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Direito Administrativo II

Ano Letivo 2020/2021


Administração Pública
Noção de Administração Pública (características
e sentidos)

O Direito Administrativo é o ramo do Direito que se refere à


Administração Pública e a toda a sua actividade interna e externa.

Freitas do Amaral define o Direito Administrativo como o ramo do


direito público constituído pelo sistema de normas jurídicas que
regulam a organização e o funcionamento da Administração Pública,
bem como as relações por ela estabelecidas com outros sujeitos de
direito no exercício da actividade administrativa de gestão pública.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública
1. Administração Pública em sentido organizatório:
Sistemas de órgãos, serviços e agentes do Estado e de demais pessoas colectivas
públicas para satisfação de interesses públicos

2. Administração Pública em sentido funcional:


Conjunto das actividades que o sistema organizatório prossegue,
desenvolvendo e realizando tarefas essenciais

3. Administração Pública em sentido material


Actividade de administrar, através de actividades levadas a cabo pela
Administração

4. Administração Pública em sentido formal


Formas típicas de actuação da Administração através de actos, regulamentos e
contratos
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Evolução histórica da Administração
Pública

Evolução Histórica

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Evolução histórica da Administração
Pública
• Época Medieval (Séc. V a Séc. XV)
• Época Moderna (final da Idade Média e a
criação dos Estados Modernos)
• Época do Estado de Polícia (entre meados do
séc. XVII e finais do séc. XVIII)
• Época Liberal (a partir dos finais do séc. XVIII)
• Época de Direito Social (Séc. XX)
• Época Actual (Séc. XXI)
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Princípios Constitucionais sobre
o Poder Administrativo
Poder Administrativo?
Sistema de órgãos do Estado e das entidades públicas
menores que se carateriza pela faculdade de, com base
nas leis e sob controlo dos tribunais competentes,
estabelecer normas jurídicas e tomar decisões, em termos
obrigatórios para os respetivos destinatários, estando-lhe
confiado o monopólio do uso legítimo da força pública
(militar ou policial), a fim de assegurar a execução
coerciva quer das suas próprias normas e decisões, quer
das normas e decisões dos outros poderes do Estado (leis
e sentenças).

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Princípios Constitucionais sobre o
Poder Administrativo
1. Principio da prossecução do interesse público
2. Principio da legalidade
3. Principio do respeito pelos direitos e interesses
legalmente protegidos dos particulares
4. Poder discricionário da Administração e margem de
decisão da Administração
5. Principio da igualdade
6. Principio da proporcionalidade
7. Principio da boa fé
8. Principio da imparcialidade
9. Principio da justiça
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Princípios Constitucionais sobre o
Poder Administrativo
Dispõe o artigo 266º da Constituição da República
Portuguesa:
(Princípios fundamentais)
1. A Administração Pública visa a prossecução do
interesse público, no respeito pelos direitos e
interesses legalmente protegidos dos cidadãos.
2. Os órgãos e agentes administrativos estão
subordinados à Constituição e à lei e devem actuar,
no exercício das suas funções, com respeito pelos
princípios da igualdade, da proporcionalidade, da
justiça, da imparcialidade e da boa-fé.
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Principio da prossecução do interesse
público
• O interesse público é por definição um conceito
demasiado lato;
• Mas podemos dizer que é o interesse geral de
uma determinada comunidade, um bem comum;
• Necessidades vitais da comunidade na sua
totalidade e para cada um dos seus membros;
• Este Princípio remete para o “dever de boa
administração”;
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Princípio da Legalidade
• A Administração Pública existe para seguir o
interesse público: é esse o seu guia, o seu
objectivo principal;
• Este objectivo não pode ser arbitrário!
• Há a observância de princípios e regras.
• Há a obediência à lei:
Principio da Legalidade
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Princípio da Legalidade
• O principio da legalidade poderá em termos latos ser
definido como o principio de actuação administrativa
vinculado pela lei.
• Isto é, a administração na sua actuação agirá sempre a
coberto de disposição legal prévia – a coberto de lei.
• Estamos aqui perante o primado de lei: Toda a actividade
administrativa tem de respeitar as determinações legais
sob pena de invalidade das suas decisões/ posições.
• Neste caso, o princípio submete a Administração Pública à
lei e ao direito.
• Por outras palavras, a Administração Pública só pode, de
acordo com este princípio, fazer o que a lei permite.
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Princípio da Legalidade
Este princípio desdobra-se em dois subprincípios:
I - O primado da lei (precedência de lei, preferência de lei):
O primado da lei determina, na sua dimensão negativa que a
Administração Pública não pode violar as normas jurídicas
vigentes (a lei é o limite) e na sua dimensão positiva, que a
Administração deve respeitar e aplicar a lei (a lei é pressuposto e
fundamento) indicando o fim (interesses públicos a satisfazer) e
os órgãos encarregues de o prosseguir (as competências);
II - Reserva de lei:
Quanto à reserva de lei, esta determina que a Administração
Pública só pode actuar quando haja uma norma que lhe permita
actuar (a lei é o fundamento);

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Principio do respeito pelos direitos e interesses
legalmente protegidos dos particulares
• Este Princípio tem o alcance de conferir à
Administração a prossecução do interesse
público, como função primordial, mas
respeitando simultaneamente os direitos
subjectivos e os interesses legalmente
protegidos dos particulares;
• Conciliação permanente entre interesse
público e garantia dos particulares;
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Poder discricionário da Administração e margem
de decisão da Administração
• O poder discricionário é uma forma típica pela qual a
lei modela a actividade da Administração concedida
por lei;
• A margem de decisão da Administração revela-se nos
actos vinculados (ex: acto tributário) e nos actos
discricionários (ex: concurso para determinado cargo),
assim como nos conceitos indeterminados (ex:
medidas necessárias);
• Vinculação e Discricionariedade são duas formas
típicas que a lei atribui à Administração para prosseguir
a sua actividade.
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Principio da igualdade
• A Administração deve tratar os administrados de
forma igual aqueles que estejam em situações
objectivas iguais e desigual os administrados que
estejam em situações objectivas desiguais;
• No exercício de poderes discricionários impõe a
auto-vinculação da Administração, no sentido de
utilizar critérios idênticos para a resolução que
casos similares;
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Principio da proporcionalidade
• Desdobra-se em três subprincípios:

– Adequação;
– Necessidade;
– Proporcionalidade em sentido estrito;

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Principio da boa fé
• A Administração deve pautar a sua actividade
sem atraiçoar a confiança dos particulares;

• Este princípio tem o seu “prolongamento” no


principio da protecção da confiança e no
principio da segurança jurídica;

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Principio da imparcialidade
• A relação entre a Administração e os
administrados deve ser de forma a ter em
consideração os interesses públicos e privados
relevantes “em jogo”;
• Este princípio explicita que a prossecução de
interesse público deve ser de forma a que
interesses privados não se confundam com
aquele;
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Principio da justiça
• Este Princípio acaba por conjugar todos os
anteriores.

• Uma decisão da Administração é justa quando


é racional, adequada e proporcional e que
assegura a igualdade de tratamento, a
imparcialidade e a boa-fé.

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Princípio da Legalidade

Densificação deste Princípio no


âmbito do Direito Administrativo
Princípio da Legalidade
Princípio da legalidade (artigo 266.º, n.º 2 CRP e
artigo 3.º CPA)
No estado de direito democrático a lei e o
Direito são o fundamento, o critério e o limite
de toda a actuação da administração. Quer isto
significar que a acção administrativa goza de
presunção legal, obviamente ilidível.

