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Índice

Introdução...................................................................................................................................3

1. Conceitos antropológicos da cultura.......................................................................................4

2. Determinismo biológico..........................................................................................................4

2.1. Determinismo geográfico.....................................................................................................4

3. Origem da cultura e antecedentes históricos do conceito de cultura......................................5

4. Desenvolvimento do conceito de cultura................................................................................5

5. Teorias modernas sobre cultura..............................................................................................6

6. Participação dos indivíduos na cultura...................................................................................8

7. A CULTURA TEM UMA LÓGICA PRÓPRIA....................................................................9

8. A cultura e dinâmica.............................................................................................................10

Conclusão..................................................................................................................................11

Referência bibliográfica............................................................................................................12
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Introdução

O presente trabalho de antropologia cultural pretende a bordar a cerca do conceito


antropológico de cultura. No presente trabalho iremos a bordar a cerca do conceito de cultura,
na sua totalidade, também a bordearemos a cerca do determinismo da cultura, e os seus
aspectos inerentes a cultura. No desenvolver do trabalho iremos abordar, na medida do
possível, utilizaremos exemplos referentes à nossa sociedade e às sociedades tribais que
compartilham connosco um mesmo território. Para uma boa compressão.
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1. Conceitos antropológicos da cultura

Uma das primeiras preocupações dos estudiosos com relação à cultura refere-se a sua origem.
Em outras palavras, como o homem adquiriu este processo extra-somático que o diferenciou
de todos os animais e lhe deu um lugar privilegiado na vida terrestre? Uma resposta
simplificada da questão seria a de que o homem adquiriu, ou melhor, produziu cultura a partir
do momento em que seu cérebro, modificado pelo processo evolutivo dos primatas, foi capaz
de assim proceder. Não resta dúvida de que se trata de uma resposta insatisfatória, com um
odor tautológico, e que não deixa de nos conduzir a unia outra pergunta: mas como e por que
modificou-se o cérebro do primata, a ponto de atingir a dimensão e a complexidade que
permitiram o aparecimento do homem. (LARAIA, 1932: 9)

Pretende-se aqui delinear a evolução do conceito de cultura, partindo da ideias defendidas no


passado tais como, o determinismo biológico, geográfico, antecedentes históricos do conceito
de cultura, mostrando a conciliação da unidade biológica e da Grande diversidade cultural da
espécie humana.

2. biológico Determinismo

Os antropólogos estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são


determinantes das diferenças culturais. Segundo Felix Keesing, "não existe correlação
significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos
culturais. Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for
colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado Os dados científicos de que
dispomos actualmente não confirmam a teoria segundo a qual as diferenças genéticas
hereditárias constituiriam um factor de importância primordial entre as causas das diferenças
que se manifestam entre as culturas e as obras das civilizações dos diversos povos. No estado
actual de nossos conhecimentos, não foi ainda provada a validade da tese segundo a qual os
grupos humanos diferem uns dos outros pelos traços psicologicamente inatos, quer se trate de
inteligência ou temperamento. As pesquisas científicas revelam que o nível das aptidões
mentais é quase o mesmo em todos os grupos étnicos.

2.1. Determinismo geográfico

O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a


diversidade cultural. São explicações existentes desde a Antiguidade, do tipo das formuladas
por Pollio, Ibn Khaldun, Bodin e outros, como vimos anteriormente. A partir de 1920,
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antropólogos como Boas, Wissler, Kroeber, entre outros, refutaram este tipo de determinismo
e demonstraram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os factores culturais.
E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um
mesmo tipo de ambiente físico. O espírito criador do homem pode assim envolver três
alternativas culturais bem diferentes apanha de víveres, cultivo, pasto-reio no mesmo
ambiente natural, de sorte que não foram factores de habitar que proporcionaram a
determinante principal. Posteriormente, no mesmo habitat, colonizadores americanos tiveram
que criar outros sistemas de vida baseados na pecuária, na agricultura irrigada e na
urbanização. As diferenças existentes entre os homens, portanto, não podem ser explicadas
em termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio
ambiente. A grande qualidade da espécie humana foi a de romper com suas próprias
limitações: um animal frágil, provido de insignificante força física, dominou toda a natureza e
se transformou no mais temível dos predadores.

