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JUSTIÇA ELEITORAL
023ª ZONA ELEITORAL DE CAICÓ RN

REGISTRO DE CANDIDATURA (11532) Nº 0600164-79.2020.6.20.0023 / 023ª ZONA ELEITORAL


DE CAICÓ RN
REQUERENTE: DENIS RILDON DA SILVA, O FUTURO COMEÇA AGORA 20-PSC / 25-DEM /
45-PSDB / 55-PSD / 15-MDB, DIRETORIO MUNICIPAL DO DEMOCRATAS - OURO
BRANCO/RN, COMISSAO PROVISORIA DO PMDB - OURO BRANCO/RN, PARTIDO SOCIAL
CRISTAO - OURO BRANCO - RN - MUNICIPAL, COMISSAO PROVISORIA MUNICIPAL
PARTIDO SOCIAL DEMOCRATICO PSD OURO BRANCO RN, DIRETORIO MUNICIPAL DO
PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA DE OURO BRANCO
IMPUGNANTE: COLIGAÇÃO A FORÇA DO TRABALHO ( PP / PL)
Advogado do(a) IMPUGNANTE: THIAGO CORTEZ MEIRA DE MEDEIROS - RN4650
IMPUGNADO: DENIS RILDON DA SILVA
Advogados do(a) IMPUGNADO: RAPHAEL FERREIRA ARAUJO - RN16221, DIOGO AUGUSTO
DA SILVA MOURA - RN8362

SENTENÇA

1. RELATÓRIO

Trata-se de Requerimento de Registro de Candidatura – RCC de DENIS RILDON DA SILVA,


para concorrer ao cargo de Prefeito na eleição de 2020, no Município de Ouro Branco/RN, pela
COLIGAÇÃO O FUTURO COMEÇA AGORA, já devidamente qualificado.
Lançado o edital para eventual impugnação no prazo legal, foi apresentada, incidentalmente,
Ação de Impugnação de Registro de Candidatura de ID nº 11008952 – Pág.1/3 pela COLIGAÇÃO A
FORÇA DO TRABALHO, em que a referida coligação assevera que o candidato seria inelegível por,
supostamente, não ter transcorrido o prazo de 08 (oito) anos subsequentes ao cumprimento ou extinção da
pena.
Notificado, o pretenso candidato Denis Rildon da Silva apresentou a defesa de ID nº 15349727
– Pág.1/20, na qual pugna pela improcedência da impugnação, sob o argumento de que seria inconstitucional
a disposição da Lei Complementar nº 64/90, uma vez que haveria desproporcionalidade da imposição de uma
inelegibilidade por 13 anos em relação a uma pena restritiva de direito que sequer chegou a ser executada.
Ademais, alega que seria inconstitucional o entendimento de que o efeito secundário da condenação criminal
deve persistir mesmo com a extinção da pretensão executória do Estado, e que o marco inicial do decurso de
prazo para declaração da extinção da pretensão executória, também é inconstitucional. Afirma que o prazo de
inelegibilidade, de pena que não chegou a produzir seus efeitos, deve ser contada a partir do trânsito em
julgado da sentença condenatória.
Intimado, o impugnante se manifestou sobre a defesa, ratificando, em síntese, os termos da

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impugnação.
O Ministério Público Eleitoral ofereceu parecer pela procedência da representação e e pelo
indeferimento do registro.
Vieram-me os autos conclusos.

É o relatório. Decido.

2. FUNDAMENTAÇÃO

Primeiramente, passa-se ao julgamento antecipado do mérito da presente demanda, em razão