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Conteúdo do princípio da legalidade
Nos dias de hoje a subordinação da Administração Pública à lei deve ser
entendida em termos amplos no sentido de “bloco legal” ou de
legalidade- isto significa que a Administração Pública deve respeitar:

1- A CRP;
2- A lei ordinária;
3- O Direito internacional que tenha sido recebido no ordem interna (Dto DUE);
4- Os princípios gerais do Direito;
5- Os regulamentos em vigor;
6- Os actos administrativos constitutivos de Direito que a AP tenha praticado;
7- Os contratos administrativos e de Direito privado que a AP tenha celebrado.

A violação de qualquer destas categorias de normas ou actos, implica a


violação do princípio da legalidade o que poderá permitir a sua anulação ou,
em alguns casos, a declaração da sua nulidade.

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Objecto do princípio da legalidade

O princípio da legalidade tem por objecto todos


os tipos de comportamentos da Administração
Pública: o acto administrativo; o regulamento e
o contrato administrativo e mesmo os simples
ou meros factos jurídicos.

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Âmbito do princípio da legalidade
• A administração agressiva é aquela em que surge
como autoridade (ius imperi), como poder que
impõe sacrifícios aos particulares (ex: a que
expropria, racionaliza, a que dá ordens, impõe
impostos);
• A administração constitutiva ou prestadora de
serviços é aquela que nos presta serviços ou bens
(ex: educação pública, segurança social, saúde
pública);
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Administração Pública que tem de estar sempre sujeita ao
princípio da legalidade, quer quando assume o papel de
administração agressiva/activa, quer quando assume o papel
de administração prestadora, pelos seguintes motivos:
– Na administração prestadora também podem ocorrer violações
dos direitos dos particulares
– A administração prestadora nem sempre pode beneficiar todos
os particulares ou beneficia-los a todos de igual modo. Por isso,
tem que haver critérios selectivos e estes têm que ter suporte
legal.
– A administração na sua função prestadora depende de dinheiros
públicos saídos do orçamento de estado que maioritariamente
provém de receitas cobradas colectivamente aos particulares.
– Portanto a Administração Pública, na sua vertente prestadora só
pode actuar quando a lei lho permitir e com respeito pelos
critérios que nela sejam fixados.

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Princípio da legalidade
• O princípio da legalidade comporta
actualmente as seguintes modalidades:
– O primado da lei (precedência de lei, preferência
de lei);

– A reserva de lei;

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As excepções (ou não) ao princípio da
legalidade

1- Actos políticos;

2- Estado de necessidade;

3- A discricionariedade ou poder discricionário.

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Actos Políticos
Os actos políticos ou de governo não são uma
excepção ao princípio da legalidade, uma vez
que esse tipo de actos não integra a actividade
administrativa mas sim a actividade política e
não podem ser sujeitos a impugnação
contenciosa (nos tribunais).

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Estado de Necessidade
O Estado de necessidade não constitui também
uma excepção ao princípio da legalidade, pelo
simples facto de que a própria lei o prevê.
• Estado de necessidade: necessidade;
adequação; proibição do excesso.
• Artigo 3º n.º 2 do CPA

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A discricionariedade ou poder
discricionário.
• Quanto à discricionariedade este também não
constitui uma excepção ao princípio da
legalidade mas sim um modo especial de
configuração deste princípio, pois é a lei que
confere liberdade de escolha à administração.
• Neste poder existem sempre pelo menos 2
aspectos ou elementos vinculados à lei, que
são: o fim e a competência do órgão.
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Discricionariedade

O que entender por


discricionariedade (poder
discricionário?)
Discricionariedade Administrativa
A discricionariedade administrativa é hoje
entendida como uma concessão legislativa à
Administração de um poder próprio na decisão
de casos concretos (ou seja, um poder que lhe é
concebido para que a Administração encontre
aquela que considere ser a melhor solução para
o caso concreto que, obviamente, só pode ser
uma)
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Discricionariedade

O que entender por


discricionariedade (poder
discricionário?)
Discricionariedade Administrativa
A discricionariedade administrativa é hoje
entendida como uma concessão legislativa à
Administração de um poder próprio na decisão
de casos concretos (ou seja, um poder que lhe é
concebido para que a Administração encontre
aquela que considere ser a melhor solução para
o caso concreto que, obviamente, só pode ser
uma)
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Discricionariedade Administrativa
• Vieira de Andrade diz: “a discricionariedade não é uma
liberdade mas sim uma competência, uma tarefa,
corresponde a uma função jurídica”;
• Rogério Soares refere que: “as leis não podem ser a
figuração abstracta, até ao milímetro, do que irá ser
cada um dos actos administrativos, que apenas lhe
acrescentam tempo, lugar e destinatários concretos;
não podem ser leis-acto-administrativos-feito-nas-
nuvens, à espera que o administrador as puxe à Terra.
Nestes domínios, o papel da lei é o de ser um
instrumento director e ordenador duma decisão que
cabe ao 2º poder.”
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Discricionariedade Administrativa
• Indubitavelmente a Administração está sujeita à lei – linha
de conduta do Estado de Direito que nos caracteriza-, mas
esta não regula sempre da mesma forma os actos que ela
deve praticar (veja-se o caso da discricionariedade técnica);
• Às vezes a Lei pormenoriza o modo de agir da
administração, não lhe deixando qualquer margem, de
manobra. Nestes casos a administração é rigorosa e
precisa, definindo os fins, as competências e o conteúdo
dos actos a praticar (a lei vincula a actuação da
administração nos quais a administração desempenha
tarefas puramente mecânicas até chegar a um resultado
que é o único legalmente possível, ex: liquidação de
imposto.) – Acto vinculado!
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Discricionariedade Administrativa
• Nos casos de discricionariedade (acto discricionário) a
lei confere à administração uma “margem de
manobra” para decidir.
• Nestes casos a decisão a tomar, segundo os critérios
que em cada caso concreto ela entenda como os mais
adequados à prossecução do interesse público em
causa ,é uma, entre outras, que são legalmente
possíveis.
• Nestes casos a lei não define o conteúdo dos actos a
praticar, conferindo-lhe liberdade de escolha (actos
discricionários), por vezes demasiado latos.
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Discricionariedade Administrativa
• Vinculação e discricionariedade são duas modalidades
pelas quais pode ser modelada a actividade
administrativa.
• No entanto, em bom rigor, não há em regra, actos
totalmente vinculados nem actos totalmente
discricionários.
• A administração age aqui em função das suas
necessidades, sendo os actos administrativos quase
sempre o resultado de uma mistura, em doses maiores
ou menores de vinculação e de discricionariedade.
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Discricionariedade Administrativa

Formas de atribuição do poder discricionário

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Discricionariedade Administrativa
Formas de atribuição do poder discricionário?

1. A lei pode conceder à administração o poder discricionário através


de faculdades directas de acção. Nestes casos a faculdade de agir
decorre ou deriva da concessão directa à administração da
possibilidade de escolher ou optar entre duas ou mais alternativas, em
regra através de expressões como “…pode…” “… deve…”.

2. A lei pode conferir poderes discricionários à Administração Pública


concedendo-lhe prerrogativas (capacidades…) de avaliação ou
apreciação. Essas prerrogativas consistem na capacidade que a lei
concede à administração de avaliar pessoas ou situações com
fundamento nos seguintes aspectos:
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Discricionariedade Administrativa
a)- Em conhecimentos técnicos especializados (ex: decisões
sobre exames escolares, provas de concurso, etc.);
b)- Em valores éticos, estéticos sociais ou culturais (ex: a
qualificação de um filme ou uma peça de teatro como
perigoso para a juventude, a sua própria classificação que
costumamos ver de “para maiores de…”);
c)- Numa ponderação de interesses públicos (ex: localização
de uma barragem ou de um aterro);
d)- Em juízos de prognose (previsão de desenvolvimentos
futuros, ex: o justo receio de desaparecimento de alguma
coisa ou da fuga de alguém; o perigo para o trânsito; risco de
incêndio).
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Discricionariedade Administrativa
Formas de atribuição do poder discricionário?

