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Rafael Barreto Ramos

© 2014

Direito Tributário
Professor: Atanair

03/02/14
Ø Poder de Tributar

1. Introdução
Toda vida em comunidade/sistema coletivo vai gerar necessidades/obrigações que devem ser
custeadas por todos.

Nos feudos, por exemplo o senhor feudal fornecia a terra e proteção e, em troca, o colono dava
a ele parte de sua produção. As pessoas, ao entregarem parte de sua produção em troca de
segurança, já é uma forma de cobrança tributária in natura.

O sistema tributário sempre seguiu a lógica que de que o Estado fornece determinado serviço e
a população, por outro lado, contribuir com o custeio tal serviço.

2. Ato de Soberania
Definia-se que o poder de tributar advém da soberania do Estado, ou seja, o tributo era
estabelecido em um ato de poder puro e simples.

3. Relação Jurídica
Entretanto, na atualidade, com a adoção Estado Democrático de Direito, o poder de tributar
deriva de uma relação jurídica, ou seja, o Estado é um sujeito de direitos e deveres.

Assim, tanto a população quanto Estado devem respeitar as leis, não podendo este se impor.

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Ø Competência Tributária

1. Conceito
É o poder que os entes políticos têm de instituir/criar tributos.

Esta é outorgada somente aos entes políticos, que são: a) União, b) Estado, c) Distrito Federal e
d) Municípios.

2. Poder privativo
Ademais, a competência é privativa do ente político, ou seja, um ente não pode invadir a
competência do outro, sob pena de cometer ato inconstitucional.

3. Competência indelegável
A COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA É INDELEGÁVEL.

Ø Capacidade Tributária

1. Conceito
Poder de administração/gerenciamento de um tributo previamente criado.
Ex. Poder de cobrança do tributo.

2. Poder delegável
A CAPACIDADE TRIBUTÁRIA É DELEGÁVEL.

Pode ser que o ente político possua tanto a competência tributária quanto a capacidade
tributária.

Todavia, a capacidade tributária PODE SER DELEGADA a outra pessoa jurídica de direito público.

Ex. União delega ao INSS a administração das cobranças sociais previdenciárias. Neste caso,
como o INSS possui personalidade jurídica, é configurada a delegação de competência.

No entanto, SOMENTE A UNIÃO PODERÁ INSTITUIR NOVOS TRIBUTOS, no entanto a


administração é realizada pelo INSS.

Em contrapartida, em 2001 a União revogou a delegação de competência ao INSS, sendo esta,


atualmente, da Receita Federal Brasileira.

ATENÇÃO:
Na atualidade, a ação que verse sobre tributos previdenciários deve ser ajuizada CONTRA A
UNIÃO.

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IMPORTANTE:
A delegação somente se dá quando o outro ente POSSUIR personalidade jurídica.

Quando um órgão do ente exerce a capacidade tributária, NÃO SE CARACTERIZA A DELEGAÇÃO


DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA.

Ex. Cobrança do Imposto de Renda pela Receita Federal Brasileira não é considerada como
delegação, tendo em vista que esta não possui personalidade jurídica.

2.1. Poder indelegável às empresas privadas (Art. 7º - Código Tributário)


A capacidade tributária traz consigo, de forma implícita, o poder de polícia, de fiscalização e as
empresas não podem, em hipótese alguma, exercer tal poder.

Deste modo, A CAPACIDADE TRIBUTÁRIA SOMENTE PODE SER DELEGADA A ENTES PÚBLICOS.
Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar
tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida
por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição.

IMPORTANTE:
A ação é ajuizada contra a pessoa que ADMINISTRA O TRIBUTO e não contra aquela que o
institui.

Nota:
Pessoa Jurídica/entidade de Direito Público Pessoa Jurídica/entidade de Direito Privado

- Não interage com o mercado; - Interage com o mercado;

- Tem finalidade estatal e NÃO ECONÔMICA; - Tem finalidade ECONÔMICA;

- Ex. União, Estados, Distrito Federal, Municípios, Ex. Sociedade empresária, Empresa Pública¹
Autarquias, Fundações. (Caixa Econômica Federal), Sociedade Empresária
de Economia Mista¹ (Banco do Brasil)
Resumidamente:

a) Entidade Política;

b) Autarquia;

c) Fundação.

(1) Empresa Pública vs. Sociedade de Economia Mista:

Empresa pública Sociedade de economia


mista
Capital 100% público Maioria do capital público
Forma jurídica Qualquer, desde que lícita Sociedade anônima (SA)
Foro Justiça Federal Justiça estadual

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Autarquias Fundações Empresas públicas Sociedades de


economia mista
Objeto Prestação de Prestação de serviço SP + exploração de SP + exploração
serviço público público (SP) atividade econômica
Personalidade Pública Público Privado Privado Privado
Regime jurídico Público Público Misto Misto/Híbrido Misto/Híbrido
Forma de criação Lei específica Lei Aut. Legal + Autorização legal + Autorização legal +
Registro... registro em cartório registro em cartório
Bens Públicos Públicos Privados Privados Privados
Pessoal Estatutário* Est. Celetista Celetista Celetista

Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando
direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de intêresse público
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao
exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à
tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão
competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade
que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

Ø Atribuição de Competência (Arts. 153 a 156, CF/88)


Outorga a cada ente político a competência tributária, ou seja poder de instituir, majorar,
reduzir tributos.

Seção III DOS IMPOSTOS DA UNIÃO


Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:

I - importação de produtos estrangeiros;

II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;

III - renda e proventos de qualquer natureza;

IV - produtos industrializados;

V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários;

VI - propriedade territorial rural;

VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.

§ 1º - É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as


alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V.

§ 2º - O imposto previsto no inciso III:

I - será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da


lei;

§ 3º - O imposto previsto no inciso IV:

I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;

II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado
nas anteriores;

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III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior.

IV - terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma
da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

§ 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades
improdutivas; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

II - não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não
possua outro imóvel; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não
implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (Regulamento)

§ 5º - O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se
exclusivamente à incidência do imposto de que trata o inciso V do "caput" deste artigo, devido na
operação de origem; a alíquota mínima será de um por cento, assegurada a transferência do montante
da arrecadação nos seguintes termos: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

I - trinta por cento para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem;

II - setenta por cento para o Município de origem.

Art. 154. A União poderá instituir:

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-
cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;

II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua


competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.

Seção IV DOS IMPOSTOS DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL

Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993)

I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993)

II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte


interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no
exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

III - propriedade de veículos automotores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

§ 1.º O imposto previsto no inciso I: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao


Distrito Federal

II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar o inventário ou
arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal;

III - terá competência para sua instituição regulada por lei complementar:

a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior;

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b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no
exterior;

IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal;

§ 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
3, de 1993)

I - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de
mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro
Estado ou pelo Distrito Federal;

II - a isenção ou não-incidência, salvo determinação em contrário da legislação:

a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações
seguintes;

b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores;

III - poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços;

IV - resolução do Senado Federal, de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores,


aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e
prestações, interestaduais e de exportação;

V - é facultado ao Senado Federal:

a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e
aprovada pela maioria absoluta de seus membros;

b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse
de Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus
membros;

VI - salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do disposto no inciso XII,
"g", as alíquotas internas, nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de
serviços, não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais;

VII - em relação às operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em
outro Estado, adotar-se-á:

a) a alíquota interestadual, quando o destinatário for contribuinte do imposto;

b) a alíquota interna, quando o destinatário não for contribuinte dele;

VIII - na hipótese da alínea "a" do inciso anterior, caberá ao Estado da localização do destinatário o
imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual;

IX - incidirá também:

a) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que
não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço
prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento
do destinatário da mercadoria, bem ou serviço;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

b) sobre o valor total da operação, quando mercadorias forem fornecidas com serviços não
compreendidos na competência tributária dos Municípios;

X - não incidirá:

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a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a
destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto
cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos
e gasosos dele derivados, e energia elétrica;

c) sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, § 5º;

d) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens
de recepção livre e gratuita; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

XI - não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados,
quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à
comercialização, configure fato gerador dos dois impostos;

XII - cabe à lei complementar:

a) definir seus contribuintes;

b) dispor sobre substituição tributária;

c) disciplinar o regime de compensação do imposto;

d) fixar, para efeito de sua cobrança e definição do estabelecimento responsável, o local das operações
relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços;

e) excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e outros produtos além dos
mencionados no inciso X, "a"

f) prever casos de manutenção de crédito, relativamente à remessa para outro Estado e exportação para
o exterior, de serviços e de mercadorias;

g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e
benefícios fiscais serão concedidos e revogados.

h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que
seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no inciso X, b; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001) (Vide Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do
exterior de bem, mercadoria ou serviço. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

§ 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum
outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações,
derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33,
de 2001)

§ 4º Na hipótese do inciso XII, h, observar-se-á o seguinte: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de
2001)

I - nas operações com os lubrificantes e combustíveis derivados de petróleo, o imposto caberá ao Estado
onde ocorrer o consumo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

II - nas operações interestaduais, entre contribuintes, com gás natural e seus derivados, e lubrificantes e
combustíveis não incluídos no inciso I deste parágrafo, o imposto será repartido entre os Estados de
origem e de destino, mantendo-se a mesma proporcionalidade que ocorre nas operações com as demais
mercadorias; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

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III - nas operações interestaduais com gás natural e seus derivados, e lubrificantes e combustíveis não
incluídos no inciso I deste parágrafo, destinadas a não contribuinte, o imposto caberá ao Estado de
origem; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

IV - as alíquotas do imposto serão definidas mediante deliberação dos Estados e Distrito Federal, nos
termos do § 2º, XII, g, observando-se o seguinte: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

a) serão uniformes em todo o território nacional, podendo ser diferenciadas por produto; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

b) poderão ser específicas, por unidade de medida adotada, ou ad valorem, incidindo sobre o valor da
operação ou sobre o preço que o produto ou seu similar alcançaria em uma venda em condições de livre
concorrência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

c) poderão ser reduzidas e restabelecidas, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b.(Incluído pela
Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

§ 5º As regras necessárias à aplicação do disposto no § 4º, inclusive as relativas à apuração e à destinação


do imposto, serão estabelecidas mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do §
2º, XII, g. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

§ 6º O imposto previsto no inciso III: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

I - terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

II - poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo e utilização.(Incluído pela Emenda Constitucional
nº 42, de 19.12.2003)

Seção V DOS IMPOSTOS DOS MUNICÍPIOS

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:

I - propriedade predial e territorial urbana;

II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão
física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua
aquisição;

III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei
complementar.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

§ 1º Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art. 182, § 4º, inciso II, o imposto previsto
no inciso I poderá:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

I - ser progressivo em razão do valor do imóvel; e (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

II - ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 29, de 2000)

§ 2º - O imposto previsto no inciso II:

I - não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em
realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação,
cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for
a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil;

II - compete ao Município da situação do bem.

§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar:(Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 37, de 2002)

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I - fixar as suas alíquotas máximas e mínimas;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 37, de 2002)

II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o exterior. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 3, de 1993)

III - regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e
revogados.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

Ø Distribuição de Receitas (Arts. 157 a 162, CF/88)


Um pouco dos tributos arrecadados pelos entes políticos são direcionados a fundos de
redistribuição de receita visando que esta seja distribuída de forma isonômica entre todos os
estados brasileiros.

Tem como objetivo evitar a desigualdade inerente a cada região referente à arrecadação
tributária.

IMPORTANTE:
A distribuição de receitas não fere o a competência tributária, tendo em vista que não interfere
na criação/instituição de tributos.
Seção VI DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS

Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal:

I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza,


incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas
fundações que instituírem e mantiverem;

II - vinte por cento do produto da arrecadação do imposto que a União instituir no exercício da
competência que lhe é atribuída pelo art. 154, I.

Art. 158. Pertencem aos Municípios:

I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza,


incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas
fundações que instituírem e mantiverem;

II - cinqüenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial
rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se refere
o art. 153, § 4º, III; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (Regulamento)

III - cinqüenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de veículos
automotores licenciados em seus territórios;

IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à
circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e
de comunicação.

Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão
creditadas conforme os seguintes critérios:

I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de
mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios;

II - até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal.

Art. 159. A União entregará:

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I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre
produtos industrializados quarenta e oito por cento na seguinte forma: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 55, de 2007)

a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito
Federal; (Regulamento)

b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Municípios; (Regulamento)

c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os
planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semi-árido do Nordeste a metade dos
recursos destinados à Região, na forma que a lei estabelecer;

d) um por cento ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do
mês de dezembro de cada ano; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 55, de 2007)

II - do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados, dez por cento aos Estados e
ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados.
(Regulamento)

III - do produto da arrecadação da contribuição de intervenção no domínio econômico prevista no art.


177, § 4º, 29% (vinte e nove por cento) para os Estados e o Distrito Federal, distribuídos na forma da lei,
observada a destinação a que se refere o inciso II, c, do referido parágrafo.(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 44, de 2004)

§ 1º - Para efeito de cálculo da entrega a ser efetuada de acordo com o previsto no inciso I, excluir-se-á a
parcela da arrecadação do imposto de renda e proventos de qualquer natureza pertencente aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos do disposto nos arts. 157, I, e 158, I.

§ 2º - A nenhuma unidade federada poderá ser destinada parcela superior a vinte por cento do montante
a que se refere o inciso II, devendo o eventual excedente ser distribuído entre os demais participantes,
mantido, em relação a esses, o critério de partilha nele estabelecido.

§ 3º - Os Estados entregarão aos respectivos Municípios vinte e cinco por cento dos recursos que
receberem nos termos do inciso II, observados os critérios estabelecidos no art. 158, parágrafo único, I e
II.

§ 4º Do montante de recursos de que trata o inciso III que cabe a cada Estado, vinte e cinco por cento
serão destinados aos seus Municípios, na forma da lei a que se refere o mencionado inciso. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

Art. 160. É vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos atribuídos, nesta
seção, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, neles compreendidos adicionais e acréscimos
relativos a impostos.

condicionarem a entrega de recursos:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

I - ao pagamento de seus créditos, inclusive de suas autarquias; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
29, de 2000)

II - ao cumprimento do disposto no art. 198, § 2º, incisos II e III.(Incluído pela Emenda Constitucional nº
29, de 2000)

Art. 161. Cabe à lei complementar:

I - definir valor adicionado para fins do disposto no art. 158, parágrafo único, I;

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II - estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o art. 159, especialmente sobre os
critérios de rateio dos fundos previstos em seu inciso I, objetivando promover o equilíbrio sócio-
econômico entre Estados e entre Municípios;

III - dispor sobre o acompanhamento, pelos beneficiários, do cálculo das quotas e da liberação das
participações previstas nos arts. 157, 158 e 159.

