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Introdução à Engenharia dos Materiais

Resenha 2 – Cap. 2 (Engenharia e Ciência dos Materiais)

Estrutura Atômica

Alguns tópicos, como estrutura, configurações eletrônicas em átomos e na tabela


periódica e os vários tipos de ligações interatômicas primárias e secundárias que mantém
juntos os átomos que compõem um sólido, são considerados fundamentais e importantes para
o estudo de algumas propriedades dos materiais sólidos.

Para começar uma revisão de alguns conceitos fundamentais é importante lembrar a


constituição de um átomo. Cada átomo é composto pelo núcleo (prótons e nêutrons) e
elétrons (que circulam o núcleo). Elétrons e prótons são carregados eletricamente. Elétrons
tem carga negativa, prótons tem carga positiva e nêutrons não tem carga. A magnitude da
carga do próton e do elétron é 1,602∗10−19 C . As massas são muitos pequenas: prótons e
nêutrons possuem massas quase iguais e que valem respectivamente 1,673∗10−27kg e
1,675∗10−27kg. Elétrons tem massa igual a 9,1095∗10−31kg.
Cada elemento é caracterizado:

 Pelo seu número atômico (Z): número de prótons no núcleo


o Número de cargas positivas
o Para um átomo neutro o número de elétrons deve ser igual
 Pela sua massa atômica (A): soma das massas de prótons e nêutrons no núcleo
o Átomos de um mesmo elemento: mesmo número de prótons e diferentes
números de nêutrons (N).
 Pelo seu peso atômico: média ponderada das massas atômicas dos diferentes isótopos
naturais.
 Assim, A ≅ Z+ N

Elétrons em átomos

Durante o final do século dezenove, estabeleceu-se um conjunto de princípios e leis


que governam sistemas de entidades atômicas e subatômicas, que ficaram conhecidos como
mecânica quântica.

A partir daí, criou-se primeiramente o modelo atômico de Bohr que apresenta o


aspecto de órbitas onde existem elétrons e, no seu centro, um pequeno núcleo. Um outro
princípio importante é de que as energias dos elétrons são quantizadas: mudança de orbital é
possível, com absorção (maior energia) ou emissão (menor energia) de energia. O modelo de
Bohr apresenta limitações significativas, não servindo para explicar vários fenômenos
envolvendo os elétrons.

No desenvolvimento da mecânica ondulatória, uma subdivisão da mecânica quântica,


foi possível suprir algumas deficiências do modelo de Bohr. No modelo Mecânico-Ondulatório,
o elétron apresenta características tanto de onda quanto de partícula. O elétron não é mais
tratado como uma partícula que se movimenta num orbital discreto. A posição do elétron
passa a ser considerada como a probabilidade deste ser encontrado em uma região próxima
do núcleo.
Na mecânica quântica, cada elétron em um átomo é caracterizado por quatro
parâmetros, os números quânticos. Não existem dois elétrons com os mesmos números
quânticos. O número quântico principal n especifica as camadas que são designadas pelas
letras K, L, M, N, O... (que correspondem, respectivamente, a n = 1, 2, 3, 4, 5 ...). O segundo
número quântico l indica os subníveis de energia. Os subníveis de energia s, p, d e f
representam, respectivamente, os seguintes números quânticos secundários: 0, 1, 2 e 3. O
número quântico magnético (m ou m 1) indica a órbita onde os elétrons se encontram: O
subnível s possui 1 orbital, que é o orbital (0). O subnível p possui 3 orbitais, que são os orbitais
(0), (+1) e (-1). O subnível d possui 5 orbitais, que são os orbitais (-2), (-1), (0), (+1) e (+2). O
subnível f possui 7 orbitais, que são os orbitais (-3), (-2), (-1), (0), (+1), (+2) e (+3). O número
quântico de spin ( s ou m s ) é aquele que indica o sentido de rotação do elétron e para o qual
+ 1 −1
são possíveis 2 valores ( e ), um para cada uma das orientações de spin.
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Os estados eletrônicos, valores de energia que são permitidos aos elétrons, foram
tratados e para determinar a maneira na qual estes estados são preenchidos com elétrons
utiliza-se o princípio de exclusão de Pauli. Este conceito estipula que cada estado eletrônico
pode conter apenas dois spins opostos. Assim, as subcamadas s, p, d e f podem acomodar cada
uma, respectivamente, um total de 2, 6, 10 e 14 elétrons; somando um número máximo de
elétrons que podem ocupar cada uma das primeiras 4 camadas.

