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coleção

12.º ano
FERNANDO PESSOA

Mensagem

Fernanda Bela Delindro e Maria João Pereira

◆ Guia prático ◆
◆ Perguntas com respostas ◆
◆ Revisão para testes e exames ◆
◆ Exercícios com soluções ◆

A
Coleção Arrumar Ideias | Mensagem

Apresentação

© AREAL EDITORES
Os livros da coleção Arrumar Ideias constituem instrumentos de trabalho indispen-
sáveis para os alunos do Ensino Secundário que querem alcançar os melhores resulta-
dos no seu percurso escolar, permitindo-lhes compreender melhor as obras e os autores
do Programa.
Todos os livros estão organizados em perguntas e respostas, que conduzem a aten-
ção do aluno para as questões mais significativas respeitantes a cada obra e autor, em
particular para os tópicos de conteúdo do Programa, possibilitando, assim, um estudo
mais focado e consequente.
Para além da contextualização histórico-literária e da análise da obra, cada livro
inclui um guia de estudo e autoavaliação: um conjunto de questões-chave que permi-
tem arrumar ideias e fazer a revisão dos aspetos fundamentais de cada obra analisada.
As fichas de avaliação e os exercícios de escrita, no final do livro, permitem consoli-
dar a compreensão da obra e testar os conhecimentos adquiridos, através da realização
de exercícios semelhantes aos que habitualmente são realizados em diferentes momen-
tos de avaliação.
Todos os exercícios incluem propostas de resolução, que permitem ao aluno avaliar
os seus conhecimentos e ver como se faz, para que possa sentir-se mais seguro e bem
preparado para realizar com sucesso os testes de avaliação e o exame nacional.

Páginas onde são


Fernando Pessoa, Mensagem: tópicos de conteúdo do Programa
abordados neste livro
O Sebastianismo 23-25
O imaginário épico: 26-27
– natureza épico-lírica da obra; 6, 27
– estrutura da obra; 16-17
– dimensão simbólica do herói; 28-29
– exaltação patriótica. 32-33
Linguagem, estilo e estrutura: 33
– estrutura estrófica, métrica e rima; 33-34
– recursos expressivos: a apóstrofe, a enumeração, a gradação,
35
a interrogação retórica e a metáfora.

I S B N 9 7 8 - 9 8 9 - 76 7- 4 7 3 - 0

2
Índice
1. O autor e a obra .............................................................................................. 4
2. Contextualização histórico-literária .................................................................. 8
3. Mensagem, poema a poema ......................................................................... 12
4. Análise da obra ............................................................................................. 16
4.1. Estrutura da obra e elementos paratextuais ............................................ 16
4.2. O título ................................................................................................... 21
4.3. O Sebastianismo .................................................................................... 23
4.4. O imaginário épico .................................................................................. 26
4.5. Natureza épico-lírica da obra .................................................................. 27
4.6. Dimensão simbólica do herói .................................................................. 28
4.7. Exaltação patriótica ................................................................................ 32
4.8. Linguagem, estilo e estrutura .................................................................. 33

5. Análise de poemas ......................................................................................... 36


6. Guia de estudo e autoavaliação ..................................................................... 42
7. Praticar
Fichas: Ler um poema e responder de forma completa aos itens
Ficha 1: "D. Dinis" .......................................................................................... 44
Ficha 2: "D. Fernando, Infante de Portugal" ..................................................... 45
Ficha 3: "D. Sebastião, rei de Portugal" .......................................................... 46
Ficha 4: "Nun’ Álvares Pereira" ........................................................................ 47
Ficha 5: "O Infante" ....................................................................................... 48
Ficha 6: "O Mostrengo" ................................................................................... 49
Ficha 7: "Mar Português" ............................................................................... 50
Ficha 8: "A Última Nau" .................................................................................. 51
Ficha 9: "O Quinto Império" ............................................................................ 52
Ficha 10: "António Vieira" .............................................................................. 53
Ficha 11: "’Screvo meu livro à beira-mágoa" ................................................... 54
Exercícios de escrita: Redigir uma exposição (130-170 palavras) sobre a obra .... 55
Exercício 1 ...................................................................................................... 55
Exercício 2 ...................................................................................................... 55
Exercício 3 ...................................................................................................... 55
Exercício 4 ...................................................................................................... 55
Exercício 5 ...................................................................................................... 55
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Exercício 6 ...................................................................................................... 55
Cenários de resposta ............................................................................................. 56

