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Jurisprudências 2018

Jurisprudências retiradas do site http://www.dizerodireito.com.br/


MATERIAL ATUALIZADO ATÉ INFO 927/STF E 638/STJ

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Constitucional que irá deliberar. O STF apenas comunica, por meio de
ofício, à Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado
PODER EXECUTIVO Federal informando sobre a condenação do parlamentar. A
A imunidade formal prevista no art. 51, I, e no art. 86, caput, Mesa da Câmara ou do Senado irá, então, deliberar (decidir)
da CF/88 não se estende para os codenunciados que não se como entender de direito (como quiser) se o parlamentar irá
encontrem investidos nos cargos de Presidente da perder ou não o mandato eletivo, conforme prevê o art. 55, VI, §
República, Vice-Presidente da República e Ministro de 2º, da CF/88. Assim, mesmo com a condenação criminal,
Estado. A finalidade dessa imunidade é proteger o exercício quem decide se haverá a perda do mandato é a Câmara dos
regular desses cargos, razão pela qual não é extensível a Deputados ou o Senado Federal. STF. 2ª Turma. AP 996/DF,
codenunciados que não se encontrem ocupando tais funções. Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904) (obs: o
STF. (Info 888). Relator Edson Fachin ficou vencido neste ponto).

PODER LEGISLATIVO PODER JUDICIÁRIO


É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, Constitucionalidade do art. 6º, I, da Resolução 146/2012-
imponha a parlamentares municipais as medidas cautelares de CNJ
afastamento de suas funções legislativas sem necessidade A Resolução 146/2012 do CNJ dispõe sobre o instituto da
de remessa à Casa respectiva para deliberação. STJ. (Info 617). redistribuição de cargos efetivos dos quadros de pessoal dos
Parlamentar, mesmo sem a aprovação da Mesa Diretora, órgãos do Poder Judiciário da União. O STF entendeu que é
pode, na condição de cidadão, ter acesso a informações de constitucional o art. 6º, I, da referida Resolução, que prevê o
interesse pessoal ou coletivo dos órgãos públicos seguinte: “Art. 6º O cargo ocupado somente poderá ser
Importante!!! O parlamentar, na condição de cidadão, pode redistribuído se o servidor preencher cumulativamente os
exercer plenamente seu direito fundamental de acesso a seguintes requisitos: I – tempo mínimo de 36 meses de exercício
informações de interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. no cargo a ser redistribuído;” O instituto da redistribuição de
5º, inciso XXXIII, da Constituição Federal e das normas de cargos efetivos tem função de resguardar o interesse da
regência desse direito. O parlamentar, na qualidade de cidadão, Administração Pública e não visa a atender às necessidades do
não pode ter cerceado o exercício do seu direito de acesso, via servidor. O prazo de 36 meses previsto no referido dispositivo
requerimento administrativo ou judicial, a documentos e coincide com o prazo estabelecido no art. 41 da CF/88 relativo à
informações sobre a gestão pública, desde que não estejam, estabilidade do servidor público, de modo a evidenciar a
excepcionalmente, sob regime de sigilo ou sujeitos à aprovação razoabilidade e a proporcionalidade da resolução. STF. Plenário.
de CPI. O fato de as casas legislativas, em determinadas ADI 4938/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/4/2018
situações, agirem de forma colegiada, por intermédio de seus (Info 899).
órgãos, não afasta, tampouco restringe, os direitos inerentes ao Inconstitucionalidade de norma da Constituição Estadual
parlamentar como indivíduo. STF. Plenário. RE 865401/MG, Rel. que vincula vencimentos de escrivães aos dos juízes
Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2018 (repercussão geral) (Info A Constituição do Estado do Ceará previa que os escrivães de
899). entrância especial teriam seus vencimentos fixados de modo a
A condenação criminal transitada em julgado é suficiente, não exceder a 80% do que fosse atribuído aos juízes da
por si só, para acarretar a perda automática do mandato entrância inferior, aplicando-se o mesmo limite percentual para
eletivo de Deputado Federal ou de Senador? os escrivães das demais entrâncias. O STF decidiu que essa regra
Se o STF condenar criminalmente um Deputado Federal ou é inconstitucional por violar o art. 37, XIII, da CF/88, que proíbe a
Senador, haverá a perda automática do mandato ou isso ainda vinculação ou equiparação de quaisquer espécies
dependerá de uma deliberação (decisão) da Câmara ou do remuneratórias de pessoal do serviço público e também por
Senado, respectivamente? A condenação criminal transitada em violar a iniciativa legislativa do Poder Judiciário (art. 96, II, “b”, da
julgado é suficiente, por si só, para acarretar a perda automática CF/88). STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
do mandato eletivo de Deputado Federal ou de Senador? em 20/6/2018 (Info 907).
1ª Turma do STF: DEPENDE. Constitucionalidade da verba “auxílio-voto”, paga aos juízes
• Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 convocados para atuar nos processos de 2ª instância do
dias em regime fechado: a perda do cargo será uma Tribunal
consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à Foi instituído, no Tribunal de Justiça de São Paulo, o pagamento
Mesa da Câmara ou do Senado apenas declarar que houve a de uma verba pela atuação em 2ª instância de magistrados de
perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos termos do 1ª instância. Em outras palavras, o juiz era convocado para atuar
art. 55, III e § 3º da CF/88. nos processos do Tribunal e, em razão disso, recebia uma verba
• Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em que ficou conhecida como “auxílio-voto”. O CNJ, em
regime aberto ou semiaberto: a condenação criminal não procedimento de controle administrativo (PCA), considerou a
gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou verba irregular, por suposta ofensa ao teto constitucional, e
do Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, da CF/88, se determinou a devolução dos valores recebidos pelos juízes. O
o condenado deverá ou não perder o mandato. STF. 1ª Turma. STF cassou a decisão do CNJ. Argumentos: 1) A decisão do CNJ
AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info violou o devido processo legal administrativo e os princípios do
863). STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em contraditório e da ampla defesa. Isso porque os magistrados
22/5/2018 (Info 903). não foram notificados para apresentação de defesa escrita, além
2ª Turma do STF: NÃO. A perda não é automática. A Casa é de não terem participado da instrução processual. A decisão

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proferida pelo Conselho surpreendeu a todos os envolvidos. Não cabe ADI contra decreto regulamentar de lei
Além disso, o PCA no qual o CNJ decidiu pela irregularidade da A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual
verba foi instaurado para tratar sobre assunto completamente inadequado para o controle de decreto regulamentar de lei
diverso. 2) A verba paga aos magistrados de 1ª instância que estadual. Seria possível a propositura de ADI se fosse um
atuaram nos processos do Tribunal de Justiça foi regular, decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas
considerando que baseada no art. 124 da LC 35/79 regulamenta a lei, não é hipótese de cabimento de ADI. STF.
(LOMAN). Essa convocação de juízes para atuar no Tribunal Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado
é válida e não viola a CF/88. Como essa convocação de juízes em 6/6/2018 (Info 905).
é válida (compatível com a CF/88), é natural que seja devido
O advogado que assina a petição inicial da ação direta de
o pagamento de um valor como forma de “recomposição
inconstitucionalidade precisa de procuração com poderes
patrimonial dos magistrados, dado o exercício
específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato
extraordinário de atribuições transitórias desempenhadas
normativo que será impugnado na ação. Repetindo: não
acumuladamente com a jurisdição ordinária”. De igual modo,
basta que a procuração autorize o ajuizamento de ADI, devendo
como se trata de uma verba prevista em lei, fica afastada
indicar, de forma específica, o ato contra o qual se insurge. Caso
qualquer alegação de má-fé. Como a verba em questão servia
esse requisito não seja cumprido, a ADI não será conhecida.
para pagar os magistrados por um serviço extraordinário, elas
Vale ressaltar, contudo, que essa exigência constitui vício
não estavam abrangidas pelo subsídio. STF. 2ª Turma. MS
sanável e que é possível a sua regularização antes que seja
29002/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/8/2018 (Info 910).
reconhecida a carência da ação. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Alteração do parâmetro constitucional não prejudica o
O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada
conhecimento da ADI
antes do julgamento da ação?
A alteração do parâmetro constitucional, quando o processo
O autor da ADI deverá aditar a petição inicial demonstrando
ainda está em curso, não prejudica o conhecimento da ADI. Isso
que a nova redação do dispositivo impugnado apresenta o
para evitar situações em que uma lei que nasceu claramente
mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação
inconstitucional volte a produzir, em tese, seus efeitos. STF.
original. A revogação, ou substancial alteração, do complexo
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
normativo impõe ao autor o ônus de apresentar eventual
20/6/2018 (Info 907).
pedido de aditamento, caso considere subsistir a
inconstitucionalidade na norma que promoveu a alteração ou Cabe ADI contra recomendação de Tribunal que fixa a
revogação. Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer competência da Justiça do Trabalho para autorizar o
da ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza
superveniente do objeto. STF. (Info 890). artística
Cabe ADI contra recomendação conjunta de Tribunal de Justiça
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer
e de Tribunal Regional do Trabalho recomendando aos juízes
contra decisões proferidas em sede de controle concentrado
que considerem como sendo da Justiça do Trabalho a
de constitucionalidade
competência para autorizar o trabalho de crianças e
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra
adolescentes em eventos de natureza artística. Esta
decisões proferidas em sede de controle concentrado de
recomendação deve ser considerada como ato de caráter
constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo
primário, autônomo e cogente, inovando no ordenamento
respectivo Governador. A legitimidade para recorrer, nestes
jurídico, razão pela qual pode ser impugnada por meio de ADI.
casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado
STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
pelo art. 103 da CF/88). Os Estados-membros não se incluem no
27/9/2018 (Info 917).
rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais em sede de
controle concentrado de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI ABERT tem legitimidade para propor ADI
4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
05/04/2018. (ABERT) possui legitimidade para propor ADI contra ato
normativo que previa que a competência para autorizar o
Cabe ADI contra Resolução do CNMP
pedido de trabalho de crianças e adolescentes em espetáculos
A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter
artísticos seria da Justiça do Trabalho. A ABERT enquadra-se no
geral e abstrato, editado pelo Conselho no exercício de sua
conceito de entidade de classe de âmbito nacional (art. 103, IX,
competência constitucional, razão pela qual constitui ato
da CF/88) e possui pertinência temática para questionar ato
normativo primário, sujeito a controle de constitucionalidade,
normativo que versa sobre esse tema, considerando a
por ação direta, no Supremo Tribunal Federal. STF. Plenário. ADI
participação de crianças e adolescentes nos programas de suas
4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info
associadas. STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
899).
julgado em 27/9/2018 (Info 917).
Cabimento de ADI contra Resolução do TSE
É possível a celebração de acordo num processo de índole
É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu
objetiva, como a ADPF, desde que fique demonstrado que
conteúdo material, “norma de decisão” de caráter abstrato,
há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito),
geral e autônomo, apta a ser apreciada pelo STF em sede de
que comporta solução por meio de autocomposição. Vale
controle abstrato de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI
ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não irá
5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).
chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas

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defendidas pelas partes no processo. O STF irá apenas a fornecerem aos consumidores informações e documentos
homologar as disposições patrimoniais que forem justificando as razões pelas quais houve recusa de algum
combinadas e que estiverem dentro do âmbito da procedimento, tratamento ou internação. O Mato Grosso do
disponibilidade das partes. A homologação estará apenas Sul editou uma lei estadual prevendo que, se o plano de saúde
resolvendo um incidente processual, com vistas a conferir maior recusar algum procedimento, tratamento ou internação, ele
efetividade à prestação jurisdicional. STF. (Info 892). deverá fornecer, por escrito, ao usuário, um comprovante
fundamentado expondo as razões da negativa. O STF entendeu
Possibilidade de decretação, de ofício, da modulação dos
que essa norma não viola competência privativa da União,
efeitos da decisão proferida em ADI
considerando que ela trata sobre proteção ao consumidor,
Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei
matéria inserida na competência concorrente (art. 24, V, da
ou ato normativo inconstitucional, ele poderá, de ofício,
CF/88). STF. (Info 890).
fazer a modulação dos efeitos dessa decisão. Ex: no
julgamento de uma ADI, o STF decidiu que determinado artigo Lei estadual que regule a forma de cobrança do ITCMD pela
de lei é inconstitucional. Um dos legitimados do art. 103 da PGE não viola o CPC
CF/88 opôs embargos de declaração pedindo a modulação dos As disposições legais sobre a forma de cobrança do Imposto
efeitos. Ocorre que o STF considerou que esses embargos eram sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de quaisquer Bens
intempestivos. O STF, mesmo não conhecendo dos embargos, ou Direitos (ITCMD) pela Procuradoria Geral do Estado e de sua
poderá decretar a modulação dos efeitos da decisão. STF. intervenção em processos de inventário, arrolamento e outros
Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em de interesse da Fazenda Pública são regras de procedimento
2/10/2018 (Info 918). que não violam o Código de Processo Civil. Neste caso, são
normas eminentemente procedimentais, autorizadas pelo art. 24
É irrecorrível a decisão denegatória de ingresso no feito
da CF/88, que prevê a competência concorrente da União e dos
como amicus curiae. Assim, tanto a decisão do Relator que
Estados. A possibilidade de a Procuradoria-Geral do Estado
ADMITE como a que INADMITE o ingresso do amicus curiae
intervir e ser ouvida nos inventários, arrolamentos e outros
é irrecorrível. STF. Plenário. RE 602584 AgR/DF, rel. orig.
feitos em nada atrapalha o processo. STF. Plenário. ADI 4409/SP,
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
17/10/2018 (repercussão geral) (Info 920).
É inconstitucional lei estadual que, ao tratar sobre matéria
Coexistência de ADI no TJ e ADI no STF, sendo a ADI
de competência concorrente (art. 24 da CF/88),
estadual julgada primeiro
simplesmente determina que devem ser observadas as
Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade,
regras previstas na lei federal
uma ajuizada perante o tribunal de justiça local e outra
A competência para legislar sobre as atividades que envolvam
perante o STF, o julgamento da primeira – estadual –
organismos geneticamente modificados (OGM) é concorrente
somente prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas
(art. 24, V, VIII e XII, da CF/88). No âmbito das competências
duas condições cumulativas:
concorrentes, cabe à União estabelecer normas gerais e aos
1) se a decisão do Tribunal de Justiça for pela procedência
Estados-membros editar leis para suplementar essas normas
da ação e
gerais (art. 24, §§ 1º e 2º). Determinado Estado-membro editou
2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com
lei estabelecendo que toda e qualquer atividade relacionada
preceito da Constituição do Estado sem correspondência na
com os OGMs naquele Estado deveria observar “estritamente à
Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle de
legislação federal específica”. O STF entendeu que essa lei
constitucionalidade tenha correspondência na Constituição
estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira
Federal, subsiste a jurisdição do STF para o controle abstrato
“renúncia” ao exercício da competência legislativa concorrente
de constitucionalidade.
prevista no art. 24, V, VIII e XII, da CF/88. Em outras palavras, o
Estado abriu mão de sua competência suplementar prevista no
Viola a igualdade a exigência de que o cargo público seja
art. 24, § 2º da CF/88. Essa norma estadual remissiva fragiliza a
ocupado por indivíduo com curso de administração pública
estrutura federativa descentralizada, e consagra o monopólio da
mantido por instituição pública credenciada no respectivo
União, sem atentar para nuances locais. Assim, é inconstitucional
Estado
lei estadual que remete o regramento do cultivo comercial e das
É inconstitucional lei estadual que, ao criar o cargo de
atividades com organismos geneticamente modificados à
administrador público, exige que ele seja ocupado por
regência da legislação federal. STF. Plenário. ADI 2303/RS, Rel.
profissional graduado em Curso de Administração Pública
Min. Marco Aurélio, julgado em 5/9/2018 (Info 914).
mantido por Instituição Pública de Ensino Superior,
credenciada no respectivo Estado. Essa previsão da lei Os Municípios detêm competência para legislar sobre assuntos
estadual ofende o princípio constitucional da igualdade no de interesse local, ainda que, de modo reflexo, tratem de direito
acesso a cargos públicos. Além disso, essa regra também comercial ou do consumidor
viola o art. 19, III, da Constituição Federal, que proíbe a É constitucional lei municipal que proíbe a conferência de
criação de distinções ilegítimas entre brasileiros. STF. mercadorias realizada na saída de estabelecimentos comerciais
Plenário. ADI 3659/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado localizados na cidade. A Lei prevê que, após o cliente efetuar o
em 13/12/2018 (Info 927) pagamento nas caixas registradoras da empresa instaladas, não
é possível nova conferência na saída. Os Municípios detêm
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS competência para legislar sobre assuntos de interesse local (art.
30, I, da CF/88), ainda que, de modo reflexo, tratem de direito
É constitucional lei estadual que obrigue os planos de saúde
comercial ou do consumidor. STF. 2ª Turma. RE 1.052.719

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AgR/PB, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 25/9/2018 839950/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/10/2018
(Info 917). (repercussão geral) (Info 921)
Lei estadual que fixa piso salarial profissional violando os
requisitos da LC federal 103/2000 é considerada SAÚDE
inconstitucional por ofensa ao art. 22, I e parágrafo único da É constitucional o ressarcimento previsto no art. 32 da Lei nº
CF/88 9.656/98, o qual é aplicável aos procedimentos médicos,
A competência para editar lei fixando o piso salarial das hospitalares ou ambulatoriais custeados pelo SUS e
categorias profissionais (art. 7º, V, da CF/88) é privativa da União posteriores a 4.6.1998, assegurados o contraditório e a
por se tratar de direito do trabalho (art. 22, I). A União editou a ampla defesa, no âmbito administrativo, em todos os
LC federal 103/2000 autorizando que os Estados-membros e o marcos jurídicos. O art. 32 da Lei nº 9.656/98 prevê que, se um
DF editem leis fixando o piso salarial dos profissionais de acordo cliente do plano de saúde utilizar-se dos serviços do SUS, o
com suas realidades regionais. Ocorre que a União exigiu, Poder Público poderá cobrar do referido plano o ressarcimento
dentre outros requisitos, que essa lei seja de iniciativa do chefe que ele teve com essas despesas. Assim, o chamado
do Poder Executivo estadual (Governador). Se uma lei estadual/ “ressarcimento ao SUS”, criado pelo art. 32, é uma
distrital de iniciativa parlamentar fixa o piso salarial, essa lei obrigação legal das operadoras de planos privados de
ultrapassa os limites impostos pela LC federal 103/2000 e, em assistência à saúde de restituir as despesas que o SUS teve
última análise, viola diretamente o art. 22, I e parágrafo único, ao atender uma pessoa que seja cliente e que esteja coberta
da CF/88, sendo considerada inconstitucional. Assim, a por esses planos. STF. (Info 890).
extrapolação dos limites da competência legislativa delegada
Requisitos para a concessão judicial de medicamentos não
pela União aos Estados e ao Distrito Federal representa a
previstos pelo SUS
usurpação de competência legislativa da União para legislar
A concessão dos medicamentos não incorporados em atos
sobre direito do trabalho (art. 22, I e parágrafo único) e,
normativos do SUS exige a presença cumulativa dos seguintes
consequentemente, a inconstitucionalidade formal da lei
requisitos:
delegada. STF. Plenário. ADI 5344 MC/PI, Rel. Min. Edson Fachin,
(I) comprovação, por meio de laudo médico fundamentado e
julgado em 11/10/2018 (Info 919).
circunstanciado expedido por médico que assiste o paciente,
Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o da imprescindibilidade ou necessidade do medicamento,
trânsito de veículos, sejam eles motorizados ou não, assim como da ineficácia, para o tratamento da moléstia, dos
transportando cargas vivas nas áreas urbanas e de expansão fármacos fornecidos pelo SUS;
urbana do Município. Essa lei municipal invade a (II) incapacidade financeira de arcar com o custo do
competência da União. O Município, ao inviabilizar o medicamento prescrito; e
transporte de gado vivo na área urbana e de expansão urbana (III) existência de registro na ANVISA do medicamento. STJ. 1ª
de seu território, transgrediu a competência da União, que já Seção. REsp 1.657.156-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
estabeleceu, à exaustão, diretrizes para a política agropecuária, em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 625).
o que inclui o transporte de animais vivos e sua fiscalização.
Em, 25/04/2018, o STJ, ao julgar o REsp 1.657.156-RJ (Info 625),
Além disso, sob a justificativa de criar mecanismo legislativo de
afirmou que o poder público é obrigado a conceder
proteção aos animais, o legislador municipal impôs restrição
medicamentos mesmo que não estejam incorporados em atos
desproporcional. Esta desproporcionalidade fica evidente
normativos do SUS, desde que cumpridos três requisitos. Em
quando se verifica que a legislação federal já prevê uma série de
12/09/2018, o STJ decidiu retificar o terceiro requisito da tese
instrumentos para garantir, de um lado, a qualidade dos
anteriormente fixada:
produtos destinados ao consumo pela população e, de outro, a
Redação original: A concessão dos medicamentos não
existência digna e a ausência de sofrimento dos animais, tanto
incorporados em atos normativos do SUS exige a presença
no transporte quanto no seu abate. STF. Plenário. ADPF 514 e
cumulativa dos seguintes requisitos: (...) 3) existência de registro
ADPF 516 MC-REF/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em
na ANVISA do medicamento.
11/10/2018 (Info 919)
Redação após os embargos: A concessão dos medicamentos
É inconstitucional lei municipal que cria concurso de não incorporados em atos normativos do SUS exige a presença
prognósticos de múltiplas chances (loteria) em âmbito local. A cumulativa dos seguintes requisitos: (...) 3) existência de registro
competência para tratar sobre esse assunto (sistemas de do medicamento na ANVISA, observados os usos autorizados
sorteios) é privativa da União, conforme determina o art. 22, XX, pela agência.
da CF/88. Sobre o tema, vale a pena lembrar a SV 2: é O que o STJ quis dizer com essa mudança:
inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que • Em regra, não é possível que o paciente exija do poder
disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive público o fornecimento de medicamento para uso off-label;
bingos e loterias. STF. Plenário. ADPF 337/MA, Rel. Min. Marco • Excepcionalmente, será possível que o paciente exija este
Aurélio, julgado em 17/10/2018 (Info 920). medicamento caso esse determinado uso fora da bula (off-
label) tenha sido autorizado pela ANVISA. Em outras palavras,
São inconstitucionais as leis que obrigam supermercados ou
o requisito do registro na ANVISA afasta a possibilidade de
similares à prestação de serviços de acondicionamento ou
fornecimento de medicamento para uso off-label, salvo se
embalagem das compras, por violação ao princípio da livre
autorizado pela ANVISA.
iniciativa (art. 1º, IV e art. 170 da CF/88). STF. Plenário. ADI 907/
A tese fixada ficou, portanto, com esta nova redação:
RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Roberto
A concessão dos medicamentos não incorporados em atos
Barroso, julgado em 1º/8/2017 (Info 871). STF. Plenário. RE
normativos do SUS exige a presença cumulativa dos

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seguintes requisitos: ocupadas por remanescentes das comunidades dos
a) Comprovação, por meio de laudo médico fundamentado quilombos. Assim, o art. 68 do ADCT, apesar de reconhecer
e circunstanciado expedido por médico que assiste o um direito aos quilombolas, não invalida os títulos de
paciente, da imprescindibilidade ou necessidade do propriedade eventualmente existentes, de modo que, para
medicamento, assim como da ineficácia, para o tratamento que haja a regularização do registro em favor das
da moléstia, dos fármacos fornecidos pelo SUS; comunidades quilombolas, exige-se a realização do
b) incapacidade financeira de arcar com o custo do procedimento de desapropriação. Por fim, o STF não acolheu
medicamento prescrito; a tese de que somente poderiam ser consideradas terras de
c) existência de registro do medicamento na ANVISA, quilombolas aqueles que estivessem sendo ocupadas por essas
observados os usos autorizados pela agência. comunidades na data da promulgação da CF/88 (05/10/1988).
Além disso, o STJ decidiu alterar a data de início da produção Em outras palavras, mesmo que, na data da promulgação da
dos efeitos desta decisão: Modula-se os efeitos do presente CF/88, a terra não mais estivesse sendo ocupada pelas
repetitivo de forma que os requisitos acima elencados sejam comunidades quilombolas, é possível, em tese, que seja
exigidos somente quanto aos processos distribuídos a partir da garantido o direito previsto no art. 68 do ADCT. STF. (Info
data da publicação do acórdão, ou seja, 4/5/2018. Explicando 890).
melhor: a) Os três requisitos cumulativos estabelecidos no
acórdão (REsp 1.657.156-RJ) são aplicáveis a todos os processos LIBERDADE DE EXPRESSÃO
distribuídos na primeira instância a partir de 4/5/2018; b)
O STF tem sido mais flexível na admissão de reclamação em
Quanto aos processos pendentes, com distribuição anterior a
matéria de liberdade de expressão, em razão da persistente
4/5/2018, é exigível apenas um requisito que se encontrava
vulneração desse direito na cultura brasileira, inclusive por via
sedimentado na jurisprudência do STJ: a demonstração da
judicial.
imprescindibilidade do medicamento. STJ. 1ª Seção. EDcl no
No julgamento da ADPF 130, o STF proibiu enfaticamente a
REsp 1.6
censura de publicações jornalísticas, bem como tornou
excepcional qualquer tipo de intervenção estatal na
COMUNIDADES QUILOMBOLAS divulgação de notícias e de opiniões. A liberdade de
O art. 68 do ADCT estabelece que “aos remanescentes das expressão desfruta de uma posição preferencial no Estado
comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas democrático brasileiro, por ser uma pré-condição para o
terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o exercício esclarecido dos demais direitos e liberdades. A
Estado emitir-lhes os títulos respectivos.” Em 2003, foi retirada de matéria de circulação configura censura em qualquer
editado o Decreto nº 4.887, com o objetivo de regulamentar o hipótese, o que se admite apenas em situações extremas. Assim,
procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, em regra, a colisão da liberdade de expressão com os
demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes direitos da personalidade deve ser resolvida pela retificação,
das comunidades dos quilombos. O STF entendeu que este pelo direito de resposta ou pela reparação civil. Diante disso,
Decreto não invadiu esfera reservada à lei. O objetivo do se uma decisão judicial determina que se retire do site de
Decreto foi tão somente o de regular o comportamento do uma revista determinada matéria jornalística, esta decisão
Estado na implementação do comando constitucional previsto viola a orientação do STF, cabendo reclamação. STF. (Info
no art. 68 do ADCT. Houve o mero exercício do poder 893).
regulamentar da Administração, nos limites estabelecidos
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações
pelo art. 84, VI, da Constituição. O art. 2º, caput e § 1º do
religiosas e seus seguidores não está protegida pela cláusula
Decreto nº 4.887/2003 prevê como deve ser o critério
constitucional que assegura a liberdade de expressão. STF.
utilizado pelo Poder Público para a identificação dos
(Info 893). Atenção. Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min.
quilombolas. O critério escolhido foi o da autoatribuição
Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
(autodefinição). O STF entendeu que a escolha do critério
desse critério não foi arbitrária, não sendo contrária à É inconstitucional norma que proíbe proselitismo em rádios
Constituição. O art. 2º, §§ 2º e 3º, do Decreto preconiza que, comunitárias
na identificação, medição e demarcação das terras dos É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse
quilombolas devem ser levados em consideração critérios de dispositivo proíbe, no âmbito da programação das emissoras de
territorialidade indicados pelos remanescentes das radiodifusão comunitária, a prática de proselitismo, ou seja, a
comunidades dos quilombos. O STF afirmou que essa transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a uma
previsão é constitucional. Isso porque o que o Decreto está doutrina, sistema, religião, seita ou ideologia.
garantindo é apenas que as comunidades envolvidas sejam O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º, IV, VI e
ouvidas, não significando que a demarcação será feita IX, e 220, da Constituição Federal. A liberdade de pensamento
exclusivamente com base nos critérios indicados pelos inclui o discurso persuasivo, o uso de argumentos críticos, o
quilombolas. O art. 13 do Decreto, por sua vez, estabelece consenso e o debate público informado e pressupõe a livre
que o INCRA poderá realizar a desapropriação de troca de ideias e não apenas a divulgação de informações.
determinadas áreas caso os territórios ocupados por STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes,
remanescentes das comunidades dos quilombos estejam red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 16/5/2018 (Info 902).
situados em locais pertencentes a particulares. O STF
Cabe reclamação contra decisão judicial que determina
reputou válida essa previsão tendo em vista que, em
retirada de matéria jornalística de blog
nenhum momento a Constituição afirma que são nulos ou
Uma decisão judicial determinou a retirada de matéria de “blog”
extintos os títulos eventualmente incidentes sobre as terras

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jornalístico, bem como a proibição de novas publicações, por matéria ambiental, mas sempre veiculando normas
haver considerado a notícia ofensiva à honra de delegado da favoráveis ao meio ambiente. Normas que importem
polícia federal. diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só
Essa decisão afronta o que o STF decidiu na ADPF 130/DF, podem ser editadas por meio de lei formal, com amplo
que julgou não recepcionada a Lei de Imprensa. debate parlamentar e participação da sociedade civil e dos
A ADPF 130/DF pode ser utilizada como parâmetro para órgão e instituições de proteção ambiental, como forma de
ajuizamento de reclamação que verse sobre conflito entre a assegurar o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente
liberdade de expressão e de informação e a tutela das garantias equilibrado. Dessa forma, é inconstitucional a edição de MP
individuais relativas aos direitos de personalidade. A que importe em diminuição da proteção ao meio ambiente
determinação de retirada de matéria jornalística afronta a equilibrado, especialmente em se tratando de diminuição ou
liberdade de expressão e de informação, além de constituir supressão de unidades de conservação, com consequências
censura prévia. Essas liberdades ostentam preferência em potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido.
relação ao direito à intimidade, ainda que a matéria tenha A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à
sido redigida em tom crítico. edição de medida provisória, ainda que não conste
O Supremo assumiu, mediante reclamação, papel relevante em expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, §
favor da liberdade de expressão, para derrotar uma cultura 1º, da CF/88. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
censória e autoritária que começava a se projetar no Judiciário. julgado em 5/4/2018 (Info 896).
STF. 1ª Turma. Rcl 28747/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red.
p/ ac. Min. Luiz Fux, julgado em 5/6/2018 (Info 905). Sobre o CNJ
mesmo tema: STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto
O CNJ não pode substituir a banca examinadora do
Barroso, julgado em 6/3/2018 (Info 893).
concurso na escolha das questões, na correção de provas e
São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos nas atribuições de notas. Assim, ao Conselho é defeso
que determinem ou promovam: • o ingresso de agentes (proibido) substituir o critério valorativo para escolha e correção
públicos em universidades públicas e privadas; • o das questões pela Banca Examinadora nos concursos públicos. O
recolhimento de documentos (ex: panfletos); • a interrupção CNJ pode, no entanto, substituir, anular ou reformar decisões da
de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes banca do concurso que firam os princípios da razoabilidade, da
universitários; • a realização de atividade disciplinar docente igualdade, da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da
e discente e a coleta irregular de depoimentos desses publicidade. Isso porque a discricionariedade da banca de
cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e concurso não se confunde com arbitrariedade. Se houver
divulgação do pensamento nos ambientes universitários ou desrespeito aos princípios constitucionais da administração
em equipamentos sob a administração de universidades pública, será possível a plena revisão da decisão pelo Conselho.
públicas e privadas. STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Ex: o CNJ pode anular decisão do Tribunal de Justiça que, em
Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/10/2018 (Info 922) concurso de cartório, deu interpretação equivocada a
determinado item do edital, e conferiu pontuação indevida a
MEDIDA PROVISÓRIA certos candidatos na fase de títulos. A pontuação conferida pela
Comissão no TJ violava à Resolução do CNJ que regulamenta os
Determinada medida provisória foi editada criando a
concursos de cartório. Neste caso, o CNJ atuou dentro dos
possibilidade de que empresas instalassem Centros Logísticos e
limites constitucionais do controle administrativo. STF. 1ª Turma.
Industriais Aduaneiros (CLIA), desde que autorizados pela
MS 33527/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão
Receita Federal. Diversas empresas fizeram o requerimento
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).
pedindo a instalação desses Centros. Ocorre que, antes que a
Receita examinasse todos os pedidos, a MP foi rejeitada pelo CNJ pode avocar PAD que tramita no Tribunal se não há
Senado. O Congresso Nacional não editou decreto legislativo quórum suficiente para se atingir maioria absoluta
disciplinando as situações ocorridas durante o período em que a O TRF condenou juiz federal à pena de aposentadoria
MP vigorou (§ 3º do art. 62 da CF/88). Diante disso, as empresas compulsória. Ocorre que, em virtude de alguns
defendiam a tese de que os requerimentos formulados Desembargadores terem se averbado suspeitos, este juiz foi
deveriam ser apreciados pela Receita Federal com base no § 11 condenado com um quórum de maioria simples. O CNJ
do art. 62: “§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se reconheceu a irregularidade da proclamação do resultado e
refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de anulou o julgamento de mérito realizado pelo TRF. Isso porque
eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e o art. 93, VIII e X, da CF/88 exige quórum de maioria absoluta do
decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar- tribunal. Ocorre que o CNJ, após anular o julgamento de mérito
se-ão por ela regidas.” O STF não concordou e afirmou que os realizado pelo TRF, decidiu avocar o processo administrativo
pedidos formulados pelos interessados durante a vigência da para que o magistrado fosse julgado diretamente pelo
MP 320/2006 não foram sequer examinados. Logo, não se pode Conselho. O juiz impetrou MS contra essa avocação, mas o STF
dizer que havia ato jurídico perfeito. O simples fato de ter sido afirmou que o CNJ agiu corretamente. A Constituição,
feito o requerimento não significa “relação jurídica expressamente, confere ao CNJ competência para, a qualquer
constituída”, de sorte que não se pode invocar o § 11 para tempo, avocar processos de natureza disciplinar em curso contra
justificar a aplicação da medida provisória rejeitada. O mero membros do Poder Judiciário. Assim, não há óbice para que o
protocolo do pedido não constitui uma “relação jurídica CNJ anule o julgamento do Tribunal e inicie lá um outro
constituída” de que trata o § 11. (Info 894). procedimento. CNJ pode avocar PAD que tramita no Tribunal
se não há quórum suficiente para se atingir maioria absoluta
É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre

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O TRF condenou juiz federal à pena de aposentadoria mandado de segurança impetrado e manteve a decisão do CNJ.
compulsória. Ocorre que, em virtude de alguns O fato de o PCA instaurado no CNJ contar com um número
Desembargadores terem se averbado suspeitos, este juiz foi elevado de partes interessadas não significa,
condenado com um quórum de maioria simples. O CNJ necessariamente, violação ao devido processo legal, ao
reconheceu a irregularidade da proclamação do resultado e contraditório e à ampla defesa. O prejuízo à defesa deve ser
anulou o julgamento de mérito realizado pelo TRF. Isso porque analisado concretamente, à luz das especificidades do caso. No
o art. 93, VIII e X, da CF/88 exige quórum de maioria absoluta do caso concreto, tendo em vista que todos os interessados foram
tribunal. Ocorre que o CNJ, após anular o julgamento de mérito intimados para se manifestarem no processo e o que CNJ
realizado pelo TRF, decidiu avocar o processo administrativo enfrentou de maneira detida as teses jurídicas por eles
para que o magistrado fosse julgado diretamente pelo apresentadas, não há que se falar em anulação do ato
Conselho. O juiz impetrou MS contra essa avocação, mas o STF impugnado. Como regra geral, o controle dos atos do CNJ
afirmou que o CNJ agiu corretamente. A Constituição, pelo STF somente se justifica nas hipóteses de: a)
expressamente, confere ao CNJ competência para, a qualquer inobservância do devido processo legal; b) exorbitância das
tempo, avocar processos de natureza disciplinar em curso contra competências do Conselho; e c) injuridicidade ou manifesta
membros do Poder Judiciário. Assim, não há óbice para que o irrazoabilidade do ato impugnado. No caso concreto, não se
CNJ anule o julgamento do Tribunal e inicie lá um outro identifica nenhuma dessas três situações. Logo, não há motivo
procedimento. Uma das causas legítimas de avocação de para a anulação da decisão do CNJ. STF. 1ª Turma. MS
procedimentos administrativos pelo CNJ é justamente a falta do 28.495/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
quórum para proferir decisão administrativa por maioria Barroso, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
absoluta em razão de suspeição, impedimento ou falta de
magistrados. O CNJ poderia ter devolvido o processo ao TRF2, CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO
mas optou por exercer sua competência concorrente, dentro da
Decisão que deixa de aplicar o art. 25, § 1º, da Lei 8.987/95
discricionariedade conferida pela Constituição, para julgar o
O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 prevê o seguinte: “(...) a
processo e evitar novas questões de suspeição e impedimento.
concessionária poderá contratar com terceiros o
STF. 1ª Turma. MS 35100/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o
desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 8/5/2018 (Info 901)
complementares ao serviço concedido, bem como a
O CNJ poderia ter devolvido o processo ao TRF2, mas optou por
implementação de projetos associados.” Se o órgão fracionário
exercer sua competência concorrente, dentro da
de um Tribunal (ex: uma das Turmas do TRT) julga ilegal a
discricionariedade conferida pela Constituição, para julgar o
terceirização contratada por uma concessionária do serviço
processo e evitar novas questões de suspeição e impedimento.
público, afastando a aplicação do art. 25, § 1º, da Lei nº
STF. 1ª Turma. MS 35100/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o
8.987/95, esta decisão viola a súmula vinculante 10?
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 8/5/2018 (Info 901)
• SIM. O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 permite a
CNJ pode determinar que Tribunais de Justiça reduzam o terceirização da atividade-fim das empresas concessionárias
adicional de férias dos magistrados para 1/3 do serviço público. Logo, se um órgão fracionário do TRT
O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de lei afasta a aplicação deste dispositivo, haverá afronta à súmula
ou ato normativo de forma a substituir a competência do vinculante 10 por violação à cláusula da reserva de plenário.
STF. Contudo, o CNJ pode determinar a correção de ato do STF. 1ª Turma. Rcl 27.068/MG, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/
Tribunal local que, embora respaldado por legislação o ac. Min. Luís Roberto, julgado em 5/3/2018 (Info 896).
estadual, se distancie do entendimento do STF. Assim, o CNJ • NÃO. O ato reclamado, ao considerar ilegal a contratação de
pode afirmar que determinada lei ou ato normativo é empregado, por empresa interposta, para prestar serviços
inconstitucional se esse entendimento já estiver pacificado essenciais à atividade fim da tomadora, nos termos da Súmula
no STF. Isso porque, neste caso, o CNJ estará apenas aplicando 331, I, do TST, não declarou expressamente, nem implicitamente,
uma jurisprudência, um entendimento já pacífico. As leis a inconstitucionalidade de qualquer norma especial de regência
estaduais que preveem abono de férias aos magistrados em aplicável ao caso. É firme a jurisprudência do STF no sentido de
percentual superior a 1/3 são inconstitucionais. Isso porque essa que não se exige reserva de plenário para a mera interpretação
majoração do percentual de férias não encontra respaldo na e aplicação das normas jurídicas que emerge do próprio
LOMAN, que prevê, de forma taxativa, as vantagens conferidas exercício da jurisdição, sendo necessário, para caracterizar
aos magistrados, sendo essa a Lei que deve tratar do regime violação à cláusula de reserva de plenário, que a decisão de
jurídico da magistratura, por força do art. 93 da CF/88. Logo, o órgão fracionário fundamente-se na incompatibilidade entre a
CNJ agiu corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça norma legal e o Texto Constitucional. STF. 1ª Turma. Rcl
que pagam adicional de férias superior a 1/3 que eles enviem 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info
projetos de lei para as Assembleias Legislativas reduzindo esse 848). STF. 2ª Turma. Rcl 26408 AgR, Rel. Min. Edson Fachin,
percentual. STF. 2ª Turma. MS 31667 AgR/DF, Rel. Min. Dias julgado em 07/11/2017.
Toffoli, julgado em 11/9/2018 (Info 915).
É nula decisão que deixa de aplicar o art. 94, II, da Lei
Caso concreto: foi instaurado procedimento de controle 9.472/97 sem observar a cláusula de reserva de plenário
administrativo (PCA) no CNJ para apurar a regularidade de 300 É nula a decisão de órgão fracionário que se recusa a aplicar o
serventias judiciais. O impetrante alega a nulidade do PCA pelo art. 94, II, da Lei nº 9.472/97, sem observar a cláusula de reserva
fato de haver um grande número de interessados no mesmo de plenário (art. 97, da CF/88), observado o art. 949 do
processo, defendendo a ideia de que deveria ser um CPC/2015. STF. Plenário. ARE 791932/DF, Rel. Min. Alexandre de
procedimento para cada parte. O STF não concordou com o Moraes, julgado em 10 e 11/10/2018 (repercussão geral) (Info

8
919). eleitor, em local previamente lacrado (art. 59-A da Lei
9.504/97, incluído pela Lei 13.165/2015). Essa previsão acaba
TRIBUNAL DE CONTAS permitindo a identificação de quem votou, ou seja, permite a
quebra do sigilo, e, consequentemente, a diminuição da
Não compete ao TCU adotar procedimento de fiscalização
liberdade do voto, violando o art. 14 e o § 4º do art. 60 da
que alcance a Fundação Banco do Brasil quanto aos recursos
Constituição Federal. Cabe ao legislador fazer a opção pelo voto
próprios, de natureza eminentemente privada, repassados
impresso, eletrônico ou híbrido, visto que a CF/88 nada dispõe a
por aquela entidade a terceiros, eis que a FBB não integra o
esse respeito, observadas, entretanto, as características do voto
rol de entidades obrigadas a prestar contas àquela Corte de
nela previstas. O modelo híbrido trazido pelo art. 59-A constitui
Contas, nos termos do art. 71, II, da CF. A FBB é uma pessoa
efetivo retrocesso aos avanços democráticos conquistados pelo
jurídica de direito privado não integrante da Administração
Brasil para garantir eleições realmente livres, em que as pessoas
Pública. Assim, a FBB não necessita se submeter aos ditames da
possam escolher os candidatos que preferirem.
gestão pública quando repassar recursos próprios a terceiros
STF. Plenário. ADI 5889/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/
por meio de convênios. Por outro lado, quando a FBB recebe
o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
recursos provenientes do Banco do Brasil — sociedade de
economia mista que sofre a incidência dos princípios da
Administração Pública previstos no art. 37, caput, da GREVE
Constituição Federal, — ficará sujeita à fiscalização do TCU. Isso Constitucionalidade de Decreto estadual que regulamenta
porque, neste caso, tais recursos, como são provenientes do BB, as providências a serem adotadas em caso de greve
têm caráter público. STF. 2ª Turma. MS 32703/DF, Rel. Min. Dias O Governador da Bahia editou um decreto prevendo que, em
Tóffoli, julgado em 10/4/2018 (Info 897). caso de greve, deverão ser adotas as seguintes providências: a)
convocação dos grevistas a reassumirem seus cargos; b)
O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar
instauração de processo administrativo disciplinar; c) desconto
disso, a CF/88 determina que o Estado deverá repassar 25%
em folha de pagamento dos dias de greve; d) contratação
da receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será
temporária de servidores; e) exoneração dos ocupantes de cargo
realizado após cálculos que são feitos para definir o valor da
de provimento temporário e de função gratificada que
cota-parte que caberá a cada Município, segundo critérios
participarem da greve. O STF decidiu que este Decreto é
definidos pelo art. 158, parágrafo único, da CF/88 e pela lei
constitucional. Trata-se de decreto autônomo que disciplina as
estadual. A Constituição do Estado do Amapá previu que seria
consequências — estritamente administrativas — do ato de
competência do TCE homologar os cálculos das cotas do ICMS
greve dos servidores públicos e as providências a serem
devidas aos Municípios. Este dispositivo é inconstitucional.
adotadas pelos agentes públicos no sentido de dar
Sujeitar o ato de repasse de recursos públicos à homologação
continuidade aos serviços públicos. A norma impugnada apenas
do TCE representa ofensa ao princípio da separação e da
prevê a instauração de processo administrativo para se apurar a
independência dos Poderes. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min.
participação do servidor na greve e as condições em que ela se
Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).
deu, bem como o não pagamento dos dias de paralisação, o
que está em consonância com a orientação fixada pelo STF no
ORDEM ECONÔMICA julgamento do MI 708. É possível a contratação temporária
Lei estadual pode conceder meia-entrada em eventos excepcional (art. 37, IX, da CF/88) prevista no decreto porque o
culturais e desportivos para menores de 21 anos Poder Público tem o dever constitucional de prestar serviços
É constitucional lei estadual que concede o desconto de 50% no essenciais que não podem ser interrompidos, e que a
valor dos ingressos em casas de diversões, praças desportivas e contratação, no caso, é limitada ao período de duração da greve
similares aos jovens de até 21 anos de idade. STF. Plenário. ADI e apenas para garantir a continuidade dos serviços. STF.
2163/RJ, rel. orig. Min. Eros Grau, red. p/ o ac. Min. Ricardo Plenário. ADI 1306/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
Lewandowski, julgado em 12/4/2018 (Info 897). 13/6/2017 (Info 906).