não só de a questão discutida ser unicamente de direito, como também pelo fato de o impugnante e o
impugnado não terem especificado as provas que pretendiam produzir na petição inicial e na contestação;
com fundamento no artigo 355 do CPC e no artigo 5º da LC nº 64/90.
Cinge-se a questão de mérito, neste processo, à inelegibilidade ou não do pretenso candidato
Denis Rildon da Silva para o cargo de Prefeito na cidade de Ouro Branco/RN.
A primeira questão que merece análise diz respeito à tese da defesa que sustenta a necessidade
de ser reconhecida, em sede de controle difuso, a inconstitucionalidade das disposições da Lei de
Inelegibilidade, por existir uma desproporcionalidade entre a imposição de uma inelegibilidade por 13 anos
em relação a uma pena restritiva de direito que sequer chegou a ser executada.
Ocorre que, o Supremo Tribunal Federal, em decisão proferida no julgamento conjunto da
ADI nº 4578 e ADC nº 29 e nº 30, assentou a constitucionalidade da LC nº 135/2010. Isto é, a Suprema Corte
declarou a constitucionalidade, dentre outros preceitos normativos introduzidos pela LC nº 135/2010, das
hipóteses de inelegibilidade instituídas pela alínea “e” do inciso I do art. 1º da referida Lei Complementar.
Pontue-se que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nessas ações
são dotadas de eficácia erga omnes e se revestem de efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, razão pela qual deve este órgão observá-las.
Delineado esse quadro, entendo que não pode um juiz eleitoral firmar outro entendimento
diverso dos exatos termos da decisão proferida pelo STF, a não ser que fosse possível operar uma distinção
excepcional ou que a jurisprudência houvesse sido superada, o que não se apresenta no caso dos autos.
Por sua vez, também não merece prosperar a tese de inconstitucionalidade invocada pela
defesa acerca de uma eventual desproporcionalidade no prazo de inelegibilidade decorrente da prescrição da
pretensão executória, visto que foi o próprio pretenso candidato que deu causa ao referido prazo ao deixar de
cumprir a pena restritiva de direito a ele imposta. Desse modo, em razão do não cumprimento da pena
imposta e da prescrição da pretensão executória, deverá ser observado o prazo de inelegibilidade estabelecido
pela súmula nº 59 da Jurisprudência consolidada do Colendo Tribunal Superior Eleitoral, como será melhor
delineado abaixo.
Firmada a constitucionalidade do art. 1º, I, e, da LC nº 64/90, deve-se aduzir que prevalece na
doutrina e na jurisprudência nacionais a existência de distinção entre os requisitos de elegibilidade e as
hipóteses de inelegibilidade. Assim, os pressupostos de elegibilidade são requisitos que se devem preencher
para que se possa concorrer às eleições; já as inelegibilidades são impedimentos que, se não afastados por
quem preencha os pressupostos de elegibilidade, lhe obstam concorrer às eleições, ou – se supervenientes ao
registro ou se de natureza constitucional – servem de fundamento à impugnação de sua diplomação, se eleito.
Portanto, para que alguém possa ser eleito precisa preencher pressupostos e não incidir em impedimentos.
Quem não reunir essas duas espécies de requisitos não pode concorrer a cargo eletivo.
Quanto às causas de inelegibilidade, deve-se aduzir que, enquanto impedimentos que obstam o
exercício da capacidade eleitoral passiva pelo cidadão, elas podem decorrer diretamente do texto
constitucional ou da própria lei, devendo, neste caso, estar prevista em Lei Complementar, como assevera o
artigo 14, § 9º, da Carta Magna.
O art. 15, inciso III, da Constituição Federal determina que a condenação criminal transitada
em julgada acarreta a suspensão dos direitos políticos do condenado enquanto perdurarem seus efeitos. Nessa

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linha, durante esse período, não pode o condenado exercer a sua capacidade eleitoral ativa (direito de votar) e
passiva (direito de ser votado). A razão do presente dispositivo é a salvaguarda da legitimidade e da
dignidade da representação popular, porquanto o Parlamento não pode transformar-se em abrigo de
delinquentes, o que constituiria decadência moral vitanda.
A suspensão dos direitos políticos do condenado impede a sua candidatura nos pleitos
eleitorais a partir da sentença condenatória transitada em julgado, enquanto os efeitos da suspensão dos
direitos políticos só cessam com o cumprimento ou a extinção da pena aplicada. Nesse sentindo, tem-se a
Súmula nº 09 do TSE, in verbis:
Súmula nº 09 – TSE: “A suspensão de direitos políticos decorrente de condenação criminal
transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de
prova de reparação dos danos”.
O art. 14, §3º, II, da Constituição estabelece que o pleno exercício de direitos políticos
constitui condição de elegibilidade.
Ademais, dentre as hipóteses de inelegibilidades trazidas pela Lei Complementar nº 64/90,
tem-se que foi mais severa em relação a alguns delitos, conforme se vê abaixo:

Art. 1º São inelegíveis:

I - para qualquer cargo:

[…]

e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão


judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o
cumprimento da pena, pelos crimes: (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de
2010)

1. contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio


público; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)

2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos


na lei que regula a falência; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)

3. contra o meio ambiente e a saúde pública; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de
2010)

4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade; (Incluído pela Lei
Complementar nº 135, de 2010)

5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à


inabilitação para o exercício de função pública; (Incluído pela Lei Complementar nº 135,
de 2010)

6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; (Incluído pela Lei Complementar nº


135, de 2010)

7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos;


(Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)

8. de redução à condição análoga à de escravo; (Incluído pela Lei Complementar nº 135,

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de 2010)

9. contra a vida e a dignidade sexual; e (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010)

10. praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando; (Incluído pela Lei
Complementar nº 135, de 2010) [...]