3. A lei pode conceder poder discricionário à Administração


Pública, remetendo para conceitos indeterminados (em
sentido estrito- stricto sensu) ou conceitos imprecisos- tipo.

4. Outras formas de atribuição e discricionariedade: a


discricionariedade não se esgota nas 3 modalidades vindas de
referir, na medida em que situações há em que na norma
implicitamente (tácita) se concede à Administração Pública o
poder de escolha, por exemplo, a localização mais adequada
para certa obra sem violação de normas jurídicas.
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Discricionariedade Administrativa
Noção de conceitos indeterminados:
• Os conceitos indeterminados, ou conceitos legais
indeterminados, são aqueles cujo conteúdo e
extensão são em larga medida incertos;
• Os conceitos indeterminados não permitem
“comunicações claras quanto ao seu conteúdo”
• A utilização destes conceitos pelo legislador é muito
frequente: ex: medidas necessárias, convenientes,
adequadas, razoáveis, oportunas, justificadas, etc.
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Conceitos Indeterminados
• Os conceitos que utilizamos na linguagem
corrente ou especializada contêm uma zona
central ou nuclear e depois uma zona marginal ou
periférica.
– Esta zona marginal ou periférica é muito grande nos
conceitos indeterminados. Ex: interesse público, bem
comum, atentado ao equilíbrio ecológico, experiência
adequada, usos do comércio.
– Quando a lei usa estas expressões, ela está no fundo a
remeter o agente administrativo para um conceito
elástico, obrigando-o a definir o conteúdo.
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Conceitos Indeterminados
➢ Uma forma de atribuição do poder discricionário
é através de conceitos indeterminados.
➢ Para tal é necessário perceber a estrutura de uma
norma:
➢A norma é constituída por duas partes: uma hipótese
e uma estatuição.
➢ A hipótese contém uma descrição típica de uma situação da
vida;
➢A estatuição inclui as medidas ou providências que o
destinatário deve adoptar perante a verificação, em
concreto, dessa situação.

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Conceitos Indeterminados
• Entre estes dois elementos há uma ligação
que define a relação de correspondência entre
aqueles dois termos (devido, autorizado ou
proibido;
• Ex: “pode” é um elemento de caracter
discricionário autorizativo;

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Conceitos Indeterminados
Na estrutura das normas jurídicas, os conceitos
indeterminados podem situar-se:
a)- do lado da hipótese: ex: em caso de urgente necessidade e sempre
que o justifique, o interesse público e nacional podem ser requisitados
bens imóveis e direitos a eles inerentes;
b)- do lado da estatuição: ex: em qualquer fase do procedimento
administrativo pode o órgão competente para tomar a decisão ordenar
as medidas provisórias que se mostrem necessárias (art. 89.º CPA);
c)- podem constar de um ou de outro lado da norma: ex: sempre que o
exijam circunstâncias excepcionais e urgentes de interesse público, o
governador civil pode praticar todos os actos ou tomar todas as
providências administrativas indispensáveis e solicitando logo que lhe
seja possível a sua notificação pelo órgão normalmente competente.

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Conceitos Indeterminados
• Hoje admite-se que se atribua poder
discricionário através de conceitos
indeterminados, embora com certos cuidados.
• Por essa razão são excluídos os chamados
conceitos classificatórios porque se entende que
estes não são, em bom rigor, verdadeiros
conceitos indeterminados, uma vez que a sua
indefinição pode ser resolvida em sede de
interpretação jurídica.
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Conceitos Indeterminados
O que são conceitos classificatórios?
➢ Os conceitos classificatórios abrangem 3 modalidades:
• A primeira - conceitos imprecisos descritivo-empíricos que são aqueles
cujo conteúdo pode ser determinado de forma objectiva através do
recurso à experiência comum ou os conhecimentos científicos ou técnicos:
ex: conceito de noite, primavera, madrugada, incapacidade para o
trabalho, substância toxica, etc.;
• A segunda - conceitos imprecisos de natureza jurídica que são aqueles
cujo conteúdo pode ser preenchido com grande grau de objectividade por
qualquer jurista: ex: o conceito de funcionário público; o conceito de
agente administrativo e o conceito de legítimo possuidor, etc.;
• A terceira - conceitos imprecisos que se relacionam ou reportam a
situação que podem ser definidos tendo em conta as circunstâncias de
tempo e de lugar.

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Conceitos Indeterminados
• Ao contrário dos conceitos classificatórios, entende-se que
conferem discricionariedade os conceitos imprecisos em
sentido rigoroso ou em sentido estrito.

• Estes estão relacionados com situações da vida que não


podem ser preenchidos através de interpretação jurídica e
remetem a Administração Pública para a formação de juízos
de valor que serão da sua responsabilidade.

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Conceitos Indeterminados
• Estão neste caso:
– a)- conceitos de valor relacionados com juízos sobre aptidões
de pessoas ou sobre avaliações técnicas- especializadas: ex:
boa aptidão agrícola;
– b)- situações com elementos determinantes de prognose: ex:
perigo para o trânsito, perigo para a saúde pública, receio de
ser perseguido;
– c)- conceitos que por serem extremamente vagos ou ligados
a faculdades de acção concedidos pelo legislador têm que ser
entendidos como uma espécie de delegação no poder
administrativo; ex: ordem pública.
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Discricionariedade Administrativa
Natureza jurídica do poder discricionário:
➢ Este poder já não é, como foi no séc. XIX, um poder
originário da Administração Pública, porque como vimos
ele assenta a sua génese exclusivamente na Lei.
➢ Podemos assim entender estarmos perante um poder que:

– Não é um resto deixado pelos tribunais em áreas em que existe


dificuldade de controlo dos actos administrativos (controlo
jurisdicional);
– Não é um mal necessário que deva ser reduzido ao mínimo;
– Não é um poder arbitrário;

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Discricionariedade Administrativa
• Assim, e em tom conclusivo podemos
considerar que o poder discricionário é acima
de tudo um poder derivado, porquanto este
só existe quando e se a Lei o conferir;
• É um poder jurídico conferido por lei e é uma
concessão legislativa determinada pela
interpretação de normas;

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Discricionariedade Administrativa
A discricionariedade deve ser entendida como
um espaço de decisão da responsabilidade da
Administração Pública, conferida por Lei através
de conceitos indeterminados nela contidos, que
tem existência apenas nas situações de:
a) Indeterminação na estrutura da norma;
b) Indeterminação conceptual;
c) Prerrogativas de avaliação
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Discricionariedade Administrativa
A discricionariedade administrativa é hoje
entendida como uma concessão legislativa à
Administração de um poder próprio na decisão
de casos concretos (ou seja, um poder que lhe é
concebido para que a Administração encontre
aquela que considere ser a melhor solução para
o caso concreto que, obviamente, só pode ser
uma)
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Discricionariedade
Administrativa
Controlo jurisdicional do poder
discricionário
Controlo jurisdicional
• O poder discricionário pode ser controlado pelos
tribunais embora no pressuposto da inexistência
de actos totalmente discricionários.
• De facto, há pelo menos dois aspectos que a
Administração Pública tem que,
imperativamente, respeitar:
– Assim a Administração deve respeitar sempre o fim da
norma e as competências do órgão administrativo em
presença, ou seja, o poder discricionário conhece
sempre limites.

