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Itanamara Guedes Cavalcante

Ilma Cristina Silva Oliveira

Administração e
Planejamento em
Serviço Social
Jouberto Uchôa de Mendonça
Reitor

Amélia Maria Cerqueira Uchôa


Vice-Reitora

Jouberto Uchôa de Mendonça Junior


Pró-Reitoria Administrativa - PROAD

Ihanmarck Damasceno dos Santos


Pró-Reitoria Acadêmica - PROAC

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e Pesquisa - PAPGP

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Pró-Reitoria Adjunta de Assuntos
Comunitários e Extensão - PAACE

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Gerente do Núcleo de Educação a Distância - Nead

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Coordenadora Pedagógica de Projetos - Nead

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Coordenador de Tecnologias Educacionais - Nead

Equipe de Elaboração e
Produção de Conteúdos Midiáticos:
Alexandre Meneses Chagas - Supervisor
Ancéjo Santana Resende - Corretor
Andira Maltas dos Santos – Diagramadora
Claudivan da Silva Santana - Diagramador
Edilberto Marcelino da Gama Neto – Diagramador
Edivan Santos Guimarães - Diagramador
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Redação: C376a Cavalcante, Itanamara Guedes, Oliveira.


Núcleo de Educação a Distância - Nead Administração e planejamento em
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serviço social/ Itanamara Guedes
Prédio da Reitoria - Sala 40
CEP: 49.032-490 - Aracaju / SE
Cavalcante, Ilma Cristina Silva Oliveira
Tel.: (79) 3218-2186 – Aracaju : UNIT, 2011.
E-mail: infonead@unit.br 152 p.: il. : 22 cm.
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Gráfica Gutemberg 1. Planejamento social. 2. Serviço
Telefone: (79) 3218-2154 social. I. Universidade Tiradentes – Educação
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Apresentação
Prezado(a) estudante,

A modernidade anda cada vez mais atrelada ao


tempo, e a educação não pode ficar para trás. Prova
disso são as nossas disciplinas on-line, que possibi-
litam a você estudar com o maior conforto e comodi-
dade possível, sem perder a qualidade do conteúdo.

Por meio do nosso programa de disciplinas


on-line você pode ter acesso ao conhecimento de
forma rápida, prática e eficiente, como deve ser a sua
forma de comunicação e interação com o mundo na
modernidade. Fóruns on-line, chats, podcasts, livespace,
vídeos, MSN, tudo é válido para o seu aprendizado.

Mesmo com tantas opções, a Universidade Tiradentes


optou por criar a coleção de livros Série Bibliográfica Unit
como mais uma opção de acesso ao conhecimento. Escrita
por nossos professores, a obra contém todo o conteúdo
da disciplina que você está cursando na modalidade EAD
e representa, sobretudo, a nossa preocupação em garantir
o seu acesso ao conhecimento, onde quer que você esteja.

Desejo a você bom aprendizado e muito sucesso!

Professor Jouberto Uchôa de Mendonça


Reitor da Universidade Tiradentes
Sumário
Parte 1: Administração e o Processo Histórico-Teórico
de Trabalho nas Organizações . . . . . . . . . . . . . . . . . .11

Tema 1: Principais Teorias da Administração . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13


1.1 Abordagens conceituais de administração . . . . . . . . . . . . 14
1.2 Principais teorias de administração . . . . . . . . . . . . . . . . . .21
1.3 Transição: Teoria da administração para teoria das
organizações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
1.4 Modelos gerenciais na organização de trabalho. . . . . . . . . . .36
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Tema 2: Administração de serviços . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .45
2.1 As funções de administração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.2 Gerenciando pessoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
2.3 O serviço social na empresa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
2.4 Responsabilidade social nas empresas públicas e privadas . . 70
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78

Parte 2: Planejamento: Instrumento de Trabalho


do Serviço Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79

Tema 3: Planejamento Social: Aspectos Introdutórios . . . . . . . . . . 81


3.1 Conceituando e definindo planejamento social . . . . . . . . 81
3.2 Pilares do planejamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
3.3 Planejamento estratégico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
3.4 Planejamento participativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

Tema 4: Gestão de Serviços Sociais em Órgãos Públicos e Privados . . . 113


4.1 A gestão dos serviços sociais na contemporaneidade. . . 113
4.2 Elaborando planos, programas e projetos sociais . . . . . . 121
4.3 Avaliação e controle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128
4.4 O planejamento nos processos de trabalho do serviço
social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146
Concepção da Disciplina

Ementa

Principais teorias da Administração: Abordagens


conceituais de administração; Principais teorias de
administração; Transição: Teoria da administração
para teoria das organizações; Modelos gerenciais na
organização de trabalho. Administração de serviços:
As funções de administração; Gerenciando pessoas;
O Serviço Social na empresa; Responsabilidade social
nas empresas públicas e privadas. Planejamento
social: aspectos introdutórios: Conceituando e defi-
nindo planejamento social; Pilares do planejamento;
Planejamento estratégico; Planejamento participativo.
Gestão dos serviços sociais em órgãos públicos e
privados: A gestão dos serviços sociais na contem-
poraneidade; Elaborando Planos, programas e projetos
sociais; Avaliação e controle; O planejamento nos
processos de trabalho do Serviço Social.

Objetivos

Geral

Possibilitar conhecimento sobre procedimentos


e técnicas administrativas que viabilizem a prática
profissional quanto à organização, estruturação e
implementação de serviços, programas e projetos
sociais em organizações públicas e privadas

Específicos

• Compreender a importância do estudo da


Administração e do Planejamento para a for-
mação do assistente social;
• Possibilitar apreender conceitos e caracterizar o
processo de planejamento no âmbito público,
privado e das organizações da sociedade
civil relacionando com a prática profissional;

• Capacitar para planejar, organizar e administrar


benefícios e serviços sociais;

• Refletir criticamente os modelos gerenciais


nas organizações e as demandas postas ao
Serviço Social no contexto atual.

Orientação para Estudo

A disciplina propõe orientá-lo em seus procedi-


mentos de estudo e na produção de trabalhos científi-
cos, possibilitando que você desenvolva em seus traba-
lhos pesquisas, o rigor metodológico e o espírito crítico
necessários ao estudo.

Tendo em vista que a experiência de estudar a


distância é algo novo, é importante que você observe
algumas orientações:

• Cuide do seu tempo de estudo! Defina um


horário regular para acessar todo o conteúdo
da sua disciplina disponível neste material
impresso e no Ambiente Virtual de Aprendi-
zagem (AVA). Organize-se de tal forma para
que você possa dedicar tempo suficiente
para leitura e reflexão;

• Esforce-se para alcançar os objetivos pro-


postos na disciplina;

• Utilize-se dos recursos técnicos e humanos


que estão ao seu dispor para buscar escla-
recimentos e para aprofundar as suas
reflexões. Estamos nos referindo ao contato
permanente com o professor e com os cole-
gas a partir dos fóruns, chats e encontros
presenciais, além dos recursos disponíveis
no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA.

Para que sua trajetória no curso ocorra de forma


tranquila, você deve realizar as atividades propostas
e estar sempre em contato com o professor, além de
acessar o AVA.
Para se estudar num curso a distância deve-se
ter a clareza de que a área da Educação a Distância
pauta-se na autonomia, responsabilidade, cooperação
e colaboração por parte dos envolvidos, o que requer
uma nova postura do aluno e uma nova forma de con-
cepção de educação.
Por isso, você contará com o apoio das equipes
pedagógica e técnica envolvidas na operacionalização
do curso, além dos recursos tecnológicos que
contribuirão na mediação entre você e o professor.
ADMINISTRAÇÃO E O PROCESSO
HISTÓRICO-TEÓRICO DE TRABALHO
NAS ORGANIZAÇÕES
Parte 1
1 Principais Teorias da
Administração

Estamos iniciando mais uma disciplina do curso de serviço


social. Neste livro iremos refletir sobre a concepção teórica da admi-
nistração, seus instrumentais e a sua aplicabilidade para o serviço
social.
Neste sentido, para uma melhor compreensão acerca do tema,
faz-se necessário entendermos a origem da teoria geral da admi-
nistração, as principais teorias administrativas e a transição para a
administração como técnica social (teoria das organizações).
14 Administração e Planejamento em Serviço Social

1.1 Abordagens conceituais de administração

A administração é uma ferramenta que é


inerente ao cotidiano de todas as pessoas. Qualquer
processo que venhamos a desenvolver precisamos
planejar e administrar algo.
Podemos utilizar como exemplo uma simples
reforma ou construção de uma casa. Paremos um
pouco para pensarmos sobre isso.
Para realização dessa reforma, primeiro o
engenheiro precisa planejar e projetar o que pre-
tende fazer, depois contratar os profissionais ne-
cessários (pedreiro, carpinteiro, eletricista, pintor,
dentre outros), bem como escolher o fornecedor
para a compra da matéria-prima (telha, cimento,
madeira, etc).
Em seguida, o acompanhamento e adminis-
tração de todo o desenvolvimento da obra são
imprescindíveis para que o objetivo final seja
alcançado.
Neste exemplo, podemos constatar que a ad-
ministração está em tudo que fazemos ou pensa-
mos em realizar, desde um evento, uma aula aca-
dêmica, comercialização de algo, ou uma linha de
produção.
Desta forma, para iniciarmos o nosso estudo,
precisamos primeiramente compreender o que sig-
nifica a palavra administração. Você poderia refletir
alguns minutos sobre o que realmente seria a
administração?
A palavra administração é derivada do latim
ad (que significa direção, tendência para) e minis-
1 Idalberto ter (subordinação ou obediência), ou seja, significa
Chiavenato é o aquele que realiza uma função abaixo do comando
estudioso da área
de administração de outrem, isto é aquele que presta serviço a outro
mais conhecido no (CHIAVENATO1,2007, p 04).
país.
Tema 1 | Principais teorias da administração 15

Esse autor também esclarece que administração


é o processo ou meio de planejar, organizar, dirigir
e controlar a ação de uma organização com a
finalidade de alcançar os objetivos globais.
Por isso, como vimos, pensar em administração
remete-nos a percebermos que a prática adminis-
trativa sempre esteve presente no cotidiano de
todas as sociedades. Esta prática é percebida desde
o desenvolvimento e a realização das atividades
domésticas, atividades como a pesca, e em todas
as relações de produção estabelecida por cada povo.
Percebemos, também através da história da
humanidade, que sempre houve alguma forma de
associação entre os homens para que através do
esforço conjunto atingissem os objetivos que isola-
damente não seria possível.
Através dos dados históricos encontramos
alguns exemplos de dirigentes que foram capazes
de planejar e guiar milhares de trabalhadores na
construção de monumentais obras, como Egito,
Mesopotâmia, Assíria, bem como grandes estrate-
gistas, a exemplo de Alexandre, o Grande 2 (356 2 Uma das persona-
lidades mais fasci-
a.C – 323 a.C). nantes da história.
Estes modelos revelam-nos que no decorrer Responsável pela
construção de um
da história sempre existiu uma forma rudimentar de dos maiores impé-
administrar as organizações. rios que já existiu.
Sua inteligência e
Desta forma, podemos extrair uma primeira gênio estratégico se
ideia de que o processo de administrar está for- tornaram lendários.
Fonte: www.educacao.uol.
temente vinculado a qualquer situação em que com.br/historia

pessoas utilizam-se de determinados recursos para


atingir um objetivo final.
A história revela-nos, também, que os prin-
cipais acontecimentos que caracterizaram os
primórdios da administração foram permeados
pelos fatos sociais, econômicos e políticos que
formavam o cenário onde estavam contidas as
organizações do passado.
16 Administração e Planejamento em Serviço Social

Neste período, não existiam organizações da


forma como conhecemos hoje. A sociedade produzia
suas mercadorias através de pequenas indústrias
domiciliares, não havia divisão de trabalho e a
produção estava a cargo dos artesãos.
Esses artesões eram responsáveis em definir
qual seria a matéria-prima que seria utilizada, ir em
busca dessa matéria-prima, confeccionar o material
e vendê-lo nas proximidades.
Este modelo era básico e regido por regras
próprias conforme suas necessidades e o mercado
desses produtos girava em torno da região.
Desta forma, já podemos perceber que o
primeiro método de organização foi o sistema do-
méstico de produção. Neste modelo de sistema,
o comerciante fornecia a matéria-prima aos traba-
lhadores individualmente, que utilizando suas pró-
prias ferramentas transformavam-nas em produtos
para comercialização.
Este modelo era caracterizado pelo controle
total dos artífices e artesãos em todas as fases
da produção, ou seja, eles possuíam uma visão
global do processo produtivo do início até a sua
conclusão.
Por volta do início do século XVIII, houve um
3 Aconteceu
grande crescimento do mercado consumidor, refle-
na Inglaterra e tindo na ampliação do comércio. Contudo, o siste-
encerrou a transição
entre feudalismo
ma doméstico tornou-se insuficiente no suprimento
e capitalismo, a das novas demandas de produção, o que possibili-
fase de acumulação
primitiva de capitais tou o surgimento das fábricas.
e de preponderância Somente a partir da segunda metade do
do capital mercantil
sobre a produção. mesmo século, sob a forte influência da revolução
Fonte:www.culturabrasil.
org/revolucaoindustrial.htm
industrial3 , que inicia com a invenção da máquina
a vapor, houve a necessidade de organizar e
controlar a produção em larga escala.
Tema 1 | Principais teorias da administração 17

Esse fenômeno provocou o aparecimento e


estruturação de grandes empresas e da moderna
administração, ocasionando em rápidas e profundas
mudanças econômicas, sociais e políticas.
O que se percebeu foi a grande mudança na
forma de trabalho que alterou os padrões econô-
micos e sociais da época. A habilidade do artesão
foi substituída pela máquina, ocasionando uma
produção com maior rapidez, melhor qualidade e
menor custo.
Porém, a principal consequência da revolução
industrial foi o surgimento da organização e de
empresas modernas. A produção passa a ser em
larga escala, atende-se a mercados mais distantes
aperfeiçoando assim os meios de transporte.
Desta forma, com a revolução industrial
desenvolvem-se novas formas de organização do
trabalho, amplia-se a concorrência, e surge
a necessidade de capacitação para a produção.
Por outro lado, no campo social, vários fo-
ram os impactos ocasionados pela revolução in-
dustrial. O desenvolvimento da máquina muda a
relação homem com a natureza; cresce o êxodo
rural e surgem os centros industriais e a produção
familiar é substituída pela produção nas fábricas
(MOTTA, 2001, p. 03).
A revolução industrial deu início à era indus-
trial, que passaria a definir o modelo econômico
mundial até o final do século XX. Este modelo eco-
nômico seria o divisor e diferenciador entre os paí-
ses industrializados dos países não industrializados.
A partir desses fatos as empresas sentiram a
necessidade de maior estruturação no atendimento
às demandas da sociedade. Estabeleceram, portanto,
novas formas de pensar o processo administrativo
no enfrentamento da concorrência pela busca do
oferecimento de produtos com qualidade e
menor custo.
18 Administração e Planejamento em Serviço Social

Com o progressivo crescimento do tamanho


e da complexidade das empresas, a administração
começou a vivenciar certos desafios e dificuldades
para os seus dirigentes.
Esses fatos foram fundamentais no processo
administrativo, pois serviram de berço para a estrutu-
ração de estudos científicos com a finalidade de aper-
feiçoar o processo de produção das organizações.
Nesse momento surgiu a necessidade de
uma teoria da administração que permitisse ofe-
recer modelos e estratégias adequadas à solução
de cada problema empresarial. Assim, as teorias
administrativas nasceram como pilar científico da
administração.
E por falar em teoria da administração, ela
nada mais é que um conjunto de ideias, princípios
e normas que se complementam para levar a ciência
administrativa ao cotidiano das pessoas e das
organizações, com a finalidade de gerar desenvol-
vimento, visando alcançar com eficácia e eficiência4
4 Conceito que será
estudado no item a produtividade e o lucro.
1.4 deste capítulo. Essas teorias administrativas estabeleceram-se
no início do século XX e influenciaram e contribuíram
para o desenvolvimento das organizações.
Os primeiros esboços de uma teoria geral da
administração, segundo Chiavenato (2007), surgiram
com as seis variáveis básicas, chamada ênfase nas
tarefas, na estrutura, nas pessoas, no ambiente, na
tecnologia e nas competências e competitividade.
Tema 1 | Principais teorias da administração 19

Essas variáveis suscitaram diferentes teorias


no desenvolvimento da teoria geral da administra-
ção (TGA). Elas são constituídas dos principais com-
ponentes do estudo da administração das empre-
sas e o comportamento delas se estrutura de forma
sistêmica e complexa em que cada qual influencia e
é influenciada pelos demais componentes.
Cada teoria administrativa valorizou uma ou
algumas dessas variáveis básicas. As principais
teorias administrativas foram:

• 1903 – Administração científica;


• 1909 – Teoria da burocracia;
• 1916 – Teoria clássica da administração;
• 1932 – Teoria das relações humanas;
• 1947 – Teoria estruturalista;
• 1951 – Teoria dos sistemas;
• 1953 – Abordagem sociotécnica;
• 1954 – Teoria neoclássica;
• 1957 – Teoria comportamental;
• 1962 – Desenvolvimento organizacional;
• 1972 – Teoria da contingência.

Todas essas teorias administrativas foram


importantes, pois surgiram como resposta aos pro-
blemas empresarias de sua época. Essas respostas
valorizavam uma ou algumas variáveis básicas da
teoria geral da administração.
Esse avanço da ciência administrativa, que
visava alcançar as rápidas mudanças ocorridas no
mundo industrial, foi embrionado pela busca e
adaptações necessárias para a sobrevivência das
organizações em geral.
No próximo item estudaremos a importância
de algumas teorias para a ciência administrativa,
como também suas origens e precursores.
20 Administração e Planejamento em Serviço Social

LEITURA COMPLEMENTAR

CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria,


processo e prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier,
2007.

Nesta obra o aluno encontrará o conceito mais


abrangente do surgimento da administração como
ciência, bem como a reflexão do surgimento da
teoria geral da administração (TGA)

MOTTA, Fernando C. Prestes. Teoria das organi-


zações – evolução e crítica. São Paulo: Thomson,
2001.

Na primeira parte desta obra o aluno encontrará


uma reflexão acerca da teoria administrativa e
organizacional, seus precursores.

PARA REFLETIR

Como você viu neste tópico, o processo adminis-


trativo sempre esteve presente na sociedade muito
antes de se estabelecer enquanto ciência. Vimos
também algumas transformações sociais e econô-
micas ocasionadas pela revolução industrial.

Você consegue observar as mudanças geradas, por


esta revolução, no comércio e nas organizações de
seu município hoje? Realize uma pesquisa sobre
essas mudanças locais e discuta com seus colegas.
Tema 1 | Principais teorias da administração 21

1.2 Principais teorias de administração

Estudamos no item anterior, que a partir do


século XX a administração se estabelece como
ciência. As bases que fundamentaram a abordagem
clássica da administração foram oriundas das
consequências ocasionadas pela revolução indus-
trial onde exigiu a substituição do empirismo para
as bases dos estudos científicos.
Os primeiros estudos e trabalhos na área da
administração foram desenvolvidos por dois enge-
nheiros. O primeiro foi o americano Frederick Taylor
(1856 - 1915), responsável pelo início da escola da
administração científica. Sua preocupação estava
voltada para o aumento da eficiência da indústria
através da racionalização do trabalho.
Em seguida, o francês Henri Fayol (1841-1925)
que desenvolveu a teoria clássica, em que sua
preocupação era aumentar a eficiência da empresa
por meio de sua organização.
As ideias desses estudiosos constituíram as
bases da abordagem clássica da administração, na
qual se desdobram nas seguintes orientações:

• Escola da administração científica:

A abordagem da escola da administração


científica era fundamentada nas tarefas da organi-
zação, e seus principais métodos científicos eram a
observação e a mensuração (CHIAVENATO, 2004).
Frederick Taylor foi o primeiro teórico
da administração e considerado o fundador da
moderna teoria geral da administração. Seus im-
portantes seguidores foram: Gilbreth (1878-1972),
Gantt (1861-1919), Emerson (1853-1931), Ford
(1863-1947), Barth (1860-1939).
22 Administração e Planejamento em Serviço Social

A partir de então, toda a teoria das organizações


foi fundamentada em seu trabalho ou dialogou
com suas ideias.
Sua preocupação em elaborar uma ciência da
administração teve como ponto de partida as
experiências concretas de operários, com ênfase
nas tarefas.
Seus estudos estão subdivididos, primei-
5 Publicação do ramente para a racionalização dos métodos5 e
livro Administração sistema de trabalho, até mais do que com a racio-
de Oficinas (1903).
Fonte: www.infoescola. nalização da organização do trabalho. E em seguida
com/administracao_/
administracao-cientifica houve a preocupação em definir os princípios da
administração6 aplicáveis a todas as situações da
6 Publicação do empresa.
livro Princípios Para Taylor, inicialmente era necessário abolir
de Administração
Científica (1911) o desperdício e as perdas que as indústrias sofriam
Fonte: www.infoescola.
com/administracao_/ no processo de produção e elevar a produtividade
administracao-cientifica
através da utilização de métodos e de técnicas da
engenharia industrial.
Constatou-se que os operários aprendiam
como executar suas tarefas observando seus com-
panheiros, o que levava a diferentes métodos para
executar a mesma tarefa e em tempos diferenciados.
A análise científica feita sobre esse processo
era de definir um método de trabalho mais ágil.
(CHIAVENATO, 2007), ou seja, a ideia era que exis-
tisse uma única maneira certa de realizar o trabalho.
A intenção era substituir o método empírico
por método científico. Para isso, ele buscou anali-
sar cientificamente os métodos mais rápidos e os
instrumentos mais adequados para se chegar à má-
xima eficiência, que recebeu o nome de Organização
Racional do Trabalho (ORT).
Também foi verificado que não adiantava ra-
cionalizar o trabalho dos operários se seus dirigen-
tes (supervisores, chefes, gerente e/ou diretor) con-
tinuavam atuando no mesmo empirismo de antes.
Tema 1 | Principais teorias da administração 23

Desta forma, para Taylor, os princípios da


administração científica visavam definir o papel e
o comportamento dos gerentes e chefes. Esses
princípios são:

a) Planejamento: Planejar um método de


trabalho em substituição a improvisação
no processo de produção.

b) Preparo: Selecionar os trabalhadores


conforme suas aptidões e treiná-los
para produzirem em conformidade com
o planejamento.

c) Controle: Supervisão para garantir a


realização do trabalho utilizando o método
estabelecido.

d) Execução: Deliberar atribuições e respon-


sabilidades visando disciplinar a execução
do planejamento.

Um dos mais conhecidos precursores da


moderna administração e divulgador das ideias de 7 Para saber
mais você poderá
Taylor foi Henry Ford7 (1863-1947) que iniciou seu retornar ao livro
trabalho como mecânico, chegando a engenheiro nº 24, Acumulação
Capitalista e Ques-
chefe. tão Social. Série
Sua maior contribuição foi a iniciação da Bibliográfica Unit,
2010, p.84
produção em série adotando a linha de montagem,
que mundialmente, essa nova visão de trabalho,
ficou conhecida como modelo fordista de produção.
O fordismo é um modelo de produção em
massa que revolucionou a indústria automobilística
na primeira metade do século XX. Sua ideia era
tornar o automóvel tão barato que todos poderiam
comprá-lo.
24 Administração e Planejamento em Serviço Social

Para isso, ele utilizou os princípios de


padronização e simplificação de Taylor e desen-
volveu outras técnicas avançadas da época.
Ford inovou a organização do processo de
trabalho por possibilitar a produção em grande
quantidade de produtos acabados com qualidade
e menor custo possível.

