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Vestibular 2015

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:


TEXTO I

DESAFIO À SOBREVIVÊNCIA

O crescimento predatório a qualquer custo, a exclusão e a miséria, o egoísmo e o desperdício ameaçam a


vida no planeta. Enquanto a desertificação avança (inclusive em 14 municípios do Noroeste do Estado do Rio), a
camada protetora de ozônio diminui, expondo os corpos às radiações cancerígenas. Enquanto a temperatura global
aumenta devido às queimadas, aos combustíveis fósseis e ao carvão mineral, o ar puro e a água limpa tornam-se
raros e caros.
Chegamos à artificialização da natureza: se a água da praia está podre, vá de piscinão; se a água da torneira
cheira mal, tome água mineral; se o ar no inverno causa doenças respiratórias, compre um cilindro de oxigênio; se
um espigão tirou a paisagem, ponha vasos de plantas na janela; se a poluição sonora tira o sono, vá de vidro duplo e
protetor de ouvidos. 1Os governantes juram ser ecologistas desde a mais tenra idade, mas aprovam leis do barulho,
termelétricas a carvão (...), desviam para asfalto e estradas R$ 200 milhões dos royalties do petróleo, carimbados
para defender rios e lagoas, demarcar parques e despoluir a Baía de Sepetiba. As propostas dos ecologistas de
energias alternativas, como a solar e a eólica, de eficiência energética e co-geração, de aproveitamento do lixo e do
bagaço de cana para geração energética foram desprezadas pelo governo federal, e só com a crise previsível
passaram a ser consideradas com um pouco mais de respeito.
As propostas ambientalistas de reflorestamento de encostas, reciclagem de lixo, especialmente garrafas PET,
instalação dos comitês de bacia hidrográfica, drenagem, dragagem e demarcação das faixas marginais de proteção
das lagoas são cozinhadas em banho-maria e tiradas da gaveta a cada tragédia de inundações e desabamentos.
Sem comitês atuando e sem recursos próprios, não há como monitorar a qualidade, arbitrar o uso múltiplo da
água, reconstituir as matas ciliares (como os cílios que protegem os olhos), evitar aterros e lançamentos de lixo e
esgoto. Ainda não dispomos de uma informação clara, atualizada, contínua e independente da qualidade da água
que bebemos.
Nossos governantes devem aprender a fórmula H2Opara entender que na torneira a composição é outra. A
principal causa da mortalidade infantil no Terceiro Mundo são as doenças de veiculação hídrica, como hepatite e
diarreia. 2Água é vida, e saneamento, tratamento e prevenção são as maiores prioridades. Se falharmos aí, trairemos
o compromisso com saúde e com a vida do planeta.
MINC, Carlos. Jornal O Globo, 04 out. 2002.

TEXTO II

PLANETA ÁGUA
Guilherme Arantes

Água que nasce na fonte serena do mundo


E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés, onde Iara, mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes são lágrimas da inundação
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, planeta água...

1. No último parágrafo do texto I, o autor diz que "nossos governantes devem aprender a fórmula H 2O para entender
que na torneira a composição é outra". A que composição ele se refere?
a) Ele se refere ao fato de a água na torneira ser tratada com cloro.
b) Ele se refere ao fato de a água na torneira passar por diversos tratamentos químicos até estar apta para consumir.
c) Ele se refere ao fato de a água na torneira estar contaminada, com sua composição alterada, inadequada.
d) Ele se refere ao fato de a água na torneira estar apropriada para consumo.

2. No último parágrafo do texto I, afirma-se: "Água é vida. Qual verso do texto II que, ao tratar dessa temática,
comprova tal afirmativa.
a) "Que levam a fertilidade ao sertão"
b) "São as mesmas águas que encharcam o chão"
c) " Alegre arco-íris sobre a plantação"
d) " Água que o sol evapora pro céu vai embora"

3. Ao relacionarmos os dois textos, só NÃO podemos afirmar que:


a) direta ou indiretamente, faz-se um alerta sobre a necessidade de se cuidar melhor do nosso planeta.
b) se não cuidarmos da água, será difícil sobreviver no planeta Terra.
c) a água é essencial para garantir qualidade de vida no planeta Terra.
d) a falta de água é o único problema grave para o futuro do planeta Terra.

