a vala, procede-se ao
arrancamento da pavimentação por meio de picaretas ou rompedores pneumáticos, elétricos, etc.

Nas escavações com profundidades superiores a 2,20m, devem ser usadas plataformas temporárias de
trabalho sobre as quais trabalham homens que, sucessivamente vão “ tombando “ a terra escavada para
fora da vala, a uma distância mínima de 60 cm de sua borda.

Em casos especiais, a retirada do material escavado pode ser feita por meios mecânicos.

Para alguns tipos de solos como, por exemplo, moledos e certas argilas, utilizam-se rompedores
providos de cortadeiras que facilitam a escavação, aumentando a produtividade.

Processo Mecânico

Os métodos mecânicos, bem mais econômicos e produtivos que os manuais, nem sempre podem ser
usados devido ás condições locais, principalmente a existência de obstáculos subterrâneos que
impedem ou dificultam a escavação, provocando danos de difícil reparação. Por vezes justifica-se o
pré arrancamento e posterior reposição ou, então, o completo remanejamento da rede, de forma a
possibilitar a escavação mecânica .

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Os equipamentos mais usados numa escavação de vala são as retro-escavadeiras montadas sobre
pneus ou lagartas.

Outros tipos são as escavadeiras equipadas com “clamshell“ ou “dragline“; as primeiras fazem
carregamento de material solto e as segundas raspagem em terrenos pouco consistentes.

Há “clamshells“ hidráulicos que permitem a escavação em terreno consistente .

Algumas vezes é possível descer ao fundo da vala um trator equipado com lâmina “bull - dozer“ ou
“angle - dozer“ , para efetuar a escavação .

• Escavação em Terreno Rochoso

A escavação em rocha pode ser feita a frio (sem o uso de explosivos) ou a fogo ( com o uso de
explosivos).

No primeiro caso, perfura-se a rocha por meio de perfuratrizes ou ponteiros e, com o emprego de
cunhas e ponteiros introduzidos nos furos, faz-se o arrancamento da rocha golpeando-se a cabeça do
ponteiro com uma marreta .

No segundo caso é comum o uso das técnicas de detonação controlada para reduzir e melhor distribuir
as tensões e o fraturamento da rocha além da linha limite de escavação.

São grupadas em três categorias, para as escavações a céu aberto: método da perfuração linear,
método do corte por detonação amortecida e o método do pré-seccionamento.

Nas escavações a fogo devem ser tomados cuidados especiais para evitar acidentes, sendo
conveniente que a rocha seja coberta com uma rede de segurança para impedir o lançamento de
fragmentos de rocha; essa rede de segurança pode ser feita em malha de aço ou constituída por pneus
velhos, amarrados entre si.

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• Largura da Vala

Existem diferentes fórmulas para determinar a largura ideal da vala como, por exemplo:
Bd = Bi + 2 (0,15 ou 0,30 ) (guerrin)
Bd = 1,34 Bi + 0, 20 m (fórmula americana)
Bd = 1,40 Bi + 0,16 m (M.Dubosch)
Bd = 1,50 Bi + 0,30 m (Steel)

onde:

Bd = largura da vala medida na geratriz superior do tubo.


Bi = diâmetro interno nominal do tubo.

O acréscimo na largura da vala, leva ao aumento das cargas sobre os tubos, dai ser conveniente a
determinação da largura de transição da vala, isto é, a largura a partir da qual o cálculo das cargas é
feito para a condição de tubo saliente. O gráfico da Figura 8 permite-nos determinar a largura de
transição para o caso de areia e cascalho, sendo:

H = altura de reaterro sobre a geratriz superior do tubo.

Lt = largura de transição.

Bc= diâmetro externo do tubo.

rsd= razão de recalque ( adotar o valor médio: + 0,5 para os tubos rígidos e zero para os tubos
flexíveis).

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P = razão de saliência positiva ( é a relação existente entre a distância vertical que vai da face do
terreno natural à geratriz superior do tubo dividida pelo diâmetro externo do tubo ) determinada em
referência ao fundo da vala.

H
BC

FIG. 8 - LARGURA DE TRANSIÇÃO

No Rio de Janeiro, a largura útil da vala (Lu) será igual ao diâmetro do tubo (∅) mais 0,60m. Estes
valores serão adotados para profundidades de até 2,00m a partir da qual a largura será aumentada de
0,10m para cada metro ou fração além dos 2,00m de profundidade.

Qualquer alteração quanto à largura da vala poderá ser feita a critério da Fiscalização.

Para: H ≤ 2,00 m
Lu = ∅ + 0,60 m
H > 2,00 m
Lu = ∅ + 0,60 + 0,10 x
x = número de vezes para cada metro ou fração além de 2,00m de profundidade.

Para galerias de concreto moldadas no local, a largura mínima de vala será igual a dimensão externa da
galeria mais 1,00 m.

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Quando a vala for escorada, as larguras acima citadas deverão ser consideradas entre as paredes de
escoramento.

11 - Escavação em Túnel

Em certos trechos é recomendável a escavação em túnel, sem os inconvenientes de uma abertura a céu
aberto.

Vários são os processos usados para a escavação, sendo os mais comuns os métodos tradicionais de
escavação em túnel ou a cravação de um tubulão de aço ou o próprio tubo, no terreno, com posterior
escavação por dentro do tubulão ou tubo ( Figura 9 ).

FIG. 9 - INSTALAÇÃO TÍPICA PARA CRAVAÇÃO DE TUBOS

No caso da escavação de túnel pelos métodos tradicionais ou cravação do tubulão com assentamento
posterior do tubo, o espaço entre este e aqueles deverá ser reaterrado com material compactado,
constituído por concreto, argamassa ou areia, que deverá preencher todos os vazios existentes.

12. Reaterro e Compactação

O reaterro da vala influi diretamente nas cargas verticais que atuam sobre os tubos e na qualidade de
recomposição do calçamento.

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Os métodos de compactação variam com os tipos de solos, normalmente divididos em três grupos:
solos não coesivos, solos de coesão moderada e solos coesivos.
Para os primeiros ( areia e pedregulho ) os métodos de compactação, por ordem decrescente de
eficiência, são os seguintes: vibração, irrigação e compressão A combinação desses métodos pode ser
aplicada, com bons resultados.
Para os segundos ( solos siltosos ou arenosos), o método de compactação empregado é o da
compressão, por meio de rolos compressores, caminhões carregados, máquinas pneumáticas, etc.

Para os solos coesivos, são usados os processos de compactação por compressão e este conjugado
com vibração.

O reaterro deve ser cuidadosamente escolhido do material escavado, livre de detritos e matéria
orgânica.

Caso o material da escavação não seja de boa qualidade, deverá ser substituído, de preferência, por
material não coesivo ( areia ou pó de pedra).

O reaterro deve ser executado e compactado em camadas máximas de 15 cm principalmente nos lados
do tubo e a uma altura mínima de 30 cm acima da geratriz superior do tubo.

Para os tubos plásticos, caso não seja possível o controle de compactação, o tubo deve ser totalmente
envolvido por areia.

B.7) Escoramento

Sempre que uma escavação se faça em solo passível de desmoronamento, as paredes dessa escavação
devem ser tratadas de forma a evitar seu escorregamento, quer por meio de taludes inclinados quer por
meio de escoramentos.

Nas áreas urbanas raramente consegue-se evitar o escoramento nos terrenos desfavoráveis, quando a
profundidade da vala ultrapassa 1,50 m, considerando-se não só a dificuldade de construir taludes

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inclinados por falta de espaço físico e a presença próxima de construções mas, ainda, pela sensação de
insegurança transmitida ao trabalhador, que o leva a baixar sua produtividade. Vários são os tipos de
escoramentos existentes, com sua utilização condicionada às características locais e às condições
econômicas. Nos escoramentos correntes, os principais elementos que os compõem são os seguintes.