3. Origem da cultura e antecedentes históricos do conceito de cultura

O termo cultura segundo o Novo Dicionário da língua portuguesa significa ato, efeito ou
modo de cultivar. Complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de
outros valores Espirituais e materiais transmitidos colectivamente e característica de uma
sociedade. Segundo laraira com a definição acima apresentada Tylor abrange em suma só
palavra todas As possibilidades de realização humana, além de marcar fortemente o carácter
de aprendizado da cultura em oposição a idéia de aquisição inata, Transmitida por
mecanismos biológicos. O conceito de Cultura, pelo menos como utilizado actualmente, foi
portanto definido pela primeira vez por Tylor. Mas o que ele fez foi formalizar uma ideia que
vinha crescendo na mente humana. A ideia de cultura, com efeito, estava ganhando
consistência talvez mesmo antes de John Locke (1632-1704) que, em 1690, ao escrever
Ensaio acerca do entendimento humano, procurou demonstrar que a mente humana não é
mais do que uma caixa vazia por ocasião do.

4. Desenvolvimento do conceito de cultura

O determinismo biológico, bem como o geográfico é ideias que no passado foram


consideradas relevantes para conceituar cultura. Com o passar do tempo diversas
investigações foram realizadas e chegou-se a conclusão de que estas teorias, apesar de
transido Importantes para o entendimento de algumas dimensões da natureza humana,
apresentando limitações e inconsistência para o entendimento do conceito de cultura. Aí
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então, inaugura-se uma nova fase de estudos e interpretação de culturas(ibdem, p 24).


Segundo Leibniz apud (Laraia, 1986) a natureza nunca age por saltos, analogamente conclui-
se que, a cultura também não age por saltos, ela é resultado do acúmulo das acções dos
homens, que inclusive altera a própria natureza, pois é necessário compreender a época em
que se viveu e consequentemente o background intelectual de quem ou do que está se
analisando. A comunicação é um instrumento decisivo para a assimilação da cultura, pois a
experiência de um indivíduo é transmitida aos demais, criando assim um interminável
processo de acumulação permeado por valores cristalizados, o que nos leva a afirmar que a
linguagem humana é um produto da cultura. Daí a necessidade de identificar as determinadas
formas de comunicação que atinja todos as pessoas da organização quando da transmissão de
uma mensagem.

Pois, para Hoebel apud (Barros & Prates, 1996: 15), O homem é o único animal que fala de
sua fala, pensa o seu pensamento, que responde à sua própria resposta, que reflecte o seu
próprio reflexo e é capaz de diferenciar-se mesmo quando está se adaptando As causas
comuns e estímulos comuns.

Comportamentos compartilhados são componentes da cultura o que nos leva inclusive a


afirmar que, teorias behavioristas (Watson - condicionamento), Cognitivos (Piaget-
psicogenética) quando aplicadas, mesmo que inconscientemente por um grupo de Pessoas
determinam algumas características culturais em relação ao padrão de comportamento.
Normas impostas por organizações determinam padrões de comportamento, marcando de
forma indelével a cultura organizacional. (ibdem,p 34)

5. Teorias modernas sobre cultura

Keesing refere-se, inicialmente, às teorias que consideram a cultura como um sistema


adaptativo. Difundida por neo-evolucionistas como Leslie White, esta posição foi reformulada
criativamente por Sahlins, Harris, Carneiro, Rappaport, Vayda e outros que, apesar das fortes
divergências que apresentam entre si, concordam que: Culturas são sistemas (de padrões de
comportamento socialmente transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas
aos seus embalamentos biológicos. Esse modo de vida das comunidades inclui tecnologias e
modos de organização económica, padrões de estabelecimento, de agrupamento social e
organização política, crenças e práticas religiosas, e assim por diante. Mudança cultural é
primariamente um processo de adaptação equivalente à selecção natural. O homem é um
animal e, como todos animais, deve manter uma relação adaptativa com o meio circundante
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para sobre viver. Embora ele consiga esta adaptação através da cultura, o processo ê dirigido
pelas mesmas regras de selecção natural que governam a adaptação biológica A tecnologia, a
economia de subsistência e os elementos da organização social directamente ligada à
produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura. É neste domínio que usualmente
começam as mudanças adaptativas que depois se ramificam. Existem, entretanto, divergências
sobre como opera este processo. Estas divergências podem ser notadas nas posições do
materialismo cultural, (Ibidem p 40). Em segundo lugar, Roger Keesing refere-se às teorias
idealistas de cultura, que subdivide em três diferentes abordagens. A primeira delas é a dos
que consideram cultura como sistema cognitivo, produto dos chamados "novos etnógrafos".
Esta abordagem antropológica tem se distinguido pelo estudo dos sistemas de classificação da
análise dos modelos construídos pelos membros da comunidade.