4. As orações que se escolhe têm um importante papel na construção do sentido dos períodos que formam uma
mensagem. Partindo dessa premissa, responda: Que tipo de oração foi enfaticamente usado, no texto II, para
caracterizar a água?
a) Foi enfaticamente usada a oração subordinada adjetiva (explicativa).
b) Foi enfaticamente usada a oração subordinada adjetiva (restritiva).
c) Foi enfaticamente usada a oração subordinada adverbial (consecutiva).
d) Foi enfaticamente usada a oração subordinada substantiva (apositiva).

5. De acordo com a resposta anterior. Que importância teve tal escolha para a construção do sentido desse texto?
a) Essa estrutura sintática explica, no plano semântico, os vários sentidos da substância vital.
b) Essa estrutura sintática demonstra as consequências da ação do homem.
c) Essa estrutura sintática concretiza, no plano semântico, os vários atributos/características da substância vital para
a existência humana na Terra.
d) Essa estrutura sintática exemplifica, no plano semântico, o percurso da substância vital para a existência humana
na Terra.

6) Leia o trecho do texto 1: "Os governantes juram ser ecologistas desde a mais tenra idade, mas aprovam leis do
barulho... Qual a relação de sentido estabelecida pela conjunção MAS? Como ficaria a oração ao reescrever o
fragmento, substituindo a conjunção MAS por um conector de valor concessivo?
a) oposição/ Os governantes juram ser ecologistas, desde a mais terna idade, embora aprovem leis do barulho...
b) adição/ Os governantes juram ser ecologistas, desde a mais terna idade, pois aprovam leis do barulho...
c) consecutiva/ Os governantes juram ser ecologistas, desde a mais terna idade, entretanto aprovam leis do
barulho...
d) alternativa/ Os governantes juram ser ecologistas, desde a mais terna idade, contudo aprovam leis do barulho...
7. O emplasto

Um dia de manhã, estando a passear na chácara, 3pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro.
Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais 1arrojadas cambalhotas. Eu deixei-me estar a
contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, 4até tomar a forma de um X: decifra-me
ou devoro-te.
Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado
a aliviar a nossa melancólica humanidade.
6
Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente
cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto
de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar 7tudo: o que
me influiu principalmente foi o gosto de 9ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas e, enfim, nas
caixinhas do remédio, 8estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do
cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os 11modestos me arguam esse defeito; fio, porém, que esse talento me 10hão
de reconhecer os 12hábeis. Assim, 5a minha ideia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público,
outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro, 2sede de nomeada. Digamos: — amor da glória.
Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas,
que só devem cobiçar a glória eterna. 13Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o
amor da glória era a coisa mais verdadeiramente humana que há no homem e, consequentemente, a sua mais
genuína feição.
Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu volto ao emplasto.

Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. Obra completa, v. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992, p.
514-5 (com adaptações).

Com relação ao texto acima, à obra Memórias Póstumas de Brás Cubas e a aspectos por eles suscitados, julgue os
itens subsequentes em (V) para verdadeiro e (F) para falso:

