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Infracções fiscais

A infração fiscal consiste no descumprimento, pelo contribuinte das obrigações


tributárias previstas em lei, que podem ser as de dar, de fazer e não fazer.
No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes consequências. Se ela
implica falta de pagamento de tributo, o sujeito activo, o credor, geralmente tem a par
do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor
uma sanção, que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade,
geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que
deixou de ser recolhido.

A infração enseja a aplicação de remédios legais, que ora buscam repor a situação
querida pelo direito, mediante execução coercitiva da obrigação descumprida, ora
reparar dano causado ao direito alheio, por meio de prestação indenizatória, ora punir
o comportamento ilícito, infligindo um castigo ao infractor.

Já a sanção é qualquer acto previsto em lei, de competência exclusiva da


administração pública, e que tem por objectivo desestimular a práctica de infracções
tributárias, ou punir o infractor. Dependendo da gravidade da ilicitude, em função da
importância do direito ferido, ou dos meios empregados, ou ainda, da condição da
pessoa do infractor, ou dos motivos que o levaram à infracção, a sanção deve ser mais
ou menos severa, é de suma importância que a pena seja adequada à infração. O
legislador é quem avalia o nível de gravidade.

O fisco tem interesse fiscal de natureza patrimonial, que é a arrecadação de tributos,


podendo aplicar sansões aos infractores em nome do interesse público, afrontado por
violação à norma tributária.
As sanções tributárias administrativas podem consistir em multa, apreensão de
mercadorias, veículo ou documentos, perda de mercadorias, proibição de contratar
com o poder público, sujeição a sistema especial de fiscalização, prisão
administrativa, etc.
A partir do momento da lavratura do auto de infração, a empresa deve efetuar a defesa
administrativa de facto e de direito, anexando provas com o objectivo de reverter à
cobrança dos tributos.

O contribuinte, se perder o processo na esfera administrativa, poderá recorrer ao


Poder Judiciário na tentativa de anular a exigência fiscal.
Quando terminar o processo de fiscalização, o fiscal emitirá um termo de
encerramento de fiscalização mencionando que não encontrou irregularidades na
empresa ou emitirá um auto de infração, cobrando os tributos que julga serem
devidos.
O processo de defesa administrativa pode ser elaborado pelo Contador ou qualquer
outro profissional, não havendo a exigência de um profissional específico.

Crimes Tributários

Esses crimes podem ser divididos da seguinte forma: Crimes essencialmente


tributários, que são aqueles que consistem em fraude à norma tributária, podendo ser
praticados pelo sujeito passivo da obrigação tributária ou por agente do fisco. Por
exemplo, o contrabando, fraude contra o fisco, etc. e temos também, os crimes por
extensão legal que são aqueles cuja conduta constitui, originariamente, ilícito de outra
natureza, mas que são tipificados como ilícito tributário por disposição do legislador.
Por exemplo, a apropriação indébita, se constituirá crime tributário se configurar o
não recolhimento, em favor do fisco, de determinados tributos.

Fraude tributária

Fraude tributária é toda acção ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total
ou parcialmente, a ocorrência do facto gerador da obrigação tributária principal, ou a
excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante
do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento.

A fraude pode ser dolosa ou culposa. Ou seja, quando o agente não tenciona
descumprir a lei, mas o faz, e se o agente tenciona violar a lei, para obter vantagem
pecuniária, consistente de redução ou extinção do valor de pagar. Como fraude
dolosa, temos a sonegação fiscal.

Responsabilidade por Infrações Tributárias

O CTN prevê em seus artigos 136 a 138, a responsabilidade por infracções tributárias.
Aquele que pratica uma infração à Legislação Tributária é responsabilizado pela
mesma independentemente da efectividade, natureza e extensão dos seus efeitos.
O agente será responsabilizado nos casos de infração fiscal penalmente tipificada,
infração cometida com dolo, cometido intencionalmente pelo agente, visando um
determinado fim e pelas infracções cometidas pelas pessoas arroladas nos artigos 134,
135, practicadas com dolo específico.

A apuração das infracções e a aplicação das penas competem à autoridade


administrativa competente. A responsabilidade administrativa pela multa
correspondente à infracção da legislação tributária independe de dolo ou culpa, pois a
responsabilidade administrativa é objetiva.

O princípio de que a responsabilidade por infracções tributárias independe da intenção


tanto do agente quanto daquele por conta de quem esteja eventualmente agindo.

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