Você está na página 1de 12

Rafael Barreto Ramos

© 2014

Direito Processual Penal II


Professor: Leonardo Marinho

04/02/14
 Unidades de Ensino

1. Teoria e Meios de Prova

2. Procedimentos / Competência / Atos Processuais

3. Recursos

Nota:

- Cronograma Fevereiro:

Trazer conceitos de prova – 05

Conceito – 12

Juiz – 18

Prova ilícita – 19

Seminário conceito de prova aplicado a um filme – 25/02/14

A vida de David Gale

1
Rafael Barreto Ramos
© 2014

05/02/14
 Prova

1. Conceitos doutrinários

“Reconstrução da realidade histórica a fim de verificar e confirmar determinado fato,


alcançando a certeza/verdade real com o intuito de convencimento do juiz.”

- Crítica:

A certeza, verdade real NÃO EXISTE. Deve-se trabalhar com a ideia do possível.

2. Palavra polissêmica
- Palavra polissêmica, ou seja possui diversos sentidos.

Estão SEMPRE presentes na ideia de prova:

- Atividade ou meio;

- Resultado;

- Objeto.

3. Subjetividade
A prova é subjetiva, tendo em vista que cada um tem uma percepção incompleta de
determinada situação e, intelectualmente, completa-a.

O direito começa com um fato do qual se tem uma percepção, na qual perdem-se diversos
dados, formando-se, então, um fato subjetivo.

4. Prova como troca de informações


Ao se definir prova como troca de informações, começa-se a superar o conceito acima
demonstrado.

2
Rafael Barreto Ramos
© 2014

5. Deslocamento do conceito de prova


Nas ordálias, provava-se a inocência do acusado. Na inquisição, por outro lado, buscava-se
apurar os FATOS.

Houve, então, um deslocamento da prova da inocência pela sorte, pela causalidade para a
apuração se o fato realmente ocorreu.

6. Julgamento imparcial do magistrado


O processo penal define que a mente (do magistrado) registrará um fato e o reproduzirá/julgará
de forma imparcial.

Tal fato, epistemologicamente, já se encontra superado, tendo em vista que se acredita que a
mente tem uma percepção subjetiva dos fatos.

IMPORTANTE:
- Instruções seminário filme:

Quais os elementos que levaram à solução do caso? Foram elementos isolados ou foi realizada
a construção passo a passo do fato?

Assistir ao filme “Doze homens e uma sentença.”

Como os jurados concluíram pela culpa ou inocência? Quais os dados foram usados?

3
Rafael Barreto Ramos
© 2014

11/02/14 (Retirado das anotações de Thâmara Laís)


 Reconstrução do Conceito de Prova

1. Estágios da prova
1º) Fonte ou indício
Sugestão, ideia, atividade mental.

Não é prova, todavia o Código de Processo Penal o elenca como meio de prova.

2º) Captação
Instrumentos, meio.

3º) Resultado

4º) Debate em contraditório


Interação de subjetividades, comunicação de percepções.

Dinamiza o fenômeno da prova.

Nota:
Confissão

- Prova tarifada – hierarquia de provas

Indício - insuficiente (necessária tortura até que se chegue


à confissão);

- Nova inquisitoriedade – rompeu com a barbárie (juiz clérigo), mas fortaleceu a íntima convicção do juiz
técnico.

2. Formação do significante probatório - Pra que e por que do


debate/problematização?
É preciso romper com a epistemologia da certeza. Estamos no campo da probabilidade. Deve-
se evitar que a “prova” se consubstancie como prova antes da hora.

3. Relação argumento/prova
- 1833 – Tratado da prova – Correlação entre prova e decisão – arbítrio do juiz – incerto e
duvidoso;

- 1873 – A prova é do processo, devendo ser objetivada, no sentido de que não submetida a
apenas uma subjetividade.

4
Rafael Barreto Ramos
© 2014

12/02/14
 Ônus da Prova

1. Conceito (Thâmara Laís)


Faculdade concedida à parte para comprovar uma alegação.