( ) O compromisso do narrador com a verdade dos fatos, honestidade decorrente da vida além-túmulo, e o seu
interesse pela ciência e pela filosofia aproximam a narrativa de Memórias Póstumas de Brás Cubas da forma de
narrar do Naturalismo, ou seja, da descrição objetiva da realidade.
( ) As “arrojadas cambalhotas” (ref. 1) da ideia inventiva de Brás Cubas relacionam-se à forma como Machado de
Assis compôs esse romance, no qual o narrador intercala a narrativa de suas memórias com divagações acerca de
temas diversos, o que produz constante vaivém na condução do enredo.
( ) A narrativa das diferentes faces de uma mesma ideia expressa a singularidade do realismo machadiano, que
ultrapassa as convenções realistas — focadas em desvelar as razões econômicas das causas humanitárias — e
alcança dimensão mais profunda: a de desnudar o cinismo com que filantropia e lucro são reduzidos a caprichos
do defunto autor em sua “sede de nomeada” (ref. 2).
( ) A partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o conjunto da obra machadiana divide-se em duas fases: a
primeira é constituída por obras em que o foco narrativo é em terceira pessoa e o tema revela interesse pela sorte
dos pobres, como em Helena, por exemplo; a segunda é formada de obras construídas a partir da perspectiva do
narrador-personagem associado à classe dominante local, a exemplo de Dom Casmurro.
( ) No trecho “pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro” (ref. 3), a combinação dos pronomes
“se” e “me” exemplifica a variante padrão da língua portuguesa à época do texto. No que se refere ao português
contemporâneo, uma estrutura equivalente que manteria a ênfase no sujeito da oração e a correção gramatical
seria a seguinte: uma ideia pendurou-se no trapézio que eu tinha em meu cérebro.
( ) Se considerada a noção de signo linguístico no trecho “até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te” (ref.
4), observa-se uma relação não arbitrária entre o significado de “X” e o seu significante, assim como acontece com
o signo “ideia” no trecho “a minha ideia trazia duas faces, como as medalhas” (ref. 5).
( ) No trecho “Na petição de privilégio que então redigi” (ref. 6), o pronome tem a função de complemento do verbo.
( ) O termo “tudo” (ref. 7) especifica e resume as ideias evocadas na estrutura após o sinal de dois-pontos.
( ) O termo “estas três palavras” (ref. 8) é complemento direto de “ver” (ref. 9) e sintetiza o termo coordenado que
antecede essa expressão.
( ) Em “hão de reconhecer” (ref. 10), o verbo auxiliar denota tempo futuro e de obrigatoriedade de ação, o que
ratifica, no nível estrutural, a oposição postulada pelo autor entre “modestos” (ref. 11) e “hábeis” (ref. 12).
( ) No texto, o vocábulo “sede” (ref. 2) significa ânsia, desejo e distingue-se de sede, local onde funciona a
representação principal de firma ou empresa. No que se refere a esses dois vocábulos, o acento tônico é o recurso
da língua com capacidade de discriminar os significados distintos.
( ) No trecho “Ao que retorquia outro tio, oficial” (ref. 13), observa-se oração adjetiva como elemento modificador do
aposto, que inicia o período.

Assinale a ordem correta:


a) V,V,V,V,V,F,V,F,V,F,V,V.
b) F,V,V,V,V,F,V,F,F,F,F,V.
c) F,F,V,F,V,F,V,F,F,F,F,V.
d) F,V,F,V,V,F,V,F,V,F,F,V.
8. Considere as seguintes afirmações sobre o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.

I. Quando filiado a uma ordem religiosa, Brás contrariou sua natureza interesseira e sentiu-se verdadeiramente
recompensado ao diminuir a desgraça alheia.
II. Baseado na constatação de que, ao olhar para o próprio nariz, o indivíduo deixa de invejar o que é dos outros,
Brás teoriza sobre a utilidade da ponta do nariz para o equilíbrio das sociedades.
III. A teoria do Humanitismo de Quincas Borba foi fundamentada no episódio da borboleta negra, que morreu nas
mãos do protagonista por não ser azul e bela.
IV. A idealização das personagens é um traço significativo do romance.
V. Constata-se, na narrativa, uma ruptura com os lugares-comuns que caracterizavam a linguagem no Romantismo.
VI. No romance, destaca-se a presença de um narrador que é também o protagonista da história e que se apresenta
como defunto autor.

Quais estão corretas?


a) Apenas I, II, IV e VI
b) Apenas II E VI
c) Apenas II e V.
d) Apenas II, V e VI.

