Você está na página 1de 2

CÂMARA DE JUSTIÇA ARBITRAL DO AMAZONAS - CJAAM

Tribunal Arbitral
Resolução Alternativa de Disputas

Processo n.º 04-07052015/CJA-AM


Demandante: Sandra Maria de Souza Brito.
Demandado(s): Sheila Maria Brito Ferreira, Marcos Antônio de Souza Brito, Clicério
Arnaldo de Souza Brito, Suely Brito Pinheiro, Airton de Souza Brito, Moisés de Souza Brito,
Antônio Carlos de Souza Brito, Mônica Fabíola de Souza Brito e Marcelo Celson de Souza
Brito.
Objeto do Litígio: Partilha e autorização de levantamento de valores.

DESPACHO ORDINATÓRIO

1. Cuida - se de instauração de procedimento arbitral promovido


pelas partes com a finalidade de delineação de partilha e da declaração de
constituição e existência de relação jurídica que demonstra a caracterização de
credor das quotas - partes de créditos pecuniários deixados em virtude de
resíduos de pensão indenizatória ao seu irmão, extinto sem deixar sucessores
diretos, bloqueados perante o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.

2. Consoante o disposto no art. 22, da Lei n.º 9.307/96, o juízo


arbitral da mesma forma que o juiz togado têm prerrogativas para proceder
mediante requerimento das partes ou de ofício na produção de provas, uma
vez que segundo Carmona: " deverá instruir as causas, ou seja prepará-
las para decisão, colhendo as provas úteis, necessárias e pertinentes
para formar o seu convencimento".

3. A equiparação legal dos poderes instrutórios do juiz togado e do


juiz não estatal, prossegue Carmona, tem conseqüências importantes: "pode
o árbitro requisitar documentos públicos, como faria o juiz, bem como
solicitar informações aos órgãos estatais; pode determinar exames e
vistorias (se necessário com o concurso do Poder Judiciário) (CARMONA,
Carlos Alberto “Arbitragem e Processo” – Editora Atlas, 2ª Edição, pág. 259).

4. O árbitro revestido da jurisdição de juiz de fato e de direito (art. 18


da Lei de Arbitragem) possui poderes instrutórios semelhantes aos conferidos
ao juiz de direito, podendo requisitar, se for o caso, documentos e informações
diretamente aos órgãos públicos, utilizando-se, inclusive, da cooperação da
autoridade judiciária que seria, originariamente, competente para julgar a
causa.
5. A justiça arbitral é substituto jurisdicional e legal, auxiliar,
independente e equivalente ao Poder Judiciário, portanto, inexiste óbice a
solicitação de prestação de informações dirigidas aos órgãos públicos com
finalidade de produção de provas no processo arbitral.

6. A jurisdictio do árbitro confere-lhe o poder de decidir, como


qualquer juiz togado sobre a conveniência de comunicação para a integração
do contraditório pelo terceiro. Se for ou não caso de intervenção, é algo a
decidir, em face do caso concreto. Por isso não cabe exclusão absoluta dos
terceiros não signatários do procedimento arbitral, pois, direta ou indiretamente
também eles têm interesse no deslinde das questões postas em discussão,
motivação que compele a comunicação ao órgão previdenciário acerca do
interesse em intervir na presente demanda, ainda que mero depositário dos
valores que serão repassados aos beneficiários.

7. À Secretaria Geral com finalidade de que proceda a expedição de


Ofício ao INSS para informar a disponibilidade do crédito de R$ 98.562,32
(Noventa e oito mil, quinhentos e sessenta e dois reais e trinta e dois centavos)
e respectivas atualizações monetárias, relativo ao período de 25/03/2007 até a
data do óbito ocorrida em 27/08/2014, na titularidade do de cujus José Roberto
de Souza Brito, em conformidade com o NB: 607.925.819-0, proveniente do
órgão previdenciário em decorrência da implantação do Benefício de Espécie
96.

8. Na oportunidade, comunique-se acerca do interesse de


manifestação como terceiro no presente procedimento arbitral.

9. Advertência para que no prazo razoável de 15 (quinze) dias a


contar do recebimento da comunicação proceda as informações solicitadas,
sob pena de ser requerida cooperação jurisdicional para a prática do ato
processual, ao órgão do Poder Judiciário que seria, originariamente,
competente para julgar a causa, o qual detêm o poder de coertio e as
conseqüências daí advindas, na forma do § 4º, do art. 22, da Lei n.º 9.307/96.

10. Após o recebimento ou não das informações solicitadas,


devolva-se o procedimento em vista para designação de audiência
conciliatória.

Manaus, 09 de Maio de 2015.

________________________
Elcio Vileman Machado
Juiz Arbitral

Você também pode gostar