FIG. 10 - ELEMENTOS CONSTITUINTES DE


ESCORAMENTO

a) estacas prancha: são as peças verticais que recebem diretamente o empuxo da terra. Podem ser de
madeira ( recomenda-se usar as espessuras mínimas de 50 mm ou 75 mm ) ou aço.

FIG. 11 - TIPOS DE ESTACAS-PRANCHA DE MADEIRA

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FIG. 12 - ESTACAS PRANCHA “ARMCO” COM FLANGE E COM ENCAIXE (SEÇÕES TRANSVERSAIS)

b) longarinas: são as peças colocadas longitudinalmente, isto é, correm paralelas ao eixo da vala e
servem para solidarizar o conjunto e transmitir os esforços às estroncas; podem ser de madeira (50 ×
228 mm, 50 ×300 mm, 75 × 228 mm, 75 × 300 mm) ou aço.

c) estroncas: são as peças colocadas transversalmente á vala e transmitem a força resultante do


empuxo da terra de um lado para o outro da vala; podem ser de madeira ( beneficiada, com as mesmas
dimensões que as longarinas, eucaliptos, etc.) ou de aço. Quando forem construídas em tubos
circulares, em montagens telescópicas, recebem a denominação especial de “stick” .

d) chapuzes: são as peças que servem para calçar as longarinas e evitar que os quadros se desloquem
verticalmente.

FIG. 13 - POSIÇÃO DE UM CHAPUS

e) quadros: são as estruturas formadas pelas longarinas e estroncas; são fixados entre si por peças
verticais denominadas suspensórios.

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f) ficha: é a parte do escoramento que fica cravada além da cota final de corte da vala, sendo
conveniente um comprimento mínimo de 50 cm.

Basicamente os escoramentos podem ser divididos em dois grupos: abertos ou descontínuos e


fechados ou contínuos.

Escoramento Aberto

É usado em terrenos firmes e com pouca ou nenhuma água; as estacas pranchas, de aço ou madeira,
são colocadas a intervalos regulares de 1,00 a 1,50 m; as estacas são, então, estroncadas. Este tipo de
escoramento poderá não levar longarinas, recebendo então a designação de pontaletes.

FIG. 14 - ESCORAMENTO ABERTO

Escoramento Fechado

É usado nos terrenos desfavoráveis; as estacas pranchas são colocadas lado a lado, de maneira a
revestir integralmente as paredes da vala.

O espaçamento entre quadros varia de 1,00 m a 3,00 m e o espaçamento entre estroncas é função do
comprimento da longarina, variando normalmente de 1,50 a 2,00 m. A altura máxima da vala a ser
escorada depende do comprimento da estaca prancha; quando necessitamos escorar valas profundas,
podemos lançar mão de escoramentos duplos ou triplos.

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FIG. 15 - ESCORAMENTO DUPLO

O posicionamento das estacas pranchas se processa por cravação, golpeando-se a cabeça da estaca
por meio de marretas ou bate-estacas; para evitar a destruição da cabeça da estaca é conveniente
protegê-la com uma cinta de aço.

Nos terrenos em que o lençol d’água está acima da cota final de escavação, usam-se estacas pranchas
de encaixe e, neste caso, o escoramento e denominado ensecadeira.

Escoramentos Especiais

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Em obras de grande porte ou em locais onde haja necessidade de cuidados especiais, outros tipos de
escoramentos devem ser usados como, por exemplo, o hamburguêsou de pranchada horizontal,
constituído por estacas metálicas em perfis I ou H, sendo entre elas colocados pranchões horizontais
(com espessura mínima de 75 mm) encunhados contra as estacas.

Neste tipo de escoramento não há problemas de profundidades de vala, pois podemos soldar perfis
para que tenhamos as estacas de acordo com a altura da cava. As estroncas podem, aqui, ser
substituídas por tirantes, deixando a vala livre para o trabalho.

Além do escoramento em pranchada horizontal, ainda podem ser usadas as paredes de diafragma, que
consistem na construção de uma parede enterrada de concreto armado, usando-se o processo de
concretagem submersa.

B.8) Esgotamento de Valas

Quando a escavação atingir o lençol d’água, fato que poderá criar obstáculos à perfeita execução da
obra, dever-se-á ter o cuidado de manter o terreno permanentemente drenado, impedindo-se que a
água se eleve no interior da vala, pelo menos até que o material que compõe a junta da tubulação atinja
o ponto de estabilização.

Vários são os métodos empregados neste tipo de obra: drenagem a céu aberto, rebaixamento do lençol
por ponteiras filtrantes (well points) e rebaixamento do lençol por poços profundos. O rebaixamento
por eletro-osmose não é normalmente usado.

Quando o esgotamento for feito por meio de bombas, a água retirada deverá ser encaminhada para a
galeria de águas pluviais ou vala mais próxima, por meio de calhas ou condutos, a fim de evitar o
alagamento das superfícies vizinhas.

Em solos arenosos em que se tenha de penetrar a profundidade superior a 50 cm abaixo do lençol


freático, deverá ser feito o rebaixamento do lençol por meio de ponteiras filtrantes ou poços profundos.

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O método a ser escolhido para esgotamento, varia com as condições locais; a Figura 16 mostra
esquematicamente, os métodos de rebaixamento em função das curvas granulométricas dos materiais.

FIG. 16 - CURVAS GRANULOMÉTRICAS E MÉTODOS DE REBAIXAMENTO RECOMENDADOS

Drenagem a Céu Aberto

Na drenagem podem ser usados valas, valetas, drenos cegos ou franceses, drenos perfurados, drenos
sem perfuração. Comumente a drenagem é executada por meio de canaletas formando drenos cegos.
A disposição de sistemas de drenos no sentido longitudinal e transversal da escavação depende das
condições do subsolo, da vazão de infiltração e do grau de drenagem requerido. Eventualmente, todo o
fundo da vala é recoberto com dreno francês (Figuras 17 e 18).

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FIG. 17 - DRENAGEM COM O FUNDO DA VALA RECOBERTO POR DRENO

É conveniente que o acabamento do fundo da vala tenha um caimento aproximado de 1% para o lado
da canaleta.

FIG. 18 - ACABAMENTO DO FUNDO DA VALA

Sendo usadas duas canaletas, uma de cada lado da vala, o caimento deverá ser dado do centro para
os lados da vala.

Para melhorar as condições de esgotamento, a escavação poderá ser executada em trechos separados
entre si por damas que, além de diminuir o volume esgotado, possibilitando usar equipamentos menos
potentes, ajudam no escoramento da vala. As damas, com largura aproximada de 1 m, são furadas no
momento do assentamento da tubulação.

Nos terrenos arenosos o bombeamento direto deve ser evitado pois:

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a) poderá haver o carreamento de partículas finas, provocando o solapamento e recalque das


fundações vizinhas.

b) à medida em que o nível d’água no interior da vala vai baixando mais rapidamente que o exterior,
há um aumento de pressão sobre o escoramento e um fluxo d’água para dentro da vala, pelo fundo,
podendo originar o aparecimento de areia movediça.

c) há possibilidade de ruptura do fundo da escavação devido à sub-pressão da água, quando esta


for maior que o peso efetivo do solo.