Os processos não possuem deveres strictu sensu, possuindo somente deveres morais.

2. Teorias
2.1. Subjetiva
O ônus da prova pertence, primeiramente, ao autor, tendo em vista que este traz a primeira
alegação.

Quando o réu traz fato impeditivo, extintivo ou modificativo se torna autor, trazendo para si o
ônus da prova de tal fato.

2.2. Objetiva
O ônus da prova é uma regra de julgamento.

Não interessa quem trouxer a prova. Deve-se verificar no julgamento quem sofrerá a
consequência de uma matéria não prova.

Como não conseguiram definir exatamente os critérios de se definir quem sofrerá a


consequência, esta teoria não se consolidou como majoritária.

3. Divisão na teoria brasileira


Ministério Público – Constitutivo – tipicidade
Foi retirado do MP o ônus de se provar a ilicitude e a culpabilidade.

Licitude e culpabilidade são consideradas como “Juízos Normativos”.

Réu – Extintivo – Exclusão da ilicitude


- Modificativo – Excludente de culpabilidade – Quebra do conceito analítico de
crime
- Impeditivo – Inimputabilidade
(Thâmara Laís) Se o réu alega excludente, o ônus passa a ser seu. Simplifica o ônus da prova da
acusação, esta deve provar o crime e não apenas a tipicidade.

5
Rafael Barreto Ramos
© 2014

4. Art. 156 – CPP e o problema da anulação do ônus da prova e do in dubio pro


reo
O controle de toda instrução está nas mãos do juiz brasileiro. Assim, o juiz continua sendo o
senhor do processo.

Quando que o juiz alegará o in dubio pro reo se tem o poder de produzir provas e ratificar seu
prévio entendimento?
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer (teoria subjetiva do ônus da prova), sendo, porém,
facultado ao juiz de ofício: (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)

I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; (Incluído
pela Lei nº 11.690, de 2008)

II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para


dirimir dúvida sobre ponto relevante. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)

5. Autossuficiência do discurso
Na inquisição, discurso é autossuficiente, sendo necessária somente a confissão do réu.

O eixo de racionalidade probatório passar a ser a confissão e não o depoimento da testemunha.

O discurso moderno é autossuficiente.

O discurso autossuficiente vale pela sua simbologia.

- Solução:
Demarcação do discurso de acusação.

Deve-se definir o argumento e quais serão as pretensões de prova.

Somente vai para julgamento argumento provado.

6
Rafael Barreto Ramos
© 2014

18/02/14
 Poderes Instrutórios do Juiz

Os poderes instrutórios do juiz não são incompatíveis com a parcialidade do julgador.

Poder de ofício na investigação não deve ser conferido ao juiz.

Três correntes de atuação do juiz na instrução:

I. O juiz é um espectador da atividade das partes. O juiz é passivo, não produz prova e não
participa da instrução. Somente se coloca como espectador.

“Parte produz prova, juiz aprecia.”

- Crítica:

Juiz inerte, juiz samambaia.

II. O juiz não pode ser mera samambaia, devendo ser protagonista, produzindo prova de ofício
em busca da verdade real.

- Crítica:

Volta do juiz inquisidor.

III. O juiz não ter poder de produção de prova de ofício, mas que, diante das provas propostas,
possa ele trabalhar dentro da instrução. Tem o poder de dialogar complementarmente¹ com
as provas produzidas.

(1) Complementarmente: Depois das partes.

Ex. Não pode arrolar testemunha, todavia pode inquirir as testemunhas arroladas; não pode
requerer perícia, todavia pode trabalhar em perícia requerida;

7
Rafael Barreto Ramos
© 2014

IMPORTANTE:
- Artigos para leitura:
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial,
não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº
11.690, de 2008)

Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na
lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)

Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)

I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; (Incluído
pela Lei nº 11.690, de 2008)

II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para


dirimir dúvida sobre ponto relevante.