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Controlo jurisdicional
• Se o órgão que actuou carecia de competência ou não
estava legitimado para actuar naquele caso concreto,
tal acto será pelo tribunal anulado por vício de
incompetência do órgão ou de falta de legitimação que
em regra levam à anulação do acto administrativo.
• De igual sorte se poderá dizer quanto à possibilidade
de o tribunal anular ou declarar a nulidade do acto
discricionário quando a Administração Pública se serve
de poderes discricionários por lei conferidos para
atingir interesses diversos daqueles que a lei visava
atingir. Estamos neste caso perante um acto anulável
por vício de desvio de poder.
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Controlo jurisdicional

A dificuldade nos casos de desvio de poder


reside na prova de que a administração actuou
com base em interesses diferentes que segundo
a lei a devia motivar ou animar.

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Controlo jurisdicional
No caso de controlo do uso de poder discricionário em si mesmo o juiz
só pode agir e anular ou declarar a nulidade dos actos proferidos ao
abrigo do poder discricionário quando detecte:
a) a violação ostensiva ou intolerável dos princípios jurídicos que
devem nortear toda a actividade administrativa: ex: princípio da
imparcialidade, da igualdade, da boa-fé e da justiça, etc.;
b) a prática de actos discricionários quando esteja fundada em factos
que ele constata que são falsos ou que não existam (erro nos
pressupostos de facto) ou quando esteja fundada numa má
avaliação ou qualificação da realidade (erro manifesto ou erro
grosseira de apreciação) se o juiz proceder de outro modo ele
estará a exercer a função administrativa e não como lhe compete
o poder jurisdicional, violando o princípio da separação de
poderes.
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Controlo jurisdicional
• Podemos referir que a discussão do controlo
jurisdicional pleno mantém-se muito
premente na actualidade;
• O controlo jurisdicional pleno poderá proteger
os interesses legalmente protegidos dos
cidadãos, sem criar limites às funções da
Administração;

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Controlo jurisdicional
• O controlo jurisdicional pleno dos conceitos
indeterminados é imposto por lei e pelo
direito, e é materialmente possível;
• Sendo certo que o juiz, no seu poder-dever de
auto-recuo do controlo, poderá sempre
perceber que o controlo pleno irá contra os
limites lógico-materiais e lógico-jurídicos do
controlo jurisdicional.
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Código do Procedimento
Administrativo
O que é o Código do Procedimento Administrativo
(CPA)?
• O Código do Procedimento Administrativo é a lei geral
que regula a actuação dos órgãos da Administração
Pública, quando esta, exercendo poderes de autoridade,
entra em relação com os particulares.
• Este Código foi aprovado pelo Decreto-Lei nº 442/91, de
15 de Novembro, e alterado pelo Decreto-Lei nº 6/96, de
31 de Janeiro e revogado parcialmente pelo Decreto-Lei
18/2008 de 29 de Janeiro;
• Este Código sofreu a sua última alteração com a
revogação do Decreto – Lei nº 442/91, de 15 de
Novembro pelo Decreto – Lei n.º 4/2015 de 7 de Janeiro
que aprovou o Novo CPA
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Âmbito de aplicação do CPA
• Nos termos do artigo 2º do CPA, este destina-
se às entidades administrativas previstas e
reflectidas;
• A importância de aplicação prende-se com a
aplicabilidade do CPA às entidades
administrativas

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Órgãos da Administração Pública para o
CPA
• Órgãos da Administração Pública são as entidades
que tomam decisões em nome desta.
• Para efeitos do Código do Procedimento
Administrativo, são Órgãos da Administração Pública
(artigo 20º n.º 1):
“São órgãos da Administração Pública os centros
institucionalizados titulares de poderes e deveres para
efeitos da prática de actos jurídicos imputáveis à
pessoa colectiva”

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Órgãos da Administração Pública para
o CPA
➢ Nos termos do artigo 2º n.º 4 do CPA, integram a
Administração Pública:

a) Os Órgãos do Estado e das Regiões Autónomas


que exerçam funções administrativas a título
principal;
b) As autarquias locais e suas associações e
federações de direito público;
c) As entidades administrativas independentes;
d) Os institutos públicos e as associações públicas.
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Aplicação do Código do Procedimento
Administrativo aos processos especiais?
Embora o Código seja uma lei geral, as suas
regras aplicam-se igualmente aos processos
administrativos especiais (como os de concurso,
de loteamento, etc.), na medida em que a
regulamentação própria destes não disponha de
modo diverso, e desde que essa aplicação não
cause diminuição das garantias dos particulares
(artigo 2º n.º 5).
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Princípios Jurídicos
A Administração Pública deve obedecer a princípios gerais
de actuação?

• A Administração Pública deve sempre respeitar diversos


princípios gerais de actuação.
• Tem de respeitá-los, assim, não só quando exerce poderes de
autoridade (ao conceder uma licença ou nomear um
funcionário), mas também quando age como se fosse uma
entidade privada (ao comprar um automóvel ou alugar uma
máquina) ou quando pratica simples actos técnicos ou
materiais (ao construir uma estrada ou tratar um doente num
hospital público).
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Quais são os mais importantes
desses princípios gerais da
actividade administrativa?

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Princípios Gerais da Actividade
Administrativa
▪ Principio da Legalidade;
▪ Princípio da prossecução do interesse público e da
protecção dos direitos e interesses dos cidadãos
▪ Princípio da boa administração
▪ Princípio da igualdade
▪ Princípio da proporcionalidade
▪ Princípios da justiça e da razoabilidade
▪ Princípio da imparcialidade
▪ Princípio da boa –fé
▪ Princípio da colaboração com os particulares
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Princípios Gerais da Actividade
Administrativa
▪ Princípio da participação
▪ Princípio da decisão
▪ Princípios aplicáveis à administração electrónica
▪ Princípio da gratuitidade
▪ Princípio da responsabilidade
▪ Princípio da administração aberta
▪ Princípio da protecção dos dados pessoais
▪ Princípio da cooperação leal com a União
Europeia
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Princípio da Legalidade
A Administração Pública deve obedecer à Lei e ao Direito
(artigo 3º do CPA). Nomeadamente:
➢ a Constituição;
➢ as regras de Direito Internacional, resultantes de tratados ou do costume
➢ internacional;
➢ as regras de Direito Comunitário;
➢ as leis da Assembleia da República, os decretos-leis do Governo e os decretos
legislativos regionais (das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira);
➢ os regulamentos administrativos (decretos regulamentares do Governo);
➢ decretos regulamentares regionais; portarias; despachos normativos;
➢ os chamados “princípios gerais de Direito” (como o do não enriquecimento sem
causa).

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Princípio da prossecução do interesse
público e da protecção dos direitos e
interesses dos cidadãos
• Artigo 4º do CPA:
• Compete aos órgãos da Administração Pública
prosseguir o interesse público, no respeito
pelos direitos e interesses legalmente
protegidos dos cidadãos.

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Princípio da boa administração
• Artigo 5º do CPA:
• 1 — A Administração Pública deve pautar -se
por critérios de eficiência, economicidade e
celeridade.
• 2 — Para efeitos do disposto no número
anterior, a Administração Pública deve ser
organizada de modo a aproximar os serviços
das populações e de forma não burocratizada.
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Princípio da Igualdade
• Pelo princípio da igualdade (artº 6º, nº 1).
• Assim, é-lhe vedado favorecer ou desfavorecer alguém por razões
de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião,
convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica
ou condição social (Princípio de consagração constitucional);
• É de notar, porém, que este princípio não impõe uma igualdade de
tratamento absoluta.
• A igualdade justifica-se em relação a situações equiparáveis; se
estão em causa situações objectivamente diferentes, elas devem
ser tratadas por forma adequadamente diversa.

