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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Instituto de Ciências Biológicas


Departamento de Ciências Fisiológicas

Biofísica dos Fluidos


Uma abordagem na Biofísica da Respiração

Dra. Isabelle B. Cordeiro

Manaus – AM
2019 1
Tópicos

• A Respiração e aspectos anatômicos;


• A respiração celular e seus aspectos moleculares e bioquímicos;
• A Mecânica da Ventilação Pulmonar;
• Complacência Pulmonar
• Aplicando a teoria da complacência pulmonar nas doenças obstrutivas e restritivas
• Aspectos bioenergéticos da respiração
• Volumes e Capacidades Pulmonares
• Principais leis Físicas aplicadas ao sistema respiratório
• O reflexo da tosse e o espirro

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Aspectos anatômicos e funções do aparelho respiratório

• Aquecimento do ar
• Filtração

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Aspectos anatômicos e funções do aparelho respiratório

a. Ventilação pulmonar: influxo e


efluxo de ar entre a atmosfera e
os alvéolos pulmonares;

b. Difusão do oxigênio e dióxido de


carbono entre os alvéolos e o
sangue;

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Aspectos anatômicos e funções do aparelho respiratório

c. Transporte de oxigênio e dióxido


de carbono no sangue e nos líquidos
corporais e suas trocas com as
células de todos os tecidos do corpo;

d. Regulação da ventilação e outros


aspectos da respiração.

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
A respiração celular – as pressões parciais do oxigênio e gás carbônico

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
A respiração celular – aspectos bioquímicos e moleculares

Devido às diferenças de pressão


parcial do oxigênio e gás carbônico,
as trocas gasosas ocorrem.

Efeito Bohr: a hemoglobina se liga


ao oxigênio e libera prótons H+.
Efeito Haldane: a afinidade do
dióxido de carbono deixar o sangue à
medida que a hemoglobina se liga ao
oxigênio
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http://highered.mheducation.com/sites/0072495855/student_view0/chapter25/animation__gas_exchange_during_respiration.html
A respiração celular – Efeito Bohr
Doenças do pulmão
Asma, Enfisema e Pneumonia – efeito Bohr
prejudicado

Doenças
pulmonares 8
O ciclo respiratório

1º Hemiciclo: Inspiração
O ar atmosférico é aspirado para uma estrutura bem permeável, o pulmão.

2º Hemiciclo: Expiração
O ar atmosférico é expelido para o ambiente, carreando o gás carbônico e outros
componentes para fora.

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O aparelho respiratório

• Os mamíferos movimentam o diafragma e


com isso, conseguem completar o ciclo
respiratório, juntamente com o auxílio dos
músculos que movimentam a caixa torácica.

• As aves possuem sacos aéreos que


bombeiam o ar para os pulmões. No pulmão
das aves o ar se movimenta em uma única
direção. Devido a essa adaptação, as aves
conseguem respirar em altas altitudes.

• Os insetos não possuem pulmões e não


utilizam o sistema circulatório para
movimentar o oxigênio. Eles transportam o ar
diretamente para os tecidos através dos
túbulos traqueais.
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Mecânica da Ventilação Pulmonar

a. Movimentos de subida e descida


do diafragma para aumentar ou
diminuir a cavidade torácica;

b. pela elevação e depressão das


costelas para aumentar e
diminuir o diâmetro
anteroposterior da cavidade
torácica.
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Guyton & Hall. Tratado de Fisiologia Médica, 12ª Edição
Mecânica da Ventilação Pulmonar e Anatomia

a. Intercostais internos e externos: elevam


a caixa torácica.

b. Serráteis anteriores: elevam as costelas

c. Escalenos: elevam as duas primeiras


costelas

d. *Esternocleidomastóideos: elevam o
esterno. 12
McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Mecânica da Ventilação Pulmonar – A Pleura

• Folheto que reveste os pulmões e


gera uma cavidade chamada
cavidade pleural ou espaço
interpleural (EIP).