Parágrafo único. O Tribunal de Contas da União efetuará o cálculo das quotas referentes aos fundos de
participação a que alude o inciso II.

Art. 162. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios divulgarão, até o último dia do mês
subseqüente ao da arrecadação, os montantes de cada um dos tributos arrecadados, os recursos
recebidos, os valores de origem tributária entregues e a entregar e a expressão numérica dos critérios de
rateio.

Parágrafo único. Os dados divulgados pela União serão discriminados por Estado e por Município; os dos
Estados, por Município.

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07/02/14
Ø Princípios Gerais

1. Princípio da Legalidade
1.1. Conceito
Nenhum tributo pode ser cobrado sem lei que o estabeleça.

Ou seja, o tributo somente poderá ser cobrado se instituído por lei.

1.2. Espécies normativas


a) Lei complementar
A Constituição deve expressar que a referente matéria deve ser regulada por Lei Complementar.

b) Lei ordinária
Nos casos em que a Constituição é omissa, geralmente a matéria será regulada por Lei Ordinária.

IMPORTANTE:
Nada impede que, nos casos de omissão da Constituição, a matéria seja regulada por Lei
Complementar. Assim sendo, a escolha entre Lei Ordinária e Lei Complementar fica a cargo do
legislador.

Nota:
É entendimento do Superior Tribunal Federal que não há hierarquia entre as leis, podendo uma
Lei Complementar ser REVOGADA por Lei Ordinária.

c) Medida Provisória
Tem caráter temporário.

Não pode ser editado por Medida Provisória quando a lei exige que determinado assunto seja tratado por
meio de lei complementar.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias,
com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:

III - reservada a lei complementar;

§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts.
153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida
em lei até o último dia daquele em que foi editada.

- Interpretação:

Vai ser possível a edição de medida provisória sobre tributo quando a lei permitir que tal matéria ser
tratada por meio de Lei Ordinária.

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- Crítica Medida Provisória:

A doutrina vai contra a medida provisória, tendo em vista que, por meio desta, por muito tempo o
executivo legislou.

d) Tratados e Convenções Internacionais

- Repristinação

O fato de uma terceira lei revogar uma segunda lei que, por sua vez, revogava uma primeira lei fará com
que a primeira volte a viger.

No entanto, Brasil não é adepto da repristinação.

EM CONTRAPARTIDA, QUANDO UM TRATADO “REVOGA A SEGUNDA LEI”, A PRIMEIRA VOLTA A VIGER.

- Revogação de um tratado no ordenamento jurídico pátrio

Não há no ordenamento jurídico nenhum dispositivo que disponha que o tratado é superior à lei.

Assim, não há nenhuma norma que impeça o Congresso Nacional de disciplinar um assunto de forma
diversa do tratado.

Nota:
Em matéria de Direitos Humanos, se o tratado é aprovado no Congresso Nacional com o quórum
de Emenda Constitucional, terá o mesmo valor.

Todavia, tal regra não é aplicável aos tratados que versem sobre Tributos.

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2. Princípio da Anterioridade
2.1. Introdução
O princípio da anterioridade substituiu o princípio da anualidade que, por sua vez, definia que se editada
uma lei tributária, tal tributo somente pode ser cobrado após 1 ano.

2.2. Conceito
a) Exercício
Pressupõe que, se o tributo foi editado em determinado exercício, somente poderá viger no exercício
seguinte.

O prazo de exercício é de 01/01 a 31/12.

Ex. Tributo criado em 04/05 somente poderá ser cobrado no dia 01/01 do ano seguinte.

- Crítica:

O princípio da anterioridade de exercício abre margem para um tributo ser criado dia 31/12 passando a
ser cobrado no dia 01/01 do ano seguinte.

b) Nonagesimal (Especificamente para contribuições sociais)


Não é necessária a observância da anterioridade de exercício, podendo o tributo ser cobrado em 90 dias.

Ex. Tributo criado no mês de maio somente poderá ser cobrado em agosto.

c) Exercício + nonagesimal
Para alguns tributos, tem que ser respeitada a anterioridade de exercício, bem como o prazo de 90 dias.

Ex. Tributo criado em dezembro somente poderá ser cobrado em março do ano seguinte.

d) Livre

Não regras em relação à cobrança do tributo.

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Quadro - resumo

(1) Empréstimo compulsório para despesas


extraordinárias;

(2) ii, iE, IOF e IPI;

Não se aplica a anterioridade de exercício (3) Imposto extraordinário em caso de guerra;


(Art. 150, III, b)
(4) ICMS;

(5) CIDE;

(6) Contribuições para seguridade social.

(1) Empréstimo compulsório para despesas


extraordinárias;
Não se aplica a anterioridade nonagesimal
(Art. 150, III, c) (2) ii, iE, IOF e Ir;

(3) Imposto extraordinário em caso de guerra;

(4) IPVA;

(5) IPTU.

- Interpretação tabela:
a) Se o tributo está em apenas na primeira parte do quadro, somente se aplica a este a anterioridade
nonagesimal ou livre.

b) Se o tributo está apenas na segunda parte do quadro, somente se aplica a este a anterioridade de
exercício ou livre.

c) Se o tributo está nas duas partes do quadro, somente se aplica a este a anterioridade livre.

d) Aos tributos que não estão nas duas partes do quadro, somente se aplica a este a anterioridade de
exercício + nonagesimal.

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10/02/14
IMPORTANTE:
LEI COMPLEMENTAR PODE SER REVOGADA POR LEI ORDINÁRIA, DESDE QUE A CONSTITUIÇÃO
NÃO DEFINA QUE A REFERIDA MATÉRIA DEVE, NECESSARIAMENTE, SER REGULADA POR LEI
COMPLEMENTAR.

3. Princípio da Princípio da Igualdade


Todos devem ser tratados de forma isonômica, salvo quando autorizado pela Constituição.

4. Princípio da Capacidade Contributiva


Com o fim de garantir a igualdade material, define que o valor da contribuição será proporcional
à capacidade econômica do contribuinte.

A lei adota termos gerais ao estabelecer as faixas salariais.

O princípio da capacidade contributiva é um conceito econômico e de justiça social, verdadeiro


pressuposto da lei tributária.

Trata-se de um desdobramento do Princípio da Igualdade, aplicado no âmbito da ordem jurídica


tributária, na busca de uma sociedade mais igualitária, menos injusta, impondo uma tributação
mais pesada sobre aqueles que têm mais riqueza.

Nota:
- A junção dos princípios da igualdade e da capacidade contributiva almeja alcançar a seguinte
máxima:

Tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual na medida de sua desigualdade.

IMPORTANTE:
NÃO CONFUNDIR CAPACIDADE TRIBUTÁRIA¹ COM O PRINCÍPIO DA CAPACIDADE
CONTRIBUTIVA².
(1) Capacidade Tributária: Poder de administração/gerenciamento de um tributo previamente criado.

(2) Princípio da Capacidade Contributiva: É o princípio jurídico que orienta a instituição de tributos
impondo a observância da capacidade do contribuinte de recolher aos cofres públicos.

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5. Princípio da Vedação de Confisco¹


(1) Confisco tributário: Ato Estatal, em virtude de uma obrigação fiscal, pelo qual é injustamente
transferida a totalidade ou parcela substancial da propriedade do contribuinte ao ente tributante, sem
qualquer retribuição financeira ou econômica por tal ato.

Devem ser analisados os princípios da proporcionalidade e razoabilidade.

A Constituição estabelece em seu artigo 150, inciso IV, o Princípio do Não-Confisco Tributário,
assim redigido: “sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...]; IV – Utilizar tributo com efeito de
confisco.”

Esta vedação constitucional do confisco tributário nada mais representa senão a coibição, pela
Lex Legum, de qualquer aspiração estatal que possa levar, na seara da fiscalidade, à injusta
apropriação pelo Estado, no todo ou em parte, do patrimônio ou das rendas dos contribuintes,
de forma a comprometer-lhes, em razão da insuportabilidade da carga tributária, o exercício
do direito a uma existência digna, ou, também, a prática de atividade profissional lícita ou,
ainda, a regular satisfação de suas necessidades vitais básicas.

Neste mesmo caminho, Goldschmidt assevera:

O princípio inserto no art. 150, IV, da Carta [...] tem a precípua função de estabelecer um marco
às limitações ao direito de propriedade através da tributação, para indicar (e barrar) o momento
em que a tributação deixar de lubrificar e construir o direito de propriedade (viabilizando a sua
manutenção), para inviabilizá-lo. Graficamente, poderíamos dizer que a limitação via tributação
termina onde começa a privação, o efeito de confisco.

Por fim, cumpre asseverar que se afere o efeito confiscatório do tributo em função da carga
tributária em conjunto, com a verificação da capacidade do contribuinte – considerando a
totalidade de sua riqueza – para suportar a incidência de todos os tributos que deverá pagar,
dentro de determinado lapso temporal.
Fonte:

http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura%20&artigo_id=139
4

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6. Princípio da Liberdade de tráfego


Deriva do direito de ir e vir presente na Constituição.

O princípio da liberdade de tráfego está previsto no art. 150, V da Constituição Federal, e proíbe
que as entidades políticas estabeleçam limitações ao tráfego de pessoas ou bens, através de
tributos interestaduais ou intermunicipais.

Entretanto, pode ocorrer a incidência do ICMS nas operações relativas à circulação de


mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal.
Fonte:

http://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1326020/o-que-se-entende-pelo-principio-da-liberdade-de-trafego

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios:

V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou


intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;

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Ø Tributo

1. Conceito
É toda prestação pecuniária compulsória¹, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir², que
não constitua sanção de ato ilícito³, instituída em lei4 e cobrada mediante atividade
administrativa plenamente vinculada5.
(1) Compulsória: Obrigatória, ou seja, não há opção se deve ser pago ou não.

Diferente de preço público que, por sua vez, é facultativo.

(2) Cujo valor nela (moeda) se possa exprimir: Prestação que tenha valor econômico, não sendo o
dinheiro em si. Deriva dos tributos in natura.

Não há mais cobrança de tributo in natura, todavia há a possibilidade, conforme previsto na constituição.

Ex. Recolhimento de 20% do outro extraído.

(3) Que não constitua sanção de ato ilícito: Pois estar-se-ia, indiretamente, admitindo a prática de
determinado ato ilícito.

Entretanto, não deve ser confundido com o recolhimento de impostos do RESULTADO da prática de ato
ilícito.

(4) Instituída em lei: Em virtude do princípio da legalidade, não se pode haver tributo instituído por meio
de portaria, regulamento e afins. SOMENTE PODE SER INSTITUÍDO POR:

I. Lei ordinária;

II. Lei Complementar;

III. Medida Provisória;

IV. Tratados e Convenções Internacionais.

(5) Atividade administrativa plenamente vinculada: O fiscal não tem opção no que se refere à cobrança
de impostos. Não tem como o fiscal exercer nenhuma faculdade, nenhum poder subjetivo discricionários,
sob pena de responder por seu ato. O imposto deve ser devidamente cobrado/recolhido em toda e
qualquer hipótese.

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2. Modalidades
a) Imposto
Tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica¹.
(1) Independente de qualquer atividade estatal específica: Trata-se de arrecadação estatal para suas
diversas atividades. Independe, portanto, de qualquer contraprestação ao contribuinte.

b) Taxa
Tem como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou
potencial¹, de serviço público específico² e divisível³, prestado ao contribuinte.

“Tem um serviço prestado e o público alvo deste serviço é que pagará a taxa.”
(1) Taxa em potencial: Serviço colocado à disposição do contribuinte. Este deverá pagar a taxa
independentemente de sua utilização.

(2) Serviço público específico: Serviço bem claro, delineável. Não pode ser genérico.

Ex. Taxa de coleta de lixo.

Assim, verifica-se que existem dois fatos geradores:

I. Exercício regular do poder de polícia;

II. Serviço colocado à disposição que seja específico e divisível.

(3) Serviço público divisível: Aquele no qual é permitida sua individualização, isto é, consegue-se verificar
a prestação de serviço a cada contribuinte.

Ex. O caminhão de lixo passará na porta e coletará o lixo, se houver, de todas as casas dos contribuintes.

Contraexemplo. Taxa luz elétrica, posto que não se consegue precisar o quanto um morador utilizaria da
luz de uma praça pública.

c) Contribuições Sociais
A Contribuição Social é um tributo destinado a custear atividades estatais especificas, que não
são inerentes ao Estado. Tem como destino a intervenção no domínio econômico (Ex. FGTS), o
interesse das categorias econômicas ou profissionais (Ex. Contribuição Sindical) e o custeio do
sistema da seguridade social (Ex. Previdência Social).
- Intervenção no domínio econômico;

Ex. FGTS

- Interesse das categorias profissionais ou econômicas;

Ex. Contribuição Sindical, da OAB, CRM e afins.

- Seguridade social.

Ex. Previdência Social

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Nota:
O imposto independe de contraprestação.

A taxa é criada justamente em virtude da contraprestação.

A contribuição social é o meio-termo entre a taxa e o imposto, vez que visa o custeio de
determinada atividade não estatal que algum dia o contribuinte poderá usar ou não, todavia
sempre terá que pagar.

d) Contribuição de melhoria
Tem como fato gerador a valorização de imóveis decorrente de obra pública.

e) Empréstimo compulsório
Para despesas extraordinárias em razão de calamidades ou de guerra, bem como para
investimento público, relevante e urgente, de caráter nacional.

- Deste modo, tem como fim custeio das despesas:


I. Referentes a calamidades ou de guerra;

II. Inerentes a investimento público, relevante e urgente, de caráter nacional.

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14/02/14
Ø Vigência e aplicação da legislação tributária

- Salvo disposição em contrário¹, a lei começa a vigorar 45 dias depois de publicada; os


atos normativos² administrativos na data de sua publicação; as decisões com eficácia
normativa³ 30 dias após sua publicação; os convênios4 na data neles prevista.
(1) Salvo disposição em contrário: Geralmente, a lei dispõe em contrário

(2) Atos normativos: Instruções normativas, portarias, resoluções, ou seja, atos normativos internos de
órgãos que administram tributos.

(3) Decisões com eficácia normativa: Casos caros e complexos que importam uma decisão administrativa.
Proferidas por órgãos responsáveis pela análise tributária.

