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CENTRO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BATISTA

CURSO DE TEOLOGIA

WEVERSON FERRARI

O PECADO E A SALVAÇÃO SEGUNDO AS VISÕES


REFORMADA, CATÓLICA E PENTECOSTAL

VITÓRIA
2017
WEVERSON FERRARI

O PECADO E A SALVAÇÃO SEGUNDO AS VISÕES


REFORMADA, CATÓLICA E PENTECOSTAL

Trabalho apresentado à disciplina de Teologia Sistemática II,


do Curso de Teologia, do Centro de Educação Teológica
Batista do Espírito Santo.

Professor: Antonio C. G. Affonso

VITÓRIA
2017
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..............................................................................................................4

1. O PECADO...............................................................................................................5
1.1. VISÃO REFORMADA............................................................................................5
1.2. A VISÃO PENTECOSTAL.....................................................................................6
1.3. VISÃO ROMANA....................................................................................................7
1.3.1. O pecado original................................................................................................7
1.3.2. Pecado mortal e pecado venial...........................................................................8
1.3.3. Pecados capitais.................................................................................................9

2. A SALVAÇÃO...........................................................................................................9
2.1. VISÃO REFORMADA............................................................................................9
2.2. VISAO PENTECOSTAL.......................................................................................10
2.2.1. Eleição...............................................................................................................11
2.2.2. A apostasia pessoal..........................................................................................11
2.3. VISÃO ROMANA..................................................................................................12
2.3.1. O plano de salvação de Roma..........................................................................12
2.3.2. A “graça” no catolicismo....................................................................................13
2.3.3. A doutrina do Purgatório...................................................................................13
2.3.4. Oração pelos defuntos......................................................................................14

REFERÊNCIAS...........................................................................................................15
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INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a visão das teologias católica, reformada e


pentecostal concernente ao pecado e à salvação. Certamente, não se trata de uma
tarefa simples, pois tais temas desencadeiam discussões em outros temas. Por
exemplo, o tema “salvação” faz divisas nem sempre bem definidas com o estudo da
vida após a morte.

Outro aspecto relevante é o fato de que algumas vezes não há unanimidade de


visão entre todas as denominações que compõem cada um desses três grupos
religiosos, nem mesmo entre os estudiosos católicos.

Por conta dessas diferenças, neste estudo utilizamos como referência principal o
Catecismo Católico para a análise da igreja romana. Já no estudo dos pentecostais,
a referência foi a Bíblia de Estudo Pentecostal, enquanto que para os reformados
foram utilizadas as teologias sistemáticas de Millard Erickson e de Franklin Ferreira.

Por fim, há de se ressaltar ainda mais duas questões: primeiro, que as doutrinas
acerca do “Pecado” e da “Salvação” em cada um desses grupos são frutos de uma
longa discussão, que pode remontar aos pais da igreja, como por exemplo é o caso
do Pecado na doutrina católica romana; em segundo lugar, há diversos pontos de
semelhança entre estes grupos religiosos, tendo em vista todos eles serem ramos
do cristianismo e possuírem uma mesma fonte principal de doutrina: a Bíblia.

Sendo assim, a fim de tornar o estudo dos temas dinâmico e útil para os fins a que
se destina, que é a comparação entre as doutrinas desses grupos, optou-se por
apenas apresentar as diferenças de visões, sem aprofundar-se nas origens
históricas ou nos pontos semelhantes acerca do mesmo tema.
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1. O PECADO

1.1. VISÃO REFORMADA

A doutrina reformada enfatiza de sobremaneira a soberania de Divina. De antemão,


Deus já preordenara tudo (até mesmo o pecado de Adão), sendo assim, nada na
criação acontece ao acaso.

Para os reformados, como a Escritura proclama que Deus pode “fazer tudo quanto
quer” [SI 115.3], não seria razoável supor que a mais nobre de suas criaturas
possuísse um fim ambíguo ao poder definir seu próprio destino. Tal possibilidade
entraria em choque com a onipotência de Deus, através da qual, segundo seu
conselho secreto, Ele a tudo governa e regula, sem depender de nenhuma outra
coisa.