A configuração eletrônica representa a maneira na qual os mais baixos estados de


energia são ocupados. Os elétrons de valência são aqueles que ocupam a camada eletrônica
mais externa. Esses elétrons participam na ligação entre os átomos para formar agregados
atômicos e moleculares, além de várias propriedades físicas e químicas de sólidos estarem
baseadas nestes elétrons. Por fim, alguns átomos tem “configurações eletrônicas estáveis” em
que as camadas eletrônicas mais externas estão completamente preenchidas.

Tabela Periódica

Na tabela periódica temos a disposição dos elementos químicos ordenados por seus
números atômicos, de modo que todos os elementos que estão em uma determinada coluna
tem similares estruturas de elétrons de valência, sendo assim, tem similares propriedades
químicas e físicas. Os grupos são numerados de 1 a 18 a partir da coluna à esquerda (os metais
alcalinos) para à direita (os gases nobres). Entre eles temos os metais alcalino-terrosos (grupo
2), calcogênios (grupo 16), halogênios (grupo 17) e os grupos de 3 a 15 que não tem nomes
específicos uma vez que mostram menos similaridades verticais.

Os elementos que se incluem na classificação de metal, muitas, vezes, são


denominados eletropositivos indicando que eles cedem elétrons facilmente. Já os elementos
situados à direita da tabela são eletronegativos, ou seja, aceitam elétrons facilmente. Assim,
de modo geral, a eletronegatividade aumenta ao se mover da esquerda para a direita e de
base para o topo da tabela.

Ligações atômicas em sólidos

Muitas propriedades físicas dos materiais são entendidas pelo conhecimento das
ligações químicas presentes. Á medida que dois átomos se aproximam temos:

 Força de atração ( F A ¿ – dependente do tipo de ligação formada


 Força de repulsão ( F R ¿ – interação das camadas eletrônicas internas
 F N =F A + F R

Uma das ligações primárias é a ligação iônica, uma ligação não direcional, que envolve
a transferência de elétrons de um átomo para o outro. As forças de ligação atrativa são
culômbicas; isto é, íons positivos e negativos, em virtude de suas cargas elétricas, se atraem
mutuamente. Já a ligação covalente, também uma ligação primária, envolve o
compartilhamento dos elétrons de valência de átomos adjacentes. A ligação covalente é
direcional; isto é, é entre átomos específicos e pode existir apenas na direção entre um átomo
e um outro que participa no compartilhamento eletrônico. O número de ligações covalentes
que são possíveis para um particular átomo é determinado pelo número de elétrons de
valência. Para n elétrons de valência, um átomo pode se ligar covalentemente com no máximo
(8 – n) outros átomos. O tipo final de ligação primária é a ligação metálica e, como o próprio
nome diz, é encontrada em materiais metálicos que por sua vez possuem de um a três elétrons
de valência. Esses elétrons de valência passam a se comportar como elétrons “livres” e
formam uma “nuvem eletrônica”: apresentam a mesma probabilidade de se associar a um
grande número de átomos vizinhos.

As ligações secundárias ou de van der Waals são ligações fracas quando comparadas
com as ligações primárias e são evidentes em gases inertes e em moléculas covalentemente
ligadas. A ligação resulta de atração culômbica entre a extremidade positiva de um dipolo e a
extremidade negativa de outro dipolo. Um dipolo pode ser criado ou induzido num átomo ou
molécula que é normalmente simétrica eletricamente; isto é, a distribuição espacial global dos
elétrons é simétrica em relação ao núcleo positivamente carregado. Moléculas polares são
moléculas que tem momentos de dipolo permanentes em virtude de um arranjo assimétrico
de regiões carregadas positivamente ou negativamente. Já o tipo de ligação mais forte. A
ligação de hidrogênio, é um caso especial de ligação por molécula polar. Ocorre entre dipolos
permanentes de moléculas, em que o polo positivo é sempre o hidrogênio, e o polo negativo
pode ser o flúor, o oxigênio ou o nitrogênio, pois esses elementos são bastante
eletronegativos, ou seja, atraem mais fortemente os elétrons da ligação dupla e ficam com
carga parcial negativa.

Molécula

Uma molécula pode ser definida como átomos ligados entre si por fortes ligações
primárias, assim, as amostras sólidas ligadas ionicamente ou metalicamente pode ser
consideradas moléculas simples, isto não é o caso pra muitas substâncias nas quais ligações
covalentes predominam.