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Princípio da Proporcionalidade
As decisões administrativas que atinjam direitos
ou interesses legítimos dos particulares têm de
ser adequadas e proporcionadas aos seus
objectivos, não causando mais prejuízos àqueles
do que os necessários para alcançar estas
finalidades e respeitando um equilíbrio na justa
medida entre os meios utilizados e os fins a
alcançar através deles (art.º 7 do CPA).
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Princípio da Justiça e da
Razoabilidade
• A Administração Pública deve tratar de forma justa
todos aqueles que com ela entrem em relação, e
rejeitar as soluções manifestamente desrazoáveis ou
incompatíveis com a ideia de Direito, nomeadamente
em matéria de interpretação das normas jurídicas e das
valorações próprias do exercício da função
administrativa.(art.º 8º do CPA).
• Este artigo impõe: tratamento justo; rejeição de
soluções manifestamente desrazoáveis ou
incompatíveis com a ideia de Direito;
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Princípio da Imparcialidade

Na sua acção, os órgãos da Administração


Pública devem ser isentos, não se deixando
influenciar por razões subjectivas ou pessoais,
que os levem a favorecer ou desfavorecer
indevidamente certos particulares (art.º 9º).

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Princípio da Boa-fé

• A Administração Pública e os particulares


devem, nas suas relações, agir com boa-fé,
respeitando, em especial, a confiança que
possa ter sido criada pela sua actuação
anterior (art.º 10º do CPA).
• A actuação pauta-se pelos valores
fundamentais do Direito.
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Princípio da Colaboração com os
Particulares
• A Administração Pública deve colaborar estreitamente
com os particulares, prestando-lhes, em especial, as
informações e esclarecimentos de que necessitem
(art.º 11º).
• Desenvolvendo este princípio, o artigo 271º da CRP e o
art. 10º do CPA, dispõem que, nas situações em que
sejam possíveis procedimentos diferentes para
conseguir um mesmo resultado, a Administração
Pública deve adoptar o que seja mais favorável ao
particular, em especial para a obtenção de
documentos, comunicação de decisões ou transmissão
de informações.
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Princípio da Participação
• Cabe à Administração Pública fazer com que
os particulares, e as associações que
defendam os seus interesses, intervenham na
preparação das suas decisões.

• Este princípio concretiza-se, especialmente,


através da chamada audiência dos
particulares, no decurso do procedimento
administrativo (art.º 12º e art. 121º do CPA).
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Princípio da Decisão
• Não é legítimo, aos órgãos da Administração Pública, manterem-se
pura e simplesmente silenciosos perante as questões que lhes
sejam postas pelos particulares.
• Eles têm, pelo contrário, o dever de decidir sobre quaisquer
assuntos que lhes sejam apresentados, quer se trate de matérias
que digam directamente respeito aos que se lhes dirigem, quer de
petições, queixas ou reclamações em defesa da Constituição, das
leis ou do interesse geral (art.º 13º).
• Este dever só deixa de existir se a entidade competente já se tiver
pronunciado há menos de dois anos sobre igual pedido
apresentado pelo mesmo particular com idênticos fundamentos.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Princípios aplicáveis à administração
electrónica
• A Administração Pública adequa-se aos novos
tempos e à novas realidades de comunicação
com os administrados;
• A comunicação usada tem de dar garantias
previstas no n.º 2 do artigo 14º do CPA.
• Especialmente as previstas no n.º 5 do artigo
14º do CPA.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Princípio da Gratuitidade
• Salvo lei especial em contrário, o procedimento
administrativo é “tendencialmente” gratuito
(art.º 15º).

• Se alguma lei especial impuser o pagamento de


qualquer taxa ou despesa efectuada pela
Administração, o particular que comprove falta
de meios económicos será destas isento, total ou
parcialmente, conforme os casos.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Princípio da Responsabilidade
• Administração Pública responde, nos termos
da lei, pelos danos causados no exercício da
sua actividade;
• Este artigo remete-nos para a Lei n.º 67/2007
de 31 de Dezembro que aprovou o Regime da
Responsabilidade Civil Extracontratual do
Estado e Demais Entidades Públicas.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Princípio da administração aberta
• Este artigo garante o Princípio de livre acesso aos
processos findos, mesmo que não estejam em
causa dados dos intervenientes que solicitam a
informação (artigo 17º do CPA)

• “…de acesso aos arquivos e registos


administrativos, mesmo quando nenhum
procedimento que lhes diga directamente
respeito esteja em curso,…”
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Princípio da protecção dos dados
pessoais
• “Os particulares têm direito à protecção dos seus
dados pessoais e à segurança e integridade dos
suportes, sistemas e aplicações utilizados para o
efeito, nos termos da lei.”
• O direito a que os dados sejam invioláveis;
• O Tribunal Constitucional debruçou-se sobre
parte do problema no Acórdão 403/2015;
• Há um organismo com competência especifica
nesta matéria: CNPD.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Princípio da cooperação leal com a
União Europeia
• Portugal está vinculado aos acordos e tratados
europeus e internacionais assinados e
ratificados;
• Este artigo 19º do CPA eleva a Princípio
administrativo a cooperação leal que deve
existir entre a Administração Pública e a União
Europeia a várias níveis;

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Código do Procedimento
Administrativo
Órgãos da Administração Pública para o
CPA
• Órgãos da Administração Pública são as entidades
que tomam decisões em nome desta.
• Para efeitos do Código do Procedimento
Administrativo, são Órgãos da Administração Pública
(artigo 20º n.º 1):
“São órgãos da Administração Pública os centros
institucionalizados titulares de poderes e deveres para
efeitos da prática de actos jurídicos imputáveis à
pessoa colectiva”

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Órgãos da Administração Pública para
o CPA
➢ Nos termos do artigo 2º n.º 4 do CPA, integram a
Administração Pública:

a) Os Órgãos do Estado e das Regiões Autónomas


que exerçam funções administrativas a título
principal;
b) As autarquias locais e suas associações e
federações de direito público;
c) As entidades administrativas independentes;
d) Os institutos públicos e as associações públicas.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Aplicação do Código do Procedimento
Administrativo aos processos especiais?
Embora o Código seja uma lei geral, as suas
regras aplicam-se igualmente aos processos
administrativos especiais (como os de concurso,
de loteamento, etc.), na medida em que a
regulamentação própria destes não disponha de
modo diverso, e desde que essa aplicação não
cause diminuição das garantias dos particulares
(artigo 2º n.º 5).
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Órgãos da Administração Pública para o
CPA
• Órgãos da Administração Pública são as entidades que
tomam decisões em nome desta.

• Para efeitos do Código do Procedimento Administrativo,


são Órgãos da Administração Pública (art.º 20º):

“São órgãos da Administração Pública os centros


institucionalizados titulares de poderes e deveres para
efeitos da prática de actos jurídicos imputáveis à
pessoa colectiva”
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Sujeitos do Procedimento
Administrativo
Sujeitos do Procedimento
Administrativo

São sujeitos do procedimento administrativo,


por um lado, a Administração Pública, actuando
através dos seus órgãos, e, por outro, os
particulares.(artigo 65º do CPA).