A visão reformada é supralapsarianista 1. Sendo assim, Adão, Eva e Satanás foram


originalmente criados bons e seu desejo ou inclinação mais forte deve também ter
sido originalmente bom; logo nenhum deles pode ser a origem do pecado. A origem
é o próprio Deus: Ele não apenas tinha um pré-conhecimento perfeito do resultado
da experiência de Adão, ou seja, não só seu olho onisciente viu Adão comer do fruto
proibido, mas já decretara que Adão deveria fazê-lo. Assim, Deus predestinou todos
os acontecimentos, inclusive o pecado.

John Piper, um dos expoentes contemporâneos do calvinismo, afirma: “De alguma


maneira (que nós não podemos entender plenamente) Deus é capaz, sem ser
culpado de ‘tentar’, de garantir que uma pessoa faça o que Deus ordena que ele
faça, ainda que isso envolva o mal” (PIPER, 2001, p.123 apud BRUNELLI, 1999,
p.108).

supralapsarianismo: do latim: supra (antes, acima); lapsus (lapso, queda). Doutrina segundo a qual
Deus preordenou a queda de Adão.
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1.2. A VISÃO PENTECOSTAL

Para os pentecostais o pecado surgiu primeiramente no céu, por meio de Lúcifer, o


querubim ungido que se tornou Satanás, e, depois na Terra, por meio de Adão.

Diferente dos reformadores, os pentecostais não concordam com a pré-ordenação


radical de Deus, uma vez que não teria sentido que Deus proibisse o homem de
praticar o mal que Ele mesmo já pré-ordenara. Se assim o fosse, a relação entre
Deus e o homem deveria ser classificada como artificial, falsa ou teatral (BRUNELLI,
2016, p.111).

Defendem que a onisciência de Deus não afeta as ações humanas, deixando em


aberto esta questão: “O fato de [Deus], como ser onisciente que é, saber de
antemão o que aconteceria, não consta nas ações humanas; ademais, não temos
que tentar entender como Deus lida com a Sua onisciência e Sua onipotência ao
mesmo tempo.” (BRUNELLI, 2016, p.111).

Para os pentecostais, a Bíblia trata o homem como um ser inteligente e responsável


por suas ações. Suas escolhas, atos de obediência e de desobediência; acertos e
erros; sua espiritualidade e sua carnalidade, enfim, quem somos e como somos,
ocorrem por meio de gestos espontâneos e não robotizados. A Bíblia apresenta um
Deus aberto ao diálogo e interessado em participar da vida de todos os que se
rendem a Ele. O que se depreende dessa ideia é que Deus, usando de misericórdia
para com o homem, age em favor dele para socorrê-lo; não que Deus dependesse
de um erro armado por Ele mesmo para fazer vingar um plano maior, pois o homem
pecou porque quis e não porque Deus determinou isso.

O fato é que, quando formou o homem, Deus o presenteou com Sua imagem e
semelhança. Deu-lhe capacidade de pensar, de dominar e de escolher. Adão
poderia optar por não pecar. A sua ação foi autodeterminada, caso contrário, Deus
não o teria responsabilizado pelo que fez.
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1.3. VISÃO ROMANA

Analisaremos neste tópico, especialmente a doutrina católica do pecado original.


Para tanto, lançaremos mão do Catecismo da Igreja Católica (CIC).

Segundo o catecismo, a doutrina sobre a transmissão do pecado original foi definida


sobretudo no século V, fruto das reflexões de Agostinho contra o pelagianismo, e no
século XVI, por oposição à Reforma Protestante. Pelágio sustentava que o homem
podia, pela força natural da sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de
Deus, levar uma vida moralmente boa; reduzia a influência do pecado de Adão à de
um simples mau exemplo. Já os primeiros reformadores protestantes ensinavam que
o homem estava radicalmente pervertido e a sua liberdade anulada pelo pecado das
origens, identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência para o
mal, a qual seria invencível. A Igreja Católica pronunciou-se especialmente sobre o
sentido do dado revelado, quanto ao pecado original, no segundo Concílio de
Orange em 529 e no Concílio de Trento em 1546. (CIC 406)

1.3.1. O pecado original

De acordo com a doutrina católica, nossos primeiros pais pecaram gravemente no


Paraíso, transgredindo o preceito divino que Deus lhes havia imposto para prová-los.
Como a magnitude do castigo é segundo a magnitude da culpa, por um castigo tão
severo que foi imputado – a morte da alma – depreende-se que o seu pecado foi
sério ou mortal. (OTT, p.180).