(4) Convênios: Acordo entre entes. Dois entes se reúnem e formam um acordo.

Ex. Convênio de fiscalização.

- O lançamento² rege-se para legislação vigente ao tempo do fato gerador¹.


(1) Fato Gerador: Ocorrência da obrigação tributária, do que está disposto na lei.

Ex. Ao se adquirir renda, deve-se pagar imposto. O ato de adquirir é o fato gerador.
(2) Lançamento: Procedimento que irá transformar a obrigação num crédito tributário, tendo em vista
que esta, ao ser gerada (fato gerador), não é líquida e certa, sendo apenas exigível.

Aplicar-se-á a legislação vigente no tempo do fato.

Procedimento administrativo complexo que se desdobra em vários atos.

- A revogação da isenção¹ não importa em aumento de tributo, tendo aplicação


imediata².
(1) Isenção: Dispensa do pagamento de um tributo. Trata-se de uma modalidade de exclusão tributária.

(2) Aplicação imediata: “Revogado o tributo hoje, este pode ser cobrado amanhã. Todavia, a lei,
geralmente, confere prazo para que os contribuintes se adaptem.”

- A lei nova não se aplica aos fatos consumados, mas alcança os pendentes. Aplica-se
a lei nova quando for interpretativa¹, deixar de definir o ato como infração² ou comine
pena menos severa.
(1) Interpretativa: Quando vem dizer como determinada lei deve ser lida.

(2) Infração: Em matéria de infrações tributárias, se a nova lei for mais benéfica, esta retroagirá.

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Ø Integração

- Na ausência de disposição legal expressa, a autoridade seguirá a seguinte ordem


integrativa:
1º) A analogia;

2º) Princípios Gerais de Direito Tributário;

3º) Princípios Gerais de Direito Público;

4º) Equidade.

- A analogia não pode resultar na cobrança de tributo não previsto em lei, assim como
a equidade não pode dispensar tributo devido.
- A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos,
conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente na
Constituição; mas pode definir de forma diversa em relação aos efeitos tributários
(Arts. 109, 110 – Código Tributário Nacional)

Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do
alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.

Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e
formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas
Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou
limitar competências tributárias.

- Interpreta-se literalmente a legislação sobre:


I. Suspensão ou exclusão do crédito tributário;

II. Dispensa de obrigações acessórias¹.


(1) Obrigações acessórias: O que se deve fazer, de forma complementar, para o pagamento de um tributo.

Ex. Obrigação principal: Pagar o tributo. Obrigação acessória: preenchimento de guias, etc.

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17/02/14
Ø Obrigação Tributária

1. Principal e acessória;
a) Principal
Aquela referente a pagar tributo. Tem como núcleo o verbo “pagar”.

b) Acessória¹
São todas as obrigações de fazer ou não fazer.

Ex. Fazer declaração de Imposto de Renda. / Preenchimento dos livros comerciais.


(1) Acessório: Dar condições para que suja o principal.

Quando a obrigação acessória é descumprida, se a penalidade for o pagamento de multa, esta se tornará
principal.

No entanto, nem toda obrigação acessória descumprida tornar-se-á principal, posto que existem penas
diversas da de multa.

Macete:
- Pagar – Principal;

- Fazer – Acessória.

2. Hipótese de incidência
Descrição na lei de determinado fato que irá gerar obrigação.

3. Fato gerador
Ocorrência material e concreta da hipótese prevista na lei.

4. Base de cálculo
Expressão econômica, o valor sob o qual vai incidir o tributo.

A base de cálculo É PREVISTA EM LEI. Assim sendo, deve ser alterada por lei.

Ex. Acréscimo patrimonial, no qual deverá incidir um tributo.

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Nota:
- Requisitos para geração de obrigação:

Responsabilidade descrita na lei civil

- Obrigação Civil

Fato

Descrição na lei de responsabilidade

- Obrigação Tributária

Fato

5. Alíquota
A incidência sobre a base de cálculo que vai gerar o tributo. Pode ser um percentual ou um valor
certo.

Pode ser um percentual progressivo, regressivo e afins.

6. Norma antielisão1
(1) Norma antielisão: Tem como finalidade coibir a fraude tributária.

A autoridade poderá desconsiderar atos ou negócios praticados com a finalidade de dissimular


a ocorrência do fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação
tributária, observados os procedimentos legais.
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando
direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de intêresse público
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao
exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à
tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. (Redação dada
pelo Ato Complementar nº 31, de 28.12.1966)

Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão
competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade
que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

A autoridade sempre deverá observar o devido processo legal e quando tiver atuação
discricionária, deverá agir conforme os princípio s da razoabilidade e proporcionalidade.

IMPORTANTE:
Planejamento tributário NÃO É FRAUDE.

Ex. Comprar peças de um computador e montá-lo no país NÃO É FRAUDE, tendo em vista que a
lei abre esta possibilidade.

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Ø Sujeito Ativo

Aquele que tem a capacidade tributária.

“Aquele que vai cobrar o tributo. O autor.”

Será, SEMPRE, uma pessoa jurídica de direito público.

Ø Sujeito passivo

1. Conceito
Responsável pelo pagamento do tributo e/ou que deverá cumprir obrigação acessória.

2. Tipos de sujeito passivo


a) Direto
O contribuinte, ou seja, aquele que diretamente sofre o ônus financeiro.

“Aquele que sofre a cobrança no bolso.”

Direto Contribuinte

b) Indireto
O responsável pelo pagamento.

Transferência¹

Indireto Responsável

Substituição²

(1) Transferência: Desloca a responsabilidade do pagamento do tributo para outro, no entanto este não
sofre o ônus.

Ex. Empregador é responsável pelo pagamento do imposto de renda do empregado, todavia este não arca
com o ônus financeiro, pois retém o valor do salário do mesmo.

(2) Substituição: A lei desloca a responsabilidade para terceiro, mas, neste caso, este irá arcar com o ônus
financeiro. No entanto, nas obrigações seguintes, o responsável embutirá o valor pago.

Ex. Petrobrás paga imposto sobre o combustível que vende antes de vende-lo.

3. Considerações finais
- O sujeito passivo da obrigação acessória independe do relacionado à obrigação
principal.
Ex. As imobiliárias devem informar ao fisco sobre quais imóveis ela administra, ainda que o
imposto destes estejam devidamente pagos.

- As convenções particulares não podem ser opostas à Fazendas Públicas.


Ex. Se o adquirente convenciona com terceiro sobre o pagamento do imposto ITBI. Caso este não
pague, o fisco cobrará do adquirente.

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21/02/14
Ø Responsabilidade tributária

- Os créditos relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade ou a


posse de bens imóveis, assim como as taxas relativas a serviços referentes a tais
bens, ou contribuição de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos adquirentes.
- Interpretação:

Aquele que adquire bem por ato entre vivos, fica responsável por todas as dívidas tributárias relativas a
este.

- O arrematante de bem alienado em hasta pública não é responsável, ficando


os tributos vinculados ao preço e não ao bem. (Art. 130, Parágrafo Único, CTN)
Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil
ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais
bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando
conste do título a prova de sua quitação.

Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre o respectivo
preço.

- Em relação aos bens móveis e semoventes, o adquirente também é


responsável pelos tributos do bem adquirido.
- Interpretação:

Inexiste na lei um dispositivo específico para os bens móveis e semoventes. No entanto, a jurisprudência
entende, por analogia, que se aplicam as mesmas regras dos bens imóveis.

- O espólio¹ é responsável pelos tributos até a abertura da sucessão, os


herdeiros e meeiro até a data da partilha. O inventariante que alienar os bens
administrados antes de garantidos os créditos trabalhistas responde pelo valor
desses bens.
(1) Espólio: Complexo de bens deixados pelo falecido.

- Interpretação:

As dívidas até a data da morte podem ser pagas com bens do próprio espólio.

Da morte até a partilha, os sucessores são os responsáveis.

Depois da partilha, aquele que recebeu o bem passa a ser responsável por ele.

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- Nos casos de fusão¹, cisão², incorporação³ ou transformação4, todos são


responsáveis até a data do ato social.
(1) Fusão: “Quando duas sociedades empresárias se tornam uma só.” A+B=AB;

(2) Cisão: “Quando uma sociedade empresária se divide em duas.” AB=A B;

(3) Incorporação: “Quando duas sociedades empresárias se juntam, prevalecendo uma só.” A+b=A;

(4) Transformação: “Quando se altera o tipo de sociedade.”

- Extinta a personalidade jurídica, o sócio ou espólio que continua a atividade


responde pelas dívidas tributárias.
- Aquele que adquirir o estabelecimento¹ e continuar a atividade, responde
pelas dívidas tributárias, mas de forma integral e solidária se o alienante cessou
sua atividade; e de forma subsidiária² se o alienante prosseguiu ou iniciou nova
atividade em 6 meses.
(1) Estabelecimento: Complexo de bens necessários ao exercício da atividade empresarial.

(2) Subsidiária: Somente se o alienante deixar de pagar.

- Essa responsabilidade não se aplica na alienação em processo de falência ou


quando se tratar de filial ou unidade produtiva isolada em recuperação judicial.
- Interpretação:

Na falência, o magistrado reunirá os bens do falido para pagar seu passivo. Neste caso, se o
estabelecimento é comprado, os tributos não recairão sobre o adquirente, mas sim sobre o valor pago.

Na Recuperação Judicial, caso se trate de filial ou unidade produtiva, esta pode ser alienada.

IMPORTANTE:
- A responsabilidade tributária, nestes casos, resume-se em duas regras:

a) Se eu compro um bem móvel, imóvel ou estabelecimento, eu, adquirente, sempre assumo


responsabilidade por isso.

b) Se o bem é vendido em hasta pública, a responsabilidade não virá para mim, mas sim para
o valor pago no arremate.
Comporta exceção, mas na prática, mostra-se inviável.

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Rafael Barreto Ramos
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24/02/14
- No caso de impossibilidade de cumprimento da obrigação pelo contribuinte e
havendo ação ou omissão por parte de terceiro, este responde solidariamente¹
com aquele nos casos de:
Quando o contribuinte deixar de pagar determinado tributo (impossibilidade, ação ou omissão),
estas pessoas SEMPRE serão chamadas à responsabilidade.
(1) Responsabilidade solidária vs. Responsabilidade subsidiária

- Responsabilidade Solidária:

Ambas têm responsabilidade, todavia o fisco poderá escolher de quem irá cobrar.

- Responsabilidade Subsidiário:

Primeiro o fisco deve cobrar de um e, se não deu certo, deve cobrar de outro.

(a) pais, tutores e curadores;


Em relação a filhos menores, tutelados e curatelados, respectivamente.

Ex. Menor que herda valor e não paga ITCB. Neste caso, a responsabilidade pelo pagamento será
dos pais, tutores ou curadores.

(b) inventariante e administrador judicial;


Ligado ao espólio e à massa falida na falência ou recuperação judicial, respectivamente.

(c) serventuários dos cartórios extrajudiciais;


Cartórios de notas, registros de imóveis e afins.

O titular dos cartórios será responsável pelos tributos nos atos que intermediou.

Ex. Titular do cartório deixa de lavrar escritura em ato de compra e venda de imóvel. Neste caso,
o fisco poderá cobrar o ITB tanto do titular quanto do adquirente, bem como dos dois em
simultâneo.

(d) sócios na liquidação da sociedade de pessoas². (Art. 134 – CTN)


O sócio de SOCIEDADE DE PESSOAS poderá ser alcançado no caso de não observância das regras
tributárias em sua liquidação.
(2) Sociedade de pessoas: Aquela em que seus sócios são necessários, ou seja, exercem alguma atividade
na sociedade.

IMPORTANTE:
A RESPONSABILIDADE DO ART. 134 INDEPENDE DE CULPA OU DOLO, ATO ILEGAL, ETC.

CHAMA-SE A RESPONSABILIDADE POR MERA OMISSÃO.

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Rafael Barreto Ramos
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Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo
contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que
forem responsáveis:

I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores;

II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados;

III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;

IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;

V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário;

VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos
praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício;

VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas.

Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório.

- No caso de excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos,


são pessoalmente responsáveis os referidos no art. 134, os mandatários,
prepostos e empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes
de pessoas jurídicas. (Art. 135, CTN)
É entendimento pacificado do STJ a necessidade da existência de dolo, fraude. Deve-se,
portanto, sonegar o imposto.

Aquele que, por mero insucesso, não paga, não recai na hipótese do art. 135.
Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias
resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos:

I - as pessoas referidas no artigo anterior;

II - os mandatários, prepostos e empregados;

III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.

IMPORTANTE:
EXIGE UM EXCESSO, UMA FRAUDE, UMA VIOLAÇÃO LEGAL. A MERA FALTA DE PAGAMENTO
NÃO GERARÁ A RESPONSABILIDADE. DEVE HAVER O DOLO, A FRAUDE.
Art. 134 Art. 135

Responsabilidade INDEPENDE de culpa ou dolo, Para que se configure a responsabilidade, é


ato ilegal e afins. exigido excesso, fraude, violação legal.

A mera falta de pagamento não gerará


responsabilidade.

Deve haver DOLO.

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Rafael Barreto Ramos
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- A capacidade civil e as limitações ao exercício de atividades profissionais ou


empresariais não interfere na responsabilidade tributária.
Ex. Pessoa que não tem a OAB e começa a advogar, adquirindo certa renda.

Sua impossibilidade de advogar não implica no não pagamento de tributo referente à renda
adquirida, ou seja, ela não poderá alegar a impossibilidade de pagar o imposto por não ter OAB.

- A responsabilidade por infrações¹ é pessoal² do agente que praticou o ato,


especialmente quando definidas como crimes e contravenções, quando exijam
dolo específico ou no caso dos referidos no art. 134, CTN.
(1) Infrações: Vai além do descumprimento da responsabilidade tributária.

(2) Pessoal: Se possível de individualizar, será PESSOAL.

- Essa responsabilidade é excluída para denúncia espontânea, acompanhada do


pagamento integral³, do tributo devido e encargos, EXCETO em relação aos
tributos lançados por homologação², que não a admitem.
(1) Denúncia espontânea: A responsabilidade poderá ser excluída nos casos de denúncia espontânea.

Somente é possível nos casos de tributos lançados de ofício² ou por declaração².

O benefício da denúncia espontânea consubstancia-se no fato de ficar ISENTO da multa.

(2) Tributos lançados de ofício vs. por declaração vs. por homologação:

- De ofício: Autoridade apura o fato gerador. Esta que verifica se o fato ocorreu, legislação aplicável e
afins.