8
Rafael Barreto Ramos
© 2014

12/03/14
Competência: CPP

Art. 69

- Regra geral

Lugar da infração

- Exceções (caso não se conheça o lugar da infração):

Domicílio do réu.

Ex. Crime contra a honra cometido na internet.

Nas ações de natureza privada, a ação pode ser tanto do lugar da infração quanto no domicílio
do réu, ficando a critério do querelante.

- Natureza da infração (complementar)

Varia de acordo com a região. Competência complementar ao lugar da infração ou domicílio do


réu. Quando possuírem varas específicas.

Ex. Se houver a vara de tóxicos, o crime de tráfico somente será julgado lá.

Duas regras que se aplicam quando há mais de um juiz competente para


julgamento do processo.
Distribuição

O processo será remetido para uma vara aleatoriamente por meio de sorteio. A vara na qual o
processo for distribuído tornar-se-á competente.

Prevenção

Mais de um juízo competente e um destes se antecipa, tornando-se competente. Ocorria


antigamente, tendo em vista que a distribuição era manual. Na atualidade, com a distribuição
eletrônica, tal conceito encontra-se em desuso.

Conexão e continência

Conexão (Art. 76 – CPP):

- Mais de uma infração:


Concurso de pessoas¹ ou reciprocidade²

(1) Concurso de pessoas: Mesmas pessoas praticando as mesmas infrações.

(2) Reciprocidade: Pessoas praticando infrações umas contra as outras.

Relação probatória

A prova de um crime está relacionada com a de outro.

Ex. A prova da receptação depende da prova do furto.

9
Rafael Barreto Ramos
© 2014

Relação teleológica

Qualquer relação de finalidade entre infrações.

Ex. Furtar veículo para roubar um banco. / Esconder cadáver para ocultar homicídio.

Art. 76. A competência será determinada pela conexão:

I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias
pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por
várias pessoas, umas contra as outras;

II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou
para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas;

III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir
na prova de outra infração.

Continência (Art. 77 – CPP)


Uma infração e vários resultados (concurso formal)

Erro de execução: acerta-se a pessoa certa (complexo) e a errada ou se acerta somente a pessoa errada.

Erro de resultado: Obtém-se mais resultados do que o almejado. Ex. Objetiva-se quebrar uma vidraça e,
além de quebra-la, acerta uma pessoa.

Art. 77. A competência será determinada pela continência quando:

I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração;

II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1o, 53, segunda parte, e 54 do
Código Penal.

IMPORTANTE:
Na conexão há mais de uma infração.

Na continência há apenas uma infração.

Casos especiais
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes
regras: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a


competência do júri; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; (Redação dada pela Lei nº
263, de 23.2.1948)

b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas
forem de igual gravidade; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; (Redação dada pela Lei nº 263, de
23.2.1948)

10
Rafael Barreto Ramos
© 2014

III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação; (Redação dada
pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta. (Redação dada pela Lei nº 263,
de 23.2.1948)

Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo:

I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar;

II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores.

§ 1o Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caso
previsto no art. 152.

§ 2o A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido que não possa ser
julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461.

Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em
circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para
não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a
separação.

Seminário
1) Busca e apreensão (25/03)

2) Documentos (26/03)

3) Reconhecimento – pessoas e coisas (01/04)

4) Indícios (02/04)

5) Testemunha – Acareação – Ofendido (08/04)

6) e 7) Perícia (09/04)

8) e 9) Interrogatório e Confissão (15/04)

Para denegação da Apelação, cabe Recurso em Sentido Estrito.

Para denegação de Recurso Especial e Extraordinário, cabe agravo de instrumento.

Para denegação de qualquer outro recurso, cabe carta testemunhal.

Contra impronúncia, cabe apelação. Todavia, a pronúncia é impugnada pelo Recurso em Sentido
Estrito.

11
Rafael Barreto Ramos
© 2014

12