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Introdução

A Sociologia é uma disciplina que busca analisar os factos sociais, isto é, fenómenos que
ocorrem na nossa sociedade e que sejam dotados de um sentido/significado para os indivíduos
dentro de uma sociedade. Mais do que simples contemplação dos fenómenos, a Sociologia busca
analisar e explicar cientificamente os mesmos, isto é, o sentido que os indivíduos atribuem para
os seus actos, considerando estes como sendo significativos em cada época e sociedade. Assim,
ela aparece como sendo o estudo da realidade social.

O presente trabalho, visa responder de forma clara e detalhada as questões referentes a cadeira de
sociologia geral. De salientar que o trabalho é fruto de uma pesquisa árdua graças a várias
consultas bibliográficas que estiveram ao alcance e para tornar o mesmo suave e nitidamente
perceptível, estruturei-o em introdução, desenvolvimento, conclusão e por último a bibliografia.

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1.Conceito de Conhecimento Científico e sua essência na realidade social
Conhecimento Científico é uma forma de conhecimento que se baseia na construção de saberes
sobre a realidade social a partir do processo de investigação, obedecendo a princípios
metodológicos. É um conhecimento que resulta duma produção ou construção que o pesquisador
faz a volta da realidade social a partir de um conjunto de preposições articuladas
sistematicamente.
O conhecimento científico é geralmente produzido em universidades, e visa enriquecer o
universo humano de pensamento e oferecer alguns encaminhamentos aos nossos problemas.
(RUBEM, 1985:39)
2.Os obstáculos mais comuns a construção do conhecimento científico e sua manifestação

Os obstáculos mais comuns a construção do conhecimento científico são: naturalismo,


individualismo e etnocentrismo.

2.1.Naturalismo

Naturalismo é a tendência de se explicar os factos sociais invocando causas metasociais, ou seja,


é a descrição e interpretação da sociedade a partir de elementos naturais/físicos e biológicos. A
partir do naturalismo, buscasse explicar o comportamento de certos grupos sociais, considerando
que estes comportamentos são naturais a determinado grupo social, área geográfica, etc.

Assim, tais características acabam sendo inquestionáveis por si considerar que são “naturais”.
Por exemplo: quando se diz que os homens ou mulheres pensam assim. Não se percebe que o
comportamento de homens e mulheres nada tem de natural, mais que pelo contrário resulta da
socialização.

2.2.Individualismo

Contrariamente ao naturalismo podemos ver este, como sendo uma abordagem que considera
que a sociedade é a simples soma de indivíduos e que cada um destes agem apenas tendo em
vista a prossecução dos seus objectivos singulares, e não vendo que o indivíduo é produto da
própria sociedade, inclusive as suas escolhas sã socialmente determinadas.

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Assim, pensar que as acções individuais resultam pura e simplesmente das vontades singulares, é
não perceber o funcionamento da própria sociedade em que cada um se encontra, e nem que
estas são realidades inseparáveis.

2.3. Etnocentrismo

Este obstáculo ao conhecimento científico pode ser visto como a tendência ou atitude de se
sobrevalorizar a cultura de grupo social a que pertençam os sujeitos, e a consequente
desvalorização ou depreciação dos outros grupos sociais diferentes.

Os valores do grupo sujeito é que são considerados como norma ou universais para análise da
estrutura e práticas sociais de outros povos. Por conseguinte, o pesquisador de forma implícita
acaba reproduzindo esta realidade o que lhe impede de buscar o conhecimento sobre
funcionamento de certa realidade social, em resultado dos preconceitos que possui (RUBEM,
1985:40).