SIGILO BANCÁRIO MINISTÉRIO PÚBLICO


Dados obtidos com a quebra de sigilo bancário não podem O art. 127 da CF/88 assegura ao MP autonomia financeira
ser divulgados abertamente em site oficial É constitucional dispositivo da Constituição Estadual que
Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, assegura ao Ministério Público autonomia financeira e a
telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva. Assim, a iniciativa ao Procurador-Geral de Justiça para propor ao Poder
página do Senado Federal na internet não pode divulgar os Legislativo a criação e a extinção dos cargos e serviços auxiliares
dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por e a fixação dos vencimentos dos membros e dos servidores de
comissão parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS seus órgãos auxiliares. Também é constitucional a previsão de
25940, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/4/2018 (Info 899). que o Ministério Público elaborará a sua proposta orçamentária
dentro dos limites estabelecidos pela LDO. STF. Plenário. ADI
VOTO IMPRESSO 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
Inconstitucionalidade do voto híbrido previsto no art. 59-A Inconstitucionalidade da norma de CE que equipara
da Lei 9.504/97 remuneração de Delegados a dos Promotores
É inconstitucional a lei que determina que, na votação A Constituição do Estado do Ceará previa que os Delegados de
eletrônica, o registro de cada voto deverá ser impresso e Polícia de classe inicial deveriam receber idêntica remuneração a
depositado, de forma automática e sem contato manual do dos Promotores de Justiça de primeira entrância, prosseguindo

9
na equivalência entre as demais classes pelo escalonamento das 1988, não se permite mais a criação de órgãos jurídicos distintos
entrâncias judiciárias. O STF decidiu que essa regra é da Procuradoria-Geral do Estado, admite-se apenas a
inconstitucional por violar o art. 37, XIII, da CF/88, que proíbe a manutenção daquelas consultorias jurídicas já existentes quando
vinculação ou equiparação de quaisquer espécies da promulgação da Carta. Trata-se de exceção direcionada a
remuneratórias de pessoal do serviço público. STF. Plenário. ADI situações concretas e do passado e, por essa razão, deve ser
145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907). interpretada restritivamente, inclusive com atenção à
diferenciação entre os termos “consultoria jurídica” e
O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil
“procuradoria jurídica”, uma vez que esta última pode englobar
pública que vise anular ato administrativo de aposentadoria
as atividades de consultoria e representação judicial. STF.
que importe em lesão ao patrimônio público. STF. Plenário.
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018
20/6/2018 (Info 907).
(repercussão geral) (Info 921)
A atuação da Procuradoria da Assembleia Legislativa deve
DEFENSORIA PÚBLICA ficar limitada à defesa das prerrogativas inerentes ao Poder
Legislativo. Em outras palavras, é possível a existência de
É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que
Procuradoria da Assembleia Legislativa, mas este órgão
concede aos Defensores Públicos a aplicação do regime de
ficará responsável apenas pela defesa das prerrogativas do
garantias, vencimentos, vantagens e impedimentos do
Poder Legislativo. A representação estadual como um todo,
Ministério Público e da Procuradoria-Geral do Estado. Os
independentemente do Poder, compete à Procuradoria-Geral do
estatutos jurídicos das carreiras do Ministério Público e da
Estado (PGE), tendo em conta o princípio da unicidade
Defensoria Pública foram tratados de forma diversa pelo
institucional da representação judicial e da consultoria jurídica
texto constitucional originário. Ademais, a equivalência
para Estados e Distrito Federal. No entanto, às vezes, há conflito
remuneratória entre as carreiras encontra óbice no art. 37, XIII,
entre os Poderes. Ex: o Poder Legislativo cobra do Poder
da CF/88, que veda a equiparação ou vinculação remuneratória.
Executivo o repasse de um valor que ele entende devido e que
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
não foi feito. Nestes casos, é possível, em tese, a propositura de
20/6/2018 (Info 907). Obs: o tema foi analisado tendo como
ação judicial pela Assembleia Legislativa e quem irá representar
parâmetro a redação originária da Constituição Federal de 1988,
judicialmente o órgão será a Procuradoria da ALE. STF. Plenário.
ou seja, antes das Emendas Constitucionais 45/2004 e 80/2014.
ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
Defensor Público não precisa de inscrição na OAB para 25/10/2018 (Info 921)
exercer suas funções
É inconstitucional norma de Constituição Estadual que
Os Defensores Públicos NÃO precisam de inscrição na OAB para
preveja que compete ao Governador nomear e exonerar o
exerceram suas atribuições. O art. 3º, § 1º, da Lei 8.906/94
“Procurador da Fazenda Estadual”. Isso porque o art. 132 da
deve receber interpretação conforme à Constituição de
CF/88 determina que a representação judicial e a consultoria
modo a se concluir que não se pode exigir inscrição na OAB
jurídica do Estado, incluídas suas autarquias e fundações,
dos membros das carreiras da Defensoria Pública. O art. 4º,
deve ser feita pelos “Procuradores dos Estados e do Distrito
§ 6º, da LC 80/94 afirma que a capacidade postulatória dos
Federal”. Essa previsão do art. 132 da CF/88 é chamada de
Defensores Públicos decorre exclusivamente de sua
princípio da unicidade da representação judicial e da
nomeação e posse no cargo público, devendo esse
consultoria jurídica dos Estados e do Distrito Federal. Em
dispositivo prevalecer em relação ao Estatuto da OAB por se
outras palavras, só um órgão pode desempenhar esta função e
tratar de previsão posterior e específica. Vale ressaltar que é
se trata da Procuradoria-Geral do Estado, que detém essa
válida a exigência de inscrição na OAB para os candidatos ao
competência funcional exclusiva. O modelo constitucional da
concurso da Defensoria Pública porque tal previsão ainda
atividade de representação judicial e consultoria jurídica dos
permanece na Lei. STJ. 2ª Turma. REsp 1.710.155-CE, Rel. Min.
Estados exige a unicidade orgânica da advocacia pública
Herman Benjamin, julgado em 01/03/2018 (Info 630)
estadual, incompatível com a criação de órgãos jurídicos
paralelos para o desempenho das mesmas atribuições no
ADVOCACIA PÚBLICA âmbito da Administração Pública Direta ou Indireta. STF.
Inconstitucionalidade da previsão de procuradorias Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado
autárquicas para os Estados-membros em 25/10/2018 (Info 921).
A Constituição do Estado do Ceará previa que o Governador
É inconstitucional lei estadual que preveja que servidor de
deveria encaminhar à ALE projetos de lei dispondo sobre a
autarquia (no caso, era Técnico Superior do DETRAN) será
organização e o funcionamento da Procuradoria-Geral do
responsável por: • representar a entidade “em juízo ou fora
Estado e das procuradorias autárquicas. O STF decidiu que essa
dele nas ações em que haja interesse da autarquia”. •
regra é inconstitucional. Isso porque a CF/88 determina que a
praticar “todos os demais atos de natureza judicial ou
representação judicial e a consultoria jurídica do Estado,
contenciosa, devendo, para tanto, exercer as suas funções
incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pela PGE,
profissionais e de responsabilidade técnica regidas pela
nos termos do art. 132 da CF/88. O art. 132 da CF/88 consagra o
Ordem dos Advogados do Brasil OAB”. Tais previsões
chamado “princípio” da unicidade da representação judicial e da
violam o “princípio da unicidade da representação judicial
consultoria jurídica dos Estados e do Distrito Federal e, dessa
dos Estados e do Distrito Federal”, insculpido no art. 132 da
forma, estabelece competência funcional exclusiva da
CF/88. A legislação impugnada, apesar de não ter criado uma
Procuradoria-Geral do Estado. A exceção prevista no art. 69 do
procuradoria paralela, atribuiu ao cargo de Técnico Superior do
ADCT da CF deixou evidente que, a partir da Constituição de
Detran/ES, com formação em Direito, diversas funções privativas

10
de advogado. Ao assim agir, conferiu algumas atribuições de São constitucionais a exigência de idade mínima de quatro e
representação jurídica do DETRAN a pessoas estranhas aos seis anos para ingresso, respectivamente, na educação infantil e
quadros da Procuradoria-Geral do Estado, com violação do art. no ensino fundamental, bem como a fixação da data limite de
132, caput, da CF/88. O STF decidiu modular os efeitos da 31 de março para que referidas idades estejam completas. STF.
decisão para: • manter os cargos em questão, excluídas as Plenário. ADPF 292/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/8/2018
atribuições judiciais inerentes às procuradorias; • declarar a (Info 909).
validade dos atos praticados (ex: contestações, recursos etc.) até É constitucional a exigência de 6 (seis) anos de idade para o
a data do julgamento, com base na teoria do funcionário de ingresso no ensino fundamental, cabendo ao Ministério da
fato. ATENÇÃO. Por outro lado, é válido que esses servidores Educação a definição do momento em que o aluno deverá
façam a atuação jurídica no âmbito interno da autarquia, preencher o critério etário.
sobretudo em atividades de compliance, tais como conceber e STF. Plenário. ADC 17/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
formular medidas e soluções de otimização, fiscalização e Min. Roberto Barroso, jugado em 1º/8/2018 (Info 909).
auditoria (exs: interpretar textos e instrumentos legais, elaborar As Resoluções nº 01/2010 e nº 06/2010, ambas emanadas da
pareceres sobre questões jurídicas que envolvam as atividades Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação
da entidade, elaborar editais, contratos, convênios etc.). Essas (CNE/CEB), ao estabelecerem corte etário para ingresso de
atribuições podem sim ser exercidas pelos Técnicos Superiores crianças na primeira série do ensino fundamental (6 anos
do DETRAN, sem que isso ofenda o princípio da unicidade da completos até 31 de março do correspondente ano letivo), não
representação judicial. O STF entendeu que não se pode incorreram em contexto de ilegalidade (não violaram a lei). Ao
deslocar qualquer atuação técnico-jurídica da autarquia para a contrário, tais Resoluções encontrram respaldo na interpretação
PGE, porque esta não conseguirá fazer frente a essa gama de conjunta dos arts. 29 e 32 da Lei nº 9.394/96 (LDB).
trabalho, sob pena de ter suas atividades inviabilizadas. STF. O Poder Judiciário não pode substituir-se às autoridades
Plenário. ADI 5109/ES, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/12/2018 públicas de educação para fixar ou suprimir requisitos para o
(Info 927). ingresso de crianças no ensino fundamental, quando os atos
normativos de regência não revelem traços de ilegalidade,
CONTRIBUIÇÃO SINDICAL abusividade ou ilegitimidade. STJ. 1ª Turma. REsp 1412704/PE,
Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 16/12/2014.
É constitucional a lei que extinguiu a contribuição sindical
obrigatória HOMESCHOOLING
São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos da Não é possível, atualmente, o homeschooling no Brasil
Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) que extinguiram a Não é possível, atualmente, o ensino domiciliar
obrigatoriedade da contribuição sindical e condicionaram o seu (homeschooling) como meio lícito de cumprimento, pela
pagamento à prévia e expressa autorização dos filiados. No família, do dever de prover educação. Não há, na CF/88, uma
âmbito formal, o STF entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não vedação absoluta ao ensino domiciliar. A CF/88, apesar de não o
contempla normas gerais de direito tributário (art. 146, III, “a”, prever expressamente, não proíbe o ensino domiciliar. No
da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei entanto, o ensino domiciliar não pode ser atualmente
complementar para tratar sobre matéria relativa a contribuições. exercido porque não há legislação que regulamente os
Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica preceitos e as regras aplicáveis a essa modalidade de ensino.
prevista no art. 150, § 6º, da CF/88, pois a norma impugnada Assim, o ensino domiciliar somente pode ser implementado no
não disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele Brasil após uma regulamentação por meio de lei na qual sejam
mencionados, quais sejam, subsídio ou isenção, redução de base previstos mecanismos de avaliação e fiscalização, devendo essa
de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão. lei respeitar os mandamentos constitucionais que tratam sobre
Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição educação. STF. Plenário. RE 888815/RS, rel. orig. Min. Roberto
assegura a livre associação profissional ou sindical, de modo Barroso, red. p/ o acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado
que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a em 12/9/2018 (repercussão geral) (Info 915).
sindicato (art. 8º, V, da CF/88). O princípio constitucional da
É constitucional lei estadual que:
liberdade sindical garante tanto ao trabalhador quanto ao
• assegure, nos estabelecimentos de ensino superior
empregador a liberdade de se associar a uma organização
estadual e municipal, a livre organização dos Centros
sindical, passando a contribuir voluntariamente com essa
Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais
representação. Não há nenhum comando na Constituição
dos Estudantes.
Federal determinando que a contribuição sindical é compulsória.
• estabeleça que é de competência exclusiva dos estudantes
Não se pode admitir que o texto constitucional, de um lado,
a definição das formas, dos critérios, dos estatutos e demais
consagre a liberdade de associação, sindicalização e expressão
questões referentes à organização dos Centros Acadêmicos,
(art. 5º, IV e XVII, e art. 8º) e, de outro, imponha uma
Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes.
contribuição compulsória a todos os integrantes das categorias
• determine que os estabelecimentos de ensino deverão
econômicas e profissionais. STF. Plenário. ADI 5794/DF, Rel. Min.
garantir espaços, em suas dependências, para a divulgação e
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 29/6/2018
instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios
(Info 908)
Acadêmicos e Diretórios Centrais Estudantis. Vale ressaltar,
no entanto, que esta lei não se aplica para as instituições
DIREITO À EDUCAÇÃO federais e particulares de ensino superior considerando que elas
Constitucionalidade das idades mínimas para ingresso na integram o “sistema federal”, de competência da União. Deve-se
educação infantil e no ensino fundamental acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual

11
preveja multa para as entidades particulares de ensino em caso Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do
de descumprimento das medidas acima listadas. STF. Plenário. art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de que a intenção do
ADI 3757/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/10/2018 (Info poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo
920). núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o
mesmo cargo no Poder Executivo. Em outras palavras, a CF/88
Não viola a Constituição Federal a cobrança de contribuição
quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três
obrigatória dos alunos matriculados nos Colégios Militares
mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de
do Exército Brasileiro. Os Colégios Militares apresentam
Presidente. A vedação ao exercício de três mandatos
peculiaridades que fazem com que eles sejam instituições
consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se
diferentes dos estabelecimentos oficiais de ensino, por razões
também na hipótese em que tenha havido a convocação do
éticas, fiscais, legais e institucionais. Podem, assim, ser
segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato-
qualificados como instituições educacionais sui generis. A quota
tampão. Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio.
mensal escolar exigida nos Colégios Militares não representa
Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis meses antes das
ofensa à regra constitucional de gratuidade do ensino público,
eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado
uma vez que não há violação ao núcleo de intangibilidade do
de Auricélio) vence a eleição para Prefeito da mesma cidade. De
direito fundamental à educação. Por fim, deve-se esclarecer que
2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em 2016,
esse valor cobrado dos alunos para o custeio das atividades do
Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito
Sistema Colégio Militar do Brasil não possui natureza tributária
porque seria o terceiro mandato consecutivo deste núcleo
(não é tributo). Logo, é válida a sua instituição por meio de atos
familiar. STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello,
infralegais. Portanto, são válidos os arts. 82 e 83, da Portaria
julgado em 23/10/2018 (Info 921).
42/2008 do Comandante do Exército, que disciplinam essa
cobrança. STF. Plenário. ADI 5082/DF, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 24/10/2018 (Info 921) NORMAS DE CONSTITUIÇÕES ESTADUAIS EXAMINADAS
PELO STF
DIREITOS SOCIAIS A CE/AP trouxe regra dizendo que se o Prefeito ou o Vice-
Prefeito for viajar ao exterior, “por qualquer tempo”, ele deverá
É garantida a estabilidade à empregada gestante mesmo
pedir uma licença prévia da Câmara Municipal para a viagem. O
que no momento em que ela tenha sido demitida pelo
STF considerou inconstitucional a expressão “por qualquer
empregador ele não soubesse de sua gravidez
tempo”. Essa regra de “por qualquer tempo” está em desacordo
A incidência da estabilidade prevista no art. 10, II, do Ato
com o princípio da simetria. Isso porque a CF/88 somente exige
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
autorização do Congresso Nacional se a ausência do Presidente
somente exige a anterioridade da gravidez à dispensa sem
da República for superior a 15 dias (art. 49, III). De igual modo, a
justa causa. Art. 10. (...) II - fica vedada a dispensa arbitrária ou
Constituição do Estado do Amapá também só exige autorização
sem justa causa: (...) da empregada gestante, desde a
da Assembleia Legislativa se a ausência do Governador (ou do
confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. O
Vice) for superior a 15 dias (art. 118, § 1º). Logo, a exigência de
ÚNICO REQUISITO EXIGIDO É DE NATUREZA BIOLÓGICA.
autorização da Câmara Municipal para que o Prefeito possa se
Exige-se apenas a comprovação de que a gravidez tenha
ausentar por períodos menores que 15 dias quebra a simetria
ocorrido antes da dispensa arbitrária, não sendo necessários
existente em relação ao Governador. STF. Plenário. ADI 825/AP,
quaisquer outros requisitos, como o prévio conhecimento do
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info
empregador ou da própria gestante. Assim, é possível assegurar
921).
a estabilidade à gestante mesmo que no momento em que ela
tenha sido demitida pelo empregador ele não soubesse de sua É constitucional norma de Constituição Estadual que preveja
gravidez. STF. Plenário. RE 629053/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, que “o Estado e os Municípios reservarão vagas em seus
red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10/10/2018 respectivos quadros de pessoal para serem preenchidas por
(repercussão geral) (Info 919). pessoas portadoras de deficiência.” Apesar de, em tese, a
Constituição Estadual não poder dispor sobre servidores
PROCESSO LEGISLATIVO municipais, sob pena de afronta à autonomia municipal, neste
caso não há inconstitucionalidade, considerando que se trata de
É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos
mera repetição de norma da CF/88: Art. 37 (...) VIII - a lei
poderes, lei estadual que exige autorização prévia do Poder
reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as
Legislativo estadual (Assembleia Legislativa) para que sejam
pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua
firmados instrumentos de cooperação pelos órgãos
admissão; STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de
componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente –
Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921)
SISNAMA.
Também é inconstitucional lei estadual que afirme que
Fundação estadual de proteção do meio ambiente só poderá EMENDAS CONSTITUCIONAIS
transferir responsabilidades ou atribuições para outros A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é
órgãos componentes do SISNAMA se houver aprovação compatível com a Constituição Federal, encontrando
prévia da Assembleia Legislativa. STF. Plenário. ADI 4348/RR, fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, II e III e
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/10/2018 (Info no art. 49, VI, da CF/88. Embora a Constituição Federal não
919). autorize proposta de iniciativa popular para emendas ao próprio
texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há
INELEGIBILIDADES impedimento para que as Constituições Estaduais prevejam a

12
possibilidade, ampliando a competência constante da Carta
Federal. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

CLÁUSULA DE RESERVA DO PLENÁRIO


Sociedade de economia mista realizou concurso público para
advogado da empresa. Mesmo havendo aprovados no certame,
que ainda estava dentro do prazo de vigência, a empresa
decidiu contratar um escritório de advocacia para realizar os
serviços jurídicos. Diante disso, uma das Turmas do TRT
reconheceu que houve preterição dos aprovados e determinou
a nomeação. Ao assim decidir, a Turma do TRT disse que não se
aplicava, ao caso, o art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95. Essa decisão
da Turma do TRT (órgão fracionário do Tribunal) não viola a SV
10. Isso porque o enfoque do acórdão do TRT não era a
terceirização dos serviços, mas sim a preterição arbitrária
praticada pela Administração Pública. STF. 1ª Turma. Rcl
29307 AgR/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min.
Rosa Weber, julgado em 4/12/2018 (Info 926).

EXTRADIÇÃO
O estrangeiro que estava no Brasil e foi extraditado para
outro país somente pode ser julgado ou cumprir pena no
estrangeiro pelo crime contido no pedido de extradição. Se
o extraditando havia cometido outro crime antes do pedido
de extradição, não poderá, em regra, responder por tais
delitos se não constou expressamente no pedido de
extradição. A isso se dá o nome de “princípio da
especialidade”. Ex.: a Alemanha pediu ao Brasil a extradição do
alemão mencionando o crime 1; logo, em regra, o réu somente
poderá responder por este delito; se havia um crime 2, praticado
antes do pedido de extradição, o governo brasileiro deveria ter
mencionado expressamente não apenas o crime 1, como
também o 2. Para que o réu responda pelo crime 2, o governo
alemão deverá formular ao Estado estrangeiro um pedido de
extensão da autorização da extradição. Isso é chamado de
“extradição supletiva”. No caso concreto, o STF autorizou o
pedido de extensão. É possível o pedido de extensão ou de
ampliação nas hipóteses em que já deferida a extradição, desde
que observadas as formalidades em respeito ao direito do
súdito estrangeiro (dupla tipicidade, inexistência de prescrição e
demais requisitos). STF. 1ª Turma. Ext 1363 Extn/DF, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 4/12/2018 (Info 926).

13
Administrativo anterior, salvo situação de arbitrariedade flagrante. STF. (Info
775).
PRECATÓRIOS Esse entendimento do STF aplica-se mesmo que o erro tenha
As empresas públicas e sociedades de economia mista não sido reconhecido administrativamente pelo Poder Público (e
têm direito à prerrogativa de execução via precatório. STF. não por decisão judicial). Assim, a nomeação tardia de
RE 851711 AgR/DF (Info 888). candidatos aprovados em concurso público não gera direito à
Em regra, as empresas estatais estão submetidas ao regime das indenização, ainda que a demora tenha origem em erro
pessoas jurídicas de direito privado (execução comum). No reconhecido pela própria Administração Pública. STJ. (Info 617).
entanto, é possível sim aplicar o regime de precatórios para
Surgimento de novas vagas + necessidade do provimento +
empresas públicas e sociedades de economia mista que prestem
inexistência de restrição orçamentária = direito subjetivo à
serviços públicos e que não concorram com a iniciativa privada.
nomeação
Assim, é aplicável o regime dos precatórios às empresas
O candidato aprovado em concurso público fora do número
públicas e sociedades de economia mista prestadoras de
de vagas tem direito subjetivo à nomeação caso surjam
serviço público próprio do Estado e de natureza não
novas vagas durante o prazo de validade do certame, haja
concorrencial. STF. (Info 858).
manifestação inequívoca da administração sobre a
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de necessidade de seu provimento e não tenha restrição
economia mista prestadoras de serviço público próprio do orçamentária. STJ. 1ª Seção. MS 22.813-DF, Rel. Min. Og
Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF Fernandes, julgado em 13/06/2018 (Info 630).
387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info
Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos
858).
testes físicos em concursos públicos?
É inconstitucional determinação judicial que decreta a
REGRA: NÃO. Os candidatos em concurso público NÃO têm
constrição de bens de sociedade de economia mista
direito à prova de segunda chamada nos testes de aptidão
prestadora de serviços públicos em regime não
física em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de
concorrencial, para fins de pagamento de débitos
caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver
trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora de
previsão no edital permitindo essa possibilidade. STF.
serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de
Plenário. RE 630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de
em 15/5/2013 (repercussão geral) (Info 706).
sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em
EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem. É constitucional
respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da
a remarcação do teste de aptidão física de candidata que
CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60,
esteja grávida à época de sua realização,
§ 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de
independentemente da previsão expressa em edital do
Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info 924).
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Os contratos das Agências de Correios Franqueadas em vigor SERVIDORES PÚBLICOS
em 27 de novembro de 2007 que não sejam precedidos de
O servidor público federal somente tem direito à remoção
licitação possuem eficácia até que as novas avenças sejam
prevista no art. 36, parágrafo único, III, "a", da Lei nº
firmadas, ainda que descumprido o prazo estabelecido pelo art.
8.112/90, na hipótese em que o cônjuge/companheiro,
7º, parágrafo único, da Lei nº 11.668/2008. STJ. (Info 616).
também servidor, tenha sido deslocado de ofício, para
atender ao interesse da Administração (nos moldes do inciso I
PLANO DIRETOR do mesmo dispositivo legal). STJ. (Info 617).
O Ministério Público Federal é parte ilegítima para ajuizar ação
O acordo de partilha de pensão por morte, homologado
civil pública que visa à anulação da tramitação de Projeto de Lei
judicialmente, não altera a ordem legal do pensionamento,
do Plano Diretor de município, ao argumento da falta de
podendo, todavia, impor ao órgão de previdência a obrigação
participação popular nos respectivos trabalhos legislativos. No
de depositar parcela do benefício em favor do acordante que
caso concreto, o MPF ajuizou ACP contra o Município de
não figura como beneficiário perante a autarquia previdenciária.
Florianópolis e a União argumentando que o Poder Executivo
STJ. (Info 618).
Municipal teria encaminhado à Câmara de Vereadores o projeto
de Lei do Plano Diretor da cidade sem a realização das VPNI: incorporação pelo subsídio e incidência do teto
necessárias audiências públicas, o que violaria o Estatuto da O direito à percepção de VPNI não impede a sua eventual
Cidade. O STJ entendeu que a legitimidade para essa absorção pelo subsídio e, do mesmo modo, não inviabiliza a
demanda seria do Ministério Público estadual (e não do aplicação do teto constitucional, que inclui a vantagem de
MPF). STJ. (Info 616). caráter pessoal no cômputo da remuneração do servidor para
observância do teto. STJ. 1ª Turma. RMS 33.744-DF, Rel. Min.
CONCURSO PÚBLICO Benedito Gonçalves, julgado em 05/04/2018 (Info 624).
O STF, em sede de repercussão geral, fixou a seguinte tese: Na Termo inicial do adicional de insalubridade
hipótese de posse em cargo público determinada por O termo inicial do adicional de insalubridade a que faz jus o
decisão judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob servidor público é a data do laudo pericial. STJ. 1ª Seção. PUIL
fundamento de que deveria ter sido investido em momento 413-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 11/04/2018

14
(Info 624). que tratam sobre remuneração e direitos dos servidores
públicos sem que existam previsões semelhantes na CF/88
São imprescritíveis as ações de reintegração em cargo
São inconstitucionais os arts. 154, § 2º; 167, XII e XIII, §§ 1º e 2º;
público quando o afastamento se deu em razão de
e 174, da Constituição do Estado do Ceará, e os arts. 27 e 28 do
perseguição política praticada na época da ditadura militar
seu ADCT. Tais dispositivos tratam de remuneração e direitos de
São imprescritíveis as ações de reintegração em cargo público
servidores públicos, que, por não encontrarem similares na
quando o afastamento se deu em razão de atos de exceção
CF/88, somente poderiam ser veiculados por meio de lei de
praticados durante o regime militar. Ex: João era servidor da
iniciativa do Chefe do Poder Executivo. São previsões específicas
ALE/PR. Em 1963, João foi demitido em razão de perseguição
que não tratam da organização e estruturação do Estado-
política perpetrada na época da ditadura militar. Em 2011, João
membro ou de seus órgãos, mas que versam sobre o regime
ajuizou ação ordinária contra o Estado do Paraná pedindo a
jurídico de servidores públicos. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel.
sua reintegração ao cargo. Esta pretensão é considerada
Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
imprescritível considerando que envolve a efetivação da
dignidade da pessoa humana. Vale ressaltar, contudo, que a Não é compatível com a CF/88 a norma de CE que
imprescritibilidade da ação que visa reparar danos estabelece que o servidor público inativo deverá receber
provocados pelos atos de exceção não implica no obrigatoriamente a mais do que percebia na ativa
afastamento da prescrição quinquenal sobre as parcelas A Constituição do Estado do Ceará previa que o servidor, ao se
eventualmente devidas ao autor. Não se deve confundir aposentar, deveria receber, como proventos, o valor pecuniário
imprescritibilidade da ação de reintegração com correspondente ao padrão de vencimento imediatamente
imprescritibilidade dos efeitos patrimoniais e funcionais superior ao da sua classe funcional, e, se já ocupasse o ultimo
dela decorrentes, sob pena de prestigiar a inércia do Autor, escalão, faria jus a uma gratificação adicional de 20% sobre a
o qual poderia ter buscado seu direito desde a publicação da sua remuneração. O STF decidiu que essa previsão não era
Constituição da República. Em outras palavras, o considerada materialmente inconstitucional à época da edição
recebimento dos “atrasados” ficará restrito aos últimos 5 da Carta, uma vez que a superação da remuneração em
anos contados do pedido. STJ. 1ª Turma. REsp 1.565.166-PR, atividade era tolerada na redação original da CF. Porém, essa
Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 26/06/2018 (Info regra não foi recepcionada pela EC 20/98 que proibiu a
630). superação do patamar remuneratório da atividade e a
impossibilidade de incorporação da remuneração do cargo em
Inconstitucionalidade de norma que equipara remuneração
comissão para fins de aposentadoria (art. 40, §§ 2º e 3º, da
de servidores públicos
CF/88). STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
A Constituição do Estado do Ceará previa que deveria ser
em 20/6/2018 (Info 907).
assegurado “aos servidores da administração pública direta, das
autarquias e das fundações, isonomia de vencimentos para STF decide modular os efeitos de decisão que mandou
cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder afastar Delegados de Polícia do cargo por ofensa à regra do
ou entre servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e concurso público
Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e
relativas à natureza ou ao local de trabalho.” O STF decidiu que organizando a Polícia Civil do Estado do Amazonas.
é inconstitucional a expressão “das autarquias e das fundações”. Nesta Lei foi previsto que, na estrutura da Polícia Civil, haveria
Isso porque a equiparação remuneratória entre servidores, a cargos de Delegado de Polícia e de Comissário de Polícia. Ainda
teor da redação originária do art. 39, § 1º, da CF/88, restringiu- em 2001, foi realizado um concurso público, com provas
se aos servidores da administração direta, não mencionando os específicas para cada um desses cargos, e os aprovados
entes da administração indireta, como o faz a norma nomeados e empossados. Contudo, em 2004, houve duas leis
impugnada. Além disso, o dispositivo estadual não foi modificando o cargo de Comissário de Polícia.
recepcionado, em sua integralidade, pela redação atual do art. • a primeira delas afirmou que Comissário de Polícia seria
39 da Constituição Federal, na forma EC 19/1998. STF. Plenário. autoridade policial, juntamente com o Delegado de Polícia,
ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info equiparando a remuneração dos dois cargos.
907). • a segunda lei, transformando o cargo de "Comissário de
Polícia" em "Delegado de Polícia". Essas duas leis foram
Constitucionalidade de norma da CE que assegura
impugnadas por meio de ADI.
equiparação salarial para professores com igual titulação,
Em 2015, o STF decidiu que elas são INCONSTITUCIONAIS
respeitando-se o grau de ensino em que estiverem atuando
porque representaram burla à exigência do concurso público.
A Constituição do Estado do Ceará prevê que deverá ser
As referidas leis fizeram uma espécie de ASCENSÃO FUNCIONAL
assegurada isonomia salarial para docentes em exercício, com
dos Comissários de Polícia porque transformaram os ocupantes
titulação idêntica, respeitando-se o grau de ensino em que
desses cargos em Delegados de Polícia sem que eles tivessem
estiverem atuando. O STF decidiu que essa regra é
feito concurso público para tanto.
constitucional e que não ofende o art. 37, XIII, da CF/88. Isso
No caso concreto, os Ministros entenderam que, quando o
porque não há, no caso, equiparação salarial de carreiras
cargo de Comissário de Polícia foi criado, ele possuía diferenças
distintas, considerando que se trata especificamente da carreira
substanciais em relação ao de Delegado de Polícia, o que
de magistério público e de docentes com titulação idêntica. STF.
impediria a transformação, mesmo sob o argumento de ser
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
medida de racionalização administrativa.
20/6/2018 (Info 907).
Foram opostos embargos de declaração contra a decisão. Em
Inconstitucionalidade de normas da Constituição Estadual 2018, o STF acolheu os embargos e aceitou modular os efeitos

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da decisão proferida na ADI 3415. Além disso, o Tribunal criadas pela Lei nº 9.654/98. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.577.881-DF,
determinou ao Estado do Amazonas que promova, no prazo Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 27/06/2018 (Info 631).
máximo de 18 meses, a contar da publicação da ata de
Não é possível a extensão a servidores públicos civis da
julgamento (07/08/2018), a abertura de concurso público para o
majoração de vencimentos, no percentual de 45%, concedida a
cargo de Delegado de Polícia.
servidores militares, a título de reestruturação de cargos, com
O Ministro Relator Alexandre de Moraes afirmou que mais de 70
base na Lei nº 8.237/91 e no princípio da isonomia dos índices
delegacias de polícia ficariam sem delegados e que a população
revisionais disciplinados na redação original do art. 37, X, da
amazonense é que sofreria as consequências. Além disso, na
Constituição Federal. O reajuste de vencimentos concedido aos
decisão dos embargos, os Ministros esclareceram que são
integrantes das Forças Armadas, à base de 45%, pela Lei nº
plenamente válidos os atos praticados nos cargos de Delegado
8.237/91, não configurou um aumento geral na remuneração
de Polícia que serão afastados. STF. Plenário. ADI 3415 ED-
dos servidores militares que autorizasse, com fundamento no
segundos/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
art. 37, X, da CF/88, a extensão aos servidores civis. STF. 2ª
1º/8/2018 (Info 909).
Turma. RE 229637/ SP, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min.
Não se pode cassar a aposentadoria do servidor que Gilmar Mendes, julgado em 6/11/2018 (Info 922).
ingressou no serviço público por força de provimento
Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos
judicial precário e se aposentou durante o processo, antes
de boa-fé por servidor público, percebidos a título precário
da decisão ser reformada
no período em que liminar produziu efeitos. É desnecessária
Em regra, não produzem fato consumado a posse e o
a devolução dos valores recebidos por liminar revogada, em
exercício em cargo público decorrentes de decisão judicial
razão de mudança de jurisprudência. Também é descabida a
tomada à base de cognição não-exauriente. Em outras
restituição de valores recebidos indevidamente,
palavras, não se aplica a teoria do fato consumado para
circunstâncias em que o servidor público atuou de boa-fé.
candidatos que assumiram o cargo público por força de decisão
STF. 1ª Turma. MS 32.185/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
judicial provisória posteriormente revista. Trata-se do
em 13/11/2018 (Info 923)
entendimento firmado no RE 608482/RN (Tema 476). A situação
é diferente, contudo, se a pessoa, após permanecer vários Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos
anos no cargo, conseguiu a concessão de aposentadoria. interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS
Neste caso, em razão do elevado grau de estabilidade da 29.039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018
situação jurídica, o princípio da proteção da confiança (Info 923)
legítima incide com maior intensidade. Trata-se de uma
excepcionalidade que autoriza a distinção (distinguish) IBGE
quanto ao leading case do RE 608482/RN (Tema 476). STF. 1ª
O IBGE está legalmente impedido de fornecer a quem quer que
Turma. RE 740029 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
seja as informações individualizadas que coleta, no desempenho
julgado em 14/8/2018 (Info 911).
de suas atribuições, para que sirvam de prova em quaisquer
Quando o exercício do cargo foi amparado por decisões
outros procedimentos administrativos. STJ. (Info 617).
judiciais precárias e o servidor se aposentou, antes do
julgamento final do mandado de segurança, por tempo de
contribuição durante esse exercício e após legítima contribuição AGÊNCIAS REGULADORAS E FUNÇÃO NORMATIVA
ao sistema, a denegação posterior da segurança que É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que
inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não preveem que compete à ANVISA:
pode ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as
20.558-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária;
(Info 600) XV - proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a
distribuição e a comercialização de produtos e insumos, em
Servidor que fazia faculdade particular e é removido, de
caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à
ofício, para outra cidade tem direito a matrícula em
saúde;
universidade pública, se não existir instituição privada
Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo
congênere no destino
desta agência reguladora, sendo importante instrumento
É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese
para a implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e
de transferência ex officio de servidor, a matrícula em
princípios expressos na Constituição e na legislação setorial.
instituição pública, se inexistir instituição congênere à de
Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade
origem. Ex: Paulo é servidor público federal, lotado em Recife
da Resolução RDC 14/2012-ANVISA, que proíbe a
(PE), onde faz faculdade de Medicina em uma universidade
comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta
particular. Ele é transferido, de ofício, para Rio Branco (AC).
parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito
Suponhamos, hipoteticamente, que, em Rio Branco, as
vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas
universidades privadas lá existentes não possuem o curso de
continuarão ingressando com ações judiciais, em 1ª instância,
medicina. Neste caso, Paulo teria direito a uma vaga no curso de
alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a
Medicina da universidade pública. Fundamento legal: art. 1º da
liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes
Lei nº 9.536/97. STF. Plenário. RE 601580/RS, Rel. Min. Edson
e Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem
Fachin, julgado em 19/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).
inconstitucional a Resolução e autorizar a venda. Existem,
O reajuste geral de 28,86%, concedido pelas Leis nº 8.622/93 e inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam
8.627/93, não pode ser compensado pelas novas gratificações valendo. STF. (Info 889).

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julgado em 04/09/2018 (Info 634).
CÓDIGO DE TRÂNSITO
Os conselhos de fiscalização profissional não possuem IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
autorização para registrar os veículos de sua propriedade como
Os agentes políticos, COM EXCEÇÃO DO PRESIDENTE DA
oficiais. (Info 619).
REPÚBLICA, encontram-se sujeitos a duplo regime
sancionatório, de modo que se submetem tanto à
PODER DE POLÍCIA responsabilização civil pelos atos de improbidade
É OBRIGATÓRIA a prévia fiscalização do camarão in natura, administrativa quanto à responsabilização político-
ainda que na condição de matéria-prima, antes do administrativa por crimes de responsabilidade. O foro
beneficiamento em outros Estados da Federação, podendo especial por prerrogativa de função previsto na Constituição
tal atividade ser realizada no próprio estabelecimento rural onde Federal em relação às infrações penais comuns NÃO É
se desenvolve a carcinicultura. (Info 620). EXTENSÍVEL ÀS AÇÕES DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min.
RESPONSABILIDADE CIVIL Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
10/5/2018 (Info 901).
A pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço
público possui responsabilidade civil em razão de dano São IMPRESCRITÍVEIS as ações de ressarcimento ao erário
decorrente de crime de furto praticado em suas fundadas na prática de ATO DOLOSO tipificado na Lei de
dependências, nos termos do art. 37, § 6º, da CF/88. Caso Improbidade Administrativa. STF. Plenário. RE 852475/SP, Rel.
concreto: o caminhão de uma empresa transportadora foi orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Eds
parado na balança de pesagem na Rodovia Anhanguera (SP),
quando se constatou excesso de peso. Os agentes da
concessionária determinaram que o condutor estacionasse o DESAPROPRIAÇÃO
veículo no pátio da concessionária e, em seguida, conduziram-
Análise da constitucionalidade da MP 2.183-56/2001, que
no até o escritório para ser autuado.Aproximadamente 10
alterou o DL 3.365/41
minutos depois, ao retornar da autuação para o caminhão, o
O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade
condutor observou que o veículo havia sido furtado. O STF
pública. Veja o que diz o art. 15-A, que foi incluído pela MP
condenou a Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa
2.183-56/2001:
concessionária responsável pela rodovia a indenizar a
“Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na
transportadora. O Supremo reconheceu a responsabilidade civil
desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse
da prestadora de serviço público, ao considerar que houve
social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo
omissão no dever de vigilância e falha na prestação e
divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem,
organização do serviço. STF. 1ª Turma. RE 598356/SP, Rel. Min.
fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros
Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da
O Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 492/1994, diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse,
reduzindo de 30% para 20% a alíquota do imposto de vedado o cálculo de juros compostos.
importação dos brinquedos em geral. Com a redução da § 1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar
alíquota, houve a entrada de um enorme volume de brinquedos a perda de renda comprovadamente sofrida pelo proprietário.
importados no Brasil, oriundos especialmente da China, sendo § 2º Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel
estes bem mais baratos que os nacionais. Como resultado, várias possuir graus de utilização da terra e de eficiência na exploração
indústrias de brinquedos no Brasil foram à falência e, mesmo as iguais a zero.
que permaneceram, sofreram grandes prejuízos. Uma famosa § 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às
indústria de brinquedos ingressou com ação contra a União ações ordinárias de indenização por apossamento
afirmando que a Portaria, apesar de ser um ato lícito, gerou administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações
prejuízos e que, portanto, o Poder Público deveria ser que visem a indenização por restrições decorrentes de atos do
condenado a indenizá-la. O STJ não concordou com o pedido. Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção
Não se verifica o dever do Estado de indenizar eventuais ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença.
prejuízos financeiros do setor privado decorrentes da § 4º Nas ações referidas no § 3º, não será o Poder Público
alteração de política econômico-tributária no caso de o ente onerado por juros compensatórios relativos a período anterior à
público não ter se comprometido, formal e previamente, por aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação.”
meio de determinado planejamento específico. A referida O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL
Portaria tinha finalidade extrafiscal e a possibilidade de alteração 3.365/41 e chegou às seguintes conclusões:
das alíquotas do imposto de importação decorre do próprio 1) em relação ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41:
ordenamento jurídico, não havendo que se falar em quebra do 1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros
princípio da confiança. O impacto econômico-financeiro sobre a compensatórios no patamar fixo de 6% ao ano para
produção e a comercialização de mercadorias pelas sociedades remuneração do proprietário pela imissão provisória do
empresárias causado pela alteração da alíquota de tributos ente público na posse de seu bem;
decorre do risco da atividade próprio da álea econômica de 1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”;
cada ramo produtivo. Não havia direito subjetivo da indústria 1.c) deu interpretação conforme a Constituição ao “caput”
quanto à manutenção da alíquota do imposto de importação. do art. 15-A, de maneira a incidir juros compensatórios
STJ. 1ª Turma. REsp 1.492.832-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, sobre a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo

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pelo ente público e o valor do bem fixado na sentença; Aplica-se a TR para contas vinculadas ao FGTS
2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que A remuneração das contas vinculadas ao FGTS tem disciplina
condiciona o pagamento dos juros compensatórios à própria, ditada por lei, que estabelece a TR como forma de
comprovação da “perda da renda comprovadamente sofrida atualização monetária, sendo vedado, portanto, ao Poder
pelo proprietário”; Judiciário substituir o mencionado índice. STJ. 1ª Seção. REsp
3) declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A, 1.614.874-SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
afastando o pagamento de juros compensatórios quando o 11/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 625).
imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência
iguais a zero; ROYALTIES
4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A,
Pontos de entrega de gás canalizado e pagamento de
estendendo as regras e restrições de pagamento dos juros
royalties
compensatórios à desapropriação indireta.
A Lei nº 12.734/2012, que alterou os arts. 48, § 3º, e 49, § 7º, da
5) declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A;
Lei nº 9.478/1997 e passou a considerar os pontos de entrega
6) declarou a constitucionalidade da estipulação de
de gás canalizado (city gates) como instalações de embarque e
parâmetros mínimo (0,5%) e máximo (5%) para a concessão
desembarque, para fins de pagamento de royalties aos
de honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da
municípios afetados por tais operações, não tem eficácia
expressão “não podendo os honorários ultrapassar R$
retroativa. STJ. 1ª Turma. REsp 1.452.798-RJ, Rel. Min. Napoleão
151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no §
Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em
1º do art. 27. STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto
19/04/2018 (Info 625).
Barroso, julgado em 17/5/2018 (Info 902).
Nas ações de desapropriação por interesse social para fins de ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
reforma agrária descabe a restituição, pelo expropriado
Município TEM LEGITIMIDADE AD CAUSAM para ajuizar ação
sucumbente, de honorários periciais aos assistentes técnicos do
civil pública em defesa de direitos consumeristas questionando
INCRA e do MPF. STJ. 1ª Turma. REsp 1.306.051-MA, Rel. Min.
a cobrança de tarifas bancárias. Em relação ao Ministério Público
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 08/05/2018 (Info 626).
e aos entes políticos, que têm como finalidades institucionais a
proteção de valores fundamentais, como a defesa coletiva dos
LICITAÇÃO consumidores, não se exige pertinência temática e
As regras gerais previstas na Lei nº 8.666/93 podem ser representatividade adequada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.509.586-SC,
flexibilizadas no Programa Minha Casa Minha Vida, por força Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626).
do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 10.188/2001, desde que se
observem os princípios gerais da administração pública. STJ. APOSENTADORIA ESPECIAL
2ª Turma. REsp 1.687.381-DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado
Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios
em 17/04/2018 (Info 624).
exigidos do beneficiário são mais favoráveis que os
Sociedade empresária em recuperação judicial pode participar estabelecidos normalmente para as demais pessoas. A CF/88
de licitação, desde que demonstre, na fase de habilitação, a prevê que os servidores que exerçam atividades de risco têm
sua viabilidade econômica. STJ. 1ª Turma. AREsp 309.867-ES, direito à aposentadoria especial, segundo requisitos e
Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/06/2018 (Info 631) condições previstas em lei complementar (art. 40, § 4º, II, “b”).
Diante da ausência de legislação específica, não cabe ao Poder
ACUMULAÇÃO DE CARGOS Judiciário garantir aposentadoria especial (art. 40, § 4º, II, da CF/
88) às guardas municipais. A aposentadoria especial NÃO
O Auditor Fiscal do Trabalho, com especialidade em medicina
PODE ser estendida aos guardas civis, uma vez que suas
do trabalho, não pode cumular o exercício do seu cargo com
atividades precípuas não são inequivocamente perigosas e,
outro da área de saúde. STJ. 1ª Turma. REsp 1.460.331-CE, Rel.
ainda, pelo fato de não integrarem o conjunto de órgãos de
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria,
segurança pública relacionados no art. 144, I a V, da CF/88. STF.
julgado em 10/04/2018 (Info 625).
Plenário. MI 6515/DF, MI 6770/DF, MI 6773/DF, MI 6780/DF, MI
A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de 6874/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 20/6/2018 (Info
saúde, prevista no art. 37, XVI, da CF/88, NÃO SE SUJEITA AO 907).
LIMITE DE 60 HORAS SEMANAIS previsto em norma
infraconstitucional, pois inexiste tal requisito na Constituição APOSENTADORIA
Federal. O único requisito estabelecido para a acumulação é
Funpresp e data limite para adesão ao regime de
a compatibilidade de horários no exercício das funções, cujo
previdência complementar
cumprimento deverá ser aferido pela administração pública.
O art. 3º, § 7º, da Lei nº 12.618/2012 e o art. 92 da Lei nº
STF. 1ª Turma. RE 1.094.802 AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
13.328/2016 previram que os servidores titulares de cargos
julgado em 11/5/2018. STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min.
efetivos da União (inclusive magistrados, membro do MP e do
Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018. STJ. 2ª Turma.
TCU) poderiam aderir, até o dia 29/07/2018, aos planos de
REsp 1.746.784-PE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
benefícios administrados por entidades fechadas de previdência
23/08/2018 (Info 632).
complementar. Duas associações de magistrados ingressaram
com ação requerendo a prorrogação deste prazo. O STF,
FGTS contudo, negou o pedido. O deferimento do pleito representaria

18
indevida manipulação de opção político-normativa do Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes,
Parlamento. Ao STF, à semelhança do que ocorre com as demais julgado em 4/9/2018 (Info 914).
Cortes Constitucionais, cabe exercer o papel de legislador Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para cargos
negativo. É sua a relevante função de extirpar do ordenamento públicos de natureza política, como, por exemplo, Secretário
jurídico normas incompatíveis com a Lei Maior, devendo, Municipal. Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem
exatamente por esse motivo, atuar com parcimônia. Não há, sob excepcionado a regra sumulada e garantido a permanência de
o ângulo material ou formal, qualquer traço de parentes de autoridades públicas em cargos políticos, sob o
incompatibilidade direta com a Constituição Federal. STF. fundamento de que tal prática não configura nepotismo.
Plenário. ADI 4885 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se
27/6/2018 (Info 908). tratando de cargo político caso fique demonstrada a inequívoca
falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de
EMPRESAS PÚBLICAS qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª
Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
É possível aplicar o regime de precatórios às empresas
29/05/2018.
públicas?
Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas
dotadas de personalidade jurídica de direito privado com ANISTIADO POLÍTICO
patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam Pagamento dos valores retroativos a anistiados políticos
atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro. 1 - Reconhecido o direito à anistia política, a falta de
STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de cumprimento de requisição ou determinação de providências
Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 por parte da União, por intermédio do órgão competente, no
(Info 910). prazo previsto nos artigos 12, parágrafo 4º, e 18, caput,
parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002, caracteriza ilegalidade e
Os Correios têm o dever jurídico de motivar, em ato formal,
violação de direito líquido e certo.
a demissão de seus empregados
2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever
das indenizações devidas aos anistiados políticos, e não
jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus
demonstrada a ausência de disponibilidade de caixa, a União há
empregados. STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto
de promover o pagamento do valor ao anistiado no prazo de 60
Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
dias.
3 - Na ausência ou na insuficiência de disponibilidade
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR orçamentária no exercício em curso, cumpre à União promover
CGU tem competência para aplicar pena de demissão a sua previsão no projeto de lei orçamentária imediatamente
servidor do Poder Executivo Federal mesmo que ele seguinte. STF. Plenário. RE 553710/DF, Rel. Min. Dias Toffoli,
estivesse cedido para a Câmara dos Deputados julgado em 17/11/2016 (repercussão geral) (Info 847). STF. 1ª
Compete ao Ministro de Estado Chefe da Controladoria-Geral Turma. RMS 28201/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
da União a aplicação da penalidade de demissão a servidor do 25/9/2018 (Info 917).
Poder Executivo Federal, independentemente de se encontrar
Súmula 624-STJ: É possível cumular a indenização do dano
cedido à época dos fatos para o Poder Legislativo Federal. STJ.
moral com a reparação econômica da Lei nº 10.559/2002
1ª Seção. MS 19.994-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
(Lei da Anistia Política). STJ. 1ª Seção. Aprovada em
em 23/05/2018 (Info 598)
12/12/2018, DJe 17/12/2018.