Vários são os tipos de bombas utilizados nesse serviço, como:

a) bombas centrífugas: são aquelas que, através de um elemento girante denominado rotor, transmitem
ao fluido energia suficiente para vencer as forças resistentes. Há vários tipos, não devendo ser
esquecido, ao se adquirir uma bomba para este tipo de serviço, que se trata de água suja.

São acionadas por motores elétricos, a explosão ou mesmo a ar comprimido.

Pode-se melhorar as condições de trabalho reduzindo a sua altura de sucção. Para isto é necessário
construir uma plataforma no interior da vala, para apoio da bomba (Figura 19).

FIG. 19 - REDUÇÃO DA ALTURA DE SUCÇÃO

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As bombas centrífugas não são projetadas para trabalhar com mistura de líquido e gases, daí a
necessidade de evitar a entrada de ar na sucção, o que poderá paralisar seu funcionamento, além de
trazer sérios prejuízos mecânicos.

Havendo energia elétrica na obra, deve-se dar preferência aos motores elétricos, sendo conveniente,
entretanto, que se tenha na reserva pelo menos uma unidade acionada a explosão, para suprir eventuais
faltas de energia.

As tubulações de sucção e recalque são geralmente, mangotes de lona ou material plástico, armados ou
não com fios de aço, variando as bitolas de 50 mm a 150 mm conforme a bomba.

b) bombas alternativas: as bombas de movimento alternativo (pistão ou diafragma) são de uso


generalizado nas obras, não só pela facilidade de manutenção e pelo tipo de água que conseguem
recalcar mas, também, porque conseguem retirar pequenas quantidades de água, conservando o nível
sempre baixo.

As bombas mais usadas são as de diafragma tipo sapo, podendo ser motorizadas ou manuais.

c) bombas submersas: trabalham diretamente dentro d’água, eliminando desta forma a altura de sucção.

São acionadas por motores elétricos ou ar comprimido. No primeiro caso elas são do tipo centrífuga,
isto é, são bombas centrífugas.

No segundo caso, são usadas bombas centrífugas ou com insuflação de ar comprimido (air- lift ).

As bombas a ar comprimido, apesar da excelência do trabalho, são de custo mais elevado que as
elétricas.

d) existem outros tipos de bombas que são muito pouco usadas em obras de construção, tais como:
Bomba ejetora e o Ejetor pneumático. O primeiro tipo é usado eventualmente na limpeza de galerias e
poços de visita.

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Rebaixamento do Lençol Freático por Ponteiras Filtrantes

Em solos permeáveis, as ponteiras filtrantes têm apresentado bons resultados na função de rebaixar o
lençol freático para permitir a construção a seco. O processo consiste em envolver a área que se
pretende secar com uma linha coletora, com diâmetro variando de 150 mm a 200 mm, ligada a um
conjunto motor bomba que subtrai a água do coletor.

Ao longo do coletor, espaçadas em torno de 90 cm (dependendo da permeabilidade do solo, da


profundidade de rebaixamento e da profundidade de instalação das ponteiras), são instaladas prumadas
em tubos de 38 mm a 76 mm, cujas extremidades inferiores constituem-se de filtros formados por
tubos de aço perfurados e envoltos por uma tela de malha, com 30 cm a 100 cm de comprimento.

É comum o coletor geral vir perfurado a cada 45 cm, com a colocação das prumadas a cada 90
cm, isto é, alternando-se os furos, permitindo, se for necessário, o aumento do número de ponteiras.
Os furos não utilizados permanecem vedados por um “plug“.

A profundidade de cravação das ponteiras depende da profundidade da vala, do tipo de solo a essa
profundidade e da existência de veios intermediários de material impermeável.

Nas condições normais, a extremidade da ponteira deve ficar a, pelo menos, 100 cm abaixo do fundo
da vala.

Em solos finos, pode-se obter bons resultados colocando-se as ponteiras no interior de poços de areia;
para isso, é cravado um tubo de aço de 150 mm no interior do qual é colocado a ponteira filtrante; o
espaço entre a ponteira e o tubo é preenchido com areia grossa; paralelamente ao envolvimento da
ponteira com areia, é feito o arrancamento do tubo de aço.

A cravação é, normalmente, feita por jatos d’água através da própria ponteira (as ponteiras deste tipo
são equipadas com fundo de fechamento automático), usando-se uma bomba que permita uma pressão
mínima de 5 kg / cm2 e vazão mínima de 230 1/ min.

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Sob condições normais, duas bombas são suficientes: uma para tirar a água do coletor e outra para
cravar as ponteiras.

Uma linha simples ou estágio do sistema permite rebaixar o lençol freático em cerca de 5 m de
profundidade; para melhorar o rendimento, costuma-se introduzir uma bomba de vácuo que eleva para
6 a 7 m a profundidade de rebaixamento.

Quando usado um só estágio, é comum ser ele instalado no interior da vala. Neste caso, é conveniente
escavar a vala inicialmente até ao nível do lençol freático e ai instalar-se o coletor geral e o conjunto
motor-bomba.

FIG. 20 - POSICIONAMENTO DO SISTEMA COM UM SÓ EST ÁGIO

Para profundidades maiores, deverão ser usados vários estágios de rebaixamento.

Rebaixamento de Lençol Freático Por Poços Profundos

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O processo consiste na perfuração de poços, com diâmetros variando de 30 a 60 cm, abertos


normalmente por perfuratrizes utilizando o método hidráulico-rotativo, que consiste em abrir o furo por
intermédio de uma broca e remover os fragmentos por meio da circulação de um fluido apropriado.

Vários outros processos de perfuração podem ser usados, não sendo entretanto muito utilizados neste
tipo de obra.

Perfurado o poço, em seu interior é descido um tubo com diâmetro de 150 mm a 300 mm sendo o
espaço entre as paredes do tubo e do poço preenchido com material granular.

A extremidade inferior do tubo constitui-se de um filtro obturado na base, que tem a finalidade de
captar a água e evitar o carreamento da areia.

No interior do tubo trabalha uma bomba submersa, normalmente elétrica, que recalca a água para a
superfície.

A profundidade do poço depende da profundidade da vala, sendo conveniente que o comprimento


total do filtro fique abaixo do nível mínimo do lençol rebaixado. Os poços podem atingir profundidades
superiores a 80 m.

O espaçamento entre poços é função das condições locais. Para os casos tradicionais, o espaçamento
médio oscila em torno de 10 m.

Para melhorar o rendimento, pode-se aplicar uma exaustão de ar (vácuo) nas partes superiores dos
poços, por meio de um tubo coletor acoplado a uma bomba de vácuo, fazendo com que o nível d’água
no interior do poço se eleve; a utilização do sistema a vácuo é excepcional, tendo em vista que o
simples bombeamento atende com folga á grande maioria dos casos.

Vantagens e Desvantagens

O sistema de poço profundo apresenta algumas vantagens sobre o de ponteiras filtrantes, tais como:

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- trabalhando pela parte externa da vala, propiciam menores larguras de cava, com todas as
vantagens desse fato. Além disso, fazendo com que o fluxo d’água seja no sentido do interior da
vala para fora, ajuda na estabilização do talude.

- o espaçamento entre poços facilita o trabalho de homens e equipamentos na borda da vala.

- o sistema, sendo constituído por bombas isoladas, possibilita a paralisação de uma delas sem levar
o rebaixamento ao colapso, pois as demais continuam funcionando.

A desvantagem deste processo é que seu custo é mais elevado que o de ponteiras filtrantes, este
considerado com um estágio de rebaixamento, equivalendo-se os preços para dois estágios.

