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09/04/2020

Cuidados na higiene,
alimentação, conforto e
eliminação
Técnico/Auxiliar de Saúde e Geriatria- TAS/0115

Formadora: Enf. Sara Ferreira

AGENDA
• Cuidados a ter para manutenção da integridade cutânea
• Fatores de risco para o aparecimento de feridas e úlceras
 Tipos de feridas
 Úlceras de pressão
• Pele e a alimentação e hidratação
• A prestação de cuidados na alimentação e hidratação oral do cliente
Posicionamento para alimentação/hidratação: à mesa; no
cadeirão; na cama
A apresentação do prato e a preparação dos alimentos (cortar e
descascar)
Técnica de alimentação e hidratação oral
• Conceito de outras vias de alimentação: entérica e parentérica

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Cuidados a ter para manutenção da


integridade cutânea
 Cuidados de Higiene
• Proporcionar higiene e conforto;
• Estimular a circulação, a respiração da pele e o
exercício;
• Manter a integridade da pele;
• Fazer observação física da pessoa;
• Favorecer / estimular a independência da
pessoa.

 A mobilidade e alternância de posicionamentos


• Com alterações da mobilidade, é fundamental que o profissional de
saúde tenha atenção redobrada com a pele da pessoa cuidada e a
alternância de posicionamentos.
• Para que haja um correto posicionamento, existem determinadas
pontos a ter em consideração no posicionamento dos doentes:
 Evitar arrastar o doente –levantar!
 Distribuir o peso do doente no colchão, evitando zonas de pressão.
 Colocar o doente em posições “naturais”. (respeitando alinhamento
corporal).
 Reposicionar doentes em intervalos de 2 em 2 horas

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 O vestuário: a utilização do vestuário adequado

• O vestuário a utilizar em doentes dependentes, especialmente em


doentes acamados, deve ter como princípio a não formação de
zonas de pressão excessiva nem “vincos” no seu vestuário.

• Aconselha-se ainda o corte da parte posterior da roupa do acamado


para que permita um contacto apenas com os lençóis e resguardos
da cama.

• A roupa deve ter como principais características o facto de ser


composta na sua maioria por algodão (evita a transpiração e a
irritação da pele) e tecidos maleáveis (especialmente importante
para doentes acamados com alterações da mobilidade ou
paralisias).

Simples atos permitem manter a integridade cutânea


do doente, sendo que destes destacam-se os
seguintes:

• Cumprir os princípios de transferências e mobilizações dos


doentes, minimizando as forças de fricção e torção
• Evitar os cuidados de higiene por rotina. Para grupos de
risco é recomendável o banho a cada 2 dias
• Lavar a pele com água morna e sabão com pH neutro
• Evitar a fricção, como modo de secagem da pele
• Não massajar a pele com risco de quebra cutânea
• Manter as unhas cortadas
• Promover um ambiente seguro e remover prováveis causas
de trauma

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• Acolchoar equipamentos que possam causar


trauma
• Evitar produtos adesivos e se se utilizar pensos
secundários, dar preferência a não aderentes
ou com silicone
• Utilizar emolientes hipoalergénicos, para
lubrificação da pele, pelo menos 2 vezes por
dia.

Fatores de risco para o aparecimento de feridas


e úlceras
Os principais fatores de risco para o aparecimento de feridas e úlceras de
pressão são os seguintes:

• Intensidade da pressão: quanto maior é intensidade da pressão, maior é o


risco de desenvolver úlcera
• Duração da pressão: quanto mais tempo durar a pressão, maior é o risco
de úlcera
• Tolerância dos tecidos para suportarem a pressão: quanto menor for a
tolerância da pele para suportar a pressão maior é o risco de úlcera
• Humidade da pele: quanto mais húmida for a pele maior é o risco de
úlcera
• Perda de sensibilidade: quanto menor for a sensibilidade maior é o risco
de úlcera

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• Diminuição da força muscular: quanto menor for


a força muscular maior é o risco de Úlcera
• Diminuição da mobilidade: quanto menor for a
mobilidade maior é o risco de úlcera.
• Incontinência: a presença de incontinência
(urinária e fecal) aumenta o risco de úlcera
• Hipertermia: aumenta o risco de úlcera
• Anemia: aumenta o risco de úlcera
• Desnutrição proteica: aumenta o risco de úlcera
• Tabagismo: aumenta o risco de úlcera
• Idade avançada: aumenta o risco de úlcera

Tipos de feridas
Ferida aguda:
• As feridas agudas podem ser traumáticas ou cirúrgicas e
“geralmente” cicatrizam por 1ª intenção.