A segunda abordagem é aquela que considera cultura como sistemas estruturais, ou seja, a
perspectiva desenvolvida por Claude Lévi-Strauss, que define cultura como um sistema
simbólico que é uma criação acumulativa da mente humana. O seu trabalho tem sido o de
descobrir na estruturação dos domínios culturais mito, arte, parentesco e linguagem os
princípios da mente que geram essas elaborações culturais. A última das três abordagens,
entre as teorias idealistas, é a que considera cultura como sistemas simbólicos. Esta posição
foi desenvolvida nos Estados Unidos principalmente. O primeiro deles busca uma definição
de homem baseada na definição de cultura. Para isto, refuta a ideia de uma forma ideal de
homem, decorrente do iluminismo e da antropologia clássica, perto da qual as demais eram
distorções ou aproximações, e tenta resolver o paradoxo. (ibdem,p 45).

Para isto, a cultura deve ser considerada não um complexo de comportamentos concretos mas
um conjunto de mecanismos de controlo, planos, receitas, regras, instruções que os técnicos

de computadores chamam programa para governar o comportamento". Assim, para Geertz,


todos os homens são geneticamente aptos para receber um programa, e este pro-grama é o que
chamamos de cultura. David Schneider tem uma abordagem distinta, embora em muitos
pontos semelhante à de Geertz. O ponto de vista de Schneider sobre cultura está claramente
expresso em sua introdução do seu livro American Kinship: A Cultura é um sistema de
símbolos e significados. Compreende categorias ou unidades e regras sobre relações e modos
de comportamento. O status epistemológico das unidades ou `coisas' culturais não depende da
sua observado mesmo fantasmas e pessoas mortas podem ser categorias culturais.
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6. Participação dos indivíduos na cultura

A participação do indivíduo em sua cultura é sempre limitada; nenhuma pessoa é capaz de


participar de todos os elementos de sua cultura. Este fato é tão verdadeiro nas sociedades
complexas com um alto grau de especialização, quanto nas simples, onde a especialização
refere-se apenas às determinadas pelas diferenças de sexo e de idade.

Com excepção de algumas sociedades africanas nas quais as mulheres desempenham papéis
importantes na vida ritual e económica a maior parte tias sociedades humanas permite uma
mais ampla participação na vida cultural aos elementos do sexo masculino. Grande parte da
vida ritual.

Existem limitações que são objectivamente determinadas pela idade: uma criança não está
apta para exercer certas actividades próprias de adultos, da mesma forma que um velho já não
é capaz de realizar algumas tarefas. Estes impedimentos decorrem geralmente da
incapacidade do desempenho de funções que dependem da força física ou agilidade, como as
referentes à guerra, à caça etc. Entre outras funções podemos incluir as que dependem do
acúmulo de uma experiência obtida através de muitos anos de preparação. Torna-se fácil
entender por que estas são interditadas às crianças e aos jovens e reservadas às pessoas
maduras, como certos cargos políticos. O importante, porém, é que deve existir um mínimo de
participação do indivíduo na pauta de conhecimento da cultura a fim de permitir a sua
articulação com os demais membros da sociedade. Todos necessitam saber como agir em
determinadas situações e, também, como prever o comportamento dos outros. Somente assim
é possível o controle. de determinadas acções. Apesar disso tudo há sempre o risco de perda
do controle da situação, porque "em nenhuma sociedade todas as condições são previsíveis e
controladas De fato, os indivíduos podem perder o controle da situação, embora na maioria
dos casos isto não seja verdadeiro. E não o é porque o conhecimento mínimo referido abrange
um certo número de padrões de comportamento que são regulares e, portanto, permitem a
previsão. Todos os membros de nossa sociedade sabem que uma forma cortês de solicitar
algum tipo de favor é a de preceder o pedido com a expressão por favor. Sabem também da
necessidade de agradecer formalmente o atendimento conseguido com as palavras "muito
obrigado", sob a pena de não mais conseguir nada de seu interlocutor se esquecerem de
pronunciar estes simples vocábulos. Estas palavras, pois, fazem parte de nossos padrões de
comportamento e ignorá-las significa o rompimento de uma regra e, consequentemente, a
impossibilidade de prever a resposta. Assim, a solicitação de um favor em termos imperativos
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pode provocar, entre outras, as seguintes acções o interlocutor atende ao pedido; finge não
ouvir o pedido; nega em termos ríspidos atender ao pedido, ou retruca com um forte palavrão.
Estas alternativas somente ocorreram porque foram rotos padrões de comportamentos que
asseguravam a possibilidade de uma previsão (ibdem p 47)