“O fisco faz tudo.”

- Por declaração: Necessário que o contribuinte fale que o fato ocorreu. Após isto apurara tudo.

“Meio-termo.”

- Declaração: O contribuinte dirá que o fato ocorreu, qual a lei e afins.

“O contribuinte faz tudo.”

(3) Pagamento integral: tributo mais juros.

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28/02/14
Nota:
- Hipótese de incidência é a situação descrita na lei que ensejará a cobrança de tributo.

- Através do LANÇAMENTO, o Estado, cria a obrigação tributária, na qual o sujeito ativo será
aquele que possui capacidade tributária e o sujeito passivo é o contribuinte e o responsável.
(1) Lançamento: Complexo de atos que formará o Procedimento administrativo através do qual se
verificará a ocorrência do fato gerador1.1, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável,
calcular o tributo e, se o caso, aplicar a penalidade.

(1.1) Fato gerador: Situação prevista na lei que ocorre de fato, gerando, portanto, a obrigação tributária.

- Transferência: Desloca a responsabilidade do pagamento do tributo para outro, no entanto o


responsável não sofre ônus.

- Substituição: Nesta, o responsável sofrerá ônus financeiro.

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Ø Crédito Tributário

- É o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, pelo qual o sujeito passivo fica


impelido ao pagamento do tributo de penalidade¹ ao sujeito ativo.
(1) Penalidade: Multa.

- O crédito tributário é a constituição formal da obrigação, através do


lançamento. Ele é declaratório da obrigação e constitutivo do crédito tributário.
- O lançamento é o procedimento administrativo para verificar a ocorrência do
fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável,
calcular o tributo e aplicar a penalidade, se o caso.
Não é lançamento que criará a obrigação, este apenas declara a existência da obrigação. A
obrigação surge quando se caracteriza a situação prevista na lei.

- Aplica-se o câmbio e a legislação vigente na data do fato gerador, exceto em


relação às penalidades, uma vez que a lei mais benéfica retroage em favor do
contribuinte. (Natureza Material)
Na lei processual, as modificações se aplicam imediatamente.

No que se refere a questões materiais, aplica-se a lei vigente ao tempo do FATO GERADOR.

Todavia, a lei mais benéfica, EM RELAÇÃO À PENALIDADE, retroage em favor do contribuinte.

IMPORTANTE:
A LEI MAIS BENÉFICA, REFERENTE À OBRIGAÇÃO, NÃO RETROAGE.

- Quanto aos critérios de apuração, fiscalização, garantias e privilégios, aplica-


se a legislação vigente ao tempo do lançamento, salvo a que atribuir
responsabilidade a terceiros. (Natureza Processual)
Ex. O tio, à época, não era responsável pelo pagamento do tributo. Se, na atualidade, passar a
ser, esta responsabilidade não retroagirá.

- O lançamento possui duas fases:


a) a oficiosa, que vai até a intimação¹ do sujeito passivo;
(1) Intimação: Administrativamente, não se utiliza o conceito de citação, sendo o termo intimação
utilizado de forma genérica.

b) E a contenciosa, durante a qual se desenvolve o contraditório e os recursos


até a última decisão definitiva.

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IMPORTANTE:
Após a intimação, não é mais possível a incidência da DECADÊNCIA.

Até a intimação, pode haver a incidência da DECADÊNCIA.

Após a decisão final, incidirá a PRESCRIÇÃO.

Ocorre nos tributos lançados de ofício e por declaração.

Nos tributos lançados por homologação, não é possível o exercício do contraditório e ampla
defesa contra si mesmo.

Assim, as declarações referentes aos tributos lançados por homologação são equivalentes à
decisão definitiva nos tributos lançados de ofício e por declaração.

- A lavratura do auto de infração ou a apresentação de Declarações Fiscais


consumam o lançamento, que não comporta mais extinção por decadência.
O crédito tributário já está definido e agora vai se desdobrar na fase contenciosa nos tributos
lançados de ofício e por declaração e, nos tributos lançados por homologação, caracterizar-se-á
a fase referente à última decisão administrativa, sendo este crédito já exigível pelo fisco.

- A mudança nos critérios jurídicos adotados no lançamento somente pode ser


efetivada quanto a fatos posteriores.

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07/03/14 (Retirado do material de Thâmara Laís e Rebeca Ribeiro)

Ø Modalidades de lançamento

1. De ofício (Lançamento padrão)

(Rebeca Ribeiro) Autoridade apura fato gerador, calcula tributo e afins. Fase oficiosa.

Pode-se recorrer na fase contenciosa.

Ex. IPTU à cobrança do tributo é conforme previsão legal. Desenvolve a partir da autoridade
administrativa.

(Thâmara Laís) A autoridade administrativa irá apurar a ocorrência do fato gerador, qual a
matéria tributável, calcular o tributo, verificar os responsáveis e intimá-los para pagamento.
Fase oficiosa a cargo da autoridade administrativa exclusivamente.

2. Por declaração (Lançamento padrão)

(Rebeca Ribeiro) Necessário que o sujeito passivo declare que o fato ocorreu, pois é muito difícil
a administração descobrir sozinha.

Ex. Compra de imóvel.

Existe uma declaração do sujeito passivo para apuração do tributo devido pelo fisco. O sujeito
passivo participa da pré-fase oficiosa.

O prazo decadencial de 05 anos começa a contar a partir de 01 ano depois (vide abaixo).

(Thâmara Laís) O sujeito passivo pode deve declarar que o fato ocorreu. A partir da desta
declaração, o fisco irá apurar a matéria tributável, calcular o tributo, verificar os responsáveis e
intimá-los para pagamento.

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IMPORTANTE

(Rebeca Ribeiro) Cabe impugnação nos lançamentos de ofício e por declaração:

(Thâmara Laís) Nestes lançamentos é possível questionar através de impugnação (30 dias de
prazo) que, por sua vez, será analisada pelo delegado.

3. Por homologação

(Rebeca Ribeiro) Fisco aguarda o contribuinte realizar toda a fase oficiosa (definir fato gerador,
definir sujeito passivo, calcular tributo e pagá-lo, comunicando que pagou)

Ex. GFIP, DIRPFJ, DCTF

Equipara-se à última decisão administrativa. Não possui fase oficiosa.

Tudo que é declarado por homologação é confissão irretratável, não tem contraditório sobre o
que ele mesmo fez. Cabe, no máximo, retificação (com atenção ao prazo prescricional¹).

(1) Prazo prescricional: Fisco tem 05 anos para:

- Homologar confissão (homologação expressa);

- Deixar passar o tempo (homologação tácita);

- Divergência do fisco.

Ex. 10.000 (declaração)

27,5% de imposto

Devido: 2.750,00

Se o sujeito passivo não pagar, o fisco não intima a pessoa para contestar, mas já parte para cobrança.

Sobre a diferença não declarada, apura o que está faltando mais multa, intimando para pagar. Ou seja,
um lançamento de ofício dentro de uma homologação.

Às vezes, quando a parte não faz a declaração, o fisco fica sem meios para saber o valor da contribuição,
fazendo assim arbitramento².

(2) Arbitramento: Técnica indireta de estimativa para lançamento de ofício do tributo. Método ou técnica
de lançamento por ofício no caso de descumprimento do dever legal.

O que a pessoa declarou à 05 anos prescrição.

O que e feito por arbitramento ou o que não se declarou, deflagra todo o procedimento desde a fase
oficiosa (cabendo contraditório).

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Se o fisco esquecer de averiguar o que faltou, aplica-se decadência (prazo 05 anos).

Ex. Fato gerador ocorreu em 2002, não se pode apurar mais.

(Thâmara Laís) A lei transfere para o sujeito passivo todos os atos que nos outros lançamentos
são função da autoridade administrativa.

Sujeito passivo apura o fato, a matéria, calcula e paga à confessa o tributo, não existe fase
contenciosa. Se não houver pagamento, o fisco irá cobrar através de execução judicial.

O fisco pode, após recebimento da declaração:

- Homologar (difícil de acontecer);

- Deixar passar o prazo (homologação tácita após 5 anos);

- Divergir.

Quando o fisco não tem meios para apurar o tributo, o faz por arbitramento – utiliza de
meios/técnicas indiretas previstas na legislação.

Nota:

- Para um mesmo tributo pode-se ter situação de decadência e prescrição.

- Prazo de decadência nos lançamentos de ofício e por declaração começa no 1º dia do exercício
seguinte.

Ex. IPTU do ano 2000 à prazo começa a correr em 1º de janeiro de 2001.

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Ø Suspensão do Crédito¹ Tributário

(1) Crédito: Já existente.

(Rebeca Ribeiro) NÃO DISPENSA O CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.

Suspende a exigibilidade por um tempo, mas pode ser cobrado posteriormente.

(Thâmara Laís) Suspende-se a exigibilidade por um tempo, mas pode ser que volte a ser
cobrado.

- Hipóteses que geram suspensão:

1. Moratória

(Rebeca Ribeiro) Somente pode ser concedida pelo credor – fisco (devedor é inadimplente).

É um prazo para o devedor pagar o tributo (postergado).

No campo rural o governo sempre concede moratória aos produtores.

A prescrição fica suspensa.

(Thâmara Laís) Privativa do credor, só este pode conceder. Só o fisco pode conceder.

Prazo para o devedor pagar o tributo (postergado) com tempo maior.

Só a lei pode autorizar a moratória, podendo delegar apuração de dados concretos.

Durante o prazo de moratória, não corre prescrição.

2. Depósito integral (Lei 9.703/98)

(Rebeca Ribeiro) Em caso de perda da ação, converte-se em pagamento, livrando dos juros.

(Thâmara Laís) Suspende o crédito e cessa encargos moratórios¹.

(1) Encargos moratórios: Sobre o valor depositado (conta do tesouro nacional) incide taxa SELIC –
atualização/rendimentos.

Ex. Discussão do crédito tributário.

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3. Impugnações e recursos

(Rebeca Ribeiro)

- Impugnação à suspende exigência do crédito tributário.

- Recurso à depende da legislação de cada ente público Ex. Recurso no âmbito federal
suspende.

(Thâmara Laís)

Âmbito federal – efeito suspensivo / âmbito estadual – verificar legislação específica.

4. Liminar ou tutela antecipada em ação judicial

(Rebeca Ribeiro) Se o sujeito ganha liminar, tem-se suspensão, mas se perder a ação, tem que
pagar o que deve.

Ex. IR não exige tributos de férias não gozadas, mas o fisco exige. Sujeito pede liminar e perde a
ação. Deverá pagar os tributos.

(Thâmara Laís) Suspende, se assim o juiz decidir (a exigibilidade e não os encargos).

Na prática, em matéria tributária, raramente há concessão.

Utilizada com frequência – discussão de verbas indenizatórias.

NÃO INCIDE IR SOBRE FÉRIAS INDENIZADAS – SÚMULA.

5. Parcelamento

(Rebeca Ribeiro) Quando não consegue efetuar o pagamento integral do tributo.

Regra Geral à 60 meses.

(Thâmara Laís) Regra geral – até 60 meses.

Não exonera de encargos.

IMPORTANTE:

(Rebeca Ribeiro) Exceto depósito integral, não se suspende os encargos moratórios.

Obrigação integral e acessória são INDEPENDENTES.

(Thâmara Laís) Obrigação principal e acessória são independentes. Ainda que o crédito esteja
suspenso, deve-se executor as obrigações acessórias.

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10/03/14
Nota:
O que determina a competência do Direito do Trabalho não é o Direito Material aplicado, mas
sim a natureza da relação jurídica da qual surgiu a controvérsia.

Ø Extinção do Crédito Tributário


1. Pagamento

- Ordem de imputação:

1º os débitos em que o pagante é contribuinte;

2º responsável;

3º Contribuição de melhoria, taxas e impostos;

4º Os mais antigos;
“Quanto mais antigo o débito, maior é a sua chance de prescrever.”

5º Maior valor.

Art. 374, Código Civil/02¹ - REVOGADO

2. Restituição/Compensação MP 104/03 (Revogou o art. 374 do Código Civil)

Lei 10.667/03

Lei 9.430/96²

Art. 170-A, CTN³

Quando se paga um valor a mais ou indevido, configura-se o direito de receber tais valores ou
compensá-los em outros.

E matéria tributária, a compensação não será possível de qualquer forma.

Só podem ser compensados tributos com tributos, sendo estes de mesma espécie e de mesma
destinação constitucional.

Ex. Contribuição social NÃO PODE SER COMPENSADA com imposto.

CIDE NÃO PODE SER COMPENSADA com contribuição previdenciária.


(1) Art. 374. A matéria da compensação, no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais, é regida pelo
disposto neste capítulo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 24.10.2002) (REVOGADO pela Lei nº 10.677,
de 22.5.2003)

- Interpretação:

Possibilidade de compensação plena. Todavia tal artigo foi revogado em 2003.

( ) Lei 9.430/96

Possibilidade de compensação de tributos administrados pelo mesmo órgão/entidade.

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Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação


judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.

Em razão a tributos discutidos judicialmente, deve-se exigir trânsito em julgado.

- Vedação expressa (não se pode compensar):


I. Crédito de terceiros;

II. Saldo do IR;

III. Importação.

3. Transação
Ocorre mediante concessões mútuas. Somente poderá ocorrer em caso de ação judicial entre o
fisco e o contribuinte.

O STJ já evoluiu na sua jurisprudência. Assim, segundo STJ, mesmo sem ação judicial, ou seja, de
forma preventiva, é possível a transação.

4. Remissão
Perdão total ou parcial da dívida.

Nota:
- Remição: instituto em que o devedor tem um imóvel penhorado e não quer que tal imóvel seja
vendido em hasta pública. Assim, pede a remição para, mediante depósito do valor, penhorar o
imóvel. (Direito Processual Civil).

- Anistia (Direito Tributário): É perdoada apenas a PENALIDADE, permanecendo a obrigação de


pagamento do tributo.

5. Decadência
Até a intimação do lançamento, ocorrerá a decadência.

Nos tributos lançados de ofício e por declaração, a decadência começará a correr no exercício
seguinte.

Ex. 01/01/2000 – começará a correr a decadência em 01/01/2001.

Nos tributos lançados por homologação, a decadência começará a correr a partir do fato
gerador.

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6. Prescrição
Inicia-se da última decisão administrativa ou da declaração do tributo lançado por homologação.

- Inscrição na Dívida Ativa: Conferir ao crédito tributário a certeza de liquidez e legitimidade.