3. Conceito de dúvida metódica e a sua grande missão na sociedade

Dúvida metódica, consiste em questionar todo conhecimento e não assumir estes como verdade
já dada e absoluta. Na sociedade, esta dúvida permite que as ideias do senso comum não
influenciem o nosso pensamento, daí que deve ser uma atitude constante, ou seja, a ruptura com
senso comum não se dá de uma única vez, mais pelo contrário constantemente.
 A primeira condição é a ruptura com senso comum, em que nos colocamos de lado as
evidências aparentes que nos são dadas pelo conhecimento do senso comum, pois
expressam meras opiniões;
 A segunda é construção do objecto de análise, após a ruptura com senso comum
investigador procura construir o seu objecto de análise a partir de teorias explicativas
sobre determinado facto;
 A terceira tem a ver com a verificação, em que faz-se o confronto entre as teorias e com o
facto observado de forma a determinar se de facto aquilo que diz a teoria pode explicar o
facto observado e em que medida (LUIS, 2012, p.48)
4. Benefícios da Sociologia

Em primeiro lugar, no que tange as consciências de diferenças culturais, a sociologia permite que
olhemos para o mundo social a partir de muitos pontos de vista, muito frequentemente se

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compreendermos correctamente o modo como os outros vivem, adquirimos igualmente uma
melhor compreensão dos seus problemas;

Em segundo lugar, no que se refere a avaliação dos efeitos das políticas, a pesquisa sociológica
fornece uma ajuda prática na avaliação dos resultados de iniciativas políticas;

Por último, a sociologia pode permitir-nos uma auto-consciencialização e uma auto-


compreensão cada vez maior (GIDDENS, 2001:5).

5. Pensamento de John Locke no que concerne a governação

Locke, considerava que o homem possuía direitos naturais tais como a vida, a liberdade, a
propriedade, e que para garantir estes os homens criaram então os governos. Por conseguinte,
caso os governos não assegurassem estes direitos as pessoas podiam obviamente se rebelar,
contestar e derrubar o governo que era definido como “um consentimento dos governados em
relação a uma autoridade constituída e ao direito natural do ser humano”.

Para que um governo fosse verdadeiro no sentido por si defendido, deveria basear-se na
legitimidade, consentimento dos próprios cidadãos que adivinha de um contracto social O poder
de Estado deveria necessariamente estar confiado em 3 mãos:

 Legislativo em que a faculdade do poder consiste na capacidade de fazer leis;


 Executivo que consiste na capacidade de aplicar as leis aos casos concretos quer seja
através da administração pública e tribunais; e
 Federativo que consiste na condução do Estado nas suas relações com exterior. Neste
sentido, o poder absoluto era totalmente incompatível com a sociedade civil, visto que o
soberano acumula todos os poderes e impede o apelo ou arbitragem independente.
(LOCKE, op cit. in: Ferreira; 1995; pp. 35-36).

6. Pensamento de Jean Jacques Rousseau no que diz respeito ao contrato social

Para Rousseau, o homem nasceria bom, mas a sociedade o corromperia. Da mesma forma, o
homem nasceria livre, mas por toda parte se encontraria acorrentado por fatores como sua
própria vaidade, fruto da corrupção do coração. O indivíduo se tornaria escravo de suas
necessidades e daqueles que o rodeiam, o que em certo sentido refere-se a uma preocupação
constante com o mundo das aparências, do orgulho, da busca por reconhecimento e status.

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Mesmo assim, acreditava que seria possível se pensar numa sociedade ideal, tendo assim sua
ideologia refletida na concepção da Revolução Francesa ao final do século XVIII.

A questão que se colocava era a seguinte: como preservar a liberdade natural do homem e ao
mesmo tempo garantir a segurança e o bem-estar da vida em sociedade? Segundo Rousseau, isso
seria possível através de um contrato social, por meio do qual prevaleceria a soberania da
sociedade, a soberania política da vontade coletiva.

Rosseau percebeu que a busca pelo bem-estar seria o único móvel das ações humanas e, da
mesma, em determinados momentos o interesse comum poderia fazer o indivíduo contar com a
assistência de seus semelhantes. Por outro lado, em outros momentos, a concorrência faria com
que todos desconfiassem de todos. Dessa forma, nesse contrato social seria preciso definir a
questão da igualdade entre todos, do comprometimento entre todos. Se por um lado a vontade
individual diria respeito à vontade particular, a vontade do cidadão (daquele que vive em
sociedade e tem consciência disso) deveria ser coletiva, deveria haver um interesse no bem
comum.