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3. Mensagem, poema a poema

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Subpartes /
Personalidade / Simbologia
Poemas
OS CAMPOS Espaço de vida e de consolidação do reino.

“O dos Castelos” Localização geográfica de Portugal como predestinação.

“O das Quinas” Alusão às cinco chagas1 de Cristo.


Menção do sofrimento necessário para atingir a glória.
OS CASTELOS Símbolo de proteção e das conquistas dos heróis.
Os heróis enumerados surgem associados a desígnios ocultos.
Heróis fundadores de Portugal.
“Ulisses” Herói mítico.
Fundador mítico de Lisboa.
“Viriato” Fundador da Lusitânia.
Símbolo da luta pela independência.
Chefe militar dos lusitanos morto à traição enquanto dormia.
PRIMEIRA PARTE: BRASÃO

Sertório substitui-o no comando dos lusitanos.


“O Conde Pai de D. Afonso Henriques.
D. Henrique” Fundador do Condado Portucalense.
“D. Tareja” Mãe de D. Afonso Henriques.
Símbolo da proteção materna.
Apelo para a construção de um novo futuro para Portugal.
“D. Afonso Fundador do Reino de Portugal.
Henriques” Primeiro Rei da dinastia de Borgonha (1.ª dinastia).
Exemplo de força e de coragem.
“D. Dinis” O poeta da lírica trovadoresca.
O poeta que sonhou e lançou a semente dos Descobrimentos: o pinhal
de Leiria e a preparação da viagem.
“D. João o Primeiro Rei da 2.ª dinastia, a Dinastia de Avis.
Primeiro” Pai da “ínclita geração2”.
Foi um instrumento da vontade de Deus.
“D. Filipa de Casada com D. João I.
Lencastre” Mãe da “ínclita geração”.

AS QUINAS Mártires da Nação.


Lutadores e mártires.
A referência às cinco chagas de Cristo traduz a consciência do destino
para Portugal das cinco personalidades escolhidas.
NOTA: As subpartes da obra estão destacadas com negrito.

1
feridas abertas, não cicatrizadas.
2
Expressão de Camões em Os Lusíadas para designar os filhos de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Ínclita significa ilus-
tre. Geração quer dizer descendência.

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3. Mensagem, poema a poema

Subpartes /
Personalidade / Simbologia
Poemas
“D. Duarte, Rei de Rei de Portugal.
Portugal” Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
Simboliza a sujeição à vontade de Deus e o cumprimento do dever.
Representa as dificuldades, o sofrimento e a luta contra as adversida-
des.
“D. Fernando, Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
Infante de Infante Santo: cativo dos mouros e mártir em Fez, por impedir o irmão
Portugal” de entregar Ceuta.
Simboliza a capacidade de suportar os tormentos em nome da fé.
“D. Pedro, Regente Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
de Portugal” Representa o valor do pensamento e da vontade.
Simboliza o homem que honra os seus compromissos.
“D. João, Infante de Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
Portugal” Representa todos aqueles que se anulam para que outros se
destaquem e realizem a sua missão.
PRIMEIRA PARTE: BRASÃO

“D. Sebastião, Rei Rei de Portugal derrotado na Batalha de Alcácer Quibir.