• Teoria clássica da administração:

Em 1916, o engenheiro Henry Fayol publica o


livro intitulado “Administração geral e industrial”.
Esta publicação em todos os aspectos comple-
mentava os estudos e trabalhos desenvolvidos por
Taylor, pois era destinado à organização como um todo.
Enquanto a administração científica caracteri-
zava-se pela ênfase na tarefa executada pelo operá-
rio (a racionalização dos métodos), a teoria clássica
caracterizava-se pela ênfase na estrutura (raciona-
lização da estrutura administrativa) que gerencia o
processo de trabalho. Essas duas teorias possuíam
os mesmos objetivos que era a busca da eficiência
das organizações.
Para Fayol, a garantia da eficiência dependia
da organização como um todo e da sua estrutura,
sejam pelos órgãos (setores, departamentos, seções,
outros) ou pelas pessoas (os ocupantes dos cargos
e executores de tarefas).
Uma de suas contribuições foi o desenvol-
vimento de uma análise lógico-dedutivo da admi-
nistração. Ele classifica como funções do adminis-
trador o planejar, organizar, coordenar, comandar
e controlar. Porém, dessas funções deduzem os
princípios da administração.
Em relação aos princípios administrativos,
que visavam garantir uma maior produtividade,
os que especialmente referem-se à organização,
Tema 1 | Principais teorias da administração 25

destacam-se o princípio de comando, da divisão


do trabalho, da especialização e da amplitude de
controle.
Esses princípios tinham como finalidade
resolver os problemas ocasionados pelas relações
entre funcionários, gerados pelas alterações das
relações humanas de uma empresa.
Outro conceito levantado por Fayol está na
diferença entre administração e organização. Para
ele a administração é o todo do qual a organização
é uma das partes. A administração abrange aspectos
que a organização por si só não envolve como
previsão, comando e controle (CHIAVENATO, 2007).

Algumas críticas foram atribuídas à teoria


clássica, como:

a) Abordagem simplificada da organização


formal;

b) Ausência de trabalhos para experimentos e


mensuração para fundamentação científica
às afirmações;

c) Mecanicismo da abordagem;

d) Abordagem incompleta da organização e a


visualização como se fosse um sistema fe-
chado, sem a influência do meio ambiente.

A passagem da administração científica para


a teoria das relações humanas teve como pre-
cursor o psicólogo industrial George Elton Mayo
(1880 – 1949).
Mayo realizou importantes estudos acerca da
influência dos fatores psicológicos no processo de
produção. Seus estudos continuam, ainda hoje, a
influenciar o estilo de gerenciamento das empresas.
26 Administração e Planejamento em Serviço Social

Ele defendia a necessidade de humanizar e


democratizar a administração. Suas análises possu-
íam como foco a ênfase nas pessoas.
A teoria das relações humanas ou escola hu-
8 Em 1927 foi reali-
zada a experiência
manística da administração surgiu nos Estados Uni-
de Hawthorne numa dos, e foi desenvolvida por Elton Mayo (1880-1949)
fábrica da Western após conclusões de uma série de experiências
Eletric Company,
situada em Chicago. realizadas em uma fábrica de Hawthorne 8.
A experiência de Os estudos e experiências aconteceram entre
Hawthorne teve o
objetivo de detectar os anos de 1924 e 1932, e se tentava estudar o
a relação entre impacto das condições físicas de trabalho (ilumina-
a intensidade da
iluminação e a
ção e horários de trabalho) na produtividade dos
competência dos operários. Mayo detectou que a produtividade se
operários, medida
mantinha ou aumentava, quando a intensidade da
por meio do ritmo
de produção. luz aumentava em excesso ou era reduzida abaixo
Fonte: www.infoescola.com/
administracao_/experiencia- do aceitável.
de-hawthorne Essa experiência permitiu o delineamento
dos princípios básicos da escola de relações huma-
nas. Neste estudo Mayo sugere um tipo de relação
entre moral, satisfação e produtividade.
Estudamos anteriormente que na adminis-
tração científica a ênfase estava focada na tarefa.
Porém, na teoria clássica da administração vimos
que a ênfase estava voltada para a estrutura orga-
nizacional.
Neste momento, com o início do pensar
em uma abordagem humanística, a administração
muda novamente de foco, tendo como ênfase as
pessoas que participam da organização. Ou seja,
se antes havia uma preocupação com o método de
trabalho, com a máquina, e com os princípios da
administração, na abordagem humanística a priori-
dade está voltada para uma preocupação com as
pessoas.
A abordagem humanística começou a ser for-
mulada após a morte de Taylor. As ideias de Mayo
inspiraram toda uma linha administrativa, que ficou
conhecida pelo nome de relações humanas.
Tema 1 | Principais teorias da administração 27

Porém, só a partir da década de 1930, a teoria


das relações humanas começou a ser aceita nos
Estados Unidos. Esta teoria sofreu forte influência
do desenvolvimento das ciências sociais9, principal- 9 Na década de
30, a vitalidade da
mente da psicologia. sociologia durkhei-
As ideias de Mayo trouxeram um novo pensar miana é atestada
e uma nova linguagem para a administração, como: pela fecundidade
de grandes temas
e trabalhos com
• O “homo economicus” é substituído novos objetos de
pesquisa como
pelo “homo social”. Para ele o homem psicologia, eco-
deve ser compreendido como todo e seu nomia e geografia
comportamento não pode ser reduzido a humana (FERREIRA,
2009, p. 78)
esquemas mecanicistas.

• Começa a utilizar termos como moti-


vação, liderança, comunicação, organi-
zação e dinâmica de grupo. O homem
passa a ser visto e movido por necessi-
dades de segurança, aprovação social,
afeto, prestígio e autorrealização.

O método e a máquina perdem o valor


prioritário e são substituídos pela dinâmica de
grupo. De uma forma ou de outra, houve uma
“psicologização” das relações de trabalho.

LEITURA COMPLEMENTAR

FERREIRA, Delson. Manual de Sociologia – dos


clássicos à sociedade da informação. São Paulo:
Editora Atlas, 2009

Nesta obra o aluno poderá compreender o desenvol-


vimento das ciências sociais, as abordagens teóricas
e suas influências nas demais ciências.
28 Administração e Planejamento em Serviço Social

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral


da administração. 7. ed. São Paulo: Campus, 2004.

Nesta obra o aluno, encontrará análises de diversas


teorias da administração, suas características,
possibilidades de aplicação e indispensáveis à
prática administrativa.

PARA REFLETIR

As ênfases estudadas neste item (tarefas, estruturas


e pessoas) estão presentes nas relações de trabalho
no mundo contemporâneo.

Faça uma pesquisa pelas empresas do seu município


e tente perceber e identificar nas relações de
trabalho qual das ênfases estudadas são perceptíveis.
Tema 1 | Principais teorias da administração 29

1.3 Transição: Teoria da administração para teoria


das organizações

No item anterior vimos que a influência da


escola de relações humanas de Mayo inaugura a
preocupação psicossocial no campo da administração.
A partir desta influência poderemos considerar que
a administração é uma técnica social de lidar com
pessoas e processos.
Dentre as teorias e reflexões teóricas que
influenciaram a concepção e o processo adminis-
trativo, encontramos no final da década de 1940 o
surgimento da teoria comportamental.
Essa teoria não é considerada uma teoria admi-
nistrativa, e sim um movimento em que se preocupa
em aplicar as ciências do comportamento na admi-
nistração. Essa linha teórica ficou conhecida como
behaviorismo10. 10 Fonte: www.adminis-
tradores.com.br/informe.../
A palavra Behaviorismo deriva do termo behaviorismo

inglês behaviour (Reino Unido) ou behavior (EUA)


que significa comportamento, conduta. É, portanto,
um termo universal que congrega correntes de
pensamento na Psicologia que tem em comum o
comportamento como objeto de estudo.
Desta forma, o behaviorismo enquanto teoria
do comportamento adentrou fortemente na teoria
administrativa, gerando uma nova concepção
e novo enfoque dentro da teoria administrativa: a
abordagem das ciências do comportamento (CHIA-
VENATO, 2007).
Esta nova percepção possuía uma ideia mais
ampla do enfoque das relações humanas. Sua
ênfase estava voltada para as pessoas dentro do
contexto organizacional, ou seja, essa teoria baseava-se
no comportamento individual para esclarecer o
comportamento organizacional.
30 Administração e Planejamento em Serviço Social

Entendia-se, portanto, que toda vida mental


era refletida através dos atos, atitudes, gestos, pa-
lavras, ou qualquer expressão do homem em relação
a estímulos do meio ambiente.
Esse enfoque da abordagem comportamental
possui duas concepções de mudança. Ela altera a
preocupação que antes estava na estrutura para
a preocupação com os processos organizacionais,
por outro lado o enfoque do comportamento das
pessoas na organização passa a ser visto com com-
portamento organizacional como todo.
Assim, a teoria do comportamento suscitou
novos conceitos como: motivação, liderança,
comunicação, dinâmica de grupo, comportamento
organizacional, dentre outros.
Este pensamento remete-nos, então, à com-
preensão de que gerir a organização é gerir um sis-
tema social, alicerçado no conhecimento dos meca-
nismos da motivação humana e do funcionamento
de sistemas sociais complexos.
Então, entender o papel de um gestor trans-
cende a ideia de chefe hierárquico ou de um espe-
cialista técnico, mas sim uma pessoa habilitada na
condução de homens e capaz de motivar os indiví-
duos que integram a organização.
Na década de 1960, após o surgimento da te-
oria comportamental, alguns cientistas sociais e con-
sultores de empresas desenvolveram uma abordagem
dinâmica, democrática e participativa que foi denomi-
nada de Desenvolvimento Organizacional (DO).
A pretensão desses estudiosos era realizar
uma mudança das organizações de forma que estas
se transformassem em sistemas sociais.
Este período foi percebido como o momento
de repensar a teoria geral da administração e que
sugeria a ênfase em outras variáveis, como ambiente
e tecnologia. Assim, consolida-se a influência na
teoria das organizações.
Tema 1 | Principais teorias da administração 31

A teoria das organizações, portanto, foi


produto de uma alteração na teoria da adminis-
tração, tendo como fundamento a evolução da
sociologia, ciência política e da psicologia social
nos Estados Unidos.
Esse movimento versava em um conjunto de
ideias a respeito do homem, da organização e do
ambiente, com a finalidade de proporcionar o cres-
cimento e desenvolvimento das organizações.
A ideia era tentar estudar o sistema social em
que a administração se exerce em face das determi-
nações estruturais e comportamentais.
Relembremos que a preocupação que até
então estava voltada para a produtividade (seja
através das tarefas, estrutura ou pessoas), neste
momento dá lugar à eficiência do sistema.
Assim, podemos definir que todas as insti-
tuições são organizações e o que elas possuem
em comum são os aspectos administrativos.
As organizações são sistemas sociotécnicos
com a finalidade de cumprir uma tarefa. E as
instituições são organizações que congregam
normas e valores considerados fundamentais
para a sociedade.
Essas organizações caracterizam-se por três
aspectos importantes:

a) Objetivos: São resultados futuros que se


pretende atingir, ou seja, são os alvos es-
colhidos que se pretende alcançar em um
determinado período.

b) Administração: Cada organização possui


seus objetivos que diferenciam das de-
mais organizações. Contudo, as organiza-
ções assemelham-se na sua composição
administrativa.
32 Administração e Planejamento em Serviço Social

c) Desempenho individual: As organizações


são imaginações legais que por si só nada
fazem, controlam ou planejam. São, por-
tanto, as pessoas que decidem e planejam,
isto é, movem e dinamizam a organização.

Peter Drucker (2001) pontua que:

Após a segunda guerra, come-


çamos a perceber que admi-
nistração não é administração
de empresas. Ela é pertinente
a todos os empreendimentos
humanos que reúnem, em uma
única organização, pessoas com
diferentes conhecimentos e ha-
bilidades. [...] A administração
tornou-se a nova função social
mundial. (Drucker, 2001, p. 27)

A administração, bem como suas funções tem


sido constantemente influenciada diretamente pelo
progresso dinâmico da ciência. No entanto, a admi-
nistração ainda continua sendo a ferramenta básica
para capacitação das organizações e o alcance dos
objetivos organizacionais.
As organizações sempre existiram, desde a
história antiga. Exemplos disso são os faraós que
utilizaram as organizações para construírem as pi-
râmides e os primeiros Papas que criaram uma igre-
ja universal a fim de servir a uma religião universal.
Na sociedade moderna, as organizações es-
truturavam-se com a finalidade de satisfazer uma
diversidade de necessidades sociais e pessoais,
dentre elas a de organizar-se. Desta forma, a partir
do desenvolvimento do estudo da administração,
os instrumentos de planejar, coordenar e controlar
foram se aprimorando.
Tema 1 | Principais teorias da administração 33

Desta forma, podemos perceber que toda


organização possui três elementos fundamentais
para sua existência: pessoas, tarefas e administração.
Na administração encontramos a estruturação
de funções essenciais no processo administrativo,
como: planejamento, organização, liderança e con-
trole do desempenho das pessoas, organizada para
a tarefa. Outro ponto fundamental sobre as
organizações é que elas existem dentro de um
meio ambiente.
Mas o que realmente é organização? Você
sabe que todos nós nascemos em organizações,
somos educados por organizações e chegamos até
a trabalhar em organizações. Isto é, a nossa socie-
dade é uma sociedade de organizações.
Essa sociedade de organizações possui uma
diversidade de finalidades e objetivos. Porém, mes-
mo possuindo uma independência organizacional,
existe uma necessidade de comunicação entre as
demais organizações. Ou seja, as organizações con-
tratam entre si os serviços para execução de suas
próprias funções.
Desta forma, as organizações são vinculações
sociais ou agrupamentos humanos constituídos de
uma forma intencional vinculadas a um objetivo
específico.
São esses objetivos que definem e caracte-
rizam o tipo de organização, se são de natureza
econômica ou de natureza social, criadas para ob-
tenção de produtos ou serviços, com a finalidade
de lucro ou não.
As organizações consideradas de natureza
econômica possuem uma característica específica
de empresa com a finalidade lucrativa. Porém, as
organizações de natureza social estão voltadas às
ações comuns ou consideradas de utilidade pública,
firmadas em valores e normas sociais, sem finalidade
lucrativa.
34 Administração e Planejamento em Serviço Social

Para uma melhor compreensão poderemos


dividir os tipos de organizações como:

a) Primeiro setor (organizações do governo):


São organizações geridas e administradas
pelo governo e possuem como finalidade
a prestação de serviços à comunidade
em geral e sua manutenção se dá através
de arrecadações de impostos, taxas e
contribuições.

c) Segundo setor (organizações empre-


sariais): Essas organizações possuem
como finalidade o lucro e a comerciali-
zação de produtos e/ou serviços. Essas
organizações são classificadas conforme
o seu tamanho, natureza jurídica e área
de atuação.

c) Terceiro setor: É caracterizado pelas orga-


nizações de utilidade pública, sem fins lu-
crativos. São criadas por pessoas que não
possuem nenhum vínculo com o governo.
Nesta característica encontramos as Or-
ganizações não-governamentais (ONG’s),
organizações filantrópicas e outras formas
de associações civis sem fins lucrativos.

Toda organização pode ser considerada como


entidade social, por ser constituída por pessoas e
é regida pelos objetivos, pois é delineada para al-
cançar resultados.
A organização pode ser figurada, primeira-
mente como organização formal que é baseada em
uma divisão de trabalho natural. Ela é planejada,
definida em organograma e legislação própria, ou
seja, é formalizada oficialmente.
Tema 1 | Principais teorias da administração 35

Em segundo, a organização informal é a que


surge espontaneamente entre as pessoas, solidi-
fica-se nos costumes, tradições, ideais e normas
sociais.
O estudo, técnicas e funções da administração
são necessárias e importantes para as organizações,
tendo em vista que:

a) As organizações precisam ser gerenciadas.

b) Possuem objetivos e metas a atingir.

c) Conseguem harmonizar objetivos conflitantes.

d) Permite que as organizações alcancem efi-


ciência e eficácia.

LEITURA COMPLEMENTAR

DRUCKER, Peter F. O melhor de Peter Drucker – A


administração. Tradução de Arlete Simille Marques.
São Paulo: Nobel, 2001.

Nesta obra o aluno encontrará um condensado das


ideias do autor, já relatada em outras obras, sobre
as funções, fundamentos e responsabilidades da
administração.

HELOANI, Roberto. “Organização do trabalho e


administração: uma visão multidisciplinar”. 5. ed.
São Paulo: Cortez, 2006.

Neste livro o aluno encontrará um estudo crítico


das teorias de administração através do tempo.
36 Administração e Planejamento em Serviço Social

PARA REFLETIR

Como estudamos anteriormente, diversas são as


organizações presentes na sociedade moderna.
Observe e tente identificar, pelo tipo, quantas e
quais são as organizações presentes no seu município.
Fale com seu tutor para auxiliá-lo.

1.4 Modelos gerenciais na organização de trabalho

Neste item estudaremos alguns modelos


gerenciais que influenciam na condução das
organizações. Primeiramente se faz necessário
entendermos o que significa a palavra modelo.
Quando pensamos no nosso cotidiano em
modelo, podemos pensar em algo ou alguém que
em algum momento nos serviu de exemplo, como
professores, amigos, parente, etc.
Ou também, em modelo enquanto estrutura,
a exemplo: modelo familiar, modelo político, modelo
pedagógico, etc.
O grande dicionário da língua portuguesa
(2010) define a palavra modelo como forma, molde
ou aquilo que serve ou deve servir como objeto
de imitação. Já gestão é a arte ou efeito de gerir,
administrar, gerenciar ou dirigir.
Desta forma, poderemos extrair uma primeira
ideia, de acordo com o significado dessas palavras,
que modelo de gestão é, portanto, a arte de gerir
ou gerenciar através de um exemplo que já existe,
realizando as adequações necessárias em conformidade
com as demandas de cada organização.
Tema 1 | Principais teorias da administração 37

Em um conceito mais elaborado, o modelo


de gestão trata-se de um conjunto de entendimentos
filosóficos permeado por conceitos administrativos
que operacionalizam as práticas gerenciais nas
organizações.
Observe que, a palavra ou o conceito de
modelo carrega um conjunto de relações humanas
e sociais, que a medida do tempo são estabelecidas
com as pessoas. No campo da gestão, numa
perspectiva mais instrumental, o gerir significa
organizar, modelar os recursos financeiros e mate-
riais da organização, bem como as pessoas que a
compõem.
Pensando assim, num modelo de gestão são
congregadas duas dimensões que estão sempre
presentes, a forma que se refere à estrutura, confi-
guração organizacional e função que é a finalidade,
refletida nas tarefas que precisam ser executadas.
Uma das características do Modelo de Gestão
é considerá-lo como uma ferramenta baseada em
conhecimento e experiências anteriores como cam-
po propício à elaboração de métodos e técnicas
de administrar, adequando-os à organização em
conformidade com suas necessidades, cultura e
processos.
A finalidade maior dos modelos de gestão é
promover e facilitar o alcance da eficiência, eficácia
e efetividade. Esses indicadores são mensurados
através de uma avaliação de desempenho do
modelo de gestão adotado.
Compreendendo melhor esses três indicadores,
poderemos perceber que:

• Eficiência: Significa realizar as tarefas de


maneira coerente, relacionando os resul-
tados com os recursos disponíveis, ou
seja, fazer as coisas bem e corretamente.
38 Administração e Planejamento em Serviço Social

• Eficácia: Significa atingir os objetivos,


relacionando-os com os fins e propó-
sitos. Uma atividade foi eficaz quando
se percebe que os objetivos propostos
foram alcançados.

• Efetividade: É quando além de atingir os


objetivos propostos, utilizando os recursos
de maneira coerente, também proporcionou
alguma contribuição à sociedade.

Quando as primeiras teorias da administração


surgiram, no contexto da revolução industrial, os
princípios da administração estavam voltados a
indicar aos gerentes como administrar as empresas
baseando-se nas tarefas a serem executadas.
Logo se buscou estabelecer um novo para-
digma de qualidade. Para isso, o conhecimento co-
meçou a ser embutido no cotidiano industrial, bem
como nas novas técnicas de trabalho.
Neste período, o campo do conhecimento da
administração foi se firmando, bem como o deline-
ar dos primeiros modelos de gestão com o intuito
de capacitar as organizações para uma maior efici-
ência produtiva.
Nesta perspectiva, são desenhadas as primeiras
percepções sistemáticas de modelos de gestão or-
ganizacional. Conhecido como modelo de gestão
tradicional, encontramos os modelos mecânico e
orgânico.
Na constituição desses modelos, já estuda-
dos no item anterior, os três importantes formula-
dores do modelo mecânico de gestão são Taylor,
Ford e Fayol. Neste modelo há centralização das
decisões o que promove um controle hierárquico
absoluto da rotina. Isso torna a organização pesa-
da, lenta impedindo as mudanças e inovações.
Tema 1 | Principais teorias da administração 39

Logo após esse período, nova proposta de


gestão se abre para o modelo orgânico. Influen-
ciado pela abordagem humanística, esse modelo é
caracterizado pela descentralização das decisões,
redução da hierarquia, delegação de autoridade e
responsabilidade para as pessoas.
11 Os impactos e
A partir da segunda metade do século XX11, reflexos ocasiona-
algumas crises abateram o sistema político e dos pela II guerra
mundial (1939-1945)
econômico o que foi refletido no enfraquecimento
dos modelos administrativos. Isso levou ao surgi-
mento de novas teorias que buscavam ampliar o
foco de atenção a gestão. (FERREIRA, 2005).
Desta forma, percebeu-se a necessidade de
modelos que vislumbrassem um ambiente organi-
zacional mutável e diferenciado, no qual as
empresas iriam adaptar-se visando à sobrevivência
e crescimento.
Nos últimos 30 anos, as organizações come-
çaram a se preocupar e se conscientizar da impor-
tância da revisão dos seus modelos de gestão: as
empresas privadas, motivadas pela sobrevivência
no mercado devido competitividade, e as empresas
públicas, motivadas pela capacidade de desempenhar
bem a sua missão, que é o atendimento com
qualidade na prestação de serviços destinados a
sociedade.
Surgem, assim, os novos modelos de gestão
em que suas principais características perpassam
pela orientação para o cliente, estrutura organiza-
cional flexível, estilo participativo de gestão enfo-
cando o trabalho em grupo e relações de parceria
com outras empresas.
Apresentaremos algumas características bási-
cas dos novos modelos de gestão:
40 Administração e Planejamento em Serviço Social

• Administração japonesa:

O primeiro modelo de gestão a ser estrutu-


rado foi a administração japonesa. Este modelo foi
considerado como um grande marco na história da
administração.
No período pós II Guerra Mundial, o Japão
precisou reestruturar suas indústrias, o que levou à
superação, em um curto espaço de tempo, tornan-
do-se um grande símbolo de evolução. Surge, en-
tão, uma tendência de explicar a recuperação da in-
12 Toyotismo é o
modelo japonês de dústria a partir do modelo japonês de organização,
produção, criado ou modelo Toyota de gestão ou ainda toyotismo12.
pelo japonês Taiichi
Ohno e implantado Sua principal característica foi a implantação
nas fábricas de da qualidade total, bem como o controle de quali-
automóveis Toyota,
após o fim da dade total e dos Círculos de Controle de Qualidade
Segunda Guerra (CCQ).
Mundial.
Fonte: www.infoescola.com/ Sua filosofia básica de gestão era pautada no
industria/toyotismo
trabalho em equipe, na relação de fidelidade com o
funcionário, oferecendo-lhe participação nos lucros
e garantia de emprego vitalício em troca de uma
maior dedicação dos trabalhadores e qualidade
total do processo.