Este pensador acreditava que seria preciso instituir a justiça e a paz para submeter igualmente o
poderoso e o fraco, buscando a concórdia eterna entre as pessoas que viviam em sociedade. Um
ponto fundamental em sua obra está na afirmação de que a propriedade privada seria a origem da
desigualdade entre os homens, sendo que alguns teriam usurpado outros. A origem da
propriedade privada estaria ligada à formação da sociedade civil. O homem começa a ter uma
preocupação com a aparência. Na vida em sociedade, ser e parecer tornam-se duas coisas
distintas.

Por isso, para Rousseau, o caos teria vindo pela desigualdade, pela destruição da piedade natural
e da justiça, tornando os homens maus, o que colocaria a sociedade em estado de guerra. Na
formação da sociedade civil, toda a piedade cai por terra, sendo que “desde o momento em que
um homem teve necessidade do auxílio do outro, desde que se percebeu que seria útil a um só
indivíduo contar com provisões para dois, desapareceu a igualdade, a propriedade se introduziu,
o trabalho se tornou necessário” (WEFFORT, 2001, p. 207-209).

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7. Definição de Facto social

Facto social que pode ser definido objectivamente como sendo: toda maneira de sentir ou agir,
fixa ou não que seja susceptível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior que seja geral
numa determinada sociedade, tendo uma existência própria independentemente das
manifestações individuais que possa ter.

8. Acontecimentos históricos que marcaram o surgimento da Sociologia

Foram dois os acontecimentos que marcaram o surgimento da Sociologia nomeadamente: A


Revolução Burguesa na Inglaterra no século XVII, e a Revolução Francesa no final do século
XVIII, em que dada a complexidade dos fenómenos sociais surgidos, houve necessidade de
perceber e explicar dentro da sociedade moderna, para se fazerem as mudanças julgadas
necessárias.

9. Émile Durkheim o pai da Sociologia

Émile Durkheim é considerado pela maioria dos autores e pensadores como sendo o verdadeiro
“Pai da Sociologia”pelo seu contributo na fundação da uma nova ciência que é a chamada
ciência dos factos sociais, através da criação de um método e constituição de um corpo teórico
próprio da Sociologia, distanciando-se da “tutela” a Filosofia. Seu pensamento tenta estabelecer
a relação fundamental entre indivíduo e sociedade e a partir daqui olhar as oposições binárias
entre por exemplo a consciência colectiva e consciência individual, etc. visto que este é
simultaneamente um ser individual e um ser social.

Este seu pensamento teve várias influências dentre as quais de Fustes Coulanges, Boutroux e
obviamente Auguste Comte. Em seu entender os fenómenos da sociedade todos poderiam ser
explicados cientificamente, o que permitiria que a Sociologia encontrar nelescausalidade e
formular regras de acção futura. Para tal, indicou que o objecto dela seria o facto social, que
possui 3 características, nomedamente: (generalidade, exterioridade e coercibilidade)
fundamentais que fazem dele objecto de estudo científico.

Outra questão fundamental em Durkheim é que o facto de considerar que para observação
sociológica eram necessárias algumas regras sendo:

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 A 1ª ver os factos como coisas: por estarem fora dos indivíduos e não dependerem da
vontade deste e serem objectivos;
 2ª Sistematicamente de lado as Pré-Noções: implica não se deixar induzir pelos
preconceitos ou ideias do senso comum na análise científica dos fenómenos;
 3ª Ter em Conta o Conjunto dos Fenómenos: não olhar apenas o fenómeno em si, mais
dentro de um conjunto de relações com outros fenómenos do mesmo grupo ou classe,
pois que na realidade social os factos não se encontram isolados ou fechados em si; mais
pelo contrário em relação directa ou não com outros da mesma espécie;
 A 4ª Separar os fenómenos das Manifestações Individuais: esta regra está de algum modo
ligada a primeira, diz que na análise dos factos sociais, deve-se esforçar em analisá-los
sobre um ângulo separado das manifestações dos próprios indivíduos;
 Por último, este autor diz que na sociedade existem factos normais e os patológicos, cada
um destes é definido em cada sociedade e época específica. Normais são os que ocorrem
sempre em qualquer tipo de sociedade ao longo do tempo, sendo então percebidos pelos
actores sociais deste contexto. Contrariamente os patológicos são factos não gerais que
também ocorrem na sociedade, sendo praticadas por uma parte da sociedade e representa
um desvio em relação ao padrão de comportamento social. (POGGI, 200,p.76)

10.Caracteristicas da Teoria Voluntarista da Acção

A teoria voluntarista da acção, defende que toda acção humana não se resume a uma resposta a
um determinado estímulo (tal como defendiam os behavioristas) mais pelo contrário como uma
acção dotada de sentido para o próprio indivíduo, e que este sentido pode ser diferente daquele
atribuído por quem observa.