B.9) Embasamento

As tubulações de uma forma geral são assentes sobre três tipos de base a saber:

a) Base comum

Os tubos serão assentes diretamente no próprio terreno da cava, que será preparada numa largura de
pelo menos a metade do diâmetro externo, para adaptar-se perfeitamente à parte inferior dos tubos.
Os vazios ao seu redor serão preenchidos com material de boa qualidade, colocados e apiloados
manualmente, até 0,30 m acima da geratriz superior do tubo.

b) Bases de 1a. classe

b.1) Base de Areia - Os tubos serão assentes sobre um colchão de areia ou pó de pedra com uma
largura (L) mínima de uma vez e meia o diâmetro externo e com espessura (H) mínima de 0,10m.

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Para os diversos diâmetros, deverão ser observados os valores mínimos indicados na tabela seguinte.

∅ (mm) H (m) L (m)


150 0,10 0,250
200 0,10 0,300
300 0,10 0,450
400 0,12 0,600
500 0,15 0,750
600 0,18 0,900
700 0,20 1,100
800 0,22 1,200
900 0,25 1,350
1000 0,30 1,500

b.2) Base de pedra britada ou cascalho: os tubos serão assentes sobre uma camada de pedra britada
ou cascalho com dimensões similares àquelas empregadas na base de areia.

Neste caso, após a colocação da brita ou cascalho, será colocada uma camada adicional de 0,05m de
pó de pedra ou areia.

b.3) Base de pedra de mão: em alguns casos, quando o terreno for de má qualidade, poderá ser feita,
antes da camada de brita ou pó de pedra, um colchão com pedra de mão, cuja espessura será função
da qualidade do terreno.

Em todos os casos, os vazios ao redor da tubulação serão preenchidos com material de boa qualidade
apiloado manualmente até 0,30m acima da geratriz superior do tubo.

c) Bases de concreto

Neste caso os tubos serão assentes num berço de concreto, cuja resistência à compressão deve ser no
mínimo igual a 140 Kg/cm2, a espessura sob o tubo deverá ser de no mínimo ¼ do diâmetro interno e

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estender-se verticalmente até ¼ do diâmetro externo. A largura será no mínimo igual ao diâmetro
externo do tubo mais a largura da bolsa ou 1,25 do diâmetro externo, no caso de tubos de meio-
encaixe.

Em alguns casos, como travessia de ruas, há necessidade de se envolver completamente o tubo em


concreto, ou fazer um reforço em concreto sobre o tubo.

Em casos especiais, quando a qualidade do terreno assim o exigir, a tubulação será assente sobre laje
de concreto armado, apoiada em estacas de eucalipto.

C) OBRAS ESPECIAIS

C.1 ) Escavações

Antes do início de qualquer trabalho de escavação de maior vulto, o projeto será analisado com
profundidade e identificados os problemas a serem resolvidos durante a execução, face aos planos a
serem apresentados pelo Empreiteiro.

Serão levados em conta, para efeito de medições dos trabalhos a serem executados, os levantamentos
topográficos e os elementos geotécnicos identificados, tais como resistência e homogeneidade do solo,
camada vegetal, lençol d'água e outros.

Em casos de escavações em logradouros públicos, como já foi salientado, um programa detalhado


deverá ser elaborado pelo Empreiteiro e aprovado pela Fiscalização.

Em cada caso a Fiscalização deverá analisar os aspectos econômicos para transporte e aterro de
material levado a bota-fora.

Em casos de empréstimos, os mesmos cuidados deverão ser tomados, bem como os necessários
ensaios para seleção dos materiais a serem empregados, além da preocupação com a preservação
ambiental com os locais de jazidas.

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No caso de escavação de valas, atenção especial deverá ser prestada quanto aos necessários
escoramentos para evitar acidentes segundo as especificações de serviço.

Nos aterros ou reaterros caberá à Fiscalização um rígido controle qualitativo definindo a freqüência dos
ensaios a serem exigidos do Empreiteiro, levando em conta:

- homogeneidade do material;

- volumes dos aterros;

- importância dos aterros e suas implicações em caso de recalques futuros;

- demais fatores considerados relevantes.

Atenção especial também deverá ser dispensada às obras de proteção dos taludes, arrimos ou mesmo
drenagem superficial ou subterrânea, tendo em vista a perenidade dos aterros ou cortes realizados.
Caso os projetos não contemplem tais aspectos, a EMPRESA DE SANEAMENTO deverá ser
alertada para o fato de que a não realização dessas obras complementares possa, a curto, médio ou
longo prazo, comprometer a segurança das obras executadas.

Finalmente, numa abrangência maior, também serão analisados os aspectos ecológicos ou de meio
ambiente que, eventualmente, possam vir a ser afetados, cuja solução deverá ser estudada dentro dos
limites dos aspectos gerenciais.

C.2) Fundações

A identificação dos tipos de fundações para as obra a serem construídas está definida no projeto e nas
especificações técnicas.

Fundações Diretas

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A Fiscalização analisará os elementos de geotecnia identificados no local cotejando-os com o projeto.

A definição da cota de assentamento das sapatas deverá ter as taxas previstas em projeto.

A Empreiteira deverá apresentar um plano de escavações detalhado, indicando qual a metodologia


executiva e quais os recursos a serem empregados, tais como equipamentos, escoramentos e
rebaixamento do lençol freático, contemplando também os aspectos de concretagem, a qual deverá
obedecer com rigor às especificações gerais de serviço naquilo que lhe concerne.

Estacas

Considerando-se que as estacas a serem cravadas serão premoldadas, deverão ser analisados:

- a qualidade das estacas

- os equipamentos de cravação

- a nega definida em projeto

- o prumo das estacas durante a cravação

- o perfil geotécnico, que mostrará os horizontes que deverão ser atravessados pela estaca e definirá
os comprimentos das estacas, seja por resistência de ponta, seja por atrito lateral.

- finalmente, serão definidos os arrasamentos das cabeças das estacas e sua incorporação ao bloco
de amarração a ser armado e concretado, deixando os arranques dos pilares.

Cuidados especiais deverão ser tomados pela Fiscalização em casos de ruptura de estacas e qual a
solução mais adequada em cada caso.

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Boletim de Cravação - A cada estaca deverá corresponder um boletim de cravação que resumirá
todos os dados técnicos ocorridos na sua cravação. Este boletim também fornecerá todos os
elementos para medição e pagamento.

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C.3) Estruturas de Concreto

As especificações fornecidas aos empreiteiros descrevem todos os passos a serem dados para
fabricação e aplicação do concreto a ser empregado na execução das estruturas de concreto armado e
a Fiscalização deverá estar atenta e assegurar a qualidade projetada.

O volume do concreto a ser aplicado nas obras será relativamente grande e sua aplicação requererá da
Fiscalização um rígido controle tecnológico sobre a fabricação e um permanente controle de aplicação
no campo.

O controle tecnológico nada mais é que a verificação da qualidade dos materiais que estão sendo
utilizados no concreto e seu enquadramento dentro das normas técnicas vigentes, ou dentro das
especificações do projeto. Daí a necessidade de um acompanhamento dia-a-dia de todas as atividades
que envolvem o emprego desses materiais nas suas dosagens recomendadas.

A fabricação, lançamento e cura do concreto, além do acompanhamento das atividades de laboratório,


terá a supervisão visual de campo a ser exercida por técnicos que deverão assegurar a qualidade da
estrutura como produto final acabado.

O controle de campo atuará em todas as fases da execução das estruturas de concreto. Será efetuado
por profissionais com a necessária experiência no setor de concreto, responsáveis pelo
acompanhamento direto e permanente da execução das obras, zelando, entre outras coisas, pela
qualidade da fabricação, transporte, aplicação e cura do concreto a ser empregado na obra, de
maneira a se fazer cumprir todas as especificações, resguardando a qualidade do produto final.

