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LICENCIATURA PARA GRADUADOS / R2

EM ARTES VISUAIS

FRANCIELE MENEGUCCI

O USO DAS TECNOLOGIAS NO PROCESSO DE ENSINO E


APRENDIZAGEM

OCAUÇU, JULHO DE 2020


FRANCIELE MENEGUCCI

O USO DAS TECNOLOGIAS NO PROCESSO DE ENSINO E


APRENDIZAGEM

Trabalho de Tecnologia da Informação e Comunicação,


apresentado para obtenção no Curso de Licenciatura da Uniplena
Educacional sob orientação da Professora Coordenadora Bianca
Gomes

OCAUÇU, JULHO DE 2020


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 04
2 DESENVOLVIMENTO 04
2.1 Conceitos e definições relacionados às TIC 04
2.2 As TIC e a educação 11
2.3 As TIC e o ensino de Arte 08
3 CONCLUSÃO 09
REFERÊNCIAS 10
1 INTRODUÇÃO

Este trabalho de pesquisa traz uma revisão bibliográfica contextualizada


sobre as principais definições e conceitos importantes sobre as Tecnologias da
Informação e da Comunicação no contexto do ensino.
São explicados os conceitos de tecnologia, mídias e suportes, além da
relação entre a educação e as TIC. De forma a propor uma aplicação, o texto é
finalizado com reflexões sobre o uso das TIC no ensino de Arte.
As TIC não são necessárias inovações no ambiente escolar, há muito
tempo computadores e internet estão disponíveis em maior ou menor grau nas
escolas, no entanto, muitas discussões são necessárias para compreender seu
potencial atrelado à sólida construção dos projetos políticos pedagógicos, na formação
continuada dos professores, bem como na democratização do acesso dos atores
envolvidos.
No processo de ensino-aprendizagem mediado pelas TIC o professor tem
um papel fundamental na proposição dos recursos e sua associação com os
conteúdos programáticos das disciplinas e objetivos de aprendizagem.
Por mais que ainda existam muitas barreiras e, até mesmo, resistências
para a incorporação das TIC no ensino, é preciso entender que esses meios são parte
da vida social contemporânea e podem ser usados para melhorar o aprendizado e
capacitar o aluno à utilizá-las de forma saudável, consciente e crítica.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Conceitos e definições relacionados às TIC

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no ambiente escolar


traz ao cenário importantes debates sobre tempo e espaço, bem como de sua relação
com as tecnologias convencionais. Muitas problemas se impõem no emprego das TIC
e a solução para eles demanda análises profundas sobre o contexto social, econômico
e cultural no qual a escola se insere, as peculiaridades de seus atores (comunidade
interna e externa), de seu projeto político pedagógico buscando encontrar formas de
incorporar as TIC em busca de aprimoramentos nos processos de ensino-
aprendizagem, integradas a outras tarefas escolares. É relevante pensar as
tecnologias com relação à ampliação das possibilidades de interação, aprendizagem
e produção de conhecimento.
A tecnologia é uma palavra de origem grega onde tekhno- (de tékhné,
'arte',) e -logía (de lógos, ou 'linguagem, proposição'), então este termo é aplicado para
descrever atividades humanas baseadas em conhecimentos, processos e
ferramentas capazes de trazer evolução e inovação às tarefas humanas. A tecnologia
pode se materializar na forma de produtos, técnicas e meios (MAGRANI, 2018).
Assim, enquanto a ciência se caracteriza como uma forma de entender o
mundo a partir de hipóteses testáveis por métodos explicitados e reproduzíveis, a
tecnologia é um meio de resolver problemas, executar tarefas.
Guimarães e Ribeiro (2007, p. 20) exemplificam a relação entre a pesquisa
científica e a tecnologia, mas ressaltam que nem sempre o conhecimento científico
precede a tecnologia, que pode ser desenvolvida por uma necessidade social:

Considerando a pesquisa científica em eletricidade e magnetismo no


século 19, vemos que as descobertas retratadas nas teorias
desenvolvidas culminaram com uma importante aplicação tecnológica:
o desenvolvimento da televisão. O advento da televisão, como
sabemos, produziu enormes modificações e efeitos na sociedade [...].