• Gestão participativa:

É um modelo de gestão atual e contemporâ-


neo no qual sua prioridade está nas pessoas, que
fazem parte da organização.
No gerenciamento participativo existe um
comprometimento individual com os resultados
(eficiência, eficácia e qualidade). As condições
organizacionais e os comportamentos gerenciais
proporcionam um ambiente de estímulo à parti-
cipação de todos os funcionários no processo de
administrar.
Tema 1 | Principais teorias da administração 41

O objetivo desse modelo pretende melhorar


a qualidade dos processos e da produtividade,
utilizar a flexibilidade na utilização dos recursos
e modificar o clima organizacional.
A forma de participação dos funcionários
caracteriza-se da seguinte forma:

a) Nos círculos de controle de qualidade


(CCQs);

b) Grupos semi-autônomos ou células de


produção;

c) Grupos de melhoria contínua ou times de


qualidade;

d) Comissão de fábrica.

• Gestão empreendedora:

O modelo de administração empreendedora


teve seu marco no início de década dos anos de
1980, marcado pela pretensão em recuperar a com-
petitividade das empresas americanas em relação
às japonesas.
Surge a necessidade de “reinventar a organi-
zação”, diante da exaustão de seu modelo de gestão
tradicional. Desta forma, a gestão empreendedora
possuía como filosofia de trabalho a busca da inova-
ção direcionada para resultados através de equipes
empreendedoras. Todos os funcionários da empresa
passam a atuar como pequenos empreendedores.
Este modelo é extremamente predisposto às
inovações e mudanças sempre as considerando
como oportunidade ao invés de uma ameaça.
Esta linha de gestão defendia a ideia de
busca constante de inovação gerencial, gestão
estratégica e a relação inter empresarial marcada
pela busca de parceria com outras empresas através
de alianças estratégicas e terceirizações.
42 Administração e Planejamento em Serviço Social

Além disso, implantou horários flexíveis e


12 É toda e buscou o desenvolvimento de um clima organiza-
qualquer ação de cional favorável, através de políticas transformado-
marketing voltada
para a satisfação e ras de RH e do endomarketing12.
aliança do público
interno com o • Gestão virtual:
intuito de melhor
atender aos clientes
externos. Como modelo de gestão contemporâneo e
Fonte:www.
portaldomarketing.
emergente, encontramos o que é caracterizado pe-
com.br/artigos/ las empresas virtuais, e que buscam oferecer serviço
endomarketing.htm diferenciado, porém não se percebe os contornos
da estrutura organizacional.
As principais características desse modelo es-
tão na inovação em produtos e serviço, automação
das funções administrativas e estilo participativo
de gestão. Nesse modelo de gestão virtual encon-
tramos como um dos exemplos os bancos virtuais,
sendo este uma grande demanda para a sociedade
contemporânea.

LEITURA COMPLEMENTAR

CARDOSO, Cármen; CUNHA, Francisco Carneiro da.


Gerenciando processos de mudança: a arte de
enfrentar e administrar resistências nas organizações.
Recife: INTG, 1999.

O aluno encontrará alguns tipos de gestão, dentre


elas o modelo de gestão participativa.

FERREIRA, Vitor Cláudio P. Modelos de gestão: série


gestão de pessoas. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

Esta obra apresenta uma visão ampla e reflexiva


sobre alguns modelos de gestão e quais suas
concepções.
Tema 1 | Principais teorias da administração 43

PARA REFLETIR

Procure identificar quais características, dos modelos


estudados, você conhece. Relacione-as a organiza-
ções do seu município.

Lembre-se de discutir com os colegas no encontro


presencial.

RESUMO

Aprendemos neste item que a administração, en-


quanto técnica, sempre esteve presente na dinâmica
da sociedade desde a história antiga. A teoria geral
de administração (TGA) surgiu por consequência da
revolução industrial a qual exigiu a substituição do
empirismo para as bases dos estudos científicos.

Os precursores da TGA estabeleceram os primeiros


métodos administrativos a partir de diferentes
ênfases, em que estudamos Taylor, Ford, Fayol e Mayo.

Por fim, vimos que as ideias desses estudiosos


serviram para desenhar os modelos tradicionais de
gestão. Em seguida, os novos modelos foram
instituídos através de experiências e definidos
como toyotismo, participativo, empreendedor. Atual-
mente, em emersão está o modelo de empresa virtual.
2 Administração de Serviços

Neste item estudaremos as ferramentas administrativas a partir


de suas funções e princípios, a estrutura de modelo de gestão de
pessoas, como se estrutura o serviço social na empresa, bem como a
responsabilidade social das organizações, em que é considerado um
dos campos de atuação do assistente social.
46 Administração e Planejamento em Serviço Social

2.1 As funções de administração

Estudamos, anteriormente que o processo


administrativo sempre esteve presente no cotidia-
no e na dinâmica da sociedade.
Vimos no capítulo anterior que sempre houve a
necessidade de estabelecer os métodos de organiza-
ção do trabalho hierárquico. Administrar, então, pode
ser estabelecido como um processo de aplicação de
princípios e funções visando ao alcance de objetivos.
A administração não é uma atividade exe-
cutora de ações, mas condutora de pessoas e de
recursos humanos, técnicos e financeiros para a re-
alização dos objetivos.
Na abordagem da teoria clássica, estabelecida
por Fayol na qual há a ênfase na estrutura organiza-
cional, a abordagem estava voltada para uma visão
sintética, global e universal. Em outras palavras, a
organização formal é estruturada de diferentes ór-
gãos, suas relações e suas funções dentro do todo.
Ele definiu que, em uma organização, existem
as funções administrativas e outras funções não ad-
ministrativas ou funções operacionais. Na estrutu-
ra organizacional cabe aos níveis mais elevados o
predomínio das funções administrativas, sendo que,
nos demais níveis e cargos predominam as demais
funções, caracterizadas como não administrativas.
Toda empresa exerce seis funções básicas que
são consideradas essenciais a toda organização:

• Funções técnicas (produção ou operações):


É a parte da empresa que possui a finalidade
de realizar a transformação da matéria-prima em
produtos ou serviços para atender às necessidades
do cliente.
Tema 2 | Administração de serviços 47

• Funções comerciais (marketing):


É responsável em estabelecer as relações en-
tre os clientes e a organização. Também, realiza pes-
quisa para o desenvolvimento de produtos, bem
como, estabelece política de preço, distribuição e
divulgação ou publicidade e propaganda.

• Funções financeiras:
É responsável por toda a política dos recur-
sos da organização. Possuem como responsabili-
dade os financiamentos, investimentos, controle e
condução dos recursos.

• Funções contábeis:
São atribuições que atuam interligadas às fun-
ções financeiras, e são responsáveis pela realização
dos inventários, registro, orçamento, balanços, custos
e estatística da organização.

• Funções de segurança:
A principal finalidade dessa função está em
proporcionar a proteção e preservação dos bens e
das pessoas. Atualmente as organizações contempo-
râneas têm atrelado essa função à gestão de pessoas.

• Funções administrativas:
São atribuições que integram a hierarquia
maior às demais funções. As funções administra-
tivas coordenam e comandam as outras cinco fun-
ções (não administrativas), constituindo-se na mais
importante.

As funções administrativas, desta forma,


estabelecem as próprias atribuições e funções do
administrador. Para Fayol, o ato de administrar é
composto por cinco funções administrativas, como
planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar.
48 Administração e Planejamento em Serviço Social

O papel e o trabalho de um administrador ou


dirigente são estabelecidos através das tomadas de
decisões, definição de metas, diretrizes e delegação
de tarefas. Desta forma, as funções administrativas
são fundamentais e sem elas o ato de administrar
seria incompleto.
As várias funções do administrador ou diri-
gente, consideradas numa perspectiva global, com-
põem o processo administrativo. Ou seja, as ações
de planejar, organizar, comandar, coordenar e con-
trolar, quando consideradas separadamente consti-
tuem em funções administrativas. Porém, quando
visualizadas na sua abordagem total para o alcance
dos objetivos, constituem, portanto em processo
administrativo.
Desta forma, as funções administrativas não
são estáticas, elas formam um processo ciclo ad-
ministrativo e à medida que esse ciclo repete-se
esse processo é realimentado criando contínuos
ajustamentos das funções.
Essas funções são constituídas pelos seguin-
tes elementos da administração:

• Planejamento:
É considerado como método ou processo de
projeção do trabalho como deverá ser realizado,
considerando os equipamentos e todos os recursos
organizacionais.
No processo de planejamento, as decisões
adotadas determinarão o destino da empresa, por
isso o planejamento é considerado a primeira fun-
ção administrativa e que também define e avalia o
desempenho da empresa ou organização.
O processo de planejamento de uma organi-
zação pode ser caracterizado em três perspectivas
distintas, como planejamento estratégico, tático e
operacional.
Tema 2 | Administração de serviços 49

• Organização:
É a função administrativa que se relaciona
com as atribuições de tarefas, acumulação de tare-
fas em equipe e distribuição dos recursos. Isto se
dá através de estabelecimento de autoridade e de
recursos necessários.
Ou seja, é o processo de estruturação e ar-
rumação de toda cadeia organizacional, desde o
fluxo de pessoas, matérias, rotinas até métodos de
trabalhos, para que assim, os objetivos possam ser
atingidos eficientemente.
No planejamento é definido que objetivos a
empresa deve atingir, porém, na etapa da organiza-
ção, são implantadas as formas e maneiras como
esses objetivos serão realizados.

• Comando:
Essa função está diretamente ligada a dirigir
e orientar pessoas. A finalidade é aperfeiçoar e
dinamizar a empresa através da execução das tarefas
de forma eficiente pelas pessoas.
Essa função administrativa é a que necessita
envolver e utilizar influência de motivação das
pessoas para o alcance dos objetivos.

• Coordenação:
É considerada uma das importantes funções
do administrador, pois requer a necessidade de
unir, harmonizar todos os atos e esforços para atingir
os objetivos.

• Controle:
Essa função envolve todo procedimento de
avaliação das atividades da organização com o in-
tuito de mensurar o alcance dos objetivos. Desta
forma são estabelecidos padrões e indicadores
de desempenho.
50 Administração e Planejamento em Serviço Social

Essa função administrativa funciona como


um indicador para apontar o momento em que é
necessário realimentar os objetivos.
O controle deve se fundamentar no plano de
trabalho estabelecido, acompanha os resultados
obtidos e avalia se houve desvio de metas.
A função de controle pode ser caracterizada
em duas perspectivas, em nível organizacional que
avalia o desempenho das organizações, e como
crescimento de vendas, lucratividade e investimentos.
Porém, o controle em nível operacional avalia os
métodos, as tarefas e as pessoas.
Ao estudarmos as funções administrativas
precisamos atentar que o processo administrativo
apresenta duas características importantes.
A primeira, o processo administrativo é cícli-
co e repetitivo, e em cada ciclo a tendência é que
haja o aperfeiçoamento constante.
A segunda característica é que o processo
administrativo é interativo, ou seja, cada função
interage com as demais em que influencia e é in-
fluenciado pelas demais.
Para Fayol, a partir das funções do admi-
nistrador, ele refletiu sobre sua própria experiên-
cia como gerente e identificou algumas técnicas e
métodos administrativos que se desdobraram nos
princípios gerais da administração. Esses princípios
são universais e aplicáveis a qualquer situação que
o administrador se depare na organização e orien-
tam como o administrador deve proceder.
Fayol listou 14 princípios gerais da administração
(CHIAVENATO, 2007), quais são:

1. Princípio da divisão do trabalho: É o prin-


cípio que consiste na especialização das
tarefas e das pessoas. Consiste na dele-
gação de tarefas específicas a cada órgão
da empresa.
Tema 2 | Administração de serviços 51

2. Princípio da autoridade e responsabili-


dade: Neste princípio, tanto a autorida-
de como a responsabilidade completam-
se. A autoridade é o poder decorrente
da posição hierárquica ocupada pela
pessoa, é o direito de dar ordem e esperar
obediência. Porém, a responsabilidade é
uma consequência natural da autoridade.

3. Princípio da disciplina: Neste princípio é


estabelecido o respeito aos acordos entre
a empresa e seus agentes.

4. Princípio da unidade de comando: Defen-


de que cada pessoa deve receber ordens
de apenas um superior, o chefe imedia-
to. Refere-se ao princípio da autoridade
única.

5. Princípio da unidade de direção: Defende


que existe um só comando, chefe, e um
só programa para um conjunto de opera-
ções que tenham o mesmo objetivo.

6. Princípio da subordinação dos interesses


individuais aos gerais: Os interesses ge-
rais da empresa devem justapor aos inte-
resses particulares das pessoas.

7. Princípio da remuneração do pessoal:


Esse princípio defende que deve-se haver
justa e garantida satisfação para os em-
pregados, bem como para a organização
como retribuição.

8. Princípio da centralização: Esse princípio


refere-se à concentração da autoridade
maior no topo da hierarquia da organização.
52 Administração e Planejamento em Serviço Social

9. Princípio da hierarquia ou cadeia escalar:


Defende que a autoridade deve estar or-
ganizada em uma hierarquia, ou seja, em
escala hierárquica sendo que um nível
hierárquico deve sempre estar ligado a
um nível hierárquico superior.

10. Princípio da ordem: Defende que cada


coisa possui o seu lugar, ou cada lugar é
para uma coisa.

11. Princípio da equidade: Pregava que no


tratamento com as pessoas a disciplina
e a ordem melhorariam o comportamento
dos empregados.

12. Princípio da estabilidade pessoal: Enten-


de que a rotatividade do pessoal é preju-
dicial para a eficiência da organização. A
ideia é a manutenção das equipes como
forma de proporcionar o seu desenvolvi-
mento.

13. Princípio da iniciativa: É a capacidade de


imaginar um plano e assegurar pessoal-
mente o seu sucesso.

14. Princípio do espírito de equipe: É o prin-


cípio de defesa do desenvolvimento e
manutenção da harmonia entre as pesso-
as dentro do ambiente de trabalho.

A administração, portanto, é caracterizada


pelo enfoque prescritivo e normativo. O administra-
dor, portanto, deve se posicionar em todas as situ-
ações por meio do processo administrativo no qual
os princípios gerais devem conduzir para a obtenção
da eficiência, eficácia e efetividade da organização.
Tema 2 | Administração de serviços 53

LEITURA COMPLEMENTAR

CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos


tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

Nesta obra o aluno encontrará uma leitura mais


clara e atual das funções administrativas e o papel
do administrador.

HOLLANDA, Janir et al. Introdução às práticas admi-


nistrativas: o administrador no terceiro milênio. Rio
de Janeiro: Senac nacional, 2003.

Nesta obra o aluno encontrará uma leitura explicativa


sobre as funções administrativas

PARA REFLETIR

Com base no conteúdo estudado, como você percebe


o papel de um gestor diante da estrutura e das
relações de trabalho que estão sendo estabelecidas
na sociedade contemporânea?

Compartilhe suas opiniões com seus colegas.


54 Administração e Planejamento em Serviço Social

2.2 Gerenciando pessoas

Vimos no capítulo anterior que as organi-


zações são constituídas de pessoas e dependem
delas para atingir seus objetivos e cumprir suas
missões. Assim, o contexto da gestão de pessoas é
formado por organização e pessoas.
Desta forma, ao pensarmos em gerenciamento
de pessoas devemos nos reportar à política ou
administração de recursos humanos de uma
organização, ou seja, à área que administra a
força de trabalho.
Destarte, a administração de recursos huma-
nos é o conjunto de políticas e práticas indispensá-
veis para conduzir os trabalhadores ao alcance dos
objetivos organizacionais e individuais envolvendo
a supervisão e coordenação de pessoas.
A administração de recursos humanos surgiu
no início do século XX, em decorrência do cresci-
mento e complexidade das tarefas na organização,
bem como, dos impactos provocados pela revolu-
ção industrial nas relações funcionário e patrão.
Sob a influência da industrialização clássica,
neoclássica e da era de informação diferentes abor-
dagens permearam o processo de como lidar com as
pessoas dentro da organização. A administração de
recursos humanos passou por três etapas distintas:
relações industriais, recursos humanos e gestão de
pessoas (CHIAVENATO, 2010).
Inicialmente, com a denominação de re-
lações industriais, a finalidade era de realizar a
mediação entre a organização e os trabalhadores
visando a redução de conflitos gerados entre os
objetivos organizacionais em detrimento dos
objetivos individuais.
Tema 2 | Administração de serviços 55

A partir de 1950, esse conceito foi ampliado


passando a ser denominado de administração de
pessoal, que visava não mais intermediar conflito,
mas possuía a preocupação de realizar o registro
dos funcionários. Ou seja, era o setor responsável
pelas rotinas trabalhistas e de administrar as
pessoas em conformidade com a legislação desta
área. Este setor também se responsabilizava pela
realização de treinamentos, avaliação de desempenho,
controle de faltas, entre outras tarefas.
A partir da década de 1970, surgiu o conceito de
recursos humanos. Nesta nova concepção, a ideia
não era somente cuidar da remuneração, avaliação
e treinamento, mas possuía como preocupação o
desenvolvimento organizacional como todo.
Então o departamento de recursos humanos
era responsável também em proporcionar aos fun-
cionários sua integração com a organização através
da coordenação de interesses entre a empresa e os
trabalhadores.
Desta forma, havia uma preocupação com o
ambiente e qualidade de vida no trabalho, com as
relações interpessoais, e com a cultura organizacional.
Esses indicadores permeavam as atividades de
recursos humanos na empresa.
A contribuição da teoria das relações humanas
foi a ênfase em cultivar as boas relações humanas
no ambiente de trabalho, a busca da realização de
um tratamento mais humano às pessoas, através
da adoção de processos administrativos mais
democráticos.
Em seguida, uma nova visão surge, sob a
influência da era da informação, que substitui o
departamento de recursos humanos para o trabalho
em equipe de gestão com pessoas.
56 Administração e Planejamento em Serviço Social

Esta nova concepção entendia que as pessoas


deveriam participar da administração da empresa como
parceiros e não apenas como um dos recursos.
Caracteriza-se como modelo orgânico e flexível na
estrutura organizacional na qual existe a predomi-
nância das equipes multifuncionais de trabalho.
Esta área é interdisciplinar, pois envolve pro-
fissionais diversos, seja do campo da pedagogia,
psicologia, administração, entre outros. E é consi-
derado também como espaço sócio ocupacional do
serviço social.
O assistente social, como estrategista social,
atua no âmbito organizacional subsidiando a orga-
nização na elaboração, formulação e execução de
políticas de gestão de pessoas.
Vamos entender um pouco as características
e quais são os processos internos da gestão de
pessoas.
Em uma organização, as pessoas que se co-
locam em cargos de liderança desempenham as
quatro funções administrativas, estudadas no item
anterior. A gestão de pessoas procura, portanto,
ajudar o administrador ou líder a desempenhar to-
das essas funções através das pessoas que formam
sua equipe (CHIAVENATO, 2010).
Outra característica da Gestão de pessoas é
que podemos considerá-la como “uma via de mão
dupla”, pois deve conduzir os funcionários a tra-
balharem em prol da empresa para o alcance dos
objetivos estabelecidos.
Por outro lado, os funcionários esperam re-
ceber salários compatíveis com as funções desem-
penhadas, bem como benefícios que os motivem a
desempenhar suas tarefas.
Assim, o gerenciamento de pessoas deve ar-
quitetar as condições de ambiente em que se
estimule o capital humano e intelectual da organização
de seus funcionários.
Tema 2 | Administração de serviços 57

Para isso são estabelecidos seis processos


básicos da gestão de pessoas, onde existem uma
relação e influência entre eles. Em relação aos pro-
cessos encontramos:

• Processo de agregar pessoas:


Constitui a primeira etapa do processo de
gestão de pessoas, que é utilizado para atrair e
incluir novos funcionários na organização. O método
utilizado para tal finalidade é o recrutamento e
seleção.
O recrutamento é uma ação da empresa para
estimular o mercado de recursos humanos (traba-
lhadores) e dele extraírem os candidatos necessá-
rios para o preenchimento de vagas oferecidas pela
empresa.
Além de selecionar pessoas do mercado de
trabalho, o processo de recrutamento e seleção po-
derá também ser realizado dentro da organização
mediante a promoção ou transferência para cargos
vagos. Assim, o recrutamento poderá ser interno
ou externo.
O recrutamento pode acontecer externamente,
quando a busca para o preenchimento do cargo
se dá fora da empresa. Ou recrutamento interno,
quando a busca acontece entre os trabalhadores da
empresa, com a finalidade de selecionar os aptos
para a promoção ou transferência de cargo.
Desta forma, o recrutamento é considerado
como o canal de condução dos candidatos para o
processo seletivo.
Então, a primeira tarefa do recrutamento ex-
terno é divulgar, no mercado de trabalho, a dis-
ponibilidade de cargos que a organização preten-
de oferecer. Essa função é considerada como um
meio de comunicação, pois divulga oportunidades
de emprego ao passo que atrai candidatos para o
processo seletivo.
58 Administração e Planejamento em Serviço Social

Após a etapa do recrutamento, inicia o proces-


so de seleção. Nessa etapa, é realizada a comparação
entre as características de cada candidato, em confor-
midade com as referencias especificas do cargo.
Para a realização da etapa da seleção, algu-
mas técnicas poderão ser utilizadas como: aplica-
ção de prova, análise de currículo, entrevista, dinâ-
mica de grupo ou sociodrama simulando situações
que poderão ser vivenciadas na empresa.

• Processo de aplicar pessoas:


Após o processo de recrutamento, seleção e
contratação dos candidatos aprovados no processo
seletivo, é necessário que essa pessoa passe por
um processo de integração.
Esta etapa refere-se ao momento de socia-
lização organizacional. Ou seja, é o período onde
se estrutura o esquema de boas vindas aos novos
funcionários.
Nessa etapa, o novo funcionário é posiciona-
do ao cargo e as tarefas que serão desenvolvidas
e a fixação da cultura organizacional, os valores, as
normas e os padrões de comportamento adotados
pela empresa. Sua principal finalidade é propiciar
um ambiente favorável de acolhimento durante a
fase inicial de trabalho.
Para realizar o processo de socialização, al-
guns métodos são utilizados como: o processo se-
letivo, conteúdo do cargo, supervisor como tutor,
grupo de trabalho e o programa de integração.