ACORDO DE LENIÊNCIA E COMPARTILHAMENTO DE PROVAS


REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e
Não incide contribuição previdenciária sobre verba não
autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de
incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor
leniência, desde que sejam respeitados os limites
público, tais como terço de férias, serviços extraordinários,
estabelecidos no acordo em relação aos aderentes. Assim,
adicional noturno e adicional de insalubridade. STF. Plenário.
por exemplo, se uma empresa celebra acordo de leniência com
RE 593068/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
o MPF aceitando fornecer provas contra si, estas provas
11/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram
ajustadas no acordo. No entanto, nada impede que tais provas
sejam fornecidas (compartilhadas) para os órgãos de apuração TEMAS DIVERSOS
para que sejam propostas medidas contra as outras pessoas A concessionária de fornecimento de energia elétrica não pode
envolvidas nos ilícitos e que fizeram parte do acordo. STF. 2ª exigir de órgão público, usuário do serviço, multa por
Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em inadimplemento no pagamento de fatura, fundamentada no
21/8/2018 (Info 913) parágrafo único do art. 4º do Decreto-Lei nº 2.432/88. A multa
prevista no parágrafo único do art. 4º do DL 2.432/88 refere-se
NEPOTISMO aos contratos de compra e venda de energia elétrica entre
concessionárias de serviço público de energia elétrica, não
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de
sendo aplicada para as relações entre a concessionária e os
Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de
usuários do seu serviço, ou seja, não é uma multa a ser cobrada
natureza política, por si só, não caracteriza ato de
dos clientes (usuários finais). STJ. 1ª Turma. REsp 1.396.808-AM,
improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP,

19
Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/08/2018 (Info 632)

DIREITO EDUCACIONAL
A emissão do certificado de conclusão do ensino médio,
realizado de forma integrada com o técnico, ao estudante
aprovado nas disciplinas regulares independe do estágio
profissionalizante. Caso concreto: João fez o ensino médio em
instituto federal de educação. Ocorre que optou por não
concluir o estágio profissionalizante. A única consequência
negativa para ele vai ser não ter direito ao certificado técnico-
profissional. No entanto, não há nada que o impeça de ter
direito ao certificado de conclusão do ensino médio,
considerando que efetivamente estudou e foi aprovado nas
respectivas matérias. STJ. 1ª Turma. REsp 1.681.607-PE, Rel. Min.
Regina Helena Costa, julgado em 20/09/2018 (Info 634)

20
Civil inclusive mediante usucapião. No entanto, precisam cumprir as
regras da Lei nº 5.709/71. STJ. 3ª Turma. REsp 1.641.038-CE, Rel.
CONTRATO DE SEGURO Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/11/2018 (Info 637).
A aposentadoria por invalidez permanente concedida pelo INSS
não confere ao segurado o direito automático de receber UNIÃO ESTÁVEL
indenização de seguro contratado com empresa privada, sendo
Se a pessoa inicia uma união estável possuindo mais de 70 anos,
imprescindível a realização de perícia médica para atestar o
o regime patrimonial que irá regular essa relação é o da
grau de incapacidade e o correto enquadramento na cobertura
separação obrigatória de bens (art. 1.641, II, do CC). Apesar
contratada. STJ. (Info 616).
disso, se, durante essa relação, um dos companheiros ganhar na
Súmula 620-STJ: A embriaguez do segurado não exime a loteria, o valor do prêmio integra a massa de bens comuns do
seguradora do pagamento da indenização prevista em contrato casal (art. 1.660, II, do CC), de forma que pertence a ambos.
de seguro de vida. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe Assim, havendo dissolução da união estável, o valor desse
17/12/2018. prêmio deverá ser partilhado igualmente entre os consortes.
Em suma, o prêmio de loteria, recebido por ex-companheiro
USUCAPIÃO septuagenário durante a relação de união estável, deve ser
Ao propor uma ação de usucapião, o autor deverá requerer a objeto de meação entre o casal em caso de dissolução do
citação dos confinantes, ou seja, dos vizinhos que fazem relacionamento. STJ. (Info 616).
fronteira com o imóvel que ele almeja. Os embargos de terceiro não são cabíveis para o fim de
E o que acontece caso não haja a citação dos confinantes? declarar, em sede de ação de exoneração de alimentos, a
Haverá nulidade absoluta do processo? Não. Apesar de natureza familiar da prestação alimentícia, de forma a alterar a
amplamente recomendável, a falta de citação dos confinantes relação jurídica posta e discutida na demanda principal. Ex: João
não acarretará, por si, ou seja, obrigatoriamente, a nulidade da e Maria, ao se divorciarem, firmaram um acordo por meio do
sentença que declara a usucapião. Não há que se falar em qual João iria pagar 30% de seu salário, a título de alimentos,
nulidade absoluta, no caso. para Maria e o filho do casal (Vitor). Quando Vitor completou a
A ausência de citação dos confinantes e respectivos maioridade, João propôs ação de exoneração de alimentos
cônjuges na ação de usucapião é considerada hipótese de contra ele. O juiz deferiu o pedido e determinou que os
nulidade relativa, somente gerando a nulidade do processo descontos fossem reduzidos pela metade (15%), já que Vitor
caso se constate o efetivo prejuízo. STJ. (Info 616). não seria mais credor de alimentos. Maria opôs embargos de
É possível o reconhecimento da usucapião de bem imóvel terceiro contra essa decisão, tendo o STJ considerado um
com a implementação do requisito temporal no curso da instrumento jurídico inadequado. STJ. 4ª Turma. REsp 1.560.093-
demanda SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 18/09/2018 (Info 634).
É possível o reconhecimento da usucapião quando o prazo
exigido por lei se complete no curso do processo judicial, ALIMENTOS
conforme a previsão do art. 493, do CPC/2015, ainda que o réu Havendo meios executivos mais adequados e igualmente
tenha apresentado contestação. Em março de 2017, João eficazes para a satisfação da dívida alimentar dos avós, é
ajuizou ação pedindo o reconhecimento de usucapião especial admissível a conversão da execução para o rito da penhora e
urbana, nos termos do art. 1.240 do CC (que exige posse da expropriação, a fim de afastar o decreto prisional em
ininterrupta e sem oposição por 5 anos). Em abril de 2017, o desfavor dos executados. STJ. (Info 617).
proprietário apresentou contestação pedindo a improcedência
Os valores recebidos a título de “participação nos lucros e
da demanda.As testemunhas e as provas documentais atestaram
resultados” são incluídos no percentual que é devido a título de
que João reside no imóvel desde setembro de 2012, ou seja,
pensão alimentícia? Em suma, toda vez que o devedor receber
quando o autor deu entrada na ação, ainda não havia mais de 5
participação nos lucros e resultados, o valor da pensão deverá
anos de posse. Em novembro de 2017, os autos foram conclusos
ser, automaticamente, pago a mais?
ao juiz para sentença. O magistrado deverá julgar o pedido
1ª corrente: NÃO. Os valores recebidos a título de participação
procedente considerando que o prazo exigido por lei para a
nos lucros e resultados não se incorporam à verba alimentar
usucapião se completou no curso do processo. STJ. 3ª Turma.
devida ao menor. É a posição da 3ª Turma do STJ. (Info 615).
REsp 1.361.226-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado
2ª corrente: SIM. As parcelas percebidas a título de
em 05/06/2018 (Info 630)
participação nos lucros configuram rendimento, devendo
É juridicamente possível a usucapião de imóveis rurais por integrar a base de cálculo da pensão fixada em percentual,
pessoa jurídica brasileira com capital majoritariamente uma vez que o conceito de rendimentos é amplo,
controlado por estrangeiros, desde que observadas as especialmente para fins de cálculo de alimentos. É a corrente
mesmas condicionantes para a aquisição originária de terras adotada pela 4ª Turma do STJ. (Info 620).
rurais por pessoas estrangeiras - sejam naturais, jurídicas ou
Dedução das despesas pagas in natura
equiparadas. A Lei nº 5.709/71 impõe uma série de condições
É possível, em sede de execução de alimentos, a dedução na
para que estrangeiros adquiram terras rurais no Brasil. Uma
pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia das
pessoa jurídica nacional que tenha seu capital social controlado
despesas pagas "in natura", com o consentimento do
por estrangeiros também está sujeita às mesmas restrições, por
credor, referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel
força do art. 1º, § 1º, da Lei nº 5.709/71. Isso não significa que
onde residia o exequente. Vale ressaltar que a regra geral é a
ela não possa adquirir imóveis rurais no Brasil. Podem sim,
incompensabilidade da dívida alimentar (art. 1.707 do CC) e

21
eventual compensação deve ser analisada caso a caso, devendo- citação, vedadas a compensação e a repetibilidade. STJ. 2ª
se examinar se houve o consentimento, ainda que tácito, do Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
credor, e se o pagamento in natura foi destinado, efetivamente,
ao atendimento de necessidade essencial do alimentado e não COLAÇÃO
se configurou como mera liberalidade do alimentante. STJ. 3ª
Em um caso envolvendo situação antes do CPC/2015, o STJ
Turma. REsp 1.501.992-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
decidiu que o valor de colação dos bens doados deverá ser
julgado em 20/03/2018 (Info 624).
aquele atribuído ao tempo da liberalidade, corrigido
É possível a fixação de alimentos em valores ou em monetariamente até a data da abertura da sucessão. Aplicou-se
percentuais diferentes entre os filhos? aqui a regra do art. 2.004 do Código Civil de 2002. STJ. (Info
Em regra, não deverá haver diferença no valor ou no 617).
percentual dos alimentos destinados a prole, pois se O CPC/2015, em seu art. 639, parágrafo único, traz regra
presume que, em tese, os filhos - indistintamente - possuem diferente do art. 2.004 do CC/2002 e diz que o valor de colação
as mesmas demandas vitais, tenham as mesmas condições dos bens deverá ser calculado ao tempo da morte do autor
dignas de sobrevivência e igual acesso às necessidades mais da herança.
elementares da pessoa humana. A igualdade entre os filhos, Confira: Art. 639. No prazo estabelecido no art. 627, o herdeiro
todavia, não tem natureza absoluta e inflexível, de modo obrigado à colação conferirá por termo nos autos ou por
que é admissível a fixação de alimentos em valor ou petição à qual o termo se reportará os bens que recebeu ou, se
percentual distinto entre os filhos se demonstrada a já não os possuir, trar-lhes-á o valor. Parágrafo único. Os bens a
existência de necessidades diferenciadas entre eles ou, serem conferidos na partilha, assim como as acessões e as
ainda, de capacidades contributivas diferenciadas dos benfeitorias que o donatário fez, calcular-se-ão pelo valor que
genitores. Exemplo: João possui dois filhos, com mulheres tiverem ao tempo da abertura da sucessão.
diferentes. Para o filho 1, paga 20% de seu salário e para o filho Diante disso, não se pode afirmar que a conclusão do STJ no
2, 15%. O STJ admitiu que essas pensões sejam em valores REsp 1.166.568-SP seria a mesma caso a morte tivesse ocorrido
diferentes porque a capacidade financeira da mãe do filho 2 é agora, ou seja, sob a vigência do CPC/2015. Isso porque este
muito maior do que a genitora do filho 1. STJ. 3ª Turma. REsp diploma é posterior ao CC/2002 e, pelo menos sob o critério
1.624.050/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/06/2018 cronológico, teria prevalência em relação ao Código Civil.
(Info 628).
A teoria do adimplemento substancial NÃO TEM DPVAT
INCIDÊNCIA NOS VÍNCULOS JURÍDICOS FAMILIARES, Uma associação que tenha fins específicos de proteção ao
revelando-se inadequada para solver controvérsias consumidor NÃO POSSUI LEGITIMIDADE para o ajuizamento
relacionadas a obrigações de natureza alimentar. STJ. 4ª de ação civil pública com a finalidade de tutelar interesses
Turma. HC 439.973-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. coletivos de beneficiários do seguro DPVAT. Isso porque o
Acd. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 16/08/2018 seguro DPVAT não tem natureza consumerista, faltando,
(Info 632). portanto, pertinência temática. STJ. (Info 618).
O Código Civil prevê o seguinte:
Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, PARCERIA RURAL
não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, O falecimento do parceiro outorgante não extingue o contrato
serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias de parceria rural.
as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem Os herdeiros somente poderão exercer o direito de retomada ao
concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada término do contrato e desde que obedeçam às regras do
ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a Decreto nº 59.566/1966 quanto ao prazo para notificação e às
integrar a lide. causas para retomada. STJ. (Info 618).
Neste julgado, o STJ entendeu que este artigo possui
natureza jurídica de “litisconsórcio facultativo ulterior TRANSGÊNERO
simples”. Trata-se, contudo, de litisconsórcio com uma
Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente
particularidade: em regra, a sua formação pode ocorrer não
da cirurgia de transgenitalização, ou da realização de
apenas por iniciativa do autor, mas também por provocação
tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito
do réu ou do Ministério Público. Vale ressaltar, contudo,
à alteração do prenome e do gênero (sexo) diretamente no
uma exceção: se o credor dos alimentos (autor da ação) for
registro civil. STF. (Info 892).
menor emancipado, possuir capacidade processual plena e
optar livremente por ajuizar a demanda somente em face do Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro
genitor, não pode o réu provocar o chamamento ao civil mesmo sem fazer cirurgia de transgenitalização e
processo da genitora do autor (codevedora). Em ação de mesmo sem autorização judicial
alimentos, quando se trata de credor com plena capacidade O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de
processual, cabe exclusivamente a ele provocar a integração seu prenome e de sua classificação de gênero no registro civil,
posterior no polo passivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.715.438-RS, Rel. não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de
Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 (Info 638). vontade do indivíduo, o qual poderá exercer tal faculdade
tanto pela via judicial como diretamente pela via
Súmula 621-STJ: Os efeitos da sentença que reduz, majora ou
administrativa. Essa alteração deve ser averbada à margem do
exonera o alimentante do pagamento retroagem à data da
assento de nascimento, vedada a inclusão do termo

22
“transgênero”. Nas certidões do registro não constará nenhuma biográfica não depende da concessão de prévia autorização de
observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de terceiros ali representados como coadjuvantes. O STF, no
certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio julgamento da ADI 4.815/DF, afirmou que é inexigível a
interessado ou por determinação judicial. Efetuando-se o autorização de pessoa biografada relativamente a obras
procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar biográficas literárias ou audiovisuais bem como desnecessária a
de ofício ou a requerimento do interessado a expedição de autorização de pessoas nelas retratadas como coadjuvantes. A
mandados específicos para a alteração dos demais registros nos Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de representação da
órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais deverão imagem de pessoa como coadjuvante em obra biográfica
preservar o sigilo sobre a origem dos atos. STF. Plenário. RE audiovisual que tem por objeto a história profissional de
670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 terceiro. STJ. 3ª Turma. REsp 1.454.016-SP, Rel. Min. Nancy
(repercussão geral) (Info 911). Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
12/12/2017 (Info 621).
OBRIGAÇÕES Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em
O pedido de concessão de prazo para analisar documentos com tiroteio ocorrido em via pública. Os familiares do morto
o fim de verificar a existência de débito não tem o condão de ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal
interromper a prescrição. (Info 619). alegando que houve violação aos direitos de imagem. O STF
julgou a ação improcedente argumentando que condenar o
DANOS MORAIS jornal seria uma forma de censura, o que afronta a liberdade de
informação jornalística. STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel.
Não se admite que o dano moral de pessoa jurídica seja
Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/10/2018 (Info 921)
considerado como in re ipsa, sendo necessária a
comprovação nos autos do prejuízo sofrido. Apesar disso, é Determinada “farmácia de manipulação” utilizou o nome e a
possível a utilização de presunções e regras de experiência imagem da atriz Giovanna Antonelli, sem a sua autorização, em
para a configuração do dano, mesmo sem prova expressa do propagandas de um remédio para emagrecer. O STJ afirmou
prejuízo, o que sempre comportará a possibilidade de que, além da indenização por danos morais e materiais, a atriz
contraprova pela parte ou de reavaliação pelo julgador. Ex: caso também tinha direito à restituição de todos os benefícios
a pessoa jurídica tenha sido vítima de um protesto indevido de econômicos que a ré obteve na venda de seus produtos
cambial, há uma presunção de que ela sofreu danos morais. (restituição do “lucro da intervenção”). Lucro da intervenção é
(Info 619). Cuidado: existem julgados em sentido contrário, ou uma vantagem patrimonial obtida indevidamente com base
seja, dizendo que pessoa jurídica pode sofrer dano moral in re na exploração ou aproveitamento, de forma não autorizada,
ipsa. Nesse sentido: (Info 619). de um direito alheio. Dever de restituição do lucro da
intervenção é o dever que o indivíduo possui de pagar
É cabível o pedido de indenização por danos morais em
aquilo que foi auferido mediante indevida interferência nos
razão de descumprimento de ordem judicial em demanda
direitos ou bens jurídicos de outra pessoa. A obrigação de
pretérita envolvendo as mesmas partes, na qual foi fixada
restituir o lucro da intervenção é baseada na vedação do
multa cominatória. A multa cominatória tem cabimento nas
enriquecimento sem causa (art. 884 do CC). A ação de
hipóteses de descumprimento de ordens judiciais, sendo fixada
enriquecimento sem causa é subsidiária. Apesar disso, nada
com o objetivo de compelir a parte ao cumprimento daquela
impede que a pessoa prejudicada ingresse com ação cumulando
obrigação. Por outro lado, a indenização visa a reparar o abalo
os pedidos de reparação dos danos (responsabilidade civil) e de
moral sofrido em decorrência da verdadeira agressão ou
restituição do indevidamente auferido (lucro da intervenção).
atentado contra a dignidade da pessoa humana. Encontra
Para a configuração do enriquecimento sem causa por
justificativa no princípio da efetividade da tutela
intervenção, não se faz imprescindível a existência de
jurisdicional e na necessidade de se assegurar o pronto
deslocamento patrimonial, com o empobrecimento do
cumprimento das decisões judiciais cominatórias.
titular do direito violado, bastando a demonstração de que
Considerando, portanto, que os institutos em questão têm
houve enriquecimento do interventor. O critério mais
natureza jurídica e finalidades distintas, é possível a cumulação.
adequado para se fazer a quantificação do lucro da
STJ. 3ª Turma. REsp 1.689.074-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro,
intervenção é o do enriquecimento patrimonial (lucro
julgado em 16/10/2018 (Info 636)
patrimonial). A quantificação do lucro da intervenção
deverá ser feita por meio de perícia realizada na fase de
DIREITO À IMAGEM liquidação de sentença, devendo o perito observar os
A Súmula 403 do STJ é inaplicável para representação da seguintes critérios:
imagem de pessoa como coadjuvante em documentário que a) apuração do quantum debeatur com base no denominado
tem por objeto a história profissional de terceiro lucro patrimonial;
Ação de indenização proposta por ex-goleiro do Santos em b) delimitação do cálculo ao período no qual se verificou a
virtude da veiculação indireta de sua imagem (por ator indevida intervenção no direito de imagem da autora;
profissional contratado), sem prévia autorização, em cenas do c) aferição do grau de contribuição de cada uma das partes
documentário “Pelé Eterno”. O autor alegou que a simples e
utilização não autorizada de sua imagem, ainda que de forma d) distribuição do lucro obtido com a intervenção
indireta, geraria direito a indenização por danos morais, proporcionalmente à contribuição de cada partícipe da
independentemente de efetivo prejuízo. O STJ não concordou. A relação jurídica. STJ. 3ª Turma.REsp 1.698.701-RJ, Rel. Min.
representação cênica de episódio histórico em obra audiovisual Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 02/10/2018 (Info 634).

23
Súmula 616-STJ: A indenização securitária é devida quando
EVICÇÃO ausente a comunicação prévia do segurado acerca do atraso
É dever do alienante transmitir ao adquirente o direito sem no pagamento do prêmio, por constituir requisito essencial
vícios, de forma que se caracteriza a evicção se existir um para a suspensão ou resolução do contrato de seguro. STJ. 2ª
gravame que impede a transferência do bem , Seção. Aprovada em 23/05/2018, DJe 28/05/2018.
Caracteriza-se evicção a inclusão de gravame capaz de impedir a
transferência livre e desembaraçada de veículo objeto de ARBITRAGEM
negócio jurídico de compra e venda. Caso concreto: foi vendido
Se a parte quiser arguir a nulidade da cláusula arbitral,
um carro, mas, antes que pudesse ser transferido à adquirente,
deverá formular esse pedido, em primeiro lugar, ao próprio
houve um bloqueio judicial sobre o veículo. Foi necessário o
árbitro, não sendo possível que proponha diretamente ação
ajuizamento de embargos de terceiro para liberação do
judicial
automóvel, sendo, em seguida, desfeito o negócio. Neste caso,
A previsão contratual de convenção de arbitragem enseja o
caracterizou-se a evicção, gerando o dever do alienante de
reconhecimento da competência do Juízo arbitral para
indenizar a adquirente pelos prejuízos sofridos. STJ. 3ª Turma.
decidir com primazia sobre o Poder Judiciário as questões
REsp 1.713.096-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
acerca da existência, validade e eficácia da convenção de
20/02/2018 (Info 621).
arbitragem e do contrato que contenha a cláusula
compromissória. Ex: a empresa 1 celebrou contrato com a
EXECUÇÃO DE ALIMENTOS empresa 2; neste contrato há uma cláusula arbitral; a empresa 2
É possível a aplicação imediata do art. 528, § 7º, do notificou extrajudicialmente a empresa 1 cobrando o
CPC/2015 em execução de alimentos iniciada e processada, cumprimento do ajuste; a empresa 1 ajuizou ação declaratória
em parte, na vigência do CPC/1973. A regra do art. 528, §7º, de falsidade alegando que a assinatura constante no contrato é
do CPC/2015, apenas incorpora ao direito positivo o conteúdo falsa e, portanto, o pacto seria nulo; esta ação deverá ser extinta
da pré-existente Súmula 309/STJ, editada na vigência do sem resolução do mérito (art. 485, VII, do CPC/2015); isso
CPC/1973, tratando-se, assim, de pseudonovidade normativa porque, nos termos do art. 8º, parágrafo único, da Lei nº
que não impede a aplicação imediata da nova legislação 9.307/96, a alegação de nulidade da cláusula arbitral, bem como
processual, como determinam os arts. 14 e 1.046 do CPC/2015. do contrato que a contém, deve ser submetida, em primeiro
STJ. 3ª Turma. RHC 92.211-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado lugar, à decisão do próprio árbitro, sendo prematura a
em 27/02/2018 (Info 621). apreciação pelo Poder Judiciário. Trata-se da aplicação do
princípio da kompetenzkompetenz, que confere ao árbitro o
poder de decidir sobre a própria competência. STJ. 3ª Turma.
Súmula 609-STJ: A recusa de cobertura securitária, sob a
REsp 1.550.260-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel.
alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve a
Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/12/2017
exigência de exames médicos prévios à contratação ou a
(Info 622).
demonstração de má-fé do segurado. STJ. 2ª Seção. Aprovada
em 11/04/2018, DJe 17/04/2018.
PODER FAMILIAR
SEGURO O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar, são
usufrutuários dos bens dos filhos (usufruto legal), bem como
O contratante do seguro de vida em grupo não tem direito à
têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua
renovação da apólice sem a concordância da seguradora
autoridade, nos termos do art. 1.689, incisos I e II, do Código
nem pode exigir a restituição dos prêmios pagos
Civil. Por essa razão, em regra, não existe o dever de prestar
Não é abusiva a cláusula contratual que prevê a
contas acerca dos valores recebidos pelos pais em nome do
possibilidade de não renovação automática do seguro de
menor, durante o exercício do poder familiar. Isso porque há
vida em grupo por qualquer dos contratantes, desde que
presunção de que as verbas recebidas tenham sido utilizadas
haja prévia notificação da outra parte. À exceção dos
para a manutenção da comunidade familiar, abrangendo o
contratos de seguro de vida individuais, contratados em
custeio de alimentação, saúde, vestuário, educação, lazer, entre
caráter vitalício ou plurianual, nos quais há a formação de
outros.
reserva matemática de benefícios a conceder, as demais
Excepcionalmente, admite-se o ajuizamento de ação de
modalidades são geridas sob o regime financeiro de
prestação de contas pelo filho, sempre que a causa de pedir
repartição simples, de modo que os prêmios arrecadados do
estiver fundada na suspeita de abuso de direito no exercício
grupo de segurados ao longo do período de vigência do
desse poder. Assim, a ação de prestação de contas ajuizada
contrato destinam-se ao pagamento dos sinistros ocorridos
pelo filho em desfavor dos pais é possível quando a causa
naquele período. Dessa forma, nos contratos de seguro de vida
de pedir estiver relacionada com suposto abuso do direito
em grupo não há direito à renovação da apólice sem a
ao usufruto legal e à administração dos bens dos filhos.
concordância da seguradora ou à restituição dos prêmios pagos
STJ. 3ª Turma. REsp 1.623.098-MG, Rel. Min. Marco Aurélio
em contraprestação à cobertura do risco no período delimitado
Bellizze, julgado em 13/03/2018 (Info 622).
no contrato. Vale ressaltar que a seguradora pode decidir não
mais renovar o contrato de seguro de vida, mesmo que não Adoção à brasileira e realização de perícia para constatar
comprove que houve desequilíbrio atuarial-financeiro. Trata-se situação de risco
de um verdadeiro direito potestativo. STJ. 2ª Seção. REsp Para que haja a decretação da perda do poder familiar da
1.569.627-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em mãe biológica em razão da suposta entrega da filha para
22/02/2018 (Info 622). adoção irregular (“adoção à brasileira”), é indispensável a

24
realização do estudo social e avaliação psicológica das
partes litigantes. Por envolver interesse de criança, a questão POSSE
deve ser solucionada com observância dos princípios da Em ação possessória entre particulares É CABÍVEL o
proteção integral e do melhor interesse dela e do adolescente, oferecimento de oposição pelo ente público, alegando-se
previstos na CF e no ECA. Para constatação da “adoção à incidentalmente o domínio de bem imóvel como meio de
brasileira”, em princípio, o estudo psicossocial da criança, do pai demonstração da posse. STJ. Corte Especial. EREsp 1.134.446-
registral e da mãe biológica não se mostra necessário. Contudo, MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/03/2018 (Info
como o reconhecimento de sua ocorrência (“adoção à 623).
brasileira”) foi fator preponderante para a destituição do poder
familiar, a realização da perícia se mostra imprescindível para PARENTESCO
aferição da presença de causa para a excepcional medida de
Necessidade de consentimento do indivíduo maior de 18
destituição e para constatação de existência de uma situação de
anos para que possa ser reconhecido como filho
risco para a infante, caracterizando cerceamento de defesa o seu
É imprescindível o consentimento de pessoa maior para o
indeferimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.674.207-PR, Rel. Min.
reconhecimento de filiação post mortem. STJ. 3ª Turma. REsp
Moura Ribeiro, julgado em 17/04/2018 (Info 624).
1.688.470-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/04/2018
(Info 623).
INVENTÁRIO
Possibilidade de a parte já ingressar direto na via ordinária CONDOMÍNIO
por entender que o juízo do inventário não é competente
A ação de cobrança de débitos condominiais pode ser proposta
para a demanda
contra o arrendatário do imóvel. STJ. 3ª Turma. REsp 1.704.498-
O art. 612 do CPC/2015 prevê o seguinte: Art. 612. O juiz
SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/04/2018 (Info 624).
decidirá todas as questões de direito desde que os fatos
relevantes estejam provados por documento, só remetendo É possível a penhora de bem de família de condômino, na
para as vias ordinárias as questões que dependerem de outras proporção de sua fração ideal, se inexistente patrimônio
provas. próprio do condomínio para responder por dívida oriunda
A parte, antevendo que o pedido que será formulado não se de danos a terceiros. Ex: um pedestre foi ferido por conta de
enquadra na competência do juízo do inventário, já pode ajuizar um pedaço da fachada que nele caiu. Essa vítima terá que
a ação autônoma no juízo competente, aplicando-se o art. 612. propor a ação contra o condomínio. Se o condomínio não tiver
Assim, é cabível o ajuizamento de ação autônoma perante o patrimônio próprio para satisfazer o débito, os condôminos
juízo cível quando se constatar, desde logo, a necessidade de podem ser chamados a responder pela dívida, na proporção de
dilação probatória incompatível com o rito especial do sua fração ideal. Mesmo que um condômino tenha comprado
inventário. um apartamento neste prédio depois do fato, ele ainda assim
STJ. 3ª Turma. REsp 1.480.810-ES, Rel. Min. Nancy Andrighi, poderá ser obrigado a pagar porque as despesas de condomínio
julgado em 20/03/2018 (Info 622). são obrigações propter rem. O juiz poderá determinar a
penhora dos apartamentos para pagamento da dívida mesmo
Averbação das modificações realizadas em imóveis como
que se trate de bem de família, considerando que as dívidas
condição para o inventário
decorrentes de despesas condominiais são consideradas como
É legítima a decisão judicial que determina a averbação, no
exceção à impenhorabilidade do bem de família, nos termos do
respectivo registro, das modificações realizadas em bens
art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90. STJ. 4ª Turma. REsp 1.473.484-RS,
imóveis submetidos à partilha como condição de
procedibilidade da ação de inventário. STJ. 3ª Turma. REsp Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/06/2018 (Info 631).
1.637.359-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 08/05/2018
(Info 625). DIVÓRCIO

Citação dos herdeiros por correio com aviso de recebimento Mesmo já havendo um acordo homologado sobre a partilha
Tendo sido declinados na petição inicial todos os dados de bens, é possível que seja feito um novo ajuste
pessoais indispensáveis à correta identificação dos herdeiros, posteriormente
inclusive os seus respectivos endereços, devem ser eles citados A coisa julgada material formada em virtude de acordo
pessoalmente por carta com aviso de recebimento, vedada a celebrado por partes maiores e capazes, versando sobre a
citação por oficial de justiça (porque comprometeria a duração partilha de bens imóveis privados e disponíveis e que fora
razoável do processo). STJ. 3ª Turma. REsp 1.584.088-MG, Rel. homologado judicialmente por ocasião de divórcio consensual,
Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626). não impede que haja um novo acordo sobre o destino dos
referidos bens. STJ. 3ª Turma. REsp 1.623.475-PR, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 17/04/2018 (Info 624).
SUCESSÃO DE COMPANHEIRO
Se o falecido deixou apenas companheira (sem ascendentes No regime de separação legal de bens, comunicam-se os
ou descendentes), ela herdará a totalidade da herança adquiridos na constância do casamento, DESDE QUE
Na falta de descendentes e ascendentes, será deferida a COMPROVADO O ESFORÇO COMUM PARA SUA AQUISIÇÃO
sucessão por inteiro ao cônjuge ou companheiro sobrevivente, No regime de separação legal de bens, comunicam-se os
não concorrendo com parentes colaterais do de cujus. STJ. 3ª adquiridos na constância do casamento, desde que comprovado
Turma. REsp 1.357.117-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, o esforço comum para sua aquisição. Esse esforço comum não
julgado em 13/03/2018 (Info 622) pode ser presumido. Deve ser comprovado. O regime de

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separação legal de bens (também chamado de separação 3ª Turma. REsp 1.501.549-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
obrigatória de bens) é aquele previsto no art. 1.641 do Código em 08/05/2018 (Info 625).
Civil. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro
Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), NOME
julgado em 23/05/2018 (recurso repetitivo) (Info 628).
Possibilidade de voltar o nome de solteira após a morte do
A revelia em ação de divórcio na qual se pretende, também, marido
a exclusão do patronímico adotado por ocasião do É admissível o restabelecimento do nome de solteiro na
casamento não significa concordância tácita com a hipótese de dissolução do vínculo conjugal pelo falecimento
modificação do nome civil. Ex: João da Silva Maier casou-se do cônjuge. Ex: Maria Pimentel da Costa casou-se com João
com Gabriela Ferreira. Gabriela adotou o patronímico de João e Ferreira. Com o casamento, ela incorporou o patronímico do
passou a se chamar Gabriela Ferreira Maier. O relacionamento marido e passou a chamar-se Maria da Costa Ferreira. Alguns
chegou ao fim e João ajuizou ação de divórcio contra Gabriela anos mais tarde, João faleceu. Maria poderá voltar a usar o
pedindo: a) que fosse decretado o divórcio; b) que Gabriela nome de solteira (Maria Pimentel da Costa), excluindo o
fosse condenada a retirar o patronímico “Maier” de seu nome. patronímico do falecido marido? Sim. Vale ressaltar que não há
Gabriela foi devidamente citada, mas não respondeu a ação. previsão legal para a retomada do nome de solteira em caso de
Correta a decisão do juiz que julga o pedido parcialmente morte do marido. A lei somente prevê a possibilidade de o
procedente decretando o divórcio, mas mantendo o sobrenome homem ou a mulher voltarem a usar o nome de solteiro (a) em
da ré. Principais argumentos: • o fato de o réu ter sido revel não caso de divórcio (art. 1.571, § 2º, do CC). Apesar disso, o STJ
significa, necessariamente, que o juiz tenha que acolher o entende que isso deve ser permitido. A viuvez e o divórcio são
pedido do autor; • o nome é considerado direito indisponível, hipóteses muito parecidas e envolvem uma mesma razão de ser:
tendo em vista ser direito da personalidade; • para que a dissolução do vínculo conjugal. Logo, não há justificativa
houvesse a retirada do sobrenome, seria necessária a plausível para que se trate de modo diferenciado as referidas
manifestação expressa da vontade da mulher; • a utilização do situações. STJ. 3ª Turma. REsp 1.724.718-MG, Rel. Min. Nancy
sobrenome do ex-marido por mais de 30 trinta anos pela ex- Andrighi, julgado em 22/05/2018 (Info 627).
mulher demonstra que há tempo ele está incorporado ao nome
dela, de modo que não mais se pode retirá-lo, sem que cause RETIFICAÇÃO DE REGISTRO CIVIL
evidente prejuízo para a sua identificação. STJ. 3ª Turma. REsp
É INADMISSÍVEL a homologação de acordo extrajudicial de
1.732.807-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/08/2018
retificação de registro civil de menor em juízo sem a
(Info 631)
observância dos requisitos e procedimento legalmente
Em regra, a ação de dissolução de vínculo conjugal tem instituído para essa finalidade. Ex: Sandro namorava Letícia,
natureza personalíssima, de modo que o legitimado ativo que ficou grávida. Ao nascer a criança, Sandro a registrou como
para o seu ajuizamento é, por excelência, o próprio cônjuge. sua filha. Alguns anos depois, por meio de um exame de DNA
Excepcionalmente, admite-se que o divórcio seja proposto feito em uma clínica particular, descobre-se que o pai biológico
pelo curador, na qualidade de representante processual do da menor é, na verdade, João. Diante disso, o pai registral, o pai
cônjuge. Justamente por ser excepcional o ajuizamento da biológico e a criança, representada por sua mãe, celebraram um
ação de dissolução de vínculo conjugal por terceiro em acordo extrajudicial de anulação de assento civil. Por intermédio
representação do cônjuge, deve ser restritiva a interpretação deste instrumento, as referidas partes acordaram que haveria a
da norma jurídica que indica os representantes processuais retificação do registro civil da menor para que houvesse a
habilitados a fazê-lo, não se admitindo, em regra, o substituição do nome de seu pai registral pelo pai biológico. As
ajuizamento da referida ação por quem possui apenas a partes ingressam com pedido para que o juiz homologasse esse
curatela provisória. Assim, em regra, a ação de divórcio não acordo. O pedido deverá ser negado. STJ. 3ª Turma. REsp
pode ser ajuizada por curador provisório. Isso pode ser 1.698.717-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/06/2018
admitido em situações excepcionais, quando houver prévia (Info 627).
autorização judicial e oitiva do Ministério Público. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.645.612-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, BEM DE FAMÍLIA
julgado em 16/10/2018 (Info 637)
O bem de família é IMPENHORÁVEL quando for dado em
garantia real de dívida por um dos sócios da pessoa jurídica,
SEGURO DE VIDA cabendo ao credor o ônus da prova de que o proveito se
É vedada a exclusão de cobertura do seguro de vida na reverteu à entidade familiar.
hipótese de sinistro ou acidente decorrente de atos O bem de família é PENHORÁVEL quando os únicos sócios da
praticados pelo segurado em estado de embriaguez. Tal empresa devedora são os titulares do imóvel hipotecado,
cláusula é abusiva, com base nos arts. 3º, § 2º, e 51, IV, do CDC. sendo ônus dos proprietários a demonstração de que não se
STJ. 2ª Seção. EREsp 973.725-SP, Rel. Min. Lázaro Guimarães beneficiaram dos valores auferidos.
(Desembargador Convocado Do TRF 5ª Região), julgado em Assim, é possível a penhora de bem de família dado em garantia
25/04/2018 (Info 625) hipotecária pelo casal quando os cônjuges forem os únicos
sócios da pessoa jurídica devedora. STJ. 2ª Seção. EAREsp
COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA 848.498-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
25/04/2018 (Info 627).
É juridicamente possível o pedido de alienação judicial de
bem imóvel objeto de compromisso de compra e venda. STJ. Não é penhorável o bem de família do fiador no caso de

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contratos de locação comercial. Em outras palavras, não é excepcional, sendo necessário que a parte demonstre
possível a penhora de bem de família do fiador em contexto de circunstâncias peculiares que indiquem o extrapolamento da
locação comercial. STF. 1ª Turma. RE 605709/SP, Rel. Min. Dias esfera exclusivamente patrimonial. STJ. 3ª Turma. REsp
Toffoli, red. p/ ac. Min. Rosa Weber, julgado em 12/6/2018 (Info 1.653.413-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
906). 05/06/2018 (Info 627).
Os direitos do devedor fiduciante sobre imóvel objeto de Agressões físicas e verbais perpetradas por jogador
contrato de alienação fiduciária em garantia possuem a profissional contra árbitro de futebol, na ocasião de disputa
proteção da impenhorabilidade do bem de família legal. Ex: de partida de futebol, constituem ato ilícito indenizável na
João fez um contrato de alienação fiduciária para aquisição de Justiça Comum, independentemente de eventual punição
uma casa; ele está morando no imóvel enquanto paga as aplicada na esfera da Justiça Desportiva. Caso concreto: na
prestações; enquanto não terminar de pagar, a casa pertence ao final do campeonato paulista de 2015, o jogador do Palmeiras,
banco; apesar disso, ou seja, a despeito de possuir apenas a após ser expulso, empurrou as costas do árbitro e proferiu
posse, os direitos de João sobre o imóvel não podem ser xingamentos contra ele. Vale ressaltar que a conclusão acima
penhorados porque incide a proteção do bem de família. STJ. 3ª exposta não é a regra, ou seja, não é toda agressão em uma
Turma.REsp 1.677.079-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, partida de futebol que gerará indenização por danos morais. O
julgado em 25/09/2018 (Info 635). STJ entendeu, na situação concreta, que a conduta do jogador
transbordou o mínimo socialmente aceitável em partidas de
CLÁUSULA PENAL futebol. Além disso, o evento no qual as agressões foram
perpetradas, final do Campeonato Paulista de Futebol,
Possibilidade de redução de ofício da cláusula penal
envolvendo dois dos maiores clubes do Brasil, foi televisionado
manifestamente excessiva
para todo o país, o que evidencia sua enorme audiência e, em
Constatado o caráter manifestamente excessivo da cláusula
consequência, o número de pessoas que assistiram o episódio.
penal contratada, o magistrado deverá, independentemente de
STJ. 3ª Turma. REsp 1.762.786-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
requerimento do devedor, proceder à sua redução.
Cueva, julgado em 23/10/2018 (Info 637)
Fundamento: CC/Art. 413. A penalidade deve ser reduzida
equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido Na hipótese de atraso de voo, não se admite a configuração
cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for do dano moral in re ipsa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.584.465-MG,
manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 (Info 638).
finalidade do negócio. STJ. 4ª Turma. REsp 1.447.247-SP, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/04/2018 (Info 627). DIREITO AO ESQUECIMENTO
Excepcionalmente, é possível que o Judiciário determine o
CONTRATOS rompimento do vínculo estabelecido por sites de busca
O falecimento do consignante não extingue a dívida decorrente entre o nome da pessoa, utilizado como critério exclusivo de
de contrato de crédito comsignado em folha de pagamento. busca, e a notícia desabonadora apontada nos resultados
STJ. 3ª Turma. REsp 1.498.200-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Determinada pessoa se envolveu em uma suspeita de fraude há
julgado em 05/06/2018 (Info 627). mais muitos anos, tendo sido inocentada das acusações. Ocorre
que todas as vezes que digita seu nome completo no Google e
Uma fábrica e um banco celebraram dois contratos:
demais provedores de busca, os primeiros resultados que
• ajuste 1: contrato de abertura de crédito (no qual havia uma
aparecem até hoje são de páginas na internet que trazem
cláusula compromissória).
reportagens sobre seu suposto envolvimento com a fraude.
• ajuste 2: contrato de swap (no qual não havia cláusula
Diante disso, ela ingressou com ação de obrigação de fazer
compromissória).
contra o Google pedindo a desindexação, nos resultados das
Foi reconhecido que havia coligação contratual entre os dois
aplicações de busca mantida pela empresa, de notícias
ajustes, sendo o contrato de swap dependente do contrato de
relacionadas às suspeitas de fraude no referido concurso.
abertura de crédito (ajuste principal). Nos contratos coligados,
Invocou, como fundamento, o direito ao esquecimento. O STJ
as partes celebram uma pluralidade de negócios jurídicos tendo
afirmou o seguinte: em regra, os provedores de busca da
por desiderato um conjunto econômico, criando entre eles
internet (ex: Google) não têm responsabilidade pelos resultados
efetiva dependência. Tendo sido reconhecida a coligação
de busca apresentados. Em outras palavras, não se pode atribuir
contratual, é possível que a cláusula compromissória prevista no
a eles a função de censor, obrigando que eles filtrem os
contrato principal (contrato de abertura de crédito) seja
resultados das buscas, considerado que eles apenas espelham o
estendida ao contrato de swap (dependente). Isso porque
conteúdo que existe na internet. A pessoa prejudicada deverá
ambos são integrantes de uma operação econômica única. STJ.
direcionar sua pretensão contra os provedores de conteúdo (ex:
3ª Turm
sites de notícia), responsáveis pela disponibilização do conteúdo
indevido na internet. Há, todavia, circunstâncias
RESPONSABILIDADE CIVIL excepcionalíssimas em que é necessária a intervenção pontual
Acidente de carro sem vítimas: danos morais devem ser do Poder Judiciário para fazer cessar o vínculo criado, nos
provados bancos de dados dos provedores de busca, entre dados
Os danos decorrentes de acidentes de veículos automotores pessoais e resultados da busca, que não guardam relevância
sem vítimas não caracterizam dano moral in re ipsa. Vale para interesse público à informação, seja pelo conteúdo
ressaltar que é possível a condenação de danos morais em casos eminentemente privado, seja pelo decurso do tempo. Nessas
de acidente de trânsito, no entanto, trata-se de situação situações excepcionais, o direito à intimidade e ao

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esquecimento, bem como a proteção aos dados pessoais deverá compra e venda de um imóvel (terreno) em um loteamento. O
preponderar, a fim de permitir que as pessoas envolvidas sigam contrato de compra e venda foi celebrado entre João e a
suas vidas com razoável anonimato, não sendo o fato sociedade empresária Constrói Ltda. Ocorre que neste contrato
desabonador corriqueiramente rememorado e perenizado por de compra e venda havia ainda um pacto adjeto (contrato
sistemas automatizados de busca. No caso concreto, o STJ acessório) de mútuo feneratício com garantia hipotecária, que
determinou que deveria haver a desvinculação da pesquisa com foi firmado entre João e a sociedade empresária Habitac Crédito
base no nome completo da autora com resultados que levassem Imobiliário S.A. Por força deste pacto adjeto, João recebeu da
às notícias sobre a fraude. Em outras palavras, o STJ afirmou o Habitac um empréstimo (mútuo) para adquirir o imóvel e, como
seguinte: o Google não precisa retirar de seus resultados as garantia de que iria pagar a dívida, deu o bem em hipoteca. A
notícias da autora relacionadas com a suposta fraude no ideia deste loteamento era a de que todas as casas ali
concurso. Mas para que esses resultados apareçam será construídas fossem parecidas e mantivessem uma qualidade
necessário que o usuário faça uma pesquisa específica com mínima. Assim, no contrato havia cláusulas dizendo os padrões
palavras-chaves que remetam à fraude. Por outro lado, se a que deveriam ser respeitados no momento da construção (ex:
pessoa digitar unicamente o nome completo da autora, sem construção toda em alvenaria, fachada com mármore ou granito
qualquer outro termo de pesquisa que remete à suspeita de etc). João construiu a sua casa no loteamento, mas não
fraude, não se deve mais aparecer os resultados relacionados respeitou os padrões previstos no contrato. O estilo da fachada
com este fato desabonador. Assim, podemos dizer que é não estava igual ao que determinava o projeto e os materiais
possível determinar o rompimento do vínculo estabelecido por empregados eram de menor qualidade que o exigido. Diante
provedores de aplicação de busca na internet entre o nome de disso, a empresa Habitac Crédito Imobiliário S.A. ajuizou ação de
prejudicado, utilizado como critério exclusivo de busca, e a obrigação de fazer contra João pedindo que ele fosse
notícia apontada nos resultados. O rompimento do referido condenado a reformar a casa a fim de deixá-la dentro dos
vínculo sem a exclusão da notícia compatibiliza também os padrões previstos no contrato. O STJ afirmou que a credora
interesses individual do titular dos dados pessoais e coletivo de hipotecária tem interesse de agir para propor esta ação. Isso
acesso à informação, na medida em que viabiliza a localização porque ela tem interesse jurídico na valorização do bem dado
das notícias àqueles que direcionem sua pesquisa fornecendo em garantia. Se o devedor não pagar a dívida, o bem dado em
argumentos de pesquisa relacionados ao fato noticiado, mas hipoteca será alienado. Logo, o credor hipotecário tem interesse
não àqueles que buscam exclusivamente pelos dados pessoais em que o imóvel seja construído de acordo com os padrões
do indivíduo protegido. STJ. 3ª Turma. REsp 1.660.168-RJ, Rel. estabelecidos para o loteamento a fim de que ele se mantenha
Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze, valioso e, em caso de inadimplemento, possa ser vendido por
julgado em 08/05/2018 (Info 628). um bom preço, pagando a dívida. STJ. 1ª Turma. REsp
1.400.607-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
MÚTUO FENERATÍCIO 17/05/2018 (Info 628).
Descabimento da repetição do indébito com os mesmos
encargos do contrato JUROS
Pessoa celebrou contrato de mútuo feneratício com instituição Réu foi condenado a pagar indenização acrescida de juros
financeira. Por algum motivo (ex: nulidade, ato ilícito, até o efetivo pagamento. O fato de o seu patrimônio ter
abusividade etc.) o mutuário ingressou com ação judicial sido bloqueado em outra ação judicial que trata sobre fatos
pedindo a resolução do contrato e a restituição das parcelas conexos não significa que os juros de mora devem deixar de
pagas. Se esta ação for julgada procedente, o mutuário terá ser computados naquele primeiro processo
direito de receber os valores pagos acrescidos de juros A mera notícia de decisão judicial determinando a
remuneratórios no mesmo percentual que era previsto no indisponibilidade forçada dos bens do réu, no cerne de outro
contrato para ser cobrado pelo banco mutuante? NÃO. O processo, com objeto e partes distintas, não possui o condão de
mutuário que celebrar contrato de mútuo feneratício com a interromper a incidência dos juros moratórios. STJ. 3ª Turma.
instituição financeira mutuante, não tem direito de pedir REsp 1.740.260-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado
repetição do indébito com os mesmos índices e taxas de em 26/06/2018 (Info 629).
encargos previstos no contrato. Tese aplicável a todo contrato
de mútuo feneratício celebrado com instituição financeira CONTRATO DE LOCAÇÃO
mutuante: “Descabimento da repetição do indébito com os
Locatário, ao ajuizar ação renovatória, deverá demonstrar a
mesmos encargos do contrato”. STJ. 2ª Seção. REsp 1.552.434-
quitação tributária, sendo suficiente, para tanto, a certidão
GO, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
de parcelamento fiscal
13/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 628).
A certidão de parcelamento fiscal é suficiente para suprir a
exigência prevista no inciso III do art. 71 da Lei nº 8.245/91 (Lei
HIPOTECA de Locações) para efeito do ajuizamento de ação renovatória de
Interesse de agir do credor hipotecário de que o imóvel locação empresarial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.698.814-SP, Rel. Min.
dado em garantia seja construído de acordo com os padrões Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/06/2018 (Info 629).
de qualidade previstos no contrato de compra e venda
A averbação do contrato com cláusula de vigência no
O credor hipotecário tem interesse de agir para propor ação em
registro de imóveis é imprescindível para que a locação
face do mutuário visando ao cumprimento de cláusula
possa ser oposta ao adquirente. É o que prevê a Lei nº
contratual que determina a observância dos padrões
8.245/91: Art. 8º Se o imóvel for alienado durante a locação, o
construtivos do loteamento. Ex: João celebrou contrato de
adquirente poderá denunciar o contrato, com o prazo de

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noventa dias para a desocupação, salvo se a locação for por termos deste artigo, até a data em que o fiduciário vier a ser
tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência imitido na posse. STJ. 3ª Turma. REsp 1696038/SP, Rel. Min.
em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 28/08/2018. STJ. 3ª
imóvel. STJ. 3ª Turma. REsp 1.669.612-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Turma. REsp 1.731.735-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
Bôas Cueva, julgado em 07/08/2018 (Info 632) 13/11/2018 (Info 638)

PROMESSA DE COMPRA E VENDA PRESCRIÇÃO


Se houver o desfazimento da promessa de compra e venda, É DECENAL o prazo prescricional aplicável às hipóteses de
o promitente vendedor terá que pagar ao proprietário a pretensão fundamentadas em inadimplemento contratual. É
taxa de ocupação pelo período em que esteve na posse do adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de
bem reparação civil advinda de responsabilidades contratual e
É devida a condenação ao pagamento de taxa de ocupação extracontratual.
(aluguéis) pelo período em que o comprador permanece na Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade
posse do bem imóvel, no caso de rescisão do contrato de CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/2002) que
promessa de compra e venda, independentemente de ter sido o prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de
vendedor quem deu causa ao desfazimento do negócio. Ex: responsabilidade extracontratual, aplica-se o disposto no art.
João e Pedro celebraram promessa de compra e venda de um 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos. Para fins de
apartamento. Pedro (promitente comprador) estava morando no prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser
imóvel há 6 meses e pagando regularmente as prestações. interpretado de forma restritiva, abrangendo apenas os casos de
Ocorre que o contrato foi desfeito por culpa de João. Todo o indenização decorrente de responsabilidade civil
valor pago por Pedro deverá ser devolvido, assim como ele terá extracontratual.
que ser indenizado pelas benfeitorias que realizou. Por outro Resumindo. O prazo prescricional é assim dividido:
lado, Pedro terá que pagar taxa de ocupação (aluguel) pelos • Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3
meses em que morou no apartamento. O fundamento para isso anos (art. 206, § 3º, V, do CC).
não está na culpa, mas sim na proibição do enriquecimento sem • Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual):
causa. STJ. 3ª Turma.REsp 1.613.613-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas 10 anos (art. 205 do CC). STJ. 2ª Seção. EREsp 1.280.825-RJ, Rel.
Bôas Cueva, julgado em 12/06/2018 (Info 629). Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018 (Info 632).