O pecado de Adão se propagou a todos os seus descendentes por geração, não por
imitação, sendo inerente a cada indivíduo.

[…] Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si,
mas para toda a natureza humana; ao consentir na tentação, Adão e Eva
cometeram um pecado pessoal, mas que afeta a natureza humana que eles
vão transmitir num estado decaído. É um pecado que vai ser transmitido a
toda a humanidade por propagação, quer dizer, pela transmissão duma
natureza humana privada da santidade e justiça originais. E é por isso que o
pecado original se chama «pecado» por analogia: é um pecado «contraído»
e não «cometido»; um estado, não um ato. (CIC, 404)
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Assim, todo ser humano já nasce privado da santidade e justiça originais. Essa
privação, porém não corrompeu completamente a natureza humana, a qual
encontra-se ferida nas suas próprias forças naturais, sujeita à ignorância, ao
sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado.

Torna-se então necessária a ministração do batismo para a remissão dos pecados.


Até mesmo às crianças, apesar de não terem cometido qualquer pecado, deve ser
ministrado o batismo para que na regeneração batismal sejam purificadas o que pela
geração contraíram. (CIC 403)

O batismo, tem o poder de conferir a vida da graça de Cristo, apagando o pecado


original e reorientando o homem para Deus, entretanto as consequências do pecado
para a natureza – a fraqueza e a inclinação para o mal – persistem no homem e
exigem que este lute contra as tais. (CIC 405)

1.3.2. Pecado mortal e pecado venial

Baseada em 1Jo 5.16-17, a doutrina católica defende que há pecados que


produzem a morte e pecados que não levam à morte.

O efeito do pecado mortal no homem é o de destruir a caridade no coração, por uma


infração grave à lei de Deus e o desviar de Deus, em troca de um bem inferior. O
pecado venial, por sua vez, deixa subsistir a caridade, mas fere e ofende. (CIC
1855)

O pecado mortal, apesar de mortal, não é imperdoável. É mortal porque ele ataca o
princípio vital da caridade no coração do homem, dependendo este de um novo ato
de misericórdia da parte de Deus e uma nova conversão, através do Sacramento da
Reconciliação, enquanto que o pecado venial constitui uma queda moral reparável
pela caridade que ainda subsiste no homem. (CIC 1856)

Para que o pecado seja mortal requer-se três condições simultâneas: (CIC 1857)

 Matéria Grave: infligir os 10 mandamentos.


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 Conhecimento: saber que o ato é pecaminoso.

 Consentimento: a escolha pessoal de cometer o delito.

1.3.3. Pecados capitais

São assim chamados apenas porque geram outros pecados. São eles: o orgulho, a
avareza, inveja, a ira, a impureza, a gula e a preguiça. Não neles uma hierarquia em
termos de punição, quando comparados com os demais pecados.

2. A SALVAÇÃO

2.1. VISÃO REFORMADA

A visão reformada entende que toda raça humana está perdida no pecado. Eles
defendem o conceito de depravação total, no qual todo indivíduo é tão pecador que
é incapaz de responder a qualquer oferta de graça. Essa condição é inata (desde o
nascimento), daí vem o termo “pecado original”. Uma vez que os seres humanos são
incapazes de sequer responder à oferta de graça, a salvação só é possível porque
Deus já pré-determinara quem receberia vida eterna.

A interpretação de que a escolha ou a seleção que Deus faz de certas pessoas para
a salvação apresenta as seguintes características:

 A eleição é incondicional, pois é uma expressão da vontade soberana de


Deus, não se baseando em algum mérito do eleito, inclusive se ele virá a crer
ou não.

 A fé e o arrependimento não são a causa de uma pessoa ser salva, mas


consequências de ter sido eleita;

 A eleição é eficaz, ou sejam, os que foram escolhidos por Deus com certeza
virão a crer nele e, também, perseverarão nessa fé até o fim;
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 Não há possibilidade de apostasia, visto que os eleitos perseverarão até o


fim, e aqueles que apostataram nunca foram verdadeiramente regenerados;

 A eleição é imutável, pois a única chance de alteração seria se Deus


mudasse de ideia.