• Processo de recompensar pessoas:


É o processo utilizado para estimular e motivar
os funcionários através da satisfação de suas
necessidades individuais adotando o sistema de
recompensa, remuneração, benefícios e serviços
sociais.
Tema 2 | Administração de serviços 59

O método de recompensa é o processo que


compreende todas as formas de pagamento dadas
aos funcionários em decorrência de seu trabalho.
A recompensa pode ser considerada como
financeira (prêmios, comissões, salários) e não finan-
ceira (férias, gratificações). A recompensa mais utili-
zada é a remuneração total.
A remuneração total é um conjunto de
recompensas quantificáveis que é constituída por
três componentes:

a) Remuneração básica: É representada pelo


salário mensal;

b) Incentivos salariais: São programas volta-


dos a recompensar seus funcionários pelo
bom desempenho de atividades;

c) Benefícios e serviços sociais: São formas in-


diretas de compensação e podem ser con-
sideradas como vantagens concedidas pela
organização na forma de pagamento adi-
cional. Os benefícios sociais constituem-
se de serviços com o intuito de satisfazer
os objetivos individuais, econômicos e
sociais dos funcionários. Exemplo disso é
a assistência médica, o seguro de vida, o
ticket alimentação, o transporte, a previ-
dência privada, entre outros.

• Processo de desenvolver pessoas:


É o método de capacitar para o desenvolvi-
mento de competências, seja em nível pessoal ou
profissional dos funcionários.
Segundo Chiavenato (2010), existe uma dife-
rença entre desenvolvimento e treinamento. O trei-
namento é sempre orientado para o presente, em
que se busca melhorar as competências e habilida-
des relacionadas diretamente com o cargo.
60 Administração e Planejamento em Serviço Social

O desenvolvimento de pessoas focaliza,


geralmente, na preparação dos funcionários para
o despertar de novas competências e habilidades
que poderão ser desempenhadas no futuro.

• Processo de manter pessoas:


São métodos utilizados para estimular condições
ambientais e psicológicas suficientes para um bom
desempenho das atividades.
Essa concepção é permeada pelas concep-
ções de cultura organizacional, clima, disciplina,
higiene, segurança e qualidade de vida.

• Processos de monitorar pessoas:


São métodos estabelecidos para acompanhar
e controlar o desenvolvimento dos funcionários e
seus resultados. Um instrumento utilizado é o ban-
co de dados com informações atualizadas sobre
seus funcionários.
Outro ponto está em estabelecer regras para
a demissão de um profissional, bem como adotar
um controle em relação a objetivos e tarefas execu-
tadas pelos funcionários como também um rígido
controle de frequência dos empregados, o instru-
mento mais adotado é o registro de cartão de ponto.

LEITURA COMPLEMENTAR

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. Rio de


Janeiro: Elsevier, 2010.

O aluno encontrará nessa obra o conceito de


modelo de gestão de pessoas e as tendências nessa
área.
Tema 2 | Administração de serviços 61

STAREC, Claudio; GOMES, Elisabeth e BEZERRA, Jorge.


Gestão estratégica da informação e inteligência
competitiva. São Paulo: Saraiva, 2006.

O aluno encontrará na parte IV dessa obra análises


sobre a gestão estratégica de RH.

PARA REFLETIR

Pesquise entre amigos e familiares os serviços so-


ciais/benefícios que são oferecidos pelas empresas.
Discuta com os colegas no encontro presencial os
serviços sociais que você considerou em maior pre-
dominância.
62 Administração e Planejamento em Serviço Social

2.3 O serviço social na empresa

Analisar a inserção do Serviço Social na em-


presa requer compreender o processo de desen-
volvimento econômico do país. O Brasil teve como
principal característica de sua economia até 1930 a
produção e exportação de produtos agrícolas, carac-
terizando-se como país agroexportador14. Os países
europeus foram os principais importadores dos nos-
sos produtos agrícolas e exportadores de produtos
manufaturados (industrializados) para o Brasil.
14 A economia ba- Com o advento da II Guerra Mundial que pro-
seada no latifúndio,
na monocultura e vocou o desmantelamento da economia dos países
na exportação dos europeus, consequentemente ocasionou mudanças
produtos agrícolas
para os países na economia internacional, tais como incentivar os
europeus. países agroexportadores a começarem a se indus-
trializar, já que a Europa não conseguia mais ex-
15 Criado pelos portar produtos manufaturados diante da quebra
empresários do
comércio e da
de muitas de suas indústrias e porque sua produ-
indústria, no ção estava voltada para a indústria bélica e para o
momento pós
-guerra, e visava
abastecimento do mercado interno.
assistir, através Portanto, podemos afirmar que a II Guerra
de prestação de
serviços sociais e
Mundial ocasionou o processo de industrialização
aperfeiçoamento dos países agroexportadores, a exemplo do Brasil.
técnico profissional Esse processo ficou conhecido no Brasil
de seus funcionários
e familiares. como o período da Substituição das Importações,
o que significa dizer que o país passou a produzir
os produtos que eram importados, os produtos ma-
nufaturados. Começa, assim, o processo de indus-
trialização e urbanização do país que se concentrou
na região sudeste nos estados de São Paulo, Minas
Gerais e Rio de Janeiro.
Nos anos de 1940 surgiu no país o Sistema S15
que englobavam o Serviço Nacional de Aprendiza-
gem Industrial (SENAI), o Serviço Social da Indústria
(SESI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
(SENAC) e o Serviço Social do Comércio (SESC).
Tema 2 | Administração de serviços 63

Esse, então chamado Sistema S, tinha como


principal objetivo promover ações de formação pro-
fissional, qualificar mão de obra para atender as
necessidades do mercado de trabalho, além dessa
atuação começou a desenvolver atividades visando
ao bem-estar social, incluindo saúde, educação,
lazer, cultura, esporte, transporte e vestuário, através
do SESC e do SESI.
É neste momento que se inicia a inserção
do Serviço Social na Empresa, trabalhando com
ações voltadas para qualificação da mão de obra,
promoção da saúde, lazer, educação, transporte,
enfim, do bem–estar social do trabalhador e sua
família, visando, assim, resolver os conflitos que
surgiram entre os operários e os patrões.
A intervenção do Serviço Social consolidou-
se durante as décadas seguintes, principalmente na
passagem dos anos de 1970 para 1980 com a con-
solidação da industrialização do país, da organiza-
ção e reivindicação dos trabalhadores por melhores
condições de trabalho e vida, e da intervenção do
Estado nas expressões da Questão Social por meio
do desenvolvimento de políticas sociais que requi-
sitaram uma ação técnica profissional.
Em 1970 o modelo de produção capitalista
que predominava no país era o Taylorista/Fordista
baseado na organização da produção rígida, verti-
calizada, parcelada e em larga escala.
Nesse período o regime político vigente era
a Ditadura Militar, que tinha como principais ca-
racterísticas o cerceamento da liberdade, repressão
política, o incentivo à industrialização e o desen-
volvimento de políticas sociais assistencialistas,
fragmentadas, setorializadas, apesar dessa política
e da ação repressora do Estado os trabalhadores
organizaram-se em diversos movimentos sociais,
entre eles nas comissões de fábricas e sindicatos
para lutar por melhores condições de trabalho, de
vida e pelo fim do Regime Militar.
64 Administração e Planejamento em Serviço Social

Vale ressaltar, que a década de 1970 e 1980


foi de suma importância para construção da cidada-
nia, é nessa ocasião que o nosso país vivencia um
momento de grande efervescência de organização
das classes subalternas que passa a se organizar
nos movimentos sociais, movimentos populares,
sindicatos e nos partidos políticos para reivindicar
o fim da Ditadura Militar, a instauração da democra-
cia, pela elaboração de uma legislação social que
garanta direitos sociais, civis e políticos.
Nesse período vai existir uma expansão do
Serviço Social nas empresas, o profissional de
Serviço Social é inserido no quadro profissional,
especificamente no setor de recursos humanos,
tanto das empresas privadas como nas empresas
públicas estatais para desenvolver um trabalho de
cunho educativo e assistencial com o trabalhador
e sua família.
A intervenção do Serviço Social visa mediar
o conflito empregador/empregado desenvolvendo
uma ação que beneficia o capital auxiliando no
16 No final da controle e disciplinamento do trabalhador, aumen-
década de 1970
0 Serviço Social
tando a produtividade e lucratividade e, ao mesmo
vai romper com o tempo, colaborando com os trabalhadores com
Conservadorismo,
através do
ações que permitem garantir a manutenção da força
movimento de de trabalho por meio de benefícios que promovem
intenção de ruptura,
o bem-estar do trabalhador e da sua família.
neste período vai
a adotar a teoria A partir dessa intervenção particular do Serviço
social crítica como Social na contradição capital/trabalho que o pro-
aporte teórico para
fundamentar sua fissional vai se perceber como trabalhador assala-
formação e exercício riado que está submetido às mesmas condições de
profissional, cons-
truindo base para trabalho que os demais trabalhadores da empresa.
consolidação do Neste sentido, o assistente social começa a
Projeto Ético Político
profissional que problematizar as estratégias e objetivos desenvol-
tem como um dos vidos pela empresa no sentido de qualificar sua
princípios a defesa
e fortalecimento das prática profissional criando estratégias para forta-
classes subalternas. lecer o projeto político das classes subalternas16.
Tema 2 | Administração de serviços 65

No final da década de 1970 o sistema ca-


pitalista entra em crise, suas altas taxas de lucro
estão ameaçadas diante da crise do petróleo e da
superprodução.
Diante desta crise o sistema capitalista pro-
cura introduzir novos métodos de produção e ges-
tão para alavancar as taxas de lucro, essa fase será
denominada por alguns autores como processo de
reestruturação produtiva do Capital ou de Terceira
Revolução Industrial.

As principais características são:

a) A financeirização da economia;

b) A introdução de tecnologias avançadas no


processo de produção;

c) A ênfase em processos informacionais;

d) A desregulamentação dos mercados;

e) A flexibilização do trabalho, expressas em


novas modalidades de contratação (trabalho
temporário e subcontratação);

f ) Desemprego estrutural;

g) Supressão dos direitos sociais;

h) Fusão de grandes empresas (empresas


Multinacionais);

i) A desterritorialização da produção, ou seja,


uma mesma indústria possui diversas fi-
liais em outros países;
66 Administração e Planejamento em Serviço Social

j) Busca desenfreada por matérias-primas


abundantes (recursos naturais);

k) Mão de obra barata e investimentos massivos


em marketing.

Esse novo modelo de organização da produção


é denominado de Toyotismo, baseado na organização
flexível, horizontal, produção de acordo com a
demanda, o que significou enxugamento da quan-
tidade de trabalhadores na produção, a exigência
de um trabalhador polivalente e altamente qualifi-
cado, uma gestão centrada no discurso da colaboração
e integração do funcionário, ou seja, deixa de ser
um trabalhador para ser colaborador, fazer parte da
empresa.
O Brasil vai iniciar a introdução desse novo
modelo de organização da produção nos anos de
1980, mas sua consolidação aconteceu na década
de 1990. Cabe mencionar que a década de 1990
é conhecida como período de introdução e con-
solidação da Política Neoliberal que significou a
minimização da ação do Estado na regulação da
vida social e ampliação da intervenção do mercado
na vida social.
Para isso, o empresariado brasileiro necessi-
tou elaborar estratégias sociopolíticas para obter
a legitimidade dos trabalhadores, neste sentido in-
troduzir na gestão empresarial novas técnicas de
trabalho baseada na filosofia do participacionismo
e na colaboração dos trabalhadores na gestão,
através da participação nos processos de decisão
da produção e do diálogo direto entre patrão e
trabalhador, buscando esvaziar o papel político dos
sindicatos.
Tema 2 | Administração de serviços 67

As novas políticas desenvolvidas pelos


recursos humanos das empresas podem ser resu-
midas nos seguintes aspectos, segundo Amaral &
Cesar (2009): crescimento dos investimentos em-
presariais com a qualificação da força de trabalho;
introdução de técnicas e métodos de gerencia-
mento participativo, com forte apelo ao envolvi-
mento dos trabalhadores com as metas empre-
sariais; combinação do sistema de benefícios e
serviços sociais com as políticas de incentivo á
produtividade do trabalho; e adoção de práticas de
avaliação e monitoramento do ambiente interno.
As mudanças no âmbito do gerenciamento do
recurso humano trouxeram novas e velhas deman-
das para o Serviço Social. Permanece o trabalho
educativo voltado para mudanças de hábitos, atitu-
des e comportamentos do trabalhador objetivando
sua adequação ao processo de produção além de
intervir no âmbito da vida privada do trabalhador,
ambiente familiar e social, e participar da execução
dos serviços sociais com intuito de promover o
bem-estar social.
As novas configurações no modo de produção
do sistema capitalista reforçam a visão da neces-
sidade de a empresa contratar o profissional de
serviço social por sua intervenção ter uma dimen-
são pedagógica que pode ser utilizada para neutra-
lizar os conflitos trabalhador/patrão, de intervir
nos processos de reprodução material e espiritual
da força de trabalho, por meio de ações que visam
ao controle, disciplinamento do trabalhador.
Neste sentido traz para o Serviço Social o
desafio de pensar em estratégias para que tais ob-
jetivos sejam alcançados, provocando uma mudança
de perfil profissional, deixando de ser mero executor
para ser também formulador desses programas, o
que significa dizer que o Assistente Social tem que
68 Administração e Planejamento em Serviço Social

se enquadrar nas novas requisições do mercado


de trabalho que visam contratar um trabalhador
que desenvolva várias funções, o denominado
trabalhador polivalente.
Alguns programas empresariais de que o
Serviço Social participa:
Programa de Treinamento e Desenvolvimento:
promove formação, treinamento, capacitação do
trabalhador, objetivando obter um trabalhador
polivalente e aumentar a produtividade;
Programas participativos: estes programas
são pautados na Gestão de Qualidade Total que
visa à satisfação do cliente externo (consumidor)
e do cliente interno (colaborador), visa promover
ações que fomentem a participação do trabalhador
dentro da ordem da empresa, sendo estimulados
por meio de incentivos simbólicos e materiais, a
exemplo do programa “O Colaborador do Mês”.
Programa de Qualidade de Vida: realização
de ações socioeducativas e da promoção de serviços
sociais, o enquadramento de hábitos e cuidados
com a saúde, lazer, alimentação buscando a
melhoria de vida do trabalhador visando ao aumento
da produtividade.
Programa de Clima ou Ambiência organiza-
cional: promove atividades que têm por objetivo
identificar a percepção do trabalhador sobre o
ambiente de trabalho, a organização, as condições
e relações de trabalho.
As ações desenvolvidas pela empresa com
a colaboração do serviço social visam aumentar a
produtividade e disciplinar o trabalhador, através
do discurso ideológico da participação e da colabo-
ração do trabalhador. “O trabalhador faz parte da
empresa”.
Tema 2 | Administração de serviços 69

LEITURA COMPLEMENTAR

AMARAL, Ângela Santana do; CESAR, Monica. O tra-


balho do assistente social nas empresas Capitalistas.
In: Serviço Social: direitos sociais e competências
profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.

Neste artigo o aluno encontrará análises sobre a


inserção do serviço social na empresa e de que
forma as mudanças no mundo do trabalho afetam
o profissional de serviço social.

AMARAL, Ângela Santana do; MOTA, Ana


Elizabete(org). Reestruturação do Capital, fragmen-
tação do trabalho do serviço social. In: A nova
fábrica de consenso: ensaio sobre a reestruturação
empresarial, o trabalho e demandas ao Serviço
Social. 2. ed. São Paulo. Cortez, 2000.

Nesta obra o aluno vai encontrar uma análise do


processo de reestruturação produtiva do sistema
capitalista e seus impactos no mundo do trabalho
com ênfase para os impactos no campo de trabalho
do Serviço Social.
70 Administração e Planejamento em Serviço Social

PARA REFLETIR

As características apresentadas neste item sobre


a inserção do serviço social na empresa: contra-
dição capital/trabalhador, as fases do desenvolvi-
mento econômico do país, as novas configurações
no modo de produção capitalista, o trabalho de
mediação do serviço entre empregador/empregado
através da sua ação socioeducativa. Reúna um gru-
po de estudantes e realize uma visita a uma empre-
sa para conversar com a Assistente Social, conhecer
a gestão da empresa e a atuação do Serviço Social
neste espaço.

2.4 Responsabilidade social nas empresas


públicas e privadas

O tema responsabilidade social nas empre-


sas públicas (Estatais) e privadas entrou na agenda
política e social do país na década de 1990, perí-
odo de consolidação das mudanças no modelo de
produção capitalista, de implantação do Neolibera-
lismo na gestão do Estado, através da reforma do
Estado, que provocou agravamento das expressões
da questão social no país.
O surgimento do termo “Sociedade Civil e
Terceiro Setor”, expressões que passaram a ser
usadas para se referir a uma nova forma de gestão
social na elaboração e execução dos serviços so-
ciais, é decorrente dessas mudanças ocorridas na
década de 1990.
Tema 2 | Administração de serviços 71

Os aspectos da política, economia e da forma


de gerenciamento do Estado brasileiro, nos anos
de 1990, fazem parte do processo de reestruturação
do capital iniciado no final da década de 1970, nos
países desenvolvidos que impuseram aos demais
países um ajustamento as novas regras do capi-
tal internacional, pelo intermédio dos organismos 17 Esses órgãos
são responsáveis
internacionais 17 , como FMI (Fundo Monetário pela elaboração
Internacional), BM (Banco Mundial), etc. e fiscalização de
regras sobre a
As principais características dessa nova fase política econômica
do sistema capitalista são a financerização da eco- mundial.
nomia, a predominância do capital financeiro sobre
o produtivo, a globalização da economia, a desre-
gulamentação do mercado e a perda de soberania
dos Estados-nação, novos métodos de gerencia-
mento do Estado pautado na Hegemonia Neoliberal.
Na esfera da produção as empresas adotam
novo padrão de produção e gerenciamento:

a) Investimentos em pesquisas científicas com


intuito de reduzir gastos da produção por
meio da introdução de novas tecnologias
poupadoras de mão de obra e promotora
do aumento da produtividade;

b) Desterritorialização da produção, ou seja,


os núcleos de produção são transferidos
das empresas matrizes, localizadas nos
países desenvolvidos, para as empresas
filiais nos países subdesenvolvidos;

c) O fortalecimento da relação entre o Estado e


as empresas transnacionais. Neste sentido
o Estado busca ofertar as melhores con-
dições para que as indústrias se estabe-
leçam no país, como legislação previden-
ciária e trabalhista fraca que não protege
72 Administração e Planejamento em Serviço Social

o trabalhador, a exemplo do baixo salário,


e as isenções fiscais e tributárias. Aliado a
essas características estão a abundância
de matérias-primas e grande contingente
de trabalhadores à procura de emprego.

d) Articulação com outras empresas menores,


através da terceirização dos serviços e co-
operação interempresas que fazem sur-
gir as chamadas “empresas rede”. As
grandes empresas lideram de forma hie-
rárquica os diversos setores da produção
e da comercialização de bens e serviços.

e) Articulação com o capital financeiro, o que


significa dizer que o capital produtivo
passa a investir parte dos seus lucros em
outras fontes de rendimentos, como fundo
de pensão, ações etc.

Podemos observar que a produção está


organizada em escala global, o que significa dizer
que o capital é internacional.
As empresas, além de comandarem a produção,
e também o mercado, passam a atuar em outras
esferas da vida social, através do fornecimento de
bens e serviços, tais como: pesquisa, a criação
de infraestrutura econômica e social, atividades
culturais, serviços de assistência e de qualificação
para os trabalhadores e todos que fazem parte
da “empresa rede’.
Essa intervenção atinge os trabalhadores,
acionistas, credores, investidores, Governos, con-
sumidores e a comunidade em que atua, ou seja,
onde está localizada a sede da empresa.
Tema 2 | Administração de serviços 73

Esse novo modelo de organização e gestão das


empresas é dominado de “Corporate Governance ”18, 18 Governança
Corporativa
significa que a empresa deve modificar seu relaciona-
mento com todos os que estão envolvidos em suas
atividades, potencializando o máximo a sua
capacidade de articulação política.
Os princípios desse modelo de gestão
“Governança Corporativa” são difundidos pelos
organismos internacionais como FMI (Fundo Mone-
tário Internacional), BM (Banco Mundial), BID (Banco
Internacional de Desenvolvimento) que criam in-
dicadores de sustentabilidade econômica e social
que as empresas devem seguir para poder obter
recursos financeiros, credibilidade no mercado e
atração de novos parceiros, ações que contribuem
para elevar a valorização dos lucros.
Um dos indicadores de sustentabilidade que
se vincula à Governança Corporativa é a respon-
sabilidade social empresarial, que atualmente vem
sendo objeto de iniciativas dos empresários no
Brasil e no mundo.
A responsabilidade social empresarial são
ações desenvolvidas pelas empresas para atender
tanto ao público interno (os trabalhadores) como
ao publico externo (consumidores e comunidade).
As atividades destinadas ao seu público
interno, os empregados, são: qualificação de
mão de obra, plano de saúde, plano odontológico,
acompanhamento psíquico social, etc. Podemos ca-
racterizar esses benefícios como salários indiretos.
Já as atividades destinadas ao público externo,
a comunidade, são: ações de proteção ao meio
ambiente, ações assistenciais e emergenciais, como
entrega de cesta básica, cursos de qualificação de
mão de obra para adolescentes e jovens, etc.
74 Administração e Planejamento em Serviço Social

Essas atividades são desenvolvidas, geral-


mente, por Institutos e Fundações Empresariais,
que são mantidos pelos recursos das empresas.
A responsabilidade empresarial e social serve
para os empresários obterem mais lucros, através
da isenção de alguns impostos pelo Governo, e do
marketing que induz os consumidores a optarem
por comprar produtos das empresas que desenvolvem
esse tipo de prática.
Vale ressaltar, que a filantropia empresarial,
ações de caridade por parte dos empresários, sempre
existiu no mundo e no Brasil, a diferença é que na
atualidade esse tipo de ação compõe as técnicas de
gestão para a empresa aumentar sua lucratividade,
seu controle sobre os trabalhadores e sua hegemo-
nia na venda dos produtos no mercado.
Portanto, essa “filantropia” foi profissionalizada
necessitando de técnicos para sua implementação,
entre eles o Assistente Social, que já faz parte do
quadro de funcionários da empresa e atua diretamente
com a reprodução e controle da vida social deste.
A Responsabilidade empresarial e social vai
se consolidar no país durante a década de 1990,
período de mudança no padrão de produção, como
já abordamos, e da implantação da Reforma do
Estado por meio das administrações de Fernando
Collor (1989) e de Fernando Henrique Cardoso
(1994-2002)
A Reforma do Estado introduziu um modelo
de gestão baseado na redução dos gastos, ou seja,
cortes nos investimentos na área social. Essa
postura desresponsabilizou o Estado na elabo-
ração, no financiamento e execução das políticas
transferindo a responsabilidade para a sociedade.
Ao cidadão restou como opção para ter
acesso aos serviços públicos, como educação,
saúde, cultura, lazer, etc. o mercado, as organizações
do Terceiro Setor e as políticas assistenciais do
Estado.
Tema 2 | Administração de serviços 75

É neste contexto que o discurso da prática


da responsabilidade empresarial e social ganha
grande dimensão no país, já que vivemos numa
sociedade marcada pela desigualdade social, po-
breza, exclusão social e violência, que são geradas
pelo sistema capitalista e pela ausência do Estado
na elaboração de políticas públicas que garantam
a efetivação dos direitos previstos na Constituição
Federal.
As ações desenvolvidas pelas organizações
do Terceiro Setor orientam-se pela solidariedade,
cooperação, voluntariado, partindo do princípio de
que a sociedade civil é harmoniosa, que não exis-
te conflito de interesse entre as classes sociais. O
lema é cada cidadão faz sua parte, é ter responsa-
bilidade social.
Embasado nesse discurso é que a filantropia
empresarial amplia suas ações na sociedade brasi-
leira, com o slogan de que está fazendo sua parte
e contribuindo para sanar os problemas sociais que
existem no país.
Vale salientar que esse discurso serve para
encobrir a responsabilidade da classe burguesa
(empresários e latifundiários, banqueiros) no agra-
vamento nas desigualdades sociais e para despo-
litizar a luta das classes subalternas por melhores
condições de vida e de trabalho. 19 Instituto Ethos de
Empresas e Respon-
Existem no Brasil organizações que têm por sabilidade Social é
objetivo mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas uma organização
sem fins lucrativos,
a gerir seus negócios de forma socialmente res- caracterizada como
ponsável e sustentável visando à construção de Oscip (organização
da sociedade
uma sociedade justa e sustentável, a exemplo do civil de interesse
Instituto Ethos19, Abong20, Balanço Social, etc. público) criada em
1998
Um grande exemplo de uma prática de
responsabilidade social empresarial é a campanha 20 Associação
Brasileira de
Criança Esperança promovida todos os anos pela organizações não
Fundação Roberto Marinho em parceria com outras governamentais.
76 Administração e Planejamento em Serviço Social

empresas e com a UNESCO. Uma campanha que


visa arrecadar fundos que são depois repassados
para diversas instituições e organizações sociais
que trabalham com criança/adolescente.
Com essa ação a Rede Globo é isenta de
pagar alguns impostos e as empresas que contri-
buem financeiramente, como a empresa OMO, de
sabão em pó, utilizar como marketing para poder
vender seus produtos.
O profissional de Serviço Social mesmo
trabalhando diretamente com essas ações precisa
ter a capacidade investigativa para poder ir além
da aparência e conseguir desvendar o real interesse
que existe por trás deste discurso de cooperação.
O que as empresas visam desenvolvendo a
prática de responsabilidade social empresarial é
esconder a desigualdade social que é gerada pelo
sistema capitalista.
O aporte teórico-metodológico do Serviço
Social fundado na teoria social permite ao profis-
sional compreender que a responsabilidade social
empresarial se configura como uma das formas
de enfrentamento as novas expressões (violência
urbana, exploração sexual de menores, dependên-
cia química, violência doméstica, pauperização,
degradação ambiental, etc.) da questão social na
atualidade.
Tema 2 | Administração de serviços 77

LEITURA COMPLEMENTAR

AMARAL, Ângela Santana do; CESAR, Monica. O tra-


balho do assistente social nas fundações empre-
sariais. In: Serviço Social: Direitos sociais e com-
petências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS,
2009.