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA LEASING


Equipamento de monitoramento do veículo acoplado no É possível a descaracterização do contrato de arrendamento
caminhão é considerado pertença e, por isso, como regra, mercantil (leasing) se o prazo de vigência do acordo
não segue a sorte do principal celebrado não respeitar a vigência mínima estabelecida de
O equipamento de monitoramento acoplado em caminhão é acordo com a vida útil do bem arrendado. Nos termos do art.
qualificado como pertença e pode ser retirado pelo devedor 8º do anexo da Resolução nº 2.309/96 e art. 23 da Lei nº
fiduciante que o colocou. CC/Art. 94. Os negócios jurídicos que 6.099/74, o prazo mínimo de vigência do contrato de
dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, arrendamento mercantil financeiro é de (i) dois anos, quando se
salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, tratar de bem com vida útil igual ou inferior a cinco anos, e (ii)
ou das circunstâncias do caso. STJ. 3ª Turma. REsp 1.667.227-RS, de três anos, se o bem arrendado tiver vida útil superior a cinco
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/06/2018 (Info anos. Caso concreto: o bem arrendado (pá-escavadeira) possui
629). vida útil superior a cinco anos. Apesar disso, o ajuste previa o
arrendamento pelo prazo de apenas dois anos. Logo, foi
O credor fiduciário, no contrato de alienação fiduciária de
desrespeitada a Resolução, ficando descaracterizado o contrato
bem imóvel, tem responsabilidade pelo pagamento das
de arrendamento mercantil. Ficando descaracterizado o leasing,
despesas condominiais deixadas pelo devedor fiduciante?
é possível cobrar ICMS sobre esta operação. STJ. 2ª Turma. REsp
NÃO.
1.569.840-MT, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em
• A responsabilidade pelo pagamento das despesas
16/08/2018 (Info 632)
condominiais recai sobre o devedor fiduciante enquanto
estiver na posse direta do imóvel.
• O credor fiduciário somente responde pelas dívidas MANDATO
condominiais incidentes sobre o imóvel se consolidar a Nas ações de indenização do mandante contra o mandatário
propriedade para si, tornando-se o possuidor direto do bem. incide o prazo prescricional de 10 anos, previsto no art. 205
Assim, a responsabilidade do credor fiduciário pelo do Código Civil, por se tratar de responsabilidade
pagamento das despesas condominiais dá-se quando da proveniente de relação contratual. Neste caso, o prazo
consolidação de sua propriedade plena quanto ao bem dado prescricional tem início não no momento em que o acordo
em garantia, ou seja, quando de sua imissão na posse do foi homologado, mas sim a data em que a vítima soube que
imóvel. havia sido prejudicada. Isso com base na chamada teoria da
É o que prevê o § 8º do art. 27 da Lei nº 9.514/97: actio nata. O fato de o advogado-mandatário ostentar
§ 8º Responde o fiduciante pelo pagamento dos impostos, procuração com poderes para transigir não afasta a
taxas, contribuições condominiais e quaisquer outros responsabilidade pelos prejuízos causados por culpa sua ou de
encargos que recaiam ou venham a recair sobre o imóvel, pessoa para quem substabeleceu, nos termos dos arts. 667 do
cuja posse tenha sido transferida para o fiduciário, nos Código Civil e 32, caput, do Estatuto da Advocacia. A

29
responsabilidade pelos danos decorrentes do abuso de A interpretação deste art. 1.911 nos permite chegar a quatro
poder pelo mandatário independe da prévia anulação conclusões:
judicial do ato praticado, pois o prejuízo não decorre de a) há possibilidade de imposição autônoma das cláusulas de
eventual nulidade, mas sim da violação dos deveres inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade, a
subjacentes à relação jurídica entre o advogado e o critério do doador/instituidor. Em outras palavras, o
assistido. Caso concreto: advogado celebrou acordo prejudicial doador/instituidor pode impor só uma, só duas ou as três
ao cliente, por meio do qual renunciou a crédito consolidado cláusulas.
em sentença com remota possibilidade de reversão, em virtude b) uma vez aposto o gravame da inalienabilidade,
de ajuste espúrio realizado com a parte contrária. STJ. 3ª Turma. pressupõe-se, ex vi lege (por força de lei), automaticamente,
REsp 1.750.570-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado a impenhorabilidade e a incomunicabilidade. Assim, se tiver
em 11/09/2018 (Info 633) sido imposta cláusula de inalienabilidade ao imóvel, isso
significa que ele, obrigatoriamente, será também
INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA impenhorável e incomunicável.
c) a inserção exclusiva da proibição de não penhorar e/ou
O incorporador só se acha habilitado a negociar unidades
não comunicar não gera a presunção da inalienabilidade. A
autônomas do empreendimento imobiliário depois que
aposição da cláusula de impenhorabilidade e/ou
registrar, no Registro de Imóveis, os documentos elencados no
incomunicabilidade em ato de liberalidade não importa,
art. 32 da Lei nº 4.591/64. Descumprida essa exigência legal,
automaticamente, na cláusula de inalienabilidade.
impõe-se a aplicação da multa do art. 35, § 5º, da mesma lei. É
d) a instituição autônoma da impenhorabilidade, por si só,
decenal o prazo prescricional aplicável à ação do adquirente
não pressupõe a incomunicabilidade e vice-versa. STJ. 4ª
contra a incorporadora que visa a cobrança da multa
Turma. REsp 1.155.547-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em
prevista no art. 35, § 5º, da Lei nº 4.591/64. Fundamento: art.
06/11/2018 (Info 637).
205 do Código Civil. Não se aplica o art. 27 do CDC porque este
dispositivo é restrito às ações que busquem a reparação de
danos causados por fato do produto ou do serviço e essa CURATELA
situação não se enquadra como fato do produto ou serviço (não O art. 1.783 do CC prevê que se o curador for o cônjuge do
se trata de acidente de consumo). STJ. 3ª Turma. REsp curatelado e eles forem casados sob o regime da comunhão
1.497.254-ES, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em universal, em regra, ele não será obrigado à prestação de contas
18/09/2018 (Info 633). dos bens administrados durante a curatela, “salvo determinação
judicial” que o obrigue a prestar.
DIREITO REAL DE HABITAÇÃO O STJ identificou duas situações nas quais o juiz poderá
determinar a prestação de contas. Assim, o magistrado
O reconhecimento do direito real de habitação, a que se
poderá (deverá) decretar a prestação de contas pelo cônjuge
refere o art. 1.831 do Código Civil, não pressupõe a
curador, resguardando o interesse prevalente do curatelado
inexistência de outros bens no patrimônio do
e a proteção especial do interdito quando:
cônjuge/companheiro sobrevivente. Em outras palavras,
a) houver qualquer indício ou dúvida de malversação dos
mesmo que o cônjuge ou companheiro sobrevivente possua
bens do incapaz, com a periclitação de prejuízo ou desvio de
outros bens, ele terá direito real de habitação. Isso se justifica
seu patrimônio, no caso de bens comuns; e
porque o objetivo da lei é permitir que o cônjuge/companheiro
b) se tratarem de bens incomunicáveis, excluídos da
sobrevivente permaneça no mesmo imóvel familiar que residia
comunhão, ressalvadas situações excepcionais. STJ. 4ª Turma.
ao tempo da morte como forma, não apenas de concretizar o
REsp 1.515.701-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
direito constitucional à moradia, mas também por razões de
02/10/2018 (Info 637).
ordem humanitária e social, já que não se pode negar a
existência de vínculo afetivo e psicológico estabelecido pelos
cônjuges/companheiros com o imóvel em que, no transcurso de
sua convivência, constituíram não somente residência, mas um
lar. STJ. 3ª Turma.REsp 1.582.178-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 11/09/2018 (Info 633).

OCUPAÇÃO INDEVIDA DE BEM PÚBLICO


Súmula 619-STJ: A ocupação indevida de bem público
configura mera detenção, de natureza precária,
INSUSCETÍVEL DE RETENÇÃO OU INDENIZAÇÃO POR
ACESSÕES E BENFEITORIAS. STJ. Corte Especial. Aprovada em
24/10/2018, DJe 30/10/2018.

DOAÇÃO
O art. 1.911 do Código Civil estabelece:
Art. 1.911. A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por
ato de liberalidade, implica impenhorabilidade e
incomunicabilidade.

30
Processo Civil mensalidades; em caso de atraso, a escola poderá ingressar com
execução tanto contra a mãe como contra o pai do aluno,
RECLAMAÇÃO considerando que existe uma solidariedade legal do casal
Em 2010, no julgamento da ADC 16, o STF decidiu que o art. 71, quanto às despesas com a educação do filho (arts. 1.643 e 1.644
§ 1º, da Lei nº 8.666/93 é constitucional. do CC). STJ. (Info 618).
Várias decisões da Justiça do Trabalho continuaram entendendo
Em regra, o prazo para cumprimento voluntário da sentença é
de forma diferente do art. 71, § 1º. Contra essas decisões, o
de 15 dias úteis (art. 523 do CPC). Se os devedores forem
Poder Público ajuizava diretamente reclamações no STF, que era
litisconsortes com diferentes procuradores, de escritórios de
obrigado a recebê-las, considerando que de uma decisão, até
advocacia distintos, este prazo de pagamento deverá ser
mesmo de 1ª instância, que viola o que o STF deliberou em sede
contado em dobro, nos termos do art. 229 do CPC/2015,
de ADI, ADC ou ADPF, cabe reclamação.
desde que o processo seja físico. Assim, o prazo comum para
Em 2017, o STF reafirmou o entendimento de que o art. 71, § 1º,
cumprimento voluntário de sentença deverá ser computado em
da Lei nº 8.666/93 é constitucional e deve ser aplicado. Isso foi
dobro (ou seja, em 30 dias úteis) no caso de litisconsortes com
no julgamento do RE 760931/DF, submetido à sistemática da
procuradores distintos, em autos físicos. (Info 619).
repercussão geral.
O STF afirmou que a sua decisão no RE 760931/DF “substituiu” a Cabe habeas corpus para impugnar decisão judicial que
eficácia da tese fixada na ADC 16. Isso significa que agora o determinou a retenção de passaporte
Poder Público, se quiser ajuizar reclamação discutindo o tema, Em regra, não se admite a utilização de habeas corpus como
deverá fazê-lo alegando violação ao RE 760931/DF (e não mais à substituto de recurso próprio, ou seja, se cabia um recurso para
ADC 16). impugnar a decisão, não se pode aceitar que a parte
Qual a desvantagem disso para o Poder Público: prejudicada impetre um HC. Exceção: se, no caso concreto, a
• Em caso de descumprimento de decisão do STF proferida decisão impugnada for flagrantemente ilegal, gerando prejuízo
em ADI, ADC, ADPF: cabe reclamação mesmo que a decisão à liberdade do paciente, o Tribunal deverá conceder o habeas
“rebelde” seja de 1ª instância. Não se exige o esgotamento corpus de ofício. O acautelamento de passaporte é medida
de instâncias. que limita a liberdade de locomoção, razão pela qual pode,
• Em caso de descumprimento de decisão do STF proferida no caso concreto, significar constrangimento ilegal e
em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão arbitrário, sendo o habeas corpus via processual adequada
geral: cabe reclamação, mas exige-se o esgotamento das para essa análise. Isso vale não apenas para decisões
instâncias ordinárias (art. 988, § 5º, II, do CPC/2015). criminais como também cíveis. STJ. 4ª Turma. RHC 97.876-SP,
Assim, agora, a Fazenda Pública terá que esgotar as instâncias Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 05/06/2018 (Info 631).
ordinárias para ajuizar reclamação discutindo esse tema. É
inviável reclamação com fundamento em afronta ao julgado da Não cabe habeas corpus para impugnar decisão judicial que
ADC 16. STF. (Info 888). determinou a suspensão de CNH
A suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não
EXECUÇÃO configura ameaça ao direito de ir e vir do titular. Isso
porque mesmo com a decretação da medida, o sujeito
A pequena propriedade rural é impenhorável (art. 5º, XXVI, da
continua com a liberdade de ir e vir, para todo e qualquer
CF/88 e o art. 833, VIII, do CPC) mesmo que a dívida
lugar, desde que não o faça como condutor do veículo. Logo,
executada não seja oriunda da atividade produtiva do
não cabe habeas corpus contra decisão que determina a
imóvel. De igual modo, a pequena propriedade rural é
apreensão de CNH. STJ. 4ª Turma. RHC 97.876-SP, Rel. Min. Luis
impenhorável mesmo que o imóvel não sirva de moradia ao
Felipe Salomão, julgado em 05/06/2018 (Info 631). STJ. 5ª
executado e à sua família. Desse modo, para que o imóvel
Turma. HC 383.225/MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
rural seja impenhorável, nos termos do art. 5º, XXVI, da CF/88 e
04/05/2017.
do art. 833, VIII, do CPC, é necessário que cumpra apenas dois
requisitos cumulativos:
É ilegal medida coercitiva de retenção do passaporte em
1) seja enquadrado como pequena propriedade rural, nos
decisão não fundamentada e que não observou o
termos definidos pela lei; e
contraditório, proferida no bojo de execução por título
2) seja trabalhado pela família. STJ. (Info 616).
extrajudicial
Se a parte exequente manifestar desinteresse na adjudicação e Revela-se ilegal e arbitrária a medida coercitiva de suspensão do
na alienação particular do imóvel penhorado, ela poderá, desde passaporte proferida no bojo de execução por título
logo, requerer sua alienação em leilão judicial (antiga extrajudicial (duplicata de prestação de serviço), por restringir
alienação em hasta pública). Isso porque o CPC confere ao direito fundamental de ir e vir de forma desproporcional e não
credor a faculdade de se valer da alienação por iniciativa razoável. Não tendo sido demonstrado o esgotamento dos
particular, mas não impede que o credor opte, desde logo, pela meios tradicionais de satisfação, a medida não se comprova
alienação judicial (alienação em hasta pública). STJ. (Info 617). necessária. Para que o julgador se utilize de meios executivos
A execução de título extrajudicial por inadimplemento de atípicos, a decisão deve ser fundamentada e sujeita ao
mensalidades escolares de filhos do casal pode ser contraditório, demonstrando-se a excepcionalidade da medida
redirecionada ao outro consorte, ainda que não esteja adotada em razão da ineficácia dos meios executivos típicos,
nominado nos instrumentos contratuais que deram origem sob pena de configurar-se como sanção processual. Vale
à dívida. Ex: mãe assina contrato com a escola e termo de ressaltar que o juiz até poderá, eventualmente, decretar a
confissão de dívida se comprometendo a pagar as retenção do passaporte do executado desde que: • seja

31
obedecido o contraditório e • a decisão proferida seja • Não é possível fracionar o crédito de honorários
fundamentada e adequada, demonstrando-se a advocatícios em litisconsórcio ativo facultativo simples em
proporcionalidade dessa medida para o caso concreto. STJ. execução contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do
4ª Turma. RHC 97.876-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado precatório. Corrente adotada na 2ª Turma do STF. STF. 1ª
em 05/06/2018 (Info 631). Turma. RE 913536/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso, julgado em 24/6/2018 (Info 908). STF. 2ª
É possível a penhora, determinada por juízo da execução cível,
Turma. RE 949383 AgR/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
no rosto dos autos de execução trabalhista de reclamante
17/5/2016 (Info 826).
falecido, devendo a análise da qualidade do crédito e sua
eventual impenhorabilidade ser feita pelo juízo do inventário. A sentença transitou em julgado condenando a parte a pagar
STJ. 3ª Turma. REsp 1.678.209-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso "custas processuais", sem falar sobre os honorários periciais. É
Sanseverino, julgado em 02/10/2018 (Info 634). possível que esses honorários periciais sejam cobrados da parte
sucumbente mesmo não tendo sido expressamente
O art. 649, IV, do CP/1973 previa que as verbas de natureza
mencionados na sentença? SIM. É adequada a inclusão dos
salarial do executado eram impenhoráveis. O § 2º do art. 649
honorários periciais em conta de liquidação mesmo quando
previa uma exceção explícita e dizia que era possível a penhora
o dispositivo de semtença com trânsito em julgado condena
da verba salarial do devedor para pagamento de prestação
o vencido, genericamente, ao pagamento de custas
alimentícia. O STJ, interpretando esse dispositivo, afirmou que é
processuais. STJ. Corte Especial. EREsp 1.519.445-RJ, Rel. Min.
possível a penhora das verbas salariais do devedor para
Og Fernandes, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em
pagamento de outras dívidas, além da prestação alimentícia,
19/09/2018 (Info 635).
desde que essa penhora preserve um valor que seja
suficiente para o devedor e sua família continuarem vivendo O § 2º do art. 82 do CPC/2015 prevê que: “a sentença
com dignidade. Nas palavras do STJ: a regra geral da condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que
impenhorabilidade de salários, vencimentos, proventos etc. antecipou.” O sucumbente deve arcar também com os
do devedor (art. 649, IV, do CPC/1973) (art. 833, IV, do CPC/ honorários contratuais que foram pagos pela parte vencedora?
2015), também pode ser excepcionada quando for Não. O vencido deverá pagar apenas os honorários
preservado percentual de tais verbas capaz de dar guarida à sucumbenciais. Os honorários advocatícios contratuais não
dignidade do devedor e de sua família. Ex: Flávio recebe se incluem nas despesas processuais do art. 82, § 2º, do CPC/
salário de R$ 30 mil por mês. Ricardo ajuizou execução contra 2015 (art. 20 do CPC/1973). STJ. 3ª Turma. REsp 1.571.818-MG,
Flávio. O juiz determinou a penhora de 30% do salário de Flávio, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/10/2018 (Info 636)
todos os meses, até que a dívida que está sendo executada seja
paga. O STJ entendeu que essa penhora é válida e que não RECURSOS
violou o art. 649, IV, do CPC/1973. STJ. Corte Especial. EREsp
É admissível a interposição de agravo de instrumento contra
1.582.475-MG, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
decisão que não concede efeito suspensivo aos embargos à
03/10/2018 (Info 635)
execução. As hipóteses em que cabe agravo de instrumento
estão previstas art. 1.015 do CPC/2015, que traz um rol taxativo.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Apesar de ser um rol exaustivo, é possível que as hipóteses
Configura supressão de grau de jurisdição o arbitramento trazidas nos incisos desse artigo sejam lidas de forma ampla,
no STJ de honorários de sucumbência com base no com base em uma interpretação extensiva. Assim, é cabível
CPC/2015, na hipótese em que as instâncias ordinárias agravo de instrumento contra decisão que não concede efeito
utilizaram equivocadamente o CPC/1973 para a sua fixação. suspensivo aos embargos à execução com base em uma
STJ. (Info 617). interpretação extensiva do inciso X do art. 1.015: Art. 1.015. Cabe
agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que
Execução de honorários sucumbenciais e fracionamento
versarem sobre: X - concessão, modificação ou revogação do
Imagine que 30 pessoas, em litisconsórcio ativo facultativo,
efeito suspensivo aos embargos à execução; STJ. (Info 617).
propuseram uma ação ordinária contra determinada autarquia
estadual. Desse modo, 30 pessoas que poderiam litigar É cabível a interposição de agravo de instrumento contra
individualmente contra a ré, decidiram se unir e contratar um só decisão relacionada à definição de competência, a despeito
advogado para propor a ação conjuntamente. A ação foi julgada de não previsto expressamente no rol do art. 1.015 do CPC/
procedente, condenando a entidade a pagar "XX" reais ao grupo 2015. Apesar de não previsto expressamente no rol do art. 1.015
de 30 pessoas. Na mesma sentença, a autarquia foi condenada a do CPC/2015, a decisão interlocutória que acolhe ou rejeita a
pagar R$ 600 mil reais de honorários advocatícios alegação de incompetência desafia recurso de agravo de
sucumbenciais ao advogado dos autores que trabalhou no instrumento, por uma interpretação analógica ou extensiva da
processo. O advogado dos autores, quando for cobrar seus norma contida no inciso III do art. 1.015 do CPC/2015, já que
honorários advocatícios, terá que executar o valor total (R$ 600 ambas possuem a mesma ratio -, qual seja, afastar o juízo
mil) ou poderá dividir a cobrança de acordo com a fração que incompetente para a causa, permitindo que o juízo natural e
cabia a cada um dos clientes (ex: eram 30 autores na ação; logo, adequado julgue a demanda. STJ.
ele poderá ingressar com 30 execuções cobrando R$ 20 mil em
Não cabe recurso extraordinário contra decisão do TST que
cada)?
julga processo administrativo disciplinar instaurado contra
• É válido o fracionamento dos honorários advocatícios em
magistrado trabalhista. Compete ao STF julgar, mediante
litisconsórcio simples facultativo, por se tratar de cumulação
recurso extraordinário, as “causas” decididas em única ou
de ações com o mesmo pedido. Posição da 1ª Turma do STF.
última instância (art. 102, III, da CF/88). O vocábulo “causa”

32
referido no inciso III do art. 102 da CF/88 só abrange processos cabimento de mandado de segurança Com a entrada em vigor
judiciais, razão pela qual é incabível a interposição de do CPC/2015, e antes da decisão do STJ no REsp 1704520/MT,
recursos extraordinários contra acórdãos proferidos pelos havia dúvida razoável na doutrina e na jurisprudência sobre o
Tribunais em processos administrativos, inclusive aqueles de cabimento ou não de agravo de instrumento contra a decisão
natureza disciplinar instaurados contra magistrados. STF. (Info interlocutória que examinava competência. Diante disso, era
892). possível a impetração de mandado de segurança contra decisão
interlocutória que examinava competência. Vale ressaltar,
Multa do § 2º do art. 557 do CPC/1973 (§ 4º do art. 1.021 do
contudo, que essa possibilidade de impetração de MS deixou de
CPC/2015) e Fazenda Pública
existir com a publicação do REsp 1704520/MT (DJe 19/12/2018).
Se o Poder Público for condenado ao pagamento da multa do §
STJ. 4ª Turma. RMS 58.578-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em
2º do art. 557 do CPC/1973 (§ 4º do art. 1.021 do CPC/2015), a
18/10/2018 (Info 636).
interposição de outros recursos ficará condicionada ao depósito
prévio do respectivo valor?
CPC/1973: SIM PRECATÓRIOS
Havendo condenação da Fazenda Pública ao pagamento da Incidem os juros da mora no período compreendido entre a
multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC 1973, a interposição de data da realização dos cálculos e a da requisição de pequeno
qualquer outro recurso fica condicionada ao depósito prévio do valor (RPV) ou do precatório. STF. (Info 861). STJ. (Info 617).
respectivo valor. O prévio depósito da multa também é devido Obs: cuidado para não confundir com a SV 17: Durante o
pela Fazenda Pública. STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 553.788-DF, período previsto no parágrafo 1º (obs: atual § 5º) do artigo 100
Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 16/10/2014 (Info 551). da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios
STF. 2ª Turma. ARE 931830 AgR/PB, Rel. Min. Dias Toffoli, que nele sejam pagos. O período de que trata este RE
julgado em 21/8/2018 (Info 912). 579431/RS é anterior à requisição do precatório, ou seja,
CPC/2015: NÃO anterior ao interregno tratado pela SV 17.
Veja o que diz o CPC/2015: Art. 1.021 (...) § 4º Quando o agravo
interno for declarado manifestamente inadmissível ou RPV
improcedente em votação unânime, o órgão colegiado, em
Os Estados-membros podem editar leis reduzindo a quantia
decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar ao
considerada como de pequeno valor, para fins de RPV,
agravado multa fixada entre um e cinco por cento do valor
prevista no art. 87 do ADCT da CF/88. É lícito aos entes
atualizado da causa. § 5º A interposição de qualquer outro
federados fixar o valor máximo para essa especial modalidade
recurso está condicionada ao depósito prévio do valor da multa
de pagamento, desde que se obedeça ao princípio
prevista no § 4º, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário
constitucional da proporcionalidade. Ex: Rondônia editou lei
de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final.
estadual prevendo que, naquele Estado, as obrigações
É cabível a interposição de agravo de instrumento contra consideradas como de pequeno valor para fins de RPV seriam
decisões interlocutórias em processo falimentar e aquelas de até 10 salários-mínimos. Assim, a referida Lei reduziu
recuperacional, ainda que não haja previsão específica de de 40 para 10 salários-mínimos o crédito decorrente de
recurso na Lei nº 11.101/2005 (LREF). Fundamento: sentença judicial transitada em julgado a ser pago por meio de
interpretação extensiva do art. 1.015, parágrafo único, do RPV. O STF entendeu que essa redução foi constitucional. STF.
CPC/2015. STJ. 4ª Turma. REsp 1.722.866-MT, Rel. Min. Luis (Info 890)
Felipe Salomão, julgado em 25/09/2018 (Info 635).
É inaplicável a contagem do prazo recursal em dobro AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE
quando apenas um dos litisconsortes com procuradores O terreno do proprietário foi invadido por inúmeras pessoas de
distintos sucumbe. Nesse sentido existe, inclusive, uma súmula baixa renda. O proprietário ingressou com ação de reintegração
do STF, cujo entendimento continua válido com o CPC/2015: de posse, tendo sido concedida a medida liminar, mas nunca
Súmula 641-STF: Não se conta em dobro o prazo para recorrer, cumprida mesmo após vários anos. Vale ressaltar que o
quando só um dos litisconsortes haja sucumbido. Ex: ação de Município e o Estado fizeram toda a infraestrutura para a
cobrança proposta contra Pedro e Tiago. Na sentença, o juiz permanência das pessoas no local. Diante disso, o juiz, de ofício,
julga procedente quanto a Pedro e improcedente no que tange converteu a ação reintegratória em indenizatória
a Tiago. Pedro, única parte sucumbente, não terá direito a prazo (desapropriação indireta), determinando a emenda da inicial, a
em dobro. STJ. 3ª Turma. REsp 1.709.562-RS, Rel. Min. Nancy fim de promover a citação do Município e do Estado para
Andrighi, julgado em 16/10/2018 (Info 636) apresentar contestação e, em consequência, incluí-los no polo
passivo da demanda. O STJ afirmou que isso estava correto e
O rol do art. 1.015 do CPC é de TAXATIVIDADE MITIGADA,
que a ação possessória pode ser convertida em indenizatória
por isso admite a interposição de agravo de instrumento
(desapropriação indireta) - ainda que ausente pedido
quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do
explícito nesse sentido - a fim de assegurar tutela
julgamento da questão no recurso de apelação. STJ. Corte
alternativa equivalente (indenização) ao particular que teve
Especial. REsp 1704520/MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
suas térreas invadidas. (Info 619).
em 05/12/2018 (recurso repetitivo).
Obs: a tese jurídica fixada e acima explicada somente se
aplica às decisões interlocutórias proferidas após a COMPETÊNCIA
publicação do REsp 1704520/MT, o que ocorreu no DJe Compete à Justiça Comum Estadual o exame e o julgamento
19/12/2018. Antes da decisão acima, o STJ chegou a admitir o de feito que discute direitos de ex-empregado aposentado ou

33
demitido sem justa causa de permanecer em plano de saúde aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública,
coletivo oferecido pela própria empresa empregadora aos excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-
trabalhadores ativos, na modalidade de autogestão.(Info 620). tributária.
Ações condenatórias em geral
Compete à Justiça Comum (e não à Justiça do Trabalho) julgar
As condenações judiciais de natureza administrativa em geral
as ações propostas por ferroviários pensionistas e aposentados
sujeitam-se aos seguintes encargos:
das antigas ferrovias do Estado de São Paulo, que foram
a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção
absorvidas pela Ferrovia Paulista S/A, sucedida pela extinta Rede
monetária de acordo com os índices previstos no Manual de
Ferroviária Federal, com vistas à complementação de suas
Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do
pensões e aposentadorias em face da União. O STF entendeu
IPCA-E a partir de janeiro/2001;
que esta é uma causa oriunda de uma relação estatutária. Assim,
b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à
não há relação de trabalho que justifique a competência da
vigência da Lei nº 11.960/2009: juros de mora correspondentes
Justiça laboral. STF. (Info 895).
à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice;
Competência da Justiça comum para julgar incidência de c) no período posterior à vigência da Lei nº 11.960/2009: juros
contribuição previdenciária relacionada com de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de
complementação de proventos poupança; correção monetária com base no IPCA-E.
Compete à justiça comum (e não à Justiça do Trabalho) o Servidores e empregados públicos
julgamento de comflito de interesses a envolver a incidência de As condenações judiciais referentes a servidores e empregados
contribuição previdenciária, considerada a complementação de públicos sujeitam-se aos seguintes encargos:
proventos. Caso concreto: Estado-membro editou lei instituindo a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização
contribuição previdenciária de 11% sobre o valor da simples); correção monetária: índices previstos no Manual de
complementação da aposentadoria dos ex-empregados de uma Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do
sociedade de economia mista. Os ex-empregados prejudicados IPCA-E a partir de janeiro/2001;
ingressaram com ações questionando essa cobrança. O STF b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês;
afirmou que a discussão em tela tem natureza tributária, o que correção monetária: IPCA-E;
atrai a competência da Justiça comum, uma vez que no caso c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da
não se discutem verbas de natureza trabalhista, mas a incidência caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E.
de contribuição social (espécie de tributo). STF. Plenário. RE Desapropriações
594435/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/5/2018 (Info No tocante às condenações judiciais referentes a
903). desapropriações diretas e indiretas, relativamente à correção
monetária, incidem, em síntese, os índices previstos no Manual
Demanda contra as operadoras de plano de saúde de
de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência
autogestão: Justiça comum
do IPCA-E a partir de janeiro de 2001.
Compete à Justiça Comum Estadual o julgamento de demanda
Em relação aos juros de mora, de acordo com o Manual de
com natureza predominantemente civil entre ex-empregado
Cálculos da Justiça Federal, aplicam-se os seguintes índices:
aposentado ou demitido sem justa causa e operadoras de plano
a) até dezembro/2009: 0,5% (capitalização simples), nos termos
de saúde na modalidade autogestão vinculadas ao empregador.
do art. 15-B do Decreto-Lei n. 3.365/1941;
STJ. 2ª Seção. CC 157.664-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
b) janeiro/2010 a abril/2012: 0,5% (capitalização simples), nos
em 23/05/2018 (Info 627). Compete à Justiça Comum Estadual o
termos do art. 97, § 16, do ADCT (incluído pela EC n. 62/2009),
exame e o julgamento de feito que discute direitos de ex-
combinado com a Lei n. 8.177/1991;
empregado aposentado ou demitido sem justa causa de
c) a partir de maio/2012: o mesmo percentual de juros
permanecer em plano de saúde coletivo oferecido pela própria
incidentes sobre a caderneta de poupança, capitalizados de
empresa empregadora aos trabalhadores ativos, na modalidade
forma simples, correspondentes a:
de autogestão. STJ. 3ª Turma. REsp 1.695.986-SP, Rel. Min.
i) 0,5% ao mês, caso a taxa SELIC ao ano seja superior a 8,5%;
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/02/2018 (Info 620).
ii) 70% da taxa SELIC ao ano, mensalizada, nos demais casos,
nos termos do art. 97, § 16, do ADCT (incluído pela EC n.
FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO 62/2009), combinado com a Lei n. 8.177/1991, com alterações
O índice de correção monetária previsto no art. 1º-F da Lei da MP n. 567/2012 convertida na Lei n. 12.703/2012. No que
9.494/97 (TR) não pode ser aplicado para condenações impostas concerne aos juros compensatórios, os índices previstos são os
à Fazenda Pública seguintes:
O art. 1º-F da Lei nº 9.494/1997 (com redação dada pela Lei nº a) até 10/06/1997: 1% (capitalização simples), nos termos da
11.960/2009), para fins de correção monetária, não é Súmula n. 618/STF e Súmula n. 110 do extinto TFR;
aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda b) 11/06/1997 a 13/09/2001: 0,5% (capitalização simples), nos
Pública, independentemente de sua natureza. termos do art. 15-A, do Decreto-Lei n. 3.365/41, introduzido
Os juros de mora previstos no art. 1º-F da Lei 9.494/97 podem ser pela MP n. 1.577/97 e suas sucessivas reedições;
aplicados para condenações impostas à Fazenda Pública, com c) a partir de 14/09/2001: 1% (capitalização simples), nos termos
exceção de matéria tributária da ADI 2.332/DF, REsp 1.111.829/SP e Súmula n. 408/STJ.
O art. 1º-F da Lei nº 9.494/1997 (com redação dada pela Lei nº Matéria previdenciária
11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza
juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de
índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, correção monetária, no que se refere ao período posterior à

34
vigência da Lei nº 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei nº O estrangeiro residente no Brasil possui direito à gratuidade
8.213/91. Quanto aos juros de mora, no período posterior à da justiça. Isso é previsto no CPC/2015 e também já era
vigência da Lei nº 11.960/2009, incidem segundo a remuneração garantido na Lei nº 1.060/50. E o estrangeiro não residente no
oficial da caderneta de poupança. Indébito tributário Brasil? Lei 1.060/50: Não tinha direito. Só poderia ser deferida a
A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes gratuidade da justiça para estrangeiros residentes no Brasil (art.
na repetição de indébitos tributários devem corresponder às 2º). CPC/2015: possui o direito. Atualmente, pode ser deferida a
utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não gratuidade da justiça para estrangeiros residentes ou não-
havendo disposição legal específica, os juros de mora são residentes no Brasil (art. 98). A gratuidade da justiça passou a
calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). poder ser concedida a estrangeiro não residente no Brasil após
Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação a entrada em vigor do CPC/2015. STJ. Corte Especial. Pet 9.815-
da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 29/11/2017 (Info
sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 622).
(Info 620).
INQUÉRITO CIVIL
PROCESSO COLETIVO O art. 9º-A da Resolução 23/2007, incluído pela Resolução
Uma associação que tenha fins específicos de proteção ao 126/2015, é constitucional
consumidor NÃO POSSUI LEGITIMIDADE para o ajuizamento A Resolução 23/2007-CNMP disciplina, no âmbito do Ministério
de ação civil pública com a finalidade de tutelar interesses Público, a instauração e tramitação do inquérito civil. A
coletivos de beneficiários do seguro DPVAT. Isso porque o Resolução 126/2015-CNMP alterou a Resolução 23/2007 e
seguro DPVAT não tem natureza consumerista, faltando, determinou que, se após instaurar o inquérito civil ou o
portanto, pertinência temática. STJ. (Info 618). procedimento preparatório, o membro que o preside concluir
ser atribuição de outro Ministério Público, deverá submeter sua
Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil
decisão ao referendo do órgão de revisão competente, no prazo
pública em defesa de direitos consumeristas questionando a
de 3 dias.
cobrança de tarifas bancárias. Em relação ao Ministério Público e
O STF considerou que esta previsão é constitucional. Tratando-
aos entes políticos, que têm como finalidades institucionais a
se de divergência interna entre órgãos do MP cumpre ao
proteção de valores fundamentais, como a defesa coletiva dos
próprio Ministério Público decidir quem terá a atribuição para
consumidores, não se exige pertinência temática e
conduzir a investigação. O CNMP possui atribuição
representatividade adequada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.509.586-SC,
constitucional para fazer o controle da atuação administrativa
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626).
do MP (art. 130-A, da CF/88). O STF entendeu que essa
Resolução se insere no campo da estruturação administrativa da
AÇÃO CIVIL PÚBLICA instituição. Não viola, portanto, o princípio da independência
A associação privada autora de uma ação civil pública pode funcional e da unidade, insculpidos no § 1º do art. 127 da CF/88.
fazer transação com o réu e pedir a extinção do processo, Além disso, o STF entendeu que não compete ao Poder
nos termos do art. 487, III, “b”, do CPC. O art. 5º, § 6º da Lei nº Judiciário envolver-se na gestão interna do MP, cabendo, no
7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública) prevê que os órgãos caso, um juízo de autocontenção. STF. Plenário. ADI 5434/DF,
públicos podem fazer acordos nas ações civis públicas em curso, rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
não mencionando as associações privadas. Apesar disso, a julgado em 26/4/2018 (Info 899).
ausência de disposição normativa expressa no que concerne
a associações privadas não afasta a viabilidade do acordo. IMPENHORABILIDADE
Isso porque a existência de previsão explícita unicamente
Pacto de impenhorabilidade não pode ser oposto a terceiros
quanto aos entes públicos diz respeito ao fato de que somente
O pacto de impenhorabilidade de título patrimonial contido
podem fazer o que a lei determina, ao passo que aos entes
explicitamente em estatuto social de clube desportivo não pode
privados é dado fazer tudo que a lei não proíbe. STF. (Info 892).
ser oposto contra exequente/credor não sócio. O pacto de
O Ministério Público é parte legítima para pleitear impenhorabilidade previsto no art. 833, I, do CPC/2015 está
tratamento médico ou entrega de medicamentos nas limitado às partes que o convencionaram, não podendo
demandas de saúde propostas contra os entes federativos, envolver terceiros que não anuíram, salvo exceções previstas em
mesmo quando se tratar de feitos contendo beneficiários lei. STJ. 3ª Turma. REsp 1.475.745-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas
individualizados, porque se refere a direitos individuais Bôas Cueva, julgado em 24/04/2018 (Info 625).
indisponíveis, na forma do art. 1º da Lei n. 8.625/1993 (Lei
Os valores recebidos pelo beneficiário como indenização do
Orgânica Nacional do Ministério Público). STJ. 1ª Seção. REsp
seguro de vida são impenhoráveis, mas até o limite de 40
1.682.836-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/04/2018
salários mínimos
(recurso repetitivo) (Info 624).
A impenhorabilidade dos valores recebidos pelo beneficiário do
O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil seguro de vida limita-se ao montante de 40 (quarenta) salários
pública que vise anular ato administrativo de aposentadoria mínimos, por aplicação analógica do art. 833, X, do CPC/2015,
que importe em lesão ao patrimônio público. STF. Plenário. cabendo a constrição judicial da quantia que a exceder. Cuidado
RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018 com a redação literal do art. 833, VI, do CPC/2015: “São
(repercussão geral) (Info 921). impenhoráveis: (...) VI - o seguro de vida”. STJ. 3ª Turma. REsp
1.361.354-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
GRATUIDADE DA JUSTIÇA 22/05/2018 (Info 628).

35
Qual é o recurso cabível contra o pronunciamento que julga a
EMBARGOS INFRINGENTES impugnação ao cumprimento de sentença?
Divergência manifestada nos embargos de declaração • Se o pronunciamento judicial extinguir a execução: será uma
opostos ao acórdão unânime da apelação que reformou a sentença e caberá APELAÇÃO.
sentença (julgado atualmente sem importância para concursos • Se o pronunciamento judicial não extinguir a execução:
públicos considerando que os embargos infringentes foram será uma decisão interlocutória e caberá AGRAVO DE
extintos com o CPC/2015) INSTRUMENTO. Assim, o recurso cabível contra a decisão
São cabíveis embargos infringentes quando a divergência que acolhe impugnação ao cumprimento de sentença e
qualificada se manifesta nos embargos de declaração opostos extingue a execução é a apelação. STJ. 4ª Turma. REsp
ao acórdão unânime da apelação que reformou a sentença. STJ. 1.698.344-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
2ª Seção. EREsp 1.290.283-GO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 22/05/2018 (Info 630).
julgado em 11/04/2018 (Info 626).
A base de cálculo sobre a qual incidem os honorários
advocatícios devidos em cumprimento de sentença é o valor
TÍTULOS EXECUTIVOS da dívida (quantia fixada em sentença ou na liquidação),
Contrato eletrônico de mútuo com assinatura digital é título acrescido das custas processuais, se houver, sem a inclusão
executivo extrajudicial da multa de 10% pelo descumprimento da obrigação dentro
O contrato eletrônico de mútuo com assinatura digital pode do prazo legal (art. 523, § 1º, do CPC/2015). A multa de 10%
ser considerado título executivo extrajudicial. Neste caso, prevista no art. 523, § 1º, do CPC/2015 NÃO entra no cálculo
não será necessária a assinatura de 2 testemunhas, dos honorários advocatícios. A multa de 10% do art. 523, § 1º,
conforme exige o art. 784, III, do CPC/2015. Na assinatura do CPC/2015 não integra a base de cálculo dos honorários
digital de contrato eletrônico, uma autoridade certificadora advocatícios. Os 10% dos honorários advocatícios deverão
(terceiro desinteressado) atesta que aquele determinado usuário incidir apenas sobre o valor do débito principal. Relembre o que
realmente utilizou aquela assinatura no documento eletrônico. diz o § 1º do art. 523: Art. 523 (...) § 1º Não ocorrendo
Como existe esse instrumento de verificação de autenticidade e pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será
presencialidade do contratante, é possível reconhecer esse acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários
contrato como título executivo extrajudicial. STJ. 3ª Turma. REsp de advogado de dez por cento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.757.033-
1.495.920-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 09/10/2018
15/05/2018 (Info 627). (Info 636)

JUIZADOS ESPECIAIS EMBARGOS DE TERCEIRO


O Juizado Especial Cível é competente para o processamento e Não é cabível a reconvenção apresentada em embargos de
o julgamento de ação proposta por associação de moradores terceiro, sob a égide do CPC/1973
visando à cobrança de taxas de manutenção de loteamento em Não é cabível a reconvenção apresentada em embargos de
face de morador não associado. STJ. 3ª Turma. RMS 53.602-AL, terceiro, sob a égide do Código de Processo Civil de 1973. STJ.
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/06/2018 (Info 627). 3ª Turma. REsp 1.578.848-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 19/06/2018 (Info 628). E sob a égide do CPC/
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 2015? Na vigência do CPC/2015, é possível a apresentação de
reconvenção em embargos de terceiro? O Min. Relator Ricardo
A Súmula 345 do STJ continua válida mesmo com o art. 85,
Villas Bôas Cueva afirmou o seguinte em seu voto: (...) anote-se
§ 7º, do CPC/2015
que o Código de Processo Civil de 2015, alterando
O art. 85, § 7º, do CPC/2015 não afasta a aplicação do
profundamente a sistemática anterior, passou a prever, além da
entendimento consolidado na Súmula 345 do STJ, de modo que
possibilidade de reconvenção e contestação em peça única
são devidos honorários advocatícios nos procedimentos
(artigo 343), a adoção do procedimento comum após a fase de
individuais de cumprimento de sentença decorrente de ação
contestação nos embargos de terceiro (artigo 679), o que
coletiva, ainda que não impugnados e promovidos em
certamente reascenderá a discussão em torno do cabimento da
litisconsórcio. O art. 85, § 7º, do CPC/2015 não se aplica para as
reconvenção nas demandas ajuizadas sob a égide do novo
execuções individuais, ainda que promovidas em litisconsórcio,
diploma.”
pedindo o cumprimento de julgado proferido em sede de ação
coletiva lato sensu, ação civil pública ou ação de classe. Em
resumo, a Súmula 345 do STJ continua válida mesmo com o art. MANDADO DE SEGURANÇA
85, § 7º, do CPC/2015. Súmula 345-STJ: São devidos honorários É desnecessária a oitiva do MP se o tribunal já tiver
advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções individuais de jurisprudência consolidada sobre o tema discutido
sentença proferida em ações coletivas, ainda que não Em regra, é indispensável a intimação do Ministério Público para
embargadas. Art. 85. (...) § 7º Não serão devidos honorários no opinar nos processos de mandado de segurança, conforme
cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública que enseje previsto no art. 12 da Lei nº 12.016/2009. No entanto, a oitiva do
expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada. Ministério Público é desnecessária quando se tratar de
STJ. Corte Especial. REsp 1.648.238-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, controvérsia acerca da qual o tribunal já tenha firmado
julgado em 20/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 628). jurisprudência. Assim, não há qualquer vício na ausência de
remessa dos autos ao Parquet que enseje nulidade processual
Qual é o recurso cabível contra o pronunciamento que julga
se já houver posicionamento sólido do Tribunal. Nesses casos, é
a impugnação ao cumprimento de sentença?
legítima a apreciação de pronto pelo relator. STF. 2ª Turma. RMS

36
32.482/DF, rel. orig. Min. Teori Zavaski, red. p/ o ac. Min. Edson
Fachin, julgado em 21/8/2018 (Info 912). EXECUÇÃO
Constitucionalidade do art. 741 do CPC/1973 (art. 525, § 1º,
Não cabe MS para declarar lei ou ato normativo
III e §§ 12 e 14; e art. 535, § 5º do CPC/2015)
inconstitucional
São constitucionais o parágrafo único do art. 741 e o § 1º do art.
O mandado de segurança não é o instrumento processual
475-L do CPC/1973, bem como os correspondentes dispositivos
adequado para o controle abstrato de constitucionalidade
do CPC/2015 (art. 525, § 1º, III e §§ 12 e 14; e art. 535, § 5º). São
de leis e atos normativos. STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, rel.
dispositivos que, buscando harmonizar a garantia da coisa
orig. Min. Teori Zavaski, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
julgada com o primado da Constituição, vieram agregar ao
em 21/8/2018 (Info 912).
sistema processual brasileiro um mecanismo com eficácia
Nos casos de anistia política, em sede de mandado de rescisória de sentenças revestidas de vício de
segurança, só é possível a inclusão de juros de mora e inconstitucionalidade qualificado, assim caracterizado nas
correção monetária na fase executiva quando houver hipóteses em que: a) a sentença exequenda (“sentença que
decisão expressa nesse sentido. STJ. 1ª Seção. ExeMS 18.782- está sendo executada”) esteja fundada em uma norma
DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12/09/2018 reconhecidamente inconstitucional, seja por aplicar norma
(Info 634). inconstitucional, seja por aplicar norma em situação ou com
um sentido inconstitucionais; ou b) a sentença exequenda
Súmula 628-STJ: A teoria da encampação é aplicada no
tenha deixado de aplicar norma reconhecidamente
mandado de segurança quando presentes,
constitucional; e c) desde que, em qualquer dos casos, o
cumulativamente, os seguintes requisitos:
reconhecimento dessa constitucionalidade ou a
a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que
inconstitucionalidade tenha decorrido de julgamento do
prestou informações e a que ordenou a prática do ato
Supremo Tribunal Federal (STF) realizado em data anterior
impugnado;
ao trânsito em julgado da sentença exequenda. STF. Plenário.
b) manifestação a respeito do mérito nas informações
RE 611503/SP, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min.
prestadas; e
Edson Fachin, julgado em 20/9/2018 (repercussão geral) (Info
c) ausência de modificação de competência estabelecida na
916).
Constituição Federal. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018,
DJe 17/12/2018.
AÇÃO RESCISÓRIA
RESTAURAÇÃO DE AUTOS Se a sentença foi proferida com base na jurisprudência do STF
vigente à época e, posteriormente, esse entendimento foi
Tribunal de Justiça não pode editar provimento fixando
alterado, não se pode dizer que essa decisão impugnada tenha
prazo para a propositura da ação de restauração de autos
violado literal disposição de lei para fins da ação rescisória
Tribunal de Justiça não tem competência para, por meio de
prevista no art. 485, V, do CPC/1973. Desse modo, não cabe
provimento da respectiva Corregedoria, estabelecer prazo para
ação rescisória em face de acórdão que, à época de sua
a propositura de ação de restauração de autos. Caso concreto:
prolação, estava em conformidade com a jurisprudência
houve um incêndio no fórum de Poção de Pedras (MA) e os
predominante do STF. STF. Plenário. AR 2422/DF, Rel. Min. Luiz
autos queimaram. Diante disso, a Corregedoria do TJ/MA editou
Fux, julgado em 25/10/2018 (Info 921).
um provimento fixando um prazo para que as partes
Obs: o julgado envolvia um caso concreto ocorrido na vigência
requeressem a restauração dos autos, sob pena de serem
do CPC/1973. Não se sabe se o entendimento seria o mesmo se
obrigadas a propor novamente a ação principal. O STJ não
o fato tivesse ocorrido na égide do CPC/2015. Isso por conta da
concordou e afirmou que o TJ não poderia ter editado essa
nova previsão de ação rescisória contida no § 15 do art. 525 do
norma. Ao estabelecer prazo para a propositura da ação de
CPC/2015.
restauração de autos com a apresentação dos documentos
necessários, o TJ/MA editou uma verdadeira norma sobre
processo civil (norma processual), cuja competência legislativa CAUÇÃO
foi atribuída privativamente à União (art. 22, I, CF/88). STJ. 3ª Se o autor da ação judicial reside no exterior ou se muda para
Turma. REsp 1.722.633-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado fora do país durante a tramitação do processo, ele precisará
em 07/08/2018 (Info 630) prestar uma caução que seja suficiente para pagar as custas
processuais e honorários advocatícios caso ele perca a ação (art.
AÇÃO ANULATÓRIA 83 do CPC/2015). Não é necessária a prestação de caução
para o ajuizamento de ação por sociedade empresarial
A decisão judicial homologatória de acordo entre as partes é
estrangeira devidamente representada no Brasil. Ex: MSC
impugnável por meio de ação anulatória
Mediterranean Shipping Company S.A., empresa estrangeira,
A decisão judicial homologatória de acordo entre as partes é
ajuizou, na justiça brasileira, uma ação de cobrança. O STJ
impugnável por meio de ação anulatória (art. 966, § 4º, do CPC/
afirmou que não se deveria exigir caução para a propositura da
2015; art. 486 do CPC/1973). Não cabe ação rescisória neste
demanda, considerando que a autora, apesar de estrangeira,
caso. Se a parte propôs ação rescisória, não é possível que o
possuía uma agência de representação no Brasil (a MSC
Tribunal receba esta demanda como ação anulatória aplicando o
Mediterranean do Brasil Ltda.). STJ. 3ª Turma. REsp 1.584.441-SP,
princípio da fungibilidade. Isso porque só se aplica o princípio
Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 21/08/2018 (Info 632)
da fungibilidade para recursos (e ação anulatória e a ação
rescisória não são recursos). STF. Plenário. AR 2440 AgR/DF, Rel.
Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/9/2018 (Info 916). SUSPENSÃO DO PROCESSO