Para os Voluntarista da Acção, cada acto está ligado a outros actos em forma de rede, pelo que
dá-nos a noção de sistema concebida como uma rede de relações. Os sistemas teriam duas
propriedades nomeadamente por um lado o facto de criarem relações sociais a partir de
expectativas que se impõem aos actores sociais nas relações mútuas que estabelecem, e por outro
o grupo em si, olhando a maneira como é instituída e preservada a própria coesão do grupo
(GIDDENS, 2001:80).

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11.Essência da Teoria Funcionalista no que diz respeito a sobrevivência

As teorias funcionalistas na análise da sociedade, consideram que quer conscientemente ou não


as instituições e fenómenos sociais desempenham uma determinada função na própria sociedade
ou contexto do qual provém, e que só pode m ser devidamente entendidos se tivermos em conta
este contexto de emergência.

Para alguns autores, este conceito de função elaborado por esta teoria é considerado
problemático em dois sentidos, visto que por um lado quando se fala de função tem-se a ideia
que todo e qualquer elemento e instituição neste meio é útil, necessário e indispensável a
sobrevivência ou manutenção da sociedade como um todo.

Por outro lado, a noção de função leva em conta o facto de determinado elemento ou instituição
pode aparentar não desempenhar nenhuma função por não servir os interesses de ninguém, pois
não serve os interesses de nenhum agente ou grupo social, mas contudo este elemento ou
instituição possui sim uma utilidade oculta, mais que acaba contribuindo em grande medida para
a preservação, harmonia e funcionamento da própria sociedade.
Neste sentido, o funcionalismo admite por hipótese que os diferentes elementos da sociedade
encontram-se em relação uns com os outros e que cada um destes quer de modo consciente ou
não desempenha uma função para a sobrevivência da própria sociedade, ou seja, cada elemento
pode parcialmente ajudar a explicar os outros e simultaneamente ser explicados por estes
(MARQUES, 1999:76)
12.Percepção sobre as teorias sociológicas de interacção social
Ao falar das teorias sociológicas de interacção social, percebo que interacção social é no fundo
definir aquilo que é a vida em sociedade, que se resume a um processo eminentemente social, na
medida para podermos conviver com os nossos semelhantes temos que estabelecer normas de
conduta para cada um dos membros. Isto implica dizer que cada um de nós deve ser capaz de
atribuir sentido tanto as suas acções e bem como as dos demais, por forma que se possa
comunicar.
13. Conceito básico de interacção social e as teorias que a sustenta

Em ciências sociais, interação social refere-se a todas as ações recíprocas entre dois, ou até mais
indivíduos durante as quais há compartilhamento de informações. Um comprador, por exemplo,
discute com o vendedor, e eles interagem num dado contexto previamente conhecido pelos dois

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protagonistas, que é o da troca comercial. A interação é dita social não somente por produzir
significado, mas também por se inscrever num contexto que influencia as ações de cada um dos
indivíduos. (DEGENNE, 2009,p.56)

13.1.Teoria Interacionismo Simbólico de George Mead

Este pensador tem a particularidade de começar a sua teoria se opondo ao behaviorismo e para
tal faz uma clara distinção entre formas de comportamento dos infra-humanos (que se refere aos
animais irracionais e crianças) e formas de comportamento humanos. O elemento fundamental e
determinante para esta distinção está na linguagem, que é vista como expressão da capacidade
reflexiva dos indivíduos.