Nesta obra o aluno vai encontrar uma análise sobre


o papel e a função das fundações empresariais no
Brasil e a atuação do Serviço Social neste espaço.

CESAR, Monica de Jesus. Serviço social reestrutu-


ração industrial: requisições, competências e con-
dições de trabalho do serviço social. In: A nova
Fábrica de Consenso: ensaio sobre a reestruturação
empresarial, o trabalho e demandas ao serviço so-
cial.2. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

Nesta obra o aluno vai encontrar uma análise sobre


as novas requisições, demandas, e condições de
trabalho impostas a partir do processo de reestru-
turação do capital.
78 Administração e Planejamento em Serviço Social

PARA REFLETIR

As ênfases estudadas neste item (internacionalização


do capital, mudança na produção, Reforma do
Estado, Neoliberalismo, responsabilidade empresarial
e social) estão presentes nas novas formas de
gerenciamento das empresas capitalistas.

Realize uma pesquisa na internet (sites como Insti-


tuto Ethos, relatório Balanço social, etc.) identifique
quais são as empresas que realizam na sua gestão
a técnica de responsabilidade empresarial e social.

RESUMO

Vivemos em uma sociedade de organizações,


seja em atividades destinadas à produção de bens
ou em prestação de serviços.

O assistente social, em uma organização,


atua como estrategista social, auxiliando na ela-
boração, formulação e execução de políticas de
gestão de pessoas e de benefícios. Bem como, na
gestão social, elaboração e execução dos serviços
sociais, realizados pelo terceiro setor.

Na atual conjuntura, um dos grandes desafios


do assistente social está na habilitação para definir
e gerenciar políticas sociais atrelando os objetivos
organizacionais aos interesses do trabalhador.
PLANEJAMENTO: INSTRUMENTO
DE TRABALHO DO SERVIÇO
SOCIAL

Parte 2
3 Planejamento Social:
Aspectos Introdutórios

A partir deste ponto, estudaremos sobre o planejamento e suas


características e importância no processo administrativo.
O profissional de serviço social deve apropriar-se do método de
planejamento como ferramenta fundamental no trabalho interventivo
na realidade trabalhada.

3.1 Conceituando e definindo planejamento social

Na vida secular todos nós temos o costume de planejar alguma


coisa, seja um aniversário, uma viagem, um casamento, ou uma
formatura. Esse tipo de planejamento pode ser considerado como
planejamento ocasional, no qual não se estabelece técnicas e métodos.
Então podemos refletir que o processo de planejamento é algo
da natureza do ser humano e intrínseca à sua própria natureza racional
e social.
Assim, o homem é capaz de pensar e agir refletindo no que está
ocorrendo, construindo a partir de então seu futuro coletivo ou individual.
O homem, desta forma, projeta em sua mente o ato para de-
pois executar e antes de qualquer ação ele planeja. Esse processo
cíclico do planejar é conhecido como consciência teleológica.
82 Administração e Planejamento em Serviço Social

O exercício do planejar deve ser permanente e


sistemático, com a finalidade de cumprir com efeti-
vidade a missão organizacional. Ou seja, o processo
de planejamento envolve a escolha de um destino,
aonde se quer chegar, avaliação dos caminhos al-
ternativos e decidir sobre qual direção especificam
para alcançar o destino escolhido.
O termo planejamento, segundo o grande di-
cionário unificado da língua portuguesa (2010), sig-
nifica ato ou efeito de planejar, plano detalhado de
trabalho. Porém, planejar significa traçar esquema,
projetar, conjeturar.
Assim, o processo de planejar envolve uma
forma de pensar, esse modo de pensar gera indaga-
ções, que envolvem questionamentos sobre o que,
como, onde, quem e por que fazer (OLIVEIRA, 2010).
A finalidade do planejamento é entendida
como o desenvolvimento de processos, técnicas e
comportamentos administrativos que possibilitam
avaliar os resultados de futuras decisões no pre-
sente em detrimento dos objetivos organizacionais.
Planejamento, portanto, é um processo con-
tínuo e dinâmico no qual, várias ações integradas
e intencionais são direcionadas, para possibilitar a
tomada de decisões antecipadamente, através da
tentativa de tornar realidade em um objetivo futuro.
A arte de planejar deve iniciar estabelecendo
e definindo as estratégias e metas específicas.
Essas estratégias representam as pretensões
institucionais em ações práticas que lhe servirão
de guia para caminhar na direção desejada.
O planejamento é permeado por princípios
específicos que direcionam a organização aos
objetivos estabelecidos. Esses princípios são:
Tema 2 | Administração de serviços 83

a) Participação: O planejamento deve ser


elaborado por diversas áreas da organi-
zação, e o responsável pelo planejamento
deve facilitar o processo de elaboração
entre os envolvidos.

b) Coordenação: Deve-se estabelecer uma


rede interna, na qual todos os aspectos
envolvidos no processo deverão atuar de
forma independente.

c) Integração: Todos os níveis hierárquicos


da organização deverão ser planejados de
forma integrada.

d) Permanência: É importante buscar um plano


em um determinado período de tempo.

O planejamento é um elemento imprescindível


na vida do gestor. O planejamento deve ser flexível,
podendo ser realimentado durante o processo
para adaptar-se à realidade. Em uma organiza-
ção, o planejamento pode apresentar-se em três
diferentes tipos:

a) Planejamento estratégico: É um proce-


dimento de responsabilidade dos níveis
mais altos da organização no que se refe-
re à adoção e formulação de objetivos, na
escolha de ações necessárias para atingir
os objetivos específicos e a consolidação
das metas.
Ou seja, o planejamento estratégico
dar-se-á quando se decide os meios atra-
vés dos quais a empresa atingirá os ob-
jetivos. É a relação dos objetivos de longo
prazo com as estratégias e ações para al-
cançar tais objetivos, os quais refletem na
empresa como todo.
84 Administração e Planejamento em Serviço Social

b) Planejamento tático ou funcional:


Quando existe a necessidade de qualificar
uma determinada área e não a empresa
como todo, para a execução do planeja-
mento estratégico. Exemplo: central de
atendimento, setor de estoque, etc.
Relaciona os objetivos de curto prazo com
as estratégias a ações que afetam somente
parte da empresa.
É desenvolvido pelos níveis intermediá-
rios, com a finalidade de utilizar eficien-
temente os recursos disponíveis para o
alcance dos objetivos preestabelecidos.

c) Planejamento operacional: É conside-


rado o planejamento diário. É realizado
pelos níveis inferiores, focalizando as ati-
vidades cotidianas da empresa, através de
planos de ação ou planos operacionais.

Sua previsão é de curto prazo e define tarefas


específicas e é formalizado por meio de documentos
inscritos, e define orçamento, cronograma, entre outros.
O profissional de serviço social, para o desen-
volvimento de seu trabalho, possui como instrumento
fundamental o planejamento.
Desta forma, como o administrador, o profissio-
nal de serviço social possui a necessidade de conhe-
cer e entender a realidade do processo de planeja-
mento para elaborar suas intervenções.
Esse planejamento social pretende utilizar o
planejamento estratégico, expandindo para os vários
níveis da organização de uma forma harmônica.
Para elaborar uma proposta de intervenção,
o assistente social deverá estabelecer uma dire-
ção, conhecer e problematizar o objeto de ação
profissional.
Tema 2 | Administração de serviços 85

Entendendo que o planejamento é um pro-


cesso contínuo, dar-se-á, portanto, através da dinâ-
mica de reflexão, decisão e ação.

a) Reflexão: Nesta etapa ocorre a delimitação


do objeto, o conhecimento e estudo da
realidade, construção do referencial teóri-
co operativo, levantamento de prováveis
hipóteses e coleta de dados.

b) Decisão: Neste momento é dada a escolha


das alternativas, identificando as priorida-
des de intervenção, definem-se os objetivos,
estabele-se as metas, os prazos, organização
e análises.

c) Ação: É o momento da implantação e exe-


cução das decisões estabelecidas nas eta-
pas anteriores, bem como definição dos
parâmetros de avaliação e controle. Esta
fase é considerada o ponto central do pla-
nejamento.

d) Retomada da reflexão: Dar-se-á através da


avaliação crítica das decisões adotadas,
do processo de implantação e dos resultados
alcançados na execução.

Ao realizar a análise desse processo cíclico


do planejamento percebemos a existência de quatro
dimensões que permeiam o processo do planejar: a
dimensão da racionalidade, ético-política, valorativa
e a dimensão técnico-administrativa.
Essas dimensões referem-se ao processo de
planejar primeiro como algo racional, metódico e
decorrente do uso da inteligência. Segundo, é um
processo de tomada de decisões devendo levar em
consideração as relações de poder e os interesses
políticos dos diferentes grupos.
86 Administração e Planejamento em Serviço Social

Em terceiro lugar, o processo de planejamento


é norteado por valores desenhados através da for-
matação das decisões. Por último, o planejamento
como uma função da administração é uma ativida-
de inerente à organização que exprime na sua ação
os objetivos organizacionais.
O serviço social é uma profissão com carac-
terísticas de intervenção da realidade social. Para
isso, há necessidade de uma habilitação crítico
analítica, que proporcione a estruturação de seus
objetivos de ação. Deve-se considerar as compe-
tências teórico-metodológicas, técnico-administrati-
vas e ético-políticas as quais possibilitam ao assis-
tente social formas de pensar e agir suas funções
profissionais.
O planejamento, portanto, deve ser considerado
como uma ferramenta fundamental à prática do as-
sistente social, por possibilitar a identificação, ao
longo do tempo, das ações necessárias para o en-
frentamento de desafios das problemáticas sociais.
Assim, o planejamento é uma ferramenta de
investigação no serviço social com a finalidade de
promover mudanças concretas da realidade.
Para o assistente social, o processo de pla-
nejamento passa a ser um procedimento essencial
para a compreensão das diversas realidades e ex-
pressões da questão social, pois este deverá impri-
mir em sua intervenção profissional um caminho,
uma direção. Para isso, é imprescindível conhecer e
problematizar o objeto de sua atuação.
A ação planejada define um caminho, horizonte
direcionado pelo desbravamento de ações permeadas
de intenções, porém, plenas de sentido. (FRAGA, 2010).
Como ainda bem define Fraga (2010), en-
quanto a atitude investigativa é um movimento
constante de busca, questionamentos, debruça-
mentos, planejamento para atuar na profissão, a
ação profissional é consequência e, ao mesmo
tempo, subsídio para essa investigação.
Tema 2 | Administração de serviços 87

LEITURA COMPLEMENTAR

FRAGA, Cristina Kologeski. A atitude investigativa


no trabalho do assistente social. In. Revista Serviço
Social e Sociedade, São Paulo, n. 101, pp. 40 – 64,
janeiro/março, 2010

Nesta obra o aluno vai encontrar os componentes de


trabalho do assistente social, dentre eles o processo
investigativo, fundamental para elaboração da pro-
posta de intervenção/planejamento do profissional.

OLIVEIRA, Djalma de P. Rebouças. Planejamento


estratégico – conceitos, metodologia, prática. São
Paulo: Atlas, 2010.

Nesta obra o aluno vai encontrar, na primeira parte,


os conceitos, princípios e tipos de planejamento.

PARA REFLETIR

Vimos que o processo de planejamento é algo


fundamental na atuação do assistente social.

Entreviste um profissional de serviço social, de


qualquer área de atuação, sobre as influências do
planejamento no seu cotidiano.
88 Administração e Planejamento em Serviço Social

3.2 Pilares do planejamento

No item anterior, estudamos que uma das


principais características do planejamento está em
delinear o futuro que deseja ser alcançado, ou seja,
consiste em observar as oportunidades e os pro-
blemas futuros para explorá-los e combatê-los.
Estudamos também que o planejamento é a
primeira função administrativa que compõe o pro-
cesso administrativo, define os objetivos, tarefas e
recursos que serão utilizados.
Assim, o processo de planejamento inicia
com a definição dos objetivos, estratégias, políti-
cas, bem como o detalhamento dos planos para
alcançá-los.
Estudamos também que o processo de plane-
jamento é iniciado após a reflexão e tomada de um
conjunto de decisões definidas mediante a realida-
de ou situação em que se pretende intervir. A partir
deste, elabora-se o processo de sistematização das
ações e procedimentos que conduzirão ao alcance
dos objetivos previstos.
Desta forma, o planejamento pode ser enten-
dido como processo de previsão das necessidades
que se precise para utilizar os recursos materiais e
humanos disponíveis para o alcance dos objetivos
estabelecidos.
Através do planejamento a empresa pode an-
tecipar ações futuras através da definição de uma
linha de ação e elaboração de um plano que conduza
à realização dos objetivos estabelecidos.
Para isso é necessário que haja uma situação
concreta na qual se pretende atuar, possuir conhe-
cimento claro da situação e dos objetivos que se
almeja alcançar e que os prazos e etapas estejam
bem definidos.
Tema 2 | Administração de serviços 89

Essas decisões e objetivos são organizados,


explicados e detalhados em documentos que
representam grau decrescente de níveis de decisão:
planos, programas e projetos. (BAPTISTA, 2007)
Baptista (2007) ainda sugere que quando o
documento faz referência à proposta relacionada
à estrutura organizacional de uma forma geral,
caracteriza-se em um plano. Quando se refere a
um setor, uma área ou região caracteriza-se programa.
Porém, quando se detém no detalhamento das
alternativas e ações de intervenção é considerado
projeto.
Assim, podemos perceber que quanto maior
abrangência e menor detalhamento o documento
caracteriza-se como plano. E quanto menor o âmbito
e maior o detalhamento considera-se um projeto.
Desta forma, o processo de planejamento é
composto por plano, programa e projeto, sendo
estes os meios de expressão do planejamento.
A diferença entre estas subdivisões do plane-
jamento está caracterizada pelo nível de decisões,
bem como no delineamento do processo de execução,
vejamos:

• Plano:
Segundo Baptista (2007), o plano descreve
as decisões de caráter geral do sistema. Deve ser
elaborado em um formato claro e simples, e sua
finalidade é nortear os demais níveis da proposta.
É um produto do planejamento que se carac-
teriza como o elo entre o processo de planejamento
e o processo de implementação do planejamento.
É o documento mais geral e abrangente e
nele deve conter estudos, diagnósticos que identi-
fiquem a situação a qual se direciona a execução,
os programas e projetos, os objetivos, estratégias
e metas. (TEIXEIRA, 2009).
90 Administração e Planejamento em Serviço Social

O plano, portanto, apresenta as decisões


gerais, as diretrizes políticas e a implementação de
estratégias. Este deverá responder as questões do
tipo: o quê, quando, como, onde, pra quem e por
quem.

Um plano pode ser caracterizado em quatro tipos:

a) Procedimentos: Quando um plano é rela-


cionado com o método ou execução de
trabalho. Este tipo de plano é considerado
plano operacional e comumente é repre-
sentado por fluxogramas.

b) Orçamentos: Quando um plano está rela-


cionado com dinheiro, envolvendo receita
e despesa, por um período de tempo. Este
tipo de plano pode ser estratégico, tático
ou operacional, como, por exemplo, um
plano orçamentário.

c) Programa ou programações: São planos


que possuem uma correlação entre tempo
e atividade. Pode ser representado por
cronograma ou agenda que detalha as ati-
vidades que serão executadas.

d) Regras ou regulamentos: Quando um


plano apresenta normas ou procedimen-
tos de comportamento das pessoas em
determinadas situações. Como exemplo,
encontramos o plano de regulamento de
pessoal ou plano de cargos e salários de
uma empresa.
Tema 2 | Administração de serviços 91

• Programa:
É considerado o aprofundamento do plano. É
o documento que indica um conjunto de projetos e
detalha por setor a política, as diretrizes, metas e
estratégias em que os resultados permitirão alcan-
çar o objetivo maior.
Os objetivos setoriais do plano comporão os
objetivos gerais do programa. E o programa, por-
tanto, configura o quadro de referência do projeto.

As características básicas que compõem e estabelecem


o programa são:

a) A formulação clara das funções efetiva-


mente direcionadas aos setores ligados
ao programa, deliberando as devidas res-
ponsabilidades em sua execução;

b) A formulação de objetivos gerais e especí-


ficos e a explicitação de sua coesão com
as políticas, diretrizes e objetivos do
plano e de sua relação com os demais
programas do mesmo nível;

c) A definição da estratégia e a dinâmica de


trabalho que serão adotados para a reali-
zação do programa;

d) As atividades e os projetos que comporão


o programa, incluindo a apresentação
sumária de objetivos e de ações;

e) Definição dos recursos humanos, físicos e


materiais a serem mobilizados para sua
realização;
92 Administração e Planejamento em Serviço Social

f ) A apresentação das ferramentas adminis-


trativas necessárias para sua implantação
e manutenção do programa.

São considerados elementos básicos do programa:

a) Síntese das informações sobre a situação


a ser modificada com a programação;

b) Formulação das funções destinadas aos


setores;

c) Formulação dos objetivos gerais e específicos;

d) Estratégia e dinâmica de trabalho;

e) Recursos humanos envolvidos, físicos e


materias;

f ) Medidas administrativas para a implantação;

• Projeto:
É considerada a menor unidade do processo
de planejamento, na qual existe o detalhamento
das estratégias a serem executadas. É conside-
rada também como principal e importante etapa
do processo de planejamento, pois sistematiza de
forma racionalizada as decisões.
O projeto é o documento que organiza o
desenho prévio da operacionalização de uma uni-
dade de ação. É o instrumental mais próximo da
execução, em que se deve conter o detalhamento
das atividades a serem desenvolvidas, o estabele-
cimento de prazos, a definição dos recursos mate-
riais, financeiros e humanos.
Para elaboração de um projeto, inicialmente
é necessário realizar um diagnóstico da realidade
Tema 2 | Administração de serviços 93

social, no qual se identifique o contexto sócio-histórico,


as relações sociais e organizacionais, e em seguida
planejar uma intervenção.
Os projetos podem variar de acordo com
seus objetivos, como, por exemplo: projeto cultural,
projeto social, projeto de pesquisa, projeto de
trabalho ou intervenção.
Segundo Baptista (2007), para a elaboração
de projeto é necessário elaborar um roteiro préde-
terminado, onde constem as exigências próprias do
órgão de execução ou de financiamento do projeto.

Desta forma, ao pensar em um projeto, deve-se


atentar às qualidades essenciais em sua elaboração:

a) O projeto deverá ser simples e possuir uma


redação clara, para que a compreensão da
proposta seja perceptível para todos.

b) Deverá possuir objetividade e precisão


nas informações. A metodologia deverá
descrever o caminho escolhido, a forma
que o projeto vai desenvolver.

c) Deverá detalhar toda a ação prevista para


o alcance dos objetivos, ou seja, deverá
apresentar as atividades que serão rea-
lizadas e servir de guia para a execução,
detalhando assim cada etapa da operação.

d) Deverá ser coerente e compatível com as


partes do projeto, bem como, com os
outros níveis do programa.

e) O cronograma deverá ter exatidão e apre-


sentar o início e o fim de cada atividade.
94 Administração e Planejamento em Serviço Social

f ) Como etapa fundamental, o projeto deverá


ser mensurado, isto é, deverá estabelecer
indicadores de avaliação que constatarão
a eficácia e eficiência da proposta.

Desta forma, no campo do serviço social, o


planejamento é ferramenta essencial para estru-
turação de trabalho ou de intervenção junto a
usuários.
É considerado como uma das atribuições do
assistente social elaborar planos, programas e pro-
jetos mediante as demandas que surjam durante o
exercício profissional.
Assim, o assistente social, no momento de
elaborar, executar e avaliar qualquer plano, programa
e projeto, deverá estruturar sua ação a partir de
um processo contínuo de relação dialética e de
realimentação teórico-prática.
Sobre esse assunto estudaremos mais adiante.

LEITURA COMPLEMENTAR

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento social:


Intencionalidade e instrumentação. São Paulo:
Veras, 2007.

Nesta obra o aluno vai encontrar o referencial teóri-


co que norteia a abordagem do planejamento, bem
como a descrição e análise dos procedimentos do
planejamento.
Tema 2 | Administração de serviços 95

TEIXEIRA, Joaquina B. Formulação, administração e


execução de políticas públicas. In: Serviço Social:
Direitos sociais e competências profissionais. Brasília:
CFESS/ABEPSS, 2009.

