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UNIDADE CURRICULAR: Globalização, Cidadania e Identidades

CÓDIGO: 41027

DOCENTE: Ana Paula Beja Horta/Maira Paula Oliveira

A preencher pelo estudante

NOME: Sandra Cristina Gomes de Carvalho

N.º DE ESTUDANTE: 1200516

CURSO: Ciências Sociais

DATA DE ENTREGA: 22/04/2020

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TRABALHO / RESOLUÇÃO:

Nas ultimas três décadas as interações transnacionais tiveram uma intensificação dramática,
desde a globalização dos sistemas de produção à deslocação de pessoas em massa com
variadíssimas finalidades. Alguns autores interpretaram esta enorme mudança global como
uma rotura relativamente a anteriores formas de interações transfronteiriças e apelidaram -
na de nomes vários como: “globalização”, “formação global”, “cultura global”, “sistema
global”, “modernidades globais”, “processo global”, “culturas da globalização” ou “cidades
globais”. Para Giddens (1990: 64), globalização, é “a intensificação de relações sociais
mundiais que unem localidades distantes de tal modo que os acontecimentos locais são
condicionados por eventos que acontecem a muitas milhas de distancia e vice-versa.”.
Featherstone (1990: 2) afirma que a sociologia deve “teorizar e encontrar formas de
investigação sistemática que ajudem a classificar estes processos globalizantes e estas
formas destrutivas de vida social que tornam problemático o que por muito tempo foi visto
como o objeto mais básico da sociologia: a sociedade concebida quase exclusivamente
como o Estado-Nação bem delimitado.”. Já o Grupo de Lisboa (1994) diz que a globalização
“é uma fase posterior à internacionalização e à multinacionalização porque, ao contrario
destas, anuncia o fim do sistema nacional enquanto núcleo central das actividades e
estratégias humanas organizadas”.

Os estudos sobre os processos de globalização demonstram que esta representa um


fenómeno multifacetado com dimensões em todas as áreas, desde a económica às jurídica,
passando pela social, politica, cultural ou religiosa. Por isso, explicações monocausais e
interpretações monolíticas tornam-se desajustadas. A globalização das ultimas décadas não
se enquadra no padrão moderno ocidental (globalização por homogeneização e
uniformização) mas, sim, na combinação da universalização e a eliminação de fronteiras
com o particularismo, com a diversidade local, com a identidade étnica e com o regresso ao
comunitarismo. Ao mesmo tempo existe uma interação com o enorme aumento das
desigualdades sociais no mundo, com a sobrepopulação ou com a pegada ecológica,
conflitos étnicos, migração, entre outros.

Para Boaventura de Sousa Santos, a globalização tem quatro características fundamentais,


resultado da interação entre três premissas: a) a globalização é ou não um fenómeno
recente); b) a globalização é monolítica? c) onde conduz a crescente intensificação da

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globalização? A globalização não acontece só na sua dimensão económica e é importante
abordar também todas as outras dimensões da globalização.

Ao referir as características da globalização, Boaventura, teme transmitir que a globalização


seja algo linear e consensual pois, tal corresponde a uma ideia falsa., embora dominante. A
globalização não é consensual. É, pelo contrario, uma fonte de conflitos sociais entre
Estados e interesses hegemónicos e ao mesmo tempo conflitos entre grupos sociais,
Estados e interesses subalternos. Mas, embora isto aconteça, a hegemonia atua como
principio consensual entre os seus vários intervenientes. Esta atuação consensual confere
à globalização as suas características dominantes e legitima-as como sendo as únicas
possíveis. Assim, o conceito de globalização tem uma componente descritiva e uma
componente prescritiva. A prescrição é um vasto conjunto de prescrições assentes no
consenso hegemónico, “consenso neoliberal” ou “Consenso de Washington” por ter sido
subscrito em Washington pelos Estados centrais do sistema mundial, na década de 80 do
sec. XX.

Este consenso neoliberal está bastante fragilizado devido à existência de cada vez mais
conflitos no campo hegemónico e na resistência do subalterno e do contra-hegemónico. Por
isso, o nosso tempo já é adjetivado de período pós-Consenso de Washington. Não podemos,
no entanto, esquecer que a este consenso se devem as principais características da
globalização.

