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NORMA FIXA PARÂMETROS PARA PRODUÇÃO DE CONEXÕES OD

Conexão que atende fabricante de mobiliário não pode ser usada nas
indústrias de alimentos

O leite longa vida, os sucos de frutas, o molho de tomate, o vinho, o


refrigerante, além de outros alimentos que consumimos em casa e nos
restaurantes são processados em equipamentos industriais nos quais o
aço inoxidável quase sempre está presente. Em suas diferentes
configurações, o material é utilizado tanto em componentes dessas
máquinas como na "comunicação" entre elas. Numa linha de produção
de achocolatados líquidos, por exemplo, a "ponte" entre o
equipamento que processa a mistura e aquele que dosa a quantidade
embalada é "construída" com tubos de aço inox. 

Componentes indispensáveis na união entre esses tubos - e também


no acoplamento destes com os equipamentos - são as conexões de
diferentes conformações (curvas, meias-curvas, tês), igualmente em
aço inoxidável. Para que essas peças assegurem uma "viagem" sem
transtornos nesse trajeto, as conexões  devem seguir angulações
milimetricamente perfeitas e ter acabamentos que não ofereçam
qualquer risco de contaminação para os alimentos ou possibilidades de
segregar ou acumular o produto. 
Até o início desse ano, no entanto, mesmo as grandes indústrias de
alimentos – que, em geral, possuem controle rigoroso de materiais e
costumam pautar suas compras segundo normas técnicas - não
tinham como se precaver de ocorrências dessa natureza. Motivo: não
havia parâmetros para a fabricação dessas conexões. Com a
publicação, em 1 de fevereiro de 2008, pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) da norma NBR 15562:2008, que estabelece
requisitos gerais para a fabricação de conexões OD, foram
estabelecidas condições para que a situação comece a se alterar.
Conexões OD são aquelas produzidas a partir de tubos de aços
inoxidáveis, cuja medida nominal (do tubo) é definida pelo diâmetro
externo (outside diameter ou OD) em polegadas (exemplo 1" = 25,40
mm)

CONCEITOS DIFERENTES
Willy Lehmann Andersen, diretor da Danflow Indústria e Comércio –
fabricante de  curvas, reduções, cruzetas e abraçadeiras em inox -,
explica que, no mercado, existem dezenas de pequenas oficinas que
se consideram habilitadas a produzir essas conexões. Não dispõem,
porém, de tecnologia de processo e tampouco de equipamentos que
possam assegurar o desempenho de suas peças, sobretudo no que se
refere a riscos de contaminação. Como comercializam seus produtos
por valores consideravelmente inferiores conseguem, pelo custo,
"sensibilizar" empresas que necessitam de conexões para aplicar em
suas instalações.                 "Você pode, numa oficina qualquer,
fabricar uma curva para ser empregada em pernas de cadeira. Mas
essa mesma peça não pode e não deve ser usada em linhas de
produção onde são transportados leite, sucos, vinho ou refrigerante.
São conceitos diferentes", pondera Andersen.
É provável que a edição da norma ABNT não freie de imediato esse
comércio predatório. Porém, ela estabelece critérios para a fabricação
das conexões OD no que se refere, por exemplo, à ovalização,
espessura de parede e esquadrejamento das conexões, itens de suma
importância na montagem de linhas e equipamentos industriais. A
norma também trata de processos de acabamento dessas conexões no
que se refere ao seu faceamento, tamboreamento e biselamento.
Faceamento é um processo de acabamento que visa alcançar a
planicidade das extremidades da conexão; tamboreamento refere-se
ao acabamento superficial realizado por abrasão em equipamento
vibratório; e biselamento diz respeito ao processo de acabamento para
formação de uma área em ângulo de 37,5º nas extremidades - o
objetivo é facilitar a adição e penetração de material de solda.

CUIDADOS NA AQUISIÇÃO 
De acordo com a norma – e as empresas compradoras devem ficar
atentas a esse trecho -, as conexões OD precisam apresentar
certificado de qualidade contendo as seguintes informações: data e
ano de fabricação; número do certificado de procedência do tubo
aplicado como matéria-prima; campo de comprovação do controle
dimensional e visual realizado por amostragem do lote de conexões;
para conexões que apresentem solda, deve ser informado o processo
aplicado, bem como a certificação da qualidade do processo;
declaração de que as conexões foram produzidas e inspecionadas de
acordo com os requerimentos da norma. 
O texto da norma começou a tomar consistência há cerca de três anos
por iniciativa da Danflow. Nesse trabalho, a empresa contou com a
consultoria do doutor em engenharia de materiais, Adayr Borro Júnior,
da Inox Site Assessoria Técnica. Para o consultor a norma era uma
necessidade imperiosa do setor para moralizar questões relativas a
materiais empregados, processos e tolerâncias. Antes da normalização,
havia, segundo Borro, total descontrole nas questões relativas à
qualidade e, principalmente, às tolerâncias. "A atual norma será uma
base para outras que virão complementando o assunto como, por
exemplo, questões relativas à superfície e sanitaridade", prevê. 
Cerca de 20 empresas e entidades, entre as quais o Núcleo Inox,
participaram dos trabalhos que resultaram na publicação da norma .
Os principais setores foram os fabricantes de conexões, indústrias de
alimentos, indústrias químicas e petroquímicas, universidades e
associações de class