Feita pela procuradoria.

A inscrição em dívida ativa SUSPENDE a prescrição por 180 dias.

Art. 2º - Lei 6.830/80:


(NÃO APLICÁVEL À MATÉRIA TRIBUTÁRIA – ENTENDIMENTO STJ) Art. 2º - Constitui Dívida Ativa da
Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de
1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e
controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.

§ 3º - A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão
competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos
de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele
prazo.

STJ, interpretando o art. 146 da CF, definiu que o art. 2º da lei 6.830 não sei aplica à MATÉRIA
TRIBUTÁRIA. Em matéria NÃO TRIBUTÁRIA, aplicar-se-á o disposto no art. 2º da lei 6.830.
Art. 146. Cabe à lei complementar

III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:

b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;

- Interrupção da prescrição:

Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua
constituição definitiva.

Parágrafo único. A prescrição se interrompe:

I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de
2005)

A citação em execução fiscal de dívida prescrita interrompe a prescrição, nos moldes do art. 219 do CPC.
Todavia, o CPC não é lei complementar, não devendo ser aplicado em matéria tributária. Contudo, este é
aplicado pelo STJ em matéria tributária.

II - pelo protesto judicial;

III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;

IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo
devedor.

Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando
ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição.

IMPORTANTE:
Tanto a prescrição quanto a decadência são de 5 anos.

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7. Conversão do depósito em renda


Depósito realizado anteriormente Se a ação for perdida, o magistrado

8. Pagamento antecipado e homologado


Extingue o crédito.

9. Consignação em pagamento
A sentença de consignação libera o devedor. Se o valor depositado for menor, a sentença da
consignação torna exigível o pagamento da diferença, liberando o devedor do valor pago.

10. Decisões administrativas ou judiciárias transitadas em julgado


Decisões que definem que o tributo é indevido.

11. Dação em pagamento de bens imóveis.


Oferecimento de um bem imóvel para o pagamento de uma dívida. O Estado avaliará o imóvel
e mencionará por quanto irá recebê-lo.

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14/03/14
Ø Exclusão do Crédito Tributário
1. Imunidade
É vedado aos entes públicos instituírem impostos¹ sobre:
(1) Imposto: é uma espécie do gênero tributo.

Discussão: a constituição quis dar imunidade somente aos impostos ou esta pretendeu abarcar
o gênero tributo?

a) Uma corrente define que imposto deve ser entendido em sentido amplo, ou seja, abarcando
o gênero tributo.

b) Outra corrente define que a Constituição não se utiliza de palavras inúteis. Se esta utilizou-se
da expressão imposto, deve-se interpretar literalmente.

Em mesmo sentido, há outros artigos constitucionais que mencionam expressamente o termo


tributo.

Por fim, o STF entendeu que a IMUNIDADE SOMENTE SE APLICA AOS IMPOSTOS.

Existem situações que a imunidade se aplica às Contribuições Sociais, todavia, nestes casos, a
Constituição faz MENÇÃO EXPRESSA.

(i) patrimônio, renda e serviços uns dos outros;


Imunidade recíproca: estabelece uma barreira que impede um ente cobrar do outro um
respectivo tributo.

Refere-se somente às atividades públicas essenciais exercidas pelo ente público.

O ente público não pode criar uma entidade que interferirá no mercado sem pagar tributos, pois
configurar-se-ia a concorrência desleal.

Ex. Município cobrar tributo dos imóveis da União.

(ii) templos de qualquer culto;


A jurisprudência abrange tudo (templo, patrimônio, renda) desde que seja ATIVIDADE
ESSENCIAL.

(iii) patrimônio, renda e serviços dos partidos políticos, entidades sindicais, instituição
de educação e assistência social sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
Três requisitos instituição de assistência social sem fins lucrativos (ar. 14 – CTN):

a) Não distribuir lucros;

b) Não remunerar seus diretores;

c) Manter escrituração formar regular.

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(iv) livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão.


Abrange também a mídia digital.

PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO.
Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

IV - cobrar imposto sobre:

a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros;

b) templos de qualquer culto;

c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades
sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos,
observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº
104, de 10.1.2001)

d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros.

§ 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de
responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos
em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros.

§ 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplica-se, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas
jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos.

Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes
requisitos pelas entidades nele referidas:

I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação
dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)

II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;

III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de
assegurar sua exatidão.

§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente


pode suspender a aplicação do benefício.

§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente


relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos
respectivos estatutos ou atos constitutivos.

2. Isenção
Exclusão do crédito prevista na lei. Concedida por lei, revogada por lei.

3. Não incidência e alíquota zero


Reduzir a alíquota a zero. Exclui o tributo pela força da operação matemática.

4. Anistia
Perdão das penalidades pecuniárias. Não se aplica a crimes, contravenções e nem a atos
praticados com fraude, dolo ou simulação.

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17/03/14
Ø Garantias e Privilégios do Crédito Tributário
- Todos os bens e rendas dos sujeito passivo¹, seu espólio², massa falida³
respondem pelo crédito tributário, inclusive aqueles hipotecados ou
penhorados4. Só não haverá essa hipótese no caso de impenhorabilidade
decorrente de lei (Art. 649 - CPC).
(1) Sujeito Passivo: Devedor.

(2) Espólio: Se o devedor morrer.

(3) Massa Falida: Empresários e sociedades empresárias em processo de falência.

(4) Inclusive aqueles hipotecados ou penhorados: INOVAÇÃO TRIBUTÁRIA. Regra exclusivamente


tributária, portanto não adotada pelo Direito Civil.

- Considerações:

O FISCO SE SOBREPÕE INCLUSIVE AOS CREDORES COM DIREITOS REAIS.

Ex. Casa hipotecada por banco na qual não é pago IPTU. O fIsco sobrepõe à ordem das penhoras,
recebendo anteriormente a todos os demais credores, inclusive os hipotecários.

O fisco somente é obstado por ato previsto na lei.

IMPORTANTE:
O fisco vai além da garantia geral, tenho preferência inclusive a bens hipotecados e penhorados.

Somente se sujeita à impenhorabilidade prevista em lei. Assim, a impenhorabilidade


estabelecido por vontade de particular NÃO OBSTA O FISCO.

- Presunção de fraude: a alienação ou oneração de bens, ou seu começo,


presume-se fraudulenta se o sujeito passivo possui débito descrito em Dívida
Ativa em fase de execução, salvo se o devedor reservar bens ou rendas
suficientes ao pagamento.
A doutrina e jurisprudência entende que para o fisco recuperar o bem, deve-se provar a má-fé
de terceiro ou vício que tornasse a compra fraudulenta.

A inscrição em Dívida Ativa, em virtude de modificação legislativa, já presume a execução, não


dependendo, nem mesmo, de citação.

Ação pauliana: Ação de resgate de bem transferido para terceiro de forma fraudulenta.

- O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for a natureza ou época
de sua constituição, salvo os decorrentes da relação de trabalho ou de acidente
de trabalho.

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- Na falência, não prefere aos extraconcursais e às importâncias passíveis de


restituição, nem aos créditos com garantia real até o valor do bem gravado. Os
créditos trabalhistas foram limitados a 150 salários mínimos por credor. Não há
limite em relação a acidente do trabalho.
- Os créditos referentes às multas ficaram para ser pagos, na falência, após os
credores quirografários.
- A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeito a concurso de credores
ou habilitação.
Não é necessário ao fisco se habilitar, podendo este já penhorar de início os bens do devedor.

- Entre os entes públicos observa-se a seguinte ordem de frequência:


1) União;

2) Autarquia Federal;

3) Estados, Distrito Federal e Territórios;

4) Autarquia Estadual e Distrito Federal;

5) Municípios;

6) Autarquia Municipal.

- Exige-se prova de quitação dos tributos (CND):


a) Extinção das obrigações do falido;

b) Julgamento da partilha em inventário ou arrolamento;

c) Celebração de contrato ou proposta em licitação pública.

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21/03/14 (Retirado do material de Thâmara Laís e Rebeca Ribeiro)


Ø Fiscalização (CTN)
- Não só a lei, mas a legislação como um todo, pode definir a competência da
autoridade, do servidor ou do órgão para lavratura do auto de infração, o
procedimento e o julgamento do processo administrativo, os recursos e a
prática dos atos em geral.

(Rebeca Ribeiro) Cada ente público usa sua própria legislação¹ para definir práticas dos atos em
geral.

(1) Legislação: Mais ampla que lei. Abrange resolução portaria, regulamento, regimentos internos. São
muito mais utilizados. Não são matérias utilizadas em lei. Matéria que traz minúcias não adequadas a lei.

(Thâmara Laís) O CTN remete a competência de cada ente.

SOMENTE A LEI PODE DISPOR SOBRE O PROCEDIMENTO TRIBUTÁRIO – AFIRMATIVA FALSA

- Não se aplicam dispositivos legais que limitem ou excluam o direito dos


agentes do fisco de examinarem mercadorias, livros arquivos, papeis comerciais
ou a obrigação de exibi-los. (Art. 195, CTN)
Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais
excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e
efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-
los.

Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos


lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários
decorrentes das operações a que se refiram.

- Considerações:

(Rebeca Ribeiro) O art. 195 é um dispositivo polêmico.

Ex. Fisco não vai olhar os papeis da Samsung a respeito do lançamento do Galaxy 5, uma vez se tratar de
segredo industrial.

O fisco, então, só pode acessar documentos relacionados a ele, e não de modo geral.

Se o sujeito passivo negar exibir os papeis, o fisco precisa de autorização judicial para apreender
documentos.


Quando o fisco verifica uma fraude (com o livro já na mão) e apreende o livro.

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(Thâmara Laís) Polêmica – Há papeis que não tem interesse fiscal ou relação com escrituração, como
papeis sobre o projeto de lançamento de um novo produto. O artigo deve ser interpretado no sentido de
abranger somente os papeis fiscais.

- A obrigação de exibir livros só pode atingir aqueles obrigatórios, determinados


na legislação.

- Diante de omissão, fraude ou deformação da escrituração, o fisco pode


promover o lançamento por arbitramento¹.

(1) Lançamento por arbitramento:

(Rebeca Ribeiro) (não é a 4ª modalidade) é um método para suprir a falta de informações. De ofício.

Ex. Fiscal chega no prédio à não tem como saber o quanto se gastou na obra. Ele faz uma previsão do
valor. A legislação estabelece a porcentagem que é devida ao fisco. O fiscal aplica as alíquotas devidas.

É UMA MODALIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.

(Thâmara Laís) De ofício. Método utilizado para suprir falta de informações.

O lançamento por arbitramento pode ser feito quando há deformações nos livros1.1.

(1.1) Deformações nos livros: borrões, entrelinhas.

Ex. Receita bruta – lucro 32% - incidência de 10% ou 15%.

Nota:

Deve-se verificar quais livros determinado empresário tem obrigação de ter. Não se pode exigir
o que, por lei, o empresário não tem.

Se não obrigado a ter, mas tem, é obrigado a apresentar – doutrina.

- Os livros e documentos devem ser guardados pelo tempo da prescrição.

(Thâmara Laís)

1ª Corrente: guardar por 05 anos.

2ª Corrente: guardar por 10 anos.

Nota:

Obrigação tributária à fato gerador + hipótese de incidência.

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24/03/14
IMPORTANTE (Thâmara Laís):
O CTN não é lei complementar, mas tem status de lei complementar. (QUESTÃO DE PROVA)

- A autoridade administrativa deve lavrar previamente o termo¹ que documente


o início do procedimento fiscalizatório, que pode ser feito no próprio livro do
contribuinte ou documento separado. Definirá prazo razoável para conclusão
das diligências.
(Rafael Barreto) Será lavrado no próprio livro do contribuinte ou em documento separado.

O termo é entregue ao contribuinte ou estará em seu próprio livro e servirá como contrafé desta
fiscalização para ser utilizada para fins de comprovação.

Não serão definidos prazos fixos para conclusão das diligências, tendo em vista que estes
variarão de acordo com a complexidade de cada uma. Todavia, serão estipulados prazos
razoáveis.

(Rebeca Ribeiro) O termo é FORMAL!

Em situações excepcionais pode ser feito flagrante.

Ex. Caminhão de lixo sendo despejado no rio.

Termo no livro é uma espécie de contra-fé, comprovando a fiscalização.

(Thâmara Laís) Aplicam ta todas as autoridades, pois dispostas no CTN.

Termo – formal – garantia para o contribuinte.

Em caso de flagrante, o termo pode ser elaborado logo após.

Para fiscalização de rotina, é necessário o termo¹.


(1) Termo: Próprio livro do contribuinte. / Documento separado (entregue ao contribuinte).

O termo funciona como uma contrafé.

Não há prazo previsto na legislação, deve ser razoável. O termo impede denúncia espontânea.

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Rafael Barreto Ramos
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- O termo² marca o término da oportunidade de denúncia espontânea¹ e pode


marcar também o prazo de decadência.
(1) Denúncia espontânea: Tem três requisitos:

a) Oportunidade de cabimento: Tributos de lançamento de ofício ou por declaração;

b) Declaração da existência do tributo;

c) Pagamento integral da dívida.

(Rebeca Ribeiro) (1) Denúncia espontânea: Sujeito passivo declara o que deve e paga integralidade,
excluindo apenas multa (quando o sujeito se arrepende de não ter pagado)

FALSO à DENÚNCIA ESPONTÂNEA É FEITA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO SEM INQUÉRITO.

(2) Termo: É referência para início da decadência.

O fisco pede informações de terceiros com o objetivo de cruzar dados.

Procuradoria da Fazenda faz inscrição em dívida ativa.

(Thâmara Laís) (1) Denúncia espontânea: não pode parcelar, pagamento integral com os encargos
(juros, correção). Não cabe no lançamento por homologação. Dispensa apenas da multa. Se parcelar, não
exclui multa.

Pode haver lei com dispensa da multa.

(2) Termo: Termo – ciência (presunção) do fato gerador.

- O fisco pode exigir informações de terceiros¹ cujos atos se relacionem com a


atividade do contribuinte, tais como:
(Thâmara Laís)
(1) Informações de terceiros: Informações de terceiros – obrigações acessórias – pode ser penalizado
com multa, o qual poderá tornar-se obrigação principal.

Objetivo: cruzar dados.

Ainda que uma entidade seja livre de cumprir as obrigações acessórias, deve comunicar, ter
livros.
Substituição

- Responsabilidade

Transferência

a) Tabelião e oficiais;
(Thâmara Laís) Se o tabelião não prestar informação, assume responsabilidade.