Nesta obra o estudante vai encontrar uma


rica análise sobre o planejamento no processo de
elaboração, execução e avaliação das políticas
públicas no Brasil

PARA REFLETIR

Estudamos que o processo de planejamento é


constituído por pilares hierárquicos. Pesquise na
internet modelos de plano, programa e projeto e
observe a diferença de cada um.

Não se esqueça de compartilhar com seus colegas


suas percepções, colocando seus comentários no
fórum do AVA.
96 Administração e Planejamento em Serviço Social

3.3 Planejamento estratégico

Como estudamos no item anterior, o planeja-


mento estratégico é um dos tipos de planejamentos,
e que planejamento é a arte de planejar, de progra-
mar as ações futuras.
Planejamento: planejar, programar, projetar,
esboçar de forma intencional as ações que deseja-
mos concretizar no futuro.
É a capacidade que só o ser humano tem de
projetar e planejar as atividades que vai realizar.
Já aprendemos o que é o planejamento, agora
precisamos entender o que é planejamento estra-
tégico, portanto, é necessário compreendermos o
que significa Estratégia.
Segundo Teixeira (2009), a palavra Estraté-
gia pode ser definida: origem grega que significa
strategia, o define como a arte militar de planejar
e executar movimentos e operações de tropas, na-
vios e/ou aviões, visando alcançar ou manter po-
sições relativas e potenciais bélicos favoráveis a
futuras ações táticas sobre determinados objetivos,
ou seja, está vinculada à arte da guerra.
Podemos acrescentar a essa definição que
Estratégia é a arte de aplicar os meios disponíveis
com vista à consecução de objetivos específicos.
A palavra estratégica significa dar sentido, valor a
uma ação, ao que se planeja.
Neste sentido, rompe com a visão de que
o planejamento é apenas um instrumento técnico
neutro utilizado pelos órgãos públicos e pelas em-
presas apenas para alcançar um determinado obje-
tivo, mas que a elaboração e execução de um plane-
jamento envolvem e refletem diversos interesses dos
sujeitos envolvidos.
Tema 2 | Administração de serviços 97

O planejamento Estratégico é síntese de um


processo que reflete não somente os diferentes inte-
resses dos participantes, que muitas vezes são diver-
gentes, mas o processo de disputa na condução do
direcionamento, dos princípios que o planejamento
deve conter que se materializa em um documento
escrito que contém princípios, objetivos, metas, mas
principalmente concepção política e a finalidade des-
te planejar, ou seja, o que se pretende alcançar
Segundo Fritsch (1996), na atualidade o plane-
jamento estratégico se traduz como o conjunto de
regras de tomada de decisão para a orientação do
comportamento de uma organização, visando atingir
os objetivos com eficiência, eficácia e efetividade.
É uma técnica administrativa que por meio
da análise do ambiente da organização permite
identificar seus pontos fracos e fortes e criar uma
estratégia/direção para que a organização possa
aperfeiçoar seus recursos e potencialidades para
atingir sua missão.
Alguns autores afrimam que o planejamen-
to estratégico é um instrumento utilizado por uma
Administração Estratégica que passou a ser utili-
zado no final dos anos de 1960. A Administração
Estratégica é um tipo de gerenciamento de uma
instituição/organização que visa definir estratégicas
políticas para a operacionalização do planejamento
sendo que o objetivo deste é provocar mudanças.
Um dos componentes essenciais para ope-
21 No próximo item
racionalização do planejamento estratégico é a iremos estudar o
que é participação
participação21, já que o propósito deste é pro- e o planejamento
vocar mudança no ambiente organizacional. Por- participativo
como um tipo de
tanto, para atingir esse objetivo é necessário que planejamento que
todos que fazem parte da organização participem e está vinculado
ao planejamento
sintam-se sujeitos do processo de mudança. estratégico.
98 Administração e Planejamento em Serviço Social

O planejamento é formalizado num documento


escrito, o plano, que apresenta os objetivos da Ad-
ministração Estratégica que é realizado por técnicos
com a participação e comprometimento daqueles
que compõem o ambiente organizacional.
Portanto, o plano significa um documento
que reflete um processo, expressa um objetivo, o
desejo de mudança, mas este não é suficiente para
garanti-lo, só se torna possível com a participação
e o envolvimento de todos que compõem o am-
biente em que o plano será operacionalizado, seja
uma empresa, um órgão público, Organização não
governamental, um movimento social, um partido
político, etc.
Segundo Fritsch (1996), podemos apontar al-
gumas características do planejamento estratégico
que são assinaladas como as principais:

a) É um método que orienta e preside as


principais decisões de uma organização;

b) É um meio de estabelecer o propósito da


organização em termos de missão, objeti-
vos, programas de ação e prioridades de
alocação de recursos;

c) É um instrumento para definição dos domí-


nios de atuação da organização;

d) É uma resposta para otimização de opor-


tunidades e forças; minimizar e eliminar
ameaças e fraquezas, com a finalidade de
alcançar um desempenho competitivo;

e) É um critério para diferenciar as tarefas


gerenciais dos vários níveis hierárquicos
da organização. (FRITSCH, 1996, p. 134).
Tema 2 | Administração de serviços 99

Podemos afirmar, portanto, que o planejamen-


to estratégico introduz um novo tipo de pensar e
conceber o planejamento por trazer transformações
significativas na arte de planejar, a exemplo da des-
burocratização, desconcentração, e a descentraliza-
ção de poder. Essa partilha de poder na elaboração
do planejamento só é possível porque o planeja-
mento estratégico visa à participação de todos os
sujeitos envolvidos na tomada de decisão.
O planejamento estratégico constitui-se como
uma ferramenta importantíssima utilizada na con-
temporaneidade pelas empresas capitalistas, visto
que estas se orientam por um modelo de produção e 22 Estudamos
tipos de modelo
gerenciamento flexível22, significa a adoção de uma de produção e
gestão gerencial horizontal, ou seja, as decisões gerenciamento nos
itens anteriores
são construídas com a participação dos trabalha- .2.3 e 2.4
dores, consumidores, parceiros, enfim, todos que
estão relacionados com a empresa, outra caracte-
rística deste tipo de gestão é a utilização do traba-
lhador polivalente, sendo que este deve entender e
desenvolver várias funções.
A introdução do planejamento estratégico na
gestão pública significa um avanço no sentido da
desburocratização dos serviços, rompimento da vi-
são de que as ações/serviços ofertados pelo Estado
são neutras, além de contar com a participação dos
usuários na tomada de decisão.
O planejamento estratégico só é possível
numa gestão pública que se orienta pelo princípio
democrático, no nosso país isso é possível porque
a Constituição Federal institui as diretrizes da cons-
trução de um Estado democrático e de direito.
O Estado, portanto, caracteriza-se como uma
arena de conflito de interesses das classes sociais,
e a elaboração e operacionalização do planejamento
estratégico vai refletir essa disputa de interesses. As
classes sociais vão disputar qual tipo de estratégia
100 Administração e Planejamento em Serviço Social

o Estado deve adotar a defesa da democratização


e da universalização dos direitos sociais, como de-
fende a classe trabalhadora, ou a minimização dos
direitos sociais como defende a classe burguesa.
O planejamento estratégico é materializado
no Estado Brasileiro a partir da institucionalização
da participação e controle social da população so-
bre o Estado, criando mecanismos de participação
que busca ultrapassar a mera democracia represen-
tativa, combinando mecanismos da democracia re-
presentativa com a democracia participativa direta,
a exemplo dos Fóruns (Criança/adolescente, da As-
sistência social), conferências, dos diversos conse-
lhos gestores e direitos, Grupos de trabalhos, etc.
São nestes espaços de participação direta e
indireta, espaços colegiados (participação do poder
governamental e da sociedade civil) que são cons-
truídos os objetivos, as diretrizes, metas, definidos
recursos para elaboração/execução das políticas
públicas que são materializadas na oferta dos serviços
públicos, como educação, saúde, lazer, cultura,
habitação, etc.
Como definimos anteriormente as palavras
planejamento e estratégia, podemos perceber que
a definição de estratégia é muito apropriada quando
nos referimos à utilização do planejamento estraté-
gico na gestão do Estado, visto que este mate-
rializa todo processo de mobilização, disputa, ne-
gociação entre classes sociais dos seus interesses,
muitas vezes divergentes, que são intermediados
pelo Estado.
Neste podemos identificar algumas caracte-
rísticas da operacionalização do planejamento
estratégico na gestão pública:

a) Identificação do terreno ou cenário em que


se desenvolverá a ação e tendências;
Tema 2 | Administração de serviços 101

b) Identificação de aliados, oponentes, inte-


ressados, neutros e, em alguns casos, até
inimigos, mapeando a natureza e consistências
de seus vínculos;

c) Identificação do perfil das forças em con-


fronto, seus recursos, suas técnicas, suas
alianças (em magnitude e qualidade), sua
capacidade operacional;

d) Identificação do tempo disponível (luta).


(TEIXEIRA, 2009, p. 560).

O Serviço Social é uma das profissões que


utiliza a técnica de planejar, pois está previsto no
Código de Ética de 1993 e na Lei que regulamenta a
profissão do Serviço Social o manuseio desta técnica
nas realizações das suas atividades profissionais.
O planejamento estratégico pode ser um ins-
trumento utilizado pelo Serviço Social para imple-
mentar o seu projeto ético – político, ou seja, o
planejamento é uma técnica e sua utilização depen-
de do referencial teórico da finalidade/direção que
se pretende dar a esse instrumento, ou seja, qual
objetivo pretende-se atingir com sua utilização.
Neste sentido, o Serviço Social utiliza o plane-
jamento estratégico embasado nas três dimensões
que o fundamentam: dimensão teórico-metodoló-
gica, ético-política e técnico-operativa em qualquer
espaço sócio-ocupacional que o profissional atua
visando promover na sua ação profissional a defe-
sa da democracia, da participação popular, do con-
trole social das classes trabalhadoras na tomada de
decisão do Estado.
O Serviço Social busca, também, auxiliar as
organizações da classe trabalhadora na luta pela
universalização dos direitos sociais, no combate ao
preconceito, a opressão, exploração, a desigualda-
de social, visando à promoção da cidadania.
102 Administração e Planejamento em Serviço Social

LEITURA COMPLEMENTAR

FRITSCH, Rosangela. Planejamento estratégico:


Instrumental para a intervenção do serviço Social.
In: Revista serviço social e sociedade. São Paulo, n.
52, pp. 127-145, dezembro, 1996.

Nesta obra o estudante vai encontrar a definição de


planejamento estratégico e uma análise da utilização
deste instrumental pelo o Serviço Social.

TEIXEIRA. Joaquina Barata. Formulação, Administração


e execução de políticas públicas. In: Serviço social:
direitos sociais e competências profissionais. Brasília:
CFESS/ABEPSS, 2009.

Nesta obra o estudante vai encontrar uma rica análise


sobre o planejamento no processo de elaboração,
execução e avaliação das políticas públicas no Brasil

PARA REFLETIR

Faça uma análise sobre algum plano de uma política


pública, a exemplo do Plano Nacional de Políticas
Públicas para as Mulheres, o Plano Nacional de
Juventude, identifique qual estratégia/direção
presente no plano, se defende os direitos sociais
dos sujeitos, quais os objetivos, as diretrizes,
metas, se prevê o controle social dos sujeitos
interessados. Não se esqueça de colocar suas
análises no fórum do AVA
Tema 2 | Administração de serviços 103

3.4 Planejamento participativo

O planejamento participativo é um dos tipos


de planejamento e está diretamente ligado ao pla-
nejamento estratégico.
Este tipo de planejamento é o mais recomen-
dado ao Assistente Social, já que o Serviço Social
defende a descentralização e desconcentração de
poder e a participação e o controle social das clas-
ses trabalhadoras na elaboração, execução e ava-
liação das políticas sociais.
É necessário para compreendermos o que é
o planejamento participativo definir o que é parti-
cipação e os tipos de participação utilizados pelo
Estado Brasileiro 23 Para aprofun-
damento da leitura
Bordenave (1994)23 compreende participação ler BORDENAVE,
como uma necessidade humana básica, assim como Juan Diaz. O que é
participação Social.
os homens necessitam comer, dormir e trabalhar. São Paulo, Cortez,
Especificando a origem da palavra participação... 1994.

Participar é fazer parte de algum grupo


ou associação, ou tomar parte numa de-
terminada atividade, ou ainda, ter parte
num negócio. Mas, ressalta que há dife-
rença entre essas expressões, pois cada
uma determina uma forma diferente de
participar.

Existem duas formas de participação do


homem na sociedade, a microparticipação e a
macroparticipação
Microparticipação, quando o homem participa
de grupos primários como família, grupo de amizade
ou de vizinhança;
104 Administração e Planejamento em Serviço Social

Macroparticipação, quando o homem participa


de grupos secundários, como as associações pro-
fissionais, sindicatos, empresas e ainda de grupos
terciários, como os partidos políticos e movimentos
de classe (BORDENAVE, 1994, p. 23).
Segundo o autor, a microparticipação é uma
associação voluntária e visa benefícios pessoais e
imediatos. Já a macroparticipação consiste na inter-
venção das pessoas nos processos dinâmicos que
constituem ou modificam a sociedade.
No Brasil, a participação e o controle social
das classes trabalhadoras no processo de construção,
implantação e avaliação das políticas públicas só
foram institucionalizados no país, com a aprovação
da Constituição de 1988, e pode ser caracterizada
como uma das grandes conquistas dessas classes
no processo de intervenção e controle sobre o
Estado.
As formas de participação das classes traba-
lhadoras na esfera estatal foram estabelecidas pelo
próprio Estado, por meio do desenvolvimento de
políticas públicas de integração, como nos mostra
Ammann (2003).
A autora, ao fazer uma análise sobre a política
de desenvolvimento de comunidade, afirma que
este foi um tipo de planejamento participativo ela-
borado pelo Estado para obter adesão das classes
subalternas aos seus projetos.
O desenvolvimento de Comunidade surge no
país nos anos de 1940, sob a orientação da política
internacional do pós-guerra e sob a égide da estra-
tégia oficial de integração do local e do regional na
política nacional de desenvolvimento, modernização
e industrialização, e se afirma como instrumento
capaz de favorecer o consentimento espontâneo das
classes trabalhadoras subalternas às estratégias
definidas pelo Estado. (AMMANN, 2003, p. 193).
Tema 2 | Administração de serviços 105

A política de desenvolvimento de comunida-


de proclama a participação popular como elemento
necessário ao processo de desenvolvimento nacio-
nal. Essa forma de participação estabelecida pelo
Estado brasileiro permite-nos apreender a estratégia
utilizada pelas classes dominantes que conduziam o
Estado; estas visavam conseguir a legitimação das
classes trabalhadoras por meio do discurso e de
práticas de integração e desenvolvimento nacional,
que servia para desmobilizar e controlar as classes
subalternas.
As principais correntes de pensamentos sobre
participação que o Estado referenciava-se para esta-
belecer o processo de participação e controle social
no país foram:

a) A participação é concebida com base na mi-


crovisão social localista, desconectada dos
processos decisivos e decisórios da socie-
dade global;

b) Uma segunda postura é a de caráter refor-


mista, aloca a participação nas instâncias ma-
crossocietárias, de modo a provocar reformas
em bases nacionais – porém ainda omite e
disfarça as relações de dominação que regem
as classes, fundamenta-se numa visão unitá-
ria e harmônica do todo societário;

c) Participação como instrumento de integra-


ção; esta é outra corrente que condiciona
o desenvolvimento nacional à articulação
de todas as instâncias do planejamento e
de todas as organizações e grupos sociais
que, partilhando de valores e objetivos ge-
106 Administração e Planejamento em Serviço Social

néricos comuns, assumem funções próprias


e obrigações recíprocas dentro do seu papel
e nível. (AMMANN, 2003, pp. 194-195).

Esta última concepção de participação foi a


que fundamentou a utilização do planejamento par-
ticipativo no Brasil.
O planejamento participativo do Estado foi
executado por técnicos/funcionários do próprio
Estado que realizava reuniões nas comunidades,
estes técnicos já levavam para a comunidade o
diagnóstico e as prováveis soluções dos problemas
prontos, ou seja, a participação da comunidade era
bem limitada.
Este tipo de participação originava a impres-
são na população de que tinha o poder de parti-
cipar e interferir nos rumos da nação, no entanto
sua participação era manipulada pelo Estado para
legitimar o projeto do grupo que o dirigia.
Vale ressaltar que existiriam outras tendências
que se contrapõem ao conceito de participação es-
tabelecido pelo Estado. Estas tendências, basea-
das na visão heterodoxa, colocaram a participação
como um processo que se opera no contexto histórico
da realidade social e global. Entre os seguidores
desta corrente, destacam-se:

a) “Prática social concreta, que detecta através


dos atos cotidianos dos indivíduos e dos
grupos sociais.” (LIMA apud AMMANN,
2003, p. 195)

b) “Processo mediante o qual as diversas ca-


madas sociais tomam parte na produção,
na gestão e no usufruto dos bens e ser-
viços de uma determinada sociedade”.
(AMMANN, 2003, p. 195).
Tema 2 | Administração de serviços 107

Podemos complementar essas concepções 24 Para aprofunda-


mento ler GOHN,
com a visão de participação democrático-radical Maria da Glória.
utilizada por Gohn (2007)24, em que se constituem Conselhos Gestores:
Participação
sujeitos sociais os quais lutam por cidadania, por sociopolítica. São
Paulo, Cortez, 2007.
melhoria da sua condição de vida, para ter acesso E, CAVALCANTE,
às políticas públicas. Itanamara Guedes.
Juventude em
É este tipo de participação que as classes Pauta: o processo
trabalhadoras tentam implementar através das de construção da
política pública
instâncias de controle democrático do Estado, de juventude em
como conselhos, conferências, fóruns, etc. Sergipe. Dissertação
de mestrado .UFPE.
Podemos citar como exemplo de plane- 2010a
jamento participativo, as conferências e os
Conselhos gestores e de direitos, utilizado pelo
Estado na atualidade no processo de construção,
implementação e avaliação das políticas/programas
sociais e que o assistente social participa diretamente
tanto na condição de profissional como de cidadão.
A conferência é um espaço de participação
direta, em que todos os cidadãos podem participar.
Neste espaço são produzidos os objetivos, diretri-
zes e metas da política pública que se materializam
no plano de ação, a exemplo do Plano Nacional de
Juventude.
O Plano Nacional de Juventude é um
planejamento da Política Nacional de Juventude
que contou com a participação de várias organizações
juvenis, e diversos segmentos da população, no
qual existem metas que devem ser alcançadas no
prazo de dez anos.
As diretrizes e metas do Plano materializam-se
na elaboração de programas e projetos sociais, a
exemplo do PROJOVEM (Programa Nacional de
Inclusão de Jovens), as proposições destes, assim
como o acompanhamento e avaliação é realizada
pelo Conselho Nacional de Juventude.
108 Administração e Planejamento em Serviço Social

O Conselho é uma forma de participação re-


presentativa, o que significa dizer que são as enti-
dades que representam a classe trabalhadora que
participa do conselho, este é um órgão colegiado e
paritário, ou seja, é composto tanto por representan-
te do Governo como da sociedade civil.
A sua função é propor, deliberar, fiscalizar e
avaliar as políticas, programas e projetos sociais, a
exemplo da proposição e aprovação do plano anual
da política municipal de juventude, aprovação da im-
plantação dos coletivos do PROJOVEM.
Portanto, podemos caracterizar a conferência
e o conselho como espaço de planejamento parti-
cipativo das políticas, programas e projetos sociais.
Além, desses tipos de planejamentos da políti-
ca pública existem outros que participamos enquan-
to profissionais como o planejamento participativo
das instituições que fazem parte do chamado “Ter-
ceiro Setor” que pode propor no seu planejamento
a participação dos funcionários, colaboradores e os
usuários que são atendidos pela instituição.
Outro exemplo são as empresas (estatais e
privadas) que têm utilizado o planejamento partici-
pativo como uma ferramenta para aumentar a produ-
tividade do trabalhador, criando programa em que
o trabalhador pode participar apontando os proble-
mas e propondo sugestões de resoluções destes, o
trabalhador se sente importante ao ver suas suges-
tões incorporadas nas decisões da diretoria,
Além disso, estabelece métodos em que os
consumidores possam participar da produção dos
serviços, a exemplo do disque sugestões, pesquisa
de avaliação, etc.
A técnica do planejamento participativo está
presente no nosso cotidiano como profissional, es-
tudante, cidadão. O que precisamos é refletir sobre
a natureza desta participação, se é uma participação
orgânica e qualificada.
Tema 2 | Administração de serviços 109

Participação orgânica é quando essa participação


é assegurada pelos dispositivos legais, a exemplo da
Constituição Federal de 1988 que prevê a participa-
ção e o controle social da população sobre o Estado,
e a elaboração de leis complementares como a Lei
Orgânica da Assistência Social que prevê a institui-
ção do conselho e da conferência como mecanismos
disponíveis ao usuário para intervir nos rumos da
Política Nacional de Assistência Social.
Participação qualificada é quando o cidadão
tiver acesso às informações, códigos, legislações
para que possa de fato ter uma intervenção qualifi-
cada propositiva que proporcione mudanças.
Outra questão que devemos discutir é a qua-
lidade da participação representativa, a exemplo
dos conselhos e dos representantes políticos (pre-
feitos, vereadores, deputados, senadores, Governa-
dor Estadual e Federal) se nestes espaços os inte-
resses do conjunto da classe trabalhadora estão
representados.
Para garantir uma relação direta entre re-
presentantes e representados nestes espaços é ne-
cessária a construção de canais de participação direta
com a base, a exemplo da criação de fóruns, plenárias,
seminários e reuniões, etc.
O Serviço Social enquanto profissão partici-
pa diretamente destes instrumentos de participa-
ção estabelecidos pelo Estado, que caracterizamos
como momentos do planejamento participativo, a
exemplo dos conselhos, das conferências, fóruns,
etc. assessorando os órgãos públicos no processo
de construção/organização destes espaços contri-
buindo parac democratização da relação Estado e
sociedade civil visando contribuir para o fortaleci-
mento do controle das classes trabalhadoras sobre
o Estado.
110 Administração e Planejamento em Serviço Social

LEITURA COMPLEMENTAR

AMMANN, Safira Bezerra. Ideologia do desenvolvi-


mento de comunidade no Brasil. 6. ed. São Paulo:
Cortez, 2003

Nesta obra o estudante vai encontrar uma análise


sobre a política pública, desenvolvimento de comu-
nidade elaborada e executada pelo Estado como
um instrumento de participação das classes traba-
lhadoras no desenvolvimento econômico nacional.

BORDENAVE, Juan Diaz. O que é participação social.


São Paulo: Cortez, 1994.

Nesta obra o estudante vai encontrar a definição


do que é participação, os tipos e formas de participação.