Os princípios do conceito neoliberal partilham uma ideia-força que constitui um


metaconsenso: está-se a entrar numa época em que deixam de existir clivagens politicas
profundas, em que as rivalidades entre os vários países desapareceram originando, assim,
uma interdependência entre eles, uma colaboração e integração regionais. Os conflitos
capital vs. trabalho foram institucionalizados nos países centrais apos a Segunda Guerra
Mundial. Em período pos-fordista, estes conflitos estão a ser desinstitucionalizados sem
qualquer problema devido à fragmentação da classe operária e ao défice de corporativismo.
Outra ideia decorrente deste metaconsenso é o fim das diferenças entre os vários padrões
de transformação social. Grande parte do sec. XX foi dominado pelo antagonismo
revolução/reformismo, mas, da queda do Muro de Berlim e do colapso da URSS r esultou o
fim do paradigma revolucionista e da crise do Estado-providência nos países centrais e
periféricos resultou o fim do paradigma reformista. A transformação social transformou-se
numa questão técnica, onde se repetem as relações entre grupos sociais e entre Estados.

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Boaventura aponta para a crise do atual, e para a necessidade de um novo paradigma para
a ciência e para o agir e afirma que, obviamente, as características principais da globalização
são as características da globalização dominante ou hegemónica.

Boaventura distingue quatro formas de globalização: localismo globalizado (determinação


da realidade local e a sua globalização bem-sucedida), globalismo localizado (determina o
impacto das práticas transnacionais nas condições locais), cosmopolitismo insurgente e
cosmopolitismo subalterno (resistência organizada transnacionalmente contra as duas
anteriores) e o património comum da humanidade (emergência de lutas transnacionais por
valores ou recursos que são globais). As duas primeiras são concebidas como globalização
hegemônica, de cima para baixo, e as duas últimas como globalização contra-hegemónica
ou a partir de baixo (SANTOS, 2006, p.417-421).

Mas, também começaram a surgir, no ultimo quarto do sec. XX, vários movimentos contra a
globalização. Existem, na atualidade, vários movimentos antiglobalização no planeta: desde
a PUBLIC CITIZEN, criada em 1971, nos EUA, por Ralph Nader, com objetivo de uma "luta
pela transparência e pela prestação de contas por parte dos governos, pelos direitos dos
consumidores, por fontes de energia limpas, seguras e sustentáveis, por justiça social e
económica nas políticas comerciais, e por proteção a nível da saúde, segurança e ambiente”.
Até à JUBILEE SOUTH, formada em 1999, cujo grande objetivo é a anulação da dívida dos
países do terceiro mundo. Do Jubilee fazem parte 85 movimentos provenientes de 42 países,
todos do Sul. (Alexandra Prado Coelho, Publico, 2002).

Podemos, assim, concluir que a globalização é um processo que tem mudado toda a
essência social do planeta, cimentada desde os primórdios e que, o que muitos consideram
extremamente positivo, outros há que, cada vez mais, se posicionam contra esta “partilha”
global de espaços, bens e culturas sociais. Ou seja, as desigualdades e injustiças cada vez
mais profundas originadas pela globalização têm sido a origem do pensamento
antiglobalização cujo mote é lutar contra as desigualdades no mundo a todos os níveis.
Continuamos a ver os desequilíbrios na hegemonia global apesar de não haver grandes
guerras e apesar da desinstitualização de princípios adquiridos no decorrer da maior parte
do sec. XX.

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BIBLIOGRAFIA:

• SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: Para uma nova cultura


política. São Paulo: Cortez, 2006.

• Sousa Santos, B. (org.) .2001. Globalização. Fatalidade ou Utopia?, Porto: Edições


Afrontamento. Capítulo 1. Os Processos de Globalização.

• ANDERSON, João Paulo Jamnik, 2019, Globalização, Paradigma, Rutura:


Perspetivas De Boaventura De Sousa Santos E Manuel Castells, Curitiba, 22 a 24 de outubro
de 2019, UNICURITIBA – centro Universitário de Curitiba, Congresso RIMA, pp.1 -21

• Coelho, Alexandra Prado, (2002, 31 de janeiro, 0:00), Uma rede global


antiglobalização, Publico https://www.publico.pt/2002/01/31/jornal/uma-rede-global-
antiglobalizacao-166915

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