• Nesse espaço interpleural, a pressão


é levemente negativa em relação à
pressão atmosférica.
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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Mecânica da Ventilação Pulmonar: aspectos biofísicos

Pressão interpleural

A pressão negativa nos pulmões força a A pressão positiva nos pulmões força a
entrada de ar no processo de inspiração saída de ar no processo de expiração
2ª lei da termodinâmica: o ar vai de onde tem mais pressão para onde tem menos. 14
Lei dos Gases e suas aplicações Biológicas

1. Lei de Boyle-Mariotte

“A uma temperatura constante, o volume


de um gás é inversamente proporcional
à pressão”.

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Mecânica da Ventilação Pulmonar: aspectos biofísicos

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Mecânica da Ventilação Pulmonar: aspectos biofísicos

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Mecânica da Ventilação Pulmonar: aspectos biofísicos

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Mecânica da Ventilação Pulmonar: aspectos biofísicos

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Mecânica da Ventilação Pulmonar: aspectos biofísicos

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Mecânica da Ventilação Pulmonar: aspectos biofísicos

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Pressão Pleural e suas variações durante a respiração

A pressão pleural (PP) é a pressão do


líquido no estreito espaço entre a pleura
visceral e a pleura parietal.

A pressão alveolar (PA) é a pressão do ar


dentro dos alvéolos pulmonares.

A pressão transpulmonar (PTp) é a


diferença de pressão entre os alvéolos e as
superfícies externas dos pulmões.
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PTp = PA - PP
Guyton & Hall. Tratado de Fisiologia Médica, 12ª Edição
Complacência Pulmonar (C)

Fisiologicamente, refere-se ao grau de extensão dos pulmões por cada unidade de


aumento da pressão transpulmonar;

Fisicamente, é uma medida da relação entre a deformação obtida (ΔV) em uma


dada variação de pressão (ΔP).

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Complacência Pulmonar (C) – Curvas de complacência dos pulmões

Curva de complacência expiratória

Curva de complacência inspiratória

Pressão transpulmonar (cm H2O) 24


Complacência Pulmonar (C) – fatores relacionados

As forças elásticas determinam as características do diagrama de complacência;

• forças elásticas do tecido pulmonar propriamente dito


Fibras de elastina e colágeno

• forças elásticas causadas pela tensão superficial do líquido que reveste as


paredes internas dos alvéolos e outros espaços aéreos pulmonares.

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Complacência Pulmonar (C) – fatores relacionados

Surfactante pulmonar: agente ativo na superfície da água que reduz a tensão


superficial.

• Dipalmitoil-lecitina (fosfolipídeo com resíduos de ácido palmítico), Fosfatidilglicerol,


fosfatidilinositol, colesterol e proteínas surfactantes são componentes do surfactante pulmonar.
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Thomas Devlin. Manual de Bioquímica com correlações clínicas, 7ª Edição, Editora Blucher
Tensão superficial nos alvéolos

Relação entre a pressão, raio do alvéolo e tensão superficial

Exemplo de caso: os bebês recém nascidos prematuros e a Síndrome da Angústia


respiratória. Como o raio do alvéolo é menor em relação a de um adulto, seus
pulmões apresentam uma maior pressão alveolar causada pela tensão superficial.

Aumento da tendência ao
Pouco surfactante pulmonar
colapso dos alvéolos 27
Pneumotórax

É a entrada de ar no folheto interpleural por algum dano físico, como:


• Perfuração do tórax externamente
• Perfuração internamente por alguma costela quebrada

• Pode provocar também a atelectasia

https://www.youtube.com/watch?v=hsgCuMNt6N0

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Pneumotórax

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Relação entre complacência e doenças respiratórias restritivas

Característica mecânica principal: baixa complacência pulmonar

• menor produção de surfactante alveolar;


• Tecido pulmonar fibroso (decorrente por exemplo de inalação de
produtos tóxicos);
• Obesidade, impedindo o trabalho do diafragma.

O padrão respiratório de indivíduos com doenças restritivas é de uma maior frequência


respiratória e menor volume corrente.
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Relação entre complacência e doenças respiratórias obstrutivas

Característica principal: aumento da resistência das vias aéreas, ou seja, elas


apresentam um raio menor.