O Ministério da Educação (2008, n.p) explica as TIC como “a aquisição, o


armazenamento, o processamento e a distribuição da informação por meios
eletrônicos e digitais”, fazendo uso das mídias, internet e informática para isso.
Para Miranda (2007, p.43)

O termo Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) refere-se à


conjugação da tecnologia computacional ou informática com a
tecnologia das telecomunicações e tem na internet e mais
particularmente no World Wide Web (www) a sua mais forte
expressão.

Quando se considera os termos informação e comunicação, necessita-se


de um meio ou sujeito emissor e um meio ou sujeito receptor, além da forma de
expressão das informações que podem ser imagéticas, verbalizadas, escritas, entre
outras que configuram a linguagem. A comunicação pode ser direta ou mediada por
tecnologias, como as mídias.
A palavra mídia é aplicada para se referir aos diferentes meios de
comunicação. O Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa apud Guimarães e Ribeiro
(2007, p. 32) descreve a mídia como,

Todo suporte de difusão da informação que constitui um meio


intermediário de expressão capaz de transmitir mensagens; meios de
comunicação social de massas não diretamente interpessoais (como
p.ex. as conversas, diálogos públicos e privados) [Abrangem esses
meios o rádio, o cinema, a televisão, a escrita [...] em livros, revistas,
boletins, jornais, o computador, o videocassete, os satélites de
comunicações e, de um modo geral, os meios eletrônicos e
telemáticos de comunicação em que se incluem também as diversas
telefonias.]

Ao ministrar uma aula, seja no modo presencial ou à distância, o docente


pode acionar inúmeras mídias nos formatos oral, textual, a audiovisual e digital, e
geralmente usa-se mais de um tipo, de forma integrada e aplicada a cada tipo de
atividade necessária à elaboração do conhecimento.
As mídias são executadas por meio das tecnologias, desde as mais
rudimentares como escrever numa rocha com um carvão, até o uso de lápis, canetas,
smartphones. A evolução destas tecnologias pode contribuir com o ensino-
aprendizagem quando bem aplicadas, e podem facilitar o acesso ao conhecimento,
simplificar a forma de se fazer as coisas e provocar mudanças sociais em termos de
comunicação.
Na contemporaneidade, as informações encontram-se em todos os lugares
e com acesso ampliado, assim como a informação, o conhecimento pode ser
encontrado além do espaço escolar pelos meios de comunicação. No entanto,
impõem-se o desafio de formar cidadãos que saibam como utilizar as informações,
não apenas como consumidores, mas como produtores de conhecimento.
O avanço da tecnologia modifica a relação dos indivíduos com as coisas e
com os outros indivíduos, hoje, as telas são aptas a diminuir as distâncias, acelerar as
notícias e promover o compartilhamento de conhecimento, bem como a formação de
redes de conhecimento, assim, é imprescindível pensar tais tecnologias e sua
influência no contexto educacional, considerando ainda que os profissionais da
educação não podem se excluir deste processo (TAJRA, 2008).
2.2 As TIC e a educação

