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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Graduação em Psicologia
Unidade de São Gabriel

A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA PARA A PSICOLOGIA


NEUROPSICOLOGIA

Hananda Gabriele Silva

Belo Horizonte
2013
Hananda Gabriele Silva

A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA PARA A PSICOLOGIA


NEUROPSICOLOGIA

Trabalho apresentado à disciplina de


Neuropsicologia no V Período do curso de
graduação em Psicologia da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais –
PUC, Campos São Gabriel. Professora:
Mirelle França Michalik Trigineli

Belo Horizonte
2013
INTRODUÇÃO

As neurociências contribuíram muito com o avanço da psicologia nos últimos anos,


seja na busca da compreensão dos mecanismos cerebrais, seja na tentativa de compreender e
encontrar cura ou meios de reabilitação de doenças ocasionadas por lesões ou disfunções no
cérebro. Mas ainda muito está por vir. Ainda há muita coisa a ser descoberta, correlações à
serem feita, mecanismos a serem desvendados, transtornos comportamentais a serem
descobertos, mas a neurociência já deu grandes passos.

No livro O cérebro nosso de cada dia, Suzana Herculano-Houzel apresenta algumas


descobertas científicas sobre a vida cotidiana das pessoas. Nesse trabalho serão descritas
algumas contribuições dessas descobertas para a psicologia, relatadas no livro da Suzana
Herculano-Houzel.
AS CONTRIBUIÇÕES DAS NEUROCIÊNCIAS PARA A PSICOLOGIA

As neurociências permitem a psicologia pensar o sujeito além do aspecto social, elas


possibilitam uma visão biopsicossocial, ou seja, como um sujeito que possui um psiquismo e
que é afetado pelas funções e disfunções biológicas e pelas interações sociais. Há disfunções e
lesões cerebrais que afetam significativamente os comportamentos do indivíduo, daí a
importância de perceber as neurociências como aliadas no processo de compreensão do
indivíduo.

Alguns cientistas têm pesquisado se há correlação no tamanho de certas áreas do


cérebro e o desenvolvimento cognitivo dessas áreas. Algumas afirmações podem ser feitas.
As mulheres possuem a memória espacial, as habilidades verbais e a identificação dos
sentimentos mais desenvolvidos e os homens seriam melhores em matemática, rotação de
objetos e em estimar tempo e movimento. Mas essas afirmações devem ter como base o
desenvolvimento dessas áreas, ou seja, quanto mais usadas mais desenvolvidas elas serão e
não devem ser utilizado como único critério o tamanho delas.

Um estudo recente realizado por um grupo de italianos revela informações úteis sobre
o efeito placebo e o seu funcionamento. O organismo produz a sua própria morfina que “age
especificamente sobre a representação mental daquela parte do seu corpo que vai sofrer o
ataque.” (Houzel, 2002, pg. 50). Essa pesquisa está diretamente ligada ao poder da sugestão
sobre o comportamento humano. Em diversas situações o efeito placebo pode ser muito útil,
afinal se uma pessoa está com dores, possivelmente, com o efeito placebo essa dor é
diminuída sendo melhor do que ingerir remédios.

As neurociências têm pesquisado como aprendemos e como consolidamos aquilo que


aprendemos. Por algum tempo as pessoas pensavam que quando dormiam o cérebro parava
para descansar, mas com os estudos das neurociências percebeu-se que enquanto dormimos
nosso cérebro continua ativo e além disso o sono é essencial para o aprendizado. Os cientistas
perceberam que “o sono profundo durante a primeira metade da noite, é essencial para a
consolidação do aprendizado.” (Houzel, 2002, pg. 88). A privação de sono aumenta a
atividade no córtex pré-frontal, responsável pela memória, e diminui a atividade no lobo
temporal, região responsável pela passagem dos dados à memória, ou seja, a memória a curto
prazo funciona relativamente bem mas quando é necessário utilizar esses dados
posteriormente a capacidade de armazenamento fica comprometida. Outra região que fica
comprometida são lobos parietais que estão ligados à capacidade aritmética. Esses estudos são
muito importantes para a psicologia, pois se uma pessoa está com dificuldade de aprendizado
um dos fatores que deve ser investigado é a qualidade do sono. Em uma pesquisa com ratos
adultos em laboratório os neurocientistas descobriram que quando submetido a estresse
constante o número de neurônios que nasce no hipocampo é menor e isso atrapalha o
aprendizado devido a menor formação de memórias.

A dependência de drogas e suas consequências no cérebro humano também têm sido


investigadas pelas neurociências, o que traz a psicologia novas possibilidades de intervenção
sobre os usuários. Há quem defenda que a maconha deva ser legalizada por não causar
dependência, mas o que os cientistas descobriram é que a maconha ativa o sistema de
recompensas ativando o núcleo acumbente, igual às outras drogas que causam dependência. A
maconha impede a formação de novas memórias e pode causar descontroles emocionais como
acessos de riso, crises de pânico e paranoia.

Há uma pesquisa de neurocientistas que investigaram se mães possuem habilidades


que são mais aguçadas devido à maternidade. Eles perceberam que a maternidade estimula a
memória das mães em até três vezes mais, quando comparado àquelas que não são mães.
Outra coisa que os cientistas descobriram foi que durante o antes do ciclo menstrual o nível de
estrogênio aumenta e esse aumento provoca um aumento no número de sinapses no
hipocampo, aumentando a facilidade para o aprendizado.

A neurociência define imaginação como,

“a ativação interna da representação dos sentidos no cérebro. E, como as representações dos


sentidos são formadas com a experiência, procede que a matéria-prima da imaginação é a
própria experiência. Por isso só é possível imaginar combinações do que já vimos ou sentimos
de algum modo." (Houzel, 2002, pg. 154).

Uma contribuição significativa das neurociências para a psicologia se refere às


pesquisas realizadas para compreender melhor os impactos cognitivos de doenças
psicológicas no organismo dos indivíduos, como por exemplo, a depressão. Segundo algumas
pesquisas recentes quem tem depressão tem problemas de memória. Uma das explicações
para isso está relacionada ao estresse, fator que geralmente inicia a depressão, causando a
atrofia e morte de neurônios no hipocampo. Em 1999 foi descoberto que o exercício aeróbico
é um remédio “natural” contra a depressão, pois aumenta a produção de novos neurônios no
hipocampo.

Os estudos realizados pelos neurocientistas, em sua grande maioria, ocorrem com


animais que possuem comportamentos e reações semelhantes ao dos seres humanos. Isso é
necessário porque a maior parte desses estudos colocam em risco a saúde humana, logo
utilizando os animais com funcionamentos semelhantes ao das pessoas é possível inferir como
será a reação do corpo na presença daqueles novos estímulos (químicos ou biológico).

As contribuições das neurociências para a psicologia não se limitam as essas, muitos


são os estudos que buscam correlacionar o funcionamento cerebral com o comportamento. Os
conhecimentos da neurociência podem e devem ser apropriadas pela psicologia, pois eles
possibilitam uma compreensão do funcionamento de uma mente que é alterada a todo
momento pelas reações do físicas do corpo e vice e versa.
REFERÊNCIAS

HOUZEL, Suzana Herculano. O cérebro nosso de cada dia: descobertas da neurociência sobre
a vida cotidiana – 1 ed. – Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2002.