9. Para responder à questão, leia o fragmento do romance "O cortiço", de Aluísio Azevedo e as afirmativas que
seguem. Avalie em (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correspondente:

E maldizia soluçando a hora em que saíra da sua terra; essa boa terra 1cansada, velha como que 2enferma; essa boa
terra tranquila, sem sobressaltos nem desvarios de juventude. Sim, lá os campos eram 3frios e melancólicos, de um
verde alourado e quieto, e não ardentes e esmeraldinos e afogados em tanto sol e em tanto perfume como o deste
inferno, onde em cada folha que se pisa há debaixo um réptil venenoso, como em cada flor que desabotoa e em cada
moscardo que adeja há um vírus de lascívia. Lá, nos saudosos campos da sua terra, não se ouvia em noites de lua
clara roncar a onça e o maracajá, nem pela manhã ao romper do dia, rilhava o bando truculento das queixadas, lá
não varava pelas florestas a anta feia e terrível, quebrando árvores; lá a sucuruju não chocalhava a sua campainha
fúnebre, anunciando a morte, nem a coral esperava traidora o viajante descuidado para lhe dar o bote certeiro e
decisivo; 4lá o seu homem não seria anavalhado pelo ciúme de um capoeira; 5lá Jerônimo seria ainda o mesmo
esposo casto, silencioso e meigo; seria o mesmo lavrador triste e contemplativo como o gado que à tarde levanta
para o céu de opala o seu olhar humilde, compungido e bíblico.

( ) A diferença entre a velha e a nova terra é marcada pela força da natureza que transforma a vida e o
comportamento do homem.
( ) Expressões como "cansada", "enferma", "frios e melancólicos", nas referências 1, 2 e 3 respectivamente,
assumem uma conotação positiva para a mulher de Jerônimo, ao definirem o espaço da felicidade perdida na velha
terra.
( ) As ações dos animais, pintadas com os tons fortes do Naturalismo, narram os perigos que Jerônimo e sua mulher
vivem na selva.
( ) A expressão "lá", nas referências 4 e 5, indica o espaço das virtudes do marido, da paz doméstica e de uma vida
simples e tranquila.

a) V, V, F,V.
b) F,V, F, V.
c) V,V, V, V.
d) F,F, F, V.

10. LEIA O TRECHO:


[…] No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde,
grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíam mulheres que vinham
pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se
ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia.
Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns,
após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O
chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a
tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os
homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário, metiam a cabeça bem debaixo da água e
esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas
não descansavam, eram um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá
dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir,
despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1979. p. 44-45.

No trecho, como as escolhas lexicais caracterizam as personagens?


a) transgressoras, conforme relata o trecho “as crianças não se davam ao trabalho de ir lá, despachavam-se ali
mesmo, no capinzal dos fundos”.
b) seres inquietos, conforme indicam os sentidos produzidos pelos pares de valor semântico opositivo “abrir e fechar”
e “entrar e sair”.
c) animais, conforme demonstra a descrição das ações em “suspendendo o cabelo para o alto do casco” e “esfregam
com força as ventas”.
d) contempladoras da natureza, conforme sugere a menção às aves em “grasnar de marrecos” e “cantar de galos”.

PROPOSTA DE REDAÇÃO

LEIA ATENTAMENTE OS TRECHOS:

Brasil pode enfrentar falta de água


Dono do maior potencial hídrico do planeta, o Brasil corre o risco de chegar a 2015 com problemas de
abastecimento de água em mais da metade dos municípios. O diagnóstico está no Atlas Brasil – Abastecimento
Urbano de Água, lançado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA). O levantamento mapeou as tendências de
demanda e oferta de água nos 5.565 municípios brasileiros e estimou em R$ 22 bilhões o total de investimentos
necessários para evitar a escassez.
Considerando a disponibilidade hídrica e as condições de infra-estrutura dos sistemas de produção e
distribuição, os dados revelam que em 2015, 55% dos municípios brasileiros poderão ter déficit no abastecimento
de água, entre eles grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e o
Distrito Federal. O percentual representa 71% da população urbana do país, 125 milhões de pessoas, já
considerado o aumento demográfico.
“A maior parte dos problemas de abastecimento urbano do país está relacionada com a capacidade dos
sistemas de produção, impondo alternativas técnicas para a ampliação das unidades de captação, adução e
tratamento”, aponta o relatório. (...)