Boletim de Liberação de Concretagem - Para cada concretagem, normalmente a Empreiteira


preencherá o Boletim de Liberação de Concretagem para controle formal de todas as fases que
antecedem o lançamento do concreto, contendo a rubrica do Empreiteiro e da Fiscalização,
envolvendo controle dimensional, qualidade das formas, número e posições dos elementos
componentes da armadura e demais aspectos mencionados nas especificações gerais de serviço.

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A última etapa para liberação da concretagem trata da limpeza do local de lançamento. É bom lembrar
que, quase sempre esse é um ponto crítico onde se verificam os maiores atritos Empreiteira x
Fiscalização.

Caberá à equipe da Fiscalização examinar e aprovar os planos de concretagem apresentados pelo


Empreiteiro, bem como a sua adequação aos seus recursos tais como: inspeção no funcionamento da
central de concreto, betoneiras, vibradores e demais equipamentos previstos; insumos básicos para
fabricação do concreto; recursos humanos disponíveis; condições logísticas como acesso, transporte,
segurança do trabalho, iluminação e instalações elétricas provisórias, dentre outras. Além disso,
convém prever a interrupção abrupta dos trabalhos e quais as providências a tomar.

Liberada a concretagem, a Fiscalização supervisionará a fabricação, transporte e lançamento do


concreto. A supervisão de campo acompanhará os serviços do laboratório para a retirada dos corpos
de prova para controle de resistência e demais ensaios necessários, ou mesmo ajustes em traços.

Se houver necessidade de interrupção não programada da concretagem, seja por razões climáticas ou
avarias em equipamentos ou outras razões, caberá à Fiscalização exigir do Empreiteiro a preparação
correta das cabeças de concretagens para futuras retomadas e, sempre que necessário, atentar para a
necessidade do "corte" do concreto para posterior retomada.

A Fiscalização exigirá da Empreiteira providências para uma cura adequada do concreto, atentando
rigidamente para que as recomendações técnicas sejam obedecidas.

Finalmente, a Fiscalização analisará os resultados dos corpos de prova e estabelecerá os critérios


básicos para desforma das estruturas, definindo seus prazos mínimos.

Quando, por época da desforma, somente a Fiscalização poderá autorizar eventuais reparos nas
concretagens imperfeitas, analisando suas causas e conseqüências, indicando quais as providências a
serem tomadas.

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C.4) Montagem dos Equipamentos Elétricos

A Fiscalização da montagem do sistema elétrico e de automação em todas as suas fases abrangerá as


seguintes atividades principais:

- Verificação e aprovação do plano de trabalho a ser aplicado pela empreiteira.

- Verificação e aprovação da compatibilidade entre os dispositivos de montagens, os equipamentos


a serem montados e os métodos executivos das montagens.

- Verificação da qualidade dos equipamentos a serem montados de acordo com as especificações


técnicas.

- Verificação da locação das subestações e posteamento das redes de distribuição.

- Verificação dos parâmetros dos aterramentos.

- Verificação da locação e nivelamento de bases e apoios.

- Verificação da locação das peças embutidas.

- Acompanhamento da calibração e interligação dos equipamentos.

- Acompanhamento da energização do sistema.

C.5) Montagem dos Equipamentos Hidromecânicos

Os serviços de Fiscalização de montagem dos equipamentos hidromecânicos devem abranger, no


mínimo, os seguintes passos, de forma a atender aos padrões de qualidade requeridos pela EMPRESA
DE SANEAMENTO.

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- Recebimento, na obra, dos equipamentos provenientes dos almoxarifados controlados pela


EMPRESA DE SANEAMENTO, verificando convenientemente a integridade de todas as suas
partes constituintes, registrando, quando for o caso, eventuais não conformidades.

- Verificação de local, no canteiro de obras, para armazenamento dos equipamentos, de forma a


que os mesmos conservem, durante o período de estocagem, as condições constatadas por ocasião
da entrega.

- Verificação da locação adequada dos equipamento nas estruturas e, em especial, os casos de


locação de peças fixas no concreto.

- Acompanhamento dos serviços de montagem, em consonância com as especificações constantes


do projeto executivo, requerendo quando necessário, ou previsto no contrato do fabricante, técnico
especializado para assessoria na execução dos trabalhos.

D) RECEBIMENTO DOS SERVIÇOS

O recebimento de qualquer serviço deverá sempre ser procedido de uma inspeção visual por uma
equipe que deverá ser composta por membros da EMPRESA DE SANEAMENTO, da Empreiteira e
da Fiscalização.

O recebimento provisório será levado a efeito em trechos considerados aceitos ou que possuam
condições de serem liberados ao tráfego. Já o recebimento final será feito após a conclusão satisfatória
de todos os serviços e irá abranger a trechos já recebidos provisoriamente.

É importante frisar que para que seja concretizado o recebimento final das obras, a Fiscalização deverá
verificar a execução de todos os serviços de acabamento, paisagismo e limpeza inerente aos trabalhos
realizados, envolvendo instalações prediais, revestimento, pisos e esquadrias, entre outros.

Faz parte, também, dos serviços complementares para o recebimento final, a fiscalização da execução
das desenhos "as built" por parte da Empreiteira.

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Cumpre salientar, que conjuntamente com a atividade de supervisão e acompanhamento das obras,
deverá ser realizado um trabalho permanente no que diz respeito aos serviços de envolvimento das
comunidades beneficiadas pelas intervenções da EMPRESA DE SANEAMENTO, através de uma
ação específica de assistência social e educação sanitária.

A Fiscalização comunicará à população os benefícios decorrentes da implementação das obras,


demonstrando, ainda, a importância de sua participação, seja através de empregos diretos com a
empreiteira, seja através de ações de controle da qualidade dos serviços, ensinamentos sobre a
necessidade de a própria comunidade zelar pela manutenção do estado de conservação das obras e
equipamentos instalados e transmissão do alcance dos benefícios introduzidos, sob o aspecto de saúde
pública e melhora da qualidade de vida.

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CAPÍTULO VI.
ELABORAÇÃO DE PLANO DE CONTROLE
TOPOGRÁFICO, TECNOLÓGICO E DA QUALIDADE
DAS OBRAS

As especificações técnicas para a execução das obras e serviços de montagem, constantes do projeto,
caracterizam perfeitamente as tarefas a serem executadas pela Empreiteira, bem como as metodologias
a serem obedecidas.

A função da Fiscalização, para a obtenção de padrões de qualidade final das obras é zelar pela
obediência rigorosa às especificações firmadas em Contrato, pelo cumprimento dos prazos
estabelecidas e por um controle de custos que permita a conclusão dos serviços dentro das
disponibilidades de recursos financeiros alocados ao empreendimento.

Para cumprir esses objetivos, caberá à Fiscalização a elaboração de um plano de controle topográfico,
tecnológico e de qualidade das obras que contemple todas as tarefas inerentes a serviços desta
natureza.

A) Controle Topográfico

Netsa área de atuação, utilizar-se-ão os métodos fixados pela especificações técnicas da EMPRESA
DE SANEAMENTO, no que tange aos serviços topográficos e em especial ligados aos nivelamentos
geométricos e medições planimétricas, devendo todos os levantamentos obedecer aos limites
admissíveis de erros e tolerâncias fixados nas citadas especificações.

A Fiscalização deverá exercer um rígido e permanente acompanhamento de todos os serviços


topográficos necessários à implantação da obra.