Se o profissional participar, não se aplica.

b) Instituições financeiras;

c) Empresas de administração de bens;


(Thâmara Laís) Prevalece entendimento de que não é necessário que a autoridade especifique o artigo
que incorre o contribuinte.

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- Professor: A pessoa tem direito de sabe.

O fisco pode corrigir erros (inclusive CDA) a qualquer tempo, desde que o juiz não tenha julgado o
processo. O devedor deve ser citado novamente.

Nota:
- Divulgação:

Processo disciplinar.

Ex. BB – Mandado de Segurança – conta com grandes manifestações.

STF – A Receita pode pedir, pois não vai divulgar.

Argumentos: Tanto STF quanto art. 5º da Constituição Federal.

- CDA

Procuradoria devolve o processo administrativo para receita executar a CDA.

d) Corretores e despachantes;

e) Inventariantes, administrador judicial, síndicos, etc.

- Não abrangem as informações que por ofício ou profissão não podem ser
fornecidas.
- Proíbe-se ao fisco a divulgação das informações obtidas, sob pena de
responsabilidade civil, administrativa e penal.
- A proibição não impede a mútua assistência entre os diversos entes.
- O fisco pode solicitar o auxílio policial.
- O crédito deve ser inscrito em dívida ativa após o decurso do prazo para
pagamento.
- O termo deverá conter:
a) Nome e endereço do devedor e corresponsáveis;

b) Quantia devida;

c) Origem, natureza do crédito e legislação respectiva;

d) Data de inscrição;

e) Número do processo administrativo.

- O erro de inscrição pode ser sanado antes do julgamento em 1º grau,


desenvolvendo-se o prazo de defesa¹.
(1) Defesa (Rebeca Ribeiro): Devedor é citado novamente para responder sobre aquela alteração.

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28/03/14 (Retirado do material de Thâmara Laís, Rebeca Ribeiro e Bárbara Santos)


Ø Processo Administrativo Tributário Federal¹
(1) Processo administrativo tributário federal (Thâmara Laís): Funcionamento administrativo interno da
Receita Federal.

1. Considerações Iniciais

- Regência: dec. 70.235/72

(Bárbara Santos &Thâmara Laís) Este documento tem força de lei. Só pode ser alterado por lei.

- Início:

(Thâmara Laís) O início do processo administrativo ocorre de 3 formas:

I – Ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da
obrigação tributária ou seu preposto;

(Rebeca Ribeiro) Ato de ofício se assemelha ao ato de prisão em flagrante.

(Bárbara Santos) Mais comum.

Escrito à Formalidade.

O sujeito passivo deve ser intimado.

É lavrado através do auto de infração. Ocorre no momento em que o fiscal está no local da atividade onde
existe a irregularidade. O fiscal vê e faz o auto.

(Thâmara Laís)

- Auto de infração: Assemelha-se ao auto de prisão em flagrante. Depende de verificação fática.

- Notificação de lançamento: Feito com base em cruzamento de dados.

II – Apreensão de mercadorias;

(Rebeca Ribeiro) Não tem exigência do crédito tributário.

Não existe auto de infração ainda. Depois da apreensão das mercadorias, o fisco vai fiscalizar quanto,
como, etc.

(Bárbara Santos) Não existe o auto de infração no momento da apreensão.

Depois será verificado o tributo, pois ainda não existe a exigência do crédito.

(Thâmara Laís) Não há auto de infração. Ainda não há exigência do crédito tributário que, por sua vez,
será apurado posteriormente.

Há apenas termo de apreensão.

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III – Começo do despacho aduaneiro

(Rebeca Ribeiro) Exportação e importação – dá início ao procedimento fiscalizatório.

(Bárbara Santos) Relacionado à exportação/importação.

Não existe crédito tributário para ser exigido.

(Thâmara Laís) Relacionado a exportação/importação.

O fisco vai verificar custo da mercadoria, não aceitando simplesmente o declarado.

Há pauta de valores – valores aproximados de mercadorias.

Nota (Thâmara Laís):

- Termo de apreensão:

a) Contrabando;

b) Descaminho (drible).

Pode apreender livros – se omitiu tributo para lançamento para arbitramento (não é modalidade que,
neste caso, é DE OFÍCIO).

- Exclusão da espontaneidade¹

(Rebeca Ribeiro) A espontaneidade é excluída depois de qualquer um dos 3 itens.

“Seria muito fácil retirar a multa assim.”

(Bárbara Santos)

(1) Espontaneidade: Denúncia espontânea.

- Exige três requisitos:

1) Declaração;

2) Pagamento integral;

3) Não seja o tributo lançado por homologação.

NÃO CABERÁ A DENÚNCIA ESPONTÂNEA APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.

(Thâmara Laís) A partir de qualquer dos 3 itens, não é mais cabível a denúncia espontânea.

“Não adianta declarar/pagar. SERÁ MULTADO.”

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- Termos lavrados em livro fiscal, extraindo-se cópia para juntada ao processo, quando
não lavrados em livro, entregar-se-á cópia autenticada ao sujeito passivo.

(Bárbara Santos) Lavra o termo no livro a ser fiscalizado, preferencialmente.

“A pessoa tem que saber as razões, se o fiscal é competente, etc.”

(Thâmara Laís) Lavra termo em livro.

Próprio livro ou documento a parte.

Deve-se entregar cópia ao fiscalizado para que tenha ciência.

Processo formal/obrigatório.

“Saber que servidor competente, motivo da fiscalização, etc.”

- A exigência tributária do crédito ou penalidade serão formalizados em auto de


infração¹ ou notificações de lançamento distintos para cada tributo ou penalidade e
instruídos com as provas respectivas.

(1) Auto de infração (flagrante): Notificação de lançamento. Pode não ser intimado no momento./Não
precisa intimar no momento.


Intimação: Não ocorre se não tiver o preposto necessário, etc.

A INTIMAÇÃO pode ser posterior.

Fiscal competente tem que fazer auto específico, cada tributo deve estar em um auto.

Pode haver mais de um fato gerador no mesmo auto, mas não tributos diferentes (1 pra cada).

Tem que ser instruído com as provas.

Fiscal verifica suposto cooperador – Art. 3º - CLT, ou seja, se dribla legislação trabalhista, gera
efeitos tributários – enquadramento empregado e empregador.

Meios antielisão – poder de desconsiderar atos, negócios.

Aponta provas, fundamentos e elementos de convicção.

IMPORTANTE:
O auto de infração tem que ser FUNDAMENTADO.

Nota (Thâmara Laís):


- Código Tributário Nacional – recepcionado como lei complementar, tendo em vista que
quando foi criado não existia tal espécie legislativa.

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31/03/14
- O AI será lavrado por servidor competente¹, no local da verificação da falta², e
conterá:
(1) Servidor competente: Primeiro requisito BÁSICO.

(2) No local da verificação da falta: Há exceções.

Ex. Se não houver condições para que seja lavrado de imediato, deve-se apreender o material para que
seja realizada a devida análise.

O AI DEVERÁ CONTER, OBRIGATORIAMENTE, SOB PENA DE NULIDADE:

I. Qualificação do autuado;
Não existe autuação em relação a sujeito indeterminado.

II. Local, data e hora;


Da lavratura do auto de infração. Se advém de descumprimento de obrigação acessória¹.

(1) Obrigação acessória: Obrigação de fazer ou de não fazer. Poderá acarretar em multa.

III. Descrição do fato;


Descrição da ocorrência.

IV. Disposição legal infringida e a penalidade aplicável;

V. Determinação da exigência¹ e a intimação para cumpri-la no prazo de 30 dias;


(1) Exigência: Variará conforme o tipo de obrigação exigida.

VI. Assinatura do autuante, indicação de seu e o nº de matrícula.


A notificação de lançamento¹ será expedida para órgão² que administra o tributo e conterá:

(1) Notificação de lançamento: Trata-se de conceito genérico que variará conforme o caso concreto.

(2) Órgão: Realizará a verificação dos diversos elementos que possui para realizar a notificação.

I. Qualificação do notificado;

II. Valor do crédito tributário, prazo para recolhimento ou impugnação (PRAZO DE 30 DIAS);

III. Disposição legal infringida, se o caso;

IV. Assinatura do chefe ou servidor autorizado, cargo e matrícula.

IMPORTANTE:
O prazo geral em Direito Tributário Federal é de 30 DIAS.

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2. Prazos e intimações
- Contagem (art. 210, CTN)
Exclui-se o dia do início e se inclui o dia do vencimento.

Os prazos não se inicial e nem terminam e dia não útil.


Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindo-se na sua
contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento.

- Salvo disposição em contrário¹, o servidor exercitará os atos no prazo de 8 dias;


(1) Salvo disposição em contrário: A legislação pode dispor de prazos diversos.

O servidor tem, em regra, 8 dias para realizar os atos que são de sua competência.

- Far-se-á a intimação:
a) Pessoal;
Presencial, na pessoa do intimado.

Se o intimando se recusa a assinar, possui o Oficial fé pública para certificar da notificação desse.

b) Por via postal;


Será realizada através do sistema de aviso de recebimento.

A citação judicial requer a ciência do intimado, sendo realizada a intimação por mão-própria, ou seja,
somente o intimando pode recebe-la.

Em âmbito administrativo, não é necessário que o intimando receba, sendo suficiente apenas que seja
entregue no domicílio fiscal.

c) Por meio eletrônico;


Interessa apenas a entrega na caixa postal/domicílio eletrônico do intimando, não sendo necessária a
confirmação de leitura.

Internet

d) Por edital Saguão¹ (Ex. Secretaria do fórum)

Uma vez na imprensa oficial


Requisitos alternativos.

IMPORTANTE:
NÃO HÁ PREFERÊNCIA NO QUE SE REFERE AO TIPO DE INTIMAÇÃO.

A INTIMAÇÃO POR INTERNET É FACULTATIVA AO CONTRIBUINTE, TENDO EM VISTA QUE ESTE


NÃO É OBRIGADO A ADERIR O SISTEMA ELETRÔNICO.

No entanto, a legislação tem “forçado” o contribuinte a fazer parte do sistema eletrônico.

Ex. Somente se pode utilizar o sistema simples através do sistema eletrônico.

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- Considera-se feita a intimação:


a) Na data da ciência do intimado;

b) Na data do recebimento da correspondência ou, se omitida a data, 15 dias após a expedição;

c) 15 dias após a data registrada no comprovante de entrega no domicílio eletrônico;


Na intimação eletrônica, prazo de 15 dias a partir da entrega na caixa postal.

d) 15 dias após a publicação do edital;

- Domicílio tributário
(Rebeca Ribeiro) Ânimo definitivo ou onde for encontrado.

- Os procuradores da Fazenda serão intimados pessoalmente das decisões do CARF¹.


SE não intimados até 40 dias, os autos serão entregues na PFN² e considerados
intimados 30 dias após a entrega.
(1) CARF: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais

(2) PFN: Procuradoria da Fazenda Nacional

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04/04/14 (Retirado do material de Thâmara Laís, Rebeca Ribeiro e Bárbara Santos)


3. Defesa¹
(1) Defesa: A impugnação instaura a fase litigiosa, devendo ser formalizada por escrito, instruída e com
os documentos em que se fundamentar e apresentada ao órgão em 30 dias, contados da intimação.

(Rebeca Ribeiro) Intimação determina fim da fase litigiosa.

Não existe impugnação oral.

- A impugnação mencionará:
Impugnação dá início à fase contenciosa, por isso se assemelha à petição inicial.

I) A autoridade a quem é dirigida;

II) Qualificação do impugnante;

III) Motivos de fato e de direito, pontos de discordância e as provas que possuir;

IV) Diligências ou perícias, justificando-as com a formulação dos quesitos e indicação, com
qualificação e endereço do seu perito;
(Rebeca Ribeiro) Perícia à feita por dois peritos: o do contribuinte e o do juiz.

(Bárbara Santos) Perícia administrativa é feita por 2 peritos, um dele é o sujeito passivo quem indica.

O sujeito passivo formula quesitos já indicando o seu perito.

V) Se a matéria foi submetida à apreciação judicial.


(Rebeca Ribeiro) Tendo em vista que tudo que é judicializado frustra a discussão administrativa.

(Bárbara Santos) Verifica quais pontos ainda estão pendentes de análise administrativa.

Nota (Rebeca Ribeiro & Bárbara Santos) :


- CPC: Na contestação, juntam-se todos os documentos essenciais, sendo facultada a juntada de
demais documentos em momento posterior.

- ADM: Todos os documentos devem ser juntados.


- Exceção:

a) Caso fortuito ou força maior;

b) Produção de documentos após o prazo (sujeito passivo não tem culpa);

c) Petição específica comprovando as razões.

Requer diligências necessárias como perícia.

IMPORTANTE:
Prazo para impugnar – 30 dias - começa a contar da CIÊNCIA DA INTIMAÇÃO e não da juntada
do mandado nos autos.

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- Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente


contestada.
(Thâmara Laís) Exige impugnação específica dos pontos de discordância, sob pena de tornar-se
incontroverso.

- Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-


á o teor e a vigência, se assim determinar a autoridade julgadora.
(Bárbara Santos) Legislação não federal à Parte pode ser exigida a provar tal legislação, pois
não é obrigação da União conhecer lei estadual, municipal ou estrangeira.

Se o pedido não for fundado na lei, não tem como exigir que o contribuinte traga aos autos a
lei.

(Thâmara Laís) Município deve conhecer legislação municipal.

Estado deve conhecer legislação estadual.

Assim, o impugnante deve alegar existência de lei específica (Art. 337 – CPC).
Art. 337. A parte, que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, provar-lhe-á o
teor e a vigência, se assim o determinar o juiz.

- A prova documental deve ser juntada com a impugnação, sob pena de preclusão,
exceto nos casos de impossibilidade, caso fortuito ou força maior. A juntada posterior
será feita por petição com comprovação das exceções.

4. Procedimento de 1ª instância
- O servidor que não for competente para formalizar a exigência comunicará o fato em
representação circunstanciada¹ a seu chefe imediato, que deverá adotar as
providências necessárias.
(1) Representação circunstanciada:

(Rebeca Ribeiro) Indica os fatos. Dar-se-á quando o servidor não é competente.

(Bárbara Santos) Indica fatos e fundamentos para que seja encaminhada ao órgão/servidor competente.

Ex. Fiscal chega na empresa e vê várias infrações – infração previdenciária + infração trabalhista. Neste
caso, o fiscal pode ter competência para somente uma infração. Então, faz a representação
circunstanciasda.