2.2. VISAO PENTECOSTAL

Para os pentecostais, Cristo é único caminho a Deus. A salvação é concedida num


ato de graça divina, e recebida mediante a fé em Cristo. Ou seja, é resultante da
graça de Deus e da resposta humana pela fé.

A salvação abrange os seguintes aspectos na vida do crente:

 Ele recebe o perdão pelos seus pecados;

 Ele fica livre da morte espiritual;

 Ele é liberto do poder de Satanás e passa para o domínio de Deus;

 Passa a gozar de um relacionamento pessoal com Deus.

Ela também traz-lhe algumas responsabilidades:

 A exigência de separar-se do pecado e dessa “geração perversa”;

 Buscar ser cheio do Espírito Santo, através de uma vida de santidade;

 A responsabilidade de anunciar o Reino de Deus;

 É chamado a travar uma batalha constante em prol do Reino de Deus contra


Satanás.
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2.2.1. Eleição

O termo “eleição” refere-se à escolha feita por Deus, em Cristo, de um povo para si
mesmo, a fim de que sejam santos e inculpáveis diante dEle (2Ts 2.13). A doutrina
da eleição na ótica pentecostal abarca as seguintes verdades:

(1) A eleição é cristocêntrica. Ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé. A
eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo, uma vez que Deus
elegeu o homem em Cristo para a salvação (Ef. 1.4). O próprio Cristo é o primeiro de
todos os eleitos de Deus. A respeito de Jesus, Deus declara: “Eis aqui o meu servo,
que escolhi” (Mt 12.18; Is 42.1,6; 1Pe 2.4).

(2) A eleição é feita em Cristo, pelo seu sangue (Ef 1.7). O propósito de Deus, já
antes da criação (Ef 1.4), era ter um povo para si mediante a morte redentora de
Cristo na cruz. Sendo assim, a eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo,
no Calvário, para nos salvar dos nossos pecados (Rm 3.24-26).

(3) A eleição para a salvação em Cristo é oferecida a todos. (Jo 3.16,17; 1 Tm 2.4-6;
Tt 2.11; Hb 2,9). Isso torna-se possível a todas as pessoas, mediante o
arrependimento e a fé em Cristo, tornando então parte dos eleitos. Para os
pentecostais, tanto Deus, quanto o homem têm responsabilidade na eleição (Rm
8.29; 2Pe 1.1-11).

(4) O povo eleito de Deus está sendo conduzido pelo Espírito Santo em direção à
santificação e à santidade. Entretanto, novamente, o cumprimento desse propósito
para o crente dentro da igreja é condicional: a certeza da eleição depende da
condição da fé pessoal e viva em Jesus Cristo, e da perseverança na união com Ele.
(Cl 1.22,23).

2.2.2. A apostasia pessoal

Para os pentecostais a apostasia individual é possível para quem já experimentou a


salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (Hb 6.4,5). Ela pode
envolver dois aspectos distintos: (a) a apostasia teológica, isto é, a rejeição de todos
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os ensinos originais de Cristo e dos apóstolos ou dalguns deles (2Tm 4.3) e (b) a
apostasia moral, isto é, aquele que era crente deixa de permanecer em Cristo e volta
a ser escravo do pecado e da imoralidade (Rm 6.15-23; 8.6-13).

2.3. VISÃO ROMANA

Na visão Católica Romana, Cristo, tendo comprado a redenção pelo Seu sangue e
morte, entregou-a à Igreja para ser distribuída aos homens através dos
sacramentos. O evangelho de Roma centraliza-se na igreja romana, no papa e nos
sacramentos. Embora Cristo tenha morrido para adquirir a salvação do homem, ele
não se satisfaz simplesmente convidando o homem para receber esta salvação pela
fé: Cristo confiou a Pedro – o portador da chave do Céu – e aos seus sucessores –
os vigários de Cristo na Terra – a distribuição aos fiéis da ministração dos
sacramentos necessários para a salvação.