Ferida crónica:
• As feridas crónicas demoram mais tempo do que o
esperado e geralmente estão associadas a problemas como
diabetes e/ou insuficiência venosa, etc (cicatrizam por 2ª
intenção). São exemplos de feridas crónicas as úlceras de
pressão, da perna, feridas do pé diabético, feridas
neoplásicas, feridas infetadas, queimaduras 4º grau, entre
outros.

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Úlceras de pressão
Grau I
• Presença de eritema cutâneo que não
desaparece ao fim de 15 min de alívio da pressão.
Apesar da integridade cutânea, já não está
presente resposta capilar.

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Grau II
• A derme, epiderme ou ambas estão
destruídas. Podem observar-se flictenas e
escoriações.

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Grau III
• Ausência da pele, com lesão ou necrose do tecido
subcutâneo, sem atingir a fáscia muscular.

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Grau IV
• Ausência total da pele com necrose do tecido
subcutâneo ou lesão do músculo, osso ou
estruturas de suporte (tendão, cápsula
articular, etc.).

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Os locais mais frequentes de desenvolvimento


de úlceras de pressão
• Os locais onde é mais
frequente surgirem
úlceras de pressão são
a região do sacro,
região trocantérica e
calcanhares. Qualquer
zona do corpo que
esteja sujeita a uma
pressão não aliviada é
passível de
desenvolver úlcera de
pressão (cabeça,
orelhas, braços,
pernas, etc.)

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• O Técnico Auxiliar de Saúde deve, ao realizar prestação


de cuidados ao doente, ter em atenção a não
conspurcação dos pensos e eventualmente ou
consequentemente da ferida, bem como manter a zona
do penso limpa e seca.

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A alimentação e a pele
• Pele é o maior órgão do corpo humano, sendo formada por duas
camadas: epiderme e derme. A sua função está relacionada à
proteção contra danos mecânicos, microrganismos e radiação. Além
disso, a pele mantém o equilíbrio com o meio externo, para garantir
a manutenção vital interna.
• A deficiência de certos nutrientes pode acarretar manifestações
cutâneas. A alimentação tem papel fundamental, pois fornece
substâncias necessárias às células, nutrindo-as.

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• A nutrição interna reflete no meio externo (pele). Para ter uma pele
saudável, bem hidratada e nutrida, a dieta deve ser equilibrada: rica em
fibras, cereais integrais e vegetais crus. Também é necessário reduzir o
consumo de doces e gorduras. E o mais importante: tomar muita água
para hidratar a pele de dentro para fora.

• Vitamina C (síntese de colagénio), vitamina A, complexo B e zinco


melhoram o aspeto da pele e dão integridade ao epitélio. Fontes de
carotenoides (vegetais alaranjados) hidratam a pele, deixando-a macia,
combatem radicais livres e protegem contra os raios solares. Outros
nutrientes necessários são o ômega-3 e a vitamina E, por terem funções
anti-inflamatórias e impedirem a peroxidação dos lipídeos.

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 Organigrama para prevenção das UP

 Manual do cuidador: prevenção de úlceras por pressão

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A prestação de cuidados na alimentação e


hidratação oral do cliente
• Uma alimentação saudável,
adequada nutricionalmente é
essencial para a recuperação física
e manutenção do bem-estar.
• Para que haja uma alimentação
equilibrada, com todos os
nutrientes necessários para uma
saúde saudável, é preciso variar os
tipos de alimentos, consumindo-os
sempre com moderação. A refeição
deve ser equilibrada, colorida e
saborosa.