(Thâmara Laís) Para lavrar auto é necessário que o servidor seja competente. Se servidor incompetente
verificar fato gerador, somente poderá elaborar representação circunstanciada e remeterá ao seu chefe
imediato para que tome as devidas providências.

Ex. Fiscalização do simples.

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IMPORTANTE (Thâmara Laís):


Não é necessário passar pela fase administrativa para adentrar na judicial (Art. 5º, XXXIV – CF).
Art. 5º (...)

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de
poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações


de interesse pessoal;

- O preparo do processo compete a autoridade local do órgão encarregado da


administração do tributo, salvo se por meio eletrônico, caso em que poderá ser
designada outra autoridade.
(Bárbara Santos) A autoridade local faz a instrução, mas não julga, salvo se for competente para
julgar.

I. Delegacia de julgamento: órgão preparado para julgar questões tributárias.

Delegado local instrui e envia para delegacia de julgamento.

II. Processo eletrônico: Pode ser realizado em qualquer lugar, pois é via internet.

(Thâmara Laís) A autoridade local faz a instrução, mas não julga, remete para uma autoridade
julgadora.

Funciona como um juizado de instrução, com a exceção de que, sendo a autoridade local
competente¹, poderá julgar.
(1) Competente: A receita possui servidores das mais diversas áreas. Se a autoridade julgadora for
bacharel em Direito ou em Ciências Contábeis, por exemplo, será competente.

- Essa autoridade determinará as diligências e perícias, indeferindo as prescindíveis ou


impraticáveis. Verificará e informará no processo se o impugnante é reincidente¹.
(1) Reincidente: Agrava a penalidade.

- O processo será organizado em ordem cronológica.

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07/04/14 (Retirado do material de Thâmara Laís, Rebeca Ribeiro e Bárbara Santos)


- Determinada a perícia, a autoridade designará auditor (AFTN) e intimará o perito do
sujeito passivo, marcando prazo para entrega dos laudos.
Laudo do perito

(Rebeca Ribeiro) Haverá

Laudo da pessoa indicada pelo sujeito passivo

O magistrado escolhe qual vai adotar.

(Bárbara Santos) Laudo do auditor e do perito particular.

Autoridade tem liberdade de analisar qual está mais coerente.

(Thâmara Laís) Somente o auditor pode realizar. Analista não, sob pena de nulidade.

- Os laudos e pareceres do Laboratório Nacional de Análises do Instituto Nacional de


Tecnologia, INMETRO e outros serão adotados nos aspectos técnicos de sua
competência, salvo se comprovada sua improcedência.
(Thâmara Laís) Presume-se a veracidade dos laudos e pareceres emitidos pelo LNA e do
INMETRO.

- Prova emprestada:
a) Quando se tratar de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação;

b) Máquinas, equipamentos e veículos do mesmo fabricante;


(Rebeca Ribeiro) Tem peculiaridades. Só pode ser usada em ampla defesa e contraditório.

(Bárbara Santos) STJ: Pode usar provas de outros processos, desde que tenha havido contraditório contra
quem a prova vai ser utilizada.

Cabe prova emprestada também quando houver fusão, incorporação, cisão, etc.

(Thâmara Laís) Prova emprestada somente se às partes foi oportunizado o contraditório e ampla defesa.
Pode ser admitida como indício.

I. DPC – STJ: Admite-se prova emprestada se tratar-se de mesma empresa.

II. Processo tributário administrativo – regras a mais:

Produtos produzidos em série – originários do mesmo fabricante: não se fará perícia de cada um. Pega-se
prova emprestada.

Ex. Em casa de valor atribuído, sobre o qual incidem impostos.

Não admite alegação de que não participou do contraditório e ampla defesa.

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- Quando após exames realizados no curso do processo forem verificadas inexatidões,


omissões e incorreções que resultem agravamento da exigência ou alteração da
fundamentação legal, será lavrado auto de infração ou expedida notificação de lançamento
complementar, devolvendo-se prazo para impugnação do sujeito passivo.

(Rebeca Ribeiro) Agravamento de situação à 1 exigência; 2 alteração fundamentação;

(Bárbara Santos) Perícia prova o agravamento da exigência ou alteração de fundamentação no


curso do processo.

Respeitar o prazo de decadência.

(Thâmara Laís) Situações de agravamento no curso do processo:


a) Valor da exigência é maior – vai ficar mais caro para o contribuinte.

b) Alteração da fundamentação.

Provada situação que agrava exigência, autoridade terá prazo para:


a) Servidor em geral;

b) Autoridade julgadora ou sem oportunidade de impugnação (anula-se todo o procedimento).

Nota:
Provado fato mais grave – MP tem prazo para aditar denúncia e instrução e defesa – mutatio
libeli.

5. Das nulidades

(Bárbara Santos) Anula desde o início. Efeito ex tunc.

I - Atos e termos lavrados por pessoa incompetente¹;

(1) Pessoa incompetente: Qualquer servidor.

(Bárbara Santos) Refere-se ao servidor.

II - Despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição


do direito de defesa.

(Bárbara Santos) Refere-se à autoridade julgadora.

- Fruto da árvore proibida (contaminação das provas).

(Bárbara Santos) Prova ilegal contamina as demais.

(Thâmara Laís) Uma prova declarada nula pode gerar contaminação de outras provas – extensão
de nulidade.

Pode ser corrigida se podia ser obtida por meios legais.

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- Suprimento de nulidade pela procedência do mérito em favor do sujeito passivo.

(Bárbara Santos) Suprimento da nulidade quando a pessoa já tem razão no mérito. O sujeito já
vai ter o benefício da procedência, não havendo, portanto, razão para arguir nulidade.

TAMBÉM EXISTE NO PROCESSO CIVIL.

(Thâmara Laís) A autoridade não vai declarar nulidade se vai julgar em favor do sujeito passivo.

Duplo grau obrigatório – alegar que, se for reformada a decisão de mérito, o processo deve ser
anulado por conta de tais e tais nulidades (prova obtida de forma ilícita, por exemplo).

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28/04/14
6. Da revelia e da impugnação parcial
- Declarada a revelia, os autos permanecerão junto à autoridade por prazo de 30 dias
para cobrança amigável;
O prazo de 30 dias não interfere juridicamente no que se refere aos marcos tributários
(prescrição, decadência e afins).

- No caso de impugnação parcial, a matéria preclusa formará autos apartados,


submetidos à cobrança amigável no prazo de 30 dias.
A impugnação deve abater ponto a ponto do que está querendo discutir no lançamento.

Assim, deve-se expressamente impugnar cada ponto que se almeja questionar no lançamento.

NÃO EXISTE A IMPUGNAÇÃO IMPLÍCITA, ou seja, o que não for expressamente impugnado será
PRECLUSO.

Serão formados autos apartados para que seja feita a cobrança da matéria preclusa. Isto é, sobre
a matéria preclusão NÃO INCIDIRÁ A SUSPENSÃO.

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7. Julgamento em 1ª instância
- Compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
A autoridade local instrui e remete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento.

- É vedado o afastamento da legislação a pretexto de inconstitucionalidade não


reconhecida pelo STF.
É vedada à autoridade administrativa o afastamento de aplicação de atos normativos em geral
a pretexto de inconstitucionalidade.

A impugnação administrativa versa erro, situação fática, não tendo como objeto, JAMAIS, a
inconstitucionalidade.

- Na apreciação da prova a autoridade formará livremente sua convicção, contendo a


decisão: relatório, fundamentos, conclusão e ordem de intimação.
- Não cabe pedido de reconsideração.
EM NENHUMA DAS INSTÂNCIAS, ou seja, tanto das decisões de primeira ou segunda instância.

- A autoridade deve observar:


a) As decisões plenárias do STF;

b) Ato declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional;

c) Súmula da Advocacia Geral da União;

d) Parecer da Advocacia Geral da União aprovado pelo Presidente da República

e) Recursos de Repercussão Geral e Repetitivos no STF e no STJ.


Somente se a decisão puser fim à discussão da matéria num âmbito geral.

Nota:

(1) Procuradoria Geral da Fazenda Nacional: Representa a União em matéria exclusivamente tributária.

(2) Procuradoria Geral da União: Representa a União em matérias não tributárias.

(3) Procuradoria Geral da Fazenda: Representa a União em matérias referentes às Autarquias e


Fundações.

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8. Dos recursos
- Deverá haver recurso de ofício:
a) Quando a autoridade exonerar o sujeito passivo de obrigação com valor superior ao fixado
pelo Ministro da Fazenda;
(Thâmara Laís) Não haverá valor recurso até certo valor.

b) Quando deixar de aplicar pena de perdimento de bens e mercadorias.


Qualquer valor implicará em recurso de ofício.

- O recurso voluntário pode ser interposto no prazo de 30 dias.


- O julgamento em 2ª instância compete ao Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais – CARF
Tem composição semelhante à dos tribunais.

Ex. Turmas, câmaras, seções.

- Cabe recurso especial das decisões das turmas para a Câmara Superior, no prazo de
15 dias, quando houver interpretação divergente aplicada para outra turma.
Cabe recurso especial quando a matéria tiver sido julgada de forma diversa de outra turma,
seção, etc.

- Não cabe pedido de reconsideração.


Nota (Thâmara Laís):
Procuradoria só é intimada da decisão de 2º grau. Só pode interpor Recurso Especial.

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12/05/14 (Retirado do material de Thâmara Laís, Rebeca Ribeiro e Bárbara Santos)


Ø Execução Fiscal

- Regência (Lei 6.830/80, CPC e CTN¹)


(1) Código de Processo Civil e Código Tributário Nacional: Subsidiários.

- Abrangência: Dívida Ativa Tributária e Não Tributária¹ (Lei 4.320/64)


(1) Não tributária (Thâmara Laís): Dívida que não advém das espécies tributárias.

Ex. Empréstimo rural pelo Governo através do Banco do Brasil. Se o produtor não pagar o banco, a dívida
será inscrita em dívida ativa.

- Inscrição e Certidão de Dívida Ativa¹


(1) Certidão de Dívida Ativa – CDA – Título Executivo Extrajudicial (Rebeca Ribeiro): Não suspende 180
dias em matéria tributária, tendo em vista que a Lei 6.830 NÃO É LEI COMPLEMENTAR. Todavia, suspende
de matéria NÃO tributária.

Procuradoria da Fazenda Nacional pode executar.

INSCRIÇÃO NÃO É FASE DE LANÇAMENTO. Própria Procuradoria da Fazenda Nacional inscreve Dívida
Ativa, emitindo CDA.

(Thâmara Laís) Será feita pelo órgão da Procuradoria da Fazenda Nacional. NÃO É FASE DE
LANÇAMENTO.

Não é necessária suspensão de 180 dias.

Será emitida CDA – título executivo extrajudicial. O processo administrativo retorna ao órgão ad
quem.

Prescrição e decadência – Lei complementar (matéria tributária).

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- Termo de inscrição:

I. Nome do devedor, correspondentes (Arts. 134 e 135 – CTN) e respectivo domicílio;

Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo
contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que
forem responsáveis:

I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores;

II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados;

III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;

IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;

V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário;

VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos
praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício;

VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas.

Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório.

Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias
resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos:

I - as pessoas referidas no artigo anterior;

II - os mandatários, prepostos e empregados;

III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.

II. Valor originário, juros e atualização e demais encargos;

Dívida Federal – embutida 20% de honorários advocatícios.

Decreto-Lei 1.025/69.

III. Origem, natureza, fundamento legal ou contratual;

IV. Fundamento legal de atualização da dívida (apenas SELIC);

Aplicada apenas à SELIC.

V. Data e número de inscrição;

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VI. Número do processo administrativo ou do auto de infração.

Ex. Fato gerador – 1990 / Data da inscrição – 2000

Ofício/declaração – 1º dia do exercício seguinte.

Homologação – Fato.

1991 – 1995 (auto de infração) – não há decadência.

- Se antes da decisão de 1ª instância a inscrição for cancelada, a execução será


extinta. Pode haver emenda/retificação da CDA até decisão de 1ª instância.

(Thâmara Laís) Se já há embargos¹ à execução, vai haver honorários – Princípio da Causalidade.

(1) Embargos: Há prescrição.

Se executado pagar após a citação, CDA será cancelada, mas haverá custas e honorários.

Crédito estadual/municipal.

(Rebeca Ribeiro) Até a sentença é possível a retificação do CDA

Se já há embargos, o fisco tem que pagar honorários, mesmo se cancelar a inscrição (Princípio
da Causalidade).

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- Competência¹, delegação constitucional², conexão³


(1) Competência:

(Thâmara Laís) Justiça Estadual processar em 1º grau execução de crédito da União, se não existir sede
de órgão federal. (Delegação Constitucional e Lei 6.830/80)

(Rebeca Ribeiro) Art. 109, §3º - CF à Juiz estadual com competência delegada onde não há vara de
execução à recurso para o TRF da região (se for dívida da União).

Art. 109

§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou


beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a
comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que
outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

(2) Delegação Constitucional:

(Thâmara Laís) Delegação não é opcional – competência absoluta – STJ.

Deve ser ajuizada na Comarca do executado.

A execução fiscal PODE ser declinada DE OFÍCIO – INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA.

(Rebeca Ribeiro) Delegação não é opcional (STJ). É regra de competência absoluta2.1. Tem que propor a
execução direto na comarca (matéria, função, hierarquia).

(2.1) Competência absoluta: Magistrado pode reconhecer de ofício.

(3) Conexão:

Vara X – execução – embargos (não pagar o crédito) – necessária garantia – suspende.

Vara Y – ação de conhecimento – não é necessária garantia (discute-se o crédito).

Litispendência – leva a extinção da segunda, exceto se requerer a suspensão da execução e receber a ação
de conhecimento como se embargos fosse – reconhecimento da conexão.

Nota:

Qualquer ação de discussão do crédito, não impede a execução.

IMPORTANTE:

a) Incompetência absoluta: matéria, função, territorial.

b) Incompetência relativa: valor da causa.

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- Petição Inicial Simplificada

Citação²

Penhora²

Arresto²

- Despacho inicial¹

Registro da penhora/arresto²

Avaliação² / 3

Interrupção da prescrição² / 4
(1) Despacho Inicial: “Cite-se” – Válido para todas as modalidades de citação.

Gera INTERRUPÇÃO da prescrição, retroagindo à data da propositura da execução.

(2) Citação, penhora, arresto, etc.: Atos autorizados pelo despacho.

(3) Avaliação: Oficial avalia a execução para ver se vai garantir execução.