Nas palavras do autor:

“A pessoa tem um carácter distinto do organismo fisiológico propriamente dito. A pessoa é algo
que possui desenvolvimento: não está inicialmente presente no nascimento, mas surge nos
processos da experiência e das actividades sociais, quer dizer, desenvolve-se na sequência das
suas relações…” (MEAD; 1934: 135, op cit. in: FERREIRA et al, 1995: 297)

Mead opera a partir de três conceitos fundamentais nomeadamente: Mind, Self e Society. Self
seria o próprio indivíduo, enquanto que mind a consciência reflexiva e society seria o contexto
em que acção se desenvolve, ou seja, society era a actividade social. Sua questão fundamental
era a de perceber como é que se forma e se desenvolve o self, pelo qual os indivíduos adquirem a
consciência reflexiva e de que modo é que actividade social é determinante nesta construção.

A resposta a esta questão seria segundo Mead estaria na singularidade da actividade social, que
radica na existência de símbolos, ou seja, é partir dos símbolos e com os símbolos que os
indivíduos interagem e atribuem sentido a sua própria experiência com os demais. Mais a
aquisição de símbolos não seria uma coisa natural como parece, mais pelo contrário resultaria do
processo de socialização em que pela linguagem as pessoas adquirem as normas, crenças,
valores, etc; o que lhes permite por conseguinte viver na sociedade.

A socialização dava-se na perspectiva de Mead em três fases distintas:

 Fase da Construção do self e caracteriza pela imitação de papéis sociais, em que a


criança busca imitar as pessoas que lhes são próxima e normalmente são os pais;

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 Fase de jogo, em que a criança adquire a capacidade interpretativa, em que a partir da
aprendizagem das diferentes expressões da linguagem ele é capaz de diferenciar os
objectos a sua volta rotulando-os, e ao fazer partilha com os demais o significado e
sentido destes objectos.
 Fase da representação, em que se caracteriza pela necessidade de organizar e assumir
dentro da experiência individual a perspectiva dos outros. Quer isto dizer que o
indivíduo deve saber qual é o seu papel social e que este deve ser reconhecido em si
pelos demais membros da sociedade. A sociedade não passaria de um processo
comunicacional desenvolvido pela interacção simbólica dos indivíduos. É aqui onde os
indivíduos partilham significados comuns (pois ela é uma actividade cooperativa).

13.2. Teoria Dramatúrgica do Quotidiano de Erving Goffman

Com esta teoria, o objectivo de Erving Goffman, é tornar analiticamente viável o estudo dos
fenómenos de interacção face a face, por serem questões reais e não abstractas e tal como
qualquer fenómeno social merecia ser estudado cientificamente. Goffman considerava que na
interacção social em situações de co-presença física os aspectos tidos como do domínio
meramente íntimo, privado e de natureza singular do indivíduo, é algo que é regulado
socialmente.

Goffman considera que a interacção social não é necessariamente uma simples actividade
cooperativa entre os indivíduos, que garante a adaptação do indivíduo a sociedade, mais pelo
contrário é a representação pela qual o eu (o indivíduo singular) se transforma em vários eu
(outros indivíduos). Segundo ele, a vida em sociedade era equiparada ao teatro em que os
indivíduos quando actuam desempenham determinados papéis de várias personagens; pelo que
estes usariam diferentes estratégias e técnicas de actuação.

Assim, ele diz que existem níveis do palco onde decorre a fachada/encenação, nomeadamente:

 O front que é conjunto de elementos que permite a quem assiste a peça/cena identificar
concretamente a acção, que dependem dos adereços pessoais (personal front) para
identificação da personagem, a aparência (appearence) que tem a ver com postura, tipo de
roupa, etc. que indica claramente o estatuto social da personagem e os modos (manners)
que mostram o tipo de papel que actor irá desempenhar.

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 Em segundo lugar encontramos settings que são as características físicas do cenário que
serve para sustentar a credibilidade dos adereços pessoais. Quer dizer, se o cenário de
encenação sugere uma igreja, é suposto que pelo modo de estarem vestidos e agir, se
possa reconhecer nos actores um padre, acólito, e crentes.
 E por último o backstage que é o local em que o público não tem acesso e personagem
pode agir a seu belo prazer, pois já não tem que usar máscara por se encontrar longe do
olhar do público.