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Cuidados a ter na alimentação:


• Lembre-se que a pessoa cuidada pode esquecer-se de comer por
não ter a noção das horas, devendo assim oferecer-lhe as refeições
a horas, em vez de esperar que este se lembre de as pedir;
• A pessoa na hora da refeição deve estar bem acordada e sentada,
para que não haja o risco de engasgamento;
• Sempre que possível a pessoa deve alimentar-se sozinha, auxiliando
apenas no corte dos alimentos.
• Preferir o uso de uma colher ao invés do garfo, para não causar
ferimento na cavidade oral.
• Após as refeições, manter a pessoa sentada, durante mais o menos
30min, para facilitar a digestão.
• Se a pessoa tossir ou engasgar-se frequentemente quando come ou
bebe, informe a equipa de saúde.

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Posicionamento para alimentação/hidratação:


à mesa; no cadeirão; na cama
• Posicionamento durante a refeição
• O utente deve permanecer sentado ou recostado antes da alimentação, durante a
alimentação e durante 30min após alimentação.
• Posição para uma alimentação segura, na cama e em cadeira de rodas, com o
tronco elevado e cabeça direita.
• Posição sentado, com o tronco direito, o braço afetado em cima da mesa. O prato
pode ser colocado sobre uma superfície antiderrapante para evitar o seu deslize.
• Flexão da cabeça (queixo ao peito). Aumenta o espaço vascular e desta forma
protege as vias respiratórias.

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A apresentação do prato e a preparação dos


alimentos (cortar e descascar)
Sempre que o cliente se encontre incapacitado para tomar uma refeição, os
colaboradores, devem:
• Preparar cuidadosamente o espaço da refeição;
• Promover a autonomia do cliente e respeitar as suas preferências e necessidades
individuais;
• O prato, os talheres, o copo ou a chávena, devem estar adaptados para facilitar o
seu uso;
• Aquecer os alimentos que não se encontrem à temperatura indicada ou que não
satisfaçam o cliente;
• Garantir, nas situações de doentes acamados, que o cliente se encontra num
posicionamento correto (90º), i.e. sentado para tomar a refeição, para que este
não se engasgue ou sufoque;
• Apoiar, se necessário, na toma dos alimentos. Nesta tarefa, o colaborador deve
possuir uma atitude calma e pausada, não apressar a refeição e colocar pouca
comida no garfo ou colher para salvaguardar uma boa mastigação e deglutição dos
alimentos.
• Limpar a boca do cliente, sempre que necessário, e posicionar-se de frente para o
cliente, mantendo uma conversa permanente.

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• Socorrer-se de ajudas técnicas /instrumentos de apoio para alimentar o


cliente, sempre que necessário;
• Aumentar a consistência dos líquidos (p.e chá, café, sumos, sopas, etc),
sempre que o cliente tenha dificuldades em engolir, através de
espessantes, ou seja de produtos de preparação fácil e instantânea, sem
paladar e que mantenham constante a espessura dos líquidos ao longo do
tempo, não lhe retirando o seu aspeto atrativo;
• Não se esqueça de oferecer líquidos, mesmo que ele não os solicite. É
muito importante manter a hidratação;
• Observe se as refeições estão a ser bem toleradas, caso contrário, procure
apoio junto da sua enfermeira/médico de família para conhecer outras
alternativas de dieta;
• A dor desestimula o apetite. Portanto, certifique-se que o paciente esteja
medicado com os analgésicos prescritos pelo médico para que a dor não
dificulte a alimentação;
• Se for possível, ofereça sempre pequenas quantidades de comida e
permita que o paciente escolha entre várias opções de alimentos;
• No caso dos pacientes com problemas na movimentação dos braços,
lembre-se sempre de colocar os alimentos e a água próximos ao lado não
afetado.

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Técnica de alimentação e hidratação


oral
O risco e as situações
de engasgamento
• Problemas
comuns em
utentes semi-
dependentes

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Conceito de outras vias de


alimentação
 Entérica
• Nutrição entérica é a
designação associada à
forma de nutrição na qual os
nutrientes são administrados
por sonda. A alimentação
enteral é a administração de
alimentos na forma líquida
que através de um tubo
caem diretamente no
estômago ou intestino.