PARA REFLETIR

Realize uma pesquisa sobre as principais estraté-


gias utilizadas pelo Estado, as organizações do ter-
ceiro setor e as empresas para introduzir o planeja-
mento participativo.
Tema 2 | Administração de serviços 111

RESUMO

Estudamos neste item que o planejamento é algo


intrínseco na vida do homem. Esse tipo de planeja-
mento é considerado como planejamento ocasional,
na qual não se estabelecem técnicas e métodos.
O profissional de serviço social utiliza-se do plane-
jamento para o desenvolvimento de seu trabalho.
Sendo assim, o assistente social possui a necessi-
dade de conhecer e entender a realidade na qual se
pretende intervir, para isso ele apropria-se do pro-
cesso investigativo para estruturar sua intervenção.
Assim, o planejamento é uma ferramenta de
investigação e intervenção do serviço social com
a finalidade de promover mudanças concretas da
realidade.
4 Gestão de Serviços Sociais em
Órgãos Públicos e Privados

4.1 A gestão dos serviços sociais na contemporaneidade

Para compreender o significado de gestão dos serviços sociais


é necessário entendermos o significado de política social; Qual o seu
objetivo/finalidade e; Quais os tipos de políticas sociais.
As políticas sociais são instrumentos que possibilitam a
população ter acesso a bens e serviços produzidos pela sociedade
capitalista.
Na literatura existem várias definições sobre política social25,
estas definições são fundamentadas nas teorias sociais, como posi-
tivismo/funcionalismo, fenomenologia, marxismo, cada uma tem um
método de investigação e compreensão sobre a sociedade capitalista.
Adotaremos neste trabalho a definição de Demo (1994), sobre Política
Social que se fundamenta na teoria marxista.
Segundo o autor, a sociedade capitalista, que tem como pano
de fundo a desigualdade social, o desenvolvimento da política social
precisa atingir esta desigualdade, buscando reduzi-la ao mínimo.

25 Ver os textos da disciplina Política Social. BEHRING, E. R.; BOSCHETTI, I. Política social:
fundamentos e história. São Paulo: Cortez, 2006.
114 Administração e Planejamento em Serviço Social

Nesse sentido, este defende que a política


social seja:

• Preventiva e alcance as raízes dos


problemas;

• Deve ser redistributiva de renda e poder;

• Ser equalizadora de oportunidades e;

• Sempre que possível, emancipatória,


unindo, assim, autonomia econômica
com a autonomia política.

As políticas sociais resultam do processo da


luta de classes, que visam dar resposta a uma de-
terminada situação e pode ser caracterizada, como:

• Filantrópica, são os serviços sociais oferta-


dos pelas organizações não governamentais;

• Empresarial, são os serviços sociais


ofertados pelo mercado;

• Pública, no sentido de ser executada pelo


Estado, são os serviços ofertados por ele.

Podemos considerar as políticas sociais como


instrumentos construídos a partir das necessidades
e pelo embate das classes sociais que é interme-
diado pelo Estado, instrumentos que visam permitir
à população o acesso a serviços e bens produzidos
pela sociedade com o objetivo de garantir a manu-
tenção e reprodução da força de trabalho.
Tema 2 | Administração de serviços 115

Neste sentido, é importante compreendermos


os tipos de políticas sociais que existem na nossa
sociedade, pois cada tipo reflete uma forma
de gestão social das políticas, ou seja, a forma de
gerenciamento dos serviços sociais básicos, como
educação, saúde, habitação, etc. que são ofertados
à população.
Gestão social 26 significa um conjunto de
estratégias voltadas à reprodução da vida social
no âmbito privilegiado dos serviços - embora não
se limite a eles - na esfera do consumo social, não
se submetendo à lógica mercantil. A gestão social
ocupa-se, portanto, da ampliação do acesso à
riqueza social – material e imaterial – na forma 26 Essa discussão
de fruição de bens, recursos e serviços, entendida será aprofundada
como direito social, sob valores democráticos na disciplina Gestão
Social
como equidade, universalidade e justiça social.
(SILVA, 2004, p. 32)
27 Retorno à prática
No Brasil, atualmente, existem dois modelos da filantropia, da
de Gestão Social para gerenciar a oferta de serviços caridade social.
sociais: o primeiro, de universalização dos direitos
sociais, baseado nos princípios constitucionais,
referendado no Estado Democrático de Direito e; o
segundo, privatização e filantropização27 dos serviços,
baseado na Gestão Neoliberal referendado no Estado
Gerencial ou no Estado Mínimo.
O primeiro modelo entrou em vigor no país
em 1988 com aprovação da Constituição Federal,
que traz consigo a afirmação da construção de um
Estado Democrático e de Direito, partir dos princí-
pios de universalização dos direitos sociais, civis e
políticos e da garantia da participação da comuni-
dade no controle das políticas públicas.
Consolidando a formulação de Política Pública
como a principal forma de Gestão das Políticas
Sociais, o que significa dizer que é o Estado o prin-
cipal financiador e executor dos serviços sociais
ofertados à população tais como educação, saúde,
habitação, lazer, assistência social, cultura, etc.
116 Administração e Planejamento em Serviço Social

A organização das políticas públicas no Brasil é


estruturada no modelo de Seguridade Social basea-
do no tripé saúde, previdência e assistência social.
Um sistema que conjuga políticas de caráter
universais, redistributivas, contributivas e não
contributivas.
Os princípios norteadores de gestão das
políticas públicas são: a democratização e a des-
centralização política - administrativa – financeiro;
ou seja, a construção de uma gestão compartilhada
entre trabalhadores, governo e prestadores de
serviços, além da municipalização das políticas
públicas.
A municipalização das políticas públicas vi-
sam uma relação direta e horizontal do global (Es-
fera Federal/Estadual) com o local (Esfera Munici-
pal), dando ênfase ao poder local.
Esse modelo de gerenciamento das políti-
cas públicas atribui importância ao poder local por
entender que é nesta esfera que existe o contato
direto com as necessidades da comunidade, assim
como a comunidade tem mais condições de intervir
diretamente no processo de elaboração, execução e
avaliação da política pública, através das; instâncias
28 Consenso de de controle democrático: conselhos gestores; conse-
Washington foi o
termo utilizado lhos de direitos; conferências; orçamento participa-
para designar os tivo, plano diretor, fóruns, etc.
pacotes de medidas
econômicas e so- A ideologia Neoliberal vai se contrapor à
ciais que os países, concepção de gestão social como espaço de con-
especialmente os
países Latino Ameri-
solidação das políticas públicas, que visam garantir
cano sob a direção os direitos sociais assegurados na Constituição.
dos Estados Unidos,
deveriam adotar
O sistema Neoliberal Gestão social e enten-
para combater a dida como sinônimo de boa governança, o que
crise econômica do
capital, tem como
significa a capacidade dos governos de realizar as
principal medida o reformas administrativas de ajustes econômicos e
corte drástico nos sociais, de acordo com o receituário do Consenso
investimentos na
área social Washington28, que se fundamenta na necessidade
Tema 2 | Administração de serviços 117

de implantação do projeto neoliberal que visa à


consolidação do Estado mínimo, ou seja, um Estado
amplo para defesa dos interesses do Capital e
mínimo para os investimentos na área social.
As medidas econômicas e sociais do Consenso
de Washington foram introduzidas no país partir
dos Governos de Collor (1990) e Fernando Henrique
Cardoso – FHC (1994-2003) por meio da Reforma
Gerencial do Estado.
O Estado já não tem por missão servir toda
a sociedade, mas fornecer bens e serviços a inte-
resses setoriais e a clientes ou consumidores, pro-
vocando o agravamento das desigualdades sociais
entre os cidadãos e entre as regiões do país.
A sociedade civil e as ONG´s são chamadas
a legitimar esse projeto pela suposta participação
nas decisões. Daí a busca de intensificação do diá-
logo com a sociedade civil.
A sociedade civil no discurso Neoliberal é 29 Para apro-
identificada como Terceiro Setor. O Terceiro Setor29 fundamento ler
MONTAÑO, Carlos.
significa um novo personagem para atuar nas se- Das Lógicas do
quelas das expressões da Questão Social. É Cons- Estado às Lógicas
da sociedade Civil:
tituído por ONG´s, Fundações e Institutos empresa- Estado e Terceiro
Setor em Questão.
riais, associações sem fins lucrativos que prestam
Revista Serviço
serviços na área social. Social. São Paulo:
Cortez, 1999, vol.59.
Nesse modelo de gerenciar as políticas so-
ciais o Estado transfere para a sociedade civil
(Terceiro Setor) a responsabilidade de financiar e
executar os serviços assistenciais, que tem como
público alvo os grupos vulneráveis, como criança e
adolescente, idoso, mulher, comunidades carentes,
como também, desenvolver atividades em defesa
do meio ambiente, promover o desenvolvimento
de ações filantrópicas, focalizadas, imediatistas e
descontínuas.
118 Administração e Planejamento em Serviço Social

O Terceiro Setor fundamenta sua ação no


discurso da solidariedade, da participação, do
voluntariado, responsabilidade social, todos têm
que fazer sua parte, o que significa o retorno à
prática da filantropia para enfrentar as expressões
da Questão Social.
Além dessa ação o Estado promove a privati-
zação de políticas sociais que são lucrativas para o
mercado, a exemplo da política de educação e saúde.
Neste sentido, existem três tipos de serviço
sociais: o ofertado pelo mercado, para aqueles que
podem pagar pelo o serviço; o ofertado pelo Ter-
ceiro Setor, para os segmentos sociais excluídos da
sociedade; e o ofertado pelo Estado apenas para
os grupos mais vulneráveis da sociedade.
Vale ressaltar que o Neoliberalismo é uma
tendência mundial, que surgiu no mundo a partir
da década de 1970 com o processo de reestruturação
produtiva do capital que necessitava aumentar as
taxas de lucros. Neste sentido, o capital utiliza
o Estado para desenvolver seu projeto aprovando
Leis que retiram direitos (sociais, trabalhistas, previ-
denciários) dos trabalhadores, privatizando empresas
estatais e as políticas públicas, e tornando o Estado
submisso aos interesses do capital internacional.
No Brasil esse processo de introdução do Ne-
oliberalismo, através da Reforma do Estado, foi de-
nominado por Behring (2006), como Contra-Reforma
do Estado brasileiro, visto que o objetivo da reforma
não é melhorar a vida da classe trabalhadora, mas
retirar direitos e aprofundar a desigualdade social.
O projeto Neoliberal que foi conduzido por al-
guns setores das elites brasileiras, encontrou resis-
tência por parte dos movimentos sociais, populares
e sindicais que promoveram várias manifestações
para denunciar a sociedade, o que significa o projeto
neoliberal e os impactos na vida da população
mais pobre.
Tema 2 | Administração de serviços 119

O coroamento desta luta deu-se com a vitória


do presidente, Luis Inácio Lula da Silva, em 2002,
que representava, naquele momento, o projeto de
oposição ao Neoliberalismo.
Na atualidade observamos que há uma ten-
dência de resistência à continuidade do projeto Ne-
oliberal na condução do Governo Federal. Há uma
recuperação do papel do Estado como interventor
nas questões relacionadas à economia e, especial-
mente ao social.
Nos últimos anos os movimentos sociais en-
contraram uma conjuntura favorável para incluir
suas demandas na agenda pública, a exemplo das
mulheres, dos negros, jovens, LGBTT, etc.
Podemos citar como exemplo a construção de
alguns dispositivos legais que efetivam os direitos
destes segmentos através do desenvolvimento das
políticas públicas, como a criação da Secretaria Na-
cional de Políticas Públicas para Mulheres, da apro-
vação do Plano Nacional de Políticas para Mulhe-
res, a Lei Maria da Penha; dos negros, a Secretaria
Nacional promoção da Igualdade Racial: aprovação
do Estatuto da Promoção de Igualdade Racial, os
jovens, a criação da Secretaria Nacional de Juven-
tude, o Plano Nacional de Juventude, o PROJOVEM,
os LGBTT, o programa Brasil sem Homofobia, plano
Nacional de cidadania LGBTT.
Além da construção de instrumentos que
possibilitam efetivar o que alguns autores deno-
minam de novos direitos sociais, jovens, mulher,
negro, LGBTT, quilombola, existiu o aumento dos
investimentos nas demais políticas públicas, como
saúde, educação, habitação, cultura, lazer, etc.
Vale ressaltar que o Estado é uma arena de
conflitos de interesses das classes sociais e de seus
segmentos sociais, portanto, essas conquistas são
permeadas de contradições. Não podemos afirmar
120 Administração e Planejamento em Serviço Social

que os direitos sociais foram universalizados e que


temos um Estado de Bem- estar social como prevê a
Constituição Federal, mas estamos dando passo
importante no fortalecimento no nosso país da
consolidação do Estado Democrático de Direito.

LEITURA COMPLEMENTAR

SILVA, A. A. A gestão da seguridade social no Brasil:


entre a política pública e o mercado. São Paulo:
Cortez, 2004.

Nesta obra o estudante vai encontrar uma análise


sobre a gestão da Seguridade Social no Brasil
contemporâneo,

DEMO, Pedro. Política social, educação e cidadania.


Campinas, SP: Papirus, 1994

Nesta obra o estudante vai encontrar a definição


do que é política social, sua função, natureza e os
diversos tipos de política social e a análise da po-
lítica social no Brasil.

PARA REFLETIR

As características apresentadas neste item como a de-


finição de política social, sua função e natureza, os
modelos de gestão das políticas/programas/serviços
sociais no Brasil contemporâneo, possibilitam apren-
der a forma de gerenciamento das políticas sociais.
Tema 2 | Administração de serviços 121

De posse desses novos conceitos aprendidos realize


uma pesquisa na sua cidade ou Estado sobre os
tipos de gestão das políticas/serviços sociais que
são ofertadas à população.

4.2 Elaborando planos, programas e projetos sociais

A elaboração de planos, programas e projetos


é uma das competências que o Assistente Social
está habilitado a realizar, assim como prevê a Lei
de Regulamentação da Profissão n° 8.862, de 7 de
junho de 1993. De acordo com os art. 4º e art. 5°

Art. 4° Constituem competências do Assistente


Social:

II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos,


programas e projetos que sejam do âmbito de
atuação do Serviço Social com participação da
sociedade civil;

Art. 5º Constituem atribuições privativas do


Assistente Social:

I - coordenar, elaborar, executar, supervisio-


nar e avaliar estudos, pesquisas, planos, progra-
mas e projetos na área de Serviço Social.

Portanto, a elaboração de planos, programas


e projetos são instrumentos de trabalho do Assis-
tente Social que são utilizados nos mais diversos
espaços sócio-ocupacionais, como nas várias
políticas sociais, empresas públicas e privadas,
nas Organizações não Governamentais, nos movi-
mentos sociais etc.
122 Administração e Planejamento em Serviço Social

Antes de descrever os elementos que


compõem um plano, programa e projeto, vamos
recordar brevemente alguns conceitos, já expostos
no item anterior.

a) Plano: é um documento de registro das


decisões, dos objetivos e diretrizes que
devem ser atingidos em longo, médio e
curto prazo, um documento de orientação

b) Programa: é a materialização dos objetivos


do plano, através das proposições de
ações que têm um tempo definido para
ser realizadas.

c) Projetos: Pode ser denominada como a


menor unidade do planejamento, e dentro
de um programa podem estar contidos
vários projetos, pois este deve ser execu-
tado em curto prazo e visa dar resposta a
um determinado problema

Vale ressaltar que plano, programa e projeto


são partes integrantes do planejamento realizado
por alguma instituição, órgão ou setor público e
privado.
Para facilitar a compreensão de como se rea-
liza o processo de elaboração de plano, programa e
projeto e de sua inter-relação como exposto acima,
podemos utilizar para exemplificar todo esse pro-
cesso a Política Nacional para Mulheres desenvol-
vida pelo Presidente Lula durante as suas gestões
(2003-2006 e 2007-2010).
O Plano Nacional de Políticas Públicas para
Mulheres foi elaborado e aprovado na I conferência
Nacional de Políticas Públicas para Mulheres e reva-
lidado na II Conferência, nele contém os objetivos,
diretrizes e metas da Política.
Tema 2 | Administração de serviços 123

Os objetivos do Plano foram estruturados


em quatro eixos de atuação:

1. Autonomia, igualdade no mundo do


trabalho e cidadania,

2. Educação inclusiva e não sexista,

3. Saúde das mulheres, direitos sexuais e


direitos reprodutivos,

4. Enfrentamento à violência contra as


mulheres.

Vamos utilizar o primeiro eixo dos objetivos


para exemplificar como se realiza a elaboração de
um programa. A fim de atingir tal objetivo o
Governo ampliou a atuação do PRONAF, criando
mais uma linha de crédito para as mulheres, o
Programa PRONAF-MULHER, com o intuito de pro-
mover a igualdade de gênero do mercado de tra-
balho e promove a autonomia econômica e política
das mulheres
No entanto, para as mulheres acessarem o
programa é necessário a elaboração de um projeto
por parte das mulheres. Estas mulheres podem ou
não fazerem parte de uma organização como MST, 30 MST (Movimen-
STTR30, associações e cooperativas de produtores. to dos Trabalha-
dores Sem Terra.
No projeto precisa conter a justificativa, ou STTR Sindicato dos
seja, apresentação do problema, das ações que trabalhadores e
das trabalhadoras
serão realizadas com o dinheiro do crédito. rurais.
Esse é o procedimento adotado pelo Estado
para poder efetivar um direito social, através da
realização da política pública.
Agora que já compreendemos o que é um
plano, programa e projeto e sua relação, vamos
estudar quais são os elementos que compõem um
projeto.
124 Administração e Planejamento em Serviço Social

Precisamos sempre partir do pressuposto


que na construção de um plano, programa e proje-
to é necessária a participação de todos que serão
atingidos pela execução destes.
O Primeiro passo é convocar uma reunião
com todos aqueles interessados e com os que
serão público alvo do projeto. Nesta reunião será
discutido o porquê da necessidade de elaborar o
projeto, os objetivos e as ações. O projeto tem que
representar o interesse do coletivo.

Os elementos que devem conter num projeto:

a) Identificação do projeto
Deve conter o Título do Projeto, o local e a
data (início e o término do projeto).

b) Identificação do proponente/executor
Nome, endereço completo, forma jurídica da
Instituição (no caso de uma associação o CNPJ).
Além dessas informações deve ter também os da-
dos do responsável pelo projeto, o coordenador,
nome, endereço, CPF e RG.
Se o projeto for realizado em parceria com
outros órgãos colocar também, mas especificando
quem é o responsável pelo projeto.

c) Histórico de experiência da instituição propo-


nente/executora.
Alguns órgãos solicitarão o histórico da insti-
tuição, neste caso deve-se colocar as informações
referentes a outros projetos já desenvolvidos pela
instituição, descrevendo as atividades, público
alvo, parceiros, resultados e o órgão que financiou.
Tema 2 | Administração de serviços 125

d) Caracterização do problema e justificativa


Neste Item deve conter a apresentação do
problema, ou seja, o porquê da necessidade do
projeto e sua importância para as pessoas que
serão beneficiadas, os benefícios econômicos, so-
ciais, políticos, culturais e ambientais que o projeto
proporcionará.

e) Objetivo geral
O objetivo é a apresentação da situação e o
que se deseja alcançar com o projeto.

f) Objetivos específicos
Os objetivos específicos são os resultados
esperados. Devem ser executados no desenvol-
vimento do projeto, através das metas e das
atividades.

g) Metas
As metas estão diretamente relacionadas
com os objetivos específicos, as metas pretendem
especificar como se deve fazer para atingi-los. As
metas são resultados parciais dos objetivos, por
isso cada objetivo específico deve conter mais de
uma meta.
As metas são expressões de quantidade e
qualidade e precisam estar bem definidas para
poder definir com precisão os indicadores que
serão utilizados para avaliar se os resultados
foram alcançados.

h) Atividades
As atividades estão diretamente relacionadas
com os objetivos específicos e com as metas, por
isso, as ações precisam ser bem detalhadas, enu-
meradas em ordem cronológica.
126 Administração e Planejamento em Serviço Social

i) Público alvo.
São as pessoas que serão beneficiadas com
o projeto.

j) Plano de trabalho/Metodologia
Esse item é de suma importância para
avaliação/aprovação do projeto pela agência
financiadora. Na elaboração da metodologia deve
conter de forma detalhada o objetivo (finalidade do
projeto), quem são os parceiros e de que forma o
projeto será executado.

k) Cronograma
O projeto tem início, meio e fim, tem um
período para ser executado, portanto, o cronograma
vai definir quando cada ação será desenvolvida.

l) Resultados
É um impacto que o projeto causou na vida
das pessoas e na comunidade onde foi executado.
É analisar se os objetivos específicos e gerais foram
alcançados. É importante frisar a necessidade de
publicizar os resultados nos mais diversos meios
de comunicação.

m) Monitoramento/avaliação
É de suma importância para o desenvolvi-
mento do projeto, pois a população beneficiada,
assim como os parceiros e demais agentes envolvi-
dos no projeto podem avaliar permanentemente a
execução das atividades proporcionando com isso
não apenas o controle social, mas o aperfeiçoa-
mento do projeto durante a sua execução, propondo
soluções para problemas que vão surgindo.
Tema 2 | Administração de serviços 127

n) Orçamento
É um cronograma financeiro do projeto
detalhando quando e quanto cada ação vai
gastar. É importante detalhar ao máximo a planilha
de gastos.

o) Resumo
É a apresentação sucinta do projeto, deve
conter os objetivos, a duração e o custo, e a justifi-
cativa do projeto. É a síntese do projeto.

p) Anexos
É o espaço para colocar informações que não
se enquadram nos item anteriores, assim como
anexar documentos solicitados.

LEITURA COMPLEMENTAR

TENÓRIO, Fernando Guilherme. Elaboração de


projetos comunitários: abordagem prática. São
Paulo: Loyola, 2005.

BAFFI, Maria Adélia Teixeira. O planejamento em


educação: revisando conceitos para mudar concep-
ções e práticas. In:BELLO, José Luiz de Paiva. Pe-
dagogia em Foco. Petrópolis, 2002. Disponível em:
<www.pedagogiaemfoco.pro.br>. Acessado em:
novembro de 2010.
128 Administração e Planejamento em Serviço Social

PARA REFLETIR

Neste Item podemos aprender a importância do


plano, programa e projeto como instrumento na
atuação do Serviço Social, assim como identificar
um plano, programa, projeto e como se elaborar
um projeto.

Forme um grupo de estudo e faça uma análise


de um projeto identificando quais os elementos que
o constituem e socialize no encontro presencial.

4.3 Avaliação e controle

A Constituição Federal de 1988 prevê a des-


centralização administrativa – política – financeira
das políticas sociais. Transfere para as esferas es-
taduais e municipais parte da responsabilidade de
elaborar, executar e avaliar as políticas, programas
e projetos sociais contando com a participação po-
pular, caracterizando como uma gestão comparti-
lhada entre os entes federativos.
A participação das classes subalternas
materializa-se através das instâncias de contro-
31 Além dessas les democráticos, a exemplo dos conselhos e das
instâncias existem
outras como conferências31.
Ministério Público,
orçamento participa-
tivo, Fóruns, etc.
Podemos caracterizar os conselhos:

• Conselhos gestores ou conselhos de


políticas sociais, a exemplo do conselho
de saúde e educação, etc.
Tema 2 | Administração de serviços 129

• Conselho de direito, a exemplo dos conse-


lhos criança e adolescente, da mulher, etc.