Para este autor, é a partir do estigma que algumas pessoas são ou não consideradas normais ou
patológicas, quer seja pelo tipo de comportamentos (ser homossexual, alcoólatra, drogado,
maluco etc.), traços físicos (ser cego, anão, deficiente físico, etc.) e aspectos sociais como a
religião, nacionalidade, etc; que servem de condição para que as pessoas sejam ou não aceites em
determinados meios sociais. Isto acontece não porque o estigma (o traço em si) seja ou tenha
algo de errado, mais sim pelo facto de que a socialmente ele é assim visto em cada sociedade.
(GOFFMAN, 1996:12)
14. Argumento em torno da desigualdade social

A desigualdade social, seja ela intelectual, económica ou sob qualquer outra forma, materializa-
se no espaço social, ou seja, torna-se visível na composição estrutural das sociedades, sejam elas
rurais ou urbanas. As cidades e os lugares expressam a diferenciação económica entre as pessoas,
que é resultante, muitas vezes, de questões históricas que submetem cidadãos e até grupos
étnicos a contextos de subalternidade.

Inúmeras são as causas que aumentam a distância entre ricos e pobres. As mais comuns estão:

 Má distribuição de renda
 Má administração dos recursos
 Lógica de acumulação do mercado capitalista (consumo, mais-valia)
 Falta de investimento nas áreas sociais, culturais, saúde e educação
 Falta de oportunidades de trabalho
 Corrupção

Como consequência, se e um país não consegue atender as necessidades básicas de grande parte
de seus cidadãos, tampouco irá prosperar de forma equitativa.

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15.As desigualdades Socioprofissionais

As desigualdades Socioprofissionais tem a ver com o tipo de profissão que os sujeitos


desempenham, posição destes perante a propriedade (ser dono ou trabalhador), poder de decisão
na empresa, diferença de nível de escolaridade e qualificação profissional.

16.Vantagens e desvantagens da desigualdade social na sociedade

Para os ricos a vantagem é o poder de dominação sobre os pobres, os pobres devem apenas
cuidar dos bens do patrão, máquinas, ferramentas, transportes e outros. Devem ganhar somente o
básico para sua sobrevivência, pois eles não podem melhorar suas condições.

Uma das desvantagens da desigualdade social na sociedade, são greves e reivindicações que
exigem melhorias para as condições de trabalho, mostrando a impossibilidade de se conciliar os
interesses de classes. A predominância de uma classe sobre as demais, se funda também no
quadro das práticas sociais pois as relações sociais capitalistas alicerçam a dominação
económica, cultural, ideológica, política, etc.

A luta de classes perpassa, não só na esfera económica com greves, etc, ma em todos os
momentos da vida social. A greve é apenas um dos aspectos que evidenciam a luta. A luta social
também está presente em movimentos artísticos como telenovelas, literatura, cinema, etc.

Outra desvantagem notória é a propaganda, as propagandas se dirigem ao público em geral,


mesmo aos que não tem condição de comprar o produto anunciado. Mas por que isso? A
propaganda é capaz de criar uma concepção do mundo, mostrando elementos que evidenciam
uma situação de riqueza, iludindo os elementos de baixo poder económico de sua real condição.

17.Definição de estratificação social e a essência da teoria funcionalista da estratificação

Estratificação social é um “conjunto de recompensas diferenciais. São os diferentes recursos,


materiais ou simbólicos que as sociedades atribuem aos indivíduos em função da posição que
ocupam, que os vai situar na escala de estratificação e configurar o mecanismo de
desigualdades.” (FERREIRA, ibidem; 354).

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Esta teoria tem como seu pressuposto básico que a desigualdade social é algo que se encontra
enraizado na sociedade, de tal modo que não existe uma sociedade que possa sobreviver em
perfeitas condições de igualdade entre os seus membros.

18. A utilidade e necessidade das desigualdades sociais na sociedade

As desigualdades sociais são úteis e necessárias, pois permitem uma interdependência entre os
indivíduos e por conseguinte esta garantiria o dinamismo e integração dos indivíduos. Portanto,
ao invés de ser um mal a desigualdade social era útil e necessária.