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• Quando a ingestão alimentar por via oral (boca) não é suficiente, ou


o utente sofreu em AVC, realizou alguma cirurgia na boca, no
estômago, intestino ou necessita de um aporte nutricional maior
devido a outras doenças, ocorre a necessidade de suplementação
através de dietas especificas ou seja dieta enteral (alimentação por
sonda).

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• Há casos em que o utente permanece com alimentação


mista, ou seja, alimentação por via oral e por sonda.
Neste caso, a alimentação por sonda é indicada para
completar a alimentação pela boca quando o utente
apresenta ingestão alimentar reduzida. Este tipo de
alimentação deverá ser fornecido somente com
autorização do médico ou nutricionista.

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• A alimentação enteral é utilizada também


para: evitar perda de peso, má cicatrização de
feridas, diarreia, obstipação, vómitos,
preparar o organismo para tratamentos como:
cirurgias, quimioterapia, radioterapia e diálise,
entre outros.

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• A fixação externa da sonda pode ser trocada pelo cuidador


sempre tendo o cuidado de não puxar a sonda. Nas áreas de
contato com a pele deve-se utilizar adesivo antialérgico; os
locais de fixação devem ser constantemente trocados, para
evitar feridas na pele ou alergias.

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O cuidador deve seguir os seguintes cuidados quando


a pessoa estiver a ser alimentada por sonda
nasogástrica:
• Antes de dar a dieta coloque a pessoa sentada na
cadeira ou na cama, com as costas bem apoiadas e
deixe-a nessa posição por 30 minutos após terminar a
alimentação. Esse cuidado é necessário para evitar que
em caso de vómitos ou regurgitação, restos
alimentares entrem nos pulmões.
• Injete a dieta na sonda lentamente quase gota a gota.
Esse cuidado é importante para evitar diarreia,
formação de gases, distensão abdominal, vómitos e
também para que o organismo aproveite melhor o
alimento e absorva os seus nutrientes.

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• A quantidade de alimentação administrada de cada vez


deve ser no máximo 350ml, várias vezes ao dia; ou de
acordo com a orientação da equipa de saúde.
• Quando terminar a alimentação entérica injete na sonda de
20ml de água fria ou tépida se for fervida, para evitar que
os resíduos de alimentos entupam a sonda.
• A sonda deve permanecer fechada sempre que não estiver
em uso.
• A dieta deve ser dada em temperatura ambiente, não há
necessidade de aquecer a dieta em banho-maria ou no
micro-ondas.

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https://www.youtube.com/watch?time_continue=90&v=OeVNqQtz-Q0&feature=emb_logo
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Colocar adesivo

https://www.youtube.com/watch?v=yOZ17C5O2x4
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• Antes de administrar a alimentação, certifique-se que a SNG


está no estômago, aspirando o conteúdo gástrico (sucos
presentes no estômago). Se este for inferior a metade da
dose administrada na última refeição, reintroduz-se o
conteúdo aspirado e administra-se de seguida a refeição. Se
for superior reintroduz-se o conteúdo aspirado e atrasa-se a
refeição por mais uma a duas horas. Se ao fim dessas uma ou
duas horas mantiver o mesmo conteúdo gástrico, é sinal de
estase gástrica (dificuldade na digestão). Nesse caso
não administra a refeição e contacta a enfermeira.

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 Parentérica
A nutrição parentérica pode ser
definida como o aporte, por via
endovenosa, de nutrientes.
Pode ser considerada parcial se
fornece apenas uma parte dos
nutrientes ou total se o aporte
contém as quantidades
adequadas de todos os
nutrientes essenciais. A
necessidade da sua utilização
depende de 2 factores: a
gravidade da agressão e o grau
de desnutrição.

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https://www.youtube.com/watch?v=palZrQb02pE
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Contraindicações (quando não deve ser


administrada):
• Graves perturbações do metabolismo
• Alterações hidro-electrolíticas
• Alterações no metabolismo lipídico
• Diabetes descompensada
• Estados de choque agudo
• Perturbações na coagulação
• Insuficiência hepática grave
• Icterícia obstrutiva
• IRC, com valores patológicos de azoto residual.

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Autorização de
Funcionamento nº21

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