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
• Os órgãos classificam-se em:
– Órgãos singulares e colegiais: conforme tenham um só
titular ou sejam compostos por três ou mais titulares –
artigo 21º a 35º do CPA;
– Órgãos centrais e locais: consoante tenham competência
sobre todo o território nacional ou esta seja limitada a
uma circunscrição administrativa;
– Órgãos primários, secundários e vicários: consoante
disponham de uma competência própria para decidir as
matérias que lhe estão confiadas, de uma competência
delegada ou exerçam uma competência por substituição
de outros órgãos;

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
• Os órgãos classificam-se em:
– Órgãos representativos e órgãos não representativos:
consoante são designados por eleição ou não;
– Órgãos activos, consultivos e de controlo: a quem cabe, no
primeiro caso, tomar decisões ou executá-las, no segundo
caso, emitir pareceres e esclarecer os órgãos activos antes
de estes tomarem decisões e, no terceiro caso, fiscalizar a
regularidade do funcionamento de outros órgãos;
– Órgãos permanentes e órgãos temporários: consoante a
sua existência seja constante/duradoura ou não. Nestes
últimos integram-se os chamados órgãos ad hoc;
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
Como funcionam os órgãos colegiais?
Já que a tomada de decisões pelos órgãos
singulares (compostos por uma pessoa só) não
apresenta especiais particularidades, interessa,
sobretudo, ter em conta as principais regras
relativas à formação das deliberações dos
órgãos colegiais (constituídos por várias
pessoas).
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
Que tipos de reuniões têm os órgãos colegiais?
• Os órgãos colegiais têm reuniões ordinárias ou
extraordinárias (artºs 23º a 24º).
• As primeiras são previstas por lei ou
regulamento.
• As segundas são, salvo disposição especial,
convocadas pelo presidente do órgão, o qual está
obrigado a fazê-lo sempre que pelo menos um
terço dos outros membros do órgão colegial
(chamados vogais) o solicitarem por escrito,
indicando o assunto a tratar.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
De que assuntos se pode tratar nas reuniões?
• Os órgãos colegiais só podem deliberar, em princípio, sobre
os assuntos incluídos na respectiva ordem do dia (art.º
25º).
• Esta é estabelecida pelo presidente, que nela deve
considerar os assuntos indicados por qualquer vogal com o
mínimo de cinco dias de antecedência (art.º 25º).
• Todavia, nas reuniões ordinárias pode também deliberar-se
sobre questões que pelo menos dois terços dos membros
entenderem dever ser objecto de decisão imediata.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
Os órgãos colegiais podem deliberar com a presença de
qualquer número de membros?
Em primeira convocação, os órgãos colegiais só podem, regra geral,
deliberar quando estiver presente a maioria do número legal de membros
com direito a voto. Não estando presente essa maioria, é convocada nova
reunião, com intervalo de, pelo menos 24 horas, podendo então o órgão
deliberar se estiver presente um terço dos membros com direito a voto,
em número não inferior a três. O número de presenças exigidas em
qualquer destas situações é chamado “quórum” (art.º 29º).

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
O voto é obrigatório?
• Salvo lei em contrário, todos os membros dos
órgãos colegiais consultivos (ou seja, que só
dão pareceres) e deliberativos que estejam
presentes na reunião, e não se encontrem
impedidos, tem de votar, sendo-lhes assim
proibida a abstenção.
• Há a proibição da abstenção (art.º 30º).
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
Como se vota?
• Como regra, a votação é nominal – ou seja, ao exprimir
o seu voto, cada membro é identificado (art.º 31º).
• Mas são tomadas por escrutínio ou voto secreto as
deliberações que envolvam a apreciação do
comportamento ou qualidades de qualquer pessoa, ou
juízos de valor. Na dúvida, o Presidente do órgão
colegial decide sobre a forma de votação.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
Como se forma a deliberação?
• Excepto se a lei determinar outro sistema, as deliberações são tomadas por
maioria absoluta – isto é, desde que nesse sentido votem metade e mais um dos
membros presentes à reunião.
• Se não se formar maioria absoluta, nem houver empate, faz-se nova votação; e, se
a situação se mantiver, a deliberação é adiada para a reunião seguinte, na qual
bastará a maioria relativa – ou seja, que uma das propostas de decisão obtenha
mais votos que qualquer das outras porventura apresentadas (art.º 32º).
• Na hipótese de empate, o presidente tem o direito de desempatar (voto de
qualidade), excepto tratando-se de escrutínio secreto. Neste último caso, haverá
nova votação; se continuar o empate, a deliberação é adiada para a reunião
seguinte, onde, se este permanecer, se deliberará por votação nominal (art.º 33º).

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: órgãos
Como são formalizadas (ou registadas) as deliberações?

• De cada reunião dos órgãos colegiais é lavrada acta (art.º 34º).


• As deliberações nela tomadas só produzem efeitos depois de a
respectiva acta (ou, se o órgão assim o decidir, após assinada, na
própria reunião, a minuta desta) haver sido aprovada.
• Os membros que, em certa votação, tenham ficado em minoria,
podem fazer constar da acta o seu voto de vencido e os respectivos
fundamentos. Se assim procederem , ficarão isentos de eventuais
responsabilidades pela deliberação tomada.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: competência
a) Que entidade pública tem poder para intervir
no procedimento administrativo?

• A lei determina qual é o órgão administrativo que


tem poder (ou competência) para intervir no
procedimento administrativo, e, em especial,
para nele tomar a decisão final (artº 36º).
• A competência é fixada, em regra, no início do
procedimento administrativo (artº 37º).
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: competência
b) Como se controla a competência?

• Antes de tomar qualquer decisão, o órgão


administrativo deve certificar-se de que tem
para isso competência (artº 40º).
• A eventual incompetência de certo órgão
administrativo deve ser declarada, por este
mesmo, por sua iniciativa, podendo também
ser invocada por qualquer interessado.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: competência
Delegação de poderes
A competência de certo órgão é absolutamente
exclusiva?
• Não.
• Desde que a lei o admita, o órgão normalmente
competente para decidir em certa matéria pode
permitir que outro órgão ou agente administrativo
pratique também actos sobre os mesmos assuntos.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública: competência
Delegação de poderes
A competência de certo órgão é absolutamente
exclusiva?
• Nisto consiste a delegação de poderes (artº 44º).
• A delegação de poderes é sempre possível, tratando-se de actos de
administração ordinária, quando conferida por certo órgão em favor do
seu inferior hierárquico, adjunto ou substituto, ou por um órgão colegial
em favor do seu presidente (salvo, neste último caso, se lei especial
estabelecer uma particular repartição de competências entre esses
órgãos).

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Caso Prático
Em 01/09/2015 foi constituída uma Comissão, por parte do
Ministério da Saúde e na sua dependência, para acompanhamento
da aplicação de boas práticas clinicas, que se reuniu nesse mesmo
dia.
No despacho que cria esta Comissão foram nomeados os
elementos integrantes da mesma composta por 15 elementos,
sendo o direito de voto atribuído a 10 destes elementos.
a) Como é elegido o seu presidente, se o regulamento ou estatutos
forem omissos quanto a essa eleição?
b) Na ordem do dia da terceira reunião realizada, em 20/09/2015, havia
só um ponto de ordem que era a discussão do relatório apresentado
para o efeito. No entanto, 9 dos 15 elementos presentes entenderam
ser crucial o debate das despesas efectuadas pela Comissão até à
data. Poderá haver esta discussão nesta reunião?
c) Um dos elementos solicitou ao Secretário a Acta da Reunião de
01/09/2015, sem nunca ter tido resposta. Pronuncie-se.
d) Como classificaria a Comissão constituída pelo Ministério da Saúde no
âmbito do CPA?
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Caso Prático
Em consonância com o previsto no n.º 8 do artigo 33º da CRP, o artigo 3º
da Lei n.º 27/2008 de 30/06 alterada e republicada pela Lei 26/2014 de
05/05, vem estabelecer, para efeitos de concessão do direito de asilo (cuja
competência para proferir decisão fundamentada sobre os pedidos
infundados e inadmissíveis assiste nos termos do artigo 20º do mesmo
diploma ao Diretor Nacional do SEF), o seguinte:
“1 - É garantido o direito de asilo aos estrangeiros e aos apátridas
perseguidos ou gravemente ameaçados de perseguição, em consequência de
actividade exercida no Estado da sua nacionalidade ou da sua residência
habitual em favor da democracia, da libertação social e nacional, da paz entre
os povos, da liberdade e dos direitos da pessoa humana.
2 - Têm ainda direito à concessão de asilo os estrangeiros e os apátridas que,
receando com fundamento ser perseguidos em virtude da sua raça, religião,
nacionalidade, opiniões políticas ou integração em certo grupo social, não
possam ou, por esse receio, não queiram voltar ao Estado da sua
nacionalidade ou da sua residência habitual. ”
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Fundado nesta lei, Antoine requereu a concessão de direito de
asilo ao órgão competente, alegando e provando que é
militante de um partido de oposição do Estado X e que tinha
participado numa grande manifestação contra o Governo, na
sequência da qual viria a ser preso. Sucede que, aquando da
transferência para outra prisão, conseguiu fugir.