Sua composição é paritária, existem mem-


bros que representam a administração pública e
membros que representam a sociedade civil, por
meio dos movimentos sociais, entidades dos usuá-
rios, trabalhadores da política, entidades que pres-
tam serviço na área, por isso que denominam de
participação representativa, ou seja, porque são
as entidades que participam representando a
coletividade.
A função do conselho é propor e deliberar
diretrizes para formulação de políticas, programas
e projetos, fiscalizar sua execução e avaliar seus
resultados.
As conferências são espaços de participação 32 Todos podem
32
direta , acontecem geralmente a cada dois anos e participar

têm por objetivo discutir as diretrizes para construção


da política pública e de avaliar sua implementação
e seus resultados.
O controle Social efetiva-se por meio das ins-
tâncias de controle democrático que garante a par-
ticipação das classes subalternas em todos os
processos da política pública, elaboração, exe-
cução, monitoramento e avaliação. Permitindo
que nas políticas, programas e projetos, os in-
teresses e as necessidades dos usuários possam
estar representados.
A avaliação é um procedimento técnico/po-
lítico desenvolvido para avaliar a política pública
desde a sua elaboração, implementação até os
resultados alcançados.
Avaliar significa atribuir sentido, dar valor de jul-
gamento a algo.
130 Administração e Planejamento em Serviço Social

Avaliar pressupõe determinar


a valia o valor de algo; exige
apreciar e estimar o mereci-
mento, a grandeza, a intensi-
dade, a força de uma política
social diante da situação a que
se destina. (BOSCHETTI, P. 578)

Segundo a autora, avaliar estabelece uma


relação de causalidade entre um programa e seus
resultados, e isso só pode ser obtido mediante
o estabelecimento de uma relação causal entre
a modalidade da política social avaliada e o seu
sucesso e/ou fracasso tendo como parâmetro a
relação entre objetivos, intenção, desempenho e
alcance de objetivos, (BOSCHETTI, 2009. p. 577).
A partir desta compreensão sobre o que é ava-
liação vamos estudar métodos utilizados nos pro-
cessos avaliativos das políticas públicas no Brasil.
As metodologias e técnicas de avaliação das
políticas sociais surgiram primeiro nos Estados Uni-
dos na década de 1960 e só foi introduzida no
Brasil na década de 1970/80, consolidando-se no
nosso país na década de 1990 com uma lógica ge-
neralista, fragmentada, buscando avaliar a eficiên-
cia e eficácia da política social. Serviu como um
instrumento argumentativo para que os Governos
de orientação Neoliberal realizassem a Reforma do
Estado Brasileiro
Segundo Arretche (2007), podemos destacar
dois métodos utilizados para avaliar as políticas
sociais no Brasil: A avaliação da política e a análise
da política.

a) Avaliação da política - esse tipo avaliati-


vo visa analisar o processo de tomada de
decisão que resultou na implantação da
política social, saber o porquê da política
social.
Tema 2 | Administração de serviços 131

b) Análise da política - esse tipo avaliativo


visa compreender as configurações da po-
lítica, conhecer e explicar o seu significado,
suas configurações, funções, abrangência
e resultados.

Baseados nesses modelos avaliativos vão ser


desenvolvidos pesquisas de avaliação para classi-
ficar avaliação das políticas sociais de acordo com
os seus objetivos, tais como efetividade, eficácia e
eficiência. Classificando como ex-ante e ex-post, ou
seja, pesquisas de impacto ou de processo, que são
interna ou externa a depender de quem desenvolva
a pesquisa.

a) Avaliação de Efetividade: é o estudo da


relação entre a implementação de um
programa e seus resultados alcançados.
Procura verificar se tal política/programa
social proporcionou mudanças na vida da
população beneficiária.

b) Avaliação de Eficácia: é o estudo da relação


entre os objetivos e instrumentos anuncia-
dos de uma política/programa e os seus
objetivos alcançados. É a avaliação da rela-
ção entre as metas previstas e as atingidas,
e dos instrumentos previstos na implemen-
tação e aqueles realmente utilizados.

c) Avaliação de Eficiência: é o estudo da


relação entre os esforços empregados de
uma política/programa e os resultados
obtidos. É a avaliação sobre a utilização
dos recursos, se são bem ou mal utilizados.
(ARRETCHE, 2007, pp. 31-34).
132 Administração e Planejamento em Serviço Social

Estes tipos de avaliação são fundamentados


numa relação de custo-benefício, são construídos
instrumentos para avaliar a relação de quanto foi
gasto na política, quantas pessoas foram beneficia-
das, quais resultados foram alcançados. Esta forma
de avaliar é apenas quantitativa e não qualitativa,
não se preocupa com outras questões do tipo se a
política social conseguiu efetivar os direitos sociais
ou qual o papel do Estado nesse processo.
Há nessa forma de avaliação a tentativa de
transpor os métodos avaliativos que são utilizados
para o mercado, a exemplo da relação custo-bene-
fício, para avaliar as políticas sociais desconside-
rando as particularidades, o significado e o con-
texto de construção desta. As políticas sociais são
mecanismos de redução das desigualdades sociais
que visam garantir a efetivação dos direitos sociais
tendo o Estado como garantidor desse processo.
Já existe no país uma produção literária pro-
blematizando os limites desses tipos avaliativos, a
exemplo da produção científica desenvolvida pelo
Serviço Social.
A produção científica elaborada pelo Servi-
ço Social questiona o alcance dessas avaliações, já
que não discute o papel, a função e o tipo de po-
líticas sociais, assim como qual o papel do Estado
nesse processo.
Apoiada no método dialético da teoria mar-
xista, autores do Serviço Social compreendem que
a avaliação das políticas sociais tem que ser anali-
sada de forma dialética, entendendo suas particula-
ridades e o contexto social no qual estão inseridas,
a relação das políticas, programas sociais com o
Estado e as classes sociais. Portanto, o Serviço So-
cial propõe uma ruptura com a visão linear e etapista
dos modelos avaliativos que se baseiam apenas na
perspectiva de verificar a relação custo e benefício
da política social sem analisar a totalidade desta.
Tema 2 | Administração de serviços 133

Segundo Boschetti (2009) propõe, a avaliação


da política social deve buscar compreender as
seguintes questões:

1) a análise em sua totalidade;

2) a análise do caráter contraditório existente


entre as determinações legais e a operacionalização
da política social;

3) a articulação dos determinantes estrutu-


rais que conformam a política social quanto das
forças sociais e políticas que agem em sua formu-
lação e execução.

Neste sentido, a autora estabelece três ele-


mentos que devem compor o processo de avaliação
das políticas sociais que possam dar conta dessas
questões acima apontadas, são:

• Configuração e abrangência dos direitos


sociais e benefícios

Busca analisar a natureza, a função dos direitos


e benefícios que a política e o programa visa imple-
mentar. A partir dos seguintes indicadores:

a) Natureza e tipo dos direitos e benefícios


previstos ou implementados: se está pre-
visto na legislação, se é um benefício que
requer contribuição prévia ou se é um be-
neficio não contributivo, se é executado
sob a órbita do direito ou se é clientelista,
se tem caráter universal ou seletivo.

b) Abrangência: número de pessoas que são


beneficiadas. É necessário relacioná-lo
com o universo da política/programa a
que se destina para saber se é seletivo ou
universal.
134 Administração e Planejamento em Serviço Social

c) Critério de acesso e permanência: permite


analisar o grau de inclusão/exclusão da
política, quanto mais rigorosos forem os
critérios mais seletivos e focalizados serão
os o programa.

Os critérios de acesso e permanência asso-


ciados à abrangência são fatores fundamentais
para determinar a universalidade das políticas e/
ou programas sociais e a definir o tipo de direito.

d) Formas e mecanismos de articulação com


outras políticas. A relação com as demais
políticas sociais permite analisar se es-
tas são capazes de assegurar ao cidadão
suas necessidades (BOSCHETTI, 2009).

• Financiamento e gasto social

Este item permite compreender a estrutu-


ra orçamentária, suas fontes e a natureza e os
impactos dos direitos sociais, já que o modo de
financiamento é definidor da natureza e do tipo
de política. Isso ocorre a partir dos seguintes In-
dicadores:

a) Fontes de financiamento: Identificar as


fontes de financiamento, a origem dos
recursos, ou seja, de onde são prove-
nientes, principalmente dos impostos
dos trabalhadores, ou se oneram os em-
pregadores e o capital. Além disso, per-
mite saber a procedência, se são recur-
sos estaduais, municipais ou Federal e se
têm uma rubrica específica;
Tema 2 | Administração de serviços 135

b) Direção dos Gastos: correspondem à análi-


se da distribuição dos gastos, analisando
a prioridade de recursos para programas,
projetos, serviços, e a distribuição federa-
tiva, ou seja, se existem regiões que têm
prioridade no recebimento do recurso de
acordo com os índices socioeconômicos.

c) Magnitude dos gastos: permite saber se


existiu manutenção, redução ou aumento
dos investimentos (BOSCHETTI, 2009).

• Gestão e Controle democrático

Este item visa analisar qual o tipo de gestão


da Política/programa, se segue as diretrizes cons-
titucionais de descentralização da política e de
controle social. Isso ocorre a partir dos seguintes
Indicadores:

a) Relação entre as esferas governamentais:


analisar o tipo de relação entre as esferas.
Se há autonomia, se tem definições de
atribuições, de quem é a responsabilida-
de do financiamento, se há superposição
das ações, se existe estrutura institucional
adequada (recursos humanos, físicos e fi-
nanceiros) para implantação da política.

b) Relação entre o Estado e as ONG´S: sabe-


mos que na atualidade existe a parceria
do Estado com a sociedade civil na execu-
ção das políticas sociais. Permite identifi-
car se o Estado apenas repassa o recurso,
se o Estado executa os serviços conjunta-
mente, etc.
136 Administração e Planejamento em Serviço Social

c) Participação e Controle Social: permite ve-


rificar se na implantação da política/programa pre-
vê mecanismos de participação e controle social,
como conferência, conselhos, reuniões, fóruns, etc.,
e o tipo desta participação, se é apenas consultiva
ou é consultiva e deliberativa.

Portanto, é necessária na construção de meto-


dologias de avaliação da política/programa a adoção
de um referencial teórico que permita compreender
as multicausalidades que determinam a elaboração
de uma política social numa sociedade capitalista.
A teoria marxista permite analisar a política social
numa visão de totalidade numa relação dialética.

LEITURA COMPLEMENTAR

ARRETCHE. Marta. T. S. Tendências no estudo sobre


avaliação. In: Avaliação de políticas sociais: uma
questão em debate. Org. Elizabeth Melo Rico. 5. ed.
São Paulo: Cortez, Instituto de Estudos Especiais,
2007.

Nesta obra o estudante vai encontrar uma análise


das principais tendências de avaliação das políti-
cas/programas sociais, a definição e os tipos de
avaliação.

BOSCHETTI, Ivanete. Avaliação de políticas, programas


e projetos sociais. In: Serviço Social: direitos sociais
e competências profissionais. Brasília: CFESS/
ABEPSS, 2009.
Tema 2 | Administração de serviços 137

Nesta obra o aluno vai encontrar uma análise sobre


as metodologias avaliativas lineares e a proposição
de uma metodologia avaliativa baseada na teoria
marxista que permite compreender a relação da
política/programa social com o Estado e com as
classes sociais.

PARA REFLETIR

Forme um grupo de pesquisa e realize uma pesqui-


sa nos órgãos públicos de sua cidade (secretarias
educação, saúde, assistência social etc.) para saber
se existe algum tipo de avaliação da política e/ou
dos programas sociais desenvolvidos no município.
Procure e identifique qual tipo de avaliação e os
indicadores que apresentam.
138 Administração e Planejamento em Serviço Social

4.4 O planejamento nos processos de trabalho


do serviço social

As funções do trabalho do profissional de


Serviço Social são estabelecidas na Lei de Regulamen-
tação da profissão de assistente social que institui as
balizas de ação profissional estabelecendo as suas
competências.
No art.4º da Lei 8.862 de 07 de junho de
1993, no inciso II, encontramos como competência
do assistente social: “Elaborar, coordenar, executar
e avaliar planos, programas e projetos que sejam
do âmbito de atuação do Serviço Social com
participação da sociedade civil”
As legislações que dispõem sobre a formação
e a atuação do profissional do Serviço Social, como
as Diretrizes Curriculares da ABEPSS 1996, o Código
de Ética de 1993 e a Lei 8.862 1993 que regulamenta
a profissão são componentes que consolidam o
Projeto Ético Político da Profissão.
Essas legislações orientam a atuação profissio-
nal dando suporte para que possam se concretizar
as dimensões ético, político, teórico-metodológico,
e técnico operativo-possibilitando ao Assistente
Social a Capacidade investigativa e interventiva.
Na atualidade, o processo de reestruturação
produtiva do sistema capitalismo trouxe novas con-
figurações para o mundo do trabalho, assim como
para a esfera estatal.
No mundo do trabalho assistimos a introdução
de novas tecnologias que permitiu ampliar a pro-
dutividade e ao mesmo tempo reduzir a quantidade
de trabalhadores o que provocou a crise do empre-
go estrutural (pessoas que jamais serão absorvidas
no mercado de trabalho formal porque existe mais
trabalhadores do que emprego), ampliação do mer-
cado de trabalho na esfera dos serviços, flexibili-
zação da legislação trabalhista e previdenciária, a
necessidade de um trabalhador polivalente.
Tema 2 | Administração de serviços 139

As mudanças na esfera Estatal foram deno-


minadas de o Estado Neoliberal, o que significou
a redução do papel do Estado na intervenção da
vida social, ou seja, o mercado passa a ser o novo
regulador da vida social e não mais o Estado.
Além disso, existe uma grande redução dos
investimentos nas políticas públicas transferindo a
execução das políticas sociais para o mercado e o
Terceiro Setor provocando o aumento da desigual-
dade social e do agravamento das expressões da
Questão Social no Brasil
O Assistente Social sofre os rebatimentos do
processo de reestruturação produtiva do capitalis-
mo, conhecido como a fase de financerização do Ca-
pital, duplamente na condição de trabalhador e nos
novos desafios postos para atuação profissional.
Primeiro, na condição de trabalhador assa-
lariado sofre com as mudanças do mundo do tra-
balho, como desemprego, subcontratação, trabalho
temporário, prestador de serviço, etc. além de ter
que se encaixar no perfil do mercado de ser um
trabalhador polivalente.
Vale ressaltar que o Assistente Social tem
como espaço privilegiado de atuação profissional
as políticas sociais, especialmente as políticas
sociais públicas, o que torna o Estado o maior
empregador deste.
Segundo os novos desafios postos para
atuação do profissional estão diretamente ligados
as mudanças ocorridas na esfera Estatal, a partir da
redução dos investimentos do Estado nas políticas
públicas que provocaram alteração no mundo do
trabalho do Assistente Social, como redução dos
postos de trabalho e alteração no espaço sócio
ocupacional passando a atuar nas políticas sociais
de caráter empresariais e filantrópicas.
140 Administração e Planejamento em Serviço Social

Essas mudanças implicaram no surgimento


de novas demandas sociais (aumento da paupe-
rização, violência, etc.) e de novas formas de en-
frentamento destas demandas por parte do Estado,
que tem respondido com políticas sociais seletivas,
residuais e focalistas.
Tais políticas (espaço de atuação do Assis-
tente Social) impõem limites na atuação do Serviço
Social, já que o profissional tem que enfrentar no
seu cotidiano a escassez dos recursos financeiros e
a burocratização e falta de transparência na gestão
das políticas.
As mudanças ocorridas na Esfera Estatal trazem
para a atuação do serviço social o desafio de
materializar o Projeto Ético Político, da categoria,
pois este visa a defesa da universalização dos direitos
sociais, da consolidação das políticas públicas, da
participação e controle social das classes subalternas
sobre o Estado.
A dificuldade na materialização dos princípios
do Projeto Ético, Político, consiste no agravamento
das expressões da Questão Social que se encontra,
na atualidade, como forma privilegiada de enfren-
tamento da Questão Social a mercantilização e a fi-
lantropização das políticas, o que significa dizer que
a perspectiva do direito social contido nas políticas
públicas garantido pelo Estado dar lugar à perspectiva
das políticas como mercadoria e benesse.
No Brasil esse processo denominado de
novas configurações do sistema capitalista tem
como expressão o embate de dois projetos socie-
tários, existente na atualidade.
O primeiro, o projeto de universalização dos
direitos sociais e da consolidação do Estado como
agente regulador da vida social pautado por um
Estado Democrático e de Direito previsto na Consti-
tuição Federal de 1988.
Tema 2 | Administração de serviços 141

E o segundo, o Projeto Neoliberal pautado


pelo Estado Mínimo que tem como agente regulador
da vida social o mercado.
Segundo Iamamoto (2009), diante desse
processo de embate de projetos societários, que
é determinado pela mudança na estratégia de acu-
mulação do capital, hoje sob a hegemonia do ca-
pital financeiro, em que no Brasil esse processo
foi conduzido pelo Estado, através da Reforma do
Estado, o Assistente Social tem que ter o seguinte
perfil fundamentado nas três dimensões da profis-
são ético–político, teórico-metodológico e técnico-
operativa:

• Dimensão ético-político - ter o compro-


misso com os valores democráticos,
apoiar as lutas da classe trabalhadora,
defender a universalização dos direitos
sociais e a efetivação das políticas públicas
universais.

• Dimensão Teórico-metodológico - fun-


damentado na teoria social crítica, ter a
capacidade investigativa para realizar
estudo social e desvendar as causas das
expressões da Questão Social.

• Dimensão Técnico-operativo – ter a capa-


cidade interventiva de criar estratégias
que possibilitem estimular a participação
dos usuários, na defesa e no acesso aos
direitos sociais.

Portanto, o Assistente Social tem que assumir


um perfil crítico, criativo, comprometido com as
lutas da classe trabalhadora, com a universalização
dos direitos sociais, com a defesa intransigente
142 Administração e Planejamento em Serviço Social

da democracia, liberdade, igualdade, equidade e


justiça social. Esses compromissos devem estar
explícitos no seu projeto de trabalho.
A partir desta compreensão do perfil do
Assistente Social na atualidade para intervir nas
expressões da Questão Social iremos estudar os
elementos que compõem um projeto de trabalho
do assistente social.
Como em todas as áreas, o planejar ou proje-
tar também está presente no cotidiano profissional
de serviço social, sendo esta uma ferramenta im-
prescindível na sua intervenção junto a usuários. O
assistente social deverá estabelecer um projeto de
trabalho como ferramenta para materialização do
projeto ético político profissional.
Ao pensar na elaboração de sua intervenção
profissional, o assistente social deverá estabelecer,
primeiramente, uma direção de trabalho adotando
uma atitude investigativa. Essa dimensão investi-
gativa está diretamente relacionada com a dimen-
são interventiva, sendo que uma interfere na quali-
dade de trabalho da outra.
Para Fraga (2010), a atitude investigativa
presente no cotidiano do assistente social precisa
ser arquitetada na medida em que se permita uma
ação reflexiva sustentada pela intencionalidade e
pelo planejamento.
Ao imprimir o projeto de trabalho, o assis-
tente social estabelece as diretrizes que delinearão
sua intervenção e o compromisso assumido coleti-
vamente junto às organizações da categoria. Este
compromisso deverá ser firmado no que prevê os
onze princípios fundamentais instituídos no código
de ética Resolução CFESS nº 273/93 e embasado
pelas prerrogativas da Lei 8862/93.
Tema 2 | Administração de serviços 143

Para formulação do projeto profissional o


assistente social deverá primeiramente identificar
a instituição ou organização de atuação. E em
seguida, apontar quem são os usuários que serão
contemplados através do projeto, que outros pro-
fissionais estarão envolvidos e qual o pressuposto
teórico que vai dar fundamentação ao trabalho.
O projeto de trabalho deverá ser escrito,
documentado e constantemente acessado, avaliado
e se necessário reavaliado e realimentado.
Na formulação do projeto profissional, deverá
considerar como seu objeto de intervenção as
expressões da Questão Social que deverão ser
enfrentadas no projeto.
Os objetivos deverão indicar o que se pretende
alcançar com a intervenção profissional. Através
dos objetivos pode-se entender de uma forma clara,
o que pretende a intervenção.
É importante também clarificar e quantificar, no
projeto, as metas que deverão ser alcançadas. Essas
metas deverão ter uma relação estreita com os ob-
jetivos estabelecidos. Neste ponto, deve-se também
estabelecer os indicadores de avaliação que serão
mensurados, no qual medirá a efetividade da ação.
A Avaliação/Monitoramento é de suma impor-
tância no desenvolvimento do projeto, pois permite
ao usuário participar, contribuir e avaliar para a
realização deste, haja vista, que é a vida do usuário
que o projeto pretende atingir
Outro ponto que deve constar no projeto são os
recursos utilizados durante a execução. Sejam recursos
financeiros, recursos materiais ou recursos humanos.
Portanto, ao elaborar o projeto de trabalho
o profissional deve articular as três dimensões que
integram o Projeto Ético Político do Serviço Social
ético-político, teórico-metodológico e técnico-operativo
visando sempre promover a cidadania do usuário
144 Administração e Planejamento em Serviço Social

independente de qual espaço sócio- ocupacional


esteja atuando, quer seja empresa pública e privada,
instituições e organizações do Terceiro Setor e as
políticas públicas

LEITURA COMPLEMENTAR

FRAGA, Cristina Kologeski. A atitude investigativa


no trabalho do assistente social. In: Revista Serviço
Social e Sociedade. São Paulo, nº 101, p. 40 e 64,
janeiro/março 2010.

Nesta obra o aluno vai encontrar os componentes


de trabalho do assistente social, dentre eles o pro-
cesso investigativo, fundamental para elaboração
do projeto de trabalho do assistente social.

IAMAMOTO, Marilda Villela. Os espaços sócio –ocu-


pacionais. In: Serviço Social: Direitos sociais e com-
petências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS,
2009.

Nesta Obra o aluno vai encontrar uma discussão


sobre a condição do Assistente como trabalhador
Assalariado, análise sobre o processo de reestrutu-
ração do capital, hoje sob a hegemonia do Capital
financeiro e suas implicações para as condições de
trabalho do Assistente Social.
Tema 2 | Administração de serviços 145

PARA REFLETIR

Estudamos que o processo de planejamento é


necessário à elaboração de um documento que
expresse os objetivos e metas para faciltar sua
operacionalização.

Vamos elaborar um plano de trabalho? Vamos ima-


ginar que você já é um assistente social de uma
empresa ou organização e terá que elaborar um
plano de trabalho.

Procure seu tutor para auxiliá-lo. Comente no fórum


do AVA o que você achou do exercício. Aproveite
para observar os comentários de seus colegas.

RESUMO

Nesse item estudamos o que é Gestão Social e


aprendemos que ela está relacionada diretamente
com o tipo de política social e de Estado.
Nesse contexto aprendemos a importância da ava-
liação e do controle social na elaboração e exe-
cução das políticas sociais e como se elabora um
plano, programa, projeto e a importância deste ins-
trumento na atuação do Serviço Social.
A atuação do profissional de Serviço Social deve
estar sem fundamentada nas três dimensões que
integram o Projeto Ético Político do Serviço Social
ético-político, teórico-metodológico e técnico-ope-
rativo visando promover o acesso dos usuários aos
direitos sociais.
146 Administração e Planejamento em Serviço Social

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TENÓRIO, Fernando Guilherme. Elaboração de


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150 Administração e Planejamento em Serviço Social

Anotações
Administração e Planejamento em Serviço Social 151

Anotações
152 Administração e Planejamento em Serviço Social

Anotações

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