No caso de omissão ou inexistência de normas que caracterizem os serviços inerentes ao controle


geométrico das obras adotar-se-ão as seguintes diretrizes:
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• Os greides e declividades serão controlados através de circuitos de nivelamento lançados ou


relocados na fase dos eixos das obras, afastados o suficiente para não serem alterados pelas
escavações, e distantes entre si, no máximo 500 m. Com o apoio nessas RRNN, serão efetuados
nivelamentos geométricos das poligonais, com pontos nivelados a cada 20 m ou fração, sendo
obrigado o contra-nivelamento passando pelos mesmos pontos.

• Todos os elementos dimensionais que determinam o alinhamento de tubulações e estruturas, além de


seu posicionamento locacional nas obra, serão objeto de aferição pela Fiscalização através de sua
equipe de topografia.

• O serviços topográficos deverão verificar plani-altimetricamente todos os componentes das obras,


visando a elaboração de desenho “as built”, pela Empreiteira, em bases confiáveis.

B) Controle Técnológico do Concreto

A construção de obras de concreto exige seleção e manipulação cuidadosa de materiais, mistura


apropriada, transporte, lançamento, controle e supervisão adequados em todos os procedimentos e
operações.

Apresentam-se, a seguir, as práticas a serem utilizadas para controlar a qualidade e garantir uma
estrutura acabada adequada e competente para servir aos propósitos a que se destina.

No sentido de se evitar repetições, apresentar-se-á o Controle da Qualidade em geral para as obras de


concreto.

Relaciona-se o resumo das atividades e a seguir suas respectivas descrições, exigindo-se da


Empreiteira o cumprimento das especificações apresentadas:

- Programa de Fiscalização para Serviços de Campo

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Ensaios no concreto fresco, amostragem de concreto, acompanhamento de concretagem, amostragem


do aço.

- Serviços Executados no Laboratório de Campo

Ensaios de cimento, ensaios de caracterização dos agregados, ensaios no concreto, ensaios nos
aditivos, ensaios na água, dosagem.

- Serviços Executados nas Centrais de Concreto ou de Betoneiras

Verificação dos equipamentos de produção de concreto, controle e ajustes nos traços, controle das
cargas das betoneiras, controle do tempo de mistura, controle de estocagem de cimento e agregados.

- Serviços Executados no Laboratório Central

Ensaios nos agregados, ensaios no concreto, ensaios na água, ensaios no cimento, ensaios no aço.

- Programa Geral de Ensaios

Controle do concreto na obra.

Controle da moldagem de corpos de prova, ensaios acelerados do concreto, controle da consistência

- Controle dos Materiais Componentes

Cimento, agregados e aço.

- Apresentação dos Resultados dos Ensaios e Relatórios

- Relatórios Estatísticos.

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- Programa de Fiscalização para Serviços de Campo

Será executado conforme as determinações constantes das especificações técnicas, ou na omissão, de


acordo com o que se segue:

a) Ensaio do concreto Fresco (Controle de Consistência)

Para obtenção da trabalhabilidade adequada do concreto no estado fresco, e garantia de acabamento


no concreto, será feito o controle de consistência do concreto, através do acompanhamento da
realização do ensaio de abatimento no tronco de cone (slump test) de acordo com as especificações
técnicas ou, na omissão, conforme a Norma Brasileira, com verificação da coesão, de modo a reduzir
os problemas de segregação em todas as fases da concretagem, durante as quais deverá ser estendido
o controle, com especial atenção às técnicas empregadas para o transporte, lançamento, adensamento
e cura do concreto, visando a obtenção de um concreto homogêneo, compacto, resistente e durável.
No quadro de controle do concreto constarão os valores "slump test" obtidos.

b) Amostragem do Concreto

Será feita a amostragem do concreto, através da moldagem de corpos de prova cilíndricos (15 x 30
cm), visando a determinação da resistência do mesmo, nas idades 3, 7 e 28 dias e eventualmente a 90
dias, de acordo com as especificações técnicas ou na omissão, conforme as Normas Brasileiras.

No quadro de controle fixado no laboratório de campo constará a indicação quanto ao local e data das
amostragens.

c) Acompanhamento de Concretagem

Será realizado o acompanhamento das concretagens dando-se especial atenção ao transporte,


lançamento e adensamento do concreto, orientando no sentido de evitar a segregação, excesso ou falta
de vibração.

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d) Amostragem do Aço

Seguindo as recomendações das especificações técnicas ou, na omissão, conforme as Normas


Brasileiras, será dada orientação para a divisão do aço em lotes, para retirada de amostras para
ensaios. Os lotes serão rigorosamente identificados para posterior liberação ou rejeição em função dos
resultados dos ensaios.

- Serviços Executados no Laboratório de Campo

No laboratório de campo, normalmente a ser instalado pela Empreiteira no canteiro de obras, serão
realizados os seguintes ensaios, com o acompanhamento da Fiscalização, conforme previsto nas
especificações técnicas, ou, na omissão, como se segue:

a) Ensaios de Cimento

Superfície específica Blaine; tempo de pega e expansibilidade de Chatelier.

b) Ensaios de Caracterização dos Agregados

Para os agregados que serão amostrados conforme método da ABNT, serão realizados os seguintes
ensaios:

Composição granulométrica; teor de argila em torrões; teor de material pulverulento; teor de matéria
orgânica da areia; ensaio de qualidade da areia; peso unitário e peso absoluto .

c) Ensaios no Concreto

Os corpos de prova moldados no campo serão transportados para o laboratório onde serão curados
em tanques com água. Nas idades previstas para ruptura serão capeados nos dois topos com enxofre e
rompidos à compressão axial.

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d) Ensaios nos Aditivos

Para cada tipo de aditivo utilizado serão realizados os seguintes testes:

Compatibilidade cimento-aditivo de resistência à compressão; ensaio comparativo de pega, ensaio


comparativo de expansibilidade, ensaio comparativo de consistência.

e) Ensaios na Água

Para a água de amassamento serão realizados, sempre que houver dúvidas sobre sua qualidade,
ensaios comparativos de tempo de pega e resistência à compressão.

f) Dosagens

Para determinação das dosagens de concreto serão elaborados traços experimentais de acordo com as
características solicitadas pelo Projeto (memória de cálculo) e propriedades dos materiais disponíveis e
características dimensionais dos elementos a serem concretados.

Caso o concreto seja fornecido por terceiros as dosagens serão previamente reproduzidas no
laboratório de campo, com acompanhamento da Fiscalização, para atestar suas características de
trabalhabilidade e resistência.

- Serviços Executados nas Centrais de Concreto ou de Betoneiras

Serão executados conforme prescrito nas especificações técnicas ou, na omissão, conforme se segue:

A produção do concreto na Central será controlada através de preenchimento de "Quadros de


Controle" pelo profissional alocado através da realização dos seguintes serviços:

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a) Verificação dos Equipamentos de Produção de Concreto

Será verificado o funcionamento dos equipamentos empregados na central de concreto (aferição de


balanças, dosadores de água).

b) Controle e Ajustes nos Traços

Os traços de concreto serão controlados permanentemente e ajustados, no intuito de atender às


especificações da obra, memória de cálculo e trabalhabilidade do concreto fresco (compatibilidade do
concreto com o elemento a ser concretado, em função de suas dimensões, acessibilidade e armadura).
Será feito o controle da umidade da areia para a conseqüente correção do traço empregado.

c) Controle das Cargas das Betoneiras

Através do requisito dos valores acumulados na balança da Central de Produção do concreto, será
feito o controle da carga das betoneiras para verificação das quantidades e garantir uma boa mistura.
Caso seja utilizada dosagem por volume serão verificados e controlados os tipos de padiolas,
enchimentos e lançamentos.

d) Controle do Tempo de Mistura

Será controlado o tempo de mistura da betoneira, a fim de que se efetue uma mistura homogênea de
todos os componentes do concreto.