37
Se a ação é proposta contra indivíduo que já estava morto, o Na ação de cobrança, é desnecessária a citação da sociedade
juiz não deverá determinar a habilitação, a sucessão ou a empresária se todos os que participam do quadro social
substituição processual. De igual modo, o processo não deve integram a lide. STJ. 3ª Turma. REsp 1.731.464-SP, Rel. Min.
ser suspenso para habilitação de sucessores. Isso porque tais Moura Ribeiro, julgado em 25/09/2018 (Info 635)
institutos são aplicáveis apenas para as hipóteses em que há
o falecimento da parte no curso do processo judicial. O EXECUÇÃO FISCAL
correto enquadramento jurídico desta situação é de
Termo inicial do prazo de 1 ano: data da intimação da
ilegitimidade passiva, devendo ser facultado ao autor, diante da
Fazenda Pública
ausência de ato citatório válido, emendar a petição inicial para
O prazo de 1 (um) ano de suspensão do processo e do
regularizar o polo passivo, dirigindo a sua pretensão ao espólio.
respectivo prazo prescricional previsto no art. 40, §§ 1º e 2º da
Ex: em 04/04/2018, o Banco ajuizou execução de título
Lei nº 6.830/80 (LEF) tem início automaticamente na data da
extrajudicial contra João. A tentativa de citação, todavia, foi
ciência da Fazenda Pública a respeito da não localização do
infrutífera, tendo em vista que João havia falecido em
devedor ou da inexistência de bens penhoráveis no endereço
04/03/2018, ou seja, um mês antes. Diante disso, o juiz deverá
fornecido, havendo, sem prejuízo dessa contagem automática, o
permitir que o exequente faça a emenda da petição inicial para
dever de o magistrado declarar ter ocorrido a suspensão da
a substituição do executado falecido pelo seu espólio. STJ. 3ª
execução. Sem prejuízo do disposto anteriormente:
Turma. REsp 1.559.791-PB, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
1.1) nos casos de execução fiscal para cobrança de dívida ativa
28/08/2018 (Info 632).
de natureza tributária (cujo despacho ordenador da citação
tenha sido proferido antes da vigência da Lei Complementar n.
ARROLAMENTO SUMÁRIO 118/2005), depois da citação válida, ainda que editalícia, logo
No arrolamento sumário não se condiciona a entrega dos após a primeira tentativa infrutífera de localização de bens
formais de partilha ou da carta de adjudicação à prévia penhoráveis, o Juiz declarará suspensa a execução; e,
quitação dos tributos concernentes à transmissão 1.2) em se tratando de execução fiscal para cobrança de dívida
patrimonial aos sucessores. Isso não significa que no ativa de natureza tributária (cujo despacho ordenador da citação
arrolamento sumário seja possível homologar a partilha mesmo tenha sido proferido na vigência da Lei Complementar nº
sem a quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às 118/2005) e de qualquer dívida ativa de natureza não tributária,
suas rendas. A inovação normativa do § 2º do art. 659 do logo após a primeira tentativa frustrada de citação do devedor
CPC/2015 em nada altera a condição estabelecida no art. 192 do ou de localização de bens penhoráveis, o Juiz declarará
CTN, de modo que, no arrolamento sumário, o magistrado deve suspensa a execução.
exigir a comprovação de quitação dos tributos relativos aos
bens do espólio e às suas rendas para homologar a partilha e, Encerrado o prazo de 1 ano, inicia-se automaticamente a
na sequência, com o trânsito em julgado, expedir os títulos de contagem do prazo prescricional
transferência de domínio e encerrar o processo, Havendo ou não petição da Fazenda Pública e havendo ou não
independentemente do pagamento do imposto de transmissão. pronunciamento judicial nesse sentido, findo o prazo de 1 (um)
STJ. 1ª Turma. REsp 1.704.359-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, ano de suspensão, inicia-se automaticamente o prazo
julgado em 28/08/2018 (Info 634). prescricional aplicável (de acordo com a natureza do crédito
exequendo), durante o qual o processo deveria estar arquivado
No arrolamento sumário não se condiciona a entrega dos
sem baixa na distribuição, na forma do art. 40, §§ 2º, 3º e 4º da
formais de partilha ou da carta de adjudicação à prévia
Lei n. 6.830/1980 - LEF, findo o qual o Juiz, depois de ouvida a
quitação dos tributos concernentes à transmissão
Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição
patrimonial aos sucessores.
intercorrente e decretá-la de imediato.
Assim, a homologação da partilha no procedimento do
Para interrupção do prazo prescricional é necessário
arrolamento sumário não pressupõe o atendimento das
requerimento da Fazenda Pública que acarrete efetiva
obrigações tributárias principais e tampouco acessórias relativas
constrição ou efetiva citação
ao imposto sobre transmissão causa mortis. Isso não significa
A efetiva constrição patrimonial e a efetiva citação (ainda que
que no arrolamento sumário seja possível homologar a partilha
por edital) são aptas a interromper o curso da prescrição
mesmo sem a quitação dos tributos relativos aos bens do
intercorrente, não bastando para tal o mero peticionamento em
espólio e às suas rendas. A inovação normativa do § 2º do art.
juízo, requerendo, v.g., a feitura da penhora sobre ativos
659 do CPC/2015 em nada altera a condição estabelecida no art.
financeiros ou sobre outros bens. Os requerimentos feitos pelo
192 do CTN, de modo que, no arrolamento sumário, o
exequente, dentro da soma do prazo máximo de 1 (um) ano de
magistrado deve exigir a comprovação de quitação dos
suspensão mais o prazo de prescrição aplicável (de acordo com
tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas para
a natureza do crédito exequendo) deverão ser processados,
homologar a partilha e, na sequência, com o trânsito em
ainda que para além da soma desses dois prazos, pois, citados
julgado, expedir os títulos de transferência de domínio e
(ainda que por edital) os devedores e penhorados os bens, a
encerrar o processo, independentemente do pagamento do
qualquer tempo - mesmo depois de escoados os referidos
imposto de transmissão. STJ. 1ª Turma. REsp 1.704.359-DF, Rel.
prazos -, considera-se interrompida a prescrição intercorrente,
Min. Gurgel de Faria, julgado em 28/08/2018 (Info 634). STJ. 2ª
retroativamente, na data do protocolo da petição que requereu
Turma. REsp 1.751.332-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
a providência frutífera.
julgado em 25/09/2018 (Info 636)

Falta de intimação da Fazenda Pública e efetivo prejuízo


PRESSUPOSTO PROCESSUAL A Fazenda Pública, em sua primeira oportunidade de falar nos

38
autos (art. 278 do CPC/2015), ao alegar nulidade pela falta de Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 23/10/2018 (Info 636).
qualquer intimação dentro do procedimento do art. 40 da LEF,
deverá demonstrar o prejuízo que sofreu (exceto a falta da AÇÃO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS
intimação que constitui o termo inicial - Tema 566, onde o
É admissível o ajuizamento da ação de exibição de
prejuízo é presumido), por exemplo, deverá demonstrar a
documentos, de forma autônoma, na vigência do CPC/2015.
ocorrência de qualquer causa interruptiva ou suspensiva da
Admite-se o ajuizamento de ação autônoma para a exibição de
prescrição.
documento, com base nos arts. 381 e 396 e seguintes do CPC,
ou até mesmo pelo procedimento comum, previsto nos arts. 318
Juiz, ao reconhecer a prescrição intercorrente, deverá
e seguintes do CPC. Entendimento apoiado nos enunciados n.
demonstrar os marcos que foram aplicados na contagem
119 e 129 da II Jornada de Direito Processual Civil. STJ. 4ª Turma.
O magistrado, ao reconhecer a prescrição intercorrente, deverá
REsp 1.774.987-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em
fundamentar o ato judicial por meio da delimitação dos marcos
08/11/2018 (Info 637).
legais que foram aplicados na contagem do respectivo prazo,
inclusive quanto ao período em que a execução ficou suspensa.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.340.553-RS, Rel. Min. Mauro Campbell TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO
Marques, julgado em 12/09/2018 (recurso repetitivo) (Info 635). Como ocorre a continuidade do julgamento na hipótese em que
houve uma parte unânime e outra não unânime? Ex: no
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO julgamento de uma apelação contra sentença que havia negado
integralmente a indenização, a Câmara Cível entendeu de forma
Em ação consignatória, a insuficiência do depósito realizado
unânime (3x0) que houve danos materiais e por maioria (2x1)
pelo devedor conduz ao julgamento de improcedência do
que não ocorreram danos morais. Foram então convocados dois
pedido, pois o pagamento parcial da dívida não extingue o
Desembargadores para a continuidade do julgamento ampliado
vínculo obrigacional. STJ. 2ª Seção. REsp 1.108.058-DF, Rel.
(art. 742). Esses dois novos Desembargadores que chegam
Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF da
poderão votar também sobre a parte unânime (danos materiais)
5ª Região), Rel. Acd. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em
ou ficarão restritos ao capítulo não unânime (danos morais)? O
10/10/2018 (recurso repetitivo) (Info 636).
colegiado formado com a convocação dos novos julgadores
A instituição financeira possui legitimidade para ajuizar ação (art. 942 do CPC/2015) poderá analisar de forma ampla todo
de consignação em pagamento visando quitar débito de cliente o conteúdo das razões recursais, não se limitando à matéria
decorrente de título de crédito protestado por falha no serviço sobre a qual houve originalmente divergência. Constatada a
bancário. STJ. 4ª Turma. REsp 1.318.747-SP, Rel. Min. Luis Felipe ausência de unanimidade no resultado da apelação, é
Salomão, julgado em 04/10/2018 (Info 636). obrigatória a aplicação do art. 942 do CPC/2015, sendo que
o julgamento não se encerra até o pronunciamento pelo
AÇÃO DE EXIGIR CONTAS colegiado estendido, ou seja, inexiste a lavratura de acórdão
parcial de mérito. Os novos julgadores convocados não
É cabível a propositura de ação de prestação de contas para
ficam restritos aos capítulos ou pontos sobre os quais houve
apuração de eventual saldo, e sua posterior execução,
inicialmente divergência, cabendo-lhes a apreciação da
decorrente de contrato relacional firmado entre
integralidade do recurso. O prosseguimento do julgamento
administradora de consórcios e empresa responsável pela
com quórum ampliado em caso de divergência tem por
oferta das quotas consorciais a consumidores. Caso concreto:
objetivo a qualificação do debate, assegurando-se a
a empresa 1 celebrou contrato com a empresa 2, por meio do
oportunidade para a análise aprofundada das teses jurídicas
qual a empresa 1 organizaria e administraria um consórcio e a
contrapostas e das questões fáticas controvertidas, com
empresa 2 ficaria responsável por oferecer e comercializar as
vistas a criar e manter uma jurisprudência uniforme, estável,
quotas consorciais aos consumidores. Vale ressaltar que, depois
íntegra e coerente. STJ. 3ª Turma. REsp 1.771.815-SP, Rel. Min.
que o consumidor firmava o contrato, ele deveria efetuar os
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/11/2018 (Info 638)
pagamentos das prestações diretamente para a empresa 1. A
empresa 2 seria remunerada com um percentual dos
pagamentos. Ao se analisar o ajuste celebrado, percebe-se que RECURSO ESPECIAL
se trata de relação contratual que configura típico contrato de Não cabe agravo de instrumento contra decisão do juiz que
agência, previsto no art. 710 do CC. No contrato de agência, determina a elaboração dos cálculos judiciais e estabelece os
tanto uma parte como a outra possuem o dever de prestar parâmetros de sua realização. STJ. 2ª Turma. REsp 1.700.305-
contas: O vínculo contratual colaborativo originado do contrato PB, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/09/2018 (Info
de agência importa na administração recíproca de interesses das 638)
partes contratantes, viabilizando a utilização da ação da
prestação de contas e impondo a cada uma das partes o dever
de prestar contas a outra. Vale ressaltar, por fim, que, mesmo
que a empresa 1 já tenha, extrajudicialmente, prestado contas
para a empresa 2, ainda assim persiste o interesse de agir de
propor a ação. Isso porque a apresentação extrajudicial e
voluntária das contas não prejudica o interesse processual da
promotora de vendas, na hipótese de não serem elas recebidas
como boas, ou seja, caso ela não tenha concordado com os
valores demonstrados. STJ. 3ª Turma. REsp 1.676.623-SP, Rel.

39
Penal escolha do executante e do preço cobrado e não houver
indícios de conluio entre o gestor e os pareceristas com o
PRESCRIÇÃO objetivo de fraudar o procedimento de contratação direta.
Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença STF. (Info 891).
condenatória, tendo havido apenas recurso da defesa, qual
Ausência do crime do art. 89 em conduta de Secretário de
deverá ser o termo inicial da prescrição da pretensão executiva?
Estado que compra, sem licitação, livros didáticos escolhidos
O início do prazo da prescrição executória deve ser o momento
por equipe técnica, de fornecedor exclusivo, sem sobrepreço
em que ocorre o trânsito em julgado para o MP? Ou o início do
Não comete o crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93 Secretária de
prazo deverá ser o instante em que se dá o trânsito em julgado
Educação que faz contratação direta, com base em
para ambas as partes, ou seja, tanto para a acusação como para
inexigibilidade de licitação (art. 25, I), de livros didáticos para a
a defesa?
rede pública de ensino, livros esses que foram escolhidos por
• Posicionamento pacífico do STJ: o termo inicial da
equipe técnica formada por pedagogos, sem a sua interferência.
prescrição da pretensão executória é a data do trânsito em
Vale ressaltar que havia comprovação, por meio de carta de
julgado da sentença condenatória para a acusação, ainda
exclusividade emitida por entidade do setor, de que a empresa
que a defesa tenha recorrido e que se esteja aguardando o
contratada era a única fornecedora dos livros na região. Além
julgamento desse recurso. Aplica-se a interpretação literal do
disso, não houve demonstração de sobrepreço. Diante dessas
art. 112, I, do CP, considerando que ela é mais benéfica ao
circunstâncias, o STF absolveu a ré por ausência de “dolo
condenado.
específico” (elemento subjetivo especial). STF. Plenário. AP 946/
• Entendimento da 1ª Turma do STF: o início da contagem
DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/8/2018 (Info
do prazo de prescrição somente se dá quando a pretensão
913).
executória pode ser exercida. Se o Estado não pode executar
a pena, não se pode dizer que o prazo prescricional já está
correndo. Assim, mesmo que tenha havido trânsito em CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL
julgado para a acusação, se o Estado ainda não pode A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento
executar a pena (ex: está pendente uma apelação da defesa), da Lei nº 12.015/2009. Assim, em caso de estupro praticado
não teve ainda início a contagem do prazo para a prescrição mediante violência real, a ação penal é pública
executória. É preciso fazer uma interpretação sistemática do art. incondicionada mesmo após a Lei nº 12.015/2009. STF. (Info
112, I, do CP. Vale ressaltar que, com o novo entendimento do 892).
STF admitindo a execução provisória da pena, para essa
Legitimidade ativa do Ministério Público e crime de estupro
segunda corrente (Min. Roberto Barroso) o termo inicial da
sem lesão corporal
prescrição executória será a data do julgamento do processo em
A Súmula 608 do STF prevê que “no crime de estupro, praticado
2ª instância. Isso porque se estiver pendente apenas recurso
mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada.”
especial ou extraordinário, será possível a execução provisória
O entendimento dessa súmula pode ser aplicado
da pena. Logo, já poderia ser iniciada a contagem do prazo
independentemente da existência da ocorrência de lesões
prescricional. STF. (Info 890).
corporais nas vítimas de estupro. A violência real se caracteriza
não apenas nas situações em que se verificam lesões corporais,
CRIME DO ART. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES mas sempre que é empregada força física contra a vítima,
Elemento subjetivo cerceando-lhe a liberdade de agir segundo a sua vontade.
Para a configuração da tipicidade subjetiva do crime previsto no Assim, se os atos foram praticados sob grave ameaça, com
art. 89 da Lei 8.666/93, exige-se o especial fim de agir, imobilização de vítimas, uso de força física e, em alguns casos,
consistente na intenção específica de lesar o erário ou obter com mulheres sedadas, trata-se de crime de estupro que se
vantagem indevida. enquadra na Súmula 608 do STF e que, portanto, a ação é
Exige-se descumprimento de formalidades mais violação aos pública incondicionada. STF. 2ª Turma. RHC 117978, Rel. Min.
princípios da Administração Pública Dias Toffoli, julgado em 05/06/2018 (Info 905). A Súmula 608 do
O tipo penal previsto no art. 89 não criminaliza o mero fato de STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº
o administrador público ter descumprido formalidades. Para 12.015/2009. Assim, em caso de estupro praticado mediante
que haja o crime, é necessário que, além do violência real, a ação penal é pública incondicionada mesmo
descumprimento das formalidades, também se verifique que após a Lei nº 12.015/2009. STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel.
ocorreu, no caso concreto, a violação de princípios cardeais Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
(fundamentais) da Administração Pública. Se houve apenas julgado em 27/2/2018 (Info 892).
irregularidades pontuais relacionadas com a burocracia estatal,
isso não deve, por si só, gerar a criminalização da conduta. RACISMO
Assim, para que ocorra o crime, é necessária uma ofensa ao
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações
bem jurídico tutelado, que é o procedimento licitatório. Sem
religiosas e seus seguidores não está protegida pela cláusula
isso, não há tipicidade material.
constitucional que assegura a liberdade de expressão. Assim,
Decisão amparada em pareceres técnicos e jurídicos
é possível, a depender do caso concreto, que um líder
Não haverá crime se a decisão do administrador de deixar
religioso seja condenado pelo crime de racismo (art. 20, §2º,
de instaurar licitação para a contratação de determinado
da Lei nº 7.716/81) por ter proferido discursos de ódio
serviço foi amparada por argumentos previstos em
público contra outras denominações religiosas e seus
pareceres (técnicos e jurídicos) que atenderam aos
seguidores. STF. (Info 893). Atenção. Compare com RHC
requisitos legais, fornecendo justificativas plausíveis sobre a

40
134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info Não configura crime a importação de pequena quantidade
849). de sementes de maconha. STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915).
LEI DE DROGAS O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28
É inviável o reconhecimento de reincidência com base em da Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O
único processo anterior em desfavor do réu, no qual - após porte de droga para consumo próprio foi somente
desclassificar o delito de tráfico para porte de substância despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não
entorpecente para consumo próprio - o juízo extinguiu a descriminalizado. Obs: despenalizar é a medida que tem por
punibilidade por considerar que o tempo da prisão objetivo afastar a pena como tradicionalmente conhecemos,
provisória seria mais que suficiente para compensar em especial a privativa de liberdade. Descriminalizar
eventual condenação. Situação concreta: João foi preso em significa deixar de considerar uma conduta como crime.
flagrante por tráfico de drogas (art. 33 da LD). Após 6 meses Mesmo sendo crime, o STJ entende que a condenação
preso cautelarmente, ele foi julgado. O juiz proferiu sentença anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga
desclassificando o delito de tráfico para o art. 28 da LD. Na para uso próprio) NÃO CONFIGURA REINCIDÊNCIA.
própria sentença, o magistrado declarou a extinção da Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível
punibilidade do réu alegando que o art. 28 não prevê pena com pena de prisão simples, não configura reincidência, mostra-
privativa de liberdade e que o condenado já ficou 6 meses se desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de
preso. Logo, na visão do juiz, deve ser aplicada a detração penal reincidência, considerando que este delito é punido apenas com
analógica virtual, pois qualquer pena que seria aplicável ao caso “advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e “medida
em tela estaria fatalmente cumprida, nem havendo justa causa educativa”, ou, seja, sanções menos graves e nas quais não há
ou interesse processual para o prosseguimento do feito. Essa qualquer possibilidade de conversão em pena privativa de
sentença não vale para fins de reincidência. Isso significa que, liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que
se João cometer um segundo delito, esse primeiro processo não a própria constitucionalidade do art. 28 da LD está sendo
poderá ser considerado para caracterização de reincidência. STJ. fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min.
6ª Turma. HC 390.038-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª
julgado em 06/02/2018 (Info 619). Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 21/08/2018 (Info 632).
Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de
drogas (art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006) configura-se com a O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da
prova da destinação internacional das drogas, ainda que não Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O porte de
consumada a transposição de fronteiras. STJ. 3ª Seção. droga para consumo próprio foi somente despenalizado pela Lei
Aprovada em 11/04/2018, DJe 17/04/2018. nº 11.343/2006, mas não descriminalizado.
Obs: despenalizar é a medida que tem por objetivo afastar a
Não incide a causa de aumento de pena do art. 40, III, da LD
pena como tradicionalmente conhecemos, em especial a
se o crime foi praticado em dia e horário no qual a escola
privativa de liberdade. Descriminalizar significa deixar de
estava fechada e não havia pessoas lá
considerar uma conduta como crime.
A prática do delito de tráfico de drogas nas proximidades de
Mesmo sendo crime, o STJ entende que a condenação
estabelecimentos de ensino (art. 40, III, da Lei 11.343/06) enseja
anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga
a aplicação da majorante, sendo desnecessária a prova de que o
para uso próprio) NÃO configura reincidência. Argumento
ilícito visava atingir os frequentadores desse local. Para a
principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de
incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº
prisão simples, não configura reincidência, mostra-se
11.343/2006 é desnecessária a efetiva comprovação de que a
desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de reincidência,
mercancia tinha por objetivo atingir os estudantes, sendo
considerando que este delito é punido apenas com
suficiente que a prática ilícita tenha ocorrido em locais
“advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e “medida
próximos, ou seja, nas imediações de tais estabelecimentos,
educativa”, ou seja, sanções menos graves e nas quais não há
diante da exposição de pessoas ao risco inerente à atividade
qualquer possibilidade de conversão em pena privativa de
criminosa da narcotraficância. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp
liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que
1558551/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017.
a própria constitucionalidade do art. 28 da LD está sendo
STJ. 6ª Turma. HC 359.088/SP. Maria Thereza de Assis Moura,
fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min.
julgado em 04/10/2016. Não incide a causa de aumento de
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª
pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, se a
Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário em que não
Moura, julgado em 21/08/2018 (Info 632)
facilite a prática criminosa e a disseminação de drogas em área
de maior aglomeração de pessoas. Ex: se o tráfico de drogas é
praticado no domingo de madrugada, dia e horário em que o DESACATO
estabelecimento de ensino não estava funcionando, não deve O crime de desacato é compatível com a Constituição
incidir a majorante. STJ. 6ª Turma. REsp 1.719.792-MG, Rel. Min. Federal e com o Pacto de São José da Costa Rica. A figura
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info penal do desacato não tolhe o direito à liberdade de
622). expressão, não retirando da cidadania o direito à livre
manifestação, desde que exercida nos limites de marcos
Atipicidade da importação de pequena quantidade de
civilizatórios bem definidos, punindo-se os excessos. (Info
sementes de maconha
894).

41
Desacatar funcionário público no exercício da função ou em Crimes tributários e o limite de 20 mil reais
razão dela continua a ser crime, conforme previsto no art. 331 Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de
do Código Penal. (Info 607). crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto para o STF
como para o STJ) Incide o princípio da insignificância aos crimes
LEI MARIA DA PENHA tributários federais e de descaminho quando o débito tributário
verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil
Fixação do valor mínimo para reparação dos danos prevista
reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com
no art. 387, IV, do CPP
as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do
Nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito
Ministério da Fazenda.
doméstico e familiar, é possível a fixação de valor mínimo
STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis
indenizatório a título de dano moral, desde que haja pedido
Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo).
expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda que não
STF. 1ª Turma. HC 127173, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/
especificada a quantia, e independentemente de instrução
Acórdão: Min. Roberto Barroso, julgado em 21/03/2017.
probatória. CPP/Art. 387. O juiz, ao proferir sentença
Cuidado. Neste informativo 897, a 1ª Turma do STF afirmou que
condenatória: IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos
esse parâmetro de 20 mil reais não poderia produzir efeitos
causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo
penais em virtude do princípio da independência das instâncias:
ofendido. STJ. 3ª Seção. REsp 1.643.051-MS, Rel. Min. Rogerio
Asseverou que a lei que disciplina o executivo fiscal não
Schietti Cruz, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) (Info
repercute no campo penal. Tal entendimento, com maior razão,
621).
deve ser adotado em relação à portaria do Ministério da
A prática de contravenção penal, no âmbito de violência Fazenda.
doméstica, não é motivo idôneo para justificar a prisão STF. 1ª Turma. HC 128063, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
preventiva do réu. O inciso III do art. 313 do CPP prevê que 10/4/2018 (Info 897). Este precedente, contudo, não é a posição
será admitida a decretação da prisão preventiva “se o CRIME majoritária, não sendo recomendável a sua adoção em provas.
envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,
(In) aplicabilidade do princípio no caso do crime previsto no
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para
art. 34 da Lei 9.605/98
garantir a execução das medidas protetivas de urgência”. Assim,
O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art.
a redação do inciso III do art. 313 do CPP fala em CRIME (não
34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98: Art. 34. Pescar
abarcando contravenção penal). Logo, não há previsão legal
em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares
que autorize a prisão preventiva contra o autor de uma
interditados por órgão competente: Pena - detenção de um ano
contravenção penal. Decretar a prisão preventiva nesta
a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
hipótese representa ofensa ao princípio da legalidade estrita.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: II - pesca
STJ. 6ª Turma. HC 437.535-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização
Moura, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;
26/06/2018 (Info 632).
Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão em
período de defeso com o uso de método não permitido. STF. 1ª
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância 8/5/2018 (Info 901). Obs: apesar de a redação utilizada no
a casos de transmissão clandestina de sinal de internet via informativo original ter sido bem incisiva (“O princípio da
radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c
art. 183 da Lei n. 9.472/1997. STJ. 3ª Seção. Aprovada em parágrafo único, II, da Lei 9.605/98”), existem julgados tanto do
11/04/2018, DJe 17/04/2018. STF como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio da
insignificância para o delito de pesca ilegal. Deve-se ficar
Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso
atenta(o) para como isso será cobrado no enunciado da prova.
de crimes tributários e descaminho?
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários Crimes tributários e o limite de 20 mil reais
federais e de descaminho quando o débito tributário verificado Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de
não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto para o STF
do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as como para o STJ) Incide o princípio da insignificância aos crimes
atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do tributários federais e de descaminho quando o débito tributário
Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.688.878-SP, Rel. verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com
repetitivo) (Info 622). STF. 2ª Turma. HC 155347, Rel. Min. Dias as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do
Toffoli, julgado em 17/04/2018. Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.688.878-SP, Rel.
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso
Furto de “cofrinho” contendo R$ 4,80 de uma instituição de
repetitivo). STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. Min. Roberto
combate ao câncer, mediante induzimento de filho de 9 anos
Barroso, julgado em 07/05/2018. STF. 2ª Turma. HC 155347/PR,
Não se aplica o princípio da insignificância ao furto de bem de
Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898).
inexpressivo valor pecuniário de associação sem fins lucrativos
com o induzimento de filho menor a participar do ato. STJ. 6ª É possível a aplicação do princípio da insignificância para o
Turma. RHC 93.472-MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, furto de um galo, quatro galinhas caipiras, uma galinha
julgado em 15/03/2018 (Info 622). garnizé e três quilos de feijão
Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o

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réu já responder a outra ação penal pelo mesmo delito) é um conquanto não seja tributo, possui natureza jurídica de preço
parâmetro (critério) que afasta o princípio da insignificância público, aplicando-se, por analogia, as causas extintivas da
mesmo em se tratando de bem de reduzido valor. punibilidade previstas para os crimes tributários. STJ. 6ª Turma.
Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso AgRg no AREsp 796.250/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
concreto podem justificar o afastamento dessa regra e a 26/09/2017.
aplicação do princípio, com base na ideia da proporcionalidade. 5ª Turma do STJ: NÃO O furto de energia elétrica não pode
É o caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas receber o mesmo tratamento dado aos crimes tributários,
caipiras, uma galinha garnizé e três quilos de feijão, bens considerando serem diversos os bens jurídicos tutelados e,
avaliados em pouco mais de cem reais. O valor dos bens é ainda, tendo em vista que a natureza jurídica da remuneração
inexpressivo e não houve emprego de violência. Enfim, é pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de
caso de mínima ofensividade, ausência de periculosidade energia elétrica, é de tarifa ou preço público, não possui caráter
social, reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade tributário, em relação ao qual a legislação é expressa e taxativa.
da lesão jurídica. Mesmo que conste em desfavor do réu Nos crimes patrimoniais existe previsão legal específica de causa
outra ação penal instaurada por igual conduta, ainda em de diminuição da pena, qual seja, o instituto do arrependimento
trâmite, a hipótese é de típico crime famélico. A posterior, previsto no art. 16 do CP. STJ. 5ª Turma. HC 412.208-
excepcionalidade também se justifica por se tratar de SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018 (Info 622).
hipossuficiente. Não é razoável que o Direito Penal e todo o
Sistema de vigilância em estabelecimento comercial não
aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se
constitui óbice para a consumação do furto
no sentido de atribuir relevância a estas situações. STF. 2ª
A existência de sistema de vigilância em estabelecimento
Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
comercial não constitui óbice para a tipificação do crime de
em 14/8/2018 (Info 911).
furto. STF. 1ª Turma. HC 111278/MG, rel. orig. Min. Marco
STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Roberto Barroso, julgado em
réu era reincidente, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou 10/4/2018 (Info 897).
esse reconhecimento para conceder a pena restritiva de Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por
direitos, afastando o óbice do art. 44, II, do CP monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no
Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna
a absolvição do réu pela atipicidade material. Em outras impossível a configuração do crime de furto.
palavras, o agente não responde por nada. Em um caso
concreto, contudo, o STF reconheceu o princípio da PENAL E PROCESSO PENAL MILITAR
insignificância, mas, como o réu era reincidente, em vez de
Civil que furta arma de soldado da Aeronáutica dentro de
absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para
estabelecimento militar: crime militar
conceder a substituição da pena privativa de liberdade por
Compete à Justiça Militar processar e julgar o crime de furto,
restritiva de direitos, afastando o óbice do art. 44, II, do CP:
praticado por civil, de patrimônio que, sob administração militar,
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e
encontra-se nas dependências desta. Caso concreto: civil furtou,
substituem as privativas de liberdade, quando: (...) II – o réu não
dentro de estabelecimento militar, pistola que estava na posse
for reincidente em crime doloso; Situação concreta: Antônio foi
de soldado da Aeronáutica. Fundamento: art. 9º, III, “a”, do
denunciado por tentar furtar quatro frascos de xampu de um
Código Penal Militar. STJ. 3ª Seção. CC 145.721-SP, Rel. Min. Joel
supermercado, bens avaliados em R$ 31,20. O réu foi
Ilan Paciornik, julgado em 22/02/2018 (Info 621).
condenado pelo art. 155 c/c art. 14, II, do CP a uma pena de 8
meses de reclusão. Foi aplicado o regime inicial semiaberto e Configuração de crime militar e licenciamento
negada a substituição por pena restritiva de direitos em virtude Na configuração de crime militar observa-se a data do evento
de ele ser reincidente (já possuía uma condenação anterior por delituoso, considerado neutro o fato de o autor estar licenciado.
furto), atraindo a vedação do art. 44, II, do CP. Em razão da STF. Plenário. HC 132847/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
reincidência, o STF entendeu que não era o caso de absolver o em 26/6/2018 (Info 908). O fato de o paciente não mais integrar
condenado, mas, em compensação, determinou que a pena as fileiras das Forças Armadas não tem qualquer relevância
privativa de liberdade fosse substituída por restritiva de direitos, sobre o prosseguimento da ação penal pelo delito tipicamente
afastando a proibição do art. 44, II, do CP. STF. 1ª Turma. HC militar de abandono do posto, visto que ele, no tempo do crime,
137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre era militar da ativa. STF. 2ª Turma. HC 130793, Rel. Min. Dias
de Moraes, julgado em 28/8/2018 (Info 913). Toffoli, julgado em 02/08/2016.
A aplicação da agravante genérica prevista no art. 70, II, "l", do
FURTO Código Penal Militar não configura bis in idem pelo crime de
O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica concussão, quando praticado por militar em serviço. Não existe
antes do oferecimento da denúncia é causa de extinção da óbice para que, no crime de concussão, quando praticado em
punibilidade? serviço, seja aplicada a agravante genérica prevista no art. 70, II,
O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica “l”, do CPM (“estando de serviço”), isto é, não há ocorrência de
(art. 155, § 3º do CP) antes do oferecimento da denúncia é causa bis in idem, porquanto a ideia de exigir vantagem indevida em
de extinção da punibilidade, nos termos do art. 9º da Lei nº virtude da função não tem correlação com o fato de o militar
10.684/2003? estar em serviço (em escala especial). STJ. 3ª Seção. EREsp
6ª Turma do STJ: SIM O valor fixado como contraprestação de 1.417.380-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
serviços públicos essenciais como a energia elétrica e a água, 08/08/2018 (Info 631).

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PECULATO
CONTINUIDADE DELITIVA Depositário judicial que vende os bens não pratica peculato
Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e extorsão O depositário judicial que vende os bens sob sua guarda
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e NÃO COMETE O CRIME DE PECULATO (art. 312 do CP). O
extorsão, ainda que praticados em conjunto. Isso porque, os crime de peculato exige, para a sua consumação, que o
referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de funcionário público se aproprie de dinheiro, valor ou outro bem
espécies diversas. STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. móvel em virtude do “cargo”. Depositário judicial não é
Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. STF. 1ª Turma. HC funcionário público para fins penais, porque não ocupa cargo
114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. público, mas a ele é atribuído um munus, pelo juízo, em razão
Roberto Barroso, julgado em 24/4/2018 (Info 899). Não há como do fato de que determinados bens ficam sob sua guarda e zelo.
reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o STJ. 6ª Turma. HC 402.949-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
de latrocínio porquanto são delitos de espécies diversas, já que Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 623). Obs: vale ressaltar
tutelam bens jurídicos diferentes. STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp que o STJ decidiu apenas que a conduta do depositário judicial
908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016. que vende os bens sob sua guarda não comete o crime de
peculato, pois não é funcionário público e não ocupa cargo
HOMICÍDIO público. No entanto, a depender das peculiaridades do caso
concreto, a conduta pode configurar, em tese, os tipos penais
O simples fato do condutor do veículo estar embriagado
dos arts. 168, § 1º, II, 171 ou 179 do Código Penal.
não gera a presunção de que tenha havido dolo eventual
Juiz da 1ª fase do Júri deve examinar se o agente que
conduzia o veículo embriagado praticou homicídio doloso CORRUPÇÃO ATIVA
ou culposo O pagamento da diferença do imposto devido, antes do
O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não recebimento da denúncia, NÃO EXTINGUE A PUNIBILIDADE
gera a presunção de que tenha havido dolo eventual A pelo crime de corrupção ativa atrelado ao de sonegação
embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não fiscal. Ex: João, sócio de uma empresa, ofereceu e pagou
pode servir de premissa bastante para a afirmação do dolo propina ao fiscal para que pudesse recolher um valor menor de
eventual em acidente de trânsito com resultado morte. A imposto. Assim, em vez de pagar R$ 400 mil de imposto, João
embriaguez do agente condutor do automóvel, sem o pagou apenas R$ 100 mil. Os fatos foram descobertos. João
acréscimo de outras peculiaridades, não pode servir como praticou, em tese, corrupção ativa (art. 333 do CP) e sonegação
presunção de que houve dolo eventual. Juiz da 1ª fase do Júri fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90). Antes que a denúncia fosse
deve examinar se o agente que conduzia o veículo embriagado oferecida, João pagou a diferença do imposto devido acrescido
praticou homicídio doloso ou culposo Na primeira fase do de multa, juros e correção monetária. Esse pagamento irá gerar
Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a existência de a extinção do crime de sonegação fiscal, mas não da corrução
dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo que, ativa que deverá ser julgada normalmente. STJ. 6ª Turma.RHC
após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de 95.557-GO, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
trânsito com resultado morte. STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, 21/06/2018 (Info 631)
Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info
623). CORRUPÇÃO PASSIVA
Dirigir alcoolizado na contramão: reconhecimento de dolo Pratica corrupção passiva o Deputado que concede apoio
eventual político à permanência de Diretor da Petrobrás em troca do
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo recebimento de propina
automotor sob a influência de álcool, além de fazê-lo na Determinado Deputado Federal integrava a cúpula de um
contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a partido de sustentação do governo federal. Como importante
diferença entre a culpa comsciente e o dolo eventual. O figura partidária, ele exercia pressão política junto à Presidência
condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com da República a fim de que Paulo Roberto Costa fosse mantido
o risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de como Diretor de Abastecimento da Petrobrás. Como
outrem. STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, “contraprestação” por esse apoio, o Deputado recebia dinheiro
red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info do referido Diretor, quantia essa oriunda de contratos ilegais
904). celebrados pela Petrobrás. O STF entendeu que esta conduta se
enquadra no crime de corrupção passiva (art. 317 do CP). Obs:
Motivo torpe e feminicídio: inexistência de bis in idem
foi a primeira condenação do STF envolvendo a chamada
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras
“operação Lava Jato”. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson
de motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio
Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).
praticado contra mulher em situação de violência doméstica e
familiar. Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a
ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime estiver solicitação ou recebimento de vantagem indevida, ou a
atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, aceitação da promessa de tal vantagem, esteja relacionada
enquanto que a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, com atos que formalmente não se inserem nas atribuições
continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um do funcionário público, mas que, em razão da função
indivíduo a praticar o delito. STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. pública, materialmente implicam alguma forma de
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625). facilitação da prática da conduta almejada. Ao contrário do
que ocorre no crime de corrupção ativa, o tipo penal de

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corrupção passiva não exige a comprovação de que a valores que não atingem os limites estabelecidos pelas
vantagem indevida solicitada, recebida ou aceita pelo autoridades monetárias à comunicação compulsória dessas
funcionário público esteja causalmente vinculada à prática, operações. Ex: suponhamos que, na época, a autoridade
omissão ou retardamento de “ato de ofício”. A expressão bancária dizia que todo depósito acima de R$ 20 mil deveria ser
“ato de ofício” aparece apenas no caput do art. 333 do CP, comunicado ao COAF; diante disso, um Deputado recebia
como um elemento normativo do tipo de corrupção ativa, e depósitos periódicos de R$ 19 mil para burlar essa regra. Para o
não no caput do art. 317 do CP, como um elemento STF, isso configura o crime de lavagem. Trata-se de uma forma
normativo do tipo de corrupção passiva. Ao contrário, no de ocultação da origem e da localização da vantagem
que se refere a este último delito, a expressão “ato de pecuniária recebida pela prática do crime antecedente. STF. 2ª
ofício” figura apenas na majorante do art. 317, § 1.º, do CP e Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
na modalidade privilegiada do § 2.º do mesmo dispositivo. 29/5/2018 (Info 904).
STJ. 6ª Turma. REsp 1.745.410-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 02/10/2018 (Info 635) LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS
Delito do art. 54 da Lei 9.605/98 é formal
DESCAMINHO Importante!!! Mudança de entendimento! O delito previsto
Descaminho é crime formal na primeira parte do art. 54 da Lei nº 9.605/98 possui natureza
O descaminho é crime tributário FORMAL. Logo, para que seja formal, sendo suficiente a potencialidade de dano à saúde
proposta ação penal por descaminho não é necessária a prévia humana para configuração da conduta delitiva, não se exigindo,
constituição definitiva do crédito tributário. Não se aplica a portanto, a realização de perícia. Art. 54. Causar poluição de
Súmula Vinculante 24 do STF. O crime se consuma com a qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam
simples conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento dos resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a
tributos devidos quando da importação ou exportação de mortandade de animais ou a destruição significativa da flora.
mercadorias. STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para Pena — reclusão, de um a quatro anos, e multa. STJ. 3ª Seção.
acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/3/2014 (Info EREsp 1.417.279-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
548). STF. 2ª Turma. HC 122325, Rel. Min. Gilmar Mendes, 11/04/2018 (Info 624).
julgado em 27/05/2014.
Assinatura de TAC não impede processo penal
É dispensada a existência de procedimento administrativo fiscal
A assinatura do termo de ajustamento de conduta com órgão
com a posterior constituição do crédito tributário para a
ambiental não impede a instauração de ação penal. Isso porque
configuração do crime de descaminho (art. 334 do CP), tendo
vigora em nosso ordenamento jurídico o princípio da
em conta sua natureza formal. STF. 1ª Turma. HC 121798/BA,
independência das instâncias penal e administrativa. STJ. Corte
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/5/2018 (Info 904).
Especial. APn 888-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
Compete à Justiça Federal a condução do inquérito que 02/05/2018 (Info 625).
investiga o cometimento do delito previsto no art. 334, § 1º,
IV, do Código Penal, na hipótese de venda de mercadoria ROUBO
estrangeira, permitida pela ANVISA, desacompanhada de
Abolitio criminis promovida pela Lei 13.654/2018 no roubo
nota fiscal e sem comprovação de pagamento de imposto
O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime
de importação. STJ. Plenário. CC 159.680-MG, Rel. Min.
de roubo com a modificação operada pela Lei nº 13.654/2018,
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 08/08/2018 (Info
que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal.
631).
Diante disso, constata-se que houve abolitio criminis, devendo a
Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes de Lei nº 13.654/2018 ser aplicada retroativamente para excluir a
contrabando e de descaminho, AINDA QUE INEXISTENTES referida causa de aumento da pena imposta aos réus
INDÍCIOS DE TRANSNACIONALIDADE NA CONDUTA. STJ. 3ª condenados por roubo majorado pelo emprego de arma branca.
Seção. CC 160.748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Trata-se da aplicação da novatio legis in mellius, prevista no art.
julgado em 26/09/2018 (Info 635). 5º, XL, da Constituição Federal. STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ,
Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018 (Info 626). STJ. 6ª
LAVAGEM DE DINHEIRO Turma. AgRg no AREsp 1.249.427/SP, Rel. Min. Maria Thereza de
Assis Moura, julgado em 19/06/2018.
Simples fato de ter recebido a propina em espécie não
configura lavagem de dinheiro
Recebimento de propina em depósitos bancários CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA
fracionados pode configurar lavagem Para fazer a prova da constituição definitiva do crédito
Simples fato de ter recebido a propina em espécie não configura tributário não se exige a juntada integral do PAF
lavagem de dinheiro O mero recebimento de valores em Para o início da ação penal, basta a prova da constituição
dinheiro não tipifica o delito de lavagem, seja quando recebido definitiva do crédito tributário (Súmula Vinculante 24), semdo
pelo próprio agente público, seja quando recebido por desnecessária a juntada integral do Procedimento
interposta pessoa. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Administrativo Fiscal correspondente. STJ. 5ª Turma. RHC
Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904). Recebimento de 94.288-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
propina em depósitos bancários fracionados pode configurar 22/05/2018 (Info 627).
lavagem Pratica lavagem de dinheiro o sujeito que recebe
O prazo da prescrição da pretensão punitiva fica suspenso
propina por meio de depósitos bancários fracionados, em
durante o parcelamento do débito tributário

45
O que acontece se o réu de um crime contra a ordem tributária julgado em 11/9/2018 (Info 915).
aderir ao parcelamento da dívida? Haverá a suspensão do
processo penal. Nos crimes contra a ordem tributária, quando o RACISMO
agente ingressa no regime de parcelamento dos débitos
Palestra proferida por Bolsonaro com críticas aos
tributários, fica suspensa a pretensão punitiva penal do Estado
quilombolas e estrangeiros não configurou racismo
(o processo criminal fica suspenso). Durante o parcelamento o
O então Deputado Federal Jair Bolsonaro proferiu palestra no
que ocorre com o prazo prescricional? Também fica suspenso.
auditório de determinado clube e ali fez críticas e comentários
O prazo prescricional não corre enquanto estiverem sendo
negativos a respeito dos quilombolas e de povos estrangeiros.
cumpridas as condições do parcelamento do débito fiscal. É
No trecho mais questionado de sua palestra, ele afirmou: “Eu fui
o que prevê o art. 9º, § 1º da Lei nº 10.684/2003. Se, ao final, o
em um quilombola em El Dourado Paulista. Olha, o
réu pagar integralmente os débitos, haverá a extinção da
afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem
punibilidade. STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias
nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais
Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
de um bilhão de reais por ano gastado com eles. Recebem cesta
A conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou básica e mais material em implementos agrícolas. Você vai em El
em substituição tributária enquadra-se formalmente no tipo Dourado Paulista, você compra arame farpado, você compra
previsto no art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 (apropriação enxada, pá, picareta por metade do preço vendido em outra
indébita tributária), desde que comprovado o dolo. O não cidade vizinha. Por que? Porque eles revendem tudo baratinho
repasse do ICMS recolhido pelo sujeito passivo da lá. Não querem nada com nada.” O STF entendeu que a conduta
obrigação tributária, em qualquer hipótese, enquadra-se de Bolsonaro não configurou o crime de racismo (art. 20 da Lei
(formalmente) no tipo previsto art. 2º, II, da Lei nº nº 7.716/89). As palavras por ele proferidas estão dentro da
8.137/90, desde que comprovado o dolo. Em outras palavras, liberdade de expressão prevista no art. 5º, IV, da CF/88, além de
o tipo do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 não fica restrito apenas às também estarem cobertas pela imunidade parlamentar (art. 53
hipóteses em que há substituição tributária. O que se da CF/88). O objetivo de seu discurso não foi o de repressão,
criminaliza é o fato de o sujeito passivo se apropriar do dinheiro dominação, supressão ou eliminação dos quilombolas ou dos
relativo ao imposto, devidamente recebido de terceiro, quer estrangeiros. O pronunciamento do parlamentar estava
porque descontou do substituído tributário, quer porque vinculado ao contexto de demarcação e proveito econômico
cobrou do consumidor, não repassando aos cofres públicos. das terras e configuram manifestação política que não extrapola
STJ. 3ª Seção. HC 399.109-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, os limites da liberdade de expressão. Além disso, as
julgado em 22/08/2018 (Info 633) manifestações de Bolsonaro estavam relacionadas com a sua
função de parlamentar. Inclusive, o convite para a palestra se
REGIME INICIAL DE PENA deu em razão do exercício do cargo de Deputado Federal a fim
de dar a sua visão geopolítica e econômica do País. Assim, havia
Imposição do regime semiaberto para réu reincidente,
uma vinculação das manifestações apresentadas na palestra
condenado a 1 ano e 4 meses de reclusão pelo furto de uma
com os seu pronunciamentos na Câmara dos Deputados, de
garrafa de licor
sorte que incide a imunidade parlamentar. STF. 1ª Turma. Inq
João, reincidente, foi condenado a uma pena de 1 ano e 4
4694/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (Info
meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do
915).
crime de furto simples (art. 155, caput, do CP). A defesa
postulou a aplicação do regime aberto com base no princípio da
insignificância, considerado o objeto furtado ter sido apenas INJÚRIA
uma garrafa de licor. O STF decidiu impor o regime semiaberto. A esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra
Entendeu-se que, de um lado, o regime fechado deve ser autor de mensagem que insinua que o seu marido tem uma
afastado. Por outro, não se pode conferir o regime aberto para relação extraconjugal com outro homem. Se alguém alega
um condenado reincidente, uma vez que isso poderia se tornar que um indivíduo casado mantém relação homossexual
um incentivo à criminalidade, ainda mais em cidades menores, extraconjugal com outro homem, a esposa deste indivíduo tem
onde o furto é, via de regra, perpetrado no mesmo legitimidade para ajuizar queixa-crime por injúria, alegando que
estabelecimento. A reincidência delitiva do paciente, que também é ofendida. Caso concreto: Roberto insinuou que
praticou o quinto furto em pequeno município, eleva a Weverton teria um relacionamento homossexual extraconjugal
gravidade subjetiva de sua conduta. STF. 1ª Turma. HC com outro homem. A mulher de Weverton tem legitimidade
136385/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre para ajuizar queixacrime contra Roberto pela prática do crime
de Moraes, julgado em 7/8/2018 (Info 910). de injúria. STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux,
red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2018 (Info
CRIMES FUNCIONAIS 919).
Diretor de organização social é considerado funcionário
público por equiparação para fins penais CALÚNIA ELEITORAL
O diretor de organização social pode ser considerado Para configurar o delito de calúnia eleitoral, é necessária a
funcionário público por equiparação para fins penais (art. 327, § comprovação da lesividade da conduta e, se o suposto
1º do CP). Isso porque as organizações sociais que celebram atingido afirma não ter se ofendido, não há prova da
contratos de gestão com o Poder Público devem ser materialidade
consideradas “entidades paraestatais”, nos termos do art. 327, § O comitê de campanha do candidato Ronaldo foi arrombado e
1º do CP. STF. 1ª Turma. HC 138484/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, de lá furtados dois computadores. Em entrevista concedida a

46
um jornal, Ronaldo teria afirmado que o maior suspeito do PETRECHOS PARA FALSIFICAÇÃO DE MOEDA
crime era o governo. Em razão das declarações, o Ministério O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a
Público eleitoral ofereceu denúncia contra Ronaldo pela prática posse ou guarda de maquinismo, aparelho, instrumento ou
de calúnia eleitoral (art. 324 do CE), figurando como suposta qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de
vítima Teotônio, Governador e candidato a reeleição. O réu se moeda. A expressão “especialmente destinado” não diz respeito
defendeu alegando que apenas emitiu opinião sobre o ocorrido a uma característica intrínseca ou inerente do objeto. Se assim
e que não citou o nome do Governador. Vale ressaltar que fosse, só o maquinário exclusivamente voltado para a fabricação
Teotônio (suposta vítima) afirmou que não se sentiu ou falsificação de moedas consubstanciaria o crime, o que
pessoalmente ofendido. Diante disso, o STF absolveu o réu implicaria a absoluta inviabilidade de sua consumação (crime
afirmando que, para configurar o delito de calúnia é necessária a impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos utilizados
comprovação da lesividade da conduta e que, como o suposto pela Casa de Moeda são direcionados exclusivamente para a
atingido afirma não ter se ofendido com as declarações, não há fabricação de moeda. A dicção legal está relacionada ao uso que
prova da materialidade da conduta delituosa. STF. Plenário. AP o agente pretende dar ao objeto, ou seja, a consumação
929 ED-2º julg-EI/AL, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 depende da análise do elemento subjetivo do tipo (dolo), de
(Info 920). modo que, se o agente detém a posse de impressora, ainda
que manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o
PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO propósito de a utilizar precipuamente para contrafação de
moeda, incorre no referido crime. STJ. 6ª Turma. REsp
Em caso de descumprimento injustificado da pena restritiva de
1.758.958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
direitos (ex: prestação pecuniária), o CP prevê, como
11/09/2018 (Info 633)
consequência, a reconversão da pena restritiva de direitos em
privativa de liberdade. Logo, o juiz não deve decretar o arresto
dos bens do condenado como forma de cumprimento TORTURA
forçado da pena substitutiva. A possibilidade de reconversão Somente pode ser agente ativo do crime de tortura-castigo
da pena já é a medida que, por força normativa, atribui (art. 1º, II, da Lei nº 9.455/97) aquele que detiver outra
coercividade à pena restritiva de direitos. Ex: João foi condenado pessoa sob sua guarda, poder ou autoridade (crime
a pena de 3 anos de reclusão, tendo o juiz substituída a pena próprio). STJ. 6ª Turma. REsp 1.738.264-DF, Rel. Min. Sebastião
privativa de liberdade por duas restritivas de direitos. Uma delas Reis Júnior, julgado em 23/08/2018 (Info 633)
foi o pagamento de prestação pecuniária no valor total de R$
100 mil, parceladamente em 36 prestações mensais. O CÓDIGO DE TRÂNSITO
Ministério Público afirmou que o prazo para cumprimento da
A regra que prevê o crime do art. 305 do Código de Trânsito
prestação pecuniária é muito longo e que haveria o risco de o
Brasileiro (CTB) é constitucional, posto não infirmar o princípio
condenado não pagar. Diante disso, pediu ao juiz que
da não incriminação, garantido o direito ao silêncio e
decretasse o arresto dos bens do sentenciado. Este
ressalvadas as hipóteses de exclusão da tipicidade e da
requerimento deverá ser indeferido. STJ. 6ª Turma. REsp
antijuridicidade. STF. Plenário. RE 971.959/RS, Rel. Min. Luiz Fux,
1.699.665-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado
julgado em 14/11/2018 (repercussão geral) (Info 923).
em 07/08/2018 (Info 631).