O Diretor Nacional do SEF recusou a concessão do asilo por


entender não estar verificado um pressuposto da lei: o receio,
com fundamento, de ser perseguido em virtude de opiniões
políticas.

1. Avalie fundamentadamente, se se pode entender que as


disposições transcritas concedem uma competência
discricionária ao Diretor Nacional do SEF.

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2. Imagine que, em consequência da recusa de asilo, Antoine foi
notificado de uma decisão de expulsão do território nacional,
adoptada pelo diretor nacional adjunto do SEF, ao abrigo de uma
delegação de competências do Diretor Nacional. Sob o prisma das
relações jurídicas no interior da Administração, poderia o diretor
nacional adjunto ter adoptado esta decisão?
Tenha em atenção que a competência para proferir decisões de
expulsão administrativa se encontra conferida ao Diretor Nacional
do SEF na alínea h) do n.º 2 do artigo 13º do Decreto-Lei n.º
252/2000 de 16/10, e que os n.º 3 e 4 deste artigo dispõem o
seguinte:
“3. O (director nacional) pode delegar em qualquer dos (directores
nacionais adjuntos) as competências previstas no número anterior.
4. A competência prevista na alínea h) do n.º 2 é própria e
reservada (…)”
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Procedimento Administrativo

Regime Comum
Procedimento Administrativo: Regime
Comum

• Segundo o artigo 53º do CPA:

“O procedimento administrativo inicia -se


oficiosamente ou a solicitação dos interessados”

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Procedimento Administrativo: Regime
Comum
• O procedimento é conduzido pelo órgão com
competência para decidir, sendo certo que a
regra é a delegação, salvo disposição legal,
regulamentar ou estatutário em contrário (artigo
55º n.º 1);
• É o responsável pela direcção do procedimento
que adequa os tramites a seguir, respeitando o
Princípio da Adequação Procedimental (artigo
56º).
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Procedimento Administrativo: Regime
Comum
• Há a possibilidade, no âmbito do
discricionariedade procedimental, de entre as
partes acordar os termos do procedimento;
• Possibilidade de agenda, acordos das
audiências orais, de configuração do
procedimento em várias vertentes (artigo 57º
do CPA). – Acordos Endoprocedimentais.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Procedimento Administrativo: Regime
Comum
• Apesar dos Acordos Endoprocedimentais, há um
dever geral de celeridade (artigo 59º);
• A celeridade é um afloramento do Princípio da
Boa Administração (artigo 5º);
• Há, também, a necessidade de cooperação e boa
fé-procedimental, não adoptando, quer a
Administração, quer os particulares, actos
prejudiciais ao bom desenrolar do procedimento;
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Procedimento Administrativo: Regime
Comum
• Segundo o artigo 53º do CPA:
“O procedimento administrativo inicia -se
oficiosamente ou a solicitação dos interessados”

Sujeitos do procedimento ou da relação jurídica


procedimental?

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Relação Jurídica Procedimental
• Há a distinção, no âmbito da relação jurídica
procedimental, dos sujeitos dos “órgãos” das
entidades públicas e os particulares (artigo
65º do CPA);
• Há, no âmbito da relação jurídica
procedimental, dois grupos:
– Órgãos;
– Particulares;

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública

Os particulares/Os interessados
Os particulares/Os interessados

1. Quem tem direito (ou legitimidade) para


intervir no procedimento administrativo?

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Os particulares/Os interessados
• Têm, em geral, direito (ou legitimidade) para iniciar o
procedimento administrativo, e nele intervir, aqueles de
cujos interesses este trata, bem como as associações sem
carácter político, que tenham por fim a defesa de tais
interesses (artigo 68º);
• Se estiverem em causa interesses difusos, pertencentes a
certos grupos ou conjuntos de pessoas, mas não a cada
uma destas individualmente considerada (tais como os
relativos à saúde pública, educação, ao ambiente, ao
património cultural), têm legitimidade para intervir no
procedimento: (artigo 68º n.º 2)
• Determinadas pessoas colectivas públicas que sofram ou
possam sofrer prejuízos nesses interesses (artigo 68 n.º 3);
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Os particulares/Os interessados
• Tratando-se de interesses difusos de
residentes em certa circunscrição, os órgãos
autárquicos dessa área ou as associações
dedicadas à protecção de tais interesses;

• Os residentes na circunscrição em que se


localizarem os bens do domínio público
afectados pela acção da Administração.

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2. A intervenção dos particulares tem sempre
de ser pessoal?

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Os particulares/Os interessados
• Não. Os particulares podem intervir no
procedimento pessoalmente, ou fazendo-se
ainda representar ou assistir (ou seja, apoiar)
por advogado ou solicitador (artº 67º n.º 1).
• Os menores ou outros incapazes têm de
intervir através dos seus representantes legais.
• Neste aspecto é necessário acautelar os
deveres de comunicação e a forma das
notificações.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Auxilio Administrativo
• Pode o órgão competente para a decisão final
solicitar o auxilio de quaisquer outros órgãos
da Administração Pública (artigo 66º);
• Este pedido pode ser oficioso por parte do
órgão competente para a decisão final ou a
pedido do particular (sujeito da relação
jurídica procedimental) e ainda pelo
responsável pela direcção do procedimento;
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Administração Pública

Garantias de Imparcialidade
Garantias de Imparcialidade
Os titulares de órgãos ou os agentes da
Administração Pública podem intervir em
quaisquer procedimentos administrativos?
• Com vista a garantir a imparcialidade da
Administração Pública, os titulares dos seus
órgãos e os respectivos agentes não podem
intervir em todo e qualquer procedimento
administrativo, acto ou contrato de direito
público ou privado.
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Garantias de Imparcialidade
a) Quais são os casos de impedimento?
• As situações de impedimento na intervenção no procedimento
administrativo são definidas por forma expressa e taxativa (artº
69º).

• Trata-se, nomeadamente:
– de recurso de decisão proferida pelo próprio, ou com sua intervenção;
– de anterior intervenção no procedimento, do próprio ou certos seus
familiares, como perito ou mandatário;
– de anteriormente se ter dado parecer sobre a questão a resolver;
– da existência de interesse, no procedimento, do titular do órgão ou
agente, ou de certos seus familiares;
– de contra o titular de órgão ou agente da Administração, ou certos
seus familiares, estar interposta acção em tribunal, pelo interessado
ou seu cônjuge.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Garantias de Imparcialidade
b) Para além dos impedimentos, podem outras
situações obstar à intervenção no
procedimento?
• Para além dos casos de impedimento, o titular do
órgão ou agente deve pedir escusa (ou dispensa) de
intervir no procedimento, se ocorrer situação pela qual
possa razoavelmente suspeitar-se da sua isenção.
• Até à decisão final, e pelas mesmas razões, pode
qualquer interessado opor suspeição a titulares de
órgãos ou agentes que intervenham no procedimento
(artº 73º).
Direito Administrativo II Licenciatura em
Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Garantias de Imparcialidade
c) Quem decide do impedimento ou sobre a
escusa ou suspeição?