§ 4º A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste artigo não se aplica aos crimes
culposos e àqueles definidos em lei como de menor potencial ofensivo, nem aos crimes de
ação penal privada.

Transcrito o preceito normativo acima, percebe-se que além de o agente ter suspensos seus
direitos políticos enquanto durarem os efeitos da condenação (Art. 15, III, da CF), também permanecerá
inelegível desde a condenação por órgão judicial colegiado até o prazo de oito anos, após o cumprimento ou
extinção da pena.
No mesmo sentido a jurisprudência:

ELEIÇÕES 2018. REQUERIMENTO DE REGISTRO DE CANDIDATURA.


IMPUGNAÇÃO. INELEGIBILIDADE. CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO PRIVADO.
RECEPTAÇÃO. REGISTRO INDEFERIDO.1. É inelegível o candidato que tenha sido
condenado por crime contra o patrimônio privado desde a condenação até 8 (oito) anos
após o cumprimento da pena (art. 1º, I, e, item 1, da LC n. 64/1990). 2. Impugnação
acolhida. Registro indeferido. (REGISTRO DE CANDIDATO n 060068187, ACÓRDÃO n
7824 de 10/09/2018, Relator HECTOR VALVERDE SANTANA, Publicação: PSESS -
Publicado em Sessão, Data 10/09/2018

No lapso temporal entre a condenação entre a condenação definitiva e a extinção da


punibilidade, falta ao condenado condição de elegibilidade, bem como lhe é imputada hipótese de
inelegibilidade. Uma vez cumprida a pena, o indivíduo readquire a sua condição de elegibilidade, porem deve
aguardar 08 anos para não ser considerado mais inelegível.
Portanto, a alínea “e” não se confunde com a hipótese prevista no art. 15, III, da CF. A referida
alínea não permite a disputa aos cargos eletivos desde a condenação colegiada, ou seja, antes do trânsito em
julgado da sentença condenatória, bem como impõe impedimento à candidatura por 8 anos após o
cumprimento da pena.
A doutrina ensina que para a declaração de inelegibilidade, irrelevante é a natureza da pena
concretamente aplicada, isto é, se privativa de liberdade, restritiva de direito ou pecuniária (multa). Desta
forma, é irrelevante que a pena privativa de liberdade inicialmente aplicada tenha sido convertida pena
restritiva de direito.
O Tribunal Superior Eleitoral editou o verbete de súmula nº 61 que disciplina: “O prazo
concernente à hipótese de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90 projeta-se por oito anos após
o cumprimento da pena, seja ela privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa”.
Feitos esses esclarecimentos e adentrando o plano fático de direito alegado, cumpre asseverar
que a celeuma envolvida na presente ação de impugnação de registro de candidatura do cidadão Denis Rildon
da Silva gira em torno de saber se o candidato está inelegível ou não, em razão de não ter, supostamente,
transcorrido o prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento ou extinção da pena.
Ressalta-se que é fato incontroverso a condenação do pretenso candidato, em decisão proferida
pelo Juízo de Direito da 5ª Vara Criminal de Brasília – Ação nº 20090110571253 – pela prática do crime de
estelionato, à pena privativa de liberdade de 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de reclusão e multa.
Nesse passo, deve-se aduzir que, a jurisprudência entende que o crime de estelionato
caracteriza a causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, item 2, da LC 64/1990. In verbis:

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AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. VEREADOR. REGISTRO DE


CANDIDATURA. CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM JULGADO. NÃO EXAURIMENTO
DO PRAZO DE OITO ANOS APÓS CUMPRIMENTO DA PENA. ART. 1º, I, E, 2, DA LC 64/90.
DESPROVIMENTO. 1. Autos recebidos no gabinete em 13.2.2017. 2. É inelegível, por oito anos depois
de cumprida a pena, quem tiver contra si condenação transitada em julgado por prática de crime contra
o patrimônio privado, a teor do art. 1º, I, e, 2, da LC 64/90. 3. No caso, o candidato foi condenado por
estelionato - art. 171, caput, c/c 71 do Código Penal - e o cumprimento definitivo da pena ocorreu em
27.6.2012. 4. A incidência da LC 135/2010 (Lei da Ficha Limpa) a condenações criminais transitadas
em julgado antes de sua vigência não ofende o princípio da segurança jurídica, conforme decidido pelo
c. Supremo Tribunal Federal na ADC 29/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 5. Agravo regimental desprovido.
(Recurso Especial Eleitoral nº 15441, Acórdão, Relator(a) Min. HERMAN BENJAMIN, Publicação:
DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 94, Data 16/05/2017, Página 100/101)