MULTA
CASA DE PROSTITUIÇÃO
O Ministério Público possui legitimidade para propor a
Não se tratando de estabelecimento voltado exclusivamente
cobrança de multa decorrente de sentença penal
para a prática de mercancia sexual, tampouco havendo
condenatória transitada em julgado, com a possibilidade
notícia de envolvimento de menores de idade, nem
subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública.
comprovação de que o réu tirava proveito, auferindo lucros
Quem executa a pena de multa?
da atividade sexual alheia mediante ameaça, coerção,
• Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução
violência ou qualquer outra forma de violação ou
penal, aplicando-se a LEP.
tolhimento à liberdade das pessoas, não há falar em fato
• Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser
típico a ser punido na seara penal. Não se trata do crime do
devidamente intimado: a Fazenda Pública irá executar, na
art. 229 do CP. Mesmo após as alterações legislativas
vara de execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80.
introduzidas pela Lei nº 12.015/2009, a conduta consistente
STF. Plenário.ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto
em manter “Casa de Prostituição” segue sendo crime
Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927). STF. Plenário.
tipificado no art. 229 do Código Penal. Todavia, com a novel
AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e
legislação, passou-se a exigir a “exploração sexual” como
13/12/2018 (Info 927).
elemento normativo do tipo, de modo que a conduta
Obs: a Súmula 521-STJ fica superada e deverá ser cancelada.
consistente em manter casa para fins libidinosos, por si só,
Súmula 521-STJ: A legitimidade para a execução fiscal de multa
não mais caracteriza crime, sendo necessário, para a
pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é
configuração do delito, que haja exploração sexual, assim
exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública.
entendida como a violação à liberdade das pessoas que ali
exercem a mercancia carnal. STJ. 6ª Turma. REsp 1.683.375-SP,
Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 14/08/2018 CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO
(Info 631) A simulação de consórcio por meio de venda premiada,
operada sem autorização do Banco Central do Brasil,

47
configura crime contra o sistema financeiro, tipificado pelo
art. 16 da Lei nº 7.492/86, o que atrai a competência da Justiça
Federal. STJ. 3ª Seção. CC 160.077-PA, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 10/10/2018 (Info 637).

48
Processo Penal ressaltar que se houver alguma ilegalidade flagrante, o Tribunal
poderá conceder a ordem de ofício. STF. 2ª Turma. RHC 146327/
AÇÃO PENAL RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).
Verificado empate no julgamento de ação penal, deve
A competência para julgar determinados habeas corpus é de
prevalecer a decisão mais favorável ao réu. Esse mesmo
uma das duas Turmas do STF (e não do Plenário). Ex: HC
entendimento deve ser aplicado em caso de empate no
contra decisão do STJ, em regra, é de competência de uma
julgamento dos embargos de declaração opostos contra o
das Turmas do STF. O Ministro Relator do HC no STF, em vez
acórdão que julgou a ação penal. Terminando o julgamento
de submetê-lo à Turma, pode levá-lo para ser julgado pelo
dos embargos empatado, aplica-se a decisão mais favorável ao
Plenário? SIM. Essa possibilidade encontra-se prevista no art. 6º,
réu. STF. (Info 888).
II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. Para fazer isso, o Relator precisa
fundamentar essa remessa? É necessário que o Relator
HABEAS CORPUS apresente uma justificativa para que o caso seja levado ao
O habeas corpus pode ser empregado para impugnar Plenário? NÃO. É possível a remessa de habeas corpus ao
medidas cautelares de natureza criminal diversas da prisão. Plenário do STF, pelo relator, de forma discricionária, com
STF. (Info 888). fundamento no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. STF.
O STF ADMITIU A POSSIBILIDADE DE HABEAS CORPUS Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e
COLETIVO 12/4/2018 (Info 897).
O habeas corpus se presta a salvaguardar a liberdade. Assim, se Relator pode determinar, de forma discricionária, que HC
o bem jurídico ofendido é o direito de ir e vir, quer pessoal, seja julgado pelo Plenário do STF (e não pela Turma) STF.
quer de um grupo determinado de pessoas, o instrumento Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e
processual para resgatá-lo é o habeas corpus, individual ou 12/4/2018 (Info 897).
coletivo.
A superveniência da sentença condenatória faz com que o
A ideia de admitir a existência de habeas corpus coletivo está de
habeas corpus impetrado anteriormente fique prejudicado
acordo com a tradição jurídica nacional de conferir a maior
A superveniência de sentença condenatória que mantém a
amplitude possível ao remédio heroico (doutrina brasileira do
prisão preventiva prejudica a análise do habeas corpus que
habeas corpus).
havia sido impetrado contra o título originário da custódia. Se,
Apesar de não haver uma previsão expressa no
após o habeas corpus ser impetrado contra a prisão preventiva,
ordenamento jurídico, existem dois dispositivos legais que,
o juiz ou Tribunal prolata sentença/acórdão condenatório e
indiretamente, revelam a possibilidade de habeas corpus
mantém a prisão anteriormente decretada, haverá uma
coletivo. Trata-se do art. 654, § 2º e do art. 580, ambos do
alteração do título prisional e, portanto, o habeas corpus
CPP.
impetrado contra prisão antes do julgamento não deverá ser
O art. 654, § 2º estabelece que compete aos juízes e tribunais
conhecido. STF. Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin,
expedir ordem de habeas corpus de ofício.
julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897).
O art. 580 do CPP, por sua vez, permite que a ordem
concedida em determinado habeas corpus seja estendida Não cabe recurso contra a decisão do Ministro Relator que,
para todos que se encontram na mesma situação. motivadamente, defere ou indefere liminar em HC
Assim, conclui-se que os juízes ou Tribunais podem estender Não se admite agravo regimental contra decisão do Ministro
para todos que se encontrem na mesma situação a ordem de Relator que, motivadamente, defere ou indefere liminar em
habeas corpus concedida individualmente em favor de uma habeas corpus. STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min.
pessoa. Existem mais de 100 milhões de processos no Poder Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914).
Judiciário, a cargo de pouco mais de 16 mil juízes, exigindo do
STF que prestigie remédios processuais de natureza coletiva
COISA JULGADA
com o objetivo de emprestar a máxima eficácia ao mandamento
constitucional da razoável duração do processo e ao princípio Diante do trânsito em julgado de duas sentenças
universal da efetividade da prestação jurisdicional. Diante da condenatórias contra o mesmo condenado, por fatos
inexistência de regramento legal, o STF entendeu que se deve idênticos, deve prevalecer a condenação mais favorável ao
aplicar, por analogia, o art. 12 da Lei nº 13.300/2016, que trata réu. Não importa qual processo tenha iniciado antes ou em qual
sobre os legitimados para propor mandado de injunção deles tenha ocorrido primeiro o trânsito em julgado. O que irá
coletivo. prevalecer é a condenação que foi mais favorável ao réu. STJ.
Assim, POSSUEM LEGITIMIDADE PARA IMPETRAR HABEAS (Info 616).
CORPUS COLETIVO: 1) o Ministério Público; 2) o partido Obs: a 1ª Turma do STF possui um precedente em sentido
político com representação no Congresso Nacional; 3) a contrário: Os institutos da litispendência e da coisa julgada
organização sindical, entidade de classe ou associação direcionam à insubsistência do segundo processo e da segunda
legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 sentença proferida, sendo imprópria a prevalência do que seja
ano; 4) a Defensoria Pública. STF. (Info 891). mais favorável ao acusado. STF. 1ª Turma. HC 101131, Rel. Min.
Luiz Fux, Rel p/ Acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em
É cabível habeas corpus contra decisão judicial transitada 25/10/2011.
em julgado?
1ª) SIM. Foi o que decidiu a 2ª Turma no RHC 146327/RS, Rel.
PROVAS
Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).
2ª) NÃO. É a posição majoritária no STF e no STJ. Vale Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular

49
pela polícia, sem prévia autorização judicial, na hipótese em que privilegiado. Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O foro por
seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos
sido entregue à autoridade policial por sua esposa. STJ.(Info durante o exercício do cargo e relacionados às funções
617). desempenhadas. Marco para o fim do foro: término da instrução
Cuidado para não confundir: Sem prévia autorização judicial, são Após o final da instrução processual, com a publicação do
nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a
dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes no competência para processar e julgar ações penais não será mais
celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo
tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.
(Info 583). STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado
em 03/05/2018 (Info 900).
Os dados do contribuinte que a Receita Federal obteve das
instituições bancárias mediante requisição direta (sem A prerrogativa de foro de membro do Ministério Público é
intervenção do Poder Judiciário, com base nos arts. 5º e 6º preservada quando a possível participação deste em
da LC 105/2001), podem ser compartilhados, também sem conduta criminosa é comunicada com celeridade ao PGJ
autorização judicial, com o Ministério Público, para serem Se uma pessoa sem foro por prerrogativa está sendo
utilizados como prova emprestada no processo penal. Isso interceptada por decisão do juiz de 1ª instância e ela liga para
porque o STF decidiu que são constitucionais os arts. 5º e 6º da uma autoridade com foro (ex: Promotor de Justiça), a gravação
LC 105/2001, que permitem o acesso direto da Receita Federal à desta conversa não é ilícita. Isso porque se trata de encontro
movimentação financeira dos contribuintes (RE 601314/SP, Rel. fortuito de provas (encontro fortuito de crimes), também
Min. Edson Fachin, julgado em 24/2/2016. Info 815). Este chamado de serendipidade ou crime achado. Se após essa
entendimento do STF deve ser estendido também para a esfera ligação, o Delegado ainda demora três dias para comunicar o
criminal. É lícito o compartilhamento promovido pela Receita fato às autoridades competentes para apurara a conduta do
Federal dos dados bancários por ela obtidos a partir de Promotor, este tempo não é considerado excessivo, tendo em
permissivo legal, com a Polícia e com o Ministério Público, vista a dinâmica que envolve as interceptações telefônicas.
ao término do procedimento administrativo fiscal, quando Assim, o STF decidiu que a prerrogativa de foro de membro do
verificada a prática, em tese, de infração penal. STF. 1ª Ministério Público é preservada quando a possível participação
Turma. RE 1043002 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em deste em conduta criminosa é comunicada com celeridade ao
01/12/2017. STF. 2ª Turma. RHC 121429/SP, Rel. Min. Dias Procurador-Geral de Justiça. Tais gravações, por serem lícitas,
Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STJ. 5ª Turma. AgRg no podem servir como fundamento para que o CNMP aplique
REsp 1.601.127-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Rel. Acd. Min. Felix sanção de aposentadoria compulsória a este Promotor. STF. 1ª
Fischer, julgado em 20/09/2018 (Info 634). STJ. 6ª Turma. HC Turma. MS 34751/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
422.473-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
20/03/2018 (Info 623).
As autoridades listadas no art. 105, I, “a”, da CF/88 somente
terão foro por prerrogativa de função no STJ para os crimes
MEDIDAS CAUTELARES cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às
É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, funções desempenhadas
imponha a parlamentares municipais as medidas cautelares de As hipóteses de foro por prerrogativa de função perante o STJ
afastamento de suas funções legislativas sem necessidade de restringem-se àquelas em que o crime for praticado em razão e
remessa à Casa respectiva para deliberação. STJ. (Info 617) durante o exercício do cargo ou função. STJ. Corte Especial.
AgRg na APn 866-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO 20/06/2018 (Info 630)
Se, após a interposição de recurso especial contra a Iminência da ocorrência da prescrição fez com que o STJ
condenação criminal, o réu foi diplomado Deputado permanecesse competente para julgar Desembargador que
Federal, a competência para julgar este recurso passa a ser praticou crime fora do exercício de suas funções
do STF. STF (Info 890). A iminente prescrição do crime praticado por Desembargador
excepciona o entendimento consolidado na APn 937 - o foro
Restrição ao foro por prerrogativa de função
por prerrogativa de função é restrito a crimes cometidos ao
Marco para o fim do foro: término da instrução
tempo do exercício do cargo e que tenham relação com o cargo
Importante!!! Restrição ao foro por prerrogativa de função As
- e prorroga a competência do Superior Tribunal de Justiça. STJ.
normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses
Corte Especial. QO na APn 703-GO, Rel. Min. Benedito
de foro por prerrogativa de função devem ser interpretadas
Gonçalves, julgado em 01/08/2018 (Info 630).
restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que tenham
sido praticados durante o exercício do cargo e em razão dele. Com a decisão proferida pelo STF, em 03/05/2018, na AP 937
Assim, por exemplo, se o crime foi praticado antes de o QO/RJ, todos os inquéritos e processos criminais que
indivíduo ser diplomado como Deputado Federal, não se estavam tramitando no Supremo envolvendo crimes não
justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª relacionados com o cargo ou com a função desempenhada
instância mesmo ocupando o cargo de parlamentar federal. pela autoridade, foram remetidos para serem julgados em
Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido após a 1ª instância. Isso porque o STF definiu, como 1ª tese, que “o
investidura no mandato, se o delito não apresentar relação foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes
direta com as funções exercidas, também não haverá foro cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às

50
funções desempenhadas”. O entendimento acima não se para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória
aplica caso a instrução já tenha se encerrado. Em outras transitada em julgado. É o caso, por exemplo, das Regras de
palavras, se a instrução processual já havia terminado, mantém- Bangkok.
se a competência do STF para o julgamento de detentores de Os cuidados com a mulher presa não se direcionam apenas a
foro por prerrogativa de função, ainda que o processo apure um ela, mas igualmente aos seus filhos, os quais sofrem
crime que não está relacionado com o cargo ou com a função injustamente as consequências da prisão, em flagrante
desempenhada. Isso porque o STF definiu, como 2ª tese, que contrariedade ao art. 227 da Constituição, cujo teor
“após o final da instrução processual, com a publicação do determina que se dê prioridade absoluta à concretização dos
despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a direitos das crianças e adolescentes.
competência para processar e julgar ações penais não será mais Diante da existência desse quadro, deve-se dar estrito
afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo cumprimento do Estatuto da Primeira Infância (Lei 13.257/2016),
ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.” em especial da nova redação por ele conferida ao art. 318, IV e
STF. 1ª Turma. AP 962/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. V, do CPP, que prevê:
Min. Roberto Barroso, julgado em 16/10/2018 (Info 920). Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela
domiciliar quando o agente for:
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade
“Denúncia anônima” e quebra de sigilo
incompletos;
Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade
Os critérios para a substituição de que tratam esses incisos
em iniciar investigações preliminares com base em
devem ser os seguintes:
"denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade
REGRA. Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar para
das alegações contidas no documento apócrifo. A Polícia,
todas as mulheres presas que sejam
com base em diligências preliminares para atestar a veracidade
- gestantes
dessas “denúncias” e também lastreada em informações
- puérperas (que deram à luz há pouco tempo)
recebidas pelo Ministério da Justiça e pela CGU, requereu ao
- mães de crianças (isto é, mães de menores até 12 anos
juízo a decretação da interceptação telefônica do investigado. O
incompletos) ou
STF entendeu que a decisão do magistrado foi correta
- mães de pessoas com deficiência.
considerando que a decretação da interceptação telefônica não
EXCEÇÕES:
foi feita com base unicamente na "denúncia anônima" e sim
Não deve ser autorizada a prisão domiciliar se:
após a realização de diligências investigativas e também com
1) a mulher tiver praticado crime mediante violência ou
base nas informações recebidas dos órgãos públicos de
grave ameaça;
fiscalização.
2) a mulher tiver praticado crime contra seus descendentes
Renovação das interceptações
(filhos e/ou netos);
A Lei nº 9.296/96 prevê que a interceptação telefônica "não
3) em outras situações excepcionalíssimas, as quais deverão
poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual
ser devidamente fundamentadas pelos juízes que
tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de
denegarem o benefício.
prova." (art. 5º). A interceptação telefônica não pode exceder
Obs1: o raciocínio acima explicado vale também para
15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não
adolescentes que tenham praticado atos infracionais.
havendo restrição legal ao número de vezes para tal
Obs2: a regra e as exceções acima explicadas também valem
renovação, se comprovada a sua necessidade. STF. 2ª Turma.
para a reincidente. O simples fato de que a mulher ser
RHC 132115/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018
reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão
(Info 890)
domiciliar. STF. (Info 891).

PRISÃO PREVENTIVA Deve ser concedida a liberdade provisória a réu primário preso
preventivamente sob a imputação de tráfico de drogas por ter
O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e
sido encontrado com 887,89 gramas de maconha e R$ 1.730,00.
mães de crianças que estavam cumprindo prisão preventiva em
O STF considerou genéricas as razões da segregação cautelar do
situação degradante, privadas de cuidados médicos pré-natais e
réu. Além disso, reconheceu como de pouca nocividade a
pós-parto. Além disso, não havia berçários e creches para seus
substância entorpecente apreendida (maconha). Reputou que a
filhos.
prisão de jovens pelo tráfico de pequena quantidade de
Também se reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de
maconha é mais gravosa do que a eventual permanência em
uma “CULTURA DO ENCARCERAMENTO”, que significa a
liberdade, pois serão fatalmente cooptados ou
imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a
contaminados por uma criminalidade mais grave ao
mulheres pobres e vulneráveis, em decorrência de excessos
ingressarem no ambiente carcerário. STF. 1ª Turma. HC
na interpretação e aplicação da lei penal e processual penal,
140379/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
mesmo diante da existência de outras soluções, de caráter
Barroso, julgado em 23/10/2018 (Info 921).
humanitário, abrigadas no ordenamento jurídico vigente.
A Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições de A prática de contravenção penal, no âmbito de violência
garantir cuidados mínimos relativos à maternidade, até mesmo doméstica, não é motivo idôneo para justificar a prisão
às mulheres que não estão em situação prisional. preventiva do réu. O inciso III do art. 313 do CPP prevê que
Diversos documentos internacionais preveem que devem ser será admitida a decretação da prisão preventiva “se o CRIME
adotadas alternativas penais ao encarceramento, principalmente envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,

51
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para pretensão punitiva. (Info 619)
garantir a execução das medidas protetivas de urgência”. Assim,
a redação do inciso III do art. 313 do CPP fala em CRIME (não RECURSOS
abarcando contravenção penal). Logo, não há previsão legal
Súmula 604-STJ: O mandado de segurança não se presta para
que autorize a prisão preventiva contra o autor de uma
atribuir efeito suspensivo a recurso criminal interposto pelo
contravenção penal. Decretar a prisão preventiva, nesta
Ministério Público.
hipótese, representa ofensa ao princípio da legalidade estrita.
STJ. 6ª Turma. HC 437.535-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Tempestividade do recurso interposto antes da decisão
Moura, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em recorrida ter sido publicada
26/06/2018 (Info 632). Não é extemporâneo recurso interposto antes da publicação do
acórdão. Sob o ângulo da oportunidade, a publicação do
IMUNIDADE DIPLOMÁTICA acórdão impugnado é elemento neutro, podendo a parte, ciente
da decisão proferida, protocolar o recurso. Assim por exemplo,
A cautelar fixada de proibição para que agente diplomático
admite-se a interposição de embargos declaratórios oferecidos
acusado de homicídio se ausente do país sem autorização
antes da publicação do acórdão embargado e dentro do prazo
judicial não é adequada na hipótese em que o Estado de
recursal. STF. 1ª Turma. HC 113826, Rel. Min. Marco Aurélio,
origem do réu tenha renunciado à imunidade de jurisdição
julgado em 10/4/2018 (Info 897).
cognitiva, mas mantenha a competência para o
cumprimento de eventual pena criminal a ele imposta. STJ. Cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra
(Info 618). decisão condenatória proferida em ação penal de
competência originária das Turmas do STF se 2 Ministros
DENÚNCIA votaram pela absolvição
Importante!!! Cabem embargos infringentes para o Plenário do
É possível o aditamento da denúncia a qualquer tempo
STF contra decisão condenatória proferida em sede de ação
antes da sentença final, garantidos o devido processo legal,
penal de competência originária das Turmas do STF. O requisito
a ampla defesa e o contraditório, especialmente quando a
de cabimento desse recurso é a existência de dois votos
inicial ainda não tenha sido sequer recebida originariamente
minoritários absolutórios em sentido próprio. Voto absolutório
pelo juízo competente.
em sentido próprio: significa que o Ministro deve ter expressado
O membro do MP possui total liberdade na formação de seu
juízo de improcedência da pretensão executória. STF. Plenário.
convencimento (opinio delicti). Assim, a sua atuação não
AP 863 EI-AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 18 e
pode ser restringida ou ficar vinculada às conclusões
19/4/2018; HC 152707/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18
jurídicas que o outro membro do MP chegou, mesmo que
e 19/4/2018 (Info 898).
este atue em uma instância superior. Em outras palavras, o
Promotor de Justiça que passou a ter atribuição para atuar no Não caracteriza reformatio in pejus a decisão de tribunal de
caso não está vinculado às conclusões do Procurador-Geral de justiça que, ao julgar recurso de apelação exclusivo da
Justiça que estava anteriormente funcionando no processo. defesa, mantém a reprimenda aplicada pelo magistrado de
Desse modo, é irrelevante que outros membros do Ministério primeiro grau, porém com fundamentos diversos daqueles
Público com atribuição para atuar em instância superior, em adotados na sentença.
virtude da análise dos mesmos fatos, tenham, anteriormente, Não viola o princípio da proibição da reformatio in pejus a
oferecido denúncia de diferente teor em face do réu, uma vez reavaliação das circunstâncias judiciais em recurso de
que, conforme ficou reconhecido pelo STJ e pelo TJDFT, a apelação penal, no âmbito do efeito devolutivo, desde que
competência para o processo criminal era da 1ª instância, de essa não incorra em aumento de pena.
forma que o promotor natural do caso era o Promotor de Não há falar em reformatio in pejus se os motivos
Justiça que atua na 1ª instância. Portanto, o fato de o promotor expendidos pelo julgador em sede de apelação exclusiva da
natural — aquele com atribuição para atuar na 1ª instância defesa não representaram advento de situação mais gravosa
— não se encontrar tecnicamente subordinado e apresentar para o réu. STF. 1ª Turma. RHC 119149/RS, Rel. Min. Dias
entendimento jurídico diverso, afasta qualquer alegação de Toffoli, julgado em 10/2/2015 (Info 774). STF. 1ª Turma. HC
nulidade decorrente de alteração do teor da peça acusatória 126457/PA, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
oferecida contra o réu Paulo. STF. (Info 893). Alexandre de Moraes, julgado em 6/11/2018 (Info 922). Esse é
também o entendimento do STJ: STJ. 5ª Turma. HC 330.170/RS,
Princípio do in dubio pro societate
Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/09/2016.
No momento da denúncia, prevalece o princípio do in dubio pro
societate. STF. 1ª Turma. Inq 4506/DF, rel. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/04/2018 (Info COMPETÊNCIA
898). Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes de
violação de direito autoral e contra a lei de software
PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA decorrentes do compartilhamento ilícito de sinal de TV por
assinatura, via astélite ou cabo, por meio de serviços de card
Havendo dúvida resultante da omissão cartorária em
sharing. (Info 620).
certificar a data de recebimento da sentença conforme o art.
389 do CPP, NÃO se pode presumir a data de publicação A doação eleitoral por meio de “caixa 2” é uma conduta que
com o mero lançamento de movimentação dos autos na configura crime eleitoral de falsidade ideológica (art. 350 do
internet, a fim de se verificar a ocorrência de prescrição da Código Eleitoral). A competência para processar e julgar este

52
delito é da Justiça Eleitoral. A existência de crimes conexos de Mendes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).
competência da Justiça Comum, como corrupção passiva e
Possibilidade de acordo de colaboração premiada ser
lavagem de capitais, não afasta a competência da Justiça
celebrado por Delegado de Polícia
Eleitoral, por força do art. 35, II, do CE e do art. 78, IV, do CPP.
O delegado de polícia pode formalizar acordos de colaboração
STF. 2ª Turma. PET 7319/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
premiada, na fase de inquérito policial, respeitadas as
27/3/2018 (Info 895).
prerrogativas do Ministério Público, o qual deverá se manifestar,
Compete à Justiça Federal a condução do inquérito que sem caráter vinculante, previamente à decisão judicial. Os §§ 2º e
investiga o cometimento do delito previsto no art. 334, § 1º, 6º do art. 4º da Lei nº 12.850/2013, que preveem essa
IV, do Código Penal, na hipótese de venda de mercadoria possibilidade, são constitucionais e não ofendem a titularidade
estrangeira, permitida pela ANVISA, desacompanhada de da ação penal pública conferida ao Ministério Público pela
nota fiscal e sem comprovação de pagamento de imposto Constituição (art. 129, I). STF. Plenário. ADI 5508/DF, Rel. Min.
de importação. STJ. Plenário. CC 159.680-MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 08/08/2018 (Info 631).
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e
Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes de autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de
contrabando e de descaminho, AINDA QUE INEXISTENTES colaboração premiada, desde que sejam respeitados os
INDÍCIOS DE TRANSNACIONALIDADE NA CONDUTA. STJ. 3ª limites estabelecidos no acordo em relação ao colaborador.
Seção. CC 160.748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado Assim, por exemplo, se um indivíduo celebra acordo de
em 26/09/2018 (Info 635). colaboração premiada com o MP aceitando fornecer provas
contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para
Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida
as sanções que foram ajustadas no acordo. STF. 2ª Turma. PET
protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça contra
7065/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 (Info
a mulher cometido por meio de rede social de grande
922).
alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu resultado
Ainda que remetido a outros órgãos do Poder Judiciário
ocorrer no Brasil. STJ. 3ª Seção. CC 150.712-SP, Rel. Min. Joel
para apuração dos fatos delatados, o juízo que homologou o
Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018 (Info 636).
acordo de colaboração premiada continua sendo
competente para analisar os pedidos de compartilhamento
COLABORAÇÃO PREMIADA dos termos de depoimentos prestados no âmbito da
Competência para homologação do acordo de colaboração colaboração. STF. 2ª Turma. PET 7065/DF, Rel. Min. Edson
premiada se o delatado tiver foro por prerrogativa de Fachin, julgado em 30/10/2018 (Info 922).
função Se a delação do colaborador mencionar fatos criminosos
que teriam sido praticados por autoridade (ex: Governador) e EMENDATIO LIBELLI
que teriam que ser julgados por foro privativo (ex: STJ), este
O réu foi condenado a 4 anos de reclusão pela prática do crime
acordo de colaboração deverá, obrigatoriamente, ser celebrado
previsto no art. 4º, caput, da Lei nº 7.492/86. O Tribunal, em
pelo Ministério Público respectivo (PGR), com homologação
recurso exclusivo da defesa, reclassificou a conduta para os art.
pelo Tribunal competente (STJ). Assim, se os fatos delatados
16 e 22, parágrafo único, da Lei nº 7.492/86, mantendo,
tiverem que ser julgados originariamente por um Tribunal (foro
contudo, a pena em 4 anos de reclusão. Não há qualquer
por prerrogativa de função), o próprio acordo de colaboração
nulidade no acórdão do Tribunal. Houve, no presente caso,
premiada deverá ser homologado por este respectivo Tribunal,
emendatio libelli.
mesmo que o delator não tenha foro privilegiado. A delação de
É possível a realização de emendatio libelli em segunda
autoridade com prerrogativa de foro atrai a competência do
instância no julgamento de recurso exclusivo da defesa,
respectivo Tribunal para a respectiva homologação e, em
desde que não gere reformatio in pejus, nos termos do art.
consequência, do órgão do Ministério Público que atua perante
617 do CPP. Como a pena foi mantida pelo Tribunal, não
a Corte. Se o delator ou se o delatado tiverem foro por
houve prejuízo ao réu. STF. 2ª Turma. HC 134.872/PR, Rel. Min.
prerrogativa de função, a homologação da colaboração
Dias Tóffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).
premiada será de competência do respectivo Tribunal. Análise
da legitimidade do delatado para impugnar o acordo de
colaboração premiada Em regra, o delatado não tem PRISÃO DOMICILIAR
legitimidade para impugnar o acordo de colaboração premiada. O art. 318, II, do CPP é chamado de prisão domiciliar
Assim, em regra, a pessoa que foi delatada não poderá impetrar humanitária. Em um caso concreto, o STF entendeu que deveria
um habeas corpus alegando que esse acordo possui algum conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista o alto risco
vício. Isso porque se trata de negócio jurídico personalíssimo. de saúde, a grande possibilidade de desenvolver infecções no
Esse entendimento, contudo, não se aplica em caso de cárcere e a impossibilidade de tratamento médico adequado na
homologação sem respeito à prerrogativa de foro. Desse modo, unidade prisional ou em estabelecimento hospitalar — tudo
é possível que o delatado questione o acordo se a impugnação demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se
estiver relacionada com as regras constitucionais de que a concessão da medida era necessária para preservar a
prerrogativa de foro. Em outras palavras, se o delatado for uma integridade física e moral do paciente, em respeito à dignidade
autoridade com foro por prerrogativa de função e, apesar disso, da pessoa humana (art. 1º, III, da CF). STF. 2ª Turma. HC 153961/
o acordo tiver sido homologado em 1ª instância, será permitido DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).
que ele impugne essa homologação alegando usurpação de
competência. STF. 2ª Turma. HC 151605/PR, Rel. Min. Gilmar EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA

53
STF mantém seu entendimento de que é possível a execução cumprimento da pena. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
provisória da pena 26/09/2018, DJe 01/10/2018.
O STF, ao julgar habeas corpus impetrado pelo ex-Presidente
Lula, decidiu manter o seu entendimento e reafirmar que é INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
possível a execução provisória de acórdão penal condenatório
É inconstitucional Resolução do CNJ que proíbe o juiz de
proferido em grau recursal, ainda que sujeito a recurso especial
prorrogar a interceptação telefônica durante o plantão
ou extraordinário. A execução provisória da pena não ofende o
judiciário ou durante o recesso do fim de ano
princípio constitucional da presunção de inocência (art. 5º, LVII,
Importante!!! A Resolução 59/2008 do CNJ disciplina e
da CF/88). STF. Plenário. HC 152752/PR, Rel. Min. Edson Fachin,
uniformiza o procedimento de interceptação de comunicações
julgado em 4/4/2018 (Info 896).
telefônicas e de sistemas de informática e telemática nos órgãos
jurisdicionais do Poder Judiciário. Foi proposta uma ADI contra
PROGRESSÃO DE REGIME esse ato normativo. O STF decidiu que essa Resolução é
Súmula 715 do STF continua sendo válida constitucional, com exceção do § 1º do art. 13, que prevê o
O art. 75 do Código Penal prevê que o tempo de cumprimento seguinte: “§ 1º Não será admitido pedido de prorrogação de
das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 prazo de medida cautelar de interceptação de comunicação
anos. Isso significa que, se o réu for condenado a uma pena de telefônica, telemática ou de informática durante o plantão
100 anos de reclusão, o limite máximo de cumprimento da pena judiciário, ressalvada a hipótese de risco iminente e grave à
será 30 anos. Vale ressaltar, no entanto, que, no cálculo dos integridade ou à vida de terceiros, bem como durante o Plantão
benefícios da execução penal, deverá ser considerada a pena de Recesso previsto artigo 62 da Lei nº 5.010/66”. Em relação ao
total aplicada. Assim, ao se calcular o requisito objetivo da § 1º do art. 13 da Resolução 59/2008, o CNJ extrapolou sua
progressão de regime, o juiz deverá considerar o total da pena competência normativa, adentrando em seara que lhe é
imposta (e não o limite do art. 75 do CP). Ex: 1/6 de 100 anos imprópria. Essa previsão violou: a) a competência dos Estados
(pena total) e não 1/6 de 30 anos. Existe um enunciado que para editar suas leis de organização judiciária (art. 125, § 1º, da
espelha essa conclusão: Súmula 715-STF: A pena unificada para CF/88); b) a competência legislativa na União para a edição de
atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado normas processuais (art. 22, I); c) a norma constante do art. 5º,
pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a XXXV, da CF, no que respeita à inafastabilidade da jurisdição.
concessão de outros benefícios, como o livramento condicional STF. Plenário. ADI 4145/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
ou regime mais favorável de execução. STF. 1ª Turma. HC Min. Alexandre de Moraes, julgado em 26/4/2018 (Info 899).
112182, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min.
Constitucionalidade da Resolução 36/2009-CNMP
Roberto Barroso, julgado em 03/04/2018 (Info 896).
É constitucional a Resolução 36/2009 do CNMP, que dispõe
A inexistência de estabelecimento penal adequado ao sobre o pedido e a utilização de interceptações telefônicas, no
regime prisional determinado para o cumprimento da pena âmbito do Ministério Público, nos termos da Lei nº 9.296/96. A
NÃO AUTORIZA a concessão imediata do benefício da norma foi editada no exercício das atribuições previstas
prisão domiciliar, porquanto, nos termos da Súmula diretamente no art. 130-A, § 2º, I e II, da CF/88. A Resolução
Vinculante n. 56, é imprescindível que a adoção de tal apenas regulamentou questões administrativas e disciplinares
medida seja precedida das providências estabelecidas no relacionadas ao procedimento de interceptação telefônica, sem
julgamento do RE 641.320/RS, quais sejam: i) saída adentrar em matéria de direito penal, processual ou relativa a
antecipada de outro sentenciado no regime com falta de nulidades. Não foram criados novos “requisitos formais de
vagas, abrindo-se, assim, vagas para os reeducandos que validade” das interceptações. Tanto isso é verdade que a
acabaram de progredir; ii) a liberdade eletronicamente inobservância dos preceitos contidos na resolução não constitui
monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é causa de nulidade, mas sim motivo para a instauração de
posto em prisão domiciliar por falta de vagas; e iii) procedimento administrativo disciplinar contra o agente público
cumprimento de penas restritivas de direitos e/ou estudo infrator, pois consistem em regras ligadas aos deveres
aos sentenciados em regime aberto. STJ. 3ª Seção. REsp funcionais de sigilo na atuação ministerial. A independência
1.710.674-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, funcional do MP foi preservada. A resolução não impõe uma
julgado em 22/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 632). linha de atuação ministerial, apenas promove a padronização
formal mínima dos ritos adotados nos procedimentos
EXECUÇÃO PENAL relacionados a interceptações telefônicas, em consonância com
as regras previstas na Lei nº 9.296/96. STF. Plenário. ADI
Impossibilidade de transferência do apenado para outro
4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info
Estado da Federação sob a alegação de que estaria
899).
recebendo tratamento privilegiado
É inviável a remoção de apenado para outro Estado com
fundamento em suposto tratamento privilegiado. Apenas razões PROVA
excepcionalíssimas e devidamente fundamentadas poderiam Indeferimento de todas as testemunhas da defesa sob o
legitimar essa medida. STF. 2ª Turma. HC 152.720/DF, Rel. Min. argumento de que seriam protelatórias: constrangimento
Gilmar Mendes, julgado em 10/4/2018 (Info 897). ilegal
Na fase de defesa prévia, o réu arrolou uma série de
Súmula 617-STJ: A ausência de suspensão ou revogação do
testemunhas, mas o juiz negou a oitiva afirmando que o
livramento condicional antes do término do período de
requerimento seria protelatório, haja vista que as testemunhas
prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral
não teriam, em tese, vinculação com os fatos criminosos

54
imputados. O STF entendeu que houve constrangimento ilegal. O acusado que responde a outro processo não tem direito
O direito à prova é expressão de uma inderrogável prerrogativa ao benefício, sendo essa previsão constitucional
jurídica, que não pode ser, arbitrariamente, negada ao réu. O De acordo com o art. 89 da Lei nº 9.099/95, a suspensão
princípio do livre convencimento motivado (art. 400, § 1º, do condicional do processo é instituto de política criminal, benéfico
CPP) faculta ao juiz o indeferimento das provas consideradas ao acusado, que visa a evitar a sua sujeição a um processo
irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. No entanto, no caso penal, cujos requisitos encontram-se expressamente previstos
concreto houve o indeferimento de todas as testemunhas de na norma em questão. É constitucional a norma do art. 89 da Lei
defesa. Dessa forma, houve ofensa ao devido processo legal, nº 9.099/95, que estabelece os requisitos para a concessão do
visto que frustrou a possibilidade de o acusado produzir as benefício da suspensão condicional do processo, entre eles o de
provas que reputava necessárias à demonstração de suas não responder o acusado por outros delitos.
alegações. STF. 2ª Turma. HC 155363/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, Assim, a existência de ações penais em curso contra o
julgado em 8/5/2018 (Info 901 denunciado impede a concessão do sursis processual por força
do art. 89 da Lei nº 9.099/95.
Possibilidade de utilizar os dados da Receita Federal para
STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
instruir processo penal
22/5/2018 (Info 903). STF. 2ª Turma. RHC 133945 AgR, Rel. Min.
Os dados do contribuinte que a Receita Federal obteve das
Gilmar Mendes, julgado em 21/06/2016.
instituições bancárias mediante requisição direta (sem
intervenção do Poder Judiciário, com base nos arts. 5º e 6º da
LC 105/2001), podem ser compartilhados, também sem INGRESSO EM DOMICÍLIO SEM AUTORIZAÇÃO
autorização judicial, com o Ministério Público, para serem Não é permitido o ingresso na residência do indivíduo pelo
utilizados como prova emprestada no processo penal. Isso simples fato de haver denúncias anônimas e ele ter fugido
porque o STF decidiu que são constitucionais os arts. 5º e 6º da da polícia
LC 105/2001, que permitem o acesso direto da Receita Federal à A existência de denúncias anônimas somada à fuga do acusado,
movimentação financeira dos contribuintes (RE 601314/SP, Rel. por si sós, não configuram fundadas razões a autorizar o
Min. Edson Fachin, julgado em 24/2/2016. Info 815). Este ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu
entendimento do STF deve ser estendido também para a esfera consentimento ou determinação judicial. STJ. 6ª Turma. RHC
criminal. Assim, é possível a utilização de dados obtidos pela 83.501-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018 (Info
Secretaria da Receita Federal, em regular procedimento 623).
administrativo fiscal, para fins de instrução processual penal.
STF. 1ª Turma. RE 1043002 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, REMIÇÃO
julgado em 01/12/2017. STF. 2ª Turma. RHC 121429/SP, Rel.
Não é possível a remição ficta da pena
Min. Dias Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STJ. 6ª
Não se admite a remição ficta da pena. Embora o Estado tenha
Turma. HC 422.473-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
o dever de prover trabalho aos internos que desejem laborar,
em 20/03/2018 (Info 623).
reconhecer a remição ficta da pena, nesse caso, faria com que
Busca e apreensão ordenada contra o marido da Senadora, todas as pessoas do sistema prisional obtivessem o benefício,
mas cujo cumprimento ocorreu no imóvel funcional onde fato que causaria substancial mudança na política pública do
ambos residem: deve-se observar as regras de foro privativo sistema carcerário, além de invadir a esfera do Poder Executivo.
Paulo Bernardo era investigado e o juiz de 1º grau determinou, O instituto da remição exige, necessariamente, a prática de
contra ele, busca e apreensão. Ocorre que Paulo Bernardo atividade laboral ou educacional. Trata-se de reconhecimento
residia com a sua esposa, a Senadora Gleisi Hoffmann, em um pelo Estado do direito à diminuição da pena em virtude de
imóvel funcional cedido pelo Senado. Desse modo, a busca e trabalho efetuado pelo detento. Não sendo realizado trabalho,
apreensão foi realizada neste imóvel funcional. O STF entendeu estudo ou leitura, não há que se falar em direito à remição. STF.
que esta prova foi ilícita (art. 5º, LVI, da CF/88) e determinou a 1ª Turma. HC 124520/RO, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac.
sua inutilização e o desentranhamento dos autos de todas as Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info 904). STJ. 5ª
provas obtidas por meio da referida diligência. O Supremo Turma. HC 421.425/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
entendeu que a ordem judicial de busca e apreensão foi ampla e 27/02/2018. STJ. 6ª Turma. HC 425.155/MG, Rel. Min. Nefi
vaga, sem prévia individualização dos bens que seriam de Cordeiro, julgado em 06/03/2018.
titularidade da Senadora e daqueles que pertenciam ao seu
Remição pelo trabalho antes do início da execução da pena
marido. Diante disso, o STF entendeu que o juiz, ao dar essa
É possível a remição do tempo de trabalho realizado antes do
ordem genérica, acabou por também determinar medida de
início da execução da pena, desde que em data posterior à
investigação contra a própria Senadora. Logo, como ela tinha
prática do delito. Ex: Em 2015, João praticou o crime “A”,
foro por prerrogativa de função no STF (art. 102, I, “b”, da
respondendo o processo em liberdade. Em 2016, João cometeu
CF/88), somente o Supremo poderia ter ordenado qualquer
o crime “B” e, por conta deste segundo delito, ficou preso por 3
medida de investigação contra a parlamentar federal. Isso
meses. Durante esse período, João trabalhou todos os dias na
significa que o juiz de 1ª instância usurpou uma competência
unidade prisional. Em 2017, João foi absolvido do delito “B”. Em
que era do STF. Reconheceu, por conseguinte, a ilicitude da
2018, João foi condenado pela prática do crime “A”, recebendo
prova obtida (art. 5º, LVI, da CF/88) e de outras diretamente dela
6 anos de reclusão. Iniciou-se a execução penal quanto ao crime
derivadas. STF. 2ª Turma. Rcl 24473/DF, Rel. Min. Dias Toffoli,
“A”. João poderá aproveitar o tempo que ficou preso quanto ao
julgado em 26/6/2018 (Info 908).
crime “B” para ser beneficiado com a remição relativa ao
período. Isso porque o trabalho em questão foi realizado em
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO momento posterior (2016) à prática do delito cuja condenação

55
se executa (crime “A” praticado em 2015).Desse modo, ainda de forma diversa. STJ. 5ª Turma. HC 270.534/SC, Rel. Min.
que o trabalho tenha sido realizado antes do início da execução Ribeiro Dantas, julgado em 07/03/2017. STF. 1ª Turma. HC
penal, será possível a remição da pena porque o delito que está 138097/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
sendo agora executado foi praticado antes do trabalho exercido. Barroso, julgado em 23/10/2018 (Info 921).
Não interessa, portanto, se o trabalho foi realizado antes ou Cumpre esclarecer, no entanto, que, se, no processo estivesse
depois do início da execução penal (início do cumprimento da atuando apenas um advogado, neste caso, haveria nulidade:
pena). O que interessa analisar é se o trabalho foi realizado A intimação do julgamento da apelação em nome do advogado
antes ou depois do cometimento do crime no qual se quer falecido do réu, único causídico constituído nos autos, configura
aproveitar a remição. • Se o trabalho foi realizado ANTES do cerceamento de defesa apto a ensejar a nulidade absoluta, já
crime: não será possível a remição na execução penal deste que impossibilitou a interposição de recurso pela defesa. STJ. 5ª
delito. • Se o trabalho foi realizado APÓS o crime: será sim Turma. HC 307.461/CE, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
possível a remição na execução penal deste delito. STJ. 6ª 14/08/2018. STJ. 6ª Turma. HC 301.274/CE, Rel. Min. Antonio
Turma. HC 420.257-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em Saldanha Palheiro, julgado em 23/10/2018.
19/04/2018 (Info 625).
TRIBUNAL DO JÚRI
SUJEITOS DO PROCESSO Sustentação oral em tempo reduzido
Nomeação judicial de Núcleo de Prática Jurídica e dispensa Diante das peculiaridades do Tribunal do Júri, o fato de ter
de procuração havido sustentação oral em plenário por tempo reduzido não
A nomeação judicial de Núcleo de Prática Jurídica para caracteriza, necessariamente, a deficiência de defesa técnica. STJ.
patrocinar a defesa de réu dispensa a juntada de procuração. 6ª Turma. HC 365.008-PB, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel.
STJ. 3ª Seção. EAREsp 798.496-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/04/2018 (Info
julgado em 11/04/2018 (Info 624) 627). Obs: existe decisão reconhecendo a ocorrência de
nulidade pelo simples fato de a sustentação oral ter sido feita
COMPETÊNCIA em poucos minutos: STJ. 6ª Turma. HC 234.758-SP, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/6/2012. No entanto,
Crime cometido no exterior e cuja extradição tenha sido
entendo que a posição majoritária é no sentido que isso não
negada: competência da Justiça Federal
conduz, obrigatoriamente, à nulidade, conforme decidido no HC
Compete à Justiça Federal o processamento e o julgamento da
365.008-PB.
ação penal que versa sobre crime praticado no exterior, o qual
tenha sido transferido para a jurisdição brasileira, por negativa Jurado que fala “é um crime” durante a sessão de
de extradição, aplicável o art. 109, IV, da CF/88. STJ. 3ª Seção. CC julgamento viola o dever de incomunicabilidade,
154.656-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/04/2018 acarretando a nulidade absoluta da condenação
(Info 625). Deve ser declarado nulo o júri em que membro do conselho de
sentença afirma a existência de crime em plena fala da acusação.
Compete à Justiça Estadual a execução de medida de
Caso concreto: durante os debates no Plenário do Tribunal do
segurança imposta a militar licenciado
Júri, o Promotor de Justiça estava em pé na frente dos jurados
Compete à Justiça Estadual a execução de medida de segurança
apresentando seus argumentos. Em determinado momento, o
imposta a militar licenciado. STJ. 3ª Seção. CC 149.442-RJ, Rel.
Promotor fez uma pergunta retórica: “aí, então, senhores
Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 09/05/2018 (Info 626).
jurados, eu pergunto a Vossas Excelências: qual foi a conduta
que o réu aqui presente praticou?” Uma das juradas acabou
NULIDADES “soltando” a seguinte resposta: “é um crime”. O juiz presidente
O simples fato de o juiz ser “duro” no interrogatório não do Júri imediatamente a advertiu dizendo: por favor, a senhora
implica quebra da imparcialidade não pode se manifestar. O advogado, contudo, na mesma hora
A condução do interrogatório do réu de forma firme e até um requereu ao magistrado que consignasse este fato na ata de
tanto rude durante o júri não importa, necessariamente, em julgamento. O juiz decidiu que não houve quebra da
quebra da imparcialidade do magistrado e em influência incomunicabilidade e seguiu com o julgamento. O réu foi
negativa nos jurados. STJ. 6ª Turma. HC 410.161-PR, Rel. Min. condenado e a defesa recorreu alegando, entre outros
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 17/04/2018 (Info argumentos, que houve nulidade do julgamento por quebra da
625). incomunicabilidade dos jurados. O STJ anulou o júri. STJ. 6ª
Turma. HC 436.241-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado
julgado em 19/06/2018 (Info 630)
constituído nos autos e a intimação para a sessão de
julgamento ocorre em nome de apenas um dos causídicos Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri, é possível a
que, no entanto, já havia falecido, mas cuja morte não tinha execução provisória da pena mesmo antes de o Tribunal
sido comunicada ao Tribunal. Vale ressaltar que, neste caso, julgar a apelação interposta pela defesa?
não havia pedido da defesa para que todos os advogados 1ª corrente: SIM. É possível a execução da condenação pelo
fossem intimados ou para que constasse o nome de um Juiz Presidente do Tribunal do Júri, independentemente do
causídico em específico nas publicações. Assim, estando o julgamento da apelação ou de qualquer outro recurso, em
réu representado por mais de um advogado, basta, em face do princípio da soberania dos veredictos. Assim, nas
regra, que a intimação seja realizada em nome de um deles condenações pelo Tribunal do Júri não é necessário aguardar
para a validade dos atos processuais, salvo quando houver julgamento de recurso em segundo grau de jurisdição para a
requerimento expresso para que as publicações sejam feitas execução da pena. STF. 1ª Turma. HC 140449/RJ, rel. orig. Min.