de Portugal” Simboliza o herói que sonha.
Apologia da loucura como busca de grandeza.
Consubstancia a dualidade entre alma (o herói que há) e corpo
(o herói que houve).
A COROA Símbolo de realeza.
Representa a perfeição, pela forma circular.
Marca o estabelecimento de Portugal como país independente.
“Nun’Álvares Chefe militar, autor da técnica do quadrado na Batalha de Aljubarrota.
Pereira” Herói que conjuga o espírito guerreiro e a santidade.
O poema constitui uma prece para que ilumine Portugal na direção do
Quinto Império.
O TIMBRE Símbolo de poder legítimo.
“O Infante Cabeça do Grifo1: simboliza a idealização, a sabedoria.
D. Henrique” Figura responsável pela conceção dos Descobrimentos.
“D. João o Asa do Grifo: simboliza a preparação para a execução do sonho
Segundo” idealizado.
Rei de Portugal.
Figura fundamental na concretização das Descobertas marítimas.
“Afonso de Asa do Grifo: simboliza a ação, a concretização.
Albuquerque” Vice-rei da Índia.
Figura fundamental na concretização do Império Português do Oriente.
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1
Ave mitológica com bico e asas de águia e corpo de leão. Simboliza a união do humano e do divino.

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4. Análise da obra

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4.1. Estrutura da obra: aspetos paratextuais e aspetos simbólicos

Em que medida este livro constitui uma "mensagem" para Portugal?


A obra apresenta uma estrutura simbólica e anuncia um novo destino imperial
de Portugal. Por esta razão, podemos considerar que a obra Mensagem apresenta
uma mensagem para Portugal.

Como está estruturada a obra?


Mensagem é constituída por 44 poemas e está estruturada em três partes dis-
tintas: “Brasão”, “Mar Português” e “O Encoberto”.
Na primeira parte da obra, materializa-se o esboço da ideia de império que
nasce com D. Dinis. A nação vai cumprindo o seu destino divino e consolidando os
ideais nacionais. Pessoa inspirou-se no brasão das armas nacionais: os sete Caste-
los, as cinco Quinas, a par de outros elementos ligados à heráldica, mas apresenta
um brasão novo, reconstruído a partir do brasão do Infante D. Henrique. Na Mensa-
gem, o “Brasão” mais do que a imagem do passado, cristaliza o lugar da memória
coletiva em que as qualidades de ser português se fixam em personalidades como
Ulisses, Viriato, Conde D. Henrique, D. Teresa, D. Afonso Henriques, D. Dinis e D. João I e
D. Filipa de Lencastre. Estas são as sete “pedras basilares da nacionalidade”, pois
os seus feitos “visíveis” antecipam ou prenunciam outros mais importantes.
A segunda parte de Mensagem, constituída por doze poemas, canta o português
que desvendou mundos, “cumpriu o mar” e criou um império material que deixa
adivinhar o seu fim.
A terceira parte, “O Encoberto”, anuncia a instauração do Quinto Império.

Em que medida a estrutura da obra é simbólica?


Mensagem está estruturada em três partes distintas: “Brasão” (19 poemas em
cinco partes), “Mar Português” (12 poemas) e “O Encoberto” (13 poemas em três
partes). O número três simboliza a perfeição, a totalidade, e sugere também uma
evolução mística, que culminará no “Quinto Império”.
Na primeira parte da obra, os heróis mencionados nos poemas simbolizam a
formação de Portugal, são os heróis fundadores.
A segunda parte de Mensagem, constituída por doze poemas, canta o português
que desvendou mundos, “cumpriu o mar” e criou um império material que deixa
adivinhar o seu fim.
A terceira parte, “O Encoberto”, anuncia e antecipa a instauração do “Quinto
Império” / Renascimento, depois do declínio.