Por outro lado, observe-se que o crime de estelionato tem pena máxima em abstrato de 05
(cinco) anos, não integrando o rol de crimes de menor potencial ofensivo. Ademais, não se trata de crime de
ação penal privada, afastando-se, portanto, a incidência do art. 1º, §4, da LC nº 64/90.
Além disso, preceitua o art. 11, §10, da Lei nº 9.504/97, que as condições de elegibilidade e as
causa de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalização do pedido de registro de
candidatura, ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro, advindas até a data da
eleição.
Assentada a inelegibilidade do candidato com base no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90, passo à
análise da cronologia criminal dos fatos:
Os fatos criminosos são do ano de 2009.
A sentença condenatória transitou em julgado em 27 de junho de 2011.
A punibilidade foi extinta na data de 04 de abril de 2016, em decorrência do reconhecimento
da prescrição punitiva.
No caso em análise, verifica-se que o pretenso candidato teve sua pena extinta, em decorrência
da prescrição da pretensão executória do Estado, conforme se infere da sentença de ID nº 11008955.
Registre-se que a inelegibilidade ora discutida incide ainda que tenha ocorrido extinção da
pretensão executória do Estado pela ocorrência da prescrição.
Transitada em julgado a sentença penal condenatória para a acusação e para a defesa, surge
para o Estado a pretensão de executar a pena imposta, pretensão essa de natureza material. Nos termos do
artigo 110 do Código Penal, tal pretensão deve ser satisfeita nos prazos estabelecidos no artigo 109 do
mesmo Código, tendo por base o montante da pena privativa de liberdade aplicada. Não sendo a pena
executada no prazo, opera-se a prescrição, a qual fulmina o direito de o Estado executá-la.
No entanto, a extinção da pretensão executória não prejudica os efeitos secundários e
extrapenais da condenação criminal designadamente não afasta a inelegibilidade prevista na alínea e, I, artigo
1º da LC nº 64/90. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 59 do TSE:

Súmula nº 59 do TSE: “O reconhecimento da prescrição da pretensão executória pela Justiça Comum


não afasta a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90, porquanto não extingue os efeitos
secundários da condenação”.

No mesmo sentindo, tem-se a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral:

“[...] Registro de candidatura. Alínea e, I, art. 1º, da LC n. 64/90. Condenação transitada em julgado.
Prescrição da pretensão executória. Reconhecimento. Justiça comum. Inelegibilidade. Incidência.
Prescrição da pretensão punitiva. Decretação. Justiça eleitoral. Incompetência. Desprovimento. 1. O
reconhecimento da prescrição da pretensão executória pela Justiça Comum não afasta a inelegibilidade
prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90, porquanto não extingue os efeitos secundários da condenação,

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na linha da orientação jurisprudencial desta Corte. 2. A Justiça Eleitoral não detém competência para
reconhecer a prescrição da pretensão punitiva e declarar a extinção da pena imposta pela Justiça
Comum, notadamente em sede de processo de registro de candidatura. [...]” Ac.-TSE, de 28.6.2016, na
Pet nº 27751 e, de 22.10.2014, nos ED-RO nº 96862

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. REGISTRO DE CANDIDATURA. ELEIÇÕES 2012.


PREFEITO. INDEFERIMENTO. REITERAÇÃODAS RAZÕES DO RECURSO. CONDENAÇÃO
CRIMINAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. INCIDÊNCIA DA INELEGIBILIDADE.
DESPROVIMENTO.1. A agravante limitou-se a reproduzir as razoes ventiladas no recurso especial, não
aportando aos autos qualquer argumento capaz de afastar os fundamentos da decisão agravada.
Aplicação da Súmula nº 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. A inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e,
da LC nº 64/90 incide mesmo após o reconhecimento da prescrição da pretensão executória, a qual
afasta apenas a execução da pena, subsistindo os efeitos secundários da decisão condenatória, como é o
caso da inelegibilidade (condenação por tráfico de drogas – art. 12 e 14 da Lei nº 6.368/76). 3. A LC nº
64/90 não foi alterada no que tange ao marco inicial para o transcurso da inelegibilidade na hipótese
da alínea e do inciso I do art. 1º, razão pela qual permanece válida a interpretação já firmada por esta
Corte no sentido de que o termo inicial será a data em que declara a extinção da punibilidade. 4. O
Supremo Tribunal Federal, no julgamento das Ações Declaratórias de Constitucionalidades nos 29 e 30
e da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.578/DF, declaro a constitucionalidade da LC nº
135/2010 e reconheceu a possibilidade de sua incidência para fatos pretéritos. 5. Agravo regimental a
que se nega provimento. (TSE – AgR – Respe: 22783 SP, Relator: Min. Luciana Christina Guimarães
Lóssio, Data de Julgamento: 23/10/2012, Data de Publicação: PSESS – Publicado em Sessão, Data
23/10/2012).