56
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em inquérito, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou
6/11/2018 (Info 922). STF. 1ª Turma. HC 118770 ED, Redator do materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF). A pendência de
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 04/06/2018. investigação, por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita
2ª corrente: NÃO Não é possível a execução provisória da contundente, ofende o direito à razoável duração do processo
pena em face de decisão do júri sem que haja o exaurimento (art. 5º, LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa humana (art.
em grau recursal das instâncias ordinárias, sob pena de 1º, III, da CF/88). Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito
macular o princípio constitucional da presunção de para apurar suposto delito praticado por Deputado Federal. O
inocência. A execução provisória da pena somente é admitida Ministro Relator já havia autorizado a realização de diversas
se o recurso pendente de julgamento não tiver efeito diligências investigatórias, além de ter aceitado a prorrogação
suspensivo. STF. 2ª Turma. HC 136223, Rel. Min. Dias Toffoli, do prazo de conclusão das investigações. Apesar disso, não
Segunda Turma, julgado em 25/04/2017. STJ. 5ª Turma. HC foram reunidos indícios mínimos de autoria e materialidade.
438088, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em Com o fim do foro por prerrogativa de função para este
24/05/2018. STJ. Presidente Min. Laurita Vaz, em decisão Deputado, a PGR requereu a remessa dos autos à 1ª instância. O
monocrática no HC 458.249, julgado em 12/07/2018 STF, contudo, negou o pedido e arquivou o inquérito, de ofício,
alegando que já foram tentadas diversas diligências
Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo
investigatórias e, mesmo assim, sem êxito. Logo, a declinação de
Tribunal em recurso exclusivo da defesa, isso significa que
competência para a 1ª instância a fim de que lá sejam
deverá ser realizado um novo júri, mas, em caso de nova
continuadas as investigações seria uma medida fadada ao
condenação, a pena imposta neste segundo julgamento não
insucesso e representaria apenas protelar o inevitável. STF. 2ª
poderá ser superior àquela fixada na sentença do primeiro
Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
júri. Em outras palavras, se apenas o réu recorreu contra a
21/8/2018 (Info 912). No mesmo sentido: STF. Decisão
sentença que o condenou e o Tribunal decidiu anular a
monocrática. INQ 4.442, Rel. Min. Roberto Barroso, Dje
sentença, determinando que outra seja prolatada, esta nova
12/06/2018
sentença, se também for condenatória, não pode ter uma
pena superior à que foi aplicada na primeira. Isso é chamado Em 2016, foi instaurado inquérito no STF para apurar crimes de
de princípio da ne reformatio in pejus indireta, que tem corrupção passiva (art. 317 do CP) e de lavagem de dinheiro (art.
aplicação também no Tribunal do Júri. A soberania do veredicto 1º, V, da Lei nº 9.613/98) que teriam sido praticados por Aécio
dos jurados (art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF/88) não autoriza a Neves. O Delegado de Polícia Federal concluiu as investigações,
reformatio in pejus indireta. STF. 2ª Turma. HC 165376/SP, Rel. opinando, no relatório policial, pelo arquivamento do inquérito
Min. Cármen Lúcia, julgado em 11/12/2018 (Info 927). sob a alegação de que não foram reunidos indícios contra o
investigado. A Procuradoria-Geral da República afirmou que,
INTERROGATÓRIO após a manifestação do Delegado, surgiram novos indícios e
que, portanto, as investigações deveriam continuar. Afirmou,
Inconstitucionalidade da condução coercitiva para
contudo, que o STF deveria remeter os autos à 1ª instância para
interrogatório
que as investigações continuassem lá, tendo em vista que os
O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte:
delitos praticados por Aécio Neves teriam sido praticados fora
Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o
do cargo de parlamentar federal, não havendo competência do
interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem
STF. O STF determinou o retorno dos autos à PGR para que ela
ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar
conclua as diligências ainda pendentes de execução, no prazo
conduzi-lo à sua presença. O STF declarou que a expressão
de 60 dias, e que depois apresente manifestação conclusiva nos
“para o interrogatório”, prevista no art. 260 do CPP, não foi
autos, apontando concretamente os novos elementos de prova
recepcionada pela Constituição Federal. Assim, caso seja
a serem considerados. De posse de manifestação mais objetiva
determinada a condução coercitiva de investigados ou de réus
da PGR, com provas suficientes para eventual continuidade das
para interrogatório, tal conduta poderá ensejar: • a
investigações, o STF poderá avaliar se é mesmo o caso de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da
arquivamento ou se a investigação deve prosseguir e em que
autoridade • a ilicitude das provas obtidas • a responsabilidade
condições. STF. 2ª Turma. Inq 4244/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
civil do Estado. Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o
red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/11/2018
entendimento acima não desconstitui (não invalida) os
(Info 924).
interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento,
ainda que os interrogados tenham sido coercitivamente
conduzidos para o referido ato processual. STF. Plenário. ADPF PRISÃO DOMICILIAR
395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em Não se concede prisão domiciliar para a mulher com filho
13 e 14/6/2018 (Info 906). menor de 12 anos caso o crime tenha sido cometido na
própria residência onde a agente convivia com seu
ARQUIVAMENTO descendente
Não é cabível a substituição da prisão preventiva pela domiciliar
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando, mesmo
quando o crime é praticado na própria residência da agente,
esgotados os prazos para a conclusão das diligências, não
onde convive com filhos menores de 12 anos. STJ. 5ª Turma. HC
foram reunidos indícios mínimos de autoria ou
457.507/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
materialidade
20/09/2018. STJ. 6ª Turma. HC 441.781-SC, Rel. Min. Nefi
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que,
Cordeiro, julgado em 12/06/2018 (Info 629)
mesmo após terem sido feitas diligências de investigação e
terem sido descumpridos os prazos para a instrução do

57
PRISÃO O juiz da execução criminal tem a faculdade de requisitar o
É ilegal a decisão judicial que, ao decretar a prisão exame criminológico e utilizá-lo como fundamento da
preventiva, descreve a conduta do paciente de forma decisão que julga o pedido de progressão
genérica e imprecisa Nada impede que o magistrado das execuções criminais,
Para a decretação da prisão preventiva, o art. 312 do CPP exige facultativamente, requisite o exame criminológico e o utilize
a prova da existência do crime. O decreto prisional é, portanto, como fundamento da decisão que julga o pedido de
ilegal se descreve a conduta do paciente de forma genérica e progressão. STF. 2ª Turma. Rcl 27616 AgR/SP, Rel. Min. Ricardo
imprecisa e não deixa claro, em nenhum momento, os delitos a Lewandowski, julgado em 9/10/2018 (Info 919).
ele imputáveis e que justificariam a prisão preventiva. A
liberdade de um indivíduo suspeito da prática de infração penal EMBARGOS INFRINGENTES
somente pode sofrer restrições se houver decisão judicial
Excepcionalmente, se a Turma, ao condenar o réu, estiver
devidamente fundamentada, amparada em fatos concretos, e
com quórum incompleto, será possível o cabimento dos
não apenas em hipóteses ou conjecturas, na gravidade do crime
embargos mesmo que tenha havido apenas 1 voto
ou em razão de seu caráter hediondo. O juiz pode dispor de
absolutório
outras medidas cautelares de natureza pessoal, diversas da
Em regra, cabem embargos infringentes para o Plenário do STF
prisão, e deve escolher aquela mais ajustada às peculiaridades
contra decisão condenatória proferida pelas Turmas do STF,
da espécie, de modo a tutelar o meio social, mas também dar,
desde que 2 Ministros tenham votado pela absolvição. Neste
mesmo que cautelarmente, resposta justa e proporcional ao mal
caso, o placar terá sido 3 x 2, ou seja, 3 Ministros votaram para
supostamente causado pelo acusado. No caso concreto, o STF
condenar e 2 votaram para absolver. Excepcionalmente, se a
entendeu que o perigo que a liberdade do paciente
Turma, ao condenar o réu, estiver com quórum incompleto, será
representaria à ordem pública ou à aplicação da lei penal
possível aceitar o cabimento dos embargos infringentes mesmo
poderia ser mitigado por medidas cautelares menos gravosas
que tenha havido apenas 1 voto absolutório. Isso porque o réu
do que a prisão. Além disso, os fatos imputados ao paciente
não pode ser prejudicado pela ausência do quórum completo.
ocorreram há alguns anos (2011 a 2014), não havendo razão
STF. Plenário. AP 929 ED-2º julg-EI/AL, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
para, agora (2018), ser decretada a prisão preventiva. Diante
em 17/10/2018 (Info 920).
disso, o STF substituiu a prisão preventiva pelas medidas
cautelares diversas de: a) comparecimento periódico em juízo; b) Nos processos ainda regidos pelo CPC/73, são cabíveis
proibição de manter contato com os demais investigados; c) embargos infringentes contra acórdão que, em julgamento de
entrega do passaporte e proibição de deixar o País sem agravo de instrumento, por maioria de votos, reforma decisão
autorização do juízo. STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min. interlocutória para reconhecer a impenhorabilidade de bem, nos
Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914). termos da Lei nº 8.009/90. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.131.917-MG,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio
AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA Bellizze, julgado em 10/10/2018 (Info 637).

Decisão proferida em audiência de custódia reconhecendo a


atipicidade do fato não faz coisa julgada SUSTENTAÇÃO ORAL
A decisão que, na audiência de custódia, determina o A sustentação oral do representante do Ministério Público que
relaxamento da prisão em flagrante sob o argumento de que a diverge do parecer juntado ao processo, com posterior
conduta praticada é atípica não faz coisa julgada. Assim, esta ratificação, não viola a ampla defesa. STF. 1ª Turma. HC
decisão não vincula o titular da ação penal, que poderá oferecer 140780/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 30/10/2018
acusação contra o indivíduo narrando os mesmos fatos e o juiz (Info 922).
poderá receber essa denúncia. STF. 1ª Turma. HC 157.306/SP,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/9/2018 (Info 917). MEDIDA DE SEGURANÇA
É inconstitucional a manutenção em Hospital de Custódia e
INTERROGATÓRIO Tratamento Psiquiátrico – estabelecimento penal – de
O interrogatório é o último ato da instrução também nas pessoa com diagnóstico de doença psíquica que teve extinta
ações penais regidas pela Lei nº 8.038/90 a punibilidade. Essa situação configura uma privação de
Nos processos criminais que tramitam perante o STF e o STJ, liberdade sem pena. STF. 2ª Turma. HC 151523/SP, Rel. Min.
cujo procedimento é regido pela Lei nº 8.038/90, o Edson Fachin, julgado em 27/11/2018 (Info 925).
interrogatório também é o último ato de instrução. Apesar
de não ter havido uma alteração específica do art. 7º da Lei SENTENÇA
8.038/90, com base no CPP, entende-se que o interrogatório é
É nula a sentença proferida de forma oral e degravada
um ato de defesa, mais bem exercido depois de toda a
parcialmente sem o registro das razões de decidir. Nas
instrução, porque há possibilidade do contraditório mais amplo.
alterações promovidas pela Lei nº 11.719/2008 no art. 405 do
Assim, primeiro devem ser ouvidas todas as testemunhas
CPP, não se estabeleceu a possibilidade de se dispensar a
arroladas pela acusação e pela defesa para, só então, ser
transcrição de sentença penal registrada por meio audiovisual.
realizado o interrogatório. STF. 1ª Turma. AP 1027/DF, Rel. Min.
Ao contrário, manteve-se o art. 388 do CPP, que prevê a
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto Barroso, julgado
possibilidade da sentença “ser datilografada”, admitindo-se, na
em 2/10/2018 (Info 918).
atualidade, a utilização de outros meios tecnológicos
similares, como por exemplo o computador, para o seu
PROGRESSÃO DE REGIME registro escrito. Daí a inaplicabilidade do disposto no art. 405,

58
§§ 1º e 2º, do CPP - que permite a dispensa de transcrição de
depoimentos - à sentença penal. STJ. 5ª Turma. HC 336.112/SC,
Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/10/2017. STJ. 6ª Turma.
HC 470.034-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/10/2018
(Info 638).

TRIBUNAL DO JÚRI
É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente
em elementos informativos obtidos na fase inquisitorial? •
NÃO. Haverá violação ao art. 155 do CPP. Além disso, muito
embora a análise aprofundada seja feita somente pelo Júri, não
se pode admitir, em um Estado Democrático de Direito, a
pronúncia sem qualquer lastro probatório colhido sob o
contraditório judicial, fundada exclusivamente em elementos
informativos obtidos na fase inquisitorial. STJ. 5ª Turma. AgRg
no REsp 1.740.921-GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
06/11/2018 (Info 638). STJ. 6ª Turma. HC 341.072/RS, Rel. Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/4/2016.
• SIM. É possível admitir a pronúncia do acusado com base
em indícios derivados do inquérito policial, sem que isso
represente afronta ao art. 155. Embora a vedação imposta no
art. 155 se aplique a qualquer procedimento penal, inclusive dos
do Júri, não se pode perder de vista o objetivo da decisão de
pronúncia não é o de condenar, mas apenas o de encerrar o
juízo de admissibilidade da acusação (iudicium accusationis). Na
pronúncia opera o princípio in dubio pro societate, porque é a
favor da sociedade que se resolvem as dúvidas quanto à prova,
pelo Juízo natural da causa. Constitui a pronúncia, portanto,
juízo fundado de suspeita, que apenas e tão somente admite a
acusação. Não profere juízo de certeza, necessário para a
condenação, motivo pelo qual a vedação expressa do art.
155 do CPP não se aplica à referida decisão. STJ. 5ª Turma. HC
435.977/RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 15/05/2018. STJ.
6ª Turma. REsp 1458386/PA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 04/10/2018.
Obs: prevalece, no STJ, a segunda posição, ou seja, de que é
possível a pronúncia.

59
Consumidor de serviços de cartão de crédito que autoriza o banco
contratante a compartilhar dados dos consumidores com outras
FATO DO PRODUTO entidades financeiras ou mantenedoras de cadastros positivos e
Para ocorrer a indenização por danos morais em função do negativos de consumidores, sem que seja dada opção de
encontro de corpo estranho em alimento industrializado, é discordar daquele compartilhamento. STJ. (Info 616).
necessária a sua ingestão?
A jurisprudência é dividida sobre o tema: PRÁTICAS ABUSIVAS
• Ausente a ingestão do produto considerado impróprio para o
É lícita a conduta da prestadora de serviço que em período
consumo em virtude da presença de corpo estranho, não se
anterior à Resolução da ANATEL nº 528, de 17 de abril de 2009,
configura o dano moral indenizável. Nesse sentido: STJ. 4ª
efetuava cobranças pelo aluguel de equipamento adicional e
Turma. AgRg no AREsp 489.030/SP, Rel. Min. Luis Felipe
ponto extra de TV por assinatura. STJ. (Info 617).
Salomão, julgado em 16/04/2015.
• A aquisição de produto de gênero alimentício contendo em É abusiva a prática comercial consistente no cancelamento
seu interior corpo estranho, expondo o consumidor à risco unilateral e automático de um dos trechos da passagem
concreto de lesão à sua saúde e segurança, ainda que não aérea, sob a justificativa de não ter o passageiro se apresentado
ocorra a ingestão de seu conteúdo, dá direito à compensação para embarque no voo antecedente. STJ. (Info 618).
por dano moral, dada a ofensa ao direito fundamental à
alimentação adequada, corolário do princípio da dignidade da PLANO DE SAÚDE
pessoa humana. O simples ato de “levar à boca” o alimento
A Lei nº 9.656/98, que disciplina os planos e seguros
industrializado com corpo estranho gera dano moral in re ipsa,
privados de assistência à saúde, é constitucional. Este
independentemente de sua ingestão. Nesse sentido: STJ. (Info
diploma, contudo, não pode ser aplicado para contratos
616).
celebrados antes de sua vigência. Assim, são inconstitucionais
Ao observar o inteiro teor dos julgados e os casos examinados,
os dispositivos da Lei nº 9.656/98 que determinavam a sua
percebe-se a seguinte distinção:
aplicação para contratos celebrados antes da sua edição. STF.
• Se o consumidor encontra o corpo estranho sem ter
(Info 890).
comido nada do produto: não cabe danos morais.
• Se o consumidor encontra o corpo estranho após ter Plano de saúde coletivo que mais se assemelha a um
comido parte do produto: cabe danos morais, mesmo que contrato individual e impossibilidade de rescisão unilateral
ele não tenha ingerido o corpo estranho. Vale ressaltar, imotivada
contudo, que essa diferenciação não consta de forma Não é válida a rescisão unilateral imotivada de plano de saúde
expressa nos julgados. coletivo empresarial por parte da operadora em face de
microempresa com apenas dois beneficiários. No caso concreto,
FATO DO SERVIÇO havia um contrato coletivo atípico e que, portanto, merecia
receber tratamento como se fosse um contrato de plano de
O furto das joias, objeto do penhor, constitui falha do
saúde individual. Isso porque a pessoa jurídica contratante é
serviço prestado pela instituição financeira, devendo incidir
uma microempresa e são apenas dois os beneficiários do
o prazo prescricional de 5 anos para a ação de indenização,
contrato, sendo eles hipossuficientes frente à operadora do
conforme previsto no art. 27 do CDC. STJ. (Info 616).
plano de saúde. No contrato de plano de saúde individual é
A Bancorbrás é parte legítima para figurar no polo passivo de vedada a rescisão unilateral, salvo por fraude ou não-
ação indenizatória de dano moral decorrente de defeito do pagamento da mensalidade.
serviço prestado por hotel integrante de sua rede conveniada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.701.600-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
(Info 620). julgado em 06/03/2018 (Info 621).
A alteração substancial e unilateral do contrato firmado de Súmula 608-STJ: Aplica-se o Código de Defesa do
transporte aéreo para terrestre impede a utilização da Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os
excludente de fortuito externo para eximir a empresa de administrados por entidades de autogestão. STJ. 2ª Seção.
transporte aéreo da responsabilidade civil por danos Aprovada em 11/04/2018, DJe 17/04/2018.
causados por roubo ao ônibus. STJ. 3ª Turma. REsp 1.728.068-
A operadora de plano de saúde não pode negar o
SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 05/06/2018
fornecimento de tratamento prescrito pelo médico sob o
(Info 627).
pretexto de que a sua utilização em favor do paciente está
Concessionária de transporte ferroviário deve pagar fora das indicações descritas na bula/manual registrado na
indenização à passageira que sofreu assédio sexual ANVISA (uso off-label). STJ. 3ª Turma. REsp 1.721.705-SP, Rel.
praticado por outro usuário no interior do trem Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/08/2018 (Info 632).
A concessionária de transporte ferroviário pode responder por
Nos planos de saúde coletivos custeados exclusivamente pelo
dano moral sofrido por passageira, vítima de assédio sexual,
empregador não há direito de permanência do ex-empregado
praticado por outro usuário no interior do trem. STJ. 1ª Turma.
aposentado ou demitido sem justa causa como beneficiário,
REsp 1.662.551-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
salvo disposição contrária expressa prevista em contrato ou
15/05/2018 (Info 628).
em acordo/convenção coletiva de trabalho, não
caracterizando contribuição o pagamento apenas de
CLÁUSULAS ABUSIVAS coparticipação, tampouco se enquadrando como salário
É abusiva e ilegal cláusula prevista em contrato de prestação indireto. STJ. 3ª Turma. REsp 1.594.346-SP, Rel. Min. Ricardo

60
Villas Bôas Cueva, julgado em 9/8/2016 (Info 588). STJ. 2ª Seção. Consumidor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.696.214-SP, Rel. Min. Marco
REsp 1.680.318-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado Aurélio Bellizze, julgado em 09/10/2018 (Info 636).
em 22/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 632).
Não é abusiva a cláusula de coparticipação expressamente VÍCIO DO PRODUTO
contratada e informada ao consumidor para a hipótese de Se o produto que o consumidor comprou apresenta um vício,
internação superior a 30 (trinta) dias decorrentes de ele tem o direito de ter esse vício sanado no prazo de 30 dias
transtornos psiquiátricos. Não há abusividade porque o (art. 18, § 1º do CDC).
objetivo dessa cobrança é manter o equilíbrio entre as Para tanto, o consumidor pode escolher para quem levará o
prestações e contraprestações que envolvem a gestão dos produto a fim de ser consertado:
custos dos contratos de planos de saúde. STJ. 2ª Seção. EAREsp a) para o comerciante;
793.323-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/10/2018 b) para a assistência técnica ou
(Info 635) c) para o fabricante.
Em outras palavras, cabe ao consumidor a escolha para
O art. 12, II, “a”, da Lei nº 9.656/98 proíbe que os planos de
exercer seu direito de ter sanado o vício do produto em 30
saúde limitem o tempo para a internação hospitalar. No mesmo
dias: levar o produto ao comerciante, à assistência técnica
sentido, foi editada a súmula do STJ: Súmula 302-STJ: É abusiva
ou diretamente ao fabricante. (Info 619).
a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a
internação hospitalar do segurado. Vale ressaltar, no entanto, A ação de indenização por danos materiais proposta por
que o disposto no art. 12, II, “a” e na Súmula 302 do STJ consumidor contra construtora em virtude de vícios de
referem-se, expressamente, à segmentação hospitalar, e não qualidade e de quantidade do imóvel adquirido tem prazo
à ambulatorial. Assim, não é abusiva a cláusula inserta em prescricional de 10 anos, com fundamento no art. 205 do
contrato de plano de saúde individual que estabelece, para CC/2002.
o tratamento emergencial ou de urgência, no segmento Não se aplica o prazo decadencial do art. 26 do CDC. O art.
atendimento ambulatorial, o limite de 12 horas. STJ. 3ª 26 trata do prazo que o consumidor possui para exigir uma das
Turma. REsp 1.764.859-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, alternativas previstas no art. 20 do CDC. Não se trata de prazo
julgado em 06/11/2018 (Info 637). prescricional.
Não se aplica o prazo do art. 27 do CDC porque este se
O “pagamento integral” previsto no art. 31 da Lei nº 9.656/98
refere apenas a fato do produto. (Info 620).
deve corresponder ao valor da contribuição do ex-
empregado, enquanto vigente seu contrato de trabalho, e
da parte antes subsidiada por sua ex-empregadora, pelos INAPLICABILIDADE DO CDC PARA O TRANSPORTE AÉREO
preços praticados aos funcionários em atividade, acrescido INTERNACIONAL
dos reajustes legais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.713.619-SP, Rel. Min. Limitação do direito à indenização em viagens
Nancy Andrighi, julgado em 16/10/2018 (Info 637). internacionais
É possível a limitação, por legislação internacional especial, do
As operadoras de plano de saúde não estão obrigadas a
direito do passageiro à indenização por danos materiais
fornecer medicamento não registrado pela ANVISA. STJ. 2ª
decorrentes de extravio de bagagem. STJ. 3ª Turma. REsp
Seção. REsp 1.712.163-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em
673.048-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
08/11/2018 (recurso repetitivo) (Info 638).
08/05/2018 (Info 626). Nos termos do art. 178 da Constituição
da República, as normas e os tratados internacionais limitadores
CONCEITO DE CONSUMIDOR da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros,
Súmula 602-STJ: O Código de Defesa do Consumidor é especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm
aplicável aos empreendimentos habitacionais promovidos prevalência em relação ao Código de Defesa do Consumidor.
pelas sociedades cooperativas. STF. Plenário. RE 636331/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes e ARE
766618/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 25/05/2017
Contrato de conta-corrente mantida entre corretora de Bitcoin e
(repercussão geral) (Info 866).
instituição financeira: não se aplica o CDC
A empresa corretora de Bitcoin que celebra contrato de
conta-corrente com o banco para o exercício de suas COMPRA E VENDA DE IMÓVEL
atividades não pode ser considerada consumidora. Não se Atraso na entrega do imóvel e lucros cessantes
trata de uma relação de consumo. A empresa desenvolve a O atraso na entrega do imóvel enseja pagamento de
atividade econômica de intermediação de compra e venda de indenização por lucros cessantes durante o período de mora do
Bitcoins. Para realizar essa atividade econômica, utiliza o serviço promitente vendedor, sendo presumido o prejuízo do
de conta-bancária oferecido pela instituição financeira. Desse promitente comprador. Os lucros cessantes serão devidos ainda
modo, a utilização desse serviço bancário (abertura de conta- que não fique demonstrado que o promitente comprador tinha
corrente) tem o propósito de incrementar sua atividade finalidade negocial na transação. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.341.138-
produtiva de intermediação, não se caracterizando, portanto, SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 09/05/2018 (Info
como relação jurídica de consumo, mas sim de insumo. Em 626).
outras palavras, o serviço bancário de conta-corrente é
utilizado como implemento de sua atividade empresarial, DEFESA DOS CONSUMIDORES EM JUÍZO
não se destinando, pois, ao seu consumo final. Logo, não se
Legitimidade do Município para defesa dos consumidores
aplicam as normas protetivas do Código de Defesa do
Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil

61
pública em defesa de direitos consumeristas questionando a Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/06/2018
cobrança de tarifas bancárias. Em relação ao Ministério Público e (recurso repetitivo) (Info 630)
aos entes políticos, que têm como finalidades institucionais a
proteção de valores fundamentais, como a defesa coletiva dos COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
consumidores, não se exige pertinência temática e
É constitucional lei municipal que proíbe a conferência de
representatividade adequada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.509.586-SC,
mercadorias realizada na saída de estabelecimentos
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626).
comerciais após o cliente efetuar o pagamento no caixa
É constitucional lei municipal que proíbe a conferência de
PROTEÇÃO CONTRATUAL mercadorias realizada na saída de estabelecimentos comerciais
O consumidor paga uma multa para a operadora do cartão localizados na cidade. A Lei prevê que, após o cliente efetuar o
de crédito caso atrase as parcelas, não se podendo querer pagamento nas caixas registradoras da empresa instaladas, não
aplicar essa mesma multa, com base no equilíbrio é possível nova conferência na saída. Os Municípios detêm
contratual, para a empresa que vende os produtos pela competência para legislar sobre assuntos de interesse local (art.
internet 30, I, da CF/88), ainda que, de modo reflexo, tratem de direito
Em compras realizadas na internet, o fato de o consumidor ser comercial ou do consumidor. STF. 2ª Turma. RE 1.052.719
penalizado com a obrigação de arcar com multa moratória, AgR/PB, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 25/9/2018
prevista no contrato com a financeira, quando atrasa o (Info 917).
pagamento de suas faturas de cartão de crédito não autoriza a
É inconstitucional lei estadual que impõe às montadoras,
imposição, por sentença coletiva, de cláusula penal ao
concessionárias e importadoras de veículos a obrigação de
fornecedor de bens móveis, nos casos de atraso na entrega da
fornecer veículo reserva a clientes cujo automóvel fique
mercadoria e na demora de restituição do valor pago quando
inabilitado por mais de quinze dias por falta de peças
do exercício do direito do arrependimento. STJ. 4ª Turma. REsp
originais ou por impossibilidade de realização do serviço,
1.412.993-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Maria
durante o período de garantia contratual. STF. Plenário. ADI
Isabel Gallotti, julgado em 08/05/2018 (Info 628).
5158/PE, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/12/2018 (Info
É lícito o desconto em conta-corrente bancária comum, 926)
ainda que usada para recebimento de salário, das prestações
É constitucional lei estadual ou municipal que imponha
de contrato de empréstimo bancário livremente pactuado,
sanções às agências bancárias que não instalarem divisórias
sem que o correntista, posteriormente, tenha revogado a
individuais nos caixas de atendimento. Trata-se de matéria
ordem. STJ. 2ª Seção. REsp 1.555.722-SP, Rel. Min. Lázaro
relativa a relação de consumo, o que garante ao Estado
Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª Região),
competência concorrente para legislar sobre o tema (art. 24, V,
julgado em 22/08/2018 (Info 634).
da CF/88). STF. Plenário. ADI 4633/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
em 10/04/2018 (notícia do site). STF. 1ª Turma. ARE 756593 AgR,
MINISTÉRIO PÚBLICO Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/12/2014.
Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil
É inconstitucional lei estadual que obriga as empresas
pública na defesa de consumidores que adquiriram imóvel
concessionárias de serviços de telecomunicações a
com cláusulas abusivas
manterem escritórios regionais e representantes legais para
O Ministério Público possui legitimidade ativa para postular em
atendimento presencial de consumidores em cidades com
juízo a defesa de direitos transindividuais de consumidores que
população superior a 100 mil habitantes, bem como a
celebram contratos de compra e venda de imóveis com
divulgarem os correspondentes endereços físicos no site, no
cláusulas pretensamente abusivas. STJ. Corte Especial.EREsp
contrato de prestação de serviços e nas faturas enviadas aos
1.378.938-SP,Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
usuários. Trata-se de matéria relativa a “serviços públicos de
20/06/2018 (Info 629).
telecomunicações”, cuja competência é privativa da União (art.
Vale a pena relembrar: Súmula 601-STJ: O Ministério Público
21, XI e art. 22, IV, da CF/88). STF. Plenário. ADI 4633/PR, Rel.
tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos,
Min. Luiz Fux, julgado em 10/04/2018 (notícia do site).
coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda
que decorrentes da prestação de serviço público. É inconstitucional lei do Distrito Federal que institua, extinga
e transforme órgãos internos da Polícia Civil do Distrito
INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA Federal. Essa lei viola o art. 21, XIV, da CF/88, que fixa a
competência da União para manter e organizar a Polícia Civil do
Validade do repasse da comissão de corretagem ao
Distrito Federal. Deve-se reconhecer que o art. 21, XIV, CF/88
consumidor pela incorporadora imobiliária mesmo no
trata tanto de competência administrativa quanto legislativa,
Programa Minha Casa, Minha Vida
sendo a matéria, portanto, atribuída, prioritariamente, à União.
Ressalvada a denominada Faixa 1, em que não há intermediação
As leis distritais impugnadas, ao criarem cargos em comissão e
imobiliária, é válida a cláusula contratual que transfere ao
novos órgãos, também instituíram novas obrigações pecuniárias
promitente-comprador a obrigação de pagar a comissão de
a serem suportadas pela União. Ocorre que é vedado ao Distrito
corretagem nos contratos de promessa de compra e venda do
Federal valer-se de leis distritais para instituir encargos
Programa Minha Casa, Minha Vida, desde que previamente
financeiros a serem arcados pela União. Como as leis distritais
informado o preço total da aquisição da unidade autônoma,
declaradas inconstitucionais eram muito antigas (2001, 2002 e
com o destaque do valor da comissão de corretagem. STJ. 2ª
2005), o STF decidiu modular os efeitos da decisão. STF.
Seção. REsp 1.601.149-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
Plenário. ADI 3666, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em

62
06/12/2018 (notícia do site). (não importa se ainda está sendo cobrada em juízo ou se
ainda não foi prescrita).
DIREITO À INFORMAÇÃO Qual é o termo inicial deste prazo de 5 anos? A partir de
quando ele começa a ser contado: do dia em que venceu a
O médico deverá ser condenado a pagar indenização por
dívida ou da data em que o nome do consumidor foi
danos morais ao paciente que teve sequelas em virtude de
inserido no cadastro?
complicações ocorridas durante a cirurgia caso ele não
O termo inicial do prazo máximo de cinco anos que o nome de
tenha explicado ao paciente os riscos do procedimento. O
devedor pode ficar inscrito em órgão de proteção ao crédito é o
dever de informar é dever de conduta decorrente da boa-fé
dia seguinte à data de vencimento da dívida. STJ. 3ª Turma.
objetiva e sua simples inobservância caracteriza
REsp 1.630.889-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
inadimplemento contratual, fonte de responsabilidade civil
11/09/2018 (Info 633).
per se. A indenização, nesses casos, é devida pela privação
SPC/SERASA, quando forem inserir títulos que estão
sofrida pelo paciente em sua autodeterminação, por lhe ter sido
protestados, deverão incluir a data de vencimento e controlar os
retirada a oportunidade de ponderar os riscos e vantagens de
prazos máximos que poderão ficar nos bancos de dados
determinado tratamento que, ao final, lhe causou danos que
As entidades mantenedoras de cadastros de proteção ao
poderiam não ter sido causados caso não fosse realizado o
crédito não devem incluir em sua base de dados
procedimento, por opção do paciente. O dever de informação
informações coletadas dos cartórios de protestos sem a
é a obrigação que possui o médico de esclarecer o paciente
informação do prazo de vencimento da dívida, sendo
sobre os riscos do tratamento, suas vantagens e
responsáveis pelo controle de ambos os limites temporais
desvantagens, as possíveis técnicas a serem empregadas,
estabelecidos no art. 43 da Lei nº 8.078/90. STJ. 3ª Turma.
bem como a revelação quanto aos prognósticos e aos
REsp 1.630.889-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
quadros clínico e cirúrgico, salvo quando tal informação
11/09/2018 (Info 633)
possa afetá-lo psicologicamente, ocasião em que a
comunicação será feita a seu representante legal. Para que
seja cumprido o dever de informação, os esclarecimentos INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA
deverão ser prestados de forma individualizada em relação É abusiva a cláusula prevista em promessa de compra e venda
ao caso do paciente, não se mostrando suficiente a que transfira para o promitente-comprador a responsabilidade
informação genérica (blanket consent). O ônus da prova pelo pagamento da comissão de corretagem? NÃO. Segundo
quanto ao cumprimento do dever de informar e obter o decidiu o STJ, é válida a cláusula contratual que transfere ao
consentimento informado do paciente é do médico ou do promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de
hospital, orientado pelo princípio da colaboração processual, corretagem nos contratos de promessa de compra e venda
em que cada parte deve contribuir com os elementos de unidade autônoma em regime de incorporação
probatórios que mais facilmente lhe possam ser exigidos. STJ. 4ª imobiliária, desde que previamente informado o preço total
Turma. REsp 1.540.580-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do
(Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), Rel. Acd. Min. valor da comissão de corretagem (STJ. 2ª Seção. REsp
Luis Felipe Salomão, julgado em 02/08/2018 (Info 632). 1.599.511-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
24/8/2016). Imagine, no entanto, que o adquirente não foi
FORNECEDOR informado previamente que ele teria a obrigação de pagar a
comissão de corretagem, ou seja, houve falha no dever de
Como regra geral, as sociedades consorciadas apenas se
informar. Neste caso, ele poderá ajuizar ação pedindo a
obrigam nas condições previstas no respectivo contrato,
restituição dos valores pagos. Qual é o prazo prescricional? 3
respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de
anos (art. 206, § 3º, IV, do Código Civil). Qual é o termo inicial
solidariedade, de acordo com o disposto no art. 278, § 1º, da Lei
deste prazo prescricional? A data do efetivo pagamento. E se o
nº 6.404/76. Essa regra, no entanto, não é absoluta. Há
pagamento foi parcelado? Se o pagamento da comissão de
solidariedade entre as sociedades consorciadas em relação
corretagem foi parcelado, o prazo prescricional é contado da
às obrigações derivadas de relação de consumo desde que
última parcela paga, ou seja, da data em que o adquirente
essas obrigações guardem correlação com a esfera de
terminou de pagar (data do desembolso total). O termo inicial
atividade do consórcio. Existe previsão nesse sentido no art.
da prescrição da pretensão de restituição dos valores pagos
28, § 3º do CDC, que preconiza: “as sociedades consorciadas são
parceladamente a título de comissão de corretagem é a data do
solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste
efetivo pagamento (desembolso total). STJ. 3ª Turma. REsp
código.” STJ. 3ª Turma. REsp 1.635.637-RJ, Rel. Min. Nancy
1.724.544-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 02/10/2018
Andrighi, julgado em 18/09/2018 (Info 633).
(Info 634).

BANCO DE DADOS
CORTE DE SERVIÇOS PÚBICOS
Qual é o termo inicial do prazo máximo de 5 anos que o
Na hipótese de débito estrito de recuperação de consumo
nome de devedor pode ficar inscrito em órgão de proteção
efetivo por fraude no aparelho medidor atribuída ao
ao crédito?
consumidor, desde que apurado em observância aos
Os cadastros e bancos de dados não poderão conter
princípios do contraditório e da ampla defesa, é possível o
informações negativas do consumidor referentes a período
corte administrativo do fornecimento do serviço de energia
superior a 5 anos (art. 43, § 1º do CDC). Passado esse prazo, o
elétrica, mediante prévio aviso ao consumidor, pelo
próprio órgão de cadastro deve retirar a anotação negativa,
inadimplemento do consumo recuperado correspondente ao
independentemente de como esteja a situação da dívida

63
período de 90 (noventa) dias anterior à constatação da
fraude, contanto que executado o corte em até 90 (noventa)
dias após o vencimento do débito, sem prejuízo do direito
de a concessionária utilizar os meios judiciais ordinários de
cobrança da dívida, inclusive antecedente aos mencionados
90 (noventa) dias de retroação. STJ. 1ª Seção. REsp 1.412.433-
RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/04/2018 (recurso
repetitivo) (Info 634).

RESPONSABILIDADE CIVIL
A lanchonete responde pela reparação de danos sofridos
pelo consumidor que foi vítima de crime ocorrido no drive-
thru do estabelecimento comercial. A lanchonete, ao
disponibilizar o serviço de drive-thru em troca dos benefícios
financeiros indiretos decorrentes desse acréscimo de conforto
aos consumidores, assumiu o dever implícito de lealdade e
segurança. A empresa, ao oferecer essa modalidade de
compra, aumentou os seus ganhos, mas, por outro lado,
chamou para si o ônus de fornecer a segurança
legitimamente esperada em razão dessa nova atividade. STJ.
4ª Turma. REsp 1.450.434-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 18/09/2018 (Info 637).

64
Eca prevista no artigo 942 do CPC/2015 nos procedimentos afetos à
Justiça da Infância e da Juventude quando a decisão não
GUARDA unânime for favorável ao adolescente. A aplicação da técnica de
A Vara Especializada da Violência Doméstica ou Familiar Contra julgamento prevista no art. 942 do CPC, quando a decisão não
a Mulher possui competência para o julgamento de pedido unânime for favorável ao adolescente, implicaria em conferir ao
incidental de natureza civil, relacionado à autorização para menor tratamento mais gravoso que o atribuído ao réu
viagem ao exterior e guarda unilateral do infante, na hipótese penalmente imputável, já que os embargos infringentes e de
em que a causa de pedir de tal pretensão consistir na prática de nulidade previstos no art. 609 do CPP somente são cabíveis se o
violência doméstica e familiar contra a genitora. STJ. (Info 617). julgamento tomado por maioria for contrário ao réu. Ora, se não
cabem embargos infringentes do art. 609 do CPP quando o
DIGNIDADE DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES acórdão não unânime foi favorável ao réu, com maior razão
A conduta de emissora de televisão que exibe quadro que, também não se pode admitir a técnica do art. 942 do CPC se o
potencialmente, poderia criar situações discriminatórias, acórdão não unânime foi favorável ao adolescente infrator. STJ.
vexatórias, humilhantes às crianças e aos adolescentes 6ª Turma. 6ª Turma. REsp 1.694.248-RJ, Rel. Min. Maria Thereza
configura lesão ao direito transindividual da coletividade e de Assis Moura, julgado em 03/05/2018 (Info 626).
dá ensejo à indenização por dano moral coletivo.
Caso concreto: existia um programa de TV local no qual o EXECUÇÃO DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
apresentador abria ao vivo testes de DNA e acabava expondo as Defensoria pode ter acesso a procedimento instaurado pela
crianças e adolescentes ao ridículo, especialmente quando o Justiça para apurar irregularidades em unidade de
resultado do exame era negativo. As crianças e adolescentes internação
não participavam do programa, apenas seus pais. No entanto, o A Defensoria Pública pode ter acesso aos autos de
apresentador utilizava expressões jocosas e depreciativas em procedimento verificatório instaurado para inspeção judicial e
relação à concepção dos menores. STJ. (Info 618). atividade correicional de unidade de execução de medidas
socioeducativas. STJ. 6ª Turma. RMS 52.271-SP, Rel. Min. Nefi
PODER FAMILIAR Cordeiro, julgado em 19/06/2018 (Info 629).
Adoção à brasileira e realização de perícia para constatar
situação de risco ATO INFRACIONAL
Para que haja a decretação da perda do poder familiar da mãe Superveniência da maioridade penal
biológica em razão da suposta entrega da filha para adoção A superveniência da maioridade penal NÃO INTERFERE na
irregular (“adoção à brasileira”), é indispensável a realização do apuração de ato infracional nem na aplicabilidade de medida
estudo social e avaliação psicológica das partes litigantes. Por socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida,
envolver interesse de criança, a questão deve ser solucionada enquanto não atingida a idade de 21 anos. STJ. 3ª Seção. REsp
com observância dos princípios da proteção integral e do 1.705.149-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
melhor interesse dela e do adolescente, previstos na CF e no 13/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 630). Súmula 605-STJ: A
ECA. Para constatação da “adoção à brasileira”, em princípio, o superveniência da maioridade penal não interfere na apuração
estudo psicossocial da criança, do pai registral e da mãe de ato infracional nem na aplicabilidade de medida
biológica não se mostra necessário. Contudo, como o socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida,
reconhecimento de sua ocorrência (“adoção à brasileira”) foi enquanto não atingida a idade de 21 anos. STJ. 3ª Seção.
fator preponderante para a destituição do poder familiar, a Aprovada em 14/03/2018, DJe 19/03/2018.
realização da perícia se mostra imprescindível para aferição da
presença de causa para a excepcional medida de destituição e PARTICIPAÇÃO EM ESPETÁCULOS PÚBLICOS
para constatação de existência de uma situação de risco para a
Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça do Trabalho)
infante, caracterizando cerceamento de defesa o seu
autorizar trabalho artístico de crianças e adolescentes
indeferimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.674.207-PR, Rel. Min.
Compete à Justiça Comum Estadual (juízo da infância e
Moura Ribeiro, julgado em 17/04/2018 (Info 624).
juventude) apreciar os pedidos de alvará visando a participação
de crianças e adolescentes em representações artísticas. Não se
RECURSOS trata de competência da Justiça do Trabalho. O art. 114, I e IX,
(In)aplicabilidade do art. 942 do CPC/2015 da CF/88 não abrange os casos de pedido de autorização para
A técnica de julgamento do art. 942 é aplicada no caso de participação de crianças e adolescentes em eventos artísticos,
apelação não unânime em processo no qual se apura a prática considerando que não há, no caso, conflito atinente a relação de
de ato infracional por adolescente? 5ª Turma do STJ: SIM trabalho. Trata-se de pedido de conteúdo nitidamente civil. STF.
Admite-se a incidência do art. 942 do CPC/2015 para Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
complementar o julgamento da apelação julgada por maioria 27/9/2018 (Info 917).
nos procedimentos relativos ao estatuto do menor. STJ. 5ª
turma. AgRg no REsp 1.673.215-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS
Fonseca, julgado em 17/05/2018 (Info 627). 6ª Turma do STJ:
O art. 249 do ECA prevê, como infração administrativa:
DEPENDE • Se a decisão não unânime foi favorável ao
Art. 249. Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres
adolescente infrator: não se deve aplicar o art. 942 do CPC/2015.
inerentes ao poder familiar ou decorrente de tutela ou guarda,
• Se a decisão não unânime foi contrária ao adolescente infrator:
bem assim determinação da autoridade judiciária ou Conselho
deve-se aplicar o art. 942. É inaplicável a técnica de julgamento

65
Tutelar: Pena - multa de três a vinte salários de referência,
aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Até se admite que, por meio de decisão judicial
fundamentada, o magistrado deixe de aplicar a sanção
pecuniária do art. 249 e, em seu lugar, faça incidir outras
medidas mais adequadas e eficazes para a situação
específica. No entanto, a hipossuficiência financeira ou a
vulnerabilidade familiar não é suficiente, por si só, para
afastar a multa prevista no art. 249 do ECA. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.658.508-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
23/10/2018 (Info 636).