São inúmeras as TIC que podem ser utilizadas no ambiente escolar desse
que o acesso e a formação de alunos e professores sejam bem elaborados. Apesar
de existirem resistências e dificuldades para a incorporação das TIC no ensino, é um
fato social sua presença e impacto nas relações interpessoais.
Guimarães e Ribeiro (2007) escrevem que as novas TIC vão ao encontro
de novas proposições pedagógicas que descentraliza o processo educacional do
professor, propiciando as redes colaborativas e a maior interação e intervenção dos
alunos no ensino-aprendizagem, como atores ativos, assim como na proposta
construtivista. Além disso, as tecnologias facilitam que os professores adaptem os
conteúdos e proponham atividades que atendam aos diversos estilos de
aprendizagem, visual, sonora, reflexiva, entre outras.
Neste caso, é importante destacar que as tecnologias que promovem o
aprendizado colaborativo e criativo são as que costumam ter mais eficiência na
aprendizagem, assim, o controle é compartilhado entre professor e alunos, ou grupos.
E Peixoto e Araújo (2012), apontam que os computadores podem ser usados nas
estratégias pedagógicas tendo o professor como mediador e os alunos como
construtores de seu conhecimento.
Porém, apesar de apresentarem muitos fatores positivos, as TIC no
contexto educacional só promoveram impactos importantes se estiverem interligadas
a um sólido projeto político pedagógico para que não se tornem mais um mecanismo
de exclusão social, aliadas ainda ao entendimento da pedagogia emancipatória que
prioriza a aprendizagem crítico-reflexiva-colaborativa.
As TIC precisam ser incorporadas ao contexto escolar pois são parte
significativa da vida dos alunos, estes precisam, inclusive ser educados como sujeitos
sociais para utilizá-las não apenas como recurso da educação, mas com
responsabilidade pelo que consomem, produzem, compartilham. Assim, escolas e
professores precisam estar cientes dos ambientes tecnológicos e virtuais que são
parte da vida de seus alunos (SANTO; MOURA; SILVA, 2020).
Os projetos pedagógicos devem prever a capacitação, uso e
democratização dos meios tecnológicos, além de indicar a inserção de múltiplos
canais como o sites especializados, redes sociais, computadores, smartphones e
outros, sem esquecer que o aluno precisa ser capaz de ser sujeito produtor de textos,
vídeos, imagens, sons e outros que colaborem em seu aprendizado.
O uso de recursos tecnológicos pode viabilizar o aprendizado com
autonomia, provocando a curiosidade, motivação e demais experiências
enriquecedoras e que proporcionam prazer em aprender.
Apesar de as TIC não serem mais uma novidade na educação ainda
existem grandes barreiras para sua implementação efetiva no ensino pois ainda faltam
capacitação, investimento e aperfeiçoamento das diretrizes para sua incorporação.
Um outro aspecto a ser considerado é a adequação de uso, tempo de uso
e acesso às diferentes faixas etárias e suas necessidades, inclusive considerando
faixas etárias apropriadas para a inserção digital. Outra questão importante é refutar
o uso tecnológico na substituição do professor, ou sua utilização voltada apenas ao
lucro no ensino privado (SANTO; MOURA; SILVA, 2020).

2.3 As TIC e o ensino de Arte


Ao pensar na relação entre as TIC e o ensino de Arte é preciso entender
que, apesar da maioria de nós relacionar a Arte às obras dos Museus, esculturas e
pinturas, espetáculos em teatros e outros, as manifestações artísticas tradicionais e
contemporâneas são possíveis de serem fruídas hoje por meio da TIC, e além de
fruídas podem ser produzidas por este meio.
Para Feist (1996, p. 9) “a arte é um produto da criatividade humana, que,
utilizando conhecimento e técnicas e um estilo ou jeito todo pessoal transmite uma
experiência de vida ou uma visão de mundo, despertando emoção em quem a usufrui”,
de forma que aqueles que tem contato com arte aprimoram sua capacidade
perceptiva, criativa e crítica, ou seja, pessoas capazes de criar e transformar as
realidades sociais.
Com origem no latim, a Arte denota habilidades ou técnicas que permitem
as manifestações estéticas que sempre acompanharam a humanidade, mais ou
menos, conforme o tipo de organização social que pode privilegiá-la ou não.
A arte relaciona-se ao fazer, formar, dar a forma, por isso é preponderante
sua inserção nas atividades educativas “proporcionando ao indivíduo, o
desenvolvimento da capacidade de selecionar, relacionar, organizar, interpretar e
integrar os dados do mundo em que vive”. No entanto, a Arte na educação formal é
resultado das evoluções pedagógicas do século XX (BALDÃO, 2014).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para a disciplina de Arte de 1998,
relatam nos anos de 1960, aconteceram proposições que modificaram o objetivo do
ensino de Arte nas escolas, tratando de arte-educação e não mais compreendendo a
Arte como uma manifestação individual espontânea, passando a compreensão de que
as manifestações em Arte são fruto da aprendizagem complexa, não se trata de dom
ou genialidade, mas de educação para a estética e sensibilidade (BALDÃO, 2014).
A relação entre arte e tecnologia é antiga, e nessa relação as
manifestações artísticas fazem uso das novas tecnologias, mas também as impulsiona
e as aprimora, principalmente pelo fato de poder aplicá-las num contexto de
experimentação, sem o compromisso imediato com a lucratividade. Assim, incorporar
as TIC no ensino de Arte é propor reflexões sobre a mediação que estes meios podem
fazer na produção artística.
Baldão (2014) aponta que no ensino da arte podem ser incorporados o
estudo de softwares livres, pagos e educacionais de produção de imagens com Paint,
CorelDraw, Inkscape, Sketchup, além dos tratamentos e intervenções sobre imagens
como Photoshop. É possível ainda promover a fruição artística com a visita aos
Museus Virtuais em sites como o Google Arts & Culture, lembrando que muitos
recursos não demandam mais o computador, mas estão disponíveis nos celulares ao
alcance das mãos em tempo integral.