• Cabe ao superior hierárquico do órgão ou


agente em questão (ou, tratando-se de órgão
colegial, ao seu presidente) declarar o
eventual impedimento ou pronunciar-se sobre
a escusa ou suspeição (artº 70º).
Direito Administrativo II Licenciatura em
Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Garantias de Imparcialidade
d) Quais os efeitos da declaração de impedimento
ou da decisão de procedência sobre escusa ou
suspeição?
• Declarado o impedimento ou decidida a
procedência da escusa ou suspeição, o titular do
órgão ou agente é substituído pelo seu substituto
legal, a menos que o superior hierárquico queira
avocar (isto é: chamar a si) a questão (artº 72º).
Direito Administrativo II Licenciatura em
Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Garantias de Imparcialidade
e) Qual o valor dos actos praticados por
titulares de órgãos impedidos?

• Os actos praticados por titulares de órgãos


impedidos são anuláveis (artº 76º).
• Poderá despoletar um procedimento
disciplinar;
Direito Administrativo II Licenciatura em
Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Garantias de
Imparcialidade

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Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo
Regime Comum
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum

Quais são as principais características do


procedimento administrativo?

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Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
A – Responsável pelo Procedimento
• A direcção do procedimento cabe ao órgão
competente para a decisão final;
• A regra é da delegação de poderes, salvo
disposição legal, regulamentar ou estatutária
em contrário ou razões ponderosas
devidamente fundamentadas;

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Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
B – Princípio da Adequação Procedimental
• O responsável pela direcção do procedimento
goza de discricionariedade na estruturação do
procedimento;
• Controlo da sua actuação mediante o respeito
e cumprimento dos Princípios Jurídicos -
Administrativos (artigo 56º);

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
C – Acordos Endoprocedimentais
• O órgão competente para a decisão final pode
acordar termos do procedimento, sem que
haja diminuição de garantias dos particulares;
• Estes acordos endoprocedimentais tem efeito
vinculativo para as partes que o subscrevam;

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
D - Princípio do inquisitório
• No procedimento administrativo, o interesse público
tem um peso superior ao dos particulares;
• Por isso, ainda que o procedimento tenha tido início a
requerimento de um particular, a Administração
Pública pode realizar todas as diligências que considere
convenientes, mesmo para além das matérias referidas
por aquele.
• A Administração pretende alcançar um decisão legal e
justa; (artigo 58º).
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
E - Dever de celeridade

• O procedimento administrativo deve ser rápido e


eficaz, tendo, em princípio, de estar concluído no prazo
de 90 dias – prazo este prorrogável, por uma ou mais
vezes, até ao limite de mais 90 dias (artºs 59º).
• No âmbito deste procedimento, é de dez dias o prazo
geral, quer para a prática de actos pela Administração,
quer para os particulares requererem ou praticarem
quaisquer actos (art.º 86º).
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
F - Dever de cooperação e boa-fé
procedimental

• Os particulares devem colaborar para o


esclarecimento de quaisquer factos e a
descoberta da verdade.
• Objectivo de alcançar uma decisão legal e
justa (artigo 60º);
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
G – Da legitimidade no procedimento

• No procedimento, os órgãos administrativos


ouvem os interessados sobre todas questões
relevantes, devido à legitimidade
procedimental destes (artº 68º).

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Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
H – Conferência Procedimental
• A conferência procedimental torna-se numa fase
do procedimento administrativo, que tem
características próprias e assume grande
relevo. (artigo 77.º).
• Existe nos termos do CPA dois tipos distintos de
conferências procedimentais:
– conferência deliberativa;
– conferências de coordenação;
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
I - Direito à informação

• Num Estado Democrático, o procedimento


administrativo tem de ser transparente.

• Esta transparência implica o direito à informação dos


particulares, que tem naturalmente intensidade
diferente segundo a sua maior ou menor relação com
os interesses em jogo. (artigo 82º);

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo

Direito à informação

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo
1. Particulares directamente interessados
a ) A que informação têm direito os directamente
interessados?
• Os particulares directamente interessados no
procedimento têm direito a requerer informação
sobre o andamento deste e a resolução definitiva
nele tomada.
• Esta informação deve ser prestada no prazo de
dez dias (artº 82º).
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo
b) Os directamente interessados podem consultar o
processo?
• Os particulares directamente interessados têm direito a
consultar o processo que não contenha documentos
classificados ou que revelem segredo comercial ou industrial ou
segredo relativo à propriedade literária, artística ou científica.
• Esse direito abrange os documentos nominativos relativos a
terceiros – i.e., em que estes estejam ou possam ser
identificados – desde que excluídos os dados pessoais que não
sejam públicos (artº 83º).

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo
c) E podem obter certidões?
• Os directamente interessados têm direito, pagando aquilo que para
tanto seja devido, a obter certidão, reprodução ou declaração
autenticada dos documentos incluídos no processo (art.º 83º).
• As certidões, reproduções ou declarações autenticadas respeitantes
aos requerimentos por eles apresentados, bem como à situação do
respectivo procedimento e sua eventual resolução, são
obrigatoriamente passadas, independentemente de despacho, no
prazo de dez dias (art.º 83º).

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Características do Procedimento
Administrativo
2. Outros particulares com interesse legítimo

• Os particulares não directamente interessados no


procedimento, mas que demonstrem ter nele
algum interesse legítimo, têm também direito a
solicitar as informações indicadas.
• O exercício desse direito depende, porém, de
despacho do dirigente do serviço competente
(artº 85º).
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Características do Procedimento
Administrativo
3. Acesso aos documentos da Administração

Embora consagrado no Código do Procedimento


Administrativo, o acesso aos documentos administrativos
por parte de quaisquer pessoas, mesmo que não
interessadas no procedimento, está regulado na Lei nº
46/2007, de 24 de Agosto (acesso aos documentos
administrativos e a sua reutilização, revoga a Lei n.º
65/93, de 26 de Agosto)
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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
J - Prazos
• O prazo para a pratica de actos por parte da
Administração Pública é de 10 dias (artigo 86º);
• Excepto quando haja disposição legal em
contrário ou quanto ao prazo de decisão do
procedimento;
• A contagem dos prazos não prevê a
contabilização dos sábados, domingos e feriados
(artigo 87º);
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Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
K – Medidas Provisórias
• Desde o início do procedimento, e em qualquer estado
deste, o órgão competente para a decisão pode, por
sua iniciativa ou a pedido dos interessados, ordenar as
medidas provisórias necessárias, se houver justo receio
de prejuízo grave ou de difícil reparação dos interesses
públicos em causa. – Artigo 89º.
• As medidas provisórias (p.ex. o embargo duma
construção cuja legalidade se discute), têm de ser
fundamentadas, e decretadas por certo prazo.
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Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
L - Pareceres
• Nos termos do artigo 91º do CPA:
– 1 - Os pareceres são obrigatórios ou facultativos,
consoante sejam ou não exigidos por lei, e são
vinculativos ou não vinculativos, conforme as
respectivas conclusões tenham ou não de ser
seguidas pelo órgão competente para a decisão.
– 2 - Salvo disposição expressa em contrário, os
pareceres legalmente previstos consideram-se
obrigatórios e não vinculativos.
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Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
M – Extinção do procedimento

• O procedimento extingue -se pela tomada da


decisão final ou por qualquer dos outros
factos previstos no presente Código. – Artigo
93º.

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Solicitadoria Ano Letivo 2020/2021
Características do Procedimento
Administrativo: Regime Comum
M – Extinção do procedimento

• A decisão final deve resolver todas as


questões suscitadas durante o procedimento
administrativo. – Artigo 94º n.º 1.
• Poderá, durante o procedimento, verificar-se a
inutilidade superveniente de decidir,
devidamente fundamentada. - Artigo 95º.

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