Maior atrito das moléculas


Mais rápido o fluxo Maior resistência
com as vias aéreas

Exemplos de doenças obstrutivas: DPOC (Doença pulmonar obstrutiva crônica), asma,


bronquite
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Relação entre complacência e doenças respiratórias obstrutivas - Asma

Processo
inflamatório
desencadeado por
determinados
agentes

Vasoconstrição

Aumento da
resistência nas vias
aéreas

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McKinley & Loughlin. Human Anatomy, 2th Edition
Relação entre complacência e doenças respiratórias obstrutivas - Enfisema

Enfisema é uma doença caracterizada pela perda da área de trocas gasosas devido aos
processos inflamatórios dos bronquíolos terminais e alvéolos, juntamente com a destruição
do tecido elástico do tecido conjuntivo.

Processo
inflamatório
desencadeado por
determinados
agentes

Aumento do
diâmetro ou
dilatação dos
alvéolos

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Relação entre complacência e doenças respiratórias obstrutivas - Enfisema

Quando há dilatação de determinados alvéolos


devido aos processos de enfisema, os alvéolos
de tamanho normal perdem o ar para os
alvéolos dilatados. Isso é um fator de
agravamento no enfisema

O alvéolo de raio
O ar tende a ir do
menor possui maior
alvéolo (B) para o
tensão,
alvéolo (C), segundo
consequentemente
a lei de Laplace
maior pressão

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Aires et al. Fisiologia Humana, 4ª Edição
Relação entre complacência e doenças respiratórias restritivas e obstrutivas

* Obstrutiva: A expiração máxima começa e termina em volumes pulmonares


anormalmente elevados;

* Restritiva: O volume mobilizado é


menor porque o fluxo aéreo está normal,
já que o calibre das vias respiratórias não
foi afetado, porém têm-se a diminuição
da complacência pulmonar

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Aires et al. Fisiologia Humana, 4ª Edição
Respiração em ambientes frios, secos ou com temperaturas elevadas - Reflexão

2. Lei de Gay-Lussac-Charles

“A uma pressão constante, o volume de um gás é diretamente proporcional à


temperatura”.

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Os aspectos bioenergéticos da Respiração

Respiração normal: 3% a 5% da energia consumida pelo corpo são requeridas para


ventilação pulmonar.

Atividade física: essa demanda energética aumenta em torno de 50 vezes, principalmente


se houver algum incremento na resistência das vias aéreas ou complacência pulmonar
diminuída.

A complacência pulmonar normal é em torno de 0,20 e será:


• maior quando os pulmões apresentam enfisema/DPOC
• Menor quando doenças pulmonares tornam os pulmões mais rígidos (fibroses
pulmonares e edemas agudo no pulmão). 37
O “Trabalho” da Respiração

O trabalho da Inspiração

1 – trabalho necessário para expandir os


pulmões contra as forças elásticas do pulmão
e do tórax (Trabalho de complacência ou
Trabalho elástico).

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O “Trabalho” da Respiração

O trabalho da Inspiração

2 – Trabalho necessário para sobrepujar a


viscosidade pulmonar e das estruturas da
parede torácica (Trabalho de resistência
tecidual).

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O “Trabalho” da Respiração

O trabalho da Inspiração

3 – Trabalho necessário para sobrepujar a


resistência aérea, ao movimento de ar para
dentro dos pulmões (Trabalho de resistência
das vias aéreas).

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Volumes e Capacidades Pulmonares

a. Volume corrente: é a quantidade de ar que se move dentro e fora dos pulmões a


cada respiração. O normal é cerca de 0,5 L.

b. Volume de reserva inspiratório (VRI): é a quantidade de ar que, com esforço,


uma pessoa pode inalar acima e além do volume corrente. O normal é de 2,1 L a 3 L.
c. Volume de reserva expiratório (VRE): é a quantidade de ar que, com esforço,
uma pessoa pode exalar para além do volume corrente. O normal é de 1000 mL.
d. Volume residual (VR): é o volume de ar que fica nos pulmões após a expiração
mais forçada. Esse volume é em torno de 1,2 L.