Será controlada ainda a velocidade de giro das betoneiras, a fim de contrabalançar os efeitos da força
centrífuga.

e) Controle de Estocagem de Cimento e Agregados

São controles visuais para impedir o uso de cimentos deteriorados ou contaminação dos estoques de
agregados por materiais estranhos.

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- Serviços Executados no Laboratório Central

Sempre que necessário, serão executados no laboratório central e acompanhados pela Fiscalização, os
ensaios abaixo relacionados, conforme previsto nas especificação técnicas, ou, na omissão, como se
segue:

a) Ensaios nos Agregados

Abrasão Los Angeles, forma do grão, resistência aos sulfatos(durabilidade) e Soudness test.

b) Ensaios no Concreto

Permeabilidade, determinação do módulo de elasticidade, sempre que solicitado pelo engenheiro


calculista será realizada a determinação do módulo de elasticidade do concreto, resistência a tração -
sempre que houver necessidade serão ensaiados os corpos de prova cilíndricos à compressão
diametral para avaliação da resistência à tração do concreto, ensaio de flexão de corpos de prova
primáticos - sempre que necessário serão ensaiados corpos de prova prismáticos para determinação
da resistência à tração na flexão.

c) Ensaios na Água

Ensaio químico de água para concreto.

d) Ensaio no Cimento

Ensaio de resistência a comparação.

e) Ensaio no Aço

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Ensaio de tração para determinação dos limites de ruptura e escoamento, ensaios de dobramento,
limite de proporcionalidade e módulo de elasticidade.

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- Programa Geral de Ensaios

Será executado conforme indicado nas especificações técnicas ou, na omissão, como se segue:

Controle do Concreto na obra

a) Controle da Moldagem de Corpos de Prova (15 x 30 cm)

A moldagem de corpos de prova será realizada no local de lançamento de concreto e o número de


séries por concretagem poderá obedecer às quantidades indicadas na Tabela a seguir:

Volume de Concreto Números de Séries


Concretagem (m³) Tipo A (*) Tipo B (**)
Até 500 1 -
51 a 100 1 1
101 a 200 1 3
201 a 300 2 4
301 a 400 3 5
401 a 500 4 6

(*) Tipo A: Serão moldados 6 corpos de prova, sendo ensaiados 2 a 3 dias, 2 a 7 dias e 2 a 28 dias
(**) Tipo B: Serão moldados 4 corpos de prova, sendo ensaiados 2 a 7 dias e 2 a 28 dias.

b) Ensaios Acelerados do Concreto

A título de sugestão, propõe-se a realização de ensaios acelerados no concreto, para obter-se uma
estimativa da resistência do mesmo, com 28 horas e 30 minutos, visando a redução do consumo de
cimento ou o prosseguimento de uma concretagem.

As séries desses corpos de prova seriam adicionadas às propostas na Tabela anterior, com um mínimo
de 2 corpos de prova por concretagem.

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c) Controle da Consistência

A medida da consistência obtida através do "slump test" deverá ser feita inicialmente para rodos os
caminhões betoneiras. Em função dos primeiros resultados das análises estatísticas essa freqüência
poderá ser alterada.

- Controle dos Materiais Componentes

Será executado de acordo com as especificações técnicas ou, na omissão, conforme se segue:

a) Cimento e Agregados

A amostragem dos materiais componentes do concreto foi elaborada prevendo-se a produção do


concreto na obra.

Caso o concreto seja fornecido por terceiros, prevalecem as quantidades aqui estimadas, realizando-se
as coletas na Central de Concreto.

ENSAIO FREQÜÊNCIA
Finura por partida de cimento
Pega por partida de cimento
Expansibilidade por partida de cimento
Resistência à compressão por partida de cimento

Nota: entende-se como "partida de cimento" a quantidade de cimento de uma mesma marca, mesma categoria e
procedente de um mesmo fornecedor, entrada na obra num mesmo dia.

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ENSAIO FREQÜÊNCIA
Abrasão Los Angeles a critério da Fiscalização
Peso Específico cada 1.200 m³
Granulometria cada 1.200 m³
Teor de matéria orgânica cada 1.200 m³
Torrões de argila cada 1.200 m³
Teor de material pulverulento cada 1.200 m³
Qualidade da areia sempre que necessário e
dependendo do funcionamento da
Central de Concreto

b) Aço

A amostragem de aço deverá seguir o especificado nas Normas Brasileiras.

- Apresentação dos Resultados dos Ensaios e Relatórios

Após a realização dos ensaios, serão emitidos (2 vias) os certificados dos mesmos, em impressos
próprios, cujos modelos são apresentados em anexo próprio devidamente relacionados. Para
conhecimento imediato, os resultados dos ensaios realizados no laboratório de campo serão
inicialmente apresentados de forma manuscrita, devendo os certificados definitivos serem entregues
posteriormente.

- Relatórios Estatísticos

Serão executados de acordo com as especificações, ou, na omissão, conforme se segue:

As análises estatísticas serão efetuadas a cada 32 séries de corpos de prova rompidos em 28 dias,
realizadas de acordo com a Norma Brasileira e determinando os seguintes índices: Resistência média,
desvio padrão, coeficiente de variação, tensão mínima de ruptura, probabilidade de amostras abaixo da
tolerância.

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Em função dos relatórios obtidos nessa análises serão efetuados ajustes nos traços para atender às
condições reais do canteiro.

Além das atividades descritas anteriormente, serão executados ainda trabalhos de Fiscalização na
estocagem do cimento e agregados englobados nos controles da central de produção. Através das
Ordens de Serviço, serão determinados os planos de processos de cura.

Pelos controles topográficos e de liberação de concretagem serão verificadas as condições de forma e


armadura.

C) Controle da Qualidade das Obras

O controle da qualidade das obras no campo constitui uma das principais tarefas da Equipe de
Fiscalização.

Assim, de modo geral, as áreas de atuação desta equipe compreendem os serviços de terraplenagem,
de controle das escavações e preparo das fundações de construção das estruturas de concreto,
assentamento de tubulações, e ainda, o acompanhamento da montagem e testes de equipamentos.

Para tanto, a Equipe de Fiscalização deverá inicialmente elaborar normas e procedimentos, e analisar
todos os dados, documentos e informações disponíveis que forneçam subsídios para a execução das
obras, tais como desenhos e normas dos projetos, especificações das obras, listas de materiais e
serviços, além de qualquer outra documentação técnica. A seguir, ela deverá avaliar os pedidos formais
das Empreiteiras contidos nos boletins de liberação, para iniciar a execução das etapas de construção.

Quanto ao acompanhamento e controle das escavações e preparo das fundações, a Equipe de


Fiscalização registrará o rendimento dos equipamentos, classificando, quantificando e definindo a
destinação do material escavado, verificará as condições de drenagem das águas e de suporte do solo,
além de acompanhar as escavações para alcançar os greides previstos.

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As atividades que serão desenvolvidas pela Equipe de Fiscalização para acompanhamento e controle
da execução das estruturas de concreto envolverão a análise e aprovação dos planos de concretagem,
planos de cura do concreto e planos de retirada das formas e cimbramentos.