ELEIÇÕES 2008. Recurso especial. Registro de candidatura. Prefeito. Indeferimento. Condenação


criminal. Crime contra a administração pública. Prescrição da pretensão executória. Incidência de
inelegibilidade. Art. 1º, I, e, da LC nº 64/90. Concessão de liminar pela justiça comum em Habeas
Corpus após o registro. Suspensão da execução do acórdão condenatório. Irrelevância. As causas de
inelegibilidade e as condições de elegibilidade devem ser aferidas ao tempo do registro. Precedentes.
Recurso improvido. 1. A inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90 incide após a prescrição
da pretensão executória. Precedentes do TSE. 2. Os efeitos de decisões judiciais alheias à Justiça
Eleitoral e supervenientes ao prazo de registro de candidatura, ressalvadas as emanadas do STF em
casos específicos, são irrelevantes para fins de registro e não modificam o que foi decidido na instância
eleitoral ordinária, não sendo aplicável o art. 462 do Código de Processo Civil. 3. Conforme
jurisprudência pacífica desta Corte, as condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidades devem
ser aferidas ao tempo do pedido de registro de candidatura. (TSE - Recurso Especial Eleitoral nº 32209,
Acórdão de 06.11.2008, Relator(a) Min. FERNANDO GONÇALVES, Relator(a) designado(a) Min.
JOAQUIM BENEDITO BARBOSA GOMES, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data
06.11.2008.)

No caso, deve ser contada a partir da data em que se operou a extinção da pretensão
executória. Por ser mais favorável ao réu, deve-se observar essa data, e não a da publicação do ato judicial
que declara extinta a pretensão executória. Tal interpretação mereceu acolhida na Súmula do TSE nº 60, que
reza:

Súmula nº 60 do TSE: “O prazo da causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC


nº 64/90 deve ser contado a partir da data em que ocorrida a prescrição da pretensão
executória e não do momento da sua declaração judicial”.

Ou seja, a jurisprudência corrente do TSE entende que da ocorrência da prescrição da

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pretensão executória, da data em que a mesma se consuma, começa a fluir o prazo de inelegibilidade de 8
anos.
Desta forma, conforme interpretação da referida súmula permanece o réu inelegível nos oito
anos seguintes à data em que se opera a extinção da pretensão executória estatal.
No presente caso, tem-se que a sentença que condenou o réu a uma pena de 1 ano e 4 meses de
reclusão e multa, transitou em julgado no dia 27 de junho de 2011. Portanto, nos termos do art. 110 do
Código Penal, a prescrição regula-se pela pena aplicada, sendo assim o prazo prescricional é de 4 anos.
Logo, na hipótese, verificou-se a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
executória em 27 de junho de 2015, a partir daí, começou a contagem do prazo de 8 anos de inelegibilidade,
com termo em junho de 2023.
O pretenso candidato não logrou êxito em demonstrar que, até a data do pleito, restará
implementado o termo final da inelegibilidade prevista pelo artigo 1º, I, e da LC nº 64/90, motivo por que
deve a Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura ser julgada procedente.
Dessa forma, tendo sido o requerente condenado por crime contra o patrimônio privado,
encontra-se inelegível, nos termos do art. 1º, I, “e”, 2, da LC nº 64/1990, desde a condenação até o transcurso
de oito anos após o cumprimento da pena (no caso, desde a extinção da punibilidade), o que alcança a data de
junho de 2023, abrangendo, portanto, o pleito que se avizinha.

3. DISPOSITIVO

Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a impugnação e, por conseguinte, INDEFIRO o


requerimento de registro do candidato DENIS RILDON DA SILVA para Prefeito do Município de Ouro
Branco/RN.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se.
Dê-se ciência ao Ministério Público Eleitoral.
Promovam-se as anotações necessárias.

Caicó/RN, 24 de outubro de 2020.

ANDRÉ MELO GOMES PEREIRA

JUIZ ELEITORAL

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