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Volumes e Capacidades Pulmonares

a. Capacidade vital pulmonar: é a


quantidade de ar envolvida, incluindo
o volume corrente, o volume de
reserva inspiratório e o volume de
reserva expiratório

CV = VC + VRI + VRE

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Guyton & Hall. Tratado de Fisiologia Médica, 12ª Edição
Volumes e Capacidades Pulmonares

b. Capacidade inspiratória (CI): é o


máximo de ar que pode ser inspirado.

CI = VC + VRI

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Volumes e Capacidades Pulmonares

c. Capacidade residual funcional


(CRF): compreende o ar que pode ser
expirado, ao final da expiração
corrente em repouso.

CRF = VRE + VR

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Volumes e Capacidades Pulmonares

d. Capacidade pulmonar total ou


Capacidade Total (CT): é o volume
total de ar que pode ser contido no
pulmão, isto é, ao fim da inspiração
máxima. É a soma dos quatro
volumes.

CT = VC + VRI + VRE + VR

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Lei dos Gases e suas aplicações Biológicas

2. Lei de Gay-Lussac-Charles

Cerca de 0,6 litros de ar é aspirado a 20ºC para o pulmão, que se encontra a 37ºC.
Qual será o volume de ar no pulmão?

No SI:
T2 = 273+20 = 293K
T1 = 273+37 = 310 K V2 = 0,56 L

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Lei dos Gases e suas aplicações Biológicas

3. Lei Geral dos gases

Representa a combinação das duas leis anteriores e define que o produto entre a
pressão (P) e volume (V) é igual ao produto do número de mols (n), constante
universal dos gases (R) e temperatura absoluta (T).

R = 8,3.103 J/kmol

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Lei dos Gases e suas aplicações Biológicas

4. Lei de Dalton

“A pressão total de uma mistura de gases é igual à soma da pressão de cada


componente”.

Pg – gases raros

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Lei dos Gases e suas aplicações Biológicas

5. Lei de Henry

“O volume de um gás dissolvido (VD) em um líquido é proporcional à pressão do gás


(P) sobre o líquido, a um fator de solubilidade (Fs) e ao volume do líquido (V)”.

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Lei dos Gases e suas aplicações Biológicas

6. Lei de Graham

“A difusão de um gás é inversamente proporcional à raiz quadrada de sua massa


molecular (M)”.

Nos sistemas biológicos, várias constantes são


acrescentadas, como coeficiente de solubilidade
(Cs), Temperatura absoluta (T), área de difusão (A),
coeficiente de pressão (ΔP), massa molecular (M),
distância (L) e viscosidade (n).
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Outros aspectos relacionados ao sistema respiratório

A Tosse

- Primeiro, cerca de até 2,5 L de ar são rapidamente inspirados;

- A epiglote fecha e as cordas vocais são


fechadas com firmeza para aprisionar o ar
dentro dos pulmões;
- Os músculos abdominais e os intercostais
se contraem com força, empurrando o
diafragma.

https://www.youtube.com/watch?v=usAqJoVYVSc 51
Outros aspectos relacionados ao sistema respiratório

A Tosse

- Como resultado, ocorre o aumento da pressão pulmonar para até 100 mmHg;

- A epiglote e cordas vocais se abrem de


forma ampla, e o ar sob alta pressão nos
pulmões explode em direção ao exterior.
- O aumento da velocidade do ar carrega
geralmente consigo qualquer material
estranho que esteja presente nos
brônquios e traquéia.
https://www.youtube.com/watch?v=usAqJoVYVSc 52
Outros aspectos relacionados ao sistema respiratório

O espirro

- Semelhante ao reflexo da tosse, mas este ocorre nas vias nasais;

- Nesse caso, a úvula é deprimida, de forma


que grandes quantidades de ar passam
rapidamente pelo nariz, ajudando assim a
limpar as vias nasais do material estranho.

https://recordtv.r7.com/sp-no-ar/videos/segurar-o-espirro-pode-ser-perigoso-22102018 53

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