A sociedade comporta profissões com uma importância funcional diferente, sendo que existem
profissões mais e menos importantes, para além de que só determinadas pessoas possuíam
aptidões para desempenhar certas actividades. Assim, é no seu funcionamento normal que a
sociedade vai se estratificando ou criando desigualdades sociais, uma vez que ela confere
importância diferencial aos indivíduos que ocupam determinados cargos e assim criam-se
desigualdades. É exactamente isto que faz a sociedade sobreviver e integrar os seus membros,
pois que passam a existir pessoas para ocupar todas as profissões na sociedade. (TOMAZI,
1993:45)

19. Definição de Mobilidade Social e diferença entre vertical e horizontal

Existem diferentes asserções a volta deste conceito, sendo que objectivamente este é definido
como sendo uma passagem de um indivíduo ou grupo de uma posição social a outra, dentro de
uma constelação de grupos e estratos sociais, podendo esta ser ascendente ou descendente na
sociedade.

Mobilidade Social Vertical pressupõe uma mudança na classe ou estrato que seja vista como
subida ou descida/ascendente ou descendente dentro da escala social. Enquanto que a Horizontal
é a mudança de localização que não implica qualquer tipo de alteração social, tal como uma
mudança de profissão ou de região/habitação.(TOMAZI, 1993:47)

20.Os Novos Eixos de Diferenciação de Classe Social

A sociedade contemporânea é marcada por um dinamismo peculiar que faz dela uma realidade
diferente sob de vista analítico, pois que novos fenómenos implicam novas estratégias de
abordagem.

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1º Nível de Inserção Socioeconómica

É importante darmos atenção a questão económica ou a posição dos indivíduos nas relações de
produção. Neste sentido, deve-se ter em conta a profissão que indivíduo desempenha e bem
como o nível salarial por forma a se ter noção da classe em que enquadrar.

2º Nível de Autoridade na Profissão

Deve-se ter em atenção o nível de autoridade incorporado na situação socioprofissional dos


indivíduos, em que o indivíduo dirige, faz o controlo de uma organização ou não. É comum
vermos pessoas que dirigem mesmo não sendo proprietário das empresas.

3º Nível Educacional ou Qualificação dos Indivíduos Este elemento é fundamental para que os
indivíduos possam em certo momento aceder a um nível de autoridade na profissão e inserções
em vários meios e bem como acesso a formas de propriedade. Os diplomas académicos são
elementos importantes nas sociedades contemporâneas na medida abrem espaço para várias
chances aos indivíduos.

4º Nível das Empresas e Organizações

Neste ponto é necessário saber a dimensão da própria instituição, sabendo se tratasse de uma
empresa de pequena, média ou grande dimensão a partir do número de empregados nível de
envolvimento do proprietário, rendimentos.

5º Nível de Protecção ou Vulnerabilidade em Relação ao Mercado

O elemento fundamental neste nível tem a ver com o tipo de vínculo existente entre o
proprietário e trabalhador, ou seja, existência de contracto ou não, durabilidade dos contractos,
categorias salariais.

6º Nível de Género, Raça, e Idade

A desigualdade não é estruturada tal como as demais em aspectos mensuráveis tais como o
económico mais pelo contrário a partir de outros altamente subjectivos tais como a raça, etnia,
região, idade e género (sexo) dos indivíduos, e nacionalidade. Contudo, é importante ter em
conta que apesar de estar fora da esfera económica estes aspectos normalmente acabam por estar

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ligado ao meio económico, contribuindo deste modo para que os indivíduos possam ou não
pertencer a certas classes. (TOMAZI, 1993:50)

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Conclusão

Depois te ter respondido todas as questões desta pesquisa, conclui que a sociologia é uma ciência
em construção desde início e meados do século XIX, buscando sempre explicar as estruturas
sociais, os processos sociais, políticos, económicos e culturais da sociedade moderna. A partir
dos conhecimentos teóricos e científicos da Sociologia, estamos em melhores condições de
compreender os acontecimentos sociais, da organização social e da vida humana em sociedade.

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Bibliografia

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LUÍS. Rodrigues. A função da dúvida. dúvida e verdade. filosofia 11.º ano, Porto editora,2012.

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GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida quotidiana. Petrópolis: Vozes, 1996.

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