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Como evitar o vínculo empregatício do Representante Comercial

Autônomo
Dicas de conduta empresarial
6

O presente artigo tem como finalidade orientar as empresas,


seus funcionários e os próprios representantes comerciais para
evitarem comportamentos do dia a dia empresarial que possam
resultar num reconhecimento de vínculo empregatício entre o
representante comercial autônomo e a empresa representada.

Essas condutas são importantes a fim de que se evitem


prejuízos à empresa em decorrência de um possível pedido
judicial de reconhecimento de vínculo empregatício quando a
representação é exercida de forma autônoma.

Obviamente que existe a possibilidade da representação ser


exercida por um colaborador com a devida assinatura de sua
carteira de trabalho – CTPS, porém, como explicitado, o artigo
visa o esclarecimento em relação à profissão exercida
autonomamente.

Mais sobre o contrato de representação comercial


autônoma: https://rloreto.jusbrasil.com.br/artigos/56121155
7/os-10-principais-aspectos-do-contrato-de-represen...
Modelo
contratual: https://rloreto.jusbrasil.com.br/modelos-
pecas/562690110/contrato-de-representacao-comercial-
autonom...

1. Caracterizadores
A configuração da representação autônoma exclui o vínculo
empregatício que, por sua vez, é o reconhecimento do vínculo
de trabalho regido pela legislação trabalhista (Consolidação
das Leis do Trabalho – CLT, Decreto-lei nº 5.425/1943).
Para a inexistência de vínculo empregatício do representante
comercial autônomo, precisam existir a:

 Não subordinação: inexistência de limitação da


autonomia da vontade profissional do
contratado/representante pela contratante/representada,
que determina a forma de prestação de serviço do
contratado por normas criadas, aplicadas e fiscalizadas
por ela;
 Autonomia: não transferência para o contratante do
poder de organização da atividade profissional do
contratado/representante;
 Empresarialidade: o exercício pelo
contratado/representante de atividade econômica
organizada, voltada para a produção de bens ou serviços
(art. 966 do Código Civil – CC).
2. Comportamentos da empresa
Alguns comportamentos podem e devem ser adotados pela
empresa/representada e seus funcionários de chefia com o fim
de evitar a uma possível caracterização do vínculo
empregatício.

Definiremos as circunstâncias como as que podem gerar


a subordinação, a autonomia e a empresarialidade:
2.1. Subordinação
As situações abaixo vão, com certeza, caracterizar um vínculo
empregatício:
 Definição diária, pela representada, do itinerário
profissional do representante, emitindo regularmente
roteiro de visitas constando os clientes a visitar e os
horários;

 Custear as despesas do representante com o processo de


vendas;

 Definir os horários de trabalho do representante (como se


houvesse ponto), assim como exigir o relatório de visita
com os horários e clientes visitados;
 Exigir que o representante esteja presente nas
dependências da empresa por turno de trabalho definido,
além de determinar um local de trabalho dentro da
empresa, fornecendo os instrumentos de trabalho (celular,
computador etc.);

 Determinar que o representante cumpra as regras do


regulamento da empresa representada, exceto pelos
procedimentos de pedidos;

 Dar ordens para fazer ou deixar de fazer atividades da


gestão do próprio negócio de representação comercial
autônoma do representante;

 Emitir advertência verbal ou escrita ao representante, em


função do desempenho de suas atividades, dependendo da
forma, intensidade e frequência destas advertências (como
se funcionário fosse);

 Realizar avaliações ou convenções para demonstrar o


desempenho do representante e/ou para comparar com o
desempenho de outros.
Já as situações abaixo vão depender de uma interpretação da
situação de fato:
 Vez ou outra dar uma ajuda de custo ou adiantar de
comissões ao representante;

 Custear os instrumentos de trabalho do representante ou


parte desses instrumentos (celular, computador, veículo,
material de escritório etc.)

 Fazer ou deixar com que o representante utilize pessoas


ou prestadores de serviço da empresa como contador ou
secretária;

 Pegar um funcionário e colocar ele para trabalhar como


representante comercial autônomo;

 Interferir com frequência na forma do representante


conduzir o seu processo de vendas;
 Conceder de benefícios em decorrência da relação
jurídica com a representada (convênios, seguros, auxílio
alimentação, auxílio moradia etc.);

 Dar ao representante crachá, e-mail, uniforme e cartão de


visitas da própria empresa representada;

 Controlar e vigiar se o representante está exercendo seus


horários e seu trabalho à distância;

 Exigir que o representante tenha cota mínima de vendas


ou que faça treinamento sob pena de encerramento do seu
contrato ou o ameaçar por seu desempenho;