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4. Análise da obra

A estrutura simbólica da obra

Elementos Simbologia
Mensagem Obra messiânica .
1

Portugal e a estrutura Portugal é considerado um ser:


tripartida da obra ◆ nascimento;
◆ idade adulta e realização da obra;
◆ morte e ressurreição.
PRIMEIRA PARTE: ◆ Formação de Portugal.
Brasão ◆ Nascimento da nação.
◆ Aspetos únicos que caracterizam Portugal.
◆ Brasão é constituído por um conjunto de elementos simbólicos.
◆ Heróis simbólicos: dezassete figuras históricas, fundadoras e míticas que
condensam as qualidades do caráter português.
SEGUNDA PARTE: ◆ Missão de Portugal no mundo: as Descobertas.
Mar Português ◆ A realização da obra.
◆ Doze poemas que recriam a saga dos Descobrimentos.
◆ Heróis da expansão portuguesa.
TERCEIRA PARTE: ◆ Estagnação/morte após o desastre de Alcácer Quibir (1578).
O Encoberto ◆ Ressurreição: anúncio do ressurgimento da grandeza cultural da nação.
◆ Destaque para a figura de D. Sebastião: destino e mito.
◆ Mito Sebastianista (transfiguração de uma figura histórica em mito).
◆ Mito do Quinto Império (criação de um império espiritual indestrutível).
◆ Mito do Desejado (espera pelo Messias capaz de unificar a nação).
◆ Mito das Ilhas Afortunadas (mito do lugar ideal)
◆ Mito do Encoberto (símbolo de Cristo associado à Rosa e ao Quinto
Império).
◆ Poemas (13) que remetem para a natureza espiritual da aventura e a
universalidade da cultura portuguesa.

Por que razão se pode considerar que na obra está presente o nascimento, a
vida e a morte e ressurreição de Portugal?
Cada uma das três partes de Mensagem corresponde, simbolicamente, ao nas-
cimento, à vida, à morte e ressurreição de Portugal.

Partes de Mensagem Simbologia História de Portugal


Primeira parte Nascimento Fundação da nacionalidade

Segunda parte Vida Expansão e descobertas

Terceira parte Morte e Ressurreição Declínio e renascimento


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1
Relativo à vinda de um Messias ou redentor.

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FICHA DE AVALIAÇÃO N.º 5

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Soluções na p. 58.
LER UM POEMA E RESPONDER DE FORMA COMPLETA AOS ITENS

Leia o texto.
O Infante
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

5 E a orla branca foi de ilha em continente,


Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.


10 Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa, Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal, Lisboa: Assírio & Alvim, 2016, p. 86.

1. Explicite a relevância do título do poema.


2. Indique o valor expressivo da forma de tratamento utilizada entre o sujeito poé-
tico e o seu interlocutor.
3. Identifique a relação que se pode estabelecer entre os três elementos do verso
1 e o respetivo simbolismo.
4. Explique o sentido dos dois últimos versos do poema.

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7. Praticar

FICHA DE AVALIAÇÃO N.º 6 Soluções nas pp. 58-59


LER UM POEMA E RESPONDER DE FORMA COMPLETA AOS ITENS

Leia o texto.
O Mostrengo
O mostrengo que está no fim do mar Três vezes do leme as mãos ergueu,
Na noite de breu ergueu-se a voar; 20 Três vezes ao leme as reprendeu,
À roda da nau voou três vezes, E disse no fim de tremer três vezes:
Voou três vezes a chiar, “Aqui ao leme sou mais do que eu:
5 E disse: “Quem é que ousou entrar Sou um povo que quer o mar que é teu;
Nas minhas cavernas que não desvendo, E mais que o mostrengo, que me a alma teme
Meus tetos negros do fim do mundo?” 25 E roda nas trevas do fim do mundo,
E o homem do leme disse, tremendo: Manda a vontade, que me ata ao leme,
“El-Rei D. João Segundo!” De El-Rei D. João Segundo!”
10 “De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?”
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
“Quem vem poder o que só eu posso,
15 Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu, e disse:
“El-Rei D. João Segundo!”
Fernando Pessoa, Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal, Lisboa: Assírio & Alvim, 2016, pp. 89-90.

1. Identifique o mito presente no poema e mostre as expressões com que é caracterizado.


2. Integre este poema na estrutura formal de Mensagem e justifique a sua resposta.
3. Faça referência ao valor simbólico do Mostrengo, confrontando-o com o episódio
do Adamastor em Os Lusíadas.
4. Indique o que representará o “homem do leme” neste poema.
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