3 CONCLUSÃO

Neste artigo de revisão buscou-se compreender o que são as Tecnologias


da Informação e da Comunicação e sua aplicação do contexto do ensino-
aprendizagem.
A partir dos textos e autores estudados foi possível ampliar o entendimento
sobre os que são as TIC aplicadas à educação, o papel da tecnologia, das mídias e
possibilidades de aplicação em contextos de ensino vislumbrando caminhos possíveis
e alternativos de construção do conhecimento. Um dos desafios é que as instituições
de educação possam acompanhar minimamente as inovações tecnológicas, visto que
os recursos se tornam rapidamente obsoletos e faltam investimentos estruturais.
Uma importante questão é o estudo e previsão do uso das TIC nos PPCs
de forma integrada aos conteúdos de aprendizagem, objetivos e metodologias. Ainda
considerando que o aluno deve ser instruído a utilizá-las de forma autônoma como
sujeito ativo na construção de seu conhecimento e o professor como propositor e
mediador do processo. Assim o processo de aprendizagem pode ser multilateral, não
apenas focado no professor como detentor da informação e na transferência de
conteúdo, mas sim na troca de conhecimentos, cooperação, divisão de tarefas.
A inserção das TIC na educação é inevitável e pode ser cada vez mais
promissora, desde que exista investimento em estrutura, formação e democratização
do acesso.

REFERÊNCIAS

BALDÃO, Tania Regina Pires. Produções Didático-Pedagógicas: fomentar a


utilização das tecnologias de informação e comunicação no ensino da Arte.
Cadernos PDE II. Curitiba: SEED – PR, 2014. Disponível em:
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pd
e/2014/2014_unespar-curitibai_arte_pdp_tania_regina_pires.pdf. Acesso em 21 de
jul. 2020.

FEIST, Hildegard. Pequena viagem pelo mundo da arte. São Paulo: Moderna,
1996.

GUIMARÃES, Ângelo de Moura; RIBEIRO, Antônio Mendes. Introdução às


tecnologias da informação e da comunicação: tecnologia da informação e da
comunicação. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007. 148 p.

MAGRANI, Eduardo. A internet das coisas. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2018.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Mídias na Educação: gestão integrada de mídias.


Brasil, 2008. Disponível em:
http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/introdutorio/index.html. Acesso
em: 16 jul. 2020.

MIRANDA, Guilhermina Lobato. Limites e Possibilidade das TICs na Educação.


Revista Ciência da Educação. No. 3. mai/ago/2007.

PEIXOTO, J; ARAÚJO, C. H. dos. S. Tecnologia e educação: algumas


considerações sobre o discurso pedagógico contemporâneo. Educ. Soc, v. 33, n.
118, p. 253-268, 2012.

SANTO, Sandra Aparecida Cruz do Espírito. MOURA, Giovana Cristina de; SILVA,
Joelma Tavares da. O uso da tecnologia na educação: Perspectivas e
entraves. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05,
Ed. 01, Vol. 04, pp. 31-45. Janeiro de 2020
TAJRA, S. F. Informática na educação: novas ferramentas pedagógicas para o
professor na atualidade, São Paulo: Érica, 2008.