66
Ambiental dispõe o art. 25, § 4º, da Lei n. 9.605/1998; entretanto, não há
ilegalidade quando o referido dispositivo regulamentar admite a
CÓDIGO FLORESTAL instituição do depositário fiel na figura do proprietário do bem
O STF analisou a constitucionalidade do Código Florestal (Lei nº apreendido por ocasião de infração nos casos em que é
12.651/2012) e decidiu: apresentada defesa administrativa - anote-se que não se está
1) declarar a inconstitucionalidade das expressões “gestão defendendo a simplória liberação do veículo, mas a devolução
de resíduos” e “instalações necessárias à realização de com a instituição de depósito (e os consectários legais que daí
competições esportivas estaduais, nacionais ou advêm), observado, entretanto, que a liberação só poderá
internacionais”, contidas no art. 3º, VIII, b, da Lei nº ocorrer caso o veículo ou a embarcação estejam regulares na
12.651/2012; forma das legislações de regência (Código de Trânsito Brasileiro,
2) dar interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, VIII p. ex.). STJ. 1ª Seção. REsp 1.133.965-BA, Rel. Min. Mauro
e IX, da Lei, de modo a se condicionar a intervenção Campbell Marques, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo)
excepcional em APP, por interesse social ou utilidade (Info 625).
pública, à inexistência de alternativa técnica e/ou locacional
à atividade proposta; ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS
3) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art.
É inconstitucional lei estadual que remete o regramento do
3º, XVII e ao art. 4º, IV, para fixar a interpretação de que os
cultivo comercial e das atividades com organismos
entornos das nascentes e dos olhos d´água intermitentes
geneticamente modificados à regência da legislação federal
configuram área de preservação permanente;
A competência para legislar sobre as atividades que envolvam
4) declarar a inconstitucionalidade das expressões
organismos geneticamente modificados (OGM) é concorrente
“demarcadas” e “tituladas”, contidas no art. 3º, parágrafo
(art. 24, V, VIII e XII, da CF/88). No âmbito das competências
único;
concorrentes, cabe à União estabelecer normas gerais e aos
5) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art.
Estados-membros editar leis para suplementar essas normas
48, § 2º, para permitir compensação apenas entre áreas com
gerais (art. 24, §§ 1º e 2º). Determinado Estado-membro editou
identidade ecológica;
lei estabelecendo que toda e qualquer atividade relacionada
6) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art.
com os OGMs naquele Estado deveria observar “estritamente à
59, §§ 4º e 5º, de modo a afastar, no decurso da execução
legislação federal específica”. O STF entendeu que essa lei
dos termos de compromissos subscritos nos programas de
estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira
regularização ambiental, o risco de decadência ou
“renúncia” ao exercício da competência legislativa concorrente
prescrição, seja dos ilícitos ambientais praticados antes de
prevista no art. 24, V, VIII e XII, da CF/88. Em outras palavras, o
22.7.2008, seja das sanções deles decorrentes, aplicando-se
Estado abriu mão de sua competência suplementar prevista no
extensivamente o disposto no § 1º do art. 60 da Lei
art. 24, § 2º da CF/88. Essa norma estadual remissiva fragiliza a
12.651/2012, segundo o qual “a prescrição ficará
estrutura federativa descentralizada, e consagra o monopólio da
interrompida durante o período de suspensão da pretensão
União, sem atentar para nuances locais. STF. Plenário. ADI 2303/
punitiva”.
RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/9/2018 (Info 914)
Todos os demais dispositivos da Lei foram considerados
constitucionais. STF. (Info 892).
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO É inconstitucional lei estadual que prevê a supressão de
vegetal em APP para a realização de atividades
É inconstitucional a redução de unidade de conservação por
exclusivamente de lazer
meio de MP
É inconstitucional lei estadual prevendo que é possível a
É inconstitucional a redução ou a supressão de espaços
supressão de vegetal em Área de Preservação Permanente (APP)
territoriais especialmente protegidos, como é o caso das
para a realização de “pequenas construções com área máxima
unidades de conservação, por meio de medida provisória. Isso
de 190 metros quadrados, utilizadas exclusivamente para lazer”.
viola o art. 225, § 1º, III, da CF/88. Assim, a redução ou supressão
Essa lei possui vícios de inconstitucionalidade formal e material.
de unidade de conservação somente é permitida mediante lei
Há inconstitucionalidade formal porque o Código Florestal (lei
em sentido formal. A medida provisória possui força de lei, mas
federal que prevê as normas gerais sobre o tema, nos termos do
o art. 225, § 1º, III, da CF/88 exige lei em sentido estrito. A
art. 24, § 1º, da CF/88) não permite a instalação em APP de
proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à
qualquer tipo de edificação com finalidade meramente
edição de medida provisória, ainda que não conste
recreativa. Existe também inconstitucionalidade material porque
expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, §
houve um excesso e abuso da lei estadual ao relativizar a
1º, da CF/88. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
proteção constitucional ao meio ambiente ecologicamente
julgado em 5/4/2018 (Info 896).
equilibrado, cujo titular é a coletividade, em face do direito de
lazer individual. STF. Plenário. ADI 4988/TO, Rel. Min. Alexandre
INFRAÇÃO AMBIENTAL de Moraes, julgado em 19/9/2018 (Info 916).
Apreensão de veículo utilizado no carregamento de madeira
sem autorização ANIMAIS
O art. 2º, § 6º, inc. VIII, do Decreto nº 3.179/1999 (redação
Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o trân-
original), quando permite a liberação de veículos e embarcações
sito de veículos, sejam eles motorizados ou não, transpor-
mediante pagamento de multa, não é compatível com o que
tando cargas vivas nas áreas urbanas e de expansão urbana

67
do Município. Essa lei municipal invade a competência da
União. O Município, ao inviabilizar o transporte de gado vivo na
área urbana e de expansão urbana de seu território, transgrediu
a competência da União, que já estabeleceu, à exaustão, diretri-
zes para a política agropecuária, o que inclui o transporte de
animais vivos e sua fiscalização. Além disso, sob a justificativa de
criar mecanismo legislativo de proteção aos animais, o legisla-
dor municipal impôs restrição desproporcional. Esta despropor-
cionalidade fica evidente quando se verifica que a legislação fe-
deral já prevê uma série de instrumentos para garantir, de um
lado, a qualidade dos produtos destinados ao consumo pela po-
pulação e, de outro, a existência digna e a ausência de sofrimen-
to dos animais, tanto no transporte quanto no seu abate. STF.
Plenário. ADPF 514 e ADPF 516 MC-REF/SP, Rel. Min. Edson Fa-
chin, julgados em 11/10/2018 (Info 919).

SISNAMA
É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos
poderes, lei estadual que exige autorização prévia do Poder
Legislativo estadual (Assembleia Legislativa) para que sejam
firmados instrumentos de cooperação pelos órgãos
componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente –
SISNAMA.
Também é inconstitucional lei estadual que afirme que
Fundação estadual de proteção do meio ambiente só poderá
transferir responsabilidades ou atribuições para outros
órgãos componentes do SISNAMA se houver aprovação
prévia da Assembleia Legislativa. STF. Plenário. ADI 4348/RR,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/10/2018 (Info
919).

RESPONSABILIDADE CIVIL
Súmula 618-STJ: A inversão do ônus da prova aplica-se às
ações de degradação ambiental. STJ. Corte Especial. Aprovada
em 24/10/2018, DJe 30/10/2018.

OBRIGAÇÕES AMBIENTAIS
Súmula 623-STJ: As obrigações ambientais possuem natureza
propter rem, sendo admissível cobrá-las do proprietário ou
possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor. STJ. 1ª
Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANO AMBIENTAL


Súmula 629-STJ: Quanto ao dano ambiental, é admitida a
condenação do réu à obrigação de fazer ou à de não fazer
cumulada com a de indenizar. STJ. 1ª Seção. Aprovada em
12/12/2018, DJe 17/12/2018.

68
Empresarial sido emitidas pela Telebrás. A legitimidade passiva para a de-
manda por complementação de ações é definida de acordo com
RECUPERAÇÃO JUDICIAL as seguintes hipóteses: 1) Contrato de participação financeira
Crédito derivado de fato ocorrido antes da recuperação ju- celebrado com companhia independente não controlada pela
dicial TELEBRÁS (ex.: CRT S/A): legitimidade passiva da companhia in-
O crédito derivado de fato ocorrido em momento anterior dependente, ou da sucessora desta (ex.: OI S/A); 2) Contrato de
àquele em que requerida a recuperação judicial deve sujeitar-se participação financeira celebrado com companhia local contro-
ao plano de soerguimento da sociedade devedora. STJ. 3ª Tur- lada pela TELEBRÁS (ex.: TELESC S/A), e emissão originária de
ma. REsp 1.727.771-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em ações pela controlada: legitimidade passiva da TELEBRÁS, bem
15/05/2018 (Info 626). como das companhias cindendas (ou sucessoras destas); 3) Con-
Ação de indenização por danos morais contra empresa em trato de participação financeira celebrado com companhia local
recuperação judicial controlada pela TELEBRÁS, e emissão de ações pela TELEBRÁS:
A ação de compensação por danos morais movida contra em- legitimidade passiva da TELEBRÁS, bem como das companhias
presa em recuperação judicial não deve permanecer suspensa cindendas (ou su cessoras destas). STJ. 2ª Seção. REsp 1.633.801-
até o trânsito em julgado da decisão final proferida no processo SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
de soerguimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.710.750-DF, Rel. Min. 23/05/2018 (recurso repetitivo) (Info 630).
Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 627). A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, atual BM&F
A Lei nº 11.101/2005, embora tenha excluído expressamente BOVESPA, não responde civilmente pelos prejuízos decorren-
dos efeitos da recuperação judicial o crédito de titular da tes da negociação de ações mobiliárias mediante uso de procu-
posição de proprietário fiduciário de bens imóveis ou mó- ração pública falsa que não lhe foi apresentada. Constitui res-
veis, acentuou que os “bens de capital”, objeto de garantia ponsabilidade do agente de custódia (corretoras de valores) fis-
fiduciária, essenciais ao desenvolvimento da atividade em- calizar a regularidade das procurações apresentadas para trans-
presarial, permanecem na posse da recuperanda durante o ferência de valores mobiliários. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.983-
stay period. A conceituação de “bem de capital”, referido na MG, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 26/06/2018 (Info 632)
parte final do § 3º do art. 49 da LRF, há de ser objetiva. Assim, O critério do balancete mensal, previsto na Súmula 371 do STJ, é
“bem de capital” é o bem corpóreo (móvel ou imóvel) utilizado inaplicável aos contratos de participação financeira em empresa
no processo produtivo da empresa recuperanda e que não seja de telefonia celebrados na modalidade Planta Comunitária de
perecível nem consumível. STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.746-GO, Telefonia - PCT.
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 25/09/2018 (Info Súmula 371-STJ: Nos contratos de participação financeira para
634) aquisição de linha telefônica, o valor patrimonial da ação (VPA) é
apurado com base no balancete do mês da integralização. STJ.
SOCIEDADES ANÔNIMAS 3ª Turma. REsp 1.742.233-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseveri-
Prescrição em caso de ação de exigir contas pelo pagamento no, julgado em 02/10/2018 (Info 634
de dividendos e outros rendimentos
A pretensão do titular de ações de exigir contas da sociedade FALÊNCIA
anônima referente ao pagamento de dividendos, juros sobre ca- Não é cabível a restituição de quantia em dinheiro que se en-
pital próprio e demais rendimentos inerentes às respectivas contra depositada em conta corrente de banco falido, em razão
ações prescreve em três anos. Fundamento: art. 287, II, “a”, da de contrato de trust. STJ. 3ª Turma. REsp 1.438.142-SP, Rel. Min.
Lei nº 6.404/76. STJ. 3ª Turma. REsp 1.608.048-SP, Rel. Min. Mar- Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 15/05/2018 (Info 631)
co Aurélio Bellizze, julgado em 22/05/2018 (Info 627).
É imprescindível a publicação na imprensa oficial do edital pre-
visto no art. 7º, § 2º, da Lei nº 11.101/2005. Assim, a Lei não per-
SHOPPING CENTER mite que a publicação seja feita exclusivamente no jornal. Fun-
Em shopping center que funcione como condomínio é per- damento: art. 191 da Lei de Falência. A leitura do caput do art.
mitido que a convenção do condomínio preveja que a área 191 revela que as publicações devem ser sempre feitas na im-
comum será explorada por apenas alguns condôminos (lo- prensa oficial, devendo ser, preferencialmente, feitas também
jistas) mediante publicação em jornal ou revista de circulação se as
A cláusula prevista em convenção de condomínio de shopping possibilidades financeiras do devedor ou da massa falida assim
center, permitindo a alguns condôminos (lojistas) o uso, gozo e comportarem. Obs: o art. 7º, § 2º trata sobre o edital contendo a
fruição de áreas comuns, não é, em regra, nula. STJ. 3ª Turma.- relação feita pelo administrador judicial dos credores do falido.
REsp 1.677.737-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.777-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, jul-
em 19/06/2018 (Info 629). gado em 11/09/2018 (Info 633).
É cabível a interposição de agravo de instrumento contra
SOCIEDADES decisões interlocutórias em processo falimentar e recupera-
Legitimidade passiva da Telebrás, bem como das companhi- cional, ainda que não haja previsão específica de recurso na
as cindendas (ou sucessoras destas), para a ação de comple- Lei nº 11.101/2005 (LREF). Fundamento: interpretação extensi-
mentação de ações va do art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015. STJ. 4ª Turma.
Legitimidade passiva da Telebrás, bem como das companhias REsp 1.722.866-MT, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
cindendas (ou sucessoras destas), para a ação de complementa- 25/09/2018 (Info 635)
ção de ações, na hipótese em que as ações originárias tenham

69
A existência de cláusula compromissória não afeta a executi- Salomão, julgado em 09/10/2018 (Info 638).
vidade do título de crédito inadimplido e não impede a de-
flagração do procedimento falimentar, fundamentado no art.
94, I, da Lei nº 11.101/2005. Caso concreto: o contrato entre as
empresas “A” e “B” continha uma cláusula compromissória. Com
base nesse contrato, a empresa “A” forneceu mercadorias para a
empresa “B”. A empresa “B” não pagou a duplicata referente a
essa venda. Diante disso, a empresa “A” poderá ingressar com
execução individual ou, então, pedir a falência da empresa “B”
sem precisar instaurar o procedimento arbitral. Havendo título
executivo, o direito do credor só pode ser garantido por meio
do juízo estatal, já que o árbitro não possui poderes de natureza
executiva. STJ. 4ª Turma. REsp 1.733.685-SP, Rel. Min. Raul Araú-
jo, julgado em 06/11/2018 (Info 637).
Os encargos da massa não preferem os créditos tributários
nas falências processadas sob a égide do Decreto-Lei nº
7.661/1945. Em outras palavras, na antiga Lei de Falência, os
créditos tributários eram pagos antes dos encargos da massa.
STJ. Corte Especial. EREsp 1.162.964-RJ, Rel. Min. Humberto Mar-
tins, julgado em 07/03/2018 (Info 637).

CONTRATOS BANCÁRIOS
Contrato de conta-corrente mantida entre corretora de Bitcoin e
instituição financeira: não se aplica o CDC
A empresa corretora de Bitcoin que celebra contrato de
conta-corrente com o banco para o exercício de suas ativi-
dades não pode ser considerada consumidora. Não se trata
de uma relação de consumo. A empresa desenvolve a ativida-
de econômica de intermediação de compra e venda de Bitcoins.
Para realizar essa atividade econômica, utiliza o serviço de
conta-bancária oferecido pela instituição financeira. Desse
modo, a utilização desse serviço bancário (abertura de conta-
corrente) tem o propósito de incrementar sua atividade produti-
va de intermediação, não se caracterizando, portanto, como re-
lação jurídica de consumo, mas sim de insumo. Em outras pala-
vras, o serviço bancário de conta-corrente é utilizado como im-
plemento de sua atividade empresarial, não se destinando, pois,
ao seu consumo final. Logo, não se aplicam as normas proteti-
vas do Código de Defesa do Consumidor.
Banco que, após notificar a corretora de Bitcoin, decide encerrar
contrato de conta-corrente com a empresa não pratica ato que
configure abuso de direito
O encerramento de conta-corrente usada na comercialização
de criptomoedas, observada a prévia e regular notificação,
não configura prática comercial abusiva ou exercício abusi-
vo do direito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.696.214-SP, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 09/10/2018 (Info 636)

PROTESTO
Não há como impor tacitamente ao credor o dever de envi-
ar, sem provocação, o documento hábil ao cancelamento do
legítimo protesto. O credor tem o inequívoco dever de for-
necer o documento hábil ao cancelamento do protesto, mas
para isso precisa ser previamente provocado. Assim, se o de-
vedor paga ao banco um título de crédito que estava protesta-
do, o banco deverá fornecer uma carta de anuência com a qual
o devedor poderá cancelar o protesto. No entanto, o credor não
tem o dever de fornecer este documento automaticamente. É
necessário que haja um requerimento (um pedido) daquele que
pagou. STJ. 4ª Turma. REsp 1.346.584-PR, Rel. Min. Luis Felipe

70
Tributário princípios da anterioridade nonagesimal e da irretroatividade
tributária. STF. Plenário. RE 578846/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, jul-
SANÇÕES POLÍTICAS gado em 6/6/2018 (repercussão geral) (Info 905).
Impossibilidade de sanções políticas
Não ofende o art. 173, § 1º, II, da Constituição Federal a escolha
O Estado não pode adotar sanções políticas para constranger o
legislativa de reputar não equivalente a situação das empresas
contribuinte ao pagamento de tributos em atraso. STJ. 1ª Turma.
privadas com relação às sociedades de economia mista, às em-
RMS 53.989-SE, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
presas públicas e suas respectivas subsidiárias exploradoras de
17/04/2018 (Info 626).
atividade econômica, para fins de submissão ao regime tributá-
rio das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS)
IMPOSTO DE RENDA e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Pú -
Valor recebido pelo jogador a título de “direito de arena” blico (PASEP), à luz dos princípios da igualdade tributária e da
sujeita-se ao IRPF seletividade no financiamento da Seguridade Social. STF. Plená-
A remuneração percebida pelos atletas profissionais a título de rio.RE 577494/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
direito de arena sujeita-se à incidência do Imposto sobre a Ren- 13/12/2018 (repercussão geral) (Info 927)
da de Pessoa Física - IRPF. STJ. 1ª Turma. REsp 1.679.649-SP, Rel.
Min. Regina Helena Costa, julgado em 17/05/2018 (Info 626). PRESCRIÇÃO
A parcela decorrente do INCC integra a receita bruta decorrente Prazo prescricional e tributo declarado inconstitucional
da venda do bem imóvel, sendo possível o seu acréscimo à base Caso concreto: STF decidiu que determinada contribuição tribu-
de cálculo do lucro presumido para fins de incidência do impos- tária era inconstitucional. Não houve modulação dos efeitos.
to de renda. Isso significa que a Receita Federal não pode cobrar Contribuinte ajuizou ação pedindo a repetição do indébito, ou
o valor recebido pelas imobiliárias a título de INCC como se fos- seja, a restituição dos valores pagos. O debate envolve o prazo
se “receita financeira”, tributada em separado. Esses valores vão prescricional para essa pretensão. No momento em que o con-
fazer parte da receita bruta decorrente da venda do bem imóvel. tribuinte ajuizou a ação, o entendimento do STJ era no sentido
STJ. 1ª Turma. REsp 1.298.441-GO, Rel. Min. Gurgel de Faria, jul- de que o prazo prescricional tinha início a partir da data da de-
gado em 04/09/2018 (Info 633). claração de inconstitucionalidade da exação pelo STF no contro-
Súmula 627-STJ: O contribuinte faz jus à concessão ou à manu- le concentrado, ou de resolução do Senado Federal, no controle
tenção da isenção do imposto de renda, não se lhe exigindo a difuso. Ocorre que, durante o curso da ação, o STJ promoveu re-
demonstração da contemporaneidade dos sintomas da do- visão abrupta de sua jurisprudência para considerar que, nos tri-
ença nem da recidiva da enfermidade. STJ. 1ª Seção. Aprova- butos sujeitos a lançamento por homologação, o transcurso do
da em 12/12/2018, DJe 17/12/2018. prazo prescricional ocorre a partir do recolhimento indevido, in-
dependentemente da data da decisão do STF ou da Resolução
do SF (REsp 435.835/SC). Com a aplicação do novo entendimen-
CONTRIBUIÇÕES
to do STJ, o contribuinte – que já estava com a sua ação em cur-
Constitucionalidade da contribuição adicional de 2,5% sobre so – teria seu pedido rejeitado por força da prescrição. O STF,
a folha de salários para as instituições financeiras (Lei contudo, não concordou com a aplicação imediata do novo en-
7.787/89) tendimento do STJ aos processos em curso. Para o Supremo,
É constitucional a contribuição adicional de 2,5% (dois e meio isso representa retroação da regra de contagem do prazo pres-
por cento) sobre a folha de salários instituída para as instituições cricional às pretensões já ajuizadas, em afronta ao princípio da
financeiras e assemelhadas pelo art. 3º, § 2º, da Lei nº 7.787/89, segurança jurídica e aos postulados da lealdade, da boa-fé e da
ainda que considerado o período anterior à EC 20/98. STF. Ple- confiança legítima, sobre os quais se assenta o próprio Estado
nário. RE 599309/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em Democrático de Direito. A modificação na jurisprudência em
6/6/2018 (repercussão geral) (Info 905). matéria de prescrição não pode retroagir para considerar pres-
crita pretensão que não o era à época do ajuizamento da ação,
COFINS em respeito ao posicionamento anteriormente consolidado.
Instituições financeiras e majoração de alíquota da COFINS Toda inflexão jurisprudencial que importe restrição a direitos
É constitucional a majoração diferenciada de alíquotas em rela- dos cidadãos deve observar certa regra de transição para produ-
ção às contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou a ção de seus efeitos, levando em consideração os comportamen-
receita de instituições financeiras ou de entidades a elas legal- tos então tidos como legítimos, porquanto praticados em con-
mente equiparáveis. STF. Plenário. RE 656089/MG, Rel. Min. Dias formidade com a orientação prevalecente, em homenagem aos
Toffoli, julgado em 6/6/2018 (repercussão geral) (Info 905). valores e princípios constitucionais. STF. 2ª Turma. ARE 951533/
ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. acórdão o Min. Dias
Toffoli, julgado em 12/6/2018 (Info 906). I
PIS/PASEP
PIS e alteração da base de cálculo para instituição financeira
ICMS
São constitucionais a alíquota e a base de cálculo da contribui -
ção ao Programa de Integração Social (PIS), previstas no art. 72, Rejeição do pedido de modulação dos efeitos da ADI 3246/
V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), PA Julgado sem relevância para fins de concurso porque decidi-
destinada à composição do Fundo Social de Emergência (FSE), do com base em peculiaridades do caso concreto
nas redações da Emenda Constitucional Revisional 1/1994 e das Em 2006, o STF julgou inconstitucional lei do Estado do Pará que
Emendas Constitucionais 10/1996 e 17/1997, observados os concedia isenção, redução da base de cálculo, diferimento,
crédito presumido e suspensão do ICMS para os empreendi-

71
mentos ali instalados. Entendeu-se que houve violação do art. dição para a liberação das mercadorias importadas não signifi-
155, § 2º, XII, letra “g” da CF/88. Agora, o STF rejeitou os embar - ca apreensão, mas tão somente a sua retenção enquanto se
gos de declaração opostos pelo Estado do Pará postulando a aguarda o desembaraço aduaneiro. A retenção das mercadori-
modulação dos efeitos da decisão. Os Ministros afirmaram que as trazidas para o Brasil e a exigência de recolhimento dos tribu-
no julgamento da ADI foi debatida a possibilidade de modula- tos e multa é um procedimento que integra a operação de im-
ção dos efeitos, sendo essa proposta recusada pelo Colegiado. portação. STJ. 1ª Turma. REsp 1.728.921-SC, Rel. Min. Regina He-
Assim, entendeu-se que a decisão que julgou inconstitucional a lena Costa, julgado em 16/10/2018 (Info 636).
lei deve ter efeitos retroativos (ex tunc). STF. Plenário. ADI 3246
ED/PA, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/6/2018 PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO
(Info 906)
Os requisitos para o parcelamento devem ser fixados em lei
O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar dis- específica e atos infralegais não poderão impor condições
so, a CF/88 determina que o Estado deverá repassar 25% da não previstas nesta lei
receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será realizado As condições para a concessão de parcelamento tributário de-
após cálculos que são feitos para definir o valor da cota-par- vem estrita observância ao princípio da legalidade e não há au-
te que caberá a cada Município, segundo critérios definidos torização para que atos infralegais tratem de condições não pre-
pelo art. 158, parágrafo único da CF/88 e pela lei estadual. A vistas na lei de regência do benefício. STJ. 1ª Turma. REsp
Constituição do Estado do Amapá previu que seria competência 1.739.641-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 21/06/2018
do TCE homologar os cálculos das cotas do ICMS devidas aos (Info 629).
Municípios. Este dispositivo é inconstitucional. Sujeitar o ato de
repasse de recursos públicos à homologação do TCE representa IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
ofensa ao princípio da separação e da independência dos Pode-
As Caixas de Assistência de Advogados gozam de imunidade
res. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
tributária recíproca
julgado em 25/10/2018 (Info 921).
As Caixas de Assistência de Advogados encontram-se tuteladas
É possível a descaracterização do contrato de arrendamento pela imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, da
mercantil (leasing) se o prazo de vigência do acordo cele- Constituição Federal. A Caixa de Assistência dos Advogados é
brado não respeitar a vigência mínima estabelecida de acor- um “órgão” integrante da estrutura da OAB, mas que possui
do com a vida útil do bem arrendado. Nos termos do art. 8º personalidade jurídica própria. Sua finalidade principal é prestar
do anexo da Resolução nº 2.309/96 e art. 23 da Lei nº 6.099/74, assistência aos inscritos no respectivo no Conselho Seccional
o prazo mínimo de vigência do contrato de arrendamento mer- (art. 62 da Lei nº 8.906/94). As Caixas de Assistências prestam
cantil financeiro é de (i) dois anos, quando se tratar de bem com serviço público delegado e possuem status jurídico de ente
vida útil igual ou inferior a cinco anos, e (ii) de três anos, se o público. Vale ressaltar ainda que elas não exploram atividades
bem arrendado tiver vida útil superior a cinco anos. Caso con- econômicas em sentido estrito com intuito lucrativo. Diante
creto: o bem arrendado (pá-escavadeira) possui vida útil superi- disso, devem gozar da imunidade recíproca, tendo em vista a
or a cinco anos. Apesar disso, o ajuste previa o arrendamento impossibilidade de se conceder tratamento tributário
pelo prazo de apenas dois anos. Logo, foi desrespeitada a Reso- diferenciado a órgãos integrantes da estrutura da OAB. STF.
lução, ficando descaracterizado o contrato de arrendamento Plenário. RE 405267/MG, Rel. Min. Edson Fachin , julgado em
mercantil. Ficando descaracterizado o leasing, é possível cobrar 6/9/2018 (Info 914)
ICMS sobre esta operação. STJ. 2ª Turma. REsp 1.569.840-MT,
Os bens e direitos que integram o patrimônio do fundo
Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 16/08/2018 (Info 632).
vinculado ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR),
criado pela Lei nº 10.188/2001, beneficiam-se da imunidade
DIREITO FINANCEIRO tributária prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição
É inconstitucional norma estadual que destina recursos do Federal. STF. 1ª Turma. RE 928902/SP, Rel. Min. Alexandre de
Fundo de Participação dos Estados para um determinado Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
fundo de desenvolvimento econômico
São inconstitucionais as normas que estabelecem vinculação de CSLL
parcelas das receitas tributárias a órgãos, fundos ou despesas, A CSLL é constitucional
por desrespeitarem a vedação contida no art. 167, IV, da Consti- É constitucional a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido
tuição Federal. Caso concreto: STF julgou inconstitucional o art. (CSLL), instituída pela Lei nº 7.689/88, sendo também
226, § 1º da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que criou constitucionais as majorações de alíquotas efetivadas pela Lei nº
o Fundo de Desenvolvimento Econômico e a ele destinou recur- 7.856/89, por obedecerem à anterioridade nonagesimal. Por sua
sos provenientes do Fundo de Participação dos Estados. STF. vez, a ampliação da base de cálculo, conforme o art. 1º, II, da Lei
Plenário. ADI 553/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em nº 7.988/89, a fim de se compatibilizar com a anterioridade
13/6/2018 (Info 906). nonagesimal, só pode ser efetivada a partir do ano base de
1990. STF. Plenário. RE 211446 ED-ED/GO, Rel. Min. Luiz Fux,
A retenção de mercadoria importada até o pagamento dos
julgado em 20/9/2018 (Info 916).
direitos antidumping não viola o enunciado da Súmula 323
do STF.
Súmula 323-STF: É inadmissível a apreensão de mercadorias CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS
como meio coercitivo para pagamento de tributos. Os créditos tributários provenientes do Adicional de Indenização
A exigência do pagamento dos direitos antidumping como con- do Trabalhador Portuário Avulso - AITP, reconhecidos

72
judicialmente, podem ser compensados com outros débitos expansão urbana não está condicionada à existência dos
tributários federais administrados pela Secretaria da Receita melhoramentos elencados no art. 32, § 1º, do CTN. STJ. 1ª
Federal, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. STJ. 1ª Turma. Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
REsp 1.738.282-ES, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. Acd. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 21/06/2018 (Info 631).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Súmula 625-STJ: O pedido administrativo de compensação ou
IPI
de restituição não interrompe o prazo prescricional para a ação
Não é possível a sucessão processual em razão de cessão de de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do
crédito de título judicial, referente a crédito-prêmio de IPI, com CTN nem o da execução de título judicial contra a Fazenda
a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela Pública. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe
cessionária. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.390.228-RS, Rel. Min. Gurgel 17/12/2018.
de Faria, julgado em 26/09/2018 (Info 636).
É incompatível com a CF/88 o art. 3º do Decreto-Lei 1.437/75, ISS
que autorizava que o Fisco exigisse do contribuinte o
Se uma entidade sem fins lucrativos, como é o caso do
ressarcimento pelo custo dos selos do IPI. Assim, o selo para
sindicato ou da câmara de dirigentes lojistas, oferece serviço
controle de recolhimento de IPI não pode ser cobrado do
de consulta a cadastros de proteção ao crédito em favor de
contribuinte, sob pena de violação ao princípio da legalidade
seus associados, deverá pagar ISS?
tributária (art. 150, I, da CF/88). Nas palavras do STF: “Ante o
1ª Turma: SIM O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza
princípio da legalidade estrita, surge inconstitucional o artigo 3º
- ISSQN - incide sobre os serviços de proteção ao crédito, ainda
do Decreto-Lei nº 1.437/75 no que transferida a agente do
que prestados por entidade sindical a seus associados. STJ. 1ª
Estado – Ministro da Fazenda – a definição do ressarcimento de
Turma. AREsp 654.401-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
custo e demais encargos relativos ao selo especial previsto, sob
04/10/2018 (Info 638).
o ângulo da gratuidade, no artigo 46 da Lei nº 4.502/64.” STF.
2ª Turma: NÃO A Câmara de Dirigentes Lojistas é uma
Plenário. RE 662113/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
associação cujos serviços destinam-se a atender seus próprios
12/2/2014 (Info 735). É inexigível o ressarcimento de custos e
sócios, os diretores de lojas, sem objetivo de lucro, mas visando
demais encargos pelo fornecimento de selos de controle de IPI,
a realização de seus objetivos, tal como previsto em seu
instituído pelo DL 1.437/1975, que, embora denominado
estatuto. Assim, como o CDL realiza suas atividades sem fins
ressarcimento prévio, é tributo da espécie Taxa de Poder de
lucrativos não está sujeito à incidência do ISS. STJ. 2ª Turma.
Polícia, de modo que há vício de forma na instituição desse
REsp 1338554/RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
tributo por norma infralegal, excluídos os fatos geradores
07/05/2015.
ocorridos após a vigência da Lei nº 12.995/2014. STJ. 1ª Seção.
REsp 1.405.244-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
julgado em 08/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 637).
Na hipótese em que ocorrer roubo/furto da mercadoria após a
sua saída do estabelecimento do fabricante não se configura o
evento ensejador de incidência do IPI. Não deve incidir IPI
sobre a venda de produtos, na hipótese de roubo ou furto da
mercadoria, antes da sua entrega ao comprador. Isso porque,
neste caso, como não foi concluída a operação mercantil, não
ficou configurado o fato gerador. STJ. 1ª Seção. EREsp 734.403-
RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
14/11/2018 (Info 638)

IPTU
Parcelamento de ofício não interfere no curso do prazo
prescricional
O parcelamento de ofício da dívida tributária não configura
causa interruptiva da contagem da prescrição, uma vez que o
contribuinte não anuiu. STJ. 1ª Seção. REsp 1.658.517-PA, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 638).
Termo inicial do prazo prescricional em caso de IPTU
O termo inicial do prazo prescricional da cobrança judicial
do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU - inicia-se no dia
seguinte à data estipulada para o vencimento da exação. STJ.
1ª Seção. REsp 1.658.517-PA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia
Filho, julgado em 14/11/2018 (recurso repetitivo) (Info 638).
Súmula 626-STJ: A incidência do IPTU sobre imóvel situado
em área considerada pela lei local como urbanizável ou de

73
Eleitoral o art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.444/85 e as Resoluções do TSE que
preveem o cancelamento do título dos eleitores que não com-
VOTO IMPRESSO parecerem à revisão eleitoral. STF. Plenário. ADPF 541 MC/DF,
Inconstitucionalidade do voto híbrido previsto no art. 59-A Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 26/9/2018 (Info 917)
da Lei 9.504/97
É inconstitucional a lei que determina que, na votação eletrôni- FUNDO PARTIDÁRIO
ca, o registro de cada voto deverá ser impresso e depositado, de
Modulação dos efeitos da ADI 5617/DF
forma automática e sem contato manual do eleitor, em local
O STF, ao analisar o art. 9º da Lei nº 13.165/2015, decidiu:
previamente lacrado (art. 59-A da Lei 9.504/97, incluído pela Lei
a) Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da
13.165/2015). Essa previsão acaba permitindo a identificação de
Lei nº 13.165/2015, de modo a equiparar o patamar legal
quem votou, ou seja, permite a quebra do sigilo, e, consequen-
mínimo de candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º,
temente, a diminuição da liberdade do voto, violando o art. 14 e
da Lei nº 9.504/97, isto é, ao menos 30% de cidadãs) ao
o § 4º do art. 60 da Constituição Federal. Cabe ao legislador fa-
mínimo de recursos do Fundo Partidário a lhes serem desti-
zer a opção pelo voto impresso, eletrônico ou híbrido, visto que
nados, que deve ser interpretado como também de 30% do
a CF/88 nada dispõe a esse respeito, observadas, entretanto, as
montante do Fundo alocado a cada partido, para as eleições
características do voto nela previstas. No entanto, o modelo
majoritárias e proporcionais, e fixar que, havendo percentual
híbrido trazido pelo art. 59-A constitui efetivo retrocesso aos
mais elevado de candidaturas femininas, o mínimo de recursos
avanços democráticos conquistados pelo Brasil para garantir
globais do partido destinados a campanhas lhe seja alocado na
eleições realmente livres, em que as pessoas possam escolher os
mesma proporção. Assim, o montante de recursos para as cam-
candidatos que preferirem. STF. Plenário. ADI 5889/DF, rel. orig.
panhas de mulheres deve ser proporcionalmente igual ao nú-
Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, jul-
mero de candidatas, sendo de no mínimo 30%;
gado em 6/6/2018 (Info 905).
b) Declarar a inconstitucionalidade da expressão “três”, con-
tida no art. 9º da Lei nº 13.165/2015. A previsão de recursos
PROPAGANDA ELEITORAL mínimos para as campanhas de candidatas não deve ter um
São inconstitucionais dispositivos da Lei das Eleições que ve- prazo determinado, considerando que ela dura até que as
davam sátira a candidatos desigualdades sejam corrigidas;
O art. 45, II e III da Lei nº 9.504/97 prevê que, depois do prazo c) Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do §
para a realização das convenções no ano das eleições, as emis- 5º-A e do § 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95, que tratam dos
soras de rádio e televisão, em sua programação normal e em recursos específicos para a criação e manutenção de progra-
seu noticiário, não podem: a) usar trucagem, montagem ou ou- mas de promoção e difusão da participação política das mu-
tro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degra- lheres. STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julga-
dem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou pro- do em 15/3/2018 (Info 894).
duzir ou veicular programa com esse efeito (inciso II) e b) difun- Ao declarar inconstitucionais tais dispositivos, surgiu um
dir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coliga- “problema”: o que fazer com esses recursos que estavam man-
ção, a seus órgãos ou representantes (segunda parte do inciso tidos em contas bancárias específicas? Caso mantida na íntegra
III). Os §§ 4º e 5º explicam o que se entende por trucagem e por a decisão do dia 15/03/2018, os partidos não poderiam fazer
montagem. O STF decidiu que tais dispositivos são INCONSTI- uso dos recursos do fundo partidário para as campanhas femini-
TUCIONAIS porque representam censura prévia. A liberdade de nas. Isso iria contrariar o escopo do próprio julgamento, pois o
expressão autoriza que os meios de comunicação optem por objetivo do STF foi o de fortalecer as candidaturas de mulheres.
determinados posicionamentos e exteriorizem seu juízo de va- Diante desse impasse, o STF, na sessão de 02/10/2018, resolveu
lor, bem como autoriza programas humorísticos, “charges” e modular os efeitos da decisão tomada no dia 15/03/2018 e de-
sátiras realizados a partir de trucagem, montagem ou outro re- cidiu “aproveitar” tais recursos nas campanhas eleitorais de can-
curso de áudio e vídeo, como costumeiramente se realiza, não didatas mulheres nas eleições de 2018. Veja como o Supremo
havendo nenhuma justificativa constitucional razoável para a in- determinou a modulação: Os recursos financeiros de anos an-
terrupção durante o período eleitoral. Vale ressaltar que, poste- teriores acumulados nas contas específicas mencionadas pe-
riormente, é possível a responsabilização dos meios de comuni- los §§ 5º-A e 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95 devem ser adi-
cação e de seus agentes por eventuais informações mentirosas, cionalmente transferidos para as contas individuais das can-
injuriosas, difamantes. O que não se pode é fazer uma censura didatas no financiamento de suas campanhas eleitorais no
prévia. São inconstitucionais quaisquer leis ou atos normativos pleito geral de 2018, sem que haja a redução de 30% do
tendentes a constranger ou inibir a liberdade de expressão a montante do fundo alocado a cada partido para as candida-
partir de mecanismos de censura prévia. STF. Plenário. ADI turas femininas. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson
4451/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20 e Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918).
21/6/2018 (Info 907).
INELEGIBILIDADES
TÍTULO DE ELEITOR Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do
É válido o cancelamento do título do eleitor que não compa- art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de que a intenção do
recer à revisão eleitoral poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo
É válido o cancelamento do título do eleitor que, convocado por núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o
edital, não comparecer ao processo de revisão eleitoral, em vir- mesmo cargo no Poder Executivo. Em outras palavras, a CF/88
tude do que dispõe o art. 14, caput, e § 1º da CF/88. São válidos quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três

74
mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de
Presidente. A vedação ao exercício de três mandatos
consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se
também na hipótese em que tenha havido a convocação do
segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato-
tampão. Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio.
Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis meses antes das
eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado
de Auricélio) vence a eleição para Prefeito da mesma cidade. De
2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em 2016,
Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito
porque seria o terceiro mandato consecutivo deste núcleo
familiar. STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello,
julgado em 23/10/2018 (Info 921).

LIBERDADE DE EXPRESSÃO
São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos
que determinem ou promovam: • o ingresso de agentes pú-
blicos em universidades públicas e privadas; • o recolhimen-
to de documentos (ex: panfletos); • a interrupção de aulas,
debates ou manifestações de docentes e discentes universi-
tários; • a realização de atividade disciplinar docente e dis-
cente e a coleta irregular de depoimentos desses cidadãos
pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do
pensamento nos ambientes universitários ou em equipa-
mentos sob a administração de universidades públicas e pri-
vadas. STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cár-
men Lúcia, julgado em 31/10/2018 (Info 922)

75
Trabalho e Processo do Trabalho 324/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29 e 30/8/2018
(Info 913). STF. Plenário. RE 958252/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julga-
COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA do em 29 e 30/8/2018 (repercussão geral) (Info 913)
É possível o ajuizamento de reclamação trabalhista mesmo
que não se tenha tentado acordo na Comissão de Concilia- PARTICIPAÇÃO EM ESPETÁCULOS PÚBLICOS
ção Prévia
Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça do Trabalho) au-
A eficácia liberatória geral de que trata o art. 625-E, parág-
torizar trabalho artístico de crianças e adolescentes
rafo único, da CLT, abrange apenas os valores que foram
Compete à Justiça Comum Estadual (juízo da infância e juventu-
discutidos na CCP
de) apreciar os pedidos de alvará visando a participação de cri-
É constitucional a proibição da citação por edital no proce-
anças e adolescentes em representações artísticas. Não se trata
dimento sumaríssimo
de competência da Justiça do Trabalho. O art. 114, I e IX, da CF/
É possível o ajuizamento de reclamação trabalhista mesmo
88 não abrange os casos de pedido de autorização para partici-
que não se tenha tentado acordo na Comissão de Concilia-
pação de crianças e adolescentes em eventos artísticos, conside-
ção Prévia
rando que não há, no caso, conflito atinente a relação de traba-
A Comissão de Conciliação Prévia constitui meio legítimo, mas
lho. STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
não obrigatório, de solução de conflitos. Isso significa que é per-
em 27/9/2018 (Info 917).
mitido que o empregado ingresse diretamente com a reclama-
ção na Justiça do Trabalho, mesmo que não tenha buscado pre-
viamente a Comissão de Conciliação Prévia. Deve ser resguarda- ESTABILIDADE
do o acesso à Justiça para os que venham a ajuizar demandas É garantida a estabilidade à empregada gestante mesmo
diretamente na Justiça do Trabalho. Contraria a CF/88 a inter- que no momento em que ela tenha sido demitida pelo em-
pretação do art. 625-D da CLT que reconheça a submissão da pregador ele não soubesse de sua gravidez
pretensão à Comissão de Conciliação Prévia como requisito para A incidência da estabilidade prevista no art. 10, II, do Ato das
ajuizamento de reclamação trabalhista. Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) somente exige a
A eficácia liberatória geral de que trata o art. 625-E, parág- anterioridade da gravidez à dispensa sem justa causa. Art. 10. (...)
rafo único, da CLT, abrange apenas os valores que foram II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: (...) da
discutidos na CCP empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco
O art. 625-E, parágrafo único, da CLT, fala que o termo de conci- meses após o parto. O único requisito exigido é de natureza
liação terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas biológica. Exige-se apenas a comprovação de que a gravidez
expressamente ressalvadas. ocorreu antes da dispensa arbitrária, não sendo necessários
O STF conferiu interpretação sistemática ao art. 625-E, parágrafo quaisquer outros requisitos, como o prévio conhecimento
único, da CLT, para dizer que a expressão “eficácia liberatória do empregador ou da própria gestante. Assim, é possível as-
geral” somente se refere àquilo que foi objeto da conciliação. segurar a estabilidade à gestante mesmo que, no momento em
Em outras palavras, somente diz respeito aos valores que foram que ela tenha sido demitida pelo empregador, ele não soubesse
discutidos na Comissão de Conciliação Prévia. Isso não significa de sua gravidez. STF. Plenário. RE 629053/SP, Rel. Min. Marco
que haverá uma quitação geral e indiscriminada de verbas tra- Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
balhistas abrangendo parcelas que não foram objeto de debate 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
na CCP.
PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO AÇÃO RESCISÓRIA
É constitucional a proibição da citação por edital no procedi-
É constitucional a fixação de depósito prévio como condição
mento sumaríssimo O art. 852-B, II, da CLT, prevê que, nas recla-
de procedibilidade de ação rescisória. Esse depósito prévio, cor-
mações enquadradas no procedimento sumaríssimo não se fará
respondente a 20% do valor da causa, é previsto no art. 836 da
citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação do
CLT, com redação dada pela Lei nº 11.495/2007. O depósito pré-
nome
vio para ajuizamento da ação rescisória é razoável e visa desesti-
e endereço do reclamado. O STF decidiu que essa previsão é
mular ações temerárias. STF. Plenário. ADI 3995/DF, Rel. Min.
constitucional. O legislador, ao proibir a citação por edital no
Roberto Barroso, julgado em 13/12/2018 (Info 927).
procedimento sumaríssimo, teve por objetivo conferir celeridade
e efetividade a este rito. STF. Plenário. ADI 2139/DF, ADI 2160/
DF e ADI 2237/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em 1º/
8/2018 (Info 909).

TERCEIRIZAÇÃO
Mesmo antes das Leis 13.429/2017 e 13.467/2017, já era líci-
ta a terceirização de toda e qualquer atividade da empresa,
seja ela atividade-meio ou fim, de forma que era inconstitu-
cional a Súmula 331 do TST
É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do
trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente
do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsa-
bilidade subsidiária da empresa contratante. Os itens I e III da
Súmula 331 do TST são inconstitucionais. STF. Plenário. ADPF

76
Previdenciário A intervenção da Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (PREVIC) nas entidades fechadas de previdência
PREVIDÊNCIA PRIVADA privada deve perdurar pelo tempo necessário ao saneamento da
Não é possível incluir, nos cálculos dos proventos de com- entidade, podendo o prazo inicial de duração ser prorrogado
plementação de aposentadoria pagos por entidade fechada mais de uma vez. Não se aplica o art. 4º da Lei nº 6.024/74. Isso
de previdência privada, as horas extraordinárias habituais porque existe uma regra específica na LC 109/2001 dizendo, de
incorporadas por decisão da Justiça trabalhista à remunera- forma ampla, que “a intervenção será decretada pelo prazo ne-
ção do participante cessário”. STJ. 3ª Turma.REsp 1.734.410-SP, Rel. Min. Ricardo Vil-
As horas extras habituais incorporadas ao salário do participante las Bôas Cueva, julgado em 14/08/2018 (Info 631).
de plano de previdência privada por decisão da Justiça do Tra-
A Taxa Referencial (TR) não pode ser utilizada como fator
balho produzem efeitos nos cálculos dos proventos de comple-
de correção monetária dos benefícios da previdência priva-
mentação de aposentadoria? a) A concessão do benefício de
da aberta, a partir de 5/9/1996, devendo o indexador ser
previdência complementar tem como pressuposto a prévia for-
substituído por um Índice Geral de Preços de Ampla Publicida-
mação de reserva matemática, de forma a evitar o desequilíbrio
de, que será o IPCA, na ausência de repactuação. STJ. 2ª Se-
atuarial dos planos. Em tais condições, quando já concedido o
ção.EAREsp 280.389-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, jul-
benefício de complementação de aposentadoria por entidade
gado em 26/09/2018 (Info 635).
fechada de previdência privada, é inviável a inclusão dos reflexos
das verbas remuneratórias (horas extras) reconhecidas pela Jus-
tiça do Trabalho nos cálculos da renda mensal inicial dos benefí- ADICIONAL DE 25% (GRANDE INVALIDEZ)
cios de complementação de aposentadoria b) Os eventuais pre- Comprovadas a invalidez e a necessidade de assistência per-
juízos causados ao participante ou ao assistido que não pude- manente de terceiro, é devido o acréscimo de 25% (vinte e
ram contribuir ao fundo na época apropriada ante o ato ilícito cinco por cento), previsto no art. 45 da Lei nº 8.213/91, a to-
do empregador poderão ser reparados por meio de ação judici- dos os aposentados pelo RGPS, independentemente da mo-
al a ser proposta contra a empresa ex-empregadora na Justiça dalidade de aposentadoria. Apesar de o art. 45 da Lei nº
do Trabalho. c) Modulação dos efeitos da decisão (art. 927, § 3º, 8.213/91 falar apenas em “aposentadoria por invalidez”, o
do CPC/2005): nas demandas ajuizadas na Justiça comum até a STJ entendeu que se pode estender esse adicional para to-
data do presente julgamento - se ainda for útil ao participante das as demais espécies de aposentadoria (especial, por ida-
ou assistido, conforme as peculiaridades da causa -, admite-se a de, tempo de contribuição). STJ. 1ª Seção. REsp 1.648.305-RS,
inclusão dos reflexos de verbas remuneratórias (horas extras), Rel. Min. Assusete Magalhães, Rel. Acd. Min. Regina Helena Cos-
reconhecidas pela Justiça do Trabalho, nos cálculos da renda ta, julgado em 22/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 634).
mensal inicial dos benefícios de complementação de aposenta-
doria, condicionada à previsão regulamentar (expressa ou im-
plícita) e à recomposição prévia e integral das reservas mate-
máticas com o aporte de valor a ser apurado por estudo técnico
atuarial em cada caso. d) Nas reclamações trabalhistas em que o
ex-empregador tiver sido condenado a recompor a reserva ma-
temática, e sendo inviável a revisão da renda mensal inicial da
aposentadoria complementar, os valores correspondentes a tal
recomposição devem ser entregues ao participante ou assistido
a título de reparação, evitando-se, igualmente, o enriquecimen-
to sem causa da entidade fechada de previdência complemen-
tar. STJ. 2ª Seção. REsp 1.312.736-RS, Rel. Min. Antonio Carlos
Ferreira, julgado em 08/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 630).
Em ação de revisão de benefício de previdência privada, o
patrocinador não possui legitimidade passiva para figurar
em litisconsórcio com a entidade previdenciária
O patrocinador não possui legitimidade passiva para litígios que
envolvam participante/assistido e entidade fechada de previ-
dência complementar, ligados estritamente ao plano previden-
ciário, como a concessão e a revisão de benefício ou o resgate
da reserva de poupança, em virtude de sua personalidade jurídi-
ca autônoma. Obs: não se incluem, no âmbito da matéria afeta-
da, as causas originadas de eventual ato ilícito, contratual ou ex-
tracontratual, praticado pelo patrocinador. Em outras palavras, a
tese acima definida não engloba a discussão quanto a atos ilíci-
tos cometidos pelo patrocinador. STJ. 1ª Turma. REsp 1.370.191-
RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 13/06/2018 (recur-
so repetitivo) (Info 630).

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