 Inexistência de formalização profissional do


representante (inscrição no órgão de classe, contrato de
representação etc.).
2.2. Autonomia e empresarialidade
As situações abaixo geram certeza de que o representante é
autônomo e empresário no seu próprio negócio:
 Representante formalmente regularizado, com local e
instrumentos de trabalho próprio, podendo haver o
emprego de outras pessoas que trabalhem para ele;

 Atuação independente da representada, tomando os atos


de sua profissão por si, a organizando livremente;

 Representante que atenda os requisitos legais para ser


empresário (art. 966 do CC);
 Que a representação não seja exercida em caráter
personalíssimo pelo representante, ou seja, esse possa
sempre ser substituído quando possível e necessário.
As situações abaixo dependerão da forma e interpretação do
fato para gerar um caráter de autonomia e empresarialidade:

 Local de prestação de serviços diferentes, instrumentos


de trabalho próprios, cartão de visita, site e e-mail próprio,
inclusive com a utilização de comunicação à distância com
a representada;
 Que antes da contratação do representante exista uma
carteira de clientes prévia;

 Exercer a representação em região diferente da empresa


representada;

 Representante que realiza análise de mercado,


desenvolvimento de estratégia própria de aumento de
clientela e realização de campanhas;

 Iniciativa própria para correr atrás de abrir novos clientes


para o produto ou serviço representado;

 A cooperação entre representante e representada na


elaboração das propostas;

 Custos do próprio processo de vendas por conta do


representante;

 Realização de orientações ou palestras aos clientes sobre


o produto ou serviço representado;

 Participação em feiras, congressos e convenções por conta


própria ou com apoio parcial da representada.
3. Conclusão
Como visto, há uma série de comportamentos que podem ser
tomados a fim de que se evite a vinculação empregatícia entre
representante comercial autônomo e representada, reduzindo,
assim, a probabilidade de ações judiciais para o
reconhecimento de vínculo laboral entre as partes de um
contrato de representação.

Na dúvida, contate um advogado especialista de sua confiança!

Bibliografia:

BUENO, José Hamilton. Representante comercial & agente de


distribuição: dos indicadores de autonomia e
empresarialidade. São Paulo, LTr, 2010.
Rafael LoretoPRO
Estruturação de negócios e parcerias empresariais.

Advogado. Sócio fundador do Brandão & Loreto Advogados. Atuante na área de Direito
Societário e Contratos Empresariais.

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6 Comentários

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Alessandro Linguanoto

1 ano atrás

Boa tarde Dr. Rafael. Gostaria de esclarecer uma dúvida.

Em relação ao item subordinação, sou empregador, se eu solicitar


para meus representantes (que não possuem vínculo empregatício),
utilizarem alguma plataforma web ou mobile para a digitação/envio
do pedido de venda que minha empresa disponibiliza para eles (sem
custo de aquisição), isto se caracteriza como uma subordinação?

As formas convencionais/anteriores eram Fax, Telefone, E-mail,


WhatsApp e agora a automação com aplicações móveis.
2

Responder

Erro! O nome de arquivo não foi especificado.

Rafael Loreto PRO

1 ano atrás

São informações muito superficiais para analisar o caso concreto.


Mas, por alto, acredito que não.
1

Erro! O nome de arquivo não foi especificado.

Henrique Malheiros

1 ano atrás

Se um prestador de serviço comete uma besteira no serviço, podemos


afastá-lo por 02 dias do serviço dando lhe uma advertência verbal ou
escrito?

Se não podemos, como podemos prosseguir?


2

Responder

Erro! O nome de arquivo não foi especificado.

Rafael Loreto PRO

1 ano atrás
Prezado Henrique, não conheço o caso concreto, mas prestador de
serviços não é celetista.
1

Erro! O nome de arquivo não foi especificado.

Franklin Mota

11 meses atrás

Olá Dr. Rafael. Gostaria de esclarecer uma dúvida por gentileza.

Tenho uma pessoa como um parceiro nas atividades da minha


empresa onde todo mês transfiro 30% do meu faturamento para conta
dela pelo fato dela realizar esporadicamente um serviço de
programação no site da minha empresa.
Esse parceiro reside em outro Estado trabalhando a distância sem
nenhuma supervisão, apenas um acordo cordial entre ambas as
partes.
Isso caracteriza-se algum vínculo empregatício?
2

Responder

Erro! O nome de arquivo não foi especificado.

Rafael Loreto PRO

11 meses atrás

Prezado Franklin, vínculo não gera. Porém provavelmente têm


impostos que você não está recolhendo por ela prestar serviço como
pessoa física.
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