(4) Interrupção da prescrição: Retroage à data da propositura da execução.

Prazo dilatório – 30 dias – lei já diz – juiz não precisa.

Prazo dilatório citação/edital – 30 dias.

- Executado tem 05 dias¹ para pagar a dívida ou garantir a execução, podendo


oferecer embargos no prazo de 30 dias.
(1) 05 dias: DA CITAÇÃO e não da juntada.

Só apresento embargos1.1 se houver garantia no juízo (penhora).

(1.1) Embargos: Suspendem a execução.

30 dias para embargar após a penhora. Quando é intimado da penhora.

Quando é notificado da execução, tem 05 dias para entregar (desde que ofereça bens para penhora) ou
pagar.

Após os embargos, o contribuinte propõe outra ação para discutir o crédito.

Se não propõe embargo é litispendência (não suspende).

Prazo dilatório é de 30 dias. Secretaria já faz por edital.

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Cível¹ ≠ Tributário²
(1) Cível: Embargos suspende SEM GARANTIA.

(2) Tributária: Embargos, para suspender, deve haver garantia.

- Garantia: ordem de preferência no art. 11 da Lei 6.830/80.


Art. 11 - A penhora ou arresto de bens obedecerá à seguinte ordem:

I - dinheiro;

II - título da dívida pública, bem como título de crédito, que tenham cotação em bolsa;

III - pedras e metais preciosos;

IV - imóveis;

V - navios e aeronaves;

VI - veículos;

VII - móveis ou semoventes; e

VIII - direitos e ações.

§ 1º - Excepcionalmente, a penhora poderá recair sobre estabelecimento comercial, industrial ou agrícola,


bem como em plantações ou edifícios em construção.

§ 2º - A penhora efetuada em dinheiro será convertida no depósito de que trata o inciso I do artigo 9º.

§ 3º - O Juiz ordenará a remoção do bem penhorado para depósito judicial, particular ou da Fazenda
Pública exeqüente, sempre que esta o requerer, em qualquer fase do processo.

- Depositário, remoção e consequências.

Após registro, nomear-se-á o depositário. Geralmente o devedor.

Oficial nomeia um depositário à não cabe prisão para depositário infiel à juiz tenta nomear
terceiro para garantir mais eficácia ao instituto à pode haver remoção.

- Substituição¹/reforço da garantia².
(1) Substituição: Devedor pode requerer a substituição do depositário.

(2) Reforço da garantia: Problema: desvalorização do bem penhorado – juízo não garantido – juiz
determina reforço.

Tendência é a dívida aumentar e o bem desvalorizar à se não houver mais segurança (garantia), o juiz
pode extinguir embargos.

“O melhor é fazer o depósito integral antes da inscrição em dívida ativa com o intuito de virar honorários.”

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- Suspensão do art. 40 da lei 6.830/80.

(Thâmara Laís) Não achar bens – vista à Fazenda Pública – suspensão de 1 ano para procurar
bens.

Antes dessa suspensão, a Fazenda costuma pedir suspensões menores para evitar que, após 1
ano, comece a correr o prazo de prescrição intercorrente, caso esta não apresente bens.

(Rebeca Ribeiro) Se não houver bens para penhora àresponde processo por 1 ano. Neste
período, a Fazenda procurará por bens.

Tenta evitar essa fase do art. 40, pois no final do prazo, se não forem indicados bens, iniciará a
contagem da prescrição intercorrente (05 anos) que, por sua vez, extingue o processo.

- Estratégia: Fazenda fica requerendo suspensão ou atos meramente protelatórios. Pesquisa em cartório
é obrigação da Fazenda.

Art. 40 - O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou encontrados
bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição.

§ 1º - Suspenso o curso da execução, será aberta vista dos autos ao representante judicial da Fazenda
Pública.

§ 2º - Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano, sem que seja localizado o devedor ou encontrados bens
penhoráveis, o Juiz ordenará o arquivamento dos autos.

§ 3º - Encontrados que sejam, a qualquer tempo, o devedor ou os bens, serão desarquivados os autos
para prosseguimento da execução.

§ 4o Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de
ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de
imediato. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)

§ 5o A manifestação prévia da Fazenda Pública prevista no § 4o deste artigo será dispensada no caso de
cobranças judiciais cujo valor seja inferior ao mínimo fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda.

- Arquivamento e prescrição intercorrente.

Arquivamento em 01 ano, ou seja, após prescrição intercorrente.

Nota (Rebeca Ribeiro):

Data da inscrição em Dívida Ativa: não é para fins de prescrição.

Ocorre intimação à decadência (antes do lançamento).

Lançamento por homologação desde o fato gerador à prescrição.

Para as demais formas de lançamento à a partir do lançamento.

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Apêndice

Ø Prova 1 & Prova Final (Nota: 30/30)

1 – A capacidade tributária é atribuída a qualquer pessoa de direito público, sendo a


competência tributária restrita apenas aos entes políticos. (V)

2 – Lei ordinária e lei complementar possuem hierarquia, não podendo a primeira revogar a
segunda. (F)

3 – Medida provisória pode dispor sobre tributos, exceto se a matéria for reservada à lei
complementar. (V)

4 – A lei não pode delegar ao decreto que institua, majore ou extinga tributos. (V)

5 – Os princípios da igualdade e capacidade contributiva se complementam, de tal modo que a


lei deve disciplinar sobre tributos de forma geral e impessoal, mas sempre atentando para a
distinção da capacidade econômicas das classes sociais. (V)

6 – A lei tributaria pode retroagir em matéria de infrações e de penalidade para beneficiar o


contribuinte. (V)

7 – A obrigação principal consiste no dever de pagamento do tributo ou da penalidade


pecuniária e da obrigação acessória consiste em dever de fazer, não fazer, próprio de
declarações e de utilizações de guias, documentos, livros, etc. (V)

8 – A obrigação acessória nunca pode se converter em obrigação principal. (F)

9 – O lançamento é concluído com a última decisão proferida no processo administrativo,


independentemente da inscrição do debito em dívida ativa, após o decurso do prazo para o
pagamento. (V)

10 – O adquirente de imóvel em hasta publica de execução judicial é responsável pelos tributos


incidentes sobre o bem, devendo paga-los justamente com o preço alcançado. (F)

11 – O imposto não depende de uma atividade estatal especifica ao contribuinte, nem a


contribuição social, que tem uma finalidade, mas não impõe um dever de um serviço ao
contribuinte. (V)

12 – Com a última decisão proferida no processo administrativo – tributário, sem possibilidade


de recurso, encerra-se a fase contenciosa e inicia-se o prazo prescricional, que não será
suspenso, por 180 dias, após a inscrição em dívida ativa por não ser a lei 6.830/80 uma lei
complementar. (V)

13 – A taxa pode ser cobrada ainda que o serviço não tenha sido utilizada pelo contribuinte, mas
apenas colocado à sua disposição através de uma atividade continua e divisível do poder público.
(V)

14 – A revogação de ima isenção não é equivalente ao aumento ou a instituição de um novo


tributo, mas sujeita-se à anterioridade. (F)

15 – A não incidência de um tributo é modalidade de exclusão tributaria pela qual se confere ao


presidente da república a alteração da alíquota do tributo, fixando- a zero, de modo a dispensar
a cobrança tributaria. (F)

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16 – A imunidade reciproca é aquela pela qual é vedado aos entes públicos instituírem impostos
sobre o patrimônio, e renda ou serviços uns dos outros. (V)

17 – A denúncia espontânea é cabível apenas nos tributos lançados de oficio por declaração,
não sendo cabível no lançamento por homologação, mas independe do pagamento integral do
tributo, viabilizando o parcelamento. (F)

18 – A anistia é o perdão total ou parcial da dívida não se aplicando em relação a atos que se
amoldem como crimes, contravenções, fraude, dolo ou simulação. (F)

19 – Não cabível ao fisco exigir informações de terceiros, cujos atos de relacionarem com a
atividade do contribuinte, por coincidir em invasão de privacidade e dos negócios privados. (F)

20 – Diante de omissão, fraude ou deformação da escrituração, o fisco pode apenas promover


o lançamento da penalidade, não tendo como apurar o tributo devido. (F)

21 – Ocorrido o fato gerador de tributo lançado de oficio em janeiro/2005, o fisco promoveu o


lançamento e a intimação do contribuinte em dezembro/2010, hipótese em que já operada a
decadência. (F)

22 – Declarado que não pago pelo contribuinte o debito de R$ 1.000,00 referente ao tributo
lançado por homologação, cabe ao fisco intima-lo para o contraditório e a ampla defesa antes
de promover a execução. (F)

23 – O legislador pode alterar, para efeito de competência fiscal, os conceitos de direito privado
utilizados pela constituição, uma vez serem independentes as instâncias fiscais e civis. (F)

24 – O pagamento do tributo só pode ocorrer em dinheiro, sendo insuscetível a dação de imóvel


em pagamento. (F)

25 – O termo de início da fiscalização é previdência inócua, uma vez que apenas a intimação do
contribuinte para o pagamento do tributo é que produz efeitos sobre a denúncia espontânea.
(F)

26 – Nos tributos lançados de oficio e por declaração, a decadência é contada desde o fato
gerador. (F)

27 – A isenção está expressa na constituição, ainda que utilize outras palavras para sobre ela
dispor. (F)

28 – Nenhuma espécie de suspensão do credito tributário impede ou compensa a mora pelo


não pagamento tributário. (F)

29 – A existência da obrigação tributária pressupões a ocorrência do fato gerador e do


lançamento. (F)

30 – No tributo lançado por homologação é possível ocorrer hipótese em que o fisco promova
um lançamento de oficio quando omita a base de cálculo e inadimplindo o respectivo
pagamento do tributo. (V)

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Ø Prova 2 (Nota: 28/30)

1. Dos fatos
O governador de Minas Gerais instituiu uma taxa de fiscalização relativa à compra e venda de
bens imóveis e de veículos automotores através do Decreto n. 14.250 de 15/01/2009 (1)

no valor de R$100,00 por operação, cuja apuração, cálculo e pagamento devem ser feitos pelo
próprio adquirente do bem e comunicado ao fisco no prazo de 30 dias da efetivação do negócio
(2)

Decorrido um tempo da publicação, o fisco promoveu fiscalização junto às empresas imobiliárias


e de compra e venda de veículos. A imobiliária foi autuada (3)

Por ter adquirido um imóvel em dezembro/2008 (4)

e outro em março 2009 (5)

sem o pagamento do tributo. Foi lhe aplicada a multa de 20%, mas consignada a informação de
que a legislação prevê a dispensa dela se o pagamento for feito em 30 dias (6).

A revendedora de veículos foi autuada por ter deslocado um veículo para outra filial no interior
de São Paulo em abril/2010, onde seria tentada sua venda (7),

Sendo-lhe aplicada a multa de 20% por inadimplemento. Pelo fato de o veículo ter sido levado
para fora do Estado de Minas Gerais, o fisco entendeu tal procedimento como lesivo e de
onerosidade para a fiscalização, já que o contribuinte não poderia ter feito o deslocamento sem
prévia autorização (8),

embora nada dispusesse a respeito o Decreto. Em face disso, imputou responsabilidade pessoal
ao gerente (9)

e o incluiu no lançamento. A revendedora também foi autuada por ter arrematado para nova
sede, em maio/2010, um imóvel penhorado em execução fiscal, embora nada mencionasse o
edital da hasta pública (10).

E também houve autuação por um negócio feito em fevereiro/2009, de venda de um veículo ao


Município de Betim, fato que gerou o lançamento tanto em face da revendedora quanto do
ente adquirente (11).

O fisco argumentou que o Decreto impunha ao alienante, quando pessoa jurídica, a obrigação
de reter o valor do tributo e recolhê-lo em nome do adquirente (12).

A imobiliária foi intimada eletronicamente na segunda, dia 10/04/2010 (13).

A revendedora o foi pessoalmente na quinta, dia 18/06/2010, antes do feriado do dia 19/06
(sexta) (14).

O Município não foi intimado, porque a revendedora já havia sido e para o fisco isso seria o
bastante (15).

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2. Questões
Esclareça, objetivamente:

a) O que consistem os institutos destacados em (2), (3) – qual lançamento nesse caso
– e (6);
(2) Lançamento por homologação

(3) Lançamento de ofício por arbitramento

(6) Anistia.

b) Que princípios envolvem os destaques (1), (4), (5) e (8);


(1) Princípio da Legalidade;

(4) Princípio da Irretroatividade;

(5) Princípio da Anterioridade;

(8) Princípio da Liberdade de Tráfego.

c) Quais os fundamentos contra as imputações nos destaques (7) e (9);


(7) Verifica-se, in casu, que a revendedora de veículos foi autuada por ter deslocado um veículo
para outra filial.

O Princípio da liberdade de tráfego proíbe que as entidades políticas estabeleçam limitações ao


tráfego de pessoas ou bens, através de tributos interestaduais ou intermunicipais.

Isto posto, tal autuação não é amparada pelo ordenamento jurídico pátrio, tendo em vista que
infringe o princípio da liberdade de tráfego supraexposto.

(9) Assim, tendo em vista que a referida autuação não é legal, não cabe a imputação de
responsabilidade pessoal ao gerente, uma vez que este não praticou atos com excesso de
poderes ou infração de lei, conforme dispõe o art. 135 do Código Tributário Nacional.

d) A que espécies de sujeitos passivos se referem os destaques (11) e (12);


Sujeito passivo direto – adquirente (município);

Sujeito passivo indireto por transferência – revendedora.

e) Esclareça e explique se há diferença entre os demais e o fato de destaque (10);


Os créditos relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade ou a posse de bens imóveis,
assim como as taxas relativas a serviços referentes a tais bens, ou contribuição de melhoria, sub-
rogam-se na pessoa dos adquirentes.

Em relação aos bens móveis e semoventes, o adquirente também é responsável pelos tributos
do bem adquirido.

Em contrapartida, nota-se que no fato em destaque o bem arrematado adquirido por meio de
arrematação em hasta pública. Neste caso, o arrematante não é responsável pelo pagamento
do tributo, uma vez que os tributos relacionados ao bem são vinculados ao preço e não ao bem.

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f) quando será o início do prazo para impugnação nos destaques (13) e (14);
(13) 15 dias após a data registrada no comprovante de entrega no domicílio eletrônico

Terça feira – 26/04/10.

(14) Segunda-feira – 22/06/10.

g) que tipo de extinção do crédito pode resultar do destaque (15).


Extinção por decadência – Município NÃO foi intimado.

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