Na visão católica, é necessário que o cristão seja unido com Cristo, e isso acontece
por meio dos sacramentos. Sendo assim, os sacramentos são canais da graça
salvadora. É especialmente por meio do sacramento da eucaristia que tal união é
realizada.

2.3.1. O plano de salvação de Roma

A salvação começa com o batismo. Pode ser o batismo infantil, aos que nasceram
em lares católicos, ou o batismo adulto para os que chegaram à igreja mais tarde.
Assim, pelo batismo uma pessoa pode receber a vida espiritual.

A partir do batismo, a salvação se completa através dos outros sacramentos da


igreja. É dito que a nova vida recebida no batismo deve ser mantida viva através da
Confirmação, da Missa, da Penitência e dos Sacramentos católicos.

Os sete sacramentos são os meios necessários estabelecidos por Cristo, através


dos quais a sua graça redentora, santificante e doadora da vida é concedida às
almas dos indivíduos. Sem esses sacramentos “a alma morrerá”. Conclui-se assim,
que não existe certeza da perseverança final. Por exemplo, a participação na missa
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é de suma importância para o católico conseguir sua salvação. Ao tomar a ceia do


Senhor, a Eucaristia, ele entra em comunhão com Cristo.

Em resumo, o plano de salvação da Igreja Católica é: a fé em Cristo, o batismo, e a


permanência nos sacramentos.

2.3.2. A “graça” no catolicismo

A definição de “graça salvadora” no catolicismo difere da “graça” dos protestantes.


Enquanto que para os protestantes a graça é imerecida, gratuita, eterna e suficiente
para perdoar os pecados e conceder salvação, no catolicismo, “graça” significa a
ajuda de Deus para viver uma vida reta. É uma mistura sutil de “graça” mais “obras”,
pois ela por si só não oferece certeza eterna da salvação, mas apenas a
possibilidade de satisfazer as exigências de Deus.

2.3.3. A doutrina do Purgatório

A doutrina relativa ao Purgatório foi formulada sobretudo no Concílio de Florença e


de Trento, em referência a textos da Escritura que falam de um fogo purificador (CIC
1031). Se baseia também na interpretação de Mateus 12.32 na qual a blasfêmia
contra o Espírito Santo não é perdoada nem no presente século, nem no século
vindouro. Daí, os católicos deduzem que há faltas que podem ser perdoadas no
século presente, ao passo que outras, no século futuro.

Segundo esta doutrina, “os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não
estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna,
passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária
para entrar na alegria do Céu.” (CIC 1030)

Essa purificação é restrita aos eleitos, sendo, portanto distinta do castigo dos
condenados. Ela purifica apenas as faltas leves. A blasfêmia contra o Espírito Santo
não está aí compreendida, visto que ela será perdoada nem neste presente século
nem no século futuro (Mt 12,32).
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2.3.4. Oração pelos defuntos

Associada à doutrina do Purgatório está a prática de orar pelos defuntos, justificada


pelo texto da Bíblia Católica na qual Judas Macabeu mandou oferecer sacrifício
expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado
(2Mc 12,46). Além disso, a Igreja Católica recomenda também as esmolas, as
indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos. (CIC 1032)
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REFERÊNCIAS

BÍBLIA, Português. Bíblia de Estudo Pentecostal. Tradução de João Ferreira de


Almeida. Edição Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais – Vol 3. Rio de Janeiro: Editora


Central Gospel, 1999.

CLOUD, David. O que a Igreja Católica romana ensina sobre a salvação.


<http://solascriptura-
tt.org/Seitas/Romanismo/QueAIgrejaCatolicaRomanaEnsinaSobreSalvacao-DCloud-
Dunlap.htm>. Acesso em 18out2017.

ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Edições Vida Nova, 2015.

FERREIRA, Franklin e MYAT, Alan. Teologia Sistemática – uma análise histórica,


bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007.

IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA. Catecismo da Igreja Católica.


Disponível em <http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-
pagina-cic_po.html>. Acesso em 18out2017.

MATHIAS, Júnior. O pecado. Disponível em <http://www.afecatolica.com/products/o-


pecado>. Acesso em 18out2017.

OTT, Ludwig. Manual de teologia dogmática. 5.ed. Barcelona: Editorial Herder,


1966.

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