Do mesmo modo, a montagem das formas, a montagem das armaduras, a liberação para concretagem,
a produção do concreto incluindo a avaliação dos materiais e equipamentos, o lançamento do
concreto, a cura e desforma das peças, a verificação dos eventuais reparos e a aceitação destas
estruturas.

A Fiscalização da montagem do sistema elétrico em toda as suas fases abrangerá a verificação e


aprovação do plano de trabalho a ser aplicado pela empreiteira, a verificação dos dispositivos de
montagens, dos equipamentos a serem montados e dos métodos executivos das montagens, além da
verificação da locação das peças embutidas e nivelamento de apoios.

Quanto ao acompanhamento dos trabalhos de assentamento de tubulações, a Equipe de Fiscalização


controlará, de acordo com o preconizado nos projetos, o desmatamento e limpeza da sua faixa de
domínio, a abertura das valas para colocação dos tubos e seu transporte, manuseio e recebimento nos
locais onde serão implantados, o esgotamento das águas pluviais das valas, o assentamento dos tubos
e, por fim, seu aterro.

No que tange às atividades vinculadas à montagem e testes dos equipamentos, a Equipe de


Fiscalização atuará na emissão de instruções detalhadas, procedendo uma lista de verificações a serem
feitas, com a definição das pendências necessárias para cada fase de montagem dos equipamentos
elétricos e mecânicos.

Por fim, as atividades de acompanhamento e controle da Equipe de Fiscalização compreenderão não


só os trabalhos envolvendo a execução das alvenarias, instalações prediais, pisos, revestimentos,
esquadrias e outros acabamentos como também os materiais que neles serão utilizados.

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Além disso, a Equipe de Fiscalização emitirá os termos de recebimento após a limpeza completa de
todas as instalações e a conclusão de todos os aspectos urbanísticos e paisagísticos que permitam a
perfeita adequação das obras ao meio ambiente.

No mais, a Fiscalização exercerá suas obrigações, visando o atendimento à qualidade requerida pela
EMPRESA DE SANEAMENTO, que se refletirá através de benefícios palpáveis, configurados nas
garantias a seguir explicitadas:

• Garantia do cumprimento dos prazos estabelecidos nas programações gerais e detalhadas, de forma
que haja compatibilização entre as programações, entre o projeto executivo e a construção, entre os
planos de construção, entre os recursos mobilizados tais como pessoal,. equipamentos e materiais,
entre a fabricação e a montagem dos equipamentos e, de modo geral, entre os períodos chuvosos e as
obras a construir.

• Garantia de conformidade das obras construídas com seus respectivos projetos, através do
acompanhamento e controle das atividades de construção.

• Garantia de que os trabalhos de terraplenagem, envolvendo escavações e aterros, se dê de tal forma


que sejam mínimas as distâncias de transporte e as pilhas com materiais estocados.

• Garantia de que os materiais necessários à execução das obras de concreto estejam disponíveis para
que estas possam ser realizadas sem interrupções e nos prazos estipulados.

• Garantia de que os equipamentos estejam disponíveis nos locais de sua implantação a tempo de sua
imediata montagem, de forma a evitar corrosões e/ou danos indesejáveis.

• Garantia de que os custos reais de implantação sejam compatíveis com os custos orçados.

• Garantia de que haja normas e procedimentos compatíveis com os serviços a medir.

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• Garantia de que a emissão de notas de serviço se dê de forma contínua à boa gerência administrativa
dos contratos e evitando-se reivindicações por parte da Empreiteira.

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CAPÍTULO VII.
EMISSÃO DE RELATÓRIOS MENSAIS DOS SERVIÇOS

Esta tarefa compreende a atualização periódica das programações executivas das obras e será
apresentada nos relatórios mensais de reprogramação de vulto.

Os relatórios deverão atender ao que segue:

− A atualização mensal do programa geral de execução das obras com base no controle "Previsto x
Realizado" das programações setoriais e quando pertinente, serão introduzidas estas modificações no
fluxograma PERT e no orçamento semi-detalhado.

− A atualização mensal da programação setorial com base no desempenho "Previsto x Realizado".


Estas modificações deverão ser harmônicas e, sempre que possível, deverão procurar compatibilizar os
prazos parciais com os finais. Conseqüentemente, tais modificações proporcionarão revisões dos
cronogramas financeiros, que também serão compatibilizados com desembolsos previstos pela
EMPRESA DE SANEAMENTO.

− A atualização semanal da programação detalhada através da comparação "Previsto x Realizado",


envolvendo as quantidades de serviços programado e realizado por cada um dos setores do
empreendimento. Também fará parte desta atualização a avaliação periódica de qualidade de materiais,
produtos, serviços e equipamentos através de ensaios, testes e/ou controle estatístico

Os relatórios conterão, ainda, a descrição de problemas surgidos no transcorrer dos serviços, com as
providências tomadas para a solução e o resultado final.

Abarcará, também, quaisquer comentários julgados pertinentes, atas de reuniões, correspondências


emitidas e recebidas, desde que tenham significância para o andamento das obras, interfaces com
fornecedores, prefeituras, gerenciadora, atividades eventualmente subcontratadas.

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Enfim, o relatório mensal deverá ser um espelho do que de importante ocorreu no período de
referência e retratar o que se espera para o período seguinte, de forma que a EMPRESA DE
SANEAMENTO tenha, a qualquer momento, um quadro geral de andamento dos serviços e das
perspectivas para as etapas subseqüentes.

Não devem deixar de ser enfatizados todos os aspectos relacionados com o envolvimento das
comunidades, através da ação da equipe de assistência social e educação ambiental.

Sempre que houver necessidade, poderão ser produzidos relatórios especiais, de forma a manter a
EMPRESA DE SANEAMENTO permanentemente informada sobre quaisquer problemas e/ou
dificuldades que possam afetar o ritmo de andamento das obras.

Na conclusão dos serviços, deverá ser elaborado um relatório final, consolidando todas as informações
apresentadas ao longo dos serviços de Fiscalização.

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CAPÍTULO VIII.
FORMULÁRIOS DE CONTROLE

Para que as instruções e informações possam fluir normalmente entre a Fiscalização e o Empreiteiro, se
deve utilizar formulários que regulem tais comunicações.

A lista de formulários de controle a seguir, foi elaborada tendo em vista experiência em outras obras
similares, contudo, cada obra possui características intrínsecas a ela mesma, devendo elaborar-se
formulários no transcurso da obra para fins que, todavia, ainda não tivessem sido identificados.

Portanto, vale dizer, que tanto a lista atual como os formulários elaborados se referem a sugestões que,
eventualmente, deverão ser adaptados a uma realidade que não se pode prever neste momento.

FORMULÁRIO TÍTULO

01 Limites de Atterberg
02 Ensaio de Umidade Natural
03 Curva Granulométrica
04 Controle de Compactação
05 Ensaio de Compactação
06 Dosagem para Concreto
07 Planilha de Controle e Amostra de Concreto
08 Análise Granulométrica de Agregados I
09 Análise Granulométrica de Agregados II
10 Boletim de Liberação para Concretagem
11 Planilha de Volumes - Movimento de Solos
12 Planilha de Levantamento Planimétrico
13 Croquis de Levantamento
14 Nivelamento
15 Nivelamento Geométrico

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16 Escavação de Valas
17 Controle Pluviométrico Mensal
18 Ata de Reunião
19 Guia de Remessa de Documentos
20 Analise Tecnológica do Concreto
21 Densidade de Campo pelo Método do Cone de Areia
22 Resumo Diário de Atividades
23 Relatório Fotográfico
24 Ensaios de Granulometria
25 Controle de Concreto
26 Controle de Compactação
27 Adaptação do Projeto em Campo

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