Fonte: http://www.progresso.com.br/caderno-a/brasil-mundo/brasil-pode-enfrentar-falta-de-agua
GUERRAS DA ÁGUA
A primeira guerra
Lagash vs Umma, Suméria, 2.500 a.C.
A primeira guerra causada pela disputa por água aconteceu às margens do Rio Eufrates, região onde fica o Iraque.
Urlama, rei da cidade-estado de Lagash, desvia o curso do rio e deixa outra cidade-estado, Umma, sem água.
Água gelada
China vs Tibet, 1950
Em 1950, a China invadiu o Tibet, em parte para garantir o controle das águas armazenadas nas geleiras do
Himalaia. Atualmente, pretende canalizar a água até o Rio Amarelo. O projeto pode alterar o fluxo de água nos rios
de vários países e aumentar a tensão na região, já bastante instável politicamente.
Guerra civil
Sudão, 1963 até os dias de hoje
A falta de água foi um dos fatores que impulsionaram o conflito que matou mais de duas milhões de pessoas. A
guerra civil no país, agora separado entre Sudão e Sudão do Sul, foi provocada por vários elementos, políticos,
sociais e econômicos, mas pesquisadores da Universidade de Columbia apontam a água como um dos principais
motivos.
Quase guerra
Turquia, 1998
Em 1998, Síria e Turquia quase entraram em guerra por causa da água. Em 2003, as tensões voltaram a surgir
quando os Estados Unidos invadiram o Iraque. Nos bastidores, houve uma dura disputa entre turcos, curdos e as
forças americanas sobre como seria feita a coleta e distribuição da água dos rios Tigres e Eufrates.
(Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/as-batalhas-da-agua>. Acesso em: 19 out. 2012)
O Brasil pede água
O país tem chuvas abundantes, os maiores rios do mundo, a maior quantidade de mananciais do
mundo, litoral extenso – e vive sob o espectro de falta de água e energia. O que fazer para sair
dessa?

A seca em São Paulo veio unir-se a problemas crônicos do Brasil. Alguns são naturais, como a falta
d’água em Estados com áreas semiáridas, como Ceará, Piauí, Paraíba, Alagoas, Bahia, Rio Grande
do Norte e parte de Minas Gerais. Outros problemas não são tão naturais, como a contaminação dos
rios usados para o abastecimento, resultado da falta de tratamento de esgoto e saneamento básico.
Na região Norte, somente 13% dos domicílios têm acesso a rede coletora de esgoto.  A situação é
crítica. No Pará, a falta de saneamento multiplica, talvez por dez, a incidência de doenças”, afirma
Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, uma organização dedicada a promover o
saneamento. Essa situação é mais crítica no Norte, mas o problema está disseminado pelo país,
incluindo as capitais mais ricas. Num ranking de saneamento calculado pelo Banco Mundial, o Brasil
fica num vergonhoso 112º lugar entre 200 nações.
Uma pesquisa da Agência Nacional de Águas (ANA) feita no ano passado encontrou água “ruim” ou
“péssima” em 44% dos pontos de coleta em cidades no país. Tratá-la e torná-la adequada ao
consumo fica mais caro e demorado, quando não inviável. Ela está contaminada principalmente com
esgoto doméstico, consequência previsível das estatísticas: quatro em cada dez moradores das
cidades brasileiras não contam com saneamento básico (fora das cidades, a situação é ainda pior –
mais da metade dos brasileiros não tem saneamento).
http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/03/o-brasil-pede-baguab.html
Para realizar a proposta, você deverá construir uma DISSERTAÇÃO, demonstrar domínio da
norma culta da língua, mobilizar diversas áreas do conhecimento, ou seja, seu conhecimento de
mundo, para desenvolver o tema, respeitando a estrutura do texto dissertativo-argumentativo,
levar em consideração os textos apresentados na coletânea, levantar argumentos bem
fundamentados com base em fatos, informações, opiniões e exemplificações que levem seu texto
a ir além do senso comum e a realizar uma crítica análise da problemática imposta. "Políticas
públicas e a crise da água no Brasil"