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³SATANÁS´p
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³Salva-me! Ajuda-me! Tem pena de mim! Estou morrendo.´p

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³Deve ser algum salteador, que atacou um viajante e foi repelido. Está
agonizando.Se expirar em minhas mãos, responsabilizar -me-ão pela sua
morte.´p -p p p  p . p p  p  "p p +p
³Não me abandones, não me abandones. Tu me conheces e eu te
conheço. Vou morrer se não me socorreres.´ p

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 p p +p ³Deve ser um dos loucos que
vagueiam por estas campinas . O aspecto dos seus ferimentos me
arrepia. Em que posso ajudá -lo? O médico das almas não cura os
corpos.´
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ppp +p ³Aproxima-te de mim. Somos amigos há muito
tempo. És o padre Simão, o bom pastor; e eu não sou um salteador nem
um louco. Aproxima -te de mim para que te diga quem sou.´

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0 pp  ppp %p1pp+p ³Quem
és tu? Nunca te vi em minha vida.´

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p p p p p p 0p  p p +p 2 Eu sou
Satanás.´

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+p ³Deus me
revelou tua face inferna l para alimentar meu ódio por ti. Sê maldito até o
fim dos tempos!´ p

p #p  p p p !+p ³Não sabes o que


dizes, e não calculas o crime que cometes contra ti mesmo. Eu fui e
continuo a ser a causa de teu bem -estar e de tua felicidade .
Menosprezas meus benefícios e negas meu mérito, enquanto vives à
minha sombra? Não foi minha existência a justificação da profissão que
escolheste, e meu nome, o lema de tua vida? Que outra profissão
abraçarias, se o destino decretasse a minha morte e os ventos
desvanecessem o meu nome?

³Há vinte e cinco anos, percorres estas aldeias para prevenir os


homens contra minhas armadilhas, e eles compram tuas preleções com
seu dinheiro e os frutos dos seus campos. Que outra coisa comprariam
de ti amanhã, se soubessem que seu inimigo, o demônio, morreu e que
estão livres dos seus malefícios?

³Não sabes, em tua ciência, que quando a causa desaparece, as


consequências desaparecem também? Como aceitas, pois, que eu morra
e que tu percas, assim, tua posição e o ganha -pão de tua família?´

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³Ouve-me, ó impertinente ingênuo, e te mostrarei a verdade que


liga meu destino ao teu. Na primeira hora da exist ência, o homem pôs-
se de pé diante do sol, estendeu os braços e clamou: µAtrás das estrelas,
há um Deus poderoso, que ama o bem.¶ Depois, virou as costas ao sol e
viu sua sombra alongada no chão, e gritou: µE nas profundezas da terra,
há um demônio maldito , que gosta do mal.¶ ³E o homem voltou à sua
gruta, murmurando: µEstou entre dois deuses terríveis: um é meu
protetor; o outro, meu inimigo.¶ E durante séculos, o homem sentiu -se
vagamente dominado por duas forças: uma boa, que ele abençoava;
outra má, que ele amaldiçoava.

³Depois, apareceram os sacerdotes e eis, meu irmão, a história de


sua aparição: Havia, na primeira tribo que se formou sobre a terra, um
homem chamado Laús, que era inteligente, mas preguiçoso. Destestava
os trabalhos braçais de que se vi via naquela época, e muitas vezes tinha
que dormir de estômago vazio.

³Numa noite de verão, quando os membros da tribo estavam


reunidos em volta do chefe, a conversar descansadamente, um deles
levantou-se, de repente,apontou para a lua e disse com medo: µ Olhem
para o deus da noite: sua cor empalideceu, ele está se transformando
numa pedra preta.¶ ³Todos olharam a lua, e tremeram. Então, Laús, que
tinha visto outros eclipses, levantou-se no meio da assembleia, ergueu
os braços ao céu e, pondo em sua voz todo o fingimento de que era
capaz, disse piedosamente: µProsternaivos,meus irmãos, e orai; pois o
deus das trevas está agredindo o deus incandescente da noite. Se o
primeiro vencer, morreremos; se for derrotado,viveremos. Orai para que
vença o deus da lua¶.

³E Laús continuou a falar, até que a lua voltou ao seu esplendor


natural. Os presentes ficaram maravilhados e manifestaram sua alegria
com canções de danças. E o chefe da tribo disse a Laús: µConseguiste,
esta noite, o que nenhum mortal conseguiu antes de ti. E descobriste
segredos do universo que nenhum de nós conhecia. Regozija -te, pois a
partir de hoje serás o segundo homem da tribo, depois de mim. Eu sou o
mais valente e o mais forte, e tu és o mais culto e o mais sábio. Serás,
portanto, o     entre os deuses e mim, revelando -me seus
segredos e ensinando -me o que devo fazer para merecer su a aprovação
e sua benevolência.¶

³Respondeu Laús: µTudo o que os deuses me revelarem no meu


sonho, eu te revelarei ao despertar. Serei o intercessor entre os deuses e
ti.¶ ³O cacique regozijou-se e presenteou Laús com dois cavalos, sete
bois, setenta cordeiros e setenta ovelhas. E disse-lhe: µOs homens da
tribo construir-teão uma casa igual à minha e oferecer -te-ão, em cada
colheita, parte dos frutos da terra. Mas, dize-me, quem é esse deus do
mal, que se atreveria a agredir o deus resplandecente?¶

³Laús respondeu: µÉ o demônio, o maior inimigo do homem, a


força que desvia a marcha do furacão para as nossas casas, que manda
a seca às nossas plantações e as molé stias aos nossos rebanhos, que se
alegra com nossa infelicidade e se entristece com nossos júbilos.
Precisamos estudar seus humores e táticas para prevenir seus malefícios
e frustrar seus ardis.¶
³O cacique apoiou a cabeça em seu cajado e sussurrou: µSei a gora
o que ignorava: a humanidade saberá também o que sei e te honrará,
Laús, porque nos revelaste os mistérios do nosso terrível inimigo e nos
ensinaste a combatê -lo vitoriosamente.¶ ³E Laús voltou à sua tenda,
eufórico com sua habilidade e imaginação. E o cacique e seus homens
passaram uma noite povoada de pesadelos.

³Assim apareceram os sacerdotes no mundo. E minha existência


foi a causa de sua aparição. Laús foi o primeiro a fazer da luta contra
mim a sua profissão. Mais tarde, a profissão prosperou e evoluiu até se
tornar uma arte fina e sagrada, que abraçam somente os espíritos
maduros e as almas nobres e os corações puros e as vastas
imaginações.

³Em cada cidade que se erguia à face do sol, meu nome era o
centro das organizações religiosas e culturais e artísticas e filosóficas. Eu
construía os mosteiros e os ermitérios sobre o medo, e fundava os
caberés e os bordéis sobre a luxúria e o gozo. Sou o pai e a mãe do
pecado. Queres que o pecado morra,com minha morte?

³Curioso é que me esfalfei a mostrar -te uma verdade que


conheces melhor do que eu, e que serve a teus interesses ainda mais do
que aos meus. Agora, faze o que quiseres. Carrega -me em tuas costas
para tua casa e medica meus ferimentos, ou deixa -me agonizar e morrer
aqui!´

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