7. A CULTURA TEM UMA LÓGICA PRÓPRIA


A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a que
pertence. Um trabalho fundamental para a compreensão deste problema é o livro de
ClaudeLévi-Strauss, O pensamento selvagem, que refuta a abordagem evolucionista de que as
sociedades simples dispõem de um pensamento mágico que antecede o científico e que,
portanto, lhe é inferior. O pensamento mágico diz Lévi-Strauss não é um começo, um esboço,
uma iniciação, a parte de um todo que não se realizou; forma um sistema bem articulado,
independente deste outro sistema que constituirá a ciência, salvo a analogia formal que as
aproxima e que faz do primeiro uma expressão metafórica do segundo. Assim, ao invés de um
contínuo magia, religião e ciência, temos de fato sistemas simultâneos e não sucessivos na
história da humanidade. (ibdem p 50) A ciência não depende da dicotomia entre os tipos de
pensamento citados acima, mas de instrumentos de observação, pois como enfatizou Lévi-
Strauss: sábio nunca dialoga com a natureza pura, senão com um determinado estado de
relação entre a natureza e a cultura, definida por um período da história em que vive, a
civilização que é a sua e os meios materiais de que dispõe.

Nem sempre as relações de causa e efeito são percebidas da mesma maneira por homens de
culturas diferentes. E hoje todos sabem que o homem só pode compreender o mistério da vida
quando dispõe de instrumentos que lhe permitam desvendar o mundo do infinitamente
pequeno. O homem tribal não possuía microscópios. E teve que construir a partir de suas
simples observações as teorias que durante séculos e ainda hoje têm a validade das verdades
científicas. Para os habitantes das ilhas Trobriand, no Pacífico, não existe nenhuma relação
entre a cópula e a concepção. Sabem, apenas, que uma jovem não deve mais ser virgem para
ser penetrada por um "espírito" de sua linhagem materna, que vai gerar em seu útero uma
criança. Esta criança estará ligada por laços de parentes, apenas, aos parentes da jovem, não
existindo em Trobriand nenhuma palavra correspondente à que utilizamos para definir.
Finalmente, entender a lógica de um sistema cultural depende da compreensão das categorias
constituídas pelo mesmo. Como categorias entendemos, como Mauss, esses princípios de
juízos e raciocínios constantemente presentes na linguagem, sem que estejam necessariamente
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explícitas, elas existem ordinariamente, sobretudo sob a forma de hábitos directrizes da


consciência, elas próprias inconscientes. A noção de mana é um desses princípios: ela está
dada na linguagem; está implicada em toda uma série de juízos e raciocínios, tendo por
objectos.

8. A cultura e dinâmica

A cultura ele e dinâmica por que a cultura ela deve obedecer o tempo histórico ele deve a
acompanhar o desenvolvimento que hoje estamos a ultrapassar, a cultura ele deve estar em
harmonia com o desenvolvimento, tecnológico social, não só mas também, a cultura deve
estar em sincronia.
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Conclusão

Com tudo podemos a que concluir que conceitos antropológicos da cultura, e um estudo que
visa dar a entender como que a cultura pode ser entendida em diversas formas bem como no
hábito filosófico, politico, sociológico, biológico geográficos contudo estes aspectos podem
determinar acultura ou o indevido cultural.
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Referência bibliográfica

LARAIA, Roque de Barros. Cultura um conceito antropológico. 14 ed. Rio de Janeiro, Jorge
Zahar Editor, 2001.

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